Princípios e direitos fundamentais
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Princípios e direitos fundamentais

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II - PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS (arts. 1º ao 4º). DIREITOS E GARANTIAS (art. 5º ao 17)

1. CONCEITOS INICIAIS

1.1. FORMA e SISTEMA DE GOVERNO. FORMA DE ESTADO.

 FORMAS DE GOVERNO
- Refere-se à RELAÇÃO DE PODER ENTRE GOVERNANTES E GOVERNADOS. Indica se o poder político é exercido por tempo certo e determinado ou ilimitadamente.
- Resume-se, fundamentalmente, a duas formas:

a) MONARQUIA
- Características: hereditariedade, vitaliciedade e irresponsabilidade política. Pode ser ilimitada (absolutista) ou limitada (constitucional).
- O Brasil adotou a forma de governo relativa à monarquia constitucional na Constituição de 1824.

b) REPÚBLICA:
Forma de governo na qual um representante (chamado de presidente) eleito pelo povo governa o país.
Caracteriza-se pela temporariedade, (periodicidade) no poder e pela escolha pelo voto (eletividade) do governante.
Este princípio é o adotado atualmente no Brasil e existe boa parte da doutrina que, contrariamente, entende a forma republicana como cláusula pétrea implícita, pois uma de suas características, a periodicidade, é cláusula pétrea expressa (vide o art. 60, §4º, inciso II). O STF ainda não se manifestou a respeito.
Há, porém, uma PROTEÇÃO AO SISTEMA REPUBLICANO na atual Constituição brasileira prevista no art. 34, inciso VII, alínea a, que possibilita a INTERVENÇÃO FEDERAL SOBRE OS ESTADOS E O DF quando qualquer um deles desrespeitar o princípio republicano.

 FORMA DE ESTADO
- Refere-se à DISTRIBUIÇÃO DE PODER DENTRO DO TERRITÓRIO NACIONAL.
- Resume-se, fundamentalmente, a duas formas:

a) ESTADO UNITÁRIO
- É o Estado que se apresenta internacionalmente da mesma forma que internamente, isto é, com APENAS UM GOVERNO CENTRAL DE PLENA JURISDIÇÃO NACIONAL. As divisões internas, caso existam, são apenas de ordem administrativa, sem qualquer autonomia.
- Ex: França, Portugal, Peru e Uruguai. Ressalte-se que o Brasil já adotou esta forma de Estado quando do Império (Constituição de 1824).

b) ESTADO FEDERADO.
- É o Estado que se apresenta, no plano internacional, apenas como uma pessoa jurídica de Direito Público, mas no plano interno o território divide-se em regiões autônomas, isto é, é DESCENTRALIZADO POLÍTICA E ADMINISTRATIVAMENTE, o que significa dizer que existem vários poderes legislativos e executivos, tantos quantos forem as entidades autônomas.
- Outras características: apresenta dois planos de governo, sendo um geral e um regional, e o poder legislativo geral tem estrutura bicameral.
- Acrescenta-se que A FEDERAÇÃO ESTÁ PRESENTE NA ATUAL CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA COMO UM PRINCÍPIO QUE NÃO PODE SER ABOLIDO POR EMENDA CONSTITUCIONAL, tratando-se de CLÁUSULA PÉTREA EXPRESSA (art. 60, § 4º, inciso I).

 SISTEMA DE GOVERNO
- Refere-se à RELAÇÃO DE PODER ENTRE OS PODERES, especialmente entre os poderes legislativo e o executivo.
- Boa parte da doutrina entende que o sistema de governo não se encontra protegido pelas cláusulas pétreas.
- Existem fundamentalmente duas espécies: o sistema presidencialista e o sistema parlamentarista.

a) PRESIDENCIALISMO
- Caracteriza-se por ACUMULAR NA PESSOA DO PRESIDENTE AS FUNÇÕES DE CHEFE DE GOVERNO, exercendo a administração superior do Estado E DE CHEFE DE ESTADO, exercendo atos de soberania junto aos demais países.
- Em relação ao GRAU DE INDEPENDÊNCIA ENTRE O EXECUTIVO E O LEGISLATIVO, existem subespécies de presidencialismo, podendo citar o presidencialismo puro (Constituição brasileira de 1891) e o presidencialismo atenuado (atual Constituição brasileira).

b) PARLAMENTARISMO
- Caracteriza-se por ser um GOVERNO DE DOIS ÓRGÃOS EM QUE O CHEFE DE ESTADO E O CHEFE DE GOVERNO SÃO PESSOAS DIFERENTES, havendo dualidade do executivo.
O CHEFE DE ESTADO é ou um presidente eleito pelo povo ou um monarca, sendo que não tem atribuições administrativas. Seu encargo é (1) representar o Estado no plano internacional e (2) nomear e constituir o gabinete de ministros, a quem compete efetivamente as atribuições do governo. É irresponsável pelos atos de governo já que não tem poderes de administração, respondendo apenas criminalmente.
PRIMEIRO MINISTRO: É escolhido pelo presidente ou pelo monarca, por indicação do parlamento, ou ainda por eleição popular. É chefe do gabinete dos ministros, órgão colegiado, é o governo propriamente dito.
- Havendo perda da confiança do povo (representado pelo Parlamento), o presidente ou o monarca, após decisão do Parlamento neste sentido, pode dissolver o gabinete, convocando em seguida novas eleições, ou pode ainda manter o gabinete, dissolvendo o Parlamento e convocar novas eleições.
- Fica clara a interdependência entre os poderes Executivo e Legislativo.
- O Brasil experimentou o sistema parlamentarista na Constituição de 1824 e entre setembro de 1961 a janeiro de 1963.

 REGIME POLÍTICO DE GOVERNO
- Refere-se à RELAÇÃO DE PODER ENTRE OS GOVERNADOS
- Compreende a autocracia e a democracia. Interessa-nos a Democracia, que apresenta-se em forma de democracia direta, indireta ou semidireta.
DEMOCRACIA DIRETA era exercitada em Atenas e na Grécia e são reminiscências do passado, quando o povo, sem governantes eleitos ou nomeados, exercia os poderes Legislativo, Judiciário e Executivo.
DEMOCRACIA INDIRETA é a que se caracteriza pela escolha de representantes por meio de eleição ou indicação, e falam em nome do povo, seus representados. Recebe também o nome de democracia representativa.
DEMOCRACIA SEMIDIRETA, MISTA OU PARTICIPATIVA combina sistemas de democracia direta ou indireta e é uma atenuação da democracia indireta, ou seja, ACUMULA A REPRESENTAÇÃO COM A PARTICIPAÇÃO DIRETA DO POVO ATRAVÉS DO PLEBISCITO, REFERENDO E INICIATIVA POPULAR (vide art. 14, incisos I, II, III). É a forma adotada ora no Brasil.
INICIATIVA POPULAR é a possibilidade de o povo dar início a um processo junto ao executivo, judiciário ou legislativo, buscando conformar a vontade do povo.
PLEBISCITO, que significa consulta ao povo, é uma forma de CONSULTA PRÉVIA para se obter autorização direta do povo antes de se realizar um ato.
REFERENDO é a CONSULTA POPULAR A POSTERIORI, quando o ato praticado depende de ratificação popular para tornar-se plenamente eficaz. O Estado Democrático de Direito é uma cláusula pétrea implícita.

 TRIPARTIÇÃO DOS PODERES
A tripartição dos poderes em L, E e J não é absoluta, pois, embora independentes são harmônicos entre si, exercem o controle uns sobre os outros. É adotada a teoria de Montesquieu relativa ao sistema de freios e contrapesos ou de controle do poder pelo poder. A independência se manifesta nas funções principais e a harmonia é uma suavização desta independência. Lembrar que a separação dos poderes está protegida por cláusula pétrea (art. 60, parágrafo 4º, III).

1.2. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

DIREITOS	x	GARANTIAS
				

- DECLARADOS pela CF				- ASSEGURADOS pela CF
- INSTRUMENTOS PROCESSUAIS que protegem os direitos

* Para todo DIREITO, existe uma GARANTIA que o assegura
* Do art. 5º ao art. 17 são previstos direitos e garantias

2.1. TIPOS DE GARANTIAS

a) GARANTIAS FUNDAMENTIAS

b) PRINCÍPIOS-GARANTIAS
- São os princípio que têm CARÁTER PROCESSUAL e que visam à PROTEÇÃO DOS DIREITOS
- Ex: Contraditório, juiz natural

c) REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS
- São INSTRUMENTOS TAMBÉM PARA PROTEÇÃO DOS DIREITOS. Contudo, são AÇÕES.
- Subdividem-se em:

c.1) REMÉDIO EXTRAJUDICIAL
- É o DIREITO DE PETIÇÃO: a pessoa não provoca o J, faz um pedido que tem natureza administrativa para combater uma ilegalidade ou um abuso de poder

c.2) REMÉDIOS JUDICIAIS
- São as ações constitucionais: HC, HD, MS, MI, AP, ACP

1.3. DIREITOS FUNDAMENTAIS x DIREITOS HUMANOS

DIREITOS FUNDAMENTAIS 	x 	DIREITOS HUMANOS
				
 - Previsão: CF				- Previsão: Tratados

- Dupla fundamentalidade: são FUNDAMENTAIS NO SENTIDO MATERIAL (porque o conteúdo desses direitos é essencial à proteção da dignidade da pessoa) e FORMAL (porque estão positivados na lei fundamental: a CF)
- No aspecto MATERIAL, direitos humanos e fundamentais são iguais pois AMBOS SÃO ESSENCIAIS