CCJ0006-WL-PA-09-Direito Civil I-Antigo-15842
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Título

9 - DIREITO CIVIL I

Número de Aulas por Semana

Número de Semana de Aula

9

Tema

DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS

Objetivos

l Conceituar e classiϐicar os negócios jurı́dicos

·    Fornecer noções substanciais a respeito dos os planos de existência, validade e eϐicácia do negócio jurı́dico.
·     Estabelecer a conceituação do instituto da representação.
·       Enumerar e distinguir os elementos essenciais e acidentais dos negócios jurı́dicos.

Estrutura do Conteúdo

DOS NEGOƵCIOS JURIƵDICOS
1.      Negócio jurı́dico (conceito e classiϐicação).
2.      Noções sobre os planos de existência, validade e eϐicácia do negócio jurı́dico.
3.      Da representação. 
4.      Elementos acidentais (condição, termo, encargo ou modo): conceitos, espécies e efeitos jurı́dicos.

NEGÓCIO JURÍDICO 
 
Conceito

 

EƵ uma espécie do gênero  ato jurı́dico em sentido amplo. Pode ser entendido como toda ação humana, de autonomia privada, com o qual o particular regula por si os próprios 
interesses. Nele há uma composição de interesses. Os atos praticados pelos agentes foram previstos em lei e desejados por eles. Segundo     Caio Mário de Silva Pereira  - são 
declarações de vontade destinadas à produção de efeitos jurı́dicos queridos pelo agente10. Continua: “O fundamento e os efeitos do negócio jurı́dico assentam, então, na vontade, não 
uma vontade qualquer, mas aquela que atua em conformidade comos preceitos ditados pela ordem legal”.
Para que o negócio jurı́dico seja válido é necessário os seguintes elementos essenciais: a) agente capaz; b) objeto lı́cito, possı́vel, determinado ou determinável; c) forma prescrita e 
não proibida pela lei. 
 
REQUISITOS PARA A VALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO

 O negócio jurı́dico é uma emissão volitiva dirigida a um determinado ϐim. Para que produza todos os efeitos, é necessário que se revista de certos requisitos referentes à pessoa do 
agente, ao objeto da relação e à forma da emissão da vontade. “A validade do negócio jurı́dico requer: I – agente capaz; II – objeto lı́cito, possı́vel, determinado ou determinável; III –
forma prescrita ou não defesa em lei” (CC, art . 104).

Agente capaz

 Para que o negócio jurı́dico ganhe plena eϐicácia produzindo todos os seus efeitos, exige a lei que ele seja praticado por agente capaz. Por agente capaz há que se entender a pessoa 
capaz ou emancipada para os atos da vida civil.

 A licitude

A licitude está inserida no conceito. EƵ mister que o alcance visado pelo ato não seja ofensivo à ordem jurı́dica. A sua liceidade é condição essencial à eϐicácia do negócio jurı́dico, que 
sempre tem por ϐinalidade produzir efeitos jurı́dicos através da manifestação de vontade. Esta tem que ser sempre voltada para ϐins legı́timos, possı́veis, determinados ou 
determináveis. Quando o efeito não for legı́timo ou possı́vel, apesar de existir a vontade, caracteriza -se um ato ilegı́timo, ilı́cito. 

Forma prescrita ou não defesa em lei 

Todo negócio jurı́dico tem uma forma. A vontade, manifestada pelas pessoas, pode ser verbal, por escrito, ou através de gestos. Em numerosos casos a lei exige das partes uma forma 
especial. A regra geral é a forma livre. “A validade da declaração de vontade – diz o art. 107 do CC - não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir”. Isto
signiϐica que todas as exceções devem ser respeitadas, ou seja, se a lei impuser forma especial, esta deverá ser atendida. Por exemplo, a compra de uma casa à vista, deve ser através 
da escritura pública. Se realizada por instrumento particular, não tem validade, porque a lei impõe uma forma (CC, artigo 108). 

INTERPRETAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS 

Dispõe o art. 112 do CC: “Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem”. Estabelece, pois, uma regra de
interpretação destacando o elemento intenção sobre a literalidade da linguagem. Cabe ao intérprete investigar qual foi a real intenção dos contratantes na elaboração da cláusula 
contratual duvidosa ou obscura. “Os negócios jurı́dicos devem ser interpretados conforme a boa - fé e os usos do lugar de sua celebração”, finaliza o art. 113 do CC.

O objeto tı́pico do negócio jurı́dico é o contrato.   O negócio jurı́dico é o principal instrumento para que as pessoas possam realizar seus negócios privados. 

Sem os elementos essenciais o negócio jurı́dico não existe, por conseqüência, não é válido. 
 
São elementos acidentais: a) condição; b) termo; c) encargo. 
 Reserva mental – O que o agente deseja é diferente do que ele declarou. Sua declaração é para enganar a pessoa com quem celebrou o negócio jurı́dico ou a terceiros. 
 
Os negócios jurı́dicos podem ser classiϐicados da seguinte forma: 
1. Quanto à manifestação da vontade: 
a) unilaterais – a declaração de vontade, feita por uma ou mais pessoas, na mesma direção; 
b) bilaterais – duas manifestações de vontade, em sentido oposto, porém há coincidência em relação ao objeto. 
 
2. Quanto às vantagens:  
a) gratuitos – só uma das partes aufere vantagem; 
b) onerosos – ambos os celebrantes possuem ônus e vantagens recı́procas.
 
3. Quanto ao tempo em que devam produzir efeitos:
a) inter vivos – destinados a produzir efeitos durante a vida dos interessados;
b) causa mortis – emitidos para gerar efeitos após a morte do declarante. 
 
4. Quanto à subordinação: 
a) principais – são os negócios jurı́dicos que têm existência própria e não dependem de nenhum outro; 
b) acessórios – aquele cuja existência subordina a um outro. 
 
5. Quanto às formalidades: 
a) solenes – são celebrados de acordo com a forma prevista na lei; 
b) não solenes – não dependem de forma rı́gida para sua celebração. 
 
6. Quanto à pessoa: 
a) impessoais – não importa quem sejam as partes; 
b) intuitu personae – aquele realizado de acordo com as qualidades especiais de quem o celebra.
 
DA REPRESENTAÇÃO
O instituto da representação é objeto de poucos estudos monográϐicos no Brasil, tanto é que o Código Civil anterior, de 1916, sequer lhe deu um tratamento especı́ϐico, O direito 
representativo foi tipiϐicado e sistematizado somente no vigente Código Civil, em seus artigos 115 a 120.0 estudo deste instituto compete à teoria geral do direito civil e tem conexão 
e aplicação em vários ramos do direito, como o direito notarial.

Segundo Silvio Venosa, geralmente, é o próprio interessado, com sua vontade, que atua em negócio jurı́dico. Dentro da autonomia privada, o interessado contrai 
pessoalmente obrigações e, assim, pratica seus atos da vida civil em geral. Contudo, em uma economia evoluı́da, há a possibilidade, e muitas vezes se obriga, de outro 
praticar atos da vida civil no lugar do interessado, de forma que o primeiro, o representante, possa conseguir efeitos jurı́dicos para o segundo, o representado, do mesmo 
modo que este poderia fazê -lo pessoalmente.

O representado, ao permitir que o representante aja em seu lugar, amplia sua esfera de atuação e a possibilidade de defender seus interesses no mundo jurı́dico. O 
representante posiciona -se de maneira que conclua negócios em lugar diverso de onde se encontra o representado, ou quando este se encontra temporariamente impedido de 
atuar na vida negocial, ou ainda quando o representado não queira envolver -se diretamente na vida dos negócios.

Para que essa situação ocorra, é necessário, primeiramente, que o ordenamento jurı́dico a permita e, em segundo lugar, que os requisitos desse mesmo ordenamento jurı́dico 
tenham sido cumpridos.

Para que tal situação se conϐigure, é necessária a emissão de vontade em nome do representado e dentro do poder de representação por ele outorgado ou pela lei.

A noção fundamental, pois, é a de que o representante atua em nome do representado, no lugar do representado. O representante