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CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA CLÍNICA E INSTITUCIONAL PROFESSORA: Ms. Rosanita Moschini Vargas GRUPO: Bruno Ficanha Basso, Kelly Boeno e Lia de Paula da Silva ROBERTA: UMA GRANDE GAROTA Cristina Dias Allessandrini CONHECENDO ROBERTA - 14 anos (1993); - Diagnóstico: psicótica e limítrofe; encaminhada para a psicopedagoga pela Fonoaudióloga (objetivo do encaminhamento: trabalhar as questões de leitura e escrita); - Gestação: Conturbada (Um mês antes de nascer a mãe perdeu o pai que tanto amava); - Parto: nasceu de parto normal, de fórceps baixo, demorou para chorar e teve um apgar baixo; Na maternidade apresentou tremores e um neurologista foi chamado. Constatou-se que o remédio nefasolina, muito usado pela mãe durante a gravidez, trouxe como consequência os tremores; - Até 1 ano desenvolvimento normal; - Dois meses antes de completar 2 anos, foi feito um eletroencefalograma (EEG), que acusou um nível de alteração rítmica cerebral bastante grande, ainda que não houvesse a constatação de lesão ou paralisia. A partir daí, ou seja, a partir dos 2 anos de idade, Roberta passou a fazer exames EEG periodicamente para fins de controle; - Pai ausente; - Repetiu a 1ª série inúmeras vezes; - Mora com a mãe, avó materna e os dois irmãos; - Pertence a uma família de classe média alta. PRIMEIRO CONTATO (PSICOPEDAGOGA) - Conhecimento e conversa com Roberta (objetivo conhece-la melhor); - Fala de Roberta neste primeiro contato: “Eu venho aqui Cris para aprender a ler, porque eu quero aprender a ler”. PRIMERO SEMESTRE - Preparação de uma pasta (objetivo: guardar desenhos, histórias, registros); - Brincadeiras com teatro, após as histórias produzidas oralmente viravam histórias escritas e desenhadas; - Roberta estabelecia uma relação entre as sílabas sonoras e as suas representações formais, encontrando-se na fase silábica, na perspectiva de Emília Ferreiro. Ao mesmo tempo Roberta conseguia escrever poucas palavras, como: casa, sol, sapo. - Uso do computador para transcrever palavras surgidas durante o teatro; - Recorte de palavras e transcrição das mesmas (“ela desenhava, escrevia; eu recortava o que ela havia escrito e colávamos em outro papel e as reescrevia, agora do meu jeito; Roberta observava e copiava”). SEGUNDO SEMESTRE - Jogo como fator de desenvolvimento da organização metal, temporal e criação de esquemas para vencer; - Brincadeira de escolinha (sugestão da própria Roberta) – “Roberta chegou ao consultório pedindo para brincar de escolinha. Aceitei a brincadeira, mas sugeri que ela fosse a professora e eu, a aluna. Ela gostou da sugestão: escreveu em uma folha de papel várias garatujas de letra palito, dizendo que era o meu boletim. Pedi então, que trocasse de papel comigo e fosse a mãe agora que recebeu a avaliação da escola e a lê. Ela concordou prontamente: pegou o boletim e falou: ´Insuficiente! Insuficiente! Insuficiente! Insuficiente’!” (relato que mostrou como Roberta se sentia dentro da escola); - Primeira vez que a escrita fez sentido para Roberta e que a referida viu sua importância, pois é uma forma de se comunicar com o mundo (No dia do aniversário foi pedido para que ela escrevesse o que gostaria de ganhar de presente). TERCEIRO SEMESTRE - Atividades relacionadas com receitas (objetivo de trabalhar as quantidades). - A atividade com o bolo dava-se em dois níveis. Sendo a primeira representação numérica para a conservação das quantidades, ou seja, as quantidades utilizadas na receita. E por fim a noção de conservação de quantidades descontínuas e numéricas, ou seja, os formatos desenhados com o bolo após assado (linhas retas, linhas tortas, desenho com pedaços de bolo...); - Na mesma sessão utilizavam-se de jogos, com o objetivo de compreender regras; - No fim do semestre, constatou-se que Roberta teve uma grande evolução: ela sabia a escrita, na escola ela se mostrava mais atenta, estava tentando fazer as lições. QUARTO SEMESTRE - Atividades voltadas a construção de histórias, jogos, receitas... (“Não se pode dizer que havia alguma orientação precisa sobre o que era feito durante as sessões: a Roberta chegava, algo acontecia e isso era o suficiente para nós”); - “Roberta trazia livros da escola e era esse o nosso material do dia. Em outras ocasiões, jogávamos forca que além de ser um passatempo, uma diversão, está absolutamente ligado à escrita”; - “Roberta não jogava mais por impulso como no início. Apresentava intenção consciente em relação à sua ação. Conseguia jogar e pensar em cima da sua jogada”; QUINTO SEMESTRE - Roberta gosta de assistir televisão, jogar no computador o jogo ortografando. Segue no jornal e na televisão o jogo dos santos. Gosta de lutar judô e nadar. Realiza suas atividades com autonomia e prazer. Briga e brinca com os irmãos; - Roberta deixou de ir a psicoterapeuta, porém o trabalho psicopedagógico foi priorizado; - No final do semestre foi realizado atividades com velas de natal (“velas trabalhadas com cuidado e atenção, pois a parafina é derretida e colocada em recipientes próprios de modo que, quando esfria, adquire a forma que desejamos”). OUTRAS CONSIDERÇÕES - Roberta mudou-se de escola, pois estava ficando para traz, o que fazia com que se frustrasse; - Na nova escola era a melhor da turma, pois participava ativamente, realizando as atividades propostas; - A nova escola tinha uma proposta pedagógica “normal”, ou seja, tinha diferentes disciplinas, tema de casa, leitura. Era uma escola cuja realidade trabalhava com crianças com dificuldades; - A mãe estava sempre atenta e preocupada com Roberta. Fazia o possível por ela; - Durante as sessões era trabalhado com teatros e histórias escritas, nas quais virou um livro. Os personagens criados por Roberta refletiam sua vida;