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FICHA TÉCNICA © 2019. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz & SE/UNASUS & Universidade de Brasília Alguns direitos reservados. É permitida a reprodução, disseminação, adaptação e utilização desta obra, em parte ou em sua totalidade, de acordo com os termos de cessão e de uso da UNA-SUS. A citação da fonte é obrigatória e é vedada sua utilização comercial. Ministério da Saúde Luiz Henrique Mandetta (Ministro) Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde - SGETS Mayra Pinheiro (Secretária) Secretaria de Vigilância em Saúde - SVS Wanderson Kleber de Oliveira (Secretário) Secretaria de Atenção Primária à Saúde - SAPS Erno Harzheim (Secretário) Coordenação Geral de Ações Estratégicas, Inovação e Avaliação da Educação em Saúde - CGIED Adriana Fortaleza Rocha da Silva (Coordenadora Geral) Departamento de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde - DEGES Hélio Agnotti Neto (Diretor) Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz Nísia Trindade Lima (Presidente) Secretaria-executiva da Universidade Aberta do SUS - UNA-SUS Fabiana Damásio (Secretário Executivo) Coordenação de Monitoramento e Avaliação - UNA- SUS Alysson Feliciano Lemos (Coordenador) Edição, Validação e Homologação - UNA - SUS Paulo Biancardi Coury Claudio Maierovitch Peçanha Henriques Samara Rachel Vieira Nitão Equipe do Ministério da Saúde Diretor DEIDT/SVS: Júlio Henrique Rosa Croda Coordenador CGZV: Marcelo Yoshito Wada Coordenador CGARB: Rodrigo Fabiano do Carmo Said Diretor DSASTE/SVS: Daniela Buosi Rohlfs Coordenador CGSAT: Karla Freire Baêta Diretor DAEVS/SVS: Sônia Brito Coordenadora CGDEP: Elisete Duarte Validadores da SVS/Ministério da Saúde: Charles Dikison Souza Guimarães (CGSAT/DSASTE/SVS) Elisa Neves Vianna (CGARB/DEIDT/SVS/MS) Francisco Edilson Ferreira de lima Junior (CGZV/DEIDT/ SVS/MS) João Lucas Mendonça Dilly Alves (CGARB/DEIDT/SVS/MS) José Maria Viana dos Santos (CGSAT/DSASTE/SVS) Kauara Brito Campos (CGARB/DEIDT/SVS/MS) Mayara Maia da Costa (CGZV/DEIDT/SVS/MS) Noely Fabiana Oliveira de Moura (CGARB/DEIDT/SVS/MS) Rafaella Albuquerque Silva (CGZV/DEIDT/SVS/MS) Renato Vieira Alves (CGZV/DEIDT/SVS/MS) Samuel Brauer Nascimento (CGDEP/DAEVS/SVS) Tatiana Mingote Ferreira de Azara (CGARB/DEIDT/SVS/MS) Tatiane Fernandes Portal de Lima (CGDEP/DAEVS/SVS) Veruska Maia da Costa (CGZV/DEIDT/SVS/MS) Bárbara Ferreira Leite (CGIED/DEGES/SGTES) Bethânia Ramos Meireles (CGIED/DEGES/SGTES) Universidade de Brasília Márcia Abrahão Moura (Reitora) Enrique Huelva (Vice reitor) Gustavo Adolfo Sierra Romero (Diretor da Faculdade de Medincina) Equipe UNA-SUS / Universidade de Brasília Coordenadora Geral - UNASUS-UnB Gilvânia Coutinho Silva Feijó Coordenador de Produção de Educação a Distância) Jitone Leônidas Soares Jonathan Gomes Pereira dos Santos Autores Marcos Takashi Obara Rodrigo Gurgel Gonçalves Editor técnico Kátia Crestine Poças Celeste Aida N. Silveira Juliana F. Fracon e Romão Maria da Glória Lima Raul Luis de Melo Dusi Designer Instrucional Rute Nogueira de Morais Bicalho Designer Gráfico Daniel Alves Tavares Web designer Gabriel Cavalcanti D´Albuquerque Magalhães Ilustrador de EaD Thiago Fagundes Editor de Audiovisual Cristiano Alves de Oliveira Frankisnei Lopes Antônio Leite Sumário Organização ........................................................................................................5 Objetivos .............................................................................................................. 6 Apresentação .....................................................................................................7 Atividade 1 ........................................................................................................... 8 Controle larvário .............................................................................................. 8 Aedes aegypti ...................................................................................................11 Anopheles spp ................................................................................................17 Culex quinquefasciatus ...........................................................................20 Atividade 2 ........................................................................................................23 Aplicações Especiais a Ultra Baixo ...................................................23 Volume (UBV) .................................................................................................23 Atividade 3 ........................................................................................................42 Tratamento residual ...................................................................................42 Glossário .............................................................................................................56 Sobre o autor ...................................................................................................57 5 Organização 6 Objetivos 7 Apresentação Olá, tudo bem? Seja bem-vindo(a) à Unidade de Tecnologia de Aplicação de Inseticidas! Esta unidade aborda o uso correto de equipamentos e produtos que são utilizados nas atividades de controle de vetores. Esse conhecimento é de fundamental importância para garantir a qualidade e a segurança nas aplicações de inseticidas que visam à eliminação das diferentes espécies de insetos vetores. Cada espécie de vetor biológico apresenta comportamentos e ciclos de desenvolvimento específicos. Portanto, as atividades de controle devem levar em consideração não só os aspectos biológicos e comportamentais, bem como as condições meteorológicas e do ambiente (vento e chuva forte, inversão térmica, casa fechada etc.) e a suscetibilidade aos inseticidas para que haja efetividade da aplicação de inseticidas. Conhecer as doses e formulações de inseticidas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde (MS), as influências climáticas durante as operações de campo, o funcionamento dos equipamentos e as diretrizes técnicas e operacionais para aplicação de inseticidas é essencial para aprimorar-se a qualidade dos serviços prestados não só de profissionais que atuam no controle, como também para qualquer gestor na área de doenças transmitidas por insetos vetores. Desse modo, a OMS, em colaboração com uma rede de laboratórios analíticos, instituições de pesquisa e programas de controle de vetores em todo o mundo, estabeleceu um Sistema para Avaliação de Pesticidas (WHO - Pesticide Evaluation Scheme) para determinar as condições para uso de pesticidas em saúde pública, associado à eficácia e à segurança para seres humanos e meio ambiente. As especificações da OMS para os inseticidas podem ser encontradas no link: http://www.who. int/whopes/en/ 8 Antes de iniciar qualquer atividade de controle, é necessária a realização de duas atividades de extrema importância. • O primeiro passo para o planejamento das atividades de controle vetorial é o reconhecimento geográfico (RG). • segundo passo é o conhecimento, por meio da Vigilância Entomológica. Atividade 1 Controle larvário 9 10 O que é pesticida? Para melhor compreensão do tema, vamos dividir o controle larvário de acordo com a biologia de cada gênero de Culicidae: Aedes, Anopheles e Culex Aedes Anopheles Culex 11 Aedes aegypti A detecção dos criadouros, conhecidos como “foco”, ocorre durante as atividades de visita domiciliar. Nessa visita, todos os depósitos que contenham água devem ser inspecionados, sendo que as instruções e os detalhes técnicos para pesquisa larvária podem ser obtidos no Anexo XIV das Diretrizes Nacionais para a Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue, publicado em 2009. Outra forma de detecção de criadouros ocorre por meio de denúncia da população sobre a presença de focos e/ou vetores adultos. Geralmente, os criadouros naturais e artificiais de Aedes aegypti permitem que as larvas fiquem concentradas, ou seja, focalizadas em voltado seu local de origem. Como as larvas possuem pouca mobilidade espacial, em relação à forma alada, consequentemente, seus criadouros são restritos. Esses fatores podem facilitar a acessibilidade dos criadouros em ambiente domiciliar tornando as larvas mais vulneráveis ao controle do que os mosquitos adultos. O controle das formas imaturas consiste na aplicação de um produto larvicida para matar as larvas de mosquitos. Nas áreas infestadas pelo mosquito Aedes aegypti, devem ser tratados todos os depósitos com água que ofereçam condições favoráveis à oviposição do vetor caso não sejam passíveis de controle mecânico (destruição, vedação ou destinação adequada). 12 Não devem ser tratados utensílios para armazenar e cozinhar os alimentos, aquários e/ ou tanques de peixe, bebedouros de animais, pratos de vasos de planta, vasos sanitários, caixas d’água de descarga e ralos de banheiro. Também latas, plásticos e outros depósitos descartáveis que possam ser eliminados não devem ser tratados com larvicidas. Caso a casa esteja desabitada, recomenda-se o tratamento de caixas d’água de descarga e ralos de banheiro. 13 (1) CE = concentrado emulsionável; DT = tablete para aplicação direta; GR = grânulos; PM = pó molhável; WDG = grânulos dispersíveis em água. Figura 1. Larvacidas recomendados pelo Ministério da Saúde do Brasil, conforme classificação do produto, formulação e dosagem utilização em Saúde Pública. Fonte: OMS, 2012 (http://www.who.int/whopes/Mosquito_Larvacides_Sept_2012.pdf) Atualmente, são recomendados pela WHO Pesticide Evaluation Scheme os larvicidas que podem ser utilizados para controle de larvas (veja a biblioteca do curso_PDF 1 recomendações 2017 WHOPES). O Ministério da Saúde do Brasil também indica as doses e os produtos para tratamento de criadouros de larvas de mosquitos (Figura 1): 14 ** Temefós não é recomendado para controle larvário pelo Ministério da Saúde brasileiro. 15 Cálculo de volume dos depósitos cilíndricos Fórmula: V = K x D2 x H V = volume K = 0,8 (valor constante) D² = diâmetro ao quadrado H = altura Método 2 – Cálculo depósitos cilíndricos Exemplo: Uma cisterna que tenha 15 dm de diâmetro e 20 dm de altura, empregando a fórmula tem-se: V = K x (D x D) x H = 0,8 x 15 x 15 x 20 = 3.600 dm3 1 litro de água = dm3 V = 3.600 litros Cálculo de volume de depósitos retangulares Fórmula: V = C x L x H V = volume C = comprimento L = largura H = altura No momento da aplicação, é necessário conhecer a capacidade total do depósito, ou seja, calcular o volume de água existente no momento do tratamento com os larvicidas. Para isso, é necessário utilizar as fórmulas descritas a seguir. Vamos, agora, demonstrar como se calcula o volume para depósitos cilíndricos. 16 Cálculo de volume dos depósitos triangulares Fórmula: V = B x L X H/2 V = volume B = base L = largura H = altura 2 = Constante Método 3 – Cálculo depósitos triangulares Exemplo: Supondo um depósito de forma triangular que tenha 20 dm de base, 8 dm de largura e 12 dm de altura, aplicando a fórmula tem-se: V = (B x L x H)/2 = (20 x 8 x 12)/2 = (160 x 12)/2 = 960 dm3 1 litro de água = dm3 V = 960 litros No caso de depósitos triangulares, veja abaixo como deve ser feito o cálculo. 17 Anopheles spp Os criadouros naturais de larvas dos mosquitos pertencentes ao gênero Anopheles são igarapés, lagoas, riachos, remanso de rios, córregos, bromélias etc. Por outro lado, as modificações antrópicas no ambiente natural têm propiciado o desenvolvimento de outros criadouros, os chamados artificiais, como, por exemplo, açudes, represas, escavações, valas etc. Alguns criadouros de anofelinos são de fácil acesso, podendo ser manejados; porém outros são de difícil acesso. O manejo ambiental para controle larvário consiste na indução de mudanças nos ecossistemas por meio de alterações na hidrologia local ou nas práticas de uso da água. Essas modificações implicam em mudanças no paisagismo, na drenagem, na recuperação de terras e no preenchimento permanente de criadouros (Lindsay et al., 2004). As ações de manejo ambiental são medidas utilizadas no controle de larvas de anofelinos e devem ser realizadas sempre que possível. Dentre essas medidas, podemos citar: 1) manter os igarapés desobstruídos para liberar os cursos d’água; 2) realizar drenagem ou aterramento de pequenos criadouros. Torna-se fundamental a parceria com órgãos públicos ou privados, juntamente com a participação da comunidade para garantir que os serviços e a manutenção sejam permanentes. Essa medida é apropriada para a eliminação de criadouros permanentes, em áreas urbanas ou em alguns tipos de projetos de desenvolvimento, sendo considerada a primeira linha de defesa na redução dos riscos de transmissão da Malária. Apesar de apresentar custos elevados, quando são executados e mantidos adequadamente, sua sustentabilidade é relativamente fácil. 18 As Orientações Técnicas para Apresentação de Projetos de Drenagem e Manejo Ambiental em Áreas Endêmicas de Malária, publicadas em 2004 pelo Ministério da Saúde, podem auxiliar no desenvolvimento de ações de drenagem e no manejo ambiental, em municípios localizados em área endêmica de Malária, com transmissão urbana. 19 Em áreas rurais, os agricultores desempenham um papel crucial na redução de criadouros, uma vez que participam diariamente da ordenação do meio ambiente. Nessas áreas, a participação da comunidade agrícola torna-se obrigatória nas atividades de eliminação de criadouros por meio do manejo ambiental associado à utilização de produtos químicos. Os produtos recomendados incluem os adulticidas piretróides, organofosforados e carbamatos, além de reguladores de crescimento de insetos, os quais são aplicados em todos os locais de ocorrência das larvas e de adultos de mosquitos do gênero Anopheles. A desvantagem do uso de compostos químicos em relação ao manejo ambiental é o efeito residual curto, necessitando-se de aplicações regulares e frequentes. O controle de larvas de Anopheles depende da caracterização e do mapeamento dos criadouros e da identificação correta da espécie existente. Trata-se de uma medida de uso limitado que deverá ser usado quando não for possível a eliminação definitiva do criadouro. Para a sua indicação, deve-se considerar, principalmente na Amazônia, as características físicas, químicas e biológicas dos criadouros. 20 Culex quinquefasciatus As larvas de Culex quinquefasciatus não dependem da qualidade da água em termos de disponibilidade de oxigênio visto que respiram ar atmosférico na superfície dos criadouros. Possuem elevada fecundidade, alto índice reprodutivo, curto ciclo biológico, havendo registro de mais de dez gerações anuais, conforme Oliveira et al. (2003). Tal fato influencia rápido reestabelecimento da população, tornando-se necessária ampla cobertura dos criadouros existentes na área alvo. Diante da rápida recuperação populacional da espécie de mosquito Culex quinquefasciatus, é importante destacar que, nas ações de controle larvário, devem ser considerados que: 1. o manejo ambiental é a intervenção de maior relevância considerando-se que a eliminação do criadouro pode ser definitiva, e 2. as intervenções para prevenir a produção de mosquitos em criadouros potenciais (coleções de água estagnada) não podem ser eliminadas nem vedadas. As ações de manejo indicadas visam desenvolver barreiras físicas que impeçam o acesso de fêmeas para oviposição, dentre as quais podemos destacar: a) limpeza periódica de canais, valetas, riachos, córregos e similares, com remoção de vegetação aquática e de lixo, retificação ou desassoreamento do canal de escoamento para permitir o fluxo normal da água; b) vedação completa e manutenção de fossas quando isso não for factível; c) limpeza constante da vegetação aquática e marginal e remoção de entulhos nas grandes coleções hídricas; e d) vedação correta de tanques, tonéis e outros recipientes usados para armazenamentode água. 21 Para o controle de larvas do mosquito Culex quinquefasciatus, podem ser utilizados produtos biológicos, tais como Bacillus sphaericus (Bs) e Bacillus thuringiensis var. israelensis (Bti). O Bs não somente produz uma toxina proteica binária ativa contra larvas de mosquitos dos gêneros Culex e Anopheles, como também possui maior efeito residual, principalmente em águas ricas de matéria orgânica. O Bti produz quatro diferentes tipos de toxina proteica que atuam sinergicamente nas larvas de espécies das famílias Culicidae, Simuliidae, Chironomidae e Tipulidae. Devido à inexistência de uma vacina segura e eficaz, com exceção para Febre Amarela, grande parte das doenças transmitidas por insetos vetores tem como única fase vulnerável a eliminação do vetor, seja na fase adulta ou na fase imatura. De modo geral, as ações sobre o mosquito adulto são mais difíceis, caras e pouco efetivas, em comparação ao controle das formas imaturas de mosquito. Recomenda-se, também, os Análogos do Hormônio Juvenil (AHJ) e os Inibidores da Síntese da Quitina (ISQ) dos insetos. O AHJ mais utilizado é o Piriproxyfen, enquanto que os ISQs a serem utilizados podem ser o Diflubenzuron e o Novaluron. Os AJH e os ISQ são de ação lenta, portanto, a presença de larvas vivas dias após o tratamento não poderá ser interpretada como falha do controle. 22 Síntese da Atividade Nessa atividade, foram destacados os principais produtos que podem ser utilizados para eliminar larvas e pupas de mosquitos, mas se ressalta que as ações de manejo integrado do vetor devem ser incorporadas efetivamente como rotina nos municípios brasileiros, junto com a participação ativa da população na gestão dos criadouros, principalmente no ambiente doméstico. 23 Atividade 2 Aplicações Especiais a Ultra Baixo Volume (UBV) 24 O tratamento espacial a UBV consiste na fragmentação de pequena quantidade de inseticida por meio de equipamentos pesados e costais motorizados, os quais geram pequenas partículas denominadas “aerossóis” (Figura 2). Figura 2. Equipamentos motorizado acoplado a veículos (pesado) e aplicadores portáteis utilizados para tratamento a Ultra Baixo Volume. Equipamento pesado Equipamento portátil 25 O objetivo da nebulização é eliminar as fêmeas do mosquito Aedes aegypti que estiverem voando no local, as quais entrarão em contato com as minúsculas gotículas de aerossóis (Figura 3). A qualidade da aplicação espacial a UBV deverá ser garantida quando cerca de 80% das gotas tiverem tamanho entre 20µ a 50µ. Outro importante aspecto que aumenta a qualidade do controle é a coincidência da aplicação com o horário de maior atividade vetorial. A aplicação a UBV deve ser utilizada somente para bloqueio de transmissão e para controle de surtos ou de epidemias. Figura 3. Fotografia mostrando as minúsculas gotículas de aerossóis na asa e cabeça do mosquito adulto. 26 Os tratamentos a UBV devem ser iniciados rapidamente antes que o número de casos alcance o ponto máximo. Caso o número de casos ultrapasse o ápice da transmissão, a atenção deverá ser voltada para localidades vizinhas com presença do mosquito Aedes aegypti. Embora os tratamentos a UBV não sejam completamente eficientes, consegue-se controlar surtos devido ao alto rendimento dos equipamentos pesados (cerca de 2.000 casas/dia em 8 horas). Ressalta-se que as correntes de ar podem influenciar a aplicação espacial a UBV, uma vez que essa metodologia não permite efeito residual do inseticida. 27 Por um lado, os ventos fracos com velocidade menor que 3,2 km/h fazem com que as gotas não se movimentem adequadamente até o peri e o intradomicílio das casas. Por outro lado, ventos fortes com velocidade maiores que 9,6 km/h arrastam as gotas por uma distância muito longa das residências. A Figura 4 mostra a velocidade dos ventos ideais para tratamentos a UBV. Figura 4. Velocidade dos vento ideias de aplicação de inseticidas a UVB. 28 Devido à influência do vento e dos movimentos do ar, os aerossóis de inseticidas dispersam-se facilmente, chegando também aos blocos vizinhos de casas. Na verdade, quando um inseticida é aplicado em um bloco de casas, dependendo da direção do vento e de seus movimentos, o restante ir-se-á dissipar para as casas vizinhas. Somente quando uma grande área da cidade estiver concluída, cada bloco de residências receberá a quantidade de inseticida necessária para eliminar a população de fêmeas do mosquito Aedes aegypti. Em caso de vento forte e chuva, a operação deverá ser interrompida. 29 A temperatura é outro importante fator que deve ser levado em consideração no momento da aplicação de inseticidas a UBV. Durante o dia, os raios solares aquecem a superfície terrestre. Quando o sol se põe, inicia-se o processo de esfriamento da superfície da terra, ou seja, as ondas de calor elevam-se da superfície, chocando- se, a determinada altura, com as ondas de ar frio da atmosfera. Esse fenômeno é o que chamamos de inversão térmica (Figura 5). Assim, o aerossol de inseticida sobe pelo ar quente; porém; ao encontrar a camada de ar frio; interrompe-se a elevação, deslocando-se horizontalmente, de acordo com a direção do vento, quando, então, terá maior probabilidade de entrar em contato com os mosquitos. Figura 5. As aplicações a Ultra Baixo Volume devem ser efetuadas antes que termine o efeito da inversão térmica (antes do sol aquecer a superfície terrestre). 30 Os melhores períodos de aplicação são matutinos e vespertinos. Recomenda-se que aplicações a UBV devem ser realizadas entre 2 horas antes ou depois do nascer do sol e entre duas horas antes ou depois do pôr do sol, considerando-se os períodos de inversão térmica. O turno matutino, ou seja, antes do nascer do sol, destinam-se a atingir os mosquitos que estão no peridomicílio. O turno vespertino, isto é, após o pôr do sol, é período com maior número de casas abertas, é mais apropriado para os mosquitos abrigados no intradomicílio. 31 Quando os aerossóis de inseticida encontram vento em velocidade ideal, movem-se constantemente devido a correntes de ar e à dinâmica dos aerossóis. Nessa situação, cada gotícula deverá ter quantidade de inseticida suficiente para eliminar um mosquito adulto e ser suficientemente pequena para impactar sobre cada mosquito, ou seja, o tamanho da gota é de extrema importância. Veja a Figura 6. Figura 6. Comparação do tamanho de gotas de aerossóis com um fio de cabelo. 32 Dependendo do peso da gota, a energia gravitacional poderá fazer com que ela suba ou desça. Algumas barreiras físicas do ambiente poderão impedir seu trajeto, como, por exemplo, a poluição atmosférica, e a velocidade do vento afeta a deriva (deslocamento lateral) das gotículas que se irão dissipar no ambiente. Figura 7. Forças que atuam em uma gota de aerossol emitida por um equipamento a UBV. 33 Certamente, uma gota grande sofrerá queda rápida, permanecendo por pouco tempo no ar. Em alguns casos, poderá até manchar a pintura dos móveis e dos veículos, mas os prejuízos maiores serão a poluição ambiental e a perda econômica. Por isso, nas operações a UBV, é importante sempre manter uma faixa ideal de distribuição de tamanho de gota. As gotas de aerossóis que são mais propensas a impactar os mosquitos são aquelas que permanecem mais tempo flutuando no meio ambiente de acordo com os padrões estabelecidos na Figura 8, pois o efeito dos aerossóis com inseticidas dura até que as gotículas permaneçam flutuando no ar. Após duas horas, as gotículas terão chegado quase completamente ao chão, onde se irão degradar lentamente, em alguns dias, transformando-se em resíduos inofensivos. 34 Figura 8. Influência do tamanho de gotas na deriva de aerossóis. Nota-se que quanto menor a gota, maior a distância percorrida e o tempo de caimento. 35 Para facilitar a penetração dos aerossóis de inseticidas, é fundamental que os moradores mantenham abertas as portas e as janelas internas e externas. As aplicaçõescom equipamento pesado a UBV são métodos de tratamento imperfeitos que só conseguem matar entre 40% e 60% da população de mosquitos existentes em cada aplicação, uma vez que o aerossol não entra totalmente no interior das casas. Por isso, são necessários ciclos de aplicação em intervalos curtos, não mais de sete dias, a fim de evitar a emergência de novas fêmeas que continuam a picar pessoas e a colocar ovos. O ciclo de aplicação consiste no tempo que dura o tratamento de todos os quarteirões da área de trabalho, que corresponde a cada equipamento pesado, segundo o esquema em que foi dividido a cidade (cada aplicação = 1 ciclo). de novas fêmeas que continuam a picar pessoas e a colocar ovos. Os esquemas propostos para um esquema de ciclos, conforme o MS são: 1. Aplicação por 4 ciclos consecutivos, de acordo com o ciclo gonotrófico de Aedes aegypti, que geralmente dura quatro dias. Essa aplicação de inseticidas durante 4 dias consecutivos eliminaria as novas gerações que estão chegando à área, após o quarto dia do ciclo gonotrófico. 36 2. Aplicação a cada 7 dias, por 4 a 5 semanas. Essa sequência leva em consideração o período extrínseco de incubação do vírus nos mosquitos, que vai desde sua ingestão até a multiplicação e a localização nas glândulas salivares, a qual, em média, é de 7 dias. Portanto, a eliminação das fêmeas a cada 7 dias irá, eventualmente, eliminar aquelas que estejam infectadas. Após o quinto ciclo, deve-se avaliar o impacto dessa aplicação sobre a transmissão da doença e, caso necessário, pode-se realizar a aplicação por mais dois ciclos. A metodologia recomendada pelo MS é uma mistura dos dois esquemas acima e preconiza a realização de cinco aplicações a UBV em ciclos de três a cinco dias, conforme mostra a Figura 9. Para garantir-se a aplicação adequada dos equipamentos a UBV acoplados a veículos, algumas recomendações devem ser seguidas. Observe a seguir... Figura 9. Impacto dos tratamentos UBV sobre a densidade do Aedes aegypti, segundo a duração dos ciclos. 37 O bico do equipamento de aplicação a UBV deve ter uma capacidade mínima para dispersar o inseticida em gotas entre 5μ e 50μ de diâmetro, sendo que cerca de 80% das gotas devem estar entre 10μ e 25μ. O bico deve estar voltado para cima em um ângulo de 45º; O motorista deverá dirigir o veículo a uma velocidade estável, mantendo-se atento para parar em situações imprevistas. A velocidade média do veículo deve ser de 10 km/h, a mais ou menos 3 metros de distância do meio fio (próximo ao centro da rua), devendo-se desligar o equipamento quando o veículo parar ou esteja mudando de quarteirão. O fluxo de inseticida deve ser interrompido em frente a locais como bares, restaurantes, açougues, velórios etc.; 1 2 38 Deve-se calibrar a pressão e a vazão do equipamento quinzenalmente, quando em utilização, e sempre que: (a) o veículo sofrer um acidente; (b) se trocar de concentração ou de inseticida; (c) notarem-se golpes no equipamento ou no bico; (d) o equipamento permanecer sem uso durante muito tempo. A vazão deve ser adequada à diluição a ser utilizada, à pressão do equipamento e à velocidade do veículo; Depois de duas horas de operação, o equipamento deverá ser desligado por 10 a 15 minutos para resfriamento. Após cada aplicação, deve-se limpar o equipamento utilizando-se o sistema de limpeza do fluxo de descarga de inseticida mediante o uso preferencial de álcool isopropílico. A calda do inseticida deve ser preparada no dia da aplicação ou, no máximo, com 24 horas de antecedência; 3 5 4 39 Conforme esquema da Figura 10, ressaltam-se que a aplicação a UBV com equipamentos acoplados a veículos deve realizar um percurso de maneira a contornar cada quarteirão antes de iniciar. O equipamento a UBV pesado deve ser utilizado somente em localidades urbanas com mais de 240 quarteirões. Para as localidades menores, é mais prático usar equipamentos portáteis (costal motorizada). Vamos abordar, agora, o equipamento costal motorizada. Figura 10. Esquema do percurso do veículo com equipamento UBV acoplado. Fonte: Ministério da Saúde, 2009. 40 A costal motorizada é um equipamento pequeno que possui um motor a gasolina de dois tempos de 1-3hp e pesa em torno de 6 a 12 kg. O motor que move um ventilador sopra o ar através do bico; esse ar também pressuriza, ligeiramente, o reservatório de inseticida, no qual atinge o bocal por uma válvula. Assim, o inseticida sai pela válvula e, por pressão negativa gerada pela corrente de ar, é atomizado em pequenas partículas e jogado para o exterior. Os equipamentos costais motorizados são recomendados para o tratamento de espaços fechados e para pequenas áreas externas, onde o acesso com equipamento pesado não seja possível. Também são usados bastante para bloqueio de transmissão quando os primeiros casos são detectados em uma localidade. A utilização de equipamento costal motorizado apresenta uma eficácia maior que o equipamento pesado; porém, dependendo da modalidade da sua aplicação, o rendimento é bastante baixo. A utilização desses equipamentos em aplicações intra e peridomiciliares tem um rendimento de, no máximo, 6 quarteirões/equipamento/dia, o que é um impeditivo para uso em grandes áreas devido ao número de operadores e equipamentos necessários para conter rapidamente a transmissão. Atualmente, as opções de inseticidas que podem ser utilizados em tratamentos espaciais a UBV são poucas: piretróides e organofosforados. As recomendações de doses e de formulações pela Organização Mundial de Saúde/OMS/Pesticide Evaluation Scheme (WHOPES) podem ser observadas na Figura 11. (1) CE = concentrado emulsionável; EA = emulsão aquosa (oléo e agua); UVB = ultra baixo volume. Figura 11. Adulticidas para tratamentos espaciais a UBV recomendados pelo Ministério da Saúde do Brasil, conforme classificação do produto, formulação e dosagem para utilização em Saúde Pública. Fonte: OMS, 2012 (http://www.who.int/whopes/Insecticides_for_space_spraying_Jul_2012.pdf) 41 Síntese da Atividade Chegamos ao final desta atividade. Cabe lembrar que metodologias mencionadas na Atividade 2 integram o conjunto de atividades emergenciais adotadas nas situações de surtos e/ou epidemias e que seu uso deve ser concomitante com todas as demais ações de controle, principalmente, a diminuição de criadouros de mosquitos por meio do manejo ambiental. 42 As operações de controle de insetos vetores com importância em Saúde Pública utilizam, em muitas situações, a “borrifação superficial” ou de “efeito residual”. Essa técnica consiste em deixar sobre as prováveis superfícies em que o inseto repousa ou as quais frequenta uma camada de inseticida que, durante algum tempo, permanecerá ativo. Os veículos utilizados na formulação do inseticida (coadjuvantes + água) evaporam após algum tempo e deixam sobre a superfície cristais de inseticida na dosagem recomendada. Atividade 3 Tratamento residual A unidade domiciliar pode ser tratada interna ou externamente com inseticidas. A pulverização residual interna é a aplicação de inseticidas químicos de ação prolongada nas paredes e nos telhados de todas as casas em uma determinada área. O tratamento externo consiste na borrifação de abrigos de animais domésticos (galinheiros, chiqueiros, curral, canil etc.) ou de locais de armazenamento situados no peridomicílio. A borrifação intra e peridomiciliar de inseticidas de efeito residual tem sido amplamente empregada para o controle de mosquitos (Anopheles), triatomíneos e flebotomíneos. 43 Os inseticidas são aplicados com pulverizadores de compressão operados manualmente. Esses equipamentos são constituídos por um tanque, alça, tampa, bomba (pistão), manômetro, tubo extensor, filtro, mangueira, bico, gatilho da válvula e pé de apoio. Todas as peças devem ser construídas com materiais anticorrosivos e as conexões entre diferentes materiais devem ser perfeitamente seladas para evitar perdas de pressão quando a capacidademáxima do equipamento for atingida (Figura 12). Figura 12. Equipamento de aplicação residual de inseticida. 44 Normalmente, utiliza-se a bomba Hudson-X-Pert, com pressão 70 psi (4,8 bar) ou similar de 10 litros, de pressão variável. As formu- lações para superfícies permeáveis (cal, tijolo, barro, madeira sem verniz, pinturas permeáveis) são pó molhável (PM) ou suspensão concentrada (SC), enquanto que, para as superfícies impermeáveis (vidros, azulejos, cimento liso, madeira com verniz, pinturas a óleo e látex), utiliza-se concentrado emulsionável (CE). As características desses tipos de formulações foram abordadas na Unidade 3. A fragmentação dos compostos químicos acima citados ocorre por meio do bico aplicador, o qual exige energia para desintegrar as partículas de inseticidas. Os bicos podem ser classificados conforme o tipo de energia que utilizam para fragmentar e impulsionar as partículas, podendo, basicamente, ser classificados em bicos de energia hidráulica, gasosa e centrífuga. 45 O bico usado para tratamento residual de insetos vetores utili- za energia hidráulica e é conhecido como HSS Teejet 8002, con- forme mostra a Figura 13. Esse tipo de bico formará um jato plano tipo leque, com aber- tura de 80 graus, que proporcionará uma deposição uniforme de inseticida nas laterais do jato. A única garantia para colocação da dose de ingrediente ativo ideal na superfície tratada é a minuciosa técnica de aplicação, a qual pode ser observada na Figura 14. Figura 13. Bico de energia hidráulica usado para tratamento residual de insetos vetores. 46 Figura 14. Técnica de borrifação residual. A: Uso de formulação adequada: PM ou SC. B: Pressão da bomba (pressão média de 45 libras/pol2). C: Agitação da bomba (deposição do pó molhável). D: Superposição de faixas (5 cm para compensar deposição nas laterais). E: Distância do bico à parede (45 cm) e F: Velocidade de aplicação (3 metros em 6,7 seg ou 45 cm/seg). 47 Após colocar o inseticida no tanque, ajuste a tampa do tanque e bombeie o pistão até que o manômetro indique 55 psi (3,8 bar). Cada bombada completa corresponde a cerca de 1psi. São necessárias, aproximadamente, 55 bombadas completas para chegar à pressão de trabalho; Em seguida, agite o tanque antes de começar a borrifação para obter uma solução homogênea. O inseticida é aplicado em faixas verticais com 75 cm de largura e elas devem-se sobrepor em 5 cm. Para assegurar a largura da faixa, mantenha a ponta do bico a cerca de 45 cm da parede. incline-se para a frente enquanto você aplica do topo da parede e afaste-se ao abaixar o bico; 1 2 Vejamos o passo a passo dessa importante técnica: Aplique do teto ao assoalho, em movimentos de cima para baixo, para completar uma faixa. Dê um passo para o lado e aplique de baixo para cima, do assoalho para o teto. Continue o procedimento, movendo-se em sentido horário até que termine o cômodo; Estabeleça um ritmo de trabalho de modo que cada metro borrifado corresponda a 2,2 segundos, isto é, uma parede de 2m de altura a cada 4,5 segundos. Para ajudar a marcar o tempo, conte mentalmente: “cento e um, cento e dois, cento e três...” 3 4 48 49 Para avaliar a qualidade das borrifações, é utilizado um painel de borrifação. O objetivo é praticar a técnica acima descrita. Somente com o treinamento dos borrifadores, tem-se a garantia de deposição da dose de ingrediente ativo recomendada pela OMS. O painel possui uma altura de três metros com nove faixas de 70 cm, sobrepostas por faixas de 5 cm. Nas faixas de descida, a distância do valor 101 é de 45 cm do alto, restando 30 cm em baixo. A segunda faixa de subida deve ser ao contrário, iniciando-se embaixo com 45 cm e terminando com 30 cm, conforme mostra a Figura 15. O treinamento de borrifação é realizado quando toda área do painel for tratada, nesse caso, utilizando-se somente água. Atente para os procedimentos de cuidado e de regulação do equipamento. Figura 15. Painel de borrifação residual utilizado para treinar a aplicação de inseticidas. 50 Em relação à avaliação das condições do equipamento, recomenda-se colocar água no tanque (nunca mais do que ¾ de sua capa- cidade) e travar com a tampa. Depois disso, comprima o pistão com as duas mãos até atingir a pressão de 55 psi (3,8 bar). Acione a válvula por um minuto, colete o volume borrifado e meça-o num recipiente graduado (repetir três vezes e calcular a média). A descarga média de um bico 8002 é de aproximadamente 760 ml/min. Se o volume borrifado estiver fora da média (760 ± 15 ml/ min), verifique no bico se as telas do filtro estão entupidas. O bico entupido deve ficar de molho em água por várias horas antes de ser limpo com uma escova de dente macia. NUNCA limpe o bico com alfinete ou arame e NUNCA o coloque na boca para assoprá-lo. Se necessário, substitua o bico. Também se devem verificar gotejamento no bico quando a válvula é acionada, se há qualquer barulho de vazamento no tanque, tubo extensor, conexões da mangueira e se a borrifação segue um padrão constante e sem irregularidades, em uma superfície seca da parede. 51 O preparo do inseticida para borrifação consiste na sua diluição em água para rebaixar sua concentração inicial de acordo com a dose indicada pelo fabricante. Nos processos de diluição de inseticidas, trabalhamos sempre com duas concentrações: 1. Concentração inicial: que corresponde à concentração do produto grau técnico ou da formulação intermediária, e 2. Concentração final: que corresponde à concentração do produto diluído, pronto para ser aplicado. O processo de diluição segue a seguinte fórmula: Peso da Carga = Volume da Bomba x % Conc. Final % Conc. Inicial Veja o exemplo: Qual o peso da carga do produto lambdacialotrina forne- cido pelo fabricante a uma concentração inicial de 10% e aplicada a uma concentração final de 0,08%? A bomba a ser usada é a Hudson-X-Pert de 10 litros. Dados: Volume da Bomba= 10 L ou 10.000 g Peso da carga (V1) = ? Concentração Inicial= 10% Concentração Final= 0,08% Dose de i.a./m2= 30 mg Peso da Carga = Peso da Carga = 80 gramas 10.000 x 0,08% 10% 52 Quando não se conhece a concentração final, devemos saber qual a dosagem do ingrediente ativo/m2; no caso do exemplo acima: Produto= lambdacialotrina Dose de ia = 30 mg/m2 Área coberta/bomba = 250m2 (bico Teejet 8002E) 1m2 ___________ 30mg de ia 250 m2 _________ x X = 7.500mg ou 7,5g de ia/bomba Após a borrifação, são necessários que os moradores permaneçam do lado de fora da casa até que o inseticida seque e que os mesmos não realizem a limpeza das superfícies borrifadas. Esta Unidade terminará com algumas recomendações para limpeza e para armazenamento do equipamento de aplicação residual. Os equipamentos de proteção do agente aplicador durante a aplicação do inseticida serão abordados na próxima Unidade. • Coloque água limpa até a metade do tanque e feche, agitando sempre o tanque para lavar todas as superfícies internas. • Bombeie até a pressão de 3 bar (= 43,5 psi). • Borrife a água pelo bico. • Retire a pressão do tanque e jogue o volume restante em latrinas ou em valas. • Desparafuse a válvula do gatilho, verifique e limpe o filtro. • Remonte a válvula do gatilho e a ponta do bico e lave-a. Em seguida, recoloque o bico. • Vire o tanque de cabeça para baixo (com a tampa aberta). • Abra a válvula e deixe escoar toda a água da mangueira e do tubo extensor. Quando for guardar a bomba por muito tempo, deixe-a de cabeça para baixo com a tampa aberta para permitir a circulação de ar. • Deixe o tubo extensor pendurado, apoiado no anel em “D” (onde o bico se encaixa), com a válvula do gatilho aberta. 53 54 Para leitura complementar em seus estudos, acesse o “): Arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti”, na biManual sobre Medidas de Proteção à Saúde dos Agentes de Combate às Endemias (ACE) (volume 1blioteca virtual do curso e no site www.saude.gov.br“ Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamentode Vigilância Epidemiológica. (2006) Ações de controle da malária: manual para profissionais de saúde na atenção básica/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. Brasília: Ministério da Saúde. 52 p. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. (2009) Diretrizes nacionais para prevenção e controle de epidemias de dengue/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. Brasília: Ministério da Saúde. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. (2011) Guia de vigilância do Culex quinquefasciatus/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. 3ª ed. Brasília: Ministério da Saúde. 76 p. Davila et al. (2000). Behavior of Resting Aedes aegypti (Culicidae: Diptera) and Its Relation to Ultra-low. Volume Adulticide Efficacy in Panama City, Panama. J. Med. Entomol, 37(4): 541-546. 55 Lindsay, S., & Kirby, M., & Bari, E., & Robert, B. (2004). Environmental Management for Malaria Control in the East Asia and Pacific (EAP) Region. HNP discussion paper series; World Bank, Washington, DC. © World Bank. Recuperado de https://openknowledge. worldbank.org/handle/10986/13659. License: CC BY 3.0 IGO. OLIVEIRA, C. M. et al. (2003). Biological ftness of a Culex quinquefasciatus population and its resistance to Bacillus sphaericus. Journal of the American Mosquito Control Association, Mount Laurel. v. 19, n. 2, p. 125-129. WHO (2002). Manual para borrifação de inseticida de efeito residual para controle de vetores. WHO/CDS/WHOPES/GCDPP/2000.3. WHO (2003). Space spray application of insecticides for vector and public health pest control: A practitioner’s guide. WHO/CDS/WHOPES/ GCDPP/2003.5. WHO (2009). Guidelines for efficacy testing of insecticides for indoor and outdoorground applied space spray applications. WHO/HTM/ NTD/WHOPES/2009.2 WHO (2016). Use of malathion for vector control: report of a WHO meeting. Geneva, 16-17. 56 Glossário Efeito residual: é o tempo prolongado em que o “resíduo” do inseticida permanece ativo sobre a superfície tratada. Aerossóis: são sistemas coloidais que apresentam dispersão de um líquido em um gás (nesse caso, ar). Ciclo gonotrófico: é definido como o intervalo de tempo entre uma alimentação - absorção - digestão - maturação de oócitos – ovipo- sição, até a próxima alimentação. Repetição: Compreende o número de vezes que a operação será repetida em cada área determinada. No caso, a cada 4 dias, deverá ser aplicado na mesma área. Bloqueio de transmissão: baseia-se na aplicação de inseticida por meio da nebulização espacial a frio – tratamento a UBV –, com a uti- lização de equipamentos portáteis ou pesados em, pelo menos, uma aplicação, iniciando no quarteirão de ocorrência e continuando nas áreas adjacentes, considerando um raio de 150 metros. 57 Sobre o autor Marcos Takashi Obara Mestre e Doutor em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Membro do Comitê Técnico Assessor de Vetores do Ministério da Saúde. Atualmente é Professor Adjunto da Universidade de Brasília/UnB. Tem experiência nas áreas de Epidemiologia e Entomologia Médica, com ênfase em sistemática e taxonomia de insetos vetores, vigilância entomológica, controle vetorial e resistência de insetos vetores aos inseticidas químicos.