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BELO HORIZONTE / BRASIL
CURSO PREPARATÓRIO PARA CONCURSO 
PÚBLICO UFMG 2018
CARGO BIBLIOTECÁRIO
Associação dos Bibliotecários
de Minas Gerais - ABMG
1
 
 
 
1 
 
© 2018 Jorge Santa Anna 
 Maria Elizabeth de Oliveira Costa 
 2018 Associação dos Bibliotecários de Minas Gerais - ABMG 
 
 
ORGANIZAÇÃO DO MATERIAL DIDÁTICO: Jorge Santa Anna e Maria Elizabeth de Oliveira Costa 
PROFESSORES COLABORADORES: Elisângela Cristina Aganette, Flávia Ferreira Abreu, Graciane Bruzinga Borges, Jorge 
Santa Anna, Maria Elizabeth de Oliveira Costa e Mayara Silva Gonçalves. 
DEMAIS PROFESSORES MINISTRANTES DAS AULAS: Filipi Soares, Janete Fernandes, Maria de Fátima Pinto Coelho, 
Maria Helena Santos e Vilma Carvalho de Souza 
 
NORMALIZAÇÃO BIBLIOGRÁFICA E REVISÃO TEXTUAL: Jorge Santa Anna 
MONTAGEM DA CAPA: Graciane Bruzinga Borges 
 
 
 
ASSOCIAÇÃO DOS BIBLIOTECÁRIOS DE MINAS GERAIS - ABMG 
Presidente: Maria Elizabeth de Oliveira Costa 
Vice: Cleide Fernandes 
Demais membros: Andrea Brandão, Edcleyton Bruno Fernandes da Silva, Graciane Silva Bruzinga Borges, Jorge Santa Anna, 
Maria Cleia Borges e Taciane Gomes Rodrigues 
Gestão 2018/2020 
 
 
ABMG 
 
 
 
 
Dados Internacionais de da Catalogação na Publicação – CIP 
C977 
 
 Curso Preparatório para Concurso Público na área de Biblioteconomia : Material didático 
instrumental / Jorge Santa Anna, Maria Elizabeth de Oliveira Costa (Org.). Belo Horizonte: ABMG, 
2018. 
 165 f. 
 
 
 Inclui Referências 
 
 ISBN 978-85-85259-00-6 
 
 
 1. Bibliotecas Universitárias. 2. Gestão de Bibliotecas. 3. Concurso Público Bibliotecário. I. 
Costa, Maria Elizabeth de Oliveira. II. Santa Anna, Jorge. III. Título. 
 
 
 
 CDD : 020 
 
 
 
 
2 
 
JORGE SANTA ANNA 
MARIA ELIZABETH DE OLIVEIRA COSTA (ORG.) 
 
 
 
 
CURSO PREPARATÓRIO PARA CONCURSO 
PÚBLICO NA ÁREA DE BIBLIOTECONOMIA: 
MATERIAL DIDÁTICO E INSTRUMENTAL 
 
 
 
 
Belo Horizonte 
ABMG 
2018 
 
 
 
 
 
3 
 
APRESENTAÇÃO DA OBRA 
 
Esta obra caracteriza-se como a compilação das onze aulas realizadas ao longo do Curso 
“Preparatório para Concurso Público da UFMG – Cargo Bibliotecário”, curso promovido pela Associação 
dos Bibliotecários de Minas Gerais (ABMG), no primeiro semestre do ano de 2018. Por contemplar 
assuntos variados direcionados à prática pedagógica, visando ao ensino-aprendizagem para fins de 
aprovação em um certame, o presente trabalho manifesta-se como um material didático/instrumental, o 
qual poderá servir de base na organização de estudos futuros dos bibliotecários que desejam ingressar-se 
na carreira dos concursos públicos. 
Nosso sentimento é de extrema gratidão, e, ao mesmo tempo, dever cumprido, haja vista o 
sucesso alcançado com o curso, o qual obteve um total de 30 alunos participantes, distribuídos em duas 
turmas, e a colaboração de 11 docentes e bibliotecários especializados e conhecedores dos assuntos 
contemplados nas aulas. Assim, ao mesmo tempo em que a ABMG fortalece-se na oferta de cursos a 
profissionais, também cumpre o seu papel social, nesse momento, quando tornamos o material didático-
instrumental de domínio público, de modo que possa auxiliar profissionais, estudantes e/ou 
pesquisadores em outros contextos e circunstâncias. 
A decisão da ABMG em publicitar este material reforça o compromisso social/profissional da 
associação em prol do fortalecimento da classe bibliotecária, no intuito de que a área dos concursos 
públicos possa ser ocupada pelos bibliotecários que optarem por esse segmento de atuação no mercado 
de trabalho. Mesmo cientes de que este material não contemplará, na totalidade, os conteúdos 
abordados nos concursos de outras instituições, percebemos que muitas bibliografias aqui resumidas 
estão consagradas como clássicas, visto que têm sido adotadas pelas principais bancas examinadoras, nos 
mais diferenciados concursos realizados no Brasil, na área de Biblioteconomia/Ciência da Informação. 
Portanto, essa constatação fortalece a nossa percepção a respeito da utilidade e do valor que esta 
obra poderá assumir para os bibliotecários concurseiros e para estudantes interessados nos temas aqui 
abordados. Esperamos que o uso da obra - embora direcionada à preparação para concursos públicos - 
não seja limitado a esse fim, unicamente, mas que possa servir como material de consulta, de apoio, de 
orientação, dentre outras finalidades, junto ao diferentes públicos, seja em contextos acadêmicos e/ou 
profissionais. 
Considerando o contexto em que foi gerado, o presente trabalho está focado nos estudos para 
concursos públicos, sem, contudo, perder sua contribuição em outras ocasições. Com vista a atender os 
objetivos estabelecidos no plano do Curso “Preparatório para Concurso Público da UFMG – Cargo 
Bibliotecário”, conforme consta no apêndice A, tanto as aulas, quanto o material aqui apresentado, estão 
 
4 
 
em consonância com os conteúdos programáticos e a bibliografia do concurso da UFMG, de 2018, como 
demonstrado no anexo A. 
No entanto, salientamos que nossa intenção, ao elaborar essa coletânea de aulas, não se 
restringe, tão somente, ao aspecto tecnicista que permeia os estudos para concursos públicos. Também 
nos instiga o desejo de que, a partir da sistematização dos conteúdos aqui refletidos e das estratégias de 
ensino-aprendizagem, novas provocações possam ser despertadas acerca de se melhorar continuamente 
a prática pedagógica, com base na interação entre alunos e professor e do papel do docente na mediação 
do conhecimento socializado e no despertar da motivação provocada nos alunos. 
No que se refere à organização dos conteúdos abordados nas aulas e, agora sumarizados neste 
trabalho, reforçamos que, embora a intenção fosse atender, ao máximo, o crivo da padronização, 
optamos por respeitar a forma de organização, o estilo de escrita, dentre outras especificidades adotadas 
por cada professor, na condução de suas aulas. Assim, ajustes de normalização e diagramação textual 
foram realizados, na medida do possível, respeitando-se, essencialmente, o estilo adotado pelo docente. 
Nesse contexto, são apresentados, ao longo dos capítulos (dez aulas diluídas em quatro módulos e 
uma aula final de revisão geral dos módulos), assuntos que permeiam o fazer bibliotecário na 
universidade, desde aspectos de gestão, perpassando pelas práticas de formação e tratamento das 
coleções, até estudos de uso e usuários da informação. Ademais, à medida que os assuntos vão sendo 
discorridos, com base nas bibliografias do concurso, são apresentadas diversas questões objetivas, as 
quais já foram contempladas em outros concursos no país, de modo a treinar/preparar o aluno para o 
modelo provável de questão a ser cobrada nos certames. 
Não poderíamos deixar de agradecer os diversos personagens envolvidos na organização e no 
apoio do “Preparatório para Concurso Público da UFMG – Cargo Bibliotecário”, especialmente os 
membros da atual Diretoria da ABMG (gestão 2018/2021). Também agradecemos os professores e 
bibliotecários que conduziram as aulas, e, principalmente, aos seis professores que contribuíram na 
elaboração deste material didático. 
Por fim, nosso desejo é que este material possa atender as necessidades específicas de 
diferenciados públicos, contribuindo, de alguma forma, para a evolução do bibliotecário e o alcance dos 
objetivos que esse profissional almeja. Desejamos boas leituras e uso efetivo deste material e nos 
colocamos à disposição para quaisquer críticas e considerações, no intuito de viabilizar a melhoria dos 
próximos cursos e treinamentos que a ABMG pretende oferecer no futuro. 
 
Nossos agradecimentos e até os próximos cursos! 
Belo Horizonte, 04 de julho de 2018. 
Jorge Santa Anna e MariaElizabeth de Oliveira Costa (organizadores) 
 
5 
 
Para início de conversa... Algumas reflexões! 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
SUMÁRIO 
 
MÓDULO I - A BIBLIOTECA NO CONTEXTO DA UNIVERSIDADE ......................................... 11 
AULA I: A BIBLIOTECA E A UNIVERSIDADE ................................................................................................... 12 
1 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: FUNÇÕES, OBJETIVOS, ESTRUTURA E RECURSOS ..................................... 12 
1.1 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: FUNÇÕES ................................................................................................... 13 
1.2 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: OBJETIVOS ................................................................................................ 14 
1.3 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: ESTRUTURA E RECURSOS .......................................................................... 15 
1.4 GESTÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA ................................................................................................ 15 
1.5 PLANEJAMENTO, ORGANIZAÇÃO E AVALIAÇÃO ..................................................................................... 15 
1.6 PLANEJAMENTO NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA ................................................................................... 16 
1.7 ORGANIZAÇÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA ..................................................................................... 17 
1.8 AVALIAÇÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA ........................................................................................... 17 
1.9 DIREÇÃO E CONTROLE DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA ......................................................................... 18 
1.10 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO ........................................................................................................................ 18 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................. 20 
 
MÓDULO II - O ACERVO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA ................................................. 21 
AULA II: FORMAÇÃO, DESENVOLVIMENTO, GESTÃO E PRESERVAÇÃO DE COLEÇÕES .............................. 22 
2 FORMAÇÃO, DESENVOLVIMENTO, GESTÃO E PRESERVAÇÃO DE COLEÇÕES.......................................... 23 
2.1 A PERSPECTIVA SISTÊMICA PARA O DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES – MODELO DE EVANS ............ 23 
2.2 POLÍTICAS, ROTINAS E PROCESSOS ......................................................................................................... 25 
2.2.1 Política de Desenvolvimento de Coleções .......................................................................................... 25 
2.3 AVALIAÇÃO DE COLEÇÕES ....................................................................................................................... 25 
2.4 CONSERVAÇÃO, PRESERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE COLEÇÕES ........................................................... 25 
2.5 SELEÇÃO DE COLEÇÕES ............................................................................................................................ 26 
2.6 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO .......................................................................................................................... 28 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................. 30 
AULA III: FONTES DE INFORMAÇÃO E BIBLIOTECAS DIGITAIS .................................................................... 31 
3 FONTES DE INFORMAÇÃO ......................................................................................................................... 32 
3.1 A CIÊNCIA, O SISTEMA DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A LITERATURA CIENTÍFICA ............................ 32 
3.1.1 Tipologias de fontes de informação .................................................................................................... 32 
 
 
7 
 
3.2 ORGANIZAÇÕES COMO FONTES DE INFORMAÇÃO ................................................................................. 33 
3.3 PESQUISA EM ANDAMENTO .................................................................................................................... 33 
3.4 ENCONTROS CIENTÍFICOS ........................................................................................................................ 34 
3.5 PERIÓDICOS CIENTÍFICOS ........................................................................................................................ 35 
3.6 LITERATUZA CINZENTA ............................................................................................................................ 36 
3.7 RELATÓRIOS TÉCNICOS ............................................................................................................................ 36 
3.8 PUBLICAÇÕES GOVERNAMENTAIS .......................................................................................................... 36 
3.9 TESES E DISSERTAÇÕES ............................................................................................................................ 37 
3.10 OBRAS DE REFERÊNCIA .......................................................................................................................... 37 
3.11 NORMAS TÉCNICAS................................................................................................................................ 37 
3.12 PATENTES ............................................................................................................................................... 37 
3.13 ÍNDICES DE CITAÇÃO .............................................................................................................................. 37 
3.14 A INTERNET ............................................................................................................................................ 37 
3.15 BIBLIOTECAS DIGITAIS ........................................................................................................................... 38 
3.15.1 Conceitos e características ................................................................................................................ 38 
3.15.2 Dimensões da BD ............................................................................................................................... 38 
3.15.3 Bibliotecas digitais e web semântica ................................................................................................ 39 
3.15.4 Gestão de coleções na biblioteca digital ........................................................................................... 40 
3.16 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO – BIBLIOTECAS DIGITAIS ................................................................................ 42 
3.17 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO – FONTES DE INFORMAÇÃO .......................................................................... 44 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................. 45 
AULA IV: O PERIÓDICO CIENTÍFICO, OPEN ARCHIVES E RECURSOS INFORMACIONAIS ............................. 46 
4 O PERIÓDICO CIENTÍFICO ........................................................................................................................... 47 
4.1 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS ................................................................................................................. 47 
4.2 OPEN ARCHIVES ....................................................................................................................................... 48 
4.3 OS REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS ......................................................................................................... 49 
4.4 RECURSOS INFORMACIONAIS: REPOSITÓRIOS DIGITAIS .........................................................................49 
4.5 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO .......................................................................................................................... 52 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................. 53 
 
MÓDULO III - ORGANIZAÇÃO E TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO EM SUPORTES 
VARIADOS .......................................................................................................................... 54 
AULA V: SOFTWARE PARA GERENCIAMENTO DE BIBLIOTECAS – SISTEMA PERGAMUM ......................... 55 
 
8 
 
5 SOFTWARE PARA GERENCIAMENTO DE BIBLIOTECAS: SISTEMA PERGAMUM ....................................... 56 
5.1 QUESTÕES CONTEXTUAIS ........................................................................................................................ 56 
5.2 PERGAMUM: GÊNESE E DESENVOLVIMENTO ......................................................................................... 56 
5.3 COMPOSIÇÃO/ESTRUTURA DO PERGAMUM .......................................................................................... 57 
5.4 FORMAÇÃO DA REDE PERGAMUM: A CATALOGAÇÃO COOPERATIVA EM EVIDÊNCIA .......................... 57 
5.6 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? ................................................................................................................... 58 
5.7 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? ................................................................................................................... 59 
5.8 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO .......................................................................................................................... 60 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................. 62 
AULA VI: REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA DA INFORMAÇÃO – SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO CDD E CDU ... 63 
6 REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA DA INFORMAÇÃO ....................................................................................... 63 
6.1 SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO .................................................................................................................. 64 
6.1.1 Sistema de classificações bibliográficas .............................................................................................. 65 
6.1.2 Classificação Decimal de Dewey - CDD ............................................................................................... 66 
6.2 CONSIDERAÇÕES ...................................................................................................................................... 68 
6.3 A CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL - CDU ........................................................................................ 68 
6.4 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? ................................................................................................................... 70 
6.5 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? ................................................................................................................... 71 
6.6 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO .......................................................................................................................... 72 
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................................. 74 
AULA VII: REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA DA INFORMAÇÃO - INDEXAÇÃO .................................................. 75 
7 ANÁLISE DE ASSUNTO ................................................................................................................................ 76 
7.1 INDEXAÇÃO: CONCEITOS, CARACTERÍSTICAS E LINGUAGENS................................................................. 76 
7.2 INDEXAÇÃO AUTOMÁTICA ...................................................................................................................... 79 
7.3 O PROCESSO DE TRATAMENTO TEMÁTICO ............................................................................................. 83 
7.4 A LEITURA DO TEXTO PELO INDEXADOR ................................................................................................. 84 
7.5 EXTRAÇÃO DE CONCEITOS ....................................................................................................................... 85 
7.6 DETERMINAÇÃO DA ATINÊNCIA .............................................................................................................. 85 
7.7 LINGUAGENS DOCUMENTÁRIAS.............................................................................................................. 86 
7.7.1 Classificação das linguagens documentárias ...................................................................................... 89 
7.7.2 Sistema Nocional ................................................................................................................................. 90 
7.7.3 Relações Linguísticas e Documentação ............................................................................................... 91 
7.8 POLÍTICA DE INDEXAÇÃO ......................................................................................................................... 93 
 
9 
 
7.9 ELEMENTOS DA ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO ................................................................................. 93 
7.10 RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO ......................................................................................................... 97 
7.11 WEB E INDEXAÇÃO AUTOMÁTICA ......................................................................................................... 97 
7.12 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO ........................................................................................................................ 99 
REFERÊNCIAS ............................................................................................................................................... 101 
AULA VIII: REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA DA INFORMAÇÃO - CATALOGAÇÃO ....................................... 102 
8 REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA: REFLEXÕES INICIAIS .............................................................................. 103 
8.1 CATALOGAÇÃO: HISTORICIDADE ........................................................................................................... 103 
8.2 O NASCIMENTO DA CATALOGAÇÃO COOPERATIVA ............................................................................. 104 
8.3 A AUTOMATIZAÇÃO DAS BIBLIOTECAS: A CONVERSÃO RETROSPECTIVA ............................................ 105 
8.4 VAMOS EXERCITAR? .............................................................................................................................. 106 
8.5 CATALOGAÇÃO DE DIFERENTES MATERAIS: AACR2 .............................................................................. 108 
8.5.1 Estrutura do Código de Catalogação Anglo-Americano e formas de descrição .............................. 108 
8.6 VAMOS EXERCITAR? .............................................................................................................................. 109 
8.7 METADADOS NO ÂMAGO DA CATALOGAÇÃO ...................................................................................... 110 
8.8 REQUISITOS FUNCIONAIS PARA REGISTROS BIBLIOGRÁFICOS (FRBR) .................................................. 111 
8.9 MACHINE READABLE CATALOGUING – CATALOGAÇÃO LEGÍVEL POR COMPUTADOR (MARC) ........... 112 
8.10 RESOURCE DESCRIPTION AND ACCES (RDA) ....................................................................................... 114 
8.11 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? ............................................................................................................... 114 
8.12 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO ...................................................................................................................... 115 
 
MÓDULO IV - ESTUDOSDE USUÁRIOS E USO DA INFORMAÇÃO .................................... 118 
AULA IX: COMPETÊNCIA INFORMACIONAL, COMUT E NORMAS BIBLIOGRÁFICAS ................................. 119 
9 COMPETÊNCIA INFORMACIONAL ............................................................................................................ 120 
9.1 PROGRAMA DE COMUTAÇÃO BIBLIOGRÁFICA – COMUT ..................................................................... 122 
9.2 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? ................................................................................................................. 123 
9.3 NORMAS DE TRABALHOS E PUBLICAÇÕES ............................................................................................ 125 
9.3.1 NBR 14724 .......................................................................................................................................... 125 
9.3.2 NBR 10520 .......................................................................................................................................... 125 
9.3.3 NBR 6023 ............................................................................................................................................ 125 
9.4 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? ................................................................................................................. 126 
REFERÊNCIAS ............................................................................................................................................... 127 
 
10 
 
AULA X: USUÁRIOS, PRODUTOS, SERVIÇOS, NECESSIDADES E USOS ....................................................... 128 
10 DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO ........................................................................................................ 129 
10.1 O PAPEL DO PROFISSIONAL NA DISSEMINAÇÃO ................................................................................. 129 
10.2 SERVIÇO DE REFERÊNCIA ..................................................................................................................... 130 
10.3 SERVIÇO DE REFERÊNCIA PRESENCIAL ................................................................................................ 131 
10.4 SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL ...................................................................................................... 131 
10.5 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? ............................................................................................................... 132 
10.6 USUÁRIOS: NECESSIDADES E ESTUDOS ............................................................................................... 133 
10.7 MODALIDADES DE SERVIÇOS DE REFERÊNCIA .................................................................................... 134 
10.8 A QUESTÃO DOS ESTUDOS DE USUÁRIOS ........................................................................................... 134 
10.9 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? ............................................................................................................... 136 
REFERÊNCIAS ............................................................................................................................................... 138 
 
ENCERRAMENTO ............................................................................................................. 139 
AULA XI: REVISÃO FINAL DO CURSO .......................................................................................................... 139 
11.1 A BIBLIOTECA E A UNIVERSIDADE – AULA I ......................................................................................... 139 
11.2 O ACERVO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA – AULA II ......................................................................... 141 
11.3 FONTES DE INFORMAÇÃO – AULA III ................................................................................................... 142 
11.4 PERIÓDICOS CIENTÍFICOS, OPEN ARCHIVES E REPOSITÓRIOS – AULA IV ............................................ 145 
11.5 SISTEMA PERGAMUM – AULA V .......................................................................................................... 146 
11.6 SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO: CDD E CDU – AULA VI ......................................................................... 147 
11.7 REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA: AACR2 – AULA VII .............................................................................. 148 
11.8 REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA – AULA VIII ............................................................................................ 151 
11.9 COMPETÊNCIA INFORMACIONAL, COMUT E NBRs – AULA IX ............................................................ 152 
11.10 USUÁRIOS DA INFORMAÇÃO – AULA X ............................................................................................. 154 
 
ANEXO A – BIBLIOGRAFIA DO CONCURSO ................................................................................................. 156 
APÊNDICE A – PLANO GERAL DO CURSO ................................................................................................... 160 
APÊNDICE B – EQUIPE PARTICIPANTE NA ELABORAÇÃO DO MATERIAL DIDÁTICO ................................. 164 
 
 
 
 
 
11 
 
MÓDULO I 
 
 
 
 
A BIBLIOTECA NO CONTEXTO 
DA UNIVERSIDADE 
 
 
AULA I: A biblioteca e a universidade 
 
12 
 
AULA I: A biblioteca e a universidade 
 
Docente responsável: Maria Elizabeth de Oliveira Costa 
Bibliotecária da Escola Ciência da Informação da UFMG. Presidente da ABMG, gestão 2018/2021. 
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do Conhecimento. Tem 
experiência na área de Biblioteca Universitária e Educação a Distância, tendo ocupado cargo de gestão do 
Sistema de Bibliotecas da UFMG, por duas vezes. 
 
 
CONTEÚDOS DA AULA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: FUNÇÕES, OBJETIVOS, ESTRUTURA E RECURSOS 
 
As bibliotecas são como organizações, as quais convergem um conjunto de elementos que 
interligados produzem trabalho (MACIEL; MENDONÇA, 2006). 
 
13 
 
No caso das bibliotecas universitárias (BUs), elas manifestam-se como dependentes da sociedade 
e de instituições a que estão vinculadas, devendo acompanhar as mudanças relativas ao campo do 
conhecimento e da educação (LEITÃO, 2005). 
As BUs são empresas e, como tal, constituídas por um conjunto de funções responsáveis, que vão 
desde a localização, organização até a recuperação da informação para os usuários que delas necessitam 
(VERGUEIRO; MIRANDA, 2007). 
A sua estrutura organizacional está formada por departamentos denominados de divisões e 
seções. A cada departamento cabe a responsabilidade pelo desenvolvimento de algum produto e/ou 
serviço, formando uma cadeia até a sua execução final (VERGUEIRO; MIRANDA, 2007). 
 A tríade das Bus A BU do futuro 
 
Fonte: adaptado de Cunha (2000). 
As mudanças ocorridas na sociedade atual promoveram a redefinição dos produtos e serviços 
prestados pela BU. A oferta diversificada de materiais, em diferentes formatos e suporte, despertou o 
nascimento de uma unidade com novas concepções e estruturas, consolidando um processo evolutivo 
das bibliotecas, desde a era tradicional, até o nascimento da biblioteca digital e virtual, conforme figura 2. 
 
Fonte: Cunha (2000). 
Segundo Cunha (2000), manifestam-se novos cenários para as BUs: do professor ao aprendiz. Isso 
provoca implicações variadas no contexto das Bus, tais como: a redistribuição do pessoal da biblioteca, 
com um maior quantitativo voltado para o atendimento ao usuário, na terceirização de serviços e na 
oferta cada vez maior de serviços educacionais a distância. 
O autor citado menciona quatro principais mudanças nas bibliotecas, com a chegada das 
tecnologias digitais e com os impasses do mercado globalizado. Dentre elas, citam-se: 1 - mudanças 
estruturais (ênfaseno atendimento, terceirização dos outros serviços); 2 - no financiamento (consórcios 
visando à redução de custos); 3 - nos serviços (balcão de referência eletrônico, suporte a programas de 
ensino à distância, agentes inteligentes); 4 - quanto aos públicos (o atendimento à demanda reprimida 
por ensino superior implicará diversidade de clientela). 
 
1.1 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: FUNÇÕES 
 
 
 
14 
 
De acordo com Maciel e Mendonça (2006), as bibliotecas são consideradas organizações. Isso 
porque, de modo geral, semelhantes às demais organizações inseridas nos mais diversos ramos do 
mercado, elas convergem um conjunto de elementos que interligados produzem trabalho. 
A divisão das atividades tem sido uma realidade constante, principalmente em grandes 
bibliotecas, que demandem um fluxo mais intenso de materiais informacionais, o que requer a divisão 
organizacional. Segundo Maciel e Mendonça (2006), as atividades básicas dos bibliotecários contemplam 
quatro grandes funções que são: função de desenvolvimento da coleção, função organização das 
coleções, função dinamização das coleções e funções gerenciais (figura 3). 
 
Segundo descrito por Maciele e Mendonça (2006), a primeira função corresponde à “porta de 
entrada” da biblioteca, ou seja, a função Formação e Desenvolvimento da Coleção (FDC) contempla os 
procedimentos administrativos de aquisição de materiais que incorporarão o acervo, contatos com 
fornecedores, pagamentos e conferências de notas fiscais e demais documentos gerados nas transações. 
A segunda função representa o setor onde se realizam as atividades de processamento técnico, ou 
seja, após ser adquirido, o material é catalogado, indexado e classificado, conforme regras de 
representação existente na biblioteca. Após isso, o livro pode ser inserido na estante, passando a fazer 
parte do sistema. 
A terceira função compreende os serviços de referências, ou seja, o atendimento ao usuário, 
objetivando encontrar uma obra no acervo. É nessa seção que a biblioteca realiza as atividades de 
controle do acervo e a assistência prestada ao usuário, seja no manuseio do sistema, do acervo ou da 
disponibilização de materiais para empréstimo. 
A quarta função diz respeito às atividades de monitoramento, ou seja, contempla a atividade de 
administrar todas as demais seções, realizando ajustes necessários e intervindo nas atividades e nos 
colaboradores no sentido de conduzi-los com o intuito de atingir a essência nas atividades realizadas. 
Importante entender, segundo Maciel e Mendonça (2006), que essas funções são 
complementares, ou seja, uma depende da outra, não podendo se desenvolverem de forma isolada. À 
medida que os materiais chegam à unidade, inicia-se um constante e contínuo fluxo ou processo de 
trabalho que permite a preparação do item a fim de que seja incorporado ao acervo a fim de poder ser 
recuperado no momento da busca. 
 
1.2 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: OBJETIVOS 
 
Os objetivos das bibliotecas, de um modo geral, visam a contribuir para a disseminação da 
informação, transmissão de conhecimento, e ser o centro cultural de uma determinada comunidade 
15 
 
(MACIEL; MENDONÇA, 2006). Ainda, segundo essas autoras, o objetivo da biblioteca varia conforme sua 
comunidade de usuários e seus propósitos. 
 
1.3 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: ESTRUTURA E RECURSOS 
 
As bibliotecas universitárias são contempladas por recursos materiais, recursos financeiros e 
recursos humanos. Esses recursos viabilizam a manutenção e ampliação da infraestrutura, que, através da 
gestão dos recursos e com infraestrutura adequada será obtida a qualidade dos serviços prestados pela 
comunidade usuária. Por fim, a BU realiza avaliação de desempenho, de modo a monitorar e melhorar 
continuamente os produtos e serviços que oferece à comunidade acadêmica (LEITÃO, 2005). 
Os desafios por que passam as BUs, na Sociedade do Conhecimento, fazem com que essas 
unidades assumam novas competências. Assim, as BUs deixam de ser apenas repositório de informações 
e passam a trabalhar com políticas que focam a satisfação do usuário e a contribuição das suas ações na 
melhoria dos processos e dos resultados de formação dos alunos. Portanto, constituem-se em setores 
estratégicos engajados na dinâmica institucional que precisam submeter-se aos processos avaliativos com 
fins de melhoria contínua e de assegurar a qualidade dos seus serviços (LUBISCO, 2011). 
 
1.4 GESTÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA 
 
A gestão da BU em tempos de mudança precisa considerar diferentes aspectos, que são: 1 - a 
responsabilidade dos envolvidos com suas funções; 2 - o trabalho em equipe; 3 – a gestão adequada de 
recursos financeiros e humanos; 4 – a integração entre todos os envolvidos: alunos, funcionários e 
comunidade; 5 – a administração do tempo e da inovação (LEITÃO, 2005). 
A relação entre biblioteca e universidade precisa considerar os seguintes aspectos, a saber: 1 – 
armazenamento de documentos que apoiam, historiam e estimulam o saber; 2 - acompanhamento dos 
rumos tomados pelo conhecimento; 3 - estreitamento dos laços com seus usuários; 4 - gestão de toda 
espécie de recursos que essas atividades envolvem (LEITÃO, 2005). 
De igual forma, as unidades documentárias, como em qualquer empresa, devem ser geridas tendo 
como foco: 
1 - o atendimento das necessidades de seus usuários; 
2 - na identificação de requisitos de qualidade do produto ou serviço; 
3 - no estabelecimento de um planejamento para que esse padrão seja atingido; 
4 – na busca pela melhoria contínua, em todos os seus aspectos, visando à satisfação dos seus 
clientes e à eficácia da organização (LUBISCO, 2011). 
As bibliotecas estão ligadas as funções gerenciais de cunho administrativo e essas são 
responsáveis pela ativação de todas as funções meio ou fim e pelo seu direcionamento e ajuste às metas 
e objetivos do sistema. Funções estas que tratam-se de planejamento, organização, direção e controle 
necessários para conduzir com sucesso uma organização (MACIEL; MENDONÇA, 2006). 
 
1.5 PLANEJAMENTO, ORGANIZAÇÃO E AVALIAÇÃO 
 
As bibliotecas universitárias não são organizações autônomas, e sim organizações dependentes de 
uma organização maior - a Universidade, portanto sujeitas a receberem influências externas e internas 
do ambiente que as cercam (MACIEL; MENDONÇA, 2006). 
Assim, o gestor precisa conhecer as teorias administrativas, e inseri-las no cotidiano das unidades, 
considerando as contingências do mercado. Portanto, é preciso considerar, no processo de gestão, 
especificamente na função gerencial, a importância do planejamento, da organização e da avaliação 
(MACIEL; MENDONÇA, 2006). 
O planejamento, a organização e a avaliação, em conjunto com a direção e o controle, são 
elementos que sustentam a função gerencial das bibliotecas. Esses elementos são oriundos da Escola 
16 
 
Clássica da Administração e devem estar inseridos no cotidiano do bibliotecário gestor. Os elementos que 
sustentam a função gerencial da biblioteca podem ser visualizados na figura 4. 
 
Fonte: adaptado de Maciel e Mendonça (2006). 
 
1.6 PLANEJAMENTO NA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA 
 
O planejamento é a preparação das ações que podem vir a ocorrer. Um bom planejamento está 
preparado para ter soluções para todos os tipos de ações que podem acontecer, sejam boas ou ruins 
(MACIEL; MENDONÇA, 2006). Não é um acontecimento, mas um processo contínuo, permanente e 
dinâmico, que fixa os objetivos, define linhas de ação, detalha as etapas para atingi-los e prevê os 
recursos necessários à consecução desses objetivos (ALMEIDA, 2005). 
De acordo com Almeida (2005), o planejamento é oposto de improvisação e opera 
economicamente, pois: 
 Reduz custos, pela ênfase em operações eficientes e compatíveis com as condições existentes; 
 Substitui atividades fragmentárias e não coordenadas por um esforço de grupo; 
 Substitui o fluxo desigual de trabalho por um uniforme; 
 Substitui julgamentos bruscos e irrefletidos por decisões premeditadas; 
 Trazsegurança e favorece a produtividade; 
 Faz o tempo trabalhar a seu favor; 
 Possibilita o monitoramento das ações. 
O planejamento em bibliotecas precisa ser sustentado por instrumentos específicos, resumidos 
por Almeida em sete instrumentos, tais como: 
 Plano: linha de ação preestabelecida; 
 Objetivos: situação futura esperada; 
 Metas: resultados a serem atingidos; 
 Políticas: guias de raciocínio que orientam a decisão e ação; 
 Regras: procedimentos que orientam ações; 
 Programas: complexos de metas, políticas, procedimentos, regras, passos e recursos; 
 Projetos: menores unidades dentro do planejamento. 
 
A autora supracitada menciona que existem três tipos de planejamento a serem realizados pelas 
organizações, considerando os níveis hierárquicos em que são desenvolvidos. O planejamento estratégico 
é aquele desenvolvido pela alta administração; o planejamento intermediário é executado pelo nível 
intermediário da empresa, com a presença dos chefes das equipes de trabalho; por sua vez, o 
planejamento operacional corresponde à parte prática e é realizado pelos membros das equipes, no nível 
operacional da instituição. Em bibliotecas, segundo Almeida (2005), o planejamento ocorre nos níveis 
intermediário e operacional. 
O planejamento em bibliotecas manifesta-se de forma processual, permeado por cinco diferentes 
etapas que se retroalimentam e se interagem constantemente, à medida que as atividades vão sendo 
desenvolvidas (ALMEIDA, 2005). A figura 5 ilustra as cinco etapas integradas e a etapa da avaliação, a qual 
permeia todas as demais etapas ao longo da execução do planejamento. 
17 
 
 
Fonte: adaptado de Almeida (2005). 
Almeida (2005) ensina que para o planejamento de serviços de informação, o bibliotecário precisa 
conhecer bem: 1 - as fontes de informação na área; 2 - os serviços existentes; 3 - seus usuários; 4 - os não-
usuários. 
 
1.7 ORGANIZAÇÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA 
 
A organização é a função de organizar, ou seja, a organização estabelece a estrutura para o uso de 
todos os recursos existentes para que tenham um bom desempenho em suas atividades. Para se 
organizar é preciso primeiramente planejar. Tendo-se o planejamento podemos criar a maneira de fazer 
ele funcionar (MACIEL; MENDONÇA, 2006). 
A organização como elemento da gestão organizacional estabelece os planos de ação ou os 
procedimentos práticos a serem adotados, para que o que foi estabelecido no planejamento seja 
efetivamente concretizado (MACIEL; MENDONÇA, 2005). 
A organização diz respeito à função desempenhada pela alta administração em consonância com 
os gestores das equipes de trabalho, de modo que os planos de ação possam ser gerados e devidamente 
cumpridos pelas equipes de trabalho (MACIEL; MENDONÇA, 2006). 
 
 
1.8 AVALIAÇÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA 
 
Dentro do pressuposto da busca da melhoria contínua, a avaliação assume um papel primordial, 
como valiosa ferramenta de auxílio ao planejamento e à gestão, fornecendo elementos para subsidiar as 
decisões institucionais (LUBISCO, 2011). 
A avaliação integra os ciclos de melhoria contínua das organizações, constituindo-se em etapa 
posterior à execução do planejamento, atuando como meio de comparar os resultados alcançados com as 
metas estabelecidas e fornecendo elementos para as ações corretivas, quando necessárias, ou para a 
manutenção do padrão obtido (LUBISCO, 2011). 
A avaliação é uma etapa ou processo do planejamento, a qual permite aferir o sucesso na 
implementação do plano e traçar novos objetivos e metas (ALMEIDA, 2005). 
Na prática, a avaliação das bibliotecas universitárias brasileiras vem há algum tempo atrelada às 
avaliações oficiais do Ministério da Educação, nas quais a biblioteca é vista, parcialmente, como um dos 
recursos de infraestrutura do processo ensino-aprendizagem (LUBISCO, 2011). 
Avaliação é o ato de atribuir valor, julgar mérito e relevância, medir o grau de eficiência e eficácia 
e o impacto causado pelas ações, políticas, programas e projetos informacionais (ALMEIDA, 2005). 
A avaliação ocorre como parte do processo de planejamento e tomada de decisões e permite a 
revisão de objetivos, metas, ações, estratégias etc., de modo a conferir subsídios para o planejamento e 
mudanças (ALMEIDA, 2005). 
18 
 
A avaliação deve determinar o que mudar em um serviço de informação e como mudar, auxiliando 
o bibliotecário a fazer mudanças internas (rotinas, atividades, serviços) ou externas (relação com o 
ambiente externo). Deve sempre partir de um problema identificado, de modo a propor melhorias e 
buscar mudanças organizacionais, em prol do alcance de objetivos (ALMEIDA, 2005). 
A avaliação pode ser realizada por meio das medidas de desempenho, determinadas pelos 
conceitos de eficácia e eficiência. Uma organização eficaz é aquela que cumpre seus objetivos. Já 
eficiência denota que a organização aplica, de modo produtivo, seus recursos (LUBISCO, 2011). 
No que se refere aos tipos de avaliação a serem realizadas no planejamento bibliotecário, Almeida 
(2005) enumera as seguintes classificações: 
1 – Quanto à abordagem metodológica: 1.1 Avaliação quantitativa: análise estatística, mensuração e 
quantificação; 1.2 Qualitativa: metodologias oriundas da Sociologia, Antropologia e na História Oral, 
tendo sua ênfase nos processos e agentes; 1.3 Pluralista: mensura e também qualifica decisões, 
processos, resultados e impactos sociais; 
2 – Quanto aos avaliadores: 2.1 interna; 2.2 externa; 
3 – Quanto ao momento: 3.1 marco-zero (diagnóstico); 3.2 ex-ante; 3.3 avaliação de processo; 3.4 
avaliação de resultados (ALMEIDA, 2005). 
 
1.9 DIREÇÃO E CONTROLE DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA 
 
Na função gerencial, também têm-se os seguintes elementos: a direção e o controle. 
A direção caracteriza-se pelo acompanhamento do desenvolvimento das atividades. A direção 
designa as atividades, e as acompanha, de seu início ao final. É o gerenciamento da execução das 
atividades. 
O controle representa a verificação dos resultados. É a análise de como foram feitas as demais 
funções da biblioteca. No contexto da biblioteca, o controle poderá avaliar a execução tanto de conjuntos 
de atividades ou elas individualmente (MACIEL; MENDONÇA, 2006). 
 
1.10 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 1: Vistas como organizações, as bibliotecas possuem funções gerenciais ou administrativas, 
que podem ser definidas como: 
A) relacionadas com a formação, desenvolvimento e organização das coleções para fins de acesso e 
utilização; 
B) responsáveis pela ativação de todas as funções meio ou fim e pelo seu direcionamento e ajuste aos 
objetivos e metas do sistema; 
C) relacionadas com o atendimento aos usuários reais e virtuais e a decorrente dinamização do uso das 
coleções; 
D) de natureza social e legal, implicando o relacionamento do gerente com representantes da 
organização, com os subordinados e com indivíduos ou grupos externos à empresa. 
 
Questão 2: Em se tratando de administrar as unidades de informação, com vistas a satisfazer mais 
facilmente as necessidades dos usuários, uma estratégia que deve ser evidenciada é a de: 
A) conservação; 
B) preservação; 
C) cooperação; 
D) depósito legal; 
E) Indexação. 
 
Questão 3: A biblioteca universitária tem objetivo específico relacionado aos objetivos da instituição à 
qual está vinculada. O objetivo específico dela, portanto, é: 
19 
 
A) apoiar os programas de ensino, pesquisa e extensão; 
B) apoiar os programas de ensino oficial; 
C) democratizar a informação para a comunidade local; 
D) apoiar os objetivos e metas da instituição mantenedora. 
 
Questão 4: Considere as afirmativas abaixo sobre Planejamento: 
I. É o oposto da improvisação; 
II. Não é um processo contínuo, mas um acontecimento; 
III. Faz acontecer; 
IV. Compensa incertezas, mas não mudanças. 
Está correto o que se afirma APENAS em: 
a) I e III. 
b) I e II. 
c) II e III. 
d) II e IV. 
e) III e IV. 
 
Questão 5: O planejamento é um processo dinâmico e intera- tivo, que pode ser divididoem várias 
fases. Assim, 
a) o processo de planejamento inicia-se pela elaboração do plano; 
b) o diagnóstico é a última fase do planejamento; 
c) as formas de acompanhamento e controle estão relacionadas à elaboração do diagnóstico; 
d) a definição de metas e prioridades é posterior à elaboração do plano, precedendo o diagnóstico; 
e) a elaboração do plano é precedida pela análise dos dados e informações obtidos. 
 
Questão 6: Considere: 
I. O planejamento operacional decide "o que fazer" e "como fazer"; 
II. O planejamento global é a combinação de todos os planos existentes na organização; 
III. O planejamento é um processo linear; 
IV. O planejamento em bibliotecas e unidades de informação localiza-se, frequentemente, nos níveis 
estratégico e intermediário; 
V. O planejamento de longo prazo, em função de seu horizonte temporal mais amplo, é mais qualitativo 
que quantitativo. 
Está correto o que consta APENAS em: 
a) I, II e V. 
b) I, IV e V. 
c) I, II e IV. 
d) I, II e III. 
e) II, IV e V. 
 
Questão 7: Quanto à avaliação de serviços e produtos, sob a ótica da qualidade, oferecidos em 
unidades de informação, é correto afirmar: 
a) Avaliação se faz necessária quando se deseja definir propósitos, delimitar objeto, valorar a qualidade 
do programa em sua totalidade ou em algumas de suas variáveis e elementos; 
b) Há vários critérios que podem ser adotados para avaliar serviços bibliotecários, dentre eles pode-se 
citar: atendimento, especificações dos dados coletados, relações dos dados com outros serviços; 
c) A avaliação tem por objetivo verificar possíveis falhas nos serviços prestados e, a partir daí, traçar ações 
para sua correção e consequentemente para sua desativação seqüencial; 
d) Avaliação é um processo mediante o qual se colhe e interpreta-se, formal e sistematicamente, a 
informação pertinente sobre suas atividades, permitindo produzir juízos de valor e tomada de decisão. 
20 
 
 
Questão 8: A fase final do processo administrativo é o controle. À medida que a organização caminha 
na realização de seus objetivos, os gerentes devem: 
a) definir novas metas, buscando maximizar o investimento financeiro da organização; 
b) aprimorar os mecanismos de controle e definição de responsabilidades, de maneira a evitar 
retrocessos e substituição de funcionários inadequados; 
c) ampliar os objetivos anteriormente definidos, de forma a adequá-los ao novo momento institucional; 
d) rever as funções e a cadeia escalar, incorporando novas especializações e habilidades do capital 
intelectual; 
e) monitorar o progresso para se assegurar de que a empresa se comporta de modo a realmente alcançá-
los no período programado. 
 
Questão 9: Uma biblioteca universitária “do futuro” terá de confrontar sua função, recursos e política 
tradicionais com novas formas possíveis, decorrentes de mudanças tecnológicas, sociais e da própria 
universidade. Alguns aspectos, contudo, serão cruciais para se construir uma nova biblioteca 
universitária. Os principais aspectos que influenciarão nessa mudança são relativos: 
A) ao financiamento, à organização da informação, ao ensino à distância e ao acervo; 
B) à estrutura, ao financiamento, ao público e aos serviços e produtos; 
C) ao público, à tecnologia, ao acervo informacional e à organização do acervo; 
D) à tecnologia, à biblioteca digital, às instalações físicas e à organização do acervo. 
 
Questão 10: Consiste no planejamento, na organização, no desenvolvimento, na coordenação e no 
controle de técnicas capazes de promover o desempenho eficiente do pessoal, ao mesmo tempo em 
que a organização representa o meio que permite às pessoas que com ela colaboram alcançar os 
objetivos individuais relacionados direta ou indiretamente com o trabalho. Trata-se: 
A. da administração de recursos humanos. 
B. do setor de recursos humanos. 
C. do processo de seleção e recrutamento de pessoal. 
D. da análise de cargos. 
E. da gestão estratégica do capital humano. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
ALMEIDA, M. C. B. Planejamento de bibliotecas e serviços de informação. 2. ed. Brasília: Briquet de 
Lemos, 2005. 
 
CUNHA, M. B. Construindo o futuro: a biblioteca universitária em 2010. Ciência da Informação, v. 29, n. 1, 
2009. 
 
LEITÃO, B. J. M. Avaliação qualitativa e quantitativa numa biblioteca universitária. Rio de Janeiro: 
Interciência, 2005. 
 
LUBISCO, N. M. L. (Org.). Biblioteca universitária: elementos para o olanejamento, avaliação e gestão. 
Salvador: EDUFBA, 2011. 
 
MACIEL, A. C.; MENDONÇA, M. A. R. Bibliotecas como organizações. Rio de Janeiro: Interciência, 2006. 
 
VERGUEIRO, V.; MIRANDA, A. C. D. (Org.). Administração de unidades de informação. Rio Grande: FURG, 
2007. 
21 
 
MÓDULO II 
 
 
 
O ACERVO DA BIBLIOTECA 
UNIVERSITÁRIA 
 
AULA II: Formação, desenvolvimento, gestão e preservação de 
coleções 
 
AULA III: Fontes de informação e Bibliotecas Digitais 
 
AULA IV: O periódico científico, Open Archives e Recursos 
informacionais
 
22 
 
AULA II: Formação, desenvolvimento, 
gestão e preservação de coleções 
 
 
Docente responsável: Jorge Santa Anna 
Bibliotecário atuante no ramo da Consultoria e Metodologia de Trabalhos Científicos. Professor de 
Metodologia de Pesquisa e aulas particulares de Biblioteconomia e áreas correlatas. Mestrando do 
Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do Conhecimento, da UFMG. Atua há mais de oito 
anos na Normalização Bibliográfica, com vasta produção bibliográfica publicada em periódicos científicos. 
Membro do comitê editorial da Revista Pró-Discente. 
 
CONTEÚDOS DA AULA 
ASSUNTOS 
1 – Formação, 
desenvolvimento, 
gestão e preservação 
de coleções;
1.1 – Políticas, rotinas 
e processos.
VERGUEIRO, W. Seleção de materiais 
de informação: princípios e técnicas. 
Brasília: Briquet de Lemos, 2010.
WEITZEL, S. R. Elaboração de uma 
política de desenvolvimento de 
coleções em bibliotecas universitárias: 
Rio de Janeiro: Interciência, 2013.
MOTTAR, R.; CARVALHO, M. C.; 
FERNANDES, C. A. A preservação de 
acervos de bibliotecas e sua 
importância na atualidade: a ótica dos 
bibliotecários da UFMG, Informação e 
sociedade, João Pessoa, v. 15, n. 1, 
2005. Periódico
 
 
23 
 
2 FORMAÇÃO, DESENVOLVIMENTO, GESTÃO E PRESERVAÇÃO DE COLEÇÕES 
 
A formação e desenvolvimento de coleções é um processo comumente realizado em bibliotecas, 
embora não tenha o destaque e valor como acontece com outras atividades bibliotecárias (VERGUEIRO, 
2010; WEITZEL, 2013). 
A prática de formar e desenvolver coleções data dos primórdios (bibliófilos), mas a atividade 
tornou-se científica a partir da década de 1979, sendo incorporada aos currículos acadêmicos 
(VERGUEIRO, 2010; WEITZEL, 2013). 
O desenvolvimento de coleções é visto por uma perspectiva que indica as atividades (etapas) do 
processo como essenciais e ainda afirmam que cada uma das etapas não deve ser executada de forma 
isolada, isto é, precisam ser consideradas como subsistemas – partes de um todo. Trata-se de uma 
atividade processual, integrada e sistêmica, tendo como modelo principal de estudo, o modelo sistêmico 
e integrado formulado pelo bibliotecário norte-americano, Edgard Evans, na década de 1970, conforme 
demonstrado na figura abaixo: 
 
 
2.1 A PERSPECTIVA SISTÊMICA PARA O DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES – MODELO DE EVANS 
A perspectiva sistêmica atribuída ao desenvolvimento de coleções recebe características 
adicionais importantes para o processo e política, isto é, o processo é visto como cíclico, ininterrupto e 
contínuo (VERGUEIRO, 2010; WEITZEL, 2013). 
Essas características revelam que o processo deve ser uma atividade rotineira e contínua da 
biblioteca, executada por bibliotecários. Só assim o desenvolvimento de coleções garante sua efetividade. 
ETAPAS DO MODELO DE EVANS 
1 - estudo da comunidade; 
2 - política de seleção; 
3 - seleção; 
4 - aquisição; 
5 - desbaste, incluindo descarte; 
6 - avaliação da coleção (VERGUEIRO, 2010; WEITZEL, 2013). 
O processo de desenvolvimento de coleções, na abordagem sistêmica, é aquele queidentifica 
pontos fortes e fracos de uma coleção em relação às necessidades dos usuários, que visa corrigir as 
fraquezas e que requer constante avaliação dos recursos da biblioteca e, ainda, o estudo das 
necessidades dos usuários, o que servirá de base para o planejamento das mudanças que deverão ser 
realizadas. A integração das etapas do Modelo de Evans é apresentada na figura, a seguir: 
24 
 
1 - Formação, desenvolvimento, gestão e 
preservação de coleções 
ETAPAS DO MODELO DE EVANS
Estudo da 
comunidade
Política de 
seleção
Seleção
Aquisição Desbastamen
to Avaliação
(VERGUEIRO, 2010; WEITZEL, 2013)
 
Processo de desenvolvimento de coleções deve ser caracterizado como um processo heterogêneo, 
uma vez que ele não se define da mesma forma em todas as bibliotecas, isto é, o processo se define de 
um modo específico a partir do tipo, missão e funções de cada biblioteca (VERGUEIRO, 2010; WEITZEL, 
2013). 
A analogia do guarda-chuva pode ser útil para explicar conceitualmente a relação entre o processo 
e política de desenvolvimento de coleções com suas respectivas etapas, bem como a relação da 
interdependência entre elas. Cada etapa é formada por seu respectivo processo e política, e juntas, 
formam o conceito de Desenvolvimento de Coleções (WEITZEL, 2013, p. 20-21). 
O Desenvolvimento de coleções, segundo a metáfora do guarda-chuva de Simone Weitzel (2013), 
contempla as seguintes etapas: 
• 1 - Estudo da comunidade: é uma investigação de primeira mão, uma análise e coordenação dos 
aspectos econômicos, sociais e de outros aspectos inter-relacionados de um grupo selecionado. 
Um trabalho de pesquisa junto à comunidade, que exige equipe qualificada (WEITZEL, 2013, p. 
27). 
• 2 - Política de seleção: é um instrumento de trabalho primariamente destinado a dar suporte às 
decisões de seleção e deve informar: a identificação dos responsáveis de seleção; os critérios 
utilizados no processo; os instrumentos auxiliares; as políticas específicas; os documentos 
correlatos (WEITZEL, 2013). 
• 3 - Seleção: é o “processo de tomada de decisão título a título” (FIGUEIREDO, 1998, p. 84). 
Aquisição “é o processo que implementa as decisões tomadas no processo de seleção” 
(FIGUEIREDO, 1998, p. 84-85) (MACIEL; MENDONÇA, 2006, p. 20). 
• Aquisição: etapa considerada como o processo operacional da seleção. Diz respeito ao momento 
em que os materiais são devidamente adquiridos pela instituição, incluindo as modalidades de 
aquisição, o contato com fornecedores, os primeiros registros de identificação dos itens, além de 
uma série de procedimentos administrativos (VERGUEIRO, 2010) 
• 5 - Política de aquisição deve reunir os seguintes elementos: “responsabilidade pela atividade; 
definição das prioridades da aquisição; determinação de fontes de financiamento e captação de 
recursos; estabelecimento de diretrizes para alocação dos recursos; detalhamento dos 
procedimentos e rotinas para compra, doação e permuta; definição dos instrumentos auxiliares 
aplicáveis para aquisição; orientações para a escolha dos fornecedores; definir os critérios para o 
registro das diferentes coleções para fins de identificação de patrimônio; descrição da participação 
da biblioteca em planos ou programas de aquisição cooperativa; adoção de programas para o 
controle e acompanhamento dos processos de aquisição” (WEITZEL, 2013, p. 51-56). 
• 6 – Desbastamento: é o ajuste do acervo às necessidades da comunidade e à missão institucional. 
A implementação de suas ações trazem como consequência a renovação de espaços para o 
armazenamento, contribuindo ainda mais para melhorar o acesso dos usuários ao material. 
Importante considerar outro conceito de desbastamento e a relação com descarte, que é: 
desbastamento consiste na retirada de documentos pouco utilizados pelos usuários, de uma coleção de 
uso frequente para outros locais – os depósitos especialmente criados para abrigar este material de 
25 
 
consultas eventuais. Já o descarte, consiste na retirada definitiva do material do acervo da biblioteca, com 
a correspondente baixa nos arquivos de registro da mesma (MACIEL; MENDONÇA, 2006, p. 25). 
• 7 - Política de desbastamento: deve considerar quatro elementos “responsabilidade pelo 
processo; critérios; métodos; aspectos legais e administrativos” (WEITZEL, 2013, p. 68). 
A política de desbastamento tem como principal função a definição de critérios que conduziram o 
processo de desbastamento, incluindo o descarte. Portanto, é importante estabelecer os responsáveis 
pelo processo, os métodos que serão aplicados e ainda atentar para os aspectos legais e administrativos. 
 Slote (1997 apud WEITZEL, 2013, p. 71), ao falar a respeito dos métodos para o desbastamento, 
enumera estes métodos e afirma que eles devem ser baseados na avaliação sistemática de coleções, 
principalmente levando em conta os dados que ilustram a baixa circulação de materiais e o próprio 
desbastamento contínuo. 
• 8 – Avaliação: Avaliação “é, efetivamente, uma avaliação dos seus métodos de seleção” 
(FIGUEIREDO, 1998, p, 97-98). 
• 9 – Política de avaliação: deve considerar três elementos: “quem será o responsável pelo 
processo; definição de padrões e critérios e metodologias; métodos a serem empregados” 
(WEITZEL, 2013, p. 61) 
 
2.2 POLÍTICAS, ROTINAS E PROCESSOS 
 
2.2.1 Política de desenvolvimento de coleções 
 
Na visão de Weitzel (2013), uma política de desenvolvimento de coleções, no âmbito das 
bibliotecas universitárias, deve ser conduzida/formalizada em obediência a doze passos, conforme 
descritos no quadro a seguir: 
 
 
2.3 AVALIAÇÃO DE COLEÇÕES 
No que tange à avaliação, ela consolida-se como resultado concreto, o qual possibilita a 
identificação das obras que apresentam um tempo médio aceitável ou não sem uso, denominado por 
Slote (1997) de ‘tempo de estante’, bem como a busca de uma alternativa para estimular o uso, caso a 
obra ainda seja de relevância, ou desbastá-la (WEITZEL, 2013, p. 65). 
A avaliação permite a segurança na tomada de decisões e ainda pode melhorar o direcionamento 
da formação e desenvolvimento de coleções, trazendo benefícios para os usuários e para a própria 
biblioteca. 
Qualquer avaliação a que a biblioteca seja submetida deve se preocupar em determinar em que 
medida ela desempenha com êxito essa função de interface (LANCASTER, 1996 apud WEITZEL, 2013, p. 
56). 
 
 
2.4 CONSERVAÇÃO, PRESERVAÇÃO E RESTAURAÇÃO DE COLEÇÕES 
 
26 
 
Além das etapas indicadas, a literatura especializada em coleções indica outros elementos e 
aspectos que podem ser considerados correlatos e possuem uma relevância para a formação e 
desenvolvimento de coleções, como: 1 - a conservação (medidas ou ações direcionadas a preservar ou 
restauração dos documentos); 2 - a preservação (medidas ou ações que visam proteger, preservar e 
manter a longevidade dos documentos); 3 - o compartilhamento de recursos; 4 - os direitos autorais; 5 - 
o armazenamento, entre outros (WEITZEL, 2013). 
Em diversas partes do mundo, é possível perceber estágios avançados de degradação de acervos, 
tendo, como causas principais os fatores climáticos, dotação orçamentária insuficiente, locais 
inadequados de armazenamento, utilização de materiais não tratados e de técnicas superadas nos 
reparos e restauração, mas, também e, em grande parte, causados pela negligência na manipulação e 
falta de pessoal especializado na área (CARVALHO; MOTTA; FERNANDES, 2005). 
Há um baixo nível de sensibilização e conscientização por parte de profissionais da informação e 
de usuários acerca do valor social do patrimônio documental mantido pelas bibliotecas (CARVALHO; 
MOTTA; FERNANDES, 2005). 
 Contudo, para que se evitem distorções graves em investigações desse tipo, é necessário 
contextualizar o olhar do indivíduo para os bens culturais do seu tempo colocando o valor atribuído a tais 
bens como inter-relacionado a outras percepções (ou falta de) culturais e sociais (CARVALHO; MOTTA; 
FERNANDES, 2005). 
Há diferenças entreos termos preservação, conservação e restauração caracterizados, cada um, 
como: 
PRESERVAÇÃO: tem um sentido abrangente, incluindo todas as considerações administrativas baseadas 
em políticas estabelecidas que devem prever desde o projeto de edificações e instalações, até a seleção, 
aquisição, acondicionamento e armazenamento dos materiais informacionais, assim como o treinamento 
de usuários e de pessoal administrativo; 
CONSERVAÇÃO: implica em técnicas e práticas específicas relativas à proteção de materiais de diferentes 
formatos e natureza física (papel, tecido, couro, registros magnéticos) contra danos, deterioração e 
decomposição; 
RESTAURAÇÃO: compreendam-se as intervenções técnicas sobre os componentes materiais de um 
documento já deteriorado, praticadas por especialistas em laboratório. 
Estudo realizado por Carvalho, Motta e Fernandes, em 2005, no âmago do Sistema de Bibliotecas 
da UFMG, detectou que, na percepção dos bibliotecários entrevistados: 1 - a maior parte dos 
bibliotecários participantes da pesquisa se mostrou hesitante entre a pretensa obrigação de fazer eles 
próprios, os reparos de conservação; 2 - o papel gerencial de estabelecer e fiscalizar a aplicação de 
políticas de preservação de acervos, de planejar e desenvolver programas de educação de usuários e de 
funcionários, além de alocar recursos para a preservação; 3 - Reconhecem a universidade como lugar de 
produção e de manutenção do patrimônio cultural de um país, mas contraditoriamente, não estão 
suficientemente preparados como gerentes do acervo documental da Instituição. 
Além disso, o estudo mencionado descreveu as principais práticas realizadas no SB da UFMG, que 
são: 1 - limpeza dos documentos e estantes: apenas três informantes declararam no questionário ser 
esta uma prática em suas bibliotecas; 2 - reparos gerais: mais da metade dos informantes apontou os 
pequenos reparos em documentos como a prática mais frequente nas suas bibliotecas; 3 - encadernação: 
executada na própria unidade foi apontada por dois informantes; 4 - educação/treinamento de 
usuários/funcionários: apenas cinco respondentes apontem a educação de usuários como ação de 
preservação praticada em suas bibliotecas (CARVALHO; MOTTA; FERNANDES, 2005). 
 
 
2.5 SELEÇÃO DE COLEÇÕES 
 
 Descrevendo com mais detalhes a fase da seleção, é preciso considerar a importância da etapa de 
seleção para qualquer biblioteca e aqui ela pode ser indicada como uma das etapas que mais 
27 
 
complementam a avaliação e o desbastamento em bibliotecas especializadas, uma vez que essas etapas 
encontram-se diretamente relacionadas, pois indicam o que deve entrar, permanecer, ser remanejado e 
ser descartado do acervo. Afinal, a seleção é uma tomada de decisão que requer planejamento, é a 
escolha de materiais que corresponde à necessidade informacional dos usuários da biblioteca 
(VERGUEIRO, 2010). 
Há um momento em que a decisão está nas mãos do bibliotecário, sobretudo quando da 
incorporação de quaisquer itens no acervo, considerando a sistematização do item no conjunto 
bibliográfico, quanto à satisfação das demandas institucionais e dos usuários (VERGUEIRO, 2010). 
A seleção deve ser norteada por critérios pré-estabelecidos, para que o acervo possa ser 
desenvolvido de forma racional, equilibrada e atenda as demandas. Para isso: 
1 - o bibliotecário conhece, ou deveria conhecer, o acervo sob sua responsabilidade, sabendo 
melhor do que ninguém em que aspectos ele está fraco, em que aspectos ele está forte, em que aspectos 
ele atingiu um estágio ideal de desenvolvimento; 
2) - o bibliotecário conhece, ou deveria conhecer, o usuário cujas necessidades informacionais 
tem por obrigação procurar atender, sabendo avaliar objetivamente suas demandas e diferenciando as 
que têm características mais duradouras, ligadas a necessidades reais, das que são ditadas por tendências 
esporádicas, influência dos meios de comunicação de massa ou de modismo (VERGUEIRO, 2010). 
A função decisória do bibliotecário manifesta-se - individualmente (responsável pela seleção); e - 
coletivamente (coordenador da comissão de seleção). A comissão de seleção pode ser designada da 
seguinte forma: - comissão deliberativa de seleção (bibliotecário participa como membro ou 
coordenador); - comissão consultiva de seleção (visa a assessorar o responsável pela seleção); - o 
bibliotecário faz a seleção dos materiais. Uma das maiores críticas no que tange à conduta do 
bibliotecário é a de que nem sempre esse profissional conhece aquelas realidades (a coleção e a 
comunidade usuária) (VERGUEIRO, 2010). 
A objetividade constitui uma meta sempre almejada na seleção, de modo que não haja o risco de 
surgir acusações de favoritismo ou ineficácia por parte dos usuários que, porventura, não se sintam 
satisfeitos com os materiais selecionados (VERGUEIRO, 2010). 
A fim de evitar isso, o bibliotecário deve demonstrar que os materiais foram selecionados segundo 
parâmetros objetivos de qualidade ou de necessidade. Daí a importância das políticas devidamente 
elaboradas e utilizadas no processo de seleção (VERGUEIRO, 2010). 
Considerações gerais que influenciam a seleção – Critérios gerais. São critérios pré-determinados 
segundo razões objetivas: 1 - o assunto (área de cobertura da coleção <=> estudo de comunidade); 2 - o 
usuário; 3 - o documento (em si, sua relação com os demais itens da coleção <=> avaliação da coleção); 4 
- o preço; 5 - outras questões complementares: material mais suscetível a furto, vandalismo ou 
mutilações; assuntos polêmicos; qualidade do material (VERGUEIRO, 2010). 
Por sua vez, são considerações específicas que influenciam a seleção – Critérios específicos: 1 - 
Segundo o conteúdo: autoridade; precisão; imparcialidade; atualidade; cobertura/tratamento; 2 - 
Segundo a adequação ao usuário: conveniência; idioma; relevância/interesse; estilo; 3 - Segundo os 
aspectos adicionais: características físicas do documento; aspectos especiais; contribuição potencial; 
custo (VERGUEIRO, 2010). 
Existem mecanismos para identificação, avaliação e registro da Organização e do Processo de 
Seleção. Esses mecanismos podem ser: 1 - formulários para indicação e seleção de títulos (sujeito da 
indicação e o material indicado); 2 - instrumentos auxiliares da seleção: catálogos e listas de editoras, 
dentre outros materiais para acesso às fontes; 3 - política de seleção: contempla os critérios e demais 
diretrizes que determinam as ações (VERGUEIRO, 2010). 
Destaca-se, no processo de seleção as chamadas Listas de desiderada, demanda reprimida e 
sugestões, os quais são instrumentos quase sinônimos, pois se referem a materiais que a biblioteca está 
considerando incorporar ao acervo. A lista de desiderata é a lista de materiais que a biblioteca deseja 
adquirir, a maioria dos itens já selecionados; a Demanda reprimida manifesta-se como uma expressão 
pouco simpática, indica títulos procurados pelos usuários e não possuídos pela biblioteca, mas também 
28 
 
pode referir-se aos indicados pelos usuários; por fim, a lista de sugestões é a lista sugerida por usuários, a 
qual ainda será levada para análise da comissão. Essas regras nem sempre são aplicadas em todas as 
bibliotecas (VERGUEIRO, 2010). 
No que se refere às funções dos instrumentos auxiliares da seleção, destacam-se que eles: 
ampliam o conhecimento de bibliotecários e usuários sobre os materiais de informação correntes; 
possibilitam a identificação e complementação de falhas no acervo; proporcionam juízos avaliativos dos 
materiais disponíveis. Existem tipologias de instrumentos auxiliares da seleção, que são: Catálogos de 
Editores, Folhetos etc., Resenhas, Bibliografias e listas de livros recomendado (VERGUEIRO, 2010). 
No processo de seleção, devido à sua complexidade, é de suma importância estabelecer, também, 
uma política específica de seleção. A importância do documento formal de política de seleção é: 1 - 
administrativa: continuidade dos critérios além da presença física de um bibliotecário;2 - comunicativa: 
relações públicas entre a biblioteca e os usuários (VERGUEIRO, 2010). 
A política representa o instrumento de resistência e gerência de conflitos em torno da coleção. É 
composta pelos elementos: a identificação dos responsáveis pela seleção; os critérios adotados no 
processo; os instrumentos auxiliares; as políticas específicas; os documentos correlatos (VEGUEIRO, 
2010). 
 
 
2.6 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 1 - O processo que implica o remanejamento de unidades do acervo para outros locais 
controlados, como parte das atividades de formação e desenvolvimento de coleções, é denominado: 
A) descarte. b) preservação. c) conservação. d) desbastamento. e) disseminação. 
 
Questão 2 - O desenvolvimento de coleções é, acima de tudo, um trabalho de planejamento que exige 
comprometimento com metodologias. Avalie as afirmativas e assinale a alternativa INCORRETA com 
relação ao desenvolvimento de coleções: 
a) Efetuar o processo de compra dos materiais é uma das atribuições básicas do trabalho de aquisição 
para a biblioteca. 
b) O processo do desenvolvimento de coleções é centrado no bibliotecário e apresenta as seguintes fases: 
estudo da comunidade, políticas de seleção, seleção, aquisição, desbastamento, avaliação da coleção. 
c) Entre os muitos instrumentos auxiliares à seleção, disponíveis aos bibliotecários, podemos destacar: 
catálogos de editores, resenhas, bibliografias e livros recomendados. 
d) O bibliotecário norte-americano Edward Evans, autor do modelo do processo sobre desenvolvimento 
de coleções, salienta que o processo é descontínuo e possui começo/fim bem definidos. 
e) As metodologias quantitativas, qualitativas e fatores de uso, classificadas por Lancaster, podem ser 
utilizadas no processo de avaliação da coleção. 
 
Questão 3 - Aquisição é: 
A. a atividade especializada que, junto com a doação, constitui o processo de desenvolvimento de 
coleções. 
B. a administração dos recursos da biblioteca por meio dos procedimentos de levantamento, seleção e 
compra de materiais. 
C. o procedimento de compra de materiais, direta ou por licitação pública, de acordo com as normas da 
instituição. 
D. a etapa administrativa do desenvolvimento de coleções realizada por meio da compra, doação e/ou 
permuta de materiais. 
E. a política de desenvolvimento de coleções que avalia a necessidade de compra de materiais para o 
acervo. 
 
29 
 
Questão 4 - Desenvolvimento de coleções é: 
 A) um processo linear, com atividades regulares que busca criar mecanismos para o financiamento de 
materiais informacionais. 
B) um processo sistêmico, seguindo um único padrão para todas as bibliotecas ou unidades de 
informação. 
C) um processo cíclico, ininterrupto e com atividades regulares e contínuas, levando-se em conta a 
especificidade de cada biblioteca ou unidade de informação. 
D) um delineamento das seguintes etapas: estudo da comunidade, seleção, aquisição e 
acondicionamento do material bibliográfico no contexto particular das bibliotecas ou unidades de 
informação. 
E) um plano de trabalho, entretanto, o desenvolvimento de coleções não é caracterizado como atividade 
rotineira nas bibliotecas. 
 
Questão 5 - Os processos de retirada de títulos ou partes da coleção para outros locais menos acessíveis e 
de retirada para fins de doação, correspondem, respectivamente, às atividades de 
 (A) preservação e remanejamento. 
(B) desbastamento e seleção. 
(C) descarte e preservação. 
(D) seleção negativa e desbastamento. 
(E) remanejamento e seleção negativa. 
 
Questão 6 - Um documento de política de seleção deve ter como componentes: 
(A) identificação dos responsáveis pela seleção de materiais, critérios utilizados no processo de aquisição 
e políticas específicas de conservação e preservação. 
(B) critérios utilizados no processo, instrumentos auxiliares, políticas específicas para tombamento e 
documentos correlatos. 
(C) identificação dos responsáveis pela seleção de materiais, critérios utilizados no processo, 
instrumentos auxiliares, políticas específicas para seleção e documentos correlatos. 
(D) critérios utilizados no processo, instrumentos auxiliares, políticas específicas de conservação e 
preservação e documentos relacionados à aquisição das obras. 
(E) identificação dos responsáveis pela aquisição de materiais, instrumentos auxiliares, políticas 
específicas de conservação e preservação e documentos relacionados à aquisição das obras. 
 
Questão 7 - O desenvolvimento de coleções na biblioteca deve incluir: 
(A) política da seleção, alocação de recursos e planejamento de compartilhamento, avaliação de coleções 
para descarte, desbastamento e armazenagem em depósitos. 
(B) avaliação da coleção atual para descarte, desbaste ou armazenagem em depósitos e distinção entre os 
procedimentos financeiros, de aquisição e processamento técnico. 
(C) alocação de recursos, reavaliação de coleções, descarte, armazenagem em depósitos, distinção clara 
entre os procedimentos de aquisição e catalogação. 
(D) análise de recursos de aquisição cooperativa, avaliação das necessidades dos usuários, reavaliação dos 
formatos e processos de tratamento do material adquirido. 
(E) pesquisa sobre práticas de doação, permuta, seleção e aquisição, reavaliação das aquisições 
efetuadas, análise das práticas de formas de pesquisa e recuperação do material. 
 
Questão 8 - Quanto à seleção de documentos eletrônicos, é correto afirmar que 
(A) devem ser considerados aspectos de conteúdo de acordo com parâmetros de assunto definidos, 
facilidade de acesso, compatibilidade, suporte e custo. 
(B) em termos de acesso, os documentos devem apresentar mecanismos de busca complexos que 
permitam atingir resultados mais completos. 
30 
 
(C) para documentos de acesso aberto, deve-se verificar a autorização do fornecedor para acesso em 
rede local e número de usuários. 
(D) por serem recursos de interesse para os usuários nativos digitais, podem ter critérios de avaliação que 
flexibilizem os padrões de qualidade da coleção. 
(E) as considerações de conteúdo devem ser diferentes daquelas feitas para documentos impressos, na 
medida em que se trata de outro suporte físico. 
 
Questão 9 - Segundo Weitzel (2006), “[…] o bibliotecário selecionador deve investir em um trabalho de 
prospecção de materiais de interesse para a biblioteca. […] Para que este trabalho de prospecção alcance 
seu objetivo, é necessário definir quais são as fontes de informação que servirão de instrumentos 
auxiliares”. Nesse trecho, o termo trabalho de prospecção refere-se a uma atividade da etapa do 
processo de desenvolvimento de coleções denominada: 
a) seleção. 
b) aquisição. 
c) estudo da comunidade. 
d) desbastamento e descarte. 
 
Questão 10 - Para a elaboração de uma política de desenvolvimento de coleções, Weitzel (2013) 
apresenta elementos sob a forma de doze passos. Abaixo são citados alguns desses elementos. Numere-
os na sequência em que os autores que trabalham com política e desenvolvimento de coleções 
recomendam. 
• ( ) Avaliação da política 
• ( ) Descrever a política de seleção 
• ( ) Perfil da comunidade 
• ( ) Descrever o processo e a política de aquisição 
• ( ) Perfil das coleções 
• ( ) Identificação da missão e objetivos institucionais 
• Qual a sequência recomendada? 
a) 6, 2, 5, 4, 1, 3 b) 6, 4, 2, 5, 3, 1 c) 4, 6, 2, 3, 1, 5 d) 4, 5, 1, 3, 2, 6 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
VERGUEIRO, W. Seleção de materiais de informação: princípios e técnicas. Brasília: Briquet de Lemos, 
2010. 
 
WEITZEL, S. R. Elaboração de uma política de desenvolvimento de coleções em bibliotecas 
universitárias. 2. ed. Rio de Janeiro: Interciência, 2013. 
 
MOTTAR, R.; CARVALHO, M. C.; FERNANDES, C. A. A preservação de acervos de bibliotecas e sua 
importância na atualidade: a ótica dos bibliotecários da UFMG, Informação e sociedade, João Pessoa, v. 
15, n. 1, 2005. 
 
 
31 
 
AULA III: Fontes de Informação e 
Bibliotecas Digitais 
 
 
Docente responsável: JorgeSanta Anna 
Bibliotecário atuante no ramo da Consultoria e Metodologia de Trabalhos Científicos. Professor de 
Metodologia de Pesquisa e aulas particulares de Biblioteconomia e áreas correlatas. Mestrando do 
Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do Conhecimento, da UFMG. Atua há mais de oito 
anos na Normalização Bibliográfica, com vasta produção bibliográfica publicada em periódicos científicos. 
Membro do comitê editorial da Revista Pró-Discente. 
 
CONTEÚDOS DA AULA 
 
 
32 
 
 
3 FONTES DE INFORMAÇÃO 
 
3.1 A CIÊNCIA, O SISTEMA DE COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA E A LITERATURA CIENTÍFICA 
 
A confiabilidade é uma das características mais importantes da ciência, pois a distingue do 
conhecimento popular, não científico. O sistema de comunicação científica comunica o conhecimento 
científico produzido pelos pares e utiliza, como meios de transmissão do conhecimento, os canais formais 
(periódicos e livros) e informais (comunicação de pesquisa em andamento, certos trabalhos de 
congressos). Dentre os canais formais, o mais importante são os artigos de periódicos. Toda pesquisa 
envolve atividades diversas de comunicação e produz pelo menos uma publicação formal (CAMPELLO et 
al., 2003). 
As características próprias da ciência e tecnologia modernas afetam e dificultam bastante o 
trabalho profissional, entre as quais estão: 
 o fenômeno da explosão bibliográfica; 
 a diversificação de formatos de apresentação e divulgação; 
 a eliminação de barreiras no acesso (geográficas, hierárquicas e outras); 
 a aceleração do avanço do conhecimento e consequente obsolescência mais rápida das 
publicações; 
 a intensificação da interdisciplinaridade (unindo áreas científicas antes isoladas) e 
a tendência à pesquisa em colaboração (CAMPELLO et al., 2003). 
Diferentemente da literatura científica ou acadêmica, a literatura tecnológica nem sempre recebe 
divulgação ampla. Enquanto cientistas priorizam a divulgação e uso de seus trabalhos, nas empresas, o 
interesse está no domínio de mercado (CAMPELLO et al., 2003). 
O sistema de comunicação científica está amparado por diversos elementos e personagens, 
inseridos em um amplo e complexo mercado editorial. O modelo proposto por Garvey e Griffith resume 
esse mercado, conforme figura abaixo: 
 
Em resumo, o modelo inicial proposto por Garvey e Griffith já não representa tão bem o processo 
de comunicação científica moderno. Todas as fases desse processo foram e continuam sendo afetadas 
pelo emprego da tecnologia (CRAWFORD, HURT e WELLER, 1996). O quadro geral está mudando e já se 
anteveem formas de comunicação que provavelmente colocarão o periódico tradicional em choque, num 
futuro próximo (CAMPELLO et al., 2003). 
 
3.1.1 Tipologias de fontes de informação 
 
A divisão mais utilizada no mundo que melhor contempla as diversas modalidades de fontes de 
informação é aquela que divide os documentos em: 
1 - Fontes primárias: produzidas com a interferência direta de seu criador; 
33 
 
2 – Fontes secundárias: facilitam o uso do conhecimento disperso nas fontes primárias; 
3 – Fontes terciárias: guiam o usuário para as fontes primárias e secundárias (CAMPELLO et al., 2003). 
As figuras abaixo identificam alguns tipos de fontes de informação de natureza primária, 
secundária e terciária. 
 
Identificar, coletar, organizar e preservar constituem tarefas difíceis para os profissionais, pois: - o 
volume de publicações é muito grande e continua a crescer, e - os formatos em que ocorrem estão 
também em evolução, complicando a identificação do material pertinente. Faltam instrumentos de busca 
adequados e abrangentes, especialmente quando a questão envolve pesquisas produzidas no Brasil 
(CAMPELLO et al., 2003). 
 
3.2 ORGANIZAÇÕES COMO FONTES DE INFORMAÇÃO 
 
Organizações caracterizam-se como um espaço de ações econômicas no qual se concentram 
capital, gerência, mão de obra e tecnologia, proporcionando um ambiente de convívio e de interações 
constantes entre os diversos atores envolvidos em cada um dos setores acima mencionados. Constituem 
um ponto de convergência da sociedade, pois geram empregos, desenvolvem tecnologia e atraem 
investimentos (CAMPELLO et al., 2003). 
Nas organizações, manifestam-se os processos formais, representados pelos diversos tipos de 
documentos, tais como organogramas, regulamentos e normas internas; e os processos informais, que 
são os processos sociais, dos relacionamentos humanos e das tendências culturais (CAMPELLO et al., 
2003). 
As organizações constituem importante fonte de informação. O acesso às informações de uma 
organização pode se dar através dos indivíduos a ela ligados ou dos documentos que ela gera. Algumas 
organizações, por sua natureza, têm na divulgação de informações sua própria razão de ser. É o caso da 
maioria das organizações não lucrativas que produzem uma variedade de documentos de acesso público 
(CAMPELLO et al., 2003). 
Os diretórios são as fontes tradicionais para a identificação de organizações: essas obras listam os 
nomes das organizações fornecendo em geral informações tais como endereço, telefone, fax, e-mail, 
produtos e serviços, nomes e cargos dos dirigentes e outros do gênero (CAMPELLO et al., 2003). 
Segundo Campello et al. (2003), existem diversos tipos de organizações, como: organizações 
comerciais, organizações educacionais e de pesquisa, organizações governamentais, organizações 
profissionais e sociedades científicas, organizações internacionais e organizações não governamentais. 
 
3.3 PESQUISA EM ANDAMENTO 
 
O ritmo acelerado em que as mudanças científicas e tecnológicas e a morosidade de publicação do 
periódico científico, viabilizam o nascimento das pesquisas em andamento (CAMPELLO et al., 2003). 
Nesse contexto, surgem, portanto, o interesse pela publicação de resultados parciais de pesquisas 
e o uso de relatórios técnicos como veículo de relatos de pesquisa (CAMPELLO, 2003). 
 
 
34 
 
3.4 ENCONTROS CIENTÍFICOS 
 
Os encontros manifestam-se como fontes primárias, as quais apresentam resultados de pesquisa 
(integrais e/ou parciais), viabilizam o contato direto com pesquisadores, apresentam os resultados atuais 
de pesquisa, e, por fim, podem ser categorizados como literatura branca ou cinzenta (CAMPELLO et al., 
2003). 
A grande quantidade de eventos de caráter científico que ocorrem atualmente em todas as áreas 
do conhecimento mostra que o encontro pessoal ainda é uma forma de comunicação que ainda muito 
agrada a cientistas e pesquisadores (CAMPELLO et al., 2003). 
A apresentação de trabalhos em encontros científicos constitui a oportunidade que o pesquisador 
tem de ver seu trabalho avaliado pelos pares ou colegas, de forma mais ampla, diferentemente do que 
ocorre com os periódicos quando submete um artigo ao periódico que é avaliado por uma comissão 
editorial composta por um número restrito de membros e, que, normalmente, demora meses para 
completar o trabalho de julgamento (CAMPELLO et al., 2003). 
Os eventos podem se manifestar na forma de congresso, definido como um evento de grandes 
proporções, de âmbito nacional ou internacional, que dura normalmente uma semana e reúne 
participantes de uma comunidade científica ou profissional ampla. Também podem ocorrer eventos com 
nomes variados, tais como simpósio, jornada, seminário, colóquio, fórum, reunião, encontro, que são 
denominações dadas a eventos científicos de âmbito menor que o do congresso, tanto em termos de 
duração, quanto de número de participantes, cobrindo campos de conhecimento mais especializados 
(CAMPELLO et al., 2003). 
As principais funções dos eventos científicos são: 
• encontros como forma de aperfeiçoamento de trabalhos; 
• encontros como reflexo do estado da arte; 
• encontros como forma de comunicação informal. 
As pesquisas apresentadas nos eventos são compiladas em fontes de informação denominadas de 
anais. Assim, os anais correspondem à literatura produzida com os eventos. Esses documentos aparecem 
numa variedade de formas que vãodesde a publicação feita pela própria instituição organizadora, até a 
publicação por editoras comerciais profissionais, caso em que o produto se apresenta na forma de 
volumes de excelente qualidade editorial (CAMPELLO et al., 2003). 
Como exemplo de um famoso congresso na área de Biblioteconomia, Campello et al. (2003) cita o 
Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, que teve sua primeira edição no ano de 1954, e veio ocorrendo, 
ao longo dos tempos, em intervalos relativamente regulares. Em 2017, ocorreu a vigésima sétima edição, 
na cidade de Fortaleza, conforme demonstra a logomarca apresentada abaixo: 
 
Os eventos científicos apresentam como principais elementos ou composição: as conferências; as 
palestras; os painéis; as mesas redondas, dentre outras (CAMPELLO et al., 2003). 
A divulgação dos eventos, normalmente, é realizada por meio de boletins, publicações 
especializadas, sítios de instituições promotoras; listas de discussão; imprensa em geral. No Brasil, existe 
a Lista de Reuniões Técnico-Científicas Realizadas no Brasil e o Calendário de Eventos em Ciência e 
Tecnologia, como também a Base de Dados de Eventos em C&T: Qualidade e Produtividade "«ea TMS 
World Meetings Calendar^, os quais funcionam como canais especializados na divulgação dos eventos 
(CAMPELLO et al., 2003). 
O controle bibliográfico dos eventos, como também dos anais, é realizado por meio de diversos 
canais, tais como: catálogos de editoras; boletins e revistas de associações que organizam eventos; 
periódicos de indexação e resumo; e por meio da publicação em listas específicas para indexação desse 
material (CAMPELLO et al., 2003). 
35 
 
3.5 PERIÓDICOS CIENTÍFICOS 
 
Os periódicos são fontes primárias, que apresentam resultados de pesquisa (integrais). 
Caracterizam-se como meios de comunicação de diferentes ideias, produção/propriedade intelectual; 
pertencem à indústria editorial; e são categorizados como literatura branca (CAMPELLO et al., 2003). 
Os periódicos científicos apareceram no século XVII na Europa, em uma época marcada por 
mudanças em toda a sociedade, inclusive no campo científico. Constituem os primeiros periódicos 
científicos da história: o Journal de Sçavans e o Philosophical Transactions, que era dedicado 
exclusivamente ao registro das experiências científicas, não incluindo outras matérias (CAMPELLO et al., 
2003). 
São quatro as funções dos periódicos apresentadas por Campello et al. (2003), a saber: 
1 - comunicação formal dos resultados da pesquisa original; 
2 - preservação do conhecimento registrado; 
3 - estabelecimento da propriedade intelectual; 
4 - manutenção do padrão da qualidade na ciência. 
A mesma autora descreve cinco problemas inerentes aos periódicos: 
1 – demora na publicação do artigo; 
2 - custos altos de aquisição e manutenção; 
3 - rigidez do formato impresso em pape; 
4 – dificuldade em saber o que foi publicado; 
5 - dificuldade em acessar o que foi publicado. 
Campello et al. (2003) apontam como causas desses problemas, as seguintes ocorrências: 1 - a 
proliferação de periódicos; 2 - dispersão de artigos sobre um mesmo assunto entre muitos títulos; e 3 – 
elevada em demasia o custo de atualização de coleções. 
Especificamente no âmago brasileiro, as autoras supracitadas descrevem os seguintes problemas: 
custo dos periódicos foi agravado no início da década de 1990 por decisões políticas e circunstâncias 
econômicas do País; áreas de ciências puras, engenharia e medicina costumam ser mais caros que o das 
áreas de ciências sociais e humanidades; as bibliotecas se viram forçadas a fazer cortes significativos em 
suas coleções, mas intensificou-se a busca por alternativas. 
Como alternativas para os periódicos, as autoras enfatizam a importância advinda com o 
nascimento dos periódicos eletrônicos, os quais podem estar no formato on-line como em CD-ROM. 
Apesar das inúmeras possibilidades oferecidas pela tecnologia, a maioria dos periódicos científicos 
eletrônicos ainda é muito parecida com os periódicos impressos. 
Segundo Campelo et al. (2003), ainda há resistência na comunidade científica em aceitar o 
periódico eletrônico como equivalente ao periódico tradicional. Mesmo assim, grandes investimentos 
vêm sendo realizados em prol das bases eletrônicas de preprints, as quais publicam artigos ainda não 
aprovados por pares, permitindo, dessa forma, que os resultados de pesquisas fiquem parado, haja vista 
a demora dos periódicos no processo avaliativo e na publicação das edições. Como exemplo desse tipo de 
base, cita a LANL Preprint Archive, na área de física, mantida pelo Los Alamos National Laboratory (LANL), 
nos Estados Unidos. 
Para Campello et al. (2003), existem também os periódicos técnicos e comerciais, que são 
dedicados aos interesses da indústria e do comércio e, nesse sentido, seus conteúdos são menos 
acadêmicos. Como forma de controle bibliográfico dos periódicos, Campello et al. (2003) mencionam as 
listas de periódicos, tal como a Ulrich's International Periodicals Directory. No Brasil, o IBICT é responsável 
pelas seguintes listas: Periódicos Brasileiros de Cultura; Periódicos Brasileiros em Ciência e Tecnologia e; 
ISSN: Publicações Periódicas Brasileiras. 
Por fim, como forma de controlar a publicação dos periódicos, Campello et al. (2003) mencionam 
a criação do International Standard Serial Number, agência internacional do ISSN, localizado em Paris e 
que, em parceria com institutos de controle de vários países, estabelece uma rede que registra os códigos 
que identificam os periódicos existentes em cada país. 
36 
 
3.6 LITERATUZA CINZENTA 
 
Esse tipo de fonte caracteriza-se como publicações não convencionais, as quais não estão inseridas 
no mercado editorial. Tratam-se de documentos semi-publicados, produzidos nos âmbitos 
governamental, acadêmico, comercial e industrial. Esses documentos não são passíveis de receber 
números normalizados e depósito legal. Exemplos: publicações governamentais, traduções avulsas, 
preprints, dissertações, teses e literatura originada de encontros científicos, como os anais de congressos 
(CAMPELLO et al., 2003). 
O controle bibliográfico da literatura cinzenta é realizado por instituições específicas para esse fim, 
tal como o National Technical Information Service (NTIS) e o System for Information on Grey Literature in 
Europe (SIGLE), instituições presentes na Europa (CAMPELLO et al., 2003). 
A internet propicia amplo acesso aos produtores da literatura cinzenta através de seus 
mecanismos de comunicação: e-mail, chat (conversa em tempo real entre usuários conectados em salas 
virtuais), as listas e os grupos de discussão (CAMPELLO et al., 2003). 
 
3.7 RELATÓRIOS TÉCNICOS 
 
São fontes primárias. Apresentam resultados de pesquisa. São considerados como meio de 
comunicação confidencial, sobretudo ao contemplar pesquisas tecnológicas e científicas. Contemplam, 
normalmente, áreas de defesa, aeronáutica e energia nuclear, mas, atualmente abrangem diversas 
disciplinas. Os relatórios são caracterizados como literatura cinzenta (CAMPELLO et al., 2003). 
Primeira empresa a publicar relatório em 1915, foi a Nasa. Em seguida, houve a criação do Office 
for Scientific Research and Development (OSRD), como também agências especializadas como Defense 
Documentation Center (DDC), o Technical Information Center da United States Atomic Energy Commission 
(TIC/USAEC) e o NTIS (CAMPELLO et al., 2003). 
Os relatórios são produzidos por empresas privadas, órgãos governamentais e instituições 
controladas pelo governo. É fruto de um trabalho em equipe, normalmente com autoria coletiva, 
possuindo um número reduzido de cópias. Os relatórios são produzidos, sobremaneira, nas pesquisas 
tecnológicas nas áreas de ENGENHARIA. Mas também utilizados em Educação, Economia, Medicina, 
Agricultura etc. (CAMPELLO et al., 2003). 
Como formas de controle bibliográfico dessas fontes, citam-se o NTIS, que abriga uma coleção 
formada por quase três milhões de relatórios; a base de dados EducationalResources Information Center 
(ERIC), a qual indexa relatórios, artigos de periódicos, livros, anais e materiais instrucionais de Educação; a 
Langley Technical Report Server: publicação da NASA; e, por fim, no Brasil, ainda não há formas de 
controle dos relatórios técnicos (CAMPELLO et al., 2003). 
 
3.8 PUBLICAÇÕES GOVERNAMENTAIS 
 
As publicações governamentais são decorrentes de atividades públicas, funcionam como 
“espelho” das atividades de um Governo e registram a atuação do Estado e orienta a população. Essas 
fontes apresentam-se de forma desordenada e são caracterizadas como literatura cinzenta (CAMPELLO et 
al., 2003). 
Publicação oficial é qualquer item produzido por meios reprográficos ou outros, editado por uma 
organização que é um o organismo oficial, e disponível para uma audiência mais larga que a daquele 
organismo (CAMPELLO et al., 2003). 
Essas publicações são documentos bibliográficos e não bibliográficos, produzidos por qualquer 
processo, editados sob a responsabilidade, a expensas, por ordem ou com a participação dos órgãos da 
administração pública, ou de entidades por ela controladas, com o objetivo de registrar a atuação do 
Estado e de informar ou orientara opinião pública sobre a mesma (CAMPELLO et al., 2003). 
 
37 
 
3.9 TESES E DISSERTAÇÕES 
 
As teses e as dissertações caracterizam-se como fontes primárias, pois são documentos originados 
das atividades dos cursos de pós-graduação, produzidos em instituições educacionais. Além disso, esses 
documentos são caracterizados como literatura cinzenta e são direcionados a públicos especializados 
(CAMPELLO et al., 2003). 
Após a apresentação desses documentos por pares, eles podem ser fragmentados em artigos 
científicos, de modo a garantir o acesso e divulgação para a comunidade científica. Na maioria das vezes, 
esses documentos mantêm-se na sua forma original: impressão xerografada, número pequeno de 
exemplares, normalização deficiente (CAMPELLO et al., 2003). 
Quanto ao controle bibliográfico das teses e dissertações, tem-se, em nível internacional, a 
instituição University Microfilms International (UMI), a qual dedica-se à venda de teses. No Brasil, 
esforços para disseminação e guarda desse tipo de fonte tem sido realizado pelo IBICT, o qual criou 
publicações que listam as teses defendidas no país, tal como o “Livro, do Jornal do Brasil”. Além disso, 
também é produzido no Brasil, o Catálogo do Banco de Teses, pelo Ministério da Educação (MEC), como 
também há o Sistema de Informação sobre Teses (SITE), gerenciado pelo IBICT e o serviço de comutação 
bibliográfica (COMUT), coordenado pelo IBICT e realizado por grande parte de bibliotecas universitárias 
brasileiras (CAMPELLO et al., 2003). 
 
3.10 OBRAS DE REFERÊNCIA 
 
Geralmente, contemplam as fontes secundárias. São publicações de uso pontual e recorrente. 
Normalmente, não são disponibilizadas para empréstimo domiciliar em bibliotecas. Correspondem à 
literatura branca e são obras apropriadas para consulta (CAMPELLO et al., 2003). 
 
3.11 NORMAS TÉCNICAS 
 
As normas técnicas podem ser consideradas como fontes primárias, que se referem à 
padronização de uma tecnologia. As normas são permeadas por aplicação de regras, regidas por órgãos 
nacionais e internacionais, cujo objetivo de sua aplicação, é simplificar o processo de produção em massa. 
As normas estão em constante aprimoramento e são caracterizadas como literatura cinzenta (CAMPELLO 
et al., 2003). 
 
3.12 PATENTES 
 
São instrumentos legais destinados a proteger a invenção industrial e que garantem ao inventor 
um monopólio temporário. As patentes visam a recompensar o inventor por uma novidade técnica. Elas 
devem ter uma aplicação industrial, produção independente (privada), respaldada por direitos autorais, e 
são gerenciadas pelo Instituto da Propriedade Industrial (INPI) (CAMPELLO et al., 2003). 
 
3.13 ÍNDICES DE CITAÇÃO 
 
Permitem organizar o impacto que determinado trabalho concedeu à Literatura Científica. Servem 
de base para fomentar estudos bibliométricos. Ordenam, controlam e preservam a literatura em ciência e 
tecnologia. Por fim, esses tipos de fonte constituem obras de referências e são vistas como fontes 
terciárias (CAMPELLO et al., 2003). 
 
3.14 A INTERNET 
 
38 
 
A informação na internet difere da informação disponível em outras fontes por sua acessibilidade 
via redes de computadores, sua estrutura, seu dinamismo e seus métodos de publicação. As 
peculiaridades da informação eletrônica em redes podem originar tanto vantagens como barreiras e 
desafios (CAMPELLO et al., 2003). 
 
 
3.15 BIBLIOTECAS DIGITAIS 
 
3.15.1 Conceitos e características 
 
A biblioteca convencional é aquela em que a maioria dos itens do seu acervo é constituída de 
documentos em papel. Ela existe desde a invenção da escrita. Uma característica da biblioteca 
convencional é que tanto a coleção como os seus catálogos utilizam o papel como suporte de registro da 
informação. A biblioteca digital (BD) combina a estrutura e a coleta da informação, tradicionalmente 
usada por bibliotecas e arquivos, com o uso da representação digital tornada possível pela informática 
(CUNHA, 2008). 
O acervo da BD precisa ter conteúdo, que pode ser material antigo, convertido no formato digital, 
ou material novo, nascido digitalmente. Os itens que formam o seu acervo podem ser comprados, 
doados, trocados ou digitalizados localmente, a partir de documentos que não mais estão sujeitos aos 
ditames legais do direito autoral. O objetivo maior da biblioteca digital é consistente com aquele da 
biblioteca convencional, isto é, organizar, distribuir preservar os recursos informacionais (CUNHA, 2008). 
O quadro abaixo demonstra os documentos variados que podem compor o acervo de uma BD. 
 
Segundo Cunha (2008), a BD contempla importantes aspectos, que são: 
1 - organização da informação: a biblioteca digital tem um potencial informacional que dificilmente terá 
sido alcançado pela biblioteca convencional; 
2 - acesso à informação: este é o momento de se iniciar uma integração das fontes e materiais 
eletrônicos nos acervos e serviços; 
3 - o aspecto econômico: muitas bibliotecas procuram no ambiente externo aquelas fontes de 
informação que poderão ser úteis, digitalizam seus conteúdos e os colocam à disposição de sua 
comunidade; 
4 - as ações cooperativas: houve um incremento das atividades de cooperação bibliotecária, não 
somente para reduzir os custos, mas também para facilitar a sobrevivência da biblioteca como instituição 
social. 
 
3.15.2 Dimensões da BD 
 
As BDs contemplam as seguintes dimensões, que são: 
 Dimensão contextual: significado econômico, social e cultural da web semântica e a recuperação 
de informação: ontologias, agentes, metadados e publicações digitais; 
 Dimensão tecnológica: site de uma biblioteca, os componentes da URL: rede, servidor, roteador, 
endereço IP, servidores de bancos de dados, motores de busca, interface com usuário; 
39 
 
 Dimensão do uso: papel das bibliotecas na comunicação científica, finalidades, mecanismos, 
canais, filtros, o papel dos serviços de informação e das publicações eletrônicas, autopublicação, 
auto-arquivamento e informação livre: Open Access e Open Archives. 
 
Alguns conceitos inerentes à BD: 
 BDTD: missão de criar um consórcio de publicações eletrônicas, para acesso a teses e dissertações 
brasileiras; 
 Ontologias: concepção de estruturas concebidas como um conjunto de relações entre elementos 
com funções definidas; 
 Open Archives: interoperabilidade entre os sistemas das bibliotecas; 
 Open source: possibilita o usuário a alterar e adequar o software, segundo suas necessidades 
(MARCONDES et al. 2006). 
No que tange ao desenvolvimento das BDs no Brasil, importante citar como principais elementos 
influenciadores: o IBICT, o Programa de informação e comunicação para a pesquisa – PROSSIGA, a BDTD, 
os Arquivos abertos, os Repositórios institucionais, o Scielo, o Portal Capes, o Portal Domínio Público eas 
BDs em Universidades brasileiras (MARCONDES et al. 2006). 
 
3.15.3 Bibliotecas digitais e web semântica 
 
A nova web depende do desenvolvimento de ferramentas que facilitem a geração e a gerência do 
conjunto dos descritores, garantindo a criação de camadas semânticas por sobre os recursos disponíveis. 
Os profissionais da informação têm muitas habilidades que outros profissionais procuram quando tentam 
vislumbrar a web semântica, podendo contribuir decisivamente para sua própria etapa de 
desenvolvimento. As técnicas biblioteconômicas muito podem contribuir para o desenvolvimento das BDs 
(MARCONDES et al. 2006). 
A biblioteca digital continua sendo uma biblioteca, com os mesmos propósitos, funções e metas 
da biblioteca tradicional. A parte digital do termo indica meramente que os materiais são armazenados e 
acessados digitalmente. Uma biblioteca digital é então muito mais que uma coleção digital, 
particularmente uma coleção, como é ilustrado no número grandioso de sites da World Wide Web na 
internet que consiste em informação atual relativamente volátil (MARCONDES et al. 2006). 
No que se refere à Arquitetura da Informação, ela está relacionada às diversas formas com a 
informação sobre ambientes urbanos poderia ser reunida, organizada e apresentada para públicos 
distintos. 
Elementos da Arquitetura informação no website da BD: 
1 - Sistema de organização: cria estruturas sistemáticas; 
2 - Sistema de rotulagem: guia usuário na navegação; 
3 - Sistema de navegação e busca (MARCONDES et al. 2006). 
Quanto ao uso dos metadados, um dos maiores objetivos do uso de metadados no contexto da 
web é permitir não só descrever documentos eletrônicos e informações em geral, possibilitando sua 
avaliação de relevância por usuários humanos, mas também permitir agenciar computadores e 
programas especiais, robôs e agentes de software, para que eles compreendam os metadados associados 
a documentos e possam então recuperá-los, avaliar sua relevância e manipulá-los com mais eficiência 
(MARCONDES et al. 2006). 
Um dos tipos de metadados de maior relevância na organização das coleções em BDs, diz respeito 
ao padrão de metadados Doblin Core, o qual possui os seguintes elementos de descrição: Subject 
(assunto); Title (título); Creator (autor, responsável pelo documento); Publisher (publicador, quem torna o 
docum ento disponível na Internet); Contribuitor (outros colaboradores - porex. editores, tradutores, etc); 
Description (descrição, resumo, sumário); Date (data de publicação); Type (tipo de recurso - homepage, 
romance, poesia, software, dicionário); Format (formato do arquivo que contém o docum ento eletrônico 
— texto, PDF, LaTex, HTML, W O R D ou outro); Indetifier (geralmente o URL de um docum ento 
40 
 
eletrônico); Relation (relacionamentos com outros documentos, por ex. versões); Source (fonte ou 
origem); Language (idioma do documento); Coverage (cobertura - espacial ou temporal, sobre que lugar, 
ou sobre que época o texto se refere); e o Rights (texto livre especificando qualquer restrição referente a 
direitos autorais) (MARCONDES et al. 2006). 
Reforça-se que o Dublin Core é um padrão voltado principalmente para a descrição e a descoberta 
de documentos eletrônicos. Caso a biblioteca digital, além de referenciar recursos eletrônicos, também 
seja uma publicadora ou editora, terá que se preocupar, além de referenciar seus documentos com 
metadados segundo padrões como Dublin Core, com questões como copyright, administração e gestão 
destes documentos e a preservação digital dos mesmos. Para todas estas atividades, existem conjuntos 
de metadados específicos (MARCONDES et al. 2006). 
Nas BDs deve ser considerada a tríplice AA: acesso aberto, arquivos abertos e auto-arquivamento. 
As BDs brasileiras usam o protocolo OAI-PMH, independentemente do software adotado. Todas se 
baseiam em softwares livres. Alguns exemplos: o ePrint, para auto-arquivamento, o TEDE, para 
repositório institucional, o SEER e o SOAC (MARCONDES et al. 2006). 
Importante destacar que, no desenvolvimento de BDs, uma das questões primordiais a considerar 
é a interface das BDs. Essa interface deve contemplar: 1 - componentes físicos - são os recursos tangíveis 
compostos por dispositivos de hardware com os quais os usuários realizam as atividades motoras e 
perceptivas; e 2 - componentes cognitivos - são recursos abstratos desenvolvidos pelo sistema a partir de 
diretrizes, conceitos e valores pré-definidos (MARCONDES et al. 2006). 
O desenvolvimento das interfaces possui diversos focos, tendo destaque aquele que foca no 
usuário da BD. Assim, é preciso realizar estudos prévios de comportamento informacional, necessidades e 
perfil dos utilizadores. Destacam-se como principais abordagens os estudos nessa direção: a abordagem 
de Valor Agregado de Robert Taylor – usuário-sistema; a abordagem de Sense-Making de Brenda Dervin – 
necessidade e comportamento; e a abordagem do Processo Construtivista de Carol Kuhlthau – busca e 
recuperação (MARCONDES et al. 2006). 
Com a expansão das bibliotecas convencionais para BDs consolidou-se o que se chama de 
Bibliotecas híbridas, que se refere ao conceito para acomodar estes dois momentos paralelos que 
estamos vivendo, o da “biblioteca híbrida”, aquela que contém não apenas material impresso e 
magnético, mas também informação digital (em múltiplos formatos: mídias óticas on e off-line, como CD-
ROMs e DVDs, terminais para acesso a catálogos, a bancos de dados e a alguns dos variados tipos de 
documentos digitais) (MARCONDES et al. 2006). 
Assim, as BDs das universidades brasileiras, em linhas gerais, oferecem os seguintes serviços: 
Levantamento bibliográfico, COMUT, Pergunte à Bibliotecária, Fale conosco, Envio de cópias on-line, 
Sugestões, Empréstimo entre bibliotecas, Sumários correntes, Fichas catalográficas, Normalização de 
documentos, Dicionário, Enciclopédias on-line, Livros e periódicos on-line, Informativo: acervo, equipe e 
serviços e Lista de periódicos eletrônicos (MARCONDES et al. 2006). 
Na atualidade, as BDs viabilizaram novos conceitos, culturas e com profissionais competentes 
quanto às habilidades profissionais. Desse modo, a formação do profissional que atua em BD deverá 
contemplar as seguintes áreas: 1 - usuário da informação; 2 - Recursos informacionais, 3 - Processos de 
agregação de valor; 4- Tecnologias da informação; e 5- Gestão da informação (MARCONDES et al. 2006). 
 
3.15.4 Gestão de coleções na biblioteca digital 
 
Na biblioteca digital continuam inalterados os objetivos, as funções básicas. O que muda é a 
tecnologia. A gestão da coleção é a mesma da tradicional, contemplando os processos de: 
 1 – seleção e aquisição; 
 2 – catalogação; 
 3 – arquivamento (MARCONDES et al. 2006). 
O modelo organizacional da coleção digital considera três funções: 
 Organização da mediação – imita o controle bibliográfico das bibliotecas físicas; 
41 
 
 Definição da coleção primária: materiais mais procurados; 
 Definição da coleção secundária: distribuidora da comunicação científica (MARCONDES et al. 
2006). 
O desenvolvimento de uma coleção digital é mais problemático do que o da coleção impressa. Os 
dois problemas mais importantes na formação da coleção digital são os custos e a qualidade dos recursos 
digitais. Portanto, no mundo digital, a autoridade do recurso digital é posta em xeque por duas situações: 
1- proliferação de fontes que não são validadas; e 2 – possibilidade de manipulação dos documentos 
(MARCONDES et al. 2006). 
A fim de desenvolver as coleções das BDs, é preciso caracterizar as tipologias de fontes. Assim, 
existem materiais dos mais diferenciados, como: materiais originalmente digitais; periódicos eletrônicos 
de origem digital; periódicos com licença de uso; livro eletrônico e substitutos de obras impressas 
(MARCONDES et al. 2006). 
Tendo em vista a variação de conceitos e taxonomias atribuídas às BDs, convencionou-se 
identificar três distintos elementos para essas bibliotecas, que são: osusuários, os conteúdos e os 
serviços de acesso (MARCONDES et al. 2006). 
Como benefícios oriundos com o desenvolvimento das BDs, podem-se destacar: 1 – informação 
entregue diretamente; 2 – melhoramento da pesquisa; 3 – melhor colaboração; 4 – atualização das 
informações; 5 – melhor uso das informações; e 6 – diminui o fosso digital (distância/limites) 
(MARCONDES et al. 2006). 
A participação dos governos na formação e gestão das BDs deve constituir um fazer típico da 
Administração Pública. Portanto, no âmago governamental, deve-se considerar a rede comunitária, tendo 
em vista: recursos e oportunidades culturais, recursos educativos, direitos e serviços da administração, 
atividades econômicas e comerciais e a saúde e qualidade de vida (MARCONDES et al. 2006). 
Segundo esses autores, na sociedade da aprendizagem, o governo precisa considerar a conexão 
com a internet distribuída para todos, a presença de um rico conteúdo informativo e a capacidade de 
saber utilizar a informação digital (MARCONDES et al. 2006). 
A personificação dos serviços deve ser uma atividade constante na gestão das BDs. Assim, a 
personalização dos serviços é um elemento constitutivo da BD, que, cada vez mais, deverá solicitar aos 
usuários que se cadastrem e definam os serviços que lhes são prioritários. Devem-se valorizar os 
seguintes atores: USUÁRIO – CLIENTE – PARTE INTERESSADA – PESSOA – COMUNIDADER DE USUÁRIOS – 
AGENTE (MARCONDES et al. 2006). 
No que tange à preservação e arquivamento dos documentos digitais, os autores enfatizam que a 
preservação é a função da BD que compreende as atividades de armazenamento da informação em 
suportes digitais, a manutenção das coleções, o acesso permanente e a difusão dos documentos 
(MARCONDES et al. 2006). 
Na preservação digital deve-se dar atenção às seguintes áreas: Estratégias de preservação; 
Produtores e editores de informação; Direitos de propriedade intelectual; Gestão da coleção digital; 
Metadados; Arquivos na rede; Atualização do pessoal; e, por fim, a colaboração (MARCONDES et al. 
2006). 
De qualquer forma, ressalta-se que a integridade da informação digital dependerá: do conteúdo; 
da estabilidade; da consistência das citações; da procedência; e do contexto (MARCONDES et al. 2006). 
No que tange à gestão e uso dos metadados, as funções dos metadados são: ajudar usuário 
identificar os recursos digitais; ajudar usuários a conhecer as condições de acesso; ajudar os usuários a 
utilizar os recursos; e ajudar o gestor do recurso na atividade de preservação (MARCONDES et al. 2006). 
Os metatados têm sido muito utilizados na prática bibliotecária, sobretudo quanto à 
representação da informação nas plataformas digitais. Os metadados na comunidade bibliotecária têm 
contemplado, sobremaneira, as seguintes considerações: iniciativas do OCLC; apoio ao Projeto Marc; 
utilização do padrão Doblin Core; e o uso do protocolo Z9.50 (MARCONDES et al. 2006). 
No que tange ao acesso na BD, tem-se o que se chama de desintermediação. Os problemas de 
acesso são os seguintes: interface de busca; interoperabilidade das BD; e a integração dos recursos 
42 
 
digitais. As fases do processo de busca na BD contemplam: a formulação da busca; a ação; a avaliação dos 
resultados; e o refinamento da busca (MARCONDES et al. 2006). 
Por fim, após a criação, desenvolvimento e gestão das BDs, é preciso estabelece os mecanismos de 
avaliação. A avaliação das BDs é mais complexa que as bibliotecas convencionais, sendo as medidas e 
vaiáveis avaliativas também diferenciadas. A avaliação das BDs deve considerar diferentes orientações: 
baseada nos conteúdos, nos serviços e nos usuários (MARCONDES et al. 2006). 
O detalhamento de cada tipo de orientação para o processo de avaliação é demonstrado na tabela 
abaixo: 
 
 
3.16 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO – BIBLIOTECAS DIGITAIS 
 
Questão 1 - Para ser plenamente competente no planejamento e na operação de bibliotecas digitais, o 
profissional da informação, na visão de Marcondes et al. (2006) deve ter conhecimento em algumas 
áreas. Assinale, a alternativa em que são indicadas corretamente essas áreas: 
A) Gestão de documentos, processos de agregação de valor, recursos informacionais, tecnologias da 
informação e usuários da informação. 
B) Gestão da informação, processos de agregação de valor, recursos informacionais, tecnologias da 
informação e usuários da informação. 
C) Gestão de pessoas, processamento técnico, recursos informacionais, tecnologias da informação e 
usuários da informação. 
D) Gestão da informação, processamento técnico, recursos informacionais, sistemas de informação e 
usuários da informação. 
Questão 2 - Dadas as características seguintes, referente às Bibliotecas Digitais, 
I. Acesso remoto pelo usuário, por meio de um computador conectado a uma rede. 
II. Utilização simultânea do mesmo documento por duas ou mais pessoas. 
III. Existência de coleções de documentos correntes onde se pode acessar não somente a referência 
bibliográfica, mas também o seu texto completo. 
IV. Serviço de auxílio ao usuário por meio da entrevista de referência. 
V. Provisão de acesso em linha e outras fontes externas de informação (bibliotecas, museus, bancos de 
dados, instituições públicas e privadas), por meio da utilização da comutação de dados e empréstimo 
entre instituições. 
É correto afirmar que: a) I e II estão corretas. b) II, III e V estão corretas. c) III, IV e V estão corretas. 
d) IV e V estão corretas. e) I, II e III estão corretas. 
Questão três - Com relação à catalogação praticada na biblioteca digital é INCORRETO afirmar: 
a) que, da mesma forma que a ficha catalográfica, a função dos metadados é oferecer aos usuários uma 
série de informações úteis para a localização de informações que possam existir no interior do material 
digital. 
43 
 
b)que os registros MARC que possuem a etiqueta 856 são usados para a catalogação de periódicos 
eletrônicos e recursos da internet. 
c) que o metadado DOI (Document Object Identifier) é um identificador duradouro, destinado à gestão de 
objetos digitais protegidos pelo direito do autor e foi desenvolvido pela Association of American 
Publisher. 
d) que o Dublin Core Metadata Element Set foi desenvolvido com o objetivo de melhorara recuperação 
dos recursos informacionais da Rede por parte de bibliotecas, editoras, arquivos e autores. Seu objetivo é 
colocar em ordem de relevância os recursos encontrados e, propositalmente, foi limitado a um pequeno 
conjunto de dados. 
Questão 4 - De acordo com a taxonomia dos modelos de avaliação de bibliotecas digitais de Tammaro 
(2008), a abordagem centrada nos usuários considera como critérios: 
a) eficiência, eficácia e perfeição; 
b) qualidade, funcionalidade e custos; 
c) impacto, benefícios e valor; 
d) recursos, serviços e equipamentos; 
e) infraestrutura, transparência e serviços. 
Questão 5 - Com o advento das bibliotecas digitais alterou-se fundamentalmente: 
a) o meio de produção e registro dos documentos. 
b) a essência das mensagens veiculadas pelos documentos. 
c) o conteúdo das mensagens veiculadas pelos documentos. 
d) o volume de dados necessários para identificar os documentos. 
Questão 6 - Tammaro (2003) considera a biblioteca digital um sistema cooperativo e apresenta uma 
tipologia para os acordos necessários à integração de recursos heterogêneos. Relacione adequadamente 
os tipos de acordo às suas respectivas características. 
1. Acordo organizacional. 
2. Acordo quanto a conteúdos. 
3. Acordo técnico. 
( ) Concordância quanto às regras de acesso, preservação, autenticação e pagamento. 
( ) Consenso quanto a formatos, protocolos e sistemas de segurança que permitam a troca de 
mensagens. 
( ) Decisão quanto aos dados e seus metadados, inclusive os metadados semânticos. 
A sequência está correta em: a) 1,2,3; b) 1,3,2; c) 2,1,3; d) 3,1,2; e) 3,2,1. 
Questão sete - O protocolo desenvolvido pela Library of Congress, OCLC e RLIN, conhecidopelo número 
de série Z39.50, tem por finalidade: 
A - descobrir informações em rede e abranger todos os modos de acesso à biblioteca virtual, sejam 
documentos ou pesquisas. 
B - ajudar na recuperação e transferência de dados em formato bibliográfico entre processadores ligados 
em rede. 
C - definir todos os tipos de equipamento eletrônicos necessários ao seu funcionamento, na recuperação 
da informação. 
D - facilitar a interação entre usuários e documentos de bibliotecas digitais, podendo o usuário construir 
sua própria base e criar novos documentos. 
E - manter o controle bibliográfico de tudo o que é produzido na Rede e que possui alguma qualidade 
informacional. 
Questão 8 - Segundo Marcondes et al. (2006, p. 246), um dos pontos relevantes, ao se construir uma 
biblioteca digital, é o acesso. A partir da sua implantação, se não houver restrições, o acesso será 
universal e trará grandes vantagens, como as citadas a seguir, EXCETO: 
a) preservação dos materiais impressos. 
b) informação sem acesso hipertextual. 
c) sem limitações de disponibilidade do número de volumes 
44 
 
d) sem limitações geográficas. 
e) integração, difusão e democratização do conhecimento. 
 
3.17 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO – FONTES DE INFORMAÇÃO 
 
Questão 1 - O resultado do trabalho intelectual de estudiosos e pesquisadores é comunicado, 
geralmente, através de algum tipo de publicação. O conjunto desses registros vai formar: 
(A) o guia de literatura 
(B) a publicação técnica 
(C) a literatura científica 
(D) o índice de citação 
Questão 2 - As cópias dos trabalhos aceitos pela comissão organizadora dos encontros científicos, 
distribuídas antes do evento às pessoas inscritas, são chamadas: 
(A) proceedings 
(B) preprints 
(C) anais 
(D) resoluções 
Questão 3 - O escritório brasileiro encarregado do controle e da concessão de patentes e registro de 
marcas é a seguinte autarquia com sede no Rio de Janeiro: 
(A) INSS 
(B) INPI 
(C) OMPI 
(D) INEP 
Questão 4 - As enciclopédias e os dicionários são obras de referência, por isso não figuram como fontes 
de informação. ( ) certo ( ) errado 
Questão 5 - Embora consolidado como fonte de informação científica e universalmente aceito, há 
crescentes problemas com os periódicos científicos tradicionais. São fatores que costumam ser apontados 
como causas desses problemas, EXCETO: 
A) Custo de atualização de coleções. 
B) Dispersão de artigos sobre determinado tema em vários periódicos. 
C) Demora na publicação dos artigos. 
D) Proliferação exagerada dos periódicos. 
Questão 6 - O uso efetivo e regular de fontes impressas ou online de qualidade é um requisito que pode 
levar ao sucesso na satisfação das necessidades de informação dos usuários. Considerando essa 
afirmação, marque com a letra F as alternativas falsas e com a letra V as alternativas verdadeiras: 
( ) O número de fontes de informação científica e tecnológica vem aumentando significativamente. Esse 
fenômeno é atribuído às mitoses nos ramos da ciência, provocando o surgimento de novas disciplinas 
científicas, bem como o aumento do número de usuários e a diversificação de seus interesses. 
( ) Considerando o advento da internet, a literatura técnico-científica, antes denominada de “Literatura 
Cinzenta”, deixou de existir. 
( ) O serviço de comutação bibliográfica (Comut) foi extinto, pois as fontes de informação online são 
livremente acessíveis. 
( ) A Federação Internacional de Informação e Documentação (FID) é um dos organismos internacionais 
de normalização da documentação científica. 
( ) Diferentemente da literatura científica, a literatura tecnológica nem sempre é divulgada amplamente. 
A) V, V, F, V, F B) V, V, V, F, V C) V, F, F, V, V D) F, V, V, V, F E) F, F, V, F, V 
Questão sete - As fontes de informação não convencionais, utilizadas para a realização de pesquisas 
especializadas, são conhecidas como literatura branca. ( ) Certo ( ) Errado 
Questão 8 - Com relação às fontes de informação, periódicos de indexação, fontes históricas, patentes e 
metabuscadores, são respectivamente exemplos de fonte: 
45 
 
(A) primária, secundária, terciária e quaternária. 
(B) secundária, primária, terciária e eletrônica. 
(C) primária, terciária, secundária e eletrônica. 
(D) terciária, secundária, primária e eletrônica. 
(E) secundária, terciária, primária e eletrônica. 
Questão 9 - A fonte para identificação de trabalhos de interesse do pesquisador que propicia o acesso ao 
conhecimento em uma única fonte, fato ocorrido ou em curso periodicamente no campo estudado e 
podendo substituir a consulta a uma série de outros trabalhos, é: 
a) a revisão de literatura. 
b) o relatório técnico. 
c) o guia de literatura. 
d) a literatura cinzenta. 
Questão dez - Fontes de informação são geralmente classificadas como fontes primárias, secundárias e 
terciárias, dependendo da sua originalidade e sua proximidade com a fonte de origem. Associe a primeira 
coluna com a segunda coluna: 
1. Primária 
2. Secundária 
3. Terciária 
( ) Interpretações e avaliações de fontes primárias. 
( ) São aqueles que se apresentam e são disseminados exatamente na forma com que são produzidos por 
seus autores. 
( ) Os documentos incluídos nessa categoria variam muito, entre os quais bibliografias de bibliografias, 
diretórios e almanaques. 
( ) Patentes, Periódicos. 
a) 1 - 2 - 3 - 2 b) 2 - 3 - 1 - 2 c) 3 - 2 - 2 – 3 
 d) 2 - 1 - 3 – 1 e) 1 - 3 - 1 - 2 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
CAMPELLO, B. S.; CENDÓN, B. V.; KREMER, J. M. (Org.). Fontes de informação para pesquisadores e 
profissionais. Belo Horizonte: UFMG, 2003. 
 
CUNHA, M. B. Das bibliotecas convencionais às digitais: diferença e convergências. Perspectiva em 
Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 13, n. 1, jan./abr. 2008. 
 
MARCONDES, C. H. et al. (Org.). Bibliotecas digitais: saberes e práticas. 2 ed. Salvador: UFBA, 2006. 
 
TAMMARO, A. M.; SALARELLI, A. A biblioteca digital. Brasília: Briquet de Lemos, 2008. 
 
 
 
 
 
46 
 
AULA IV – O periódico científico, Open 
Archives e Recursos Informacionais 
 
Docente responsável: Jorge Santa Anna 
Bibliotecário atuante no ramo da Consultoria e Metodologia de Trabalhos Científicos. Professor de 
Metodologia de Pesquisa e aulas particulares de Biblioteconomia e áreas correlatas. Mestrando do 
Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do Conhecimento, da UFMG. Atua há mais de oito 
anos na Normalização Bibliográfica, com vasta produção bibliográfica publicada em periódicos científicos. 
Membro do comitê editorial da Revista Pró-Discente. 
 
Bibliotecária colaboradora: Flávia Ferreira Abreu 
Possui graduação em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2010), especialização 
em Gestão Estratégica da Informação pela Federal de Minas Gerais (2012). Atualmente, é mestranda do 
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação/UFMG. Tem experiência na área de Ciência da 
Informação, com ênfase em Gestão da Informação, atuando principalmente nos seguintes temas: leituras 
compartilhadas; bibliotecas itinerantes, mediação de leituras e em gestão de sistema da informação. 
 
 
CONTEÚDOS DA AULA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
47 
 
4 O PERIÓDICO CIENTÍFICO 
 
4.1 PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS 
 
O periódico científico está inserido no universo da comunicação científica, a qual é analisada por 
diversas áreas do conhecimento, mas para a Ciência da Informação o enfoque está direcionado para a 
produção e uso, os quais se manifestam como os enfoques mais estudados (MUELLER; PASSOS, 2000). 
 
 
 
O novo conhecimento deve ser submetido ao exame de outros cientistas (pares) que irão avaliar 
sua qualidade e validade. Para que o conhecimento seja reconhecido como científico deve, também, ser 
publicado, sendo o periódico o veículo mais utilizado para tal finalidade, embora ocorram variações de 
uma área do conhecimento para outra (MUELLER; PASSOS, 2000). 
O periódicocientífico é o veículo formal da ciência “autorizada”. É a fonte por excelência a ser 
consultada e citada nos trabalhos científicos. Percebe-se, a importância do papel que os periódicos bem-
conceituados desempenham: NA FABRICAÇÃO DA CIÊNCIA E NA CARREIRA DOS CIENTISTAS (MUELLER; 
PASSOS, 2000). 
O periódico científico é considerado o veículo de maior visibilidade para resultados de pesquisa, o 
qual tem sido considerado, para as CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS, assim como para parte significativa das 
CIÊNCIAS HUMANAS e sociais e para parcela menor das ARTES E HUMANIDADES, o veículo mais 
importante de comunicação da pesquisa. Representa, assim, um dos veículos que compõem o produto 
final, formal, consolidado da disseminação de resultados de pesquisas realizadas por estudiosos de todo o 
mundo (MUELLER; PASSOS, 2000). 
Trata-se de um tipo de comunicação formal que perpassa por um longo e complexo fluxo. Como 
exemplo desse processo, tem-se o Modelo de Garvey e Griffith desenvolvido a partir de estudos na área 
da Psicologia sobre o fluxo da comunicação científica, o qual engloba desde o início do percurso de um 
trabalho científico até o final do processo da comunicação científica (MUELLER; PASSOS, 2000). 
O modelo proposto por Garvey e Griffith mostra de maneira esquematizada o processo da 
disseminação cientifica, desde as fases iniciais da elaboração de um projeto de pesquisa até a aceitação 
final de seus resultados, já como conhecimento científico certificado. [...] O modelo de Garvey e Griffith 
mostra claramente a existência de dois tipos de comunicação: formal e informal (MUELLER; PASSOS, 
2000). 
 
Com o desenvolvimento tecnológico, principalmente com o início do acesso a computadores 
pessoais e a utilização do correio eletrônico pelos pesquisadores, tornaram-se questionáveis os limites da 
categorização de comunicação formal e informal (MUELLER; PASSOS, 2000). 
 
 
 
48 
 
O formato tradicional do periódico científico, impresso em papel já começa a ser alvo de 
tentativas de inovação e mudanças, não apenas de canal, mas de concepção, pois compreendem que 
volumes e fascículos poderiam ser abolidos para que se usufruísse da rapidez e da capacidade de 
interação dos meios eletrônicos (MUELLER; PASSOS, 2000). 
Considerando a globalização da ciência, verificam-se limitações para sua universalidade. Isto, 
oriundo das desigualdades econômicas e sociais presentes nos mais diferentes países. Como 
consequência, a produção e utilização do conhecimento científico se restringem aos países do chamado 
Primeiro Mundo. E as diferenças no acesso e uso dos periódicos também se manifestam entre ricos e 
pobres. A periferia adota as preferências e os valores de centro, avaliando seu próprio desempenho com 
os critérios desenvolvidos e aplicados na metrópole (MUELLER; PASSOS, 2000). 
Mesmo com os impactos das tecnologias nos periódicos, o periódico persiste como instrumento 
de atualização indispensável em qualquer profissão e provoca impactos significativos no fluxo da 
informação científica e tecnológica, quer em sua versão impressa, quer em seu formato eletrônico 
(MUELLER; PASSOS, 2000). 
 
4.2 OPEN ARCHIVES 
 
A comunicação científica é parte essencial dos estudos da ciência da informação, a qual constitui 
uma disciplina cujas preocupações centrais estão focadas em questões relacionadas, direta ou 
indiretamente, com o compartilhamento do conhecimento na sociedade (BAPTISTA et al., 2007). 
Pesquisas, em todo o mundo, são primordialmente realizadas por pesquisadores em 
universidades. Como consequência, mudanças no ambiente acadêmico das universidades tendem a ter 
reflexo tanto na atividade da pesquisa propriamente dita quanto na sua disseminação (BAPTISTA et al., 
2007). 
A ideia do acesso livre se deve, principalmente, a dois fatores: 1 - de uma reação dos 
pesquisadores ao modelo de negócios de editoras comerciais de revistas científicas (e seus preços cada 
vez mais altos - preços de assinatura); 2 - crescente conscientização do aumento de impacto provocado 
pela disponibilização de documentos científicos livres de barreiras ao acesso (BAPTISTA et al., 2007). 
O Open Archives é um movimento mundial em favor da disseminação ampla e irrestrita dos 
resultados de pesquisas financiadas com recursos públicos. Os benefícios dessa filosofia são, entre outros, 
a maior visibilidade das pesquisas e sua utilização pelo maior número possível de interessados, o que 
promove, em última instância, o desenvolvimento da ciência (BAPTISTA et al., 2007). 
Importante frisar que os impactos promovidos pelo modelo de acesso ao periódico científico ao 
longo dos três últimos séculos devem-se ao modelo de negócios, o qual NÃO ATENDE AS ideais de 
disseminação da pesquisa, como também referem-se aos PREÇOS DAS ASSINATURAS cobrados por 
editores comerciais (BAPTISTA et al., 2007). 
Com o modelo comercial vigente até o final do século XX desencadeou-se: pouca visibilidade das 
pesquisas, no que tange às necessidades tanto de acesso quanto de disseminação, particularmente por 
parte da comunidade dos países considerados periféricos (BAPTISTA et al., 2007). 
Trajetória histórica do Open Archives: 1999 – Convenção de Santa Fé (Califórnia); Criação da OAI - 
Protocolo OAI-PMH; 2001 – Reunião de Budapeste, organizada pela OSI; Documento: Budapest Open 
Access Initiative (BOAI) (BAPTISTA et al., 2007). 
Estratégias advindas do BOAI: via verde, por meio do depósito em repositórios 
(autoarquivamento) e a via dourada, por meio da publicação em periódicos de acesso livre ao 
conhecimento (BAPTISTA et al., 2007). 
Em fevereiro de 2007 existiam mais de 2500 revistas de acesso livre e mais de 700 repositórios 
institucionais em universidades e centros de investigação de todo o mundo. Acredita-se que a via verde é 
a estratégia que pode conduzir de forma mais rápida à concretização do objetivo (utópico para alguns) de 
ter 100% da literatura científica em acesso livre (BAPTISTA et al., 2007). 
49 
 
4.3 OS REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS 
Os materiais depositados nos repositórios são: 
1 - artigos publicados em revistas científicas; 
2 - teses e dissertações; 
3 - relatórios técnicos de projetos; 
4 - outros materiais resultantes da produção intelectual de uma instituição (SENA, 2000). 
No que tange às políticas institucionais, elas podem ser de natureza voluntária, de natureza 
compulsória e de natureza mista (política Patchwork Mandate). O depósito compulsório, portanto, visa a 
solucionar a questão dos reduzidos índices de autoarquivamento. Muitos defendem e aderem à proposta 
do depósito departamental em deprimento ao institucional (SENA, 2000). 
O Repositório digital ArXiv deposita artigos e relatórios não publicados; é denominado de 
repositório de e-prints ou e-prints archives; possui a presença de um moderador; representa um espaço 
para comentários dos usuários; e, por fim, assemelha-se a colégios invisíveis (SENA, 2000). 
O arquivo de e-prints precisa conter os elementos: 
1 - mecanismo de submissão; 
2 - sistema de armazenamento a longo prazo; 
3 - uma política de gestão para a submissão e preservação de documentos; 
4 - uma interface aberta que permita a terceiros coletar os metadados dos respectivos arquivos 
(SENA, 2000). 
Existem várias ferramentas de suporte ao Acesso Livre que implementam o protocolo OAI-PMH. 
Grande parte destas ferramentas é de código aberto (ou Open Source, no original), o que significa não só 
que são gratuitas, como que podem ser alteradas. O Open Journal Systems (OJS) constitui um sistema de 
gestão de revistas: 900 revistas mundiais, sendo 140 brasileiras; e o Sistemas Eprints, DSpace e Fedora 
representam tipos de repositórios (institucionais, temáticos, disciplinares ou outros) (SENA, 2000). 
Existem várias ferramentas de suporte ao Acesso Livre que implementam o protocolo OAI-PMH. 
Grande parte destas ferramentas é de código aberto (ou Open Source, no original), o que significa não só 
que são gratuitas, como que podem ser alteradas (SENA, 2000). 
A comunicaçãocientífica ampliou seus horizontes de troca de dados, informações e 
conhecimentos com o aparecimento dos open archives, arquivos que congregam e-prints das diversas 
áreas do saber e que são abertos à consulta pública, bem como à publicação automatizada dos trabalhos 
por parte dos pesquisadores (SENA, 2000). 
A experiência americana em áreas da física, matemática e ciência da computação, entre outras, 
demonstra a viabilidade e utilidade dos arquivos abertos como ponto de convergência para comunidades 
de pesquisadores que se veem sem fronteiras geográficas ou institucionais para o intercâmbio de seus 
resultados de pesquisas (SENA, 2000). 
Nos Estados Unidos e em alguns países europeus, existe um número crescente dessas coleções de 
e-prints (preprints e reprints). Os pares tornam-se seus próprios editores. A publicação desses 
artigos/trabalhos é de inteira responsabilidade do autor/pesquisador, que o faz de forma automatizada 
(SENA, 2000). 
As publicações dos repositórios e-prints podem ser vistas como publicação acadêmica não-
comercial, viabilizando-se a vontade do autor de que haja a máxima distribuição possível do seu trabalho, 
sem qualquer cobrança de royalties ou pay-per-view, resguardado, porém, o uso justo (fair use) da obra, 
permitindo ao autor publicar onde quiser o seu trabalho (SENA, 2000). 
Parte do futuro dos open archives depende dos avanços das tecnologias de informação e 
comunicação, especialmente da indústria de software, que hoje busca implementações que tentam aliar 
performance e interoperabilidade em diferentes ambientes. (SENA, 2000). 
 
4.4 RECURSOS INFORMACIONAIS: REPOSITÓRIOS DIGITAIS 
 
50 
 
Na segunda metade do século XX, há um deslocamento do regime de acumulação baseado na 
grande indústria, para as atividades imateriais, deslocamento este, imposto pela globalização do mercado 
com relação à produção intelectual e alterando, também, as relações sociais (SAYÃO et al., 2009). 
Os repositórios institucionais manifestam-se como peças fundamentais de um futuro sistema 
brasileiro de livre acesso à produção científica do país. Constituem bibliotecas digitais destinadas a 
guardar, preservar e garantir livre acesso, via internet, à produção científica no âmbito de uma dada 
instituição (SAYÃO et al., 2009). 
São elementos de uma rede ou infraestrutura informacional de um país ou de um domínio 
institucional destinados a garantir a guarda, preservação a longo prazo e, fundamentalmente, o livre 
acesso à produção científica. Eles são uma retomada dos ideais iluministas quanto aos resultados da 
atividade científica, na forma das diferentes publicações (SAYÃO et al., 2009). 
Os Repositórios Institucionais (RI) constituem, hoje, uma das principais iniciativas para a 
implantação do acesso livre no mundo. Os benefícios que essa iniciativa traz para os pesquisadores, as 
instituições de ensino e pesquisa, assim como para os países são expressivos (SAYÃO et al., 2009). 
O lançamento do Manifesto brasileiro de apoio ao acesso livre à informação científica em 2005 é o 
primeiro desdobramento político no Brasil de um movimento internacional amplo de apoio ao livre 
acesso à informação científica. O primeiro repositório digital de preprints surge em 1991, no laboratório 
de física de Los Alamos. O primeiro periódico totalmente eletrônico, The Online Journal of Clinical Trials, 
surge em 1992 (SAYÃO et al., 2009). 
Os repositórios se proliferavam por diversos países e cobriam as diferentes áreas de 
conhecimento. No bojo dessa iniciativa, foi criado o padrão de metadados Dublin Core e o Open Archives 
Initiative Protocol for Metadata Harvesting (OAI-PMH), para propiciar a coleta automática e o reuso de 
metadados de repositórios abertos (open archives) (SAYÃO et al., 2009). 
Repositório institucional é uma base de dados na web na qual uma instituição de pesquisa 
deposita sistematicamente sua produção acadêmica e a disponibiliza de forma ampla para as 
comunidades interessadas (SAYÃO et al., 2009). 
Os serviços oferecidos no repositório envolvem a captura, armazenamento, tratamento técnico, 
organização, preservação e entrega de conteúdos digitais de toda a natureza – texto, imagens, vídeo, 
áudio, apresentações, programas de computador, datasets etc. (SAYÃO et al., 2009). 
Existe uma grande variedade de programas, como os gerenciadores de bases de dados 
bibliográficos – por exemplo, o Micro-ISIS –, e ainda os softwares gerenciadores de banco de dados mais 
genéricos, como o MS Access (SAYÃO et al., 2009). 
As fases de criação dos repositórios são: 
1 - a necessidade de se criar um repositório institucional; 
2 – fixação das políticas de gestão e de uso do repositório; 
3 – estabelecimento do elenco de serviços que serão oferecidos a uma comunidade definida de 
usuários; 
4 – Escolha dos softwares (SAYÃO et al., 2009). 
Assim, devem-se considerar, na escolha dos softwares, os seguintes requisitos: 
 1 – Escalabilidade: crescimento do sistema; 
 2 – Extensibilidade: agregar novas ferramentas; 
 3 - Facilidade de implantação; 
 4 - Plataforma computacional; 
 5 - Implantações de sucesso; 
 6 - Suporte do sistema; 
 7 - Base de conhecimento das comunidades envolvidas; 
 8 - Perspectivas para o futuro; 
 9 – Limites do sistema; 
 9 - Documentação disponível/cursos/publicações (SAYÃO et al., 2009). 
51 
 
Os modelos de licença e distribuição são: Software proprietários: - o cliente paga por uma licença 
de uso do software; - Software de código aberto – tipicamente o cliente baixa gratuitamente o software 
da internet e o instala por conta própria ou assistido por consultoria contratada (SAYÃO et al., 2009). 
Para estabelecer a infraestrutura técnica, gerencial e metodológica, consideram-se como 
elementos principais: o hardware, software, expertise técnica gerencial e metodológica e a 
sustentabilidade (SAYÃO et al., 2009). 
Por sua vez, para avaliação do software, considera-se como parâmetro de escolha: interface 
default: prontas para uso; padrões de interface: padrões (abertos) apropriados; customização; lay-out, 
cores, logomarcas etc.; ergonomia e usabilidade; acessibilidade; e multilíngue (SAYÃO et al., 2009). 
Para organização da informação, são tidos como principais processos: a indexação: o software 
pode ser configurado para apresentar texto completo, criar índices, vocabulários controlados etc.; a 
recuperação da informação; e a interatividade entre usuários (SAYÃO et al., 2009). 
No que tange aos softwares livres para instalação dos repositórios, tem-se o Dspace, definido 
como um sistema de repositório digital inovador que captura, armazena, indexa, preserva e redistribui 
materiais de pesquisa em formato digital produzidos por comunidades acadêmicas dentro do contexto de 
organizações de pesquisa e de universidades (SAYÃO et al., 2009). 
As funções dos repositórios institucionais são: 1 - criação de comunidades e de coleções; 2 - 
cadastro de usuários; 3 - gerenciamento de políticas de conteúdos; 4 - autoarquivamento de documentos. 
Atualmente, pode-se considerar que o repositório digital surgiu com propósitos de preservação da 
memória e visibilidade institucional, porém, esses ambientes não precisam ser obrigatoriamente 
científicos (SAYÃO et al., 2009). 
As instituições de memória sempre tiveram a preocupação com a seleção dos objetos de suas 
coleções, ainda que essa seleção fosse de natureza política, como as escolhas o são. O interesse das 
bibliotecas, dos arquivos, dos museus foi e é o de criar coleções que possam simbolizar o conhecimento 
acumulado, talvez visando a um coletivo que transcenda à singularidade da produção intelectual (SAYÃO 
et al., 2009). 
A Biblioteca Digital Mundial (BDM) é uma coleção de bens culturais mundiais que poderia contar 
histórias e iluminar os acontecimentos de países e culturas, promovendo a troca e o entendimento 
multicultural (SAYÃO et al., 2009). 
Existe como estratégia de repositório para garantia da memória histórica da humanidade o 
PROJETO DE NATUREZA EDUCATIVA,PATRIMONIAL E FILANTRÓPICA DA UNESCO, 2005, cujo objetivo da 
criação desse projeto é instituir uma biblioteca universal, com o intuito de reduzir limites entre 
hemisfério norte e sul (SAYÃO et al., 2009). 
Para os documentos a serem incorporados no repositório, considera-se que o ciclo documentário 
que permeia o processo de tratamento deva contemplar as fases demonstradas na figura abaixo: 
 
52 
 
 
4.5 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 1 – Com relação à relevância dos canais informais de comunicação usados nos dias atuais, à 
evolução do processo de comunicação científica em biblioteconomia e aos conceitos fundamentais dessa 
área, é correto afirmar que: 
a) os altos custos para publicação impressa e divulgação de trabalhos de caráter técnico-científico 
estimulam o desenvolvimento da comunicação científica. 
b) a comunicação científica consiste da troca de informações entre membros da comunidade científica 
acerca de atividades associadas somente à análise, organização e aplicação da informação, desde o 
momento em que o cientista decide o que pesquisar até que os resultados de sua pesquisa sejam aceitos 
como constituintes do conhecimento científico. 
c) o pesquisador, para garantir qualidade, confiabilidade e credibilidade à sua produção científica, deve 
acompanhar, sistematicamente, a literatura publicada de suas áreas de interesse e, mediante a 
publicação de suas ideias e resultados, buscar a avaliação de outros pesquisadores, mantendo constante 
comunicação com seus pares. 
d) o padrão de exercício técnico-profissional em comunicação técnico-científica, ao longo dos tempos, 
tem variado de acordo com as características específicas de cada época. 
e) a comunicação científica é prejudicial à organização do conhecimento científico que vise refutar os 
resultados de pesquisas anteriores ou estimular novas perspectivas em diversas áreas. 
 
 
Questão 2 – Sobre os Repositórios Institucionais, é CORRETO afirmar que: 
a)Toda biblioteca digital pode ser considerada um tipo de repositório institucional. Entretanto, nem todo 
repositório institucional de acesso aberto pode ser considerado uma biblioteca digital. 
b)A avaliação por pares é uma das características dos repositórios institucionais, como também de outros 
veículos de publicação científica. Portanto, a seleção do material que fará parte do RI deverá passar pela 
avaliação dos pares. 
c)Por lidar com a produção científica e acadêmica, os repositórios institucionais equivalem-se aos 
sistemas de gerenciamento de bibliotecas, pois, servem para a manutenção, desenvolvimento e controle 
do acervo como um todo. 
d)Lidam com a produção científica de uma determinada instituição, contemplando a reunião, 
armazenamento, organização, preservação, recuperação e, sobretudo, a ampla disseminação da 
informação científica produzida. 
e) Repositórios institucionais são semelhantes aos periódicos científicos, pois, têm a função de registrar, 
certificar, arquivar e disseminar a produção intelectual da instituição. 
 
Questão 3 – Um Repositório Institucional (RI) de acesso aberto constitui um serviço de informação 
científica - em ambiente digital e interoperável — dedicado ao gerenciamento da produção intelectual de 
uma instituição. Sobre Repositórios é correto afirmar: 
a) O acesso aberto significa que os textos completos podem ser acessados através da Internet, para 
leitura, download, cópia, distribuição, impressão, busca ou criação de links. 
53 
 
b) Não existe nenhum controle sobre os direitos autorais, a partir do momento que o texto é publicado 
no RI cessam os direitos autorais. 
c) O maior benefício dos RI's é o fato de serem gratuitos. 
d) Apesar de serem de livre acesso, os RI's não têm uma política de manter permanentemente seus 
conteúdos. 
 
 
Questão 4 – Publicação periódica é destinada a promover o progresso da ciência, geralmente noticiando 
novas pesquisas. A maioria é altamente especializada, trata-se de: 
 a) Periódico científico; 
 b) Revista; 
 c) Trabalho de Conclusão de Curso; 
 d) Livro didático; 
 e) Artigo científico. 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
MUELLER, S. P. M.; PASSOS, E. J. L. (Org.). Comunicação científica. Brasília: Departamento Ciência da 
Informação, 2000. 
 
BAPTISTA, A. A. et al. Comunicação científica: o papel do Open Archives Iniciative no contexto do acesso 
livre. Encontros Bibli, n. esp., 2007. 
 
SENA, N. K. Open archives: caminho alternativo para a comunicação científica, Ciência da Informação, v. 
29, n. 3, dez. 2000. 
 
SAYÃO, L. et al. (Org.). Implantação e gestão de repositórios institucionais: políticas, memória, livre 
acesso e preservação. Salvador: EDUFBA, 2009. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
54 
 
MÓDULO III 
 
 
 
 
ORGANIZAÇÃO E TRATAMENTO DA 
INFORMAÇÃO EM SUPORTES 
VARIADOS 
 
AULA V: Software para gerenciamento de bibliotecas - 
Sistema Pergamun 
 
 
AULA VI: Representação Temática - Sistemas de Classificação 
CDD e CDU 
 
AULA VII: Representação Temática da Informação - Indexação 
 
AULA VIII: Representação Descritiva - Catalogação 
 
55 
 
 
AULA V: Software para gerenciamento de 
bibliotecas – Sistema Pergamun 
 
Docente responsável: Maria Elizabeth de Oliveira Costa 
Bibliotecária da Escola Ciência da Informação da UFMG. Presidente da ABMG, gestão 2018/2021. 
Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do Conhecimento. Tem 
experiência na área de Biblioteca Universitária e Educação a Distância, tendo ocupado cargo de gestão do 
Sistema de Bibliotecas da UFMG, por duas vezes. 
 
CONTEÚDOS DA AULA 
 
 
 
 
 
56 
 
5 SOFTWARE PARA GERENCIAMENTO DE BIBLIOTECAS: SISTEMA PERGAMUM 
 
5.1 QUESTÕES CONTEXTUAIS 
 
A revolução tecnológica que vem acontecendo é evidente, ao considerar o desenvolvimento da 
informática, comunicações e telecomunicações (TICs). Essas tecnologias provocam mudanças 
significativas em todas as áreas do conhecimento, não sendo diferente na área da informação. 
Assim, nas bibliotecas, houve a necessidade de reestruturação de serviços e produtos, em 
conjunto com a redefinição da forma de atuar das bibliotecas, considerando o contexto social, com base 
no perfil diferenciado e exigências dos usuários. O esquema a seguir demonstra essa relação: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Evidencia-se que, com o surgimento do microcomputador e internet, houve maior visibilidade 
para os serviços e produtos oferecidos aos usuários, com seus acervos disponíveis em catálogos on-line 
(Online Public Access Catalogue – OPAC), reservas, renovações, levantamentos bibliográficos etc., 
inicialmente em rede de intranet e, mais tarde, em redes nacionais e internacionais, com as bibliotecas 
virtuais e digitais. 
As bibliotecas há muito reconheceram a impossibilidade de isoladamente possuírem todos os 
recursos necessários para atender as necessidades de seus usuários. Nesse sentido, participar em redes 
cooperativas passa a ser praticamente obrigatório, pois traz inúmeras vantagens, tanto para o 
profissional bibliotecário, quanto para os usuários. 
 
5.2 PERGAMUM: GÊNESE E DESENVOLVIMENTO 
 
A Pontifícia Universidade Católica do Paraná foi pioneira no Estado do Paraná na informatização 
de sua biblioteca, tornando-se referência nacional. 
O Sistema Pergamum nasceu em 1988 de um trabalho final de graduação do Curso de Ciência da 
Computação do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas da PUC-PR, desenvolvido por alunos, com 
colaboração de bibliotecários da instituição. 
Inicialmente desenvolvido em MUMPS (linguagem de computação de alto nível, interpretada, 
voltada para sistemas interativos), se mostrou viável chamando a atenção de outras instituições que ao 
conhecê-lo manifestaram interesse em adquiri-lo. 
O estudo para informatizar a biblioteca da PUCPR evidenciou que os softwares à disposição no 
mercado eram estrangeiros e com custo de aquisição e manutenção muito alto, não existindo um 
software no mercado nacional que atendesse nossas necessidades. Diante desta realidade, optou-se por 
desenvolverum software compatível com a realidade brasileira. 
Analisando a história de desenvolvimento desse software de gerenciamento de bibliotecas, 
observam-se os seguintes acontecimentos: 1 – em 1988 foi implantando na BC; 2 - o processo de 
informatização com cadastro do acervo; 3 - implantado o módulo de empréstimo; 4 - utilizava código de 
barras para controle de empréstimo/devolução; 5 - adotava também o leitor ótico, além da emissão de 
fichas catalográficas e etiquetas de lombada. 
Em 1996, iniciou-se a comercialização e passou a se chamar Sistema Pergamum, como referência à 
cidade de Pérgamo na Ásia Menor, que possuía uma grande e importante biblioteca na Antiguidade. 
 
 
 
57 
 
Em junho de 1997, firmou parceria de cooperação técnica e científica com a PUC-Rio para 
modificações da estrutura interna do software, passando a adotar o formato MARC (Machine Readable 
Cataloging) desenvolvido pela Library of Congress. 
Em novembro de 1998 foi implantado o módulo de aquisição e o sistema passou para o formato 
MARC21. Em 1999 passou a usar os recursos da web disponibilizando o catálogo on-line e outras 
facilidades como reservas e renovações pela internet. Em meados de 2004 termina a parceira para 
desenvolvimento do software com a PUC-Rio, que permanece como usuária do software e membro da 
Rede. 
 
5.3 COMPOSIÇÃO/ESTRUTURA DO PERGAMUM 
 
O estudo para informatizar a biblioteca da PUCPR evidenciou que os softwares à disposição no 
mercado eram estrangeiros e com custo de aquisição e manutenção muito alto, não existindo um 
software no mercado nacional que atendesse nossas necessidades. Diante desta realidade, optou-se por 
desenvolver um software compatível com a realidade brasileira. 
O Pergamum - Sistema Integrado de Bibliotecas - está entre os principais softwares pagos 
disponíveis no mercado brasileiro. A Associação Paranaense de Cultura, mantenedora da Pontifícia 
Universidade Católica do Paraná, é detentora dos direitos autorais e produtora deste software. Foi 
desenvolvido com o objetivo de gerenciar todos os serviços de uma biblioteca de pequeno, médio ou 
grande porte e implementado na arquitetura cliente/servidor, com interface gráfica, utilizando banco de 
dados relacional SQL. 
O sistema está dividido em nove grandes módulos, considerando os serviços realizados. Os 
módulos são os seguintes: Módulo parâmetros; Aquisição; Catalogação; Circulação; Relatórios e 
estatísticas; Consulta ao catálogo; Internet; Usuários; Diversos. 
O sistema presta serviços de manutenção e suporte técnico a distância e in loco, treinamentos, 
cursos de AACR2, MARC21 bibliográfico e autoridades. Os clientes comportam-se como parceiros da 
equipe Pergamum. O sistema oferece atualizações das versões do software sem custo adicional aos seus 
clientes. Por fim, permite aos usuários com deficiências visuais ter acesso aos serviços remotamente. 
 
5.4 FORMAÇÃO DA REDE PERGAMUM: A CATALOGAÇÃO COOPERATIVA EM EVIDÊNCIA 
 
A Rede Pergamum é formada por todos os clientes do software Pergamum, e tem por objetivo 
principal promover a cooperação e intercâmbio de serviços entre as bibliotecas usuárias do sistema. Os 
clientes atuam como parceiros integrantes da equipe, mantendo intercâmbio de conhecimento entre as 
instituições e seus profissionais para atualização e melhoria contínua do software. 
A rede Pergamum oferece encontros anuais entre as bibliotecas conveniadas, no intuito de trocar 
experiências e propor melhorias ao sistema. Os encontros são realizados, um ano em uma instituição 
conveniada e no ano seguinte no contexto do Seminário de Bibliotecas Universitárias. 
O sistema está dividido em comissões, que são: 
1 - Comissão Diretora 
2 - Comissão Técnica de Catalogação 
3 - Subcomissão Técnica de Catalogação de Periódicos 
4 - Comissão Técnica de Estudos do Padrão MARC 
5 - Comissão Técnica de Autoridades; 
6 - Comissão Técnica de Informática. 
Compreendem produtos e serviços da Rede Pergamum, dentre outros, a saber: 
* Indexação Compartilhada de Artigos de Periódicos – ICAP: objetivo de indexar de forma 
compartilhada os artigos dos periódicos editados pelas instituições da Rede; 
* permuta de periódicos; 
* empréstimo entre bibliotecas; 
58 
 
*catálogo de autoridades padrão MARC21 disponível na web; 
*catálogo coletivo de acervo das bibliotecas da Rede disponível na web. 
Importante salientar que o princípio que desencadeou a formação da rede foi a necessidade 
urgente em diminuir os estoques de materiais nas bibliotecas aguardando tratamento técnico. Esse 
princípio sustenta-se na chamada catalogação cooperativa. 
Desse modo, a catalogação cooperativa se manifesta por meio da disponibilização dos registros 
das instituições participantes em sua própria base, a qual está integrada às bases de outras instituições, 
permitindo, dessa forma, o compartilhamento dos registros. Essa ação compartilhada visa a elaborar o 
acervo coletivo da rede, e que os registros podem ser copiados/importados por outra instituição para sua 
base bibliográfica. 
A ideia de compartilhar serviços foi lançada por Charles C. Jewett (1816-1868). Ele foi o pioneiro 
da catalogação cooperativa. A formação de catálogos coletivos regionais ou nacionais é a base para o 
Controle Bibliográfico Nacional (CBU). 
A Rede Pergamum foi criada em 04 de outubro de 1999, no I Encontro dos Usuários do Sistema 
Pergamum, realizado em Curitiba, na PUC-PR. Recebeu o nome de Rede Compartilhada do Sistema 
Pergamum. 
A rede é composta por duzentas e dezesseis instituições, com aproximadamente mil e cem 
bibliotecas, um milhão e meio de usuários atendidos diretamente, que totalizam sete milhões de títulos 
na rede e com aproximadamente trezentos e cinquenta profissionais bibliotecários (dados de junho de 
2008). 
 
 
5.6 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? 
 
Questão 1 - Segundo Anzolin (2009), a utilização das tecnologias digitais viabilizou o aparecimento dos 
softwares de gerenciamento de bibliotecas ou sistemas informatizados de bibliotecas, os quais 
promoveram: 
a) A padronização, aumento da eficiência, interligação por redes e melhores serviços; 
b) A integração dos profissionais em vários locais e o compartilhamento de recursos; 
c) a melhoria do atendimento aos usuários, sobretudo quanto à cópia de documentos digitalizados; 
d) A realização das atividades bibliotecárias, as quais passam a ser desempenhadas pelos sistemas 
automatizados; 
e) Facilitação no tratamento e no acesso à informação documentária 
Questão 2 - Anzolin (2009), ao contextualizar os impactos das tecnologias, dialoga com Rowley (2002), 
descrevendo que as funções das instituições responsáveis pelo fornecimento de informações vêm sendo 
reavaliadas e reformuladas. Reforçam que ainda está em seu começo a era em que a tecnologia da 
informação coloca desafios á nossa maneira de viver, às atividades que desempenhamos, ao processo de 
criação de conhecimento e à forma como esses conhecimento são avaliados para domínio do público. A 
que tipo de instituições as autoras fazem referência? 
a) Centros de informação, em geral; b) instituições públicas e privadas; c) às bibliotecas; d) às 
universidades; e) às instituições de informação pública 
 
Questão 3 – No mundo moderno, as bibliotecas, a partir do uso da Internet “também mudaram suas 
formas de atuação, possibilitando maior visibilidade para os serviços e produtos oferecidos aos usuários, 
com seus acervos disponíveis em catálogos on-line” (ANZOLIN, 2009, p. 494). O texto se refere a que tipo 
de catálogo? 
a) OPAC b) RDF c) catálogo topográfico d) catálogo informatizado e) catálogo em registro Marc. 
 
Questão 4 - Sobre o Sistema Pergamum, julgue as alternativas: 
59 
 
1 – É um sistema integrado e permite o compartilhamento de recursos, integrando diversas bases de 
dados, sobretudo de instituições que aderiram ao Open Archives; 
2 – Representa um principais softwares pagos disponíveis no mercado brasileiro; 
3 - Foi desenvolvido com o objetivo de gerenciar todos os serviçosde uma biblioteca de pequeno, médio 
ou grande porte e implementado na arquitetura cliente/servidor, com interface gráfica, utilizando banco 
de dados relacional SQL; 
4 – Teve sua gênese a partir de um Monografia de Graduação da área de Engenharia; 
5 – Sua estrutura está dividida em dez módulos, cada uma com funções específicos no contexto da 
unidade de informação. 
Estão corretos os itens: 
a) 1, 2, 3 e 5 b) 2,4 e 5 c) 2, 3, 4 e 5 d) todos os itens e) 2, 3 e 4. 
 
Questão 5 – Dadas as afirmações abaixo: 
1 - A flexibilidade do Sistema Pergamum pode ser percebida ao atender bibliotecas escolares, públicas, 
universitárias, especializadas, unidades de informação da área privada e pública, como bancos, ONGs, 
ministérios, tribunais etc. 
2 - A Rede Pergamum cresce à medida que aumentam os clientes. O crescimento de clientes, bem como a 
diversidade de tipos de bibliotecas e unidades de informação, tem demonstrado a flexibilidade e 
efemeridade do software. 
a) As duas estão corretas, pois demonstram o crescimento e a consolidação do Pergamum no Brasil; 
b) As duas estão incorretas pois mesmo contemplando as diversas funções de uma biblioteca, o 
sistema ainda perpassa por alguns desafios; 
c) A primeira está correta e a segunda incorreta, visto que a aceitação e uso com intensidade do 
sistema vilusbram a sua continuidade; 
d) A segunda está correta e a primeira incorreta, pois, mesmo sendo dirigido a diversas unidades de 
informação, o Pergamum é direcionado, especificamente, para serviços bibliotecários. 
 
 
5.7 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? 
 
Questão 1 - Quanto à estruturação dos módulos do Pergamum, associe a primeira de acordo com a 
segunda: 
A – Módulo Parâmetros 
B – Módulo Relatórios 
C – Módulo Circulação 
( ) possibilita que cada biblioteca utilize o sistema de forma personalizada 
( ) cadastro de usuários, controle de visitantes, acompanhamento do processo de reserva, empréstimo e 
renovação, consulta ao histórico de empréstimos, devoluções e multas 
( ) levantamento do acervo por área de conhecimento, por bibliotecas e por disciplina, relatórios por 
atividade, por grupo de atividades e por executante, boletim bibliográfico, estatísticas do acervo na 
apresentação exigida pelo MEC 
A sequência correta é: a) A, B e C b) A, C e B c) C, A e B d) B, C e A 
e) C, B e A. 
 
Questão 2 - O conjunto de unidades de informação, que agrupam pessoas e/ou organismos com as 
mesmas finalidades, em que a troca de informações é realizada de maneira organizada e regular, por 
meio de padronização e compartilhamento de tarefas e recursos, denomina-se: 
(A) serviços de informação. 
(B) sistemas de informação. 
(C) redes de informação. 
60 
 
(D) centros de informação. 
(E) setores de informação. 
 
Questão 3 - Com o objetivo de identificar, reunir e divulgar os trabalhos dos membros do Ministério 
Público Federal, foi criado o campo 596 – Bibliografia, para que todos os integrantes da rede BMPF, ao 
criarem um acervo, identifiquem se a obra em questão é de um membro do MPF. Esse campo poderá 
sofrer alguma alteração, após avaliação pela: 
(A) Comissão de Catalogação da Rede Pergamum. 
(B) Gerência da Rede Virtual de Bibliotecas. 
(C) Secretaria da Biblioteca. 
(D) Rede de Bibliotecas do Ministério Público Federal. 
(E) Biblioteca da Rede RBVI. 
 
Questão 4 - Quanto à estruturação dos módulos do Pergamum, associe a primeira de acordo com a 
segunda: 
A – Módulo Internet 
B – Módulo Usuários 
C – Módulo Diversos 
( ) Inclui malote, envio de e-mail, coleta de dados de material usado internamente, correção em lote de 
acervo bibliográfico 
( ) descreve os procedimentos utilizados no Sistema Pergamum para o controle dos usuários. Inclui dados 
pessoais dos usuários e das unidades organizacionais (cursos e departamentos) 
( ) acervo digital, facilitando o acesso à obra na íntegra, renovação, reserva, acompanhamento do 
processo de aquisição pelo usuário solicitante 
A sequência correta é: a) A, B e C b) A, C e B c) C, A e B d) B, C e A 
e) C, B e A. 
 
Questão 5 - Acerca da Rede Pergamum, seu principal objetivo é: 
a) Viabilizar a integração de profissionais e usuários do sistemas, entre as unidades integrantes; 
b) promover a cooperação e intercâmbio de serviços entre as bibliotecas usuárias do sistema; 
c) Garantir a execução dos serviços bibliotecários compartilhados; 
d) Integrar diferentes funcionalidades de uma biblioteca, considerando funções básicas: como: 
catalogação, cadastro de usuários, circulação etc.; 
e) Fomentar a formação de uma base de dados de registro catalográficos para compartilhamento. 
 
Questão 6 - De acordo com Anzolin (2009), correspondem a produtos e serviços da Rede Pergamum, 
exceto: 
a) Indexação Compartilhada de Artigos de Periódicos – ICAP; 
b) permuta de periódicos; 
c) empréstimo entre bibliotecas; 
d) catálogo de autoridades padrão MARC21 disponível na web e catálogo coletivo de acervo das 
bibliotecas da Rede disponível na web; 
e) Gestão e compartilhamento de registros catalográficos. 
 
 
 
5.8 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 1 – A tecnologia da informação tem sido um recurso muito importante para auxiliar as 
bibliotecas, especialmente as universitárias, na gestão dos dados armazenados em suas bases e que 
61 
 
precisam responder as diversas questões demandadas pelos usuários. Julgue as afirmativas abaixo, 
assinalando (V) para as VERDADEIRAS e (F) para as FALSAS. 
 I. O sistema integrado de bibliotecas Pergamum oferece acesso simultâneo de usuários às bases de 
dados, mas a oferta de treinamento para diferentes tipos de usuários está prevista apenas para a metade 
do primeiro semestre de 2015. 
II. A rede Pergamum foi criada com a filosofia de catalogação compartilhada. Para isso, a ideia é trabalhar 
conjuntamente e cada instituição participante disponibiliza seus registros online, em um acervo coletivo 
na home page da rede, podendo ser copiado/importado por outra instituição para sua base bibliográfica. 
III. O Pergamum permite a emissão de diversos relatórios, tais como de entrada e recebimento de 
documentos por período, de circulação e empréstimo, por período. 
IV. ARede Pergamum é formada por todos os clientes do software Pergamum. Tem por objetivo principal 
promover a cooperação e o intercâmbio de serviços entre as bibliotecas usuárias do sistema e, 
atualmente, com o Módulo Internet, tem disponibilizado a todas as bibliotecas da rede o acesso às 
informação sobre o acervo. 
V. O Pergamum permite o uso de código de barras para fazer a avaliação e o controle do inventário do 
acervo. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA. 
A) F, V, F, V, V. B) F, V, V, F, V. C) V, V, F, F, F. D) V, F, V, F, V. 
 
Questão 2 – No que concerne às características do processamento técnico do sistema informatizado de 
gerenciamento de bibliotecas Pergamum é correto afirmar que esse sistema 
 a)tem o objetivo de obter as melhores práticas de cada instituição a fim de manter-se atualizado e 
atuante no mercado, tornando-se capaz de gerenciar qualquer tipo de documento, atendendo tanto 
universidades, faculdades, centros de ensino fundamental e médio, quanto empresas, órgãos públicos e 
governamentais. 
 b)contempla as principais funções de uma biblioteca com o objetivo de facilitar a gestão dos centros de 
informação, melhorando a rotina diária de seus usuários. 
c)é um sistema informatizado de gerenciamento de dados, direcionado aos diversos tipos de centros de 
informação e presente em mais de 2.500 bibliotecas em todo o Brasil. 
d)permite a consulta ao cadastro de autoridades, lista de editoras e lista de siglas durante o 
cadastramento de um registro. 
e)foi implementado na arquitetura cliente/servidor, com interface gráfica, programação em Delphi, PHP e 
JAVA, utilizando banco de dados relacional SQL (ORACLE, SQLSERVER ou SYBASE). 
 
Questão 3 – O software de gerenciamento de bibliotecas, que adota formato internacional de 
intercâmbio bibliográfico utilizado na Rede Virtualde Bibliotecas - Congresso Nacional (RVBI) é o 
(A) Virtua. 
(B) Aleph. 
(C) SophiA. 
(D) OrtoDocs 
(E) Caribed) 
 
Questão 4 – A Rede Pergamum exerce um papel fundamental para as ações de promover a cooperação e 
o intercâmbio de serviços entre as bibliotecas usuárias do sistema. As afirmativas abaixo estão corretas, 
EXCETO. 
A) Permuta de periódicos, empréstimo entre bibliotecas e catálogo de autoridades padrão MARC21 
disponível na web são alguns dos serviços desenvolvidos pela Rede. 
B) A rede foi criada com a filosofia de catalogação compartilhada, mas aproveitar registros bibliográficos 
alheios na sua catalogação sempre foi vista com muita cautela pelos seus membros. 
62 
 
C) A rede foi criada com a filosofia de catalogação compartilhada e uma de suas preocupações era 
otimizar recursos humanos existentes nas bibliotecas, deslocando bibliotecários da catalogação para os 
serviços ligados ao atendimento do público, ou ainda, implementando novos serviços e/ou produtos. 
D) O que motivou a formação da rede foi a necessidade urgente de diminuir os estoques de materiais nas 
bibliotecas aguardando tratamento técnico. 
 
Questão 5 - Para a construção de bibliotecas digitais, o bibliotecário pode escolher entre os softwares: 
(A) MultiTes, TCS ou TheXML; 
(B) End Note, MORE ou Zotero; 
(C) Dokmee, Powerdoc ou Verbis; 
(D) Aleph, OrtoDocs ou Pergamum; 
(E) Dspace, Emilda ou Greenstone. 
 
Questão 6 – A Fundação Getúlio Vargas coordena uma rede de catalogação cooperativa baseada no 
compartilhamento de informações, buscando minimizar esforços e padronizar as formas de descrição 
físicaede conteúdo dos documentos presentes nas bibliotecas que integram a rede. Esta rede de 
cooperação é conhecida como: 
A) Bibliodata 
B) Lilacs 
C) Scielo D) Proquest E) Rede Pergamum 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
ANZOLIN, H. H. Rede Pergamun: história, evolução e perspectivas. Revista ACB, Florianópolis, v. 14, n. 2, 
2009. 
 
 
PERGAMUN, Sistema Integrado de Bibliotecas: Características técnicas. Curitiba, 2010. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
63 
 
AULA VI: Representação Temática da 
Informação – Sistemas de Classificação 
CDD e CDU 
 
Docente responsável: Elisângela Cristina Aganette 
Doutora em Ciência da Informação (UFMG-2015), Mestre em Ciência da Informação (UFMG-2010), 
Especialista em Gestão da Informação e do Conhecimento (CEFET-2008) e Bacharel em Biblioteconomia 
(UFMG-2005). Professora Ajunto da Universidade Federal de Minas Gerais. Mais de 15 anos de 
experiência como Consultora em Gestão e Tecnologia da Informação, consultora especialista nas áreas de 
organização da informação, representação da informação e do conhecimento, mapeamento de 
processos, soluções de Enterprise Content Management (ECM), Business Process Modeling (BPM). 
Pesquisa: representação da informação e do conhecimento, taxonomias corporativas. 
 
Docente responsável: Maria Elizabeth de Oliveira Costa 
Bibliotecária da Escola Ciência da Informação da UFMG. Presidente da ABMG, gestão 2018/2021. 
Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do Conhecimento. Tem 
experiência na área de Biblioteca Universitária e Educação a Distância, tendo ocupado cargo de gestão do 
Sistema de Bibliotecas da UFMG, por duas vezes. 
 
CONTEÚDOS DA AULA 
 
6 REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA DA INFORMAÇÃO 
 
A área de tratamento e organização da informação tem a função de tratar e organizar tanto o 
formato quanto a temática de um item informacional. O tratamento da forma refere-se às características 
referentes à representação descritiva, física ou bibliográfica do item, com a descrição de campos como 
autor, título, edição, editora, data, paginação, de acordo com o código de catalogação escolhido para tal. 
64 
 
Já no que se refere ao tratamento temático, trata-se da definição do assunto do documento ou item 
informacional, ou seja, da definição do assunto que tal item trata, para assim definir a notação de 
classificação, os assuntos e o resumo. 
De acordo com Guinchat e Menou (1994), o processo de tratamento da informação consiste na 
aplicação de técnicas de maneira que o conteúdo do documento possa ser recuperado pelo usuário. Para 
que isso aconteça, é preciso criar um sistema de classificação e recuperação da informação, considerando 
elementos tais como as necessidades do usuário, o contexto temático, os recursos humanos e materiais 
disponíveis, os produtos e serviços que serão oferecidos e a relação custo-eficácia. A recuperação de 
informações (RI), segundo Calvin Mooers, em 1951, é uma operação dentro do sistema que pressupõe a 
tentativa de relacionar a busca do usuário com os itens armazenados no SRI. Dessa forma, verifica-se que 
a classificação do item informacional na entrada do SRI é essencial para que a recuperação seja possível. 
A classificação na perspectiva da Biblioteconomia consiste em ordenar e dispor objetos ou ideias 
em classes a partir de determinado critério. A ISO TR-14177 (1994) define classificação enquanto 
(produto) como um conjunto de conceitos organizados sistematicamente de acordo com critérios ou 
características pré-estabelecidas. Já Piedade (1977) define a classificação como um processo que 
compreende “dividir em grupos ou classes, segundo as diferenças e semelhanças. Dispor os conceitos, 
segundo suas semelhanças e diferenças, em certo número de grupos metodicamente distribuídos”. Ou 
seja, o processo de classificação consiste na definição de classes de dados que tenham características 
comuns, para assim poder ser agrupados e organizados segundo um ponto de vista ou características 
classificatórias. 
 
6.1 SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO 
 
As primeiras abordagens classificatórias, no alvorecer dos esforços intelectuais do ser humano, 
surgiram dentro do contexto filosófico. Foram, narram os estudiosos, quase unanimemente, os sábios da 
antiguidade (filósofos), os primeiros a se preocuparem com discernir, distinguir, discriminar (o que 
equivale a dizer classificar) os objetos materiais e, sobretudo, formais das diversas áreas da então ciência 
única/saber único. Aristóteles teria sido o primeiro intelectual a não apenas se preocupar com dividir em 
áreas (classificar) o saber (a ciência de então), mas até mesmo a iniciar a organização dos hoje 
denominados suportes físicos da informação, os documentos em suas então pouco variadas formas de 
apresentação: os pergaminhos, os papiros, as tabuetas enceradas, enfim, as mídias da época (SILVA, 
2003). 
A classificação se manifesta em atividades “[...] de nomeação, definição, análise, generalização, 
discriminação, de marcação, amostragem, filtragem, padronização, distribuição, separação, 
individualização, identificação, seleção, agrupamento, categorização, ordenação, posição, organização, 
distinção, correlação, tabulação, mapeamento, correspondência, desenho, controle, estruturação e 
coordenação [...]” (SATIJA, 1998, p. 32). 
De acordo com Piedade (1977), os sistemas de classificação são sistemas verbais-simbólicos, 
geralmente constituídos por algumas características básicas, tais como: i) um esquema de classificação: 
estrutura de itens de classificação de uma classe da classificação; ii) um princípio de divisão: obedece a 
um único critério pré-estabelecido de divisão; iii) classes da classificação: item de alto nível dentro de 
uma classificação expressando um conceito principal; iv) definição de classes: identificação das 
características essenciais de uma classe de classificação que ilustra uma clara fronteira entre ela e outras 
classes de classificação, podendo ser (a) de classes simples (única característica, não cabem mais 
subdivisões) e (b) de classes compostas (mais de uma característica, e podem caber mais subdivisões); v) 
item de classificação: único conceito definido, unicamente dentro de uma classe da classificação; vi) 
termo de classificação: designação de uma classe de classificação ou item de classificação por meio de 
uma expressão linguística; vii) notação: um identificador alfanumérico.Trata-se de um sistema de códigos 
expressando o arranjo de uma classificação. 
Quanto à finalidade os sistemas de classificação podem ser filosóficos ou bibliográficos. 
65 
 
1 - Classificações filosóficas: criadas por filósofos, com o intuito de dar ordem às ciências ou às coisas. Os 
primeiros sistemas de classificação filosóficos foram: i) Platão, Aristóteles e Porfírio: o Universo é um 
sistema harmônico, de causas, efeitos e princípios, e é possível criar uma hierarquia e relações entre 
esses elementos; ii) Platão dividiu o conhecimento em: Física, Ética e Lógica; iii) Aristóteles introduziu a 
divisão dicotômica das coisas e introduziu cinco predicáveis: gênero, espécie, diferença, propriedade ou 
acidente; iv) Porfírio, inspirado em Aristóteles, apresentou dicotomias sucessivas, a partir de um atributo. 
2 - Classificação dos seres ou classificações bibliográficas: desenvolvidas para estabelecer relações entre 
os documentos de uma coleção, em bibliotecas e centros de informação ou documentação, para facilitar 
a localização. Classificação dos saberes. 
 No presente estudo, a classificação dos seres ou classificações bibliográficas terá maior ênfase, 
especificamente no que tange a Classificação Decimal de Dewey – CDD, conforme a seguir. 
 
6.1.1 Sistema de classificações bibliográficas 
 
Um sistema de classificação bibliográfica pode ser definido como uma linguagem estruturada, que 
possui uma divisão por classes, que são divididas em subclasses, e assim, sucessivamente, até chegar ao 
termo mais específico. Essa sequência, geralmente, respeita a ordem natural das coisas. Linguagem 
documentária, sistema verbal-simbólico, artificialmente construído, a partir de signos normatizados, que, 
geralmente, buscam cobrir todos os campos do conhecimento (TRISTÃO; FACHIN; ALARCON, 2004). 
Já Piedade (1983) afirma que consiste em sistematizar documentos segundo os assuntos de que 
tratam ou a sua natureza, como: ordenar os documentos nas estantes ou arquivos: a partir de diferentes 
princípios; ordenar as referências nas bibliografias ou nas fichas dos catálogos. Classificações 
bibliográficas procuram estabelecer as relações entre documentos para facilitar sua localização. Têm 
como finalidades: ordenação dos documentos nas estantes o nos arquivos; ordenação das referências nas 
bibliografias e das fichas nos catálogos (PIEDADE, 1983). Têm como principal característica serem 
sistemas decimais, ou seja, tratam-se de sistemas que utilizam números decimais para símbolos de 
classificação, subdividindo-se de 10 em 10, onde cada assunto é subdividido em 10 assuntos mais 
específicos em cadeia. Os sistemas decimais de classificação mais utilizados mundialmente são: 
Classificação Decimal de Dewey – CDD e Classificação Decimal Universal – CDU. 
Quanto à estrutura de apresentação dos assuntos de um sistema de classificação bibliográfica, 
estes podem ser: a) Enumerativo - apresentam todas as combinações de assuntos possíveis, e seus 
respectivos símbolos, prontos. Exemplo: Classificação da Biblioteca do Congresso - LC; Classificação de 
Rider; b) Semi-enumerativo - apresentam símbolos para alguns assuntos e permitem a síntese para 
assuntos compostos. Exemplo: CDD; Brown; CDU; Bliss. c) Analítico-sintético - apresentam símbolos para 
os assuntos simples, deixando livre a combinação de símbolos para os assuntos compostos. Exemplo: 
Classificação de Dois Pontos (Colon Classification). 
No que se refere à abrangência de um sistema de classificação bibliográfica, esse pode ser: a) 
Classificações gerais (ou enciclopédicas) - sistematizam todo o conhecimento humano. Exemplo: CDD, 
CDU, Bliss, Cutter, Colon Classification etc. b) Classificações especializadas - sistematizam conhecimentos 
de um domínio específico. Exemplo: Classification for Medical Libraries, United Classification for the 
Construction Industry (Uniclass) etc. c) Classificação Expansiva (Cutter-1891) - Cutter foi o primeiro a 
utilizar subdivisões comuns de forma e geográficas em um sistema de classificação. Exemplo: 
característica presente na Classificação Decimal Universal – CDU 
No final do século XIX e início do século XX, alguns bibliotecários e classificadores como Dewey, 
1876 e Brown, 1906, realizaram estudos para criar classificações bibliográficas para recuperação de 
documentos, tais como: i) sistemas de classificações hierárquicos; ii) sistemas de classificação facetados. 
i. Sistemas de classificações hierárquicos 
Têm sua origem no final do século XIX e início do século XX: Dewey, 1876; Brown, 1906 criam 
classificações bibliográficas para recuperação de documentos. Os sistemas de classificações hierárquicos 
baseiam-se nos princípios de Aristóteles, tais como: divisão dicotômica das coisas: gênero/espécie; nos 
66 
 
cinco predicados (relações lógicas): gênero (classe), espécie (tipo), diferença (característica específica), 
propriedade (atributo), acidente (qualidade); nas dicotomias sucessivas de Porfírio: Árvore de Porfírio. 
Apresentam ainda uma estrutura de classes subordinantes-coordenadas-subordinadas. 
Segundo Piedade (1983), sistemas de classificações hierárquicos se norteiam basicamente por três 
conceitos: a) categorias: classes mais gerais; b) divisão lógica (gênero/espécie): distinguir classes e 
subclasses e c) relacionamentos: hierárquicos e semânticos. 
Dentre os diferentes sistemas que seguem esse princípio hierárquico, os mais conhecidos são: 
classificação Decimal de Dewey (CDD), de 1876; classificação da Biblioteca do Congresso Norte-
Americano, de 1902; e classificação Decimal Universal (CDU), de 1905. 
ii. Sistemas de classificação facetados 
Têm sua origem no século XX, após os princípios estabelecidos por Ranganathan. Surgem da 
necessidade de se criar um sistema que fosse mais especifico, uma vez que nem tudo poderia ser bem 
representado pelos sistemas hierárquicos; fazia-se necessário a criação de mais atributos, aspectos e 
relacionamentos, entre classes e conceitos. 
Possuem a mesma estrutura e princípios de representação dos sistemas hierárquicos, no entanto 
adiciona-se o elemento das categorias, manifestações das facetas. Os grupos ou classes abstratas são 
organizados em categorias que reflitam os procedimentos mais consistentes dentro do domínio e vai 
além da distinção entre semelhanças e diferenças entre os itens. Permitem que mais de uma categoria 
possa ser utilizada por vez para caracterizar uma classificação. No entanto, não há classes pré-
estabelecidas de assuntos, uma vez que ocorre análise do assunto e este é representado pela notação, a 
partir de regras para a sua formação. 
Quanto aos fundamentos que regem os sistemas de classificação facetados, existem as categorias 
fundamentais desenvolvidas como uma ordem lógica e consistente por Ranganathan e “Classification 
Research Group (CRG)”: 
• Ranganathan (1892-1972): Colon Classification: Personalidade, Matéria, Energia, Espaço e Tempo 
(PMEST); 
• CRG: Tipos de Produto Final, Partes, Materiais, Propriedades, Processos, Operações, Agentes, 
Espaço, Tempo e Forma de Apresentação. 
Na classificação facetada, adiciona-se aos relacionamentos hierárquicos (gênero/espécie), a 
abordagem analítico-sintética: assuntos (facetas) podem ser relacionados uns aos outros de diferentes, 
complexas e imprevistas formas (todo/parte, ação/paciente, entre outros). Ranganathan classificou a “Era 
da Classificação” em: período pré-facetado: 1876 a 1896; transição para período facetado: 1897 a 1932 e 
período facetado: 1933 a 1975. Exemplos: Colon Classification (1933) e Classificação Bibliográfica de Bliss 
(1935). 
 
6.1.2 Classificação Decimal de Dewey - CDD 
 
Melvil Louis Kossuth Dewey nasceu em 10 de dezembro de 1851 em Nova York, onde também 
faleceu em 1931. Dewey era estudante e auxiliar de bibliotecário no Amherst College quando criou a CDD. 
Na época os sistemas de classificação eram de “localização fixa”, ou seja, eram atrelados à localização dos 
livros nas estantes. Em maio de 1873 teve a ideia de umsistema de classificação que seria a CDD. 
A CDD baseia-se no sistema de Harris e no seguinte raciocínio: “O homem, sendo um animal 
racional, faz uso dessa faculdade, donde a Filosofia; eleva seu pensamento em Deus, daí a Religião; vive 
em sociedade, donde a Sociologia; comunica-se com seus vizinhos, Filologia, adquire conhecimento dos 
fatos, dos problemas da vida, da matéria e da força, Ciências puras e aplicadas; com elas ganha meio de 
descanso e recreação, Belas Artes e literatura; faz registros e viaja, História e geografia, reunindo todos 
esses assuntos e o encabeçamento vêm as Obras gerais”. 
O sistema de classificação mais difundido é a Classificação Decimal de Dewey (CDD). Nos Estados 
Unidos, a CDD é usada por 95% das bibliotecas públicas e escolares, 25% das bibliotecas universitárias e 
por 20% das bibliotecas especiais. 
67 
 
A “localização relativa” de Dewey tornou possível o crescimento da coleção sem a necessidade de 
renumerar os livros. No sistema decimal os livros são numerados de acordo com seu conteúdo intelectual 
que não muda nunca. Dewey dividiu o conhecimento em dez classes principais que se subdividem 
sucessivamente, de 10 em 10 dando maior especificidade ao conteúdo do livro. A CDD Foi a primeira 
classificação bibliográfica a utilizar números decimais. Dewey dividiu a CDD em dez Classes de assuntos 
com base nos estudos das classificações de Aristóteles, Bacon, Locke e outros filósofos estudiosos 
(PIEDADE, 1983). 
A 1ª edição da CDD foi publicada em 1876, com o título de “A Classification and Subject Index for 
Cataloguing and Arranging the Books and Pamphlets of a Library” com 44 páginas. Em 1885 foi publicada 
a 2ª edição, considerada uma das mais importantes, por ter estabelecido a forma e a política da CDD para 
os próximos sessenta e cinco anos. A partir da 2ª edição de 1885 estabeleceu-se o padrão notacional. Em 
1989, a 20ª edição foi publicada em quatro volumes. Em 1996, a 21ª edição foi publicada na versão 
resumida e completa. Dewey percebeu que um esquema que sofresse muitas alterações não haveria de 
prosperar. A 20ª edição foi traduzida para o italiano, espanhol e turco. De 1884 até 1971, ou seja, até a 
18ª edição, foram publicadas nove versões abreviadas, com cerca de 10% da edição integral (SILVA, 
2003). 
As primeiras 15 edições foram publicadas em um volume. As edições 16 e 17 foram publicadas em 
dois volumes. As edições 18 e 19 foram publicadas em três volumes. As edições 20 a 23 foram publicadas 
em quatro volumes. A 22ª e 23ª edição da CDD possui: tabela principal; tabelas auxiliares e inúmeras 
tabelas para subdivisão de grupos de números. A notação é numérica, com um mínimo de três 
algarismos. Só utiliza um sinal gráfico: o [.] ponto, que é colocado após o terceiro número da notação 
(PIEDADE, 1983). 
A CDD utiliza recursos mnemônicos que consistem na repetição frequente de esquemas padrão, 
que ajudam a fixar na memória a estrutura do sistema. É um sistema versátil, pois pode ser adotado por 
bibliotecas gerais de qualquer tamanho e por bibliotecas especializadas. A CDD é, atualmente, o principal 
sistema de classificação, presente em 135 países. A CDD adota a notação simples ou pura, de números 
arábicos trabalhados em frações decimais. Adota também a notação hierárquica, o que significa que ela 
descreve a coordenação e subordinação dos assuntos (SILVA, 2003). Na composição da notação, de 
acordo com a CDD, os dígitos são tratados como frações decimais; têm no mínimo três dígitos; para 
números com mais de três dígitos, coloca-se um ponto entre o terceiro e o quarto número. 
Quanto a sua estrutura, a CDD possui em seu Volume 1: introdução, tabelas e outros assuntos; 
Volumes 2 e 3: classes principais e sumários; Volume 4: índice relativo e manual. Nos Volumes 2 e 3, 
apresenta-se o primeiro sumário que traz as dez primeiras classes principais; o segundo sumário que 
inclui as dez primeiras subdivisões de cada uma das dez classes principais e o terceiro sumário que inclui 
100 subdivisões de cada uma das dez classes principais. Os referidos sumários oferecem três níveis 
diferentes de visualização geral e total da tabela. 
No que se refere às Tabelas Auxiliares, Silva (2003) pondera: 
• Tabela 1 - Subdivisões Padrão: abrange um conjunto de ideias secundárias, quase todas associadas 
ao conceito de forma; 
• Tabela 2 - Áreas: representam os aspectos geográficos dos assuntos; 
• Tabela 3 - Subdivisões para literaturas Individuais: representam os diversos detalhes próprios da 
literatura como gêneros, períodos, as pessoas envolvidas com a criação literária, os leitores especiais a 
que se destinam, estilos etc.; a Tabela 3 se subdivide em três tabelas específicas: 
o 3-A - Autores individuais; 
o 3-B - Dois ou mais autores, retórica de formas literárias específicas; 
o 3-C - Detalhes da tabela 3-B e do 808/809. 
• Tabela 4 - Subdivisões para Línguas Individuais: representam as divisões, subdivisões, detalhes, 
aspectos da Gramática Geral quando aplicados a uma língua específica; 
• Tabela 5 - Grupos raciais, étnicos, nacionais: representam aspectos de raça e nacionalidade; 
68 
 
• Tabela 6 - Línguas: são constituídas de números que representam as línguas e dialetos em que 
podem estar redigidos os assuntos contidos nos documentos; 
• Tabela 7 - Pessoas: representam grupos de pessoas específicos, quanto a sua religião, profissão, 
gênero etc. 
Algumas críticas são feitas à CDD, segundo Piedade (1983), no que se refere à ordem das classes 
definidas por Dewey: separação das Ciências Sociais da História; distância entre as Línguas e a Literatura. 
Segundo Silva (2003), a concepção, estrutura e princípios do sistema de classificação de Melvil Dewey 
denunciam sua origem filosófica, remontando aos clássicos da Grécia através de influências mais 
recentes. 
Como qualquer produto de uma época, ainda que genial, não poderia deixar de refletir, para bem 
ou para mal, o ambiente cultural, os valores, as crenças, o estágio de desenvolvimento da ciência, da 
tecnologia, das artes, à época de seu surgimento. A ênfase era maior nas Humanidades do que na Ciência 
e nas tecnologias, menos abundante em Literatura, àquela época, mesmo nos Estados Unidos, que ainda 
não era a potência tecnológica em que se veio transformar em seguida. O sistema reflete a concepção das 
divisões do conhecimento correntes no século XIX, quando, por exemplo, ainda se incluía a Psicologia 
entre as partes da Filosofia Racional (SILVA, 2003). 
No fim do Século 19, Dewey autorizou o Instituto Internacional de Bibliografia, atual Federação 
Internacional de Documentação, a expandir o seu sistema, trabalho que resultou na CDU. O 
gerenciamento do sistema CDD é feito pela Lake Placid Education Foundation, cuja fundação o próprio 
Dewey participou. A Library of Congress começou a vender suas fichas para outras bibliotecas e viu a 
necessidade de incluir nelas a Classificação de Dewey. Atualmente, a Library of Congress em convênio 
com a Lake Placid Education Foundation são responsáveis pela manutenção do sistema. A publicação de 
novas edições acontece a cada sete anos e é a principal forma de atualizar o sistema (SILVA, 2003). 
 
6.2 CONSIDERAÇÕES 
 
A teoria da classificação agregou princípios analítico-sintéticos aos hierárquicos. A origem das 
classificações hierárquicas está em Aristóteles, que entendeu a natureza como uma dicotomia: há o todo, 
e esse todo pode ser dividido em partes. 
Já as classificações facetadas oferecem elementos a mais, as sistematizações pelas categorias 
fundamentais. Em ambos, os sistemas são representações do conhecimento e, na prática, têm a 
finalidade de representar, organizar, localizar e recuperar informações. Sua elaboração sempre 
dependente das interpretações e do conhecimento prévio de quem classifica. 
A teoria da classificação, por meio de seus preceitos, auxilia a prática da classificação, e essa 
prática a transforma e a faz evoluir, num processo de retroalimentação. 
Bases teóricas do processo de classificação:promover uma classificação sistemática, lógica, que 
reflita sobre os elementos de ligação que servem para indicar a reunião e os relacionamentos entre seus 
conceitos. Para Foucault, a ciência somente pode existir a partir de estruturas classificatórias, que possam 
ordenar e descrever um padrão da realidade, de modo que possa ser comunicada efetivamente. Na 
contemporaneidade, os sistemas de classificação são mais versáteis. A classificação e a organização do 
conhecimento são os alicerces dos sistemas de recuperação de informação, seja em uma biblioteca 
tradicional ou digital, seja na construção de sistemas de hipertexto ou em sistemas de inteligência 
artificial. 
 
 
6.3 A CLASSIFICAÇÃO DECIMAL UNIVERSAL - CDU 
A CDU é um sistema de classificação também denominado de linguagem de indexação. Foi 
elaborada por Paul Otlet e Henri La Fontaine, quando da ideia inicial em se instituir uma biblioteca 
universal, por meio do Repertório Bibliográfico, de modo a contemplar todos os documentos produzidos 
mundialmente. 
69 
 
A CDU possui tabelas auxiliares, uma delas é composta por símbolos tais como (mais, travessão, 
ponto e vírgula, parênteses entre outros), cada um correspondente a uma função determinada 
como, por exemplo, (forma do item, linguagem, povos e raça, tempo etc.), e também símbolos 
especiais para notação. 
Com isso, a CDU supre a necessidade que se fez presente nos outros tipos de classificação 
que era dar conta dos detalhes bibliográficos existentes. E assim, permite com que possa especificar mais 
o assunto a ser classificado. 
A CDU é uma linguagem de indexação e de recuperação de todo o conhecimento registrado 
e na qual cada assunto é simbolizado por um código baseado nos números arábicos, e é 
ainda uma classificação enumerativa, mas já com um pouco de facetação. A diferença entre CDD e 
CDU está no modo como os assuntos podem ser correlacionados (SOUZA, 2009). 
Apresenta-se em dois volumes: parte 1 - tabela sistemática e parte 2 - índice alfabético. A tabela 
sistemática, por sua vez, subdivide-se em outras duas: a tabela principal e as tabelas auxiliares, as 
quais exemplificam os elementos enumerativos e analítico-sintéticos em todas as classes da CDU. 
A tabela principal contém todo o conhecimento humano, arranjado em dez classes e 
hierarquicamente subdividido. É identificada como notação primária, constituída por nove classes 
específicas e uma geral. 
Os assuntos são subdivididos, sucessivamente, tornando-se cada vez mais específicos, ou seja, 
quanto maior a extensão dos números de classificação, maior o detalhamento da informação. 
As tabelas principais são divididas hierarquicamente, com a hierarquia numérica refletindo a 
hierarquia conceitual. A extensão do número de classificação indica o grau de detalhe. Assim: 
- Números simples como 3, 5 e 7: superordenados; 
- 33, 55 e 77 ou 333, 555 e 777: coordenados; 
- 316.626.2: subordinados – maior grau de detalhamento; 
- Hospitaleiras: maiores desdobramentos em classes já existentes. 
Também difere-se da CDD na pontuação de suas notações. A CDU acrescenta um ponto a 
cada grupo de três dígitos para facilitar a leitura, não tendo, portanto, valor classificatório. 
A ilustração, a seguir, demonstra as classes principais da CDU, que semelhante à CDD, pode ser 
dividida em outras classes, as chamadas subseções, mantendo-se uma relação hierárquica entre as 
classes, mas podendo ser adotados diferentes relacionamentos, com base na realidade da biblioteca. 
Portanto, a CDU manifesta-se como um sistema mais flexível, o que justifica, também, ser chamada por 
muitos de sistema semifacetado. 
 
Além da tabela principal, a CDU é composta pelas tabelas auxiliares, considerando sinais de 
pontuação. Assim, consideram-se as seguintes auxiliares: 
Auxiliares de relação: indicam relacionamento entre dois ou mais números principais; 
Auxiliares independentes: são os auxiliares de língua, forma, lugar, raça e tempo. Eles podem ser 
utilizados em qualquer posição da notação; 
70 
 
Auxiliares dependentes: são os auxiliares de ponto de vista comum, propriedade, materiais, 
pessoas, asterisco e extensões alfabéticas. Eles são sempre sufixos, ou seja, são sempre acrescentados 
aos números principais. 
A numeração específica que norteia a formação das notações corresponde a: 
 
A CDU engloba todos os tipos de documentos e continua se expandindo e se modificando, 
através de suas novas edições e de sua publicação anual Extensions and Corrections to the 
UDC, que foi estruturada pela Federação Internacional de Informação e Documentação (FID), 
juntamente com outras instituições de informação e documentação, ou seja, outros cinco editores da 
CDU (Bélgica, Espanha, Países Baixos, Reino Unido e Japão), que adquirem todos os direitos e 
responsabilidades civis do sistema e passam a administrá-lo (SOUZA, 2004). 
Línguas oficias da CDU: inglês, francês e alemão. Entretanto, a língua oficial do consórcio CDU é o 
inglês. 
Possui quatro tipos de edição: desenvolvida, média, abreviada e especiais. 
A FID exerceu os direitos da CDU. Após 1992, os direitos passaram para o Consórcio CDU, formado 
por instituições de informação situadas nos países: Bélgica, Espanha, Países Baixos, Reino Unido e Japão. 
A edição em Língua Portuguesa, no Brasil, é de responsabilidade do IBICT; 
Desde 1949 vem sendo atualizada, modificada, corrigida, sendo, inicialmente em intervalos 
semestrais. De 1933 passou a ser anual. 
1976: no Brasil, o IBICT publicou a 1ª ed. Média em Língua Portuguesa, traduzida da Ed. 
Desenvolvida Alemã. Em 2007, o IBICT publicou a 2ª ed. Padrão Internacional em Língua Portuguesa, com 
base nas atualizações feitas pelo Consórcio entre 1996 e 2004. 
 
 
6.4 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? 
 
Questão 1 - Numere a primeira de acordo com a segunda: 
A - Tratamento da Informação 
B - Tratamento Descritivo 
C - Tratamento Temático 
( ) Processo realizado nas bibliotecas, cujo objetivo é descrever os dados dos documentos, criando 
pontos de acesso, para fins de recuperação 
( ) Trata-se do conjunto de operação realizadas em prol da representação dos conteúdos de que tratam 
os documentos 
( ) Contempla um conjunto de práticas que se baseia em códigos e linguagens, os quais permitem a 
criação de dados para representar o conteúdo e a forma dos documentos tratados. 
A sequência correta, de baixo para cima, é: 
( ) B, C e A ( ) B, C e A ( ) A, B e C ( ) B, A e C ( ) A, C e B ( ) NDA 
 
Questão 2 - De acordo com Souza (2004), a definição mais adequada para a prática da classificação 
documentária é: 
A - Arrumar livros nas estantes para facilitar a recuperação do usuários; 
B - Dividir em grupos ou classes, segundo as diferenças e semelhanças; 
C - Colocar os itens conforme suas especificidades, obedecendo um arranjo pré-definido; 
D - Dividir o conhecimento em classe, seguindo a estrutura de um sistema de classificação 
E - Agrupar os documentos em categoria, refletindo o assunto a que se referem e o contexto onde são 
inseridos 
 
Questão 3 - Souza (2004) estabelece um objetivo específico do processo de classificação. Tal objetivo é: 
71 
 
A - identificar o assunto do documento, para que ele possa ser posto em local determinado nas 
estantes, junto com outros documentos com assuntos semelhantes; 
B – Estabelecer notações, as quais levam o usuário à localização do item nas estantes; 
C – Determinar a incorporação do item dentro de um conjunto mais abrangente de documentos; 
D – Individualizar o item em um acervo sistematizado; 
E – Permitir que o documento seja recuperado, considerando a sistematização do acervo bibliográfico. 
 
Questão 4 - A classificação criada por Ranganathan foi um marco na história da classificação em 
bibliotecas. A versatilidadedesse sistema, aliado à combinação dos assuntos permitiram novas acepções 
quanto à sistematização de documentos em acervos mais complexos. O conceito “sistema de classificação 
enumerativo, hierárquico e rigidez nas classes de assunto” refere-se: 
A – Colon Classification ou classificação dois pontos; 
B – Universal Classification System; 
C – Decimal Classification; 
D - Bibliographic Classification; 
E - Subject Classification. 
 
 
 
6.5 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? 
 
Questão 1 - Para formar as classes principais da CDD, Dewey baseou-se diretamente no sistema de Harris, 
que tevepor base a ordem inversa do sistema filosófico de: 
a) Paul Otlet. 
b) Francis Bacon. 
c) Porfírio. 
d) Shiyali Ramamrita Ranganathan. 
 
Questão 2 - Possui estrutura hierárquica e o conhecimento é dividido em dez partes que podem 
sesubdividir em partes lógicas infinitamente. Essa compreensão conceitual refere-se a: 
a) COMUT 
b) CDD 
c) Vaticana 
d) Tesauro 
e) CDU 
 
Questão 3 - É dotada de uma estrutura inovadora e possibilita expressar por símbolos, não apenas os 
assuntos simples, como também as relações entre diversos assuntos. Sua estrutura éhierárquica, na qual 
o conhecimento é dividido em dez classes, podendo ser subdividido em partes lógicas, até o infinito. A 
classificação definida é a 
(A) CDD. 
(B) CDU. 
(C) Bliss. 
(D) (D) Vaticana 
 
Questão 4 - As atividades relacionadas à organização e representação da informação e do conhecimento 
compreendem diversos processos na biblioteconomia. Julgue as afirmativas a seguir, assinalando (V) para 
as VERDADEIRAS e (F) para as FALSAS. 
( ) A catalogação cooperativa foi proposta inicialmente pelo bibliotecário da Biblioteca do Smithsonian 
Institution (EUA), em 1850, o qual tinha um projeto de transformar essa biblioteca em biblioteca nacional 
72 
 
e criar um catálogo coletivo das bibliotecas cooperantes. Entretanto, a ideia só foi implementada pela 
Library of Congress em 1901. 
( ) No Brasil, a catalogação cooperativa teve início em 1942, com a distribuição de fichas catalográficas 
pelo Instituto Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (IBBD). Porém, algum tempo depois, em 
1972, apareceram algumas dificuldades, o que originou a sua interrupção. Tal situação foi regularizada 
em 1972, com o surgimento do formato MARC e se consolidou com o projeto CALCO em 1973. 
( ) A CDU contém as tabelas auxiliares que permitem a construção de números compostos, ou seja, a 
atribuição de um número extraído de determinada localidade para unir aos números das tabelas 
principais, especificando a determinação do assunto do item. 
( ) A CDU é uma linguagem de indexação e recuperação da informação que abrange praticamente todos 
os assuntos e que pode ser utilizada em acervos que lidem com qualquer tipo de suporte documental. 
( ) O sinal de dois pontos serve para indicar uma relação entre dois ou mais assuntos por meio da conexão 
de seu número da CDU, ampliando os assuntos que liga. Assinale a alternativa que apresenta a sequência 
CORRETA. A) V, V, F, V, F. B) F, F, V, F, V. C) F, V, F, F, V. D) V, F, V, V, F. 
______________________________________________________________________________________ 
 
6.6 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 1 - As afirmativas abaixo sobre linguagens documentárias estão corretas, EXCETO: 
A) A possibilidade do indexador não dominar o idioma do documento é um fator que não prejudica a 
qualidade da indexação. 
B) Os sistemas de classificação CDD e CDU são estruturados hierarquicamente, dividindo o 
conhecimento em dez classes principais, subdivididas sucessivamente. 
C) A CDU concilia e equilibra exigências dos esquemas hierárquicos com a multifacetação dos 
sistemas em diversos aspectos de um mesmo assunto. 
D) O processo de indexação automática é similar ao processo de leitura-memorização humano, 
sendo seu princípio geral baseado na comparação de cada palavra do texto com uma relação de 
palavras vazias de significado. 
 
Questão 2 - Com base na Classificação Decimal Universal, considere as seguintes afirmativas: 
1. A CDU, como vários esquemas gerais, é uma classificação por aspectos, na qual um fenômeno é 
classificado segundo o contexto ou disciplina em que é considerado. 
2. Em 1795, um novo passo para o progresso da classificação decimal foi dado por Paul Otlet. 
3. A notação da CDU corresponde a uma linguagem artificial da qual foram eliminadas muitas das 
ambiguidades da linguagem natural. 
4. Desde agosto de 1949, as correções autorizadas têm sido publicadas nas 
ExtensionsandCorrectionstothe UDC, editadas, a princípio, anualmente e agora semestralmente. 
a) Somente a afirmativa 2 é verdadeira. 
b) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras. 
c) Somente as afirmativas 1, 2 e 4 são verdadeiras. 
d) Somente as afirmativas 2 e 3 são verdadeiras. 
e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras. 
 
Questão 3 - Em relação à Classificação Decimal Universal, avalie os dois agrupamentos abaixo. 
Colchetes […] 
Dois pontos duplos :: 
Parênteses 0 (0…) 
a. São utilizados para fixar a ordem dos números que compõem uma notação composta. 
b.São usados para estabelecer subgrupos algébricos quando dois ou mais números principais se 
encontram ligados por um sinal de adição ou dois pontos. 
73 
 
c. Indicam a forma ou apresentação de um documento que trata de um assunto representado por um 
número principal. 
A correlação correta entre os agrupamentos é: 
a) Ib; IIa; IIIc. 
b) Ia; IIb; IIIc. 
c) Ic; IIa; IIIb. 
d) Ib; IIc; IIIa. 
e) Ic; IIb; IIIa. 
 
Questão 4 - Empregando a Classificação Decimal Universal, a equipe de bibliotecários do Tribunal 
Regional Federal da 3ª Região planeja separar os periódicos de direito do restante do acervo, porém 
mantendo juntas as coleções de cada país. O bibliotecário I propõe agrupá-los por assunto, assim: 
34(05)(73), 34(05)(81) e assim por diante. O bibliotecário II acha melhor reuni-los sob a sua forma, assim: 
(05)34(73), (05)34(81) etc. Por fim, o bibliotecário III pensa em organizá-los segundo a forma e o 
lugar,assim: (05)(73)34, (05)(81)34 etc. 
Ocorre que: 
a)os bibliotecários I, II e III estão corretos; a flexibilidade da ordem de citação torna possíveldiferentes 
arranjos. 
b)os bibliotecários I, II e III estão incorretos; a ordem de citação impõe que o lugar sejaseguido da forma, 
e não o contrário. 
c)o bibliotecário I está incorreto; os auxiliares devem ser agrupados usando-se a barrainclinada: 
34(05/73), 34(05/81) etc. 
d)o bibliotecário II está incorreto; o número principal não deve ser intercalado entre osnúmeros 
auxiliares. 
e)o bibliotecário III está incorreto; não se deve justapor dois auxiliares à frente do númeroprincipal, mas 
apenas um. 
 
Questão 5 - A classificação é a atividade de representação temática da informação voltada para a 
organizaçãofísica dos documentos, atribuindo a estes uma notação de um sistema pré-coordenado. Dos 
itens abaixo, identifique o sistema que não é considerado pré-coordenado: 
A) Dewey Decimal Classification. 
B) Universal Decimal Classification. 
C) Colon Classification. 
D) Library of Congress Subject Headings. 
E) Bibliographic Classification. 
 
Questão 6 - No caso de uma obra que contém resultados decorrentes de um trabalho de pesquisa, o 
classificador tem como atribuição: 
A.classificar de acordo com a área temática pertinente, independente do caráter da informação ou dos 
meios empregados. 
B.compor uma classificação que integre a classe generalidades à classe específica que representa o 
assunto da pesquisa. 
C.criar um número auxiliar para representar o método empregado na pesquisa. 
D.unir, por meio do uso de dois pontos simples, a temática pesquisada e o método 
Questão 7 - Utilizando a tabela de Classificação Decimal Universal (CDU), a notação que representa 
corretamente o assunto “Educação Profissional” é 
 A) 377 
B) 379.8 
C) 37.013 
D) 378 
74 
 
 
Questão 7 - De acordo com a CDU, a notação que apresenta o auxiliar de forma é 
A) 658.56:36 
B) 658.56(81)C) 658.012.2(035) 
D) 658.012.2+658.56 
 
Questão 8 - Um vocabulário controlado é essencialmente: 
A) uma relação de publicações que o autor consultou para escrever sua obra. 
B) um índice classificado de um trabalho ordenado alfabeticamente por temas específicos. 
C) uma lista de termos autorizados para recuperação da informação. 
D) Uma lista de letras ou números que representam o nome do autor e a classificação de uma obra. 
 
Questão 9 - A Classificação também conhecida como Sistema Decimal de Dewey (SDD ou CDD) foi 
desenvolvida por Melvil, Dewey em 1876. Assim chamada de decimal por: 
A) Dividir o conhecimento humano em 10 classes 
B) Possuir um caráter unitário 
C) Utilizar um sistema que não usa números inteiros 
D) Dividir os temas de assuntos em dígitos múltiplos 
 
Questão 10 - A CDU (Classificação Decimal Universal) elaborada por Paul Otlet e Henri la Fontaine contém 
um elemento facetado que é usado especialmente em bibliotecas: 
A) públicas 
B) comunitárias 
C) especializadas 
D) para deficientes visuais. 
 
REFERÊNCIAS 
 
SILVA, O. P. CDD: manual teórico-prático para os alunos da disciplina Classificação no Departamento de 
Ciência da Informação da Universidade de Brasília, 2018. 
 
SOUZA, S. CDU: como entender e utilizar a segunda edição internacional em língua portuguesa. Brasília: 
Thesaurus, 2004. 
 
 
 
 
75 
 
AULA VII: Representação Temática da 
Informação - Indexação 
 
 
Docente responsável: Graciane Silva Bruzinga Borges 
Bibliotecária, Doutoranda e Mestre em Ciência da Informação pelo Programa de Pós-Graduação em 
Ciência da Informação, da Escola de Ciência da Informação (ECI) da Universidade Federal de Minas Gerais 
(UFMG). Membro do Grupo de Pesquisa Modelagem Conceitual para Organização Hipertextual de 
Documentos (MHTX). Ampla experiência em Serviços de Referência de bibliotecas empresariais; 
Consultoria e Gestão Documental em arquivos corporativos; Disseminação Seletiva da Informação (DSI); 
Análise de Assunto de Publicações. 
 
Bibliotecária colaboradora: Mayara Silva Gonçalves 
Bibliotecária graduada pela Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais, 
formatura: junho de 2016. Membro do Grupo de Pesquisa Modelagem Conceitual para Organização 
Hipertextual de Documentos (MHTX), coordenado pela Profª. Dra. Gercina Ângela de Oliveira Lima. 
Interesse em organização documental, representação descritiva da informação e serviço de referência. 
 
CONTEÚDOS DA AULA 
 
76 
 
7 ANÁLISE DE ASSUNTO 
 
Dias e Naves (2007) definem ANÁLISE DE ASSUNTO (AA) como a 1ª Etapa do Tratamento de 
Informação, sendo o processo de ler um documento para extrair conceitos que traduzam a essência de 
seu conteúdo. Trata-se de uma tarefa sujeita à interferência de diversos fatores ligados à pessoa daquela 
profissão, como: 1) nível de conhecimento prévio do assunto de que trata o documento; 2) formação e 
experiência; 3) subjetividade; 4) fatores linguísticos, cognitivos e lógicos. Tem como 1ª FASE do processo 
de AA a Leitura do Texto pelo indexador, sendo preciso uma leitura que: possibilite a extração de 
conceitos que sintetizam seu conteúdo, devendo considerar: a importância do texto; a estrutura do texto; 
os tipos de texto e a forma de leitura. Tem-se como 2ª FASE do processo de AA a Extração de Conceitos, 
onde, para definir em termos adequados o assunto de um texto é preciso que: se extraiam os conceitos 
nele contidos. Como 3ª FASE do processo de AA a Determinação da Atinência, quando é preciso 
selecionar aqueles que realmente sintetizam o assunto do documento, considerando a atinência e o 
significado. Para os autores, em síntese, AA tem um caráter interdisciplinar, sendo uma atividade 
complexa, por sofrer interferências de fatores linguísticos, cognitivos e lógicos. 
 
7.1 INDEXAÇÃO – CONCEITOS, CARACTERÍSTICAS E LINGUAGENS 
 
Para Dias e Naves (2007), o conceito de INDEXAÇÃO está ligado a uma terminologia usada para 
ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO PELOS SERVIÇOS DE INDEXAÇÃO E RESUMO. Visa organizar informações 
referentes, principalmente, a artigos de periódicos. Essas informações não são, normalmente, 
organizadas em bibliotecas (que costumam se limitar à organização dos periódicos no todo). Tem como 
produtos: índices e abstracts, disponíveis em forma impressa e em bases de dados. Já sobre as linguagens 
de indexação, os autores esclarecem que essas fornecem termos padronizados para representar o(s) 
assunto(s) identificado(s) no documento. Algumas características são destacadas, tais como haver 
sentidos diferentes para o termo indexação: 1) um mais amplo, como uma atividade de criar índices, seja 
de autor, título, assunto, tanto de publicações, quanto de catálogos ou bancos de dados, em bibliotecas e 
centros de informação e 2) outro mais restrito, onde é realizada a indexação ou catalogação de assuntos 
dadas as informações contidas nos documentos. 
Na visão de Cintra et al. (2002), as linguagens são construções sociais e se apresentam de 
diferentes formas, o que caracteriza a língua praticada em um contexto específico, podendo ela estar na 
forma natural praticada pelos falantes, como na forma controlada – linguagem documentária. A língua 
natural analisa dados da experiência segundo padrões que dependem da tradição cultural e do momento 
social do povo que fala. Por conseguinte, essa língua é uma análise da sociedade, do homem praticante 
de um grupo e de sua cultura. Na língua natural o elemento de troca é o signo linguístico, que associa um 
SIGNIFICANTE – imagem acústica – a um SIGNIFICADO – conceito. Com os limites próprios de uma 
linguagem construída, as linguagens documentárias se valem de quase todos os conceitos apresentados 
para a língua natural, e constituem sistemas onde as unidades se organizam em relações de dependência. 
Assim, nas linguagens documentárias não se processa uma comunicação no sentido estrito. 
Processa-se, antes, uma decodificação pura e simples, à maneira de códigos estáticos e, semelhante à 
linguagem natural, as documentárias não se livram completamente de interferências culturais que 
acabam por exigir um trabalho quase permanente de atualização. Importante frisar que AS LINGUAGENS 
DOCUMENTÁRIAS SÃO SISTEMAS CONSTRUÍDOS e, portanto, se caracterizam como sistemas econômicos, 
que, ao contrário da língua natural, aplicam uma racionalização de escolhas e de procedimentos, que 
permitam uma utilização eficaz do sistema. As linguagens documentárias são tributárias da linguagem 
natural, à medida em que são construídas a partir delas. Sua função é tratar o conhecimento dispondo-o 
como informação, ou seja, essas linguagens transformam estoques de conhecimentos em informações 
adequadas aos diferentes segmentos sociais. Elas são consideradas como sistemas e como práticas 
sociais, não se apresentando como uma construção universal, que seguem princípios únicos, mas 
refletem práticas sociais distintas, considerando necessidades específicas de cada contexto. 
77 
 
Na visão de LEIVA e FUJITA (2012), no capítulo 2 da obra, que aborda os aspectos conceituais da 
indexação, contextualiza o tema da seguinte maneira: 
1) O PROCESSO COGNITIVO E A INDEXAÇÃO. A indexação gera palavras-chave, índices ou os cabeçalhos 
de assunto de um documento. Para obtê-los são necessários processos mentais que têm a ver com a 
PERCEPÇÃO da informação, da MEMÓRIA e da COMPREENSÃO. As operações mentais realizadas pelos 
seres racionais para a recepção seletiva de informação, a sua codificação simbólica e seu armazenamento 
e recuperação, denomina-se PROCESSO COGNITIVO. A Psicologia Cognitiva é a disciplina que estuda os 
processos cognitivos como a percepção sensorial da informação, a aprendizagem (linguagem, leitura e 
escrita), a memória ou a capacidade de raciocínio. Passa-se pela ORGANIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO (1.1), 
por meio do DISCURSO TEXTUAL, considerando o Conceito de texto; os Critérios de textualidade; a 
Estrutura do texto (micro e macroestrutura); Tipos de texto (1: argumentativoraciocínio argumentativo; 
2: narrativo; 3) descritivo, dados espaciais de objetos, lugares, sentimentos; 4) expositivo; 5) instrutivo; 6) 
dialogado, informação sequencial construída entre dois ou mais falantes de um assunto; 7) jornalístico. 
Em seguida, passa-se para PERCEPÇÃO SENSORIAL DA INFORMAÇÃO (1.2), onde a informação pode 
chegar ao indexador por três sentidos: visão, audição e tato. Após, passa-se para ATIVAÇÃO DA MEMÓRIA 
(1.3); durante a indexação, a memória entra em jogo constantemente, uma vez que o indexador tem 
muitos conhecimentos armazenados e os utiliza a cada momento, por meio da Memória sensorial (ou dos 
sentidos registra dados de duração escassa) e da Memória de curto e longo prazo. Por fim, chega-se à 
COMPREENSÃO (1.4), por meio dos Processos na compreensão (entende que compreender um texto 
leva-nos a fazer seu significado); Elementos para a compreensão (os textos ou discursos (textuais, orais e 
audiovisuais, mas principalmente os dois primeiros), para serem compreendidos devem ter coesão e 
coerência); Coesão discursiva (se manifesta na superfície do discurso, ou seja, sob a forma da construção), 
como exemplo o Tópico frasal (para falar de coerência textual global deve-se ter a coerência da frase e a 
coerência entre os parágrafos) e o Tema textual (ou discursivo tem sido chamado pelos linguistas de 
diferentes maneiras, assim, tem sido utilizadas expressões como alusão, plano global, tópico do discurso 
ou macroestrutura textual). 
2) A INDEXAÇÃO. Trata-se de um processo técnico documentário – de um conjunto de operações 
realizadas para a SELEÇÃO, a AQUISIÇÃO, o REGISTRO e o TRATAMENTO dos DOCUMENTOS, a fim de 
possibilitar seu armazenamento e, posterior recuperação. Em geral, a entrada dos documentos em um 
centro de informação ocorre por meio de duas etapas sucessivas: a seleção e a aquisição. A política de 
aquisições deve ser concebida em relação ao pressuposto, aos recursos e aos serviços prestados. 
Caracteriza-se em um contexto onde os fundos vão aumentando pela compra ou pela troca de 
documentos entre as instituições ou por doação de fundos privados. Além disso, como o nome sugere, 
selecionar é escolher a documentação que deve ser incorporada. Portanto, a seleção do material e sua 
posterior aquisição é a primeira etapa do processo que conduz a constituição dos fundos documentários. 
Normalmente, cada instituição tem pessoal encarregado para essa tarefa e, uma questão chave no 
processo de seleção, é verificar as necessidades, as características e as preferências dos usuários. Outra 
fase do processo documentário é o TRATAMENTO TÉCNICO que recebem os documentos para que 
possam ser utilizados. Este tratamento é dividido em ANÁLISE DA FORMA e ANÁLISE DO CONTEÚDO. A 
análise da forma de um documento também é conhecida como descrição bibliográfica ou catalogação, 
enquanto que a análise de conteúdo inclui a classificação, o resumo e a indexação. A última fase do 
processo documentário é a saída da informação. Todas as operações desenvolvidas na fase de entrada e 
de tratamento da informação têm um objetivo principal: a divulgação da informação. A razão das 
operações descritas é a divulgação da informação que foi selecionada, adquirida ou recebida e analisada 
anteriormente. 
Conceito de indexação: as diferentes maneiras que os indexadores lidam com a indexação de 
documentos podem ser agrupadas em três correntes presentes na literatura. A indexação centrada no 
documento, no usuário e no domínio. 1) Indexação centrada no documento (os indexadores realizam uma 
descrição precisa e fiel do documento, sem considerar o contexto ou as necessidades de informação dos 
usuários que se utilizam dela (SOERGEL, 1985; LANCASTER, 1991); 2) Indexação centrada no usuário (os 
78 
 
indexadores selecionam os conceitos e os convertem em termos controlados por uma linguagem de 
indexação, levando em conta o conhecimento que tem dos usuários e suas possíveis necessidades de 
informação (ALBRECHTSEN, 1993; FIDEL, 1994). A mesma norma ISO 5963:1985 estabelece que os 
indexadores podem selecionar os conceitos que eles consideram úteis para um grupo de usuários; 3) 
Indexação centrada no domínio (Jens-Erik Mai, 2005). O citado autor propôs essa terceira possibilidade 
chamada indexação centrada no domínio. Esse método é baseado no conhecimento profundo da 
organização (histórico, objetivos, metas, pessoas e relacionamentos, fluxos de informação etc.). E isso faz 
com que o autor subdividida a indexação em quatro processos: análise do domínio, das necessidades dos 
usuários, papéis desempenhados ou adotados pelos indexadores e, finalmente, a análise do documento, 
tendo em conta os elementos acima referidos. Esses tópicos não são repetidos para cada documento, 
exceto o último, quando vários deles mudam significativamente. Portanto, as diferenças de abordagem 
entre a indexação centrada no documento e a centrada no domínio consistem em que enquanto a 
primeira tem como única referência a informação contida no documento, a indexação centrada no 
domínio gerencia outros elementos além do documento. 
As Etapas de Indexação são: 1)ANÁLISE DOS DOCUMENTOS; 2) QUESTÕES PARA A SELEÇÃO DOS 
CONCEITOS EXPLÍCITOS OU IMPLÍCITOS e 3) ARMAZENAMENTO DESTAS PALAVRAS-CHAVE COMO ESTÃO, 
ou sua conversão numa linguagem controlada. 
Em resumo, a indexação é um processo executado nos objetos suscetíveis de serem representados 
e nas solicitações dos usuários para, em última análise, satisfazer as necessidades de informação. A 
qualidade da indexação corresponde aos elementos que caracterizam tanto o processo quanto o 
resultado da indexação, que são a EXAUSTIVIDADE, a CONSISTÊNCIA, a ESPECIFICIDADE e a CORREÇÃO. 
A) Exaustividade na indexação: tanto a norma ISO 5963-1985 quanto sua tradução em espanhol (UNE 50-
121-91) indicam que a exaustividade na indexação está relacionada com a quantidade de conceitos que 
caracterizam todo o conteúdo do documento e não com o número de descritores atribuídos a um objeto 
indexado. 
B) Especificidade: a própria norma ISO 5963-1985 sugere que a especificidade tem a ver com a precisão 
com que um termo de indexação representa fielmente um conceito particular que aparece no documento 
em análise. 
C) Correção: ou a ausência de erros é de suma importância, porque a indexação pode ter dois tipos de 
falhas: por omissão (quando um termo é omitido) e por inclusão (adição de um termo sem necessidade). 
Por outro lado, a ausência de um termo que deveria estar presente e a atribuição de um mais genérico, 
específico ou afim, é um tipo especial de erro de omissão e de inclusão. 
D) Consistência: definida por Zunde e Dexter (1969, p. 259), dois pioneiros nesse assunto, como “[...] o 
grau de concordância na representação da informação essencial de um documento por meio de um 
conjunto de termos de indexação selecionados por cada um dos indexadores de um grupo”. A 
consistência na indexação pode ser estudada como uma referência a um ou vários indexadores. Quando 
um profissional indexa o mesmo documento em momentos diferentes falamos de intra-consistência ou 
consistência intraindexador. E em segundo lugar, quando vários profissionais indexam um mesmo 
documento de maneira diferente, falamos de inter-consistência ou consistência inter-indexador. 
Para Feitosa (2006), a INDEXAÇÃO consiste na “análise temática da informação e ocorre no 
processamento técnico da informação, mais especificamente na classificação, na indexação, na 
disseminação, no resumo, na recuperação e na busca. A operação classificação consiste principalmente 
na atribuição de um número ou outro símbolo para descrever o documento. A indexação consiste em 
atribuir vários descritores, que podem ter ligações entre si, para descrever o conteúdo do documento. De 
certo modo, uma lista de termos pode ser vista como uma espécie de minirresumo, uma vez que reúne os 
termos em uma lista ou índice. Com relação à extensão do registro, a indexação pode ser seletiva (mais 
restrita) ou exaustiva (mais completa).A operação de resumo consiste na condensação do documento em 
linguagem natural. O principal objetivo do resumo é indicar de que trata o documento ou sintetizar seu 
conteúdo. Conforme o nível de aprofundamento, o resumo pode ser classificado como resumo breve ou 
resumo detalhado (ampliado). Esse grau de aprofundamento é também denominado extensão do registro 
79 
 
de um resumo. De todas as operações do processamento técnico, a mais importante para o contexto 
desta obra é, sem dúvida, a indexação, da qual pode depender em grande medida a qualidade dos 
resultados advindos de uma operação de busca e recuperação” (FEITOSA, 2006, p. 21). 
“A linguagem natural é formada pela reunião de sinais utilizados e reconhecidos facilmente pelo 
homem. Quando empregada na indexação denominada ‘livre’, utiliza termos como se apresentam nos 
documentos. A linguagem documentária compreende o conjunto de regras, símbolos e termos 
previamente estabelecidos, formando uma linguagem artificial para a indicação do conteúdo temático 
dos documentos” (FEITOSA, 2006, p. 23). 
 “A técnica da indexação necessita do uso de uma linguagem indexação, que compreende a 
especialização de uma linguagem documentária. A linguagem de indexação é uma ‘linguagem artificial 
utilizada para o registro ou indicação dos temas contidos nos documentos, dotada de vocabulário 
controlado e regida por uma sintaxe própria’ (CAVALCANTE, 1982). Um vocabulário controlado relaciona 
termos utilizados em sistemas de indexação, com vistas à uniformidade de armazenagem, bem como à 
facilidade de recuperação. A sintaxe compreende um conjunto de regras necessárias à tarefa de 
combinação dos elementos do vocabulário” (FEITOSA, 2006, p. 23). 
“Segundo Harman (1994), o ponto chave para qualquer indexação é a escolha dos limites do 
registro que identifica uma unidade pesquisável” (FEITOSA, 2006, p. 24). 
 
 
7.2 INDEXAÇÃO AUTOMÁTICA 
 
Para contextualizar o processo de Indexação Automática, Dias e Naves (2007) citam Navarro 
(1988), que afirma que: durante muito tempo trabalhou-se na base do bom senso e somente a partir da 
necessidade de sistematizar as relações entre linguagem natural e as linguagens documentárias, 
principalmente visando-se procedimentos automatizados, a interseção foi percebida e trabalhada a nível 
teórico. Com a explosão bibliográfica, fez-se sentir a necessidade de um documento 'industrial' e 
automatizada, surgindo o imperativo da explicitação das operações de indexação anteriormente 
implícitas. A linguística tornou-se fundamental para a documentação automatizada. Sendo indexação, a 
condensação (elaboração de resumos) e a busca atividades de que envolvem a extração do significado do 
texto, a mecanização desses processos implicaria em que o computador possa compreender o significado 
do texto. O estudo do significado contribui para a pesquisa em processamento automático de texto. 
Dahlberg (1992) aponta para as bases linguísticas e filosóficas para ao organização do conhecimento; 
estudos de bases filosófica que consideram: a lógica; a teoria da ciência; a epistemologia; a ontologia; a 
fenomenologia; a aletiologia e a metafísica. 
Para Feitosa (2006), “Técnicas de indexação automáticas ou semi-automáticas, normalmente 
baseadas em processos estatísticos, linguísticos ou baseados na Inteligência Artificial, têm sido 
pesquisadas e utilizadas especialmente para aqueles textos completos que não foram submetidos a 
processos de indexação manual ou de resumo” (FEITOSA, 2006, p. 21). 
“Definida por Robredo (1982) como ‘operação de representar o conteúdo dos documentos, 
qualquer que seja o método utilizado’, a indexação utiliza-se de instrumentos para o tratamento da 
informação, de modo a obterem-se termos que representem corretamente os conceitos contidos em 
determinado documento. Assim, o principal propósito de um serviço de indexação é assegurar da forma 
mais eficiente e econômica possível, que qualquer documento ou informação seja fornecido ao usuário 
no momento preciso (CARNEIRO, 1985). Para a consecução desse objetivo, a técnica de indexação 
necessita da utilização de instrumentos normativos (normas), bem como de instrumentos linguísticos 
como a linguagem natural e as linguagens documentárias” (FEITOSA, 2006, p. 22). 
Segundo Dias e Naves (2007), a grande área da Análise de Assunto (AA) é o TRATAMENTO DA 
INFORMAÇÃO, que se divide em: 1) Tratamento Descritivo (dados físicos extraídos do documento) e 2) 
Tratamento Temático (observa seu conteúdo - o assunto) (FIG. 1). 
 
80 
 
FIGURA 1 – A área de Tratamento da Informação 
 
 
 
 
Fonte: desenvolvida pela autora com base em Naves e Dias (2007). 
O aumento da quantidade de informação no mundo e a necessidade de se produzir informação 
sobre informação objetivou documentar os registros existentes nas várias áreas do conhecimento, suas 
características, e onde podiam ser encontrados. Identificar e acessar a informação são tarefas cruciais, 
porém, a identificação serve de etapa preliminar para a etapa fim desse processo, que é o acesso efetivo 
à informação/documentos. Assim, acesso à informação/documentos é a questão básica de interesse da 
Ciência da Informação. Sistemas de Recuperação da Informação (SRI) visam otimizar o acesso ao 
conteúdo das informações, em bibliotecas ou não, pois, a biblioteca já é organizada para facilitar o 
acesso ao conteúdo, porém, o catálogo - seu principal SRI - incrementa esse acesso. Os SRI e as 
bibliotecas são constituídos de vários subsistemas, entretanto, o tratamento da informação na prática e 
na literatura pode variar e ser referida como mostra na Figura 2. 
FIGURA 2 – Subsistemas dos SRI 
 
Fonte: desenvolvida pela autora com base em Naves e Dias (2007). 
Entretanto, tratamento da informação na prática pode variar e ser referido como (FIG. 3). 
FIGURA 3 – Variações do Tratamento da Informação 
81 
 
1 
 
 
 
2 
 
 
 
 
 
3 
 
4 
 
 
5 
 
82 
 
Fonte: desenvolvida pela autora com base em Naves e Dias (2007). 
O conceito de Tratamento da Informação, para os autores, pode ser assim explicitado: expressão 
que engloba todas as disciplinas, técnicas, métodos e processos relativos a: 1) descrição física e temática 
dos documentos numa biblioteca ou sistema de recuperação da informação; 2) desenvolvimentos de 
instrumentos a serem utilizados nessas descrições, como códigos, linguagens, normas, padrões e 3) 
concepção/implantação de estruturas físicas ou bases de dados de armazenamento dos documentos e de 
seus simulacros, como fichas, registros eletrônicos, etc. Compreende as disciplinas de: classificação, 
catalogação, indexação, bem como especialidades delas derivadas, ou terminologias novas nelas 
aplicadas, tais como metadados e ontologias, entre outras. 
Especialidades da área: TRATAMENTO DESCRITIVO (ou representação descritiva), que são os 
aspectos objetivos capazes de identificar extrinsecamente o documento, e TRATAMENTO TEMÁTICO (ou 
representação temática), que apresenta forte carga subjetiva, caracterizando o documento sob o ponto 
de vista de seu conteúdo! Agentes da área (profissional da informação): classificador; catalogador e 
indexador. 
Pontos de atenção: tendência de considerar as atividades de abordagem temática da informação 
(classificação, catalogação por assunto, indexação temática) como uma única atividade. Equivalente a: 1) 
identificar o assunto ou assuntos de um documento e 2) traduzir esse assunto(s) para a linguagem de 
indexação. Porém, há diferenças: 1) classificar um documento para colocação nas estantes de uma 
biblioteca, ou mais genericamente para situá-lo numa coleção (= único local para o documento na 
coleção) e 2) catalogá-lo ou indexá-lo por um assunto (= possibilidades de várias entradas de assunto 
num catálogo ou num índice. Tendo como limite a política de indexação do sistema, que por sua vez 
incorpora princípios de recuperação da informação, mas, pode também ser afetada por questões de 
ordem econômica). 
FIGURA 4 – Os processos do Tratamentoda Informação 
 
 
 
Fonte: desenvolvida pela autora com base em Naves e Dias (2007). 
No processo de tratamento da informação são utilizados alguns instrumentos, conforme descrito, 
a seguir. 
(TRATAMENTO DESCRITIVO): 
83 
 
1) CÓDIGOS DE CATALOGAÇÃO (Ex.: Código de Catalogação Anglo-Americano - 2ª edição - CCAA2); 
2) FORMATOS DE METADADOS (Ex.: Dublin Core); 
3) ELABORAÇÃO DE BIBLIOGRAFIAS (Índices/Abstracts): por meio de Referências Bibliográficas ou 
Citações (Ex.: International Standards Organization (ISO) e Associação de Normas Técnicas (ABNT)). 
(DESCRIÇÃO TEMÁTICA): 
1) LINGUAGENS DE INDEXAÇÃO (fornecem termos padronizados para representar o(s) assunto(s) 
identificado(s) no documento). Tipos principais: 1.1) Alfabéticas (Ex.: Listas de Cabeçalho de Assunto 
(p/bib. mais gerais) e Tesauros (p/bib. mais especializadas) e 1.2) Simbólicas: sistemas de classificação 
bibliográfica (símbolos como letras e números para representar os assuntos) (Ex.: Classificação Decimal de 
Dewey); 
2) TABELAS DE NOTAÇÃO: usadas em conjunto com os sistemas de classificação, auxiliam na 
classificação quanto à sua tarefa de prover uma localização única e fixa para cada documento numa 
coleção; 
3) NORMAS PARA ELABORAÇÃO DE RESUMOS (Ex.: International Standards Organization (ISO) e 
Associação de Normas Técnicas (ABNT)); 
4) MANUAIS DE INDEXAÇÃO (usados nos serviços de indexação e resumo e em bibliotecas 
especializadas/técnicas ou centros de documentação); 
5) MANUAIS DE CATALOGAÇÃO POR ASSUNTO (usados em todos os tipos de bibliotecas). 
No processo de tratamento da informação são gerados alguns produtos, conforme descrito, a 
seguir. 
1) REGISTROS BIBLIOGRÁFICOS (representações dos documentos a que se referem POR MEIO DE: 
retratação dos elementos essenciais dos documentos por meio de número reduzido de informação) – Ex.: 
Referência Bibliográfica; 
2) REGISTROS CATALOGRÁFICOS (representações dos documentos a que se referem POR MEIO DE: 
retratação dos elementos essenciais dos documentos por meio de número reduzido de informação) – Ex.: 
Ficha Catalográfica; 
3) RESUMOS (úteis para o profissional da informação, para identificação do assunto do documento e 
úteis para o usuário, para identificação da pertinência do item); 
4) METADADOS (equivalentes aos Registros Bibliográficos e Catalográficos referentes aos 
documentos eletrônicos); 
5) PONTOS DE ACESSO DE CATÁLOGO (elementos da descrição que poderão ser utilizados na 
pesquisa do catálogo); 
6) PONTOS DE ACESSO DE BIBLIOGRAFIAS (elementos da descrição que poderão ser utilizados na 
pesquisa do catálogo); 
7) ARRANJO SISTEMÁTICO DE COLEÇÕES DE DOCUMENTOS (organização da coleção de acordo com 
algum tipo de classificação por assunto. Permite a função de browsing, importante nos sistemas 
automatizados, como nos websites). 
 
7.3 O PROCESSO DE TRATAMENTO TEMÁTICO 
 
Apresentam dois sentidos do termo indexação: um mais amplo e outro mais restrito (FIG. 5). 
FIGURA 5 – Os sentidos da indexação 
84 
 
 
 
Fonte: desenvolvida pela autora com base em Naves e Dias (2007). 
Pontos de atenção: o foco da obra é a indexação acadêmica, que tem como ETAPAS: 1) extração 
de conceitos que possam representar o assunto de um documento e 2) tradução desses para termos de 
instrumentos de indexação ou linguagens documentárias. Sobre a questão da subjetividade, de acordo 
com Strehl (1998), a coerência da indexação é colocada em risco por: 1) o conteúdo real do documento; 
2) a parte desse conteúdo que será suscetível de responder às necessidades (futuras) dos usuários; 3) os 
conceitos importantes que devem ser conservados para representar esse conteúdo; 4) os descritores 
definidos para representar esses conceitos. Assim, havendo a necessidade de uma política de indexação, 
que considere: o perfil dos usuários; o sistema de recuperação de informação. Tal política tem como 
ELEMENTOS: níveis de exaustividade e especificidade; capacidade de revocação e precisão do sistema; 
estratégia de busca; tempo de resposta do sistema; e forma de saída e avaliação do sistema. 
Consistência: manifesta-se na similaridade dos termos de indexação atribuídos a um dado 
documento por diferentes indexadores. Grau de concordância na representação do conteúdo de 
informação (essencial) do documento por certas listas de termos de indexação selecionadas 
individualmente e independentemente por cada indexador (ROLLING, 1981). Uma das razões para a 
inconsistência pode ser no momento da expressão de conceitos, que é feita de formas diferentes em 
diferentes níveis de especificidades (SVENONIUS, 1981). 
Relevância: contexto da Recuperação da Informação (RI). Refere-se ao julgamento feito pelo 
indivíduo ao se confrontar com o resultado de sua busca em um sistema de RI. Tem por definição: 
avaliação da satisfação do usuário com relação à representação de documentos. 
 
7.4 A LEITURA DO TEXTO PELO INDEXADOR 
 
Definição: meio, veículo que permite a comunicação de ideias entre o sujeito que cria e dissemina 
informação (emissor, autor) e o sujeito que necessita e adquire informação (receptor, leitor). A palavra 
texto é confundida com documento, discurso, informação, dado, conhecimento ou mesmo com leitura. 
Pode ter qualquer extensão, desde uma simples palavra, até um conjunto de frases (ORLANDI, 1987). As 
estruturas do texto são: microestrutura (estrutura superficial, correspondente à realidade física do texto); 
macroestrutura (tópico representativo hierárquico e coerente da unidade textual, com mínima estrutura 
da representação textual sintática-semântica) e superestrutura (estrutura teórico esquemática, sendo 
transição entre estruturas de superfície e de profundidade). 
A leitura é definida como a prática de dar sentido perceptivo e intelectual a um texto, 
considerando o sujeito, e toda sua capacidade subjetiva de interpretar. Tem como características: ser 
interdisciplinar, apresentando conexão com as ciências cognitivas e a semântica. Apresenta problemas, 
tais como: Problemas Continentes (significado de uma palavra desconhecida); Problemas Táticos 
(organização do texto entre os planos principal e secundário); Problemas Modais (dependem da 
compreensão de um conceito ou teoria) e Problemas Ontológicos (provenientes de crenças ideológicas do 
leitor) (CAVALCANTI, 1989). 
85 
 
A prática da leitura técnica tem como definição a forma de leitura do conteúdo do documento 
apropriada à realização das demais tarefas de AA: identificação dos conceitos; seleção dos conceitos; e 
expressão do(s) documento(s) na forma de uma frase, ou frases, de indexação. Segundo Lancaster (1993), 
trata-se de um misto de ler e passar os olhos pelo texto, devendo ser uma leitura direcionada a certas 
partes do texto: título; subtítulo; sumário; resumo; introdução; prefácio; apresentação; títulos dos 
capítulos e bibliografia. 
 
7.5 EXTRAÇÃO DE CONCEITOS 
 
A definição é de um conjunto de características, que são os elementos dos conceitos e traduzem 
os atributos das coisas designadas, onde, a característica mais geral corresponde a uma categoria. Tem 
como características processos mentais para formar um conceito: análise (operação mental para 
decompor os elementos constituintes); síntese (operação mental para recompor os elementos 
constituintes); abstração (operação mental de isolar para considerá-lo à parte); generalização (estender a 
toda uma classe de objetos e fenômenos os elementos essenciais, gerais). São apontados os seguintes 
problemas: 1) percepção (início do trabalho mental - material prima do pensamento); emoção 
(sentimentos, alterações orgânicas e impulsos para a ação); atitude (tipos de predisposição para a ação: 
opiniões, preconceitos e nível de abstração); linguagem (sistema de símbolos verbais, palavras, 
elaboração: elaboração e uso pela comunidade para exprimir e comunicar sentimentos e pensamentos). 
O assunto constitui o produto da extração de conceitos, que representa o conteúdo informacional. 
Apresenta algumas características: termo ambíguo, impreciso,difícil de definir e ensinar. Há a 
necessidade da presença do indexador humano para essa atividade, visto os avanços tecnológicos, a 
atividade não pode ser feita pela máquina. Além disso, não se pode definir um assunto sem que se leve 
em conta o contexto; ambos os conceitos (ASSUNTO & CONTEXTO) estão juntos nas teorias tradicionais e 
indexação. Na literatura mais recente, aparece o uso do termo aboutness (neste livro traduzido por 
atinência), como sinônimo do termo subject (assunto) de um documento. 
O contexto tem por definição: aspectos observados na leitura técnica, que se faz inicialmente, ao 
analisar um documento. Possibilita incluir informação sobre o ambiente de recuperação no qual o existe. 
Aspectos situacionais ou contextuais correspondem à perspectiva pragmática que é estabelecida como a 
dimensão prevalente na pesquisa do texto, de forma que uma teoria textual implica uma teoria do 
contexto. Exemplo: Metcalfe (1977) quando um assunto não é um assunto? = quando uma porta não é 
uma porta? RESPOSTA: quando ela não está inserida em uma parede! 
 
7.6 DETERMINAÇÃO DA ATINÊNCIA 
 
Tem por definição: termo traduzido do inglês aboutnes. Apresenta as seguintes características: 
Baranov (1983), aboutnes = concernência, do verbo concernir; adjetivo concernente. Cesarino e Pinto 
(1980) apontam dois momentos que se faz AA: quando se analisa o documento e quando se analisa 
questões do usuário. Beghtol (1986) diferença entre atinência extencional (assunto inerente ao 
documento) e intensional (razão ou propósito pelo qual ele foi adquirido pela biblioteca ou requerido 
pelo usuário). 
O significado tem por definição: considera-se o significado como a representação, na linguagem, 
de um significante, correspondendo o primeiro ao conceito ou à noção, e o segundo à forma. O processo 
de significação é aquele em que um significante e um significado são correlatos, e o produto é o sinal. A 
significação impõe uma relação transitória entre expressão (significante) e conteúdo (significado). Uma 
característica, segundo Beghtol (1986), é que um texto tem uma atinência relativamente permanente, 
mas um número variado de significados. 
Quanto aos aspectos linguísticos, Cunha (1987) menciona que a linguística é a ciência que estuda 
as línguas naturais. Sua importância para a análise documentária não está só na fase de processos de 
análise, mas também na fase de elaboração de instrumentos e produtos. Apresenta as características: 
86 
 
Cintra (1983), disciplinas linguísticas que interessam para a indexação: semântica (sentidos ou 
significação dos elementos); sintaxe (relações que se estabelecem a partir da organização sintagmática 
dos elementos) e morfologia (sintetiza parcialmente aspectos da semântica e da sintaxe - identificação 
das partes da palavra e de suas condições de ocorrência). Destacam-se alguns problemas: Baranov 
(1983), dificuldade de interrelacionamento da CI com a Linguística e o não preenchimento de 
expectativas. Smit (1987) afirma que a automação da problemática da análise documentária não se 
limitava às questões de sintaxe e semântica, pois ultrapassava o limite da frase e passa a se preocupar 
com o texto, sendo um outro componente necessário: a lógica. Interseções com a CI: feita por meio da 
Indexação Automática, sendo que o estudo do significado contribui para a pesquisa em processamento 
automático de texto. 
Quanto aos aspectos Cognitivos e Lógicos, pode-se dizer que, juntamente com os aspectos 
linguísticos, os aspectos cognitivos e lógicos formam o TRIPÉ de sustentação do processo de AA. 
Considera os conceitos: Daniels (1986), a ciência cognitiva consiste em disciplinas como: psicologia 
cognitiva, linguística, inteligência artificial; filosofia; educação e idealmente, ciência da informação. 
Há interseções: Garcia Marco e Esteban Navarro (1993), a Psicologia Cognitiva (PC) interessa à CI 
por duas razões: 1) CI & PC são ambas ciências cognitivas num sentido amplo; ambas se interessam na 
maneira como a informação produz conhecimento, como a informação é processada e como é realizada a 
melhor adaptação da realidade e 2) os processos psicológicos mediam o ciclo da informação, 
acontecendo, principalmente, em todos os tipos de atividades lógica formal (lida com a forma = 
significante de interface entre homens, e entre homens e máquinas. Os enunciados é a variação da lógica 
geral (limita-se a um sistema de símbolos) relacionando o exercício de raciocínio lógico a um cálculo 
algébrico. 
 
7.8 LINGUAGENS DOCUMENTÁRIAS 
 
De acordo com Cintra et al. (2002), a informação não é um dado. Ela se constrói no encontro de 
duas dinâmicas, concretizadas por meio do agente que enuncia – o enunciador – para o agente que 
recebe a informação – o enunciatário. Ela ocorre num espaço onde as posições desses agentes são 
intercambiadas, em um jogo de forças permanente. Esse jogo de forças é sustentado pela cultura dos 
agentes, em que, por meio do conjunto de signos – linguagem – consegue-se transmitir a informação. 
Os significados de informação e conhecimento estão extremamente relacionados. Informação 
constitui, ela mesma, um conhecimento potencialmente transmissível. A informação relaciona-se à 
identificação de um sinal e supõe uma forma passível de ser interpretada como mensagem. A partir da 
década de 1970, informação e conhecimento adquiriu novas relações, considerando a forma com que são 
utilizados e interferem no desenvolvimento de diferentes disciplinas e áreas do saber. Assim, informação 
e conhecimento são analisados sobre três diferentes aspectos complementares, a saber: 
 enquanto o conhecimento é estruturado, coerente e frequentemente universal, a 
informação é atomizada, fragmentada e particular; 
 enquanto o conhecimento é de duração significativa, a informação é temporária, 
transitória, talvez mesmo efêmera; 
 enquanto o conhecimento é um estoque, a informação é um fluxo de mensagem. 
Assim, o estoque de conhecimento é alterado com o input de novas informações, em virtude de 
adições, reestruturações ou mudanças. Mas, para que o conhecimento da sociedade não se perca e possa 
ser compartilhado, ele é registrado num dado suporte: livro, imagem, foto, disco etc., passando a se 
constituir em documento. 
Com o desenvolvimento tecnológico, houve uma explosão de documentos, o que viabiliza a 
importância das atividades de triagem, organização e conservação da informação, bem como a 
necessidade em viabilizar o acesso a esse conjunto de informação gerada. 
Esse crescimento documental é marcado, principalmente, com o surgimento das revistas 
científicas, no ano de 1665, de natureza primária, aumentando-se, posteriormente, com o surgimento de 
87 
 
revistas secundárias e terciárias. É a partir desse acontecimento que foi criado o Sistema Universal de 
Informação Científica (UNISIST), com patrocínio da ONU, haja vista armazenar a informação científica em 
um computador central, dotado de um sistema de busca. 
Para que essa informação seja tratada e armazenada, são realizadas diferentes atividades, em um 
extenso ciclo ou processo documentário. Assim, na primeira fase manifestam-se as atividades de 
localização, triagem e escolha; na segunda, ocorrem as operações de controle e registro do material; e, 
por fim, consolida-se a descrição do conteúdo, denominada de análise documentária. A análise 
documentária utiliza operações de descrição das informações que trazem o documento, e a tradução 
dessas informações numa formulação aceitável pelo sistema adotado. 
O caráter científico deu à linguagem uma força tal que, hoje, pode-se dizer que ela é tomada como 
chave de acesso do homem moderno às leis do funcionamento social. No intuito de conhecer a 
linguagem, alguns aspectos que se sobressaem são a demarcação, significação e a comunicação. Assim, é 
preciso considerar que todas as práticas humanas são tipos de linguagens, visto que elas demarcam, 
significam e comunicam. 
A prática da linguagem é marcada por uma tendência natural dohomem: compreender, governar 
e modificar o mundo. Assim, o homem situa-se em dois extremos: de um lado, situa-se a apreensão, e de 
outro a compreensão. O primeiro esforço, o de fixação, equivale a uma catalogação do mundo. O outro 
lado, o de coordenação, equivale a uma hierarquização do mundo. 
Na prática da linguagem natural, as palavras chegam até as pessoas por intermédio dos sentidos 
de forma organizada, isto é, são agrupadas de acordo com regras preestabelecidas, formando as frases. 
De um lado a língua pode ser vista como um sistema cujas unidades se articulam no plano da expressão 
de conteúdos, planos que se unificam com o único modo de ser do pensamento, a sua realidade e a sua 
realização. Desse modo, a língua integra o universo mais amplo da linguagem e atua como elemento 
fundamental da comunicação social. 
A língua é, pois, um sistema de signos e regras combinatórias que, de fato, não se realiza 
completamente na fala de nenhum sujeito. Ela só existe completamente na massa, no conjunto de uma 
sociedade. Mas também, é um sistema de relações virtuais em permanente disponibilidade para o 
falante. 
A língua não é função do sujeito falante nem sucessão de palavras correspondentes a outras 
equivalentes. É um sistema-estrutura de valores e formas. Os sistemas de valores não são construções 
particulares de um indivíduo; são, antes, o resultado de todo um contexto sócio-histórico que determina 
as condições de produção do discurso. 
A utilização de linguagens documentárias remete ao desenvolvimento científico e tecnológico 
vivenciado nas décadas de 1950 e 1960, em que esforços foram realizados no sentido de garantir efetiva 
recuperação de informação nos sistemas de informação. Assim, essas linguagens são construídas para 
indexação, armazenamento e recuperação da informação e correspondem a sistemas de símbolos 
destinados a traduzir os conteúdos documentais. 
Os estudos sobre as linguagens documentárias envolveram pesquisadores interdisciplinares com 
os campos da Estatística e da Linguística, a primeira considerou-se a determinação de frequências de 
descritores, mapeamento de ocorrências e análise de citações, o que viabilizou o desenvolvimento da 
Bibliometria. A segunda, por sua vez, preocupou-se com problemas de vocabulário, tendo em vista a 
construção de instrumentos mais adequados. 
Tal como as linguagens naturais, as documentárias são sistemas simbólicos instituídos que visam 
facilitar a comunicação. Sua função comunicativa, entretanto, é restrita a contextos documentários, ou 
seja, as documentárias devem tornar possível a comunicação usuário-sistema. 
Grande parte das discussões teóricas sobre linguagens documentária inserem-se no âmbito da 
Análise Documentária (AD) que, por sua vez, se define como uma atividade metodológica e específica no 
interior da Documentação, que trata da análise, síntese e representação da informação, com o objetivo 
de recuperá-la e disseminá-la. Nesse contexto, as linguagens documentárias são, pois, instrumentos 
intermediários, ou instrumentos de comutação, através dos quais se realiza a "tradução" da síntese dos 
88 
 
textos e das perguntas dos usuários. Essa síntese é feita em unidades informacionais ou conjunto de 
unidades aptas a integrar sistemas documentários. A formalização das perguntas dos usuários é feita na 
linguagem do próprio sistema. É por esta razão que as LDs podem ser concebidas como instrumentos de 
comutação documentária. 
Mas diferentemente da LN, o sistema de relações das LDs não é virtual, nem como seus 
mecanismos de articulação são extremamente precários, em face daqueles existentes nas línguas em 
geral. Bem ao contrário, elementos dessa linguagem específica são selecionados de universos 
determinados e seu sistema de relações é construído, sendo indispensável para utilizá-la, a existência de 
regras explícitas. Por esse motivo, as LDs são linguagens construídas. 
Uma LD deve integrar três elementos básicos: 
• um léxico, identificado como uma lista de elementos descritores, devidamente filtrados e 
depurados; 
• uma rede paradigmática pronta para traduzir certas relações essenciais e, geralmente estáveis, 
entre descritores. Essa relação lógico-semântica corresponde à organização dos descritores numa forma 
que, lato sensu, poder-se-ia chamar classificação e; 
• uma rede sintagmática destinada a expressar as resoluções contingentes entre os descritores, 
relações que são válidas no contexto particular onde aparecem. A construção de "sintagmas" é feita por 
meio de regras sintáticas destinadas a coordenar os termos que dão conta do tema. 
Embora na LN haja diferença conceitual clara entre léxico, vocabulário, nomenclatura e 
terminologia, observam-se usos sinonímios entre léxico e vocabulário, por um lado, e nomenclatura e 
terminologia, por outro. 
Embora mesmo nos estudos das ciências da linguagem haja, eventualmente, referência a léxico e 
vocabulário como conjunto de palavras de uma língua ou de um autor, de uma arte ou de um meio social, 
a rigor, léxico designa o conjunto de unidades reais e virtuais que formam a língua de uma comunidade, 
algo como um depósito de elementos em estado virtual e de regras que permitem a construção de novas 
unidades necessárias para as atividades humanas da fala. Já vocabulário refere-se ao conjunto de 
ocorrências que integram um determinado corpus discursivo, como uma lista de unidades da fala. 
Em termos de LD, não faz sentido falar em léxico, nem em vocabulário nas acepções de uma 
Linguística, uma vez que esses elementos são específicos da LN. As LDs, linguagens construídas com 
finalidades específicas de representação documentária, não são suficientemente articuladas, nem se 
constituem em unidades geradoras de novos elementos. 
Também não integram vocabulários propriamente ditos porque são formadas de palavras 
preferenciais, combinando palavras de vocabulários de determinados domínios e palavras utilizadas pelos 
usuários. Dessa forma, englobam vocabulários representativos de vários discursos. Assim, quando a 
palavra vocabulário referir-se à LD, deve ser entendida segundo essa última acepção, que privilegia a 
constituição a partir de origens diferentes. Urna nomenclatura, por sua vez, diz respeito à ação de chamar 
algo por seu nome. Assim, se constitui em lista de nomes que supõem biunivocidade da relação 
significado-significante. Diferentemente de uma nomenclatura, uma terminologia refere-se ao conjunto 
de termos de uma área, termos relacionados e definidos rigorosamente para designar as noções que lhe 
são úteis. 
É bom lembrar que todo conhecimento técnico-científico desdobra-se num universo de linguagem 
que condiciona o conhecimento objetivo, determina os limites e sua formulação. A representação 
documentária é obtida por meio de um processo que se inicia pela análise do texto, com o objetivo de 
identificar conteúdos pertinentes em função das finalidades do sistema – e da representação desses 
conteúdos – numa forma sintética, padronizada e unívoca. 
A síntese e a representação documentária oriundas do processo de análise podem se apresentar, 
geralmente, sob duas formas: o resumo, que é feito sem a intermediação de uma LD e o índice, que, para 
maior qualidade, deve ser elaborado a partir de uma LD. A operação de tradução de textos em LN para 
uma LD denomina-se indexação. Inerente ao processo de indexação, estão as operações de classificação. 
89 
 
As várias fases do processo analítico apresentam uma complexidade considerável, pois não se 
trata de adquirir os documentos e armazená-los numa ordem lógica. A documentação é memória, seleção 
de ideias, reagrupamento de noções e de conceitos, síntese de dados. Trata-se de criar, de avaliar, de 
analisar, de "traduzir", de encontrar respostas para necessidades específicas. 
Uma LD é utilizada na entrada do sistema, quando o documento é analisado para registro. Seu 
conteúdo é identificado e traduzido, de acordo com os termos da LD utilizada e segundo a política de 
indexaçãoestabelecida. É da mesma forma utilizada na saída do sistema, quando, a partir da solicitação 
da informação pelo usuário, é feita a representação para busca. Assim, seu pedido é analisado, seu 
conteúdo identificado e devidamente "traduzido" nos termos da LD utilizada. 
As LDs mais conhecidas são os tesauros e os sistemas de classificação bibliográfica. As diferenças 
entre esses dois tipos reside no maior ou menor grau de reprodução das relações presentes na LN e no 
universo de conhecimento que pretendem cobrir. 
Os primeiros sistemas de classificação bibliográfica conhecidos são de natureza enciclopédica, 
como a CDD – Dewey, a CDU - Classificação Decimal Universal, utilizada pela Biblioteca do Congresso, os 
quais visam cobrir todo o espectro do conhecimento. Sistemas elaborados, posteriormente, como as 
classificações desenvolvidas a partir do CRG - Class1fication Rcscarch Group, com base na Colon 
Classfication, de Ranganathan, visam a domínios particulares. Os tesauros, por seu lado, originaram-se de 
classificações facetadas com uma preocupação adicional: o controle do vocabulário. 
 
7.8.1 Classificação das linguagens documentárias 
 
 As LDs mais consistentes para a representação documentária dispõem de um vocabulário que 
integra elementos, de um lado da linguagem de especialidade e das terminologias e, de outro, da LN que 
é a linguagem dos usuários. Essas unidades, acompanhadas ou não de uma notação, constituem o 
''léxico" das LDs, denominadas, diferentemente, conforme o sistema e a época, como: palavras-chave, 
descritores, cabeçalhos de assunto etc. 
O vocabulário documentário tem por objetivo reunir unidades depuradas de tudo aquilo que 
possa obscurecer o sentido: ambiguidade de vocábulo ou de construção, sinonímia, pobreza informativa, 
redundância etc. Toda LD tem, também, uma sintaxe. Ela é bastante rudimentar nos sistemas de 
classificação bibliográficos e mais desenvolvidos nos tesauros, com a utilização de operadores booleanos. 
O esquema sintático de uma LD permite a delimitação mais precisa de um assunto, por meio de 
combinações de seus elementos. 
Nos sistemas de classificação convencionais não há grande preocupação com controle do 
vocabulário. É frequente a utilização de frases, como ocorre, por exemplo, na CDU. Já nos tesauros, a 
função de controle do vocabulário está mais presente. O conjunto nocional básico é apresentado em 
hierarquias (na vertical), em torno das quais se agregam as unidades informacionais que se relacionam 
horizontalmente. Nenhuma unidade pode se configurar numa LD sem que esteja relacionada a uma outra 
unidade da mesma linguagem. 
Nos tesauros, os diferentes tipos de relações entre as unidades são mais claramente apresentados 
enquanto sistemas de classificação bibliográficos não raras vezes amalgamam, numa mesma hierarquia, 
relações de natureza diferente. 
A estrutura básica de uma LD é dada por relações hierárquicas, que podem ser genéricas ou 
partitivas. O vértice representa o gênero ou o todo. As subdivisões constituem as espécies e/ou partes. As 
relações hierárquicas proveem as unidades superordenadas e as unidades subordinadas. Unidades 
subordinadas ao mesmo vértice, quando no mesmo nível da cadeia, denominam-se coordenadas. Nos 
sistemas de classificação a estrutura hierárquica é dada pela notação (decimal, no caso da CDD e CDU). A 
organização básica dos tesauros também é hierárquica, existindo tantos vértices, que equivalem a classes, 
quanto forem os aspectos escolhidos para organizar o domínio de especialidade. 
Além das relações hierárquicas, também se manifestam as relações não-hierárquicas, 
denominadas de associativas. Enquanto as hierárquicas exprimem relações mais estáveis, as associativas 
90 
 
viabilizam outros gêneros de proximidade. Também podem aparecer as relações por equivalência, as 
quais permitem a compatibilidade entre a linguagem do sistema e a do usuário, operando no nível da 
sinonímia. Nesses casos, especificamente nos tesauros, são criadas as remissivas, representadas pelas 
expressões: USE (use) e UP (usado para). 
 
7.8.2 Sistema Nocional 
 
O sistema nocional corresponde à organização de uma dada área, por meio de notações que 
permitem a utilização de instrumentos eficazes para o tratamento e recuperação da informação. Tendo 
em vista que as LDs, normalmente, funcionam a partir do controle do "vocabulário" de uma área, pode-se 
facilmente depreender que o sistema nocional de uma área constitui-se em um parâmetro básico, ou em 
uma viga-mestra de sustentação das LDs. Nesse sentido, a ausência de um sistema nocional compromete 
não só a indexação, mas também, a economia da própria atividade documentária, fragmentando-a com 
questões relativas ao significado e à compreensão dos termos. 
O sistema nocional pode ser definido como o conjunto estruturado de noções que reflete as 
relações estabelecidas entre as noções que o compõem e o compõem e no qual cada noção é 
determinada pela sua posição no sistema. A noção ou conceito, por sua vez, define-se como a unidade de 
pensamento constituído por propriedades comuns a uma classe de objetos. 
As relações entre as noções materializam o sistema de noções, que se expressam, 
documentariamente, em relações hierárquicas e relações não-hierárquicas. As relações hierárquicas são 
aquelas que se definem entre noções subordinadas em um ou vários níveis. Dito de outra forma, as 
relações hierárquicas são aquelas que acontecem entre termos de um conjunto, onde cada termo é 
superior ao termo seguinte, por uma característica de natureza normativa. 
No conjunto de relações hierárquicas, há que se considerar os conceitos de ordem e de 
subordinação. A ordem equivale a uma superordenação, que parte da subdivisão de uma noção 
hierárquica mais alta em um certo número de noções de nível inferior, denominadas de subordinadas. É 
esse processo de subdivisão que se chama subordinação. Inversamente, a noção subordinada é a noção 
que pode ser agrupada com uma ou mais noções do mesmo nível, a fim de formar uma noção de nível 
superior, ou seja, uma superordenação. 
Das relações hierárquicas, manifestam-se relações genéricas, específicas e partitivas. As relações 
genéricas definem-se como relações hierárquicas, baseadas na identidade parcial do conjunto de 
características das noções superordenadas e subordinadas nelas envolvidas. O gênero, nesse sentido, é 
entendido como noção superordenada que comporta as mesmas características das noções subordinadas 
a partir dela. Já as relações específicas definem-se como relações hierárquicas subordinadas que, além de 
compartilhar das mesmas características da noção que lhes é superordenada, apresenta, pelo menos, 
uma característica a mais que as diferencia. 
A relação partitiva é um tipo de relação hierárquica, na qual a noção superordenada refere-se a 
um objeto considerado como um todo e as noções subordinadas a objetos considerados como suas 
partes. As relações não-hierárquicas, por sua vez, definem-se pela negativa. Elas recobrem o conjunto de 
relações que não são passíveis de serem descritas como hierárquicas. As relações que não se submetem a 
uma hierarquia são aquelas que apresentam entre si contiguidade espacial ou temporal. Por essa razão, 
tais relações também são chamadas de relações sequenciais. 
São consideradas relações sequenciais: as de oposição, as de causa e efeito, as de contradição etc. 
De certo modo, essa dificuldade em dividir as relações não-hierárquicas viabilizou a denominação das 
relações associativas, as quais devem ser consideradas conforme o contexto que valide essas relações. 
Nas relações hierárquicas, considera-se a divisão lógico-hierárquica, considerando pontos de vista 
os quais são baseados em postulados de significado ou convenções culturais e ideológicas. Como 
exemplo, pode-se citar a estruturação da CDD e da CDU, a qual foi criada com base nas dez classes 
maiores, inerentes à classificação do conhecimento até então considerada à época. 
91 
 
Esse tipo derelação também se manifesta na construção dos tesauros, os quais têm suas origens 
na Colon Classification de Ranganathan (Classificação facetada) e no conceito de faceta que privilegia 
determinados pontos de vista no arranjo dos domínios e subdomínios particulares, em função dos 
objetivos específicos do sistema documentário em questão. Assim, a base dos termos construídos está no 
conjunto de termos do domínio nuclear (a grande área de especialização) e domínios periféricos, ou áreas 
complementares. 
Em linhas gerais, a CDD e CDU referem-se ao universo global de conhecimento; já os tesauros 
voltam-se para domínios cada vez mais particulares. Portanto, os tesauros acabam sendo mais flexíveis e 
direcionados a atender demandas específicas. 
Nas relações do tipo genética, supõe-se uma noção fundamental que inclui noções específicas 
que, por sua vez, mantêm com ela relações hierárquicas. Assim, essas relações indicam que todo o 
conceito que pertence à categoria do conceito específico (a espécie) é parte da extensão do conceito 
amplo (o gênero). Um conceito específico possui todas as características do conceito mais amplo, mas, 
pelo menos, uma característica distintiva adicional que serve para diferenciar conceitos específicos no 
mesmo nível de abstração. 
A extensão de uma noção corresponde ao conjunto de indivíduos aos quais uma noção pode ser 
aplicada, e considera a totalidade de todas as espécies. A noção de extensão vem sempre associada à de 
intenção ou compreensão, a qual diz respeito à totalidade das características desse conceito. 
A relação partitiva expressa a relação entre o todo e suas partes. Nessa relação, o conceito da 
parte depende do conceito de todo e não pode ser definido previamente à definição do conceito do todo. 
Não se pode definir um motor de automóvel, antes de definirmos automóvel, por exemplo. 
As diretrizes para elaboração de tesauros da UNESCO reconhecem quatro tipos principais de 
classes que representam relacionamento todo/parte: sistemas e órgãos do corpo, localidades geográficas, 
disciplinas ou áreas de estudo e estruturas sociais hierarquizadas. 
Os conceitos que estão em uma relação partitiva podem formar séries horizontais e verticais 
similares às séries horizontais e verticais formadas por relações genéricas. Essas relações estão presentes 
nos sistemas de classificação bibliográfica como a CDD e CDU. 
Relações sequenciais são relações que apresentam uma dependência resultante de uma 
contiguidade espacial ou temporal, do tipo: causa/efeito, antes/depois, esquerda/direita, acima/abaixo, 
produto/produto, material/produto. Tais relações podem, também, representar estágios de um processo 
de desenvolvimento ou de produção, procedimentos legais, procedimentos administrativos. Conceitos 
desse tipo, com alguma frequência, representam ações que podem ser subdivididas em ações 
participativas, tomando lugar, consecutivamente ou simultaneamente. 
As associações entre termos pertencentes a categorias diferentes são dadas a partir do universo 
de referência individual. Para o controle de vocabulário, entretanto, é essencial conhecer e explicitar os 
universos tidos como referência. 
A experiência no desenvolvimento de LDs permitiu enumerar vários tipos de associações, segundo 
a sua natureza. Podem-se citar como algumas relações: relação de atribuição, disciplina ou campo de 
estudo, processo ou operação, relação de influência, matéria-prima/produto, coisa/aplicação, dentre 
outras. 
 
7.8.3 Relações Linguísticas e Documentação 
 
Uma vez estabelecido um sistema nocional, existem condições para estabelecer relações entre 
termos. O rigor com que tais relações se propõem determina o grau de controle de uma linguagem 
construída. Dito de outro modo, uma linguagem construída é produto de uma operação nas palavras que 
transforma em termos. De fato, a linguagem construída neutraliza as diferenças existentes na relação 
entre a palavra e seus significados em LN. 
Nela não podem coexistir, por exemplo, duas ou mais palavras que se refiram a um mesmo 
conceito, ou uma palavra para designar vários conceitos, sem que o fato seja suficientemente registrado, 
92 
 
e seja devidamente controlado. Assim, manifesta-se o que se denomina de controle do vocabulário, pois 
a palavra precisa ser uma unidade "neutra", isto é, apta a se adequar a diferentes padrões culturais. 
Assim, a LD se manifesta como um exercício de liberdade, visto que ela é dinâmica, já que, a cada 
momento ela se transforma, se evolui. É um instrumento de representação da realidade que deve ser 
caracterizado como múltiplo e plurissignificativo. 
Portanto, quando se afirma que as linguagens documentárias supõem o controle do vocabulário 
afirma-se, simultaneamente: a existência de mecanismos interpretativos próprios; a possibilidade de se 
produzir linguagens de natureza monossêmica que participam da elaboração das LD; a existência de um 
vocabulário próprio de uma LD que comporta vocabulários especializados. 
Nesse contexto, tem-se o que se chama de polissemia e ambiguidade. Para a Linguística, a palavra 
é sempre fonte de significação. Mas, há que se distinguir a plurissignificação, como fenômeno geral, 
decorrente da organização sintático-semântico de enunciados e a polissemia, fenômeno específico da 
área vocabular. 
A ambiguidade, por sua vez, é entendida como a possibilidade de uma comunicação linguística 
prestar-se a mais de uma interpretação e ocorre em função, tanto da plurissignificação como da 
polissemia. De fato, a ambiguidade pode ser consequência, na área vocabular, da polissemia ou da 
homonímia e, no plano mais geral, de deficiências na utilização de padrões sintáticos-semânticos. 
Numa linguagem documentária, tanto a polissemia, quanto a ambiguidade devem ser 
neutralizadas, para que seja garantida a monossemia entre a forma do significante e a do significado. 
A ambiguidade evidencia, de maneira inequívoca, a divergência entre a aparência e a realidade do 
sistema e nos permite dizer que a aparência não é sempre a vista interpretativa mais segura. Levados pela 
aparência, operamos, normalmente, com os mecanismos interpretativos habituais e nos acostumamos 
com significados repetitivos. Isso diz respeito aos nossos hábitos e não ao sistema linguístico. 
A sinonímia é a relação de equivalência entre, ao menos, duas palavras. Por meio dela não se 
afirma a identidade entre os elementos envolvidos na relação. A equivalência equivale como o recurso 
normalizador importante para a compreensão de um LD. De um lado permite normalizar a polissemia, 
indicando que várias palavras, uma vez que compartilham significados próximos, expressam-se por um 
mesmo descritor. De outro modo, permite compatibilizar a linguagem dos usuários com a linguagem do 
sistema, funcionando, assim, como operador de sentido. 
A existência de sinônimos ou quase sinônimos nos leva a considerar relações de equivalência para 
o trabalho documentário. A grande importância das relações de equivalência advém do fato de que elas 
intensificam o processo de controle sobre a variação de significado, permitindo maior rigor no tratamento 
da informação e eficácia na sua recuperação. 
Já a categoria denominada hiponímia opera com a noção de inclusão, a mesma noção que permite 
reunir unidades numa classe. A inclusão tem a ver com a inserção de um dado elemento numa classe. 
Assim, a hiponímia expressa a relação existente entre um lexema mais específico ou subordinado, e um 
lexema mais geral ou superordenado. 
A relação de hiponímia/hiperonímia (ou subordinação/superordenação) permite verificar que um 
termo pertence, ou subordina-se a um outro mais geral, o gênero, mas não permite identificar em que os 
termos subordinados se diferenciam entre si. 
Pode-se dizer que a relação de hiponímia representa uma operação de conjunção em face do 
termo superordenado, bem como de disjunção, tomando-se a série de termos obtidos a partir da divisão 
realizada. 
Como na LN, nas documentárias a superordenação/subordinaçãorepresenta um caso de 
implicação unilateral, onde o termo superordenado implica termos subordinados, denominados 
hipônimos. 
A relação hiponímia colocada na Linguística permite explicar, nas LDs, vários tipos de 
relacionamentos tomados como hierárquicos que não cabem dentro da classificação gênero/espécie (e 
tão pouco nas relações todo/parte, parte/parte). 
 
93 
 
7.9 POLÍTICA DE INDEXAÇÃO 
 
Leiva e Fugita (2012) apresentam as seguintes perguntas: Qual o interesse pela política de 
indexação? Esta pergunta remete à outra: A quem interessa a política de indexação? 
As duas perguntas colocadas emanam da relação estreita entre Indexação e Recuperação da 
Informação. Podemos dizer de outro modo, da relação entre CAUSA E EFEITO. A indexação possui várias 
características que causam efeitos na recuperação da informação. A ESPECIFICIDADE, por exemplo, é uma 
das características que provoca efeitos. Podemos inferir que a recuperação da informação é o efeito e o 
objetivo da indexação. Nessa perspectiva, a indexação necessita mais do que a definição do processo de 
indexar e sua natureza, necessita do entendimento do contexto de gestão do sistema de recuperação da 
informação composto por todos os requisitos – pessoas, comunidade usuária, domínios de assuntos, 
infraestrutura física e material e funcionamento como sistema de informação – para a definição de 
princípios, métodos e orientações quanto às características da indexação e efeitos na recuperação. 
A política de indexação interessa a profissionais que realizam o tratamento temático de 
documentos, aos gestores e dirigentes de sistemas de recuperação da informação, aos usuários e aos 
próprios sistemas de informação. 
Por isso, destina-se a “descortinar aos olhos” dos profissionais o processo de indexação e os 
fatores que o influenciam de modo a instrumentalizá-lo no sentido da elaboração de uma política de 
indexação que contemple a complexidade do contexto e da cultura organizacional dos sistemas de 
informação no que se refere à recuperação da informação. 
O livro tem a pretensão de realizar a aproximação da teoria com a prática, demonstrando quão 
importante e colaborativa é essa união para o desenvolvimento e construção da Ciência da Informação 
vista como uma Ciência Social Aplicada. O objetivo comum de todos os autores é apresentar estudo sobre 
política de indexação sob três diferentes aspectos: teórico, metodológico e pedagógico. 
 
7.10 ELEMENTOS DA ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO 
 
Alguns problemas [volume de informações] podem ser caracterizados como aponta Maedche 
(2000), por fatores como: 1) crescimento acentuado das fontes de informação digitalizada; 2) acesso, 
localização e resumo de informações tornam-se cada vez mais difíceis, tendo em vista a necessidade de se 
filtrar informações (a esses fatores contrapõe-se a indisponibilidade de ferramentas que possibilitem a 
filtragem); 3) existência de um hiato entre o conceito de informação e as atuais formas de 
armazenamento. O autor argumenta que a falta do uso de formas padronizadas para o armazenamento 
de informações na web prejudica o compartilhamento do conhecimento (FEITOSA, 2006, p. 14). 
Apontam dificuldades na área [recuperação da informação], tais como: 1) baixa efetividade ou 
elevado custo das técnicas de pré-processamento da linguagem natural, bem como de extração de texto 
semântico em grandes quantidades de dados - na maioria dos casos essas técnicas só são efetivas em 
textos bem estruturados com tesauros ou com outras informações contextuais; 2) informações 
distribuídas em diferentes computadores, topologias, plataformas e larguras de banda diversas - esses 
fatores podem tornar o acesso bem mais complexo do que em ambientes de rede local, por exemplo; 3) 
acentuada volatilidade dos dados — os autores estimavam, em 1999, que cerca de 40% da informação 
disponível na internet já era modificada mensalmente, o que indica a ocorrência de baixos níveis de 
preservação da informação digital (preservação de originais); 4) acentuada volatilidade de endereços e 
páginas — diversos sites e páginas mudam de endereço com elevada frequência; 5) grande volume de 
informações - fator que torna cada vez mais complexa a tarefa de se recuperar informações na web; 6) 
dados não estruturados e redundantes — muitos sites, além de não estarem estruturados rigorosamente 
segundo os padrões da Hypertext Markup Language (HTML) — ou de outras linguagens de marcação —, 
não apresentam conteúdos originais; os autores estimavam que naquela época, cerca de 30% das páginas 
da web já eram “duplicações” e 7) baixa qualidade dos dados, seja por problemas de correção ortográfica, 
digitalização ou de correção conceitual (BAEZA-YATTES; RIBEIRO-NETO, 1999 apud FEITOSA, 2006, p. 14). 
94 
 
Ao lado desses problemas, são destacadas, ainda, as dificuldades do usuário na recuperação da 
informação, seja pela falta de conhecimento ao elaborar questões que reflitam seus objetivos de busca, 
seja pela sua inabilidade para interpretar, classificar, priorizar ou filtrar as grandes quantidades de 
informação retornadas pelo sistema de busca, selecionando apenas aqueles documentos que lhe 
interessam (FEITOSA, 2006, p. 15). 
Assim, a web é provavelmente o mais rico repositório de informações na história humana, mas 
como a maioria dessa informação é desestruturada, não se pode saber o que ela contém e com que 
propósito ou que se pode esperar dela (FEITOSA, 2006, p. 15). 
Para Feitosa (2006), documentos constituem um objeto que fornece um dado ou uma informação 
e pode ser diferenciado entre outros documentos, de acordo com suas características físicas ou 
intelectuais (FEITOSA, 2006, p. 17). 
Características: as características físicas de um documento relacionam-se aos conceitos de material, 
natureza, tamanho, peso, forma de produção, suporte, entre outras. As características intelectuais 
relacionam-se aos conceitos de objetivo, conteúdo, assunto, tipo de autor, fonte, forma de difusão, 
originalidade, entre outras. As características intelectuais de um documento permitem definir seu 
interesse, público-alvo e valor (FEITOSA, 2006, p. 17). 
Características Intelectuais: destacam-se: 
Objetivo - refere-se à razão pela qual o documento foi produzido: para servir como prova, para preparar 
outro documento, para expor ideias, para divulgar resultados de um trabalho, para o ensino, entre 
outras; 
Grau de elaboração - refere-se à autoria e à finalidade de um documento. Com base na noção de grau de 
elaboração é possível estabelecer-se uma classificação dos documentos em: 1) primários - documentos 
originais elaborados pelo autor; 2) secundários - documentos que descrevem documentos primários, 
como, por exemplo, as bibliografias, os catálogos e os resumos e 3) terciários - documentos elaborados a 
partir de documentos primários ou secundários e que reúnem, condensam e elaboram a informação 
original na forma mais adequada às necessidades de um usuário ou grupo de usuários. 
Conteúdo - o conteúdo pode ser avaliado a partir da identificação do assunto, da forma de apresentação, 
ou exaustividade da análise, do nível científico do texto, da novidade das informações, representatividade 
das informações para um dado grupo de leitores, entre outras características. 
Tipo - refere-se ao nível de relevância do documento; há documentos essenciais, isto é, que tratam de 
assuntos que possuem interesse direto para determinada comunidade de leitores e documentos 
marginais, ou seja, que possuem nenhuma relevância para o usuário (GUINCHAT E MENOU, 1994 apud 
FEITOSA, 2006, p. 17). 
Feitosa (2006) menciona que, quanto ao ciclo documentário, esse tratamento relaciona-se a 
operações de seleção, avaliação, análise, tradução e recuperação de documentos. O conjunto de 
operações de tratamento dos documentos é organizado num ciclo conhecido como cadeia documentária 
ou ciclo documentário. O ciclo documentário, como qualquer outro sistema, apresenta uma extremidade 
na qual entra os documentos a serem tratados;e outra na qual são apresentados os produtos 
documentários, que resultam desse processamento: referências bibliográficas, descrições de 
documentos, índices, instrumentos de pesquisa, documentos secundários e terciários. Os produtos 
documentários são utilizados em atividades de pesquisa e, novamente, transformados em documentos 
que realimentam o sistema (FEITOSA, 2006, p. 18-19). Principais atividades do ciclo documentário: a 
coleta, o registro, o tratamento intelectual, a pesquisa e a difusão (FEITOSA, 2006, p. 19). 
Os produtos que recebem tratamento intelectual podem ser classificados, de acordo com o nível 
desse tratamento em simples, elaborados, analíticos, analítico-críticos ou complexos (CAVALCANTI, 1982). 
O tratamento intelectual da informação compreende operações como a catalogação e a análise temática 
da informação (FEITOSA, 2006, p. 21). 
Na visão de Feitosa (2006), a análise temática da informação ocorre no processamento técnico da 
informação, mais especificamente na classificação, na indexação, na disseminação, no resumo, na 
recuperação e na busca. A operação classificação consiste principalmente na atribuição de um número 
95 
 
ou outro símbolo para descrever o documento. A indexação consiste em atribuir vários descritores, que 
podem ter ligações entre si, para descrever o conteúdo do documento. De certo modo, uma lista de 
termos pode ser vista como uma espécie de minirresumo, uma vez que reúne os termos em uma lista ou 
índice. Com relação à extensão do registro, a indexação pode ser seletiva (mais restrita) ou exaustiva 
(mais completa). A operação de resumo consiste na condensação do documento em linguagem natural. 
O principal objetivo do resumo é indicar de que trata o documento ou sintetizar seu conteúdo. Conforme 
o nível de aprofundamento, o resumo pode ser classificado como resumo breve ou resumo detalhado 
(ampliado). Esse grau de aprofundamento é também denominado extensão do registro de um resumo. 
De todas as operações do processamento técnico, a mais importante para o contexto desta obra é, sem 
dúvida, a indexação, da qual pode depender em grande medida a qualidade dos resultados advindos de 
uma operação de busca e recuperação (FEITOSA, 2006, p. 21). Técnicas de indexação automáticas ou 
semiautomáticas, normalmente baseadas em processos estatísticos, linguísticos ou baseados na 
Inteligência Artificial, têm sido pesquisadas e utilizadas especialmente para aqueles textos completos que 
não foram submetidos a processos de indexação manual ou de resumo (FEITOSA, 2006, p. 21). 
Definida por Robredo (1982) como “operação de representar o conteúdo dos documentos, 
qualquer que seja o método utilizado”, a indexação utiliza-se de instrumentos para o tratamento da 
informação, de modo a obterem-se termos que representem corretamente os conceitos contidos em 
determinado documento. Assim, o principal propósito de um serviço de indexação é assegurar da forma 
mais eficiente e econômica possível, que qualquer documento ou informação seja fornecido ao usuário 
no momento preciso (CARNEIRO, 1985). Para a consecução desse objetivo, a técnica de indexação 
necessita da utilização de instrumentos normativos (normas), bem como de instrumentos linguísticos 
como a linguagem natural e as linguagens documentárias (FEITOSA, 2006, p. 22). 
A linguagem natural é formada pela reunião de sinais utilizados e reconhecidos facilmente pelo 
homem. Quando empregada na indexação denominada “livre”, utiliza termos como se apresentam nos 
documentos. 
A linguagem documentária compreende o conjunto de regras, símbolos e termos previamente 
estabelecidos, formando uma linguagem artificial para a indicação do conteúdo temático dos documentos 
(FEITOSA, 2006, p. 23). 
A técnica da indexação necessita do uso de uma linguagem de indexação, que compreende a 
especialização de uma linguagem documentária. A linguagem de indexação é uma linguagem artificial 
utilizada para o registro ou indicação dos temas contidos nos documentos, dotada de vocabulário 
controlado e regida por uma sintaxe própria (CAVALCANTE, 1982). Um vocabulário controlado relaciona 
termos utilizados em sistemas de indexação, com vistas à uniformidade de armazenagem, bem como à 
facilidade de recuperação. A sintaxe compreende um conjunto de regras necessárias à tarefa de 
combinação dos elementos do vocabulário (FEITOSA, 2006, p. 23). Segundo Harman (1994), o ponto 
chave para qualquer indexação é a escolha dos limites do registro que identifica uma unidade pesquisável 
(FEITOSA, 2006, p. 24). 
O citado autor destaca que os produtos originários da operação de indexação são os índices. A 
principal função da elaboração desses índices, que são instrumentos utilizados para a representação do 
conteúdo de documentos primários, é facilitar a recuperação de informações relativas ao documento 
indexado ou resumido. Índices, bem como resumos, geralmente são incluídos em bases de dados que 
podem ser impressas, armazenadas em fichas, ou em formato eletrônico (LANCASTER, 1993) ou, ainda, 
assinala Harman (1994), em um arquivo invertido ou em outra estrutura de dados, de modo que 
pesquisas possam ser realizadas no índice, utilizando operadores booleanos, ou algoritmos baseados no 
peso dos termos, para se obter resultados ordenados de acordo com critérios estatísticos (FEITOSA, 2006, 
p. 23). 
Quanto ao processo de Indexação Automática, o autor acrescenta que a decisão depende, em 
parte, da natureza do objeto a ser indexado. Importa aqui destacar que a escolha do tamanho do registro 
não é tão importante para a exibição dos resultados, mas, principalmente, para realização da pesquisa. 
Assim, um registro muito pequeno fornece pouco texto para os algoritmos de pesquisa, o que fornece 
96 
 
resultados pobres; um registro muito grande, entretanto, pode diluir a importância das palavras 
encontradas e causar falsas ocorrências. A segunda decisão chave para qualquer sistema de indexação é 
a escolha do que constitui uma palavra e, por conseguinte, quais dessas palavras devem ser indexadas. 
Nos sistemas de indexação manual, a escolha é facilmente feita por um indexador humano. Para a 
indexação automática, entretanto, é necessário definir que pontuação deve ser utilizada como 
separador entre as palavras e definir que palavras indexar. 
Definidos os limites das palavras, outro problema a ser resolvido é a indexação de números, uma 
vez que o conjunto de números únicos é infinito. Não indexar os números, entretanto, pode acarretar 
problemas na recuperação, quando um número for imprescindível para a pesquisa, como é o caso de 
datas, anos ou números de identificação de documentos. Outro problema para a indexação é relativo aos 
caracteres individuais (a, b, c etc.). Se, por um lado, indexar esses caracteres pode representar um 
aumento no tamanho do índice, por outro, não indexá-los pode representar perda de informação, 
quando um caractere for imprescindível à pesquisa, por exemplo: vitamina C (FEITOSA, 2006, p. 25). 
Como solução para definir que palavras devem ou não ser indexadas, Harman (1994) sugere os 
seguintes “compromissos”, a serem estabelecidos com o usuário: 1) a pontuação deve ser estudada e 
potenciais problemas identificados; 2) deve-se estudar o uso de letras maiúsculas e minúsculas; uma 
técnica visual, relata a autora, é a conversão dos caracteres maiúsculos para minúsculos durante a 
indexação, o que pode, entretanto, acarretar problemas para a recuperação de nomes próprios; 3) a 
indexação de números depende profundamente da aplicação; datas, rótulos de seções e números 
combinados com letras podem ser indexados; outros tipos de números não devem ser indexados; 4) 
quanto à indexação de caracteres individuais, pode-se verificar o alfabeto, notando-se as letras que 
possuem um significado particular para a aplicação; após essa operação, tais letras podem ser indexadas 
(FEITOSA, 2006, p. 25-26). 
Citam-se ainda outras técnicas [baseada na ocorrência dos termos] como: indexação de palavras 
não significativas;uso de sufixos; e extensão da busca — essa última, segundo Harman (1994), muito bem 
sucedida em pequenas coleções. 
A técnica de indexação de palavras não significativas baseia-se na construção de listas de termos 
que não possuem maior relevância ao campo daquele assunto específico. 
Uma técnica mais apropriada é a produção de uma lista de termos não-significativos baseada no 
próprio corpus do texto a ser indexado, com base na frequência com que determinadas palavras ocorrem 
naquele texto, conforme, por exemplo, a sua classe gramatical ou outro critério definido por especialistas 
(FEITOSA, 2006, p. 26). 
Outros sistemas utilizam a sufixação ou derivação para substituir todas as palavras indexadas com 
suas raízes. Os algoritmos utilizados para realizar essa tarefa normalmente possuem três partes: uma 
especificação ou qualificação da terminação da palavra; uma lista de exceções e uma ação necessária. A 
utilização de sistemas de sufixação ou derivação deve-se a dois fatores primordiais: a redução do 
tamanho do índice armazenado e o aumento da performance, devido ao uso de variantes das palavras 
(FEITOSA, 2006, p. 27). 
Outra técnica conhecida e utilizada por diversos sistemas comerciais de indexação é a da 
atribuição de pesos aos termos, que fornece a possibilidade de ordenar os documentos com base no 
número de termos que correspondem à pesquisa do usuário e às ocorrências desses termos nos 
documentos. Essa técnica utiliza ordenações estatísticas complexas e pode ser utilizada quando se 
desejar aumentar a precisão em uma busca de três ou mais termos (FEITOSA, 2006, p. 27). 
Alguns sistemas de medida que podem ser utilizados por essa técnica baseiam-se no Inverted 
Document Frequency (IDF), que mede a escassez de um termo no texto. Outros utilizam algum tipo de 
função de medida da frequência do termo no texto. Independentemente de todas essas técnicas e 
metodologias, um dos maiores problemas encontrados nos sistemas de recuperação da informação é que 
documentos relevantes são perdidos porque não contêm os termos da busca (FEITOSA, 2006, p. 27). 
Um método de expansão de uma busca pode ser o uso de uma linguagem documentária como 
um tesauro ou uma terminologia, como instrumento de controle de vocabulário incorporado 
97 
 
automaticamente ao sistema. Por esse motivo, o uso de um gerenciador eletrônico de tesauros pode ser 
uma alternativa mais viável no que se refere à obtenção de resultados mais precisos (FEITOSA, 2006, p. 
27). 
 
 
7.11 RECUPERAÇÃO DA INFORMAÇÃO 
 
Portanto, a principal função de um sistema de recuperação de informações é permitir que o 
usuário localize o maior número possível de itens relevantes. É importante destacar-se, também, que 
resultados satisfatórios na recuperação dependem diretamente da qualidade com que a indexação foi 
realizada, isto é, da política de indexação utilizada, das regras usadas para a redação do resumo, da 
qualidade do vocabulário, da qualidade das estratégias de busca, entre outros fatores (FEITOSA, 2006, p. 
28). 
Segundo Piedade (1977), os dois fatores que mais influenciam a revocação e a precisão, são a 
exaustividade. Em resumo, o aumento da exaustividade aumenta a revocação e diminui a precisão. Por 
outro lado, o aumento da especificidade diminui a revocação e aumenta a precisão. Tomando esse ponto 
de vista, e lembrando que a revocação, que é definida por Lancaster (1993, p.4), como “a capacidade de 
recuperar documentos úteis” tem menor importância em um sistema de indexação automática, então, o 
ideal é que se aumente o nível de precisão, que o autor define como “a capacidade de evitar documentos 
inúteis”, por meio do aumento da especificidade da indexação (FEITOSA, 2006, p. 29). 
Os modelos de recuperação mais comuns são o booleano, o vetorial, o probabilístico e o de 
atribuição de pesos. De acordo com a definição do MOLE Text Analysis Group (1991), o método de 
recuperação booleana é o mais simples dos métodos de recuperação e, como diz o seu nome, baseia-se 
no uso de operadores booleanos. O modelo de vetor-espaço pode ser dividido em três estágios: a) 
indexação do documento, na qual os termos chaves são extraídos do documento; b) extensão dos termos 
indexados para melhorar a recuperação dos documentos relevantes para o usuário; c) classificação do 
documento com relação à busca, de acordo com uma medida de similaridade (MOLE, 1999b). A indexação 
probabilística é baseada no pressuposto de que existe algum nível de diferença na distribuição do 
conteúdo de termos-significativos e de termos não significativos. Segundo os autores, há três principais 
fatores de ponderação dos termos: a) fator de frequência dos termos; b) fator da frequência da coleção; e 
c) fator da extensão da normalização (FEITOSA, 2006, p. 30-31). 
 
7.12 WEB E INDEXAÇÃO AUTOMÁTICA 
 
Os resultados são classificados por relevância e por data. A relevância é obtida com base na 
localização e na frequência dos termos na página - classificação estática, correspondente à primeira 
metade do algoritmo de busca, bem como pelo cálculo do número de ligações para uma página, isto é, 
quanto mais ligações para uma página, maior sua relevância no contexto - classificação dinâmica, 
correspondente à segunda metade do algoritmo de busca. O peso final é dado pela soma dos valores 
estático e dinâmico. O sistema não utiliza meta marcações, pois são vulneráveis à intervenção dos 
autores das páginas em busca de melhores classificações nos sistemas de busca (FEITOSA, 2006, p. 44). 
Utilizar das metas tags para a descoberta de conteúdo de uma página, essa técnica passou a ter 
menor importância na indexação automática da web e seu uso tem sido mais bem fiscalizado com 
tecnologias anti-spam que, inclusive, apenam os sites cujo uso for considerado abusivo (FEITOSA, 2006, p. 
45). 
Nesse âmago, surgem os metadados. A palavra meta dados origina-se do prefixo metá, que 
significa mudança, posteridade, além, transcendência e reflexão crítica sobre alguma coisa. A palavra 
dado, no sentido informativo, refere-se à informação codificada (FERREIRA, 1996). Assim, juntando-se os 
termos, pode-se chegar a uma noção de transcendência sobre a informação, ou de uma possível 
descrição da informação que os dados representam. Nessa perspectiva, meta dado é todo dado físico, 
98 
 
isto é, contido em algum software ou qualquer tipo de mídia, e que fornece informação sobre outra 
informação. De uma maneira mais simples, é possível dizer, também, que meta dado é “dado sobre 
dado”. O conceito de metadado está associado, ainda a conhecimento - contido em pessoas ou mídias - 
dentro e fora de uma organização, incluindo informação sobre dados físicos, processos técnicos e de 
negócios, regras e restrições sobre os dados e estruturas de dados usados por uma corporação. Assim, 
falar sobre metadados é também, falar sobre conhecimento (MARCO, 2000) (FEITOSA, 2006, p. 47). 
Historicamente, é a partir dos anos 1990, que o conceito de metadados foi se alterando e, 
atualmente, o desafio com que se deparam os especialistas em informação é a habilidade para 
diferenciarem repositórios de metadados de dicionários de dados. Os sistemas tornaram-se mais flexíveis 
e não integrados; criaram-se os conceitos de armazéns de dados e mercados de dados; com o advento 
dos negócios realizados em linha, muitas necessidades de informação dos usuários ficaram ainda a serem 
preenchidas; com a popularização dos negócios realizados em linha, aumentou, proporcionalmente, a 
necessidade de se implementar maior nível de segurança e de confiança aos dados envolvidos nas 
transações (MARCO, 2000 apud FEITOSA, 2006, p. 50). 
No sentido do saber biblioteconômico, metadado pode ser considerado como dado estruturado, 
que compartilha diversas características similares para a catalogação, e que descreve as características de 
um determinado recurso informacional (FEITOSA, 2006, p. 50). 
Benefícios do uso dos metadados: a) metadados são estruturados e, desse modo: a) podem 
formar a base para odesenvolvimento de sistemas de busca mais avançados; b) podem ser convertidos 
para outros formatos, de modo que possam interoperar com diferentes protocolos de busca e 
recuperação; c) em relação a documentos publicados na internet, pensando-se em recuperação 
automatizada, torna-se mais fácil a extração de conteúdo de uma base de dados de descrição de 
recursos, do que arquivos textuais em formato HTML; d) metadados administrativos podem ser utilizados 
para facilitar o gerenciamento do sistema de informação, uma vez que ajudam a avaliar quando os 
recursos devem ser revistos ou removidos da base de dados (DAY, 2000 apud FEITOSA, 2006, p. 52-53). 
Em relação ao agrupamento dos elementos de metadados de um recurso informacional, Day 
(2000) sugere uma classificação, segundo o uso, em: a) dados descritivos - são aqueles que contêm 
informação passível de utilização por sistemas de busca, como: título; título abreviado; título alternativo 
(em outro idioma, por exemplo); subtítulo; descrição; URI; autor; idioma; codificação do conjunto de 
caracteres; organização (de criação e de hospedagem do documento); formatos de arquivo (por exemplo, 
texto, imagem, áudio, vídeo), meio físico, propriedade intelectual ou copyright, disponibilidade (por 
exemplo, indicação se o acesso à informação é gratuito ou sujeito a registro); software requerido para 
acesso (navegadores específicos, software de MIDI); e público-alvo; b) dados do assunto - são aqueles 
que descrevem o conteúdo do documento, como: palavras-chaves; código de classificação; sistema de 
classificação; e termos do tesauro ou cabeçalho de assuntos; c) dados administrativos - são aqueles que 
facilitam a organização e a administração do sistema de informações, como, por exemplo: responsável 
pela manutenção do documento; data de adição do documento ao sistema; data da última modificação; 
data de expiração (por exemplo, de um anúncio de conferência); catalogador do documento; origem do 
registro; e proprietário dos direitos (FEITOSA, 2006, p. 53). 
A escolha de um formato de metadados é uma das decisões mais importantes no 
desenvolvimento de sistemas de informação, e é essencial que tal formato permita a integração com o 
software que forma a base do sistema (FEITOSA, 2006, p. 54). 
O formato Dublin Core é, na atualidade (2006), um dos mais importantes meios de descrição de 
recursos da internet e é um exemplo das iniciativas que se propõem a definir um core (núcleo) de 
metadados, isto é, um conjunto de dados essenciais que possam ser utilizados como padrão para 
descrição de recursos na web. O esquema Dublin Core caracteriza-se pela sua utilidade e flexibilidade na 
representação de dados (FEITOSA, 2006, p. 54). 
A Dublin Core Metadada Iniciativi (DCMI) iniciou-se em 1995, com o workshop realizado em 
Dublin, no estado de Ohio, nos Estados Unidos, que congregou bibliotecários, pesquisadores especialistas 
em Biblioteconomia e bibliotecas digitais, provedores de conteúdo e especialistas em técnicas de 
99 
 
marcação de textos. O objetivo desse workshop era promover a melhoria dos padrões de descoberta da 
informação na web (FEITOSA, 2006, p. 54). 
O número de elementos [Dublin Cobre] foi elevado para quinze - título, criador, assunto, 
descrição, editor, colaborador, data, tipo, formato, identificador, fonte, idioma, relação, cobertura e 
direitos (FEITOSA, 2006, p. 55). 
Os diretórios foram a primeira solução proposta para organização de conhecimento na web e 
surgiram com uma intenção de se coletar manualmente, ou por meio de indicações de usuários, a maior 
quantidade de informações possível, contando-se a grande variedade dos assuntos disponíveis na 
internet. Segundo Wall (2004), o primeiro mecanismo de buscas a ser disponibilizado na internet foi o 
Archie, criado em 1990, pelo estudante Alan Emtage, na Universidade McGill, em Montreal. 
Com o advento da web, Matthew Gray introduziu o seu sistema World Wide Web Wanderer, mais 
tarde conhecido como Wandex, que inicialmente tinha apenas a intenção de medir o crescimento da web 
por meio da contagem dos servidores web ativos (FEITOSA, 2006, p. 34). 
Segundo Wall (2004), 1998 foi o último ano de lançamento de super mecanismos, como o Google, 
que introduziu a característica de classificação dos resultados com base nas ligações com outras páginas 
(FEITOSA, 2006, p. 37). 
Criado em 1996, como resultado de uma dissertação de mestrado, o Mamma foi um dos primeiros 
serviços de busca a introduzirem o conceito de metabusca na internet (FEITOSA, 2006, p. 40). 
A técnica de clustering difere de outras como a classificação, a construção de taxonomia e a 
marcação de metadados, uma vez que é totalmente automatizada, dispensando a intervenção humana. 
De acordo com informações obtidas no site do serviço, o maior desafio da técnica de clustering tem sido o 
de buscar e organizar rapidamente os grupos de conhecimento relativos à pesquisa do usuário (FEITOSA, 
2006, p. 41). 
É importante conceituar a web semântica como uma estrutura de representação de dados na 
World Wide Web, por meio de um esforço colaborativo liderado pelo W3C, com a participação de 
pesquisadores e de empresas de desenvolvimento de software de todo o mundo (FEITOSA, 2006, p. 121). 
No que tange às ontologias, definem-se como “[...] elemento basilar na construção da web 
semântica, pois acredita-se que favorecerão um entendimento comum e compartilhado sobre um 
determinado domínio de conhecimento, tanto entre pessoas como entre computador” (FEITOSA, 2006, p. 
121). 
XML fornece uma sintaxe básica para a estruturação de documentos, mas não possui elementos 
que lhe permitam impor restrições semânticas ao significado de tais elementos (FEITOSA, 2006, p. 121). 
O RDF “é um modelo de dados para objetos ou ‘recursos’ e tal modelo pode ser representado 
utilizando-se a sintaxe da XML” (FEITOSA, 2006, p. 121). 
O RDF-SCHEMA “é um vocabulário para a descrição de propriedades e classes de um modelo RDF, 
com a utilização de elementos semânticos para generalização de tais propriedades e classes” (FEITOSA, 
2006, p. 121). 
O OWL fornece mais vocabulário para a descrição de propriedades e classes, por meio de: a) 
relações entre classes – por exemplo: disjunção; b) cardinalidade – por exemplo: univocidade; c) 
igualdade; d) maior riqueza de propriedades para a especificação de tipos de dados; e) propriedades 
relativas a características – por exemplo: simetria; e) enumeração de classes (W3C, 2003). Esses são, 
também, os objetivos da linguagem DAML + OIL (OUELLET; OGBUJI, 2002 apud FEITOSA, 2006, p. 121 -
122). 
 
 
7.13 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 1 - Análise de assunto é a etapa que constitui o trabalho intelectual do indexador. Analise a 
afirmativa a seguir. A _________________ se tornou a estratégia clássica de leitura para análise de 
assunto. Consiste em uma leitura direcionada para certas partes do documento vai ao encontro de 
100 
 
elementos especificamente importantes para identificação do assunto ou assuntos do documento. 
Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna. 
a) Leitura técnica b) Consistência c) Relevância d) Leitura documentária 
 
Questão 2 - No âmbito da indexação, a expressão “de que trata um documento", refere-se à 
a) atinência. b) revocação c) especificidade. d) exaustividade e) precisão. 
 
Questão 3 - As Linguagens Documentárias (LDs), assim como os vocabulários controlados, têm sido 
ferramentas imprescindíveis para o bibliotecário, principalmente na representação da informação nas 
rotinas de análise e síntese da informação. Diante desse contexto, observe: 
___________________ permitem que se estabeleçam padrões de classificação e ordenação de 
informações por meio de herança, ou seja, pelo relacionamento hierárquico (gênero/espécie) entre os 
objetos. A conceituação proposta por ____________________ deve ser representada de maneira formal, 
legível e utilizável por computadores, de maneira a permitir o compartilhamento e o reuso do 
conhecimentoentre os sistemas. ____________________ tem objetivo de controle terminológico, 
utilizados em sistemas de informação para traduzir a linguagem dos documentos, dos indexadores e dos 
pesquisadores numa linguagem controlada, usada na indexação e na recuperação de informações. 
Para o preenchimento das lacunas, a ordem CORRETA consta apenas em: 
a) Tesauros – Taxonomias – Ontologias. b) Ontologias – Taxonomias – Tesauros. C) Taxonomias – 
Ontologias – Tesauros. D) Tesauros – Ontologias – Taxonomias. 
 
Questão 4 - O processo que utiliza a operação de tradução de textos em Linguagem Natural (LN) para 
uma Linguagem Documentária (LD) se denomina: a) automação. b) normalização. c) indexação. 
d) recuperação. 
 
Questão 5 - Uma Linguagem Documentária (LD) é utilizada na entrada de um sistema de informação 
quando o documento é analisado para: a) registro. b) empréstimo. c) aquisição. d) seleção 
 
Questão 6 - A Análise Documentária (AD) se define como um conjunto de procedimentos metodológicos 
para representar o conteúdo informacional de documentos e com o objetivo de: 
 a) recuperar e armazenar informação. b) recuperar e disseminar informação. c) organizar e 
armazenar informação. d) organizar e coletar informação. 
 
Questão 7 – Os primeiros sistemas de classificação bibliográfica considerados de natureza enciclopédica e 
que visam abranger todas as áreas do conhecimento são: a) CDU, LC e tesauro. b) CDD, CDU e LC. 
c) CDD, CDU e tesauro. d) CDD, LC e tesauro. 
 
Questão 8 - Uma das Linguagens Documentárias mais desenvolvidas que faz uso de operadores boleanos 
para construção de novas relações entre os termos é o (a): a) CDD. b) CDU. c) LC. d) tesauro. 
 
Questão 9 - Na construção de um tesauro, é fundamental o emprego de relações conceituais. Nesse 
contexto, se dois conceitos diferentes possuem características idênticas e um deles possui uma 
característica a mais do que o outro, pode-se afirmar que entre eles se estabelece uma relação: a) de 
equivalência. b) hierárquica. c) partitiva. d) de oposição. 
 
Questão 10 - Na prática da indexação, utiliza-se vários conceitos que interferem na recuperação da 
informação em um sistema. Em relação aos conceitos apresentados, marque V para as assertivas 
verdadeiras e F para as falsas. 
101 
 
( ) Especificidade é o nível de detalhe com que um tópico examinado num documento é abrangido numa 
representação desse documento. O nível de especificidade possível é determinado pelas características 
do vocabulário empregado na indexação. 
( ) Exaustividade é a extensão com que a diversidade dos dados descritivos se acha abrangida numa 
representação do documento. O nível de exaustividade corresponde ao número de termos atribuídos. 
( ) Pertinência é a relação que existe entre uma fonte de informação e a necessidade de informação de 
uma determinada pessoa num determinado momento. Somente a pessoa que expressa a necessidade de 
informação é quem pode decidir sobre o que é ou não pertinente. 
( ) Precisão é a extensão com que os itens recuperados durante uma busca numa base de dados são 
considerados relevantes ou pertinentes. Uma busca que alcance precisão alta será aquela em que a 
maioria dos itens recuperados forem considerados relevantes ou pertinentes. 
Assinale a sequência correta: a) F, F, F, V - b) V, F, V, V c) V, V, V, F d) F, V, V, F. 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
CINTRA, A. M. M. et al. Para entender as linguagens documentárias. 2. Ed. São Paulo: Polis, 2002. 
 
DIAS, E. W.; NAVES, M. L. Análise de assunto: teoria e prática. Brasília: Thesaurus, 2007. 
 
FEITOSA, A. Organização da informação na web: das tags à web semântica. Brasília: Thesaurus, 2006. 
 
GIL LEIVA, I.; FUJITA, M. S. L. Política de indexação. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2012. 
 
102 
 
AULA VIII: Representação Descritiva da 
Informação - Catalogação 
 
Docente responsável: Jorge Santa Anna 
Bibliotecário atuante no ramo da Consultoria e Metodologia de Trabalhos Científicos. Professor de 
Metodologia de Pesquisa e aulas particulares de Biblioteconomia e áreas correlatas. Mestrando do 
Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do Conhecimento, da UFMG. Atua há mais de oito 
anos na Normalização Bibliográfica, com vasta produção bibliográfica publicada em periódicos científicos. 
Membro do comitê editorial da Revista Pró-Discente. 
 
 
CONTEÚDOS DA AULA 
 
103 
 
8 REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA: REFLEXÕES INICIAIS 
 
A catalogação tem seu fundamento em um conjunto de informações que simbolizam um registro 
de conhecimento. 
É preciso que sua representação não seja um trabalho mecânico, e sim se fundamente nos 
relacionamentos entre os registros do conhecimento, que precisam ser estabelecidos e pensados para 
que os usuários tenham alternativas de escolha em suas buscas, além de auxiliá-los na localização do item 
buscado no acervo físico ou ciberespacial (GODINHO et al., 2014). 
Catalogação é o estudo, preparação e organização de mensagens codificadas, com base em itens 
existentes ou passíveis de inclusão em um ou vários acervos, de forma a permitir a intersecção entre as 
mensagens contidas nos itens e as mensagens internas dos usuários. 
Catálogo é um canal de comunicação estruturado, que veicula mensagens contidas nos itens, e 
sobre os itens, de um ou vários acervos, apresentando-as sob forma codificada e organizada, agrupadas 
por semelhanças, aos usuários desse (s) acervo (s) (CASTRO; SANTOS, 2009). 
É um dos instrumentos mais antigos na história da descrição e organização da informação 
registrada. Muitas vezes define-se o catálogo como lista ordenada dos documentos existentes em um ou 
mais acervos (CASTRO; SANTOS, 2009). 
O bibliotecário/catalogador elabora representações de itens documentários de uma determinada 
organização ou unidade de informação, de forma a simplificar a busca e a recuperação dos mesmos. 
Essas representações abrangem tanto o aspecto físico dos itens como seu conteúdo. Com essas 
representações, criam-se instrumentos que serão utilizados como subsídios para as práticas 
biblioteconômicas: bibliografias, catálogos, boletins de serviço de alerta, entre outros (CASTRO; SANTOS, 
2009). 
Cabe também ao profissional bibliotecário promover a divulgação dos itens documentários, 
permitindo que os usuários encontrem itens novos. 
 
8.1 CATALOGAÇÃO: HISTORICIDADE 
 
SÉCULO XIX: SÉCULO DAS LUZES PARA A CATALOGAÇÃO 
A primeira sistematização de um moderno corpo de regras de catalogação foi elaborado em 1840 
pelo bibliotecário Anthony Panizzi, em conjunto com os seus colaboradores, o qual gerou 91 regras de 
catalogação. Panizzi inovou ao pensar em um catálogo de autores e índice de assunto para o Museu 
Britânicom (Inglaterra) em um momento onde havia um caos na instituição. 
Em 1850, a ideia de catalogação cooperativa foi lançada por Charles Coffin Jewett, criando um 
sistema uniformizado de catalogação, idealizado para funcionar como um catálogo coletivo. Além de 
funcionar como uma central de catalogação, o serviço forneceria um instrumento de acesso às coleções. 
Cabeçalhos de responsabilidade e obras anônimas de Jewett são seguidos até hoje (GODINHO et al., 
2014). 
- Algumas conquistas – Ano de 1876: Criação da ALA - Lançamento da CDD - Código de Cutter. 
Grande importância atribuída a Cutter, não apenas pela criação do sistema de classificação, com 
destaque à notação de autor, mas pela criação de um código que continha 369 regras que incluem 
normas não só para entradas por autor e por título, mas também para a parte descritiva, cabeçalhos de 
assunto, e ainda alfabetação de arquivamento de fichas (GODINHO et al., 2014). 
Novas conquistas – Século XX. CRIAÇÃO DO CÓDIGO DA ALA 
Inúmeras tentativas foram realizadas em prol de realizar a confecção das fichas de uma única vez, 
por uma central de catalogação, mas essas tentativas não foram implementadas. No ano de 1901, na 
tentativa delevantar a questão na Conferência da ALA, realizada em Winconsin, Melvil Dewey comprova 
e justifica a imprescindível urgência da criação de um programa de catalogação cooperativa e 
centralizada. No mesmo ano, a LC começou a imprimir suas fichas catalográficas para venda e a ALA 
nomeou uma comissão encarregada de estudar as regras adotadas pela LC. 
104 
 
O percurso histórico da catalogação, com destaque a alguns acontecimentos marcantes, a partir 
de meados do século XX, pode ser visualizado na figura abaixo: 
CONFERÊNCIA DE PARIS – 1961 – CONQUISTAS PRÉ E PÓS-
CONFERÊNCIA
RIEC
Descrição Bibliográfica Internacional Normalizada (ISBD)
CRIAÇÃO DO AACR2
GRUPO DE ESTUDOS PARA ESTUDOS DOS FRBR
Catalogação cooperativa no Brasil – SIC – DASP - IBBD
(GODINHO et al., 2014)
Projeto Calco – Formato Marc - 1973
1 – Representação Descritiva: Catalogação Cooperativa
 
8.2 O NASCIMENTO DA CATALOGAÇÃO COOPERATIVA 
 
Catalogação cooperativa é o trabalho realizado por várias bibliotecas e enviado a uma Central, que 
se encarrega de normalizar e reproduzir suas fichas e distribuí-las a uma coletividade. A catalogação 
compartilhada “Sharedcataloging” é um exemplo de catalogação cooperativa, efetuada pela Library of 
Congress – LC (GODINHO et al., 2014). 
No Brasil, a catalogação cooperativa está ligada ao nascimento do Projeto Calco, o qual propunha 
os principais objetivos: 
1 - elaborar um catálogo que arrole a maior parte da produção bibliográfica atual servindo de 
instrumento para a pesquisa nos pontos mais distantes do país; 
2 - obter bibliografias especializadas; 
3 - fazer a permuta de informações no Brasil e fora do país; 
4 - obter catálogos coletivos especializados; 
5 - padronizar normas de catalogação e cabeçalhos de assuntos; 
6 - acelerar a duplicação de fichas, e 
7 - economizar tempo e mão de obra para bibliotecas que possuem as mesmas obras (GODINHO 
et al., 2014). 
A Library of Congress (LC) sempre se preocupou com a padronização e o intercâmbio de 
informações bibliográficas, iniciando um programa de intercâmbio de fichas e integrando as facilidades da 
automação aos trabalhos de representação descritiva. 
Foi constituído, então, um projeto piloto denominado MARC (Machine Readable Cataloguing), que 
iniciou a padronização de registros bibliográficos em meio magnético. 
O uso do formato MARC 21 torna os dados bibliográficos legíveis por computador, possibilitando 
seu compartilhamento por meio de diferentes sistemas (FURRIE, 2000). 
A existência de redes de catalogação cooperativa possibilitou a criação de bancos de dados 
bibliográficos e catalográficos que também fornecem registros, já existentes, às suas cooperantes. 
Entende-se por base de dados cooperativa a reunião dos registros bibliográficos de diferentes 
unidades de informação em meio magnético, constituindo-se em um catálogo coletivo onde os mesmos 
podem ser consultados e aproveitados por qualquer uma das unidades de informação integrantes da rede 
(SOUZA; MOSTAFÁ, 1999, p. 128). 
No Brasil, muitas unidades de informação integraram-se à rede de catalogação cooperativa 
BIBLIODATA contribuindo para o crescimento da base de dados central, para o compartilhamento de 
recursos informacionais, aperfeiçoando o controle bibliográfico, bem como promovendo a divulgação da 
coleção existente em cada unidade participante. 
105 
 
O Banco de Dados Bibliográficos da Rede BIBLIODATA é composto por: Bases Bibliográficas 
(Português e Outras Línguas) e Bases de Autoridade (Assuntos e Autores), distribuídas em dois CD-ROMS 
de catalogação. 
A Rede BIBLIODATA é uma experiência nacional na criação de uma rede de catalogação 
cooperativa, que objetiva a difusão dos acervos bibliográficos do país, o aperfeiçoamento dos serviços de 
documentação e informação das instituições participantes e o compartilhamento dos recursos 
bibliográficos e catalográficos (GODINHO et al., 2014). 
A Rede BIBLIODATA tem como missão a disseminação da informação por meio do 
compartilhamento de dados e serviços entre bibliotecas, contribuindo para o desenvolvimento cultural e 
socioeconômico do país. Como um dos objetivos da Rede BIBLIODATA tem-se o desenvolvimento e 
manutenção do Catálogo Coletivo da Rede, construindo metodologias e instrumentos para a catalogação 
cooperativa. 
Vantagens da Catalogação Cooperativa 
1 - auxiliar o trabalho de catalogação realizado pelos profissionais da informação; 
2 - aponta para um trabalho de contribuição entre estes profissionais. 
3 - não é apenas uma economia de tempo, mas a padronização de dados descritivos, a facilidade 
na busca, na identificação de autoria da obra, na compra de livros, na compilação de bibliografias e na 
confecção de catálogos de bibliotecas (GODINHO et al., 2014). 
Desvantagens da Catalogação Cooperativa 
1 - demora na confecção dos registros pela central; 
2 - diferenças de formatos; 
3 - desconfiança do trabalho alheio; 
4 - adoção de diferentes níveis nas bibliotecas; 
5 - custo para se filiar ao consórcio; 
6 - a barreira linguística (GODINHO et al., 2014). 
 
8.3 A AUTOMATIZAÇÃO DAS BIBLIOTECAS: A CONVERSÃO RETROSPECTIVA 
 
Num cenário marcado por inovações tecnológicas, agilização dos meios de comunicação e 
usuários de informações mais exigentes, surge a preocupação das bibliotecas em automatizar seus 
acervos. Para tanto, utilizam um processo que agiliza a automação de bibliotecas, o de conversão 
retrospectiva – retrospective conversion - RECON, que facilita a promoção do acesso às informações de 
acervos de forma rápida e eficaz (GODINHO et al., 2014). 
Não se pode pensar no processo de automação e na formação de catálogos on-line sem a 
utilização do processo de conversão retrospectiva, pois esse é um processo preliminar que proporciona 
uma maior rapidez ao acesso às informações até então, descritas na maioria das vezes, em suporte papel 
e permitirá o intercâmbio de dados bibliográficos e catalográficos de modo digital (CASTRO; SANTOS, 
2009). 
A RECON consiste na transformação de fichas do catálogo em registros legíveis por máquina. O 
princípio da RECON é o aproveitamento de registros existentes em outras bases na formação da base de 
dados local, diminuindo o esforço de catalogar em máquina o material da biblioteca. Então, esse processo 
contribuiu para a consolidação da CATALOGAÇÃO COOPERATIVA (CASTRO; SANTOS, 2009). 
Ao falarmos em representação descritiva e conversão retrospectiva, não podemos nos esquecer 
dos bancos de catalogação cooperativa, como por exemplo, a base OCLC (On Line Computer Library 
Center), e a BIBLIODATA - Fundação Getúlio Vargas, pois é através deles que podemos compartilhar 
informações bibliográficas e catalográficas de forma rápida (CASTRO; SANTOS, 2009). 
No processo de informatização de acervos documentais (arquivos, bibliotecas e centros de 
documentação), a simples disponibilidade de software e hardware não é condição suficiente para a 
utilização, são também necessários os dados referentes ao acervo (CASTRO; SANTOS, 2009). 
106 
 
A criação de arquivos de registros bibliográficos é considerada a parte mais difícil dos projetos de 
automação de bibliotecas, mas também importante para qualquer projeto dessa natureza (ALMEIDA et 
al., 1994, p. 43) (CASTRO; SANTOS, 2009). 
Deve ser feito um levantamento do acervo que deve ser contemplado pelo projeto para 
determinar claramente a quantidade e tipo de material a ser convertido; determinar a quantidade de 
títulos catalogados e não catalogados, se existirem; qual o suporte em que se encontram, isto é, catálogos 
de fichas, listagens, meio magnético etc. (CASTRO; SANTOS, 2009). 
Deve-se relacionar e tabular todos os detalhes com os totais de cada caso. É importante 
determinar a prioridade, ou seja, qual acervo deve ser tratado em primeiro lugar, pois caso os recursos 
não forem suficientes, será tratado o que for mais necessário (CASTRO; SANTOS, 2009). 
A conversão retrospectiva pode ser realizada de diversas formas, e a escolha do melhor método 
para umaunidade de informação dependerá do tipo e tamanho da coleção, o orçamento será um fator 
preponderante, bem como a qualidade da demanda, o tempo previsto e as necessidades dos profissionais 
(CASTRO; SANTOS, 2009). 
Nos estudos sobre o tema percebe-se que muitas vezes é possível, para as bibliotecas que já 
contam com seus registros em meio magnético, adaptar suas bases de dados ao novo ambiente, ou seja, 
converter seus registros para que sejam utilizados no novo sistema. A forma mais básica de conversão é 
digitar as informações das fichas diretamente em uma planilha eletrônica, o que pressupõe, 
naturalmente, a existência de um software específico para receber e tratar os registros (CASTRO; 
SANTOS, 2009). 
Um projeto de conversão retrospectiva, se bem planejado e executado, é altamente vantajoso 
para a biblioteca, pois é uma forma rápida e eficiente para incorporar ao catálogo on-line centralizado os 
registros que se encontram em catálogos manuais ou dispersos muitas vezes em diversas bases 
provisórias de soluções locais (CASTRO; SANTOS, 2009). 
 
 
8.4 VAMOS EXERCITAR? 
Questão 1 - Definimos Catalogação de assunto: 
a)Característica de uma entidade. Um atributo pode ser intrínseco a uma entidade ou ser-lhe 
externamente imputado. 
b)Qualidade de uma entidade, atributo ou relação que possui significado ou valor especial no contexto de 
recursos bibliográficos. 
c)Parte da catalogação que fornece termos de assunto controlados e/ou números de classificação. 
d)A parte do processamento bibliográfico que fornece quer os dados descritivos quer os pontos de acesso 
que não são de assunto. 
e)Conjunto real ou virtual de duas ou mais obras combinadas ou publicadas conjuntamente. 
 
Questão 2 - A Catalogação cooperativa é uma experiência internacional no intercâmbio de informações 
bibliográficas que se iniciou nos Estados Unidos. O Brasil também possui diversas instituições que 
trabalharam na implementação de uma rede de catalogação cooperativa. Analise as afirmativas a seguir e 
assinale com V as VERDADEIRAS e com F as FALSAS. 
( ) No início da Rede, os catálogos coletivos e os catálogos de Autoridades (nomes e assuntos) eram 
distribuídos para as bibliotecas participantes em formato de fichas catalográficas impressas. 
( ) A missão principal da Rede é disseminar a informação por intermédio de dados e serviços entre as 
bibliotecas participantes contribuindo assim para o desenvolvimento de uma rede de bibliotecas 
universitárias. 
( ) Qualquer instituição pública ou privada que faz adesão por meio de um contrato com a Rede Bibliodata 
pode participar da Rede Bibliodata. 
( ) O CALCO foi um projeto elaborado para que houvesse uma relação entre bibliotecas, fazendo com que 
fosse possível a permuta de informações dentro e fora do país e padronizar normas de catalogação. 
107 
 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA das letras. 
A) (F), (F), (V), (V). B) (F), (V), (F), (V). C) (V), (F), (V), (F). D)(V),(V),(F),(V). 
 
Questão 3 - Referindo-se ao tema objeto desta questão, Chaumier (1988) identifica nele “quatro estágios 
distintos: conhecimento do conteúdo documental realizado por meio da leitura documental; escolha dos 
conceitos representativos do assunto abordado por meio da identificação dos conceitos a partir do 
conteúdo documental; tradução dos conceitos selecionados; e incorporação dos elementos sintáticos 
eventuais”. O processo a que o autor se refere é denominado: A) processo de catalogação. B) processo 
de representação e organização do conhecimento. C) processo de representação do conhecimento. D) 
processo de indexação. 
Questão 4 - A catalogação deve possuir as seguintes características: 
a) Integridade, Clareza, Precisão, Lógica, Consistência; 
b) Integridade, Definição, Precisão, Lógica, Consistência; 
c) Integridade, Clareza, Precisão, Relatividade, Consistência; 
d) Integridade, Clareza, Definição, Lógica, Consistência; 
e) Relatividade, Clareza, Precisão, Lógica, Consistência. 
f) 
Questão 5 - O estudo, preparação e organização de mensagens, com base em registros do conhecimento, 
reais ou ciberespaciais, existentes ou passíveis de inclusão em um ou vários acervos, de forma a permitir a 
interseção entre as mensagens contidas nestes registros do conhecimento e as mensagens internas dos 
usuários, refere-se à: A) Indexação. B) Catalogação. C) Recuperação da informação. D) Relevância. E) 
Necessidade de informação. 
 
Questão 6 - As redes e catálogos resultantes de catalogação cooperativa são: 
a) Formato CALCO e Bibliodata, ambos da FGV. 
b) Formato CALCO e Formato MARC 21. 
c) Rede Bibliodata, OCLC e WordCat. 
d) Formato MARC 21 e Protocolo Z39.50. 
e) Rede Bibliodata e Formato MARC 21. 
 
Questão 7 - Um dos mais importantes exemplos de cooperação bibliotecária existentes no Brasil é a Rede 
Bibliodata. Sobre essa rede, considere os seguintes objetivos: 
1. Difusão dos acervos bibliográficos do país. 
2. Desenvolvimento de metodologias e instrumentos para a aquisição bibliográfica cooperativa. 
3. Aperfeiçoamento dos serviços de documentação e informação das instituições participantes. 
4. Compartilhamento dos recursos empregados. 
A Rede Bibliodata visa: a) 1 e 2 apenas. b) 1 e 3 apenas. c) 2, 3 e 4 apenas. d) 1 e 4 apenas. e) 1, 3 e 4 
apenas. 
 
Questão 8 - Redes de serviços de apoio institucional visam o compartilhamento de dados, o 
desenvolvimento de padrões comuns e a comutação bibliográfica entre bibliotecas. Qual das alternativas 
refere-se a redes de serviços de apoio institucional? 
a) MARC 21, AACR2, Diretório de Grupos de Pesquisa no Brasil. 
b) Rede Bibliodata, COMUT, Catálogo Coletivo Nacional (CNN). 
c) LILACS, MEDLINE, Science Citation Index. 
d) Directory of Open Access Journal, COMUT, CDS/ISIS 
______________________________________________________________________________________ 
 
108 
 
8.5 CATALOGAÇÃO DE DIFERENTES MATERIAIS: AACR2 
 
8.5.1 Estrutura do Código de Catalogação Anglo-Americano e formas de descrição 
 
O Código de Catalogação Anglo-Americano - 2ª edição (CCAA2, ou AACR2 a partir da sigla em 
inglês) é um compêndio de regras para a criação de descrições bibliográficas e para a escolha, a 
construção e a atribuição dos pontos de acesso (cabeçalhos) representando pessoas, localizações 
geográficas e entidades coletivas, além de títulos uniformes representando obras e expressões (AACR2, 
2002). 
A PRIMEIRA EDIÇÃO: publicada em 1969, com adaptações do bibliotecário Abner Lellis Corrêa 
Vicentini, responsável por sua tradução. Essa primeira edição resultou em fins didáticos para as entidades 
do curso no país (AACR2, 2002). 
Código de Catalogação Anglo-Americano - 2ª edição (CCAA2, ou AACR2 a partir da sigla em inglês). 
Surgiu mais tarde, a segunda edição, que continha a nova forma de descrição bibliográfica, publicada 
em 1978 (AACR2, 2002). 
Traduzida paulatinamente para o português, a mencionada obra foi publicada em dois volumes, 
contendo o primeiro a Parte I do AACR2, relativa à Descrição, além dos Apêndices A a D e do índice 
correspondente ao texto (AACR2, 2002). 
O segundo volume compreende a Parte II dessas regras, como: Cabeçalhos, Títulos Uniformes e 
Remissivas, cujos capítulos, já traduzidos, devem sofrer acurada revisão (AACR2, 2002). 
O AACR é oriundo da Descrição Bibliográfica Internacional Normalizada (ISBDs) e segue a 
normalização proposta por essa norma, tanto em termos de pontuação quando em termos dos 
elementos da descrição, os quais são agrupados em oito grandes áreas, as quais formam a estrutura 
completa de um registro bibliográfico, conforme visualizado na figura abaixo: 
 
O AACR2 está composto por uma parte destinada à descrição dos diferentes tipos de recursos ou 
materiais informacionais. Na descrição de um item, considerar todos os seus aspectos: se é publicado ou 
manuscrito, suporte, conteúdo, tipo de publicação, relacionamento com outras obras. Usar sempre as 
regras específicas aplicáveis ao item de preferência às regras gerais.Apresenta parte introdutória, formada pelos elementos: Estrutura da Parte I – Descrição, 
Introdução, Introdução geral, Regras 0.1. a 0.14., Introdução, Regras 0.21. a 0.29. Essas introduções 
explicam o que é o código, sua finalidade, sua estrutura, estrutura das regras, cabeçalhos definidos como 
entrada principal ou secundária, os apêndices (AACR2, 2002). 
Ainda na Parte I manifestam-se os capítulos, tais como: 1 Regras gerais para descrição, 2 Livros, 
folhetos e folhas soltas impressas, 3 Materiais cartográficos, 4 Manuscritos (incluindo coleções 
manuscritas), 5 Música, 6 Gravação de som, 7 Filmes cinematográficos e gravações de vídeo, 8 Materiais 
gráficos, 9 Recursos eletrônicos, 10 Artefatos tridimensionais e realia, 11 Microformas, 12 Recursos 
contínuos, 13 Análise (AACR2, 2002). 
A partir das áreas e dos elementos que as compõem, é possível formar o registro, conforme figura 
a seguir. Além disso, importante que o catalogador assegure-se sobre qual parte do recurso (fonte de 
informação) pode ser utilizada para seleção dos dados descritivos. 
109 
 
 
Importante considerar algumas recomendações quando da realização do processo de catalogar: 
não “reinventar a roda” o que significa: com o uso de normas e padrões vários catalogadores não 
precisam mais catalogar um mesmo item. Compartilhamento de registros bibliográficos. Possibilidade de 
integração em redes de catalogação cooperativa. Possibilidade de transferência de registros bibliográficos 
on-line de redes de catalogação cooperativas nacionais e internacionais, como participantes dessas redes. 
Possibilidade de transferência de registros bibliográficos via WORLDCat. Possibilidade de localização de 
itens em bases de dados acessadas pela internet, por exemplo, a Library of Congress e transferência 
desses registros (AACR2, 2002). 
 
8.6 VAMOS EXERCITAR? 
 
Questão 1 - Segundo orientação do AACR2 não se deve omitir a data de publicação, distribuição, etc. Se 
nenhuma data for identificada, o código sugere que o catalogador registre uma data aproximada. Sendo 
assim, marque a opção em que o catalogador indica uma data provável: 
A) 1975? B) (1975?) C) [1975?] D)[197--.] E)(19-?) 
 
Questão 2 - No que tange às normas, aos formatos e aos modelos conceituais para a catalogação 
descritiva de um item, relacione a COLUNA II de acordo com a COLUNA I considerando as principais 
características e objetivos das normas, dos formatos e dos modelos. 1.RDA 2.MARC 21 3.FRBR 
4.AACR2 
( )Construída com base na AACR2, oferece os princípios e as instruções para registro de dados sobre 
recursos hoje conhecidos e os que ainda venham a ser desenvolvidos. 
( )Faz uma abordagem centrada no usuário, analisa quais requisitos de dados o usuário utiliza para 
realizar a busca e o que ele espera encontrar de informação no registro bibliográfico. 
( ) Foi originalmente elaborada num ambiente de materiais majoritariamente impressos e de catálogos 
em fichas; seu uso ativo durante décadas se deve ao seu efetivo processo de revisão. 
( )Forma-se por conceitos relevantes presentes neste modelo conceitual: as entidades obra e expressão. 
( )A forma como foi projetada proporciona uma estrutura coerente, flexível e extensível tanto para a 
descrição técnica quanto de conteúdo de todos os tipos de recursos e conteúdos. 
( )Instrumento indispensável ao catalogador que busca automação, este formato possibilita às bibliotecas 
compartilharem recursos bibliográficos com, a garantia de que seus dados serão compatíveis, mesmo que 
substituam seus sistemas 
Assinale a sequência CORRETA. a)1 2 4 3 2 1 b)4 3 2 1 3 1 c)3 1 4 2 4 3 d)1 3 4 3 1 2 
 
Questão 3 - Na catalogação, a “regra dos três" é o princípio que determina que: 
110 
 
• a)numa obra com mais de três autores, se um deles estiver destacado na página de rosto, será 
feita entrada principal por este, e secundárias para todos os que o antecederam naquela página. 
• b)uma obra com até três autores terá entrada principal pelo primeiro citado e secundárias para os 
demais; ou, se tiver mais de três autores, terá entrada secundária apenas para o primeiro. 
• c)toda a obra, com autoria conhecida ou atribuída, será recuperada pelos nomes de seus autores, 
desde que sejam até três, através de cabeçalho principal ou secundário. 
• d)qualquer obra com responsabilidade compartilhada terá o primeiro autor citado como ponto de 
acesso principal; e todos os demais como pontos de acesso secundários. 
• e)para a eficácia do catálogo gerado, o catalogador deve limitar-se a determinar, até três entradas 
secundárias por obra catalogada, além da entrada principal pelo nome do autor. 
 
Questão 4 - Conforme define o AACR2, o processo de preparação de um registro bibliográfico que 
descreve parte ou partes de um item para o qual utilizou-se uma entrada mais ampla é a: 
A) classificação facetada. 
B) indexação. 
C) análise. 
D) catalogação secundária. 
E) referência. 
 
Questão 5 - Certa vez, nosso ilustre "bruxo das letras" usou seu nome verdadeiro, Joaquim Maria 
Machado de Assis, em crônicas literárias e o bem conhecido pseudônimo, Machado de Assis, para assinar 
obras satíricas. Ao definir o cabeçalho de entrada para o autor, usando o AACR2 − Revisão 2002, o 
bibliotecário deve escolher: 
a) o nome verdadeiro, pois este é base do cabeçalho para pessoas, fazendo remissiva do 
pseudônimo para esta forma. 
b) o pseudônimo, pois este é o nome pelo qual o escritor é geralmente conhecido, fazendo remissiva 
do nome verdadeiro para esta forma. 
c) o pseudônimo, caso esta forma seja determinada com base nas fontes de referência, fazendo 
remissivas cruzadas entre os dois nomes. 
d) as duas formas, pois se trata de identidades bibliográficas distintas, fazendo remissivas para 
relacionar os nomes entre si. 
e) o nome verdadeiro ou o pseudônimo, dependendo de qual foi usado com mais frequência, 
fazendo remissiva da forma adotada para a outra. 
_____________________________________________________________________________________ 
 
8.7 METADADOS NO ÂMAGO DA CATALOGAÇÃO 
 
Metadados são um conjunto de dados-atributos, devidamente estruturados e codificados, com 
base em padrões internacionais, para representar informações de um recurso informacional em meio 
digital ou não digital, contendo uma série de características e objetivos (MORENO et al. 2005). 
Quando pensamos em metadados, a primeira ideia que nos permeia é inspirada no seu uso no 
ambiente da biblioteca; no seu papel de um esquema formal para descrição de todo tipo de objetos 
informacionais, digitais e não digitais. A catalogação tradicional é uma forma de atribuição de metadados. 
Relacionada à função de catalogação, existe outra importante razão para a criação de metadados: 
facilitar a descoberta de informações relevantes, seja no ambiente da biblioteca, seja no ambiente web. O 
exemplo mais ilustrativo é o Dublin Core Metadata Element, uma das mais importantes iniciativas na área 
de metadados, cujo objetivo essencial é apoiar a descoberta de recursos no extenso e fragmentado 
universo web, que apesar da sua riqueza informacional não foi pensado especificamente para a 
recuperação de informação (MORENO et al. 2005). 
111 
 
Atributos ou metadados são como os elementos de descrição bibliográfica propriamente ditos. 
Nos FRBR, são categorizados de acordo com as entidades, incluindo os mais diferentes tipos de materiais 
e suas características (MORENO et al. 2005). 
Abrange desde registros sonoros tendo como atributos modalidade de captação, meio físico, 
extensão do suporte, velocidade de execução (no caso de uma manifestação), até objetos cartográficos, 
por exemplo, que possuem, na expressão, como atributos: escala, projeção, técnica de apresentação, 
entre outros. Um recurso eletrônico de acesso remoto, por exemplo, apresenta como atributos as 
características do arquivo, forma de acesso, endereço de acesso, e assim por diante (MORENO et al. 
2005). 
De acordo com o propósito a que são utilizados, os metadadospodem ser classificados em 
diferentes nomes, tais como: administrativos, descritivos, de preservação, técnicos e de uso. O quadro, a 
seguir, ilustra essas modalidades de metadados, com as respectivas definições e exemplos.
 
 
 
8.8 REQUISITOS FUNCIONAIS PARA REGISTROS BIBLIOGRÁFICOS (FRBR) 
 
É um modelo conceitual resultante do estudo realizado por um grupo de estudo da IFLA entre os 
anos de 1992 e 1997. O FRBR foi publicado em 1998. 
O FRBR é um modelo conceitual: não é um código de catalogação, não é um formato, não é uma 
norma, não é um padrão, não é um código, não é um princípio de catalogação. Como modelo conceitual, 
o FRBR resulta da abstração de uma realidade, no caso, a realidade é o “universo bibliográfico” (MORENO 
et al., 2005). 
Os FRBR foram ampliados posteriormente à sua publicação em outros dois modelos para dados de 
autoridades e dados de assunto, os Functional Requirements for Authority Data (FRAD) – dados de 
autoridade, e os Functional Requirements for Subject Authority Data (FRSAD)- autoridade de assuntos, 
respectivamente (MORENO et al., 2005). 
Esse modelo foi essencial para fornecer a estrutura subjacente e conferir forma à RDA (Recursos: 
Descrição e Acesso). Tanto o FRBR e o FRAD representam modelos de entidade-relação. Estão centrados 
no usuário e objetivam as seguintes ações: FRBR (registros bibliográficos): encontrar, identificar, 
selecionar e obter (ou adquirir); e FRAD (dados/registros de autoridade): encontrar, identificar, 
contextualizar e justificar (MORENO et al., 2005). 
Os objetivos propostos pelo modelo conceitual FRAD são: 
112 
 
1 - prover um quadro para a análise dos requisitos funcionais para o tipo de dados de autoridade que é 
requerido no controle de autoridade e no seu compartilhamento internacional; 
2 - fornecer um quadro estruturado de referência que relacione os dados elaborados pelos criadores do 
registro de autoridade para atender as necessidades de seus usuários; 
3 - e auxiliar na avaliação do potencial de cooperação internacional e utilização de dados de autoridade, 
tanto em bibliotecas como em outras instituições (MORENO et al., 2005). 
Os objetivos do estudo que deu origem ao FRBR foram: 
1 - prover um quadro definido com clareza e estruturado para relacionar os dados que são registrados em 
registros de bibliográficos às necessidades dos usuários desses registros; e 
2 - recomendar um nível básico de funcionalidade para registros criados por agências bibliográficas 
nacionais (MORENO et al., 2005). 
Para o desenvolvimento do FRBR foi utilizada uma metodologia baseada na técnica de análise de 
entidades, ou modelo Entidade-Relacionamento. 
O FRBR define entidades, atributos e relacionamentos do universo bibliográfico. Entidade é aqui 
entendida como uma ‘coisa’ ou um ‘objeto’ no mundo real que pode ser identificada de forma unívoca 
em relação a todos os outros objetos. Uma entidade pode ser concreta ou abstrata. Por sua vez, atributos 
são as diversas características que um tipo de entidade possui, ou propriedades descritivas de cada 
membro de um conjunto de entidades. Um relacionamento é uma associação entre uma ou várias 
entidades (MORENO et al., 2005). 
Grupo 1 – entidades que são produto de trabalho intelectual ou artístico: obra (uma distinta 
criação artística ou intelectual), expressão (a realização artística ou intelectual de uma obra), 
manifestação (a materialização de uma expressão de uma obra) e item (um único exemplar de uma 
manifestação). As entidades vinculadas ao grupo 1 são demonstradas no diagrama abaixo: 
 
Grupo 2 – entidades responsáveis pelo conteúdo intelectual ou artístico, pela produção física e 
disseminação ou pela guarda das entidades do Grupo 1: pessoa (um indivíduo) e entidade coletiva (uma 
organização ou grupo de indivíduos e/ou organizações) (MORENO et al., 2005). 
Grupo 3 – entidades que, juntamente com as entidades dos grupos 1 e 2, servem como “assunto” 
da entidade obra: conceito (uma noção abstrata ou ideia), objeto (uma coisa material), evento (uma ação 
ou ocorrência) e lugar (um local) (MORENO et al., 2005). 
Alguns dos atributos definidos no FRBR são: título, forma e data da obra; forma, data e idioma da 
expressão; título, edição, local e data de publicação, publicador e suporte da manifestação; identificador 
e origem do item; nome, datas e títulos de uma pessoa; nome, locais e datas associadas a uma entidade 
coletiva; termos representando conceitos, objetos, eventos e lugares (MORENO et al., 2005). 
 
8.9 MACHINE READABLE CATALOGUING – CATALOGAÇÃO LEGÍVEL POR COMPUTADOR (MARC) 
 
MARC quer dizer Machine Readable Cataloguing (catalogação legível por computador). Indica a 
forma de como descrever os elementos de dados de forma legível por máquina. Os formatos MARC são 
publicados pela LC de forma concisa ou completa (FURRIE, 2000). 
O Mar é o padrão para representação de dados bibliográficos em formato legível por máquina. 
Representa um conjunto de padrões para identificação, armazenamento e comunicação da informação 
de catalogação. Um registro catalográfico significa um registro bibliográfico, ou a informação 
tradicionalmente apresentada em uma ficha catalográfica. O registro inclui: 1 – descrição do item; 2 – 
113 
 
entrada principal e secundárias; 3 – cabeçalhos de assunto; 4 – classificação ou número de chamada, 
dentre muitos outros detalhes (FURRIE, 2000). 
Uma ficha catalográfica não pode ser simplesmente digitalizada no computador. Ela precisa ser 
normalizada, de acordo com um formato em que o computador possa entendê-la. Um registro em Marc 
contém um guia para esses dados, ou pequenos sinalizadores, antes de qualquer elemento da informação 
bibliográfica (FURRIE, 2000). 
Um registro criado em formato MARC 21 é formado por três elementos: 
1- Estrutura do registro: para controle do processamento; 
2 - Indicação de conteúdo: os campos, indicadores e subcampos; 
3 - Conteúdo dos elementos: que compõem um registro em MARC, o qual é definido por padrões 
externos ao formato, como por exemplo o AACR2, entre outras convenções usadas pela instituição que 
gera um registro (CASTRO; SANTOS, 2009). 
Ainda podem ser identificados na estrutura de um registro, os seguintes elementos: 
- Campo: um registro bibliográfico é dividido logicamente em campos, os campos em subcampos. 
 Ex.: campo publicação, distribuição, etc. é dividido em subcampos local, editora e data; 
- Delimitadores: identificam os códigos de subcampos; 
- Código de subcampo: caractere alfabético ou numérico que identifica o subcampo (FURRIE, 
2000). 
Para estrutura do formato MARC, a LC criou também um conjunto de regras para a descrição e 
organização dos dados em fita magnética. A partir dessas regras, foram criados os protocolos Z39.50 e ISO 
2709 que orientam sobre a estrutura de um registro e a transferência de dados bibliográficos, 
respectivamente. Os dados em meio magnético são estruturados de forma a possibilitar o intercâmbio de 
registros bibliográficos. A estrutura do formato, mesmo quando semelhante, não garante a 
compatibilidade do registro. Há que se considerar o conteúdo dos registros que irão influenciar 
fortemente na recuperação da informação (CASTRO; SANTOS, 2009). 
Na nova geração de sistemas, os padrões são essenciais para garantir maior eficiência e 
conectividade. O uso do formato MARC, por exemplo, garante que as bibliotecas substituam seu sistema 
de automação por outro com a segurança de que os dados armazenados pelo antigo sistema não sejam 
perdidos na conversão retrospectiva (CASTRO; SANTOS, 2009). 
Os campos e subcampos estão relacionados em uma estrutura de descrição para cada dado 
catalográfico em específico, conforme descrito: 0XX - Informação de controle, números e códigos; 1XX - 
Entrada principal; 2XX Título e parágrafos do título; 3XX - Descrição física; 4XX - indicação da série; 5XX 
– Notas; 6XX – Assunto ; 7XX - Entradas secundárias; 8XX - Entradas secundárias de série; 9XX -
Informações locais (FURRIE, 2000). 
A representaçãodo livro “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, por exemplo, em formato Marc, 
pode ser visualizada abaixo: 
AMADO, Jorge. Capitães da areia : romance. 110. ed. Rio de Janeiro: 
Record, 2003 256 p.
 
 
114 
 
8.10 RESOURCE DESCRIPTION AND ACCES (RDA) 
 
O Resource Description and Access (RDA) é um padrão para catalogação descritiva lançado 
inicialmente em junho de 2010, o qual fornece instruções e diretrizes para a formulação de dados 
bibliográficos. Destinado ao uso por bibliotecas e outras organizações culturais, como museus e arquivos, 
a RDA é a sucessora das Regras de Catalogação Anglo-Americanas, Segunda Edição (AACR2). 
A RDA surgiu da Conferência Internacional sobre os Princípios e Desenvolvimento Futuro da AACR, 
realizada em Toronto em 1997. É publicado conjuntamente pela Associação Americana de Bibliotecas, a 
Federação Canadense de Associações de Bibliotecas e o Instituto Chartered de Profissionais de 
Biblioteconomia e Informação (CILIP) no Reino Unido. A manutenção da RDA é de responsabilidade do 
Comitê de Orientação da RDA (RSC). A partir de 2015, a RSC está passando por uma transição para uma 
estrutura de governança internacional, prevista para vigorar em 2019 (OLIVER, 2011). 
As instruções e diretrizes do RDA estão disponíveis por meio do RDA Toolkit, um serviço de 
assinatura on-line e em um formato impresso. Os materiais e textos de treinamento da RDA estão 
disponíveis on-line e impressos (OLIVER, 2011). 
O RDA esteve nas mãos dos mesmos responsáveis pelo AACR2, portanto, os dois códigos possuíam 
a mesma governança. “Estrutura” é uma palavra tão ampla que pode ser utilizada para se referir a muitas 
coisas do RDA: estrutura administrativa, estrutura das seções, capítulos, elementos, regras, estrutura. 
Muitas instruções do RDA derivam das AACR2. A RDA nasceu de uma tentativa inicial de fazer uma 
revisão radical das AACR (OLIVER, 2011). 
Os princípios desse novo código são os seguintes: 
- Diferenciação: os dados devem diferenciar um recurso de outro; 
- Suficiência: os dados devem ser suficientes para que o usuário possa selecionar o recurso apropriado às 
suas necessidades; 
- Relações: os dados devem mostrar as relações bibliográficas significativas que existem entre os recursos; 
- Representatividade: os dados devem refletir o recurso descrito; 
- Precisão: os dados devem ser inequívocos; 
- Uso comum: os dados usados, fora do previsto pelo próprio recurso, devem refletir o uso comum 
(OLIVER, 2011). 
A RDA introduz novos elementos descritivos, novas abordagens da descrição do suporte e do 
conteúdo e novas formas para melhorar o acesso. A RDA aperfeiçoa e tem como base diversas normas 
para descrição de recursos. A RDA é um modelo conceitual resultante do estudo realizado por um grupo 
de estudo da IFLA entre os anos de 1992 e 1997 (OLIVER, 2011). 
Antes de se optar pelo uso da norma RDA, faz-se necessária uma avaliação da instituição quanto 
aos custos e benefícios gerados para os usuários na busca por recursos informacionais. Vale destacar que 
o Brasil ainda não apresenta softwares com uma completa aderência aos modelos conceituais FRBR e 
FRAD, base teórica da RDA. Assim, os benefícios promulgados por esses modelos nos relacionamentos 
entre os registros e entidades ainda não podem ser verificados na recuperação da informação, que com 
os novos conceitos será mais apropriadamente denominada ‘descobertas de recursos’ (OLIVER, 2011). 
 
 
8.11 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? 
 
Questão 1 - Os Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos (FRBR) são um modelo conceitual do 
universo bibliográfico e estão possibilitando transformações no campo da Representação Descritiva e de 
modelagem de bancos de dados. Tendo em vista as entidades dos Grupos 1 e 2 dos FRBR, observe os 
enunciados a seguir: 
I. A publicação da primeira edição do livro “Ágata noturna”, de Emmanuel Tugny, pela editora Sulinas. 
II. A tradução do livro “The bookman’s pomise” para o português, por Alvaro Hattnher. As entidades dos 
115 
 
Grupos 1 e 2 dos FRBR que representam corretamente os relacionamentos apontados nos enunciados I e 
II são, respectivamente, 
A - Obra – Entidade coletiva e Expressão – Pessoa. 
B - Manifestação – Pessoa e Item – Entidade coletiva. 
C - Manifestação – Entidade coletiva e Expressão – Pessoa. 
D - Obra – Entidade coletiva e Obra – Pessoa. 
E - Manifestação – Entidade coletiva e Obra – Pessoa. 
 
Questão 2 - O novo padrão voltado para o mundo digital, que tem em seu desenvolvimento as bases 
estabilizadas pelo AACR2r e pela tradição anglo-americana em catalogação, na qual se baseia, é o: 
 (A) RDA (Resource Description and Access). 
(B)FRAD (Functional Requirements for Authority Data). 
(C)FRBR (Functional Requirements for Bibliographic). 
(D)ISBD (International Standard Bibliographic Description). 
Questão 3 – Observe excertos de um registro bibliográfico no formato MARC 21, transcritos a seguir, e 
assinale a opção que apresenta uma leitura CORRETA do registro: 
 
 a)O segundo indicador do campo 245 indica que será gerada uma nota secundária de título. 
 b)O campo 650 não foi utilizado corretamente, pois o mesmo é dedicado à descrição de assunto 
geográfico. 
 c)O campo 090 representa o número de chamada local adotado pela agência catalogadora. 
 D)O campo 240 informa que “Wuthering hights” é uma forma variante do título principal. 
 e)O campo 041 informa que a obra descrita apresenta textos em português e inglês. 
 
Questão 4 - As principais características do padrão de metadados MARC 21 são: 
a)estrutura descritiva simples, baseados em normas emergentes que descrevem e identificam o recurso 
de forma estruturada com propósitos gerais. 
b)estrutura descritiva complexa, altamente estruturada, com descrição específica, exaustiva, baseados 
em normas e códigos próprios de domínio bibliográfico. 
c)estrutura descritiva complexa, altamente estruturada, com descrição geral, simplificada, baseados em 
normas do domínio web. 
d)estrutura descritiva simples, não estruturada, de semântica reduzida, baseados em normas do domínio 
web. 
 
8.12 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 1 - A informação que descreve a estrutura de dados e sua relação com outros é dado o nome de 
Metadados. Assinale a afirmação correta sobre metadados: 
a)Registros bibliográficos não são considerados metadados. 
b)Os metadados diferem dos dados bibliográficos ou catalográficos porque a informação de localização 
acha-se contida no registro. 
c)Metadados não fornecem localização de documentos que estejam em pontos remotos. 
d)Os metadados seguem um padrão predeterminado. 
 
116 
 
Questão 2 - Em uma biblioteca digital, os padrões de metadados incluem metadados com funções 
distintas, que podem ser divididos em 
I. descritivos, usados na descrição de recursos informacionais. 
II. estruturais, utilizados na estruturação visual da biblioteca digital. 
 III. administrativos, empregados na administração de recursos informacionais. I, II e III são exemplos, 
respectivamente, de metadados para: 
a) catalogação de registros, apresentação de documentos na Internet e controle de acesso. 
b) digitalização de acervos, registro de exibição na base e conversão restrospectiva. 
c) recuperação da informação, formatação de documentos digitais e preservação de recursos. 
d) automação de coleções, composição de documentos eletrônicos e compartilhamento de aplicações. 
e) identificação de materiais, publicação de documentos na web e localização de recursos eletrônicos. 
 
Questão 3 - Os modelos conceituais Functional Requirements for Bibliographic Records (FRBR) 
e Functional Requirements for Authority Data (FRAD) influenciaram na estrutura teórica que dá forma 
à Resource Description and Access (RDA), na terminologia e nos conceitos, tendo como foco o: 
(A)formato de apresentação e o de recuperação 
(B)catálogo e o uso do dado bibliográfico 
(C)conteúdo e a definição do escopo da norma 
(D)registro bibliográfico e as normas de catalogação 
(E)usuário e as tarefas que precisa executarQuestão 4 - Com o crescente aparecimento de materiais em formato digital, foi necessária uma revisão 
do Código de Catalogação AACR2, surgindo o(a): 
(A)ICP – Princípios de Catalogação Internacional. 
(B)FRBR – Requisitos Funcionais para Registro Bibliográfico. 
(C)FRAD – Requisitos Funcionais para Dados de Autoridade. 
(D)ISBD – Descrição Bibliográfica Internacional Normalizada. 
(E)RDA – Recursos para Descrição e Acesso. 
 
Questão 5 - Analise as afirmativas abaixo, em relação aos metadados, assinalando aquelas que estão 
corretas. 
I. Um registro de metadados consiste em um conjunto de atributos ou elementos necessários 
especificamente para descrever recursos que estão disponíveis na internet. 
II. Assim como o Padrão Brasileiro de Metadados de Teses e Dissertações, o padrão Dublin Core também 
possui 15 elementos para descrição dos recursos. 
III. O elemento Descrição do Dublin Core compreende uma exposição sobre o recurso. 
IV. Diversos estudos e reuniões têm sido realizados para que seja feita uma total compatibilização entre o 
código RDA e o padrão de metadados Dublin Core. 
V. Os elementos descritivos do Dublin Core foram baseados nos campos variáveis mais importantes do 
MARC para descrição de itens informacionais. 
Assinale, a seguir, a alternativa em que foi indicada a sequência correta. A) I, II e III B) III, IV e V C) II, III e V 
D) I, III e IV 
 
Questão 6 - Em relação aos metadados, as afirmativas abaixo são verdadeiras, EXCETO. 
A)Os metadados surgiram com a necessidade de se criar uma estrutura para a descrição padronizada de 
documentos eletrônicos especificamente aplicados a bibliotecas digitais. 
B) Os metadados são importantes para facilitar a interoperabilidade e integração de recursos. 
C) O padrão Dublin Core de metadados foi elaborado em 1960 pela Library of Congress (LC) para atender 
a necessidade de se ter um padrão para entrada de dados bibliográficos nos primeiros sistemas de 
automação de biblioteca. 
117 
 
D) MARC, Dublin Core e RDF são padrões de metadados. 
 
Questão 7 - Em relação aos Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos (FRBR) e aos Requisitos 
Funcionais para Dados de Autoridade (FRAD), analise as afirmativas a seguir e assinale com V as 
VERDADEIRAS e com F as FALSAS. 
( ) Os modelos promovem uma mudança de perspectiva porque os dados são analisados segundo sua 
utilidade para os usuários do sistema. 
 ( ) O objetivo principal da RDA é atender às necessidades das bibliotecas. 
( ) Os modelos FRBR e FRAD são modelos de entidade-relação. 
( ) Uma Manifestação, que pertence ao segundo grupo do modelo FRBR, é a materialização de uma 
expressão de uma obra, ou seja, seu suporte físico que é representada pelo Item, um único exemplar de 
uma manifestação. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA. A) (F), (V), (F), (V). B) (V), (F), (V), (F). C) (V), 
(V), (V), (F). D) (F), (F), (F), (V). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
118 
 
MÓDULO IV 
 
 
 
 
ESTUDOS DE USUÁRIOS E USO DA 
INFORMAÇÃO 
 
Aula IX: Competência Informacional, 
COMUT e Normas Bibliográficas 
 
Aula X: Usuários, produtos, serviços, 
necessidades e usos 
 
119 
 
AULA IX: Competência Informacional, 
COMUT e Normas Bibliográficas 
 
 
Docente responsável: Jorge Santa Anna 
Bibliotecário atuante no ramo da Consultoria e Metodologia de Trabalhos Científicos. Professor de 
Metodologia de Pesquisa e aulas particulares de Biblioteconomia e áreas correlatas. Mestrando do 
Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do Conhecimento, da UFMG. Atua há mais de oito 
anos na Normalização Bibliográfica, com vasta produção bibliográfica publicada em periódicos científicos. 
Membro do comitê editorial da Revista Pró-Discente. 
 
CONTEÚDOS DA AULA 
 
120 
 
9 COMPETÊNCIA INFORMACIONAL 
 
Competência informacional (information literacy) é um termo que vem se adentrando ao contexto 
de atuação dos profissionais da informação. Usado inicialmente nos Estados Unidos para designar 
habilidades ligadas ao uso da informação eletrônica, ele foi assimilado pela classe bibliotecária e 
atualmente insere-se de forma vigorosa no discurso dos bibliotecários americanos. Cabe também ao 
profissional bibliotecário promover a divulgação dos itens documentários, permitindo que os usuários 
encontrem itens novos (CAMPELLO, 2003). 
No Brasil, o termo está em construção, sendo mencionado pela primeira vez, no ano 2000 
Caregnato (2000), traduzido como alfabetização informacional. Referia-se, à expansão do conceito de 
educação de usuários e ressaltava a necessidade de que as bibliotecas universitárias se preparassem para 
oferecer novas possibilidades de desenvolver nos alunos habilidades informacionais necessárias para 
interagir no ambiente digital (CAMPELLO, 2003). 
O trabalho de Dudziak (2003) considera a competência informacional além da tecnologia. A 
competência informacional é o mesmo que alfabetização informacional, letramento, literacia, fluência 
informacional, competência em informação. Não há como negar o potencial desse conceito no papel da 
Biblioteca Escolar (BE) quanto à educação no século XXI (CAMPELLO, 2003). 
As discussões em torno do tema Competência Informacional, no Brasil, foram tomada como 
estratégia pedagógica no âmago da biblioteca, de modo a construir um novo paradigma educacional para 
a biblioteca e de se repensar o papel do bibliotecário (CAMPELLO, 2003). 
Considerando o contexto peculiar do surgimento do termo competência informacional, no Brasil, 
o conceito de letramento seria o mais adequado para embasar ações que busquem ampliar a ação 
educativa da biblioteca (CAMPELLO, 2003). 
No contexto da BE, é preciso considerar a função educativa da biblioteca, tendo em vista o 
aparecimento do Serviço de Referência; a ampliação da Educação de Usuários (EU), a qual promoveu 
características pró-ativas nos usuários de bibliotecas. Assim, educação de usuário é uma antecedente da 
competência informacional (CAMPELLO, 2003). 
No final da década de 1950, surgiu no EUA, a Bibliographic Instruction, cujo objetivo foi instruir o 
leitor no uso da coleção, treinando-o para manusear fontes de informação consideradas apropriadas e 
relevantes para a aprendizagem de determinado tópico do currículo (CAMPELLO, 2003). 
Segundo Campello (2003), a fase inicial da educação de usuários centrou-se na abordagem da 
fonte ou foco na coleção, e a segunda fase desse tipo de educação sustentou-se na abordagem guia ou 
foco no programa. Todavia, novas abordagens permitem manifestar a valorização no aluno, tendo o 
bibliotecário e a biblioteca papel fundamental no processo de mediação da aprendizagem, conforme 
destacado no esquema abaixo: 
 
 
Em 1975, foi percebida a necessidade de se ampliar o espaço da biblioteca no processo 
pedagógico. Assim, novos padrões foram lançados, dessa vez recomendando a participação do 
bibliotecário no planejamento curricular (CAMPELLO, 2003). 
Nessa ocasião, o termo information literacy foi usado pela primeira vez. Em 1974, Paul Zurkowsky, 
então presidente da Information Industries Association, mencionou-o em relatório submetido à National 
Commission on Libraries and Information Science (CAMPELLO, 2003). 
Sugeriu que o governo norte-americano se preocupasse em garantir que a população do país 
desenvolvesse competência informacional que lhe permitisse utilizar a variedade de produtos 
informacionais disponíveis no mercado (CAMPELLO, 2003). 
121 
 
Assim, o termo passou a ter forte relação com a cidadania, pois cidadãos competentes no uso da 
informação teriam melhores condições de tomar decisões relativas à sua responsabilidade social. 
Na década de 1980, novas atribuições são direcionadas ao bibliotecário, sendo considerado como: 
1 - professor, encarregado de ensinar não apenas as habilidades que vinha tradicionalmente ensinando 
(localizar e recuperar informação), mas também envolvido no desenvolvimento de habilidades de pensar 
criticamente, ler, ouvire ver, enfim, ensinando a aprender a aprender; 
2 - consultor didático, encarregado de integrar o programa da biblioteca ao currículo escolar, 
colaborando no processo de ensino/aprendizagem e assessorando no planejamento e na implantação de 
atividades curriculares (CAMPELLO, 2003). 
As teorias da aprendizagem exercem influências marcantes no desenvolvimento da Competência 
Informacional e o papel do bibliotecário nesse contexto. Assim: Teoria Construtivista da Aprendizagem e 
Aprendizagem Baseada em Recursos viabilizou a Competência Informacional (CAMPELLO, 2003). 
Em 1983, houve a divulgação do documento A Nation at Risk: the Imperative for Educational 
Reform, que apresentou um diagnóstico da situação de deterioração em que se encontrava o ensino 
público nos Estados Unidos. No entanto, esse documento não menciona o potencial das bibliotecas e dos 
bibliotecários, o que promoveu uma REAÇÃO DOS BIBLIOTECÁRIOS (CAMPELLO, 2003). 
Como formas de reação, a classe promove a Divulgação do Libraries and the Learning Society: 
Papers in Response to A Nation at Risk, publicado em 1984 pela ALA, em que os autores demonstravam a 
contribuição que a biblioteca escolar poderia oferecer para uma educação que ensinasse o aluno a 
aprender a aprender e desenvolvesse habilidades para buscar e usar informação, consideradas essenciais 
para viver em uma sociedade complexa e mutável (CAMPELLO, 2003). 
Assim, o bibliotecário exerce a função pedagógica, assumindo os seguintes papéis: 
1 - Caregiver: o ato educativo possui uma dimensão afetiva; 
2 - Orientador (Coach): profissional estimula a aprendizagem; 
3 - Elo (Connector): conectar alunos com os recursos informacionais; 
4 - Catalisador (Catalyst): catalisador de mudanças. Visão global do aprendizado em todas as áreas 
(CAMPELLO, 2003). 
Além dessas conquistas, houve a publicação do Novo Information Power, em que foram incluídas 
nove habilidades informacionais, divididas em três grupos que abrangem: 
1) competência para lidar com informação; 
2) informação para aprendizagem independente; 
3) informação para responsabilidade social (CAMPELLO, 2003). 
A competência informacional foi a bandeira erguida pela classe bibliotecária americana para tirar a 
biblioteca do estado de desprestígio em que se encontrava. O tom do discurso do movimento é 
claramente o de exortação e de urgência para as mudanças demandadas pela sociedade da informação. 
É uma estratégia retórica que se centra na persuasão e que procura levar os praticantes a se 
convencerem da necessidade de transformação inevitável que virá com as novas exigências da sociedade 
da informação (CAMPELLO, 2003). 
Os bibliotecários são incitados a tomar atitude proativa, a fim de participar do esforço educativo 
que requer mais do que a visão ingênua e simplista do processo de busca e uso da informação. 
A Competência Informacional manifesta-se, portanto, como um discurso de dupla face, quanto ao 
trabalho do bibliotecário: 
1 – fazer tradicional: lidar com uma variedade de formatos de informação e na sua sensibilidade para 
entender as necessidades; 
2 – fazer inovador: atitudes condizentes com o novo ambiente social. 
Portanto, o foco da biblioteca tem de se deslocar dos recursos para o aluno, a fim de criar a 
comunidade de aprendizagem (CAMPELLO, 2003). 
Para Campello (2003), o ambiente da competência informacional é permeado pela (o): 
1 – Sociedade da informação, visto que a “sociedade da informação” é o espaço mais abrangente por 
onde trafega o movimento da competência informacional; 
122 
 
2 – Tecnologia da informação, pois, se a sociedade da informação é ambiente de abundância 
informacional, a tecnologia é o instrumento que vai permitir lidar com o problema, potencializando o 
acesso à informação e conectando as pessoas aos produtos da mente; 
3 – Teorias da aprendizagem, tendo em vista a consistência das teorias pedagógicas no discurso da 
competência informacional que vai ocorrendo à medida que o movimento amadurece; 
4 – Bibliotecário, o qual é a figura central no discurso da competência informacional. Visa desenvolver a 
competência informacional, assumindo as mudanças e se transformando em membro ativo da 
comunidade escolar, deixando para trás suas características de passividade e isolamento. 
Mesmo que tenha alcançado muitos avanços no contexto norte-americano, críticas se 
manifestaram em relação ao movimento. São algumas críticas: julgamentos de que o movimento era uma 
tentativa de captar recursos para as bibliotecas; Imprudência no uso da palavra literacy; e, por fim, 
dificuldades no entendimento da pergunta “O que significa dominar a leitura na Sociedade da 
Informação?” (CAMPELLO, 2003). 
No Brasil, o movimento tem acontecido, no entanto, as discussões se direcionam, 
especificamente, para o Letramento Informacional. Isso porque, a competência informacional está 
intimamente ligada à capacidade de leitura. Envolve a habilidade de ler e usar informação necessária para 
a vida cotidiana. Envolve também o reconhecimento da necessidade de informação e sua busca para 
tomar decisões bem embasadas (CAMPELLO, 2003). 
Assim, percebe-se que há espaço para trabalhar a competência informacional no bojo das 
questões do letramento, o que nos levaria ao letramento informacional. A questão está em aberto; 
entretanto, é necessário mais do que uma discussão terminológica (CAMPELLO, 2003). 
 
9.1 PROGRAMA DE COMUTAÇÃO BIBLIOGRÁFICA – COMUT 
 
O Comut permite a obtenção de cópias de documentos técnico-científicos disponíveis nos acervos 
das principais bibliotecas brasileiras e em serviços de informação internacionais. Podem-se solicitar os 
seguintes tipos de documentos: 
- periódicos técnico-científicos (artigos); 
- teses e dissertações (na íntegra ou parte); 
- anais de congressos nacionais e internacionais; 
- partes de documentos (capítulos de livros), desde que sejam autorizados pela Lei de Direitos 
Autorais (IBICT, 2013). 
A Gerência do Comut oferece aos seus usuários o serviço de Busca Monitorada. Esse serviço 
atende às solicitações de material bibliográfico existente no Brasil e no exterior e atende também a 
usuários estrangeiros. O valor é diferenciado. A busca no Brasil custa 2 (dois) bônus, enquanto a busca no 
exterior custa 4 (quatro) bônus (IBICT, 2013). 
Para participar do Comut, o usuário deve cadastrar-se no Programa, via internet, adquirir Bônus 
COMUT e preencher o formulário de solicitação (IBICT, 2013). 
O Programa de Comutação Bibliográfica (Comut) é um esforço conjunto do Ministério da Ciência e 
Tecnologia (MCT), por intermédio do IBICT e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); e do 
Ministério da Educação (MEC), por intermédio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível 
Superior (Capes) e da Secretaria de Ensino Superior (Sesu). O Comut tem por objetivo facilitar o acesso à 
informação necessária ao desenvolvimento educacional, científico e tecnológico do País (IBICT, 2013). 
O Programa foi instituído pela Portaria nº 456 de 5 de agosto de 1980, pelo então Ministério da 
Educação e Cultura, tendo como responsável a Capes. No mesmo ano, em 5 de novembro, foi feito um 
Termo de Ajuste em que o IBICT passou a compor com a Capes a corresponsabilidade pelo Comut. 
Em 5 de março de 2002, a nova Portaria conjunta nº 590 do MEC e do MCT adapta o Comut às 
novas estruturas administrativas e organizacionais de seus mantenedores. Esse novo marco legal instituiu 
o Programa junto à Capes, à Sesu (MEC), ao IBICT e à Finep (MCT) (IBICT, 2013). 
123 
 
O sistema foi automatizado em 1996, tendo como resultado a melhoria de todos os 
procedimentos administrativos e operacionais, possibilitando maior agilidade em todo o processo de 
comutação bibliográfica. 
Em outubro de 1998, em continuidade à modernização das operações de comutação bibliográfica 
no País, foi implantado, em âmbito nacional, um sistema de transferência eletrônica de documentos, com 
o propósito de acelerar o processo de atendimento ao usuário e ampliar a capacidadede atendimento 
das bibliotecas (IBICT, 2013). 
Atualmente, encontra-se em fase final de desenvolvimento um novo sistema com o objetivo de 
agregar novos produtos e serviços, adequando o Comut às novas tecnologias de informação e 
comunicação (IBICT, 2013). 
O Catálogo Coletivo Nacional de Publicações Seriadas (CCN) é um catálogo de acesso público que 
reúne informações sobre as coleções de publicações seriadas nacionais e estrangeiras disponíveis nas 
bibliotecas brasileiras. Essas bibliotecas, que compõem a rede CCN, possuem acervos automatizados e 
atuam de maneira cooperativa sob a coordenação do IBICT (IBICT, 2013). 
Os objetivos do catálogo coletivo são difundir, identificar e localizar publicações seriadas 
existentes no país; estabelecer políticas de aquisição de coleções; padronizar a entrada dos títulos 
conforme critérios internacionais; promover o intercâmbio entre bibliotecas, por meio do COMUT (IBICT, 
2013). 
Criado, em 1954, pelo então Instituto Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação (IBBD), o 
CCN constituiu-se, até sua automação, em 1968, em um catálogo convencional em fichas, prestando 
informações in loco, por telefone ou correspondência (IBICT, 2013). 
De 1970 a 1978, o sistema automatizado possibilitou a divulgação impressa do CCN por grandes 
áreas do conhecimento: Ciências Exatas e Tecnologia, Ciências Agrícolas e Veterinárias, Ciências da Saúde 
e Ciências Sociais e Humanas. Em 1978, devido ao crescimento constante de novos títulos e acrescido do 
inter-relacionamento entre as áreas do conhecimento, o IBICT optou pela divulgação do CCN em 
microfichas reunindo todas as áreas (IBICT, 2013). 
Inclui dados de publicações seriadas, nacionais e estrangeiras, e suas respectivas coleções que 
compõem os acervos das bibliotecas participantes da Rede CCN. Cada registro contém os dados do título, 
siglas das bibliotecas e os dados de coleções (IBICT, 2013). 
O CCN também indica o endereço eletrônico das revistas que disponibilizam, gratuitamente, os 
artigos em texto completo na internet (IBICT, 2013). 
As referências bibliográficas dos títulos estão apresentadas segundo padrões internacionais, 
utilizando-se para a definição dos elementos de dados o International Serials Data System (ISDS) e, para a 
descrição bibliográfica do título, as regras do International Standard Bibliographic Description (ISBD(S). 
O vocabulário utilizado na descrição temática de cada título é o Tesauro Science Policy Information 
Exchange System (SPINES), desenvolvido pela UNESCO, acrescido de termos livres (IBICT, 2013). 
Cada registro da base de dados contém um conjunto de informações que descrevem uma 
publicação seriada e estão reunidas e estruturadas em campos de dados (metadados) (IBICT, 2013). 
A Rede CCN está estruturada para desenvolver suas funções operacionais de forma 
descentralizada a partir de uma coordenação central, localizada no IBICT (IBICT, 2013). 
A alimentação dos dados de coleção é efetuada por meio da cópia da base de dados da biblioteca 
que deve ser remetida via Internet de acordo com padrões previamente estabelecidos pelo IBICT. O 
processamento dos dados é realizado diariamente pelo IBICT e a alimentação dos dados pelas bibliotecas 
participantes, ocorre em uma periodicidade média trimestral (IBICT, 2013). 
 
9.2 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? 
 
Questão 1 - Segundo Campello (2009), o Information Power é um documento que foi desenvolvido pela 
American Association of School Librarians, em conjunto com a Association for Educational 
Communication and Technology, em 1998. As normas e parâmetros de letramento informacional 
http://comut.ibict.br/comut/
124 
 
apresentados no documento dividem-se em três segmentos: (1) _________, que enfatiza as habilidades 
de acessar, avaliar e usar informação; (2) _________, que diz respeito à capacidade de buscar e usar 
informação de maneira independente; e (3) __________, que explora o uso social da informação, 
abordando a atitude ética com relação à informação e ao compartilhamento de práticas informacionais. 
Assinale a opção que apresenta os termos que preenchem corretamente as lacunas acima, observando a 
ordem na qual aparecem: 
a) busca da informação - conduta independente - geração social do conhecimento 
b) competência informacional - geração de informação - aprendizagem de tecnologias 
c) competência informacional - aprendizagem independente - responsabilidade social 
d) aprendizagem independente - responsabilidade social - conduta ética e) busca da informação - 
aprendizagem independente - aprendizagem social 
 
Questão 2 - Entre as décadas de 1980 e 1990, segundo Campello (2003), “as teorias educacionais exigiam 
que se redesenhassem novas formas de mediação para o bibliotecário, em um modelo em que o usuário 
ficaria no centro do processo de aprendizagem”. Nesse sentido, relacione os papéis do bibliotecário e as 
funções pedagógicas sugeridas por Stripling (1996, citado por Campello, 2003): 
1. Caregiver. 2. Orientador. 3. Elo. 4. Catalisador. 
( ) O bibliotecário conecta os alunos com as ideias concretizadas no universo dos recursos informacionais 
disponíveis. 
( ) O bibliotecário estimula a aprendizagem, levando o aluno a buscar as fontes, estratégias e respostas 
para suas necessidades. 
 ( ) O bibliotecário colabora no planejamento curricular e facilita a aprendizagem, por estar em uma 
posição privilegiada e por ter uma visão global do processo de aprendizagem em todas as áreas. 
( ) O bibliotecário apoia a aprendizagem individualizada, auxiliando cada aluno em suas necessidades 
específicas, respeitando seu estilo de aprendizagem. Assinale a alternativa que apresenta a sequência 
CORRETA. 
A) 3, 4, 2, 1. B) 3, 2, 1, 4. C) 3, 2, 4, 1. D) 3, 1, 2, 4. 
 
Questão 3 - O Programa de Comutação Bibliográfica COMUT, instituído pelo CAPES, no início dos anos 80 
com a colaboração do IBICT, tinha por finalidade precípua facilitar o acesso aos documentos, 
especialmente artigos de periódicos, nas tarefas de pesquisa bibliográfica. Esse Programa, inicialmente, 
incluía apenas as bibliotecas: a) universitárias. b) públicas federais. c) especializadas. d) especiais. 
e) ligadas à Biblioteca Nacional. 
 
Questão 4 - O COMUT é um serviço oferecido pelo IBICT que permite: 
A. fazer cópias de livros e teses disponíveis nas bibliotecas participantes do programa. 
B. obtenção de cópias de documentos técnico-científicos disponíveis no acervo das principais 
bibliotecas nacionais e em serviços de informação internacionais. 
C. ao usuário cadastrado, cópias gratuitas dos documentos solicitados. 
D. obtenção do documento original por meio de empréstimo solicitado via internet. 
 
Questão 5 - No Brasil, a Comutação Bibliográfica pode ser realizada pelo COMUT, que se caracteriza 
como: 
(A) rede cooperativa nacional e internacional. 
(B) rede de serviço de busca e recuperação da informação. 
(C) rede e serviço de apoio institucional a sistemas de informação. 
(D) sistema de recuperação da informação em linha. 
(E) serviço de busca e recuperação da informação de distribuidores de base de dados. 
 
125 
 
9.3 NORMAS DE TRABALHOS E PUBLICAÇÕES 
 
9.3.1 NBR 14724 
 
A NBR 14724 especifica os princípios gerais para a elaboração de trabalhos acadêmicos (teses, 
dissertações e outros) visando sua apresentação à instituição (banca examinadora de professores, 
especialistas designados e/ou outros). Essa norma aplica-se, no que couber, aos trabalhos intra e 
extraclasse da graduação. 
A citada norma delimita os elementos: 1 - pré-textuais, que são: Capa (obrigatório), Lombada 
(opcional), Folha de rosto (obrigatório), Errata (opcional), Folha de aprovação (obrigatório), Dedicatória(s) 
(opcional), Agradecimento(s) (opcional), Epígrafe (opcional), Resumo em língua vernácula (obrigatório), 
Resumo em língua estrangeira (obrigatório), Lista de ilustrações (opcional), Lista de tabelas (opcional), 
Lista de abreviaturas e siglas (opcional), Lista e símbolos(opcional), Sumário (obrigatório); 2 – Os 
Elementos textuais: Introdução, Desenvolvimento, Conclusão; e os 3 - Elementos pós-textuais: 
Referência (obrigatório), Glossário (opcional), Apêndice (opcional), Anexo(s) (opcional), Índice(s) 
(opcional). 
 
9.3.2 NBR 10520 
 
Essa norma especifica as citações em documentos. As citações são menção de uma informação 
extraída de outra fonte. A citação de citação é a citação direta ou indireta de um texto em que não se 
teve acesso ao original. A citação direta corresponde à transcrição textual de parte da obra do autor 
consultado. A citação indireta é um texto baseado na obra do autor consultado. 
Nas citações, as chamadas pelo sobrenome do autor, pela instituição responsável ou título 
incluído na sentença devem ser em letras maiúsculas e minúsculas e, quando estiverem entre parênteses, 
devem ser em letras maiúsculas. 
 
9.3.3 NBR 6023 
 
Essa norma estabelece os elementos a serem incluídos em referências. Fixa a ordem dos 
elementos das referências e estabelece convenções para transcrição e apresentação da informação 
originada do documento e/ou outras fontes de informação. Destina-se a orientar a preparação e 
compilação de referências de material utilizado para a produção de documentos e para inclusão em 
bibliografias, resumos, resenhas, recensões e outros. 
São caracterizados como principais elementos de uma referência: autor(es): pessoa(s) física(s) 
responsável(eis) pela criação do conteúdo intelectual ou artístico de um documento. Autor(es) 
entidade(s): Instituição(ões), organização(ões), empresa(s), comitê(s), comissão(ões), evento(s), entre 
outros, responsável(eis) por publicações em que não se distingue autoria pessoal. Capítulo, seção ou 
parte: divisão de um documento, numerado ou não. Documento: Qualquer suporte que contenha 
informação registrada, formando uma unidade, que possa servir para consulta, estudo ou prova. Inclui 
impressos, manuscritos, registros audiovisuais, sonoros, magnéticos e eletrônicos, entre outros. Edição: 
todos os exemplares produzidos a partir de um original ou matriz. Pertencem à mesma edição de uma 
obra todas as suas impressões, reimpressões, tiragens etc., produzidas diretamente ou por outros 
métodos, sem modificações, independentemente do período decorrido desde a primeira publicação. 
Editora: casa publicadora, pessoa(s) ou instituição responsável pela produção editorial. Conforme o 
suporte documental, outras denominações são utilizadas: produtora (para imagens em movimento), 
gravadora (para registros sonoros), entre outras. 
 
 
126 
 
9.4 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? 
 
Questão 1 - De acordo com a seção 5.2.3 da NBR 14724:2011, que trata da apresentação de trabalhos 
acadêmicos, os títulos sem indicativo numérico devem ser centralizados. Assinale a opção que apresenta 
somente títulos que se enquadram nessa situação. 
a) resumo, lista de ilustrações, referências, conclusão, apêndice 
b) errata, agradecimentos, sumário, glossário, índice 
c) folha de aprovação, abstract, introdução, referências, índice 
d) folha de aprovação, agradecimentos, dedicatória, referência, apêndice e) epígrafe, lista de tabelas, 
introdução, conclusão, glossário. 
 
Questão 2 - Analise as afirmativas abaixo com base na NBR 10520, de agosto de 2002, que especifica as 
características exigíveis para apresentação de citações em documentos e assinale (V) para as 
VERDADEIRAS e (F) para as FALSAS. 
( ) Notas explicativas são aquelas usadas para comentários, esclarecimentos ou explanações, que não 
possam ser incluídos no texto. 
( ) Notas de referência indicam fontes consultadas ou remetem a outras partes da obra onde o assunto foi 
abordado. 
( ) A citação indireta é aquela baseada na obra do autor consultado. 
( ) Notas de rodapé apresentam indicações, observações ou aditamentos ao texto feitos pelo autor, 
tradutor ou editor. Assinale a alternativa em que foi indicada a sequência CORRETA. A) V, V, V, V. B) V, 
V, V, F. C) V, V, F, F. D) V, F, F, F. 
 
Questão 3 - Analise os elementos pré-textuais da estrutura de trabalhos acadêmicos: 
 1. Folha de rosto 2. Errata 3. Folha de aprovação 4. Dedicatória 5. Agradecimentos 6. Epígrafe 7. Resumo 
na língua vernácula 8. Resumo em língua estrangeira 9. Lista de ilustrações 10. Lista de tabelas 11. Lista 
de abreviaturas e siglas 12. Lista de símbolos 13. Sumário. 
 Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA de números com os itens opcionais de acordo 
com a NBR 14724 (2011): 
A) 4, 5, 6, 8, 9, 10, 11, 12. B) 3, 4, 5, 8, 9, 10, 11, 12. C) 2, 3, 4, 5, 6, 9, 11, 12. D) 2, 4, 5, 6, 9, 10, 
11, 12. 
 
Questão 4 - De acordo com a NBR 6023, de 2002, que estabelece os elementos a serem incluídos em 
referências, os elementos essenciais da publicação periódica como um todo são, EXCETO: 
 A) Editora. 
B) Data de início. 
C) Volume. 
 D) Local de publicação 
Questão 5 - Em 2006, José Augusto Chaves Guimarães e Natália Bolfarini Tognolli apresentaram, no XXIX 
Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, o trabalho intitulado “Arquivística pós-
moderna, diplomática arquivística e arquivística integrada: novas abordagens para a construção de uma 
disciplina contemporânea”. O evento foi realizado na cidade de Maceió, Alagoas, e organizado pela 
Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, que também foi responsável pela publicação dos 
anais. O trabalho foi publicado às páginas 125 a 140 dessa obra. Segundo a NBR 6023, a referência 
bibliográfica do trabalho acima mencionado é: 
 
127 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
 
CAMPELLO, B. S. O movimento da competência informacional: uma perspectiva para o letramento 
informacional. Ciência da Informação, Brasília, v. 32, n. 3, 2003. 
 
IBICT. Programa de Comutação Bibliográfica. Brasília, 2013. 
 
ABNT. NBR 14724: informação e documentação: trabalhos acadêmicos. Rio de Janeiro, 2011. 
 
ABNT. NBR-10520: informação e documentação: citações em documentos. Rio de Janeiro, 2002. 
 
ABNT. NBR 6023: informação e documentação: referências. Rio de Janeiro, 2002. 
 
 
 
 
 
128 
 
AULA X: Usuários, produtos, serviços, 
necessidades e usos 
 
Docente responsável: Jorge Santa Anna 
Bibliotecário atuante no ramo da Consultoria e Metodologia de Trabalhos Científicos. Professor de 
Metodologia de Pesquisa e aulas particulares de Biblioteconomia e áreas correlatas. Mestrando do 
Programa de Pós-Graduação em Gestão e Organização do Conhecimento, da UFMG. Atua há mais de oito 
anos na Normalização Bibliográfica, com vasta produção bibliográfica publicada em periódicos científicos. 
Membro do comitê editorial da Revista Pró-Discente. 
 
Bibliotecária colaboradora: Flávia Ferreira Abreu 
Possui graduação em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2010), especialização 
em Gestão Estratégica da Informação pela Federal de Minas Gerais (2012). Atualmente, é mestranda do 
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação/UFMG. Tem experiência na área de Ciência da 
Informação, com ênfase em Gestão da Informação, atuando principalmente nos seguintes temas: leituras 
compartilhadas; bibliotecas itinerantes, mediação de leituras e em gestão de sistema da informação. 
 
CONTEÚDOS DA AULA 
 
129 
 
10 DISSEMINAÇÃO DA INFORMAÇÃO 
 
A força da informação como elemento para o avanço do conhecimento; para conhecer o outro, 
reconhecendo-se o homem como ser no mundo; e, ao conhecer o próximo, pode estabelecer uma inter-
relação de respeito e de equilíbrio social: de cidadania. Disseminar significa, em alguma medida, divulgar, 
difundir, propagar, mediante condições e recursos de que se cerca o agente (BARROS, 2003, p. 14). 
A construção da cidadania, como decorrente do direito à informação e à leitura, não deixa de ser 
uma contribuição, embora nula se não for transformada pela ação diária de convencimento dos outros 
segmentos intelectuais, sobre a necessidade de transformar a realidade concreta, passando do discurso, 
da formulação legal, paraa ação (SOUZA, 1994, p. 20). 
Temas de discussão para bibliotecários no contexto da construção da cidadania: 
• Identidade cidadã do bibliotecário; 
• Poder de intervenção; 
• Identidade profissional; 
• Autonomia de sua profissão na sociedade; 
• O que ele pensa com os compromissos de classe; 
• O que a sociedade civil pensa (BARROS, 2003). 
 
O processo de disseminar informações envolve dois aspectos fundamentais: 
• o pressuposto de que há informações a serem disseminadas; 
• e que o próprio processo envolve estratégias e técnicas de comunicação. 
 
Assim, um serviço de disseminação de informação, planejado e funcionando em conformidade 
com a estratégia e objetivos de acordo com o perfil de seus usuários, estimula a criatividade e a inovação, 
contribuindo com o êxito do processo de aprendizagem e construção do conhecimento (BARROS, 2003). 
 
10.1 O PAPEL DO PROFISSIONAL NA DISSEMINAÇÃO 
 
O profissional da informação que, se tiver ele mesmo a consciência do conceito de cidadania, 
deverá estar atento às suas competências e conhecimentos desde a organização da informação, o 
desenvolvimento do acervo, as condições do acesso, do atendimento e a disseminação propriamente dita 
(BARROS, 2003, p. 25). 
O panorama concreto de virtualidade e instantaneidade da informação permite que o usuário da 
informação – não mais apenas da biblioteca – conquiste cada vez mais sua autonomia no controle dos 
processos de busca, de escolha e de satisfação das suas necessidades informacionais. 
Informar continua sendo a função básica do bibliotecário; o que muda, ao longo do tempo, é a 
maneira como ele assume (ou não assume) esse papel, qualificando-o pela formação continuada, pela 
postura profissional, pelo posicionamento social, pelas estratégias e pelo instrumental adotado (BARROS, 
2003, p. 30). 
Por esse papel, o profissional consegue ajudar o usuário a encontrar-se como leitor. 
Com sensibilidade, o profissional bibliotecário, pelos serviços que presta ao usuário, muitas vezes 
dinamiza a informação disponível, entretanto, nesse papel, pesa bastante a falta de orientação para o uso 
da informação, que pode inclusive, criar o desconforto de existir material ocioso, evidenciado pelas 
estatísticas e desequilibrando na relação custo – benefício. 
Por outro lado, a mediação não se restringe à leitura, mas estende-se aos serviços e desenvolve 
para o usuário, em sua unidade de informação. 
A função do bibliotecário, ao disseminar a informação, perpassa pelos âmbitos informacionais, 
educacionais e culturais. 
Para exercer essas funções, o profissional deve desenvolver atividades de promoção da cidadania 
e o desenvolvimento social da comunidade a qual atende. 
130 
 
O profissional precisa valorizar o exercício de atividades de cunho pedagógico que incentivem o 
crescimento da intelectualidade. O profissional amplia sua integração e sua influência na sociedade e, por 
conseguinte seu comprometimento político. Portanto, se o trabalho técnico do bibliotecário não estiver 
ancorado na consciência política, a sua ação será inócua em termos de transformação social. 
Faz-se necessário, no âmago da disseminação, que o profissional manifeste-se como mediador, 
com nuances de tutor, professor, com uso de diferentes mídias para garantir a conexão do acervo com o 
usuário. 
A disseminação é uma das cinco linhas do Serviço de Referência. Contempla dois importantes 
serviços, que são: 
1 – DSI (tradicional e tecnológica): ordem especializada; perfis específicos de públicos e unidades; 
2 – Serviços de alerta: divulgar o que é novo, como em: murais com notícias de eventos, novos 
itens adquiridos, boletins, bibliografias, folhetos variados, em diferentes mídias. 
As bibliotecas públicas se configuram em legítimo espaço público, voltado para atender as 
demandas sociais, oferecendo oportunidade igualitária e democrática a todo cidadão que faz uso do seu 
espaço, não apenas para buscar conhecimento ou cultura, mas também para fazer desse espaço, palco 
para as reflexões diárias, para o debate participativo de todos os problemas sociais e necessidades de 
cada cidadão (BARROS, 2003). 
 
 
10.2 SERVIÇO DE REFERÊNCIA 
 
Os serviços de referência surgem nas bibliotecas públicas norte-americanas, no final do século XIX. 
A partir da década de 1990, a introdução das tecnologias da informação e comunicação (TICs) modifica a 
concepção do serviço de referência presencial, doravante associado a um serviço de referência digital que 
utiliza a internet (ACCART, 2012). 
Surge então, a função “Ask a Librarian”, pergunte ao bibliotecário, e nos sítios das bibliotecas 
universitárias são instalados chats para estabelecer contato direto entre o bibliotecário e o usuário 
(ACCART, 2012). 
Cada pessoa deve ter as competências para aproveitar plenamente a sociedade da informação. É 
essencial, portanto, desenvolver as capacidades e garantir a familiarização com as TICs. Essas tecnologias 
podem contribuir para a educação de todos no mundo inteiro (ACCART, 2012, p. 5). 
O Serviço de Referência nas bibliotecas precisa ocupar posição que lhe permite ser imediatamente 
identificável pelo usuário. Precisa contar com locais para consulta e com obras de referência. 
Ao bibliotecário de referência nas universidades, incube ajudar os alunos nas pesquisas e na 
compilação de suas bibliografias. Dá-se ênfase na entrevista de referência (reference interview) que 
constitui vasta literatura. 
1 – Primeira mudança nos SR: uso do telefone; 
2 – Segunda mudança: uso da internet, a partir de 1990 (ACCART, 2012). 
Uma das origens do conceito de mediação (ou intermediação) está no desenvolvimento das 
tecnologias da informação que permitem orientar de forma diferenciada os serviços, oferecer capacitação 
dos usuários na utilização dos recursos informatizados (consulta de catálogos em linha, a base de dados, 
mecanismos de busca), auxílio na orientação dos serviços, criação de novos produtos, aplicação de 
marketing, monitoramento da informação (ACCART, 2012, p. 15). 
A mediação é o conjunto de relações públicas e de coleções, que resulta em uma transferência de 
informação, através do fornecimento de informação, orientação, ajuda, busca por informações e 
documentos. Também denominada de mediação da informação ou mediação documental. Essa mediação 
pode ser: 
a) a mediação social, destinada a diferentes públicos-alvo de meios migrantes ou desfavorecidos de 
acesso a livros ou cultura; 
131 
 
b) a mediação cultural, a qual se aplica à política cultural em consonância com a cidade, região, 
universidade, país. Ela permite a organização de exposições, conferências e debates. 
c) a mediação digital, que leva em conta a dimensão virtual da rede e facilita o acesso à informação 
digital. Importa ressaltar que os serviços que crescem com os usuários na vida real, também podem ser 
desenvolvidos de forma virtual (ACCART, 2012). 
As quatro missões do profissional da referência: 
1 – ajudar os usuários a compreender o funcionamento da biblioteca; 
2 – responder às perguntas dos usuários; 
3 – ajudar os usuários a selecionar as obras boas; 
4 – desenvolver competências para acesso e uso das fontes documentais e da informação, em geral. 
No que tange à organização do Serviço de Referência, é preciso considerar as atribuições em 
relação à equipe de referência, que são: 
- Deontologia e responsabilidade jurídica; 
- Responsabilidade jurídica; 
- Qualidades do profissional de referência: habilidades técnicas, conhecimento teórico, 
personalidade, qualidades intelectuais e comportamentais. 
 
10.3 SERVIÇO DE REFERÊNCIA PRESENCIAL 
 
Está relacionado ao lugar físico, local onde as pessoas são recebidas, onde são fornecidas 
informações - na biblioteca, no arquivo, serviço de documentação, seja junto ou separado do serviço a 
distância. O SR é um serviço completo que presta respostas personalizadas a uma consulta explícita 
em busca de informações bibliográficas e documentais (ACCART, 2012). 
Esse serviço compreende aassistência pessoal prestada aos leitores pelo bibliotecário. Essa 
assistência deve sem completa, haja vista satisfazer as necessidades dos usuários (pessoalmente, por 
telefone ou por correio eletrônico) (ACCART, 2012). 
Nesse contexto inovador, surgem os serviços biblioteconômicos virtuais, norteados em um 
ambiente estruturalmente e assistencialmente automatizado, em que convergem para um público 
mais volátil, menos regular, e também, graças à presença da internet, acessível em qualquer instante 
e em qualquer lugar (ACCART, 2012, p. 163). 
 
10.4 SERVIÇO DE REFERÊNCIA VIRTUAL 
 
Oferece um ponto de acesso único em linha que o usuário pode identificar imediatamente, ao 
qual ele apresenta uma solicitação, entregue aos cuidados de profissionais qualificados, solicitação essa 
que enseja uma resposta rápida, pertinente e de qualidade (ACCART, 2012). 
O serviço de referência virtual – elementos do conceito: 
1 – um serviço de informação identificado; 
2 – quadro de pessoal para mediação humana; 
3 – uma nova mídia; 
4 – uma função de especialista; 
5 – um funcionamento colaborativo; 
6 – um contexto competitivo (ACCART, 2012). 
O SRV é o fornecimento de referência tradicional por intermédio de mídia eletrônica. Representa uma 
rede de competências, uma intermediação humana e recursos colocados à disposição dos usuários num 
ambiente em linha. Três elementos se manifestam: 
1 – O recurso a uma rede de competências; 
2 – uma intermediação humana; 
3 – recurso em linha à disposição dos usuários (ACCART, 2012). 
 
132 
 
O SRV, no âmago do Open Archives, requer algumas funções do bibliotecário de referência, que são: 
1 – Função de formação: mostrar a necessidade de saber usar fontes confiáveis; 
2 – Função de comunicação: preparar as páginas iniciais dos documentos abertos ou dos ambientes 
de armazenamento; 
3 – Função de orientação: seleciona os recursos adequados e confiáveis e guia o usuário à localização 
dessas fontes. 
Implantação dos SRVs: 
1 – Aspectos normativos e legais; 
2 – Aspectos técnicos; 
3 – Aspectos organizacionais. 
O SR pode congregar-se por meio de uma rede. A REDE DE REFERÊNCIA VIRTUAL COLABORATIVA 
corresponde a uma rede que reúne diversos serviços de referência virtuais em torno de uma ou várias 
temáticas e que tem objetivos comuns: compartilhamento de recursos, sejam eles humanos ou 
documentários. 
A comunicação no SR: 
- Ocorre: - junto aos usuários reais; - em geral, no meio profissional, nos usuários potenciais; 
- entre a equipe de referência. 
É preciso estabelecer um plano de comunicação, com os seguintes objetivos: 
- Por que comunicar? 
- Qual a mensagem divulgada no plano? 
- Qual o público-alvo? 
- Quais recursos utilizar? 
- Quais ferramentas? 
“Não perder a ligação com o usuário virtual”. Essa poderia ser o cerne (a mensagem) principal do 
SRV. Se na rede é difícil captar um usuário virtual, as bibliotecas devem ser visíveis nas diferentes mídias e 
na internet. A frase “O futuro é virtual” não é uma frase vazia, pois se inscreve na realidade atual e futura 
dos serviços de referência. 
 
 
10.5 VAMOS EXERCITAR JUNTOS? 
 
Questão 1 - A disseminação da informação por meio da publicação de listas com novas aquisições 
bibliográficas para fins de divulgação do acervo é chamada de 
• A.provisão de documento. 
• B.serviço de alerta. 
• C.orientação de usuário. 
• D.levantamento de bibliografia 
 
Questão 2 - A forma de divulgação contínua e regular das informações ou materiais recebidos pelas unidades de 
informação, por meio de serviços de alerta, elaboração de boletins informativos, e sumários correntes, com o 
objetivo de levar ao conhecimento dos usuários as informações de seu interesse denomina-se 
• A.seleção da informação. 
• B.registro da informação. 
• C.tratamento da informação. 
• D.disseminação da informação. 
• E.armazenamento da informação. 
 
Questão 3 - Analise as características da biblioteca universitária, segundo Accart (2012), e assinale (V) para as 
alternativas VERDADEIRAS e (F) para as FALSAS. 
133 
 
 ( ) É geralmente especializada. 
( ) O serviço de referência é concebido como uma ajuda secundária ao ensino e à pesquisa. 
 ( ) Não se assemelha a um serviço especializado de documentação. 
 ( ) Os bibliotecários realizam pesquisas “para ou em lugar de” estudantes e docentes. Assinale a 
alternativa que apresenta a sequência CORRETA. 
A) V, F, F, F. B) F, V, F, V. C) F, V, F, F. D) F, F, F, F. 
 
Questão 4 - De acordo com Accart (2012), o profissional de referência tem deveres (coluna II) em relação ao 
usuário e à informação (coluna I). Relacione, abaixo, aqueles referentes ao usuário ou à informação. 
1) Usuário 2) Informação 
( ) As informações que o profissional detém sobre os usuários e suas pesquisas são confidenciais e não 
podem ser divulgadas nem arquivadas por um longo período, o que caracteriza o respeito à 
confidencialidade. 
( ) Sigilo profissional no que se refere a certas informações que lhe são confiadas. 
( ) A informação fornecida deve ser fiel às fontes, as quais devem ser identificadas. O profissional é 
responsável pela informação fornecida, ou seja, pela conformidade com as fontes. 
( ) Respeito aos direitos de autor no que se refere às fontes de informação citadas e utilizadas. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência de números CORRETA. A) (1) (2) (2) (1). B) (2) (1) (2) 
(1). C) (1) (1) (2) (2). D) (1) (2) (1) (2) 
 
 
10.6 USUÁRIOS: NECESSIDADES E ESTUDOS 
 
O crescente volume de publicações gerado pelas sociedades científicas passou a exigir a criação de 
bibliotecas para reuni-las, organizá-las e armazená-las. E foram assim, no campo das pesquisas científicas 
e industriais do século XIX, que se desenvolveram os serviços de informações em bibliotecas e surgiram 
os serviços formais de auxílio ao usuário em bibliotecas (PESSOA; CUNHA, 2007). 
Com o passar dos anos, as bibliotecas e as informações tornaram-se cada vez mais especializadas e 
os usuários passaram a exigir mais tempo e atenção dos bibliotecários, fenômeno percebido, 
primeiramente, nas bibliotecas universitárias. Com o aumento de bibliotecas especializadas nas áreas 
comercial, industrial e administrativa, também os serviços de referência se especializaram para satisfazer 
as solicitações desses usuários (PESSOA; CUNHA, 2007). 
Mudam as maneiras de se prestar os serviços conforme a realidade das bibliotecas, e, a cada dia, 
cresce o número de ferramentas que auxiliam na organização documentária e na busca e recuperação de 
informações. 
Muitos recursos tecnológicos são resultados da revolução dos meios de comunicação e das 
demandas altamente diferenciadas que os usuários propõem. Por isso, pressionadas pelo mundo 
globalizado, as bibliotecas e unidades de informação acabam por modificar sua estrutura, seus processos, 
e seus produtos e serviços. O advento da indústria on-line, na década de 1970, acelerou essa mudança 
com a produção de catálogos que se constituíam de citações bibliográficas e de índices. A diminuição dos 
custos de armazenamento e o consequente aumento do número de buscas permitiram acrescentar 
resumos a muitos desses catálogos. Isso levou os usuários a buscarem o documento primário e essa é 
uma tendência que ainda persiste: o texto completo da informação primária sendo oferecido on-line. 
Novas necessidades e demandas: novos serviços Serviços de referência 
 
 
1ª Conferência da American Library Association, em 1876, quando o bibliotecário Samuel Swett Green 
falou sobre a relevância do auxílio aos leitores, que necessitavam de orientação para fazerem bom uso 
das coleções disponíveis. 
134 
 
 
O serviço de referência abrange todo o espectro que inclui desde uma vaga noção de auxílio aos 
leitores até um serviço de informação muito esotérico, muito abstrato e altamente especializado. Nesse 
serviço, nota-se a interação entre o bibliotecário de referência e o leitor (hoje denominado

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