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E-book 1
LIBRAS
Juliane Farah Arnone
Neste E-Book:
INTRODUÇÃO ���������������������������������������������� 3
MOMENTO TEÓRICO: O QUE É 
SURDEZ? �������������������������������������������������������4
O funcionamento do ouvido ������������������������������������4
Classificações da surdez �����������������������������������������6
Surdez X deficiência auditiva ����������������������������������9
Alguns equívocos acerca da surdez e da 
língua de sinais ����������������������������������������������������� 10
MOMENTO PRÁTICO: COMO SÃO 
FORMADOS OS SINAIS? ��������������������������13
Configuração de mão ������������������������������������������� 14
Localização ����������������������������������������������������������� 20
Movimento ������������������������������������������������������������� 26
Orientação da palma��������������������������������������������� 27
Elementos não manuais ��������������������������������������� 29
VAMOS PRATICAR? SAUDAÇÕES 
E APRESENTAÇÃO PESSOAL EM 
LIBRAS ��������������������������������������������������������� 32
CONSIDERAÇÕES FINAIS ����������������������36
SÍNTESE �������������������������������������������������������37
2
INTRODUÇÃO
A Libras é a língua utilizada para a comunicação da 
comunidade surda brasileira. Nesta disciplina você 
terá a oportunidade de entrar em contato com essa 
língua e aprender sobre questões referentes à surdez 
e à comunidade surda. Para isso, teremos momentos 
teóricos e momentos práticos. Os momentos práticos 
visam ao contato com a língua e o seu treino. Não é 
objetivo final da disciplina a fluência na Libras, mas 
sim iniciar um processo de aprendizagem que o ins-
tigue a desenvolver suas habilidades nessa língua. 
Esperamos que, ao final da disciplina, você possua 
conhecimentos sobre o funcionamento linguístico da 
Libras, além de conceitos sobre a surdez e a comu-
nidade surda que o auxiliarão na prática profissional 
e na vida�
Neste e-book, iniciaremos o momento teórico, falan-
do sobre o que é a surdez. Estudaremos as estruturas 
do ouvido e as possíveis classificações da surdez. 
Depois, discutiremos a diferença entre os termos 
surdez e deficiência auditiva e trataremos de mitos 
sobre a surdez e a língua de sinais. No momento 
prático, analisaremos como se formam os sinais 
nas línguas de sinais e aprenderemos as saudações 
e como nos apresentar em Libras.
Bom trabalho!
3
MOMENTO TEÓRICO: O 
QUE É SURDEZ?
Você provavelmente já deve saber que a Libras, a 
Língua Brasileira de Sinais, é a língua utilizada pela 
comunidade surda brasileira. Para estudarmos a 
Libras e entendermos os seus mecanismos de fun-
cionamento é importante também compreendermos 
o processo da surdez. Você já parou para se per-
guntar como se dá a surdez? Se existem diferentes 
classificações para a surdez? Já se perguntou, ainda, 
qual a diferença entre surdez e deficiência auditiva? 
Para discutirmos tais questões, estudaremos aqui 
como ocorre o funcionamento do ouvido humano 
e aprenderemos sobre as classificações da surdez. 
Entenderemos também o que diferencia a surdez da 
deficiência auditiva. Por fim, esclareceremos equí-
vocos que, ainda hoje, são bastante difundidos com 
relação à surdez e à língua de sinais.
O funcionamento do ouvido
O ouvido é formado por três partes, uma externa (ou-
vido externo) e duas internas (ouvido médio e ouvido 
interno). O ouvido externo é formado pela orelha, 
pelo conduto auditivo e pela membrana timpânica. O 
ouvido médio é composto por três pequenos ossos 
(martelo, bigorna e estribo) e pela tuba auditiva. No 
ouvido interno estão localizados a cóclea, os canais 
4
semicirculares e o nervo auditivo. Estas estruturas 
estão ilustradas na Figura 1�
Figura 1: Anatomia do ouvido. Fonte: SVETLANA VERBINSKAYA / 
Shutterstock.com apud SILVA, s/d.www.infoescola.com.
O estímulo sonoro, que é uma vibração, passa pe-
las estruturas do ouvido até chegar na cóclea, uma 
estrutura em formato de caracol localizada no ou-
vido interno. A cóclea possui células ciliadas, que 
são estruturas com terminações nervosas capazes 
de converter as vibrações (ondas sonoras) em im-
pulsos elétricos. Esses impulsos são enviados ao 
nervo auditivo e as informações sonoras são, então, 
encaminhadas para o cérebro, onde a mensagem 
será decodificada. Você já ouviu falar em implante 
coclear? Para saber mais sobre o assunto, acesse 
o PODCAST 1�
Podcast 1 
5
https://www.infoescola.com/audicao/ouvido/
https://famonline.instructure.com/files/1108539/download?download_frd=1
Qualquer alteração ou distúrbio em alguma dessas 
estruturas do ouvido, mencionadas acima, pode acar-
retar uma diminuição ou ausência da capacidade 
de ouvir e perceber os sons. As alterações podem 
acontecer no ouvido externo, médio ou interno, e po-
dem ser de diferentes graus e origens. Vamos, então, 
analisar as possíveis classificações para a surdez.
Classificações da surdez
Quando falamos em surdez, pensamos em algo ge-
nérico: a surdez é equivalente à ausência de audição, 
isto é, a impossibilidade que alguém tem para escutar 
sons. Mas você sabia que a surdez pode ser classi-
ficada de diferentes formas? Podemos classificá-la 
quanto ao período de aquisição (momento em que 
a pessoa fica surda), quanto à etiologia (origem da 
surdez), quanto à localização (local onde ocorre al-
teração anatômica) e quanto ao seu grau (intensi-
dade da surdez). Vamos nos aprofundar em cada 
uma dessas classificações a seguir, com base em 
BRASIL (2006).
Quanto ao período de aquisição:
 ● Surdez congênita: ocorre quando o indivíduo já 
nasce surdo. Por esse motivo, a surdez é considerada 
pré-lingual, pois ocorre antes do período de aquisição 
da linguagem�
 ● Surdez adquirida: ocorre quando o indivíduo perde a 
audição ao longo da vida. Nesse caso, a surdez pode 
ser tanto pré-lingual quanto pós-lingual, a depender 
6
do momento em que se perde a audição. Se o indiví-
duo perde a audição antes do período de aquisição 
da linguagem, a surdez é considerada pré-lingual; 
se ocorre depois do período de aquisição, a surdez 
é pós-lingual.
Quanto à etiologia:
 ● Pré-natal: quando a surdez é provocada por fatores 
genéticos e hereditários, por doenças adquiridas pela 
mãe na época da gravidez – rubéola, por exemplo.
 ● Perinatal: quando a surdez está relacionada ao 
momento do nascimento, como partos prematuros, 
falta de oxigênio no cérebro do bebê e traumas no 
momento do parto.
 ● Pós-natal: quando a surdez é provocada por do-
enças adquiridas pelo indivíduo ao longo da vida 
– meningite, por exemplo.
Quanto à localização:
 ● Condutiva: ocorre quando a alteração está localiza-
da no ouvido externo e/ou médio. Como exemplo de 
causa desse tipo de surdez, podemos citar a otite. A 
maioria dos casos de surdez condutiva é reversível 
após tratamento.
 ● Neurossensorial: ocorre quando a alteração está 
localizada no ouvido interno. Esse tipo de lesão é 
irreversível.
 ● Mista: quando a alteração auditiva está localizada 
no ouvido externo e/ou médio e no ouvido interno.
7
 ● Central: ocorre quando a alteração se localiza 
no tronco cerebral, regiões subcorticais ou córtex 
cerebral.
Quanto ao grau: O grau de audição pode ser medi-
do por um instrumento chamado audiômetro. Esse 
aparelho indica o nível de intensidade sonora per-
cebido pelo indivíduo e é medido em decibéis (dB). 
A audição normal alcança de 0 a 15 dB. O grau de 
surdez pode ser:
 ● Leve: de 16 a 40 dB. Dificuldade para ouvir sons 
baixos, como o sussurro.
 ● Moderada: de 41 a 55 dB. Dificuldade para ouvir 
vozes mais baixas e passarinhos.
 ● Acentuada: de 56 a 70 dB. Dificuldade para ouvir 
uma conversação normal.
 ● Severa: de 71 a 90 dB. Dificuldade para ouvir o 
toque do telefone�
 ● Profunda: acima de 91 dB. Não se ouve ruídos 
considerados muito altos, como motor de caminhão, 
máquina de serrar e turbina de avião.
A língua de sinais é utilizada, sobretudo, por pes-
soas com surdez severa e profunda. Agora que já 
conhecemos as classificações possíveis da surdez,vamos levantar a seguinte questão: qual é a diferença 
entre surdez e deficiência auditiva? Tratemos dessa 
questão a seguir.
8
Surdez X deficiência auditiva
É possível pensarmos na diferença entre surdez e 
deficiência auditiva de pontos de vistas diferentes. 
Podemos pensar, primeiramente, do ponto de vista 
médico. Nesse caso, o que difere os dois termos é a 
profundidade da perda auditiva. As pessoas que não 
escutam nada ou escutam muito pouco (pessoas 
com surdez severa ou profunda) são consideradas 
surdas. Já as pessoas que possuem parte da audição 
preservada (surdez leve, moderada ou acentuada) 
são consideradas pessoas com deficiência auditi-
va. De qualquer forma, do ponto de vista médico, 
qualquer grau de perda auditiva é relacionado a uma 
situação que foge da “normalidade”.
Entretanto, podemos pensar a surdez do ponto de 
vista socioantropológico. Sob essa perspectiva, a 
surdez está relacionada a uma questão identitária e 
como parte da cultura do indivíduo. Assim, pessoas 
que se identificam como surdas, independentemente 
do grau da perda auditiva, possuem algo que as une: 
uma língua própria (a língua de sinais), uma cultura 
própria (a cultura surda) e uma comunidade da qual 
fazem parte (a comunidade surda). Assim, a surdez 
não é vista como uma perda, como algo que falta 
no indivíduo, mas sim como outra forma de experi-
mentar o mundo. A língua de sinais, nesse contexto, 
além de ser a principal forma de comunicação da 
comunidade surda, é parte fundamental da cultura 
com a qual os surdos se identificam. Sob esse ponto 
de vista, diferentemente dos surdos, os deficientes 
9
auditivos têm uma identidade mais relacionada com 
o mundo dos ouvintes e, por isso, fazem uso de ar-
tifícios como aparelhos auditivos, terapias de fala 
e leitura labial para “se adequarem” ao mundo dos 
ouvintes�
Alguns equívocos acerca da 
surdez e da língua de sinais
 Você provavelmente já ouviu ou até mesmo proferiu 
o termo “surdo-mudo” ou “mudinho” para se referir a 
uma pessoa surda. Essa terminologia já foi até utili-
zada no Você provavelmente já ouviu ou até mesmo 
proferiu o termo “surdo-mudo” ou “mudinho” para 
se referir a uma pessoa surda. Essa terminologia já 
foi até utilizada no passado por escolas destinadas 
à população surda. Entretanto, é um equívoco nos 
referirmos aos surdos dessa forma e a terminologia 
“surdo-mudo” caiu em desuso. O surdo não é mudo 
e, muitas vezes, oraliza e faz uso de palavras na lín-
gua oral. A vocalização vai depender da vivência do 
surdo com a comunidade ouvinte e a necessidade e 
vontade particular do surdo em oralizar.
Outro mito muito recorrente com relação ao mundo 
dos surdos refere-se à língua de sinais. É comum a 
ideia de que a língua de sinais é universal, isto é, um 
surdo no Brasil sinaliza igual a um surdo no Japão, 
nos EUA e assim por diante. Isso não é verdade. 
Assim como as línguas orais, as línguas de sinais são 
diferentes entre si. Inclusive dentro de um mesmo 
10
território pode haver mais de uma língua de sinais em 
uso. Ademais, uma mesma língua pode apresentar 
variações linguísticas. Vamos pensar no português 
brasileiro. Existem variações regionais, geracionais 
e temporais, certo? Você sabia que, dependendo da 
região do Brasil, a mandioca é chamada de maca-
xeira ou aipim? Pois bem. O mesmo ocorre com as 
línguas de sinais. A variação linguística existe nas 
línguas que são vivas e estão em uso.
Além disso, a língua de sinais é vista por muitos 
como sinônimo de mímica. Esse é outro grande 
equívoco. As línguas de sinais, ao contrário das mí-
micas, possuem estrutura e gramática próprias. As 
mímicas são realizadas sem restrições de espaço e 
os movimentos são livres. Por outro lado, as línguas 
de sinais, por possuírem uma estrutura gramatical, 
contam com regras que ditam o seu funcionamen-
to. Por esse motivo, derrubamos aqui outro mito: a 
Libras não é uma versão sinalizada do português. 
A Libras, assim como as outras línguas de sinais, 
possui gramática própria e é distinta do português. 
Estudaremos, ao longo da disciplina, na prática, al-
gumas das estruturas gramaticais da Libras. Aliás, 
vale aqui ressaltar que o termo correto é língua de 
sinais e não linguagem de sinais, como muitos cos-
tumam dizer.
Outro mito que é recorrente na Libras refere-se ao 
fato de que a língua é sinônimo do alfabeto manu-
al. O alfabeto manual é a realização das letras do 
alfabeto com a mão. Há quem pense que saber o 
alfabeto manual é sinônimo de saber Libras. Esse é 
11
um grande equívoco. Verificaremos mais adiante em 
quais circunstâncias o alfabeto manual é utilizado, 
mas saiba que alfabeto manual não é a Libras.
Esses são alguns equívocos que ainda hoje são di-
fundidos com relação à surdez e às línguas de sinais. 
Agora que você já esclareceu alguns pontos impor-
tantes, vamos praticar um pouco da Libras.
12
MOMENTO PRÁTICO: COMO 
SÃO FORMADOS OS SINAIS?
A Libras é uma língua de modalidade visual-espacial, 
diferentemente das línguas orais (orais-auditivas). 
A mensagem, na Libras, é produzida pelas mãos e 
corpo no espaço de sinalização em frente à pessoa. 
Observe na Figura 2 o espaço de sinalização. Os si-
nais nas línguas de sinais são formados por cinco 
elementos, chamados de parâmetros fonético-fono-
lógicos, que são: configuração de mão, movimento, 
localização, orientação da palma e elementos não 
manuais. Grosso modo, podemos dizer que a con-
figuração da mão é forma da(s) mão(s) durante a 
realização de um sinal; a localização o lugar no corpo 
ou em frente a ele em que o sinal é produzido; o mo-
vimento é a forma em que a(s) mão(s) se move(m); 
a orientação da mão é a direção da palma da mão; e 
os elementos não-manuais são as expressões faciais 
e corporais. Todos esses elementos, juntos, formam 
os sinais�
13
Figura 2: Espaço de realização dos sinais em Libras. Fonte: Langevin 
& Ferreira Brito, 1988:01 apud Pizzio et al., 2009
Vamos analisar agora cada um desses elementos com 
detalhes, exemplificando com sinais da Libras para que 
você já possa ir praticando e treinando a língua. É pre-
ciso saber que existem sinais formados com as duas 
mãos, com apenas uma mão ou, ainda, sinais realiza-
dos sem as mãos (nesse caso, o sinal é realizado com 
expressões faciais e corporais; estudaremos esses 
detalhes mais adiante). Além disso, o sinal pode ser 
realizado no espaço neutro, em frente ao sinalizador 
ou tocando uma parte do corpo. Vamos verificar cada 
um dos parâmetros fonético-fonológicos da Libras.
Configuração de mão
O primeiro elemento que iremos discutir é a confi-
guração de mão. Ela refere-se à forma das mãos ao 
realizar o sinal. Envolve, além da seleção e posição 
dos dedos, a posição da palma e do punho. Existem 
14
inventários que mostram as configurações de mão 
possíveis na Libras. Os inventários são atualizados 
conforme a língua vai sendo mais bem estudada e 
observada. Na Figura 3 observamos um exemplo de 
inventário bastante completo, realizado pelo Instituto 
Nacional de Educação de Surdos (2015), que conta 
com 79 configurações de mão possíveis na Libras.
Figura 3: Inventário de configuração de mão do INES. Fonte: charles-
-libras.blogspot.com
15
http://charles-libras.blogspot.com/2014/10/configuracoes-de-mao.html
http://charles-libras.blogspot.com/2014/10/configuracoes-de-mao.html
Como mencionado anteriormente, você deve se aten-
tar ao fato de que configuração de mão e alfabeto 
manual da Libras são coisas diferentes. O alfabeto 
manual representa configurações de mão específi-
cas para cada letra do alfabeto. O alfabeto manual 
(conhecido também como datilologia, vide Figura 4) 
é utilizado para soletrar nomes ou palavras que não 
têm sinal específico na Libras (ou quando o sinal 
não é conhecido). Dessa forma, soletra-se letra a 
letra a palavra ou o nome que se pretende. Note que 
as configurações de mão que aparecem no alfabeto 
manual aparecem também no inventário, porém não 
se constituem como a totalidade de configurações 
de mão possíveisda Libras, isto é, as possibilidades 
de configuração são muito maiores do que as confi-
gurações do alfabeto manual.
Figura 4: Alfabeto manual da Libras. Fonte: www.ces.org.br.
16
http://www.ces.org.br/site/vamos-aprender-libras.aspx
SAIBA MAIS
Observe a realização do alfabeto manual da Li-
bras neste link�
Vamos exemplificar para que fique mais claro. Uma 
pessoa nova na comunidade surda deseja se apre-
sentar. Ela quer dizer o seu nome. Suponha que ela 
se chama Maria. Essa pessoa irá, letra a letra soletrar 
seu nome (M-A-R-I-A, realizando as configurações 
de mão correspondentes a cada uma dessas letras, 
segundo o alfabeto manual). Uma vez que essa pes-
soa adquire contato com a comunidade surda, ela vai 
receber um sinal pessoal, não havendo a necessidade 
de soletrar toda vez o seu nome. Para saber mais 
sobre o sinal pessoal na Libras, vá ao PODCAST 2�
Podcast 2 
Já que estamos treinando as configurações manu-
ais, vamos analisar outro tópico que engloba esse 
assunto: a configuração de mão dos numerais na 
Libras. Observe a Figura 5 e treine como se realizam 
os numerais na Libras.
17
https://www.youtube.com/watch?v=fYaXJXf60gU
https://famonline.instructure.com/files/1108541/download?download_frd=1
Figura 5: Numerais da Libras. Fonte: www.ces.org.br.
Conforme estudamos anteriormente, na Libras exis-
tem variações linguísticas. Assim, os numerais, bem 
como todos os sinais da língua, podem variar sua 
realização, dependendo da região, da época, do grupo 
que realiza, etc.
Antes de adentrarmos o próximo elemento consti-
tutivo do sinal, vamos observar alguns exemplos de 
sinais da Libras e suas configurações de mão (Tabela 
1). Observe que uma mesma configuração de mão 
pode realizar sinais completamente diferentes, como 
os sinais de SÃO PAULO e PIZZA, que são realizados 
com a mesma configuração de mão. O que diferencia 
esses sinais são os outros elementos constitutivos, 
como localização e movimento. Estudar os exemplos 
é uma boa oportunidade para você ir praticando a 
língua e adquirindo vocabulário.
18
http://www.ces.org.br/site/vamos-aprender-libras.aspx
Exemplo de 
configuração 
de mão
Exemplo de sinal na Libras
Configuração 
em P (Nº 55 no 
inventário do 
INES)
Sinal de SÃO PAULO (cidade). Fonte: 
CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013.
Sinal de PIZZA. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL 
MAURÍCIO, 2013.
Configuração 
de mão em 
L (Nº 24 no 
inventário do 
INES)
Sinal de TRABALHAR. Fonte: CAPOVILLA, 
RAPHAEL MAURÍCIO, 2013.
Sinal de ÁGUA. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL 
MAURÍCIO, 2013.
19
Exemplo de 
configuração 
de mão
Exemplo de sinal na Libras
Configuração 
de mão em 
C (Nº 12 no 
inventário do 
INES)
Sinal de COMUNICAR. Fonte: CAPOVILLA, 
RAPHAEL MAURÍCIO, 2013.
Sinal de TI@. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL 
MAURÍCIO, 2013.
Tabela 1: Três configurações de mão possíveis na Libras e alguns 
exemplos de sinais.
Localização
O segundo elemento que vamos estudar é a loca-
lização do sinal. A localização, também conhecida 
como ponto de articulação, é o local onde o sinal é 
realizado. Como vimos, há sinais que tocam o corpo 
20
e sinais que não tocam o corpo. Com relação à loca-
lização, existe a localização geral do sinal, que pode 
ser cabeça, tronco, braço, mão ou espaço neutro 
(espaço de realização do sinal, em frente à pessoa). 
Há, ainda, a localização específica de realização do 
sinal. Por exemplo, um sinal que tem a cabeça como 
localização pode ser realizado próximo à testa, ao(s) 
ouvido(s), ao(s) olho(s), ao queixo, etc.
Vamos observar e treinar, a seguir, alguns exemplos 
de sinais com localizações diferentes.
Sinais realizados no espaço neutro (sem tocar no 
sinalizador)
Figura 6: Sinal BOLA. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013.
21
Figura 7: Sinal CAMA. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013.
Sinais realizados tocando no sinalizador
Figura 8: Sinal IDADE, tocando a região próxima ao ombro do sinali-
zado. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013.
Figura 9: Sinal COMBINAR, realizado com o contato entre as duas 
mãos do sinalizador. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013.
22
Sinais e suas localizações gerais e específicas
Localização 
Geral
Localização específica
Cabeça
Sinal TRISTE realizado na região específica 
do queixo. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL 
MAURÍCIO, 2013.
Sinal APRENDER realizado na região especí-
fica da testa. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL 
MAURÍCIO, 2013.
Sinal ESTADOS UNIDOS realizado na região 
específica da bochecha. Fonte: CAPOVILLA, 
RAPHAEL MAURÍCIO, 2013.
23
Localização 
Geral
Localização específica
Tronco
Sinal AMIGO realizado na região específica 
do peitoral. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL 
MAURÍCIO, 2013.
Sinal PASSEAR realizado na região específica 
dos ombros. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL 
MAURÍCIO, 2013.
Sinal FILH@ realizado na região específica do 
peito/barriga. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL 
MAURÍCIO, 2013.
24
Localização 
Geral
Localização específica
Braço
Sinal NERVOS@ realizado na região específica 
do antebraço. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL 
MAURÍCIO, 2013.
Sinal NÚMERO realizado na região específi-
ca do braço. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL 
MAURÍCIO, 2013.
Mão
Sinal PAÍS realizado na região específica do 
dorso da mão. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL 
MAURÍCIO, 2013.
Sinal VERDADE realizado na região especí-
fica da palma da mão. Fonte: CAPOVILLA, 
RAPHAEL MAURÍCIO, 2013.
Tabela 2: Sinais e suas localizações gerais e específicas.
25
Movimento
Agora que você já praticou um pouco das localizações 
possíveis dos sinais na Libras, vamos estudar o próxi-
mo elemento constitutivo dos sinais: o movimento. O 
movimento é o deslocamento das mãos no espaço, 
durante a realização do sinal. Existem vários tipos 
de movimentos: eles podem ser retilíneo, helicoidal, 
circular, semicircular, sinuoso ou angular, conforme 
observamos na Figura 10, em que são apresentados 
exemplos de sinais da Libras com cada tipo de movi-
mento. O movimento pode, ainda, ser: curto ou longo; 
repetido ou simples; unidirecional ou bidirecional.
Figura 10: Tipos de movimentos e exemplos na Libras. Fonte: LIBRAS. 
ufsj.edu.br.
26
https://ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/incluir/libras/curso_de_libras_-_graciele.pdf
Orientação da palma
O quarto elemento constitutivo do sinal que vamos 
analisar é a orientação da palma. A orientação da pal-
ma é a direção da palma da mão durante a realização 
do sinal. Pode ser para cima, para baixo, para dentro, 
para fora, para os lados (ipsilateral, contralateral). 
Observe a Figura 11:
Figura 11: Orientações da palma na Libras. Fonte: Marentette, 1995 
apud www.libras.ufsc.br.
Vamos observar e praticar com os sinais dos exem-
plos da Tabela 3.
27
http://www.libras.ufsc.br/colecaoLetrasLibras/eixoFormacaoBasica/foneticaEFonologia/scos/cap15009/10.html
Sinal Orientação da 
palma
Sinal MEU. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL 
MAURÍCIO, 2013.
Para dentro: a 
palma da mão fica 
voltada para o tó-
rax do sinalizador.
Sinal TE AJUDAR. Fonte: CAPOVILLA, 
RAPHAEL MAURÍCIO, 2013.
Para fora: palma 
da mão ativa fica 
voltada para fren-
te, na direção da-
quele com quem 
o sinalizador está 
falando�
Sinal MESA. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL 
MAURÍCIO, 2013.
Para baixo e de-
pois para os lados 
contralaterais. 
Perceba que em 
um mesmo sinal, 
como ocorre com 
MESA, a orien-
tação da palma 
pode mudar duran-
te a realização do 
sinal. No início 
do sinal, as mãos 
ficam voltadas 
para baixo e de-
pois para os lados 
contralaterais.
28
Sinal Orientação da 
palma
Sinal CRIANÇA. Fonte: CAPOVILLA, 
RAPHAEL MAURÍCIO, 2013.
Para baixo: a pal-
ma da palma fica 
voltada para baixo 
(chão).
Tabela 3: Exemplos de sinais com orientações de palma da mão di-
ferentes.
Elementos não manuais
O último parâmetro que estudaremos são os elemen-
tos não manuais. Eles envolvem expressões faciais 
(com movimento dos olhos, bochecha, sobrancelhas, 
boca e língua) e também movimentos da cabeça e do 
tronco. Os elementos não manuais tem a função de 
compor alguns sinais, como GORD@, MAGR@, SEXO, 
CANSAR e TRISTE,por exemplo. Observe, na Tabela 
4, que esses sinais são realizados com expressões 
faciais específicas, que fazem parte da composição 
do sinal�
Sinal GORD@. 
Observe que, além 
da realização do 
sinal com a mão, 
há a realização 
de bochechas 
insufladas.
29
Sinal MAGR@. 
Observe que, além 
da realização do 
sinal com a mão, 
há a realização 
de bochechas 
sugadas�
Sinal SEXO. 
Observe que o sinal 
é realizado sem 
as mãos: ocorre 
apenas com o 
movimento interno 
da língua tocando 
repetidamente a 
parte interna da 
bochecha.
Sinal ENJOAD@. 
Observe que, além 
da realização do 
sinal com a mão, 
há a realização de 
expressão facial 
marcada, para 
expressar aquilo 
que está sendo 
sinalizado.
Sinal QUEM? 
(Interrogativo). 
Observe que, além 
da realização do 
sinal com a mão, 
há a realização 
de expressão 
facial marcada, 
para expressar 
interrogação.
30
Sinal CANSAR. É 
um sinal com carga 
emotiva. Ocorre 
com expressão 
facial de tristeza 
e com movimento 
da cabeça e troco 
para baixo.
Sinal TRISTE. 
Assim como 
CANSAR, é um 
sinal com carga 
emotiva. Ocorre 
com expressão 
facial de tristeza 
em conjunto com a 
realização do sinal 
com a mão.
Sinal ENGRAÇADO. 
Mais um sinal com 
carga emotiva. 
Ocorre com expres-
são facial de riso, 
em conjunto com a 
realização do sinal 
com a mão.
Tabela 4: Exemplos de sinais com expressões faciais marcadas. 
Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013.
As expressões faciais e corporais são bastante im-
portantes para entender o funcionamento da Libras, 
que é uma língua essencialmente visual. As expres-
sões faciais variam bastante, dependendo do con-
texto, e interferem na gramática da língua, dando, 
muitas vezes, o sentido de intensidade, exclamação, 
interrogação, sentimento, etc.
31
VAMOS PRATICAR? 
SAUDAÇÕES E 
APRESENTAÇÃO PESSOAL 
EM LIBRAS
Vamos agora praticar algumas saudações em Libras 
e como nos apresentamos para alguém que acaba-
mos de conhecer. O objetivo aqui é oferecer uma in-
trodução à língua e iniciar um contato com o vocabu-
lário da Libras. Incentivamos o aluno a pesquisar em 
plataformas, como o Youtube, ou aplicativos, como 
Handtalk, a realização dos sinais em movimento, pois 
a Libras é uma língua com movimentos e, portanto, 
observar apenas as imagens pode ser insuficiente 
para entender o funcionamento da língua e a reali-
zação dos sinais. Todas as imagens apresentadas 
a seguir foram retiradas de: CAPOVILLA; RAPHAEL; 
MAURÍCIO, 2013.
SAIBA MAIS
Procure sempre a realização dos sinais em movi-
mento. Aí vão algumas dicas:
Canal do Youtube com vários sinais da Libras:
Link para o canal Incluir tecnologia
Link para o Aplicativo Handtalk
32
https://www.youtube.com/user/incluirtecnologia/videos
http://www.handtalk.me/br
Oi / Tchau:
Bom dia:
Boa tarde:
Boa noite:
33
Prazer em conhecer você:
Nome:
Caso você deseje perguntar o nome de alguém, deve 
realizar o sinal acima com expressão facial interro-
gativa. Caso queria falar o seu nome, a orientação da 
palma deve ser feita voltada para o tórax do sinaliza-
dor (orientação da palma para dentro). Depois de rea-
lizar esse sinal, o sinalizador deve soletrar seu nome, 
letra a letra, conforme o alfabeto manual (datilologia).
Sinal:
34
Esse sinal é utilizado para antes de demonstrar os 
sinais pessoais. Na comunidade surda, cada pessoa 
tem um sinal pessoal, conforme já mencionamos. 
Dessa forma, realiza-se o sinal acima e, em seguida, 
o seu sinal pessoal, caso o possua.
Idade:
O sinal IDADE – do mesmo modo que os sinais NOME 
e SINAL, demonstrados acima – é realizado com ex-
pressão facial de dúvida, caso se queira perguntar a 
idade de alguém. Caso queira falar a sua idade, você 
realiza o sinal IDADE e os numerais correspondentes 
com a sua idade�
Agora é a sua vez de treinar. Procure as realizações 
dos sinais e reproduza, observando-se no espelho 
ou fazendo vídeos para análise pessoal.
35
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste e-book, iniciamos o nosso estudo sobre a 
Libras. Verificamos qual é o mecanismo da audição 
humana e as classificações da surdez. Descobrimos 
as diferenças entre surdez e deficiência auditiva, 
conforme os modelos médico e socioantropológico. 
Além disso, esclarecemos alguns equívocos acerca 
da língua de sinais e da surdez, para não reproduzir-
mos mais esses erros sobre esses temas. Iniciamos 
também a nossa prática na Libras, estudando os 
parâmetros fonético-fonológicos dos sinais. Agora 
você já sabe se apresentar e iniciar uma conversa em 
Libras. Treine bastante todos os sinais apresentados 
nessa aula. Desse modo o seu vocabulário vai se 
expandindo pouco a pouco.
36
SÍNTESE
Aprendemos na prática saudações e apresentação pessoal.
Todos os parâmetros fonético-fonológicos juntos formam os sinais;
Os sinais na Libras são formados por cinco parâmetros fonéti-
co-fonológicos: configuração de mão, localização, movimento, orien-
tação da palma e elementos não manuais;
O termo correto é língua de sinais e não linguagem de sinais;
A língua de sinais não é mímica;
A língua de sinais não é universal;
Termo surdo-mudo é errado;
Surdo é diferente de deficiente auditivo;
A surdez pode ser classificada de diferentes maneiras:
– Quanto ao período de aquisição (congênita ou adquirida);
– Quanto à etiologia (pré, peri ou pós-natal);
– Quanto à localização (condutiva, neurossensorial, mista ou central);
– Quanto ao grau (leve, moderada, acentuada, severa ou profunda).
Ouvido: formado por ouvido externo, médio e interno;
O QUE É SURDEZ?
LIBRAS
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https://www.infoescola.com/audicao/ouvido/
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	Momento teórico: O que é surdez?
	O funcionamento do ouvido
	Classificações da surdez
	Surdez X deficiência auditiva
	Alguns equívocos acerca da surdez e da língua de sinais
	Momento prático: como são formados os sinais?
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