Logo Passei Direto
Buscar

PSICOLOGIA_PRIMEIRO_TRIMESTRE[1]

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

License-524652-28270-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Conhecimento Científico e 
Senso Comum 
Você concorda que, desde o seu nascimento, você adquire 
conhecimentos vindos de diversas fontes? Esses conhecimentos 
vêm, principalmente, de dois lugares: da sua casa e da escola. Em 
casa, você aprendeu a falar, andar, comer e andar de bicicleta. 
Mais tarde, quando você foi para a escola, você começou 
a descobrir novas possibilidades de conhecimento, como a 
Matemática, a História e o Português (que você já falava, mas 
ainda não escrevia).
Tudo isso chegou e continua chegando até você por meio de 
conhecimentos que são introduzidos ao longo de sua vida. Esses 
conhecimentos são diferenciados por tipos, tais como o senso-
comum e o conhecimento científico. 
Que tal aprendermos mais sobres eles? Siga com atenção!
O conhecimento vindo do senso comum
A forma de conhecimento a que chamamos de senso comum 
diz respeito àquelas coisas que aprendemos no cotidiano, com a 
convivência e experiência que adquirimos com outras pessoas.
E você concorda que, na maioria das vezes, nem paramos para 
pensar de onde vem esse conhecimento?
Por exemplo, quando arremessamos um objeto para outra pessoa, 
não calculamos, formalmente, a força que temos que colocar no 
objeto para que ele chegue até o seu destino. Porém, ainda que 
não percebamos, nosso cérebro faz cálculos mentais para que 
saibamos de que forma e com que força lançaremos o objeto. 
O conhecimento vindo do senso 
comum vai se acumulando ao longo de 
nossas vidas, através da aquisição de 
saberes intuitivos e espontâneos.
License-524652-28270-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: Will Hugues, Shutterstock, 2017.
Perceba que a necessidade de acumular esse tipo de 
conhecimento é indispensável para o cumprimento de nossas 
tarefas ao longo da vida, e geralmente nós adquirimos esses 
saberes através da tradição, que é passada de geração para 
geração.
Quer mais um exemplo?
Tente resgatar da sua memória de que forma aprendeu a se 
vestir. Provavelmente foi com sua família, não é mesmo? Portanto, 
note que, desde a infância, adquirimos diversos conhecimentos: 
aprendemos a nos vestir, a usar o dinheiro, a falar, a andar de 
bicicleta. Quando adultos, geralmente usamos esses aprendizados 
de forma natural e espontânea, ou seja, automaticamente, 
sem grandes esforços para nos equilibrarmos na bicicleta ou 
colocarmos uma calça, por exemplo.
Mas será que esses conhecimentos bastam para as nossas vidas?
License-524652-28270-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
A resposta é não. Essa forma de conhecimento adquirida por meio 
da tradição ainda é precária em relação a todas as exigências 
que fazem parte do desenvolvimento humano. Então, para se 
desenvolver ainda mais, o Homem começou a fazer observações 
e experimentos para entender de que forma os fenômenos 
aconteciam, construindo, assim, o que chamamos de ciência. 
E de que forma o conhecimento científico chega até nós?
O conhecimento científico chega às nossas vidas de uma 
maneira um pouco diferente, geralmente com o início da nossa 
vida escolar. 
Vamos aprender um pouco mais sobre o conhecimento científico? 
Continue atento (a)!
O conhecimento científico
Quando você começa a ir para a escola, ainda criança, um novo 
mundo de possibilidades e explicações surge na sua vida, não 
é mesmo? Começamos a aprender a escrever, a fazer contas, a 
entender o fenômeno da chuva, etc. 
Que tal focarmos em um exemplo?
Pense na chuva: antes de ir para a escola, provavelmente você 
sabia que poderia chover quando olhava para o céu e via um 
céu nublado. Porém, a partir do momento em que começamos 
a estudar, passamos a conhecer todo o processo que acontece 
desde a evaporação da água até o seu retorno em forma de chuva. 
É dessa forma que o conhecimento científico começa a ser 
inserido em nosso cotidiano.
O conhecimento científico é resultado 
de experimentos e observações que 
conseguem explicar como os mais 
diversos fenômenos acontecem em 
nossas vidas.
License-524652-28270-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: Andrey_Popov, Shutterstock, 2017.
Em outras palavras, de acordo com Bock et al , a ciência é um 
conjunto de conhecimentos sobre fatos ou aspectos da realidade, 
expresso por meio de uma linguagem precisa e rigorosa. 
E de que forma esses conhecimentos são obtidos?
Esses conhecimentos devem ser obtidos de maneira programada, 
sistemática e controlada, para que se permita a verificação de 
sua validade. Assim, a ciência aponta o seu objeto de estudo e 
seus diversos ramos de aprofundamento, demonstrando como 
o conteúdo é construído e possibilitando novos estudos que 
possam reproduzir e desenvolver a experiência. Dessa forma, o 
saber pode ser transmitido, verificado, utilizado e desenvolvido.
E quais seriam as aspirações da ciência?
A ciência sempre aspira objetividade e a continuidade, ou seja, ela 
é objetiva (apresentando conclusões que são válidas e isentas de 
emoção) e contínua (produzindo algo novo a partir do que já foi 
descoberto e desenvolvido). 
Isso quer dizer, então, que a ciência se trata de uma produção 
de conhecimento que se diferencia daquilo que é subjetivo e que 
vai além de posições ou opiniões?
License-524652-28270-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Isso mesmo! Quando falamos que algo foi comprovado 
cientificamente, estamos apresentando um dado que não pode 
ser discutido e que já refutou todas as outras possibilidades. 
Ainda não ficou claro? Então acompanhe um exemplo.
Antes de a ciência comprovar que a Terra girava em torno do 
Sol, acreditava-se que a Terra estava no centro do Sistema Solar 
e que os demais astros orbitavam ao redor dela. Porém, por 
meio de estudos e experimentos científicos, comprovou-se que 
o nosso planeta, assim como os demais do Sistema Solar, giram 
ao redor do Sol, sendo este o verdadeiro centro desse sistema. 
Assim, a teoria anterior a essa foi refutada.
Mas será que existe algum tipo de conhecimento científico que 
parte do senso comum?
A resposta é sim: grande parte do conhecimento científico parte 
de saberes do senso comum. Por exemplo, quando Newton 
formulou a Lei da Gravidade, ele partiu da observação de uma 
fruta que caía do pé e se partia no chão, ou seja, a primeira ideia 
de Newton veio de um conhecimento adquirido através do senso 
comum. Posteriormente, por meio de diversos experimentos, essa 
ideia inicial foi comprovada, e hoje faz parte dos conhecimentos 
científicos aos quais temos acesso.
Fonte: docstockmedia, Shutterstock, 2017.
License-524652-28270-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
A psicologia e a sua relação com 
esses conhecimentos
Agora que você estudou o que é senso comum e conhecimento 
científico, talvez esteja se perguntando: mas o que a Psicologia 
tem a ver com tudo isso?
Bem, perceba que, assim como usamos alguns termos da 
Psicologia no senso comum, também encontramos explicação 
para diversos comportamentos psicológicos usando métodos 
científicos. 
Quer um exemplo?
Você já percebeu que alguns termos da Psicologia são usados 
com vários sentidos em nosso cotidiano? Por exemplo, o uso 
do termo “histérica”, no senso comum, remete a uma pessoa, 
geralmente mulher, que está alterada, nervosa, exaltada. Note 
que, no senso comum, esse termo é normalmente atribuído a 
mulheres porque, inicialmente, acreditava-se que a histeria 
era uma doença nervosa que se originava no útero. Porém, no 
mundo científico da Psicologia, chegou-se à conclusão de que 
a histeria se trata de um tipo de personalidade, geralmente 
feminino, descoberto por Freud, pois as mulheres que ele atendia 
apresentavam sintomas físicos como forma de exteriorizar seus 
sintomas psíquicos. 
Senso
comum CiênciaPsicologia
Percebeu que muitos termos ligados à Psicologia entram em 
nosso cotidiano por meio da popularização e de um consenso 
estabelecido por meio do uso desses termos? 
License-524652-28270-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Veja que essa Psicologia não é aquela usada pelos psicólogos, 
nem mesmo aquela Psicologia transmitida nos ambientes 
acadêmicos.Trata-se apenas da apropriação dos termos 
psicológicos para o uso no cotidiano – ou seja, podemos tratá-
la de Psicologia do Senso Comum. Porém, nem por isso ela 
deixa de ser Psicologia e de ser uma fonte de conhecimento, 
pois, com ela, conseguimos explicar e compreender diversos 
problemas que acontecem conosco, mas que não se tratam da 
Psicologia que é estudada pelos pesquisadores. 
A Psicologia possui termos usados 
no senso comum, mas que também 
encontram explicação em diversos 
comportamentos diagnosticados por 
métodos científicos.
License-525724-28448-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Compreender a Psicologia 
como ciência
Você deve se lembrar, da unidade anterior, que a ciência está 
presente em nossas vidas das mais diversas formas, com o 
objetivo de confirmar as teorias levantadas e proporcionar 
melhoras na condição de vida humana, por meio de experimentos 
e descobertas. 
Mas será que isso se aplica também à Psicologia?
Claro! Com a psicologia não seria diferente, pois ela representa 
uma área do conhecimento que gera interesse há muito 
tempo, desde os mais antigos cientistas e pensadores. Esses 
estudiosos já faziam questionamentos sobre temas que, hoje em 
dia, são comuns no estudo da Psicologia, como a memória, o 
comportamento ou a aprendizagem, por exemplo. 
Mas há quanto tempo, exatamente, a Psicologia teve início 
enquanto ciência?
Bem, embora esses temas dos quais acabamos de falar sejam 
estudados há muito tempo, a Psicologia Moderna teve início há 
pouco mais de 100 anos. Porém, ainda hoje há questionamentos 
relativos ao objeto de estudo da Psicologia e ao fato de essa 
forma de estudo poder ser considerada científica ou não.
Que tal nos aprofundarmos mais nesse debate? Para isso, siga 
em frente!
O objeto de estudo da Psicologia
Conforme vimos estudando, o conhecimento científico possui 
algumas características próprias, dentre elas a existência de um 
objeto de estudo específico. 
Quer um exemplo? Então vamos lá!
License-525724-28448-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Por exemplo, na Sociologia, estudamos a sociedade e a forma 
como ela se organiza; na Biologia, estudamos os seres vivos; 
área de Letras, estudamos as línguas e a forma como elas se 
transformam ao longo do tempo, com o uso que os falantes 
fazem dela. Essa classificação facilita os estudos acerca desses 
objetos de estudo, pois, com isso, é possível isolar os objetos e 
estudá-los profundamente.
Vamos acompanhar um exemplo ainda mais detalhado?
Pense em um cientista que estuda Botânica: ele foca no estudo 
das plantas, isolando-as de outros componentes e minimizando 
o risco de confundir esse estudo com outro fenômeno. Assim, 
ele se aprofunda no assunto e pode trazer contribuições para a 
sociedade por meio do uso das plantas. A figura abaixo mostra o 
trabalho de um cientista diante do seu objeto de estudo.
Fonte: Leah-Anne Thompson, Shutterstock, 2017.
Mas e a Psicologia que estuda o Homem, consegue isolar seu 
objeto de estudo?
License-525724-28448-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Perceba que não, pois o Homem representa um objeto muito 
amplo e confuso, o que dificulta que se faça alguma divisão na 
tentativa de reduzi-lo ou isolá-lo.
Por ser ainda uma disciplina tão 
recente, a Psicologia ainda não 
conseguiu definir e reduzir o seu objeto 
de estudo.
Os diversos objetos de estudo da Psicologia
A Psicologia Moderna, ou seja, a Psicologia dos dias atuais, é 
estudada sob o viés de diversas abordagens, sendo que cada 
uma delas apresenta um objeto de estudo diferente. Por exemplo, 
para a Psicologia Comportamental, o objeto é o comportamento 
humano; para a Psicanálise, é o estudo do inconsciente; e por aí 
transitamos em diversas fontes de estudos que abordaremos ao 
longo de nossos estudos. 
E quais seriam as explicações para que a Psicologia tenha tantos 
objetos diferentes?
Bock et al. trazem duas supostas explicações para essa diversidade 
de objetos: a primeira explicação é referente ao fato de o estudo da 
Psicologia Moderna ser recente, não dando tempo de apresentar 
teorias definitivas que tratem com exatidão o objeto. Já a segunda 
teoria diz respeito ao fato de que o pesquisador desse campo 
também faz parte do objeto de estudo, o que faz com que os 
cientistas coloquem em seus estudos a sua visão de Homem e suas 
perspectivas, contrariando uma característica da ciência, que seria 
a ausência de emoções nos estudos.
Tomemos como exemplo alguns autores da Filosofia que são 
usados na construção da Psicologia: para alguns deles, o Homem 
é bom, em sua essência, desde o nascimento; outros acreditam 
que o homem tenha características predefinidas desde o 
nascimento e que não mudam ao longo de suas interações; e há, 
ainda, outras correntes que afirmam que o homem é puramente 
uma construção social diante das suas experiências e escolhas, 
ou seja, seu caráter é definido com base nas relações que tem 
ao longo da vida.
License-525724-28448-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Perceba que, por causa dessa complexidade e diversidade de 
interpretações, nos deparamos com um problema. Afinal, diante 
disso, vemos que a Psicologia, assim como outras ciências 
humanas, contraria alguns requisitos que a ciência impõe para a 
definição do conhecimento científico. 
As diferentes concepções de Homem 
representam uma forma distinta de 
abordar o objeto de estudo, o que, para 
muitos, afasta a Psicologia da ciência.
Chegamos, então, ao questionamento que cerca esta Unidade 
de Aprendizagem: afinal de contas, a Psicologia é ou não é uma 
ciência? 
A solução para esse questionamento, na visão de BOCK et al, 
é a seguinte: o ideal é que adotemos a definição não de uma 
Psicologia formada e concluída, mas de Ciências Psicológicas que 
estão em desenvolvimento. Na figura a seguir são relacionadas 
diversas abordagens que são objeto de estudos da Psicologia.
Ciências
Psicológicas
Humanismo
Comportamental
Psicanálise
Gestalt
Cognitivista
Fenomenologia
License-525724-28448-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
A subjetividade como um grande objeto de estudo
Como temos estudado, a Psicologia se diferencia das outras áreas 
de estudos justamente por considerar as especificidades do Homem 
e fazer disso sua a matéria de estudo e trabalho, construindo 
maneiras de contribuir para a qualidade de vida humana.
Toda essa dificuldade que temos enfrentado para conceituar 
e reduzir o objeto de estudo da Psicologia está relacionada ao 
estudo da subjetividade, ou seja, a essa forma particular e única 
de se compreender o ser humano.
Clique na figura para assistir ao vídeo
Mas o que é essa tal de subjetividade?
Para BOCK et al, a subjetividade é a reunião das nossas 
experiências individuais, que vamos adquirindo ao longo da vida 
e que constroem aquilo que nos identifica. São características 
que são únicas para cada um de nós, mas que ao mesmo tempo 
nos igualam com as outras pessoas que têm vivências parecidas 
com as nossas. 
License-525724-28448-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Ainda não ficou claro?
Em outras palavras, a subjetividade trata das características que 
nos tornam únicos e que constituem nosso modo de ser e nossas 
escolhas, como indicado na figura a seguir. 
Fonte: Lightspring, Shutterstock, 2017.
Por exemplo, ao conhecermos uma pessoa flamenguista, 
vegetariana, que gosta de rock e pratica natação, estamos 
falando de características particulares dessa pessoa, que fazem 
com que a sua vivência seja singular.
Você concorda, então, que temos um grande paradoxo em torno 
da subjetividade? Afinal, as características que carregamos 
conosco nos constroem e nos fazem tomar posicionamentos 
diante da sociedade, mas também fazem com que possamos 
License-525724-28448-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
promover novas formas de subjetividade, recusando a estagnação 
e moldando a construção da sociedade. Temos como exemplo 
disso posições que, atualmente, são popularmente discutidas, 
como a regulamentação da maconha para uso medicinal: há 
pessoas que defendem esse tema; e há outras que são contrárias.Essas posições, no futuro, certamente influenciarão as decisões 
que serão tomadas quanto ao uso da substância. Perceba que 
o destaque vermelho da figura a seguir bem representa a 
subjetividade que torna cada ser humano único no universo.
Fonte: Robert Kneschke, Shutterstock, 2017.
Vale lembrar que a subjetividade 
não é inata, mas socialmente 
construída através das vivências, 
escolhas e experiências do indivíduo 
ao longo da vida. 
License-519790-81766-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
História da Psicologia
Todos nós temos uma história que vai se construindo ao longo 
de nossas vidas, não é mesmo? Então, é o conjunto de histórias 
individuais e coletivas que forma a História da humanidade, 
aquela que, quando entramos na escola, começamos a estudar. 
Por meio desses estudos, entendemos o percurso de diversos 
objetos (por exemplo, como o telefone foi inventado e como 
evoluiu até hoje, possibilitando o uso da internet) e pessoas na 
História, além de entender como os fatos aconteceram.
Mas qual será a importância de estudar História?
Ora, o estudo da história de alguma coisa ou de algum fato é 
essencial para entendermos o presente e evitarmos repetir os 
erros do passado, além de ser um guia para o futuro. Pense, por 
exemplo, na Segunda Guerra Mundial. Entender seu contexto, 
o que inclui estudar o nazismo, é fundamental para refletirmos 
sobre a perversidade dos campos de concentração nazistas e 
evitarmos que novos massacres como aqueles aconteçam.
Logo, ao pensarmos em qualquer fato da atualidade, chegaremos 
à conclusão de que é impossível entendê-lo sem conhecer 
minimamente a sua história. Quer um exemplo?
Reflita sobre as atuais políticas de cotas raciais, que permitem o 
ingresso de grupos antes excluídos das universidades públicas. 
Por que essas pessoas tinham pouco acesso a esses locais? 
Por que se decidiu criar essa política de inclusão? Pois bem, 
recentemente, no Brasil, percebeu-se que havia poucos negros 
e pardos estudando em universidades públicas. Isso foi fruto, 
em grande parte, da exclusão social desencadeada, há muito 
tempo, pela libertação dos escravos, pois esse grupo recebeu a 
liberdade, mas ela não veio, em geral, acompanhada de acesso 
à educação, moradia e outras condições dignas de vida. Assim, 
esse grupo acabou sendo privado de muitos direitos básicos, o 
que inclui a educação pública de ensino superior. Para amenizar 
essa “dívida” que a sociedade tem com os negros e pardos, 
foram criadas as ações afirmativas, também conhecidas como 
política de cotas.
E será que isso também se aplica à Psicologia?
License-519790-81766-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
A resposta para essa pergunta é sim. Com a Psicologia, não seria 
diferente, pois essa área de estudo também possui uma história 
que a fez chegar à sua atual situação (GOODWIN, 2005). Quer 
entender melhor como isso aconteceu? Então siga atento (a)! A 
figura a seguir, por exemplo, aponta sinaliza os primeiros passos 
dos estudos realizados pelos humanos.
Fonte: valzan, Shutterstock, 2017. 
Os primeiros filósofos
Iniciaremos nosso percurso pela história da Psicologia com 
uma curiosidade interessante: apesar de ser uma das áreas que 
instiga os pensadores há muito tempo, faz pouco mais de 100 
anos que a Psicologia foi considerada ciência e estudada como 
tal.
Porém, conforme acabamos de comentar, desde os primeiros 
filósofos são levantados questionamentos referentes à con-
strução do pensamento humano. Perceba que isso se inicia na 
Antiguidade, com os gregos e o surgimento da Filosofia. Esses 
License-519790-81766-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
filósofos gregos foram os primeiros a tentar sistematizar uma 
Psicologia, pois até mesmo o termo “psicologia” se origina do 
grego: psyché = alma; e logos = razão. Portanto, para os gregos, 
a Psicologia seria o “estudo da alma”.
Mas quem são esses tais primeiros filósofos da humanidade?
Dentre os mais influentes da História, podemos citar Sócrates, 
Platão e Aristóteles. Vamos conhecer cada um deles?
Começaremos por Sócrates (469-399 a.C.), o primeiro filósofo 
que apresenta preocupações relativas ao estudo da alma. 
Seu principal questionamento girava em torno daquilo que 
diferenciava nós, Homens, dos animais. Assim, Sócrates afirmava 
que a principal característica humana seria a razão, e era através 
dela que o homem conseguia superar a irracionalidade.
Depois de Sócrates, temos Platão (427-347 a.C.), um seguidor 
das ideias de Sócrates que aprofundou o tema do estudo da 
alma: para ele, a alma seria separada do corpo, estando situada 
na apenas na cabeça. Esse filósofo ainda afirmava que, quando o 
homem morria, a matéria desaparecia, mas a alma estaria livre 
para ocupar outro corpo.
Fonte: Anastasios71, Sshutterstock, 2017. 
License-519790-81766-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
Posteriormente, seguindo a ordem da História, viveu Aristóteles 
(384-322 a.C.), discípulo de Platão. Além de ser um dos mais 
importantes filósofos da História, trouxe contribuições inovadoras: 
segundo ele, a alma e o corpo não poderiam ser separados, 
sendo a psyché (atualmente entendida como mente) o princípio 
que move toda a vida.
A teoria platônica acreditava na alma 
imortal e separada do corpo; e a 
aristotélica, na mortalidade da alma e 
no seu pertencimento ao corpo.
Clique na figura para assistir ao vídeo
Descartes e o surgimento da Psicologia Científica
Continuando nossa trajetória pela história da Psicologia, 
chegamos, agora, à era do Renascimento, época de diversas 
transformações na sociedade, como a descoberta das novas 
terras da América, o desenvolvimento de diversas áreas do 
conhecimento e o estabelecimento das primeiras regras para a 
construção do conhecimento científico.
E qual foi o pensador que melhor representava o pensamento 
dessa época?
License-519790-81766-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
Foi René Descartes (1596 – 1659), um dos pensadores que mais 
contribuiu para o avanço da ciência. Com sua célebre frase 
“Penso, logo existo”, fez uma cisão entre mente e corpo, afirmando 
que o corpo seria apenas uma máquina que só funcionaria ao 
acionar uma substância pensante, chamada de alma pelos 
outros filósofos (BOCK et al., 2007; GOODWIN, 2005). Segundo 
ele, por causa dessa distinção entre corpo e mente, os animais 
seriam criaturas puras sem a alma, e os seres humanos possuíam 
essa mente racional que possibilitava que o corpo funcionasse 
(Goodwin, 2005). Por esse motivo, Descartes era um racionalista, 
ou seja, ele acreditava que o conhecimento passava pelo uso 
sistemático do raciocínio. A figura, a seguir, indica o pensamento 
de René Descartes.
Penso
logo
Existo
Que tal avançarmos mais um pouco em nossa linha do tempo?
Ao chegarmos ao século XIX, a ciência já estava avançando 
aceleradamente, e o capitalismo crescia como nova ordem 
econômica.
Mas o que isso tem a ver com Descartes?
License-519790-81766-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
Perceba que grande parte do avanço científico está embasado na 
ideia de separação entre corpo e mente. Afinal, foi a partir dessa 
separação que foi possível iniciar os primeiros experimentos 
com corpos humanos, o que possibilitou o avanço da medicina e 
da ciência como um todo.
E qual a relação disso com o capitalismo?
Bem, com o advento do capitalismo, a ciência precisa oferecer 
respostas e soluções práticas para os questionamentos e 
problemas que atormentam a sociedade. Além disso, os Homens 
passam a ser consumidores, ou seja, eles passam a adquirir 
mercadorias por meio do dinheiro – e a ciência, claro, também 
se torna uma dessas mercadorias.
Nesse contexto, os saberes religiosos começam a ser contestados, 
causando a separação entre conhecimento e fé. Portanto, a 
racionalidade começa a andar atrelada com a ciência, libertando-
se de dogmas religiosos ou da própria autoridade da igreja, que 
durante muito tempo proibiu o estudo do corpo humano, por 
exemplo.
Nesse contexto e ainda hoje, o 
conhecimento científico se torna 
sinônimo de verdade. Para o 
conhecimento ser consistente,é 
necessário um aval da ciência.
E qual é a relação disso tudo com a Psicologia?
Perceba que a Psicologia que até então era estudada somente 
pelos filósofos passa a interessar, também, cientistas da área 
da Fisiologia e Neurofisiologia, que começam a se interessar 
pelo funcionamento do sistema nervoso e pela forma como 
aconteciam fenômenos como o pensamento, os sentimentos, 
as percepções, etc. (BOCK et al., 2007), a exemplo do que se 
sinaliza na figura abaixo.
License-519790-81766-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: Andrey_Kuzmin, Shutterstock, 2017.
Graças a isso, a Psicologia começa a avançar não somente na 
área filosófica que procurava entender o homem, mas também 
na área de Neuroanatomia, que começava a fazer descobertas 
do funcionamento cerebral e a explicar a razão de várias 
disfunções, como as doenças mentais.
A Psicologia Moderna
Com todo esse avanço e com as possibilidades de estudos 
que surgiram, chegamos ao início da Psicologia Moderna, que 
se iniciou com a criação do primeiro laboratório para realizar 
experimentos, criado por Wilhelm Wundt (1832-1926), na 
Alemanha.
Mas quais foram os estudos desenvolvidos por Wundt?
É importante que você saiba que Wundt iniciou os estudos que 
procuravam entender o paralelismo psicofísico, que significa que, 
License-519790-81766-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
para cada fenômeno físico, há um fenômeno mental equivalente. 
Por exemplo, ao estimular a pele com uma picada de agulha, 
haveria uma estimulação correspondente na mente do indivíduo, 
para que ele sinta a picada. Além disso, Wundt apresenta o 
introspeccionismo, que estuda os caminhos percorridos em 
virtude dessa estimulação sensorial (Bock et al., 2007), como se 
observa na figura a seguir. 
Fonte: Istvan Csak, Shutterstock, 2017. 
Essa nova proposta de Psicologia também foi estudada por 
outros dois importantes pesquisadores, também na Alemanha: 
Gustav Fechner (1801-1887) e Ernst Weber (1795-1878), que 
criaram a Lei Fechner-Weber. Esse estudo estabelece uma 
mensuração entre a relação estímulo x sensação. Segundo esses 
estudiosos, a percepção aumentaria em progressão aritmética; e 
o estímulo, em progressão geométrica. Ainda não ficou claro? Em 
outras palavras, esse estudo conclui que a diferença entre o que 
sentimos quando uma lâmpada de 100W é aumentada para 110W 
é a mesma de um aumento de 1000W para 1100W.
License-519790-81766-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
Mas por que esse estudo é tão importante para nós?
Pois foi a partir desse momento que a Psicologia começou a ser 
vista com o status de ciência e se tornou independente da Filosofia. 
Assim, a distinção entre a Psicologia Moderna e os pensadores 
que a antecederam está principalmente nas técnicas usadas 
e na forma com que abordam a natureza humana (SHULTZ; 
SHULTZ, 2002). 
Perceba que, com o surgimento dessa Psicologia Científica, são 
estabelecidos alguns padrões para a produção do conhecimento 
na área, tais como: a definição de um objeto de estudo; a criação 
de um método para estudo desse objeto; e a formulação de teorias 
que devem obedecer aos critérios da ciência (Bock et al., 2007).
Lembre-se de que os requisitos 
do conhecimento científico são: a 
neutralidade, a comprovação e a 
continuidade para novas pesquisas.
Note que toda essa expansão da Psicologia proporcionou avanços 
não somente em termos de pesquisas, mas também na forma 
como ela interfere em nossas vidas. Certamente, em diversos 
momentos da sua vida, você já teve contato com o trabalho dos 
psicólogos, independentemente da abordagem usada.
License-511501-28454-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
Primeiras Escolas da Psicologia
Conforme vimos estudando, embora as raízes da Psicologia 
estejam ligadas aos grandes filósofos da Grécia Antiga (que já 
se interessavam pelo estudo da mente e do corpo), a Psicologia 
só ganhou status de ciência no final do séc. XIX, com a criação 
do primeiro laboratório psicológico na Universidade de Leipzig, 
na Alemanha, por Wilhelm Wundt. 
Mas você sabia que, apesar de a Psicologia científica ter nascido 
na Alemanha, é nos Estados Unidos da América (EUA) que ela 
encontra campo para crescer? 
Sim, é nesse país que surgem as primeiras escolas em Psicologia, 
que deram origem às inúmeras teorias que existem hoje. Vamos 
conhecer um pouco mais sobre essas abordagens? Siga com 
atenção!
A Psicologia Científica e o 
Pai da Psicologia Moderna 
Recordando um pouco o que temos estudado, a fim de 
retomarmos nossa linha do tempo da história da Psicologia 
científica, podemos dizer que esta nasce com os novos métodos 
científicos de Wundt, no século XIX.
E qual era a linha de pensamento que guiava as pesquisas de 
Wundt? Wundt acreditava na introspecção, ou seja, acreditava que 
a percepção interna poderia fornecer todos os dados básicos para 
o estudo da Psicologia, pois o foco dos seus estudos encontrava-
se dentro do observador, ou seja, na sua experiência consciente. 
Além disso, esse estudioso afirmava que as duas formas básicas de 
experiência eram a sensação e os sentimentos.
Falamos um pouco sobre isso na Unidade de Aprendizagem 3, 
na qual trouxemos o exemplo da pele sendo estimulada por meio 
de uma picada de agulha. A figura, a seguir, retrata a autoanálise 
da mente por meio da introspecção humana. 
License-511501-28454-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: Jurgen Ziewe, Shutterstock, 2017.
Wundt definiu a introspecção como 
a autoanálise da mente, ou seja, uma 
forma de descrever os pensamentos ou 
os sentimentos pessoais.
Mas será que os trabalhos de Wundt se resumem ao 
introspeccionismo?
A resposta para essa pergunta é não: outras teorias e estudos 
foram desenvolvidos por ele, conforme você pode acompanhar 
no quadro a seguir.
License-511501-28454-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
Atividade Descrição Aplicação/Resultado
Trabalho com 
o metrônomo: 
Teoria 
tridimensional 
do sentimento
Ao trabalhar com o metrônomo (um 
aparelho que pode ser programado 
para produzir cliques que podem 
ser ouvidos em intervalos de tempo 
regulares), Wundt notou que alguns 
padrões despertavam mais prazer e 
sensações agradáveis do que outros.
Com isso, Wundt criou a teoria 
tridimensional do sentimento, que 
diz que os estados de sentimento são 
baseados em três dimensões: prazer 
e desprazer; tensão e relaxamento; e 
excitação e depressão.
Percepção do 
mundo real: 
Apercepção
É o processo em que os elementos 
mentais são organizados: a totalidade 
não é a soma das partes. Ou seja, 
uma experiência sensorial pode ter 
várias sensações experimentadas 
por diferentes sujeitos.
Por exemplo: ao vermos uma árvore, 
nossa experiência visual vai abranger 
a árvore inteira, e não partes dela, 
a partir das nossas experiências 
pessoais, emocionais e do nosso 
conhecimento de ideal e mundo. 
Fonte: Adaptado de BOCK, 2007; SCHULTZ,2013.
Fonte: Shutterstock, 2017. 
Agora vamos conhecer um pouco das escolas que vieram depois 
de Wundt, pode ser? Siga em frente!
License-511501-28454-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
As primeiras escolas da Psicologia 
e suas características 
Neste momento, talvez você esteja se perguntando como a 
Psicologia científica se desenvolveu depois de Wundt, não é 
verdade?
Perceba que é a consolidação dos métodos científicos e 
seu crescente desenvolvimento investigativo nos EUA que 
possibilitaram o surgimento das primeiras escolas ou abordagens 
da Psicologia.
Que tal conhecer um pouco mais dessas escolas? Vamos lá! 
Começaremos pelo Funcionalismo, de William James (1842-1910). 
Essa escola pertencia a uma época marcada pela exigência do 
pragmatismo, para o desenvolvimento econômico do final do 
séc. XIX e início do séc. XX, nos EUA. 
Mas o que é esse tal de pragmatismo?
Bem, na Psicologia, o pragmatismo é uma doutrina que valida 
uma ideia ou um conceito a partir da análise consciente das 
consequências práticas visando a uma sociedade eficiente e 
produtiva, na busca por avanços científicos e tecnológicos.
Para dar um exemplo simples e atual, reflita sobre a seguinte 
pergunta:qual é a importância do método científico para a 
Psicologia? O pragmatista irá questionar se a utilização desse 
método irá trazer efeitos práticos positivos, se ajudará na solução de 
casos de pacientes e na aplicação de técnicas. Caso não provoque 
nenhuma mudança, não terá sentido, ou seja, nenhum significado.
Isso explica por que a consciência era o centro das preocupações, 
pois, ao compreender o funcionamento dessa consciência, o 
homem poderia utilizá-la melhor em suas atividades cotidianas. 
Isso permitiu aos EUA, nessa época, expandir seu crescimento 
industrial e econômico, sua pesquisa de ponta e explorar uma 
cultura que exigia um pensamento ágil, experimental e prático, 
capaz de prever resultados e consequências. Ou seja, buscava-
se uma filosofia voltada para a experimentação e para a ciência, 
novas formas de produção capitalista, conforme bem ilustra a 
figura a seguir. 
License-511501-28454-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: alphaspirit, Shutterstock, 2017.
E você sabia que o interesse pelo estudo da consciência surgiu 
da adaptação da publicação da teoria da evolução de Charles 
Darwin? 
Sim, foi a partir da teoria de que as espécies se transformavam 
a partir de uma seleção natural (ou seja, os organismos que 
melhor se adaptavam a um meio poderiam sobreviver e, com 
isso, repassar essas mudanças a seus descendentes) que alguns 
pesquisadores argumentaram que a consciência havia evoluído 
porque servia com algum propósito na orientação das atividades 
do indivíduo.
Na prática, os pensadores trouxeram os conceitos de evolução 
e adaptação para a compreensão das civilizações: o chamado 
darwinismo social, que acreditava que algumas sociedades e 
civilizações eram dotadas de valores que as tornavam superiores 
às demais.
Essas ideias foram bem aceitas nos EUA, no final do séc. XIX, 
marcado pelo crescimento econômico e pelo interesse que esse 
país tinha em se tornar uma hegemonia mundial. 
License-511501-28454-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
Podemos partir para a próxima escola?
Agora vamos falar sobre o Estruturalismo, cujo fundador, 
Titchener (1867-1927) estava preocupado em compreender a 
consciência a partir da análise das estruturas mentais, ou seja, 
de partes que juntas criavam experiências complexas. Para ele, o 
objeto de estudo da Psicologia é a experiência consciente ligada 
ao indivíduo que a vivencia.
Sua proposta de estudo era a abordagem experimental para a 
observação introspectiva na Psicologia, com rigorosas normas, 
baseando-se em estímulos e observações extensas de suas 
experiências. 
Para ele, quanto mais repetições fossem observadas, maior sua 
percepção. Quer um exemplo?
Quando uma palavra era falada em voz alta, Titchener pedia 
que fosse observado o efeito desse estímulo sobre a consciência, 
como: ideias que vinham à mente, o efeito desse estímulo à 
consciência e como essa palavra afetava a pessoa. 
Titchener cita, ainda, o seguinte exemplo da Física: imagine 
que uma sala pode estar com uma temperatura de 30ºC, 
independentemente de ter ou não uma pessoa para sentir essa 
temperatura. 
Mas e se houver pessoas que sintam calor? 
Perceba que essas pessoas podem sentir um calor desconfortável, 
o que poderá gerar sensações de mal-estar, enjoos, tonturas 
e estresse. São essas experiências relatadas e vivenciadas de 
maneira consciente que interessam para a pesquisa psicológica 
dos estruturalistas. A figura a seguir, bem representa o foco dos 
estruturalistas.
License-511501-28454-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: pathdoc, Shutterstock, 2017. 
Então, agora que estudamos o mecanismo do Estruturalismo, 
vamos para a terceira e última escola: o Associacionismo.
Você concorda com a afirmação de que, para aprender um 
conteúdo complexo, a pessoa precisa aprender primeiro um 
conteúdo mais simples, que estaria associado àquele conteúdo? 
Se sim, você segue a linha do Associacionismo, de Thorndike. É 
dessa concepção de associar conteúdos simples e complexos 
que surge o termo associacionismo. 
Mas será que essa foi a única contribuição de Thorndike para 
essa escola? Não: segundo Bock, outra contribuição de Thorndike 
foi a Lei do Efeito. 
Mas do que trata essa lei? 
License-511501-28454-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
Para explicar a Lei do Efeito, Thorndike criou as caixas-problema 
para estudar como os animais aprendem. As caixas eram 
fechadas e continham uma pequena alavanca que, quando 
pressionadas, permitiam que o animal escapasse. Cada vez 
que a alavanca era acionada, os animais (gatos) ganhavam um 
pedaço de carne (recompensa), e a porta se abriria. Como o 
resultado de pressionar a alavanca era favorável, os gatos eram 
mais propensos a repetir o comportamento no futuro.
Que tal acompanhar um resumo sobre as escolas que acabamos 
de estudar? Para isso, tenha atenção ao quadro a seguir.
Escola/Fundador Características
Funcionalismo
William James 
(1942-1910)
Foi considerada a primeira escola genuinamente americana de 
conhecimentos em Psicologia do século XIX. Importava responder às 
seguintes perguntas: “o que fazem os homens?” e “por que o fazem?”.
Estruturalismo
Edward Titchener 
(1867-1927)
Preocupava-se com o mesmo fenômeno que o Funcionalismo: a 
consciência. Mas, diferentemente de William James, E. B. Titchener iria 
estudá-la como estruturas do sistema nervoso central.
Seu objeto era a experiência consciente como elemento dependente do 
indivíduo que a vivencia.
Associacionismo
Edward L. Thorndike 
(1874-1927)
É considerada a primeira teoria de aprendizagem na Psicologia. Surgiu 
a partir da compreensão e aceitação de que a aprendizagem se dá por 
um processo de associação das ideias, ou seja, das mais simples às mais 
complexas.
Fonte: BOCK, 2007.
A importância dos Estudos das Primeiras Escolas
Você percebeu que a Psicologia passou por várias fases até 
chegar ao arcabouço de teorias e abordagens que temos hoje, 
não é verdade? E, para chegar a esse patamar, muitas pessoas, 
em épocas diferentes, precisaram participar desse processo, 
que continua em desenvolvimento.
Quer dizer, então que surgiram e ainda surgirão novas 
abordagens?
Isso mesmo! E, para que você possa compreender de que forma 
surgem as novas abordagens da Psicologia, precisa entender 
que cada nova construção está ligada a um determinado 
momento histórico. Dessa forma, fica mais fácil acompanhar 
License-511501-28454-0-8
PSICOLOGIA 
APLICADA
essa incessante busca do homem em compreender a si mesmo. 
Para entender melhor tudo isso, assista à animação a seguir.
Clique na figura para assistir ao vídeo
A história permite diferenciar o conhecimento científico do senso 
comum, o que nos ajuda a entender o surgimento de novas 
abordagens e sua aplicação.
O que achou dos nossos estudos até aqui? Aprendemos várias 
teorias, não é mesmo? E elas são muito importantes, pois foram 
precursoras das três teorias psicológicas do desenvolvimento 
e aprendizagem que iremos estudar na próxima Unidade de 
Aprendizagem: o Behaviorismo, a Gestalt e a Teoria de Campo-
insight de Kurt Lewin. Até lá!
License-391254-28468-0-9
PSICOLOGIA 
APLICADA
O Behaviorismo e a Gestalt
Começaremos nossos estudos com duas importantes escolas da 
Psicologia: o Behaviorismo e a Gestalt. Ambas possuem o mesmo 
objeto de estudo: o comportamento, porém, discordam na 
maneira como abordam esse tema. Os Behavioristas consideram 
o comportamento de maneira mais isolada, já a Gestalt analisa 
condições mais globais, que poderiam alterar a percepção do 
indivíduo. Vamos entender melhor? Siga com atenção!
Behaviorismo: o estudo do comportamento
Você sabia que o termo Behaviorismo vem da palavra inglesa 
behavior, que significa comportamento? 
Pois é, essa teoria foi criada pelo americano John B. Watson, em 
1913, em seu famoso artigo “Psicologia: como os behavioristas a 
veem”, que dizia que nossos comportamentos são resultados dos 
estímulos que recebemos do meio ambiente em que vivemos. 
Em outras palavras, para cada acontecimento que recebemos, 
iremos apresentaruma reação, uma resposta, e essa resposta, 
poderia ser treinada, ou seja, condicionada.
Além disso, Watson buscava a construção de uma Psicologia sem 
alma e sem mente, livre de conceitos mentalistas e de métodos 
subjetivos e que tivesse a capacidade de prever e controlar. 
Para Watson, as crianças poderiam ser formadas em um 
ambiente controlado e a partir dos estímulos fornecidos a elas, 
o que poderia torná-las especialistas na área que ele quisesse: 
de médico a artista, independentemente de cor, raça ou crença.
Mas será que existe algum termo em português para nomear essa 
escola? Sim! O Behaviorismo também é conhecido por Teoria 
Comportamental, Comportamentalismo ou Análise Experimental 
do Comportamento. 
Behaviorismo, Comportamentalismo, 
Teoria Comportamental ou Análise 
Experimental do Comportamento é 
a ciência da Psicologia que estuda o 
comportamento.
License-391254-28468-0-9
PSICOLOGIA 
APLICADA
E existiu algum outro estudioso importante para essa teoria além 
de Watson?
A resposta para essa pergunta é sim: outro nome importante do 
Behaviorismo foi o de Burrhus Frederic Skinner, um dos mais 
importantes sucessores de Watson. Ele criou, na década de 
1940, o Behaviorismo Radical, em oposição ao Behaviorismo de 
Watson. Vamos conferir algumas características dessas linhas 
de pensamento no quadro a seguir?
Teórico Escola Características
J. B. 
Watson
Behaviorismo 
Metodológico
Bastante difundida nos EUA, tem a capacidade de prever e controlar 
os hábitos dos organismos. Watson ignorava os estados mentais 
como objetos de estudo para explicar o comportamento. Além 
disso, desenvolveu experimentos em laboratórios. Por exemplo, 
qualquer pessoa pode ser treinada para agir de uma maneira 
particular. 
J.F. 
Skinner
Behaviorismo 
Radical
Possui influência no Brasil e em vários países onde a Psicologia 
americana tem grande relevância. Os estímulos são dados aos 
indivíduos pelo meio ambiente. É de Skinner a criação do termo 
Comportamento Operante. Por exemplo: se uma empresa der um 
aumento de salário pelo bom desempenho de seus colaboradores, a 
tendência é que eles continuem a desempenhar bem seu trabalho.
É dele também o Comportamento Respondente, o qual chamamos 
de comportamento reflexo, involuntário ou inato.
Fonte: Adaptado de BOCK, 2007.
Agora que introduzimos nossos estudos sobre o Behaviorismo, 
vamos conhecer alguns dos termos mais utilizados por essa 
teoria? Preste atenção, pois esses conceitos irão te ajudar a 
compreender a aplicação do Behaviorismo no seu dia a dia. Siga 
em frente!
Behaviorismo: compreendendo alguns conceitos
Estamos estudando que o Behaviorismo se baseia no 
comportamento para formular suas teorias, não é mesmo?
Mas será que existe apenas um tipo de comportamento?
Não: temos o comportamento respondente e o operante, 
descritos por Skinner. 
License-391254-28468-0-9
PSICOLOGIA 
APLICADA
Começaremos pelo comportamento respondente, que é o 
comportamento reflexo, involuntário ou inato. E como podemos 
identificar esse tipo de comportamento?
Bem, o comportamento respondente ocorre quando uma mudança 
no meio ambiente provoca uma reação (independentemente de 
aprendizagem). Em outras palavras, o Behaviorismo estuda as 
interações em que, para cada estímulo emitido pelo ambiente 
(S), haverá uma resposta, um comportamento do indivíduo (R), 
a exemplo do que se ilustra na figura a seguir.
Estímulo (S)
Resposta (R)
Luz forte sobre os olhos
Contração da pupila
Ainda não ficou claro? Que tal acompanharmos um exemplo?
Você já percebeu que, quando uma luz forte incide sobre os seus 
olhos, suas pupilas se contraem? Então, isso acontece porque um 
estímulo (luz forte) gerou uma resposta (pupila contraída).
E o comportamento respondente se resume a isso?
Não, pois, além do estímulo e da resposta, temos o reflexo, que 
representa a relação entre estímulo (S) e resposta (R), ou seja, 
entre o organismo e o seu ambiente. Perceba que as respostas 
são as mudanças estimuladas em nosso organismo por meio de 
mudanças no ambiente. A essa relação damos o nome de reflexo. 
Por exemplo: uma martelada no joelho (S) causa uma flexão na 
perna (R). Note que, antes do estímulo o joelho estava imóvel, 
mas, após a martelada (S), o joelho apresentou uma resposta 
(R): um movimento de flexão na perna.
E quanto ao comportamento operante, do que se trata?
O comportamento operante está presente na maioria das 
interações, produzindo consequências no ambiente e sendo 
afetado por elas. Ou seja, aquele comportamento que produz 
consequências no ambiente e é afetado por elas. Assim, podemos 
entender que a relação de aprendizagem ocorre quando um 
License-391254-28468-0-9
PSICOLOGIA 
APLICADA
comportamento, também chamado de resposta (R), produz 
consequências (C) diante desse comportamento. 
E por que é importante entender esse tipo de comportamento? 
Porque, a partir dele, compreendemos como aprendemos as 
nossas habilidades e conhecimentos, como falar, ler e escrever, ou 
até mesmo a compreensão da nossa personalidade. Acompanhe 
como isso se processa na figura a seguir.
Dizer "Oi"
Girar uma Torneira
Estudar
COMPORTAMENTO
(R -resposta) 
Ouvir um "Olá"
Obter Água
Tirar boas notas
CONSEQUÊNCIA (C)
Quer mais um exemplo?
Pense em uma criança que pede um doce e tem seu pedido 
negado pelos pais. Na primeira negativa que a criança recebe 
dos pais, ela chora. Por causa disso, os pais acabam cedendo e 
compram um doce para o filho.
Perceba que o fato de a criança conseguir o doce é uma 
consequência da birra que ela fez. Aqui, portanto, temos um 
reforço positivo, pois a probabilidade de a criança conseguir um 
doce (resposta) no futuro aumentou, visto que os pais removeram 
algo indesejável, ou seja, o choro e a birra da criança. Nesse 
caso, houve um reforço positivo porque o comportamento de 
chorar foi reforçado pela adição de um estímulo satisfatório (a 
criança foi recompensada com o doce), conforme se representa 
na figura a seguir. 
License-391254-28468-0-9
PSICOLOGIA 
APLICADA
 Fonte: Aaron Amat, Shutterstock, 2017.
Mas existe também outro tipo de reforço: o reforço negativo, 
que ocorre quando há a remoção de um estímulo que pode ser 
aversivo ao ambiente. Em outras palavras, reforços negativos são 
comportamentos que produzem a supressão ou o cancelamento 
de estímulos reforçadores. Por exemplo: digamos que você 
more com seus pais e decida limpar a bagunça no seu quarto 
(comportamento) para evitar de entrar em uma briga com eles 
(é a remoção do estímulo aversivo), ou seja, você suprime o 
estímulo aversivo que é a briga com seus pais. Interessante, não?
Outro termo importante que você deve conhecer é conceito de 
punição, que significa apresentar ou retirar um estímulo para 
enfraquecer um comportamento. 
Mas atenção: quando usamos o termo punição, dizemos que 
diminuímos ou extinguimos a frequência de um comportamento 
e não que estamos implantando um sofrimento em alguém. Por 
exemplo: considere que você mora com seus pais e sempre lava 
os pratos após as refeições. Porém, um dia você sai de casa e 
deixa a pia suja com os pratos sem lavar e sem avisar ninguém. 
Como resultado, seus pais podem atribuir uma tarefa extra: além 
License-391254-28468-0-9
PSICOLOGIA 
APLICADA
de te fazer lavar a louça, também podem pedir para você secá-
la e guardá-la, como punição para que o comportamento não 
tenda a ocorrer novamente. 
Vamos conhecer mais um importante termo do Behaviorismo?
Por fim, temos outro importante termo: a extinção, que, na 
Psicologia, significa o enfraquecimento de uma resposta 
condicionada que irá resultar na diminuição ou no 
desaparecimento do comportamento. Em outras palavras, o 
comportamento condicionado deixa de acontecer, ou seja, é 
extinto.
Que tal acompanharmos um exemplo sobre a extinção?
Pense em um rato treinado em laboratório. Suponha que você 
esteja treinando um rato de laboratório para pressionar uma 
barra, a fim de receber alimento. Assim, se toda vez que a barra 
forpressionada ele receber o alimento, esse comportamento 
tenderá a se repetir, certo? Mas, se você deixar de entregar a 
comida, a extinção não ocorrerá imediatamente, só irá acontecer 
após algum tempo. Ou seja, se o rato continuar pressionando a 
barra e não receber o alimento, o comportamento irá diminuir 
até desaparecer por completo.
Comportamento Respondente: o meio 
(S) produz resposta no organismo (R). 
Comportamento Operante: organismo 
emite uma resposta(R) e altera o 
ambiente(S).
Agora que conhecemos o Behaviorismo, que tal partirmos para 
outra importante Escola da Psicologia? Conheça, agora, a Gestalt. 
A Psicologia da Gestalt e o estudo da Percepção
À medida que o Behaviorismo se fortalecia nos EUA, surgia, na 
Alemanha, outra teoria: a Gestalt, por volta do ano de 1912. 
Mas qual seria o significado da palavra Gestalt?
License-391254-28468-0-9
PSICOLOGIA 
APLICADA
Gestalt é uma palavra de origem alemã e de difícil tradução. O 
termo que mais se aproxima do português e que é encontrado 
em livros de Psicologia é “forma” ou “configuração”. 
E existem diferenças entre a Gestalt e o Behaviorismo, escola 
que acabamos de estudar?
Sim. Perceba que, embora tanto a Gestalt quanto o Behaviorismo 
entendam que o estudo da Psicologia se refere ao comportamento, 
há diferenças na compreensão desse estudo. O Behaviorismo, por 
ser mais objetivo, estuda o comportamento a partir da relação 
estímulo-resposta. Já a Gestalt irá criticar essa abordagem, pois 
considera o comportamento num contexto mais amplo, podendo 
perder seu significado se estudado de maneira isolada. Assim, 
para a Gestalt, o comportamento deve ser estudado nos seus 
aspectos mais globais, levando em consideração as condições 
que alteram a percepção do estímulo.
Para conhecer um pouco melhor as diferenças entre essas teorias, 
assista à animação a seguir.
Clique na figura para assistir ao vídeo
License-391254-28468-0-9
PSICOLOGIA 
APLICADA
E quais foram os criadores dessa abordagem psicológica?
A Gestalt teve como fundadores Max Wertheimer, Kurt Koffka 
e Wolfang Köhler, que se interessavam pela percepção. Eles 
acreditavam que existe mais percepção do que os nossos olhos 
podem ver, ou seja, a percepção vai muito além dos elementos 
sensoriais, dos dados físicos demonstrados pelos nossos órgãos 
dos sentidos.
O estudo da percepção é o ponto 
de partida e um dos temas centrais 
dessa teoria. Além disso, a Gestalt 
compreende o homem como uma 
totalidade.
O que você acha de entendermos melhor essa teoria por meio 
de um exemplo?
Para isso, acompanhe a imagem a seguir. 
Fonte: Vitaliy Snitovets, Shutterstock, 2017.
Se você observou bem a imagem, deve ter percebido dois dados, 
e não apenas duas figuras inclinadas. Isso quer dizer que o que 
vemos, na verdade, está relacionado ao fundo contra o qual esses 
dados estão colocados. Traduzindo: o todo é diferente da soma 
de suas partes, pois ele depende da soma das relações entre as 
partes. Assim, ao olharmos a figura, vemos a forma de dados na 
sua totalidade, independentemente de demais estímulos, como 
os pontos pretos. 
License-391254-28468-0-9
PSICOLOGIA 
APLICADA
Perceba que esse exemplo ainda irá te ajudar a entender outro 
termo bastante utilizado pela Gestalt, que é a palavra insight 
e sua aplicabilidade em nosso cotidiano. Para melhor entender 
esse conceito, pense na seguinte situação: já aconteceu de 
você olhar para uma figura que não tem sentido ou para uma 
situação-problema, e, de repente, sem que você tenha feito 
nenhum esforço, a relação figura-fundo elucida-se? Observe o 
exemplo contido na figura que segue.
Fonte: ImageFlow, Shutterstock, 2017.
A esse fenômeno a Gestalt dá o nome de insight. Esse termo 
significa uma compreensão imediata, ou seja, uma espécie de 
“entendimento interno”. Isso significa dizer que nem sempre 
as situações vividas por nós apresentam-se da forma como 
percebemos imediatamente. Isso implica na dificuldade do 
processo de aprendizagem, porque não compreendemos 
de forma clara uma definição da figura-fundo, impedindo o 
entendimento da mensagem como um todo.
Provavelmente, você já deve ter usado ou ouvido a expressão 
“Tive um insight”, não é mesmo? Caso desconheça essa frase, 
saiba que ela é bastante utilizada quando solucionamos um 
License-391254-28468-0-9
PSICOLOGIA 
APLICADA
problema sem ter feito um grande esforço. Essa compreensão 
imediata, esse entendimento interno recebe o nome insight. 
Mas, além de tudo o que vimos até aqui, existe mais algum termo 
importante para a Gestalt?
Sim! Outro importante termo é o da Boa Forma, ou seja, as 
condições necessárias para a compreensão do comportamento 
humano. Em outras palavras, é a maneira como percebemos 
um determinado estímulo que irá desencadear nosso 
comportamento. 
Quer um exemplo?
Pense, então, quantas vezes já aconteceu de você cumprimentar 
uma pessoa e, ao chegar perto dela, perceber que era uma 
desconhecida? Isso ocorreu porque a sua percepção do 
estímulo (da pessoa desconhecida), em determinadas condições 
ambientais, foi mediatizada pela forma como você interpretou o 
conteúdo percebido (BOCK, 2007). Note que, quando há um erro 
de percepção, isso nos leva a cumprimentar um desconhecido, pois 
pensamos estar cumprimentando um amigo ou conhecido. Para 
que se atinja a boa forma, o elemento que buscamos compreender 
deve ser apresentado em aspectos básicos, que permitam a sua 
decodificação, ou seja, a percepção da boa-forma.
E então, o que achou da Gestalt? Pronto (a) para conhecer outra 
escola psicológica?
Vamos agora conhecer outra importante abordagem. Você já 
ouviu falar da Teoria de Campo-insight de Kurt Lewin? Essa 
teoria explica que o comportamento de um indivíduo é baseado 
em seu campo de influências sociais, como família, trabalho, 
religião, amigos, sendo a base para o estudo de toda a sua 
teoria. Vamos lá?
License-391254-80138-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Teoria Campo-insight de Kurt Lewin
A partir de agora, vamos conhecer um pouco da teoria de Kurt 
Lewin e sua importante contribuição para o estudo dos grupos 
humanos e suas relações. Esse autor, considerado o fundador da 
Psicologia social, acreditava que sua pesquisa deveria contribuir 
para a melhora da sociedade. Essa pesquisa também era 
chamada de “pesquisa-ação” devido ao seu caráter social. 
Vamos conhecer tudo isso e muito mais? Siga com atenção! 
A Teoria de Campo-insight de Kurt Lewin
Iniciaremos nossos estudos sobre a Teoria de Campo-insight 
falando sobre Kurt Lewin (1890-1947), que trabalhou com os 
psicólogos da Gestalt durante dez anos na Universidade de 
Berlim. Isso mesmo, foi a partir disso que surgiu a sua Teoria de 
Campo.
Isso quer dizer que Lewin era um gestaltista?
Não! Apesar de partir da teoria da Gestalt, Lewin seguiu outro 
rumo para construir um novo conhecimento, cujo método aplica 
o conceito de campos de força para explicar o comportamento 
de um indivíduo a partir do seu campo de influências sociais. A 
partir disso, Lewin desenvolveu seu conceito de espaço vital.
Vamos nos debruçar melhor sobre essas ideias?
Perceba que, para Lewin, as atividades psicológicas de um 
indivíduo ocorrem em uma espécie de campo psicológico, 
chamado de espaço vital. 
O espaço vital compreende todos 
os acontecimentos do passado, do 
presente e até do tempo futuro que 
afetam os indivíduos. 
Espaço vital é, portanto, o principal conceito de Lewin. Significa 
que a totalidade dos fatos é que irá determinar o comportamento 
do indivíduo em certo momento.
License-391254-80138-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Lewin explica que o espaço vital mostra os graus de 
desenvolvimento a partir da quantidade de experiências 
acumuladas. Por exemplo, um bebê tem pouca experiência, não 
é mesmo? Portanto, ele tem pouco espaço vital. Já um adulto 
culto, com acesso à arte, cultura e educação, por exemplo, possui 
um amplo e complexo espaço vital diferenciado, pois possui uma 
variedade de experiências, conforme se representa na figura a 
seguir,por meio da passagem do tempo.
Fonte: billdayone, Shutterstock, 2017.
Lewin e o importante conceito de 
grupo
Além do espaço vital, Lewin também desenvolveu o conceito de 
realidade fenomênica. 
Mas o que é essa tal de realidade fenomênica?
É a maneira particular como cada indivíduo interpreta uma 
determinada situação. 
Indo além, para Lewin, esse conceito também se referia a 
características de personalidade do indivíduo, a componentes 
emocionais ligados ao grupo e à própria situação vivida, assim 
como a situações passadas e que estivessem ligadas a algum 
License-391254-80138-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
acontecimento vivenciado na forma em que eram representadas 
no espaço de vida atual do indivíduo. 
Melhor entendermos por meio de um exemplo, não é mesmo?
Então pense na seguinte situação: um rapaz, ao chegar em casa, 
observa que seus pais estavam conversando e os escuta falar, 
em um tom de voz baixo: “é melhor não falarmos disso agora, 
ele chegou”. O rapaz julga ser um problema sério, e isso o deixa 
preocupado. Porém, dias depois, ele se depara com a mesma 
situação, só que, dessa vez, com pessoas estranhas em sua casa. 
Porém, a conversa tratava-se de uma festa surpresa que seus 
pais preparavam para ele. Assim, vemos que o jovem interpretou 
de uma forma própria aquela situação.
E no mais, Lewin deu mais alguma contribuição para a Psicologia?
Sim. Lewin também desenvolveu a ideia de campo psicológico, 
um espaço de vida dinâmico que considera o indivíduo, o 
meio e a totalidade dos fatos coexistentes e mutuamente 
interdependentes.
Complicou? Então preste atenção: Lewin considerava que o 
comportamento deveria ser visto em sua totalidade, e, a partir 
disso, ele chegou ao conceito de grupo. Para ele, todos os 
momentos de nossas vidas acontecem no interior de grupos. 
O ser humano é um ser social, e suas relações se constituem 
em grupos, sejam os familiares, de trabalho, amizade ou escolar, 
como representado na figura a seguir. 
Fonte: d3images, Shutterstock, 2017.
License-391254-80138-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Mas o que seria um grupo, para Lewin?
Segundo Lewin, o que define o grupo é a interdependência de 
seus membros. Para ele, o grupo não é a soma das características 
de seus membros, mas algo novo, e os resultados que ocorrem ali. 
A partir disso, Lewin acreditava que a mudança de um membro 
no grupo poderia alterar toda a sua dinâmica. 
Em outras palavras, o comportamento de um membro do grupo 
pode influenciar o comportamento dos demais, ou alterar o 
funcionamento do grupo. Por exemplo, se em uma empresa 
ocorre uma mudança no cargo de chefia, o comportamento 
desse novo chefe pode modificar o rendimento equipe, seja de 
maneira positiva ou negativa.
Mas fique atento (a): Lewin não se dedicou a estudar todos os 
tipos de grupos. Ele deu ênfase ao pequeno grupo. Sabe por 
quê? Porque ele considerava que a Psicologia ainda não possuía 
instrumentos suficientes para o estudo de grandes massas. 
Lewin e o estudo dos grupos e suas dinâmicas
Além de tudo o que vimos até aqui, Lewin também criou o 
conceito de campo social, ou clima social, formado pelo grupo 
e seu ambiente. Aqui, uma liderança, por exemplo, poderá 
determinar todo o desempenho do grupo.
Vamos nos aprofundar nessa questão?
Perceba que, para Lewin, os conflitos são inevitáveis durante a 
interação entre os indivíduos de diferentes grupos, pois cada um 
foi socializado e criado de uma forma diferente, o que faz com 
que cada um dos integrantes desses grupos tenham uma visão 
de mundo particular. 
Além disso, Lewin considera, em seus estudos experimentais, que 
os grupos passam por fases de desenvolvimento, assim como 
acontece com o ser humano. E quais seriam essas fases? Vamos 
falar um pouco mais sobre cada uma delas?
License-391254-80138-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Começaremos pela infância, fase na qual os grupos estão 
inseguros, e seus componentes estão se conhecendo. Essa fase 
condiz com o início de sua formação, assim como é o caso da 
nossa infância. 
Já na adolescência, os jovens agem, em geral, de maneira 
impensada e precipitada, não conseguindo administrar seus 
problemas. Com relação aos grupos, essa fase é marcada pela 
definição de seus membros: alguns sairão, outros entrarão no 
grupo. Perceba que, nessa fase, como as regras estão sendo 
formadas, alguns conflitos poderão surgir.
Por fim, Lewin acredita que, na fase adulta, os grupos conseguem 
refletir sobre aquilo que acontece com os indivíduos em geral: é 
o momento de discernir e avaliar os atos. Mesmo que ocorram 
algumas falhas, a equipe consegue chegar a um consenso sobre 
determinado assunto. 
Mas foi somente essa classificação que Lewin atribuiu aos grupos?
Não! Lewin também classificou os grupos em democráticos e 
autoritários. Vamos conhecê-los?
Os grupos democráticos são os mais eficientes e abertos ao 
diálogo, exigindo maior participação de todos os membros, que 
dividem a responsabilidade da realização da tarefa com sua 
liderança.
Já os grupos autoritários possuem uma eficiência imediata, 
são muito centralizados e dependem praticamente de seu líder, 
sendo pouco produtivos, pois funcionam a partir da demanda 
do líder. Seus membros são, geralmente, cumpridores de tarefas. 
O tema da liderança é tão importante que Kurt Lewin dedicou 
uma parte da sua teoria somente para esse assunto. Foi entre 
os anos de 1935 e 1946 que Kurt Lewin desenvolveu uma teoria 
consistente sobre métodos que avaliavam o clima grupal e a 
influência das lideranças na produção do ambiente dos grupos, 
como vimos acima.
Para esse autor, cada ser humano se comporta de uma maneira 
única no estudo dos grupos e suas lideranças. E, no universo 
do trabalho e das empresas, esses comportamentos podem 
License-391254-80138-0-5
Aula 5PSICOLOGIA 
APLICADA
ser observados a partir das ações do gestor ou líder de um 
grupo ou de uma empresa, por exemplo. Isso quer dizer que 
nem sempre os indicados aos cargos de liderança ou os que se 
autointitulam líderes irão se comportar de uma maneira única e 
obrigatoriamente previsível. 
Por fim, perceba que as três teorias estudadas nesta unidade 
estudam o comportamento e podem ser aplicadas, cada uma 
a partir de suas técnicas e da percepção que possuem da 
realidade e do comportamento, para ajudar a entender não 
somente como os integrantes dos grupos se comportam, mas 
também seus líderes. É a materialização da Psicologia no mundo 
organizacional, uma das importantes áreas de atuação da 
Psicologia.
Lewin classificou os grupos em 
democráticos (exigem participação de 
todos os membros, a longo prazo são os 
mais eficientes) e autoritários (possuem 
uma eficiência imediata, são muito 
centralizados e dependem praticamente 
de seu líder)
License-512161-28470-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
O surgimento da Psicanálise
Fundada por Sigmund Freud (1856-1939), a Psicanálise representa 
o estudo do inconsciente. Freud acreditava que, se as pessoas 
trouxessem os sonhos, as fantasias e os problemas reprimidos pela 
mente e que não eram lembrados até à consciência, poderiam ser 
curadas. Por isso, Freud ousou colocar o inconsciente da mente 
humana no centro dos estudos científicos. Vamos estudar mais 
sobre isso? 
Qual é o significado de Psicanálise?
Para que possamos compreender o significado da palavra 
Psicanálise, precisamos partir do pressuposto de que a Psicanálise 
é um método de investigação da alma humana e que tem como 
objeto de estudo o inconsciente. Mas quem foi o criador da 
Psicanálise?
A Psicanálise foi criada por Sigmund Freud por meio do método 
clínico, que deu origem à Psicologia Clínica.
Quer dizer então que, antes de Freud, esse tipo de Psicologia não 
existia?
Isso mesmo! 
E o que existia, então? 
Bem, o que havia antes de Freud era um “ensaio” da Psicologia 
experimental (que vimos em unidades anteriores) e o esboço de 
uma Psicologia social. Ou seja, o estudo do comportamento era 
feito de maneira observável, com conhecimento científico, com 
base emestudos realizados em laboratórios, tanto em animais 
quanto em humanos, tendo como base a teoria da evolução das 
espécies de Charles Darwin. 
License-512161-28470-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Perceba que, nessa época, ainda não havia maneiras de se 
intervir no sintoma de um problema psicológico e no sofrimento 
psíquico do ser humano, seja na normalidade ou na sua doença. 
Freud foi o primeiro a falar sobre conflitos mentais, lembranças 
escondidas na mente, traumas emocionais, ideia a qual ele 
chamou de inconsciente.
A teoria Psicanalítica é um método para 
investigação de fenômenos psíquicos.
 
E quais são os termos que fazem parte do arcabouço teórico da 
Psicanálise?
Além do inconsciente, outro termo importante para a 
Psicanálise é a associação. Note que o inconsciente, na teoria 
psicanalítica da personalidade de Freud, pode ser traduzido 
como um reservatório de sentimentos, de pensamentos e 
até de memórias, mas que está fora da nossa consciência. 
Frequentemente o inconsciente é representado pelo desenho 
de um iceberg, ou seja, o que está acima da água (apenas uma 
ponta) e à nossa vista representa a nossa consciência; e tudo o 
que está abaixo da água, sob a superfície, longe de nossa visão, 
é o inconsciente. 
E o que seria a associação?
O termo associação vem de “Livre Associação” ou “Associação 
Livre”, que representa uma técnica que, segundo Freud, poderia 
trazer conteúdos e sentimentos inconscientes à consciência. 
A associação corre quando o paciente fala tudo o que vem à 
sua mente, sem interrupções e sem julgamentos, em uma livre 
associação de ideias. Freud acreditava que, dessa forma, poderia 
descobrir algum conteúdo inconsciente da mente, ou seja, desejos 
reprimidos e memórias dolorosas de infância, por exemplo.
Mas, afinal, como surgiu a Psicanálise e como Freud criou esse 
método de investigação científica? É o que vamos ver a partir 
de agora.
License-512161-28470-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Um breve histórico da Psicanálise 
Para que possamos compreender melhor o que é a Psicanálise, é 
importante que conheçamos o contexto em que ela surgiu. Isso 
ocorreu por volta do final do século XIX e início do século XX, em 
meados de 1895-1900, graças a Sigmund Freud (1856-1939). Freud 
foi um médico vienense formado em Medicina pela Universidade 
de Viena, com especialização em neurologia (suas pesquisas se 
concentraram na área de neurofisiologia). 
Mas o que, especificamente, deu origem à Psicanálise? 
Perceba que, no final do século XIX, a doença que predominava e 
mais intrigava os médicos era a histeria, que atacava, sobretudo, 
as mulheres (mas não só elas). A origem dessa doença remonta 
à palavra grega hysteron, que significa útero. 
E qual era a relação da histeria com o útero?
Bem, acreditava-se que o útero ficava passeando dentro da 
barriga das mulheres por razões desconhecidas, provocando 
comportamentos histéricos – daí o nome histeria para essa 
doença. Acompanhe, na figura a seguir, um dos comportamentos 
característicos da histeria: os gritos.
Fonte: Ollyy, Shutterstock, 2017.
License-512161-28470-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Mas será que os sintomas da histeria se resumiam a gritos?
Claro que não! Os sintomas iam além dos gritos, sendo físicos 
e corporais, como: paralisias, tremedeiras, cegueira, contratura 
muscular, dentre outros. 
Perceba que, na época, não havia explicação física para esses 
comportamentos. Existia, na verdade, um componente psicológico 
e emocional envolvido, mas essa ideia era inaceitável, e sabe 
por quê? Porque não era científica. Quem falava das emoções 
e da complexidade dos sentimentos da alma humana eram os 
literatos, os dramaturgos, os poetas, e não os médicos.
Freud foi, então, um médico pioneiro no estudo da alma. Foi 
nessa época que ele, ao final de sua residência médica em 
Paris, trabalhou com o psiquiatra francês Jean Charcot, que 
tratava as pacientes histéricas utilizando o método da hipnose, 
representada na figura a seguir.
 
Fonte: Michelangelus, Shutterstock, 2017.
License-512161-28470-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Charcot tentou encontrar motivos e causas para a grande 
questão da histeria: como algo psíquico se transformava em 
corporal? Afinal, embora houvesse sintomas físicos visíveis, os 
exames médicos não justificavam tais sintomas.
Charcot e Freud hipnotizavam o 
indivíduo como forma de eliminação 
dos sintomas dos distúrbios nervosos.
O estudo do inconsciente
Além de Charcot, Freud teve contato com outro importante médico 
e cientista, Josef Breuer, que utilizava o método da hipnose na 
clínica. Desse encontro resultou um dos livros que representa um 
marco inicial da Psicanálise: Estudos sobre a histeria.
Você já ouviu falar do famoso caso de Ana O.?
Ela era uma paciente histérica de Breuer que apresentava 
um conjunto de sintomas: paralisia com contratura muscular, 
inibições e dificuldades de pensamento. Esses sintomas tiveram 
origem na época em que ela cuidava de seu pai enfermo, quando 
ela tinha pensamentos e o desejo de que o pai morresse. 
Foi somente sob efeito da hipnose que Ana O. foi capaz de 
relatar a origem de seus sintomas. E, a partir disso, os sintomas 
desapareciam. 
Mas qual é a ligação de Freud com a hipnose?
Freud se utilizou da hipnose para tentar ampliar cientificamente 
seu método. Hipnotizadas, as pessoas começavam a contar 
lembranças que não eram conscientes. Freud pensou, então, 
que isso só poderia estar dentro da mente delas, porém em um 
lugar inacessível à consciência. A esse lugar Freud chamou de 
inconsciente. 
License-512161-28470-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Foi com base nessas análises que Freud chegou à conclusão de 
que parte do desejo do indivíduo é recalcado (enviado para o 
inconsciente). Por esse motivo, há o retorno do recalcado ou 
do oprimido, e o desejo se manifesta como sintoma. Perceba 
que, para a Psicanálise, esse sintoma se estabelece como uma 
relação, sendo estruturado como metáfora que só se completa 
na relação com o outro. O sintoma tem relação com a nossa 
história, com a nossa família. Ele é uma espécie de “obra de 
arte” que utilizamos para dizer o que não conseguimos dizer e 
organizar de outra forma.
O inconsciente representa conteúdos 
reprimidos que não estão presentes 
na consciência, mas que, em algum 
momento, podem ter sido conscientes.
Para aprofundar seus conhecimentos sobre essa estrutura do 
aparelho psíquico, assista à animação a seguir.
Clique na figura para assistir ao vídeo
License-512161-28472-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
As fases de desenvolvimento 
na infância
As fases do desenvolvimento psicossexual propostas por Freud 
descrevem que a personalidade é desenvolvida ao longo da 
infância em fases ou estágios. Embora a teoria seja bastante 
conhecida e utilizada no campo da Psicologia, ainda hoje é 
uma das mais controversas e polêmicas, já que as descobertas 
de Freud sobre a sexualidade provocaram espanto e dúvidas. 
Vamos conhecer um pouco sobre essa teoria?
Freud e o estudo da sexualidade humana
Outra importante contribuição de Freud para a Psicologia foi 
seu estudo sobre a sexualidade. Ao se dedicar ao estudo das 
neuroses, ele descobriu que a maioria dos pensamentos e desejos 
reprimidos dos indivíduos tinha ligação com os conflitos de 
origem sexual relativos aos primeiros anos de vida do indivíduo, 
ou seja, à infância. 
Você deve imaginar que isso causou muitas manifestações 
contrárias a essa teoria, não é mesmo? Afinal, a imagem da 
criança sempre foi associada à pureza.
Mas quais foram os argumentos que Freud usou para elaborar 
esse estudo? 
Perceba que Freud acreditava que é na infância que ocorrem 
eventos decisivos para a pessoa, como experiências traumáticas 
ou desejos reprimidos, que refletirão nos sintomas do homem 
adulto, deixando marcas profundas na estruturação e formação 
da sua personalidade.
Freud colocou a sexualidade 
humana no centro da vida psíquica 
e, consequentemente, postulou a 
existência da sexualidade infantil.
License-512161-28472-0-5
PSICOLOGIAAPLICADA
Um dos conceitos trabalhados por Freud, nesse contexto, foi a 
teoria da libido, que era, originalmente, um conceito anatômico. 
Como explica Bock (2007), os órgãos produtores de libido eram 
denominados zonas erógenas (lábios, boca, pele, movimento 
muscular, mucosa anal, pênis e clitóris). 
Mas o que isso significa?
Para Freud, a personalidade era desenvolvida através de uma 
série de estágios na infância, quando as energias da busca do 
prazer estavam focadas em determinadas áreas erógenas. Foi 
essa energia psicossexual, ou libido, que Freud descreveu como 
a força motriz do comportamento. 
Dessa forma, se essas etapas psicossexuais forem concluídas 
com êxito, o resultado será uma personalidade saudável, para 
Freud. Porém, se certas questões não forem resolvidas na fase 
adequada, podem ocorrer algumas fixações. 
E o que seriam essas fixações? 
Bem, a fixação ocorre quando há um foco persistente em um dos 
estágios psicossexuais. O indivíduo pode se manter preso nessa 
fase até que o conflito seja resolvido. Por exemplo, uma pessoa 
fixada na fase oral pode ser mais dependente e buscar estímulos 
orais por meio do fumo, da bebida ou da comida.
Confira um exemplo disso na figura a seguir, que mostra que a 
boca é uma zona de prazer para o bebê.
Fonte: OLJ Studio, Shutterstock, 2017.
License-512161-28472-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Por fim, embora exista uma classificação de idade, as etapas 
evolutivas na formação da personalidade da criança não 
são estanques e nem de progressão linear. Ou seja, elas se 
transformam, interagem entre si. Isso acontece porque o ser 
humano não é um ser estático.
As fases do desenvolvimento sexual 
segundo Freud
Agora que entendemos de que forma Freud entende a sexualidade 
humana, veremos que ele a divide em fases.
E quais seriam essas fases?
As fases do desenvolvimento sexual postuladas por Freud são 
classificadas em: fase oral, fase anal, fase fálica, período de 
latência e fase genital. Para conhecê-las melhor, acompanhe o 
quadro a seguir.
Fases do desenvolvimento sexual
Fase Oral
0 a 1 ano.
A zona de erotização é a boca.
Fase Anal
2 a 3 anos de vida do bebê.
A zona de erotização é o ânus.
Fase Fálica
3 a 5 anos.
A zona de erotização é o órgão sexual.
Corresponde à fase edípica (Complexo de Édipo).
Período de 
Latência
5 anos até a pré-adolescência.
Prolonga-se até a puberdade. Caracteriza-se por uma diminuição das atividades 
sexuais, isto é, há um intervalo na evolução da sexualidade.
Fase Genital
Adolescência até a idade adulta.
Ocorre na puberdade, quando o objeto de erotização ou de desejo não está 
mais no próprio corpo, mas em um objeto externo ao indivíduo — o outro. 
Alguns autores denominam esse período exclusivamente como genital, incluindo 
o período fálico nas organizações pré-genitais, enquanto outros autores 
denominam o período fálico de organização genital infantil.
Fonte: BOCK (2007); ZIMERMAN (1999).
License-512161-28472-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Perceba que, nessas fases desenvolvidas em determinados 
estágios da infância, o id concentra-se em determinadas áreas 
erógenas. 
Mas o que seria o id?
Para que você entenda esse conceito, considere que, entre os 
anos de 1920 e 1923, Freud remodelou a teoria do aparelho 
psíquico, chegando à sua segunda teoria do aparelho psíquico, 
que introduz os conceitos de id, ego e superego para referir-se 
aos três sistemas da personalidade. Para Freud, o id é regido pelo 
princípio do prazer. Já o ego equilibra as exigências e impulsos 
do id. Por fim, o superego é regido pelo princípio da realidade, 
ou seja, é um regulador.
Para saber mais sobre essas instâncias psíquicas, assista à 
animação a seguir.
Clique na figura para assistir ao vídeo
O id é regido pelo princípio do prazer; 
o ego equilibra as exigências e 
impulsos do id; e o Superego é regido 
pelo princípio da realidade.
License-512161-28472-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Ainda não ficou claro?
Veja bem, o id representa o reservatório da energia psíquica, é 
nele que se localizam as pulsões de vida e a de morte. Aqui o id 
é regido pelo princípio do prazer que são os nossos impulsos. 
Mas o que são essas tais pulsões?
Entende-se por pulsão um estado de tensão que busca, por 
meio de um objeto, a extinção desse estado. A pulsão de vida 
é chamada de Eros e abrange as pulsões sexuais. Já a pulsão 
de morte é chamada de Tanatos e pode ser autodestrutiva ou 
estar dirigida para fora (por exemplo, pode se manifestar como 
pulsão agressiva ou destrutiva).
O ego, por sua vez, é o sistema que irá estabelecer o equilíbrio 
entre as exigências do id, as exigências da realidade e as ordens 
ou o excesso de rigidez do superego. É o que chamamos de 
princípio da realidade, que busca a satisfação considerando as 
condições objetivas da realidade. Inclusive essa busca do prazer 
pode ser substituída pelo evitamento do desprazer. Ou seja, se o 
indivíduo evita o desprazer, ele está buscando o prazer. Assim, o 
princípio de realidade obriga a pessoa a considerar os riscos e os 
resultados das decisões. 
Perceba que o ego não vai se esforçar para impedir o desejo do 
id, mas vai buscar formas de garantir que as necessidades do id 
sejam satisfeitas de forma segura e realista. 
Quer um exemplo? Se estamos com muita vontade de comer 
doce, não podemos simplesmente tirar o doce da mão de uma 
criança ou pegar os doces da vitrine de uma loja, pois o nosso 
código de conduta não permite que façamos isso. 
E, finalmente, temos o superego, que se origina com o complexo 
de Édipo, sobre o qual estudaremos a seguir. No superego, temos 
a internalização das proibições, dos limites e da autoridade. 
Nesse caso, a moral é uma função básica do superego, ou seja, é 
relativa às exigências sociais e culturais. Perceba que é na moral 
que reina o sentimento de culpa. Ainda não ficou claro? Pense na 
seguinte situação: quando você faz alguma coisa, no trabalho, por 
exemplo, se respondeu a um e-mail sem consultar seu superior 
antes, mesmo sabendo que não estava fazendo nada de errado 
License-512161-28472-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
e que tinha permissão para isso (mas se sente culpado por isso), 
é o seu superego agindo. Portanto, essa culpa ou esse medo de 
fazer algo errado ou de ser punido pode nos levar a um mal-estar. 
Note que esse sentimento de culpa se origina na passagem pelo 
Complexo de Édipo, o qual estudaremos a seguir.
License-512161-28290-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
O Complexo de Édipo
O Complexo de Édipo, termo usado por Sigmund Freud em 
sua teoria de estágios psicossexuais do desenvolvimento, é um 
conceito que descreve quando um menino “concorre” com o pai 
pela posse de sua mãe, ou seja, ele vê seu pai como um rival na 
disputa de atenções e afetos de sua mãe. Vamos nos aprofundar 
um pouco mais nesse complexo?
O Complexo de Édipo e a fase fálica
Dentre os estudos que vimos até aqui, um dos mais importantes 
é o Complexo de Édipo, sobre o qual nos debruçaremos agora. 
Provavelmente você já deve ter ouvido falar no Complexo de 
Édipo, certo? Mas do que ele trata exatamente?
Segundo Freud, é em torno do Complexo de Édipo que ocorre a 
estruturação da personalidade do indivíduo.
E em qual período da vida ele ocorre?
O Complexo de Édipo acontece mais ou menos entre os três e os 
cinco anos de idade – isso mesmo, durante a fase fálica. 
Mas o que acontece nessa fase? 
Bom, no caso do menino, por exemplo, a mãe é o seu objeto de 
desejo. Por esse motivo, o pai é visto como um rival que impede 
que esse menino acesse a mãe, símbolo do objeto desejado. 
Perceba que, nessa fase, a criança tenta ocupar o lugar do pai 
para ter a mãe só para si, escolhendo o pai como um modelo 
de comportamento a ser seguido. O garoto passa, então, a 
internalizar as regras impostas e representadas pela autoridade 
paterna. A figura a seguir demonstra um filho resistindo ao 
abraço do pai, que é visto como um rival.
License-512161-28290-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: treerockimages, Shutterstock, 2017.Porém, considerando-se que essa mesma criança teme perder o 
amor de seu pai, ela “desiste” da mãe, ou seja, a mãe é “trocada” 
pela riqueza do mundo social e cultural. A partir de então, o garoto 
pode participar do mundo social, pois, ao se identificar com o 
pai novamente, tem suas regras básicas internalizadas mais uma 
vez. Mas tenha atenção: perceba que tudo isso acontece em nível 
inconsciente. A figura a seguir ilustra o édipo masculino, em que 
a criança “desiste” da mãe. 
Fonte: Everett Collection, Shutterstock, 2017. 
License-512161-28290-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
Note que, quando esse processo tem as figuras de desejo e 
identificação invertidas, Freud nomeia esse fenômeno de Édipo 
feminino.
E o que acontece no final dessa fase do Édipo?
Para Freud, ao final dessa fase ocorrerá o processo de identificação 
da personalidade, quando a criança irá assumir papéis sociais, de 
sua cultura, relacionados com seu sexo e gênero. No caso do nosso 
exemplo, o garoto vai participar do mundo social.
O Complexo de Édipo representa 
os desejos amorosos e hostis que a 
criança tem diante de seus pais.
Desvendando o Complexo de Édipo 
Embora o Complexo de Édipo tenha sido concebido por Freud, 
há outros estudiosos que continuaram a teorizar sobre ele. 
Como vimos, Freud situou-o por volta dos três anos na criança, 
porém, Melanie Klein, psicanalista austríaca, postulou seu 
surgimento entre os seis e oito meses de vida da criança. Na 
figura a seguir, você pode acompanhar um bebê que possui 
entre seis e oito meses de idade, época em que Melanie Klein 
acredita que surge o Complexo de Édipo na criança.
Fonte: linavita, Shutterstock, 2017.
License-512161-28290-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
Talvez você esteja pensando que essa concepção seguia uma 
direção oposta à ideia original de Freud sobre o Édipo, e você 
está certo (a)! Para Freud, o Complexo de Édipo abrange duas 
formas: uma positiva (o desejo sexual pelo genitor do sexo 
oposto), assim como um desejo de morte pelo genitor do mesmo 
sexo; e, como explica Zimerman (1999), uma forma negativa, na 
qual há um desejo amoroso pelo genitor do mesmo sexo e um 
ciúme ou desejo de desaparecimento do outro.
Segundo Freud, o Complexo de Édipo 
abrange um forma positiva e uma 
negativa. 
E como isso ocorre na prática? 
Bem, o mais frequente, segundo Zimerman (1999), é que ambas 
as formas coexistam, apesar de uma delas predominar. 
Psicanálise: aplicação e contribuições
Você viu, nesta Unidade de Aprendizagem, que a Psicanálise 
tem como premissa o estudo do inconsciente e a forma como 
esses conteúdos se ligam à consciência. São esses conteúdos 
desconhecidos e inconscientes que determinam, pelo menos em 
grande parte, a conduta dos homens e dos grupos, ou seja, as 
dificuldades em se viver em sociedade e o sofrimento psíquico.
E esse sofrimento psíquico ainda é tratado, na atualidade, por 
meio da hipnose?
Não. Atualmente, a hipnose deu lugar ao divã. Perceba que a 
pessoa que está deitada no divã não tem estímulos externos, ou 
seja, o analista está quieto. Isso permite que o indivíduo se sinta 
mais à vontade, sem inibições.
Quer dizer, então, que a Psicanálise se restringe ao divã?
Novamente a resposta é negativa: pensar que a Psicanálise se 
restringe apenas ao divã, com um trabalho longo no consultório, 
é uma visão estereotipada. Afinal, há algumas décadas, é 
possível perceber a grande contribuição da Psicanálise na área 
da saúde mental. Nomes como D. W. Winnicott, Ana Freud e, 
License-512161-28290-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
mais recentemente, Françoise Dolto e Maud Mannonni, abriram 
o debate da aplicação das técnicas psicanalíticas em campos 
como a educação e o trabalho com crianças e adolescentes em 
creches, hospitais e abrigos.
E no Brasil especificamente, quais são as contribuições da 
Psicanálise?
No Brasil, o alcance da Psicanálise no âmbito social tem sido 
bastante discutido em pesquisas que venham a contribuir para 
a compreensão dos fenômenos sociais. 
Que tal alguns exemplos?
O aumento da criminalidade entre os jovens, as drogadições, os 
transtornos de autoimagem corporal, a síndrome do pânico, a 
medicalização e a sexualização na infância são apenas alguns 
dos novos modos de sofrimento psíquico que têm merecido a 
atenção da Psicanálise. 
As técnicas psicanalíticas podem ser 
aplicadas em vários campos fora da 
clínica, como para abordar questões 
sociais, políticas e epistemológicas.
License-517558-29210-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
Anna Freud
Você sabia que Anna Freud é conhecida por representar a 
difusão da Psicanálise? Sim, ela estudou a Psicologia do ego, 
que enaltece as funções do ego, indo além das pulsões do id; e 
foi pioneira nos estudos sobre a Psicanálise com crianças. Vamos 
conhecer um pouco sobre ela e sua teoria? 
Anna Freud: uma breve biografia
Talvez você esteja se perguntando se o nome Anna Freud tem 
alguma relação com o da família de Sigmund Freud, não é 
mesmo?
E você está certo (a)! Anna Freud foi filha de Sigmundo Freud, 
o pai da Psicanálise. Ela foi considerada a líder da Psicologia 
neofreudiana do ego, e seu nascimento, em 1895, coincidiu com 
o surgimento da Psicanálise. 
Anna foi a única dos filhos de Freud a se dedicar e a seguir a 
carreira do pai, tornando-se uma analista. Veja, no quadro a 
seguir, a cronologia da carreira de Anna Freud.
Fatos importantes na carreira de Anna Freud
Aos 14 anos
Passou a se interessar pelo trabalho de Freud. Ouvia discretamente 
as reuniões da Sociedade Psicanalítica de Viena.
Aos 22 anos
Passou a fazer análise com o pai, o que gerou muitas críticas a 
Freud.
Aos 29 anos
Anna apresentou seu primeiro trabalho acadêmico para a 
Sociedade Psicanalítica de Viena. Segundo Schultz (2002), o 
trabalho intitulado “Beating fantasies and daydreams” (“Fantasias 
de Espancamento e Devaneios”), foi supostamente baseado no 
caso de uma paciente, mas, na verdade, abordava suas próprias 
fantasias.
Aos 30 anos
Anna passou por uma crise de identidade que durou seis anos. Isso 
aconteceu porque Freud era ambivalente sobre o fato de Anna 
tornar-se psicóloga. Além disso, ele ficou um pouco perturbado 
quando soube que sua filha havia decidido não casar.
Fonte: SCHULTZ, 2002.
License-517558-29210-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
Anna também descrevia, em seus artigos acadêmicos, sonhos 
que envolviam surras e relações incestuosas entre pai e filha. 
Esse trabalho rendeu-lhe a admissão na Sociedade Psicanalítica. 
Anna Freud aprofundou os estudos 
sobre as funções do ego, tanto as 
conscientes quanto as inconscientes, 
as quais Freud esboçou, mas não 
aprofundou.
Anna Freud e a Psicanálise infantil
Outra importante contribuição de Anna Freud foi para a 
Psicanálise de crianças, área na qual ela foi pioneira – porém, 
mesmo pioneira, ela seguiu bastante a linha de Freud, tendo 
dedicado sua vida ao desenvolvimento e ao aprimoramento da 
teoria psicanalítica. 
Mas em que momento a Psicanálise adotada por Anna se 
distanciava da do pai?
Bem, com relação ao tratamento de crianças, ela acreditava que 
a criança era muito frágil para ser submetida à análise com a 
exploração do subconsciente. Assim, embora ela se utilizasse 
da Psicanálise na análise infantil, essa não era uma análise 
semelhante àquela feita com os adultos, que se utilizava da 
interpretação do inconsciente, por exemplo. 
Nesse trabalho com crianças, a filha de Freud se preocupou em 
trabalhar com crianças emocionalmente perturbadas, sobretudo 
aquelas que tinham uma condição social mais precária. 
Ainda não ficou claro? Continue acompanhando a evolução 
desse processo.
Anna Freud se propõe a conscientizar a criança de sua doença, 
pois, dessa forma, a criança acredita que será criado um vínculo 
de confiança com o analista. Para Anna Freud, se a criança 
percebe que é vista como um doente mental, digamos assim, 
a primeira reação pode ser de intimidação, acompanhada do 
sentimento de impotência e sofrimento. Porém, isso levará a 
criança a aceitar mais rapidamente oauxílio do analista e a 
License-517558-29210-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
estabelecer um vínculo com ele. Assim, podemos entender que a 
preocupação de Anna Freud é garantir o tratamento da criança, 
e não tanto a forma como essa criança receberia a informação 
de sua doença. 
Além disso, Anna Freud estudou o desenvolvimento infantil, a 
demora no processo de aprendizagem e os motivos por que 
algumas crianças aprendiam e se desenvolviam mais rápido que 
outras. A figura a seguir ilustra o processo de aprendizagem de 
uma criança.
Fonte: Kateryna Larina, Shutterstock, 2017.
A análise infantil e a Psicologia do ego 
de Anna Freud
Para começarmos nossos estudos sobre esse tema, é preciso 
que entendamos que, para Anna Freud, a Psicanálise deveria ter 
uma utilidade taerapêutica, não somente na vida dos adultos, 
mas sobretudo na vida das crianças. Uma das obras que 
registra essa preocupação de Anna foi escrita por ela no ano 
de 1927, quando publicou seu livro Introduction to the technique 
of child analysisI (introdução à técnica da análise infantil). Em 
sua abordagem com crianças, Anna Freud levava em conta a 
imaturidade e o nível de capacidade verbal infantil. 
License-517558-29210-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
Mas o que isso significa?
Isso significa que Anna Freud acreditava que, para que se 
estabelecesse uma relação de confiança entre a criança e o 
analista, era preciso que a comunicação ocorresse de maneira 
agradável. Assim, ela tinha a pretensão de se aproximar das 
crianças e da sua linguagem extinguindo o distanciamento que 
a figura do analista poderia representar. Afinal, diferentemente 
do adulto (que busca a análise consciente), a criança vai por 
intermédio dos pais, e não por vontade própria. Dessa forma, 
Anna Freud foi a primeira a utilizar o uso de brincadeiras e a 
observação da criança no ambiente familiar como meio de lidar 
com o emocional das crianças. Outro ponto importante desse 
contexto é o de que o divã não era utilizado com as crianças: 
no lugar dele, foi dado espaço para as brincadeiras, meio de 
expressão das crianças, conforme ilustra a figura a seguir.
Fonte: 2xSamara.com, Shutterstock, 2017.
Além disso, no artigo The Ego and the mechanisms of defense 
(1936), Anna Freud explica como os mecanismos de defesa 
funcionam para proteger o ego da ansiedade.
Outro dado importante é que Anna Freud, após revisar toda a 
Psicologia ortodoxa, expandiu o papel do ego (que, para ela, tem 
um funcionamento independente do id) e do uso dos mecanismos 
de defesa para proteger o ego da ansiedade. Seu estudo sobre 
o ego e os mecanismos de defesa defende a preocupação do 
analista infantil e a recuperação da integridade da criança, além 
da correção das anormalidades do ego. 
License-517558-29210-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
E quanto aos mecanismos de defesa?
Dentre os mecanismos de defesa estudados por Anna Freud, 
resumidamente, os mais conhecidos são: repressão, ou seja, 
necessidade de conter os pensamentos e as emoções que mantêm 
a ansiedade; projeção, enquanto capacidade e costume de 
enxergar os defeitos em si mesmo e no outro; deslocamento, que 
significa transferir sentimentos negativos para outras pessoas; e 
a regressão, ou, em outras palavras, quando retornamos a uma 
idade mais jovem.
Veja a animação sobre os mecanismos de defesa elaborados por 
Freud e como Anna Freud aprofundou esse estudo, isso vai te 
ajudar a identificar os tipos de mecanismos de defesa.
License-517558-29212-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Alfred Adler
Você sabia que foi Alfred Adler que criou a Psicologia individual 
e desenvolveu uma teoria em que o interesse social desempenha 
o papel principal? Isso mesmo! E, para Adler, diferentemente de 
Freud, o consciente estava no centro do estudo da personalidade. 
Além disso, Adler também se dedicou a estudar os sentimentos 
e o complexo de inferioridade, além da busca pela superação 
desses sentimentos. Que tal nos aprofundarmos nesses temas? 
Siga com atenção!
Uma breve biografia sobre Alfred Adler
Agora que conhecemos o importante trabalho neofreudiano de 
Anna Freud, vamos partir para outro importante psicanalista, 
Alfred Adler (1870-1937). Ele é considerado o primeiro proponente 
da abordagem psicológica social da Psicanálise, ou seja, em sua 
teoria, o interesse social tem papel fundamental. 
Mas o que isso significa?
Para Adler, somos seres sociais, e nossa personalidade é moldada 
pelo nosso ambiente e pelas nossas interações sociais em nosso 
cotidiano, seja nas relações familiares, de trabalho ou em nossos 
relacionamento amorosos (e não por esforços em satisfazer 
nossas necessidades biológicas). 
Tido como um aluno fraco na escola, Adler se dedicou muito até 
superar suas “deficiências e inferioridades”, sendo que esses 
dois aspectos tornaram-se pontos fundamentais de sua teoria.
Formou-se em medicina no ano de 1895. Em 1902, participou 
do grupo de discussão semanal de Freud sobre Psicanálise, 
tornando-se um dos quatros membros fundadores. Apesar de 
Adler ter sido nomeado presidente da Sociedade Psicanalítica 
de Viena em 1910, em 1911 rompeu com a Sociedade. 
No ano de 1920, sua Psicologia individual, que se referia ao 
seu sistema psicossocial, atraiu muitos adeptos, tornando-se 
bastante popular nos Estados Unidos.
License-517558-29212-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
E do que tratava essa Psicologia?
Veja que a Psicologia individual de Adler explicava que a 
personalidade incorporava tanto fatores sociais como biológicos 
e se concentrava na singularidade de cada pessoa, negando 
a universalidade dos motivos e metas biológicos, ao contrário 
do que afirmava Freud. Além disso, Adler minimizou o papel do 
sexo no seu sistema, embora não descartasse sua importância, 
(diferentemente de Freud, que enxergava o sexo como fator 
determinante da personalidade).
Na Psicologia individual de Adler, as 
pessoas não são vítimas dos seus 
instintos nem são condenadas por 
forças biológicas e experiências da 
infância.
A Psicologia individual de Adler
Agora que você teve contato com a história pessoal de Adler, 
pode se aprofundar nos conceitos que ele desenvolveu. Para 
começar, é importante que você saiba que Adler postulava que 
a determinação do comportamento humano acontecia através 
dos fatores sociais e não por instintos biológicos. Adler também 
criou o conceito de interesse social. 
Mas o que isso significa?
Isso representa o potencial inato que os homens possuem em 
cooperar com os indivíduos para atingir objetivos e metas 
pessoais e sociais. 
Complicou? Então vamos entender melhor!
Adler postulava que o interesse social se desenvolve na infância, 
por meio de experiências aprendidas. Em outras palavras, para 
Adler, esse processo começa na infância, quando as crianças 
pequenas são indefesas e dependentes dos adultos. Adler 
acreditava que as crianças são conscientes do poder e da força 
que os pais têm e que não adianta lutar contra esse poder. É a 
partir disso, portanto, que elas desenvolvem seus sentimentos 
de inferioridade diante de pessoas mais fortes. E essa sensação 
License-517558-29212-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
é determinada pelo ambiente, e não geneticamente. Porém, esse 
ambiente irá motivar essa criança a lutar, crescer e alcançar 
suas metas pessoais. 
Adler postulava ainda que nossa personalidade se moldava pelo 
nosso ambiente e pelas interações sociais, e não pelos esforços 
de satisfazer nossas necessidades biológicas. Note que não era 
o caso de o sexo não ser considerado importante, ele apenas 
não era fator determinante da formação da personalidade. 
Vejamos, no quadro a seguir, outros pontos em que Adler e Freud 
divergiam.
Adler Freud
Minimizava a importância do sexo na 
formação da personalidade do indivíduo.
Dava importância ao sexo na formação da 
personalidade do indivíduo.
Concentrava-se nos determinantes 
conscientes do comportamento.
Estudava o inconsciente como fator 
determinante para o comportamento.
A busca por metas ou antecipação dos 
acontecimentosfuturos influenciava no 
comportamento presente.
Associava o comportamento presente com as 
experiências do passado.
Unidade e consistência eram forças para 
atingir a superioridade (perfeição), a total 
realização e a evolução de si mesmo.
Dividia a personalidade em partes separadas 
(id, ego e superego).
Fonte: SCHULTZ, 2002.
Os sentimentos de inferioridade, para 
Adler, estavam sempre presentes 
na vida do indivíduo, desde a 
infância, como força motivadora no 
comportamento. 
Percebeu os motivos que levaram ao rompimento de Adler com 
as ideias psicanalíticas de Freud? Então siga em frente para 
conhecer um pouco mais sobre as ideias de Adler.
License-517558-29212-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
O Sentimento de inferioridade e o poder criativo 
do “Self”
Conforme vimos há pouco, Adler era visto como um aluno inferior 
em sua escola. Isso o levou a estudar o sentimento de inferioridade: 
Adler acreditava que a motivação do comportamento devia-
se ao sentimento de inferioridade generalizado, inicialmente 
relacionado às deficiências físicas. Além disso, para Adler, já na 
infância as crianças buscavam a superação dessas deficiências.
Quer um exemplo?
Veja que isso acontece quando as crianças não conseguem lidar 
com deficiências físicas, por exemplo, não aderindo a tratamentos 
ou não buscando motivação para lidar com as dificuldades, não 
conseguindo lidar com os sentimentos de inferioridade nem 
buscando a superação de suas fraquezas. Isso leva àquilo que 
Adler chamou de complexo de inferioridade. 
Perceba que as pessoas com complexo de inferioridade possuem 
uma opinião ruim sobre si mesmas e sentem-se incapazes de 
lidar com as demandas da vida. Adler chegou a essa conclusão 
ao estudar a infância de muitos adultos que o procuraram para 
tratamento.
A figura a seguir ilustra uma pessoa que se sente inferior à outra.
Fonte: Marcin Balcerzak, Shutterstock, 2017.
License-517558-29212-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
E de que forma Adler via o sentimento de inferioridade?
Perceba que, para ele, o sentimento de inferioridade funcionava 
a favor não somente do indivíduo, mas também da sociedade, 
em busca do aperfeiçoamento, com o objetivo de superar as 
fraquezas e melhorar seu desempenho. Por outro lado, o excesso 
de mimo ou a rejeição na infância em relação a essa busca de 
superação poderiam resultar no complexo de inferioridade até 
a fase adulta. 
Que tal acompanharmos um exemplo?
Para Adler, mimar uma criança pode despertar o sentimento de 
inferioridade, devido ao fato de ela ser o centro das atenções em 
casa, tendo seus desejos sempre atendidos, acreditando que é 
a pessoa mais importante em qualquer situação. Porém, quando 
ela cresce e passa a não ser mais o foco das atenções (na escola 
por exemplo), quando encontra obstáculos à realização imediata 
de suas necessidades, desenvolve um complexo de inferioridade 
por não saber lidar com as frustrações. 
Para Adler, o complexo de inferioridade 
surge a partir da incapacidade 
de superar os sentimentos de 
inferioridade.
E Adler fala, também, sobre a superioridade?
Sim! Para Adler, a busca pela superioridade é universal, porém, 
cada indivíduo age de modo diferente e único na busca por seus 
objetivos. 
E como surge o complexo de superioridade?
Segundo Adler, o complexo de superioridade surge quando uma 
pessoa supercompensa os sentimentos de inferioridade, ou seja, 
pessoas com esse tipo de complexo tendem a se gabar, a serem 
vaidosas e denegrir os outros. 
License-517558-29212-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
E será que, além dos conceitos de inferioridade e superioridade, 
Adler também desenvolveu outras teorias?
A resposta para essa pergunta é sim. Adler ainda conceituou a 
força criativa do self: ele afirmava que o indivíduo é capaz de 
determinar sua própria personalidade a partir de seu estilo de 
vida. 
Mas como isso funciona na prática? 
Pense que cada pessoa adquire habilidades e experiências por 
fatores hereditários, passadas de pais para filhos (por exemplo, 
talento para o canto) e por influências ambientais (a partir da 
criação familiar, em um ambiente voltado para a música, por 
exemplo). Porém, a maneira de interpretar essas experiências 
é que vai servir de base para a formação da personalidade 
de cada um. Nesse sentido, Adler acredita que cada indivíduo 
molda, em nível consciente, sua própria personalidade e seu 
próprio destino, e não com base em experiências do passado. 
Dessa forma, cada indivíduo vai agir de forma singular diante de 
suas experiências de vida.
Por fim, Adler também examinou a infância de seus pacientes. Ao 
estudar a infância, Adler descobriu que o filho mais velho, o do 
meio e o caçula, por ocuparem posições diferentes na família, 
passam por diferentes experiências sociais que irão resultar em 
diferentes atitudes em relação à vida e ao modo de enfrentar as 
situações do cotidiano. 
Ainda não ficou claro? Então observe o que se expõe a seguir!
Segundo Adler, a ordem do nascimento tem grande influência 
social na infância e, consequentemente, em como criamos 
nosso estilo de vida. Nesse sentido, Adler acredita que, apesar 
de os irmãos terem os mesmos pais e a possibilidade de viver 
na mesma casa, eles não possuem ambientes sociais idênticos. 
Como? Ora, ser filho mais velho ou mais novo é estar exposto a 
atitudes diferentes dos pais e até mesmo às condições como são 
criados. 
Para complementar seus estudos, veja a animação e conheça a 
importância de Adler para a psicanálise pós-freudiana. 
License-517558-29212-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Clique na figura para assistir ao vídeo
License-517558-28300-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Carl Jung
Você sabia que Carl Jung, principal discípulo de Freud, é 
conhecido por ser o criador da Psicologia analítica, que estuda 
a personalidade? Sim! Além disso, outro aspecto importante de 
sua teoria é o seu importante estudo sobre os arquétipos e o 
estudo do inconsciente, o qual ele dividiu em dois importantes 
tipos: o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo, que você 
vai conhecer agora. Vamos lá?
Carl Jung: uma breve biografia
Para que você tenha uma noção do quanto Carl Jung (1875-
1961) foi importante para a Psicanálise, precisa saber que ele foi 
considerado o substituto e herdeiro do movimento psicanalítico 
pelo próprio Freud!
Porém, após o rompimento de sua amizade com Freud, no ano de 
1914, Jung desenvolveu um de seus maiores legados: a Psicologia 
Analítica.
A Psicologia Analítica é a teoria da 
personalidade de Jung, bastante 
estudada e utilizada até os dias de 
hoje.
Mas, antes de estudarmos os principais conceitos elaborados 
por Jung, que tal conhecermos um pouco de sua história?
Jung cresceu em um ambiente familiar difícil: seu pai era um 
religioso que, em determinado momento da vida, perdeu sua 
fé; e sua mãe sofria distúrbios emocionais. Nesse ambiente, 
Jung aprendeu a mergulhar no inconsciente, em um mundo de 
fantasias e sonhos, dedicando-se a estudá-lo. Estudou Medicina, 
mais especificamente Psiquiatria.
E quais foram as diferenças entre ele e Freud?
Diferentemente de Freud, ele não colocava seus pacientes no 
divã, mas em poltronas, um de frente para o outro, fora da clínica 
(como em barcos, por exemplo). Além disso, embora pudesse ser 
License-517558-28300-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
bastante rude com seus pacientas, chegava a cantar para eles 
diversas vezes.
Outra diferença entre Jung e Freud é referente à análise dos 
sonhos. Em vez de interpretar o sonho separadamente, como 
fazia Freud, Jung trabalhava com uma série de sonhos relatados 
por seus pacientes, durante um certo período, pois ele acreditava 
que assim poderia descobrir temas e problemas recorrentes no 
inconsciente do paciente. Além disso, Jung se concentrava em um 
elemento central do sonho e pedia aos seus pacientes repetidas 
associações e respostas para esse elemento (ao contrário de 
Freud, que fazia isso numa cadeia de associações). Ou seja, 
Jung preocupava-se com a causa dos sonhos e acreditava que 
eleseram mais que desejos inconscientes. 
E como Jung classificava os sonhos?
Jung classifica os sonhos em dois tipos: prospectivos, que nos 
ajudam a preparar para experiências e eventos que irão ocorrer; 
e compensatórios, que nos ajudam a conseguir um equilíbrio, 
compensando nossa estrutura psíquica. 
Por fim, concluiu, ainda, que a fase mais importante do 
desenvolvimento era a meia-idade, e não a infância, como 
dizia Freud. Jung acreditava que é nesse período que acontece 
o crescimento pessoal, época de o indivíduo buscar novas 
direções, libertando-se dos problemas passados já vivenciados 
e experimentando a liberdade de ser ele mesmo. Ou seja, isso 
acontece quando o indivíduo atinge a maturidade psicológica, 
em um estado de saúde psicológica e de autodesenvolvimento.
A psicologia analítica e o inconsciente coletivo 
Você deve ter observado que as experiências da vida de Jung 
influenciaram e muito na criação de sua Psicologia Analítica, não 
é mesmo?
Mas, além disso, para entender seu pensamento, é importante 
entender no que ele divergia da obra de Freud. Vamos conhecer? 
Para isso, acompanhe o quadro a seguir.
License-517558-28300-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Jung Freud
Não acreditava no Complexo de Édipo. O Complexo de Édipo é seu legado.
Na infância, preferia se isolar de outras 
crianças. Isso se reflete em sua teoria mais 
voltada para as relações sociais.
Não teve uma infância tão introspectiva. 
Sua teoria volta-se mais para as relações 
interpessoais.
Libido: energia de vida generalizada. O sexo 
apenas faz parte. 
A libido é definida exclusivamente em termos 
sexuais, criada para a satisfação dos instintos 
sexuais.
A personalidade pode ser modificada ao longo 
da vida por meio de metas.
O indivíduo é vítima dos acontecimentos do 
passado.
Fonte: Adaptado de SCHULTZ, 2002.
Conseguiu perceber as diferenças entre eles? E será que há 
outras diferenças entre os dois psicanalistas?
Sim! Embora Jung também tenha tentado investigar a mente 
inconsciente, assim como Freud, Jung se propôs a ir um 
pouco além de Freud, pois descreveu dois estados da mente 
inconsciente. Para Jung, abaixo da consciência estaria o que ele 
chamou de inconsciente pessoal, que continha as lembranças, os 
impulsos, os desejos e outras experiências da vida do indivíduo 
que foram suprimidas ou esquecidas por serem insignificantes 
ou perturbadoras. Esse inconsciente não é muito profundo, e 
o que está guardado ali pode ser trazido para a consciência 
(e todos os tipos de experiências estão armazenados no 
inconsciente pessoal). 
Quer um exemplo?
Imagine uma pessoa que passou por uma experiência traumática 
na infância. Após alguns anos, essa possoa pode ter superado 
essa experiência ruim, que pode ter sido encoberta, ficando 
armazenada no inconsciente pessoal, podendo ser recuperada 
ou manifestada na forma de sonhos, por exemplo. A figura a 
seguir ilustra lembranças que podem ser trazidas à consciência.
License-517558-28300-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: agsandrew, Shutterstock, 2017.
Abaixo do inconsciente pessoal estaria o inconsciente coletivo, 
que, segundo Jung, é desconhecido pelo indivíduo. Ali estariam 
armazenadas as vivências de gerações anteriores, dos nossos 
antepassados ancestrais e até de animais. Para Jung, essas 
experiências formam a base da personalidade. Ou seja, você 
possui essas experiências, mas não se lembra delas.
O inconsciente coletivo é o nível mais 
profundo da psique humana e contém 
experiências pré-humanas e humanas.
Os arquétipos
Outro importante conceito elaborado por Jung foi o de arquétipos: 
para ele, são aquelas tendências herdadas e armazenadas dentro 
do inconsciente coletivo. Além disso, os arquétipos são inatos, 
ou seja, já nascem com o indivíduo, levando-o a se comportar 
de maneira semelhante aos povos primitivos que passaram 
por situações semelhantes. Em outras palavras, um arquétipo 
são símbolos, sonhos ou imagens que todos os seres humanos 
compartilham por meio do inconsciente coletivo e que podem 
expressar ideias ou até mesmo temores. Por exemplo, a água 
pode ser considerada um arquétipo tanto na literatura quanto 
na aparição em sonhos: a água representa nascimento, criação 
e fertilidade, herança de nossos ancestrais primitivos. 
License-517558-28300-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Dentre os arquétipos herdados dos nossos ancestrais, podemos 
listar alguns: a persona, ou seja, a máscara que carregamos, que 
não representa nossa verdadeira personalidade, e, sim, o papel 
que desempenhamos diante de outras pessoas. Ela representa as 
diferentes máscaras sociais que usamos entre os vários grupos 
e situações que vivemos. Segundo Jung, esse arquétipo pode 
aparecer em sonhos e ter diferentes formas. Além disso, Jung 
afirmava que a persona é necessária porque somos forçados a 
representar vários papéis na vida (por exemplo, para nos sairmos 
bem na escola e no trabalho, ou até mesmo para nos darmos bem 
nos diferentes grupos de que participamos, precisamos agir de 
acordo com o que o ambiente exige. Assim, se costumamos falar 
palavrões, por exemplo, temos de nos policiar para não fazer 
isso no trabalho). A figura a seguir ilustra o arquétipo persona, 
ou seja, a máscara ou papel que uma pessoa representa.
Fonte: benik.at, Shutterstock, 2017.
Já os arquétipos anima e animus referem-se ao reconhecimento, 
segundo Jung, de que os humanos são essencialmente bissexuais. 
Ou seja, biologicamente, cada sexo secreta hormônios de seu 
sexo e do sexo oposto, e, psicologicamente, cada sexo manifesta 
características, temperamentos e atitudes do sexo oposto, isso 
em decorrência de séculos de convivência. No arquétipo anima, 
temos aspectos com características femininas na psique do 
homem; e, no arquétipo animus, temos características masculinas 
observadas na psique da mulher. 
License-517558-28300-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
E o que seria a sombra?
A sombra significa o nosso self, aquele mais sombrio (digamos, 
assim, a parte mais animalesca da nossa personalidade), mas 
também representa a criatividade, ou seja, comportamentos 
que a sociedade considera maldosos e imorais residem nesse 
arquétipo. Porém, a sombra não é de todo mal, ela também, 
segundo Jung, representa vitalidade, espontaneidade, 
criatividade e emoção. 
Para Jung, o self é o nosso principal 
arquétipo, pois integra e equilibra 
todos os aspectos do inconsciente.
Além das ideias que acabamos de estudar, Jung também definiu 
os conceitos de introversão e extroversão. Para ele, todo indivíduo 
é dotado de alguma dessas atitudes (ou das duas, sempre uma 
será mais forte que a outra).
Que tal acompanharmos um exemplo?
Pense em uma pessoa extrovertida: ela é bastante influenciada 
pelas forças do ambiente, por ser mais voltada para o mundo 
exterior (e não para seu interior). Além disso, ela é sociável e 
confiante. Por outro lado, a pessoa introvertida é mais tímida e 
tende a se concentrar mais em si mesma, no seu pensamento 
e sentimento. Em outras palavras, os introvertidos são pessoas 
mais pensativas e inseguras ao lidar com pessoas e situações. 
E você, se identificou com algum desses conceitos?
Mas como podemos trazer aplicar esses significados na prática, 
no ambiente organizacional, por exemplo? Tomemos como 
exemplo o arquétipo persona, por exemplo. A palavra persona 
refere-se a uma máscara que os atores e as atrizes utilizam 
para representar vários papéis ou rostos para o público. E esse 
arquétipo da persona também é utilizada por nós, em nosso dia 
a dia: mesmo que não sejamos atores ou atrizes, muitas vezes 
usamos uma máscara, não a do teatro, mas a do nosso próprio 
rosto, para nos apresentarmos como alguém diferente de quem 
realmente somos. 
License-517558-28300-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Perceba que isso não é, necessariamente, prejudicial, pois, para 
nos inserirmos na sociedade, somos muitas vezes obrigados a 
representar vários papéis no nosso dia a dia, principalmente 
nos diferentes grupos sociais ou em ambientes corporativos,desde que não vivamos eternamente criando personagens 
e esqueçamos quem verdadeiramente somos. Por exemplo, 
podemos ser mais emotivos, mas, durante uma reunião de 
trabalho, que exige um comportamento mais rígido e racional, 
podemos nos adequar àquela situação, embora a razão não seja 
parte preponderante de nossa personalidade.
License-389052-28306-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
A origem da Psicologia Analítica
Veremos, a seguir, um breve histórico relativo ao surgimento 
da abordagem da Psicologia criada por Carl Jung (1875 – 1961), 
nomeada de Psicologia Analítica, que é tratada por muitos 
como uma teoria que envolve alguns temas polêmicos, como 
misticismo e religião . Siga com atenção!
A história de Jung e sua aproximação 
com a Psicanálise
Começaremos a tratar da Psicologia Analítica conhecendo a 
história de Carl Gustav Jung, que nasceu em 1875, na Suíça. 
Jung se formou em medicina, já demonstrando seu interesse 
pela ciência, Psicologia e religião e, principalmente, pela relação 
entre esses três temas. Especializou-se em Psiquiatria e, em seus 
primeiros anos de trabalho, se interessou pelos trabalhos que 
Freud vinha desenvolvendo na área da Psicanálise. 
Jung se interessou, na Psiquiatria, por 
fenômenos vistos como espiritualistas 
e místicos: hipnose, alucinações, estado 
de transe e parapsicologia. 
E como foi a relação de Jung com Freud?
Bem, os dois iniciaram uma troca de correspondências e 
experiências, fazendo de Jung um aprendiz da obra de Freud. 
Porém, após alguns anos de estudos, Jung começou a contestar 
as ideias de seu mentor no que se refere a questões do 
inconsciente e da importância do sexo. Jung também resolveu 
não seguir o hábito freudiano de deitar no divã, sendo que ele e 
seus pacientes sentavam-se em cadeiras uma em frente à outra. 
Acompanhe, na figura a seguir, uma ilustração de Freud, mentor 
de Jung.
License-389052-28306-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: catwalker, Shutterstock, 2017.
Perceba que foram essas discordâncias que fizeram com que 
Jung iniciasse o trabalho de escrever sua própria obra, criando, 
assim, a Psicologia Analítica. 
E qual é a principal diferença entre Jung e Freud?
Veja que a principal diferença entre a teoria de Jung e a de 
Freud está em torno da natureza da libido, pois, para Freud, ela 
é predominantemente sexual. Já para Jung, trata-se de uma 
energia vital generalizada, de que o sexo é apenas uma parte.
A criação da Psicologia Analítica 
A partir da recusa de Jung em relação a algumas concepções 
freudianas, surgiram interpretações diferentes para aquilo que 
Freud considerava conter apenas teor sexual. 
Quer um exemplo?
Vamos lá: Jung considerava que uma criança, entre os três e 
cinco anos, estava passando por uma fase pré-sexual. Nessa 
fase, a energia libidinal (responsável pelas respostas de 
prazer da criança) era a principal fonte para o crescimento 
e desenvolvimento dela, não tendo nenhuma relação com as 
questões sexuais que Freud apontava para essa mesma fase da 
vida.
License-389052-28306-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Freud via Jung como seu herdeiro 
psicanalítico, porém Jung ampliou sua 
visão e seguiu em direção à criação da 
Psicologia Analítica.
E o Complexo de Édipo, é visto de que forma por Jung?
Quanto ao Complexo de Édipo, uma das maiores teorias 
freudianas, Jung também a rejeita, afirmando que a dependência 
que a criança possui em relação à mãe diz respeito a uma 
necessidade, já que a mãe é a sua fonte de alimento. Além disso, 
à medida que a criança vai se desenvolvendo e amadurecendo o 
funcionalismo sexual, as funções de alimentação se confundem 
com sentimentos sexuais, desenvolvendo prazeres pela sucção 
do próprio dedo ou do seio da mãe, por exemplo. 
E há mais diferenças entre Jung e Freud?
Sim! Outra grande diferença entre as abordagens é relativa à 
direção daquilo que motiva o ser humano. Para Freud, o sujeito 
é vítima dos eventos de sua infância; já para Jung, todos nós 
somos moldados de acordo com as nossas metas e desejos, bem 
como pelo nosso passado.
Por fim, a última grande diferença trata da forma como cada 
um dos médicos via o inconsciente: enquanto Freud o via como 
apenas uma das estruturas individuais que compõem a mente 
humana, Jung o priorizou em sua obra, acrescentando a ideia 
de inconsciente coletivo, uma dimensão na qual herdamos 
experiências da espécie humana e de seus ancestrais animais, 
conforme vimos anteriormente. 
Além disso, para a Psicologia Analítica há três níveis que 
constroem a mente: a consciência, o inconsciente pessoal e o 
inconsciente coletivo, que veremos em breve. A figura a seguir 
ilustra como se estruturam esses níveis da psique humana.
License-389052-28306-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Inconsciente coletivo
Insconsciente pessoal
Consciência
As tipologias da personalidade
Um dos trabalhos mais conhecidos de Jung foi a criação dos tipos 
psicológicos, um trabalho que ele fez como forma de procurar 
entender a relação do homem com outro homem e do homem 
com as coisas do mundo. Além disso, ele apresenta as atitudes 
de introversão e extroversão como reações que eram definidas a 
partir da direção da energia libidinal. 
Estamos indo muito rápido? Então vamos explicar separadamente 
cada termo. Acompanhe!
Segundo Jung, o extrovertido dirige a sua libido para fora do 
eu, para pessoas e eventos do mundo exterior. Já o introvertido 
se dirige para o seu próprio interior, sendo uma pessoa mais 
resistente às influências externas.
Mas será que as pessoas são somente extrovertidas ou somente 
introvertidas?
Não. Conforme vimos anteriormente, todos nós possuímos, em 
algum grau, as duas atitudes, porém, há a presença de uma 
atitude dominante. 
Quer um exemplo?
Pense em alguma pessoa introvertida (você, algum amigo, 
familiar ou conhecido): provavelmente ela será sociável em 
situações que sejam de seu interesse ou na qual ela se sinta 
mais à vontade. É possível que alguém que você conheça seja 
uma pessoa introvertida em ambientes de trabalho ou fique 
tímida ao falar em público, mas quando está com a família ou 
License-389052-28306-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
amigos, se apresenta de forma diferente sendo mais sociável 
e extrovertida. Veja, na figura a seguir, exemplos de tipos 
psicológicos (introvertido e extrovertido).
Fonte: Aleutie, Shutterstock, 2017.
Mas será que apenas a introversão e a extroversão determinam 
a personalidade?
A resposta para essa pergunta é não! Há, ainda, a presença 
de quatro funções que complementam a manifestação da 
personalidade: o pensamento, o sentimento, a sensação e a 
intuição. 
Vamos estudar melhor cada uma delas?
O pensamento se refere a um processo com o foco na 
compreensão; já o sentimento aborda um processo subjetivo de 
ponderação e avaliação; a sensação, por sua vez, é a própria 
percepção consciente dos objetos; e a intuição se trata dessa 
percepção, mas de forma inconsciente. 
Perceba que, para Jung, o pensamento e o sentimento seriam 
funções racionais de reação, pois se relacionavam com a razão, 
enquanto que a sensação e a intuição seriam não racionais, pois 
não envolvem o uso da razão. 
Que tal acompanharmos um exemplo?
License-389052-28306-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Pense em uma pessoa que tem o pensamento como a principal 
função: geralmente ela gosta de lidar com questões concretas 
e racionais, como cálculos ou execução de projetos mecânicos. 
Por outro lado, uma pessoa intuitiva prioriza os sentimentos que 
não podem ser explicados nem definidos, como, por exemplo, 
pessoas que se aproximam de questões místicas. 
Assim como no caso da introversão e da extroversão, geralmente 
há o domínio de uma função, sendo que elas podem ser 
combinadas com o domínio da extroversão e introversão, 
produzindo os oito diferentes tipos psicológicos criados por 
Jung, os quais estudaremos ainda neste material.
Através das ideias de pensamento, 
sentimento, sensação e intuição, além 
da introversão e extroversão, Jung 
estabeleceu oito tipos psicológicos.
License-389052-35174-0-5PSICOLOGIA 
APLICADA
O inconsciente pessoal e o 
inconsciente coletivo
Estamos estudando que Jung apresentou, em sua teoria, a 
divisão da psique em três estágios: a consciência, o inconsciente 
pessoal e o inconsciente coletivo. A consciência seria o centro 
da mente: por meio dela, nós percebemos a concepção que 
possuímos de nós mesmos. Além disso, é através da consciência 
que temos o contato com a realidade, e é ela que nos permite 
ter percepções e lembranças. Mas do que tratam o inconsciente 
pessoal e coletivo?
É o que veremos agora. Siga com atenção!
O inconsciente pessoal 
Agora que estudamos a consciência, vamos conhecer o 
inconsciente pessoal, que vem logo abaixo da consciência e 
que consiste nas lembranças, nos impulsos, nos desejos e em 
outras experiências que, ao longo da vida, foram esquecidas ou 
reprimidas. 
E esses fatos podem ser trazidos para o consciente?
Sim! Esses fatos e essas memórias podem ser facilmente trazidos 
para o nível consciente, principalmente através da psicoterapia.
Isso permite que apareçam aspectos do nosso inconsciente na 
nossa percepção da realidade. 
Quer um exemplo?
Pense em uma situação na qual você se esquece de algo que 
iria falar ou se esquece de um nome. Isso pode revelar a sua 
entrada no inconsciente, ou uma separação momentânea do 
consciente, pois, apesar de perdido, esse material continua em 
nossas mentes conscientes.
License-389052-35174-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Portanto, parte do inconsciente é uma junção de vários 
pensamentos, imagens e impressões que ficam ocultos 
provisoriamente (ou não) e que influenciam a parte consciente 
de nossas mentes. 
Que tal acompanharmos mais um exemplo?
Muitas vezes abrimos a geladeira e nos esquecemos do que 
iríamos pegar lá dentro, não é mesmo? Ainda assim, continuamos a 
procurar, deixando-nos guiar, inconscientemente, até encontrar o 
que estávamos procurando. Isso acontece porque o inconsciente 
nos ajudou a lembrar do que procurávamos.
Para Jung, a nossa mente inconsciente, 
assim como o nosso corpo, é um 
repositório de relíquias e memórias do 
passado.
O inconsciente coletivo
Abaixo do inconsciente pessoal aparece o inconsciente coletivo, 
nível mais profundo, do qual o sujeito desconhece o conteúdo. 
O inconsciente coletivo contém as experiências acumuladas de 
todas as nossas outras gerações, incluindo nossos ancestrais 
humanos e animais. Mesmo em se tratando da força mais potente 
presente em nossas personalidades, as experiências evolutivas 
do inconsciente não são notadas, justamente porque elas não 
são experiências pessoais, mas, sim, universais.
Jung fala, ainda, que essa herança se apresenta através de 
tendências, as quais ele chama de arquétipos. Os arquétipos 
são alguns determinantes inatos da mente humana que fazem 
com que a pessoa se comporte de maneira semelhante aos seus 
ancestrais que estiveram em situações parecidas.
Jung estendeu esse estudo dos arquétipos à diversas 
manifestações culturais e criações míticas e artísticas, e com 
isso, descobriu que diversos símbolos se repetem de forma 
parecida em culturas separadas no tempo e no espaço, excluindo 
a possibilidade de influência direta. Com isso, esses arquétipos 
se apresentam geralmente como emoções ou experiências 
significativas ao longo de nossas vidas.
License-389052-35174-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Ainda não ficou claro? Que tal acompanharmos um exemplo?
Um dos arquétipos que Jung identificou foi o arquétipo materno, 
que seria a representação da fertilidade e de proteção. Ele pode 
ser representado através da natureza, por Maria, mãe de Cristo 
(no cristianismo); por Afrodite (na mitologia grega); e até mesmo 
por uma pessoa pela qual temos um grande afeto devido à sua 
proteção. 
A figura a seguir mostra um mito: segundo Jung, o inconsciente 
coletivo deriva dos mitos dos nossos ancestrais.
Fonte: Panos Karas, Shutterstock, 2017.
Veja ainda que, em seus estudos, Jung percebeu que quatro 
arquétipos apareciam com mais frequência e com uma carga 
emocional maior. São os arquétipos da persona, da anima e 
animus, da sombra e do self, nos quais nos aprofundaremos em 
breve.
License-389052-35174-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Para Jung, o inconsciente coletivo 
contém toda a herança espiritual da 
evolução da humanidade, renascida na 
estrutura do cérebro de cada indivíduo.
Clique na figura para assistir ao vídeo
A manifestação inconsciente através dos sonhos 
Ao criar a Psicologia Analítica, Jung abordou profundamente o 
sentido dos sonhos que temos: para ele, assim como para Freud, 
os sonhos se tratam de uma expressão no nosso inconsciente, 
como forma de revelar aspectos que se encontram inconscientes 
diante de um determinado acontecimento.
E qual a importância dos sonhos para a Psicologia Analítica?
Bem, o sonho é o material mais fundamental e acessível para 
investigar a forma como o homem produz seus símbolos. Pense, 
por exemplo, em uma criança que sonha com um monstro toda 
vez que sente medo. Podemos supor que isso nada mais é do 
que uma representação do medo real que essa criança sentiu 
ao longo do dia. 
License-389052-35174-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Porém, devemos deixar claro que não estamos tratando de 
suposições prévias em relação aos sonhos, pois não há um 
padrão. Devemos considerar, sim, o sentido que determinado 
símbolo possui para a realidade de cada indivíduo. Por exemplo, o 
monstro do sonho da criança pode representar, para determinado 
adulto, não o medo, mas outro aspecto, como uma insegurança 
financeira.
Veja, na figura a seguir, que a manifestação inconsciente de algo 
se dá por meio dos sonhos. 
Fonte: agsandrew, Shutterstock, 2017.
Perceba, ainda, que as revelações contidas nos sonhos não 
necessariamente são um milagre ou previsão, mas, sim, aquilo 
que não vemos no consciente e que quase sempre é captado 
pelo inconsciente, transmitindo-nos a informação por meio 
de sonhos. O inconsciente, então, usa o material arquetípico e 
modifica a sua forma de acordo com as necessidades de quem 
sonha, representando os arquétipos da forma como o sujeito 
possa reconhecer.
License-389052-35174-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Para compreender melhor esses conceitos, assista à animação a 
seguir.
Clique na figura para assistir ao vídeo
Por fim, de acordo com Jung, geralmente quem sonha tem a 
tendência de ignorar ou até mesmo rejeitar a mensagem do sonho, 
justamente por se tratar de uma mensagem do inconsciente. 
Nesse sentido, podemos dizer que a consciência pode resistir a 
tudo o que é desconhecido, erguendo barreiras psicológicas que 
têm como objetivo proteger o sujeito do choque que o próprio 
sonho pode trazer.
Os sonhos são, portanto, a 
representação daquilo que é enviado 
para o nosso inconsciente e reprimido, 
podendo ser representando através de 
símbolos. 
License-389052-28302-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
Principais conceitos e 
objetivos da teoria
Conforme já falamos, ao estudar os arquétipos, Jung encontrou 
quatro principais, os quais continham uma carga maior de 
significado emocional, sendo remetidos a mitos antigos de 
diversas origens. Veremos como esses arquétipos (persona, 
sombra, anima e animus, e self) influenciam em nossas mentes e 
personalidade. Siga com atenção!
A persona
O primeiro arquétipo de Jung que você precisa conhecer é a 
persona, que se refere ao aspecto mais exterior da personalidade, 
podendo ser uma persona oculta ou o eu verdadeiro. Seria como 
uma máscara que usamos quando temos que nos relacionar 
com outras pessoas, podendo ser comparada com um papel que 
alguém interpreta. Portanto, a persona não pode ser considerada 
a nossa verdadeira personalidade, pois geralmente a usamos 
como forma de nos mostrarmos acordo com o que os outros 
esperam de nós.
Jung comparava a persona a um casaco, que pode simbolizar 
um abrigo protetor, onde o indivíduo pode se esconder. Com isso, 
a persona tem dois objetivos: passar determinada impressão aos 
outros e ocultar o seu íntimo da curiosidade alheia. Acompanhea figura a seguir, na qual temos a representação de uma persona 
como algo exterior.
Fonte: Ollyy, Shutterstock, 2017.
License-389052-28302-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
Quer um exemplo?
Pense no hábito que uma freira usa: ele pode ser considerado 
uma representação da persona por mostrar, exteriormente, o 
que aquela roupa representa e por ocultar tanto o corpo quanto 
as opiniões da freira.
A persona seria, portanto, um 
compromisso que o indivíduo faz com a 
sociedade para representar aquilo que 
as outras pessoas esperam dele.
Anima e animus
Começaremos a estudar anima e animus tendo contato com 
seus conceitos: são representações do sexo oposto que cada 
pessoa apresenta em sua personalidade. 
Mas o que cada um representa, especificamente?
A anima representa as características femininas presentes no 
homem; e o animus, as características masculinas presentes na 
mulher. Assim como os outros arquétipos, anima e animus referem-
se ao passado antigo da espécie humana, quando os homens e 
as mulheres tomaram para si características comportamentais e 
emocionais do outro sexo.
Ressaltamos que essas características são elementos do 
inconsciente, pois, apesar de a personalidade visível do indivíduo 
ser aquela que condiz com o seu sexo, há possibilidade de 
escondermos um lado oposto, que fica escondido interiormente 
A figura a seguir mostra um esquema sobre a anima e o animus.
• Representação do feminino
no homem
• Representação do masculino
na mulher
anima
animus
License-389052-28302-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
Temos como exemplo dessa representação os sonhos que um 
sujeito do sexo masculino tem com a sua mãe e as possíveis 
identificações com as atitudes dela. Perceba que a mãe pode ser a 
forma que a anima toma em um sonho, como forma de simbolizar 
o desejo do indivíduo de manifestar suas características do sexo 
oposto. 
Além disso, geralmente o caráter da anima de um homem é 
determinado pela sua relação com a mãe. Em geral, a anima 
demonstra o modo mais afetivo que a pessoa tem para lidar com 
o ambiente e com o sexo oposto. Afinal, somente após liberar 
os aspectos da anima, que seria a representação do feminino, 
um homem estará realmente pronto para se relacionar com as 
mulheres (ou em outros relacionamentos em geral).
E quanto à personificação masculina, o animus?
Veja que o animus se manifesta menos em forma de fantasias do 
que a anima, aparecendo mais comumente com a imposição dos 
desejos, por meio de voz forte e insistente da mulher. Por exemplo, 
geralmente podemos perceber características mais frias e 
obstinadas na mulher, demonstrando o animus se sobressaindo 
em sua personalidade. Podemos notar essas manifestações, 
por exemplo, quando uma mulher apresenta intimidade com 
situações de liderança.
Podemos nos referir ao animus como 
um composto de opiniões espontâneas; 
e à anima como os sentimentos que 
distorcem o entendimento. 
A sombra e o self
Outros dois importantes arquétipos que precisamos conhecer, 
fundamentais para a construção das bases da Psicologia 
Analítica, são a sombra e o self. 
Mas do que trata cada um desses arquétipos?
Começaremos pelo arquétipo da sombra, que seria o nosso eu 
mais sombrio, a parte mais animalesca de nossas personalidades. 
A sombra é composta por nossos desejos imorais, que não 
License-389052-28302-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
podem ser aceitos pela sociedade. Ela se projeta pela mente 
consciente do indivíduo e contém os aspectos ocultos, reprimidos 
e negativos das nossas personalidades. Porém a sombra não é 
necessariamente negativa, visto que ela pode ser a fonte da 
espontaneidade, dos instintos e da criatividade.
Que tal acompanharmos um exemplo?
A sombra representa aquelas atitudes que abominamos em outra 
pessoa, mas que geralmente gostaríamos, inconscientemente, 
de fazer. Porém, devido a repressões sociais ou morais, não 
temos coragem de colocá-las em prática. É o caso, por exemplo, 
de uma pessoa trabalhadora que condena as atitudes de um 
preguiçoso, mas que, de alguma forma, também gostaria de ser 
um pouco mais relaxada. 
Acompanhe a figura a seguir, na qual está representada a sombra 
como algo reprimido.
Fonte: Khamidulin Sergey, Shutterstock, 2017.
Em outras palavras, para Jung a sombra é uma personalidade 
escondida, reprimida, na maioria das vezes cheia de culpa. Isso 
também pode descender dos nossos ancestrais, compreendendo 
todo o aspecto histórico do inconsciente.
License-389052-28302-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
E quanto ao self, o que seria?
Jung considerava o self o arquétipo mais importante do seu 
sistema, pois ele é o responsável pelo equilíbrio de todos os 
aspectos do inconsciente. O self pode ser considerado como 
um impulso de autorrealização que visa promover a harmonia 
e estabilidade da personalidade do indivíduo . Veja, na figura a 
seguir, o self como representação do equilíbrio.
Consciente Inconsciente
Self
E em qual fase da vida acontece o ápice do self?
Bem, Jung considerava que o auge da autorrealização não 
poderia acontecer antes da meia-idade, sendo a fase de 30 a 40 
anos a fase essencial para o desenvolvimento da personalidade. 
Essa ideia contraria a teoria de Freud, que apresentava que a 
infância era o estágio mais importante do desenvolvimento da 
personalidade.
Perceba que é a partir do self que se dá a totalidade da 
psique, fazendo emergir a consciência individualizada do ego, 
através da qual o homem alcança a plena realização das suas 
potencialidades.
Embora reconheçamos a existência 
do self, ainda não o conhecemos 
em sua totalidade, pois ele é o 
grande responsável por todo o 
equilíbrio da psique. 
License-448870-37890-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
O processo de individuação
Vimos, na Unidade de Aprendizagem 8, a presença de alguns 
conceitos criados por Jung, tais como os arquétipos e a formação 
da psique através da consciência, inconsciente pessoal e 
inconsciente coletivo. 
Porém, ao estudar todas essas estruturas, Jung percebeu que 
ainda faltava uma questão particular em relação ao indivíduo. 
Diante de toda essa apresentação simbólica, o autor notou que 
isso era necessário à correta interpretação individual de cada 
um. Ficou curioso (a)? Então siga em frente para saber mais!
O que é o processo de individuação?
Você concorda que o ser humano, ao crescer e se desenvolver, 
quer se sentir completo? Veja que esse desejo torna o indivíduo 
capaz de tomar consciência desse desenvolvimento e o 
influencia nas suas decisões ao longo da vida, seja nas escolhas 
da profissão, das relações afetivas e até mesmo de crenças 
pessoais. Surge, assim, um confronto entre o inconsciente 
e a consciência, e é nesse confronto que os componentes da 
personalidade amadurecem, moldando um sujeito específico e 
único. Essa construção é o processo de individuação que cada 
um passa ao longo da vida. 
E de que forma esse processo começa?
Perceba que esse processo tem início com uma simples estrutura, 
que se desenvolve até se transformar em algo complexo. Quer um 
exemplo? Pense em uma larva, que começa com uma pequena 
estrutura e se transforma em borboleta. Dessa forma também 
é o desenvolvimento do nosso self: ele parte de uma simples 
estrutura, que vai se desenvolvendo ao longo de nossas vidas até 
atingir o seu amadurecimento. Note, porém, esse processo não é 
linear, pois depende da organização que o self estabelece entre 
o consciente e o inconsciente, construindo uma personalidade 
individual.
A figura a seguir simboliza o caminho que o indivíduo percorre 
para descobrir seu verdadeiro eu.
License-448870-37890-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: connel, Shutterstock, 2018.
Clique na figura para assistir ao vídeo
Contudo, esse conceito de Jung é muitas vezes deturpado, 
por dois motivos: primeiramente porque esse conceito não 
License-448870-37890-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
se relaciona à perfeição, mas ao objetivo de completar-se, 
principalmente em relação a aceitar, conscientemente, os 
erros e defeitos; e, em segundo lugar,há uma confusão entre 
individuação e individualismo – veja que, mesmo em processo 
de individuação, o sujeito ainda participa de componentes que 
são partilhados, inclusive o inconsciente coletivo.
Através do processo de individuação, 
você se despe de suas máscaras e 
descobre o seu verdadeiro eu.
Podemos notar o estímulo desse processo de individuação dentro 
da psicoterapia. Jung descobriu, através de diversos estudos, 
que através da psicoterapia os arquétipos podem tomar forma 
para o consciente, desenrolando o processo de individuação 
através da análise dos sonhos e visões do paciente.
Como a individuação se relaciona com os 
principais arquétipos
Embora as ideias de Jung sejam recentes, o processo de 
individuação é descrito em diversas produções históricas e 
mitológicas. Além disso, ele sempre existiu por meio dos nossos 
sonhos.
Mas por que os sonhos têm relação com a individuação?
Perceba que são os sonhos que sinalizam os progressos, as 
interrupções e interferências. Por exemplo, rotineiramente 
podemos sonhar com alguém com quem brigamos devido ao 
fato de que isso pode estar nos incomodando. Além disso, através 
de diversos estudos, Jung percebeu que esse processo passa 
por um caminho no qual as etapas são os principais arquétipos. 
Dessa forma, a persona, a sombra, a anima e o animus e os 
demais arquétipos vão se expressando de maneira singular, na 
medida em que vão se individualizando.
E como ocorre o processo de individuação?
O verdadeiro processo de individuação acontece através de uma 
harmonização do consciente com o self, que é o nosso centro 
License-448870-37890-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
psíquico, e isso só acontece na medida em que o indivíduo toma 
consciência dos seus símbolos inconscientes e os toma para si. 
Vamos a um exemplo disso? 
Veja que muitas pessoas podem sonhar com algum episódio em 
que elas se sentem culpadas. Isso pode se referir a algum fato 
que aconteceu na vida real e que, de alguma forma, faz com 
que essa pessoa possua algum sentimento de culpa que esteja 
recalcado.
Individuação não é individualização, 
mas a realização consciente daquilo 
que está na existência do indivíduo, ou 
seja, a individuação não isola, conecta.
Saiba, ainda, que a individuação ocorre por etapas: a primeira 
etapa acontece através da persona, que aqui representa a 
defesa de cada um diante do mundo externo. Essa defesa pode 
ser representada pelas máscaras que colocamos para que não 
percebam uma face desconhecida nossa. Então, através do 
processo psicoterápico, é possível estimular que nos dispamos 
de nossa persona, refletindo a nossa verdadeira face, nua e crua.
Veja, a seguir, uma imagem que simboliza a remoção das 
máscaras da persona.
License-448870-37890-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: benik.at, Shutterstock, 2018. 
Perceba que, quando deixamos transparecer essa nossa face que 
estava oculta, mostra-se, também, o nosso lado escuro. Assim, 
encontramos as coisas que reprimimos, que nos desagradam 
ou nos assustam. Ou seja, vem à tona a sombra, o conjunto das 
coisas que abominamos e que projetamos em pessoas que 
condenamos.
E de que forma a sombra se manifesta?
Geralmente a sombra aparece em nossos sonhos, por meio de 
símbolos que representam o avesso. Por exemplo, uma pessoa 
muito caridosa pode sonhar com algum episódio em que ela 
esteja sendo egoísta. Isso não representa necessariamente um 
desejo de ser egoísta, mas, talvez, em determinados momentos, 
essa pessoa pode desejar dizer não, mas não consegue. 
Perceba que faz parte da individuação retirar a sombra da 
repressão e iniciar a segunda etapa, que seria a aceitação 
dos nossos defeitos e desejos condenáveis que habitam o 
inconsciente, incorporando, na personalidade de cada um, 
também os traços mais sombrios.
License-448870-37890-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Depois de aceitar a própria sombra, é preciso começar a 
confrontar a anima. Lembre-se de que a anima é a representação 
psíquica da minoria genética feminina presente no corpo do 
homem. Essa anima se manifesta através das experiências 
ancestrais que o homem teve com a mulher e que foi moldando 
o que seria essa herança feminina dos traços da personalidade, 
como a sensibilidade ou a vocação para o cuidado, que cada 
homem pode carregar.
Dessa forma, faz-se necessário confrontar e entender as 
manifestações dessa anima para o inconsciente, através dos 
sonhos. Ela pode se manifestar através dos mitos, folclore ou 
produções artísticas, tais como a sereia, a feiticeira, fada, deusa, 
etc. É preciso desenvolver e diferenciar esse princípio feminino 
para o homem e procurar evoluir, buscando aceitar essas 
características femininas que cada um tem, sem demonstração 
de preconceitos. Afinal, é através da anima que o homem vai 
estabelecer a forma como se relaciona com o mundo exterior.
E a mulher, não recebe influência masculina?
Claro! Assim como a manifestação da anima, há também a 
presença do animus, que representa a masculinidade existente 
no psiquismo da mulher. Essa masculinidade se apresenta 
através de opiniões convencionais e simplistas, estimulando 
o raciocínio lógico. Perceba que o animus se opõe à essência 
feminina, que busca como prioridade o relacionamento afetivo.
Além disso, da mesma maneira que a anima, o animus pode 
evoluir e se transformar através da psicoterapia e análise dos 
sonhos. Dentre os contos, é possível ver figuras masculinas que se 
redimem pela ajuda da heroína. Isso pode simbolizar a evolução 
do princípio masculino através da consciência da mulher.
Veja, na figura a seguir, que todos os principais arquétipos se 
relacionam com a persona.
License-448870-37890-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Self
PersonaSombra Anima
Animus
Ressaltamos que todos esses componentes da psique humana 
que vimos até agora são muito úteis para nos conhecermos, 
principalmente através de um processo psicoterápico. Além 
disso, esses aspectos também podem ser muito úteis no 
ambiente organizacional, como forma de conhecer mais 
profundamente as motivações e as razões pelas quais as 
pessoas agem de diferentes maneiras frente aos problemas 
que podem aparecer no cotidiano do trabalho. 
License-448870-35188-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
A origem dos complexos 
Já falamos sobre a importância do inconsciente pessoal para 
a formação da psique e que o material contido nessa parte 
inconsciente pode ser facilmente acessado pela parte consciente 
através de estímulos. Agora estudaremos uma característica 
muito interessante do inconsciente pessoal, os complexos, os 
quais veremos a seguir. Vamos lá?
A descoberta dos complexos
Começaremos a estudar os complexos conhecendo sua 
definição: podemos entender os complexos como uma reunião 
de conteúdos dotados de forte carga afetiva para o indivíduo. 
Jung comprovou a existência dos complexos em um estudo 
de associação de palavras em que as pessoas tinham de ler 
as palavras de uma lista e logo depois dizer a primeira coisa 
que viesse à sua mente. Muitas vezes as pessoas demoravam 
a apresentar a resposta, e Jung percebeu que essa demora 
era provocada por alguma emoção inconsciente que inibia a 
resposta. Com isso, Jung chegou à conclusão de que devem 
existir grupos de sentimentos e lembranças no inconsciente de 
cada um. Esses grupos afetivos foram chamados por Jung de 
complexos.
Veja, na figura a seguir, que os complexos são associações 
carregadas de emoção.
Fonte: Rawpixel.com, Shutterstock, 2018.
License-448870-35188-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Clique na figura para assistir ao vídeo
Perceba que, graças à definição de complexos, surgiram, 
no cotidiano do senso comum, termos como complexo de 
inferioridade ou complexos sexuais. Isso se refere ao fato de que, 
quando afirmamos que uma pessoa tem um complexo, estamos 
querendo dizer que aquela característica é tão presente na 
personalidade da pessoa que se torna uma forma de defini-la.
Quer um exemplo?
Um grande exemplo dado por Jung é o complexo materno, que 
pode denominar uma pessoa que é extremamentesensível a 
tudo o que envolve a maternidade. Geralmente essa pessoa tenta 
incluir a mãe em todas as situações, conversas ou acontecimentos, 
inclusive tentando imitá-la nas atitudes e dando preferência às 
coisas que são de interesse da mãe.
Assimilação dos complexos
Conheceremos, agora, mais uma etapa importante na procura 
pelo autoconhecimento, principalmente através da psicoterapia: 
a necessidade de tomar consciência dos complexos que cada 
um de nós possui. 
License-448870-35188-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Veja, porém, que essa tomada de consciência não pode ocorrer 
apenas no plano intelectual: quando, por exemplo, alguém diz 
para outra pessoa que ela possui complexo de inferioridade, 
isso deve ser trabalhado em um ambiente psicoterápico, como 
forma de fazer com que o sujeito entenda as motivações que o 
fazem possuir aquele complexo. Como sabemos, os complexos 
envolvem questões emocionais, e com isso surge a necessidade 
de exteriorizá-los e aceitá-los também através de nossos 
sentimentos. 
A figura a seguir simboliza uma pessoa assimilando seus 
complexos. 
Fonte: Ollyy, Shutterstock, 2018.
Ainda não ficou claro? Vamos aprofundar um pouco mais!
Perceba que, ao chegar aos complexos, o sujeito está se 
aproximando de temas emocionais que foram reprimidos e que 
podem causar algum distúrbio psicológico permanente. Todavia, 
os complexos não são por essência, patológicos: eles apenas 
indicam a existência de um material que não foi assimilado ou 
que ainda está em conflito. 
Mas existe algum caso em que os complexos são patológicos?
License-448870-35188-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Sim! Eles são patológicos apenas quando sugam para si uma 
grande carga psíquica. Como exemplo disso, temos diversos 
casos de pessoas que desenvolveram algum surto psicótico 
devido a alguma decepção amorosa.
Além disso, Jung também descobriu, posteriormente, que os 
complexos não necessariamente são um obstáculo para a 
evolução da pessoa. Eles também podem ser fontes de inspiração, 
estimulando a criatividade e de impulso, podendo servir em prol 
de realizações pessoais e profissionais. Por exemplo, um pintor 
que possui um grande envolvimento com a beleza pode produzir 
diversas obras de arte expressando a forma como ele entende e 
enxerga a beleza.
Quando assimilamos nossos complexos, 
somos capazes de levá-los para o 
campo da consciência e entendê-los 
visando à superação.
Os complexos e o inconsciente coletivo
Ao abordar os complexos, podemos entender que há várias 
origens possíveis para eles. Dentre essas origens, podemos citar 
a formação dos arquétipos. Veja, na figura a seguir, como se 
formam os complexos.
Complexos
Experiências
Individuais
Símbolos
Arquétipos
License-448870-35188-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Que tal acompanharmos um exemplo?
Retornemos ao complexo materno: podemos inferir que muito 
dele pode estar relacionado ao arquétipo da mãe e a sua 
representação cultural para a sociedade. Perceba que há 
vários exemplos dessa representação: Maria, a mãe de Cristo; a 
natureza, mãe dos seres vivos; Demeter, a deusa da fertilidade 
para a mitologia grega, etc. Sendo assim, o arquétipo pode ser 
considerado o centro de um complexo, atraindo para ele todas 
as experiências significativas.
Quando esse complexo se torna suficientemente forte, ele pode 
chegar à consciência, ou seja, ele é tão desenvolvido que se 
expressa em níveis conscientes. 
Quer um exemplo?
Imagine uma pessoa que tenha complexo divino, a partir de um 
arquétipo de Deus. Como todos os outros arquétipos, ele existe 
primeiramente no inconsciente coletivo. À medida que a pessoa 
passa a ter experiências com esse arquétipo, essas experiências 
vão se reunindo e podem formar um complexo. Perceba que o 
complexo também vai se fortalecendo com esses novos materiais, 
até adquirir forças para chegar ao nível da consciência desse 
sujeito.
Diante disso, a pessoa vai se aproximando das coisas relacionadas 
ao Deus de sua crença. Veja, ainda, que, se esse complexo se 
tornar dominante, isso pode chegar a níveis extremos, como 
é o caso de pessoas que acreditam ser um profeta de Deus e 
acusam as pessoas que “vivem no pecado”. Isso demonstra 
que o complexo assumiu o controle da personalidade desse 
sujeito, chegando a níveis patológicos. Se esse complexo tivesse 
assumido somente parte da personalidade dessa pessoa, ela 
poderia ser apenas alguém que frequenta celebrações religiosas 
e acredita no poder na fé.
Os complexos estão relacionados 
ao inconsciente coletivo, pois se 
apresentam em nossos sonhos através 
da simbologia que herdamos dos 
nossos ancestrais.
License-448870-35188-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Entender os complexos e como eles se apresentam pode 
nos a judar muito também a entender alguns aspectos das 
pessoas que nos acompanham no ambiente de trabalho. Toda 
essa simbologia também se manifesta na forma como as 
pessoas se comportam e quais valores elas seguem, podendo 
ser facilitadores para conhecer o perfil dos funcionários, e 
com isso buscar adequar as melhores pessoas para exercerem 
cada função. 
License-448870-33276-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
A terapia analítica e a eliminação 
dos complexos
Depois de vermos como os complexos atuam em nossas psiques, 
veremos de que forma o trabalho psicoterápico pode influenciar 
na construção e assimilação desses complexos. Vamos lá?
A psicoterapia e sua relação com os complexos
Um dos principais objetivos da psicoterapia é eliminar os 
complexos, livrando-nos das imposições e traumas que esses 
complexos causam. E, conforme já vimos, conhecer os complexos 
é um passo importante para o autoconhecimento.
Saiba que os complexos geralmente são indícios de todos os 
distúrbios comportamentais. Por exemplo, quando um homem 
chama a esposa pelo nome da mãe, provavelmente ele está 
remetendo ao seu complexo materno. Com isso, vemos que os 
complexos se relacionam intimamente com as memórias que 
são reprimidas pelo inconsciente.
E de que forma podemos superar esses complexos?
Veja que a psicoterapia pode servir como uma forma de procurar 
entender os traumas e conflitos que originam esses complexos 
e como podemos evoluir em relação a eles, de forma a procurar 
superá-los.
A figura a seguir simboliza a importância da Psicoterapia 
Analítica.
License-448870-33276-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: Ambrophoto, Shutterstock, 2018.
Além disso, a psicoterapia é um instrumento de trabalho 
importante em relação a essas memórias suprimidas e à forma 
como os complexos se organizam. Uma vez que o psicólogo 
identifica o verdadeiro complexo, pode iniciar um processo para 
lidar com ele. Porém, descobrir esses complexos reais pode ser 
um trabalho árduo, visto que, muitas vezes é preciso lidar com 
complexos disfarçados, não obtendo êxito.
Através da psicoterapia, podemos 
descobrir quais complexos nos afligem 
e procurar superá-los.
O self como o ordenador dos complexos
Quando abordamos os principais arquétipos, aprendemos 
que o self é o principal arquétipo, pois ele é o responsável 
pela ordenação das estruturas psíquicas, visando torná-las 
harmoniosas. Ao procurar organizar essas estruturas, ele 
também é umas das principais forças sobre os complexos, pois 
License-448870-33276-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
é através do self que os arquétipos se organizam, harmonizando 
as atuações dos complexos e conferindo um senso de unidade 
para toda a estrutura da personalidade.
Veja, na figura a seguir, o self como ordenador da psique. 
Auto
Conhecimento
Self
Complexos
Com isso, a meta final de qualquer personalidade é chegar a 
um estado de autorrealização, em que o self é conhecido e 
entendido. Contudo, essa não é uma tarefa fácil, que faz parte 
de um processo que acontece através da psicoterapia. 
Jung recomenda que, ao procurar desenvolver esse trabalho 
através da psicoterapia, devemos visar ao autoconhecimento (não 
à autorrealização). Essa distinção se faz necessária porque muitas 
pessoas procuram a perfeição sem ter o menor conhecimentode si. Veja que é preciso, primeiramente, reconhecer as origens 
dos nossos próprios erros e defeitos.
A consciência de si faz com que cada 
um deixe de projetar nos outros os 
elementos reprimidos do próprio 
inconsciente.
License-448870-33276-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
 Os sonhos sendo analisados 
Um dos principais materiais analisados dentro da psicoterapia 
analítica, visando procurar a tomada de consciência de si, 
é a análise dos sonhos, como forma de procurar entender as 
mensagens que o inconsciente tenta transmitir. Através dos 
sonhos, os arquétipos podem se manifestar, entre eles o self, 
aumentando a consciência e a compreensão da vida.
Mas como isso funciona?
Jung afirma que, por meio das associações que os sonhos 
apresentam, é possível fazer outras associações que nos levam 
aos complexos. Por exemplo, você pode sonhar com a natureza 
caso esteja trabalhando, na terapia, temas relacionados à sua 
relação com a sua mãe. Perceba que uma história apresentada 
pela consciência possui começo meio e fim, o que não acontece 
com o sonho, que apresenta dimensões, espaço e tempo 
diferentes. Portanto, para entender os sonhos, é necessário 
examinar os seus mais diversos aspectos.
A figura a seguir simboliza a importância dos sonhos analisados.
Fonte: Yuganov Konstantin, Shutterstock, 2018.
License-448870-33276-0-4
PSICOLOGIA 
APLICADA
Percebeu a importância do autoconhecimento em sua vida? 
Note que a relação que há entre nós e nossos inconscientes pode 
influenciar nossas relações, tanto pessoais quanto profissionais. 
A possibilidade de se conhecer melhor durante o processo 
terapêutico também pode ser uma excelente ferramenta no 
seu ambiente profissional, como forma de conhecer os seus 
potenciais, as suas fraquezas e até mesmo melhorar as relações 
que são estabelecidas no ambiente de trabalho. 
Diante disso, vemos que a psicoterapia é algo essencial para 
todos nós, sendo de sua importância para buscarmos entender 
melhor a nossa mente. Sendo assim, a recomendação e o estímulo, 
por parte dos profissionais de RH para que seus funcionários 
também façam essa prática, pode ser de grande ajuda para 
solucionar conflitos e até mesmo entender questões pessoais do 
empregado, como satisfação, interesse, motivação, etc.
O sono fornece a possibilidade de 
uma descida ao inconsciente e a 
apresentação de suas manifestações 
através dos sonhos.
License-377914-35196-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
A construção da psique para Jung
Conforme já vimos anteriormente, ao romper com as ideias de 
Freud, Jung inicia o desenvolvimento de seu próprio trabalho 
e estabelece uma nova estrutura para a formação da mente 
humana, ou como o próprio Jung nomeou: a psique. Vamos 
conhecer mais sobre ela? Siga com atenção!
A psique
Para entendermos o significado da palavra psique, começaremos 
por sua origem, que é latina: originalmente, essa palavra 
significava alma. Jung então se apropriou desse termo para 
definir a sua concepção de personalidade como um todo. Veja 
que a psique seria, portanto, o englobamento de todos os nossos 
pensamentos, sentimentos e comportamento, tanto conscientes 
quanto inconscientes. 
Acompanhe a figura a seguir, que simboliza a psique e suas 
engenhosidades.
Fonte: Michael D. Brown, Shutterstock, 2018.
License-377914-35196-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
E de que forma Jung sustenta esse conceito de psique?
Note que Jung sustenta esse conceito de psique afirmando que 
uma pessoa é, primeiramente, um todo, e não uma reunião de 
partes que podem ser moldadas. Nesse sentido, ele contraria as 
abordagens que tratam o homem como partes que têm como 
objetivo ser um todo. Segundo Jung, todos nós já nascemos como 
um todo, e, ao longo da vida, vamos desenvolvendo esse todo 
até atingir o mais alto nível de harmonia. Uma personalidade 
que se fraciona se trata de uma personalidade deformada, e é 
função do psicólogo recuperar a unidade perdida e fortalecer a 
psique, de modo que não aconteçam desmembramentos.
Jung, então, divide essa personalidade em duas partes (o 
consciente e o inconsciente), as quais poderíamos comparar a um 
sistema energético relativamente fechado. Perceba que, nesse 
sistema psíquico, há a presença de uma energia psíquica que é 
constante, mas cuja distribuição varia, podendo desaparecer de 
um lugar e aparecer em outro de forma diferente. 
Ainda não ficou claro? Acompanhe um exemplo!
Se um grande interesse existente por um determinado objeto 
deixa de encontrar nele uma oportunidade para aplicar-se, a 
energia que alimentava esse interesse tomará outros caminhos, 
podendo aparecer em manifestações somáticas (palpitações, 
distúrbios digestivos, erupções cutâneas, etc.). Veja, ainda, 
que isso também poderá reativar conteúdos adormecidos no 
inconsciente, construindo sintomas neuróticos. 
Além disso, para Jung, a psique está em constante dinamismo, 
tendo correntes energéticas que se cruzam continuadamente 
e favorecendo o aparecimento de tensões diferentes, polos 
opostos, correntes em progressão ou regressão.
Veja, na figura a seguir, as energias psíquicas.
License-377914-35196-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Psique
Inconsciente Consciente
Note que a energia da libido apresenta uma constante 
necessidade de se adaptar ao meio, como forma de responder 
às exigências impostas pelo mundo. Por exemplo, fazemos isso 
quando temos que conter nossas manifestações de alegria em 
público. Porém, ao longo da vida, essa energia pode encontrar 
obstáculos que podem procurar deter essa energia, que fica 
acumulada ou estagnada até retornar ao seu campo de origem .
E esse retorno pode trazer consequências?
Sim! Esse recuo pode reativar materiais que se encontram 
reprimidos no inconsciente, causando um confronto que pode 
provocar os sintomas somáticos e a apresentação de neuroses .
Clique na figura para assistir ao vídeo
License-377914-35196-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Observe a figura a seguir, que simboliza a energia psíquica que 
precisa se adaptar ao meio.
Fonte: Ollyy, Shutterstock, 2018.
Assim como a humanidade, a psique 
vem evoluindo ao longo do tempo, mas 
até hoje apresenta traços arcaicos, 
como nossos instintos frente ao medo.
A consciência
Conforme vimos, a psique se divide em duas partes: a consciência 
e a inconsciência. Perceba que estabelecemos a nossa relação 
com o mundo e com nós mesmos por meio da transição dessa 
energia psíquica entre essas duas instâncias.
Mas o que é a consciência?
License-377914-35196-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Jung apresenta que a consciência é um processo de evolução 
humana que levou um tempo infindável até chegar ao estado 
civilizado em que vivemos atualmente, e essa evolução está 
longe de alcançar a conclusão. A consciência seria, portanto, a 
única parte da mente que já conhecemos que aparece em nossas 
vidas antes mesmo do nascimento. 
E como isso ocorre?
Note que, mesmo nos bebês, podemos observar a presença de 
uma percepção consciente: por exemplo, a criança sempre é 
capaz de reconhecer e identificar os pais, demonstrando a sua 
tomada de consciência quanto aos seus cuidadores. À medida 
que vamos crescendo, vamos desenvolvendo a consciência e 
as quatro funções mentais denominadas por Jung da seguinte 
forma: pensamento, sentimento, sensação e intuição, as quais 
estudaremos em breve.
Sem a consciência não haveria o 
mundo, pois ele só se apresenta para 
nós à medida que ele toma a forma 
consciente para a psique.
O inconsciente
Embora já tenhamos estudado o conceito de inconsciente, não 
custa nada relembrarmos, não é mesmo?
O inconsciente se refere ao material que fica contido em um 
nível mais profundo de nossas mentes, ou seja, é no inconsciente 
que se encontra o material que a consciência reprime como 
forma de se defender das situações traumáticas e conflitantes 
vivenciadas. 
Também é importante que você saiba que Jung divide o 
inconsciente em duas partes: o pessoal, que se refere às nossas 
experiências únicas; e o coletivo, que seria a herança histórica 
que semanifesta através de símbolos, os quais Jung chama 
de arquétipos. Perceba que esse material se refere a coisas 
que escapam da nossa consciência, mas que, no entanto, não 
desaparecem – apenas se mudam para um outro local, ou seja, 
mais tarde poderemos reencontrar.
License-377914-35196-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Que tal acompanharmos um exemplo para entender melhor 
essas questões?
Se observarmos um neurótico, podemos perceber comportamentos 
que, aparentemente, são completamente intencionais e conscientes. 
Porém, se questionarmos essa pessoa, poderemos descobrir que 
ela ou não tem consciência alguma das ações praticadas, ou as 
enxerga de maneira diferente da forma como elas realmente 
acontecem. Isso faz com que muitos médicos rejeitem as queixas 
dos histéricos, afirmando que a pessoa não possui nenhum tipo 
de dor ou enfermidade. Afinal, de fato a mente da pessoa provoca 
os sintomas sentidos, mas, no entanto, eles se encontram no 
inconsciente, não apresentando razões para a sua existência.
Veja, na figura a seguir, que o inconsciente ainda é uma estrutura 
misteriosa.
Fonte: Bruce Rolff, Shutterstock, 2018.
License-377914-35196-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
O inconsciente é como um carro que 
virou a esquina: o perdemos de vista, 
porém, ele não deixou de existir, e 
poderemos reencontrá-lo em outro 
momento.
Perceba que a consciência se trata de uma parte que foi 
recentemente descoberta e ainda se encontra em estado 
experimental. Com isso, aceitar uma parte que é completamente 
desconhecida (inconsciente), para os estudiosos, pode gerar 
uma grande angústia de como lidar com esse desconhecido. 
Além disso, dentro do processo histórico há mitos chamados 
de “ruptura da alma”, que seriam justamente essa dissociação 
entre a consciência e a inconsciência. Essa crença pode fazer 
com que a ideia de que uma parte alma pode se perder assuste 
e provoque a renegação desse fato. 
Ainda não ficou claro? Acompanhe um exemplo!
Vemos isso acontecer comumente quando uma pessoa passa por 
algum surto psicótico com alucinações: nesse caso, há pessoas 
que ainda acreditam que esse surto de trata de uma perda da 
alma da pessoa. 
Diante disso, vemos como essa estrutura da nossa mente ainda 
é misteriosa, e os estudos sobre ela ainda estão inacabados. Em 
outras palavras, falta muito para conseguirmos entender toda a 
dimensão e capacidade do nosso inconsciente. 
Porém, mesmo diante de tudo que ainda falta para que 
entendamos a mente humana por completo, podemos observar, 
também através da teoria de Jung, as suas contribuições para 
diversas áreas do conhecimento, entre elas a área organizacional. 
Através desse conhecimento, certamente você pode estar mais 
sensível a entender o funcionamento da psique das pessoas que 
você convive em seu ambiente de trabalho, além de ser capaz 
de entender determinadas atitudes que as pessoas apresentam 
nesse ambiente.
Por exemplo, por muitas vezes você pode não ser capaz de 
compreender as motivações de determinadas atitudes dos seus 
License-377914-35196-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
colegas de trabalho, mas agora você já é capaz de entender 
que essas atitudes podem acontecer devido a motivações 
inconscientes, que muitas vezes fazem com que a pessoa não 
perceba que as suas ações não são agradáveis, necessitando de 
aconselhamentos e orientações para se adequar ao ambiente 
organizacional.
License-377914-35198-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Tipos psicológicos
Mesmo que cada pessoa tenha a psique formada pelas mesmas 
estruturas (consciente e inconsciente), Jung percebeu, a partir 
de estudos, que havia características que se manifestavam de 
formas diferentes nas pessoas. Esse conceito foi chamado por 
Jung de tipos psicológicos. Vamos conhecê-los?
Como se manifestam os tipos psicológicos
Para que possamos entender a complexidade dos estudos sobre 
os tipos psicológicos, precisamos levar em consideração que 
Jung levou quase 20 anos, no campo da Psicologia prática, para 
elaborar esses conceitos. 
Mas qual foi o pontapé inicial de sua pesquisa?
Veja que Jung começou a sua análise e descreveu um certo 
número de processos psicológicos básicos, como a introversão 
e a extroversão, demonstrando de que forma esses processos 
podem se combinar para determinar o caráter de uma pessoa. 
Além disso, a partir de sua experiência clínica, Jung percebeu 
que a comunicação entre as pessoas, muitas vezes, se tornava um 
desafio constante, já que os indivíduos não são tão semelhantes 
assim. 
Quer um exemplo?
Não é raro ouvir uma mãe reclamar que não conhece a filha, não 
é mesmo? Perceba que até mesmo em relações conjugais ou de 
amizade surgem diversos desentendimentos por determinadas 
atitudes de uma pessoa que são contrárias às posições de outra. 
A figura a seguir simboliza as diferenças entre as pessoas.
License-377914-35198-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: bioraven, shutterstock, 2018.
E a extroversão e introversão, onde ficam nessa teoria?
Veja que Jung distinguiu, inicialmente, duas formas de atitudes 
básicas que podem estar presentes no sujeito: a extroversão e 
a introversão. Esses dois tipos estabelecidos por ele visavam 
orientar melhor os quadros de referência que temos do outro. 
Jung ainda estabeleceu que esses dois tipos psicológicos não se 
apresentam de forma excludente, ou seja, eles podem coexistir 
mutuamente na mente, mas podem se alternar em determinadas 
ocasiões. 
Extroversão e introversão são 
atitudes normais, mas que, em graus 
exagerados, podem se tornar questões 
patológicas.
License-377914-35198-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Além disso, a distinção entre as funções de introversão e 
extroversão acontece pela presença de determinada atitude no 
inconsciente. 
Quer um exemplo? 
Perceba que uma pessoa que se expressa extrovertidamente na 
consciência dos seus atos, pode ser muitas vezes um introvertido 
em seu inconsciente. Precisamos salientar que essa manifestação 
entre a consciência e o inconsciente acontece de forma diferente, 
pois um extrovertido ou introvertido consciente expressa 
sua função de forma direta através de seus comportamentos 
conscientes, sendo facilmente identificado, enquanto que as 
manifestações do inconsciente podem não ficar claras tão 
facilmente. 
Já a manifestação inconsciente exerce, indiretamente, uma 
influência sobre o comportamento, não se expressando de forma 
aberta justamente porque está reprimida no inconsciente. Isso 
acontece quando uma pessoa age de maneira que aparenta ser 
diferente de seu comportamento habitual – por exemplo, uma 
pessoa que é introvertida e de repente se apresenta sociável e 
falante. Nesse caso, essa pessoa foi temporariamente dominada 
pela extroversão reprimida.
Por fim, veja que esses termos passaram a fazer parte do 
cotidiano do senso comum e foram adotados por diversos 
filósofos e artistas como forma de definir pessoas que possuíam 
essas atitudes típicas.
Os tipos extrovertidos
Provavelmente você sabe o que caracteriza um indivíduo 
extrovertido, não é mesmo? Que tal conferir se a sua visão é 
parecida com a de Jung?
Jung considera extrovertidas aquelas pessoas que vão 
confiantes e de forma objetiva em direção ao encontro do objeto 
de seu interesse (pessoas, carreira, relacionamentos, etc.). Na 
extroversão, a libido flui sem embaraços e é canalizada para as 
representações do mundo exterior e objetivo. Em um movimento 
de compensação, há a presença de uma corrente inconsciente 
License-377914-35198-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
que vai em direção ao outro tipo, a introversão. Então, se uma 
pessoa é extrovertida, há um movimento inconsciente de 
introversão, mantendo reprimidas as atitudes em que objetos 
interiores seriam canalizados e priorizados . Agora veja a figura 
a seguir, que retrata uma pessoa extrovertida. 
Fonte: alphaspirit, Shutterstock.
Perceba, ainda, que uma pessoa extrovertida é uma pessoa 
que possui um bom contato com o mundo exterior e não possui 
problemas de canalizar sua libido em relações com outras 
pessoase com objetos do mundo exterior e objetivos.
No mais, a relação com aquilo que é objetivo demonstra que 
os extrovertidos são pessoas que se relacionam com um mundo 
que está de fora delas, ou seja, um mundo formado por coisas, 
costumes, regras, relações sociais e condições físicas .
O extrovertido é aquele que se 
relaciona bem com o mundo exterior, 
ou seja, tem facilidade em falar em 
público ou fazer novas amizades.
License-377914-35198-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Os tipos introvertidos
Em oposição à extroversão temos a introversão, ou seja, uma 
função que representa as pessoas cuja libido recua diante do 
objeto. 
Mas o que caracteriza uma pessoa introvertida?
Note que o introvertido é uma pessoa que valoriza 
preferencialmente as questões interiores, tendo dificuldades 
de se expressar para o mundo exterior. Da mesma forma 
da extroversão, a introversão também possui uma energia 
inconsciente voltada para a extroversão, em que ficam 
reprimidas ações voltadas para o exterior. 
Em outras palavras, os introvertidos são as pessoas chamadas 
de tímidas e até mesmo de antissociais, ou seja, são aquelas 
pessoas que possuem maior facilidade de lidar com os seus 
objetos interiores e subjetivos.
Agora veja, na figura a seguir, um exemplo de pessoa introvertida.
Fonte: Sofi photo, Shutterstock, 2018.
License-377914-35198-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Mas o que significa ser subjetivo?
Nesse caso, ao nos referirmos a um mundo subjetivo, estamos 
definindo um mundo privado que não pode ser diretamente 
observado por quem está de fora. Na verdade, esse mundo se 
apresenta de forma tão privada que, muitas vezes, não se faz 
diretamente acessível pela mente consciente, sendo formado 
por elementos psíquicos inconscientes.
Clique na figura para assistir ao vídeo
Os introvertidos também são chamados 
de tímidos e geralmente possuem 
maiores habilidades em profissões nas 
quais eles podem trabalhar sozinhos.
Portanto, conhecer esses tipos psicológicos pode contribuir 
para a atuação dentro das organizações, visto que, a partir 
da possibilidade de entender que existem pessoas com tipos e 
habilidades diferentes, é possível também conseguir entender 
onde elas melhor se adequam dentro da empresa. Você 
certamente estará mais atento a detalhes como a impossibilidade 
de colocar uma pessoa introvertida em uma função em que ela 
tenha que lidar diretamente com pessoas estranhas. 
License-377914-35198-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Diante disso, conhecer esses tipos psicológicos pode ser uma útil 
ferramenta para que os processos de recrutamento e seleção 
visem buscar pessoas que possuem as melhores características 
para determinado cargo. Isso também pode ser positivo 
no momento do treinamento, momento em que, através do 
conhecimento das habilidades dos funcionários, é possível que 
sejam oferecidos treinamentos buscando potencializar essas 
habilidades. 
License-377914-33284-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Função psicológica dominante e 
função psicológica auxiliar
Graças a seus estudos, Jung percebeu que havia muitas 
variações para as atitudes de extroversão e introversão, ou seja, 
um introvertido podia diferir de forma muito diferente de outras 
pessoas tidas como introvertidas também. Por esse motivo, 
Jung foi acumulando observações até concluir e definir que, em 
cada pessoa, dominava uma das quatro funções de adaptação: 
pensamento, sensação, sentimento e intuição (SILVEIRA, 1981). 
Que tal conhecer um pouco mais sobre cada uma delas? Então 
siga em frente!
As funções psicológicas 
Ao perceber que as características das pessoas iam além da 
introversão e extroversão, Jung estabeleceu duas funções que 
seriam intelectuais.
Mas por que motivo elas são intelectuais e quais são essas 
funções?
Essas funções são consideradas intelectuais porque exigem 
um ato de julgamento. A primeira delas é o pensamento, que 
se refere a associações de ideias cujo objetivo é chegar a um 
conceito geral ou à solução de um problema. Trata-se de uma 
função intelectual que procura compreender as coisas do mundo. 
Já a segunda função é o sentimento, que avalia se a ideia será 
rejeitada ou aceita, de acordo com o sentimento (agradável ou 
desagradável) que essa ideia provoca.
A figura a seguir simboliza as funções racionais de pensamento 
e sentimento.
License-377914-33284-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: Ollyy, Shutterstock, 2018.
E quais são as duas outras funções?
As outras duas funções são a sensação e a intuição, consideradas 
funções irracionais por não fazerem uso da razão. Elas evoluem 
a partir do fluxo de estímulos que agem sobre o indivíduo, não 
necessitando da razão e não tendo um objetivo final. Assim, a 
função da sensação representa uma percepção sensorial, com 
experiências conscientes, que são produzidas pela estimulação 
dos nossos órgãos, tais como a visão, o olfato e o paladar. Já 
a intuição é uma experiência também produzida por estímulos, 
tendo como diferença o fato de que nessa função a origem é 
desconhecida.
A figura a seguir simboliza as funções irracionais de sensação e 
intuição.
License-377914-33284-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: Sergey Nivens, Shutterstock, 2018.
Para exemplificar melhor, podemos falar que a sensação sempre 
pode ser explicada: “estou sentindo calor” ou “gosto de comida 
doce”. Quanto à intuição, porém, não há uma definição sobre a 
sua origem: geralmente, quando questionada, a pessoa fala que 
“teve um pressentimento”.
Vemos, com isso, que a combinação entre as funções e as 
atitudes de extroversão e introversão são possíveis, formando os 
oito tipos psicológicos que Jung definiu e que veremos a seguir.
A combinação das atitudes de 
extroversão e introversão com as 
funções de pensamento, sentimento, 
sensação e intuição formam oito tipos 
psicológicos.
Os tipos extrovertidos
Veremos, agora, como se formam e quais são as principais 
características dos tipos extrovertidos quando combinados com 
as quatro funções que Jung desenvolveu ao longo de sua obra. 
License-377914-33284-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Os tipos extrovertidos se relacionam 
diretamente com as coisas e pessoas 
que se encontram no mundo exterior.
Veja que a junção da extroversão com o pensamento forma 
o pensamento extrovertido, que possui uma personalidade 
consciente extrovertida e o pensamento como função principal, 
sendo que esse pensamento se dirige para o mundo exterior. 
E como é o comportamento dessas pessoas?
O comportamento de pessoas de pensamento extrovertido tende 
a buscar constantemente a lógica e estabelecer a ordem entre 
as coisas concretas. As ideias abstratas são algo que não atraem 
essas pessoas, que gostam de fazer prevalecer seus pontos de 
vista, ou seja, elas podem ser pessoas autoritárias e rigorosas. 
O pensador extrovertido é mais pragmático e excelente em 
desenvolver trabalhos que demandem organização. 
Outro tipo extrovertido é o tipo sentimento extrovertido, 
governado por critérios externos. Note que essas pessoas 
geralmente subordinam o pensamento ao sentimento. Além disso, 
tendem a ser pessoas mais convencionais ou conservadoras. 
Perceba, ainda, que esse tipo extrovertido mantém uma boa 
relação com o ambiente externo, sendo uma pessoa acolhedora 
e que possui uma grande quantidade de amigos. Geralmente é 
fiel aos seus valores e não tem problemas com as manifestações 
de afeto, que muitas vezes podem parecer exageradas. Não 
raramente, essas pessoas podem se tornar boas líderes, usando 
mais apelo emocional da sua personalidade do que a originalidade 
do pensamento. 
E quais são os outros tipos extrovertidos?
Ainda temos o tipo sensação extrovertida e intuição extrovertida, 
os quais conheceremos, com mais detalhes, a partir de agora.
As pessoas do tipo sensação extrovertida se identificam muito 
com a apreciação sensorial das coisas, sendo capazes de 
identificar detalhes nos objetos com os quais se relacionam. Em 
outras palavras, são detalhistas. Também são realistas, práticas 
e obstinadas, não demonstrando interessepelo significado das 
License-377914-33284-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
coisas – ou seja, aceitam as coisas e o mundo tal como lhes 
são apresentados, sem muitos questionamentos e previsões. 
Saiba, ainda, que essas pessoas vivem em função de apreciar 
as sensações, tais como os prazeres da comida, das artes e 
dos perfumes. Geralmente não se interessam pelas questões 
teóricas, mas se preocupam com a descrição minuciosa e 
exata dos objetos e com a explicação dos fenômenos, sem 
necessariamente querer descobrir as suas causas. 
Por fim, temos o tipo intuição extrovertida: essas pessoas estão 
sempre em busca de novas possibilidades ou coisas que ainda 
não conheceram. Além disso, são desbravadoras e sabem, 
antes de todo mundo, quais serão as tendências e perspectivas 
futuras. Interessam-se pela aquisição de coisas inovadoras e 
pela descoberta de novos mundos e possibilidades. Perceba, 
ainda, que as pessoas de intuição extrovertida são instáveis 
em relacionamentos, estando sempre em busca de algo novo, 
seguindo as suas intuições. Quando se encontram em situações 
estáveis, geralmente se sente prisioneiras, até que buscam novas 
atividades (que também podem ser abandonadas no meio do 
caminho, claro). 
Veja, na figura a seguir, os tipos extrovertidos.
Pensamento
Intuição
Sensação
SentimentoExtroversão
License-377914-33284-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Os tipos introvertidos
Agora que estudamos os tipos extrovertidos, veremos as 
combinações das mesmas quatro funções (pensamento, 
sentimento, sensação e intuição), mas como o tipo introvertido. 
Para isso, falaremos sobre as principais características e como 
se expressam esses tipos introvertidos. 
Os tipos introvertidos geralmente 
possuem maior contato com as 
questões subjetivas, relacionando-
se melhor com o seu próprio mundo 
interior.
Veja que a junção da introversão com o pensamento forma o 
tipo pensamento introvertido: é aquela pessoa cujo pensamento 
se dirige para dentro. Em outras palavras, é uma pessoa que 
considera que as ideias gerais são as mais importantes e 
significativas. 
E como agem essas pessoas diante de um problema?
Bem, sempre que estão diante de um problema, elas buscam 
entender, antes de tudo, as ideias e pontos de vista, procurando 
uma visão panorâmica da situação. Só depois disso é que 
essas pessoas irão agir. Perceba que, ao contrário do pensador 
extrovertido, que se contenta com a ordem lógica das ideias, 
o sujeito do tipo pensamento introvertido se interessa 
principalmente pela produção de novas ideias. E, por se envolver 
muito com essas novas ideias, pode ser uma pessoa que perde o 
contato com a realidade exterior, voltando-se para uma realidade 
do próprio ser.
E o tipo sentimento introvertido, como se comporta?
Saiba que as pessoas com esse tipo psicológico tendem a 
esconder seus sentimentos do mundo, sendo silenciosas, 
inacessíveis e até mesmo indiferentes. Podem se apresentar 
como pessoas melancólicas ou depressivas, mas também 
podem dar a impressão de pessoas que estão vivendo em 
uma extrema harmonia interior. Além disso, essas pessoas têm 
sentimentos profundos e intensos, sendo consideradas até 
mesmo enigmáticas. 
License-377914-33284-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
E o tipo sensação introvertida, tem quais características?
O tipo sensação introvertida é comum às pessoas que, assim 
como os introvertidos, se mantêm distantes dos objetos 
exteriores. Usualmente mergulham em suas próprias sensações 
psíquicas, considerando o mundo banal e desinteressante. São 
muito sensíveis às sensações, mas se expressam de forma 
subjetiva, geralmente através das artes, produzindo sempre algo 
carregado de significados. 
Por fim, temos o tipo psicológico que trata das pessoas do 
tipo intuição introvertida. Este tipo psicológico está presente 
normalmente em pessoas sensíveis a novos lugares e 
possibilidades, sentindo-se muito pouco atraídas pelo mundo 
exterior. Geralmente são pessoas sonhadoras e visionárias, que 
se preocupam com um universo de imagens, tendo intuições que 
podem se relacionar com os símbolos e o inconsciente coletivo. 
Note que essas pessoas possuem grande aptidão para apreender 
conteúdos que se desdobram ao longo do tempo e da história, 
sendo chamados muitas vezes de feiticeiros ou profetas. 
Observe, na figura a seguir, os tipos introvertidos.
Pensamento
Intuição
Sensação
SentimentoIntroversão
License-377914-33284-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Com a apresentação dessa abordagem, procuramos mostrar 
para você mais uma possibilidade de entender e lidar com as 
pessoas no ambiente organizacional. Esses tipos psicológicos 
podem ser ferramentas úteis para que você consiga perceber as 
características das pessoas em seu entorno e em quais funções 
elas podem se adequar melhor. 
License-397402-28370-0-0
PSICOLOGIA 
APLICADA
Atividade Avaliativa
Aplicação 
Vimos que diversos estudos foram desenvolvidos procurando 
classificar os tipos de inteligência do ser humano. Dentre eles, 
destacamos os estudos de Thorndike, que estabeleceu que 
possuímos três tipos de inteligência. Segundo ele, todos nós 
possuímos os três tipos, porém em intensidades diferentes, 
tendo um como destaque. 
Esses três tipos de inteligência são: a inteligência abstrata 
(a pessoa possui maior facilidade em lidar com símbolos, 
podendo ser numéricos ou palavras); a inteligência mecânica 
(corresponde à facilidade em lidar com dispositivos mecânicos); 
e a inteligência social (refere-se à facilidade que a pessoa tem 
nos relacionamentos interpessoais).
Diante desses tipos de inteligência que vimos nesta Unidade de 
Aprendizagem, propomos que você faça agora uma atividade 
visando a uma pequena reflexão sobre este material. 
Etapas da atividade 
I. Faça uma releitura do texto sobre os tipos de inteligência.
II. Reflita e avalie qual seria o tipo de inteligência que você teria 
como destaque. Explique as razões. 
III. Procure identificar duas pessoas do seu convívio e qual seria a 
inteligência que mais se destaca em cada pessoa. E explique 
se a profissão que exercem corresponde às características do 
tipo de inteligência que possivelmente apresentam. 
License-397402-28368-0-0
PSICOLOGIA 
APLICADA
Critérios de Avaliação
Para que você possa se autoavaliar, deverá analisar alguns 
aspectos de sua atividade. Na sequência, conheça quais são eles.
I. Você leu e conseguiu refletir sobre as características de cada 
um dos tipos de inteligência? 
II. Conseguiu observar quais características você tem e 
relacioná-las ao seu tipo de inteligência dominante? 
III. Conseguiu identificar o tipo de inteligência dominante das 
pessoas que escolheu? 
License-397402-33286-0-0
PSICOLOGIA 
APLICADA
Os conceitos e a aplicação da 
inteligência para a Psicologia 
Introdução
Olá! Seja bem-vindo (a) à décima primeira Unidade de 
Aprendizagem de Psicologia Aplicada, na qual veremos de que 
forma a Psicologia aborda a questão da inteligência humana. 
No decorrer do conteúdo, serão vistas as abordagens que tratam 
da inteligência, bem como as definições que são estabelecidas 
para esse termo.
Abordaremos, também, como são definidos os graus de 
inteligência e o tão popularizado Quociente Intelectual (Q.I.). 
Além disso, ainda veremos como funcionam os testes psicológicos 
que visam medir a inteligência, seus critérios de classificação e 
como esses testes podem influenciar no futuro das pessoas. 
E você, se pegou imaginando como pensamos? Você sabia que 
o QI é utilizado em testes para que se possa medir a capacidade 
intelectual de cada um?
Tudo isso e muito mais será estudado por nós a seguir! 
Vamos lá?
License-397402-38286-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
O que é inteligência?
Conforme aprendemos na escola, diferenciamo-nos dos outros 
seres porque somos capazes de pensar, ou seja, somos animais 
racionais. Conseguimos pensar em coisas reais e abstratas, 
passadas e presentes, e até mesmo pensar sobre nós mesmos. 
E um dos aspectos do pensamento mais inquietantes sobre 
essa nossa característicaé a inteligência e a forma como ela se 
estrutura. Convidamos você a embarcar nessa jornada, buscando 
entender melhor o significado da inteligência.
Os significados de inteligência
Embora a palavra inteligência seja muito conhecida pelo senso 
comum em certos contextos, seu significado ainda é um tema 
muito estudado pelos cientistas da área. 
Mas por que ainda são feitas pesquisas sobre esse tema?
Perceba que, até hoje, o significado de inteligência é um 
pouco obscuro devido ao fato de os cientistas ainda não terem 
conseguido definir claramente do que se trata realmente a 
inteligência, visto que ela pode ter diversas faces e concepções.
E de que forma a inteligência é compreendida pelo senso 
comum?
A inteligência, para o senso comum, pode ser definida como a 
capacidade que as pessoas têm de resolver corretamente um 
problema ou até mesmo a qualidade de se adaptar a novas 
situações e aprender com facilidade. A figura a seguir simboliza 
a capacidade de resolver problemas, um dos significados da 
palavra inteligência, de acordo com o senso comum.
License-397402-38286-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: ESB professional, Shutterstock, 2018.
Porém, esses termos usados pelo senso comum não são suficientes 
para definir um conceito tão amplo e que pode ser tão distinto. 
Por causa disso, a Psicologia e outras áreas do conhecimento 
tentaram e continuam tentando definir a inteligência de acordo 
com as suas bases teóricas. 
Para o senso comum, a inteligência 
pode ser definida como a capacidade 
que temos de aprender e se adaptar a 
novas situações. 
Vamos acompanhar um exemplo de um teórico que trata do 
tema da inteligência? Piaget (1896-1980), um dos principais 
estudiosos da área educacional, definiu a inteligência como um 
pré-requisito para a aprendizagem. Segundo ele, o processo 
de aprendizagem seria movido pela motivação, que é um 
movimento energético para a aprendizagem. Já a inteligência 
seria a forma como o sujeito entende e faz as coisas. 
Que tal conhecermos ainda mais as ideias de Piaget? Então siga 
em frente!
License-397402-38286-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Inteligência e adaptação biológica
Ao desenvolver seus estudos sobre a aprendizagem e a 
inteligência, Piaget também se baseou nas questões biológicas 
para entender o funcionamento dessas estruturas. Para ele, a 
questão da inteligência também perpassa funções elementares, 
tais como a percepção, a motricidade, a memória, etc. Diante 
disso, considerar apenas os aspectos psicológicos não é suficiente 
para entender o funcionamento da inteligência. 
Em outras palavras, não podemos desvincular a inteligência dos 
processos cognitivos que todos nós apresentamos: muito pelo 
contrário, a inteligência se torna uma forma de equilíbrio entre 
os mecanismos motores e a adaptação. A inteligência seria, 
portanto, uma função capaz de nos adaptar ao meio, através das 
nossas experiências e aprendizagens. Por exemplo, uma criança, 
ao pisar um chão quente, sentirá que não consegue suportar o 
calor. Logo, aprenderá que precisa de um calçado para fazer 
isso.
Clique na figura para assistir ao vídeo
Mas o que seria a adaptação?
É a capacidade que temos de interiorizar uma experiência 
que foi manifestada exteriormente. Por exemplo, quando uma 
criança toca em algo quente e se afasta desse objeto, naquele 
momento ela interioriza que, ao se aproximar de coisas quentes, 
License-397402-38286-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
ela pode se queimar. Assim, ela se adapta a esse novo conceito, 
tendendo a não se aproximar mais de coisas quentes novamente. 
Logo, a inteligência representa o equilíbrio entre essas funções 
cognitivas e a adaptação ao meio.
Observe, na figura a seguir, uma criança descobrindo o mundo.
Fonte: Monkey Business Images, Shutterstock, 2018.
Portanto, a inteligência é algo integrado e que surge como forma 
de representar o fato de que todas as expressões humanas são 
decorrentes de uma capacidade cognitiva, seja ela, afetiva ou 
corporal. Também é a capacidade de desenvolver esses atos de 
forma adequada. 
Ainda não ficou claro? Então acompanhe um exemplo!
Pense em uma situação na qual você esteja muito preocupado. 
Nesse caso, provavelmente você terá mais dificuldade de 
aprender algum conteúdo novo ou mesmo expressar seus 
pensamentos, não é mesmo? Isso ocorre devido ao fato de que, 
quando a situação psíquica do indivíduo não está bem, isso pode 
interferir em toda a sua capacidade de lidar adequadamente 
com os conflitos.
License-397402-38286-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
A inteligência está intimamente 
relacionada à nossa capacidade 
cognitiva de aprendizagem e 
adaptação ao meio. 
A teoria da aprendizagem de Piaget
Agora vamos nos aprofundar ainda mais nos estudos de Piaget 
sobre a inteligência. Esse autor, ao relacionar a inteligência à 
aprendizagem, desenvolveu uma hipótese sobre como esse 
processo acontece desde a infância. Assim, ele criou o conceito 
de adaptação e os estágios de aprendizagem que a criança 
desenvolve.
Quer mais detalhes?
Então vamos lá: para Piaget, nós aprendemos através da 
assimilação (que seria o contato com o objeto) e da adaptação, 
que seria a interiorização do aprendizado. Por exemplo, uma 
criança, ao pegar um brinquedo, assimila esse objeto e percebe 
as suas características. Depois desse momento, ela cria um 
esquema de adaptação e poderá ser capaz de distinguir esse 
objeto dos demais, compreendendo que ele se trata de um 
brinquedo, e não de outra coisa. 
Veja, na figura a seguir, o processo piagetiano.
Assimilações
Adaptações
Operações
License-397402-38286-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Então, através de observações, Piaget percebeu que existem fases 
para essa assimilação e concluiu a existência de quatro estágios, 
os quais ele definiu como os estágios de desenvolvimento da 
criança.
Vamos conhecê-los?
O primeiro estágio é o sensório-motor, que corresponde à fase 
de zero a dois anos da criança. Nessa fase, a criança apresenta 
os primeiros esquemas, que são os reflexos, como sucção e 
deglutição. Além disso, por meio da estimulação do ambiente e 
da maturação vão aparecendo novos esquemas, o que permite 
que a criança apresente comportamentos tais como de agarrar, 
bater, esfregar. Nesse estágio, também a criança começa a 
perceber a existência dos objetos e sua permanência (até então, 
os objetos apenas existiam enquanto ao alcance dos olhos)
Que tal acompanharmos um exemplo?
Pense em uma criança jogando uma bola no chão e considere 
que essa bola rola para trás de um objeto. Enquanto essa bola 
está no campo de visão da criança, ela existe, porém, longe dos 
seus olhos, o objeto deixa de existir para a criança.
E qual seria o segundo estágio de Piaget?
Dos dois aos sete anos de idade, a criança apresenta o segundo 
estágio de desenvolvimento, o pré-operacional. Nessa fase, com 
os progressos do primeiro estágio, a criança atinge o domínio 
do simbolismo, ou seja, um objeto ou gesto pode representar 
algo além de sua representação real. Por exemplo, para crianças 
nessa idade, um boneco pode simbolizar uma pessoa tal como 
as pessoas que estão à sua volta. Esse domínio do simbolismo 
também faz com que a criança passe a entender as funções dos 
objetos (ela compreende, por exemplo, que uma cadeira é um 
móvel utilizado para sentar).
Vamos ao terceiro estágio?
O terceiro estágio, o operacional concreto, corresponde ao 
período dos sete aos 11 anos de idade. Nesse estágio, surge 
a manifestação da função de acomodação. Se, até então, o 
pensamento dependia das ações externas, a partir dessa fase 
License-397402-38286-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
a criança inicia a sua capacidade de ação interna. Em outras 
palavras, com a acomodação, a criança interioriza uma ação 
(que passa a ter significado) e a capacidade de reversibilidade, 
ou seja, ela entende uma ação ao contrário. Por exemplo, ao 
separar um bloco que foi unido, a criança é capaz de entender 
que ele não se quebrou, mas que foi separado. 
Por fim, temos o último estágio, quese trata da fase operacional 
formal, que acontece a partir dos 11 anos. Nessa fase, a criança 
já passa a realizar as operações sem a necessidade de um dado 
concreto, usando apenas o raciocínio. Além disso, a criança 
já é capaz de estabelecer raciocínios hipotético-dedutivos, 
estabelecendo hipóteses e deduções que podem ser testadas 
através de observações e experimentações, como, por exemplo, 
a capacidade de entender que o líquido contido em dois copos 
de formatos diferentes pode ser da mesma quantidade.
Para construir o conhecimento, o sujeito 
nasce com alguns esquemas inatos. A 
partir disso, novos esquemas vão se 
formando, construindo as operações. 
License-397402-33290-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Conhecendo os graus de inteligência
Conforme já vimos, há diversos estudos sobre a inteligência 
e como ela se desenvolve no ser humano. Dentre esses vários 
estudos, há pesquisadores que estabelecem tipos de inteligência, 
além de formas de quantificar os níveis de cada tipo. Ficou 
curioso (a)? Então siga em frente em seus estudos!
Os tipos de Inteligência
Quando falamos de inteligência, geralmente supomos que exista 
apenas uma forma principal de habilidade cognitiva. Assim, 
pensar em inteligências, no plural, pode nos parecer estranho, 
concorda?
Entretanto, é possível distinguir alguns tipos de inteligência e crer 
na ideia de que há a presença de um traço intelectual dominante 
em cada sujeito.
Veja, a seguir, uma figura que representa os diferentes tipos de 
inteligência.
Fonte: Shutterstock, 2018.
License-397402-33290-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Geralmente pensamos em inteligência 
como uma capacidade de fazer todas 
as coisas, porém, ela pode se dividir e 
se destacar em algum tipo.
E de que forma a inteligência é classificada?
Veja que existem diversos estudos que estabelecem critérios 
para a classificação qualitativa da inteligência, dentre os quais 
podemos citar os estudos de Thorndike (1874-1949). Esse autor 
fala sobre os campos de atividade nos quais a pessoa pode se 
destacar, apresentando três tipos de inteligência: inteligência 
abstrata, inteligência mecânica e inteligência social.
Que tal conhecermos melhor cada uma delas?
Comecemos pela inteligência abstrata, que se refere à facilidade 
de lidar com palavras, números, fórmulas, etc. Geralmente, pessoas 
com domínio desse tipo possuem habilidades matemáticas ou 
para a escrita. 
E as pessoas que se destacam na inteligência mecânica, possuem 
facilidade em quê?
Note que esses indivíduos possuem facilidade para lidar com 
máquinas e dispositivos mecânicos, como é o caso de engenheiros 
e mecânicos. 
Por fim, ainda temos a inteligência social, que favorece as relações 
interpessoais. Perceba que as pessoas que têm essa inteligência 
mais desenvolvida possuem habilidades em relacionamentos e 
no contato com outras pessoas, como acontece com vendedores, 
publicitários ou diplomatas.
É importante que você saiba que todas as pessoas possuem 
parcialmente cada um dos tipos de inteligência, diferenciando-se 
pela intensidade com que elas aparecem (e sempre com destaque 
para uma das três inteligências). Além dos tipos, Thorndike ainda 
apresenta sete fatores que compõem a inteligência e aparecem 
em menor ou maior intensidade em cada pessoa: inteligência 
verbal, inteligência numérica, raciocínio em geral, memória, 
inteligência espacial, fluência verbal e rapidez de percepção.
License-397402-33290-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
A figura a seguir simboliza o fato de cada pessoa se destacar em 
um tipo de inteligência.
Fonte: Vador, Shutterstock, 2018.
O Quociente Intelectual
Agora vamos entender de que forma as diferenças individuais 
desses tipos de inteligência podem ser quantificadas. Veja que 
essa quantificação é feita por meio de testes padronizados. 
Quer um exemplo de teste padronizado?
O mais popular e mais usado é o conceito de Quociente Intelectual 
(QI), criado a partir dos estudos de Binet e Simon: através de 
uma série de questões, eles procuravam medir a idade mental 
das crianças. Esse QI é calculado através da divisão entre idade 
mental (obtida no teste de Binet) e a idade cronológica. Depois 
disso, esse resultado é multiplicado por 100.
Veja, na figura a seguir, a fórmula do teste de QI.
QI = 
Idade Mental
100
Idade Cronológica 
= ×
License-397402-33290-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Através dessa fórmula, é possível estabelecer um percentil que 
exprime uma medida padronizada da aptidão de cada um, 
facilitando a abordagem, caso a pessoa apresente níveis abaixo 
ou acima da média. 
O QI de uma pessoa normal é de 90 
a 110, ou seja, de uma pessoa dentro 
da média esperada.
A Classificação do QI
Neste momento, talvez você esteja se perguntando: feito o 
cálculo, como vou saber a qual classificação a pessoa pertence?
Bem, depois de feito o cálculo, é possível analisar, através da 
tabela a seguir, a classificação do sujeito e, com isso, definir a 
sua capacidade intelectual. 
Pontos de QI Classificação
180 em diante Genial
140-179 Talentoso
120-139 Muito superior
110-119 Superior
90-109 Normal
80-89 Inferior
70-79 Deficiente mental leve
50-69 Deficiente mental moderado
25-49 Deficiente mental severo
Até 24 Deficiente mental profundo
Veja que, através dessa classificação, é possível facilitar um plano 
de atendimento, de acordo com o que a pessoa necessita, pois 
tanto uma pessoa com altos níveis de QI quanto as pessoas que 
estão abaixo da média necessitam de uma abordagem especial. 
Sem isso, podemos correr o risco de repetir casos como os que 
License-397402-33290-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
aconteceram com Einstein e Newton, que foram considerados 
alunos de aprendizagem lenta na escola.
Mas será que esse teste de QI é unanimidade entre os estudiosos?
Não! Esse tipo de teste ainda é considerado contraditório 
por estudiosos da Psicologia e da Pedagogia, visto que há 
dúvidas quanto à capacidade de testar todas as habilidades da 
pessoa. Além disso, esse teste não prevê outras variáveis, como 
controle emocional, que, conforme já vimos, pode interferir no 
desempenho intelectual. 
E existem outros testes além desse que acabamos de estudar?
Sim! Além do teste de QI, foram desenvolvidos diversos outros 
testes de inteligência e aptidão que contribuem para os trabalhos 
desenvolvidos na área da Psicologia. Esses testes também 
representam forma de buscar recursos para uma educação 
especial voltada para as habilidades e necessidades de cada um. 
Veja a figura a seguir, que simboliza um teste de inteligência.
Fonte: Phimsri, Shutterstock, 2018.
License-397402-33290-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
A categorização do QI permite que 
os profissionais possam desenvolver 
as habilidades das pessoas de acordo 
com suas potencialidades.
Pelo que vimos até aqui, percebe-se que o conhecimento do tipo 
de inteligência dos colaboradores de uma organização pode se 
transformar numa importante ferramenta para o uso no ambiente 
organizacional pelos gestores, facilitando o desenvolvimento das 
potencialidades de cada um desses colaboradores.
Veremos, na sequência, alguns testes psicométricos de uso 
exclusivo da Psicologia que auxiliam no conhecimento da 
inteligência humana.
License-397402-37532-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Os testes de inteligência e sua 
utilidade para a Psicologia
A partir dos primeiros estudos de Binet e Simon, muitas outras 
pesquisas foram desenvolvidas com o intuito de estabelecer 
medidas que possibilitassem a mensuração mental. Assim, foram 
desenvolvidos diversos testes psicométricos visando estabelecer 
padrões e níveis de inteligência. Vamos conhecê-los?
Testando a Inteligência
Embora o ato de testar a inteligência seja louvável, cabem 
questionamentos quanto à validade e precisão dessa forma de 
teste, visto que já vimos o quão vasto pode ser o conceito de 
inteligência. O que os estudiosos dessa área demonstraram é 
que medidas nessa área não podem ser estabelecidas através 
do tudo ou do nada, mas por meio de uma classificação que 
possuagraus de exatidão.
E quais testes foram desenvolvidos nesse sentido?
Existem diversos testes que já foram desenvolvidos para essa 
área, os quais são divididos entre testes coletivos e individuais. 
Os testes individuais são os mais usados: são aqueles que exigem 
preparo e habilidades do aplicador, além dos instrumentos 
apropriados para a aplicação. Conforme já vimos, o primeiro 
teste apresentado foi o de Binet, desencadeando a construção 
de vários outros. 
E será que já chegamos a um teste “perfeito”?
Não, pois os testes que temos ainda não conseguem lidar com 
a mensuração de aptidões como a percepção, a abstração e a 
retenção de informações, demonstrando que é preciso considerar 
fatores que vão além daquilo que os testes apresentam, devendo 
complementá-los com sessões de observação e discussão.
Observe a figura a seguir, que nos mostra que é preciso 
questionar: será que é possível mensurar as aptidões de cada 
um?
License-397402-37532-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: ESB Professional, Shutterstock.
Os testes de inteligência visam 
mensurar as capacidades intelectuais 
da pessoa como forma de contribuir 
para o psicodiagnóstico. 
Os principais testes psicológicos
Apresentaremos, a seguir, os principais testes dos quais a 
Psicologia faz uso com o objetivo de mensurar os níveis de 
inteligência e contribuir para um atendimento especial de acordo 
com as demandas apresentadas.
Lembre-se de que apenas psicólogos 
podem aplicar os seguintes testes, que 
são diferentes de testes aplicados em 
revistas ou sites. 
License-397402-37532-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
O primeiro teste que conheceremos é a Escala de Maturidade 
Mental Colúmbia, que se trata de uma escala de aplicação 
individual que permite estimular a habilidade intelectual de 
crianças de 3 a 12 anos através da resposta a 100 itens contidos 
em cartões. Esses cartões apresentam vários desenhos, sendo 
que um se difere dos demais. A criança, portanto, deve apontar 
qual é aquele desenho que não combina. De acordo com o 
resultado do gabarito, é possível estabelecer uma classe de QI 
da criança.
Vamos a mais um teste?
Agora é a vez do Teste de matrizes progressivas de Raven, que 
também busca avaliar a capacidade intelectual geral através 
de três escalas: a Geral, voltada para adolescentes a partir de 
12 anos e adultos; a Especial, destinada à avaliação de crianças 
de 5 a 11 anos, de deficientes intelectuais e de crianças com 
sérias dificuldades de linguagem e audição; e a Avançada, que 
é destinada para a avaliação de pessoas de 17 a 63 anos, que 
supostamente possuem um nível mental superior. O teste é 
composto por 60 itens, divididos em cinco séries com 12 itens 
cada. Nesse teste, cada item possui uma matriz composta 
por figuras geométricas e uma lacuna em branco que será 
completada com uma das opções que estão abaixo da matriz. 
Essa escala visa avaliar a capacidade intelectual geral, além de 
fornecer informações sobre as operações mentais que estão 
sendo empregadas para a resolução dos itens.
O último teste que estudaremos é a Escala Wechsler para 
crianças (WISC), que tem como objetivo medir as capacidades 
intelectuais de forma objetiva, descobrindo o que a criança é 
capaz de fazer com as informações e experiências obtidas ao 
longo de seu desenvolvimento. Esse teste também ainda se 
apresenta em duas versões: uma para adultos, o WAIS III; e uma 
versão abreviada, que é chamada de WAIS I. Assim, o teste é 
composto por atividades que buscam fornecer problemas 
através de 12 subtestes que a criança deve procurar resolver. Os 
resultados fornecem informações que são capazes de analisar os 
itens contidos em cada um dos seguintes subtestes: informação, 
compreensão, aritmética, números, vocabulário, semelhanças, 
arranjo de figuras, completar figuras, cubos, código, armar 
objetos e labirinto.
License-397402-37532-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Mas será que esses são os únicos testes existentes?
Não! Além desses testes tratados aqui, há outros testes psicológicos 
voltados para a atenção, percepção, memória, aptidão, 
interesses profissionais, personalidade, tipos psicológicos, etc. 
Esses testes, juntamente com os de inteligência, podem ajudar 
o profissional numa avaliação psicodiagnóstica mais completa, 
complementando as ferramentas de entrevista e observação 
que temos para formar um psicodiagnóstico completo. 
A importância social dos testes
Assim como existem divergências sobre o significado da palavra 
inteligência, também existem grupos de estudiosos que apoiam 
e outros que são contra a aplicação de testes como forma de 
mensurar a inteligência. A oposição a essas mensurações pode 
ocorrer devido à ênfase na competição que esses testes podem 
gerar, além de uma seleção por meritocracia. 
Mas será que isso é ruim?
Sob alguns pontos de vista, sim. Afinal, conforme já abordamos, 
os testes psicométricos não conseguem controlar todas as 
variáveis, podendo não representar numericamente todas as 
habilidades de uma pessoa, que pode ser taxada de acordo com 
seus resultados, acarretando consequências negativas para o 
seu futuro.
Isso quer dizer que os testes não deveriam ser aplicados?
Não! Apesar dos pontos negativos, os testes de inteligência 
podem ser, sim, um recurso eficiente para o auxílio no tratamento 
das pessoas, mas não podem ser o único instrumento-base 
para esse tratamento. Em outras palavras, os testes devem ser 
considerados um recurso que contribui para conhecer melhor 
uma pessoa.
A figura a seguir simboliza os testes como uma ferramenta de 
ajuda.
License-397402-37532-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: Olly, Shutterstock, 2018.
Outro ponto que salientamos é a impossibilidade de um teste 
de inteligência ser universal, visto que as formas de educação 
variam muito de acordo com a cultura e tradição de cada país. 
Com isso, é necessário que os testes sejam adaptados para a 
realidade local e validados por meio de experimentos que 
demonstrem que eles são efetivos dentro do país.
Clique na figura para assistir ao vídeo
License-397402-37532-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Os testes psicológicos são mais um tipo 
de instrumento para a construção do 
psicodiagnóstico, e não uma forma de 
determinar as capacidades de alguém. 
Conforme visto nos conteúdos até aqui, observa-se que é por 
meio da Psicologia que se tem acesso à inteligência humana, sua 
medição, seus parâmetros e suas aplicações individualmente 
pelas pessoas. E, no meio organizacional, isso não é diferente. As 
empresas são dotadas de diversos tipos de colaboradores, cada 
um com inteligências diferentes que, aplicadas às situações 
empresariais, resultam em processos operacionais produtivos, 
ou não. Então, o domínio da Psicologia e de suas aplicações se 
faz necessário nas empresas, principalmente pelas pessoas que 
atuam nos setores de Recursos Humanos (RH) e também pelos 
gestores de modo geral. Pelo lado das pessoas de RH, diversos 
processos internos que envolvem a inteligência humana são 
facilitados e, por consequência, envolvem também a Psicologia. 
Pelo lado dos gestores, estes podem se utilizar melhor da 
capacidade dos colaboradores, na medida em que têm o 
conhecimento da inteligência de cada um.
Perceba, portanto, que os testes psicológicos podem ser 
ferramentas úteis para a complementação de resultados 
de processos de seleção, avaliação de desempenho, 
desenvolvimento de carreiras, etc. Afinal, trata-se de um recurso 
que, se utilizado com critérios, pode contribuir para identificar 
as potencialidades das pessoas. Dessa forma, é possível fazer 
uso dessas habilidades visando ao desenvolvimento da empresa 
e profissional do indivíduo, caracterizando-se numa aplicação 
prática da psicologia às organizações. 
License-501040-33294-0-0
PSICOLOGIA 
APLICADA
Conhecendo as Inteligências 
Múltiplas e a Inteligência Emocional 
Introdução
Seja bem-vindo (a) a mais uma unidade de Psicologia Aplicada! 
Nesta unidade, veremos dois grandes autores que se 
aprofundaram no tema da inteligência:Howard Gadner e Daniel 
Goleman. Você sabia que existem tipos diferentes de inteligência 
e diversas técnicas para estimular o aprimoramento delas?
Veremos aqui como Gadner criou o conceito de “Inteligências 
múltiplas”, bem como os seus tipos e diferenças nas habilidades. 
Além disso, abordaremos também a Inteligência Emocional, 
criada por Goleman e como se aplicam seus principais conceitos. 
Bom estudo!
License-501040-29634-0-0
PSICOLOGIA 
APLICADA
Atividade Avaliativa
Aplicação 
Nesta unidade, vimos duas grandes teorias a respeito da 
inteligência e as suas possibilidades de manifestação. Vimos 
a teoria de Howard Gadner das Inteligências Múltiplas, 
apontando que existem seis habilidades básicas: inteligência 
linguística; musical; lógico-matemática; espacial; corporal-
cinestésica; e pessoais (interpessoal e intrapessoal). As pessoas 
se destacam dentro dessas possibilidades, representando de 
formas diferentes suas inteligências e a forma como elas podem 
contribuir para a sociedade. 
Em seguida, vimos a inteligência emocional de Daniel 
Goleman, na qual ele considera cinco habilidades básicas: a 
autoconsciência; a automotivação; o autocontrole; a empatia; 
e a sociabilidade. Essas capacidades se relacionam às nossas 
emoções, que devem ser também consideradas ao tratarmos 
da questão intelectual. 
Diante disso, propomos aqui um exercício de autoconhecimento, 
a fim de se aprofundar um pouco mais quanto às possibilidades 
de inteligência. 
Etapas da atividade 
I. Faça uma releitura das descrições das habilidades básicas, 
tanto das inteligências múltiplas quanto da inteligência 
emocional. 
II. Faça uma reflexão crítica de qual habilidade você acredita 
que mais se manifesta em você em cada uma das teorias. 
III. Aponte duas atividades que você faz em seu ambiente de 
trabalho que você acredita que são facilitadas devido às suas 
habilidades. 
License-501040-29632-0-0
PSICOLOGIA 
APLICADA
Critérios de Avaliação
Para que você possa se autoavaliar, deverá analisar alguns 
aspectos de sua atividade. Na sequência, conheça quais são eles.
I. Tenha em vista que não são teorias concorrentes e que elas 
podem, inclusive, complementar uma à outra na reflexão das 
capacidades. 
II. Considere essa atividade como um exercício de autorreflexão 
acerca de suas habilidades e não uma forma de padronizar 
suas capacidades. 
III. Reflita criticamente se as suas atividades são condizentes 
com aquilo que você acredita ser as suas habilidades. 
License-501040-36356-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
O que são as Inteligências Múltiplas?
O autor Howard Gadner desenvolveu sua teoria para explicar 
como funciona a inteligência humana, além de identificar 
os possíveis tipos de inteligência que cada um de nós possui. 
Confira a seguir!
O que constitui uma inteligência
Gadner introduz a questão da inteligência afirmando que diante 
das visões mais tradicionais, trata-se de uma capacidade que 
temos para resolver problemas ou elaborar produtos que são 
importantes em uma determinada área. 
Essa inteligência pode ser aferida operacionalmente por meio 
da capacidade de responder determinados itens em testes de 
inteligência. A partir dos resultados, é possível fazer inferências 
de acordo com dados estatísticos que comparam as respostas 
de indivíduos diferentes, estabelecendo uma correlação entre a 
noção da pessoa avaliada e dos resultados anteriormente obtidos. 
Assim, é possível mensurar a capacidade intelectual de uma 
pessoa, bem como as habilidades que ela possui.
A figura a seguir simboliza as habilidades e capacidade 
intelectual de uma pessoa.
Fonte: Ollyy, Shutterstock, 2018.
License-501040-36356-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
A teoria das inteligências múltiplas, que veremos mais adiante, 
se refere justamente a essas competências intelectuais que 
cada um nós temos, e como elas influenciam na forma como 
resolvemos os problemas apresentados.
Clique na figura para assistir ao vídeo
Gadner ainda afirma que mesmo com todas as tentativas de 
definir “inteligência”, até hoje a ciência ainda não conseguiu 
uma resposta completamente correta e final. Não existe uma 
teoria que consiga explicar de forma completa o funcionamento 
do cérebro humano e todas as capacidades intelectuais que 
ele pode desenvolver. Dessa forma, o que temos são teorias 
buscando compreender minimamente essas aptidões.
O autor apresenta, em sua teoria, sete habilidades que ele 
considera principais, mas enfatiza que não é possível criar uma 
lista única e universal de inteligências humanas. Jamais haverá 
uma abordagem que contemple todas essas capacidades e que 
seja endossada por todos os estudiosos da área. 
Assim, Gadner deixa claro que seu foco está em nível de 
análise basicamente neurofisiológico, abordando os níveis 
intelectuais que as pessoas podem alcançar nos estudos em 
uma universidade.
License-501040-36356-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
A ciência ainda não apresentou uma 
teoria completa sobre a inteligência. 
As teorias atuais buscam englobar o 
máximo possível de possibilidades. 
Pré-requisitos e critérios de uma inteligência
Gadner ainda estabelece a existência de alguns pré-requisitos 
e critérios para definir as competências intelectuais. O autor 
aponta que cada competência deve apresentar um conjunto 
de habilidades que capacitem o indivíduo para a resolução dos 
problemas que ele encontrar, e, quando possível, que o levem a 
criar um produto eficaz com essas resoluções. 
Além disso, o indivíduo deve ser capaz de apresentar o potencial 
para encontrar ou criar novos problemas, assegurando que 
os novos conhecimentos tenham continuidade. Acompanhe a 
figura a seguir.
Conjunto
de
habilidades 
Criação de
novos
produtos
Criação de
novos
problemas 
Esses pré-requisitos são uma forma de assegurar que cada uma 
das inteligências humanas seja genuinamente útil e importante 
para determinados cenários culturais. Lembrando que esses 
pré-requisitos não desqualificam determinadas capacidades, 
eles apenas definem a história de cada habilidade que se torna 
importante para uma determinada população que se envolve 
com a temática. 
Quer um exemplo? Pense em uma pessoa que possui grandes 
habilidades na inteligência musical. Não necessariamente seus 
conhecimentos serão úteis para cientistas que estudam questões 
matemáticas, certo? Essas habilidades têm sua importância 
License-501040-36356-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
para uma determinada classe que estuda e se aprofunda dentro 
daquele tema.
Gadner salienta que a lista de inteligências essenciais — as 
quais veremos posteriormente — não é algo exaustivo, mas que, 
para ele, contempla a maioria dos temas e não deixa lacunas 
óbvias, ou seja, contempla a maioria dos papéis e habilidades 
valorizados pelas culturas humanas. Dessa forma, outro pré-
requisito que ele apresenta é a necessidade da teoria sustentar 
uma gama razoavelmente completa de tipos de competências, 
buscando englobar a maior parte da população.
Além desses pré-requisitos, Gadner apresenta alguns critérios 
estabelecidos por ele mesmo como forma de validar uma teoria 
sobre inteligência. Segundo ele, existem alguns sinais mínimos 
para que as habilidades sejam determinadas e aceitas pela 
comunidade de estudos sobre inteligência. Vejamos.
Isolamento potencial por dano cerebral: é preciso considerar os casos em que lesões cerebrais 
em uma determinada área têm consequências para certas habilidades. Dessa forma, casos que 
apresentem essas condições não devem ser considerados ao se formatar as habilidades de uma 
competência específica.
A existência de prodígios e outros indivíduos excepcionais: assim como o dano cerebral, a 
descoberta de sujeitos que possuem um perfil altamente diferente das habilidades comuns 
também deve ser desconsiderada. Esses sujeitos caracterizam um grupo que não condiz com os 
formatos esperados pelas habilidades, podendo, inclusive, aumentar ou diminuir as expectativas 
intelectuais de determinada população.
Conjunto de operações identificáveis:vê-se necessário mecanismos de processamento de 
informações que sejam capazes de identificar a competência que se destaca. Essas operações 
servem como forma de provar a eficácia da teoria e garantir que a habilidade seja claramente 
identificada. 
Uma história evolutiva identificada: cada habilidade deve possuir uma história por meio da qual 
os indivíduos possam se identificar. Essa história evolutiva se torna especialmente importante 
para os profissionais da educação, como forma de estudar as origens de cada uma das 
competências. 
Uso de testes experimentais e psicométricos: o uso de testes psicológicos que mensuram as 
capacidades intelectuais também são essenciais para a definição das habilidades. Eles são 
uma forma de assegurar as características de cada uma e demonstrar como cada habilidade 
específica pode interagir com a execução das tarefas. 
Representação em um sistema simbólico: é necessário que a teoria embase cada uma das 
competências em um sistema simbólico próprio que a representa, como forma de manter-se 
única dentro da cultura.
License-501040-36356-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Para que uma competência seja 
considerada como uma forma de 
representação da inteligência, é 
necessário cumprir todos os critérios e 
pré-requisitos.
A ideia das Inteligências Múltiplas
O Quociente Intelectual (QI) foi, por muito tempo, a forma mais 
eficaz de se avaliar as capacidades intelectuais das pessoas. 
Trata-se de um número que vincula a pessoa a uma limitada 
capacidade e que muitas vezes exerce um considerável efeito 
sobre o seu futuro.
Gadner, entre outros estudiosos, não se mostrou satisfeito com 
essa forma de avaliação, alegando que deveria haver mais formas 
de se mensurar e entender a inteligência do que simplesmente 
por meio de respostas a perguntas curtas padronizadas.
Pense em um adolescente iraniano que tem domínio da língua 
árabe e já memorizou o Corão, e considere um adolescente 
brasileiro estudante de música, que começou a compor suas 
obras musicais. Certamente em um teste padronizado de QI esses 
adolescentes poderiam até possuir os mesmos escores, porém 
o que os diferencia são suas diferentes habilidades. Talvez o 
adolescente brasileiro não seja tão bom no domínio da linguagem, 
mas se destaca no uso de instrumentos musicais, demonstrando 
que seu potencial é diferente, mas não necessariamente inferior 
ao outro.
Gadner apresentou sua Teoria das Inteligências Múltiplas e 
desafiou essa visão clássica de inteligência. O autor propõe uma 
visão pluralista da mente, e reconhece que existem diferentes 
facetas para a cognição que podem ser diferentes e até 
contrastantes. A figura a seguir representa diferentes indivíduos, 
fazendo uma analogia às inteligências múltiplas.
License-501040-36356-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: alphaspirit, Shutterstock, 2018. (traduzida)
A ideia das inteligências múltiplas se baseia em duas posições 
para sustentar essa capacidade de que cada um pode se 
destacar em habilidades diferentes. A primeira é que nem 
todas as pessoas possuem os mesmos interesses e nem todos 
apreendem da mesma maneira. Já a segunda é a suposição de 
que ninguém atualmente pode apreender tudo o que há para 
ser apreendido. 
Consequentemente, a escolha por determinadas áreas que são 
de nosso interesse é inevitável, fazendo com que procuremos as 
áreas nas quais apresentamos mais facilidade de apreensão.
As inteligências múltiplas são uma 
pluralidade de possibilidades 
de expressão das capacidades 
intelectuais, indo além dos padrões 
estabelecidos.
License-501040-33302-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Os seus tipos
Gadner, ao construir sua teoria, estabeleceu sete competências 
básicas, buscando englobar as formas de inteligências mais 
comuns nas pessoas. Vamos conhecê-las? Siga em frente!
A Inteligência Linguística e a Inteligência Musical
Para começarmos nossos estudos sobre os tipos de inteligência, 
acompanhe uma figura que ilustra quais são esses tipos.
Linguística
Musical
Espacial
Corporal-
cinestésica
Pessoal
Lógico-
matemática
A primeira inteligência que Gadner apresenta é a capacidade 
linguística. Ele exemplifica essa competência com a história de 
um jovem poeta britânico que se correspondia com seu mentor 
por meio de cartas. Essa correspondência continha poemas 
e demonstrava os processos de pensamento de um poeta ao 
compor. 
License-501040-33302-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Em suas cartas, ele demonstrava a frequente agonia e cuidado 
ao encontrar a palavra mais adequada para o momento. É nesse 
cuidado que vemos a manifestação da inteligência linguística, 
um funcionamento excepcional das operações centrais da 
linguagem. Trata-se de uma sensibilidade em relação ao 
significado das palavras, por meio da identificação de sutis 
nuances, como saber identificar qual termo expressa da forma 
melhor possível aquilo que se deseja comunicar.
A maioria de nós, contudo, não é poeta. Ainda assim, temos em 
alguma medida essa sensibilidade. A competência linguística 
é a capacidade intelectual mais ampla e democrática entre as 
pessoas, justamente porque, em algum grau, todos a possuímos.
Salientamos que o dom da linguagem é universal e o seu 
desenvolvimento nas crianças é constante, até mesmo em 
crianças surdas, em que uma linguagem manual é desenvolvida 
como forma de comunicação. Uma pessoa que possui danos 
nessa área da inteligência pode compreender palavras e frases 
bem, e ainda assim ter dificuldades de se expressar, mesmo que 
outros processos de pensamento permaneçam inalterados.
A habilidade linguística é a capacidade 
mais usada por todos nós, pois fazemos 
uso da linguagem diariamente para 
nos comunicarmos.
A segunda capacidade apresentada por Gadner é a inteligência 
musical que, segundo ele, engloba o talento que pode surgir 
mais cedo em um indivíduo. Essa manifestação precoce, contudo, 
representa apenas o início de um processo de amadurecimento 
da habilidade, visto que a tendência é que essas pessoas atinjam 
um elevado grau de competência musical, como ilustra a figura 
a seguir.
License-501040-33302-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: Phovoir, Shutterstock, 2018.
Um exemplo dessa capacidade musical é o renomado pianista 
contemporâneo Arthur Rubinstein. Ele, quando criança, amava 
todos os tipos de sons, inclusive sirenes de fábricas e o canto 
dos vendedores de sorvete, mesmo vindo de uma família na qual 
ninguém tinha esse tipo de predisposição. Aos três anos, seus 
pais compraram um piano para que as crianças mais velhas da 
família tivessem aulas, e, desde essa idade, sua capacidade se 
destacava.
Mesmo que a capacidade musical não seja tipicamente 
considerada uma capacidade intelectual, há evidências que 
apoiam essa habilidade como uma inteligência, visto que ela 
cumpre os critérios estabelecidos pelo autor.
License-501040-33302-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
A Inteligência Lógico-matemática 
e a Inteligência Espacial
A inteligência lógico-matemática é a terceira competência 
que Gadner apresenta e, em contraste com as capacidades 
linguísticas e musicais, não tem origem em questões auditivas ou 
orais, mas no confronto com o mundo dos objetos. É confrontando, 
ordenando, reordenando e avaliando objetos que a criança inicia 
o desenvolvimento dessa habilidade.
Podemos observar que, desde bebê, a criança explora objetos 
à sua volta (chocalhos, chupetas, móbiles, etc.), vindo a formar 
expectativas de como esses objetos se comportam. Com seu 
desenvolvimento, ela começa a desenvolver a capacidade de 
agrupar esses objetos e entender que eles possuem propriedades 
em comum. A partir de então, ela começa a desenvolver 
suas habilidades, compreendendo quantidades, tamanhos e 
distâncias.
Perceba que diferentemente da capacidade linguística, a 
capacidade matemática se restringe a alguns poucos indivíduos, 
fazendo de nós, a maioria da população, apenas admiradores de 
suas ideias e trabalhos. O que os especialistas da área afirmam 
é que a capacidade de seguir as cadeias de raciocíniojá 
estabelecidas não é tão difícil, porém a capacidade de inventar 
uma nova matemática significativa é muito rara. 
A capacidade lógico-matemática é, juntamente com a linguagem, 
a principal base para os testes de QI, sendo considerada 
popularmente como a representação da “inteligência pura”. 
Cientistas bem-sucedidos nessa área são aqueles que possuem a 
capacidade de resolver problemas lógicos surpreendentemente 
rápido e lidar com muitas variáveis ao mesmo tempo, criando 
numerosas hipóteses, que, depois de testadas, são aceitas ou 
refutadas. A imagem a seguir representa essa capacidade. 
License-501040-33302-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: Gajus, Shutterstock, 2018.
A quarta competência estabelecida por Gadner é a inteligência 
espacial, que corresponde à capacidade de resolver problemas 
espaciais, tais como as pessoas que trabalham com mapas ou 
até mesmo os jogadores de xadrez. Para entender melhor a 
capacidade espacial, imagine a seguinte situação: um homem e 
uma menina iniciam uma caminhada juntos com o pé esquerdo, 
mas a menina caminha três passos no período que o homem 
caminha dois. Em que ponto ambos levantarão o pé esquerdo 
do chão simultaneamente?.
Assim, vemos que a operação mais elementar da inteligência 
espacial está na capacidade de perceber uma forma ou 
um objeto. São essenciais para a inteligência espacial as 
capacidades de perceber o mundo visual com precisão, 
efetuar transformações e modificações sobre as percepções 
iniciais e ser capaz de recriar aspectos da experiência visual.
Por meio das populações cegas, conseguimos distinguir 
claramente a inteligência espacial e a percepção visual. Uma 
pessoa incapaz de perceber o mundo visualmente ainda pode 
reconhecer formas por métodos indiretos, como o toque, 
License-501040-33302-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
percebendo formatos e outras características. Faz-se, inclusive, 
uma analogia entre o raciocínio espacial do cego e o raciocínio 
linguístico do surdo.
Com a inteligência espacial, 
conseguimos nos localizar dentro dos 
espaços que ocupamos e identificar 
fatores como formas, distâncias e 
quantidades.
A Inteligência Corporal-cinestésica e as 
Inteligências Pessoais 
A quinta competência construída por Gadner é a inteligência 
corporal-cinestésica. Para entendê-la, apresentamos um 
exemplo: um jovem arrasta uma pesada mala dentro de um trem 
até localizar seu assento, quando o trem adquire velocidade, ele 
é jogado para os lados até conseguir se estabilizar. Após algum 
tempo, ele tira de sua maleta uma garrafa de café e um copo, 
no entanto, com o balançar do trem, ele derrama todo o líquido 
em sua roupa. 
Essa cena até poderia ser algo rotineiro em nossas vidas, mas 
se refere à performance de mímica do grande artista Marcel 
Marceau. Cabe a um mímico representar uma pessoa ou um 
objeto de forma caricata e engenhosa, fazendo com que a 
descrição seja facilmente reconhecida por qualquer um.
Portanto, a habilidade aqui retratada, ilustrada pela imagem a 
seguir, se refere às capacidades que dançarinos, nadadores, 
jogadores de futebol ou artesãos: um domínio aguçado sobre 
os movimentos de seus corpos, sendo capazes de manipular 
objetos com refinamento. Pessoas com esse tipo de capacidade 
geralmente buscam harmonia entre a mente e o corpo, treinando 
a mente para usar o corpo adequadamente e o corpo para 
responder aos poderes expressivos da mente. A figura a seguir 
mostra uma pessoa que possui essas habilidades.
License-501040-33302-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: AYakovlev, Shutterstock, 2018. 
Essas habilidades corporais certamente passam por um 
desenvolvimento iniciado desde a infância. Comumente, vemos 
crianças com vocação para o futebol, para a dança, e isso 
demonstra o uso dos aspectos cognitivos de nosso corpo. Essa 
habilidade não é usada na resolução de problemas tradicionais, 
como os que são vistos em testes de QI, mas certamente as 
computações específicas exigidas, por exemplo, para fazer uma 
bola entrar no gol, fazem dessa capacidade algo que satisfaz os 
critérios de uma inteligência.
Por fim, temos as inteligências pessoais, que Gadner divide em 
duas: a inteligência interpessoal e a inteligência intrapessoal. São 
capacidades que demonstram as nossas relações com os outros.
A inteligência interpessoal se refere à capacidade de perceber 
variações em outras pessoas, em especial a percepção de 
contrastes nos estados de humor, temperamento, motivações, 
intenções, etc. Essa capacidade permite que uma pessoa 
perceba as intenções e desejos de outras pessoas, mesmo que 
elas tentem escondê-las.
License-501040-33302-0-7
PSICOLOGIA 
APLICADA
Já a inteligência intrapessoal trata dos aspectos internos da 
pessoa, ou seja, o acesso aos sentimentos e emoções de sua 
própria vida. Essa capacidade pode ser utilizada como uma 
maneira de entender e orientar o próprio comportamento. 
Uma pessoa com essa capacidade bem desenvolvida possui 
consciência do próprio eu.
Diante disso, podemos afirmar que tanto a inteligência 
interpessoal quanto a intrapessoal podem ser verificadas em 
testes de inteligência. Ambas apresentam tentativas de resolver 
problemas significativos: seja a interpessoal, que nos permite 
compreender e trabalhar com os outros; seja na intrapessoal, 
que nos permite compreender a nós mesmos.
As inteligências pessoais se referem 
a como nos relacionamos com as 
questões subjetivas internas e externas.
License-501040-36354-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
O que significam as diferenças de 
habilidades?
Diante de tantas formas de se entender a inteligência e as 
suas possibilidades, é necessário que vejamos quais são as 
implicações desse trabalho e como aplicá-lo, visando a melhora 
no desenvolvimento humano. 
A necessidade de avaliação dessas inteligências
Gadner também abordou questões como a necessidade de 
submeter as pessoas a avaliações que permitam a escolha de 
carreiras e passatempos adequados às suas habilidades. Esses 
testes também devem ser capazes de avaliar as dificuldades 
e sugerir rotas alternativas para o alcance de um objetivo 
educacional. 
Por exemplo, uma avaliação pode apontar que João tem 
dificuldades matemáticas, porém muita habilidade com relações 
espaciais. Assim, podemos criar estratégias que façam com 
que essa criança aprenda matemática por meio das relações 
espaciais.
O autor Gadner ainda enfatiza que é essencial que os sistemas 
educacionais se afastem dos testes padronizados que classificam 
os alunos em números em vez de habilidades. Esses testes, além 
de criar estigmas que podem prejudicar o futuro dessas pessoas, 
aferem somente uma pequena proporção das capacidades 
intelectuais, muitas vezes beneficiando um determinado tipo de 
habilidade e considerando-o um “saber supremo”.
Uma avaliação que considere as inteligências múltiplas deve 
fornecer problemas que possam ser resolvidos de acordo com 
os conhecimentos de cada uma das inteligências avaliadas. 
Uma avaliação matemática, por exemplo, deveria apresentar 
problemas matemáticos para serem resolvidos. Além disso, essa 
avaliação deve considerar os princípios da teoria e a capacidade 
do indivíduo de resolver problemas.
License-501040-36354-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
É preciso avaliar para identificar as 
habilidades que cada um possui, 
procurando oferecer estímulos 
que sejam condizentes com essas 
capacidades.
Um exemplo desse tipo de avaliação é o que acontece quando 
uma criança assiste a um filme complexo, em que várias 
inteligências são estimuladas: musical, pessoas interagindo, um 
enigma a ser resolvido ou uma determinada habilidade corporal. 
Diante de todas essas habilidades competindo pela atenção da 
criança, podemos questioná-la sobre quais aspectos ela prestou 
mais atenção. Geralmente, esses aspectos estarão relacionados 
ao perfil das inteligências daquela criança. A próxima figura 
retrata uma criança assistindo a um filme na televisão.
Fonte: Ivan Josifovic, Shutterstock, 2018.
Esse tipo de teste difere dos tradicionais em duasquestões. A 
primeira é o fato de eles dependerem de materiais e estratégias 
que possam criar problemas a serem resolvidos, contrastando 
com as medidas pré-estabelecidas pelos exames tradicionais. E, 
em segundo lugar, os resultados demonstram apenas parte do 
perfil de inclinações intelectuais, e não uma única classificação 
da inteligência. Acompanhe a figura a seguir.
License-501040-36354-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Testes com diversos
problemas a serem
resolvidos
Resultado das aptidões
que se destacam 
Perfil de inclinações
intelectuais
Como lidar com essa pluralidade das 
inteligências?
Diante dessa multiplicidade de inteligências, é necessário 
também que as formas de abordar e ensinar sejam embasadas 
nessas habilidades. O ideal seria que os projetos educacionais 
fossem elaborados de acordo com as competências individuais 
de cada estudante, mas, diante dessa impossibilidade, existem 
estratégias que estimulam o conhecimento por meio das 
capacidades intelectuais de cada um .
Imagine que Joana está apreendendo algum princípio 
matemático, mas não é muito dotada da inteligência lógico-
matemática, apresentando dificuldades durante o processo de 
aprendizagem. Ela não consegue acessar completamente o 
princípio matemático, justamente porque ele existe apenas no 
mundo lógico-matemático, sem ser comunicado por meio de 
outras capacidades .
Propondo uma solução para essa adversidade, Gadner defende 
que os professores devem achar rotas alternativas. No exemplo 
de Joana, o autor propõe encontrar metáforas que sirvam para 
transmitir o conteúdo matemático. Geralmente, a linguagem é 
License-501040-36354-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
a alternativa mais óbvia, mas o uso de um modelo espacial ou 
uma metáfora corporal-cinestésica talvez possa ser adequado 
também. Assim, Joana poderia traçar uma rota secundária para 
a solução do problema por meio da inteligência que se destaca 
nela.
A próxima figura demonstra uma criança em processo de 
aprendizagem.
Fonte: Monkey Business Images, Shutterstock, 2018. 
Gadner ainda enfatiza dois aspectos dessa possibilidade 
alternativa de ensino. Para ele, primeiramente deve-se considerar 
que a metáfora usada é apenas uma forma complementar e em 
algum momento o aluno terá que traduzir novamente no domínio 
da matemática, sendo, essas alternativas apenas facilitadores 
para se chegar ao produto final. E em segundo lugar, o autor afirma 
que a rota alternativa também não é completamente garantida, 
sendo apenas testes experimentais que os professores devem 
fazer não tendo como garantia também que o que funciona com 
um aluno funciona com os demais. 
License-501040-36354-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Embora a teoria das inteligências múltiplas seja consistente 
com diversas evidências, ela ainda é pouco difundida no meio 
educacional, dificultando o reconhecimento de habilidades que 
são ignoradas por não se encaixarem nos padrões já estabelecidos. 
De fato, existem diversos talentos não reconhecidos em nossa 
sociedade. 
Seria oportuno orientar as pessoas quanto ao conjunto de 
possibilidades de aptidões, reconhecendo a pluralidade das 
inteligências e as diversas maneiras de representá-las.
Não somos preparados culturalmente 
para lidar com essa diversidade de 
competências, ficando limitados aos 
padrões intelectuais já estabelecidos.
As implicações educacionais
Com todas essas questões acerca das novas possibilidades 
das inteligências múltiplas, Gadner traz as implicações que o 
uso dessa nova teoria pode ter para os sistemas educacionais. 
Deve se tornar uma preocupação dos educadores estimular 
essas novas possibilidades de talento que, muitas vezes, não são 
valorizadas no ambiente escolar. 
A primeira implicação que Gadner apresenta é a questão 
da diversidade cultural dos talentos, pois o que pode ser 
considerado algo prodigioso na China, aqui no Brasil não é visto 
assim, ou vice versa. Dessa forma, é necessário compreender 
o que são talentos desejáveis dentro da nossa cultura. Outro 
aspecto apresentado é a adoção de uma abordagem, por parte 
dos professores, que leve em conta as diferentes respostas aos 
estímulos motivacionais e cognitivos .
Devemos considerar, ainda, os modelos educacionais que são 
oferecidos às crianças, pois os professores também possuem 
formas diferentes de ensinar. É essencial selecionar profissionais 
que estejam de acordo com a direção que o ensino deve tomar.
License-501040-36354-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Clique na figura para assistir ao vídeo
Perceba, na figura a seguir, que cada criança é diferente, e o 
professor precisa levar em consideração essas diferenças na 
hora de ensinar.
Fonte: Posnyakov, Shutterstock, 2018.
License-501040-36354-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Por fim, podemos observar que discussões que envolvem 
educação e habilidades são inevitáveis em nosso contexto 
cultural, dado o fato de que, na sociedade, pode haver modelos 
contrastantes de predisposições para determinadas áreas e 
até mesmo contraditórios. Portanto, é nossa reponsabilidade 
estar preparado para receber e entender essa diversidade 
de habilidades, além de valorizá-las em prol da promoção do 
conhecimento.
Precisamos adaptar a educação para 
receber os mais diversos talentos e 
estimulá-los como forma de formar 
pessoas de sucesso no mercado de 
trabalho.
License-501040-36358-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
O que é a Inteligência Emocional?
A partir de agora, exploraremos a Inteligência Emocional criada 
por Daniel Goleman. Essa teoria revolucionária traz uma nova 
forma de entender o funcionamento da inteligência humana. 
A Inteligência Emocional de Daniel Goleman
De acordo com Goleman, a criação do conceito de Inteligência 
Emocional, ou QE, nasce da junção da neurociência com o 
estudo das emoções. Trata-se de uma forma de determinar 
nosso potencial para apreender os fundamentos do autodomínio 
e mostrar quanto potencial possuímos em cada uma de nossas 
habilidades. A QE se concentra no desempenho do trabalho 
e da liderança organizacional aliados à uma modelação das 
competências de cada sujeito.
Para esse autor, enquanto a inteligência emocional serve 
para determinar o potencial que cada um de nós possui para 
apreender os fundamentos do autodomínio, a nossa competência 
emocional mostra o quanto desse potencial dominamos, e a 
maneira para transformá-lo em capacidades profissionais. Por 
exemplo, um vendedor que lida diretamente com o público 
precisa ter uma habilidade, baseada na QE, de consciência social 
e gerenciamento de relacionamentos.
As competências emocionais são habilidades que podem 
ser apreendidas, fazendo com que a pessoa aprimore suas 
capacidades de trabalho. Assim, uma pessoa pode ser muito 
empática, mas péssima em lidar com clientes, caso ela não tenha 
desenvolvido as competências para o atendimento de clientes. 
Observe a ilustração a seguir. 
Potencial que cada 
um possui
O grau de domínio
do potencial obtido
Inteligência
Competência
License-501040-36358-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
A inteligência emocional se baseia em cinco habilidades básicas 
e interdependentes: 
a autoconsciência;
a automotivação; 
o autocontrole; 
a empatia; 
a sociabilidade. 
As três primeiras cabem ao sujeito e sua relação com os próprios 
sentimentos, enquanto que as outras se referem ao exterior, 
aos sentimentos dos outros e às interações sociais.
Diante do conceito da inteligência 
emocional, podemos perceber que as 
nossas emoções também devem ser 
consideradas nas tomadas de decisão. 
A primeira habilidade que Goleman apresenta é a autoconsciência, que 
pode ser considerada a mais importante delas, visto que ela 
abre caminhos para as demais. É por meio da autoconsciência 
que o sujeito pode perceber, distinguir e nomear os próprios 
sentimentos de forma a se reconhecer e aceitar seus estados 
emocionais. 
Já a automotivação se refere à capacidade de criar metas 
para si mesmo, com objetivos que promovam o entusiasmo e 
a persistência. Trata-se da capacidade de não permitirque os 
obstáculos impeçam a concretização desses objetivos, mantendo 
sempre um foco. 
A terceira habilidade é o autocontrole, que se relaciona à 
capacidade de administrar os sentimentos pessoais que 
possam atrapalhar a conquista das metas estipuladas. Com 
o desenvolvimento dessa habilidade, o sujeito é capaz de 
entender as adversidades que acontecem e, muitas vezes, 
conter um impulso momentâneo, visando o objetivo final.
Como quarta habilidade, e já voltada para o exterior e para 
os sentimentos dos outros, temos a empatia, que se trata da 
License-501040-36358-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
capacidade de perceber e compreender os sentimentos dos 
outros por meio de expressões não verbais (tom de voz, postura 
corporal etc. 
Por fim, a última habilidade desenvolvida por Goleman é a 
sociabilidade, sendo essa a capacidade de iniciar e manter 
relações sociais. Pessoas com essa habilidade desenvolvida 
possuem a capacidade de disseminar sentimentos positivos e 
substituir os negativos, fazendo com que os relacionamentos se 
tornem mais profundos e duradouros.
Para que servem as emoções? 
Em diversos momentos, somos tomados por diferentes emoções, 
como tristeza, alegria, medo, raiva etc. Essas emoções muitas 
vezes conduzem as nossas atitudes e sentimentos, demonstrando 
que elas são essenciais e que a espécie humana deve grande 
parte da sua existência à força que elas têm.
Goleman traz um exemplo de um incêndio em um apartamento 
no qual o pai contém o próprio instinto de sobrevivência ao 
passar pelas chamas para salvar a filha. Vemos que, ao longo 
da evolução humana, a emoção teve um papel muito forte e 
essencial em nosso psiquismo, pois quando estamos diante de 
um impasse ou de uma situação de perigo, geralmente são elas 
emoções que nos orientam.
Assim, perceba que ignorar o poder das emoções em nossas 
vidas é algo enganoso, visto que essas emoções ocupam hoje 
um peso equivalente à razão. Somente a partir do equilíbrio 
entre as duas que conseguimos tomar decisões acertadas.
License-501040-36358-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Clique na figura para assistir ao vídeo
Embora as emoções possam servir de sábios guias para as 
decisões ao longo do percurso evolucionário, sabemos que na 
sociedade em que vivemos há códigos e leis que podem ser 
interpretados como uma forma de conter, subjugar e domesticar 
as emoções humanas. A figura a seguir representa as principais 
emoções.
Fonte: Curioso, Shutterstock, 2018.
License-501040-36358-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Vemos que, diante das pressões sociais, muitas vezes somos 
levados pelas nossas paixões, deixando a razão em segundo 
plano. Isso fica muito claro nas situações em que um indivíduo 
precisa decidir sobre sua futura profissão. Muitas pessoas 
contrariam as expectativas sociais de decidir por uma profissão 
estável e rentável para procurar algo que realize sonhos. 
Podemos nos deixar levar por nossos 
instintos como uma forma de defesa ou 
por seguir nossas paixões, o que pode 
nos levar a decisões não acertadas.
A evolução humana nos moldou e continua nos moldando ao 
longo da História, de forma que ainda avaliamos as situações 
complicadas e damos respostas baseados não somente em 
nossos julgamentos racionais, mas também em nossa bagagem 
pessoal e legado ancestral. Tudo isso nos faz julgar as situações 
procurando um equilíbrio entre a razão e a emoção que 
carregamos e herdamos.
Inteligência Emocional aplicada
Todas as nossas emoções têm uma forte raiz no impulso de agir, 
portanto, conseguir controlar esses impulsos é básico para a QE. 
Manter esse controle, entretanto, pode ser algo muito difícil nas 
relações que estabelecemos ao longo da vida com nossos pais, 
parceiros, amigos etc. Todos temos a necessidade de sermos 
amados e respeitados, mas, diante do medo da perda, podemos 
agir de forma impulsiva não controlando completamente nossas 
habilidades.
Além dos relacionamentos, vemos também os benefícios que a 
inteligência emocional pode trazer para as empresas e para o 
ambiente organizacional. De acordo com Goleman, uma pesquisa 
feita na década de 1970, com 250 executivos, constatou que a 
maioria acreditava que, no trabalho, o foco deveria estar no uso 
da razão e não das emoções. Eles alegavam que temiam que 
a empatia ou a solidariedade nesse ambiente pudesse causar 
conflitos com as metas das empresas.
License-501040-36358-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Com a aplicação da inteligência 
emocional, podemos garantir que a 
nossa história de vida não seja guiada 
apenas por decisões puramente 
racionais.
Porém, atualmente, entende-se que uma nova realidade 
competitiva impõe a utilização da QE como um recurso. 
Percebeu-se, ao longo dos anos, que quando emocionalmente 
perturbadas, as pessoas produzem menos, não apreendem e 
nem tomam decisões com clareza.
Assim, a forma como utilizamos nossas emoções influencia em 
diversos aspectos das nossas vidas, seja pessoal, social e até 
profissional. Fazer uso das habilidades que podemos desenvolver 
e do controle das emoções pode contribuir na forma como 
conduzimos nossas vidas. 
License-501040-37280-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Emoção versus mente
Vimos que, para buscar a QE, devemos procurar o equilíbrio entre 
a nossa razão e emoções, certo? Muitas vezes as enxergamos 
como rivais, fazendo com que uma se sobreponha à outra, o que 
nos causa diversos problemas.
O cérebro emocional 
De acordo com Goleman, temos, na verdade, duas mentes: uma 
que raciocina e a outra que sente. Da interação entre esses dois 
modos de conhecimento surge nossa vida mental. A mente 
racional seria o modo de compreensão do que, em geral, temos 
consciência, ou seja, é a parte que nos faz pensar, ponderar e 
refletir. Já o outro sistema de conhecimento, a mente emocional, é 
impulsivo e até ilógico, sendo responsável por nossos sentimentos 
e pela forma como nós os expressamos.
Popularmente essa divisão é conhecida como as coisas do 
“coração” e as coisas da “cabeça”, como ilustra a imagem a 
seguir. Frequentemente, ouvimos pessoas afirmando que, ao ter 
certeza de algo, ela sente “dentro do coração”, atribuindo um 
sentido mais profundo ao fato.
Fonte: Sangoiri, Shutterstock, 2018. 
License-501040-37280-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Essas duas mentes operam juntas na maior parte do tempo, 
entrelaçando seus modos de conhecimento de forma a nos 
orientar em nossas decisões e atitudes. Em geral, elas caminham 
em equilíbrio, fazendo com que a emoção alimente e informe 
as operações da mente racional, e a mente racional refine e ou 
até vete a entrada das emoções. Elas são, na verdade, semi-
independentes, podendo muitas vezes surgir paixões, desfazendo 
esse equilíbrio.
Possuímos duas mentes, uma racional e 
uma emocional. O equilíbrio entre elas 
nos guia ao longo da vida.
A natureza da Inteligência Emocional 
Ao longo dos anos, diversos instrumentos que procuram medir 
a inteligência humana, como o famoso teste do QI, que nos 
apresenta uma escala de medida dos níveis de inteligência, 
foram disseminados. De fato, esses instrumentos podem sim 
determinar algumas capacidades da pessoa e até mesmo prever, 
dentro de grandes grupos, que indivíduos com altos níveis de QI 
tendem a obter excelentes empregos. 
Contudo, nem sempre isso ocorre. Há inclusive pesquisas que 
demonstram que o QI contribui com cerca de 20% dos fatores 
que podem determinar o sucesso na vida de uma pessoa, o que 
deixa os outros 80% para fatores que vão desde a classe social 
até mesmo a própria sorte.
Vemos, portanto, a importância dessas outras características 
que moldam a vida das pessoas. Destacamos a inteligência 
emocional, que aborda diversos outros fatores que influenciam 
na construção da vida do sujeito. 
A QE envolve temas que vão além da capacidade intelectual, 
abarcando a capacidade de criar motivações para si próprio e 
manter um foco apesar das adversidades do caminho, de controlar 
os impulsos e saber aguardar pela satisfação dos desejos, de 
tentar impedir que a ansiedade interfirana capacidade de 
raciocinar e de ser empático e autoconfiante.
License-501040-37280-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Goleman afirma que ainda não se pode afirmar o quanto a QE 
é responsável pela variação de pessoa para pessoa ao longo 
da vida, mas que existem dados que sugerem que esse tipo de 
inteligência pode ser tão valioso quanto o próprio QI. Além disso, 
o QI é um fator que dificilmente pode ser modificado, enquanto 
que a inteligência emocional apresenta a possibilidade do 
aprendizado, através do desenvolvimento e aprimoramento das 
aptidões.
Clique na figura para assistir ao vídeo
Outra questão que envolve o QI é que possuímos uma aptidão 
específica e esse dado é imutável. Segundo os estudiosos dessa 
área, nascemos com algum tipo de inteligência que nos destaca 
em alguma área, e somos desestimulados a desenvolver os 
outros tipos.
Além disso, há outro fator que a inteligência emocional oferece 
de diferencial: a inteligência acadêmica pode ser muito útil, 
mas não oferece preparo para as experiências que teremos ao 
longo da vida. Por mais que estudamos um determinado tema, 
dificilmente todo esse estudo nos dará preparo para enfrentar 
questões como paixões, perdas, medos etc. A QE se sobressai, 
portanto, pois ao desenvolvê-la você também desenvolve 
aptidões que podem ser decisivas para compreender e lidar 
com os acontecimentos da vida.
License-501040-37280-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
A figura a seguir simboliza a QE se sobressaindo.
Fonte: amasterphotographer, Shutterstock, 2018. 
Por fim, Goleman afirma que o QI e a QE não são capacidades que 
se opõem, mas que são distintas em sua proposta. Ao contrário 
dos testes de QI, a QE não oferece nenhum tipo de formulário 
que ateste um valor. Existem, sim, pesquisas que visam testar a 
aptidão de uma pessoa em uma determinada tarefa, buscando 
entender em quais aptidões a pessoa se destaca e quais ela 
ainda pode desenvolver. Dessa maneira, todos nós mesclamos 
o QI e a inteligência emocional em graus variados, fazendo uso 
das duas e buscando reter o melhor de cada uma em nossas 
jornadas. 
A inteligência emocional se difere 
do QI, pois considera diversos outros 
fatores externos ao buscar avaliar 
quais são as aptidões das pessoas.
License-501040-37280-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Harmonizando emoções e pensamento 
Já vimos a importância que as emoções têm em nossas vidas, 
e como o controle delas e o desenvolvimento das aptidões que 
elas nos oferecem é fundamental para o acerto nas decisões ao 
longo da vida.
A figura a seguir mostra uma pessoa ponderando entre razão e 
emoção.
Fonte: Sergey Nivens, Shutterstock, 2018. 
Devemos considerar também o poder que as emoções têm de 
perturbar nossos pensamentos. Os neurocientistas definem como 
“memória funcional” aqueles fatos que armazenamos como fatos 
essenciais para o desenvolvimento de uma determinada tarefa 
ou problema. A questão é que alguns estudos já comprovaram 
como os circuitos do sistema límbico (aquele responsável pelas 
emoções) podem ir direto para o córtex pré-frontal, local onde 
armazenamos a memória funcional. 
Isso nos leva a concluir que os sinais de fortes emoções, como 
raiva ou ansiedade, podem paralisar e sabotar a capacidade do 
cérebro de manter a memória funcional.
License-501040-37280-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Exemplos claros são as situações em que estamos emocionalmente 
perturbados e afirmamos que “não conseguimos raciocinar”. 
Isso acontece justamente porque essa perturbação emocional 
cria deficiências nas aptidões intelectuais. Pensemos também 
no papel que as emoções exercem até mesmo na mais racional 
decisão que tomamos; por mais que tentemos manter o controle, 
geralmente alguma emoção influencia de alguma forma esse 
processo.
Com isso, há diversas indicações que demonstram que os 
sentimentos geralmente são indispensáveis na tomada das 
decisões racionais. Por exemplo: “Como aplicar o dinheiro?”, 
ou “Com quem casar?”. O aprendizado que temos ao longo da 
vida, como as separações anteriores ou algum investimento 
mal sucedido, sinaliza para qual lado devemos tomar a decisão, 
fazendo com que o cérebro emocional e o cérebro pensante 
tomem essa decisão em conjunto.
Nesse sentido, temos dois cérebros e dois tipos de inteligência: 
a emocional e a racional. Nosso desempenho e sucesso ao longo 
da vida depende da forma como essas duas inteligências se 
comunicam e se manifestam. As emoções são importantes para 
a racionalidade e vice versa, de forma que o emocional muitas 
vezes guia nossas decisões, enquanto que o próprio pensamento 
desempenha a função de administrar essas emoções, fazendo 
com elas não dominem nossos desejos.
Acompanhe, na figura a seguir, como as decisões acertadas são 
tomadas.
Uso da
razão
Uso da
emoção 
Decisões
acertadas 
License-501040-37280-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
As decisões acertadas podem ser mais 
garantidas quando não sobrepomos 
nem o sentimento, nem a razão, 
fazendo os dois caminharem juntos.
Lembrando que não é que queiramos eliminar um ou outro, 
ou colocá-los como antagonistas, mas procurar a harmonia 
entre eles, de forma que possamos usá-los em nosso benefício, 
caminhando juntos e usando inteligentemente a emoção.
License-501040-33306-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Inteligência versus empatia
Muitas vezes, pensamos que manifestar as nossas emoções 
pode ser uma forma menos inteligente de viver. Mas, como já 
vimos, as emoções quando usadas de forma correta podem nos 
ajudar nas relações interpessoais. E uma das principais aptidões 
da inteligência emocional trata da capacidade de exercer a 
empatia. 
As aptidões da Inteligência Emocional 
Goleman elabora, como forma de explicar a inteligência emocional, 
cinco principais aptidões, demonstrando que a inteligência pode 
ir além das habilidades intelectuais que conhecemos. Lembra 
quais são elas? Então veja a seguir, começando pela figura.
Autoconsciência
AutocontroleSociabilidade
Empatia Automotivação
License-501040-33306-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
1
Conhecer as próprias emoções: também nomeada por autoconsciência, trata-
se da capacidade de reconhecer um sentimento. É fundamental controlar nossos 
sentimentos, como forma de discernimento emocional e para a autocompreensão. 
Quando não desenvolvemos essa capacidade, podemos ficar à mercê de nossos 
sentimentos, justamente porque não conseguimos identificá-los, o que atrapalha as 
decisões pessoais.
2
Lidar com emoções: além de conhecer os nossos próprios sentimentos, precisamos 
também lidar com eles e eliminar aqueles que nos atrapalham, como a ansiedade, 
a tristeza ou irritabilidade, etc. São sentimentos que nos incapacitam e, como 
consequência, promovem um fracasso emocional. É preciso, portanto, desenvolver 
essa aptidão como forma de conseguir se recuperar mais rapidamente daquilo que 
pode perturbar sua vida. 
3
Motivar-se: colocar as emoções a serviço da razão é uma meta essencial, que devemos 
promover como forma de automotivação. Saber adiar a satisfação e a impulsividade 
está por trás de qualquer tipo de realização. Além disso, é preciso também manter-se 
focado no objetivo, mesmo com as eventuais adversidades. A figura a seguir representa 
uma pessoa focada em seu objetivo.
Fonte: Dan Kosmayer, Shutterstock, 2018. 
License-501040-33306-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
4
Reconhecer emoções nos outros: trata-se da empatia. É a aptidão pessoal fundamental, 
e é por meio dela que conseguimos nos sintonizar com as outras pessoas, e até com os 
mais sutis sinais do mundo externo. Ela faz com que sejamos capazes de compreender 
o que os outros precisam ou o que querem. 
5
Lidar com relacionamentos: relacionar-se com outras pessoas se torna uma arte e uma 
aptidão em que precisamos lidar com as emoções. Com essa aptidão, determinamos a 
popularidade, capacidade de liderança e a eficiência interpessoal, o que nos capacita 
para interagir com os outros de forma habilidosa.
Cada um de nós difere nas aptidões que possuímos e em suas 
intensidades. Por exemplo,você pode conhecer uma pessoa 
muito hábil em lidar com a própria ansiedade, aparentando ser 
uma pessoa calma, mas que não é boa em entender os problemas 
de outra pessoa. Possuímos tendências para algumas aptidões, 
mas o que difere a QE das outras formas de inteligência é que, 
por meio de um conjunto de hábitos e respostas e com a prática, 
elas podem ser aprimoradas.
Essas aptidões, diferente das 
que são estabelecidas por testes 
convencionais, podem ser apreendidas 
e desenvolvidas ao longo da vida.
As origens da empatia
Como você já deve saber, a empatia é a capacidade de entender 
e se reconhecer nos sentimentos das outras pessoas. Essa 
capacidade é alimentada pelo autoconhecimento, e quanto mais 
consciente estivermos de nossos sentimentos, mais capazes de 
entender o sentimento alheio estaremos.
Essa capacidade se torna importante em diversos aspectos de 
nossas vidas, seja nas práticas comerciais, buscando entender 
o que o cliente precisa ou deseja, seja em um relacionamento, 
procurando compreender as razões da demonstração de 
determinados sentimentos, como o ciúme, por exemplo.
Raramente conseguimos expressar nossas emoções por meio 
de palavras, de forma que nos façamos compreensíveis, mas 
com muita frequência elas são de formas não verbais. Portanto, 
o segredo para tentar entender o que a outra pessoa sente está 
License-501040-33306-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
na capacidade de interpretar sinais como o tom do voz, gestos, 
expressão facial etc. 
Assim como a forma mais conhecida de expressão da mente 
racional é a palavra, a demonstração dos sentimentos acontece 
principalmente de forma não verbal, representando cerca 
de 90% das mensagens emocionais que uma pessoa pode 
demonstrar. Essas mensagens, tais como ansiedade no tom de 
voz ou irritação, geralmente são aceitas inconscientemente, 
sem que consigamos dar a devida atenção para seu conteúdo 
ou significado. Logo, a empatia se desenvolve quando somos 
capazes de entender e reconhecer essas mensagens como 
forma de ajudar as pessoas que as emitem. 
Veja um exemplo disso na figura a seguir.
Fonte: fizkes, Shutterstock, 2018. 
Goleman apresenta pesquisas que demonstram que a empatia 
se desenvolve no ser humano desde a infância. Segundo o autor, 
ao observar uma criança de dois anos de idade cair e começar 
a chorar, outra criança com a mesma idade se mostra aflita 
License-501040-33306-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
e busca um urso de pelúcia como forma de sanar o choro da 
criança machucada. Estudos revelam que a partir dos dois anos, 
as crianças começam a perceber que os sentimentos dos outros 
não são os seus, e com isso se tornam mais sensíveis aos indícios 
que demonstram o que os outros estão sentindo. 
Com isso, percebemos que a empatia é uma aptidão que, em 
algum grau, todos nós possuímos e demonstramos. Porém, como 
todas as outras aptidões da QE, o que a diferencia é a forma 
como aprimoramos e manifestamos essa capacidade. A empatia 
é essencial tanto para as relações profissionais quanto para as 
pessoais e sociais, facilitando, inclusive, entender e reconhecer 
os próprios sentimentos.
A empatia se manifesta na sutileza de 
entender os gestos não verbais que as 
pessoas demonstram e compreender 
seus sentimentos, desejos ou 
necessidades.
A arte de viver em sociedade
Goleman diz que para que entremos em sintonia com o outro, 
precisamos ter calma e controlar nossas próprias emoções, 
como forma de compreender os sentimentos alheios. A paciência 
também é uma demonstração de empatia, visto que dessa 
forma é possível manter uma relação mais eficaz com o outro, 
priorizando naquele momento as necessidades da outra pessoa. 
Assim, para a prática dessa arte de se relacionar com outras 
pessoas, é preciso o amadurecimento de duas outras aptidões: o 
autocontrole e a empatia. Só assim torna-se mais fácil viver em 
sociedade e amadurecer as aptidões pessoais, o que nos permite 
moldar um relacionamento, inspirar, convencer e influenciar os 
outros, deixando-os à vontade.
License-501040-33306-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
No entanto, para um bom convívio em sociedade, é necessário 
controlar a forma como expressamos nossos sentimentos 
dentro dos ambientes. A demonstração de nossas emoções 
trazem diferentes impactos para as pessoas, que por meio de 
determinadas regras já existentes, conseguem entender o que 
queremos expressar. 
É consenso dentro da sociedade, por exemplo, que quando 
damos um abraço em alguém estamos procurando uma forma 
de demonstrar afeto e apreço pela pessoa.
Seguimos essas regras que fazem com que os sentimentos 
sejam reconhecidos facilmente, o que gera um impacto ideal 
dentro da sociedade. Usar essas regras de forma inadequada 
pode implicar uma forte devastação emocional, como aqueles 
que usam do afeto para conseguir algo de seu interesse. 
Veja, na figura a seguir, que a união entre as pessoas é muito 
importante.
Fonte: ESB Professional, Shutterstock, 2018. 
License-501040-33306-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Essas normas chegam até nós como um manual de boas maneiras 
sociais, as quais ditam nossos sentimentos e se refletem em 
outras pessoas. Reconhecemos também que apreendemos ao 
longo da vida e de nossas experiências as lições acerca dessas 
normas, e levamos os modelos que recebemos para o nosso 
cotidiano.
O domínio das teorias desses dois autores (Gardner e Goleman) 
por parte dos estudantes pode trazer-lhes contribuições 
altamente benéficas, seja na esfera pessoal, seja na esfera 
profissional. Na esfera pessoal, sabe-se que todo aquele que 
conhece bem a si próprio enfrenta menos problemas do que 
aquele que não desenvolveu essa capacidade. Já na esfera 
profissional, encontramos um vasto campo de aplicação das 
teorias, principalmente na gestão de pessoas de uma organização.
Para um bom convívio em sociedade, 
determinadas normas estabelecem 
como manifestamos nossos 
sentimentos e como as pessoas podem 
compreendê-los.
License-383754-30154-0-0
PSICOLOGIA 
APLICADA
Atividade Avaliativa
Aplicação 
O papel da liderança dentro de uma organização é algo essencial 
para o desenvolvimento das tarefas, visto que essa pessoa se 
torna uma grande referência na forma como os processos de 
trabalho serão conduzidos.
Existem diversos tipos de liderança e diversas formas de 
desempenhar essa atividade. Conhecemos as três principais 
(autoritária, transformacional e laissez-faire), além de suas 
principais características e formas de conduta na busca pelo 
objetivo maior da empresa. 
Diante desses tipos, vamos desenvolver um exercício prático 
tendo como base o seu ambiente de trabalho e o líder direto 
que orienta suas atividades. 
Etapas da atividade 
I. Entreviste sua gerência, ou, caso não trabalhe em uma 
empresa, a liderança de alguma organização. Busque 
entender quais são os recursos que o líder utiliza para fazer 
com que o grupo desempenhe as tarefas de acordo com o 
que é esperado pela empresa. 
II. Tente identificar em qual dos tipos de liderança ele melhor se 
encaixa. 
III. Aponte exemplos que evidenciem essas características. 
License-383754-30156-0-0
PSICOLOGIA 
APLICADA
Critérios de Avaliação
Para que você possa se autoavaliar, deverá analisar alguns 
aspectos de sua atividade. Na sequência, conheça quais são eles.
I. Quais as vantagens e desvantagens que você percebe nesse 
tipo de liderança? 
II. Você acredita que a liderança entrevistada representa a 
formação de um grupo ou uma equipe de trabalho? 
III. Se você fosse o líder, quais aspectos você manteria e o que 
faria de diferente quanto à forma de conduzir o grupo? 
License-383754-30160-0-0
PSICOLOGIA 
APLICADA
Psicologia Organizacional: 
Relações Sociais e Liderança 
Introdução
Olá! Seja bem-vindo (a) à penúltima unidade desta disciplina! 
Você está cada vez mais próximo da conclusão. Esperamos que 
você se mantenha firme e persistente nos estudos.
Neste capítulo, abordaremos questões práticas relativas ao 
ambiente organizacional. Analisaremos como se estabelecemas relações sociais por meio de conceitos como cultura 
organizacional, formação de equipes e estágios de maturidade.
Além disso, veremos os objetivos e tipos de liderança dentro da 
organização. Você sabia que os líderes podem se distinguir por 
tipos? Então siga lendo e continue aprendendo conosco! 
License-383754-36546-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Como se estabelecem as Relações 
Sociais em uma empresa 
É comum estabelecermos relações e vínculos com pessoas e 
temas que são de nosso interesse e convívio, certo? No ambiente 
empresarial, não é diferente, sendo a forma como essas relações 
se estabelecem importante para a produtividade. 
Os vínculos do trabalhador com a organização
Desde que nascemos, estabelecemos vínculos com diferentes 
pessoas, grupos, instituições, ideologias, objetos e até mesmo 
locais. Esses vínculos fazem parte da nossa concepção de mundo, 
geralmente tendo uma relação afetiva envolvida ou acontecendo 
por meio de normas sociais, às quais nos submetemos. 
Dentro das empresas, local em que passamos boa parte de 
nossa vida adulta, esses vínculos não são diferentes, tornando-se 
essenciais para garantir um ambiente de trabalho agradável e 
influenciando, muitas vezes, a produtividade e o desempenho do 
trabalhador. Observe a figura a seguir!
Fonte: Wichy, Shutterstock, 2018.
License-383754-36546-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
A diversidade dentro de um grupo 
organizacional contribui para que 
diferentes opiniões e manifestações 
aconteçam e assim buscar o equilíbrio 
entre os desejos dos membros. 
Embora esse vínculo esteja relacionado diretamente à empresa, 
a satisfação com os demais funcionários, com a missão da 
empresa e com as condições de trabalho são essenciais para 
garantir que esse vínculo seja harmonioso. Essa satisfação 
assume uma posição de destaque, à medida que possui um papel 
determinante no comportamento dos colaboradores, sendo 
extremamente relevante para garantir um bom desempenho.
Clique na figura para assistir ao vídeo
Zaneli et al. , com base em diversas pesquisas realizadas, 
demonstram que pessoas com altos níveis de contentamento 
com o ambiente de trabalho são aquelas que menos planejam 
sair das empresas onde trabalham, que menos têm faltas e 
que apresentam o melhor desempenho e maior produtividade. 
Vemos, assim, que o vínculo afetivo do colaborador com o 
trabalho realizado, ou seja, a manutenção de uma boa relação 
com os cinco principais fatores integrantes de satisfação — 
License-383754-36546-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
chefia, colegas, salário, promoções e o próprio trabalho —, 
pode impactar positiva ou negativamente os resultados das 
organizações.
Uma das formas de manter um bom 
vínculo entre a empresa e o empregado 
é a satisfação, resultado de uma boa 
relação entre os envolvidos. 
Vemos, portanto, o estabelecimento desse vínculo como um ato 
de reciprocidade, em que os colaboradores esperam receber um 
retorno tanto financeiro quanto afetivo, enquanto que a empresa 
espera do trabalhador o comprometimento e bom desempenho 
de suas funções. Isso faz com que seja criada uma rede de 
relações, na qual o cumprimento dos papéis de cada um faz 
com que o vínculo garanta a satisfação de ambas as partes.
Confira as relações de troca na ilustração a seguir!
Expectativas dos trabalhadores com a troca:
 -satisfazer às suas necessidades;
- receber apoio organizacional;
- obter reciprocidade organizacional;
- entabular uma troca justa.
Retribuições organizacionais: 
- Econômicas;
- Financeiras;
- Sociais; 
-Materiais.
Atos dos trabalhadores:
- Desempenho;
- Assiduidade;
- Permanência; 
- Colaboração espontânea. 
Relações
de troca
Fonte: ZANELI et al. (2014).
License-383754-36546-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Comprometimento organizacional
Assim como a satisfação, as relações organizacionais passam 
também por uma necessidade de compromisso, que é 
estabelecido entre a empresa e o empregado. Esse compromisso 
é chamado de “comprometimento organizacional”. Trata-se de 
uma forma confiável de estabelecer comportamentos relevantes 
para o contexto do trabalho, tais como ausência de faltas, bom 
desempenho e cumprimento da carga horária .
Atualmente, é possível estabelecer duas bases teóricas para o 
comprometimento organizacional: uma de natureza afetiva e 
outra de natureza cognitiva. Essas duas bases são fortemente 
estudadas e defendidas de acordo com os seus princípios.
O princípio afetivo defende que o indivíduo desenvolve uma 
forte identificação com a organização, a qual é nutrida por 
sentimentos positivos e negativos. Enquanto que a base cognitiva 
estabelece que esse comprometimento aconteça sobre crenças 
desenvolvidas pelos funcionários acerca de suas relações com a 
organização. A partir dessas duas bases de comprometimento, 
foram desenvolvidos três estilos de comprometimento: o estilo 
afetivo; o estilo calculativo; e o estilo normativo. O primeiro é 
regido pelos princípios afetivos e os outros dois, pela base 
cognitiva.
O comprometimento organizacional afetivo é definido como 
um vínculo sustentado pela identificação do colaborador com 
empresa e seus objetivos, o que faz com que o funcionário deseje 
manter-se afiliado a ela no intuito de participar do cumprimento 
desses objetivos. A próxima figura ilustra esse vínculo. 
O segundo estilo de comprometimento é o calculativo, em que a 
manutenção do empregado na organização acontece com base no 
acúmulo de valores (tempo, esforço, dinheiro). Esses valores podem 
ser investidos pelo indivíduo em outros objetos de desejo social, e 
seriam perdidos caso o vínculo acabasse. 
A figura a seguir retrata o vínculo entre o colaborador e o 
empregador.
License-383754-36546-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: Konstantin Chagin, Shutterstock, 2018.
Por fim, temos o comprometimento normativo, que é uma forte 
tendência do sujeito em guiar seus atos por valores culturais já 
internalizados, sem raciocinar criticamente acerca de certas 
ações. Esse vínculo se baseia em um conjunto de pensamentos 
no qual são reconhecidas obrigações e deveres morais com a 
empresa, que podem ser acompanhados de sentimentos de 
culpa, incômodo ou preocupação. Isso pode fazer com que 
o sujeito se sacrifique pessoalmente pelo medo da perda do 
vínculo.
Por meio dos estilos de 
comprometimento, o funcionário 
desenvolve sua maneira de se manter 
na empresa, estabelecendo vínculos.
License-383754-36546-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Análise das Redes Sociais 
As redes sociais em uma organização são definidas por um 
conjunto de dois elementos: os atores (pessoas, instituições ou 
grupos) e as conexões estabelecidas. Em outras palavras: essas 
redes são conjuntos de contatos que ligam várias pessoas, e 
podem ser de diferentes tipos e ter variados conteúdos. Observe 
uma representação dessas redes na figura a seguir.
Fonte: Lightspring, Shutterstock, 2018.
A Análise das Redes Sociais (ARS) pode ser considerada um 
conjunto de métodos e técnicas visando identificar quais 
estruturas sociais podem emergir em uma relação. A ideia 
básica de uma rede seria um conjunto de atores ou pontos que 
se vinculam por meio de relações. Logo, essa análise se propõe 
a entender como se forma essa rede, conhecendo as relações 
estabelecidas. 
Com isso, a maneira como um ator se encontra inserido em 
uma rede relacional determina suas oportunidades e restrições. 
License-383754-36546-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Os atores que possuem posições estruturais mais favoráveis, 
geralmente tendem a enfrentar menos restrições e ter melhores 
ofertas.
Além disso, essas redes podem apresentar subgrupos, os quais 
estabelecem suas próprias normas, valores e orientações, tendo 
como base o comportamento coletivo dentro do grupo. Esses 
subgrupos se formam por meio da identificação e proximidade 
entre os membros. 
Considere o exemplo apresentado por Reyes Junior et al. : é feita 
uma ARS em 53 empresas do setor de couro de determinado 
município. Os autores conseguiram identificar diversas formas 
de relaçãoe vínculo, tanto interno quanto externo às empresas. 
Foram observadas, por exemplo, relações comerciais, de 
amizade e baseada em instituições, montando, assim, uma 
grande rede que representa as formas como essas organizações 
se estabelecem dentro do espaço e como se relacionam com os 
envolvidos.
Por meio das redes sociais que 
estabelecemos na organização, é 
possível definir nossas afinidades e 
preferências de relacionamento. 
License-383754-33316-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
A cultura organizacional e 
seus tipos de processos
Todos somos regidos por costumes e agrupamentos sociais 
específicos, que nos identificam, e que dizem muito a respeito de 
nossa história e preferências. Isso está relacionado à construção 
cultural, o que nos leva à cultura organizacional. 
A proposta da cultura organizacional
Desde os mais remotos tempos, os grupos e nações apresentam 
diferenças de comportamentos que são definidas como “cultura”. 
Esse conceito, no entanto, é considerado amplo, visto que 
diversas perspectivas sociais foram estudadas e definidas, sendo 
todas elas consideradas alguma forma de manifestação cultural. 
Em linhas gerais, contudo, trata-se da expressão e interação 
social, dos hábitos, costumes e crenças compartilhados por um 
determinado grupo . Veja, na figura a seguir, uma representação 
envolvendo a cultura das pessoas.
Fonte: Rawpixel.com, Shutterstock, 2018. (traduzida)
License-383754-33316-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
O ambiente organizacional também tem uma representação 
cultural, compreendida como uma variável da organização. 
Assim, o cotidiano de uma sociedade organizacional é permeado 
por crenças, rotinas e rituais próprios, que a caracteriza e a 
distingue das demais.
A cultura organizacional também é vista como um recurso 
utilizado pelas empresas para propagar e internalizar nos 
funcionários valores, normas, significados e interpretações, 
buscando um sentido de direção e unidade, criando a identidade 
da organização e o reconhecimento para seus membros. 
Por exemplo, somos capazes de identificar diversas empresas por 
seus logotipos, ou até mesmo por algum bordão que associamos 
a ela ou a seu produto. Isso se refere à construção cultural da 
organização, como forma de ser reconhecida e compreendida 
a partir de seus costumes. Essa dinâmica está representada na 
ilustração a seguir. 
FUNDADORES - os pioneiros
desenvolvem e implementam
uma visão compartilhada e
uma estratégia.
CULTURA - a cultura reflete
na visão estratégica e nas
experiências das pessoas
na organização. 
RESULTADOS - a organização
baseia seu sucesso nos
resultados financeiros e
nos indicadores de
desempenho.
COMPORTAMENTO
ORGANIZACIONAL - os
funcionários se comportam
de acordo com os valores
compartilhados e a estratégia
de empreendimento.
Fonte: ZANELI et al. (2014).
License-383754-33316-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Por meio da cultura organizacional, é possível definir e transmitir 
o que é importante para a empresa, moldando qual a maneira 
apropriada de pensar e agir em relação aos ambientes internos 
e externos, as condutas adequadas e os comportamentos 
aceitáveis. Por exemplo, você deve conhecer ambientes de 
trabalho em que o cumprimento da carga horária é rígida, já 
outras empresas são mais maleáveis quanto ao tema. Isso faz 
parte da construção cultural da organização, que apresenta aos 
funcionários a forma que acredita ser mais adequada para o seu 
funcionamento. Além disso, é por meio dos elementos culturais 
que as organizações se apresentam como lugar de excelência, 
sua missão e projetos).
Outro aspecto muito comum na cultura organizacional é a 
incorporação de valores e atributos humanos, como forma de 
buscar a personificação da identidade da organização. Muitas 
empresas, por exemplo, trazem em suas missões características 
como respeito e dignidade, buscando transparecer uma 
mensagem de que sua ideologia representa a ideologia dos 
funcionários. Isso mostra a busca de uma maior identificação 
entre o empregado e a empresa.
A cultura organizacional é uma forma 
de a empresa definir as normas, 
condutas e missões que os funcionários 
devem prezar ao trabalhar no 
ambiente.
As principais perspectivas de estudos culturais 
nas organizações
Existem alguns critérios utilizados para a construção das 
perspectivas teóricas que conceituam a cultura organizacional. 
A partir da combinação desses pressupostos, que se referem 
à cultura organizacional como expressão cultural total ou 
como uma variável da organização, são especificadas cinco 
perspectivas que o conceito pode assumir.
 Observe a figura a seguir.
License-383754-33316-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: bleakstar, Shutterstock, 2018. 
Administração comparativa: é o interesse em conhecer a cultura do ambiente social no qual a 
organização se encontra, e como seus pressupostos se transferem para o ambiente interno por 
meio de seus participantes. Nessa perspectiva, são efetuadas análises comparativas entre os 
trabalhadores de países e regiões diferentes como forma de conhecer a influência da cultura 
local ou nacional sobre a cultura organizacional.
Cultura corporativa: aqui, as organizações são vistas como produtoras de elementos culturais, 
como rituais, lendas e cerimônias, além de seus bens e serviços característicos. Essa proposta 
acredita que as produções culturais têm o papel de garantir a regularidade e previsibilidade da 
relações estabelecidas no ambiente de trabalho.
Cognição organizacional: esse tipo aborda que a cultura da organização é um “grande contrato” 
que compreende a imagem da empresa e as regras que orientam os comportamentos e crenças. 
O objetivo principal envolve buscar entender as regras que norteiam os grupos sociais e a visão 
de mundo individual.
Simbolismo organizacional: a cultura nessa proposta é entendida como um sistema de 
símbolos e significados que são compartilhados pelos participantes. A importância é dada 
para a interpretação dos significados que os discursos assumem, buscando identificar quais 
experiências foram mais significativas para os membros. 
Processos inconscientes da organização: nessa perspectiva, as ações das pessoas são 
compreendidas como projeções inconscientes, fazendo com que as práticas organizacionais se 
tornem uma junção das manifestações inconscientes dos membros, sendo projetada na forma 
de expressão da organização.
License-383754-33316-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Cada organização assume um princípio 
de cultura organizacional de acordo 
com suas prioridades e também com 
aquilo que ela preza. 
Os valores como elementos centrais 
da cultura organizacional 
Em tempos de divulgação de grandes escândalos corporativos, 
algumas questões assumem destaque dentro da temática da 
cultura organizacional. Entre elas, temos questionamentos 
quanto à perda dos valores diante das pressões por produtividade 
ou em relação à capacidade humana de perder os princípios 
apreendidos em função de implicações morais, ambientais ou 
psicológicas.
Assim, uma forte discussão se apresenta quanto aos valores 
dentro das organizações, uma vez que os valores individuais 
tendem a influenciar os comportamentos individuais e coletivos, 
já que eles não podem ser dissociados da forma de manifestação 
da própria subjetividade.
Esses valores são construídos socialmente desde nossa 
infância. Ao ingressar em uma empresa, cada um leva os seus 
valores consigo. No entanto, não é possível saber se na cultura 
organizacional esses valores serão mantidos ou submetidos a 
executar ações que discordam desses pressupostos. De muitas 
maneiras, os valores praticados dentro da empresa serão 
confrontados com o que cada um carrega de sua trajetória em 
prol da produtividade e do desempenho.
Os valores individuais dos funcionários 
podem ser contrários aos que a 
organização acredita, criando conflitos 
de interesse e até mesmo atritos.
Uma questão que pode fazer com que essa polêmica apareça 
é a inserção de grupos estrangeiros, que trazem consigo os 
valoresculturais de sua origem e que podem contrapor os 
valores próprios do país ou de determinado grupo, conforme 
License-383754-33316-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
ilustra a próxima imagem. Por exemplo, uma multinacional pode 
se implantar no Brasil, tendo como princípios e cultura o trabalho 
aos fins de semana. No entanto, existem diversas religiões que 
não permitem que seus fiéis trabalhem nesses dias. Isso pode 
fazer com que um funcionário, seguidor de determinada crença, 
seja obrigado a decidir entre o próprio emprego ou seguir o que 
sua religião prega. A figura a seguir retrata uma praticante do 
candomblé.
Fonte: Daniel-Alvare, Shutterstock, 2018.
Diversas pesquisas apontam que culturas construídas com a 
busca autêntica de propósitos claros e comprometidas com 
os valores compartilhados pela cultura local tendem a diminuir 
comportamentos contrários aos princípios da empresa e 
diminuem as tensões e adversidades que podem ocorrer.
License-383754-36548-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
As equipes de trabalho – 
formação e estágios de maturidade
Outro aspecto muito importante no ambiente de trabalho 
é a formação dos grupos e a execução do trabalho. Torna-se 
essencial considerar os aspectos que podem facilitar e dificultar 
o trabalho em grupo, formato essencial dentro do ambiente 
organizacional. 
As relações humanas entre os grupos
Todos nós estamos associados a diversos grupos, sejam eles 
familiares, de trabalho, de diversão, de clube, religiosos, etc. 
Um grupo, no entanto, não é formado apenas pela junção de 
várias pessoas, são necessários alguns elementos para que esse 
aglomerado seja considerado um grupo. 
Destacamos a importância de existir uma interdependência 
entre os membros, alguma forma de interação e também uma 
unidade em que são reconhecidos (observe a figura a seguir). Por 
exemplo, um setor de uma fábrica em que os operários trabalham 
juntos na mesma seção, não necessariamente representa um 
grupo, visto que eles podem não possuir objetivos em comum. 
Eles não necessariamente precisam se comunicar a respeito do 
que estão fazendo e, para a empresa, não são vistos como uma 
unidade, sendo apenas pessoas reunidas.
Fonte: baranq, Shutterstock, 2018. 
License-383754-36548-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Existem alguns aspectos necessários para que um grupo cumpra 
o que a empresa espera dentro do ambiente de trabalho. 
Inicialmente, há a necessidade de interação entre os membros, 
fazendo com que os indivíduos se relacionem entre si, buscando 
influenciar as decisões que devem ser tomadas.
Além da interação, temos a necessidade de coesão entre os 
membros como forma de se estruturar e buscar objetivos em 
comum. À medida que o grupo se estrutura, faz-se necessário 
que as pessoas nutram um sentimento de pertencimento a ele, 
reforçando os laços e fazendo com que se sintam atraídos pela 
atividades em conjunto.
Temos também as normas, outro aspecto que deve existir 
dentro do grupo, como forma de estabelecer o que se deve ou 
não fazer visando atingir o objetivo em comum. É certo que os 
indivíduos se diferem em suas formas de manifestação e reação, 
sendo necessário que existam normas de orientação do trabalho, 
visando a coesão.
Por fim, para que o grupo consiga atingir seus objetivos, é 
necessário que os membros possuam motivos e metas em 
comum. É por meio das metas que os membros do grupo podem 
orientar as suas atividades em determinada direção, fazendo 
com que todos procurem obter os mesmos objetivos, visando 
um bem maior que os objetivos individuais.
Um grupo é caracterizado 
principalmente pela junção de pessoas 
visando um objetivo comum, com 
interações, metas e normas que 
busquem esse objetivo.
A diferença entre grupos de trabalho 
e equipes de trabalho
Spector apresenta uma diferenciação que se faz muito necessária 
no ambiente organizacional: a diferença entre grupo de trabalho 
e equipe de trabalho. O autor apresenta que todas as equipes 
são grupos, mas nem todos os grupos se caracterizam como 
equipes. 
License-383754-36548-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Isso acontece porque um grupo consiste em pessoas que 
trabalham juntas, mas podem realizar seu trabalho isoladamente, 
ao passo que uma equipe é um grupo de pessoas que não pode 
realizar seu trabalho, pelo menos não com eficácia, sem os outros 
membros. Observe essa diferença ilustrada abaixo. 
A junção de pessoas em torno
de um objetivo em comum, mas
que podem realizar seu trabalho
sem as outras.
Um grupo que depende de todo
os membros para desempenhar
as atividades.
Grupo
Equipe
Assim, Spector ainda apresenta que existem quatro conceitos 
importantes relativos aos grupos e equipes, e dois relativos 
exclusivamente às equipes, que nos ajudam a fundamentar o 
comportamento humano em grupos e equipes. 
O primeiro conceito se refere aos papéis assumidos dentro do 
grupo ou da equipe, visto que nem todas as pessoas possuem a 
mesma função ou o mesmo propósito. Ao contrário, é por meio 
da junção das habilidades de diferentes pessoas com diferentes 
responsabilidades que é formado um grupo ou equipe.
O conceito seguinte se refere às normas e regras de 
comportamento que são aceitas pelos membros. Essas regras 
podem incluir desde questões internas, como o vestuário e o 
jeito de falar, até questões mais amplas como o empenho que 
cada um deve ter. As normas podem ser uma forte influência 
no comportamento individual, pois o cumprimento delas pode 
ser muito valorizado e suas transgressões podem acarretar 
repressões e punições.
License-383754-36548-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
O terceiro aspecto apresentado por Spector é a coesão, que 
se trata da soma das forças dos membros, buscando manter 
o grupo unido em prol de um objetivo. Geralmente, em um 
ambiente de trabalho, grupos coesos fiscalizam vigorosamente 
o cumprimento das normas, aliando elas à alta ou a baixa 
produtividade. 
Outro conceito que se apresenta na formação dos grupos 
é o conflito, pois por mais que o objetivo seja a coesão do 
grupo, é improvável que todos os membros concordem com 
todas as decisões, podendo levar a conflitos em relação a 
questões importantes para os membros. Lembrando que não 
necessariamente esses conflitos são algo negativo ou agressivo, 
eles podem acontecer com surgimento de ideias opostas, que 
podem gerar debates e melhores possibilidades para o grupo.
O aspecto de comprometimento organizacional é referente 
apenas aos grupos que se tornam equipes, e representa a 
intensidade do envolvimento do sujeito com a equipe na qual ele 
está inserido. Isso se reflete na forma como a pessoa aceita as 
metas, na disposição de se empenhar pelos demais e no desejo 
de permanecer na equipe. O comprometimento está diretamente 
relacionado ao alto desempenho, à baixa rotatividade e ao alto 
nível de satisfação com os membros da equipe.
O último conceito também é referente apenas às equipes: trata-
se do modelo mental que a equipe assume. Isso se trata de 
uma concepção em comum do que é preciso realizar juntos, ou 
seja, o entendimento compartilhado em relação à tarefa, aos 
equipamentos e à situação de todos. Por mais que cada um 
dentro da equipe tenha uma função, faz-se necessário para o 
bom funcionamento que todos os membros conheçam, mesmo 
que de forma superficial, qual é o papel e as funções dos outros 
membros. Isso faz com que a equipe dialogue a respeito de suas 
tarefas e entenda qual é o objetivo maior, diante da junção das 
partes que cada um representa.
Toda equipe é um grupo, mas nem 
todo grupo é uma equipe. Para ser uma 
equipe, é necessário que os membros 
dependam um do outro.
License-383754-36548-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Clique na figura para assistir ao vídeo
Diversidade do grupo
Por fim, vamos abordar o trabalho grupal, uma questão que 
vem se tornando muito importante para as organizações, pois 
trata da diversidade que pode haver dentro de um grupo. Tenha 
em mente as mudanças demográficas que resultam, hoje, em 
um número cada vez maior de representantes das minoriasno 
ambiente de trabalho. Observe a imagem a seguir. 
Fonte: Rawpixel.com, Shutterstock, 2018. (traduzida)
License-383754-36548-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Essa diversidade pode se apresentar no ambiente organizacional 
de duas maneiras principais: cognitiva e demográfica. A 
diversidade cognitiva se refere ao conhecimento, habilidades e 
valores diferentes que as pessoas apresentam. E a diversidade 
demográfica consiste em atributos como gênero, idade, raça, 
etc. 
Em um estudo apresentado por Spector, foram analisadas 63 
pesquisas que envolviam essa temática e o efeito que poderia 
ter para os trabalhadores e empresas. Foi constatado que 
pode haver questões positivas e negativas nessa variedade de 
grupos. Foi percebido, por exemplo, que a diversidade cognitiva 
pode contribuir para a inovação da equipe, enquanto que a 
diversidade demográfica pode ser útil quando há necessidade 
de opiniões diversificadas. 
Esse grande estudo não conseguiu demonstrar, porém, nenhuma 
relação em que a diversidade dos grupos pode prejudicar o 
desempenho dentro das empresas, inclusive apontando uma 
tendência de melhor desempenho entre grupos que eram 
diversificados.
A diversidade nos grupos de trabalho 
pode ser algo positivo, como forma 
de agregar diversas formas de 
pensamento e opiniões diversificadas.
License-383754-36544-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Para que serve a liderança 
na empresa?
O que faz de uma pessoa um bom líder? Sabemos que como 
forma de manter a ordem, as organizações fazem uso de 
lideranças. Porém, existem diversos aspectos a ser considerados 
na hora de escolher um líder. Confira a seguir! 
A natureza da liderança 
Você já deve ter uma ideia intuitiva do que é uma liderança, e 
como ela atua em sua vida. Associamos os líderes à capacidade 
de influenciar o comportamento dos outros, fazendo com que as 
pessoas cumpram aquilo que é esperado. No entanto, “ser um 
gerente” não significa “ser um líder”, pois pode ser que a pessoa 
não se faça ser ouvida ou seus subordinados não sigam seus 
comandos. Assim, existem diversas outras questões que fazem 
com que seja formada uma autêntica liderança dentro de uma 
organização.
A próxima figura ilustra a forma como um líder pode atuar.
Fonte: Rawpixel.com, Shutterstock, 2018. (traduzido)
License-383754-36544-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Zaneli et al. defendem que há uma dificuldade muito grande 
em apresentar um conceito único para liderança, visto que 
se trata de um fenômeno complexo e que é influenciado por 
distintas classes de variáveis. Por muito tempo, esse conceito 
era associado somente ao líder que comandava, porém novas 
dimensões de análise começaram a ser consideradas, tornando 
o conceito multifacetado.
Temos duas grandes formas de abordar o conceito de liderança 
que embasam todas as teorias encontradas: 
a perspectiva psicológica, que desenvolve esse tema se voltando para as características, 
comportamentos, estilos e competências dos líderes; 
a perspectiva sociológica, que considera liderança como um fenômeno social, vinculado a uma 
dinâmica de grupos e instituições. Em outras palavras, uma pessoa que ocupa um lugar de 
destaque, seja formal ou informal, dentro de um grupo de pessoas em uma determinada situação.
O conceito de liderança é algo que 
possui diversas abordagens e formas 
de ser encarado, sendo embasado 
principalmente na visão de homem e 
sociedade.
Mesmo com tantas possibilidades de definição para a liderança, 
Zaneli et al. identificaram alguns elementos que são comuns e 
demarcam o que seria o núcleo das definições existentes. Veja 
a seguir.
- É um processo; - envolve influenciaroutras pessoas; - ocorre em grupos;
envolve a busca de
mudanças reais;
envolve o
estabelecimento
e a realização de
objetivos comuns.
License-383754-36544-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
As principais características de um líder
A definição de liderança é considerada um processo, dado o 
fato de que ela é passível de ser desenvolvida, não se resumindo 
a uma posição, a um cargo ou a um conjunto de traços de 
personalidade inatos. A liderança envolve trocas e interações 
tanto entre os grupos quanto entre as organizações. Portanto, o 
líder não é necessariamente uma pessoa que assume um cargo 
formal, mas sim uma pessoa capaz de mobilizar outras por meio 
de processos de influência.
Assim, o foco de um líder concentra-se na sua capacidade 
de influenciar e afetar os seus liderados. No entanto, é 
importante ressaltar que a influência não está relacionada 
com comportamentos ditatoriais, fazendo uso do poder para 
representar a autoridade, sendo fundamental que a influência 
aconteça por meio da persuasão das pessoas, de modo que 
elas respondam de modo livre. A figura a seguir retrata um líder 
influenciando sua equipe.
Fonte: Shutterstock, 2018. 
License-383754-36544-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Outro aspecto determinante da liderança é o fato de que ela 
sempre depende da existência de um grupo para acontecer, 
pois para que exista um líder, é necessário que exista também 
seguidores, processos vinculares entre eles e uma dinâmica de 
reconhecimento e legitimação dos papéis. 
Essa distinção entre líder e seguidor é crucial para o conceito 
de liderança. Contudo, o seguidor não é visto como alguém 
passivo que somente acata ordens, mas como um indivíduo 
ativo que se sente representado por uma figura de destaque.
Clique na figura para assistir ao vídeo
A busca por mudanças reais é outra característica determinante 
da liderança, pois é por meio de palavras e ações que promovem 
a mudança que o líder se faz presente e mostra os seus objetivos. 
As consequências dessa atitude são refletidas no futuro, 
quanto se atingem os resultados desejados pela empresa e até 
mesmo quando o grupo percebe que as mudanças foram reais, 
contribuindo para a coesão. A busca por mudanças também está 
diretamente relacionada à demonstração de resultados, como 
forma de qualificar se as mudanças apresentadas foram efetivas 
ou não.
O último aspecto em comum entre as teorias é a atenção aos 
objetivos e propósitos comuns, pois a liderança não envolve a 
License-383754-36544-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
perseguição de objetivos que sejam exclusivos dos líderes ou da 
organização, mas sim uma construção compartilhada, visando o 
alcance de objetivos que sejam interpretados como comuns ao 
grupo. Esses objetivos em comum são a essência dessa relação, 
visto que é através deles que o líder passa a ser visto como 
alguém que facilita o alcance das metas por meio de direção, 
apoio e orientação para o êxito.
Essas características principais são 
apresentadas na maioria das teorias 
sobre liderança, como pré-requisitos 
para que a pessoa atinja esse patamar. 
Mulheres em posição de liderança
Por fim, traremos neste tópico um assunto muito estudado e 
visado. Trata-se das mudanças culturais que proporcionam 
a oportunidade de mulheres assumirem posições de gestão e 
supervisão em organizações no mundo todo. 
Pesquisas apontam que cerca de 46% das posições de gestão 
já são assumidas por mulheres atualmente, e ainda que mais 
de 15% das mais altas posições de gestão corporativa têm sido 
ocupadas por mulheres. No entanto, esses estudos apontam 
também que os homens recebem salários iniciais mais elevados 
e seus vencimentos aumentavam mais rapidamente com a idade 
do que os das mulheres. 
Há tendências que apontam que as empresas estão procurando 
exercer práticas de promoção mais justas e estão mais 
compromissadas com a igualdade de oportunidade de empregos. 
Apesar disso, contudo, ainda há a presença de estereótipos 
que deixam as mulheres em desvantagem nos processos 
seletivos e de promoção. Isso pode acontecer devido ao fato 
de que a mulher não é percebida como tendo as características 
necessárias para o cargo, fazendo necessário que exista, por 
parte da cultura das organizações e dos responsáveis pela 
seleção, uma mudança de atitude, possibilitando um acesso 
igualitário a cargos de alta gestão. 
Além disso, esses estereótiposrelativos a homens e mulheres 
sugerem que geralmente as mulheres se preocupariam mais 
License-383754-36544-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
com os sentimentos e o bem-estar emocional dos subordinados. 
Já os homens se voltariam mais para a realização das tarefas, 
facilitando o raciocínio das empresas de que homens apresentam 
maiores índices de eficácia. A figura a seguir retrata homens e 
mulheres em um ambiente de trabalho.
Fonte: ESB Professional, Shutterstock, 2018. 
Pesquisas realizadas com homens e mulheres em cargos de 
liderança demonstraram que, quando comparados em termos 
de tendências autocráticas ou democráticas, há diferenças entre 
os gêneros, sendo os homens mais autocráticos e as mulheres 
mais democráticas. Com isso, podemos constatar que a atenção 
ao efetuar as contratações deve estar na necessidade de estilo 
que a empresa demanda, sendo que cada um será mais eficaz 
em diferentes circunstâncias.
Mulheres na liderança podem ser uma 
alternativa para as empresas que 
buscam efetuar contratações com base 
nas competências demandadas. 
License-383754-37282-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Os tipos de liderança
Dentre as diversas abordagens do conceito de liderança, também 
emergem diversas formas de categorizar os tipos de liderança 
no ambiente organizacional. Apresentaremos aqui as formas 
mais abordadas dos tipos de liderança que são conhecidos 
atualmente. Observe:
Liderança autoritária
Liderança transformacional
Liderança laissez-faire
Que tal conhecer uma a uma em detalhes? Prossiga em seus 
estudos!
Liderança autoritária
A liderança autoritária, também conhecida como transacional, 
estabelece posições definidas, em que existem posições 
consideradas corretas e as demais são desconsideradas. 
Geralmente, líderes desse estilo possuem como características 
a certeza, direções claras, controle de descuidos e tratamento 
justo com os demais membros do grupo. Esse tipo de liderança 
é mais efetivo em ambientes que precisam de estabilidade em 
suas atividades e que a verificação gráfica do desempenho 
é a estratégia de sucesso. Podem funcionar, por exemplo, em 
ambientes como construtoras, em que se faz necessário garantir 
que as atividades sejam cumpridas de forma sistemática.
O princípio para o bom funcionamento desse estilo de 
liderança é a troca entre o líder e o seguidor. Eles se 
influenciam mutuamente de maneira que ambos recebam suas 
recompensas. Além disso, a recompensa é a fonte primária 
do poder para líderes autoritários, pois quando os seguidores 
cumprem com o esperado eles são recompensados de acordo 
com suas necessidades.
License-383754-37282-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Esse tipo de liderança implica monitorar de perto possíveis 
desvios, problemas e erros, tomando atitudes corretivas e 
podendo punir aqueles que estiverem fora dos padrões definidos. 
Dessa forma, as metas e objetivos devem estar sempre claras, 
e somente por meio do cumprimento delas é que o seguidor 
recebe sua recompensa. A figura a seguir simboliza um trabalho 
cujos objetivos e metas são acompanhadas e medidas pela 
liderança junto à equipe.
Fonte: CoraMax, Shutterstock, 2018. 
Os líderes desse estilo são frequentemente valorizados em 
ambientes de negócios e na indústria. Por exemplo, em uma 
indústria de produção de alimentos, esse estilo de liderança 
pode ser algo que contribua, visto que se faz necessário muito 
rigor na execução das tarefas e o cumprimento dos objetivos 
que são estabelecidos pela organização.
A liderança autoritária tem como 
moeda de troca a recompensa que os 
seguidores buscam por desempenhar 
suas atividades efetivamente. 
License-383754-37282-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Liderança transformacional
Muitas empresas hoje assumem um formato diferente de 
estrutura, sendo formadas por redes e alianças estratégicas, não 
tendo, assim, um comando unitário centralizado e estruturado, 
mas sim alianças soltas que são construídas em torno de 
interesses comuns. Dessa forma, é necessário também que 
um novo formato de liderança emerja e que esteja de acordo 
com os propósitos e missões da organização, estimulando os 
empregados a olhar para além de seus interesses pessoais, para 
o bem de toda a entidade.
Esse formato de liderança é chamado de transformacional ou 
liderança carismática, pois ele tem como marca principal o uso 
do carisma para gerar consciência e aceitação da proposta 
estabelecida. Esse poder se trata da capacidade de estimular 
o seguidor e mobilizar os outros a querer lutar por aspirações 
compartilhadas.
Líderes transformacionais possuem como características 
a comunicação de maneira eloquente e uma linguagem 
expressiva, além de serem vistos como aqueles que assumem 
riscos, articulam metas, elevam as expectativas, dão ênfase à 
identidade coletiva, melhoram a autoafirmação e disseminam a 
visão da organização.
A liderança carismática também é vista como aquela que, 
além de compartilhar os riscos com seus seguidores, apresenta 
condutas éticas, princípios e valores bem definidos. Esses valores 
operam fora dos valores de sistemas pessoais e são aqueles que 
não podem ser negociados ou trocados entre as pessoas. Com 
essa conduta, esses líderes tendem a conseguir maior união entre 
os seus seguidores e ainda mudar objetivos e opiniões dessas 
pessoas.
A liderança transformacional é 
representada por líderes que têm 
a capacidade de motivar os seus 
seguidores em busca de um objetivo 
maior.
License-383754-37282-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Benevides aponta que esse tipo de liderança é marcado por 
quatro fatores principais que geram o desenvolvimento do 
grupo. O primeiro aspecto é o carisma, que provém visão e 
um sentido de missão para os seguidores, criando respeito e 
a confiança do grupo. O segundo componente é a motivação 
inspiracional, que geralmente caminha lado a lado com 
o carisma, pois é caracterizada pela comunicação das 
expectativas, estimulando o foco nos esforços e motivando 
todos à volta. Com esse aspecto, os seguidores passam a ver 
sentido em suas atividades e a encarar os objetivos como 
desafios. Geralmente, entusiasmo e otimismo são estimulados, 
encorajando os membros do grupo a vislumbrar futuros 
atraentes para a empresa e consequentemente para si mesmos. 
A estimulação intelectual é a terceira dimensão da liderança 
transformacional e se caracteriza por promover a inteligência, a 
racionalidade, a lógica e a resolução de problemas. Os seguidores 
desse tipo de liderança são estimulados a ser inovadores e 
criativos diante dos problemas, além de buscar reformular as 
soluções para a realidade de cada questionamento. As novas 
ideias e soluções que surgem podem ser inseridas no cotidiano 
do trabalho, fazendo com que os membros se sintam parte do 
processo e valorizados de acordo com as suas capacidades.
Clique na figura para assistir ao vídeo
License-383754-37282-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
E o quarto componente apresentado por esse tipo de líder é a 
consideração individual, tendendo a prestar muita atenção nas 
diferenças individuais e buscar considerá-las dentro do grupo. 
Esses líderes promovem uma atenção pessoal, buscando treinar 
e aconselhar individualmente, de acordo com as necessidades 
de cada um, visando a realização, o crescimento e agindo como 
um mentor. Com isso, novas oportunidades de aprendizagem são 
criadas, favorecendo o crescimento, além de serem consideradas 
as diferenças e desejos individuais.
Liderança laissez-faire
Na apresentação dos dois modelos anteriores de liderança, você 
pôde perceber que falávamos de líderes ativos, o que contrasta 
com a liderança laissez-faire, que se apresenta como uma 
liderança extremamente passiva. Esse tipo de líder é descrito 
como aquele que evita tomar decisões e responsabilidade de 
supervisão, deixando a maioria dos controles dos processos 
para os seus seguidores. Além disso, não oferece feedback e 
nem direcionamento ou suporte para esses membros. A figura a 
seguir retrata um líder ouvindo a opinião de seus liderados.
Fonte:Shutterstock, 2018. 
License-383754-37282-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Os líderes laissez-faire assumem um princípio de que seus 
seguidores são intrinsecamente motivados, podendo ser 
deixados sozinhos para realizar suas tarefas e metas. Dessa 
forma, eles evitam assumir responsabilidades, tomar decisões 
e são ausentes quando necessário. Essa liderança também evita 
o contato direto com os seguidores, dificultando a formação de 
acordos, o esclarecimento das expectativas e o provimento das 
metas e padrões que são estabelecidos pela organização.
Esse estilo de liderança pode ter efeitos negativos nos resultados 
esperados, justamente pelo fato de que líderes laissez-faire 
geralmente são o oposto do que se espera de um líder em uma 
empresa. Essa liderança ainda pode ser considerada de alguma 
forma com menores perdas nos grupos, caso os membros 
possuam maior conhecimento agregado e grande capacidade 
para a tomada de decisões.
Para um líder laissez-faire, seus 
seguidores já são motivados pelos 
valores da empresa, ausentando-se na 
tomada de decisões e desenvolvimento 
de metas. 
License-383754-33318-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
A teoria dos traços de personalidade 
de liderança
A teoria dos traços foi a primeira sistematização construída 
sobre o conceito de liderança, e tinha como propósito analisar 
principalmente as qualidades pessoais do líder.
A teoria dos traços
A teoria dos traços propõe como ponto de partida que os líderes 
devem possuir determinadas características de personalidade, 
que seriam basicamente aquelas características que facilitariam 
o desempenho do papel de liderança. Dessa forma, eles passaram 
a ser entendidos como pessoas que tinham traços diferentes dos 
demais, sendo essas características as responsáveis por elevar e 
também manter os líderes em suas posições. 
Assim, pela proposta dessa teoria, são enfatizadas as qualidades 
do líder a partir do pressuposto de que ele já nasce como 
elas, não havendo grandes possibilidades de se construir uma 
liderança por meio de técnicas de desenvolvimento. 
Bergamini apresenta três grandes traços sobre os quais essa teoria 
se baseia: os fatores físicos, como altura, peso, aparência, etc.; as 
habilidades características, como inteligência, fluência verbal, 
escolaridade, etc.; e uma gama de aspectos da personalidade 
que seriam característicos de uma liderança, como moderação, 
dominância, autoconfiança, sensibilidade, empatia, controle 
emocional, etc. Diante desses traços, o que interessava aos 
pesquisadores era eleger as características que faziam com 
que os líderes se distinguissem das demais pessoas. A imagem a 
seguir aponta características de um líder ideal.
License-383754-33318-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fatores
físicos
Aspectos da
personalidade
Habilidades
características
Líder ideal
Diversos pesquisadores desenvolveram estudos com o objetivo 
de identificar um conjunto de traços característicos de um líder 
e determinar precisamente como retratar uma pessoa que 
assume a liderança. No entanto, quase todos os estudos com esse 
objetivo levaram a resultados que eram impossíveis de serem 
considerados em termos práticos. Isso acontecia justamente 
porque as pesquisas buscavam uma descrição pura e simples 
das características de personalidade, desconsiderando diversos 
outros aspectos sociais, grupais e subjetivos. 
Assim, vemos que a teoria dos traços pode não ser eficaz em 
explicar completamente as características de uma liderança, 
pois ela não consegue isoladamente determinar todo o conceito 
de liderança. Apesar disso, as contribuições dessas pesquisas 
foram fundamentais para o campo de estudo, apresentando de 
alguma maneira comportamentos que podem se repetir, sendo 
tendenciosos na maioria dos líderes. 
A teoria dos traços pressupõe que 
o líder já nasce com determinadas 
características essenciais para 
desempenhar essa função.
License-383754-33318-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Os enfoques situacionais
Vimos que apenas características de personalidade ou motivos 
comportamentais não são suficientes para promover a eficácia 
do processo de liderança, certo? Então, temos a necessidade 
de desenvolver outros enfoques buscando investigar mais 
profundamente esse conceito de liderança. 
Atualmente os pesquisadores vêm percebendo que não somente 
o surgimento, mas também a permanência do líder eficaz deve 
considerar outros aspectos que vão além de sua personalidade. 
Por exemplo, o ambiente em que a liderança está agindo. Os 
estudos da área têm mostrado que a personalidade é apenas 
um dos fatores que determina o desempenho do líder dentro de 
uma empresa. Esse desempenho depende de um conjunto de 
condições específicas para um grupo, em que o líder pode ou 
não se sair bem com outros grupos, em outras tarefas ou sob 
outras condições, conforme ilustra a próxima imagem. 
Bergamini apresenta que cada vez mais há uma necessidade 
de contextualizar as teorias de liderança de acordo com as 
particularidades que cada líder apresenta. Dessa forma, a autora 
nos apresenta o enfoque situacional, no qual as variáveis que 
cercam o processo de liderança também devem ser consideradas, 
não deixando de lado os diferentes traços de comportamento 
dos líderes. Portanto, o objetivo é determinar de que forma o 
comportamento dos líderes influencia os resultados da interação 
entre a liderança e seguidores. Essa ideia está representada na 
próxima figura. Acompanhe!
License-383754-33318-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: winui, Shutterstock, 2018.
O grande desafio dessa perspectiva é buscar explicar se a situação 
na qual o líder se encontra pode interferir no uso eficaz do seu 
estilo de liderança. Para isso, foi desenvolvida uma pesquisa em 
que uma atividade era proposta, na qual o líder era solicitado 
a descrever o colega com o qual tenha maior dificuldade em 
trabalhar, supondo que as características dessa pessoa são 
aquelas que o próprio líder possui. Diante dessas descrições, foi 
possível distinguir a existência de dois estilos diferentes de líder: 
aquele que é orientado para a tarefa e aquele que é orientado 
para o relacionamento. 
Bergamini apresenta que os resultados da pesquisa apontam 
que quando a descrição do colega menos preferido é feita de 
forma muito crítica, a pessoa se caracteriza como aquela cuja 
meta principal é a realização da tarefa. Enquanto que o líder 
que encara o seu colaborador menos desejado de forma mais 
positiva, se apresenta como uma pessoa mais otimista, preferindo 
relacionar-se com os demais de maneira mais amistosa. 
License-383754-33318-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Assim, podemos constatar que o ponto importante dessa teoria é 
que a eficácia da liderança depende tanto da situação em que o 
grupo se encontra quanto das características do líder. Um estilo 
de liderança não pode ser considerado melhor do que outro, mas 
dependente da situação e da necessidade do tipo de liderança 
que a situação apresenta. Dessa forma, quase todo mundo seria 
capaz de ter sucesso como líder em algumas situações . 
A teoria situacional aborda outras 
variáveis que influenciam numa 
boa liderança, tal como o ambiente 
organizacional. 
Existe o líder ideal?
Dessa forma, chegamos ao questionamento se existe um líder 
ideal ou um conceito que apresente exatamente aquilo que 
um líder deve representar? Vimos que tanto as pesquisas que 
abordam os traços de personalidade quanto as que apresentam 
os motivos e estilos dos líderes eficazes, representam exemplos 
de formas abstratas de um ideal de liderança. Essas abordagens 
podem ser preocupantes, visto que, ao caracterizar um líder 
ideal, as empresas podem passar a se preocupar em alcançar 
determinados padrões. 
Conforme já vimos, foi constatado que o processo de liderança 
envolve um conjunto complexo de variáveis que devem ser 
consideradas. Esse conjunto de variáveis é tão amplo que pode até 
mesmo ser problemático, visto que as pesquisas não conseguem 
considerar todos eles, dificultando a apresentação de respostasdefinitivas para o assunto. Essa ideia está simbolizada na figura 
a seguir. Veja!
License-383754-33318-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: Lightspring, Shutterstock, 2018.
O enfoque contingencial representa uma abertura maior dessas 
possibilidades de estudos, permitindo uma visão mais ampla do 
problema. Porém, é também necessário adotar certo cuidado, 
visto que pode existir uma escolha das variáveis a serem 
analisadas, também não esgotando todas as possibilidades de 
análise do problema. 
Diante disso, percebemos que ainda não há uma teoria universal 
que ofereça todas as orientações necessárias para o processo de 
liderança, ainda faltando uma teoria que proporcione princípios 
gerais facilmente aplicáveis de forma mais concreta. No entanto, 
como estamos nos referindo ao trabalho com humanos, isso se 
torna inviável, devido ao fato de que as necessidades de liderança 
variam muito, sendo necessário fazer o reconhecimento do líder 
por meio da prática e da criação de condições para que ele 
possa se desenvolver em termos de eficácia, levando consigo o 
grupo. 
License-383754-33318-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Com isso, podemos também perceber a relação que existe 
entre as formas de atuação das lideranças e as abordagens da 
Psicologia que já apreendemos anteriormente. Com o auxílio 
dessas abordagens, é possível que um bom líder procure 
entender a subjetividade dos funcionários e identifique os pontos 
da personalidade de cada um que podem ser usados a favor da 
organização. 
A boa liderança varia de acordo com 
as necessidades da empresa, sendo 
necessário descobrir qual é a melhor 
abordagem para esse papel. 
License-439169-30180-0-0
PSICOLOGIA 
APLICADA
A saúde do trabalhador e a 
segurança no trabalho 
Introdução
Olá! Seja bem-vindo (a) à última unidade de nossa disciplina! 
Aqui, você verá a importância de se prezar pela saúde do 
trabalhador, além de conhecer o papel do psicólogo nesse 
processo.
Você sabia que os acidentes de trabalho podem trazer 
consequências que vão além da parte física? Isso mesmo. Um 
ambiente de trabalho em que não são asseguradas as condições 
necessárias de saúde pode desencadear diversos problemas 
mentais e emocionais no trabalhador. 
Abordaremos quais são os recursos existentes para assegurar 
que o ambiente de trabalho seja adequado, bem como a 
importância de se prevenir os acidentes. 
Mais uma vez, bons estudos!
License-439169-34732-0-0
PSICOLOGIA 
APLICADA
Atividade Avaliativa
Aplicação 
Vimos, ao longo dessa unidade, a importância de se garantir 
a saúde dos trabalhadores, e como as doenças provocadas 
por ambientes de trabalho inadequados podem causar graves 
consequências para a vida do trabalhador e de seus familiares. 
Aprendemos que as empresas que investem em programas 
de qualidade vida (QVT) no trabalho e de prevenção de 
acidentes garantem não somente a segurança e bem-estar 
de seus funcionários, como também estimulam a melhoria no 
desempenho das atividades. 
Sabemos que implementar essas propostas pode ser um 
desafio, mas que também é função dos profissionais da área 
garantir que os direitos à saúde e à segurança sejam cumpridos. 
Pensando no ambiente de trabalho, e no seu cotidiano de 
atividades, propomos as seguintes atividades:
Etapas da atividade 
I. Faça uma visita completa no seu local de trabalho e entreviste 
um profissional. Procure saber se há um programa de QVT 
e quais estratégias existem para prevenir os acidentes e 
adoecimento mental, visando garantir a qualidade de vida 
dos funcionários. 
II. Se você fosse responsável por criar essas estratégias, quais 
outras você criaria evitar ou minimizar acidentes e/ou 
adoecimento psíquico no ambiente de trabalho?
III. E quanto às estratégias para motivação dos funcionários, você 
acha que poderia mudar alguma coisa? Se sim, o que mudaria 
e, em caso de negativo, quais são os aspectos importantes 
para promover a motivação e satisfação do trabalhador no 
ambiente laboral?
License-439169-30174-0-0
PSICOLOGIA 
APLICADA
Critérios de Avaliação
Para que você possa se autoavaliar, deverá analisar alguns 
aspectos de sua atividade. Na sequência, conheça quais são eles.
I. Analise e avalie essas possiblidades de mudanças a partir de 
seu cotidiano e de seu ambiente de trabalho. 
II. Considere mudanças a partir das ideias de QVT e 
enriquecimento no trabalho. 
III. Tente considerar também questões que não são somente 
responsabilidade da empresa, mas que o próprio trabalhador 
pode fazer para garantir sua segurança. 
License-439169-35442-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Para que serve a segurança no 
trabalho?
Desde o início da Revolução Industrial, com a possibilidade de 
os trabalhadores se manifestarem e buscarem seus direitos, os 
métodos de produção vêm se adequando tanto às necessidades 
do empregador quanto às do empregado. Assim, chegamos à 
necessidade de estabelecer garantias para assegurar a saúde 
das pessoas que desenvolvem determinadas atividades por 
meio de uma perspectiva de segurança no trabalho. 
O trabalhador e as atuais condições de trabalho
A partir da possibilidade de manifestações que surge com a 
Revolução Industrial, o trabalhador passou a lutar em prol de 
direitos, tentando garantir que o ambiente de trabalho passasse 
a ser um local agradável e adequado às suas necessidades. A 
imagem a seguir retrata um grupo lutando por seus direitos.
Fonte: Peter Scholz, Shutterstock, 2018.
License-439169-35442-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
A eficiência no trabalho sempre foi uma questão priorizada 
nos meios de produção, e, a partir de estudos, pesquisadores 
perceberam que a eficiência também estava intimamente 
relacionada às motivações do trabalhador.
Um exemplo desses estudos foi a expansão das estradas 
ferroviárias nos Estados Unidos, no final do século XIX. O 
coordenador do empreendimento tomou três fatores como 
diretrizes para gerar maior eficiência: a organização; a 
continuação; e a comunicação. A partir desse modelo, ele 
percebeu uma grande motivação e satisfação, por parte dos 
trabalhadores, ao desenvolver o trabalho. 
No ambiente de trabalho, era estimulada uma liberdade, em 
que os funcionários se sentiam parte do processo, além de 
sentirem que estavam desenvolvendo algo significativo. Isso os 
motivou, e se tornou uma referência no estudo dos processos de 
administração.
Outra referência para o gerenciamento das empresas foi o 
trabalho de Taylor. Taylor desenvolveu métodos em que o 
trabalhador possuía um conhecimento completo do processo 
de produção, valorizando-o e dando condições para que ele 
desenvolvesse várias tarefas, retirando o sujeito da monotonia 
da repetição.
Atualmente, o trabalhador vem conseguindo garantir condições 
mínimas de dignidade, sendo sua força de trabalho minimamente 
valorizada e garantida a sua segurança. Dentre essas garantias, 
está a saúde, que deve ser visada e priorizada nos meios de 
produção. 
Assim, surge a ideia de segurança do trabalho, a qual compreende 
um conjunto de normas, ações, tecnologias e medidas preventivas 
visando melhorar as condições no ambiente de trabalho, 
promovendo a proteção do trabalhador contra acidentes e 
doenças ocupacionais. 
Ainda há muito a ser feito para que a 
saúde do trabalhador seja priorizada 
dentro das organizações, garantindo 
segurança e saúde para todos.
License-439169-35442-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Qualidade de vida no ambiente de trabalho
A Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) passou então a ser uma 
reivindicação dos trabalhadores, além dos empregadores, que 
também perceberam como isso influenciava a produtividade.
Clique na figura para assistir ao vídeo
Entenda que a QVT trata de pontos favoráveis e desfavoráveis 
de um ambiente de trabalho para as pessoas. A proposta básica 
é tentar equilibrar um local agradável e adequado para os 
trabalhadores com os interesses econômicos do empregador 
Os pontos básicos da QVT são: comunicações abertas; sistemas de 
recompensa justos; preocupação com a segurança dos empregose participação no planejamento do trabalho. Além disso, deve 
fazer parte dessa ideia os planos de carreira e a valorização do 
aprimoramento técnico.
A QVT está intimamente relacionada à 
qualidade da produção, visto que se o 
trabalhador tem condições adequadas, 
ele é motivado a produzir mais. 
License-439169-35442-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
O objetivo da QVT é promover um ambiente de trabalho 
humanizado, no qual as habilidades do trabalhador sejam 
valorizadas, proporcionando um ambiente que os encoraje a 
desenvolver essas capacidades. A ideia é que os trabalhadores 
são recursos humanos que devem ser desenvolvidos e não 
somente usados.
Além disso, o trabalho deve ter condições que não submetam os 
empregados a tensões e situações indevidas ou perigosas . No 
Brasil, assim como em diversos lugares do mundo, vários estudos 
vêm sendo desenvolvidos, procurando encontrar um modelo 
próprio de desenvolvimento da QVT a partir das características 
culturais locais. Perceba que o objetivo é desenvolver trabalhos em 
que as habilidades do brasileiro sejam valorizadas e priorizadas 
para a construção de um ambiente no qual o indivíduo possa 
desempenhar e aprimorar suas qualidades.
A hipótese é que esse tipo de trabalho promove um melhor 
ajustamento entre os empregados e as tarefas a cumprir, 
a justando essas tarefas à situação e às habilidades que o 
trabalhador pode desenvolver.
Essa possibilidade de criar um ambiente de trabalho adequado às 
necessidades de saúde e ao bem-estar do trabalhador influencia 
diretamente na qualidade da produção e na motivação do 
empregado em desenvolver suas tarefas. Os benefícios aparecem 
para o empregador à medida que é assegurada a qualidade 
do trabalho, bem como minimiza as perdas por acidentes de 
trabalho ou adoecimentos. A imagem a seguir sinaliza fatores 
do ambiente de trabalho envolvendo a motivação e a QVT.
License-439169-35442-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Maior
Coordenação
Maior
Produtividade
Maior
Capacidade
Qualidade de
Vida no Trabalho
Maior
Motivação
Fonte: RODRIGUES, 1994.
Políticas Públicas de saúde no trabalho
Diversas medidas que buscam garantir a qualidade de 
vida do trabalhador e assegurar condições seguras para o 
desenvolvimento do trabalho transgrediram a preocupação 
das empresas e passaram a ser políticas públicas, as quais as 
empresas são obrigadas a cumprir. 
Com isso, o caráter social do processo de saúde-doença passa a 
ser um campo de estudo específico da medicina social, visando 
conhecer e criar condições que se adequem às necessidades do 
trabalhador, criando leis e políticas que devem ser cumpridas.
Nas últimas décadas, as questões que envolvem o processo de 
trabalho e a saúde mental têm sido consideradas e estudadas, no 
sentido de que o trabalho pode ser um fator de desenvolvimento 
de adoecimento mental. Essa preocupação vem mobilizando 
a opinião pública, no sentido de promover ações que visem 
minimizar ambientes que promovam esse tipo de adoecimento.
 
License-439169-35442-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
É essencial, portanto, mencionar as atuais políticas públicas, uma 
vez que nas últimas duas décadas as discussões e pesquisas 
têm sido crescentes. Aqui no Brasil, temos a Portaria nº 1.823, de 
23 de agosto de 2012, que institui a Política Nacional de Saúde 
do Trabalhador e da Trabalhadora. Há também o Decreto nº 
7.602, de 07 de novembro de 2011, que dispõe sobre a Política 
Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho, dando origem ao 
Plano Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho – PLANSA, 
ilustrados na figura a seguir. 
Fonte: Levent Konuk, Shutterstock, 2018. 
Porém, sabemos que a realidade da área de saúde e segurança 
do trabalho é cruel, havendo diversos setores que apresentam 
ambientes e atividades que não se adequam às necessidades de 
saúde das pessoas. 
É comum vermos nos jornais denúncias de casos de precarização 
do trabalho, injustiça social e degradação ambiental e humana, 
nos mostrando que muito ainda deve ser feito em prol de garantir 
que as leis sejam efetivamente cumpridas. 
License-439169-35442-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Ainda é muito comum, nos dias atuais, 
denúncias de trabalho escravo, onde 
o mínimo exigido no ambiente de 
trabalho não é assegurado às pessoas. 
Sabemos que a saúde e a segurança no trabalho só serão eficazes 
quando houver a democratização dos ambientes de trabalho e 
os direitos de cidadania forem garantidos aos trabalhadores. 
License-439169-33326-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Os principais transtornos mentais 
que podem se desenvolver no 
ambiente de trabalho
Os adoecimentos em ambientes de trabalho podem ser tanto 
físicos quanto psíquicos. Você conhece alguém que se afastou 
do trabalho por depressão, estresse ou pânico? Saiba que os 
transtornos mentais são a terceira causa de afastamento do 
trabalho, segundo pesquisa de 2017 do Ministério da Saúde. A 
depressão, a síndrome do pânico, a Síndrome de Burnout, o estresse 
pós-traumático e o uso de substâncias psicoativas, como o álcool 
e as drogas, figuram entre os principais desses transtornos. 
Fatores estressantes no ambiente de trabalho
Diversos fatores podem desencadear adoecimentos mentais 
em função das condições de trabalho. O processo de estresse 
ocupacional pode ser derivado de diversos fatores que expõem 
o indivíduo a situações que geram uma forte carga de tensão. 
Alguns exemplos muito comuns: ser repreendido ou intimidado; 
a possibilidade de ser demitido; pouco tempo para cumprir 
metas etc. A figura a seguir retrata a imagem de um trabalhador 
submetido a uma situação de estresse.
 
Fonte: Phovoir, Shutterstock, 2018. 
License-439169-33326-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Diversos elementos no ambiente de trabalho podem ser 
estressantes, alguns deles podem ser comuns na maioria dos 
empregos, tais como a carga excessiva e o conflito com os 
colegas. Porém, há também fatores que aparecem de acordo 
com a pressão profissional do cargo ocupado. Por exemplo, por 
meio de estudos, foi identificado que um fator estressante para 
os enfermeiros é lidar com pacientes em estado terminal.
Assim, foram identificados alguns fatores que podem 
aparecer significativamente na maioria das profissões como 
possíveis causas de desgaste dos funcionários. O primeiro é 
a ambiguidade e conflito de papéis que podem surgir dentro 
da empresa, situações em que supervisores deixam de dar as 
devidas orientações para seus profissionais, não deixando claro 
o que se espera que esse funcionário faça. O segundo grande 
fator é a carga de trabalho e as demandas que são impostas, as 
quais podem estar além dos limites do trabalhador, causando 
desgastes psicológicos de ansiedade, frustração e insatisfação 
com o emprego.
O terceiro fator está voltado às questões sociais estressantes, 
em que os funcionários relatam diversos conflitos envolvendo o 
relacionamento com as pessoas. Trabalhar em um ambiente em 
que todos se relacionem bem é um importante elemento de bem-
estar, e a ocorrência do contrário pode causar graves desgastes. 
O quarto fator é a política organizacional, em que os funcionários 
podem começar a agir em causa própria, desconsiderando os 
interesses da organização, além das recompensas que, se não 
forem bem estabelecidas, podem ser consideradas favoritismo. 
O quinto dos principais fatores estressantes é o excesso de 
controle sobre o funcionário, não permitindo que ele se manifeste 
e atue de forma subjetiva, levando em conta as suas habilidades 
e necessidades. Por fim, o último fator é o assédio moral, um 
dos principais causadores da depressão, devido a abordagens 
inadequadas dentro das empresas. A imagem a seguir reproduz 
os fatores estressantes no ambiente de trabalho.
License-439169-33326-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Ambiguidade e
conflito de papéis 
Carga de trabalho
e as demandas
impostas
Questões sociais
estressantes
Política
organizacional
Excesso de controle
sobre os funcionários Assédio moral
Esses fatores são motivos para o desenvolvimento de reações 
emocionaiscomo ansiedade, frustração e até depressão, que, 
aliadas a reações físicas como dores e cansaço, podem gerar 
doenças psíquicas que impedem as pessoas de continuar a 
cumprir suas funções.
Esse estresse ocupacional, além de prejudicar drasticamente 
a vida do profissional, também leva a desgastes no trabalho, 
podendo prejudicar o funcionamento da empresa. Com isso, é 
necessário que avalições dos fatores estressantes sejam feitas 
periodicamente, como forma de assegurar que o ambiente de 
trabalho esteja adequado aos limites do empregado .
Fatores estressantes no ambiente de 
trabalho podem ocasionar doenças 
mentais e emocionais nas pessoas, 
além de influenciar sua vida fora da 
empresa.
Síndrome de Burnout 
Todos os fatores aqui apresentados podem causar transtornos 
mentais e emocionais, derivados do estresse ocupacional. 
Atualmente o mais conhecido e abordado nos estudos de saúde 
do trabalho é a Síndrome de Burnout, que, traduzido do inglês, 
significa “esgotar-se” ou Síndrome do Esgotamento.
License-439169-33326-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Uma pessoa que sofre a Síndrome de Burnout chega a um 
estado psicológico de angústia, sentindo-se emocionalmente 
esgotada e com baixa motivação e energia para desenvolver 
suas atividades. Esse estado pode ser o resultado de um trabalho 
intenso e se agrava principalmente em profissões com contato 
com outras pessoas, como simbolizado na figura a seguir.
Fonte: classen, Shutterstock, 2018. 
A Síndrome de Burnout pode ser avaliada por meio de uma 
escala que mensura três aspectos: a exaustão emocional, que 
é a sensação de cansaço e fadiga; a despersonalização, que se 
refere ao desenvolvimento de um sentimento pessimista; e o 
senso de realização pessoal reduzido, que seria o sentimento de 
não estar realizando nada de valor no trabalho.
Atualmente, muitas pesquisas mostram a recorrência da 
Síndrome de Burnout em professores. Esses estudos sugerem 
duas formas de amenizar os sintomas desse transtorno: uma 
trégua do trabalho, procurando se distanciar dos problemas 
desse ambiente; e a criação de planos em que os gestores 
apoiem emocionalmente os funcionários, dando feedbacks 
positivos e se envolvendo em discussões de meios de reduzir os 
fatores estressantes do ambiente de trabalho.
A Síndrome de Burnout afeta 
principalmente quem atua com 
pessoas, como enfermeiros, 
professores, psicólogos e policiais, etc.
License-439169-33326-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
O uso de substâncias como 
mecanismo de enfrentamento
Outra questão que atualmente está em foco nos estudos 
que envolvem a saúde do trabalhador é o uso de álcool e 
outras drogas como um recurso para o escape das situações 
estressantes. Vivemos em uma sociedade em que o uso de 
recursos compensatórios para as situações conflituosas são 
valorizados e incentivados. 
O uso de álcool ou até mesmo outras drogas como forma de 
proporcionar momentos de relaxamento e descanso são 
valorizados e respeitados. Por exemplo, você certamente já ouviu 
alguém falando que irá tomar alguma bebida porque teve um 
dia estressante, certo? Ou até mesmo alguém que toma algum 
tipo de remédio para dormir, como forma de obter descanso do 
dia cheio que teve. A figura a seguir reflete a imagem de um 
trabalhador já esgotado pelo uso de álcool, pelo consumo sem 
moderação.
Fonte: Photosebia, Shutterstock, 2018.
License-439169-33326-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Pesquisas em torno dessa temática demonstram que o uso de 
álcool está relacionado a fatores como insegurança no trabalho, 
assédio moral, sobrecarga de serviço ou até mesmo um meio de 
lidar com a angústia. Além disso, foi constatado que as pessoas 
com altos níveis de afetividade negativa tendem a consumir mais 
álcool, procurando lidar com as condições estressantes do trabalho. 
Pode haver, é claro, outras situações específicas do trabalho 
que favorecem o aumento do consumo de bebidas alcoólicas: 
disponibilidade do álcool; pressão social para beber; altos ou 
baixos rendimentos; tensão; estresse e perigo; invisibilidade do 
trabalho; pressão quanto a horários e metas; condições climáticas 
adversas; isolamento social; e trabalho noturno. 
Ainda devemos considerar que as normas entre os colegas 
podem influenciar o consumo de álcool e outras drogas, já que 
as pessoas tendem a praticar o que os colegas considerarem 
aceitável. Apesar do uso moderado não prejudicar a produtividade 
da empresa, o consumo pesado pode se tornar um problema 
significativo, levando à redução do desempenho no trabalho, o 
aumento de risco de acidentes e até mesmo no afastamento do 
empregado.
O uso de álcool é, muitas vezes, 
motivado em ambientes fora do local 
de trabalho, mas as consequências do 
abuso podem refletir no desempenho 
profissional.
License-439169-35444-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
As consequências psicológicas dos 
acidentes de trabalho
Os acidentes em um ambiente de trabalho podem trazer 
consequências tanto físicas quanto psicológicas para 
as pessoas. Várias dessas consequências podem ser 
reversíveis, possibilitando ao empregado retornar a seu 
cotidiano profissional. Há contudo, acidentes que podem ter 
consequências irreversíveis, modificando toda a existência 
das pessoas. Veremos a seguir como esses acidentes podem 
modificar a vida dos trabalhadores. 
Os acidentes de trabalho e suas consequências 
A atual legislação brasileira considera como acidente de trabalho 
eventos que ocorrem pelo exercício do trabalho e que causem 
lesão corporal ou perturbação funcional, morte e perda ou 
redução da capacidade para trabalhar. A figura a seguir ilustra 
um trabalhador acidentado.
Fonte: shellyagami-photoar, Shutterstock, 2018. 
License-439169-35444-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
A legislação ainda classifica os acidentes de trabalho em três 
categorias: acidente tipo (aquele que ocorre a serviço da 
empresa); acidente de trajeto (aquele que ocorre enquanto o 
trabalhador se desloca para o local de trabalho); e doença do 
trabalho (aquela em que a atividade exercida atua como a 
responsável pela aquisição) , como exposto na imagem a seguir.
Acidente tipo
Acidente de trajeto
Doença de
trabalho
São inúmeras as potenciais consequências de um acidente em 
um local de trabalho, como sequelas físicas, desenvolvimento de 
transtornos psíquicos ou em casos mais graves, mas não menos 
raros, a morte.
Os acidentes de trabalho são atualmente uma das maiores 
causas de morte entre as pessoas, tornando-se indispensável a 
construção de estratégias que visem minimizar esses acidentes 
e garantir locais de trabalho adequados para as pessoas.
Os acidentes de trabalho podem 
trazer consequências que vão desde 
perdas físicas e traumas psicológicos 
até casos fatais.
License-439169-35444-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Spector, com base em pesquisas realizadas, nos mostra 
que os principais tipos de acidentes fatais no trabalho 
ocorrem por veículos automotivos, contato com objetos ou 
equipamentos, violência e quedas. Isso demonstra que mesmo 
com regulamentações na legislação, ainda é possível encontrar 
trabalhadores em ocupações perigosas, sem cumprir as regras 
estabelecidas ou sem uso do equipamento adequado.
Assim, torna-se indispensável a necessidade de tomada de 
consciência no sentido de evitar e neutralizar a possibilidade de 
ocorrência desses acidentes, que podem trazer danos morais e 
materiais para a pessoa.
Ressaltamos aqui que não existem somente acidentes de 
trabalho, há a presença das doenças ocupacionais físicas: 
LER; DORT; PAIR; doenças decorrentes da exposição a agentes 
químicos, físicos, biológicos ou radioativos e doenças da coluna. 
Elas provocam incapacidade parcial ou total, temporária ou 
permanente. Tenha em mente que esses acidentes e doenças 
podem provocar sofrimento e angústias tanto no trabalhador 
quanto em sua família.
Destacamos, ainda, outra consequência desses acidentes: o 
desencadeamento de ações indenizatórias e a oneração da 
Previdência Social, acarretando elevados custos para a sociedade 
e para asempresas. Percebemos, mais uma vez, que a prevenção 
desses acidentes é a melhor alternativa para a empresa, para o 
empregado e para o poder público.
Vida ativa interrompida
Os acidentes de trabalho atualmente não são mais estritamente 
relacionados a atividades que são realizadas dentro do ambiente 
de trabalho. Os riscos mais gerais que a população está exposta, 
se expande, principalmente no que se refere à violência ou a 
exposição a produtos tóxicos. Através dessas exposições, os 
riscos de acidentes se ampliam, principalmente para aquele 
que tem o local de trabalho ampliado para o espaço público.
License-439169-35444-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Dessa maneira, as vítimas no exercício da profissão que chegam 
a casos fatais aumentam. Embora a consequência mais grave 
desses acidentes seja a morte, é preciso reconhecer que muitas 
pessoas perdem a sua habilidade para o trabalho através desses 
acidentes, mudando completamente a vida ativa dessas pessoas 
e podendo provocar traumas emocionais devido às essas perdas, 
como ilustrado na imagem a seguir.
Fonte: Shutterstock, 2018. 
Uma pesquisa realizada nos processos do INSS e nas declarações 
de óbito no estado de São Paulo, entre os anos 1997 e 1999, 
apresentou um total de 3.646 acidentes de trabalho fatais. Isso 
demonstra que, em média, 3,3 trabalhadores morreram por dia 
devido a causas relacionadas a atividades profissionais.
Já dados mais atualizados de 2017, da Organização Mundial da 
Saúde (OMS), afirmam que:
License-439169-35444-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
2,3 milhões de pessoas morrem e 300 milhões (860 mil diariamente) ficam feridas a cada ano 
devido a acidentes de trabalho;
160 milhões de pessoas sofrem de doenças não letais relacionadas ao trabalho;
a cada 15 segundos, um trabalhador morre de acidente ou doenças relacionadas ao trabalho;
a cada 15 segundos, 115 trabalhadores sofrem um acidente laboral.
Diante de dados como esses, percebemos o quão comuns podem 
ser os acidentes de trabalho e refletimos sobre como esses 
acidentes, que muitas vezes poderiam ser prevenidos, afetam a 
vida de diversas pessoas.
Pensando em vítimas fatais, temos toda a exposição da família, 
que perde um membro. E ainda temos os casos em que as vítimas 
não chegam ao óbito, mas que perdem capacidades físicas ou 
motoras, inviabilizando a continuidade da vida produtiva ou até 
mesmo causando dependência para desenvolver atividades 
básicas.
A perda da capacidade de 
desempenhar atividades pode 
impactar muito a vida de um indivíduo, 
de seus familiares e de toda a 
organização.
Depressão
Além dos acidentes, sabemos que quando desempenhado sob 
determinadas condições, o trabalho pode causar doenças físicas 
e mentais. Dentre elas, uma das que mais trazem consequências 
para vida do trabalhador são os episódios de depressão, que 
podem causar perda de produtividade e até afastamento. 
A depressão pode afetar o trabalhador não somente com o 
afastamento do trabalho, mas também com o afastamento das 
atividades que eram cotidianas para o indivíduo.
Os acidentes de trabalho resultam 
também em transtornos mentais, os 
quais causam graves consequências às 
vidas dos trabalhadores.
License-439169-35444-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Clique na figura para assistir ao vídeo
A depressão geralmente é caracterizada por sintomas que podem 
incluir sentimento de tristeza, autodepreciação, abandono, culpa, 
ideias de suicídio, apatia, incapacidade de sentir prazer e angústia. 
Além disso, o quadro é acompanhado por alterações físicas, como 
distúrbios do sono, do apetite, perda ou ganho de peso e retardo 
ou agitação físico.
De acordo com estudos da área de psicopatologia, a depressão 
proveniente do trabalho atinge todas as raças, idades e profissões, 
e alcança tanto os profissionais que trabalham direto com o 
contato humano, quanto aqueles que desempenham atividades 
mais operacionais e mecânicas. Vale dizer que a relação entre 
o adoecimento psíquico e o trabalho vem se apresentando de 
maneira crescente, principalmente entre a população rural, devido 
ao uso indiscriminado de agrotóxicos e entre trabalhadores que 
vivenciaram processos de reestruturação produtiva em seus 
locais de trabalho.
A figura a seguir retrata uma pessoa deprimida.
License-439169-35444-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: Shutterstock, 2018.
De acordo com as estatísticas do INSS, os transtornos mentais são 
responsáveis pela terceira posição em causas de concessão de 
benefícios previdenciários, sendo ainda a depressão o problema 
que mais afeta os trabalhadores. Isso pode estar relacionado a 
dois fatos que vêm atualmente mudando o mercado de trabalho: 
as mudanças tecnológicas aceleradas, que causam um impacto 
considerável para aqueles que não conseguem se adaptar; e o 
aumento da violência social, que interfere de forma significante 
no trabalho.
Essas constatações são alertas para a necessidade de estudos 
sobre as causas e os principais focos de desenvolvimento da 
doença entre os trabalhadores, visando avaliar a situação atual 
da saúde ocupacional e procurar medidas que possam prevenir 
o desencadeamento de novos casos.
License-439169-33322-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
A psicologia e a saúde do 
trabalhador
Diante de toda essa necessidade de assegurar a saúde do 
trabalhador dentro das organizações, o psicólogo passa a ter 
um papel fundamental como um mediador entre os interesses 
da organização e os do trabalhador. 
As pressões psíquicas no ambiente de trabalho
Diante de todas as mudanças pela qual vem passando o 
mercado de trabalho, seja pela competitividade, pela exigência 
técnica e até mesmo pelas crises financeiras atuais, os 
empregados das empresas são cada vez mais cobrados em 
prol da produtividade. Dessa forma, a pressão psíquica a que os 
trabalhadores são submetidos pode ser muito grande, podendo 
causar adoecimento pela impossibilidade de cumprir tantas 
demandas.
A Psicopatologia do Trabalho coloca o sofrimento como algo 
muito presente na relação entre o homem e o trabalho, sendo 
esse sofrimento muitas vezes usado como um recurso para o 
controle das condutas e da produtividade. A atuação por meio de 
pressões faz com que a pessoa se veja perdida da possibilidade 
de manutenção da sua subjetividade dentro da empresa, 
sendo dominado pelas imposições que são feitas , provocando 
esgotamento, como retratado na figura a seguir. 
Fonte: nelzajamal, Shutterstock, 2018. (traduzida)
License-439169-33322-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Sabemos que o impacto que uma organização pode causar em 
seus funcionários devido às formas de trabalho é grande. Em 
condições não adequadas, emerge o sofrimento, dificultando 
a relação entre o homem e o trabalho, que passa a ser uma 
forma de punição e, muitas vezes, levando o empregado ao 
desenvolvimento de doenças.
Com isso, é necessário que a fiscalização e ação no combate 
aos abusos sejam visadas e aplicadas, pois, conforme já 
vimos anteriormente, garantir a segurança dos profissionais, 
além de ser uma obrigação das organizações, também é uma 
forma de garantir a motivação e a produção do funcionário.
As pressões psíquicas podem trazer 
diversas consequências para a vida 
dos empregados, inclusive causando 
diversos adoecimentos no ambiente de 
trabalho.
Saúde no trabalho
Assim, é necessário garantir a saúde física e mental do 
trabalhador, como forma de garantir a subjetividade do homem 
e suas necessidades de saúde.
O trabalhador apresenta necessidades tanto individuais quanto 
organizacionais, e é necessário que essas demandas estejam 
em sintonia, visando atender ambos os lados do processo de 
trabalho. Quando essas necessidades não são atendidas, o 
vínculo entre a empresa e o empregado pode se romper.
Por exemplo, um trabalhador apresenta uma demanda para 
atuar fora do horário comercial. Caso o trabalho dessa pessoa 
possa ser desenvolvido em qualquer horário, sua demanda 
pode ser atendida e negociada, como forma de satisfazer suas 
necessidades e garantir para a empresa que eladesempenhe 
suas atividades de forma melhor em um horário que lhe é mais 
conveniente.
License-439169-33322-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
A partir disso, podemos pensar que existem duas possibilidades 
nas relações de trabalho: apenas trabalhar, desenvolvendo suas 
funções, ou trabalhar com segurança e satisfação. A figura a 
seguir retrata funcionários satisfeitos e seguros em seu ambiente 
de trabalho, com equipamentos de proteção.
Fonte: ndoeljindoel, Shutterstock, 2018. 
Isso nos faz pensar na importância de fazer do ambiente de trabalho 
um local agradável, no qual o funcionário se sinta à vontade para 
desenvolver suas tarefas.
Garantir que o trabalhador mantenha 
condições mínimas de manifestação 
da sua individualidade pode ser um 
grande aliado para garantir sua saúde.
Condições
físicas adequadas
Relações
interpessoais 
saudáveis
Necessidades
de saúde do
trabalhador
License-439169-33322-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Precisamos reforçar também que essas necessidades de 
saúde vão além das condições físicas adequadas e segurança. 
É preciso ter um ambiente em que as relações interpessoais 
permitam que o sujeito se sinta à vontade para trabalhar e 
se manifestar de acordo com os seus descontentamentos e 
inseguranças.
Como a psicologia atua nesse ambiente
O trabalho do psicólogo se tornou indispensável dentro das 
organizações, tanto como forma de promoção da qualidade de 
vida e bem-estar, quanto como um trabalho de compreensão de 
todas as interações que existem dentro da empresa, procurando 
as melhores formas de promover a produtividade.
Por meio de diversos estudos do Ministério da Saúde, percebeu-
se que os fatores psicológicos podem ser decisivos no aumento 
do rendimento do trabalho, derivando daí estudos que envolvem 
a motivação, a satisfação no trabalho, além de métodos que 
identifiquem e promovam essas questões. A figura a seguir 
retrata cordialidade no ambiente de trabalho, o que é essencial 
para a saúde do colaborador.
Fonte: wavebreakmedia, Shutterstock, 2018.
License-439169-33322-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Com a definição de algumas doenças mentais e os estudos 
de suas causas, começou-se a perceber que elas tinham 
origem das frustrações que envolviam a prática do trabalho. 
Assim, o psicólogo passou a ser parte integrante dos ambientes 
empresariais como forma de identificar as possíveis demandas 
e procurar prevenir o surgimento dessas enfermidades .
Lembramos também que o psicólogo desenvolve um trabalho 
muito importante no que se refere à saúde do trabalhador, mas 
suas atividades não se resumem a isso. São também funções 
desses profissionais o recrutamento e a seleção dos novos 
funcionários, o treinamento e inserção dessas pessoas no cotidiano 
da empresa, a procura pelo desenvolvimento das habilidades que 
os empregados apresentam e a identificação dos elos fracos da 
empresa, visando fortalecê-los.
O esforço de compreender e lidar com questões do 
comportamento humano e do trabalho constitui um campo da 
Psicologia denominado Psicologia do Trabalho. Trata-se de um 
ramo que estuda a natureza dos processos de organização do 
trabalho e os possíveis impactos psicossociais, principalmente 
no que se refere à qualidade de vida e saúde do trabalhador, 
tanto individual quanto coletivamente.
Além disso, há a Psicologia Organizacional, que surge como 
uma necessidade de entender e lidar com os processos 
psicossociais dentro da empresa. Imagine um conjunto de 
pessoas que precisam ser coordenadas para que consigam 
atingir as metas e objetivos da missão organizacional da 
empresa.
Perceba que a atuação do psicólogo dentro desse campo 
necessita de parcerias com diversos outros ramos científicos e 
profissionais, como forma de garantir que o diálogo na empresa 
seja algo priorizado. Além disso, para entender toda a dimensão 
dos problemas organizacionais, o psicólogo depende de contato 
com diversos outros profissionais especializados nas demandas 
.
License-439169-33322-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Como você pode ver, trata-se de um profissional que deve estar 
presente nesse campo organizacional como um mediador entre 
os interesses da empresa e o dos funcionários. Seu objetivo é 
proporcionar as melhores condições e garantir os interesses de 
ambos os lados.
O psicólogo deve ser um profissional 
que busca equilibrar os interesses 
econômicos da empresa com os 
interesses de saúde e bem-estar do 
trabalhador.
License-439169-35440-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Os programas de qualidade de vida 
no trabalho
Como forma de implantar e manter as ideias que garantam a 
saúde do trabalhador, existem programas que visam promover 
a qualidade de vida no ambiente de trabalho e assegurar 
que motivação e desempenho estejam aliados. A QVT é um 
conjunto de ações de uma empresa que envolve diagnósticos e 
implantação de melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas 
e estruturais, dentro e fora do ambiente de trabalho, com vistas 
a propiciar condições plenas de desenvolvimento humano para 
e durante a realização do trabalho. 
Enriquecimento do trabalho 
O interesse em manter altos padrões de qualidade de vida no 
trabalho é algo novo que as empresas começam a aderir a partir 
do momento que percebem a importância da satisfação do 
trabalhador para o aumento dos níveis de produtividade.
Dentre essas ideias, está o enriquecimento no trabalho, termo 
criado por Frederick Herzbeg e baseado no desenvolvimento de 
uma pesquisa feita sobre motivadores e fatores de manutenção.
O enriquecimento no trabalho se refere aos motivadores 
adicionais que, ao serem somados à tarefa principal, podem 
torná-la mais recompensadora. Trata-se de uma forma de 
melhoramento do trabalho, buscando reduzir a monotonia 
.conforme ilustra a imagem a seguir. 
License-439169-35440-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: Kzenon, Shutterstock, 2018.
Essa forma de melhorar o ambiente de trabalho busca a 
satisfação e o prazer do empregado ao desempenhar suas 
funções, trazendo muitos benefícios. Por meio de pesquisas 
realizadas e apresentadas por Davis e Newstrom, foram 
percebidos resultados de enriquecimento do papel social 
dentro da organização e a disposição para o crescimento e 
autorrealização. Além disso, como consequência do aumento 
da motivação, o desempenho melhorou, proporcionando um 
trabalho mais humano e produtivo, como ilustrado na imagem 
a seguir.
Tarefa
principal
Motivadores
adicionais
Trabalhador
satisfeito
License-439169-35440-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Um exemplo de aplicação dessa proposta de trabalho aconteceu 
em uma fábrica de bandejas térmicas, na qual originalmente 
os operários trabalhavam em uma linha de produção, cada 
um desempenhando uma pequena parte do processo total. A 
empresa então decidiu pelo enriquecimento do trabalho, e cada 
operário passou a completar toda uma bandeja térmica, sendo 
responsável por todo o processo de produção.
Com isso, os trabalhadores logo desenvolveram mais interesse 
pelo trabalho, e as peças rejeitadas pelo controle de qualidade 
caíram de 23% para 1%, bem como faltas de 8% para 1%. Uma vez 
que nenhuma outra mudança foi feita no departamento, pode-se 
perceber que os resultados obtidos se devem ao enriquecimento 
no trabalho.
Dessa forma, vemos que essa proposta beneficia o trabalhador 
que tem maior satisfação em seu trabalho, sendo capaz de 
participar de todos os processos da produção de forma eficiente. 
E a organização se beneficia também com uma pessoa motivada 
e com melhor desempenho.
O enriquecimento no trabalho surge 
para garantir que o trabalhador conheça 
todo o processo de produção, e se sinta 
responsável por suas atividades. 
O Programa Brasileiro de Qualidade e 
Produtividade (PBQP)
Outra proposta que se mostrou eficiente na promoção da 
qualidade de vida no trabalho foi o Programa Brasileiro de 
Qualidade e Produtividade, implantado por volta de 1990, 
envolvendo vários órgãos do governo e alguns representantes 
privados.
Com alguns realinhamentos ao longo dos anos, esse programapassou a envolver não somente o Ministério do Emprego e 
Trabalho, como também outros ministérios que se interessavam 
pelas questões sociais, como o Ministério da Educação e o da 
Saúde. A figura a seguir retrata um grupo de trabalhadores com 
foco em saúde e prevenção.
License-439169-35440-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Fonte: kurhan, Shutterstock, 2018.
O programa tinha como proposta a adesão da sociedade em 
geral, mobilizando as pessoas e os órgãos que se envolvessem 
com a área do trabalho, visando divulgar e conseguir a 
participação popular nas ações que pretendiam desenvolver.
Foi escolhida como meta principal do programa, a redução dos 
acidentes fatais em cinco anos, e foram definidas quatro linhas 
de ação: rever e reconstruir o modelo de organização do sistema 
de segurança e saúde; potencializar as políticas de segurança 
e saúde; implementar um sistema integrado de gestão em 
segurança e saúde; e aperfeiçoar e organizar o sistema de 
informação e pesquisa de interesse na área.
Além disso, dentro desse programa, foram construídos projetos 
que visavam a erradicação do trabalho infantil, a prevenção 
de acidentes do trabalho em micro e pequenas empresas e a 
melhoria das informações estatísticas sobre doenças e acidentes 
de trabalho.
Atualmente há uma tendência na redução dos agravos do 
trabalho na saúde. Porém, ainda é preciso fazer muito para 
melhorar essa área, pois indicadores apresentados pelo 
Ministério da Saúde, inclusive o de mortalidade, ainda se 
apresentam em faixas inadequadas para o considerado 
aceitável.
License-439169-35440-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
É função do governo assegurar que 
medidas sejam tomadas para a 
promoção de estratégias visando a 
saúde do trabalhador.
Responsabilidade legal e social frente à promoção 
da saúde no trabalho 
De acordo com nossa Constituição, existem alguns direitos do 
trabalhador que devem ser garantidos e assegurados pelas 
empresas. Dentre eles, destacamos: 
toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal;
toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis 
de trabalho e à proteção contra o desemprego.
toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família, saúde, e 
bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais 
(desemprego, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência).
Esses direitos nasceram da necessidade e da luta dos 
trabalhadores para garantir a integridade física e psicológica, 
buscando regulamentar isso por meio de leis.
Clique na figura para assistir ao vídeo
License-439169-35440-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Esses direitos definem que o 
trabalhador tenha seus benefícios 
garantidos e que a empresa cumpra 
com as determinações.
Atualmente, além da responsabilidade legal que as empresas 
devem exercer, enfatiza-se a importância da responsabilidade 
social. A responsabilidade social prevê o comprometimento 
com diversos aspectos sociais, tais como o meio-ambiente, a 
qualidade de vida da comunidade, a ampliação da educação, 
como forma de promover mudanças no ambiente em que se 
encontram.
Esse caminho de consolidação da responsabilidade social 
ainda está sendo trilhado, buscando garantir que exigências 
de respeito à vida e a integridade física das pessoas sejam 
priorizados. O número de simpatizantes vem aumentando a 
cada dia no mundo e no Brasil, justamente porque as empresas 
que se adaptam ao pensamento moderno passam a perceber 
que essas responsabilidades devem ser também tomadas por 
aqueles que lucram com o trabalho.
Podemos destacar também que à medida que as empresas 
adotam os princípios da responsabilidade social, mais elas se 
aproximam do ideal de garantir a responsabilidade legal para 
os seus trabalhadores, buscando o resgate da cidadania e do 
bem-estar, com a devida responsabilidade de empregados e 
empresa, como ilustrado a seguir.
Fonte: Mathias Rosenthal, Shutterstock, 2018. (traduzido)
License-439169-35440-0-6
PSICOLOGIA 
APLICADA
Apresentamos, assim, os benefícios que há no desenvolvimento 
de programas de QVT. Para o indivíduo, é promovida uma maior 
resistência ao estresse, maior estabilidade emocional, maior 
motivação, maior eficiência no trabalho, assim como melhora na 
autoimagem e no relacionamento com as outras pessoas, além 
da promoção de uma atitude favorável ao trabalho. 
Já para a organização, os benefícios podem ser os seguintes: 
uma força de trabalho mais saudável; menor absenteísmo ou 
rotatividade; menor número de acidentes; menor custo de saúde 
assistencial; maior produtividade; melhor imagem e um melhor 
ambiente de trabalho em geral. 
License-439169-35446-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Medidas de prevenção
Conforme já vimos, os acidentes de trabalho são um dos maiores 
problemas de saúde em todo o mundo, tendo como consequência 
perdas significativas para o trabalhador, para a empresa e para 
a sociedade em geral. Dessa maneira, uma das formas mais 
eficazes de evitar essas perdas é investindo na prevenção desses 
acidentes.
É preciso conhecer para prevenir 
Sabemos que a maioria dos acidentes são consequências de 
condições de trabalho inadequadas. Ou seja, para que esses 
acidentes não aconteçam é necessário que as empresas 
garantam todo o equipamento de proteção necessário para 
desenvolver as tarefas.
Além disso, uma das maiores e mais eficazes formas de 
prevenção dos acidentes engloba aprender sobre o que 
ocorre e o que pode ocorrer dentro do sistema de produção. 
Conhecer e identificar as possibilidades de acidentes facilita 
muito identificar os pontos de ações e desenvolver medidas 
preventivas. A maioria dos acidentes é previsível e possível 
de prevenir, sendo pouquíssimos os casos de acidentes que 
acontecem completamente ao acaso. Os sistemas de produção 
devem sempre ter medidas de controle que devem ser adotadas 
como forma de eliminar, reduzir e prevenir os acidentes. Caso 
eles ocorram, isso significa que essas medidas adotadas não 
foram completamente eficientes na missão de prevenção. 
Dessa forma, é indispensável que essas medidas sejam aplicadas 
e que todos os trabalhadores que estão envolvidos no processo 
de produção as conheçam, e tenham domínio das formas de 
empregá-las .
Por meio da criação de estratégias 
de prevenção é possível reduzir ou 
eliminar a maioria das possibilidades 
de acidentes nos locais de trabalho.
License-439169-35446-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
É necessário também que o trabalhador conheça todo o processo 
de produção, das formas corretas de manuseio dos objetos e das 
possibilidades de uso do maquinário. O estabelecimento de uma 
comunicação clara, deixando especificadas as possibilidades e 
riscos do uso do material, facilita para o empregado o contato e 
o manuseio.
Outra questão é a necessidade de levar em consideração a 
experiência e o conhecimento do empregado. Muitas vezes, por 
se tratar de operários de uma empresa, seu conhecimento não 
é considerado para a efetivação do trabalho. No entanto, são 
esses profissionais que conseguem fazer com que os sistemas 
funcionem, apesar de seus conhecimentos nem sempre 
serem os tidos como formais). A figura a seguir retrata alguns 
equipamentos de segurança utilizados no trabalho.
Fonte: fotohunter, Shutterstock, 2018.
Modelo de Análise e Prevenção 
de Acidente de Trabalho (MAPA)
Um instrumento criado para promover ações de prevenção 
dentro das organizações é o Modelo de Análise e Prevenção 
de Acidente de Trabalho (MAPA), atualmente difundido entre as 
empresas e comumente usado nessa perspectiva.
License-439169-35446-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
O MAPA tem a sua origem nos conceitos desenvolvidos nas 
últimas décadas para a temática de análise de desastres e 
acidentes, ampliando esses conceitos para a área do trabalho. 
Trata-se de fornecer para o mundo do trabalho as ferramentas 
e concepções já testadas em outras situações de análises de 
acidentes eprocurar adaptá-las para a área de acidentes do 
trabalho .
Um MAPA pode relacionar em uma mesma análise conceitos 
de ergonomia da atividade, análise de barreiras, análise de 
mudanças etc. Parte-se da ideia de que cada caso é único e 
acontece em um momento histórico e cultural singular, devendo 
as análises serem feitas de acordo com as características 
próprias do ambiente.
Dessa maneira, a proposta é parecida com a montagem de um 
quebra-cabeças que possibilite a compreensão dos aspectos 
técnicos e organizacionais que existem na ocorrência. O 
acidente deve passar a ser compreendido como uma ocorrência 
que precisa ser narrada. Ao mesmo tempo, uma equipe de 
vigilância deve se fazer presente investigando o ocorrido e não 
declarar encerrada suas atividades enquanto não identificar o 
maior número possível de condições relacionadas à origem e às 
consequências do acidente.
As etapas desse processo de narrativa e investigação do acidente 
devem ser: 
A descrição sistemática do trabalho normal e descrição do acidente; 
B
análise de barreiras que provocaram o acidente associadas às falhas na gestão da 
segurança e outras possíveis falhas associadas aos outros subsistemas de gestão; 
C
análise das mudanças ocorridas em termos de falhas na organização do trabalho, tais 
como a gestão de pessoal, os materiais, a comunicação etc.; 
D
ampliação conceitual, identificando os possíveis conceitos que podem contribuir para 
o estudo do caso.
O MAPA se torna uma excelente 
estratégia para a prevenção, à medida 
que ele visa desenvolver ações entre os 
funcionários. 
License-439169-35446-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Depois de desenvolvido esse processo, inicia-se a criação de 
propostas de intervenção que devem estimular o aperfeiçoamento 
das condições de segurança, buscando sempre minimizar ou 
eliminar as possibilidades de novos acidentes. O diálogo entre 
diferentes lógicas e interesses presentes deve ser estimulado 
também, de modo a construir conjuntamente decisões que 
considerem os interesses do maior número possível de envolvidos. 
A imagem a seguir se reporta aos apontamentos de um MAPA. 
Clique na figura para assistir ao vídeo
Fonte: michaeljung, Shutterstock, 2018. 
License-439169-35446-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Clima de segurança
Além de toda a questão humana da importância da prevenção de 
acidentes, ela também se torna uma fonte de preocupação devido 
aos custos que os acidentes incidem tanto ao funcionário, quanto 
à organização. Muitas abordagens são testadas para impedir os 
acidentes, envolvendo desde o design dos equipamentos até 
mesmo no relacionamento interpessoal dos funcionários. 
Percebeu-se, com isso, que muitas vezes as soluções podem 
ser simples, tais como obrigar os funcionários a usar óculos de 
proteção para impedir danos aos olhos.
Um ambiente seguro e prazeroso 
pode ser um grande aliado para que 
o trabalhador se sinta confortável, 
aumentando seu rendimento. 
Contudo, uma das grandes dificuldades de prevenção dos 
acidentes é o ambiente de trabalho, pois se torna fundamental 
conquistar a cooperação dos funcionários na utilização dos 
equipamentos de segurança apropriados, bem como no 
envolvimento de atitudes seguras. Por exemplo, é comum 
identificar funcionários que dispensam o material de segurança 
por considerar desconfortável e incômodo, ou por achar que 
se trata de um desperdício de tempo, fazendo com que essas 
pessoas fiquem expostas mais facilmente a situações perigosas .
Por isso, a promoção de um clima de segurança deve ser 
efetiva, promovendo uma percepção compartilhada de que os 
procedimentos de segurança são de suma importância. Essa 
atitude deve ser adotada não apenas pelos funcionários, mas 
também pela organização que deve encorajar e recompensar 
aqueles que se adaptam a essas condições. Ainda é essencial 
destacar que a motivação e satisfação no trabalho vai além das 
questões físicas. 
License-439169-35446-0-5
PSICOLOGIA 
APLICADA
Um ambiente de trabalho com relações de confiança e 
assertividade contribuem para evitar acidentes de trabalho. Por 
exemplo, uma discussão entre colegas em uma construção civil, 
pode aumentar as chances de um acidente físico. Ao contrário, 
um bom clima no trabalho pode ser muito útil à segurança, como 
simbolizado na imagem a seguir.
Clima de
segurança
Motivação
Aumento da
produtividade
Diversas pesquisas já comprovaram que organizações que 
possuem alto nível de segurança têm funcionários que se sofrem 
menos acidentes, além da produtividade, que geralmente se 
equilibra com um clima adequado, conforme mostra a ilustração 
anterior.
License-439169-34804-0-2
PSICOLOGIA 
APLICADA
Referências Bibliográficas
ALMEIDA, I. M. et al. Modelo de Análise e Prevenção de Acidentes 
– MAPA: ferramenta para a vigilância em saúde do trabalhador. 
Revista Ciência & Saúde Coletiva, v. 19, n. 12, p. 4679 - 4688, 2014. 
ANCONA-LOPEZ, M. Avaliação da Inteligência II. São Paulo: EPU, 
1987.
BERGAMINI, C. W. Psicologia aplicada à administração de 
empresas: psicologia do comportamento organizacional. São 
Paulo: Atlas, 2006.
BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria 
de Lourdes Trassi. Psicologias: uma introdução ao estudo de 
psicologia. São Paulo: Saraiva, 2007.
BUTCHER, H. J. A inteligência humana. São Paulo: Editora 
Perspectiva, 1981.
CARVALHO NETO, A. C.; SALIM, C. A. Novos desafios em saúde e 
segurança no trabalho. Belo Horizonte: PUC Minas, 2001.
CHANLAT, J. F. O indivíduo na organização. São Paulo: Atlas, 1993. 
CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos 
humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1999.
DAVIDOFF, Linda L. Introdução a psicologia. São Paulo: Makron, 
2000.
DAVIS, K.; NEWSTROM, J. W. Comportamento humano no trabalho: 
uma abordagem organizacional. São Paulo: Cengage Learning, 
1996.
FALCÃO, G. M. Psicologia da aprendizagem. São Paulo: Ática, 
1988.
GADNER, H. Estruturas da mente: a teoria das inteligências 
múltiplas. Porto Alegre: ArtMed, 1994.
License-439169-34804-0-2
PSICOLOGIA 
APLICADA
_______. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre: 
ArtMed, 1995.
GOLEMAN, Daniel. Inteligência Emocional. Rio de Janeiro: 
Objetiva, 2011.
GONÇALVES FILHO, A. P.; RAMOS, M. F. Acidente de trabalho em 
sistemas de produção: abordagem e prevenção. Revista Gest. 
Prod., v. 22, n. 2, p. 431 - 442, 2015.
GOODWIN, C. James. História da Psicologia Moderna. São Paulo: 
Cultrix, 2005.
HALL, Calvin S; NORDBY, Vernon J. Introdução à Psicologia 
Jungiana. São Paulo: Cultrix, 2005.
JUNG, Carl Gustav. O homem e seus símbolos. Rio de Janeiro: 
Nova Fronteira, 2001.
MINICUCCI, A. Psicologia aplicada à administração. São Paulo: 
Atlas, 2008.
MORIN, E. M; AUBÉ, C. Psicologia e gestão. São Paulo: Atlas, 2009.
PIAGET, J. Psicologia da inteligência. São Paulo: Vozes, 2013.
RODRIGUES, V. C. Qualidade de vida no trabalho. Petrópolis: 
Vozes, 1994.
SALIM, C. A. et al. Saúde e Segurança no Trabalho: novos olhares 
e saberes, Belo Horizonte: Fundacentro, 2003.
SCHULTZ, D. P; SCHULTZ, Sydney E. História da Psicologia 
Moderna. São Paulo: Cultrix, 2002.
SIQUEIRA, M. M. M. et al. Construção e Validação Fatorial de uma 
Medida de Inteligência Emocional. Revista Psicologia: Teoria e 
Prática, v. 15, n. 2, 143-152, 1999.
SPECTOR, P. E. Psicologia nas Organizações. São Paulo: Saraiva, 
2012.
SPERLING, A. P; ROVAI, E. Introdução à psicologia. São Paulo: 
Pioneira, 2003.
License-439169-34804-0-2
PSICOLOGIA 
APLICADA
SPERLING, A.; MARTIN, K. Introdução à psicologia. São Paulo: 
Pioneira, 2003.
TEIXEIRA, S. A depressão no meio ambiente do trabalho e sua 
caracterização como doença do trabalho. Revista do Tribunal 
Regional do Trabalho, v. 46, n. 76, p. 27 - 44, 2007.
ZANELLI, J. C. et al. Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. 
Porto Alegre: Artmed, 2014. 
ZIMERMAN, David E. Fundamentos psicanalíticos: teoria, técnica e 
clínica. Porto Alegre: Artmed, 1999.

Mais conteúdos dessa disciplina