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FICHA TÉCNICA
© 2019. Ministério da Saúde. Fundação Oswaldo Cruz 
& SE/UNASUS & Universidade de Brasília
Alguns direitos reservados. É permitida a reprodução, 
disseminação, adaptação e utilização desta obra, em 
parte ou em sua totalidade, de acordo com os termos 
de cessão e de uso da UNA-SUS. A citação da fonte é 
obrigatória e é vedada sua utilização comercial.
Ministério da Saúde
Luiz Henrique Mandetta (Ministro)
Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na 
Saúde - SGETS
Mayra Pinheiro (Secretária)
Secretaria de Vigilância em Saúde - SVS
Wanderson Kleber de Oliveira (Secretário)
Secretaria de Atenção Primária à Saúde - SAPS
Erno Harzheim (Secretário)
Coordenação Geral de Ações Estratégicas, Inovação 
e Avaliação da Educação em Saúde - CGIED
Adriana Fortaleza Rocha da Silva (Coordenadora Geral)
Departamento de Gestão do Trabalho e Educação 
na Saúde - DEGES
Hélio Agnotti Neto (Diretor)
Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz
Nísia Trindade Lima (Presidente)
Secretaria-executiva da Universidade Aberta do SUS 
- UNA-SUS
Fabiana Damásio (Secretário Executivo)
Coordenação de Monitoramento e Avaliação - UNA- 
SUS
Alysson Feliciano Lemos (Coordenador)
Edição, Validação e Homologação - UNA - SUS
Paulo Biancardi Coury
Claudio Maierovitch Peçanha Henriques
Samara Rachel Vieira Nitão
Equipe do Ministério da Saúde
Diretor DEIDT/SVS: Júlio Henrique Rosa Croda
Coordenador CGZV: Marcelo Yoshito Wada
Coordenador CGARB: Rodrigo Fabiano do Carmo Said
Diretor DSASTE/SVS: Daniela Buosi Rohlfs
Coordenador CGSAT: Karla Freire Baêta
Diretor DAEVS/SVS: Sônia Brito
Coordenadora CGDEP: Elisete Duarte
Validadores da SVS/Ministério da Saúde:
Charles Dikison Souza Guimarães (CGSAT/DSASTE/SVS)
Elisa Neves Vianna (CGARB/DEIDT/SVS/MS)
Francisco Edilson Ferreira de lima Junior (CGZV/DEIDT/
SVS/MS)
João Lucas Mendonça Dilly Alves (CGARB/DEIDT/SVS/MS)
José Maria Viana dos Santos (CGSAT/DSASTE/SVS)
Kauara Brito Campos (CGARB/DEIDT/SVS/MS)
Mayara Maia da Costa (CGZV/DEIDT/SVS/MS)
Noely Fabiana Oliveira de Moura (CGARB/DEIDT/SVS/MS)
Rafaella Albuquerque Silva (CGZV/DEIDT/SVS/MS)
Renato Vieira Alves (CGZV/DEIDT/SVS/MS)
Samuel Brauer Nascimento (CGDEP/DAEVS/SVS)
Tatiana Mingote Ferreira de Azara (CGARB/DEIDT/SVS/MS)
Tatiane Fernandes Portal de Lima (CGDEP/DAEVS/SVS)
Veruska Maia da Costa (CGZV/DEIDT/SVS/MS)
Bárbara Ferreira Leite (CGIED/DEGES/SGTES)
Bethânia Ramos Meireles (CGIED/DEGES/SGTES)
Universidade de Brasília
Márcia Abrahão Moura (Reitora)
Enrique Huelva (Vice reitor)
Gustavo Adolfo Sierra Romero (Diretor da Faculdade de 
Medincina)
Equipe UNA-SUS / Universidade de Brasília
Coordenadora Geral - UNASUS-UnB
Gilvânia Coutinho Silva Feijó
Coordenador de Produção de Educação a Distância)
Jitone Leônidas Soares
Jonathan Gomes Pereira dos Santos
Autores
Marcos Takashi Obara
Rodrigo Gurgel Gonçalves
Editor técnico
Kátia Crestine Poças
Celeste Aida N. Silveira
Juliana F. Fracon e Romão
Maria da Glória Lima
Raul Luis de Melo Dusi
Designer Instrucional
Rute Nogueira de Morais Bicalho
Designer Gráfico
Daniel Alves Tavares
Web designer
Gabriel Cavalcanti D´Albuquerque Magalhães
Ilustrador de EaD
Thiago Fagundes
Editor de Audiovisual
Cristiano Alves de Oliveira
Frankisnei Lopes
Antônio Leite
Sumário
Organização ........................................................................................................5
Objetivos .............................................................................................................. 6
Apresentação .....................................................................................................7
Atividade 1 ........................................................................................................... 8
Controle larvário .............................................................................................. 8
Aedes aegypti ...................................................................................................11
Anopheles spp ................................................................................................17
Culex quinquefasciatus ...........................................................................20
Atividade 2 ........................................................................................................23
Aplicações Especiais a Ultra Baixo ...................................................23
Volume (UBV) .................................................................................................23
Atividade 3 ........................................................................................................42
Tratamento residual ...................................................................................42
Glossário .............................................................................................................56
Sobre o autor ...................................................................................................57
5
Organização
6
Objetivos
7
Apresentação
Olá, tudo bem? Seja bem-vindo(a) à Unidade de Tecnologia de 
Aplicação de Inseticidas!
Esta unidade aborda o uso correto de equipamentos e produtos 
que são utilizados nas atividades de controle de vetores. Esse 
conhecimento é de fundamental importância para garantir 
a qualidade e a segurança nas aplicações de inseticidas que 
visam à eliminação das diferentes espécies de insetos vetores.
Cada espécie de vetor biológico apresenta comportamentos e 
ciclos de desenvolvimento específicos. Portanto, as atividades 
de controle devem levar em consideração não só os aspectos 
biológicos e comportamentais, bem como as condições 
meteorológicas e do ambiente (vento e chuva forte, inversão 
térmica, casa fechada etc.) e a suscetibilidade aos inseticidas 
para que haja efetividade da aplicação de inseticidas.
Conhecer as doses e formulações de inseticidas recomendadas 
pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério 
da Saúde (MS), as influências climáticas durante as operações 
de campo, o funcionamento dos equipamentos e as diretrizes 
técnicas e operacionais para aplicação de inseticidas é essencial 
para aprimorar-se a qualidade dos serviços prestados não só de 
profissionais que atuam no controle, como também para qualquer 
gestor na área de doenças transmitidas por insetos vetores.
Desse modo, a OMS, em colaboração com uma rede de 
laboratórios analíticos, instituições de pesquisa e programas de 
controle de vetores em todo o mundo, estabeleceu um Sistema 
para Avaliação de Pesticidas (WHO - Pesticide Evaluation 
Scheme) para determinar as condições para uso de pesticidas 
em saúde pública, associado à eficácia e à segurança para seres 
humanos e meio ambiente. As especificações da OMS para os 
inseticidas podem ser encontradas no link: http://www.who.
int/whopes/en/ 
8
Antes de iniciar qualquer atividade de controle, é necessária a realização de duas atividades de extrema importância. 
• O primeiro passo para o planejamento das atividades de controle vetorial é o reconhecimento geográfico (RG). 
• segundo passo é o conhecimento, por meio da Vigilância Entomológica.
Atividade 1
Controle larvário
9
10
O que é pesticida?
Para melhor compreensão do tema, vamos dividir o controle larvário de acordo com a biologia 
de cada gênero de Culicidae: Aedes, Anopheles e Culex
Aedes
Anopheles
Culex
11
Aedes aegypti
A detecção dos criadouros, conhecidos como “foco”, ocorre durante as atividades de visita domiciliar. Nessa visita, todos os depósitos 
que contenham água devem ser inspecionados, sendo que as instruções e os detalhes técnicos para pesquisa larvária podem ser 
obtidos no Anexo XIV das Diretrizes Nacionais para a Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue, publicado em 2009.
Outra forma de detecção de criadouros ocorre por meio de denúncia da população sobre a presença de focos e/ou vetores adultos.
Geralmente, os criadouros naturais e artificiais de Aedes aegypti permitem que as larvas fiquem concentradas, 
ou seja, focalizadas em voltado seu local de origem. Como as larvas possuem pouca mobilidade espacial, 
em relação à forma alada, consequentemente, seus criadouros são restritos. 
Esses fatores podem facilitar a acessibilidade dos criadouros em ambiente domiciliar tornando as larvas 
mais vulneráveis ao controle do que os mosquitos adultos.
O controle das formas imaturas consiste na aplicação de um produto larvicida para matar as larvas de 
mosquitos. Nas áreas infestadas pelo mosquito Aedes aegypti, devem ser tratados todos os depósitos 
com água que ofereçam condições favoráveis à oviposição do vetor caso não sejam passíveis de controle 
mecânico (destruição, vedação ou destinação adequada). 
12 Não devem ser tratados utensílios para armazenar e cozinhar os alimentos, aquários e/
ou tanques de peixe, bebedouros de animais, pratos de vasos de planta, vasos sanitários, 
caixas d’água de descarga e ralos de banheiro. Também latas, plásticos e outros depósitos 
descartáveis que possam ser eliminados não devem ser tratados com larvicidas. Caso a 
casa esteja desabitada, recomenda-se o tratamento de caixas d’água de descarga e ralos de 
banheiro.
13
(1) CE = concentrado emulsionável; DT = tablete para aplicação direta; GR = grânulos; PM = pó molhável; WDG = grânulos dispersíveis em água.
Figura 1. Larvacidas recomendados pelo Ministério da Saúde do Brasil, conforme classificação do produto, formulação e dosagem utilização em Saúde 
Pública. Fonte: OMS, 2012 (http://www.who.int/whopes/Mosquito_Larvacides_Sept_2012.pdf) 
Atualmente, são recomendados pela WHO Pesticide Evaluation Scheme os larvicidas que podem ser utilizados para controle de larvas 
(veja a biblioteca do curso_PDF 1 recomendações 2017 WHOPES). O Ministério da Saúde do Brasil também indica as doses e os 
produtos para tratamento de criadouros de larvas de mosquitos (Figura 1):
14
** Temefós não é recomendado para controle larvário pelo Ministério da Saúde brasileiro.
15
Cálculo de volume
dos depósitos cilíndricos
Fórmula:
V = K x D2 x H 
V = volume 
K = 0,8 (valor constante) 
D² = diâmetro ao quadrado 
H = altura
Método 2 – Cálculo depósitos cilíndricos
Exemplo: Uma cisterna que tenha 15 dm de diâmetro e 20 dm de altura, empregando a 
fórmula tem-se:
V = K x (D x D) x H = 0,8 x 15 x 15 x 20 = 3.600 dm3
1 litro de água = dm3
V = 3.600 litros
Cálculo de volume
de depósitos retangulares
Fórmula:
V = C x L x H 
V = volume 
C = comprimento 
L = largura 
H = altura 
No momento da aplicação, é necessário conhecer a capacidade 
total do depósito, ou seja, calcular o volume de água existente 
no momento do tratamento com os larvicidas. Para isso, é 
necessário utilizar as fórmulas descritas a seguir.
Vamos, agora, demonstrar como se calcula o volume para depósitos cilíndricos.
16
Cálculo de volume dos 
depósitos triangulares
Fórmula:
V = B x L X H/2 
V = volume 
B = base 
L = largura 
H = altura 
2 = Constante
Método 3 – Cálculo depósitos triangulares
Exemplo: Supondo um depósito de forma triangular que tenha 20 dm de base, 8 dm de 
largura e 12 dm de altura, aplicando a fórmula tem-se:
V = (B x L x H)/2 = (20 x 8 x 12)/2 = (160 x 12)/2 = 960 dm3
1 litro de água = dm3
V = 960 litros
No caso de depósitos triangulares, veja abaixo como deve ser feito o cálculo.
17
Anopheles spp
Os criadouros naturais de larvas dos mosquitos pertencentes ao gênero Anopheles são igarapés, lagoas, riachos, remanso de rios, 
córregos, bromélias etc. Por outro lado, as modificações antrópicas no ambiente natural têm propiciado o desenvolvimento de 
outros criadouros, os chamados artificiais, como, por exemplo, açudes, represas, escavações, valas etc. 
Alguns criadouros de anofelinos são de fácil acesso, podendo ser manejados; porém outros são de difícil acesso. O manejo 
ambiental para controle larvário consiste na indução de mudanças nos ecossistemas por meio de alterações na hidrologia local ou 
nas práticas de uso da água. Essas modificações implicam em mudanças no paisagismo, na drenagem, na recuperação de terras e 
no preenchimento permanente de criadouros (Lindsay et al., 2004). 
As ações de manejo ambiental são medidas utilizadas no controle de larvas de anofelinos e devem ser 
realizadas sempre que possível. Dentre essas medidas, podemos citar:
1) manter os igarapés desobstruídos para liberar os cursos d’água; 
2) realizar drenagem ou aterramento de pequenos criadouros.
Torna-se fundamental a parceria com órgãos públicos ou privados, juntamente com a participação da 
comunidade para garantir que os serviços e a manutenção sejam permanentes. 
Essa medida é apropriada para a eliminação de criadouros permanentes, em áreas urbanas ou em alguns 
tipos de projetos de desenvolvimento, sendo considerada a primeira linha de defesa na redução dos riscos 
de transmissão da Malária. Apesar de apresentar custos elevados, quando são executados e mantidos 
adequadamente, sua sustentabilidade é relativamente fácil. 
18
As Orientações Técnicas para Apresentação de Projetos de Drenagem e Manejo Ambiental em Áreas Endêmicas de Malária, publicadas em 
2004 pelo Ministério da Saúde, podem auxiliar no desenvolvimento de ações de drenagem e no manejo ambiental, em municípios 
localizados em área endêmica de Malária, com transmissão urbana.
19
Em áreas rurais, os agricultores desempenham um papel crucial na redução de criadouros, uma vez que 
participam diariamente da ordenação do meio ambiente. Nessas áreas, a participação da comunidade 
agrícola torna-se obrigatória nas atividades de eliminação de criadouros por meio do manejo ambiental 
associado à utilização de produtos químicos.
Os produtos recomendados incluem os adulticidas piretróides, organofosforados e carbamatos, além de 
reguladores de crescimento de insetos, os quais são aplicados em todos os locais de ocorrência das larvas 
e de adultos de mosquitos do gênero Anopheles. A desvantagem do uso de compostos químicos em relação 
ao manejo ambiental é o efeito residual curto, necessitando-se de aplicações regulares e frequentes.
O controle de larvas de Anopheles depende da caracterização e do mapeamento dos criadouros e da 
identificação correta da espécie existente. Trata-se de uma medida de uso limitado que deverá ser usado 
quando não for possível a eliminação definitiva do criadouro. Para a sua indicação, deve-se considerar, 
principalmente na Amazônia, as características físicas, químicas e biológicas dos criadouros.
20
Culex quinquefasciatus
As larvas de Culex quinquefasciatus não dependem da qualidade da água em termos de disponibilidade de oxigênio visto que 
respiram ar atmosférico na superfície dos criadouros. Possuem elevada fecundidade, alto índice reprodutivo, curto ciclo biológico, 
havendo registro de mais de dez gerações anuais, conforme Oliveira et al. (2003). Tal fato influencia rápido reestabelecimento da 
população, tornando-se necessária ampla cobertura dos criadouros existentes na área alvo.
Diante da rápida recuperação populacional da espécie de mosquito Culex quinquefasciatus, é importante destacar que, nas ações de 
controle larvário, devem ser considerados que: 
1. o manejo ambiental é a intervenção de maior relevância considerando-se que a eliminação do criadouro pode ser definitiva, e 
2. as intervenções para prevenir a produção de mosquitos em criadouros potenciais (coleções de água estagnada) não podem 
ser eliminadas nem vedadas.
As ações de manejo indicadas visam desenvolver barreiras físicas que impeçam o acesso de fêmeas para oviposição, dentre as 
quais podemos destacar: 
a) limpeza periódica de canais, valetas, riachos, córregos e similares, com remoção de vegetação aquática e de lixo, retificação ou 
desassoreamento do canal de escoamento para permitir o fluxo normal da água; 
b) vedação completa e manutenção de fossas quando isso não for factível; 
c) limpeza constante da vegetação aquática e marginal e remoção de entulhos nas grandes coleções hídricas; e 
d) vedação correta de tanques, tonéis e outros recipientes usados para armazenamentode água.
21
Para o controle de larvas do mosquito Culex quinquefasciatus, podem ser utilizados produtos biológicos, 
tais como Bacillus sphaericus (Bs) e Bacillus thuringiensis var. israelensis (Bti). O Bs não somente produz uma 
toxina proteica binária ativa contra larvas de mosquitos dos gêneros Culex e Anopheles, como também 
possui maior efeito residual, principalmente em águas ricas de matéria orgânica. O Bti produz quatro 
diferentes tipos de toxina proteica que atuam sinergicamente nas larvas de espécies das famílias Culicidae, 
Simuliidae, Chironomidae e Tipulidae.
Devido à inexistência de uma vacina segura e eficaz, com exceção para Febre Amarela, grande parte das 
doenças transmitidas por insetos vetores tem como única fase vulnerável a eliminação do vetor, seja na 
fase adulta ou na fase imatura. De modo geral, as ações sobre o mosquito adulto são mais difíceis, caras e 
pouco efetivas, em comparação ao controle das formas imaturas de mosquito. 
Recomenda-se, também, os Análogos do Hormônio Juvenil (AHJ) e os Inibidores da Síntese da Quitina (ISQ) 
dos insetos. O AHJ mais utilizado é o Piriproxyfen, enquanto que os ISQs a serem utilizados podem ser o 
Diflubenzuron e o Novaluron. Os AJH e os ISQ são de ação lenta, portanto, a presença de larvas vivas dias 
após o tratamento não poderá ser interpretada como falha do controle.
22
Síntese da Atividade
Nessa atividade, foram destacados os principais produtos que podem ser utilizados para eliminar larvas e pupas de mosquitos, 
mas se ressalta que as ações de manejo integrado do vetor devem ser incorporadas efetivamente como rotina nos municípios 
brasileiros, junto com a participação ativa da população na gestão dos criadouros, principalmente no ambiente doméstico. 
23
Atividade 2
Aplicações Especiais a Ultra Baixo
Volume (UBV)
24
O tratamento espacial a UBV consiste na fragmentação de pequena quantidade de inseticida por meio de equipamentos pesados e costais 
motorizados, os quais geram pequenas partículas denominadas “aerossóis” (Figura 2).
Figura 2. Equipamentos motorizado acoplado a veículos (pesado) e aplicadores portáteis utilizados para tratamento a Ultra Baixo Volume.
Equipamento pesado Equipamento portátil
25
O objetivo da nebulização é eliminar as fêmeas do mosquito Aedes aegypti que estiverem voando no local, as quais entrarão em 
contato com as minúsculas gotículas de aerossóis (Figura 3). 
A qualidade da aplicação espacial a UBV deverá ser garantida quando cerca de 80% das gotas tiverem tamanho entre 20µ a 50µ. 
Outro importante aspecto que aumenta a qualidade do controle é a coincidência da aplicação com o horário de maior atividade 
vetorial. 
A aplicação a UBV deve ser utilizada somente para bloqueio de transmissão e para controle de surtos ou de epidemias.
Figura 3. Fotografia mostrando as minúsculas gotículas de aerossóis na asa e cabeça do mosquito adulto.
26 Os tratamentos a UBV devem ser iniciados rapidamente antes que o número de casos alcance o ponto máximo. Caso o número 
de casos ultrapasse o ápice da transmissão, a atenção deverá ser voltada para localidades vizinhas com presença do mosquito 
Aedes aegypti. Embora os tratamentos a UBV não sejam completamente eficientes, consegue-se controlar surtos devido ao alto 
rendimento dos equipamentos pesados (cerca de 2.000 casas/dia em 8 horas).
Ressalta-se que as correntes de ar podem influenciar a aplicação espacial a UBV, uma vez que essa metodologia não permite efeito 
residual do inseticida.
27
Por um lado, os ventos fracos com velocidade 
menor que 3,2 km/h fazem com que as gotas 
não se movimentem adequadamente até o 
peri e o intradomicílio das casas. 
Por outro lado, ventos fortes com velocidade 
maiores que 9,6 km/h arrastam as gotas por 
uma distância muito longa das residências. 
A Figura 4 mostra a velocidade dos ventos 
ideais para tratamentos a UBV.
Figura 4. Velocidade dos vento ideias de aplicação de inseticidas a UVB.
28
Devido à influência do vento e dos movimentos do ar, os aerossóis de inseticidas dispersam-se facilmente, chegando também aos 
blocos vizinhos de casas. Na verdade, quando um inseticida é aplicado em um bloco de casas, dependendo da direção do vento e de 
seus movimentos, o restante ir-se-á dissipar para as casas vizinhas. Somente quando uma grande área da cidade estiver concluída, 
cada bloco de residências receberá a quantidade de inseticida necessária para eliminar a população de fêmeas do mosquito Aedes 
aegypti. Em caso de vento forte e chuva, a operação deverá ser interrompida.
29
A temperatura é outro importante fator que deve ser levado em consideração no momento da aplicação de inseticidas a UBV. Durante o dia, 
os raios solares aquecem a superfície terrestre. 
Quando o sol se põe, inicia-se o processo de esfriamento da superfície da terra, ou seja, as ondas de calor elevam-se da superfície, chocando-
se, a determinada altura, com as ondas de ar frio da atmosfera. Esse fenômeno é o que chamamos de inversão térmica (Figura 5).
Assim, o aerossol de inseticida sobe pelo ar quente; porém; ao encontrar a camada de ar frio; interrompe-se a elevação, deslocando-se 
horizontalmente, de acordo com a direção do vento, quando, então, terá maior probabilidade de entrar em contato com os mosquitos.
Figura 5. As aplicações a Ultra Baixo Volume devem ser efetuadas antes que termine o efeito da inversão térmica 
(antes do sol aquecer a superfície terrestre).
30
Os melhores períodos de aplicação são matutinos e vespertinos.
Recomenda-se que aplicações a UBV devem ser realizadas entre 2 horas antes ou depois do nascer do sol e entre duas horas antes ou 
depois do pôr do sol, considerando-se os períodos de inversão térmica.
O turno matutino, ou 
seja, antes do nascer 
do sol, destinam-se a 
atingir os mosquitos 
que estão no 
peridomicílio.
O turno vespertino, 
isto é, após o pôr do 
sol, é período com 
maior número de 
casas abertas, é mais 
apropriado para os 
mosquitos abrigados 
no intradomicílio.
31
Quando os aerossóis de inseticida encontram vento em velocidade ideal, movem-se constantemente devido a correntes de ar e à 
dinâmica dos aerossóis. 
Nessa situação, cada gotícula deverá ter quantidade de inseticida suficiente para eliminar um mosquito adulto e ser suficientemente 
pequena para impactar sobre cada mosquito, ou seja, o tamanho da gota é de extrema importância.
Veja a Figura 6.
Figura 6. Comparação do tamanho de gotas de aerossóis com um fio de cabelo.
32 Dependendo do peso da gota, a energia gravitacional poderá fazer 
com que ela suba ou desça.
Algumas barreiras físicas do ambiente poderão impedir seu trajeto, 
como, por exemplo, a poluição atmosférica, e a velocidade do 
vento afeta a deriva (deslocamento lateral) das gotículas que se irão 
dissipar no ambiente.
Figura 7. Forças que atuam em uma gota de aerossol emitida
por um equipamento a UBV.
33
Certamente, uma gota grande sofrerá queda rápida, permanecendo por pouco tempo no ar. Em alguns 
casos, poderá até manchar a pintura dos móveis e dos veículos, mas os prejuízos maiores serão a poluição 
ambiental e a perda econômica. Por isso, nas operações a UBV, é importante sempre manter uma faixa 
ideal de distribuição de tamanho de gota. 
As gotas de aerossóis que são mais propensas a impactar os mosquitos são aquelas que permanecem 
mais tempo flutuando no meio ambiente de acordo com os padrões estabelecidos na Figura 8, pois o efeito 
dos aerossóis com inseticidas dura até que as gotículas permaneçam flutuando no ar. Após duas horas, as 
gotículas terão chegado quase completamente ao chão, onde se irão degradar lentamente, em alguns dias, 
transformando-se em resíduos inofensivos.
34
Figura 8. Influência do tamanho de gotas na deriva de aerossóis. Nota-se que quanto menor a gota, maior a distância percorrida e o tempo de caimento.
35
Para facilitar a penetração dos aerossóis de inseticidas, é 
fundamental que os moradores mantenham abertas as portas e as 
janelas internas e externas.
As aplicaçõescom equipamento pesado a UBV são métodos de 
tratamento imperfeitos que só conseguem matar entre 40% e 60% 
da população de mosquitos existentes em cada aplicação, uma vez 
que o aerossol não entra totalmente no interior das casas.
Por isso, são necessários ciclos de aplicação em intervalos curtos, 
não mais de sete dias, a fim de evitar a emergência de novas fêmeas 
que continuam a picar pessoas e a colocar ovos.
O ciclo de aplicação consiste no tempo que dura o tratamento de todos os quarteirões da área de trabalho, que corresponde a cada 
equipamento pesado, segundo o esquema em que foi dividido a cidade (cada aplicação = 1 ciclo). de novas fêmeas que continuam a picar 
pessoas e a colocar ovos. 
Os esquemas propostos para um esquema de ciclos, conforme o MS são:
1. Aplicação por 4 ciclos consecutivos, de acordo com o ciclo gonotrófico de Aedes aegypti, que geralmente dura quatro dias. Essa 
aplicação de inseticidas durante 4 dias consecutivos eliminaria as novas gerações que estão chegando à área, após o quarto dia do 
ciclo gonotrófico.
36
2. Aplicação a cada 7 dias, por 4 a 5 semanas. Essa sequência leva em consideração o período extrínseco de incubação do vírus nos 
mosquitos, que vai desde sua ingestão até a multiplicação e a localização nas glândulas salivares, a qual, em média, é de 7 dias. 
Portanto, a eliminação das fêmeas a cada 7 dias irá, eventualmente, eliminar aquelas que estejam infectadas. 
Após o quinto ciclo, deve-se avaliar o impacto dessa aplicação sobre a transmissão da doença e, caso necessário, pode-se realizar a aplicação 
por mais dois ciclos.
A metodologia recomendada pelo MS é uma mistura dos 
dois esquemas acima e preconiza a realização de cinco 
aplicações a UBV em ciclos de três a cinco dias, conforme 
mostra a Figura 9.
Para garantir-se a aplicação adequada dos equipamentos 
a UBV acoplados a veículos, algumas recomendações 
devem ser seguidas.
Observe a seguir...
Figura 9. Impacto dos tratamentos UBV sobre a densidade do Aedes aegypti,
segundo a duração dos ciclos.
37
O bico do equipamento de aplicação a UBV deve ter uma capacidade mínima para dispersar o inseticida em 
gotas entre 5μ e 50μ de diâmetro, sendo que cerca de 80% das gotas devem estar entre 10μ e 25μ. O bico 
deve estar voltado para cima em um ângulo de 45º;
O motorista deverá dirigir o veículo a uma velocidade estável, mantendo-se atento para parar em situações 
imprevistas. A velocidade média do veículo deve ser de 10 km/h, a mais ou menos 3 metros de distância 
do meio fio (próximo ao centro da rua), devendo-se desligar o equipamento quando o veículo parar ou 
esteja mudando de quarteirão. O fluxo de inseticida deve ser interrompido em frente a locais como bares, 
restaurantes, açougues, velórios etc.;
1
2
38
Deve-se calibrar a pressão e a vazão do equipamento quinzenalmente, quando em utilização, e sempre 
que: (a) o veículo sofrer um acidente; (b) se trocar de concentração ou de inseticida; (c) notarem-se golpes 
no equipamento ou no bico; (d) o equipamento permanecer sem uso durante muito tempo. A vazão deve 
ser adequada à diluição a ser utilizada, à pressão do equipamento e à velocidade do veículo; 
Depois de duas horas de operação, o equipamento deverá ser desligado por 10 a 15 minutos para 
resfriamento. Após cada aplicação, deve-se limpar o equipamento utilizando-se o sistema de limpeza do 
fluxo de descarga de inseticida mediante o uso preferencial de álcool isopropílico.
A calda do inseticida deve ser preparada no dia da aplicação ou, no máximo, com 24 horas de antecedência;
3
5
4
39
Conforme esquema da Figura 10, ressaltam-se que a aplicação 
a UBV com equipamentos acoplados a veículos deve realizar um 
percurso de maneira a contornar cada quarteirão antes de iniciar.
O equipamento a UBV pesado deve ser utilizado somente em 
localidades urbanas com mais de 240 quarteirões. Para as 
localidades menores, é mais prático usar equipamentos portáteis 
(costal motorizada).
Vamos abordar, agora, o equipamento costal motorizada.
Figura 10. Esquema do percurso do veículo com equipamento UBV acoplado. 
Fonte: Ministério da Saúde, 2009.
40
A costal motorizada é um equipamento pequeno que possui um motor a gasolina de dois tempos de 1-3hp e pesa em torno de 6 a 12 kg. 
O motor que move um ventilador sopra o ar através do bico; esse ar também pressuriza, ligeiramente, o reservatório de inseticida, no qual 
atinge o bocal por uma válvula.
Assim, o inseticida sai pela válvula e, por pressão negativa gerada pela corrente de ar, é atomizado em pequenas partículas e jogado para o 
exterior.
Os equipamentos costais motorizados são recomendados para o tratamento de espaços fechados e para pequenas áreas externas, onde 
o acesso com equipamento pesado não seja possível. Também são usados bastante para bloqueio de transmissão quando os primeiros 
casos são detectados em uma localidade.
A utilização de equipamento costal motorizado apresenta uma eficácia maior que o equipamento pesado; porém, dependendo da 
modalidade da sua aplicação, o rendimento é bastante baixo. A utilização desses equipamentos em aplicações intra e peridomiciliares tem 
um rendimento de, no máximo, 6 quarteirões/equipamento/dia, o que é um impeditivo para uso em grandes áreas devido ao número de 
operadores e equipamentos necessários para conter rapidamente a transmissão.
Atualmente, as opções de inseticidas que podem ser utilizados em tratamentos espaciais a UBV são poucas: piretróides e organofosforados. 
As recomendações de doses e de formulações pela Organização Mundial de Saúde/OMS/Pesticide Evaluation Scheme (WHOPES) podem 
ser observadas na Figura 11. 
(1) CE = concentrado emulsionável; EA = emulsão aquosa (oléo e agua); UVB = ultra baixo volume.
Figura 11. Adulticidas para tratamentos espaciais a UBV recomendados pelo Ministério da Saúde do Brasil, conforme classificação do produto, 
formulação e dosagem para utilização em Saúde Pública. Fonte: OMS, 2012 (http://www.who.int/whopes/Insecticides_for_space_spraying_Jul_2012.pdf) 
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Síntese da Atividade
Chegamos ao final desta atividade. Cabe lembrar que metodologias mencionadas na Atividade 2 integram o conjunto de atividades 
emergenciais adotadas nas situações de surtos e/ou epidemias e que seu uso deve ser concomitante com todas as demais ações 
de controle, principalmente, a diminuição de criadouros de mosquitos por meio do manejo ambiental.
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As operações de controle de insetos vetores com importância 
em Saúde Pública utilizam, em muitas situações, a “borrifação 
superficial” ou de “efeito residual”. 
Essa técnica consiste em deixar sobre as prováveis superfícies 
em que o inseto repousa ou as quais frequenta uma camada 
de inseticida que, durante algum tempo, permanecerá ativo. 
Os veículos utilizados na formulação do inseticida (coadjuvantes 
+ água) evaporam após algum tempo e deixam sobre a superfície 
cristais de inseticida na dosagem recomendada.
Atividade 3
Tratamento residual
A unidade domiciliar pode ser tratada interna ou externamente 
com inseticidas. A pulverização residual interna é a aplicação 
de inseticidas químicos de ação prolongada nas paredes e nos 
telhados de todas as casas em uma determinada área. 
O tratamento externo consiste na borrifação de abrigos de 
animais domésticos (galinheiros, chiqueiros, curral, canil etc.) 
ou de locais de armazenamento situados no peridomicílio. 
A borrifação intra e peridomiciliar de inseticidas de efeito 
residual tem sido amplamente empregada para o controle de 
mosquitos (Anopheles), triatomíneos e flebotomíneos.
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Os inseticidas são aplicados com pulverizadores de compressão 
operados manualmente. Esses equipamentos são constituídos 
por um tanque, alça, tampa, bomba (pistão), manômetro, tubo 
extensor, filtro, mangueira, bico, gatilho da válvula e pé de apoio. 
Todas as peças devem ser construídas com materiais anticorrosivos 
e as conexões entre diferentes materiais devem ser perfeitamente 
seladas para evitar perdas de pressão quando a capacidademáxima 
do equipamento for atingida (Figura 12).
Figura 12. Equipamento de aplicação residual de inseticida.
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Normalmente, utiliza-se a bomba Hudson-X-Pert, com pressão 70 psi (4,8 bar) ou similar de 10 litros, de pressão variável. As formu-
lações para superfícies permeáveis (cal, tijolo, barro, madeira sem verniz, pinturas permeáveis) são pó molhável (PM) ou suspensão 
concentrada (SC), enquanto que, para as superfícies impermeáveis (vidros, azulejos, cimento liso, madeira com verniz, pinturas a óleo 
e látex), utiliza-se concentrado emulsionável (CE). As características desses tipos de formulações foram abordadas na Unidade 3.
A fragmentação dos compostos químicos acima citados ocorre por meio do bico aplicador, o qual exige energia para desintegrar as 
partículas de inseticidas. Os bicos podem ser classificados conforme o tipo de energia que utilizam para fragmentar e impulsionar 
as partículas, podendo, basicamente, ser classificados em bicos de energia hidráulica, gasosa e centrífuga. 
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O bico usado para tratamento residual de insetos vetores utili-
za energia hidráulica e é conhecido como HSS Teejet 8002, con-
forme mostra a Figura 13. 
Esse tipo de bico formará um jato plano tipo leque, com aber-
tura de 80 graus, que proporcionará uma deposição uniforme 
de inseticida nas laterais do jato. 
A única garantia para colocação da dose de ingrediente ativo 
ideal na superfície tratada é a minuciosa técnica de aplicação, a 
qual pode ser observada na Figura 14. 
Figura 13. Bico de energia hidráulica usado
para tratamento residual de insetos vetores.
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Figura 14. Técnica de borrifação residual. A: Uso de formulação adequada: PM ou SC. B: Pressão da bomba (pressão média de 45 libras/pol2). 
C: Agitação da bomba (deposição do pó molhável). D: Superposição de faixas (5 cm para compensar deposição nas laterais). E: Distância do bico à parede (45 cm)
e F: Velocidade de aplicação (3 metros em 6,7 seg ou 45 cm/seg).
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Após colocar o inseticida no tanque, ajuste a tampa do tanque e bombeie o pistão até que o manômetro 
indique 55 psi (3,8 bar). Cada bombada completa corresponde a cerca de 1psi. São necessárias, 
aproximadamente, 55 bombadas completas para chegar à pressão de trabalho;
Em seguida, agite o tanque antes de começar a borrifação para obter uma solução homogênea. O inseticida 
é aplicado em faixas verticais com 75 cm de largura e elas devem-se sobrepor em 5 cm. Para assegurar a 
largura da faixa, mantenha a ponta do bico a cerca de 45 cm da parede. incline-se para a frente enquanto 
você aplica do topo da parede e afaste-se ao abaixar o bico;
1
2
Vejamos o passo a passo dessa importante técnica:
Aplique do teto ao assoalho, em movimentos de cima para baixo, para completar uma faixa. Dê um passo 
para o lado e aplique de baixo para cima, do assoalho para o teto. Continue o procedimento, movendo-se 
em sentido horário até que termine o cômodo;
Estabeleça um ritmo de trabalho de modo que cada metro borrifado corresponda a 2,2 segundos, isto 
é, uma parede de 2m de altura a cada 4,5 segundos. Para ajudar a marcar o tempo, conte mentalmente: 
“cento e um, cento e dois, cento e três...”
3
4
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Para avaliar a qualidade das borrifações, é utilizado um painel de borrifação. O objetivo é praticar a técnica acima descrita. Somente 
com o treinamento dos borrifadores, tem-se a garantia de deposição da dose de ingrediente ativo recomendada pela OMS. 
O painel possui uma altura de três metros com nove faixas de 70 cm, sobrepostas por faixas de 5 cm. Nas faixas de descida, a distância 
do valor 101 é de 45 cm do alto, restando 30 cm em baixo. 
A segunda faixa de subida deve ser ao contrário, iniciando-se embaixo com 45 cm e terminando com 30 cm, conforme mostra a Figura 15. 
O treinamento de borrifação é realizado quando toda área do painel for tratada, nesse caso, utilizando-se somente água.
Atente para os procedimentos de cuidado e de regulação do equipamento.
Figura 15. Painel de borrifação residual utilizado para treinar a aplicação de inseticidas.
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Em relação à avaliação das condições do equipamento, recomenda-se colocar água no tanque (nunca mais do que ¾ de sua capa-
cidade) e travar com a tampa. 
Depois disso, comprima o pistão com as duas mãos até atingir a pressão de 55 psi (3,8 bar). 
Acione a válvula por um minuto, colete o volume borrifado e meça-o num recipiente graduado (repetir três vezes e calcular a média).
A descarga média de um bico 8002 é de aproximadamente 760 ml/min. Se o volume borrifado estiver fora da média (760 ± 15 ml/
min), verifique no bico se as telas do filtro estão entupidas. 
O bico entupido deve ficar de molho em água por várias horas antes de ser limpo com uma escova de dente macia. 
NUNCA limpe o bico com alfinete ou arame e NUNCA o coloque na 
boca para assoprá-lo. Se necessário, substitua o bico. Também se 
devem verificar gotejamento no bico quando a válvula é acionada, se 
há qualquer barulho de vazamento no tanque, tubo extensor, conexões 
da mangueira e se a borrifação segue um padrão constante e sem 
irregularidades, em uma superfície seca da parede.
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O preparo do inseticida para borrifação consiste na sua diluição em água para rebaixar sua concentração inicial de acordo com a dose 
indicada pelo fabricante. 
Nos processos de diluição de inseticidas, trabalhamos sempre com duas concentrações:
1. Concentração inicial: que corresponde à concentração do produto grau técnico ou da formulação intermediária, e 
2. Concentração final: que corresponde à concentração do produto diluído, pronto para ser aplicado.
O processo de diluição segue a seguinte fórmula:
Peso da Carga = Volume da Bomba x % Conc. Final
% Conc. Inicial
Veja o exemplo:
Qual o peso da carga do produto lambdacialotrina forne-
cido pelo fabricante a uma concentração inicial de 10% e 
aplicada a uma concentração final de 0,08%? A bomba a ser 
usada é a Hudson-X-Pert de 10 litros.
Dados:
Volume da Bomba= 10 L ou 10.000 g
Peso da carga (V1) = ?
Concentração Inicial= 10%
Concentração Final= 0,08%
Dose de i.a./m2= 30 mg
Peso da Carga = 
Peso da Carga = 80 gramas
10.000 x 0,08%
10%
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Quando não se conhece a concentração final, devemos saber qual a dosagem do ingrediente ativo/m2; no caso do exemplo acima:
Produto= lambdacialotrina
Dose de ia = 30 mg/m2
Área coberta/bomba = 250m2 (bico Teejet 8002E)
1m2 ___________ 30mg de ia
250 m2 _________ x
X = 7.500mg ou 7,5g de ia/bomba
Após a borrifação, são necessários que os moradores permaneçam do lado de fora da casa até que o inseticida seque e que os 
mesmos não realizem a limpeza das superfícies borrifadas. 
Esta Unidade terminará com algumas recomendações para limpeza e para armazenamento do equipamento de 
aplicação residual. 
Os equipamentos de proteção do agente aplicador durante a aplicação do inseticida serão abordados na próxima 
Unidade.
• Coloque água limpa até a metade do tanque e feche, agitando sempre o tanque para lavar todas as superfícies internas. 
• Bombeie até a pressão de 3 bar (= 43,5 psi). 
• Borrife a água pelo bico. 
• Retire a pressão do tanque e jogue o volume restante em latrinas ou em valas.
• Desparafuse a válvula do gatilho, verifique e limpe o filtro. 
• Remonte a válvula do gatilho e a ponta do bico e lave-a. Em seguida, recoloque o bico. 
• Vire o tanque de cabeça para baixo (com a tampa aberta).
• Abra a válvula e deixe escoar toda a água da mangueira e do tubo extensor. Quando for guardar a bomba por muito tempo, 
deixe-a de cabeça para baixo com a tampa aberta para permitir a circulação de ar. 
• Deixe o tubo extensor pendurado, apoiado no anel em “D” (onde o bico se encaixa), com a válvula do gatilho aberta.
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Para leitura complementar em seus estudos, acesse o “): Arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti”, na biManual sobre Medidas 
de Proteção à Saúde dos Agentes de Combate às Endemias (ACE) (volume 1blioteca virtual do curso e no site www.saude.gov.br“
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamentode Vigilância Epidemiológica. (2006) Ações de 
controle da malária: manual para profissionais de saúde na atenção básica/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, 
Departamento de Vigilância Epidemiológica. Brasília: Ministério da Saúde. 52 p. 
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. (2009) Diretrizes 
nacionais para prevenção e controle de epidemias de dengue/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento 
de Vigilância Epidemiológica. Brasília: Ministério da Saúde.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. (2011) Guia de vigilância 
do Culex quinquefasciatus/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. 3ª 
ed. Brasília: Ministério da Saúde. 76 p. 
Davila et al. (2000). Behavior of Resting Aedes aegypti (Culicidae: Diptera) and Its Relation to Ultra-low. Volume Adulticide Efficacy in 
Panama City, Panama. J. Med. Entomol, 37(4): 541-546.
55
Lindsay, S., & Kirby, M., & Bari, E., & Robert, B. (2004). Environmental Management for Malaria Control in the East Asia and Pacific 
(EAP) Region. HNP discussion paper series; World Bank, Washington, DC. © World Bank. Recuperado de https://openknowledge.
worldbank.org/handle/10986/13659. License: CC BY 3.0 IGO.
OLIVEIRA, C. M. et al. (2003). Biological ftness of a Culex quinquefasciatus population and its resistance to Bacillus sphaericus. Journal 
of the American Mosquito Control Association, Mount Laurel. v. 19, n. 2, p. 125-129.
WHO (2002). Manual para borrifação de inseticida de efeito residual para controle de vetores. WHO/CDS/WHOPES/GCDPP/2000.3.
WHO (2003). Space spray application of insecticides for vector and public health pest control: A practitioner’s guide. WHO/CDS/WHOPES/
GCDPP/2003.5. 
WHO (2009). Guidelines for efficacy testing of insecticides for indoor and outdoorground applied space spray applications. WHO/HTM/
NTD/WHOPES/2009.2
WHO (2016). Use of malathion for vector control: report of a WHO meeting. Geneva, 16-17. 
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Glossário
Efeito residual: é o tempo prolongado em que o “resíduo” do inseticida permanece ativo sobre a superfície tratada.
Aerossóis: são sistemas coloidais que apresentam dispersão de um líquido em um gás (nesse caso, ar).
Ciclo gonotrófico: é definido como o intervalo de tempo entre uma alimentação - absorção - digestão - maturação de oócitos – ovipo-
sição, até a próxima alimentação.
Repetição: Compreende o número de vezes que a operação será repetida em cada área determinada. No caso, a cada 4 dias, deverá 
ser aplicado na mesma área. 
Bloqueio de transmissão: baseia-se na aplicação de inseticida por meio da nebulização espacial a frio – tratamento a UBV –, com a uti-
lização de equipamentos portáteis ou pesados em, pelo menos, uma aplicação, iniciando no quarteirão de ocorrência e continuando 
nas áreas adjacentes, considerando um raio de 150 metros.
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Sobre o autor
Marcos Takashi Obara
Mestre e Doutor em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Membro do 
Comitê Técnico Assessor de Vetores do Ministério da Saúde. Atualmente é Professor Adjunto da Universidade 
de Brasília/UnB. Tem experiência nas áreas de Epidemiologia e Entomologia Médica, com ênfase em sistemática 
e taxonomia de insetos vetores, vigilância entomológica, controle vetorial e resistência de insetos vetores aos 
inseticidas químicos.