Prévia do material em texto
Colinérgicos e Anticolinérgicos POR: DÉBORA STHER | @STHERDEBORA | 4° PERÍODO FISIOTERAPIA 17/9/21 Colinérgios e anticolinérgicos Para entender a dinâmica e atuação dos adrenérgicos e antiadrenérgicos é importante relembrar sobre os neurotransmissores do SNA: Panorama farmacológico da neurotransmissão do SNA SISTEMA COLINÉRGICO Acetil-coA (proveniente da respiração celular) + Colina (adquirido pela alimentação) = acetilcolina A acetilcolina passa a ser armazenada em vesículas. Com a abertura de canais de Ca+ voltagem dependentes a partir da despolarização da célula, essas vesículas são deslocadas próximas à membrana pré-sináptica. Quando liberada, a acetilcolina pode ter diferentes destinos: 1) Ligação com receptores muscarínicos 2) Ligação com receptores nicotínicos 3) Degradação pela acetilcolinesterase 4) Ligação com autos receptores – modulação da liberação de acetilcolina através do bloqueio de canais de Ca+ Com isso em mente, podemos entender os possíveis alvos farmacológicos e, consequentemente, os fármacos atuantes nesse sistema. RECEPTORES DO SNP Ambos os receptores são ativados pela acetilcolina. Receptores muscarínicos: ativados pela muscarina encontrada na Amanita muscaria e bloqueados pela atropina. Os receptores muscarínicos são ativados por meio metatrópico, ou seja, são receptores acoplados à proteína G. Podem ser divididos em 5 tipos (M1-M5): - Os receptores ímpares (M1, M3 e M5) são envolvidas na ativação de outras células - Os receptores pares (M2 e M4) são associadas a outras proteínas estando envolvidas em atividades inibitórias, na maioria das vezes. Receptores nicotínicos: ativados pela nicotina e bloqueados pela tubocurarina (curare) encontrado na folha do tabaco. Os receptores nicotínicos são ativados por meio ionotrópico, ou seja, são canais iônicos. Podem ser divididos em três tipos: - Nn (neuronal); - Nm (muscular); - Ganglionar O que difere os canais iônicos neuronal e muscular é a composição distinta entre eles. Cada um possui um arranjo de subunidades diferentes, o que lhe garante características diferentes. Divisão de receptores nicotínicos Resumindo... Os tipos de receptores nicotínicos e muscarínicos do SNA e suas características importantes - Efeito paradoxal dos receptores M3 nos vasos sanguíneos -- Estrutura dos vasos sanguíneos Efeito paradoxal dos receptores M3 nos vasos sanguíneos O receptor muscarínico M3 está presente na musculatura lisa dos vasos e na camada endotelial dos vasos sanguíneos. No músculo liso, quando ativado, esse receptor abre canais para Ca+ o que tem por resultado final a contração muscular, ou vaso constrição no caso. Já na camada endotelial, que não possui caráter contrátil, a abertura para Ca+ resulta na produção de óxido nítrico (NO) pela camada endotelial, um gás que se difunde facilmente para a musculatura lisa. Assim, o NO que abre canais para K+, é um potente relaxante da musculatura lisa e promove vasodilatação. Assim, quando ativado o receptor M3 do musculo liso dos vasos há vasoconstrição. Quando ativado o receptor M3 do endotélio vascular há vasodilatação. Isso explica porque lesões endoteliais do vaso podem justificar o consequente aumento da contração e fluxo turbilhonar, característico de doenças vasculares. OS FÁRMACOS QUE ATUAM NA VIA PARASSIMPÁTICA - Agonistas muscarínicos – São substancias que ocupam os receptores muscarínicos e ativam essa via. - Ésteres de colina: acetilcolina, metacolina, carbacol e betanecol. - Acalódes: arecolina, pilocarpina e muscarina. Farmacocinética: · Os ésteres de colina têm ação curta-eliminação renal; · Os ésteres de colina e a muscarina têm baixa absorção oral e pouca capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica (BHE); · A arecolina e a pilocarpina podem atravessar a BHE, portanto tem efeito no SNC. · Quanto a pilocarpina: pode ser usada no tratamento de glaucoma e como antídoto para intoxicação de atropina. Mas pacientes com insuficiência hepática tem que ter atenção ao uso para não atingir níveis tóxicos. Efeitos: · Cardiovasculares (M2) – redução da frequência cardíaca e DC, vasodilatação generalizada → queda da PA. · Músculo liso (M3) – aumento do peristaltismo gastrointestinal, contração de brônquios e bexiga. · Secreção sudorípara, lacrimal, salivar e brônquica – aumento da atividade das glândulas exócrinas. · Olhos – contração do músculo ciliar. Uso terapêutico: · Acetilcolina – raramente usado em via sistêmica, mas administrado por via tópica para indução de miose em cirurgias oftálmicas. · Metacolina – administrada por inalação no diagnóstico de hiper-reatividade brônquica em pacientes sem asma aparente. · Betanecol – atua principalmente nos tratos urinário e genital. · Carbacol – uso tópico para tratamento de glaucoma. · Pilocarpina – usado no tratamento de xerostomia. Porém pode causar diversos efeitos adversos por ter receptores em vários órgãos. A cevimelina é uma opção substitutiva por interagir com os receptores M3 somente das glândulas lacrimais e salivares. Reações adversas e pacientes contraindicados: · Rubor, sudorese, salivação (M3) · Broncoconstrição, secreção - asmáticos · Hipotensão (M2) – hipotensos ou idosos com risco aumentado de quedas · Cólicas abdominais (M3) · Secreção ácida gástrica (M1/M3) – pacientes com gastrites · Sensação de aperto na bexiga (M3) · Dificuldade de acomodação visual (M3) · Cefaléia (M SNC) - Antagonistas muscarínicos – São substâncias que impedem a ligação da acetilcolina. A mais conhecida é a atropina, mas também tem a escopolamina. - Atropina e Hiocina (Escopolamina): São lipossolúveis e, portanto, atravessam a BHC. A Hiocina também tem a característica de ser bem absorvida no TGI. - Butilbrometo de hioscina e Poupantelia: têm estrutura quaternária o que dá característica hidrofílica, por isso tem ação periférica. Fármacos: · Ipratrópio e tioprópio (ação mediada por receptores M3): broncodilatadores. · Ciclopentolato e tropicamída: colírios para exames oftalmológicos. · Pirenzepina: inibe a secreção gástrica. · Oxibutinina, tolterodina, darifenacina (M3): usados para tratamento de incontinência urinária. Usos clínicos: · Cardiovascular - tratamento da bradicardia sinusal · Neurológico – neutralizar os distúrbios do movimento no Parkinsonismo · Respiratório – tratamento da asma e na DPOC Contraindicações e efeitos adversos: · Xerostomia · Constipação · Visão turva · Dispepsia · Prejuízo cognitivo - Anticolinesterásicos – Essas substâncias visam inibir a ação da acetilconisterase que tem por resultado aumentar a quantidade de Ach disponível, principalmente na fenda sináptica. Classificação: · Anti-ChE de ação curta “reversíveis” · Anti-ChE de ação intermediária “reversíveis” · Anti-ChE de ação longa “irreversíveis” Classificação dos anticolinesterásicos Um grupo de anticolinesrásicos de efeito comum são os organofosforados por estarem presentes em inseticidas. Por isso, trabalhadores rurais que manuseiam essas substâncias sem EPI podem apresentar quadro de intoxicação de anticolinesterásico composto por: · Broncoconstrição · Dificuldade respiratória · Aumento da secreção e salivação · Bradicardia seguido por hipotensão · Aumento da motilidade gástrica – dores abdominais · Espasmos musculares Usos clínicos: · Olho – miose (contração do músculo ciliar) · TGI - ↑da motilidade no íleo paralítico · Placa motora – tratamento da miastenia grave e reversão do bloqueio neuromuscular no PO · Reversão da toxicidade por agentes anticolinérgicos – reversão da intoxicação por atropina Reações adversas aos anti-AChE: Correspondem aos efeitos correspondentes ao aumento dos níveis de acetilcolina ou da intoxicação por agonista. · Salivação · Lacrimejamento · Urina · Diarréia · Emese · Bradicardia · Hipertensão (nicotínico)/hipotensão (muscarínico) · Cólicas · Broncoconstrição O modo de reversão também é o mesmo usado em intoxicação por organofosforatos, administração de atropina.