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E-book 1 LIBRAS Juliane Farah Arnone Neste E-Book: INTRODUÇÃO ���������������������������������������������� 3 MOMENTO TEÓRICO: O QUE É SURDEZ? �������������������������������������������������������4 O funcionamento do ouvido ������������������������������������4 Classificações da surdez �����������������������������������������6 Surdez X deficiência auditiva ����������������������������������9 Alguns equívocos acerca da surdez e da língua de sinais ����������������������������������������������������� 10 MOMENTO PRÁTICO: COMO SÃO FORMADOS OS SINAIS? ��������������������������13 Configuração de mão ������������������������������������������� 14 Localização ����������������������������������������������������������� 20 Movimento ������������������������������������������������������������� 26 Orientação da palma��������������������������������������������� 27 Elementos não manuais ��������������������������������������� 29 VAMOS PRATICAR? SAUDAÇÕES E APRESENTAÇÃO PESSOAL EM LIBRAS ��������������������������������������������������������� 32 CONSIDERAÇÕES FINAIS ����������������������36 SÍNTESE �������������������������������������������������������37 2 INTRODUÇÃO A Libras é a língua utilizada para a comunicação da comunidade surda brasileira. Nesta disciplina você terá a oportunidade de entrar em contato com essa língua e aprender sobre questões referentes à surdez e à comunidade surda. Para isso, teremos momentos teóricos e momentos práticos. Os momentos práticos visam ao contato com a língua e o seu treino. Não é objetivo final da disciplina a fluência na Libras, mas sim iniciar um processo de aprendizagem que o ins- tigue a desenvolver suas habilidades nessa língua. Esperamos que, ao final da disciplina, você possua conhecimentos sobre o funcionamento linguístico da Libras, além de conceitos sobre a surdez e a comu- nidade surda que o auxiliarão na prática profissional e na vida� Neste e-book, iniciaremos o momento teórico, falan- do sobre o que é a surdez. Estudaremos as estruturas do ouvido e as possíveis classificações da surdez. Depois, discutiremos a diferença entre os termos surdez e deficiência auditiva e trataremos de mitos sobre a surdez e a língua de sinais. No momento prático, analisaremos como se formam os sinais nas línguas de sinais e aprenderemos as saudações e como nos apresentar em Libras. Bom trabalho! 3 MOMENTO TEÓRICO: O QUE É SURDEZ? Você provavelmente já deve saber que a Libras, a Língua Brasileira de Sinais, é a língua utilizada pela comunidade surda brasileira. Para estudarmos a Libras e entendermos os seus mecanismos de fun- cionamento é importante também compreendermos o processo da surdez. Você já parou para se per- guntar como se dá a surdez? Se existem diferentes classificações para a surdez? Já se perguntou, ainda, qual a diferença entre surdez e deficiência auditiva? Para discutirmos tais questões, estudaremos aqui como ocorre o funcionamento do ouvido humano e aprenderemos sobre as classificações da surdez. Entenderemos também o que diferencia a surdez da deficiência auditiva. Por fim, esclareceremos equí- vocos que, ainda hoje, são bastante difundidos com relação à surdez e à língua de sinais. O funcionamento do ouvido O ouvido é formado por três partes, uma externa (ou- vido externo) e duas internas (ouvido médio e ouvido interno). O ouvido externo é formado pela orelha, pelo conduto auditivo e pela membrana timpânica. O ouvido médio é composto por três pequenos ossos (martelo, bigorna e estribo) e pela tuba auditiva. No ouvido interno estão localizados a cóclea, os canais 4 semicirculares e o nervo auditivo. Estas estruturas estão ilustradas na Figura 1� Figura 1: Anatomia do ouvido. Fonte: SVETLANA VERBINSKAYA / Shutterstock.com apud SILVA, s/d.www.infoescola.com. O estímulo sonoro, que é uma vibração, passa pe- las estruturas do ouvido até chegar na cóclea, uma estrutura em formato de caracol localizada no ou- vido interno. A cóclea possui células ciliadas, que são estruturas com terminações nervosas capazes de converter as vibrações (ondas sonoras) em im- pulsos elétricos. Esses impulsos são enviados ao nervo auditivo e as informações sonoras são, então, encaminhadas para o cérebro, onde a mensagem será decodificada. Você já ouviu falar em implante coclear? Para saber mais sobre o assunto, acesse o PODCAST 1� Podcast 1 5 https://www.infoescola.com/audicao/ouvido/ https://famonline.instructure.com/files/1108539/download?download_frd=1 Qualquer alteração ou distúrbio em alguma dessas estruturas do ouvido, mencionadas acima, pode acar- retar uma diminuição ou ausência da capacidade de ouvir e perceber os sons. As alterações podem acontecer no ouvido externo, médio ou interno, e po- dem ser de diferentes graus e origens. Vamos, então, analisar as possíveis classificações para a surdez. Classificações da surdez Quando falamos em surdez, pensamos em algo ge- nérico: a surdez é equivalente à ausência de audição, isto é, a impossibilidade que alguém tem para escutar sons. Mas você sabia que a surdez pode ser classi- ficada de diferentes formas? Podemos classificá-la quanto ao período de aquisição (momento em que a pessoa fica surda), quanto à etiologia (origem da surdez), quanto à localização (local onde ocorre al- teração anatômica) e quanto ao seu grau (intensi- dade da surdez). Vamos nos aprofundar em cada uma dessas classificações a seguir, com base em BRASIL (2006). Quanto ao período de aquisição: ● Surdez congênita: ocorre quando o indivíduo já nasce surdo. Por esse motivo, a surdez é considerada pré-lingual, pois ocorre antes do período de aquisição da linguagem� ● Surdez adquirida: ocorre quando o indivíduo perde a audição ao longo da vida. Nesse caso, a surdez pode ser tanto pré-lingual quanto pós-lingual, a depender 6 do momento em que se perde a audição. Se o indiví- duo perde a audição antes do período de aquisição da linguagem, a surdez é considerada pré-lingual; se ocorre depois do período de aquisição, a surdez é pós-lingual. Quanto à etiologia: ● Pré-natal: quando a surdez é provocada por fatores genéticos e hereditários, por doenças adquiridas pela mãe na época da gravidez – rubéola, por exemplo. ● Perinatal: quando a surdez está relacionada ao momento do nascimento, como partos prematuros, falta de oxigênio no cérebro do bebê e traumas no momento do parto. ● Pós-natal: quando a surdez é provocada por do- enças adquiridas pelo indivíduo ao longo da vida – meningite, por exemplo. Quanto à localização: ● Condutiva: ocorre quando a alteração está localiza- da no ouvido externo e/ou médio. Como exemplo de causa desse tipo de surdez, podemos citar a otite. A maioria dos casos de surdez condutiva é reversível após tratamento. ● Neurossensorial: ocorre quando a alteração está localizada no ouvido interno. Esse tipo de lesão é irreversível. ● Mista: quando a alteração auditiva está localizada no ouvido externo e/ou médio e no ouvido interno. 7 ● Central: ocorre quando a alteração se localiza no tronco cerebral, regiões subcorticais ou córtex cerebral. Quanto ao grau: O grau de audição pode ser medi- do por um instrumento chamado audiômetro. Esse aparelho indica o nível de intensidade sonora per- cebido pelo indivíduo e é medido em decibéis (dB). A audição normal alcança de 0 a 15 dB. O grau de surdez pode ser: ● Leve: de 16 a 40 dB. Dificuldade para ouvir sons baixos, como o sussurro. ● Moderada: de 41 a 55 dB. Dificuldade para ouvir vozes mais baixas e passarinhos. ● Acentuada: de 56 a 70 dB. Dificuldade para ouvir uma conversação normal. ● Severa: de 71 a 90 dB. Dificuldade para ouvir o toque do telefone� ● Profunda: acima de 91 dB. Não se ouve ruídos considerados muito altos, como motor de caminhão, máquina de serrar e turbina de avião. A língua de sinais é utilizada, sobretudo, por pes- soas com surdez severa e profunda. Agora que já conhecemos as classificações possíveis da surdez,vamos levantar a seguinte questão: qual é a diferença entre surdez e deficiência auditiva? Tratemos dessa questão a seguir. 8 Surdez X deficiência auditiva É possível pensarmos na diferença entre surdez e deficiência auditiva de pontos de vistas diferentes. Podemos pensar, primeiramente, do ponto de vista médico. Nesse caso, o que difere os dois termos é a profundidade da perda auditiva. As pessoas que não escutam nada ou escutam muito pouco (pessoas com surdez severa ou profunda) são consideradas surdas. Já as pessoas que possuem parte da audição preservada (surdez leve, moderada ou acentuada) são consideradas pessoas com deficiência auditi- va. De qualquer forma, do ponto de vista médico, qualquer grau de perda auditiva é relacionado a uma situação que foge da “normalidade”. Entretanto, podemos pensar a surdez do ponto de vista socioantropológico. Sob essa perspectiva, a surdez está relacionada a uma questão identitária e como parte da cultura do indivíduo. Assim, pessoas que se identificam como surdas, independentemente do grau da perda auditiva, possuem algo que as une: uma língua própria (a língua de sinais), uma cultura própria (a cultura surda) e uma comunidade da qual fazem parte (a comunidade surda). Assim, a surdez não é vista como uma perda, como algo que falta no indivíduo, mas sim como outra forma de experi- mentar o mundo. A língua de sinais, nesse contexto, além de ser a principal forma de comunicação da comunidade surda, é parte fundamental da cultura com a qual os surdos se identificam. Sob esse ponto de vista, diferentemente dos surdos, os deficientes 9 auditivos têm uma identidade mais relacionada com o mundo dos ouvintes e, por isso, fazem uso de ar- tifícios como aparelhos auditivos, terapias de fala e leitura labial para “se adequarem” ao mundo dos ouvintes� Alguns equívocos acerca da surdez e da língua de sinais Você provavelmente já ouviu ou até mesmo proferiu o termo “surdo-mudo” ou “mudinho” para se referir a uma pessoa surda. Essa terminologia já foi até utili- zada no Você provavelmente já ouviu ou até mesmo proferiu o termo “surdo-mudo” ou “mudinho” para se referir a uma pessoa surda. Essa terminologia já foi até utilizada no passado por escolas destinadas à população surda. Entretanto, é um equívoco nos referirmos aos surdos dessa forma e a terminologia “surdo-mudo” caiu em desuso. O surdo não é mudo e, muitas vezes, oraliza e faz uso de palavras na lín- gua oral. A vocalização vai depender da vivência do surdo com a comunidade ouvinte e a necessidade e vontade particular do surdo em oralizar. Outro mito muito recorrente com relação ao mundo dos surdos refere-se à língua de sinais. É comum a ideia de que a língua de sinais é universal, isto é, um surdo no Brasil sinaliza igual a um surdo no Japão, nos EUA e assim por diante. Isso não é verdade. Assim como as línguas orais, as línguas de sinais são diferentes entre si. Inclusive dentro de um mesmo 10 território pode haver mais de uma língua de sinais em uso. Ademais, uma mesma língua pode apresentar variações linguísticas. Vamos pensar no português brasileiro. Existem variações regionais, geracionais e temporais, certo? Você sabia que, dependendo da região do Brasil, a mandioca é chamada de maca- xeira ou aipim? Pois bem. O mesmo ocorre com as línguas de sinais. A variação linguística existe nas línguas que são vivas e estão em uso. Além disso, a língua de sinais é vista por muitos como sinônimo de mímica. Esse é outro grande equívoco. As línguas de sinais, ao contrário das mí- micas, possuem estrutura e gramática próprias. As mímicas são realizadas sem restrições de espaço e os movimentos são livres. Por outro lado, as línguas de sinais, por possuírem uma estrutura gramatical, contam com regras que ditam o seu funcionamen- to. Por esse motivo, derrubamos aqui outro mito: a Libras não é uma versão sinalizada do português. A Libras, assim como as outras línguas de sinais, possui gramática própria e é distinta do português. Estudaremos, ao longo da disciplina, na prática, al- gumas das estruturas gramaticais da Libras. Aliás, vale aqui ressaltar que o termo correto é língua de sinais e não linguagem de sinais, como muitos cos- tumam dizer. Outro mito que é recorrente na Libras refere-se ao fato de que a língua é sinônimo do alfabeto manu- al. O alfabeto manual é a realização das letras do alfabeto com a mão. Há quem pense que saber o alfabeto manual é sinônimo de saber Libras. Esse é 11 um grande equívoco. Verificaremos mais adiante em quais circunstâncias o alfabeto manual é utilizado, mas saiba que alfabeto manual não é a Libras. Esses são alguns equívocos que ainda hoje são di- fundidos com relação à surdez e às línguas de sinais. Agora que você já esclareceu alguns pontos impor- tantes, vamos praticar um pouco da Libras. 12 MOMENTO PRÁTICO: COMO SÃO FORMADOS OS SINAIS? A Libras é uma língua de modalidade visual-espacial, diferentemente das línguas orais (orais-auditivas). A mensagem, na Libras, é produzida pelas mãos e corpo no espaço de sinalização em frente à pessoa. Observe na Figura 2 o espaço de sinalização. Os si- nais nas línguas de sinais são formados por cinco elementos, chamados de parâmetros fonético-fono- lógicos, que são: configuração de mão, movimento, localização, orientação da palma e elementos não manuais. Grosso modo, podemos dizer que a con- figuração da mão é forma da(s) mão(s) durante a realização de um sinal; a localização o lugar no corpo ou em frente a ele em que o sinal é produzido; o mo- vimento é a forma em que a(s) mão(s) se move(m); a orientação da mão é a direção da palma da mão; e os elementos não-manuais são as expressões faciais e corporais. Todos esses elementos, juntos, formam os sinais� 13 Figura 2: Espaço de realização dos sinais em Libras. Fonte: Langevin & Ferreira Brito, 1988:01 apud Pizzio et al., 2009 Vamos analisar agora cada um desses elementos com detalhes, exemplificando com sinais da Libras para que você já possa ir praticando e treinando a língua. É pre- ciso saber que existem sinais formados com as duas mãos, com apenas uma mão ou, ainda, sinais realiza- dos sem as mãos (nesse caso, o sinal é realizado com expressões faciais e corporais; estudaremos esses detalhes mais adiante). Além disso, o sinal pode ser realizado no espaço neutro, em frente ao sinalizador ou tocando uma parte do corpo. Vamos verificar cada um dos parâmetros fonético-fonológicos da Libras. Configuração de mão O primeiro elemento que iremos discutir é a confi- guração de mão. Ela refere-se à forma das mãos ao realizar o sinal. Envolve, além da seleção e posição dos dedos, a posição da palma e do punho. Existem 14 inventários que mostram as configurações de mão possíveis na Libras. Os inventários são atualizados conforme a língua vai sendo mais bem estudada e observada. Na Figura 3 observamos um exemplo de inventário bastante completo, realizado pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos (2015), que conta com 79 configurações de mão possíveis na Libras. Figura 3: Inventário de configuração de mão do INES. Fonte: charles- -libras.blogspot.com 15 http://charles-libras.blogspot.com/2014/10/configuracoes-de-mao.html http://charles-libras.blogspot.com/2014/10/configuracoes-de-mao.html Como mencionado anteriormente, você deve se aten- tar ao fato de que configuração de mão e alfabeto manual da Libras são coisas diferentes. O alfabeto manual representa configurações de mão específi- cas para cada letra do alfabeto. O alfabeto manual (conhecido também como datilologia, vide Figura 4) é utilizado para soletrar nomes ou palavras que não têm sinal específico na Libras (ou quando o sinal não é conhecido). Dessa forma, soletra-se letra a letra a palavra ou o nome que se pretende. Note que as configurações de mão que aparecem no alfabeto manual aparecem também no inventário, porém não se constituem como a totalidade de configurações de mão possíveisda Libras, isto é, as possibilidades de configuração são muito maiores do que as confi- gurações do alfabeto manual. Figura 4: Alfabeto manual da Libras. Fonte: www.ces.org.br. 16 http://www.ces.org.br/site/vamos-aprender-libras.aspx SAIBA MAIS Observe a realização do alfabeto manual da Li- bras neste link� Vamos exemplificar para que fique mais claro. Uma pessoa nova na comunidade surda deseja se apre- sentar. Ela quer dizer o seu nome. Suponha que ela se chama Maria. Essa pessoa irá, letra a letra soletrar seu nome (M-A-R-I-A, realizando as configurações de mão correspondentes a cada uma dessas letras, segundo o alfabeto manual). Uma vez que essa pes- soa adquire contato com a comunidade surda, ela vai receber um sinal pessoal, não havendo a necessidade de soletrar toda vez o seu nome. Para saber mais sobre o sinal pessoal na Libras, vá ao PODCAST 2� Podcast 2 Já que estamos treinando as configurações manu- ais, vamos analisar outro tópico que engloba esse assunto: a configuração de mão dos numerais na Libras. Observe a Figura 5 e treine como se realizam os numerais na Libras. 17 https://www.youtube.com/watch?v=fYaXJXf60gU https://famonline.instructure.com/files/1108541/download?download_frd=1 Figura 5: Numerais da Libras. Fonte: www.ces.org.br. Conforme estudamos anteriormente, na Libras exis- tem variações linguísticas. Assim, os numerais, bem como todos os sinais da língua, podem variar sua realização, dependendo da região, da época, do grupo que realiza, etc. Antes de adentrarmos o próximo elemento consti- tutivo do sinal, vamos observar alguns exemplos de sinais da Libras e suas configurações de mão (Tabela 1). Observe que uma mesma configuração de mão pode realizar sinais completamente diferentes, como os sinais de SÃO PAULO e PIZZA, que são realizados com a mesma configuração de mão. O que diferencia esses sinais são os outros elementos constitutivos, como localização e movimento. Estudar os exemplos é uma boa oportunidade para você ir praticando a língua e adquirindo vocabulário. 18 http://www.ces.org.br/site/vamos-aprender-libras.aspx Exemplo de configuração de mão Exemplo de sinal na Libras Configuração em P (Nº 55 no inventário do INES) Sinal de SÃO PAULO (cidade). Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Sinal de PIZZA. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Configuração de mão em L (Nº 24 no inventário do INES) Sinal de TRABALHAR. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Sinal de ÁGUA. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. 19 Exemplo de configuração de mão Exemplo de sinal na Libras Configuração de mão em C (Nº 12 no inventário do INES) Sinal de COMUNICAR. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Sinal de TI@. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Tabela 1: Três configurações de mão possíveis na Libras e alguns exemplos de sinais. Localização O segundo elemento que vamos estudar é a loca- lização do sinal. A localização, também conhecida como ponto de articulação, é o local onde o sinal é realizado. Como vimos, há sinais que tocam o corpo 20 e sinais que não tocam o corpo. Com relação à loca- lização, existe a localização geral do sinal, que pode ser cabeça, tronco, braço, mão ou espaço neutro (espaço de realização do sinal, em frente à pessoa). Há, ainda, a localização específica de realização do sinal. Por exemplo, um sinal que tem a cabeça como localização pode ser realizado próximo à testa, ao(s) ouvido(s), ao(s) olho(s), ao queixo, etc. Vamos observar e treinar, a seguir, alguns exemplos de sinais com localizações diferentes. Sinais realizados no espaço neutro (sem tocar no sinalizador) Figura 6: Sinal BOLA. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. 21 Figura 7: Sinal CAMA. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Sinais realizados tocando no sinalizador Figura 8: Sinal IDADE, tocando a região próxima ao ombro do sinali- zado. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Figura 9: Sinal COMBINAR, realizado com o contato entre as duas mãos do sinalizador. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. 22 Sinais e suas localizações gerais e específicas Localização Geral Localização específica Cabeça Sinal TRISTE realizado na região específica do queixo. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Sinal APRENDER realizado na região especí- fica da testa. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Sinal ESTADOS UNIDOS realizado na região específica da bochecha. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. 23 Localização Geral Localização específica Tronco Sinal AMIGO realizado na região específica do peitoral. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Sinal PASSEAR realizado na região específica dos ombros. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Sinal FILH@ realizado na região específica do peito/barriga. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. 24 Localização Geral Localização específica Braço Sinal NERVOS@ realizado na região específica do antebraço. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Sinal NÚMERO realizado na região específi- ca do braço. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Mão Sinal PAÍS realizado na região específica do dorso da mão. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Sinal VERDADE realizado na região especí- fica da palma da mão. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Tabela 2: Sinais e suas localizações gerais e específicas. 25 Movimento Agora que você já praticou um pouco das localizações possíveis dos sinais na Libras, vamos estudar o próxi- mo elemento constitutivo dos sinais: o movimento. O movimento é o deslocamento das mãos no espaço, durante a realização do sinal. Existem vários tipos de movimentos: eles podem ser retilíneo, helicoidal, circular, semicircular, sinuoso ou angular, conforme observamos na Figura 10, em que são apresentados exemplos de sinais da Libras com cada tipo de movi- mento. O movimento pode, ainda, ser: curto ou longo; repetido ou simples; unidirecional ou bidirecional. Figura 10: Tipos de movimentos e exemplos na Libras. Fonte: LIBRAS. ufsj.edu.br. 26 https://ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/incluir/libras/curso_de_libras_-_graciele.pdf Orientação da palma O quarto elemento constitutivo do sinal que vamos analisar é a orientação da palma. A orientação da pal- ma é a direção da palma da mão durante a realização do sinal. Pode ser para cima, para baixo, para dentro, para fora, para os lados (ipsilateral, contralateral). Observe a Figura 11: Figura 11: Orientações da palma na Libras. Fonte: Marentette, 1995 apud www.libras.ufsc.br. Vamos observar e praticar com os sinais dos exem- plos da Tabela 3. 27 http://www.libras.ufsc.br/colecaoLetrasLibras/eixoFormacaoBasica/foneticaEFonologia/scos/cap15009/10.html Sinal Orientação da palma Sinal MEU. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Para dentro: a palma da mão fica voltada para o tó- rax do sinalizador. Sinal TE AJUDAR. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Para fora: palma da mão ativa fica voltada para fren- te, na direção da- quele com quem o sinalizador está falando� Sinal MESA. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Para baixo e de- pois para os lados contralaterais. Perceba que em um mesmo sinal, como ocorre com MESA, a orien- tação da palma pode mudar duran- te a realização do sinal. No início do sinal, as mãos ficam voltadas para baixo e de- pois para os lados contralaterais. 28 Sinal Orientação da palma Sinal CRIANÇA. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. Para baixo: a pal- ma da palma fica voltada para baixo (chão). Tabela 3: Exemplos de sinais com orientações de palma da mão di- ferentes. Elementos não manuais O último parâmetro que estudaremos são os elemen- tos não manuais. Eles envolvem expressões faciais (com movimento dos olhos, bochecha, sobrancelhas, boca e língua) e também movimentos da cabeça e do tronco. Os elementos não manuais tem a função de compor alguns sinais, como GORD@, MAGR@, SEXO, CANSAR e TRISTE,por exemplo. Observe, na Tabela 4, que esses sinais são realizados com expressões faciais específicas, que fazem parte da composição do sinal� Sinal GORD@. Observe que, além da realização do sinal com a mão, há a realização de bochechas insufladas. 29 Sinal MAGR@. Observe que, além da realização do sinal com a mão, há a realização de bochechas sugadas� Sinal SEXO. Observe que o sinal é realizado sem as mãos: ocorre apenas com o movimento interno da língua tocando repetidamente a parte interna da bochecha. Sinal ENJOAD@. Observe que, além da realização do sinal com a mão, há a realização de expressão facial marcada, para expressar aquilo que está sendo sinalizado. Sinal QUEM? (Interrogativo). Observe que, além da realização do sinal com a mão, há a realização de expressão facial marcada, para expressar interrogação. 30 Sinal CANSAR. É um sinal com carga emotiva. Ocorre com expressão facial de tristeza e com movimento da cabeça e troco para baixo. Sinal TRISTE. Assim como CANSAR, é um sinal com carga emotiva. Ocorre com expressão facial de tristeza em conjunto com a realização do sinal com a mão. Sinal ENGRAÇADO. Mais um sinal com carga emotiva. Ocorre com expres- são facial de riso, em conjunto com a realização do sinal com a mão. Tabela 4: Exemplos de sinais com expressões faciais marcadas. Fonte: CAPOVILLA, RAPHAEL MAURÍCIO, 2013. As expressões faciais e corporais são bastante im- portantes para entender o funcionamento da Libras, que é uma língua essencialmente visual. As expres- sões faciais variam bastante, dependendo do con- texto, e interferem na gramática da língua, dando, muitas vezes, o sentido de intensidade, exclamação, interrogação, sentimento, etc. 31 VAMOS PRATICAR? SAUDAÇÕES E APRESENTAÇÃO PESSOAL EM LIBRAS Vamos agora praticar algumas saudações em Libras e como nos apresentamos para alguém que acaba- mos de conhecer. O objetivo aqui é oferecer uma in- trodução à língua e iniciar um contato com o vocabu- lário da Libras. Incentivamos o aluno a pesquisar em plataformas, como o Youtube, ou aplicativos, como Handtalk, a realização dos sinais em movimento, pois a Libras é uma língua com movimentos e, portanto, observar apenas as imagens pode ser insuficiente para entender o funcionamento da língua e a reali- zação dos sinais. Todas as imagens apresentadas a seguir foram retiradas de: CAPOVILLA; RAPHAEL; MAURÍCIO, 2013. SAIBA MAIS Procure sempre a realização dos sinais em movi- mento. Aí vão algumas dicas: Canal do Youtube com vários sinais da Libras: Link para o canal Incluir tecnologia Link para o Aplicativo Handtalk 32 https://www.youtube.com/user/incluirtecnologia/videos http://www.handtalk.me/br Oi / Tchau: Bom dia: Boa tarde: Boa noite: 33 Prazer em conhecer você: Nome: Caso você deseje perguntar o nome de alguém, deve realizar o sinal acima com expressão facial interro- gativa. Caso queria falar o seu nome, a orientação da palma deve ser feita voltada para o tórax do sinaliza- dor (orientação da palma para dentro). Depois de rea- lizar esse sinal, o sinalizador deve soletrar seu nome, letra a letra, conforme o alfabeto manual (datilologia). Sinal: 34 Esse sinal é utilizado para antes de demonstrar os sinais pessoais. Na comunidade surda, cada pessoa tem um sinal pessoal, conforme já mencionamos. Dessa forma, realiza-se o sinal acima e, em seguida, o seu sinal pessoal, caso o possua. Idade: O sinal IDADE – do mesmo modo que os sinais NOME e SINAL, demonstrados acima – é realizado com ex- pressão facial de dúvida, caso se queira perguntar a idade de alguém. Caso queira falar a sua idade, você realiza o sinal IDADE e os numerais correspondentes com a sua idade� Agora é a sua vez de treinar. Procure as realizações dos sinais e reproduza, observando-se no espelho ou fazendo vídeos para análise pessoal. 35 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste e-book, iniciamos o nosso estudo sobre a Libras. Verificamos qual é o mecanismo da audição humana e as classificações da surdez. Descobrimos as diferenças entre surdez e deficiência auditiva, conforme os modelos médico e socioantropológico. Além disso, esclarecemos alguns equívocos acerca da língua de sinais e da surdez, para não reproduzir- mos mais esses erros sobre esses temas. Iniciamos também a nossa prática na Libras, estudando os parâmetros fonético-fonológicos dos sinais. Agora você já sabe se apresentar e iniciar uma conversa em Libras. Treine bastante todos os sinais apresentados nessa aula. Desse modo o seu vocabulário vai se expandindo pouco a pouco. 36 SÍNTESE Aprendemos na prática saudações e apresentação pessoal. Todos os parâmetros fonético-fonológicos juntos formam os sinais; Os sinais na Libras são formados por cinco parâmetros fonéti- co-fonológicos: configuração de mão, localização, movimento, orien- tação da palma e elementos não manuais; O termo correto é língua de sinais e não linguagem de sinais; A língua de sinais não é mímica; A língua de sinais não é universal; Termo surdo-mudo é errado; Surdo é diferente de deficiente auditivo; A surdez pode ser classificada de diferentes maneiras: – Quanto ao período de aquisição (congênita ou adquirida); – Quanto à etiologia (pré, peri ou pós-natal); – Quanto à localização (condutiva, neurossensorial, mista ou central); – Quanto ao grau (leve, moderada, acentuada, severa ou profunda). Ouvido: formado por ouvido externo, médio e interno; O QUE É SURDEZ? LIBRAS Referências Bibliográficas & Consultadas Alfabeto em Libras. Disponível em: https://www. youtube.com/watch?v=fYaXJXf60gU. Acesso em: 12 mar. 2020. Alfabeto Manual da Libras. 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O funcionamento do ouvido Classificações da surdez Surdez X deficiência auditiva Alguns equívocos acerca da surdez e da língua de sinais Momento prático: como são formados os sinais? Configuração de mão Localização Movimento Orientação da palma Elementos não manuais Vamos praticar? Saudações e apresentação pessoal em Libras Considerações finais Síntese