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( CENTRO EDUCACIONAL MULTICURSOS - Pré- ENEM DISCIPLINA: LITERATURA PORTUGUESA E BRASILEIRA )Arcadismo/ Neoclassicismo (Setecentismo) Momento Histórico: O século XVIII ficou conhecido como o “Século das Luzes” por ter sido palco de várias revoluções que pretenderam “afastar” o homem das “trevas”, do medievalismo Barroco. · O Iluminismo: movimento intelectual que tinha como princípio básico confiar na razão e na ciência como meios capazes de explicar a verdade dos fatos. Defendiam a igualdade entre os homens, a liberdade religiosa e de expressão e outros direitos. Rejeitavam as formas obscuras e não racionais da idade Média prolongadas pela arte barroca. · Revolução Francesa (1789): pregava os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade. · A Revolução Industrial: substituição do trabalho artesanal pelo trabalho assalariado e uso das máquinas. Com o avanço científico surgiram as indústrias e os centros urbanos. A atmosfera calma e pacata dos centros urbanos iniciais cederá lugar a agitação e ao burburinho próprio das cidades do nosso tempo. Por este motivo os homens esclarecidos da época preferiram o campo ao invés das cidades. Em 1690, fundou-se em Roma uma sociedade literária- a Arcádia, com finalidade de combater o barroquismo e cultivar uma poesia clássica. O arcadismo se opôs aos exageros Barroco e voltou-se para tradição clássica. CARACTERÍSTICAS: Revalorização da cultura clássica: alguns conceitos da Antiguidade Clássica são resgatados no Arcadismo, a obra poética árcade deveria resgatar o racionalismo, universalismo, equilíbrio, naturalidade, simplicidade e clareza perdidas na arte seiscentista. Bucolismo: relativo á vida e costumes do campo, exaltação da beleza da natureza e de sua cultura em detrimento a vida citadina. O campo era o lugar ideal para viver. Pastoralismo: fingimento poético, ou seja, simulação de sentimentos fictícios. O eu – lírico adota um pseudônimo e se finge de pastor juntamente com sua amada pastora. Resgate de temas clássicos: através de expressões latinas retomam temas que expressam algumas filosofias de vida do mundo antigo: · Fugere urbem (fuga da cidade): devido a urbanização a cidade deixa de ser um lugar ideal para viver o poeta deseja fugir da cidade para um lugar não corrompido pela civilização. · Lócus amoenus (lugar ameno): para os árcades o campo é um lugar tranqüilo, pacato, calmo, agradável onde é possível encontrar harmonia, paz interior e ausência de conflitos. · Carpe Diem (cantar o dia): o poeta deveria aproveitar a vida, viver os momentos com intensidade, pois a passagem do tempo traz a velhice, fragilidade e a morte. · Áurea Mediocritas (mediocridade áurea/dourada): exaltação a vida equilibrada, espontânea, humilde, em contato com a natureza, idéia que nas coisas simples da vida se encontram a razão e a felicidade. · InutiliaTruncat (cortar o inútil): as inutilidades eram cortadas. A linguagem era depurada, sem exageros ou o rebuscamento da poesia barroca. Os poetas árcades eram contidos em sua expressão poética optavam pela simplicidade, pela ordem direta da linguagem e pela clareza. O marco inicial do Neoclassicismo no Brasil se dá em 1768 com a publicação de Obras poéticas de Cláudio Manuel da Costa. O Arcadismo encontra em Minas Gerais e na exploração do ouro um contexto propício para seu desenvolvimento, os intelectuais punham em prática as ideias do Iluminismo, elaborando projetos políticos e econômicos de independência. A Inconfidência Mineira foi um movimento inspirado nesses ideais. Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810): autor dos versos de Marília de Dirceu na obra o eu- lírico se denomina o pastor Dirceu e confessa seu amor pela pastora Marília. A Lira divide-se em duas partes (há uma terceira, cuja autenticidade é contestada) 1ª Parte: escrita em liberdade predomínio das características árcades: o pastor Dirceu celebra a beleza de Marília em odes anacrêonticas, (pequeno poema lírico que disfarçadamente trata de temas sensuais) faz a corte à pastora procurando convencê-la da futura felicidade no casamento, exaltação da vida campestre, referências mitológicas, carpe diem. Lira XXXIV (fragmento) Minha bela Marília, tudo passa; a sorte deste mundo é mal segura; se vem depois dos males a ventura, vem depois dos prazeres a desgraça. Então os mesmos deuses Sujeitos ao poder do ímpio fado: Apolo já fugiu do céu brilhante, Já foi pastor de gado. [...] Ornemos nossas testas com as flores, e façamos de feno um brando leito; prendamo-nos Marília, em laço estreito, gozemos do prazer de sãos amores. sobre as nossas cabeças, sem que o possam deter, o tempo corre; e para nós o tempo que se passa também Marília, morre. 2ª Parte: escrita na prisão demonstra a solidão de Dirceu saudoso de Marília. Nesta segunda parte encontramos a melhor poesia do escritor. Os convencionalismos árcades embora presentes, não sustentam o equilíbrio Neoclássico. O tom confessional e o pessimismo prenunciam o emocionalismo romântico. Lira LXXXI (fragmento) Nesta triste masmorra, de um semivivo corpo sepultura, inda, Marília adoro a tua formosura. amor na minha idéia te retrata; busca, extremoso, que eu assim resista a dor imensa, que me cerca e me mata. [...] Conheço a ilusão minha; A violência da mágoa não suporto; Foge-me a vista e caio, Não sei se vivo ou morto. Enternece-se Amor de estrago tanto; Reclina-me no peito, e com a mão terna Me limpa os olhos do salgado pranto. Em Portugal o Neoclassicismo tem início com a Fundação da Arcádia Lusitana em 1756 e com as mudanças estruturais, econômicas, políticas e intelectuais (ideais Iluministas) que Marquês de Pombal faz em Portugal. A produção árcade portuguesa foi marcada pelo convencionalismo extremo e pela tentativa de submeter a expressão individual pelos preceitos da razão. O poeta de maior destaque que ousou ir além deste limite foi Manuel Maria Barbosa Du Bocage (1765-1805). A obra de Bocage em sua totalidade, não é árcade nem romântica. É uma obra de transição, que apresenta aspectos dos dois movimentos literários. Convite à Marília Já se afastou de nós o inverno agreste Envolto nos seus úmidos vapores; A fértil primavera, a mãe das flores O prado ameno de boninas veste: Varrendo os ares o sutil nordeste Os torna azuis; as aves de mil cores Adejam entre Zéfiros, e amores, E torna o fresco Tejo a cor celeste: Vem, ó Marília, vem lograr comigo Destes alegres campos a beleza, Destas copadas árvores o abrigo: Deixa louvar da corte a vã grandeza: Quanto me agrada mais estar contigo Notando as perfeições da Natureza! Ó retrato da morte, ó noite amiga Por cuja escuridão suspiro há tanto! Calada testemunha de meu pranto, De meus desgostos secretária antiga! Pois manda Amor, que a ti somente os diga, Dá-lhes pio agasalho no teu manto; Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto Dorme a cruel, que a delirar me obriga: E vós, ó cortesãos da escuridade, Fantasmas vagos, mochos piadores, Inimigos, como eu, da claridade! Em bandos acudi aos meus clamores; Quero a vossa medonha sociedade, Quero fartar meu coração de horrores. EXERCÍCIO ARCADISMO (UEPA-2012) Texto VII “Sobre Bocage, sabemos que foi um homem situado entre dois mundos, entre as regras rígidas de um Arcadismo decadente, refletindo um mundo racional, ordenado e concreto, e a liberdade de um Romantismo ascendente, quando a literatura se abre à individualidade e à renovação". 12. O comentário acima nos permite concluir que Bocage sofreu a violência simbólica quando uma regra pastoril e neoclássica, disfarçada de gosto e verdade inquestionáveis, impediu parcialmente a expressão de sua liberdade criadora. Interprete os versos abaixo e assinale os que tematizam a resistência a tal regra. (a) Só eu ( tirano Amor ! tirana Sorte ! ) Só eu por Nise ingrata aborrecido Para ter fim meu pranto espero a morte. (b) Ó trevas, que enlutais a Natureza, Longos ciprestes desta selva anosa, Mochos de voz sinistra e lamentosa, Que dissolveis dos fados a incerteza; (©) Das terras a pior tu és, óGoa, Tu pareces mais ermo que cidade, Mas alojas em ti maior vaidade Que Londres, que Paris ou que Lisboa. (d) Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga, Por cuja escuridão suspiro há tanto! Calada testemunha de meu pranto, De meus desgostos secretária antiga! (e) Razão, de que me serve o teu socorro? Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo; Dizes-me que sossegue: eu peno, eu morro. (UEPA-2010) Enquanto o sábio arreiga* o pensamento Nos fenômenos teus, oh Natureza Ou solta árduo problema, ou sobre a mesa Volve o subtil geométrico instrumento: [...] Eu louco, cego, eu mísero, eu perdido De ti só trago cheia, ó Jonia, a mente : Do mais, e de mim mesmo ando esquecido ... *fixa 13. No poema acima, Bocage constrói um sujeito poético que: (a) pratica a racionalidade científica e tecnológica. (b) se expressa em versos heptassílabos (redondilha maior) típicos do racionalismo clássico renascentista. (©) apresenta uma atitude oposta à da racionalidade científica e tecnológica. (d) para se opor à racionalidade científica e tecnológica não utiliza rimas. (e) opõe o bucolismo à racionalidade objetiva da ciência e da tecnologia. (UEPA-2015)Leia os versos abaixo para responder à questão 12 Deixa louvar da corte a vã grandeza: Quanto me agrada mais estar contigo Notando as perfeições da Natureza! 2. Os versos de Bocage, acima transcritos, sugerem a tese da superioridade da natureza sobre a civilização. Assinale a opção que apresenta uma das causas deste modo de entender a relação entre estas. (a) O desejo de se afastar dos problemas da vida urbana provocados pela consolidação do modo de produção capitalista. (b) O exacerbado crescimento do sistema feudal e a insatisfação dos poetas árcades com este crescimento. (©) A influência do modo de produção capitalista e a ascensão da burguesia influenciando esteticamente o modelo poético árcade a ter uma visão negativa da natureza. (d) A satisfação com as consequências do capitalismo e o repúdio aos ideais campesinos. (e) A influência da propriedade da terra como fonte geradora de riqueza no modo de produção capitalista.