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CONCRETO PERMEÁVEL Brenda Correia de Souza; Vanessa Ribeiro da Silva. Segundo Kaefer (1998), o concreto em sua natureza básica é um material plástico que pode ser moldado da forma que preferir antes que aconteça o processo de endurecimento. Nesse processo, o concreto adquire resistência suficiente para resistir esforços. A combinação de três elementos dá-se o concreto: cimento, agregado graúdo e água. A história do concreto tem suas primeiras evidências, de fato, em construções de Roma (300 a.C. a 476 d.C.), os egípcios antigos utilizavam na suas construções históricas argamassa de cal e cimento. Diferentemente da arquitetura grega, a romana teve o uso de novos materiais e novas formas, concreto e tijolos foram usados para construções de edifícios e estradas. Além do cascalho, areia grossa, cal e água, os romanos costumavam adicionar sangue de animais e cabelos de cavalo na sua mistura. Um das mais importantes inovações nas fundações romanas foram as plataformas de concretos, usando cimento pozolânico – ou cal pozolânica, mais adequado para época – permitiu que as fundações levassem a construção de portos. Além disso, diferente do que é praticado nos dias atuais, que é usado formas metálicas ou de madeira para suportar o concreto fresco até que atinja seu ponto de endurecimento, os romanos utilizavam pequenos paralelepípedos (Opus Incertum), pedras quadradas (Opus Reticulatum) e revestimento de tijolos (Opus Testaceum), como mostra a Figura 1. Figura 1: Formas de fundações romanas Ainda segundo o mesmo autor, na idade média não trouxe inovações na utilização de concretos e sim, houve um decaimento na qualidade dos materiais. Só a partir de 1756 que novos testes foram realizados para a fabricação de concreto e algumas décadas depois John Smeaton utilizou cimento e agregado graúdo para a fabricação de concreto para a construção do Eddystone Lighthouse na Inglaterra (Figura 2). Outro acontecimento importante foi o desenvolvimento do cimento Portland, que aconteceu em nas primeiras décadas do século XIX. O seu inventor foi Joseph Aspdin, a partir da queima de calcário e argila e a mistura de ambos em altas temperaturas até que CO2 fosse totalmente retirado. O material resultante da queima é moído e Aspdin denominou cimento Portland. Esse cimento é diferente do que nos conhecemos nos dias atuais, o cimento Portland que conhecemos tem como resultado o clínquer (rocha calcária e argila em altas temperaturas). Figura 2: Farol de Eddystone Fonte: KAEFER, 1998. Em meados do século XIX na Alemanha, os primeiros testes que mediam a tração e compressão de concreto aconteceram. Alguns anos depois, Isaac Johnson afirma ter produzido clínquer. Em 1849, na França, Joseph Monier um jardineiro que costumava fabricar vasos e tubos de concreto, achava que seus produtos ficavam frágeis, começou a adicionar uma malha de aço junto com o concreto. Alguns anos depois ele patenteou sua invenção e exibiu na Exposição de Paris em 1867. Monier é um dos grandes disseminadores da técnica da utilização do concreto armado. Existem muitos conflitos em relação a isso, já que Lambot em 1850 fez as primeiras experiências com a colocação de ferragens junto ao concreto como mostra a Figura 3, experimento de construção de canoas. A partir daí, o uso do concreto foi utilizado em muitas construções e em grande escala somente no começo do século XX para as construções de estradas, prédios e em 1936 em barragens. Apesar da grande repercussão e expansão do uso de concreto armado, houve muitas falhas e acidentes. Devido a isso, agências governamentais e organizações se movimentaram para criar fórmulas e teorias para o uso do concreto. Ao longo dos anos do século XX, foram adicionados a mistura de concretos componentes que pudessem aumentar a resistência e outras propriedades do concreto, como agentes incorporadores de ar, fibras, superplastificantes etc. Em 1985, para a construção do Union Plaza em Seattle é utilizado um concreto jamais obtido (até então), no qual é adicionada a mistura convencional o fumo de sílica (KAEFER, 1998). Figura 3: Remanescente de uma das canoas de Lambot. Fonte: KAEFER, 1998. O concreto permeável teve utilização em construções desde a metade do século XIX, segundo Francis (2006), portanto ele não é uma tecnologia nova. Foi usada principalmente na Europa de diversas maneiras: casas, edifícios, blocos curados e painéis pré-fabricados. Esse tipo de concreto também pode ser chamado de concreto poroso e tanto Holtz (2011) quanto ACI (2006), o boletim ACI 522R reúne trabalhos sobre esse tipo de concreto. Segundo eles, a primeira evidência do uso de concreto poroso ocorreu em 1852, em construções de casas no Reino Unido, nos registros esse tipo de concreto era constituído apenas de cimento e agregado graúdo. Já nos meados da década de 30 o concreto permeável foi utilizado nas paredes das casas para isolação térmica por uma empresa de construções de casa. Além do baixo custo, já notava-se as suas boas propriedades térmicas, por isso o reino unido na década de 40 construiu algumas casas com concreto permeável. Outra onda de uso de concreto poroso que teve bastante relevância foi n segunda guerra mundial (1939 a 1945), por cota da grande demanda de moradias e o baixo consumo de cimento nesse tipo de concreto, foi muito utilizado durante essa época. Segundo Holtz (2011) e ACI (2006), ao longo do tempo, o concreto permeável foi também utilizado extensivamente em prédios industriais, domésticos e públicos, com a finalidade de obter melhor isolamento térmico, sem acrescentar muito peso a construção. Apesar desse tipo de concreto ser bastante utilizado na Europa e na Austrália nos últimos 50 anos, na Américas foi bastante limitado. A definição de concreto permeável segundo Botteon (2017) é que esse tipo de concreto possui um alto índice de vazios interligados, sendo formado por uma mistura de agregado graúdo, aglomerante e água, podendo ser adicionado, ou não, agregado miúdo. Essa composição permite a passagem de um grande volume de água que pode chegar a 5080 mm/h por 0,09m² (HUFFMAN, 2005). A permeabilidade do concreto pode ser exemplificada observando a Figura 4. Portanto, tem-se um material conglomerado, com a junção de partículas de agregado graúdo recobertas com uma camada espessa de cimento e água. Diferentemente de outros concretos, a qualidade do concreto poroso é definida pela sua porosidade, seu peso e sua taxa de infiltração de água, portanto sua resistência não é um fator de grande importância. A alta porosidade advém dos agregados com a mesma granulometria, causando volumes vazios, podendo variar de 15 a 30% do volume total e capacidade de percolação na ordem de 200 L/m²/min. Ainda segundo Botteon (2017, p.18), “Quantidades controladas do fator água/cimento resultam em espesso revestimento em torno das partículas agregadas criando-se vazios interligados que conferem permeabilidade.” Por conta dos volumes vazios, o concreto permeável possui uma menor resistência em relação ao concreto comum, para aumentar a resistência adiciona-se agregado miúdo, que por consequência reduz os espaços vazios proporcionando menor permeabilidade ao concreto. Figura 4: Exemplo da permeabilidade de um concreto poroso. Fonte: Google Mazzonetto (2011) destaca que a resistência é inversamente proporcional a permeabilidade. Outros autores afirmam que o aumento da porosidade do concreto diminui sua resistência (MEHTA; MONTEIRO, 2008). Por conta desses fatores, existem limitações no uso de concreto poroso, portanto, é mais indicado para locais na qual a resistência não é muito relevante. Para que os vazios desse tipo de concreto se mantenham interconectados permitindo a passagem de água é necessário controle na quantidade de argamassa na mistura, a Figura 5 mostra os espaços vazios de um concreto poroso. O agregado miúdo que é limitado no traço do concreto cria poros que de interconectam e possibilitam a infiltração de água em sua estrutura. Figura 5: Comparativo de concreto poroso com o concreto convencional. Fonte:Google Segundo Huffman (2005) um concreto permeável em condições adequadas, tem baixa densidade, ser muito permeável e apresentar boa capacidade estrutural. Sua densidade é influenciada pelas propriedades e proporções dos materiais que são utilizados e na maneira que é aplicado. Normalmente, encontra-se densidades na ordem de 1600 kg/m³ a 2000 kg/m³. Existem três tipos de concreto permeável que podem ser caracterizados pelo nível de resistência e drenabilidade: concreto permeável hidráulico (matéria com baixa resistência mecânica e elevada permeabilidade, mais utilizados para aplicações industriais); concreto permeável convencional (permeabilidade e resistência intermediaria, mais utilizados para estacionamentos e calçados, não apresenta na mistura agregado miúdo) e concreto permeável estrutural (possui aditivo e adições minerais na mistura. Pode ser usado em estacionamos, ruas e avenidas que possuam tráfego de veículos pesados) (BATEZINI, 2013). O Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul avaliaram a eficiência dos pavimentos permeáveis que ajudariam na redução do escoamento superficial. Para os testes foram usados superfícies impermeáveis usadas na pavimentação urbana, áreas semipermeáveis com bloquetes e paralelepípedos, e por fim, concreto permeável (Figura 6). O concreto permeável praticamente não ocorreu escoamento superficial, enquanto os outros tipos de pavimentos possuíram uma porcentagem considerável de escoamento superficial. As pesquisas mostram que a nova tecnologia pode ajudar a mitigar enxurradas. Com esse estudo, concluiu-se que isso acontece porque as taxas de fluxos típicas de passagem de água através do concreto permeável são entre 2 mm/s e 5,4 mm/s, valores muito acima da capacidade de infiltração da maioria dos solos. Por conta disso, a verdadeira capacidade de infiltração vai ser dada pelo solo. Apesar dessa dependência, os solos poucos permeáveis sendo usado com concreto permeável com uma camada de assentamento de brita, permite uma grande retenção de água e redução da quantidade de água que escoa superficialmente, principalmente em chuva intensa e de curta duração (ARAÚJO et. al, 1999). Figura 6: Simulação de Pavimentos Fonte: ARAÚJO, 1999. As aplicações de concreto poroso hoje em dia são utilizadas como alternativas aos sistemas de drenagem complexam e áreas de retenção de água, sendo economicamente viável e ecologicamente correto para áreas urbanas. A pavimentação com o esse tipo de concreto é usada no lugar superfícies duras impermeáveis convencional, como parques de estacionamento (Figura 8), ciclovias e até estradas (Figura 7). Também é usado com maior frequência em áreas externas de prédios, indústrias e residências (BOTTEON, 2017). Outras aplicações não convencionais que o concreto permeável é usado são em recifes artificiais, pisos para entorno de piscinas, áreas infantis e quadras poliesportivas. Figura 7: Pavimento de concreto permeável em rodovia. Fonte: http://www.engenhafacil.com/singlepost/56d51ded0cf249e9dfccfb44 Figura 8: Concreto poroso, moldado in loco ou em peças pré-moldadas, é indicado para locais de carga reduzida e tráfego leve. Fonte: http://infraestruturaurbana.pini.com.br/solucoes-tecnicas/13/artigo254488-2.aspx No Brasil, em agosto de 2015 foi publicada a NBR 16416, que especifica os requisitos e procedimentos permeáveis de concreto, estabelecendo os requisitos mínimos para o projeto e manutenção dos diferentes tipos de pavimentos permeáveis de concreto. Essa norma define que os pavimentos permeáveis devem permitir a percolação de 100% da água total precipitada incidente sobre a área. Os requisitos gerais especificados na norma é que deve-se levar em consideração o local de implantação do pavimento, dado que os materiais e sua espessura devem ser definidos para atender as solicitações mecânicas e hidráulicas do pavimento permeável. Portanto, o projetista deve levar em consideração qual a utilização que se espera do pavimento e as condições do carregamento que o mesmo deve receber. Outras variáveis que são importantes são a capacidade de suporte de solo, o nível de lençol freático do local, coeficiente de permeabilidade do subleito e a condição de saturação do solo. Ainda precisa ser analisada a declividade do local e a resistência mecânica do revestimento escolhido. Além disso, a norma ainda indica como executar, como fazer a manutenção e a limpeza do mesmo (NBR 16416, 2015). Segundo Botteon (2017), alguns dos benefícios que mais se destaca nos pavimentos permeáveis são as reduções da vazão do volume de escoamento de superfícies pavimentadas, a possibilidade de utilização em superfícies já urbanizadas e a diminuição da diminuição da dimensão do sistema de drenagem pluvial. Existem pesquisas que a utilização desse sistema melhora a qualidade do solo e da água subterrânea. Outros pontos positivos segundo Holtz (2011) é proporcionar um menor custo de aplicação e custo de vida, comparado com outros tipos; absorver menos radiação solar e facilitar a sobrevivência da arborização, por permitir a chegada de água até as raízes; mitigar as enxurradas urbanas. Ainda segundo a mesma autora, o uso de concreto permeável em áreas urbanas melhora e muito em aspectos ambientais. A grande quantidade de concreto e asfalto presentes nas áreas urbanas torna o ambiente cada vez mais impermeável, o que sobrecarrega os sistemas de drenagem que existem, fazendo com que a água da chuva não consiga penetrar no solo. Quando o concreto permeável é usado em áreas como essa, os pavimentos permitem que água infiltre no solo, diminuindo o pico das cheias com o efeito positivo sobre alagamento e enchentes. Outro ponto positivo que o concreto poroso trás para áreas urbanas é que permite que a água e o ar cheguem às raízes das plantas e reduz o efeito das ilhas de calor nos grandes centros urbanos. As limitações que esse tipo de pavimento tem são as possíveis falhas por conta da construção e manutenção. Isso pode ocorrer por conta do processo de colmatação e o baixo poder de suporte desses pavimentos, por não suportar grandes pesos. Existem ainda restrições para aplicação em relação à topografia e hidrogeologia do local. A baixa resistência é outra desvantagem, sendo necessário o uso de aditivos para atingir resistências maiores que 30 MPa (BOTTEON, 2017). · COMPARATIVO ENTRE OS TEMAS PUBLICADOS NO BRASIL, ESTADOS UNIDOS E EUROPA. De acordo com a literatura, como foi visto no começo desta revisão de literatura, a primeira vez que o concreto permeável tenha sido utilizado foi por volta de 1800 na Europa, entende-se por concreto permeável, a mistura de pasta de cimento e agregado graúdo com pouco ou nenhum fino. Ghafoori e Dutta (1995) citam que a primeira construção de duas residências com altura de 2,15m com o concreto permeável (antes definido como concreto sem finos), ocorreu em 1852 no Reino Unido. Após esse período a utilização do concreto permeável tornou-se mais conhecido em 1920 e após a Segunda Guerra Mundial (1945), para construções de residências com baixo custo para realocamento da população que havia perdido suas casas, e necessidade de construções mais econômicas devido a escassez de cimento e a grande quantidade de material graúdo, passou a ser usado novamente. Na década de 40 a França tornou-se pioneira na utilização do concreto permeável, porém devido a falta de conhecimento sobre os ligantes para executar este tipo de asfalto, o mesmo se rompia (VIRGILIIS, Afonso Luís Corrêa de. Procedimentos de projeto e execução de pavimentos permeáveis visando retenção e amortecimento de picos de cheias. 2009. pág.25). Nos Estados Unidos, sua utilização ocorreu a partir de 1970, acredita-se que o uso não ocorreu antes, pois eles não sofreram os mesmos prejuízos que países da Europa tiveram durante a guerra, e basicamente foi usado em pavimentos, tais como: faixas de estradas, estacionamentos, aeroportos e vias de pedestres, vale ressaltar que devido suas propriedades na diminuição de ruídos e isolamento térmicohouve um aumento maior do seu uso não só nos EUA, mas também no Japão. Apesar de sua popularidade na Europa, o concreto permeável só apareceu no Brasil por volta dos anos 80 e de maneira isolada, porém o mesmo tornou-se mais popular a partir dos anos 2000 devido suas vantagens econômicas e necessidade de tecnologias construtivas com benefícios ecológicos. Podemos salientar que a partir deste período, várias pesquisas surgiram em torno do assunto movimentando a comunidade acadêmica, que buscou analisar e propor novos métodos para execução do concreto permeável de uma forma mais eficaz. Em sua dissertação, Afonso, faz uma citação de Baptista & Nascimento (2005), abordando o quão recente é a aplicação do pavimento asfáltico poroso no Brasil, em contrapartida ele nos mostra que na Europa essa ideia não foi apenas bastante disseminada como também aceita, e exemplifica isso com as vias de contorno da cidade francesa de Bordeaux que foram executadas com o concreto permeável. Além disso, o mesmo nos mostra que o pavimento permeável possui duas funções básicas: Função Mecânica (sendo esta responsável por suportar os carregamentos, seja ele de pessoas ou de automóveis) e Função Hidráulica (Cuja função é drenar e reter o volume de água), e exemplifica os vários tipos de pavimentos permeáveis que são caracterizados pela possibilidade de ter um revestimento drenante ou impermeável além de poder ter função de armazenamento ou de infiltração (VIRGILIIS, Afonso Luís Corrêa de. Procedimentos de projeto e execução de pavimentos permeáveis visando retenção e amortecimento de picos de cheias. 2009.) Ainda no campo das pesquisas, em 2010, alunos da Faculty of Engineering and Surveying, University of Southern Queensland, Austrália, executam uma pesquisa levantando as vantagens e desvantagens do uso do concreto permeável, através de testes de porosidade com diversos tipos de materiais (agregados graúdos), chegando aos seguintes resultados: A dolomita (Mineral de carbonato de cálcio e magnésio CaMg(CO₃)₂), rendeu a maior resistência à compressão, em seguida veio o calcário, a pesquisa mostra que de todos os materiais testados o quartzito teve o pior desempenho. Tais resultados nos leva à questão de que o tipo de agregado escolhido pode influenciar na resistência do concreto poroso, e embora os agregados estivessem apresentando o mesmo tamanho e gradação, fica claro que apenas isso não é suficiente e que outros fatores devem ser levados em consideração. Isso pode ser atribuído à diferença de resistência a seco, às formas de partículas e texturas dos agregados. Outro ponto a ser observado é que as partículas de quartzito absorveram mais água em comparação com outros tipos de agregados, o que faria a pasta de cimento em torno dele menos viscosa para se desenvolver e por isso a mesma apresentou a pior resistência à compressão. Neste caso, a dolomita nesta pesquisa foi considerada o melhor agregado para fazer concreto permeável (Thorpe, David, and Yan Zhuge. Association of Researchers in Construction Management, 2010). Com o aumento da utilização do concreto permeável no Brasil, em 2015 verificou-se a necessidade de criar uma norma que estabelece-se um padrão com requisitos mínimos, definindo os passos a serem seguidos pelas empresas, tais como, verificação da capacidade do lençol freático, análise de qual vai ser a utilização do pavimento (ex: via para pedestre ou tráfego de automóveis leves), onde vai ser executado o pavimento permeável, saturação, coeficiente de permeabilidade procedimentos de execução, especificação de diferentes tipos de pavimentos permeáveis e manutenção. A criação da NBR 16.416/2015 foi de extrema importância, pois através dela foi possível padronizar a execução do pavimento permeável garantindo qualidade e segurança tanto na execução quanto na manutenção, além da possibilidade de esclarecimento em caso de dúvidas. O concreto permeável tem como seu objetivo principal o escoamento parcial ou total da água da chuva diminuindo pontos de alagamentos, dando mais segurança a via pública sem o acúmulo de poços e no caso de trafego de automóveis diminui as chances de acidentes por derrapagem devida sua superfície com aspecto rugoso, possibilitando o reabastecimento do lençol freático, ou de reservatórios, entre outras opções. O pavimento permeável é uma opção ecológica e bastante eficaz que pode ser utilizado em vias para automóveis leves, pedestres, jardins, estacionamentos, praças e calçadas, isolamentos acústico, isolamento térmico e até mesmo construções de paredes não estruturais ou de casas de baixo custo como ocorreu na Europa após a Segunda Guerra. Embora internacionalmente o concreto permeável seja aplicado de diversas formas, como em calçadas, praças e vias de tráfego leve, no Brasil sua aplicação ocorre de forma bem tímida (em pequenos trechos), devido seu procedimento de execução que se torna em até 25% mais caro que o pavimento convencional além da necessidade de manutenção periódica. O principal ponto que difere sua aplicação na Europa ou Estados Unidos para o Brasil, é sua limitação de uso devido às ocorrências de congelamento e degelo, que podem diminuir a sua resistência. Nos Estados Unidos, em 2006, foi realizado um trabalho de pesquisa pela Universidade Estadual de Iowa. Centro de pesquisa e educação em transporte, com o objetivo de desenvolver uma mistura de concreto permeável que tivesse porosidade suficiente para a infiltração de águas pluviais, mas também tenha resistência e durabilidade no gelo-degelo desejáveis. Nesta pesquisa, as misturas de concreto foram projetadas com vários tamanhos e tipos de agregados, conteúdo de ligante e quantidades de aditivo (Ramadhansyah, 2014). As propriedades de engenharia dos agregados foram avaliadas. Além disso, a porosidade, permeabilidade, resistência e durabilidade de congelamento e descongelamento de cada uma dessas misturas foram medidas. Os resultados indicam que oconcreto permeável feito com agregado de tamanho único tem alta permeabilidade, mas não a resistência adequada. Adicionar uma pequena porcentagem de areia à mistura melhora sua força e resistência ao gelo-degelo, mas diminui sua permeabilidade. Embora a adição de areia e látex melhorasse a resistência da mistura em comparação com misturas de tamanho único, a resistência das misturas onde apenas areia foi adicionada foi maior. A resistência ao congelamento-descongelamento das misturas de concreto permeável com uma pequena porcentagem de areia também mostrou 2% de perda de massa após 300 ciclos de congelamento-descongelamento (Schaefer, Vernon R., et al. “Mix Design Development for Pervious Concrete in Cold Weather Climates.” 1 Feb. 2006). Diante disso, podemos afirmar que até então tanto no Brasil, quanto na Europa ou nos Estados Unidos, ainda não conseguiram determinar um padrão específico que oferece mais resistência ao concreto permeável sem alterar seu grau de porosidade, porém existe a possibilidade da utilização de materiais ligantes a base de polímeros que podem ajudar no aumento da resistência, porém eleva o custo da execução. Por fim, o padrão de resistência vai variar de acordo com as normas vigentes em cada país que vai estabelecer suas especificações técnicas de execução, manutenção, grau de permeabilidade e etc. Tabela: Uso do concreto permeável no Brasil, Estados Unidos e Europa. Como considerações finais, se baseando em todos os autores citados nessa revisão bibliografica, podemos dizer que o desenvolvimento do presente estudo nos leva a conclusão que o uso do concreto permeável não é algo recente, que há vantagens e desvantagens como todo e qualquer material de construção, porém, existe a necessidade de efetuar mais pesquisas que possibilitem a utilização de um concreto ecológico e mesmo tempo mais eficiente, buscando melhorar sua resistência e tempo de vida útil sem diminuir seu coeficiente de porosidade. No Brasil, existe a necessidade de investimentos em pesquisas e aplicação como o caso do caroço do açaí que se mostrou uma alternativa eficaz e de baixocusto. Mas também na possibilidade de investimento mais frequente neste tipo de pavimentação no meio urbano, visando aumentar sua utilização com mais frequência onde há possibilidade de ser aplicável, levando em consideração que há diversos pontos de alagamentos em períodos chuvosos espalhados pelo país, seja por sobrecarga dos reservatórios, mas também pela quantidade de poluentes sólidos que obstrui canaletas, sendo assim a implantação do pavimento permeável em pontos estratégicos teria diversos benefícios sócio ambientais. REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland Programa Soluções para Cidades. Projeto técnico: pavimento permeável. Outubro de 2013. ACI 522R-06 – Pervious Concrete. ARAÚJO, P. R. et al. Avaliação da eficiência dos pavimentos permeáveis na redução de escomento superficial. 1999. Disponível em: https://www.ufrgs.br/iph/corpodocente/tucci/publicacoes. Acesso em: Janeiro de 2021. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 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