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ARTIGO PROJETO NA EI (1)

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pesquisa o mundo, produz suas histórias e culturas, constrói seus saberes e fazeres num processo dialógico e relacional com pessoas e elementos que compõe seu contexto. 
2. PROJETOS PEDAGÓGICOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL: PARA PENSAR ALGUNS CONCEITOS
A discussão sobre a possibilidade de desenvolver uma educação diferenciada pautada em projetos pedagógicos vem ganhando espaço nas últimas décadas. O trabalho com projetos pedagógicos vem se constituindo como uma ferramenta metodológica ao longo da história da educação. Mas o que é projeto? Quando ele se torna um projeto pedagógico? O que é trabalho com projeto? Por que o trabalho com projetos na escola? 
Para início de diálogo é importante verificar a origem da palavra projeto. Segundo o wiktionary on line[footnoteRef:2] a palavra projeto vem do latim projectum do verbo também em latim proicere que significa “antes de uma ação” que por sua vez origina-se da junção entre pró que denota precedência, alguma coisa que vem antes de qualquer outra coisa no tempo de sua ação e, icere “fazer”. Nota-se que a palavra proicere - pró+icere está unida, ou seja, o “antes de uma ação” e o fazer da própria ação conjugam-se em uma só prática. Se projeto é uma ação que fazemos antes do fazer, fazemos na prática do próprio fazer. Não há como separar a “ação de fazer antes de” de o próprio fazer porque a ação de projetar nos coloca diante de uma relação dialética com a prática. [2: Dicionário on line do site https://pt.wikipedia.org acesso em 09/09/2017. ] 
O conceito de projeto pedagógico ou de trabalho por projetos pedagógicos que pontuamos para nossa breve discussão pauta-se na concepção dialética porque entendemos projetos pedagógicos como um conjunto de práticas vividas e compartilhadas na qual existe um objetivo que precede, mas que ao mesmo tempo dialoga com o fazer. 
Apesar de a escola ter avançado um pouco nas discussões sobre o sócio-interacionismo de Vigotsky, Wallon e Piaget, a racionalidade curricular no cotidiano das instituições escolares ainda exige uma organização sistêmica, sintetizada hierarquizada, exemplificada e explicada dentro do paradigma positivista. O pensamento lógico-matemático, dedutivo, quantificável, sequencial, demonstrável são padrões que permeiam o cotidiano escolar invizibilizando as práticas sociais nas quais os sujeitos estão inseridos.
Para John Dewey (1959) a escola não pode ser uma “preparação para a vida, mas, a própria vida”. Nesse sentido, a educação deve ter como centralidade as experiências vividas nos processos de relações e interações humanas entre e com os sujeitos para a construção das aprendizagens. Se a educação é a própria vida como ressalta o filósofo, a função da escola é a de propiciar uma reconstrução permanente das experiências e das aprendizagens dentro de sua vida. 
Considerando-se esses princípios, Dewey (1959) define que o método de projetos não deve ser uma sucessão de ações desconexas, e sim uma atividade coerente, ordenada, na qual um passo prepara a necessidade do passo seguinte, onde cada um deles soma ao que já foi feito e assim transcende de um modo cumulativo de saberes.
A parir da concepção de Dewey, Kilpatrick (2011) pontua reflexões a respeito de um modelo de educação para uma sociedade em transformação e ressalta que os processos de vida das crianças não podem estar separados do cotidiano escolar. Isso levaria facilmente a uma institucionalização da escola no sentido negativo. O autor nos convida a refletir sobre uma escola que proporciona meios para que as crianças possam pensar por conta própria. 
Hernandez (1998, p.59) destaca que os projetos de trabalho “contribuem para uma ressignificação dos espaços de aprendizagem de tal forma que eles se voltem para a formação de sujeitos ativos, reflexivos, atuantes e participantes”. O autor acrescenta ainda que trabalhar com projetos: 
Aproxima-se da identidade dos alunos e favorece a construção da subjetividade, longe de um prisma paternalista, gerencial ou psicologista, o que implica considerar que a função da escola não e apenas ensinar conteúdos, nem vincular a instrução coma aprendizagem. [...] Levar em conta o que acontece fora da escola, nas transformações sociais e nos saberes, a enorme produção de informação que caracteriza a sociedade atual, e aprender a dialogar de uma maneira critica com todos esses fenômenos. (HERNANDEZ,1998, p.61)
	Nesta perspectiva os projetos pedagógicos procuram romper com o modelo de educação centrada no professor transmissor de conhecimentos e de um currículo fragmentado, para um ensino que leve em conta as vivências cotidianas dos estudantes. 
Para a etapa da educação infantil Barbosa e Horn (2008, p. 31) formula um conceito de projeto como:
[...] uma abertura para possibilidades amplas de encaminhamento e resolução envolvendo uma vasta gama de variáveis, de percursos imprevisíveis, imaginativos, criativos, ativos e inteligentes, acompanhados de uma grande flexibilidade de organização. que a proposta de trabalho com projetos possibilita momentos de autonomia e de dependência de grupo; momentos de cooperação, de liberdade, de diálogo como também momentos de individualidades e de socioabilidade; momentos de interesse e de esforço coletivo. 
Desse modo, não podemos conceber projetos pedagógicos na educação infantil que esteja separado dos interesses das crianças. Partimos da concepção de que a criança é um ser inteiro e concreto e, na sua inteireza e concretude necessita ser vista como tal. É necessário uma escuta e um olhar sensível de nós educadores para aquilo que mobiliza seus interesses, seus desejos, perceber seus sentimentos, contradições, sensações, saberes, indagações e curiosidades. 
Quando Dewey espressa que a “escola não é a preparação para a vida, mas a própria vida” nos chama a atenção para olhar as crianças como seres humanos concretos na sua inteireza. Portanto, projetos na educação infantil não podem ser vistos como o acúmulo de papéis, colagens, cartazes e sequências didáticas com “aulas diferentes”. Projetos na educação infantil são vivências, experiências compartilhadas, brincadeiras, interações, ações colaborativas que envolvem a escola e a comunidade na qual as crianças se inserem. É a escola no mundo e o mundo na escola. 
Além dos aspectos discutidos até aqui vale destacar que pensar em projetos pedagógicos na educação infantil exige de nós educadores maneiras diferentes de organização de tempos e espaços que permitam inúmeras criações, e composições pelas crianças, que mobilizam seus interesses e despertam curiosidades. Não é nosso objetivo trazer um guia de elaboração projetos para a educação infantil, mas trazer algumas provocações aos docentes para contribuir na prática cotidiana com as crianças pequenas.
A organização de espaços, as rodas de conversas, a observação e exploração em espaços das comunidades são possibilidades para provocar o interesse das crianças em querer conhecer o desconhecido ou saber mais sobre algo que já conhece. Uma das grandes finalidades de um projeto pedagógico é mobilizar o interesse para a pesquisa. 
3. PROJETO PASSEIO NA CASA DO AMIGO FELIZ: A EXPERIÊNCIA DAS CRIANÇAS NO MODO DE VIVER SUAS INFÂNCIAS ATRAVÉS DE PROJETOS PEDAGÓGICOS
Eis um explorador! 
Exclamou ele logo que viu o principezinho.
O principezinho assentou-se na mesa, ofegante.
Já viajara tanto! 
De onde vens perguntou-lhe o velho?
Que livro é esse perguntou-lhe o principezinho.
Que faz o senhor aqui?
Sou geógrafo, respondeu o velho.
Que é um geógrafo?
[...]
O seu planeta é muito bonito. Haverá oceanos nele?
[...] E montanhas?
[...] E cidades? E rios? E desertos?
Como hei de saber disse o geógrafo pela terceira vez.
Mas o senhor é geógrafo!
É claro, mas não sou um explorador.
Há uma falta absoluta de exploradores.
(SAINT-EXUPÉRY, 2009).
	A curiosidade do principezinho nos remete as inúmeras perguntas que as crianças nos fazem diariamente. As perguntas são as chaves para abrir universos de saberes. Como pondera o filósofo, “uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o

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