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Manutenção Industrial Me. Alessandro Trombeta NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação CEP 87050-900 - Maringá - Paraná unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Impresso por: Coordenador de Conteúdo Fabio Augusto Gentilin. Designer Educacional Raquel B. Meneses Frata. Revisão Textual Cintia Prezoto Ferreira, Erica Fernanda Ortega e Silvia Caroline Gonçalves. Editoração Andre M. de Freitas, Isabela M. Beli- do e Lavígnia S. Santos Ilustração Natalia de Souza Scalassara e Weling- ton Vainer Satin de Oliveira. Realidade Aumentada Maicon D. Curriel, Thiago M. Surmani e Cesar H. Seidel. DIREÇÃO UNICESUMAR Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi. NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes e Tiago Stachon; Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho; Diretoria de Permanência Leonardo Spaine; Diretoria de Design Educacional Débora Leite; Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho; Head de Metodologias Ativas Thuinie Daros; Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima; Gerência de Projetos Especiais Daniel F. Hey; Gerência de Produção de Conteúdos Diogo Ribeiro Garcia; Gerência de Curadoria Carolina Abdalla Normann de Freitas; Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo; Supervisão de Projetos Especiais Yasminn Talyta Tavares Zagonel; Projeto Gráfico José Jhonny Coelho e Thayla Guimarães Cripaldi; Fotos Shutterstock C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; TROMBETA, Alessandro. Manutenção Industrial. Alessandro Trombeta. Maringá-PR.: Unicesumar, 2020. Reimpresso 2021. 256 p. “Graduação - Híbridos”. 1. Manutenção. 2. Indústria. 3. Máquinas. 4. EaD. I. Título. ISBN 978-65-5615-006-2 CDD - 22 ed. 621.816 CIP - NBR 12899 - AACR/2 PALAVRA DO REITOR Em um mundo global e dinâmico, nós trabalha- mos com princípios éticos e profissionalismo, não somente para oferecer uma educação de qualida- de, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo- -nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emo- cional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revi- samos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educadores soluções inteligentes para as ne- cessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! BOAS-VINDAS Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Co- munidade do Conhecimento. Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar tem sido conhecida pelos nossos alu- nos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é importante destacar aqui que não estamos falando mais daquele conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas de um conhecimento dinâ- mico, renovável em minutos, atemporal, global, democratizado, transformado pelas tecnologias digitais e virtuais. De fato, as tecnologias de informação e comu- nicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, informações, da educação por meio da conectividade via internet, do acesso wireless em diferentes lugares e da mobilidade dos celulares. As redes sociais, os sites, blogs e os tablets ace- leraram a informação e a produção do conheci- mento, que não reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em segundos. A apropriação dessa nova forma de conhecer transformou-se hoje em um dos principais fatores de agregação de valor, de superação das desigualdades, propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. Logo, como agente social, convido você a saber cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a tecnologia que temos e que está disponível. Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg modificou toda uma cultura e forma de conhecer, as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, equipamentos e aplicações estão mudando a nossa cultura e transformando a todos nós. Então, prio- rizar o conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância (EAD), significa possibilitar o contato com ambientes cativantes, ricos em informações e interatividade. É um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a so- ciedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabe- lecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompa- nhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, contribuindo no processo educa- cional, complementando sua formação profis- sional, desenvolvendo competências e habilida- des, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Stu- deo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendiza- gem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das discussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de apren- dizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquili- dade e segurança sua trajetória acadêmica. APRESENTAÇÃO Olá, caro(a) aluno(a)! Bem-vindo(a) a este livro, escrito pensando em você e em suas necessidades. Sou o professor Alessandro Trombeta e preparei este material especialmente a você, com muita pesquisa, empenho e dedicação. O meu objetivo é apresentar conhecimento relevante para você que está em um curso de graduação e que necessita de informações para a construção de sua própria formação profissional e intelectual. A disciplina de Manutenção Industrial é muito importante para a for- mação básica de qualquer engenheiro. Assim, há bastante conteúdo a ser discutido e,com certeza, precisará de mais profundidade e muito mais pesquisa, caso você necessite utilizar os conceitos em sua vida profissional, acadêmica, científica ou até mesmo pessoal. Na primeira unidade, você terá uma breve introdução a respeito da Manutenção Industrial, com seus principais conceitos, como se deu a sua evolução, as principais terminologias e tipos de manutenção que podem ser aplicadas em um processo industrial. Na segunda unidade, estudaremos o fator humano e o seu impacto nas atividades de manutenção industrial. De nada adianta uma organização ter o melhor equipamento se não tiver pessoas preparadas e capacitadas para operá-lo e mantê-lo ao longo do tempo. A Unidade 3 nos traz o conceito que chamamos de “produto da manu- tenção”, além de abordar a interface que existe entre a produção, a enge- nharia e a manutenção. A Unidade 4 tem foco em um tema de extrema importância em qual- quer organização: o Planejamento e Controle da Manutenção. Este assunto é fundamental para a definição das rotinas de manutenção preventiva, alocação de recursos (mão de obra e materiais), cadastro e classificação de equipamentos. Dentro da Unidade 5, os conteúdos a serem apresentados são rela- cionados aos conceitos de 5S e de Total Productive Maintenance (TPM) ou Manutenção Produtiva Total), que ajudam na limpeza, organização e padronização do ambiente de trabalho, além de inserir o operador no contexto da manutenção. A Unidade 6 nos ensina a aplicar o conceito de Overall Equipment Effectiveness ou Eficiência Global do Equipamento (OEE) com foco na identificação e tratativa das chamadas 6 Grandes Perdas, aumentando a eficiência de um equipamento ou processo industrial. Na Unidade 7, o tema é Manutenção Centrada em Confiabilidade, e o objetivo é aprender uma metodologia a ser aplicada nos equipamentos mais complexos e, ao mesmo tempo, com maior criticidade, objetivando eliminar as falhas, porém, levando-se em consideração o contexto opera- cional no qual os equipamentos estão inseridos. Aqui vale ressaltar que o conceito de Manutenção Centrada em Confiabilidade surgiu na aviação, um dos segmentos considerados mais seguros e confiáveis da atualidade. A Unidade 8 nos faz refletir sobre o conceito de qualidade e também nos traz várias ferramentas que podem ser aplicadas no dia a dia da manutenção, melhorando os processos e contribuindo para um melhor desempenho da organização. Por fim, mas não menos importante, a Unidade 9 tratará de temas mo- dernos relacionados à gestão estratégica da manutenção, com a necessidade de quebra de paradigmas relacionados ao tema, e ainda abordará um pouco mais sobre o novo conceito de Gestão de Ativos, que tem se destacado desde 2014 com a chegada da série ISO 55.000. Espero que aproveite muito este material e o conteúdo, o qual está sen- do disponibilizado a você com o intuito de despertar o seu interesse em adquirir novos conhecimentos. Ainda há muita informação a ser lapidada a respeito dessa área, por isso não se acomode em apenas uma única infor- mação ou ponto de vista. Explore mais conhecimentos e ótimos estudos! CURRÍCULO DOS PROFESSORES Mestre Alessandro Trombeta Possui Mestrado em Engenharia Química com Ênfase em Modelagem, Controle e Automação de Processos (UEM/2013), Pós-Graduação MBA em Gerenciamento da Engenharia da Ma- nutenção (Unicastelo em parceria com Pragma Academy e Abraman - Associação Brasileira de Manutenção e Gestão de Ativos/2012), Automação Industrial (UEM/2010), Engenharia da Manutenção (PUCPR/2009), Gestão Ambiental (UEM/2007) e Graduação em Engenharia Química pela Universidade Estadual de Maringá (2003). Atualmente atua como Coordenador Corporativo de Confiabilidade em uma multinacional e possui experiência na área de Ges- tão da Manutenção, em projetos de Análise & Diagnóstico da Manutenção, Implementação e Reestruturação de Planos de Manutenção, implementação da Gestão de Ativos com base na ISO 55.000 e Auditoria do Sistema de Gestão da Manutenção. Atuou como docente por 8 anos nas áreas de Engenharia de Manutenção e de Confiabilidade. Currículo Lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/8950838071250336. Introdução à Manutenção Industrial 13 O Fator Humano na Manutenção Industrial 41 O Produto da Manutenção 67 Planejamento e Controle da Manutenção 5s E Tpm Na Manutenção 87 125 Overall Equipment Effectiveness (OEE) 155 Manutenção Centrada em Confiabilidade Qualidade Na Manutenção 209 Gestão de Ativos 235 177 24 Intervalo P-F 92 Vista Explodida 165 Entendendo o conceito do OEE Utilize o aplicativo Unicesumar Experience para visualizar a Realidade Aumentada. PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Me. Alessandro Trombeta • Conceituar e contextualizar a manutenção industrial. • Compreender as estratégias de manutenção. • Estabelecer a importância socioeconômica da manutenção. Introdução à Manutenção Terminologias da Manutenção Tipos e Estratégias de Manutenção Introdução à Manutenção Industrial Introdução à Manutenção Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a)! Apresento a você a primeira unidade do livro Manutenção Industrial. Tenho certeza de que você já passou por situações no seu dia a dia, envolvendo tare- fas de manutenção, porém pode não ter se dado conta disso. A manutenção faz parte do nosso dia a dia, seja na substituição de uma lâmpada queimada da sala da nossa residência, na troca de óleo do motor do nosso carro, seja na substituição de um simples reparo da torneira do banheiro, que está pingando. Nesta unidade, abordaremos conceitos relacio- nados à manutenção. Você sabe o significado da palavra manutenção? Ele vai muito além do con- ceito de “manter” algo em funcionamento. Trocar uma lâmpada queimada garante a manutenção da iluminação do ambiente, mas trocar o óleo do motor, de forma preventiva, garante que não tenhamos uma falha que pode comprometer o funcionamento do veículo e gerar custos elevados. Tudo o que você verá, daqui para frente, será extremamente importante para atingir os obje- tivos: entender que a manutenção é estratégica para uma organização, ao contrário do que muitos pensam ao acharem que se trata apenas de um centro de custo. 15UNIDADE 1 Preparado? Espero que sim. Então, vamos lá! O surgimento da manutenção se deu em vir- tude da necessidade de manter algo em funcio- namento. O termo manutenção, segundo Viana (2002), vem do latim manus tenere, que significa manter o que se tem, e nos dá uma ideia de manter um item em pleno funcionamento, para atender às expectativas a ele associadas. Viana (2002), ainda, afirma que o termo manu- tenção industrial surge no século XVI, ao mesmo tempo em que surgiram os primeiros teares, po- rém as atividades de operação e de manutenção eram de responsabilidade do operador da máqui- na. Desde então, a manutenção passa por profun- das mudanças dentro de quatro gerações distintas. A primeira geração teve início em 1914 e tinha como característica predominante a Manu- tenção Corretiva, ou seja, os reparos eram reali- zados após a quebra. Vale lembrar que esses repa- ros eram realizados pela equipe de operação, pois a manutenção ainda não havia se consolidado como um departamento dentro das organizações da época. Isso resultava em desperdícios, perda de tempo, retrabalho, muito esforço com pouco resultado, além do custo, é claro. Com o passar do tempo, com a crescente de- manda de itens de todos os tipos após a guerra, as organizações perceberam que já não havia mais espaço para improvisos, soluções paliati- vas e desperdícios. Concluiu-se que era preciso fazer algo para reduzir o número de quebras dos equipamentos. Logo, as inspeções e lubrificações começaram a fazer parte do dia a dia da operação. Surge, então, no início da década de 50, o con- ceito da Manutenção Preventiva, que era basea- da em inspeção e lubrificação dos equipamen- tos. Aqui é importante pontuar que o conceito da Manutenção Preventivasurgiu nos Estados Unidos, mas se desenvolveu no Japão, que tinha sido devastado pela Segunda Guerra Mundial e precisava de novos caminhos para se reerguer e retomar as suas atividades. A Manutenção Preventiva marca, no início da década de 50, um novo marco histórico, conhe- cido como a segunda geração da manutenção. Nessa geração, temos o destaque das atividades de planejamento da manutenção, que foram realiza- das em conjunto com as tarefas preventivas. Outro ponto de destaque da segunda geração consiste no início das atividades de manutenção preditiva, mesmo que de forma modesta (VIANA, 2002). Na década de 70, tem início a terceira geração da manutenção, decorrente do elevado custo de manutenção frente aos custos operacionais. Essa geração chega em meio a um mercado competi- tivo, em uma época de avanços tecnológicos nas áreas de informática e automação, tornando as plantas industriais cada vez mais complexas, com exigência cada vez maior da manutenção e da operação. 16 Introdução à Manutenção Industrial • Conjunto de ações para assegurar o bom funcionamento das máquinas e instala- ções, garantindo o rendimento proposto ao equipamento (CABRAL, 2006). • Formalmente, a manutenção é definida como a combinação de ações técnicas e ad- ministrativas, incluindo as de supervisão, destinadas a manter ou recolocar um item em um estado no qual possa desempenhar uma função requerida (ABNT, 1994). • Combinação de todas as ações técnicas, administrativas e de gestão, durante o ciclo de vida de um bem, destinadas a mantê-lo ou repô-lo em um estado em que pode desempenhar a função requerida (EN 13306, 2010). Uma ferramenta de grande destaque nessa geração foi o Total Productive Maintenance - TPM, conhecido, também, como Manutenção Produtiva Total, que tem por filosofia integrar a produção e a manutenção na busca por um objetivo comum: quebra zero, acidente zero e defeito zero! A manutenção autônoma, que consiste nas atividades e cuidados básicos dos equipamentos, reali- zada pelo operador, passa a ter uma grande força nessa geração; também ficam evidentes os cuidados com padrões de qualidade, meio ambiente e segurança ocupacional, e os custos, disponibilidade e confiabilidade passam a ser vistos como pontos-chave dessa geração. A manutenção não evoluiu somente em campo, o seu conceito também passou por mudanças ao longo do tempo. Vejamos alguns exemplos: Logo, fica evidente a grande mudança do conceito de manutenção, iniciando da necessidade de manter um item em operação, no seu primeiro momento, passando, em seguida, pela incorporação de ações administrativas, cujo foco é planejar e controlar as tarefas a serem realizadas e o custo da manutenção, chegando a um terceiro momento, no qual a manutenção passa a se preocupar, também, com a gestão, o que faz todo o sentido quando analisamos a terceira geração. Outro ponto importante abordado na norma europeia diz respeito ao ciclo de vida de um bem, que nos introduz à quarta geração da manutenção, que teve início a partir de 2010. A quarta geração chega em um cenário de competitividade global, no qual a manutenção está, literalmente, cada vez mais perdendo o seu significado. Quando falamos em manutenção, estamos nos referindo a um sistema de gestão, ou seja, uma nova organização da forma de entendimento da necessidade de sinergia entre todos os departamentos envolvidos nos processos produtivos. Assim, podemos dizer que o termo “manutenção”, aos poucos, será substituído por “Gestão de Ativos”, pois esta nova visão não é de responsabilidade apenas do De- partamento de Manutenção, mas de toda a empresa, e o que se espera é resultado. Esta nova geração tem como foco maximizar a eficácia de um ativo, minimizar as falhas, reduzir perdas e maximizar ganhos. Para isso, de acordo com Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011), novos de- safios devem fazer parte do dia a dia da manutenção, como: gestão de risco, confiabilidade humana e acuracidade na medição e demonstração dos resultados. A Figura 1 mostra um comparativo entre as gerações da manutenção. 17UNIDADE 1 Figura 1 - Evolução da Manutenção Fonte: Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011, p. 40). Primeira Geração Segunda Geração Terceira Geração Quarta Geração Conserto após avaria Maior disponibildade das instalações Maior vida útil dos equipamentos Custos menores Maior disponibilidade e con�abilidade das instalações Maior segurança Melhor qualidade dos produtos Ausência de danos ao meio ambiente Maior vida útil dos equipamentos Maior efetividade de custo Maior disponibilidade e con�abilidade das instalações Maior segurança Melhor qualidade dos produtos Ausência de danos ao meio ambiente Maior vida útil dos equipamentos Maior efetividade de custo Gestão do Risco aplicada aos ativos Con�abilidade humana Novos métodos preditivos Acuracidade na medição e demonstração de resultados 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2010 2011 Até aqui você teve uma breve contextualização e histórico da Manutenção. A seguir, discutiremos suas principais terminologias e os tipos e estratégias mais comuns de manutenção, como corretiva, preventiva, preditiva, autônoma e engenharia da manutenção. A manutenção começa muito antes do dia da primeira pane (parada de emergência) de uma máquina. De fato, ela começa desde a sua concepção. É na concepção que a sua manutenibilidade (aptidão de ser conservada), a sua confiabilidade e a sua disponibilidade (aptidão de ser “operacional” e a sua durabilidade (duração de vida prevista) serão predeterminadas. Fonte: Monchy (1989, p. 2). 18 Introdução à Manutenção Industrial Para um bom entendimento da manutenção, é preciso entender alguns termos comumente utili- zados como item, função requerida, falha e defeito. O termo item é definido pela ABNT (1994) como qualquer parte, componente, dispositivo, subsistema, parte funcional, equipamento ou sis- tema que possa ser considerado individualmente. Para facilitar o nosso entendimento, utilizaremos um exemplo simples, de um item comum e que muitas pessoas possuem em suas residências: o carro. Após definido o item, a ABNT (1994, p. 2) nos traz a definição de função requerida como: “função ou combinação de funções de um item que são consideradas necessárias para promo- ver um dado serviço”. Continuando com o nosso exemplo, para o item carro, podemos definir a sua função requerida como transporte. Ou seja, com ele podemos transportar várias coisas, como pessoas, animais, objetos etc. Assim, definimos o item, no caso, o carro, e a sua função requerida, o transporte. Terminologias da Manutenção 19UNIDADE 1 Agora, é importante entendermos a diferença entre falha e defeito. A ABNT (1994, p. 3) define falha como sendo “o término da capacidade de um item em desempenhar a sua função requerida”. É importante ressaltar que após a falha, o item tem uma “pane”. Falha é um evento e pane é um estado. Para o nosso carro, são consideradas falhas todas as ocorrências que impedirão o veículo de desem- penhar a sua função requerida. Assim, podemos citar como exemplos de falhas: bateria sem carga, correia dentada quebrada e pneu furado. Em relação ao defeito, a ABNT (1994, p. 3) traz a seguinte definição: “qualquer desvio das características de um item em relação aos seus requisitos”. É importante ressaltar que um defeito não compromete o item em realizar a sua função requerida. Para entendermos melhor, voltaremos ao nosso item do exemplo, o carro. A função requerida do carro é o transporte. Um pneu furado é considerado uma falha. En- tretanto, um pneu descalibrado é um defeito, pois não está atendendo a um requisito de projeto do veículo, que é a pressão de 30 psi, por exemplo. Veja que o pneu furado impede o carro de cumprir a sua função requerida, que é o transpor- te. No entanto, com o pneu descalibrado, o carro pode rodar. É muito importante deixar claro que o defeito, se não tratado, pode evoluir para uma falha, além de trazer prejuízos.No caso do nosso veículo do exemplo, o defeito de pneu descali- brado vai gerar maior consumo de combustível, desgaste prematuro do pneu e até o comprome- timento da segurança do veículo em curvas e fre- nagens emergenciais. Na sequência desta unidade, abordaremos as mais importantes estratégias aplicadas na ma- nutenção. Começaremos com as manutenções corretiva e preventiva, e suas variantes, conforme o anexo A da norma EN 13306 (2010), mostrado na Figura 2. Figura 2 - Manutenção Corretiva e Preventiva segundo a Norma EN 13306:2010 Fonte: EN 13306 (2010, p. 20). MANUTENÇÃO PREVENTIVA CORRETIVA Baseada na condição Sistemática Contínua, programada e a pedido Programada Imediata Adiada 20 Introdução à Manutenção Industrial Neste tópico, você conhecerá os tipos de manu- tenção que podem ser definidos para cada equi- pamento, de acordo com a sua importância para o processo em geral, com o objetivo de atingir os resultados operacionais de custo, disponibilidade e confiabilidade dos equipamentos. Tipos e Estratégias de Manutenção 21UNIDADE 1 Manutenção Corretiva A manutenção corretiva é efetuada após a ocor- rência de uma falha em um equipamento, com o objetivo de recolocá-lo em uma condição na qual possa desempenhar a sua função requerida. De acordo com a norma EN 13306 (2010), ela pode ser dividida em dois tipos: a manutenção corretiva imediata e a manutenção corretiva adia- da, conforme a gravidade da ocorrência. A imediata ocorre quando uma falha em um equipamento de extrema importância dentro de um processo faz com que este equipamento deixe de operar, vindo a comprometer a produtivida- de da planta, por exemplo. Assim, a ocorrência deve ser solucionada o mais breve possível, pois existem custos elevados envolvidos em função da parada da planta, por exemplo. É dever da manutenção trabalhar em busca da eliminação da ocorrência de falhas em equipa- mentos de alta importância para o processo, visto que o custo da manutenção corretiva imediata é, em média, sete vezes maior que o custo de uma manutenção preventiva. A quebra de um compo- nente pode comprometer outros que estavam em bom estado, elevando o custo da manutenção com as peças utilizadas no reparo, além dos custos in- diretos, como energia elétrica que está comprada e não está sendo utilizada, mão de obra ociosa e estoque de matéria-prima parado. A manutenção corretiva adiada pode ser de- finida como a atividade que não é efetuada ime- diatamente após a detecção de uma falha, mas é retardada de acordo com certas regras da manu- tenção. A queima de uma lâmpada em um setor com várias luminárias é um exemplo deste tipo de manutenção. A troca não necessariamente tem que ser feita na hora, de imediato, podendo ser adiada. Conheça alguns casos em que a manutenção corretiva pode ser aplicada como uma estratégia de manutenção, sem perdas para o processo: em equipamentos de baixo custo operacional, em equipamentos que possuem back up, em equipa- mentos de baixa criticidade e em equipamentos de fácil e rápida manutenção. Fonte: adaptado de Pereira (2009). 22 Introdução à Manutenção Industrial Manutenção Preventiva A manutenção preventiva, de acordo com a norma EN 13306 (2010), é caracterizada por ações efetuadas a intervalos de tempo pré-deter- minados, ou de acordo com outros critérios prescritos, como quan- tidade produzida e quilômetros rodados, por exemplo, destinada a reduzir a probabilidade de falha ou a degradação do funcionamento de um item. A norma EN 13306 (2010) divide a manutenção preventiva em dois tipos, com abordagens distintas: manutenção preventiva siste- mática e manutenção preventiva baseada na condição. A manutenção preventiva sistemática ocorre em intervalos prees- tabelecidos de tempo, ou segundo um número definido de unidades de utilização, ou até mesmo outro fator relacionado ao desgaste do equipamento. A sua principal característica consiste na ausência de controle prévio do estado do equipamento ou componente a ser substituído, por exemplo, o manual de um equipamento possui uma tarefa de manutenção preventiva sistemática descrita como a substituição de um determinado rolamento a cada 8.000 horas de utilização. Assim, a cada intervalo de 8.000 horas, o item é substituído, sem uma análise prévia do seu estado de conservação e de sua condição operacional, simplesmente, é trocado por um novo. Aqui, não existe a máxima “roda mais um pouquinho!”. A manutenção preventiva sistemática é muito vantajosa quando se conhece a durabilidade de um componente, ou seja, o seu Tempo Médio para Falha - TMPF, caso contrário, estaremos substituindo um componente antes da hora, ou seja, será substituído ainda em condi- ções de uso, contribuindo para o aumento do custo da manutenção. Por outro lado, a manutenção preventiva baseada na condição possui processo bem diferente. Este tipo de manutenção tem como objetivo reduzir a quantidade de paradas do equipamento durante a sua utilização, bem como utilizar o máximo possível da vida útil de um componente. Essas ações privilegiam o tempo de operação do equipamento, contribuindo para um maior faturamento da empresa e um menor custo de manutenção. A manutenção preventiva baseada na condição é definida pela norma europeia EN 13306 (2010) como um conjunto de ações de monitoramento do funcionamento de um determinado item e/ou dos parâmetros significativos desse funcionamento, integrando as ações daí decorrentes. Nesse caso, um componente passa a ter um monitoramen- to de sua condição operacional durante toda a sua vida útil, ga- rantindo maior disponibilidade e confiabilidade ao processo e, consequentemente, maior fatu- ramento e menor custo de ma- nutenção. Manutenção Preditiva A manutenção preditiva é defi- nida pela norma ABNT (1994) como um conjunto de ações condicionadas e efetuadas de acordo com previsões extrapo- ladas da análise e da avaliação de parâmetros significativos da degradação do bem. Trata-se de uma atividade preventiva baseada na condição e que per- mite um maior controle da vida útil dos equipamentos a partir da aplicação sistemática de téc- nicas de análise e da utilização de meios de supervisão centra- lizados ou de amostragem. O objetivo consiste em re- duzir ao máximo a manutenção preventiva sistemática e dimi- nuir a manutenção corretiva, aumentando a disponibilidade da planta. É considerada uma forma de manutenção inteligen- te, pois a intervenção só ocorre quando realmente é necessário. 23UNIDADE 1 Alguns exemplos de técnicas de manutenção preditiva que podemos citar são: a análise de vibração, a termografia, a boroscopia, o raio X, o ultrassom, os líquidos penetrantes, as partículas magnéticas e a emissão acústica. Este tipo de manutenção é eficaz quando podem ser identificados parâmetros mensuráveis que estão diretamente ligados aos sinais de falha, por exemplo, a medição dos níveis de vibração, a análise da temperatura ou a análise do óleo lubrificante quanto à oxidação. Kardec e Nascif (2009) elencam as condições básicas para se adotar a manutenção preditiva: • O equipamento, sistema ou instalação devem permitir algum tipo de monitoramento ou medição. • A utilização deste tipo de manutenção deve ser justificada pelo equipamento, sistema ou ins- talação em função dos custos envolvidos. • As falhas devem ser provenientes de causas que possam ser monitoradas e cuja progressão possa ser acompanhada. • Seja estabelecido um programa de acompanhamento, análise e diagnóstico sistematizado. A manutenção preditiva pode ser classificada em três fases distintas, de acordo com Mirshawka (1991): 1. A detecção do defeito que se desenvolve. 2. O estabelecimento de um diagnóstico. 3. A análise da tendência. A detecção do defeito que se desenvolve A detecção de um defeito é a primeira etapa da manutenção preditiva. Hoje, a manutenção dispõe de modernos equipamentos capazes de identificar defeitos em equipamentos e sistemas em operação, como: vibraçãode um rolamento; temperatura em um painel elétrico; espessura da chapa de um vaso de pressão; viscosidade de um óleo lubrificante. O estabelecimento de um diagnóstico Após a detecção de um defeito a partir da aplica- ção de uma técnica preditiva, o técnico respon- sável precisa estabelecer o diagnóstico do proble- ma, incluindo a origem e a gravidade do defeito constatado. É extremamente importante realizar o diagnóstico com sucesso para que se possa pro- gramar o reparo. 24 Introdução à Manutenção Industrial A análise da tendência A análise do diagnóstico possibilitará ao responsável pela manu- tenção determinar o tempo que ele dispõe até que a falha ocorra. A Figura 3 mostra a evolução do defeito ao longo do tempo, também, comumente conhecido na manutenção por intervalo P-F. Figura 3 - Intervalo P-F Fonte: adaptado de Gulati e Smith (2009). Na figura, a zona A indica o início de uma falha, que pode ser por uma redução da lubrificação, uma falha humana, defeito no material ou qualquer outra razão. Na zona B, temos uma evolução da falha ao longo do tempo. A partir do ponto Falha Potencial, a equipe de manutenção precisa identificar os efeitos que estão sendo gerados pela falha e, com isso, programar a solução para o problema, antes do término da zona C. Caso a falha não seja identificada, no final da zona C, temos a ocorrência da Falha Funcional, que é quando o equipamento tem a sua operação interrompida e não exerce mais a sua função requerida. A zona D é caracterizada pelo equipamento fora de operação. Para Gulati e Smith (2009), a melhor estratégia para procurar e encontrar um defeito ou condição anormal, na zona B, é a utilização de tarefas baseadas na condição, como a manutenção preditiva. As principais vantagens da aplicação da manutenção preditiva são: • Evita a ocorrência de falhas, reduzindo a manutenção corretiva emergencial e evitando, assim, a interrupção da produção. A B C INTERVALO P-F D Tempo Co nd iç ão Falha Potencial Início da Falha Falha Funcional Intervalo P-F 25UNIDADE 1 • Possibilita um controle efetivo de peças sobres- salentes, diminuindo os custos com estoques elevados. • Permite que a produ- ção e a manutenção tenham conhecimento do estado real dos equi- pamentos, a qualquer instante, permitindo a tomada de decisões no momento certo. • Permite que as inter- venções, independente do porte, sejam progra- madas. • Cria um histórico da planta, dos equipamen- tos e componentes. • Possibilita a tomada de decisão com base em dados e fatos concretos, e não mais no famoso “achômetro”. • Aumenta a Eficiência Global do Equipamen- to - Overall Equipment Effectiveness (OEE). Os principais tipos de manu- tenção preditiva são: análise de vibração, termografia, ul- trassom, raio X, boroscopia, líquidos penetrantes e análise de óleo. A análise de vibração consiste em uma técnica pre- ditiva destinada a detectar falhas em componentes me- Figura 4 - Análise termográfica de um painel elétrico cânicos móveis de um equipamento, sem a necessidade de sua parada. Kardec e Nascif (2009) afirmam que a maior ênfase de acom- panhamento da vibração está concentrada nos equipamentos ro- tativos, para os quais tanto a metodologia de análise quanto os instrumentos e aparelhos, além de softwares de apoio e sistemas especialistas, se encontram em um estágio bem avançado. Toda máquina possui uma característica de vibração definida em função dos seus componentes mecânicos e sua vibração está associada às frequências características de seus componentes. Dessa forma, o equipamento é avaliado em pontos acessíveis e a sua condição operacional passa a ser conhecida. Cabe ao técnico definir a necessidade, ou não, de intervenção após uma medição e análise de tendência. Cada componente possui uma característica própria de vibração, possibilitando diagnosticar com exatidão qual é o problema que está ocorrendo no equipamento. Por outro lado, a termografia consiste em uma técnica muito utilizada na indústria e de grande importância para a manutenção. A partir da radiação infravermelha emitida por um corpo, a câmera termográfica realiza o registro gráfico das temperaturas em diversos pontos, como mostra a Figura 4. 26 Introdução à Manutenção Industrial A partir da inspeção, é possível identificar os componentes que apresentam temperatura fora do normal, podendo evoluir para uma falha, como mostra a Figura 5. Figura 5 - Pontos de Aquecimento - Inspeção Termográfica O ultrassom é outra técnica muito utilizada no meio indus- trial. Tem seu funcionamento baseado nas leis da física e de- tecta lacunas, trincas, porosida- des e espessura de paredes por meio da propagação de ondas sonoras de alta frequência em determinados materiais sólidos. Kardec e Nascif (2009) aler- tam para o cuidado com trincas e outras descontinuidades do material, pois podem compro- meter a utilização pretendida, podendo até colocar vidas em risco. A Figura 6 mostra a aná- lise de espessura de uma tubu- lação industrial utilizando-se a técnica de ultrassom. Figura 6 - Medição de espessura por ultrassom Fonte: Utmaax ([2020], on-line)1. O raio X é uma técnica que consiste basicamente na aplicação de radiações ionizantes em determinada peça e as falhas são determinadas por meio da absorção diferenciada da radiação penetrante pela peça que está sendo inspecionada. A radiografia industrial é amplamente utilizada na inspeção de soldas, materiais fundidos e forjados. 27UNIDADE 1 A Figura 7 mostra a análise de uma determinada peça utilizando a radiografia. Figura 7 - Inspeção de solda em tubulação por Raio X A boroscopia é uma técnica de inspeção em equi- pamentos industriais por meio da utilização de uma câmera de videoscopia. Esta técnica também é amplamente utilizada na indústria e permite visualizar possíveis falhas e danos na parte interna de equipamentos. Mais um tipo de técnica, o ensaio por líquido penetrante é utilizado para detectar descontinui- dades em superfícies abertas, tais como: trincas, poros, dobras etc., podendo ser aplicado em todos os materiais sólidos e que não sejam porosos ou com superfície muito grosseira. Kardec e Nascif (2009) alertam para o cuidado da aplicação dessa técnica, que só pode ser aplicada para detectar trincas superficiais e porosidades. Seguindo na conceituação das técnicas, a análise de óleo consiste na submissão de uma amostra de óleo a diversos testes laboratoriais. Os resultados levantam informações essenciais sobre as condições do óleo, viscosidade, os níveis de contaminação e o desgaste dos componentes do equipamento lubrificado pelo óleo. É uma técnica também utilizada na área elétrica, na análise de óleos isolantes de equipamentos, como de trans- formadores. O Quadro 1 mostra alguns ensaios físico-químicos que podem ser realizados. 28 Introdução à Manutenção Industrial Quadro 1 - Análises físico-químicas de óleos lubrificantes Fonte: Kardec e Nascif (2009, p. 293). Assim, apresentamos as principais técnicas utilizadas na indústria para diagnóstico de problemas em equipamentos. Vale ressaltar a importância da utilização destas técnicas, uma vez que elas possibilitam a detecção de uma falha com antecedência, ou seja, no estágio de defeito, dando ao departamento de manutenção tempo para se organizar e evitar a parada do equipamento. Com isso, também se evitam outras consequências para o processo e para a produção, contribuindo para o aumento da disponibi- lidade da planta. Ensaio físico-químico de óleos lubrificantes Padrão Ensaio Finalidade ASTM D 1500 Cor Padronização de produção e es- tado de oxidação do óleo lubri- ficante. ASTM D 445 (Saybolt Universal) Viscosidade Propriedade mais importante do óleo lubrificante, definida como a resistência ao escoamento apre- sentado pelos fluidos. ASTM D 2270 Índice de viscosidade Variação de viscosidade com a temperatura. ASTM D 92 (Open cup) . ASTM D 644 Ponto de Fulgor Índice de Acidez (TAN)Determinação da mais baixa tem- peratura na qual uma amostra de óleo desprende vapores, ao ser aquecida, em proporção su- ficiente para formar uma mistura inflamável com o ar e provocar um “flash” ou se aproximar uma chama padrão definida no en- saio. Grau de acidez do óleo lubrifi- cante. ASTM D 4793 Índice de Basicidade (TBN) Determinação da reserva alcalina do óleo lubrificante ASTM D 2711 Demulsibilidade Característica de um óleo sepa-rar-se da água rapidamente. ASTM D 1401 Emulsibilidade Característica de se mistura com a água, necessária em certos ti- pos do óleo. ASTM D 482 Cinzas Materiais não combustíveis pre-sentes no óleo. ASTM D 892 Espuma Estabilidade da espuma formada sob condições de aeração. ASTM D 189 Resíduo de Carbono (Conrad Re-sidue Carbon Test) Resíduo obtido da evaporação lenta sem a presença de ar em condições definidas. 29UNIDADE 1 Manutenção Autônoma A manutenção autônoma tem origem na metodologia Total Productive Maintenance - TPM, e tem por objetivo unir forças da manutenção e da produção na busca por um objetivo comum: melhorar os resultados, eliminar falhas, acidentes e defeitos. O papel da manutenção autônoma é desenvolver nos operadores um senso crítico de cuidado com os equipamentos, capacitando-os para realizarem tarefas básicas, como limpeza, reaperto e lubrificação, também inspeções com o objetivo de detectar possíveis problemas nos equipamentos. A manutenção autônoma é implementada em sete passos: • Passo 1: limpeza inicial. • Passo 2: eliminação de fontes de sujeira e locais de difícil acesso. • Passo 3: definição dos padrões provisórios de limpeza e lubrificação. • Passo 4: inspeção geral. • Passo 5: inspeção autônoma. • Passo 6: padronização da organização e ordem. • Passo 7: consolidação da manutenção autônoma. Com isso, é possível afirmar que a manutenção autônoma é essencial para o envolvimento do operador no processo de manutenção de equipamentos, capacitando-o para inspeções e cuidados básicos do dia a dia. Engenharia da Manutenção A engenharia da manutenção é o ramo da engenharia voltado para a otimização dos equipamentos, processos e custos, de modo a atingir um outro patamar de confiabilidade, disponibilidade e manuteni- bilidade dos equipamentos. Tem como objetivo deixar de ficar consertando continuamente os equipamentos para procurar as causas básicas das falhas, mo- dificar situações responsáveis pelo baixo desempenho, deixar de conviver com problemas crônicos e focar na manutenibilidade. Viana (2002) complementa afirmando que o objetivo da enge- nharia da manutenção é de promover o progresso tecnológico da Manutenção, por meio da aplicação de conhecimentos científicos e empíricos na solução de problemas encontrados em processos e equipamentos, buscando a melhoria da manutenibilidade dos equipamentos, maior produtividade e eliminação de riscos em se- gurança do trabalho e danos ao meio ambiente. 30 Introdução à Manutenção Industrial As principais atribuições da engenharia da manu- tenção, de acordo com Kardec e Nascif (2009), são: • Aumentar a confiabilidade. • Aumentar a disponibilidade. • Melhorar a manutenibilidade. • Aumentar a segurança. • Eliminar problemas crônicos. • Solucionar problemas tecnológicos. • Melhorar a capacitação do pessoal. • Gerir materiais e sobressalentes. • Participar de novos projetos, fazendo in- terface com a engenharia; • Dar suporte à execução. • Conduzir análises de falhas e estudos de melhoria. • Elaborar planos de manutenção e de ins- peção, fazendo a sua análise crítica. • Monitorar os indicadores de desempenho da manutenção. • Zelar pela documentação técnica. O potencial de ganho está na busca constante de desenvolvimento e implementação de soluções na intenção de aumentar a disponibilidade e a confiabilidade dos equipamentos e reduzir os cus- tos de manutenção. A engenharia da manutenção deve estar focada na consolidação das rotinas de manutenção e também na implementação de me- lhorias, segundo Kardec e Nascif (2009). A Figura 8 mostra os ganhos que podem ser obtidos com a engenharia da manutenção. Figura 8 - Ganhos com a Engenharia da Manutenção Fonte: adaptada de Kardec e Nascif (2009). Tipo de Manutenção Cu st os Resultados D is po ni bi lid ad e, C on a bi lid ad e Se gu ra nç a, M ei o A m bi en te EVOLUÇÃO CORRETIVA PREVENTIVA PREDITIVA ENGENHARIA DE MANUTENÇÃO Com base nisso, sabemos que conhecer os tipos de manuten- ção e definir corretamente a es- tratégia para cada tipo de equi- pamento são fatores essenciais para quem busca a excelência na manutenção. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 31UNIDADE 1 Prezado(a) aluno(a), nesta unidade, introduzimos os conceitos de manutenção e vimos como se deu a evolução da manutenção ao longo dos anos. Hoje, falamos muito em inovação e, por esse mo- tivo, vale ressaltar a importância da inovação nos processos de manutenção. A manutenção surgiu com o objetivo de manter as máquinas e equipamentos, mas, com o passar do tempo, evoluiu e inovou, sem- pre buscando novas ferramentas e metodologias com o objetivo de evitar as falhas e garantir os equipamentos disponíveis e confiáveis para a produção por um maior período de tempo. Também, entendemos as principais terminologias associadas à gestão da manutenção e abordamos os tipos de manutenção mais comumente utilizados nas empresas, mostrando as diferenças entre cada uma e como sua aplicação pode contribuir para uma gestão com resultados na manutenção. Espero que, ao fim desta unidade, você tenha percebido a im- portância da manutenção para todas as organizações. Na próxima unidade, abordaremos o fator humano na manuten- ção, entrando em detalhes nos papéis e responsabilidades de cada função dentro da manutenção. Você verá que manutenção não é somente a utilização de ferramentas e procedimentos, mas também uma sinergia entre pessoas de várias áreas. Até lá! Uma boa gerência técnica implica a execução, pelo serviço de manutenção, de atividades complemen- tares às ações de manutenção corretiva e preventiva estudadas anteriormente. Essas atividades são: • Os trabalhos de melhoramento e modernização. • As renovações e as reconstruções. • A gerência dos trabalhos subcontratados. • O comportamento de certos equipamentos periféricos. • Os estudos e os novos projetos. • Os trabalhos de conservação das instalações. Fonte: Monchy (1989, p. 52). 32 Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 1. A Manutenção tem por objetivo manter os equipamentos em condições nas quais possam operar de forma segura e confiável. A Manutenção pode ser definida como: a) A recolocação de um equipamento, após uma falha, em um estado no qual possa desempenhar uma tarefa dentro de um contexto industrial. b) Conjunto de ações para assegurar o bom funcionamento das máquinas e ins- talações, garantindo o rendimento proposto ao equipamento. c) Combinação de ações técnicas e administrativas, incluindo as de supervisão, destinadas a manter ou recolocar um item em um estado no qual possa de- sempenhar uma função requerida. d) Combinação de todas as ações técnicas, administrativas e de gestão, durante o ciclo de vida de um bem, destinadas a mantê-lo ou repô-lo em um estado em que pode desempenhar a função requerida. e) Todas as alternativas anteriores estão corretas. 33 2. Manter os equipamentos consiste em um processo em constante evolução e com a implementação de técnicas inovadoras ao longo do tempo. Leia as afir- mações a seguir: I) A manutenção passou, ao longo do tempo, por várias gerações. Atualmente estamos na terceira geração. II) A primeira geração da manutenção tem foco na manutenção corretiva, ou seja, conserto após a falha. III) A terceira geração está totalmente apoiada no conceito de manutenção pre- ventiva, não levando em consideração outros pontos, como custos, qualidade e meio ambiente. IV) A quarta geração da manutenção consisteem uma extensão da terceira ge- ração, agregando pontos importantes, como gestão de riscos, confiabilidade humana, acuracidade e novos métodos preditivos. Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas: a) Somente as afirmativas I e II estão corretas. b) Somente as afirmativas II e IV estão corretas. c) Somente a afirmativa IV está correta. d) Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas. e) Nenhuma das alternativas está correta. 34 3. Buscar as causas dos problemas e otimizar a operação e a manutenção dos equipamentos é parte das atividades da manutenção. Assinale verdadeiro (V) ou falso (F): ) ( A Engenharia da Manutenção tem como foco fabricar novos equipamentos. ) ( A Engenharia da Manutenção promove a otimização de equipamentos, pro- cessos e custos associados. ) ( Um dos objetivos da Engenharia da Manutenção é buscar a causa raiz dos problemas, além de eliminar problemas crônicos. ) ( A Engenharia da Manutenção não pode ser aplicada a processos industriais que possuam tarefas mais simples de manutenção. A sequência correta para a resposta da questão é: a) V, F, F, V. b) V, V, F, F. c) F, F, V, V. d) V, F, V, F. e) F, V, V, F. 4. As estratégias de manutenção são aplicadas de forma a se ter o cuidado mais adequado com o equipamento e de acordo com a sua importância no processo industrial. Associe as definições da primeira coluna com as alternativas a seguir: (A) Manutenção Corretiva. (B) Manutenção Preventiva. (C) Manutenção Preditiva. (D) Manutenção Autônoma. ) ( Manutenção realizada pelo próprio operador da máquina. ) ( Manutenção realizada com base em parâmetros mensuráveis. ) ( Manutenção realizada após a ocorrência de uma falha. ) ( Manutenção realizada em intervalos de tempo pré-determinados. 5. Explique o significado do intervalo P-F e qual a sua importância para as ativida- des da manutenção. 35 Técnicas de Manutenção Preditiva Autor: Lauro Xavier Nepomuceno Editora: Blucher Sinopse: inicialmente o presente trabalho deveria ser uma segunda edição do livro “Procedimentos Técnicos de Manutenção Preditiva em Instalações Indus- triais”. Como este livro foi utilizado em vários cursos de extensão, reciclagem e mesmo treinamento de interessados em problemas de Manutenção, foi de- cidido elaborar outro livro, totalmente diverso do original, embora baseado nos mesmos motivos. Foram feitas várias modificações e ampliações, como: a) acrescentado capítulo sobre alguns conceitos básicos, assim como os métodos de investigação da ocorrência dos diferentes tipos de falhas; b) ampliação da des- crição dos processos de medição dos parâmetros de interesse à Manutenção; c) acrescentado um capítulo sobre Vibrações Mecânicas e Movimento Ondulatório, visando os fundamentos que interessam aos envolvidos com a Manutenção; d) acrescentado um capítulo sobre o processamento e análise dos sinais de inte- resse à Manutenção, incluindo ideias básicas da análise pelas Séries de Fourier; e) acrescido um capítulo descrevendo e apresentando vários estudos sobre a elaboração de diagnóstico de falhas através do espectro das vibrações, com o seu acompanhamento a partir de um dado instante até o momento adequado à intervenção; f) ampliado o capítulo referente à limpeza ultrassônica, incluindo descrição do novo processo de desobstrução de tubulações; g) os ensaios não destrutivos, assim como a medida e controle da pressão e temperatura e a aná- lise dos lubrificantes são apresentados por especialistas que possuem longos anos de experiência prática; h) foi introduzido um capítulo referente aos ensaios não destrutivos não convencionais. É fornecida uma ideia do cálculo da vida útil residual de componentes que apresentam descontinuidades. LIVRO 36 O que é Manutenção Industrial de máquinas e equipamentos? O texto que pode ser acessado pelo link abaixo traz conceitos de manutenção e lubrificação, os tipos de manutenção e também um pouco mais sobre a gestão da manutenção na indústria. No final, traz um vídeo de como iniciar as mudanças na manutenção. WEB Perdido em Marte Ano: 2015 Sinopse: o filme retrata o drama vivido por Mark Watney (Matt Damon), um astronauta que é dado como morto por sua equipe em uma missão espacial a Marte após uma tempestade no planeta vermelho que acabou separando-o de toda a sua equipe. No entanto, o que ninguém imagina é que Mark sobreviveu e precisa encontrar uma forma de voltar para casa. Comentário: além do lado humano, do controle emocional e da liderança — qualidades que todo profissional precisa ter em sua carreira —, o filme mostra aos aspirantes a engenheiro, principalmente da área aeronáutica, que precisam ser bons em cálculos, ter noções de química, física, sistemas elétricos e várias outras coisas que envolvem a manutenção e gerenciamento de equipamentos e atividades espaciais. FILME https://industriahoje.com.br/o-que-e-manutencao-industrial-de-maquinas-e-equipamentos 37 ABNT. Associação Brasileiras de Normas Técnicas. NBR 5462: Confiabilidade de mantenabilidade. Rio de Janeiro: ABNT, 1994. CABRAL, J. P. S. Organização e Gestão da Manutenção - dos conceitos à prática. Lisboa: Lidel Edições Téc- nicas, 2006. CUIGNET, R. Gestão da Manutenção. Lisboa: Lidel Edições Técnicas, 2006. EN - European Committee for Standardization. BS EN: 13306:2010: Maintenance - Maintenance terminology. Union European, 2010. GULATI, R.; SMITH, R. Maintenance and Reliability Best Practices. New York: Industrial Press, 2009. MIRSHAWKA, V. Manutenção preditiva: caminho para zero defeitos. São Paulo: Makron, McGraw-Hill, 1991. MONCHY, F. A Função Manutenção. Formação para a gerência da manutenção industrial. São Paulo: Ebras Editora Brasileira Ltda., 1989. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: Função Estratégica. 3. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2009. MORTELARI, D.; SIQUEIRA, K.; PIZZATI, N. O RCM na quarta geração da manutenção de ativos. São Paulo: RG Editores, 2011. PEREIRA, M. J. Engenharia de Manutenção - Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2009. VIANA, H. R. G. PCM: Planejamento e Controle da Manutenção. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002. REFERÊNCIA ON-LINE 1Em: https://www.utmaax.com.br/ultrassom-convencional-industrial. Acesso em: 29 jan. 2020. 38 1. E. 2. B. 3. E. 4. D, C, A, B 5. O intervalo P-F consiste no tempo decorrido entre a detecção de uma falha potencial (P) e a ocorrência de uma falha funcional (F). Este intervalo é importante para que a manutenção possa se programar e corrigir a falha potencial, evitando-se, assim, a falha funcional com a possível parada do equipamento e até do processo. 39 40 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Aprender como as pessoas interagem na manutenção. • Entender os papéis e responsabilidades das pessoas na manutenção. • Compreender as causas de insucesso na manutenção. • Aprender a aumentar a produtividade da manutenção. As Pessoas e a Manutenção O Fator Humano na Manutenção Insucesso e Perda de Produtividade na Manutenção Papéis e Responsabilidades na Manutenção Me. Alessandro Trombeta O Fator Humano na Manutenção Industrial As Pessoas e a Manutenção Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) novamente ao universo da manutenção! Na Unidade 1, abor- damos os primeiros conceitos relacionados à ma- nutenção, bem como a sua evolução, que ocorreu a partir da necessidade de reparar um equipamento em falha, passando também pela fase de aplicação de novas técnicas com o objetivo de eliminar a ocorrência de falhas e, por último, pela busca da otimização dos equipamentos. Em todas essas etapas, o ser humano foi pro- tagonista, o que nos leva – após entendermos os conceitos básicos da manutenção, as terminolo- gias e os tipos e estratégias – a buscar mais infor- mações a respeito da influência das pessoas na manutenção. Nesta unidade, você entenderá a importância das pessoas nos processos relacionados à ma- nutenção, além de fatores importantes paraum gestor de manutenção, como liderança, resiliência e capacidade de adaptação. Abordaremos, tam- bém, os papéis e responsabilidades das principais pessoas envolvidas na manutenção, das quais os resultados dependem diretamente. 43UNIDADE 2 A palavra manutenção nos induz a pensar em ferramentas, técnicas, metodologias e equipamen- tos, e acabamos nos esquecendo de um item de extrema importância para o sucesso deste proces- so: o fator humano. De acordo com Pinto (2013), a manutenção é uma atividade que muito depende das pessoas que a executam e das pessoas que a planejam. Por este motivo, deve estar integrada no organograma da empresa, fazer parte da sua cadeia de valor, ter um número adequado de colaboradores e uma gestão adequada à extensão e complexidade do trabalho a desenvolver. A capacitação de todos os colaboradores de uma empresa é um trabalho muito importante para o crescimento não só das pessoas, mas tam- bém das organizações. E gerir uma equipe de manutenção é um traba- lho árduo, que exige conhecimento, disciplina e li- derança, visto as diversidades que encontramos na manutenção: níveis de conhecimento diferentes; Você já ouviu falar em “equipes de alta performance”? “Nessas equipes, a maioria dos funcionários age como se fosse dona da empresa; aceita novos desafios; não tolera colegas acomodados ou medíocres e pensa em ficar na empresa por muitos anos se as regras e a cultura do mérito continuarem a prevalecer”. Fonte: Ferraz (2018, p. 187). interação das pessoas da manutenção com outros setores, como a produção; nem sempre as regras e princípios da manutenção estão claros para todos, incluindo o gestor; falta de atribuição de tempos para as tarefas; nem sempre as tarefas são repeti- tivas, uma vez que os equipamentos apresentam muitos componentes e diversos modos de falha. Pessoas da Manutenção As pessoas da manutenção, de acordo com Pinto (2013), podem ter como proveniência cursos técnicos, profissionalizantes e até de diversos ramos da engenharia. Trata-se de uma formação e expe- riência profissional muito diversificada. Um técnico de manutenção deverá possuir um forte senso crítico e grande capacidade para discernir entre o trivial e o importante. Os processos e seus equipamentos evoluem muito rápido, e essa evolução tecnológica exige do profissional de manutenção cons- tante aprendizado e atualização de técnicas e conhecimentos. Além disso, Zen (2004) afirma que o profissional da manutenção deve saber compreender as novas dimensões das funções da empresa, tais como Engenharia, Produção, Operação, Planejamento, Vendas, Marketing, Finanças, Recursos Humanos, Serviços etc. 44 O Fator Humano na Manutenção Industrial Já no dia a dia da manutenção, para um bom andamento das atividades, cada grupo ou equipe deve estar associado a um respon- sável que realize a coordenação das atividades, conforme definido a seguir, por Pinto (2013, p. 201): • Atribuir as ordens de serviço aos elementos de cada equipe de acordo com a sua disponibilidade e qualificação. • Assegurar que os trabalhos são executados nas condições e nos tempos previstos. • Assegurar a qualidade do trabalho executado. • Identificar e procurar remover obstáculos à boa execução das ordens de serviço. • Promover o aperfeiçoamento profissional e a formação de seus colaboradores. De um modo geral, Pinto (2013, p. 201) afirma que o responsável pelo departamento de manutenção deverá possuir as seguintes qualidades: • Ter formação técnica e pessoal adequada às atividades de liderança e de gestão. • Estar sempre informado sobre o que se passa na empresa, sobre a evolução tecnológica e as tendências de gestão e liderança de pessoas. • Concentrar-se no essencial, evitar a dispersão, saber dizer não ao trivial. • Ter sentido político, nas relações com outros departamentos. • Saber escolher o momento para intervir. A satisfação no trabalho de- pende de fatores associados às necessidades superiores e que se encontram, geralmente, no conteúdo do trabalho. Esses fatores incluem o reconheci- mento, o trabalho a executar, a responsabilidade, a realização e o avanço tecnológico. Por sua vez, a insatisfação no trabalho depende de fato- res associados às necessidades básicas e que se encontram, geralmente, no ambiente de trabalho. Esses fatores incluem a política da empresa, a super- visão, as condições de trabalho, a remuneração e as relações de trabalho. Stevenson (2002) afirma que não se deve racionalizar o trabalho para se aumentar a eficiência das equipes, e sim enriquecê-lo de modo a produ- zir uma motivação real. Liderança na Manutenção A liderança está relacionada com a capacidade de um indivíduo de atrair seguidores, influenciando de forma positiva o seu comporta- mento, gerando motivação e, por consequência, ótimos resultados. Pereira (2009) acredita não existir um líder ideal, mas um perfil mais adequado às pessoas que se lidera, e de acordo com a cultura da empresa. O gestor de manutenção precisa passar da viabilização do possível para a viabilização do impossível, sempre buscando direcionar a equipe para novos desafios, estimulando-a de forma contínua. Os desafios do gestor da manutenção são imensos e dobrados: diagnosticar rápido um problema e a sua solução (em uma manutenção corretiva) ou definir tarefas para evitar que a máquina ou equipamento tenha uma falha. O líder é caracterizado por um profissional que faz aconte- cer, tem competência para decidir e para negociar as necessidades assegurando a realização das ações no tempo e no espaço. Essa negociação, geralmente, envolve o pessoal da produção, uma vez que é papel da manutenção co- laborar para o equilíbrio entre o “ “ 45UNIDADE 2 risco e a recompensa, além do foco em antecipação e prevenção das falhas, falhas essas que podem estar relacionadas à segurança, ao meio ambiente e, na maioria dos casos, à produção. Para um bom líder de manutenção, Zen (2004, p. 32) afirma que “o passado é para se meditar e não para se reproduzir”. Assim, busca-se aplicar no dia a dia da manutenção o princípio da melhoria contínua. É importante ressaltar que não existe um lí- der ideal. Pereira (2009) afirma que o líder deve possuir um perfil mais adequado às pessoas que lidera, sem deixar de lado a cultura da empresa. Diante disso, o líder de manutenção precisa ser flexível, sabendo se reportar à alta direção de uma organização e ao mesmo tempo à fun- ção mais simples, mas não menos importan- te, da organização. E, além destes, o líder de manutenção também se depara com líderes de outros departamentos, uma vez que todas as áreas de uma empresa demandam manu- tenção, ele precisa saber lidar muito bem com essa situação, buscando atender a todos os seus clientes internos, evitando conflitos e fazendo negociações. Armstrong (2011, p. 25) ressalta a necessidade de se fazer uma distinção entre gestão e liderança: “ • A preocupação da gestão é alcançar resultados a partir da obtenção, destinação, aplicação e controle de todos os recursos necessários (pessoas, dinheiro, infraestrutura, instalações, equipa-mentos, informações e conhecimentos); • A liderança já tem seu objetivo nas pessoas. É um processo de desenvolvimento e comunicação de uma visão de futuro, que envolve e motiva as pessoas. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 46 O Fator Humano na Manutenção Industrial Alguns pontos são extremamente importantes quando o assunto é o fator humano na manu- tenção, como: o conhecimento, a criatividade, a comunicação, a tecnologia e a resiliência. Falare- mos de cada um deles na sequência. Conhecimento Ao longo da vida todos recebem uma grande quantidade de informações, que são armazena- das por intermédio da experiência ou da apren- dizagem. A esse conjunto de informações damos o nome de conhecimento. E conhecer procedi- mentos, equipamentos, tecnologias e princípios de funcionamentode máquinas e equipamentos é fundamental para as equipes de manutenção. Ferraz (2018) classifica o conhecimento em explícito e tácito. Segundo o autor, o primeiro está relacionado ao domínio da teoria e o segundo com a habilidade para realizar a tarefa, ou seja, a prática. O Fator Humano na Manutenção 47UNIDADE 2 Para facilitar o entendimento, Ferraz (2018) traz dois exemplos: primeiro, o de um enge- nheiro agrônomo, que passa meses da sua gra- duação estudando o cultivo da soja (variedades, sementes, épocas de plantio, adubação, controle químico de ervas daninhas, doenças, insetos etc.), mas que, mesmo com todo esse conhe- cimento teórico, pode não ter sucesso em um ciclo completo do plantio à colheita por falta de experiência prática. No segundo exemplo, porém, o autor diz que muitos agricultores que nunca tiveram uma única aula teórica sobre o cultivo da soja utilizam o conhecimento práti- co (experiência de muitos anos) para conduzir as suas lavouras, obtendo excelentes resultados. Na manutenção não é diferente, vamos encontrar pessoas que não tiveram formação técnica e executam seus trabalhos com exce- lentes resultados. Da mesma forma, teremos pessoas altamente qualificadas, mas com pou- co ou nenhum conhecimento prático. É papel do gestor de manutenção realizar a integração dessas pessoas para que o conhecimento seja multiplicado e disseminado entre todos, ge- rando, assim, excelentes resultados com sus- tentabilidade. Criatividade na Manutenção Ser criativo é essencial nos dias atuais, principalmente para as equi- pes de manutenção, que precisam acompanhar a velocidade dos eventos sociais, políticos, econômicos e culturais, não podendo deixar de lado o foco no futuro e o avanço acelerado da tecnologia. É preciso estimular a capacidade criativa das equipes, pois só assim é possível gerar processos de mudança nas organizações, no comportamento dos profissionais, além de facilitar uma consequen- te quebra de paradigmas. Vale lembrar que: • O homem de manutenção do passado se sentia realizado quando realizava um bom reparo. • O homem de manutenção do presente se sente realizado quando evita a ocorrência de falhas. • O homem de manutenção do futuro se sentirá bem ao con- seguir extrair do equipamento/planta a sua melhor perfor- mance (KARDEC; NASCIF, 2009). A criatividade é uma capacidade humana incrível na superação dos obstáculos encontrados no dia a dia. 48 O Fator Humano na Manutenção Industrial Comunicação na Manutenção Comunicação é uma palavra derivada do termo latino commu- nicare, que significa "partilhar, tornar comum". Por meio da co- municação, os seres humanos e os animais partilham diferentes informações entre si, tornando o ato de comunicar uma atividade essencial para a vida em sociedade. Na manutenção não é diferente, há uma grande necessidade de troca de informações, sejam estas referentes aos equipamentos, ao uso das ferramentas, a um procedimento específico de reparo ou manutenção preventiva e até para o correto nivelamento técnico da equipe. A interação entre produção e manutenção também precisa ter uma comunicação clara e assertiva, para que os serviços preven- tivos sejam realizados e a necessidade de ações corretivas cheguem até a manutenção. Existem diversas formas de comunicação na manutenção, sejam elas diretas ou indiretas. Saber interpretar um desenho ou diagrama, entender as etapas de um plano de manutenção e até mesmo iden- tificar os componentes e ferramentas necessários para a realização de uma boa manutenção fazem parte da comunicação indireta. Relatar um fato, ouvir a reclamação de um operador quanto ao desempenho de uma máquina, discutir com o supervisor/gerente uma possível melhoria em um processo ou equipamento fazem parte da comunicação direta. Infelizmente não é raro encontrarmos problemas relacionados à comunicação nas organizações, sejam eles relacionados à falta de divulgação de um procedimento, um recado que deixou de ser dado, um e-mail que não chegou ao destinatário correto, um sobressalente que não foi reservado no almoxarifado para a manutenção preven- tiva a ser realizada na próxima semana, ou a falta de informações nas ordens de serviço referentes às tarefas executadas. Podemos pensar o departa- mento de Planejamento e Con- trole da Manutenção - PCM como sendo um “processador de informações”, sejam essas informações provenientes dos manuais e planos de manu- tenção dos equipamentos, das falhas ocorridas, ou das dificul- dades enfrentadas pela manu- tenção. O resultado de todo esse processamento é a melhoria contínua dos processos de ma- nutenção, que devem repercutir no aumento da produtividade, da segurança e da redução dos custos, trazendo mais competi- tividade para a organização. A comunicação é funda- mental para o sucesso desse processo e Zen (2004) observa que o profissional da manuten- ção deve aprender a conviver com a incerteza, dessa forma, estará sempre em busca de in- formação e conhecimento, pos- sibilitando uma evolução cons- tante da comunicação dentro da organização. Avanço da Tecnologia na Manutenção O nosso mundo se torna mais tecnológico a cada dia que passa. Zen (2004) ressalta que é necessário que o profissional da manutenção tenha habilidades para entender o significado das mudanças tec- nológicas, uma vez que este tem impacto direto em diversas áreas, como finanças, marketing, recursos humanos, produção e, é claro, na manutenção. É incrível a velocidade com que a tecnologia evolui. Já estamos vivenciando a era dos carros elétri- cos e autônomos, da impressora 3D, da evolução da inteligência artificial. O mundo encontra-se em constante evolução tecnológica. 49UNIDADE 2 Passamos por várias revoluções, quebras de paradigmas e novos conceitos. A primeira revolução industrial foi marcada pela invenção da máquina a vapor, já a segunda pela utilização de motores à combustão, energia elétrica e o foco na produção, com o modelo de produção da Ford. A terceira revolução veio com o advento do desenvolvimento da eletrônica, com a utilização de Controladores Lógicos Programáveis (CLP) no chão de fábrica e sistemas de auxílio à produção, como Plant Infor- mation Management System - PIMS e Manufacturing Execution System - MES. Atualmente, ouve-se com certa frequência o termo Indústria 4.0, símbolo da quarta revolução indus- trial. E o que a Indústria 4.0 traz de novo? Simples, muita tecnologia aplicada aos processos industriais. A internet, que já faz parte do nosso dia a dia, passa a fazer parte do chão de fábrica, chegando aos processos, recebendo sinal de sensores instalados nos equipamentos e auxiliando os gestores na tomada de decisão em tempo real. A manutenção passa ser direcionada pela baixa pressão detectada por um determinado sensor e não mais pela manutenção corretiva oriunda da falha no equipamento por baixa pressão de óleo, com a consequente parada total de toda planta. A inteligência artificial passa a fazer parte do dia a dia dos processos, dando mais fluidez ao trabalho, tornando algumas tarefas automatizadas, gerindo melhor o tempo e melhorando os processos de produção. O profissional da manutenção precisa conviver com mudanças mais velozes, mas, sobretudo, deve estar preparado para lidar com elas de forma mais consistente e assertiva. Resiliência na Manutenção Resiliência é um termo denominado pela física para designar uma propriedade que alguns cor- pos apresentam ao retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica. Apesar de ser uma definição da física, ela pode ser utilizada de forma análoga para o ser humano. Assim, a resiliência humana é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse, algum tipo de evento traumático etc. – sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encon- trar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades.Nas organizações, a resiliência pode ser vista como uma tomada de decisão quando alguém se depara com um contexto entre a tensão do am- biente e a vontade de vencer. Essas decisões propi- ciam forças estratégicas na pessoa para enfrentar a adversidade. Para que o profissional da manutenção tenha sucesso em sua carreira, precisa desenvolver a ha- bilidade da resiliência, pois todos os dias surgem problemas, obstáculos, mudanças e a pressão pelo atingimento dos resultados é constante, ou seja, a dificuldade faz parte do dia a dia da manutenção e a resiliência é uma habilidade que o gestor precisa desenvolver para ter sucesso nesse ramo de atuação. 50 O Fator Humano na Manutenção Industrial Neste tópico, abordamos o fa- tor humano na manutenção e estudamos alguns pontos con- siderados chaves para o desen- volvimento das pessoas da ma- nutenção. Agora é importante entendermos o papel de cada um dentro de um departamento de manutenção. Um ponto relevante, destaca- do por Kardec e Nascif (2009), é a valorização, sobre a qual os autores evidenciam a im- portância em abrir espaço na reunião semanal da Manu- tenção para que cada setor, obrigatoriamente, “tenha a sua vez de falar”, fornecendo notícias específicas sobre ele. Isso aproxima as equipes de operação e manutenção, gera uma sinergia e obtém melho- res resultados. 51UNIDADE 2 Nos processos de manutenção, atuam persona- gens com papéis e responsabilidades muito bem definidos. É importante definir com clareza quem são os principais: gerente de manutenção, super- visor de manutenção, planejador de manutenção, programador de manutenção, manutentor e en- genheiro de manutenção. Conheça, a seguir, cada um desses profissionais. Papéis e Responsabilidades Na Manutenção 52 O Fator Humano na Manutenção Industrial Gerente de Manutenção O gerente de manutenção tem a responsabilidade de conduzir a manutenção no todo, devendo acom- panhar seus principais eventos diários, cuidar do fator humano e, principalmente, pensar a respeito do amanhã neste processo. Também, é papel deste profissional: • Tomar decisões orientadas no sentido de atingir as metas definidas pela alta direção. • Eliminar anomalias crônicas, atuando nas suas causas fundamentais. • Dar suporte e direcionamento para a su- pervisão de manutenção para a melhoria dos processos e resultados. • Saber promover, contratar e recolocar re- cursos humanos, uma vez que suas deci- sões serão de grande impacto no resultado. • Delegar tarefas. • Possuir papel preponderante no processo. • Direcionar de forma produtiva os recursos humanos e materiais. Supervisor de Manutenção O supervisor de manutenção é uma peça chave para o processo de manutenção, coordenando e orientando as equipes no dia a dia. Também, deve verificar se os procedimentos operacionais da manutenção estão sendo cumpridos de acor- do com as regras estabelecidas (com segurança e qualidade), se as melhorias necessárias nesse processo estão sendo promovidas, se os planos de manutenção estão sendo executados e se todas as informações pertinentes ao processo de ma- nutenção estão sendo geradas e registradas, para decisões e ações futuras. Faz parte do papel do supervisor de manu- tenção: • Administrar conflitos internos (manuten- ção) e também com a produção. • Saber conduzir negociações e também re- uniões. • Conhecer a legislação de trabalho. • Saber administrar contratos. • Promover melhorias nos processos de ma- nutenção, podendo utilizar ferramentas como 5S, TPM, RCM, Kaizen. • Realizar análises sistemáticas de falhas. As ferramentas 5S, TPM e RCM serão estudadas nas próximas unidades. O 5S é uma metodologia japonesa com o objetivo de promover a limpeza, a organização e a padronização, melhorando o ambiente de trabalho e tornando-o mais eficiente. O TPM (Total Productive Maintenance ou Ma- nutenção Produtiva Total) é uma metodologia, também japonesa, que se preocupa em prevenir falhas e eliminar as perdas geradas no processo produtivo, por meio da integração dos setores de manutenção e operações. Você consegue pensar como seria a manutenção de uma grande organização sem uma gerência de manutenção? Kardec e Nascif (2009, p. 177) afirmam que gerenciar processos é “planejar, acompanhar a execução, verificar se há desvios e, quando necessário, fazer as devidas correções”. Neste texto, é possível entender a importância de uma boa gestão da manutenção, confira: http://www.inovarse.org/sites/default/files/ T14_0203_0.pdf http://www.inovarse.org/sites/default/files/T14_0203_0.pdf http://www.inovarse.org/sites/default/files/T14_0203_0.pdf 53UNIDADE 2 Por sua vez, o RCM (Reliability Centered Maintenance ou Manutenção Centrada em Confiabilidade) consiste em um novo conceito de planejamento de manutenção cujo objetivo é garantir que os sistemas continuem fazendo o que o usuário exige no atual contexto operacional, aplicando as estratégias de manutenção de forma estratégica e eficiente. Por fim, o Kaizen, também de origem japonesa, cuja tradução é “melhoria contínua”, é uma metodologia que busca o aprimoramen- to diário e constante, com pequenas e simples ações que buscam melhorar a produtividade. Planejador de Manutenção O planejamento de manutenção busca definir as estratégias de manu- tenção ideais para cada tipo de equipamento de um processo industrial, sempre pensando a médio e longo prazo. O papel principal do planejador é questionar a conformidade do sistema de gestão da manutenção, mensurando a eficiência, analisando o desempenho do sistema, planejando as necessidades de recursos e analisando os custos envolvidos nas tarefas de manutenção. Dentre as suas principais responsabilidades, destacam-se: • O gerenciamento dos planos de manutenção. • A coordenação e tratamento de inspeções. • A coordenação de materiais e demais recursos necessários para a manutenção. • O gerenciamento dos cadastros de manutenção. Programador de Manutenção O programador de manutenção é responsável pelo dia a dia da manutenção. Suas principais tarefas são: • Acompanhar diaria- mente a disponibili- dade e a utilização dos recursos humanos da manutenção. • Programar serviços de manutenção, definindo os executantes e a data da realização. • Utilizar critérios para priorização de serviços emergenciais. • Realizar a programação de paradas de manu- tenção. • Manter atualizados os indicadores da manu- tenção. “O perfil para o programador de manutenção deve incluir: senso de organização, responsabilida- de, iniciativa e principalmente, formação técnica ou experiência mínima em áreas de manutenção, produção ou qualidade. A empresa estará fadada ao insucesso caso opte por uma pessoa que não entenda a importância desta atividade”. Fonte: Pereira (2009, p. 122). 54 O Fator Humano na Manutenção Industrial Manutentor Os manutentores, mecânicos, eletricistas, instrumen- tistas, lubrificadores, torneiros mecânicos etc. são os responsáveis diretos por executar as atividades de manutenção, com segurança e atendimento às boas práticas de fabricação. Devem dominar o conheci- mento dos processos e equipamentos, possuir educa- ção formal técnica, conhecimentos em informática, atitudes proativas, organização e espírito de equipe. Todas as pessoas envolvidas com a manuten- ção precisam estar atentas às normas de seguran- ça, respeitando-as e trabalhando como agentes de mudança, sendo exemplo para outras pessoas e departamentos. Engenheiro de Manutenção A denominação Engenharia de Manutenção surgiu entre os anos de 1950 e 1960 e, segundo Pereira (2009), ficou mais evidente no Brasil a partir dos anos 90. Os programas de qualidade e a globalização trouxeram a função para o mercado atual. O Quadro 1 mostra as principais competências e habilidades que se espera de um Engenheiro de Manutenção. Competência Conhecimentos Habilidades Atitudes Capacidade de decisão Conhecimento específico em equipamentos e utilidades Prioridade Agilidade PlanejamentoGestão de projetos Decisão Bom índice de acertos Gestão de mudanças Poder de negociação Capacidade ana-lítica Criatividade e pon- deração Criatividade e inovação Conhecimento de novas tec-nologias Visão sistêmica Metódico e ponde- ração Trabalho em equipes multifuncionais Desenvolvimento interpessoal Negociação Saber trabalhar em equipe Trabalho sob pressão Atender resultados esperados em situações urgentes Raciocínio lógico Comportamento estável e maturi- dade Quadro 1 - Competências do Engenheiro de Manutenção Fonte: Pereira (2009, p. XXVIII). “Competências são características individuais relacionadas a conhecimentos, habilidades e comportamentos específicos, fazendo com que cada indivíduo seja único e obtenha resultados diferentes em situações semelhantes. Também pode ser definida como: Conhecimento + Habi- lidade + Atitude”. Fonte: Pereira (2009, p. 3). 55UNIDADE 2 “Competências são características individuais relacionadas a conhecimentos, habilidades e comportamentos específicos, fazendo com que cada indivíduo seja único e obtenha resultados diferentes em situações semelhantes. Também pode ser definida como: Conhecimento + Habi- lidade + Atitude”. Fonte: Pereira (2009, p. 3). Dessa forma passamos pelas principais funções de uma equipe de manutenção, entendendo os papéis e responsabilidade de cada um para que o departamento de manutenção funcione per- feitamente. No próximo tópico, abordaremos os fatores que influenciam na perda de produtivida- de da Manutenção. 56 O Fator Humano na Manutenção Industrial O sucesso de qualquer empreendimento está relacionado às pessoas que estarão diretamente envolvidas com as tarefas. Na manutenção, não é diferente, e é necessário muito comprometimento de todos os envolvidos. O planejamento é essencial em tudo o que fazemos. Não podemos, por exemplo, sair para uma viagem sem planejar o meio de transporte, a rota, o combustível, as paradas, os pedágios etc. Como atingir bons resultados na manutenção sem planejamento? Este consiste em um tópico de ex- trema importância e que pode ser o fator decisivo para o sucesso da manutenção. Um mau planejamento contribui negativa- mente para a manutenção como um todo, além de comprometer a segurança, a produção e os custos industriais. Insucesso e Perda de Produtividade na Manutenção 57UNIDADE 2 São considerados os principais vilões do mau planejamento, de acordo com Pereira (2009): • Duplicidade de atribuições do planejador, tirando o foco das tarefas relacionadas ao planejamento, gerando falta de materiais ou de recursos, não cumprindo os planos de manutenção e culminando com uma grande quantidade de tarefas do tipo “apa- ga incêndio”. • Falta de clareza na descrição de tarefas, gerando problemas e atrasos no plane- jamento delas, uma vez que demandará retrabalhos e verificações desnecessárias. • Planejador não qualificado para o car- go, que não conhece os processos e seus equipamentos, e até mesmo as rotinas de manutenção. • Planejador negligente, demonstrando falta de interesse e de motivação, além de des- cuidos em relação ao trabalho que deverá ser executado. • Tempo insuficiente para o planejamento. Ferraz (2018, p. 195) traz quatro pilares a serem trabalhados para que se consiga atingir a alta per- formance das equipes: 1. Embarcar as pessoas certas e desembarcar as erradas. 2. Colocar as pessoas certas nas funções certas; 3. Decidir a rota com as pessoas certas. 4. Ter como principal prioridade manter ao menos 90% das pessoas certas nos lugares certos. Diante disso, veremos, a seguir, quais os fatores possíveis para a perda de produtividade na ma- nutenção. Causas de Perda de Produtividade na Manutenção Quando nos deparamos com a palavra produtividade, logo vem à nossa mente o processo produtivo, relacionando a produção com os fatores produtivos utilizados. Da mesma forma, podemos relacionar os resultados da manutenção com os fatores humanos associados, uma vez que ela depende, em muito, das pessoas. 58 O Fator Humano na Manutenção Industrial É muito comum nas organizações a subutilização de recursos humanos, por diversos motivos, como mostra a Figura 1. Figura 1 - Desperdício de Tempo na Manutenção Fonte: adaptada de Cuignet (2006). O índice de produtividade da manutenção é con- siderado um indicador de classe mundial e sua meta é de conversão de 85% das horas do ma- nutentor em tarefas de valor agregado (VA), de acordo com Cuignet (2006). Nossas empresas, entretanto, estão muito distantes deste valor, ou seja, o não valor agregado prevalece (NVA). 10 11 1 2 3 5 7 4 6 8 9 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% Síntese VA/NVA Causas de VA/NVA Falta de formação Falta de coordenação Deslocamentos inúteis Falta de planejamento Falta de preparação Deslocamentos úteis Relatório de intevenção Realização de intervenção Preparação da intervenção NVA VA 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 “Tarefas de manutenção classificadas como de valor agregado (VA): • tempo que o técnico de manutenção passa com o seu responsável ou com o solicitante do trabalho para compreender as intervenções que deverá executar durante o dia; • preparação das ferramentas, das peças e dos equipamentos de segurança que deverá levar consigo para executar as intervenções; • deslocamentos de um serviço para outro; • tempo dedicado a executar o serviço; • preenchimento da ordem de serviço”. Fonte: Cuignet (2006, p. 103). 59UNIDADE 2 Este índice é diretamente afetado pelo fator hu- mano, e as causas principais para a baixa produ- tividade da nossa manutenção, de acordo com Pereira (2009), são: 1. Duplicidade de atribuições. 2. Plano preventivo inadequado ou malfeito. 3. Tempo insuficiente para a execução das tarefas. 4. Longo tempo de espera de componentes. 5. Equipe sem ferramental adequado. 6. Descrição incorreta de uma determinada tarefa. 7. Mau uso da disponibilidade do equipa- mento para a execução da manutenção preventiva. “Qual o percentual de valor agregado estamos tendo em nossos processos de manutenção? Paramos para pensar isso no nosso dia a dia? As atividades de manutenção preventiva podem contribuir em até 100% de valor agregado, ao passo que as atividades corretivas podem chegar a apenas 50%. Do mesmo modo, uma empresa que possui lacunas de planejamento de manu- tenção pode apresentar um valor não agregado próximo a 40%. Isso mostra o quanto podemos evoluir quando o assunto é a manutenção na prática”. Fonte: Cuignet (2006, p. 105). Prezado(a) aluno(a), chegamos ao final da nos- sa segunda unidade de Manutenção Industrial. Nesta unidade, você pôde notar o quanto o fator humano é importante para que a manutenção caminhe de forma sustentável e agregue resulta- dos aos processos industriais. Não basta possuir os melhores equipamentos, instalações perfeitas e sistemas informatizados de última geração, pois o ambiente da manutenção depende muito das pessoas que ali trabalham e, por esse motivo, a liderança é fundamental para o engajamento das pessoas na busca pelo mesmo ideal. Outro fator importante que abordamos está relacionado com a tecnologia. O homem de ma- nutenção precisa estar atento e ter em mente que cada vez mais os avanços tecnológicos terão in- fluência nos processos produtivos, impactando diretamente no setor de manutenção. A inovação faz parte do dia a dia da manuten- ção, seja com novos procedimentos, metodologias e até técnicas modernas de análise e diagnóstico. Não menos importante, outro assunto que foi abordado trata dos cuidados que devemos ter com o setor de Planejamento e Controle da Ma- nutenção, que será tema da unidade 4. O sucesso deste setor é extremamente depen- dente das pessoas e pode ser considerado o co- ração da manutenção, pela sua importância em manter um processo industrial em pleno funcio- namento. Na próxima unidade, abordaremos o Produ- to da Manutenção, ou seja, o que a Manutenção “vende”. Está preparado?Até breve! 60 1. Em relação ao bom andamento das atividades de manutenção, cada grupo ou equipe deve estar associado a um responsável que realize a coordenação das atividades, e este responsável deve: I) Atribuir as ordens de serviço aos elementos de cada equipe de acordo com a sua disponibilidade e qualificação. II) Assegurar que os trabalhos são executados nas condições e nos tempos previstos. III) Assegurar a qualidade do trabalho executado. IV) Identificar e procurar remover obstáculos à boa execução das ordens de serviço. V) Promover o aperfeiçoamento profissional e a formação de seus colabora- dores. Assinale a alternativa que apresente as afirmativas corretas: a) Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas. b) Somente as afirmativas II, III e V estão corretas. c) Somente as afirmativas I, II, III e V estão corretas. d) Somente a afirmativa V está correta. e) As afirmativas I, II, III, IV e V estão corretas. 2. “Tem por responsabilidade conduzir a manutenção no todo, devendo acompa- nhar os principais eventos diários da manutenção, cuidar do fator humano e, principalmente, pensar a respeito do amanhã da manutenção”. Estamos nos referindo ao: a) Encarregado de Manutenção. b) Supervisor de Manutenção. c) Gerente de Manutenção. d) Técnico de Manutenção. e) Líder de Manutenção. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 61 3. “Capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse, algum tipo de evento traumático etc. – sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversi- dades”. Esta definição se refere: a) À liderança. b) À resiliência. c) À capacitação. d) À criatividade. e) Ao planejamento. 4. “Na manutenção, há uma grande necessidade de troca de informações, sejam estas referentes aos equipamentos, ao uso das ferramentas, a um procedimento específico de reparo ou manutenção preventiva e até para o correto nivelamento técnico da equipe. A interação entre produção e manutenção também precisa ser clara e assertiva, para que os serviços preventivos sejam realizados e a ne- cessidade de ações corretivas cheguem até a manutenção”. Com base nessas informações, leia as afirmações: I) O texto faz referência à comunicação. II) O texto não mostra a necessidade de uma boa comunicação entre produção e manutenção. III) O texto evidencia a necessidade de uma boa comunicação dentro da ma- nutenção. IV) O texto deixa evidente a necessidade de resiliência por parte do gestor da manutenção. V) O texto mostra que a manutenção precisa ter um bom canal de comunicação com outros departamentos da empresa. Assinale a alternativa que apresente as afirmativas corretas: a) Somente as afirmativas I e V estão corretas. b) Somente as afirmativas III e V estão corretas. c) Todas as alternativas estão corretas. d) Somente as afirmativas I, III e V estão corretas. e) Somente as alternativas II, III e IV estão corretas. 62 5. A organização do setor de PCM – Planejamento e Controle da Manutenção – é essencial para o atingimento das metas de manutenção. Assinale verdadeiro (V) ou falso (F): ) ( A duplicidade de atribuições contribui para que mais pessoas tenham acesso às atividades de manutenção, contribuindo para a agilidade dos processos. ) ( O planejador não qualificado contribui para o insucesso do PCM. ) ( O fato de executante ou supervisores ficarem analisando demasiadamente cada item contribui para a agilidade e assertividade na manutenção. ) ( Executantes que ficam esperando por instruções ou peças contribuem para o insucesso do PCM. A sequência correta para a resposta da questão é: a) V, F, F, F. b) V, F, V, F. c) F, V, F, V. d) F, F, V, V. e) V, V, F, V. 63 Equipes de alta performance: conceitos, princípios e técnicas para poten- cializar o desempenho das equipes Autor: Jon R. Katzenbach e Douglas K. Smith Editora: Campus Sinopse: em 'Equipes de Alta Performance' os autores mostram como as equi- pes de trabalho nas empresas podem obter um maior desempenho através da disciplina e também através do uso das oportunidades apresentadas pela moderna tecnologia de comunicação para realizar o trabalho em grupo. O livro ajudará pequenos grupos a implementar as disciplinas, estruturas, ferramentas e técnicas que possibilitam o bom desempenho nas atividades de trabalho. LIVRO O Diabo veste Prada Ano: 2006 Sinopse: Andrea Sachs (Anne Hathaway) é uma jovem, recém-formada, em busca de uma boa oportunidade de emprego. Por outro lado, Miranda Priestly (Meryl Streep) é uma executiva e editora-chefe autoritária e exigente. Essas são as duas personagens centrais deste filme que é um clássico aclamado pela crítica. Para se adequar aos padrões da empresa que a contrata, Andrea acaba abrindo mão de suas crenças, seu modo de vestir e suas horas de descanso. Entretanto, nada disso parece ser suficiente — e ela acaba se desgastando física e psico- logicamente. Comentário: neste longa, podemos perceber que o emprego dos sonhos nem sempre é como desejamos. Vários fatores, como competitividade entre colegas e excesso de trabalho, acabam influenciando na vida pessoal, causando mal-estar. O filme é um alerta para a relevância do bom clima organizacional. FILME Desafios para Indústria 4.0 no Brasil Um estudo da Confederação Nacional da Indústria aborda as principais tecno- logias por trás da indústria 4.0 no Brasil, sua interação na cadeia de valor e os impactos esperados com a sua utilização. Para saber mais, acesse o link. WEB https://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&tbo=p&tbm=bks&q=inauthor:%22Jon+R.+Katzenbach%22 https://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&tbo=p&tbm=bks&q=inauthor:%22DOUGLAS+K.+SMITH%22 https://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&tbo=p&tbm=bks&q=inauthor:%22DOUGLAS+K.+SMITH%22 https://blog.manpowergroup.com.br/vaga-de-emprego-por-que-e-necessario-observar-todos-os-detalhes/ https://www.portaldaindustria.com.br/publicacoes/2016/8/desafios-para-industria-40-no-brasil/ 64 ARMSTRONG, M. Gerente Eficaz. Tradução de Henrique Amat Rêgo Monteiro. São Paulo: Clio Editora, 2011. CUIGNET, R. Gestão da Manutenção. Lisboa: Editora Lidel, 2006. FERRAZ, E. Gente de Resultados: manual prático para formar e liderar equipes enxutas de alta performance. São Paulo: Planeta do Brasil, 2018. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: Função Estratégica. 3. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2009. PEREIRA, M. J. Engenharia de Manutenção: Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2009. PINTO, J. P. Manutenção Lean. Lisboa: Ed Lidel, 2013. STEVENSON, W. J. Operations Management. McGraw-Hill International Editions, 2002. ZEN, M. A. G. O Fator Humano na Manutenção. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004. 65 1. E. 2. C. 3. B. 4. D. 5. C. 66 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Definir o conceito de Produção. • Aprofundar os conceitos relacionados ao papel da Ma- nutenção. • Introduzir conceitos de Engenharia. • Entender o conceito de Produto da Manutenção. Conceito de Produção Papel da Manutenção O Produto da Manutenção Engenharia Me. Alessandro Trombeta O Produto da Manutenção Conceito de Produção Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a)! Na unidade anterior, vimos o quanto o fator humano é impor- tante no dia a dia da manutenção, seja no plane- jamento, na execução, seja no controle das tarefas e indicadores. Também foi possível entender o quanto a manutenção pode deixar de ser produ- tiva caso não tenhamos uma boa gestão sobre ela. Nesta unidade, vamos buscar entender qual é o produto da manutenção, ou seja, o que ela “vende” para o seu principal cliente: a produção. É importante iniciarmos o assunto entendendo o contexto da produção e o seu envolvimento com a manutenção. 69UNIDADE 3 Kardec e Nascif (2009) afirmam que a produção é composta pelas atividades de operação, manuten- ção e engenharia,sendo estas suportadas por suprimentos, inspeção, segurança, dentre outras. Dessa forma, para se atingir os objetivos da produção, é necessário que as pessoas conheçam bem os seus papéis e responsabilidades, os procedimentos operacionais e as interfaces existentes entre os diversos departamentos que constituem uma organização. A palavra “produzir” pode ser definida, nesse contexto, como criar bens ou utilidades que possam satisfazer as necessidades humanas. Parece simples, mas é algo muito mais complexo do que se possa imaginar. Para que um produto seja produzido, são necessários insumos, matérias-primas, equipamentos e pessoas, e todos se relacionam por meio de processos e procedimentos complexos. A produção de bens de consumo, como a conhecemos hoje, somente teve início com a Revolução Industrial, quando foi possível criar meios para o consumo em massa. Fonte: Lustosa et al. (2008). As organizações buscam a todo momento aumentar a sua eficiência, melhorar os produtos e aumentar a produtividade e o resultado final. Lustosa et al. (2008, p. 5) apontam que, após longo período de protecionismo, as empresas brasileiras estão agora submetidas à concorrência global, o que exige a plena satisfação do cliente para a sobrevivência no mercado. Os autores também evidenciam que o avanço tecnológico proporcionou, ainda, incrementos na qualidade, confiabilidade, velocidade, flexi- bilidade e custos. Aqui a interface com manutenção e com engenharia acaba se destacando, conforme veremos a seguir. 70 O Produto da Manutenção Como já vimos, a manutenção surgiu em virtude da necessidade de se manter algo em funciona- mento e, dessa forma, atender à crescente deman- da de itens de todos os tipos, em um momento em que era preciso fazer algo para reduzir o número de quebras dos equipamentos. Logo se consoli- dou com tarefas básicas de inspeção, limpeza e lubrificação de equipamentos e não parou por aí, acompanhando a evolução da operação e da tecnologia. A manutenção, ao longo do tempo, deixou o seu conceito de manter, ou seja, não mudar, pas- sando a ser sinônimo de inovação. E isso pode ser comprovado quando se analisa as gerações da manutenção: Papel da Manutenção 71UNIDADE 3 • 1ª geração: manutenção corretiva, baseada no famoso “que- bra x conserta”; • 2ª geração: marcada pelo início de tarefas relacionadas à ma- nutenção preventiva, como limpeza, inspeção e lubrificação; • 3ª geração: marcada pela necessidade de um aprofundamen- to das técnicas preventivas, surgimento de técnicas preditivas e pela Manutenção Produtiva Total (TPM - do inglês, Total Productive Maintenance), com o objetivo de aproximar o operador das tarefas rotineiras de manutenção, além de pro- mover a busca pela quebra zero e pelo acidente zero. • 4ª geração: marcada pela necessidade de se elevar a manu- tenção a um novo patamar, com uma visão holística dos processos, culminando com a gestão de ativos. A Manutenção tem por objetivo a busca da minimização das fa- lhas prematuras, e a prática de análise de falhas é uma metodo- logia consagrada capaz de iden- tificar as causas raízes das falhas e melhorar a performance dos equipamentos e instalações. Fonte: Kardec e Nascif (2009). Pela sua importância para o processo, Monchy (1989) define a manutenção como a “medicina das máqui- nas” e traz um comparativo entre a “saúde humana” e a “saúde da máquina”, conforme mostra a Figura 1. Figura 1 - Analogia entre saúde humana e saúde da máquina Fonte: Monchy (1989, p. 2). SAÚDE HUMANA SAÚDE DA MÁQUINA Analogia Nascimento Longevidade Boa saúde Morte Entrada em operação Durabilidade Con�abilidade Sucata MEDICINA MANUTENÇÃO INDUSTRIAL Conhecimento do homem Conhecimento das doenças Carnê de saúde Dossiê médico Diagnóstico, exame, visita médica Conhecimento dos tratamentos Tratamento curativo Conhecimento tecnológico Conhecimento dos modos de falha Histórico Dossiê da máquina Diagnóstico, perícia, inspeção Conhecimento das ações curativas Retirada do estado de pane, reparo Renovação, moderniza- ção, troca 72 O Produto da Manutenção Slack, Chambers e Johnston (2002, p. 644) classificam os seguintes objetivos da Manutenção: 1. Redução de custos: através da Ma- nutenção Preventiva pode-se reduzir defeitos, impactando em menos ações corretivas, as quais têm valor de custo mais elevado do que as ações de pre- venção; 2. Maior qualidade de produtos: equi- pamentos em estado perfeito de fun- cionamento garantem a qualidade dos produtos finais; 3. Maior segurança: um setor produtivo limpo e em boas condições de operação propicia maior segurança, confiança e motivação aos trabalhadores; 4. Melhor ambiente de trabalho: um ambiente de trabalho limpo, seguro e organizado, através de atividades da Manutenção Autônoma, melhoram o nível de trabalho dos funcionários; 5. Desenvolvimento profissional: o progra- ma de Manutenção Produtiva Total de- senvolve novas habilidades e crescimento profissional aos trabalhadores, pelo seu envolvimento direto nas decisões de au- mento de produtividade da empresa; 6. Maior vida útil dos equipamentos: o programa objetiva o aumento da vida útil dos equipamentos, através de ações de prevenção e melhorias específicas nesses itens; 7. Maior confiabilidade dos equipamen- tos: equipamentos bem cuidados têm intervalos de tempo maiores de uma falha para outra, o que resulta em maior disponibilidade e velocidade de pro- dução; 8. Instalações da produção com maior valorização: instalações bem mantidas têm maior valor de mercado; 9. Maior poder de investimento: a redu- ção de custos obtida através da TPM tem relação direta com o aumento de investimentos, o que beneficia os acio- nistas, os funcionários e a comunidade no entorno da empresa; 10. Preservação do meio ambiente: com o bom regulamento das máquinas, advin- do da TPM, há economia de recursos naturais e diminuição dos impactos ambientais. Isso mostra o importante papel que a manutenção exerce no contexto operacional, contribuindo para o atingimento das metas e desafios da organização. “ 73UNIDADE 3 Todo processo industrial foi desenvolvido a partir de ações e técnicas baseadas em engenharia. É impossível dimensionar uma bomba centrífuga, por exemplo, para bombeamento de determinado fluido em um processo industrial sem envolver ações de engenharia. A engenharia também tem um papel essencial na busca por melhorias e maior eficiência dos processos industriais. Ela está presente no dia a dia tanto da operação quanto da manutenção, sempre trazendo melhorias, novas tecnologias, novos compostos, processos mais limpos e mais eficientes, em alinhamento com as necessidades relacionadas à sustentabilidade. Engenharia 74 O Produto da Manutenção Você notou que a engenharia tem um grande pa- pel na indústria? Ela também tem o objetivo de aproximar a operação e a manutenção por meio da elaboração de planos estratégicos que irão ga- rantir, além do funcionamento dos equipamentos, uma boa gestão de riscos, custos adequados e me- lhorias em equipamentos e processos. É importante destacar que as empresas, hoje, não buscam mais serviços, mas, sim, soluções: aumento de disponibilidade, faturamento e lu- cro; aumento da segurança pessoal e patrimo- nial; redução da demanda de serviços, dos custos e dos lucros cessantes; preservação ambiental. Fonte: Kardec e Nascif (2009). 75UNIDADE 3 Segundo Kardec e Nascif (2009, p. 21), o único produto que a operação quer comprar da ma- nutenção e da engenharia é chamado de maior disponibilidade confiável ao menor custo. Aqui, um ponto importante, e papel do enge- nheiro, é conciliar a disponibilidade e a confia- bilidade. Isso porque podemos ter uma planta altamente confiável, porém isso terá um grande impacto em custo de manutenção e também na disponibilidade, uma vez que o número de inter- venções para manter os equipamentos em condi- ções operacionais será elevado. Por outro lado, deixar de intervir preventiva- mente nos equipamentosos deixará menos con- fiáveis e, em consequência, o número de corretivas aumentará, fazendo com que a disponibilidade também diminua. Como vimos, manter o equilíbrio entre confia- bilidade e disponibilidade é fundamental para o bom andamento da organização e o atingimento de suas metas. Kardec e Nascif (2009) afirmam que, quanto maior a disponibilidade, menor será também a demanda de serviços, como mostra a Figura 2. O Produto da Manutenção 76 O Produto da Manutenção Figura 2 - Disponibilidade x Demanda de Serviços Fonte: adaptada de Kardec e Nascif (2009). Complementando, os autores Kardec e Nascif (2009, p. 22) definem a missão da manutenção: “garantir a confiabilidade e a disponi- bilidade da função dos equipamentos e instalações de modo a atender a um processo de produção ou de serviço, com segurança, preservação do meio ambiente e custos adequados”. Por muito tempo se acreditou que o maior problema das orga- nizações era a falta de gente, e hoje, de acordo com Kardec e Nascif (2009, p. 23), “o maior problema é o excesso de demandas de serviço provenientes de uma confiabilidade não adequada ao processo”. Aqui você já deve estar se perguntando: como aumentar a con- fiabilidade e reduzir a demanda de serviços? Isso está relacionado com o produto da manutenção? A resposta para o segundo questio- namento é sim. No entanto, para o primeiro, a resposta é complexa, e está relacionada com várias causas básicas, descritas, a seguir, por Kardec e Nascif (2009, p. 24): Demanda de serviços Disponibilidade Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 77UNIDADE 3 “ QUALIDADE DA MANUTENÇÃO: a falta de qualidade na execução da manu- tenção vai gerar um retrabalho, que tem um grande impacto negativo para a produção, para a disponibilidade e para a confiabili- dade. O retrabalho pode ser definido como uma falha prematura. Procedimentos, pes- soas qualificadas, ferramentas adequadas e planejamento contribuem para que as tarefas de manutenção sejam executadas com qualidade; QUALIDADE DA OPERAÇÃO: a ope- ração não adequada de um equipamento também pode provocar uma falha prema- tura, cuja consequência imediata pode ser a perda de produção. Conhecer o equipa- mento, sua forma de operação correta, e seus limites operacionais é essencial para que o operador desempenhe o seu papel com qualidade; PROBLEMAS CRÔNICOS: existem problemas que são decorrentes do projeto inadequado da instalação e até do próprio equipamento. Devido ao paradigma ultra- passado de se manter as condições originais do equipamento/sistema, a manutenção não se habituou a buscar as causas raízes para os problemas, deixando com isso de dar uma solução definitiva aos problemas. Isso faz com que as organizações convivam com problemas repetitivos, mostrando que é ne- cessário uma mudança na forma de atuação das equipes de operação e manutenção; PROBLEMAS TECNOLÓGICOS: a si- tuação pode ser considerada a mesma que a anterior, apenas a solução não é de todo conhecida, o que exigirá uma ação de enge- nharia mais aprofundada em busca de me- lhorias ou modernização de equipamentos, sistemas e instalações; SERVIÇOS DESNECESSÁRIOS: o exces- so de falhas leva os homens de operação e manutenção a agirem em excesso, demons- trando a sua insegurança e também a não observação da relação custo x benefício das manutenções. Com isso se exagera nas ma- nutenções preventivas, porém não se obtém o resultado esperado, muitas vezes por fal- ta de aplicar a tarefa certa no equipamento certo e na hora certa. 78 O Produto da Manutenção Assim, fica evidente a necessidade de se trabalhar estrategicamente com a manutenção, seja auxilian- do a operação na forma correta de operar os equi- pamentos, seja na busca de soluções para os proble- mas crônicos e tecnológicos e, principalmente, na busca pela aplicação da tarefa certa, no equipamen- to certo e na hora certa. Isso fará da manutenção uma ferramenta capaz de melhorar os resultados de uma organização. As pessoas da Manutenção precisam ser os agentes de mudança do processo. Dessa forma concluímos a nossa unidade. Nela você pôde ter uma ideia mais ampla sobre como a manutenção está inserida dentro de uma orga- nização, e também uma noção básica do papel da manutenção para o setor produtivo. Pôde perce- ber também o peso do termo que utilizamos, “o produto da manutenção”, para o sucesso de qual- quer empreendimento. Não basta simplesmente fazer a manutenção, isso qualquer um faz! É pre- ciso que ela seja trabalhada de forma estratégica para dar suporte à organização no atingimento das suas metas e objetivos. Espero que esse conhecimento tenha lhe aju- dado a compreender melhor o que é manutenção e o seu papel dentro de uma organização. Vemo- -nos na próxima unidade. Até lá! Figura 3 - Causas da alta demanda de serviços Fonte: Kardec e Nascif (2009, p. 26). 30% 40% 30% Qualidade da operação Problemas tecnológicos e crônicos Qualidade da manutenção e serviços desnecessários A Figura 3 mostra a distribuição dos problemas que impactam diretamente no aumento da demanda de serviços. Mudanças não são bem aceitas pelo ser humano. Ser um agente de mudanças não se trata, sim- plesmente, da prática do verbo “mudar”. Mudar por mudar não é uma boa política e, neste caso, o agente dessas mudanças deve sugerir, imple- mentar e sedimentar, pois, só assim, o êxito da nova rotina será completo. Fonte: adaptado de Pereira (2009). 79 Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 1. A produção de bens de consumo, como a conhecemos hoje, somente teve início com a Revolução Industrial, quando foi possível produzir e criar meios para o consumo em massa. Podemos afirmar que a Produção basicamente é composta por: a) Operação, engenharia e sustentabilidade. b) Operação, suprimentos e tecnologia. c) Operação, engenharia e novas plantas. d) Operação, manutenção e engenharia. e) Operação, marketing e sustentabilidade. 2. A manutenção, ao longo do tempo, deixou o seu conceito de manter, ou seja, não mudar, passando a ser sinônimo de inovação. E isso pode ser comprovado quando se analisa as gerações da manutenção. I) A primeira geração da manutenção é marcada pela necessidade de se elevar a manutenção a um novo patamar, com uma visão holística dos processos, culminando com a gestão de ativos. II) A segunda geração da manutenção é marcada pelo início de tarefas rela- cionadas à manutenção preventiva, como limpeza, inspeção e lubrificação. III) A terceira geração da manutenção é marcada pela necessidade de um apro- fundamento das técnicas preventivas, surgimento de técnicas preditivas e pelo Total Productive Maintenance (TPM) – Manutenção Produtiva Total. IV) A quarta geração da manutenção é caracterizada pela utilização do conceito “quebra x conserta”. Assinale a alternativa correta: a) Apenas I e II estão corretas. b) Apenas II e III estão corretas. c) Apenas I está correta. d) Apenas II, III e IV estão corretas. e) Nenhuma das alternativas está correta. 80 3. Monchy (1989) define a manutenção como a medicina das máquinas. Em relação aos objetivos da manutenção, assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F): ) ( Através da Manutenção Preventiva pode-se reduzir defeitos, impactando em menos ações corretivas, as quais têm valor de custo mais elevado que as ações de prevenção. ) ( A Manutenção não interfere no ambiente de trabalho, nem melhorando e nem piorando as condições de trabalho. ) ( A Manutenção propicia um setor produtivo limpo e em boas condições de operação, propicia maior segurança, confiança e motivação aos trabalhadores. ) ( Com um bom sistema de gestão da manutenção se consegue um aumento da vida útil dos equipamentos, através de ações de prevenção e melhorias específicas nos equipamentos Assinale a alternativa correta: a) V-V-V-F. b) V-F-F-V. c) F-F-F-V. d) F-V-V-F. e) V-F-V-V. 81 4. A Manutenção surgiu da necessidade dese manter máquinas e instalações em perfeito estado de funcionamento. Podemos afirmar que a missão da manu- tenção é: a) Garantir a disponibilidade da função dos equipamentos e instalações de modo a atender a um processo de produção ou de serviço, com segurança, preser- vação do meio ambiente e custos adequados. b) Garantir a confiabilidade e a disponibilidade da função dos equipamentos e instalações de modo a atender a um processo de produção ou de serviço, com segurança, preservação do meio ambiente e custos adequados. c) Garantir a confiabilidade e a disponibilidade da função apenas dos equipa- mentos de modo a atender a um processo de produção ou de serviço, com segurança, preservação do meio ambiente e custos adequados. d) Garantir a confiabilidade e a disponibilidade da função apenas das instalações de modo a atender a um processo de produção ou de serviço, com segurança, preservação do meio ambiente e custos adequados. 5. Segundo Kardec e Nascif (2009), o único produto que a operação quer comprar da manutenção e da engenharia é chamado de “maior disponibilidade confiável ao menor custo”. Explique a relação existente entre confiabilidade e disponibi- lidade dos equipamentos. 82 Gestão da Manutenção Autor: Renaud Cuignet Editora: Lidel Sinopse: empresas pensam ainda hoje que a manutenção é um “mal necessário”, mas poucas também tomaram verdadeiramente consciência de que, sem uma gestão pertinente e eficaz, as consequências na atividade podem ser importantes: atrasos na entrega, estoques sobredimensionados, problemas de tesouraria etc. Esta obra propõe-se, portanto, a descrever os métodos e as ferramentas práticas que permitem assegurar a eficácia da atividade de manutenção da empresa. O primeiro capítulo permite fazer a auditoria desta atividade, posicionando-a em relação a mais de 400 critérios e, seguidamente, definir os eixos prioritários nos quais intervir. Os capítulos seguintes descrevem as ações a implementar para valorizar estes desafios e para melhorar os desempenhos da manutenção, em nível operacional (fiabilidade e volumes de produção), financeiro (custos e rentabilidade dos capitais investidos) e humano. Todas estas características fazem desta obra um instrumento indispensável para aqueles que intervêm no processo de manutenção e, em particular, os engenheiros e responsáveis da manutenção, os diretores técnicos e os responsáveis das instalações industriais. LIVRO 83 Tempos Modernos Ano: 1936 Sinopse: o icônico Vagabundo está empregado em uma fábrica, onde as má- quinas inevitável e completamente o dominam e vários percalços o levam para a prisão. Entre suas passagens pela prisão, ele conhece e faz amizade com uma garota órfã. Ambos, juntos e separados, tentam lidar com as dificuldades da vida moderna, o Vagabundo trabalhando como garçom e, eventualmente, um artista. Comentário: uma das obras mais famosas de Charles Chaplin, Tempos Mo- dernos é um filme que todo engenheiro deveria assistir. Mostra as ideias de como implementar um sistema de produção em série e também a ideia de especialização do trabalho. Aqui você será levado a pensar como a manutenção é importante para fazer a roda da produção girar, em um cenário de estresse, aumento da competitividade, correria diária e confusões entre as pessoas. FILME A Importância da Manutenção Industrial Como Ferramenta Estratégica de Competitividade O texto, a seguir, traz conceitos sobre a importância estratégica da manutenção como ferramenta de competitividade nas organizações. No final, você poderá assistir a um vídeo sobre como iniciar as mudanças na manutenção. Confira! WEB http://www.redentor.edu.br/files/brenoalvimbarros-artigo_16092016111003.pdf 84 KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: Função Estratégica. 3. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2009. LUSTOSA, L.; MESQUITA, M.; QUELHAS, O.; OLIVEIRA, R. Planejamento e Controle da Produção. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. MONCHY, F. A Função Manutenção. Formação para a Gerência da Manutenção Industrial. Durban/Ebras: São Paulo, 1989. PEREIRA, M. J. Engenharia de Manutenção – Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2009. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da Produção. São Paulo: Atlas, 2002. 85 1. D. 2. B. 3. E. 4. B. 5. Um equipamento precisa estar disponível para a operação, para cumprir o seu papel no processo pro- dutivo. Contudo, de nada adianta a disponibilidade sem confiabilidade, ou seja, o equipamento precisa estar disponível, mas também confiável, atendendo à demanda de produção planejada para o período. Um equipamento disponível e confiável só para quando é programado para isso, geralmente, para set up ou manutenções preventivas. 86 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Entender os fundamentos de Planejamento e Controle da Manutenção. • Aprender a codificar plantas, equipamentos e seus com- ponentes. • Aprender o conceito de criticidade e aplicá-lo na classifi- cação dos equipamentos. • Saber priorizar os serviços corretivos do dia a dia, definin- do uma sistemática de atendimento • Entender os passos para a elaboração de um plano de manutenção preventiva. Introdução ao Planejamento e Controle da Manutenção Tagueamento, Codificação e Cadastros A Ordem de Serviço Plano Mestre de Manutenção Preventiva Criticidade e Prioridades na Manutenção Me. Alessandro Trombeta Planejamento e Controle da Manutenção Introdução ao Planejamento e Controle da Manutenção Caro(a) aluno(a), obrigado pela sua companhia! Nesta unidade, dedicaremo-nos a falar sobre um tema muito importante para que a manutenção trabalhe de forma estratégica em qualquer organi- zação: o Planejamento e Controle da Manutenção. Não basta termos as melhores pessoas, as melho- res ferramentas, os melhores recursos de trabalho, se esses não “trabalharem” de forma sincronizada e organizada. Com o passar do tempo, as organizações pas- saram por profundas mudanças, que culminaram no aumento de produtividade e na inserção de novas tecnologias e novos modelos de gestão. Na manutenção não foi muito diferente, uma vez que a função manutenção destaca-se como um dos alicerces de qualquer indústria de transformação, diante de sua importância na garantia da disponi- bilidade e confiabilidade dos equipamentos. 89UNIDADE 4 Os principais motivos para justificar a manu- tenção em uma organização são: • Aumento da confiabilidade dos equipa- mentos, com consequente redução no nú- mero de paradas não programadas. • Melhora da qualidade, uma vez que má- quinas e equipamentos não conformes podem gerar erros, baixo desempenho e problemas de qualidade no produto. • Redução de custos, pois, quando bem cui- dados, os equipamentos funcionam com maior eficiência e, além disso, o custo da manutenção corretiva em equipamentos críticos é muito maior que o da preventiva. • Aumento da vida útil, com cuidados bási- cos, como limpeza e lubrificação. • Melhora da segurança, pois máquinas e equipamentos bem mantidos têm menor chance de se comportar de forma não pre- visível, evitando riscos ao operador. Neste contexto, o Planejamento e Controle da Ma- nutenção (PCM) tem como objetivo coordenar de forma eficiente todos os recursos envolvidos na manutenção, atendendo suas principais de- mandas, mantendo o perfeito funcionamento dos equipamentos e buscando sempre a melhoria dos processos. O PCM é definido por Branco Filho (2008, p. 5) como um conjunto de ações para preparar, programar, verificar o resultado da execução das tarefas de manutenção contra valores preestabe- lecidos e adotar medidas de correção de desvios para a consecução dos objetivos e da missão da empresa. Desta forma, o PCM pode ser considerado o coração da manutenção por: • Ser o elo entre a Produção e a Manutenção. • Ser o responsável pelo recebimento das demandas da produção e de outros clien- tes internos (áreas de apoio da produção, logística, administrativo etc.). • Ser o responsável pelaelaboração dos pla- nos de manutenção, incluindo as tarefas, periodicidades, oficinas, ferramentas ne- cessárias, peças e sobressalentes. • Ser o responsável pela avaliação, progra- mação, detalhamento e priorização dos serviços (preventivos, corretivos e pro- gramados). • Ser o responsável por controlar o backlog global, por especialidades e por áreas. • Acompanhar o andamento dos serviços. • Corrigir a programação antecipadamente. • Dar feedback à execução de serviços de manutenção e aos clientes. • Monitorar e gerenciar os indicadores de desempenho da manutenção. Para facilitar o entendimento, o tema PCM abor- dará os assuntos: tagueamento, codificação e ca- dastros; criticidade de equipamentos; prioridades de atendimento; Plano Mestre de Manutenção Preventiva. 90 Planejamento e Controle da Manutenção A palavra inglesa tag (etiqueta, marcação) é con- siderada por Viana (2002) o RG do equipamento, e tem como significado “etiqueta de identificação”. É importante para a manutenção e também para a produção que todos os equipamentos possuam tags para mapear os processos, facilitar a identifi- cação de equipamentos e agilizar o planejamento e a programação da manutenção. Dessa forma, as informações podem ser estratificadas mais fa- cilmente. Apesar de parecer algo relativamente simples, um bom tagueamento do processo é capaz de in- dicar com clareza onde o manutentor esteve e o que ele fez ao prestar um serviço de manutenção. Tagueamento, Codificação e Cadastros 91UNIDADE 4 Além disso, o tagueamento e a codificação criam uma relação entre o cliente, o equipamento, o material e a especialidade de mão de obra, possibilitando à gestão saber onde e como foi despendido tudo o que foi utilizado. Dessa forma, é preciso codificar: • Fábricas. • Seções. • Equipamentos. • Componentes. • Centros de custo. • Mão de obra. É importante que o Tag facilite a identificação do equipamento e também a sua localização na planta. Portanto, o Tag não está relacionado apenas ao “número” do equipamento, está inserido na estrutura da organização. Viana (2002) complementa afirmando que o tagueamento é a base da organização da manutenção e faz uma analogia com o endereçamento das residências dos subconjuntos da manutenção em cidade, bairro, rua e casa. A Figura 1 mostra um exemplo de estrutura para codificação. Identificação da unidade fabril Identificação do setor ou seção Identificação do tipo de equipamento Identificação do equipamento (sequencial) XXX AAA AAA NN Figura 1 - Exemplo de Estrutura de Codificação Fonte: adaptada de Branco Filho (2008). Os códigos, segundo Branco Filho (2008), devem ser montados de acordo com a estrutura e também seguindo uma determinada regra, do ponto de vista de colocação sequencial de códigos. A Figura 2 mostra um exemplo de codificação de equipamento. 0 1 C A T Q 0 1 UNIDADE PRÉDIO EQTO SEQUEN. Figura 2 - Exemplo de codificação de um equipamento Fonte: adaptada de Branco Filho (2008). 92 Planejamento e Controle da Manutenção Agrupamento de sistemas Agrupamento de equipamentos Sistema 1 Sistema 2 Equipam. C Equipam. B Equipam. A Unidade complexa, composta por conjuntos, componentes e peças Fábrica Figura 3 - Níveis de tagueamento Fonte: adaptada de Branco Filho (2008). Devido à complexidade dos equipamentos utilizados nas nossas indústrias, os equipamentos também podem ser divididos em alguns níveis, facilitando a organização de estoques de peças de reposição, como apresenta a Figura 4. Neste exemplo, a leitura deve ser feita da seguinte forma: Tanque 01, instalado no prédio da Caldeira, na unidade 01. É essencial entender os níveis relacionados ao tagueamento e codificação dentro de uma organi- zação. Dentro de uma fábrica, podemos ter vários sistemas, que são constituídos por um conjunto de equipamentos, conforme mostra a Figura 3. Componente A Componente B Peça 1 Peça 2 Peça 1 Conjunto 1 Equipamento A Agrupamento de componentes para executar uma função (ex.: conjunto de transmissão: motor + embreagem + caixa de câmbio + semi-eixo + diferencial) Unidade pertencente a um conjunto, que geralmente não é funcional (ex.: motor a explosão) Partes ou pedaços de um todo. Não é divisível Figura 4 - Divisão do equipamento em níveis Fonte: adaptada de Branco Filho (2008).Vista Explodida 93UNIDADE 4 A Figura 5 mostra um exemplo real de codificação de um processo industrial, em vários níveis. 000 Fábrica Geral 100 Fábrica de Cavacos 110 Recepção de Madeira 111 Descarga de Madeira 112 Descascamento de Madeira 113 Picagem de Madeira 114 Cascas de Madeira 200 Fábrica de Celulose 210 Recebimento de Cavacos 211 Digestor 1 212 Digestor 2 213 Rejeitos de Polpa 214 Estocagem de Polpa 300 Máquinas de Papel 310 Máquina 1 320 Máquina 2 330 Máquina 3 1234 Acoplamento 1235 Rotor 1257 Parafuso 1540 Outros MQ 0001 Motor BO 0001 Bomba 2541 Rolamento 1852 Sobreposta 2564 Eixo 2861 Voluta 400 Caldeiras de Força 500 Caldeiras de Recuperação 114 I 0001 114 B 0002 330 B 0001 330 M 0001 Figura 5 - Exemplo de codificação em níveis de um processo industrial Fonte: adaptada de Jasinski (2005). Após realizar a codificação, é preciso realizar o cadastro no sistema de gerenciamento da manutenção. Para Tavares (1987), o cadastro consiste em um banco de dados com os registros da maior quantidade de dados sobre o equipamento, por meio de formulário padronizado e arquivado de forma conveniente, e que possibilite o acesso rápido a qualquer informação necessária para manter, comparar e analisar condições operativas, sem que seja necessário recorrer a fontes diversificadas de consulta. A Figura 6 mostra o cadastro de um equipamento em um sistema de gerenciamento da manutenção. Figura 6 - Exemplo de cadastro de um equipamento Fonte: PSG (2016, on-line)1. 94 Planejamento e Controle da Manutenção Um bom cadastro traz a maior quantidade possível de infor- mações importantes referentes ao equipamento. Alguns soft- wares de gerenciamento da ma- nutenção possibilitam incluir no cadastro a foto do equipa- mento e também o manual do fabricante. Essas informações são extremamente importan- tes, evitando erros, como a troca indevida de um equipamento durante um processo de manu- tenção, e agilizando o proces- so de manutenção, por exem- plo, durante a compra de um componente para recolocação do equipamento em operação. Além do cadastro dos equipa- mentos, também é importante um bom cadastro de materiais e de ferramentas utilizados na manutenção. Assim, vemos o quanto o tagueamento, a codificação e o cadastro dos equipamentos é importante. Branco Filho (2008) afirma que, de posse das informações “qual máquina”, “onde ela está”, “qual seção res- ponsável por ela”, “qual serviço deverá ser feito” e “quem deverá executá-lo”, você possui infor- mação suficiente para iniciar a sua tarefa de manutenção. 95UNIDADE 4 Em uma planta industrial, encontramos uma grande quantidade de equipamentos e compo- nentes, que interagem entre si, formando um processo e fornecendo um dado produto. Nes- te contexto, é necessário criar uma sistemática para estabelecer critérios para classificação dos equipamentos conforme a sua importância para o processo, caso contrário, teremos um grande esforço para atender às diversas demandas de manutenção e o resultado disso poderá ser um grande desperdício de recursos. Aqui, vale ressaltar que nem todos os equipa- mentos de uma fábrica têm a mesma criticidade. Alguns podem avariar sem verdadeiramente afe- tar a produção, a segurança ou o ambiente, como será o caso dos equipamentos repetidos ou dos equipamentos utilizados ocasionalmente. Em contrapartida, há equipamentos que têm impera- tivamente que estar em bom estado de funciona- mento. A sua não disponibilidade pode acarretar a perda de vendas, atrasos nas entregas aos clientes, acidentes pessoais ou danos ambientais. Estes são os chamados equipamentos críticos. Criticidadese Prioridades na Manutenção 96 Planejamento e Controle da Manutenção O termo criticidade é utilizado para definir a importância de um determinado equipamento no processo produtivo ao qual ele está inserido. Os equipamentos são classificados e priorizados com base em uma avaliação das consequências das falhas sob a ótica de diversos critérios. Assim, um equipamento pode ser classificado como de alto risco (criticidade A), médio risco (criticidade B) ou baixo risco (criticidade C). A Figura 7 mostra um exemplo de critérios de classificação para a definição da criticidade de equipamentos. I A B C S Q IF F M TT C MT S Q I MT TT C Risco à segurança Impacto na qualidade do produto Indisponibilidade da produção MTBF MTTR Custo de Manutenção Alto risco Reclamação externa Tempo sem produção > 3h Maior que uma falha a cada 2 meses MTTR > 2h Maior de R$ 3.000,00 Risco médio ou baixo Apenas perda interna Tempo sem produção ≥1h e ≤ 3h Uma falha entre 2 e 6 meses 0,5h < MTTR < 2h Entre R$ 3.000,00 e R$ 1.000,00 Risco descartado Sem perdas Tempo sem produção ≤ 1h Menor que uma falha a cada 6 meses MTTR < 0,5h Menor que R$ 1.000,00 CLASSES Figura 7 - Critérios de classificação de criticidade Fonte: adaptada de JIPM (1995). No fluxo, o sistema ou equipamento é avaliado mediante os critérios escolhidos pelos responsáveis pela análise, por meio de perguntas que direcionam a avaliação do sistema, sendo, ao final, classificado em alguma das três classes (A, B ou C). É importante relacionar as criticidades definidas com as estratégias de manutenção definidas na Unidade 1: manutenção corretiva, preventiva, preditiva, autônoma e engenharia de manutenção. A identificação e classificação dos ativos de uma organização são considerados primordiais para a decisão de implantar, ou não, os sistemas preventivos. Isso significa conhecer suas características técnicas e sua importância para o processo produtivo. Fonte: Pereira (2009, p. 114). 97UNIDADE 4 Para os equipamentos classificados como críticos A, a estratégia pode ser definida por meio do cum- primento do planejamento de manutenção pre- ventiva, conforme planos periódicos, melhorias e monitoramento de parâmetros para substituição conforme condição (manutenção preditiva). Para os equipamentos classificados como críticos B, a manutenção periódica baseada em limpeza, lubrificação e inspeção a intervalos regu- lares e manutenção programada orientada pelos resultados de inspeção e planos do sistema pode representar uma boa estratégia. Por sua vez, para os equipamentos classificados como críticos C, a estratégia adotada pode ser lu- brificação e inspeção com intervalos de frequên- cia maiores e também a adoção de manutenção corretiva baseada no conceito de rodar até falhar. O Quadro 1 mostra a relação entre a criticida- de e fatores importantes para uma boa gestão de uma organização. CLASSE DE CRITICIDADE FATORES A B C CRÍTICOS IMPORTANTES AUXILIARES CARACTERÍSTICA DA CLASSE Necessidade de operar a plena capacidade, sempre que solicitado, por ques- tões de produção ou se- gurança A falta do equipamento afeta diretamente o pro- cesso produtivo, podendo comprometer a qualidade ou quantidade produzida A falta do equipamen- to não traz conse- quências relevantes ABORDAGEM Confiabilidade Máxima Disponibilidade Máxima Custo Mínimo OBJETIVO Execução de paralisações no menor tempo possível Inexistência de interven- ções não programadas ou de emergência Mínimo aporte de re- cursos da manuten- ção (pessoal, materiais e equipamentos) de modo a direcionar os esforços para os itens de maior importância Inexistência de interven- ções não programadas ou de emergência MEIO AMBIENTE Os equipamentos devem atender aos requisitos da norma ISO 14.000, quanto à geração e emissão de resíduos e metas internas da gerência quanto à geração de resíduos SEGURANÇA Os equipamentos devem conter meios de eliminação de riscos para atender aos requisitos da Política de Segurança. As ordens de serviço de segurança deverão ser tratadas prioritariamente QUALIDADE Os equipamentos devem garantir a Política da Qualidade dos produtos e dos processos da empresa (atendimento a clientes, atendimento a legislação, cres- cimento profissional dos colaboradores, desenvolvimento de parceria com fornecedores e melhoria contínua do sistema de gestão da qualidade) CONFIABILIDADE Devido ao impacto no pro- cesso, o equipamento exi- ge confiabilidade máxima O equipamento é relevan- te para o processo, porém a confiabilidade estará condicionada a um custo adequado de monitora- mento Devido ao baixo im- pacto no processo, a confiabilidade é im- portante, porém o fa- tor mais relevante será o custo Quadro 1 - Fatores de impacto na criticidade Fonte: Campos Junior (2006, p. 51). 98 Planejamento e Controle da Manutenção Prioridades de Atendimento É muito comum, nas organizações, ouvirmos reclamações relacionadas ao atendimento da ma- nutenção. E assim como definimos um critério para a classificação dos equipamentos quanto à sua criticidade, para definição das estratégias de manutenção a serem adotadas, também precisa- mos de um critério para atendimento das deman- das do dia a dia, que não são originárias de um plano de manutenção. Uma boa solução que pode ser adotada, neste caso, é a utilização do Sistema GUT, que consiste em uma sistemática para priorização de tarefas. Trata-se de uma montagem matri- cial que combina três parâmetros de extrema importância para a manutenção: gravidade, urgência e tendência. A primeira etapa da utilização do GUT é de- finir a gravidade do serviço a ser executado. Para isso, o Quadro 2 mostra os pesos que podem ser associados, conforme critérios de avaliação. Para uma boa análise de criticidade de ativos, faz-se necessária a participação de áreas, como: produção, qualidade, segurança, meio ambiente e qualquer outra que a equipe de manutenção achar necessária. PESO CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO DA GRAVIDADE DO SERVIÇO 5 Se o serviço não for realizado, o processo será interrompido drasticamente e/ou ocorrerá comprometimento da segurança. 3 Quando a produção não for interrompida, porém será reduzida. 1 O equipamento está envolvido no processo produtivo, mas tem pouca influência na produção do setor. Quadro 2 - Critérios de Avaliação da Gravidade do Serviço Fonte: adaptado de Amaral (2012). Em seguida, devemos definir a urgência da ocorrência. Para isso, podemos utilizar os critérios do Quadro 3 e seus respectivos pesos. PESO CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO DA URGÊNCIA DO SERVIÇO 5 O equipamento está parado ou em condição que implique em uma ação corretiva imediata. 3 O equipamento está operando com deficiência, impedindo o desempenho de uma função importante. O problema está reduzindo a produção e/ou qualidade do produto. 1 É uma ação de manutenção preventiva no equipamento. É uma nova instalação não existente. Quadro 3 - Critérios de Avaliação da Urgência do Serviço Fonte: adaptado de Amaral (2012). 99UNIDADE 4 E por último, e não menos importante, é preciso levar em consideração a tendência, ou seja, qual a consequência da não solução do problema para o processo. Os critérios e pesos são mostrados no Quadro 4. PESO CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO DA TENDÊNCIA DO SERVIÇO NÃO RESOLVIDO 5 A não solução do problema trará consequências graves para o processo atual ou seguinte em curto prazo. 3 A não solução do problema trará maiores consequências para o processo seguinte a médio ou longo prazo. 1 A não solução do problema não mudará com o tempo, o equipamento está em condição estável. Quadro 4 - Critério de Avaliação da Tendência do Serviço não resolvido Fonte: adaptado de Amaral (2012). O índice GUT é, então, calculado utilizando-se a equação GUT = (G + U) x T, e os serviços são reali- zados em ordem decrescente, ou seja, do maior para o menor GUT. Veja alguns exemplos: a) G = 5, U = 5, T = 5 ®GUT = (5 + 5) X 5 = 50 O serviço é grave, é urgentee tende a piorar. b) G = 5, U = 3, T = 5 ®GUT = (5 + 3) X 5 = 40 O serviço é grave, não é urgente e tende a piorar. c) G = 3, U = 5, T = 3 ® GUT = (3 + 5) X 3 = 24 O serviço não é tão grave, é urgente e pode piorar. Branco Filho (2008) afirma que é de se esperar que alguns serviços sejam feitos imediatamente e outros serviços esperarão a conclusão do que foi iniciado. Em outras ocasiões, porém, algum serviço poderá ser interrompido para que outro seja imediatamente iniciado e executado. Assim, vemos o quanto é importante trabalharmos com as informações de criticidade e prioridade dos equipamentos. 100 Planejamento e Controle da Manutenção A ordem de serviço é um instrumento de extrema importância na implantação de um sistema de gestão da manutenção. Trata-se, segundo Branco Filho (2008), de um documento básico para o registro da prestação dos serviços de manuten- ção que descreve as tarefas que devem ser exe- cutadas pelo pessoal de manutenção, sejam elas oriundas de programas de manutenção preventiva ou de solicitações de usuários para manutenções corretivas ou modificações. É a entrada das in- formações que servirão de base para a gestão, para os indicadores e também para o histórico de ocorrências, de manutenções e de melhorias nos equipamentos, processos e plantas. O autor ainda evidencia que nenhum serviço deverá ser executado sem uma ordem de serviço previamen- te emitida e aprovada. A Ordem de Serviço 101UNIDADE 4 A Ordem de Serviço (OS) deve ser estruturada para fornecer as informações necessárias ao bom andamento das tarefas de manu- tenção. São elas, de acordo com Branco Filho (2008): • O título do trabalho e o que deverá ser feito. • Onde o serviço deverá ser realizado. É importante que esta informação seja clara de forma a evitar erros de localização, principalmente, no caso de existirem várias máquinas e lo- cais na planta. Aqui, destaca-se a importância de um bom tagueamento. • Descrição sobre como executar as tarefas, passo a passo, bem como quais parâmetros são importantes na tarefa, principal- mente nos trabalhos de manutenção preventiva. • Se a rotina for extensa, anexar à OS o Procedimento de Ma- nutenção Padrão que deverá ser usado e seguido (com os cuidados, a sequência de trabalho, as ferramentas necessárias, os sobressalentes e peças de troca obrigatória, quais os valores limites mínimos e máximos para peças em desgaste etc.). • É parte obrigatória de uma OS programada a indicação de quem irá executar o trabalho. A OS também deverá informar o tempo provável de execução da tarefa. • Com a indicação de quando será feita a tarefa, estamos fazendo com que exista uma programação prévia. Isso é particularmente importante quando existem trabalhos que afetam muitas áreas ou que exigem cuidados especiais com mobilização de muitos recursos. • É importante, na OS corretiva, a identificação da causa da fa- lha que ocasionou o problema, como desalinhamento, quei- ma, curto circuito, fadiga, vazamento, corrosão, aquecimento ou vibração. Também é importante, além da descrição da ocorrência, informar a “intervenção”, por exemplo, alinhado, substituído, desbloqueado, instalado, soldado, reposto, fixado ou ajustado. A Figura 8 mostra um exemplo de Ordem de Serviço. 102 Planejamento e Controle da Manutenção ORDEM DE MANUTENÇÃO DESCRIÇÃO DO SERVIÇO A SER REALIZADO: Data da manutenção ___/___/______ TAG: ______________ O�cina: ( ) Mecânica ( ) Elétrica ( ) Automação ( ) Outra: _________________ Tipo de manutenção: ( ) Inspeção ( ) Corretiva ( ) Preventiva _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ Centro de custo: ____________________ Equipamento: ______________________ Nº ORDEM _______________ DESCRIÇÃO DO SERVIÇO REALIZADO: HISTÓRICO DA ORDEM: Matrícula: _________________ _________________ _________________ _________________ _________________ TAG Equip. Saiu: _______________ TAG Equip. Entrou: _______________ Data: ___/___/______ ___/___/______ ___/___/______ ___/___/______ ___/___/______ Hora início: _____:_____ _____:_____ _____:_____ _____:_____ _____:_____ Hora término: _____:_____ _____:_____ _____:_____ _____:_____ _____:_____ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ PEÇAS UTILIZADAS: _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ TROCA DE EQUIPAMENTOS: ( ) Parada de Equipamento ( ) Parada Parcial Planta ( ) Parada Total Planta REGISTRO DE PARADA: Ass. Liberação Área Ass. Conclusão Serviço Figura 8 - Exemplo de Ordem de Serviço Fonte: o autor. 103UNIDADE 4 Quando falamos em Planejamento e Controle da Manutenção (PCM), é importante deixar claro que a finalidade da manutenção não é só de aten- der às ocorrências corretivas dos equipamentos de Início Fim Avaria identificada Encerramento da OS Programação da OSOS executada? OS aberta em campo Não Sim Início Fim Criação do plano de manutenção Encerramento da 1ª OS Programação da OS Execução da OS Encerramento da OS OS executada? OS executada? Geração da 1ª OS do plano Geração da OS do plano Programação da OS Execução da OS Início da contagem Não Não Sim Sim 1 1 2 2 um processo industrial, cujo fluxograma é mos- trado na Figura 9, mas também tem a função de estruturar um processo preventivo com tarefas destinadas a evitar a ocorrência de falhas. Figura 9 - Fluxo da Ordem de Serviço Corretiva Fonte: adaptada de Viana (2002). É importante que as ordens sejam geradas a partir de um plano de manutenção consistente, gerado a partir da matriz de criticidade, para que as estratégias e os recursos sejam alocados de forma correta. A Figura 10 mostra o fluxo da ordem de serviço gerada a partir do plano de manutenção. Figura 10 - Fluxo da Ordem de Serviço Preventiva Fonte: adaptada de Viana (2002). 104 Planejamento e Controle da Manutenção Com a implementação do TPM e a inserção dos operadores nas atividades de manutenção, por meio da estratégia de Manutenção Autônoma, também é importante definir o fluxo para as ordens de serviço geradas por inspeção, conforme mostra a Figura 11. Início Fim Fim Criação do plano de inspeção Encerramento da OS da rota Programação da OS Execução da OS Encerramento da OS Rota executada? OS executada? Geração da OS da rota Abertura de OS Programação da rota Execução da rota Falha identificada? Não Não Não Sim Sim Sim 1 1 Figura 11 - Fluxo da ordem de serviço de Manutenção Autônoma Fonte: adaptada de Viana (2002). Assim, a partir dos apontamentos especificados em uma ordem de serviço, é possível ao gestor conseguir definir os materiais que serão utilizados, bem como o tipo e a quantidade de mão de obra necessária para executar o serviço com sucesso, dentro do prazo estipulado. E isso servirá como suporte impor- tante para o controle dos seus estoques e para a otimização de sua gestão financeira, demonstrando a importância da ordem de serviço. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 105UNIDADE 4 Como já visto na Unidade 1, a manutenção pre- ventiva é uma estratégia de grande importância, caracterizada por ações efetuadas a intervalos de tempo predeterminados, ou de acordo com outros critérios prescritos, como quantidade produzida e quilômetros rodados, por exemplo, destinada a reduzir a probabilidade de falha ou a degradação do funcionamento de um equipamento. Plano Mestre de Manutenção Preventiva 106 Planejamento e Controle da Manutenção Esta estratégia deve ser utilizada em função de diversas razões, como: • Exigências legais (inspeções). • Regras internas do cliente. •Redução da frequência de mau funcionamento dos ativos. • Aumento da produtividade. • Aumento da vida útil de componentes e equipamentos. • Redução dos custos de manutenção. Para que todos os benefícios anteriores sejam alcançados, a manu- tenção preventiva deve ser executada de forma sistemática, ou seja, a partir de um plano de manutenção bem estruturado. O ponto de partida para a criação de um plano de manutenção preventiva é ter em mãos a relação dos equipamentos. Neste ponto, vale ressaltar que esta relação deve contemplar todos os equipa- mentos, com suas respectivas descrições e Tags de identificação. De posse dessa relação, o próximo passo é elencar as tarefas de cada equipamento, que podem ser determinadas de diversas formas: • Manual do fabricante. • Brainstorming com a equipe de produção e manutenção. • Histórico de manutenção existente. • Aplicação de uma Análise de Modo e Efeito de Falha - Failure Mode and Effect Analysis (FMEA). O manual do fabricante é importante por ser o ponto de partida, ou seja, traz quais são as tarefas imprescindíveis para o bom funciona- mento do equipamento, bem como a sua periodicidade. O brainstorming é importante, pois acaba trazendo para o pla- no de manutenção algumas ocorrências corriqueiras que, às ve- zes, passam despercebidas pela manutenção, mas acabam gerando perdas no processo produtivo e podem ser eliminadas de maneira sistemática. O histórico de manutenção também é fundamental para a con- sistência do plano e um outro recurso que pode ser utilizado é a matriz FMEA. Esta matriz relaciona os modos de falha de equipa- mentos e seus componentes e os efeitos provocados sobre o sistema. É a aplicação do conceito de Manutenção Centrada em Confiabi- lidade, que veremos na unidade 7. 107UNIDADE 4 Branco Filho (2008) ressalta que um programa de manutenção preventiva sistemática montado a partir dos conceitos de Manutenção Centrada em Confiabilidade é mais enxuto e mais efetivo. A Figura 12 mostra um exemplo de matriz FMEA. Nesta matriz, o equipamento é desmembrado e analisado de forma a se identificar todos os possíveis modos de falhas e seus efeitos. Com isso, identificam-se as causas e estas são contempladas no plano de manutenção preventiva. Assim, o plano de manutenção passa a abordar tarefas preventivas consistentes, ou seja, que com cer- teza irão evitar problemas futuros do equipamento. Aqui, vale o velho ditado: é melhor prevenir do que remediar! E remediar, neste caso, está relacionado com manutenção corretiva. Elementos da equipe: Descrição Efeito Causa Contramedidas a implementarModo de falha Cópias para: Identi�cação do projeto: Produto, processo ou serviço: Descrição: Emitido por: Aprovado por: O co rr ên ci a Se ve rid ad e D et ec çã o N PR O co rr ên ci a Se ve rid ad e D et ec çã o N PR Data: Figura 12 - Exemplo de Matriz FMEA Fonte: adaptada de Pinto (2013). A Figura 13 mostra a aplicação da FMEA a uma bomba centrífuga, com o objetivo de identificar os seus modos de falha, causas e efeitos e, dessa forma, definir as tarefas de manutenção preventiva. 108 Planejamento e Controle da Manutenção 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 1 1 1 1 1 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 1 1 1 1 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 4 5 4 5 5 2 2 2 5 5 5 5 4 5 3 4 2 5 2 5 2 2 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 3 2 3 5 2 2 5 2 1 5 5 16 20 16 20 20 32 32 32 80 80 80 80 64 80 48 64 8 20 8 20 24 24 60 60 60 60 60 60 60 60 60 60 36 24 36 60 24 24 60 24 12 60 60 D es ga st e po r t em po Pr oj et o Ca vi ta çã o Co rp o es tr an ho Fa lh a de m on ta ge m Fa lh a de lu br ifi ca çã o Vi br aç ão D es al in ha m en to Fa lh a de m on ta ge m Fa lh a de m on ta ge m Fa lh a op er ac io na l Fa lh a de a pe rt o Ju nt a da ni fic ad a Fa lh a de m on ta ge m Fa lh a de g ax et a D es ga st e do re te nt or Vi br aç ão Fa lh a de m on ta ge m D es al in ha m en to Tu bu la çã o irr eg ul ar D es al in ha m en to Vi ib ra çã o D es ga st e po r t em po Pr oj et o Fa lh a de re fr ig er aç ão Fa lh a de lu br ifi ca çã o So br ec ar ga Pr oj et o Fa lh a de lu br ifi ca çã o Fa lh a de o pe ra çã o Su bt en sã o (fa lta d e fa se ) U m id ad e D es ga st e po r t em po D es al in ha m en to Pr oj et o Fo lg a en tr e ei xo s D es al in ha m en to M á qu al id ad e do m at er ia l Pr oj et o Vi br aç ão Ba se d an ifi ca da Aq ue ci m en to Co rp o es tr an ho In sp eç ão v is ua l N en hu m In sp eç ão a ud iti va e v is ua l N en hu m N en hu m A ná lis e de v ib ra çã o A ná lis e de v ib ra çã o A ná lis e de v ib ra çã o N en hu m In sp eç ão v is ua l N en hu m N en hu m In sp eç ão v is ua l N en hu m In sp eç ão v is ua l In sp eç ão v is ua l A ná lis e de v ib ra çã o N en hu m A ná lis e de v ib ra çã o N en hu m A ná lis e de v ib ra çã o A ná lis e de v ib ra çã o N en hu m N en hu m N en hu m N en hu m N en hu m N en hu m N en hu m N en hu m N en hu m N en hu m In sp eç ão v is ua l A ná lis e de v ib ra çã o Es pe ci fic aç ão d a m an ut en çã o N en hu m A ná lis e de v ib ra çã o Es pe ci fic aç ão d a m an ut en çã o N en hu m A ná lis e de v ib ra çã o In sp eç ão v is ua l N en hu m N en hu m In sp eç ão v is ua l - A ná lis e de v ib ra çã o - - Lu br ifi ca çã o A ná lis e de v ib ra çã o Pr ev en tiv a - Pr ev en tiv a In sp eç ão v is ua l - - - - - A ná lis e de v ib ra çã o In sp eç ão v is ua l - - A ná lis e de v ib ra çã o A ná lis e de v ib ra çã o Lu br ifi ca çã o - In sp eç ão v is ua l - - - A ná lis e de v ib ra çã o - - - A ná lis e de v ib ra çã o In sp eç ão v is ua l Pr ev en tiv a Es pe ci fic aç ão M an ut en çã o A ná lis e de v ib ra çã o Es pe ci fic aç ão M an ut en çã o - A ná lis e de v ib ra çã o Pr ev en tiv a - - D es ga st e do ro to r Q ue br a do ro la m en to Va za m en to Q ue br a da c ar ca ça Q ue br a do s el o m ec ân ic o Q ue im a do m ot or Q ue br a do a co pl am en to Q ue br a do e ix o Pe rd a de re nd im en to Pa ra da Pe rd a de re nd im en to , co nt am in aç ão e su je ira Pa ra da Pa ra da Pa ra da Pa ra da Pa ra da Fu nç õe s M od os d e fa lh a Ef ei to s Se ve rid ad e Ca us as O co rr ên ci a Co nt ro le s D et ec çã o Aç õe s re co m en da da s Q ua is s ão a s en tr ad as O q ue p od e da r e rr ad o co m a s en tr ad as Q ua l é o im pa ct o pa ra o c lie nt e? G ra vi da de do e fe ito Q ua is s ão a s ca us as d os m od os d e fa lh a? Fr eq uê nc ia d os m od os d e fa lh a Co m o po de m s er d et ec ta do s (m od os /c au sa s) Ch an ce d e de te cç ão O q ue p od e se r f ei to ? RP N Bo m ba Figura 13 - Exemplo de aplicação da metodologia FMEA a uma bomba centrífuga Fonte: o autor. 109UNIDADE 4 Com as tarefas conhecidas, o próximo passo é a definição da periodicidade. Quais tarefas terão execução diária, semanal, quinzenal, mensal, bi- mestral, trimestral, semestral ou anual? A partir desses dados, já é possível iniciar o planejamento anual da manutenção. Para isso, os mapas de planejamento são considerados ótimos recursos de suporte e consistem em formulários ou tabelas com diversas colunas, em que é mar- cada a data ou semana na qual o equipamento deverá entrar em manutenção. A Figura 14 mostra um mapa demanutenção conhecido como 52C1, que traz os equipamen- tos e as semanas nas quais ocorrerão as tarefas preventivas ao longo das 52 semanas existentes no ano. PLANO MESTRE DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA Semanas do Ano Equipamento Total de Hh Comprometidos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 ... 50 51 52 Figura 14 - Mapa de manutenção preventiva de 52 semanas (52C1) Fonte: adaptada de Branco Filho (2008). No mapa 52C1, as tarefas de manutenção que estão nos planos de manutenção preventiva montados previamente, a partir das tarefas e periodicidades, deverão ser distribuídas, usando a mão de obra, o Hh (Homem-hora – quantidade de trabalho realizada por um indivíduo no espaço de uma hora) estimado e seu emprego por calendário semanal. É importante ressaltar que o mapa 52C1 considera todos os equipamentos da planta, ou seja, cada equipamento é inserido em uma linha do mapa para que seja considerada a sua manutenção preventiva ao longo das 52 semanas do ano. Para facilitar o alinhamento entre produção e manutenção, é possível utilizar uma variante, o mapa 52C2, que é considerado um complemento do mapa 52C1, ou seja, é feito para cada equipamento abordado no mapa 52C1. 110 Planejamento e Controle da Manutenção Figura 15 - Mapa de planejamento de manutenção 52C2 Fonte: adaptada de Branco Filho (2008). Ao implementar este tipo de plano, precisamos atentar em dois detalhes importantes: o plano com hierarquia e o plano sem hierarquia. No primeiro caso, o plano de manutenção aceita que as ordens de serviço de periodicidade menor não sejam abertas quando uma maior é ativada, simplesmente porque as atividades menores já estão inclusas nas tarefas maiores. Dessa forma, neste tipo de modalidade, se houver uma tarefa mensal, a programação semanal não será ativada, pois a tarefa já está inclusa na rotina mensal; da mesma forma, se houver uma tarefa trimestral a programação mensal, a quinzenal e a semanal não serão ativadas, pois já estão contempladas na rotina trimestral. PLANO DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 - - O mapa 52C1 traz a semana em que determinado equipamento passará por uma manutenção preventiva, enquanto o mapa 52C2 mostra o dia da semana em que esta manutenção preventiva ocorrerá, ficando mais visível para a produção quando ela deverá disponibilizar um determinado equipamento para que a manu- tenção efetue as tarefas preventivas. Dessa forma, o mapa 52C2 é recomendado para que a supervisão da produção da área a ser atendida lembre-se da data exata em que deverá disponibilizar o equipamento para que a manutenção execute as tarefas preventivas previamente programadas. A Figura 15 mostra o mapa 52C2. 111UNIDADE 4 Figura 16 - Plano de manutenção preventiva com hierarquia Fonte: adaptada de Branco Filho (2008). M M M M M M M M M M M M S S S S M M M M M M M M M PLANO MESTRE DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA Semanas do Ano Equipamento UNR-0001 UNR-0002 UNR-0003 UNR-0004 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 ... 50 51 52 Total de Hh Comprometidos A Figura 16 mostra um exemplo de plano com hierarquia contemplando atividades mensais e semestrais. No segundo caso, o plano sem hierarquia irá buscar todas as atividades programadas para o período em análise e as ordens de serviço serão abertas pelo sistema e disponibilizadas para execução. Uma atividade bimestral, neste modelo, permitirá que as ordens de serviço inferiores sejam ativadas e im- pressas, ou seja, poderemos ter uma ordem de serviço bimestral, uma mensal e uma semanal, pois, ao contrário do plano com hierarquia, aqui as tarefas de ordens de serviço de menor periodicidade não estão inclusas nas de maior periodicidade, sendo necessário gerar cada ordem individualmente. No preenchimento do mapa de 52 semanas é importante sempre iniciar pelas tarefas de hierarquia maior, ou seja, primeiro as tarefas anuais, depois as semestrais, em seguida trimestrais e, por último, as mensais. 112 Planejamento e Controle da Manutenção Assim, o software irá abrir todas as ordens mensais, bimestrais, trimestrais e semestrais, por exemplo, como mostra a Figura 17. A S T T M A S T M A S T M S T M T M T M T M M M M M M M M M A S T M M M M M M M M MM T M M MM PLANO MESTRE DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA Semanas do Ano Equipamento UNREF 01 A UNREF 01 S UNREF 01 T UNREF 01 M UNREF 02 A UNREF 02 S UNREF 02 T UNREF 02 M UNREF 03 A UNREF 03 S UNREF 03 T UNREF 03 M UNREF 04 A UNREF 04 S UNREF 04 T UNREF 04 M Total de Hh Comprometidos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 ... 51 52 Figura 17 - Plano de manutenção preventiva sem hierarquia Fonte: adaptada de Branco Filho (2008). É importante realizar o balanceamento de horas para que não ocorram discrepâncias ao longo do ano, ou seja, caso não seja executada essa tarefa corremos o risco de necessitar de horas extras em determinadas semanas e termos ociosidade em outras. Assim, é essencial que o PCM determine a quantidade de Homens-horas (Hh) necessárias para cada tarefa e estas sejam incluídas no plano. O objetivo é manter uma quantidade constante de horas necessárias para as atividades ao longo das 52 semanas. Como exemplo, consideremos uma pequena empresa que possui, em uma de suas áreas, doze linhas de produção. Cada linha possui três equipamentos montados em série e, ao parar um equipamento, toda a linha é imobilizada. O fabricante recomenda que a manuten- ção cumpra as seguintes tarefas (BRANCO FILHO, 2008): 113UNIDADE 4 • Mensalmente (2 eletromecânicos - 4 horas de serviço: 8 Hh): Conferir a regulagem do termostato de controle de temperatura (M). Verificar e testar a operação das válvulas solenoides (M). • Semestralmente (3 eletromecânicos - 4 horas de serviço: 12 Hh): Conferir a regulagem do termostato de controle de temperatura (M). Verificar e testar a operação das válvulas solenoides (M). Verificar a fixação e o alinhamento da polia do motor (S). Substituir o óleo lubrificante (S). • Anualmente (4 eletromecânicos - 4 ho- ras de serviço: 16 Hh): Conferir a regulagem do termostato de controle de temperatura (M). Verificar e testar a operação das válvulas solenoides (M). Verificar a fixação e o alinhamento da polia do motor (S). Substituir o óleo lubrificante (S). Substituir os rolamentos (A). Um programa de manutenção preventiva siste- mática 52C1 para estes equipamentos é mostrado na Figura 18. Veja que se trata de um plano com hierarquia. Eq ui pa m en to Li nh a 1 Li nh a 2 Li nh a 3 Li nh a 4 Li nh a 5 Li nh a 6 Li nh a 7 Li nh a 8 Li nh a 9 Li nh a 10 Li nh a 11 Li nh a 12 To ta l d e H h Co m pr om et id os 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 1 1 12 1 3 14 1 5 16 1 7 18 1 9 20 2 1 22 2 3 24 2 5 26 2 7 28 2 9 30 3 1 32 3 3 34 3 5 36 3 7 38 3 9 40 4 1 42 4 3 44 4 5 46 4 7 48 4 9 50 5 1 52 A M M M M M S M M M M M M A M M M M M S M M M M M M A M M M M M S M M M M M M A M M M M M S M M M M M M M A M M MM M S S M M M M M A M M M M M M S M M M M M A M M M M M M S M M M M M A M M M M M M S M M M M M A M M M M M M M S M M M M M A A M M M M M S M M M M M M A M M M M M M M M M M 32 3 6 24 1 6 24 3 2 28 3 2 24 2 4 32 2 8 16 2 4 24 2 4 28 PL A N O M ES TR E D E M A N U TE N Çà O P RE VE N TI VA Se m an as d o An o Fi gu ra 1 8 - P la no d e m an ut en çã o pr ev en tiv a Fo nt e: ad ap ta da d e B ra nc o Fi lh o (2 00 8) . 114 Planejamento e Controle da Manutenção É importante ressaltar que as tarefas anuais e semestrais foram distribuídas ao longo de todo o ano, ou seja, das 52 semanas, de forma a não sobrecarregar períodos específicos do ano. Para complementar, a Figura 19 mostra o mapa 52C2. PLANO MESTRE DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 L1 L2 L3 L4 L1 L2 L3 L4 L1 L2 L3 L4 L5 L6 L7 L8 L5 L6 L7 L8 L5 L6 L7 L8 L10 L11 L12 L9 L10 L11 L12 L9 L10 L11 L12 DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 DOM SEG TER QUA QUI SEX SAB 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 - - Figura 19 - Plano de manutenção preventiva Fonte: adaptada de Branco Filho (2008). De acordo com Kardec e Nascif (2009), exis- tem 3 modalidades de contratação de mão de obra para manutenção: • Contratação de mão de obra. • Contratação de serviço. • Contratação por resultados. A contratação de mão de obra remunera a contratante pela utilização da mão de obra (homem-hora trabalhada), enquanto a contratação de serviço remunera a contratante pelos serviços prestados (é contratado um pacote de serviços). Por sua vez, a contratação por resultados visa a disponibilidade dos equipamentos e instalações, podendo ser remunerada, proporcionalmente, aos homens-horas empregados. Dessa forma, vemos a importância de a manu- tenção trabalhar de forma sistêmica, organizada e bem alinhada com a produção, contribuindo cada vez mais para um processo industrial seguro e confiável, e para o atingimento das metas da organização. Contratação de Mão de Obra na Manutenção Uma das tarefas do PCM é providenciar recursos para a execução das tarefas de manutenção, sejam elas preventivas, corretivas, melhorias e até novas instalações. 115UNIDADE 4 Contratação por mão de obra Essa é a forma mais antiga de contratação de mão de obra para a manutenção, além de ser, também, a de maior risco, apesar de ainda ser muito pra- ticada. Kardec e Carvalho (2002, p. 50-51) fazem várias considerações a respeito desta modalidade de contratação: • Mão de obra de menor qualificação; • Mão de obra mais barata; • Baixa produtividade, com ônus para a con- tratante, não tendo a contratada interesse em aumentar a produtividade em função do impacto direto no seu faturamento; • Não há qualquer compromisso da contra- tada com os resultados; • Maior índice de acidentes; • Baixa qualidade dos serviços, exigindo um esforço da contratante na fiscalização; • Menor comprometimento dos emprega- dos por falta de identidade com qualquer das duas empresas (contratante e contra- tada): o empregado não veste a camisa de nenhuma das empresas; • Tendência ao descumprimento das obri- gações trabalhistas como fonte de renda; • Interferência constante da contratante na administração das atividades da contra- tada; • Tendência ao descumprimento das obri- gações assumidas nos acordos coletivos; • Pagamento da mão de obra por homem- hora ou homem-dia; • A consequência de todos os itens acima é um impacto negativo na disponibilidade e na confiabilidade. Além disso, Kardec e Carvalho (2002) abordam essa relação como sendo de alto risco empresa- rial e trabalhista, não devendo ser praticada por empresas que tenham uma visão de futuro mo- derna e que queiram sobreviver por longo prazo no mercado, pois é uma relação de crescimento unilateral, de ganho imediato, conhecida como política do perde-perde. Contratação por serviço Segundo Kardec e Carvalho (2002, p. 51-52), esta modalidade representa um avanço em relação à contratação por mão de obra e possui as seguintes características em relação ao contrato de mão de obra: • Mão de obra de melhor qualificação; • Maior produtividade, já que neste caso o ônus da menor produtividade passa a ser um problema da contratada; • A responsabilidade técnica pela execução dos serviços é da contratada; • A qualidade é melhor, uma vez que neste tipo de contratação é comumente fixado um prazo mínimo de garantia que, se não atendido, o serviço deve ser refeito com ônus para a contratante; • Melhor atendimento consequente do maior interesse da contratante em realizar os serviços, já que seu ganho é proporcio- nal à quantidade de serviços realizados. As empresas brasileiras gastam, em média, 35% dos seus recursos com a compra de materiais, 46% com a contratação de mão de obra própria e 19% com serviços contratados. Fonte: adaptado de Documento Nacional Abra- man (2017). 116 Planejamento e Controle da Manutenção Os autores, entretanto, alegam que esta forma de contratação tem objetivos inteiramente an- tagônicos e, por consequência, impede aquela relação estratégica para garantir bons resultados empresariais, que é a parceria. A contratante busca maior disponibilidade, que é conseguida apenas com redução na demanda de serviços. Por outro lado, quanto maior a demanda de serviços, maior será o faturamento da contratada, e antagônica, caracterizando este tipo de contratação como perde-ganha. Neste ponto, você deve estar questionando: como conseguir maior disponibilidade com menor cus- to, já que se trata de uma contradição? Para responder a essa questão, utilizaremos um exemplo abordado por Kardec e Nascif (2009). Para iniciar o contrato, deve-se considerar dois indicadores básicos: • Disponibilidade mínima dos equipamentos ou sistemas, estabelecida contratualmente. • Teto de recursos contratados estabelecido de maneira coerente. Neste tipo de contrato, as variáveis se comportam como mostrado na Figura 20. Gerir corretamente os contratados tornou-se uma tarefa essencial para a manutenção, por estar estreitamente ligada a importantes desa- fios financeiros e operacionais. Fonte: Cuignet (2006, p. 58). Contrato por resultados As características básicas desta modalidade de contratação são, segundo Kardec e Carvalho (2002, p. 52-53): • A contratante tem como objetivo a maior disponibilidade, com consequente menor demanda de serviços, com custos, segurança e confiabilidade alinhados à sua necessidade; • A responsabilidade técnica pelo trabalho realizado é total da contratada; • Trata-se de um contrato tipo ganha-ganha, onde a contratante ganha em disponibili- dade e custo menor, e a contratada ganha ao receber uma remuneração maior em função das melhorias e reduções de custoimplementadas. DISPONIBILIDADE DEMANDA DE SERVIÇOS FATURAMENTO/CUSTO LUCRO AUMENTA DIMINUI DIMINUEM AUMENTA Figura 20 - Variáveis do Contrato por Resultado Fonte: adaptada de Kardec e Nascif (2009). Essa aparente contradição de menor fatura- mento/custo e maior lucro pode ser mais bem entendida com o exemplo a seguir, de Kardec e Nascif (2009). Para a manutenção de uma determinada plan- ta, contratou-se uma empresa, definiu-se o teto de recursos e também a disponibilidade esperada. Esse teto foi de 30.000 homens-horas/ano. Caso este teto não seja consumido, o ganho será divi- dido igualmente entre as partes. Supondo que o lucro da contratada seja de 10% do seu fatura- mento, tem-se os seguintes resultados: • Caso 1 - todo o recurso previsto para o ano (30.000 homem-hora) foi consumido: Faturamento da contratada: 30.000 ho- mem-hora. Lucro da contratada: 3.000 homem-hora. 117UNIDADE 4 • Caso 2 - foram consumidos apenas 25.000 homem-hora: Faturamento da contratada: 25.000 ho- mem-hora. Lucro sobre o faturamento: 2.500 homem- -hora (a). Sobra de recursos: 5.000 homem-hora. Prêmio da contatada (50%): 2.500 homem- -hora (b). Pagamento pela contratante: 27.500 ho- mem-hora. Lucro total da contratada: 5.000 (a + b). Dessa forma, no caso 2, apesar de ter um faturamento reduzido, de 30.000 para 25.000 homem-hora, o seu lucro saltou de 3.000 (caso 1) para 5.000 homem- Prezado(a) aluno(a), chegamos ao final de mais uma unidade do nosso livro de Manutenção Industrial. Nesta quarta unidade, vimos que planejar e controlar a manutenção são atividades essenciais para uma boa gestão. Saber quem são os equipamentos mais críticos e quais as atividades corretivas que são prioritárias contri- bui para que as tomadas de decisão no dia a dia da manutenção sejam mais assertivas e, consequentemente, os recursos, tanto humanos quanto materiais e financeiros, sejam utilizados da melhor maneira possível. Além disso, vimos que os dados são fundamentais para uma gestão consistente, e que a forma que a manutenção tem de coletar dados para transformá-los em informações e em gestão é por meio da ordem de serviço. Por fim, vimos, também, a importância da manutenção preventiva estruturada para evitar as falhas de equipamentos e paradas de processos. Elaborar bons planos de manutenção faz toda a diferença, por isso, aprendemos a gerar os mapas de 52 semanas (52C1 e 52C2). Viu quanta coisa aprendemos juntos nesta unidade? Já estou ansioso para a próxima, e você? -hora. Sem dúvida foi um bom negócio para ambas as empresas: • Para a contratante, que teve uma menor intervenção na planta, mantendo a dis- ponibilidade contratada, menor risco de acidentes e com desembolso menor do que o teto estabelecido. • Para a contratada, que, apesar de ter um fa- turamento menor, teve seu lucro aumenta- do em função do seu melhor desempenho na busca pela disponibilidade. Esse exemplo mostra o que chamamos de polí- tica do ganha-ganha, com busca do crescimento coletivo e ganhos de médio e longo prazos para as partes envolvidas. O modelo de contratação por resultado é comumente usado nas organizações atrelado a um Service Level Agreement (SLA), ou seja, um acordo com base em indicadores de desempenho firmado entre ambas as partes, que tem por objetivo monitorar as entregas do contrato de prestação de serviço. 118 1. Planejar e controlar a manutenção deve ser uma rotina de toda empresa que busca a excelência. Analise as alternativas a seguir em relação ao Planejamento e Controle da Manutenção: I) O PCM pode ser considerado um departamento opcional para empresas de grande porte e de processos complexos, uma vez que essa complexidade faz com que os trabalhos já ocorram de forma planejada. II) A ausência do PCM faz com que as pessoas da manutenção se sintam “livres”. III) O PCM é capaz de dizer como os equipamentos estão hoje e como poderão estar dentro de algum tempo. IV) O PCM existe para que os eventos ocorram dentro de parâmetros aceitáveis e desejados, tanto em tempo, como em risco de incidentes, quanto no uso de recursos e seu custo. V) Cuidados simples, como limpeza e lubrificação, garantem a durabilidade da máquina, reduzindo os pequenos problemas que podem causar desgaste ou deterioração, evitando, assim, a necessidade de implementação de um setor de PCM. Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas: a) Somente as afirmativas I e III estão corretas. b) Somente as afirmativas I, II e III estão corretas. c) Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas. d) Somente a afirmativa IV está correta. e) Somente as afirmativas II e IV estão corretas. 2. Em relação ao tagueamento de equipamentos, sugira um TAG para este equipa- mento: “bomba centrífuga número 1 instalada no setor de utilidades da fábrica número 2”. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 119 3. Terceirizar a manutenção é uma decisão que pode trazer bons resultados para uma organização, desde que seja feita seguindo critérios bem claros e definidos. Assinale verdadeiro (V) ou falso (F). ) ( Na modalidade de contratação de serviço por mão de obra, a responsabilidade técnica pelo trabalho realizado é total da contratada. ) ( A terceirização da manutenção é vantajosa quando a contratada é especialista no que faz ou quando é a fabricante do equipamento. ) ( Em geral, na contratação por serviço, a mão de obra é de melhor qualificação. ) ( A contratação por resultado é do tipo ganha-ganha, na qual a contratante ganha em disponibilidade e custo menor, e a contratada ganha ao receber uma remu- neração maior em função das melhorias e reduções de custo implementadas. ) ( Na modalidade de contratação por serviço, a responsabilidade técnica pelo trabalho realizado é total da contratante. A sequência correta para a resposta da questão é: a) V, F, V, F, F. b) F, V, V, V, F. c) V, V, V, V, F. d) F, V, F, V, F. e) V, F, F, V, V. 4. José Ramos (matrícula 443567) recebeu da área de programação da manutenção a ordem de serviço a seguir: “substituir rolamento do lado do oposto ao aciona- mento (LOA) do exaustor TAG FAB2-CAL-EXA-01 da caldeira e fazer o alinhamento”. Então, José foi para campo realizar o serviço. Chegou até o setor e comunicou o en- carregado, solicitando a assinatura da ordem de serviço para liberação. José, então, seguiu os procedimentos preliminares de segurança, bloqueando e preparando o equipamento para o início das atividades. Era dia 15 de setembro de 2017. José ini- ciou a desmontagem do equipamento às 8h42min, fez a substituição de um rola- mento 6208 C3 e o alinhamento do equipamento, concluindo o serviço às 11h50min. Faça o preenchimento da ordem de serviço com as informações descritas no texto. 120 5. Uma pequena empresa possui, em uma de suas áreas, três máquinas de extrema importância, que representam 65% da produção e do faturamento da empresa. O fabricante recomenda que a manutenção cumpra as seguintes tarefas: Mensalmente (2 eletromecânicos - 4 horas de serviço: 8 Hh): Inspecionar vazamentos em tubulações e conexões (M). Verificar e testar a operação das válvulas de controle de fluxo (M). Semestralmente (3 eletromecânicos - 4 horas de serviço: 12 Hh): Inspecionar vazamentos em tubulações e conexões (M). Verificar e testar a operação das válvulas de controle de fluxo (M). Verificar o funcionamento do motor e medir a sua isolação (S). Substituir o óleo lubrificante dos redutores de velocidade (S). Anualmente (4 eletromecânicos - 4 horas de serviço: 16 Hh): Inspecionar vazamentos em tubulações e conexões (M). Verificar e testar a operação das válvulas de controle de fluxo (M). Verificar o funcionamento do motor e medir a sua isolação (S). Substituir o óleo lubrificante dos redutores de velocidade (S). Substituir os rolamentos e retentores (A). Monte um programa de manutenção preventiva sistemática para essas máqui- nas, utilizando a programação com hierarquia. 121 Gerenciamento de Paradade Manutenção Autor: John Moschin Editora: Brasport Sinopse: esta obra tornou-se realidade devido à determinação do autor na busca incansável de melhoria contínua dos processos de planejamento de uma gran- de parada de manutenção de uma unidade industrial. Conhecimento técnico, habilidade na gestão de pessoas, experiência, percepção dos comportamentos humanos e muita determinação, interligados, interagindo entre si e complemen- tando-se, resultaram em uma abordagem nova e diferente no planejamento, na execução e no controle de uma parada. LIVRO Truque de mestre Ano: 2013 Sinopse: um grupo de ilusionistas encanta o público com suas mágicas e tam- bém rouba bancos em outro continente, distribuindo a quantia roubada para os próprios espectadores. O agente do FBI, Dylan Hobbs, está determinado a capturá-los e conta com a ajuda de Alma Vargas, uma detetive da Interpol, e tam- bém de Thaddeus Bradley, um veterano desmistificador de mágicos que insiste que os assaltos são realizados a partir de disfarces e jogos envolvendo vídeos. Comentário: o grupo de ilusionistas e mágicos mostra que é possível executar planos incríveis, e aparentemente impossíveis, se planejados e pensados nos mínimos detalhes. FILME O link a seguir traz um artigo sobre o Planejamento e Controle da Manutenção aplicado a um processo de manufatura no ramo alimentício. WEB 122 AMARAL, C. P. Gestão da Manutenção. Apostila do curso de Manutenção Classe Mundial promovido pela Abraman, Maringá, 2012. BRANCO FILHO, G. A Organização, o Planejamento e o Controle da Manutenção. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2008. CAMPOS JUNIOR, E. E. Reestruturação da Área de Planejamento, Programação e Controle na Gerência de Manutenção Portuária: CVRD. 2006. 74 f. Monografia - Graduação em Engenharia Mecânica, Universidade Estadual do Maranhão, 2006. CUIGNET, R. Gestão da Manutenção. Lisboa: Editora Lidel, 2006. DOCUMENTO NACIONAL ABRAMAN - A Situação da Manutenção no Brasil. Rio de Janeiro: Abraman, 2017. JASINSKI, A. Modelo de Planejamento de Manutenção. 2005. 120 f. Trabalho de Conclusão de Curso - Superior de Tecnologia em Processos de Fabricação Mecânica. Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Ponta Grossa, 2005. JIPM - Japan Institute for Plant Maintenance. 600 Forms Manual. Japan, 1995. KARDEC, A.; CARVALHO, C. Gestão Estratégica e Terceirização. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: Função Estratégica. 3. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2009. PEREIRA, M. J. Engenharia de Manutenção – Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2009. PINTO, J. P. Manutenção Lean. Lisboa: Lidel, 2013. TAVARES, L. A. Controle de manutenção por computador. Rio de Janeiro: Editora Técnica, 1987. VIANA, H. R. G. PCM: Planejamento e Controle da Manutenção. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002. REFERÊNCIA ON-LINE ¹Em: https://www.psg-e.com/single-post/2016/02/12/Tela-de-cadastro-de-equipamento. Acesso em: 25 jan. 2020. 123 1. C. 2. Possível resposta: FAB2-UTL-BOM-001. 3. B. 4. Preencher de acordo com o modelo de ordem de serviço apresentado na Figura 8. 5. Possível resposta: Equipamento Máquina A Máquina B Máquina C Total de Hh Comprometidos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 A M M M M M S M M M M M M M A M M M M M S M M M M M M M A M M M M M M S 16 8 8 8 8 8 8 16 8 8 8 8 8 8 16 8 8 8 12 8 8 8 8 8 8 12 8 8 8 8 8 8 8 8 8 12 PLANO MESTRE DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA Semanas do Ano 124 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Entender os conceitos de 5S. • Conceituar a metodologia TPM. • Compreender a relação dos pilares do TPM com a Ma- nutenção. Introdução ao TPM Os 5S como Base do TPM Resultados da Aplicação do TPM na Manutenção Os Pilares da Metodologia TPM Me. Alessandro Trombeta 5S e TPM na Manutenção Introdução ao TPM Caro(a) aluno(a), é um prazer tê-lo(a) de volta aqui! A propósito, se você possui um veículo, já calibrou os pneus dele hoje? Achou estranha a pergunta? Contudo, é isso mesmo, pois nesta uni- dade vamos falar do conceito de manutenção au- tônoma, que é aquela que nós mesmos fazemos, como lavar o carro, calibrar os pneus, conferir os níveis de óleo do motor e água do radiador. Dentro de uma organização, são as atividades básicas de manutenção que o próprio operador executa. E tem mais, além da manutenção autôno- ma, vamos estudar também os outros sete pilares da metodologia Total Productive Maintenance - TPM, ou Manutenção Produtiva Total, como é conhecida por algumas empresas no Brasil. Na unidade anterior, vimos como o papel da manutenção é importante para uma organização alcançar os seus resultados planejados. Agora, va- mos entender como ferramentas podem estrutu- rar e facilitar isso no dia a dia, trazendo inovação e novos métodos de trabalho. 127UNIDADE 5 Por muito tempo predominou nas empresas a manutenção corretiva, com muitos desperdícios, perda de tempo, retrabalhos e baixa eficiência, o que refletia diretamente nos custos industriais. A competitividade exigiu das empresas uma análise de seus processos e a manutenção passou a dar ênfase nos sistemas preventivos. Segundo Pereira (2009), a manutenção pre- ventiva teve sua origem nos Estados Unidos e foi introduzida no Japão em 1950. Até então, predo- minava o conceito corretivo nas indústrias japo- nesas. Toa Nenryo Kogyo foi a primeira empresa japonesa a adotar tarefas preventivas na manuten- ção, em 1951, obtendo bons resultados. Em 1960, a Confiabilidade passa a ter uma maior importância para o ganho de eficiência das organiza- ções, tornando-se ponto chave para a melhoria dos processos de manutenção. Na década de 70, surge a metodologia Total Productive Maintenance - TPM, também conhecida como Manutenção Produtiva Total - MPT, com o objetivo de levar os conceitos de confiabilidade e prevenção na área produtiva, aumentando a sua eficiência. De acordo com Pereira (2009), a Nippon Den- so Co., pertencente ao grupo Toyota, foi a pri- meira empresa a introduzir a metodologia TPM no seu processo industrial, no Japão, em 1971, e foi reconhecida e premiada pelo JIPE (Japan Institute of Plant Engineers) pela “Excelência em Manutenção”. Mais tarde, o prêmio foi concedido pela JIPM (Japan Institute Plan of Maintenance). A metodologia TPM consolidou-se por en- volver o pessoal de produção na conservação dos equipamentos, trazendo uma mudança de cultura dentro das organizações, buscando o aperfeiçoa- mento da produtividade do equipamento, ao in- vés de apenas consertar e restaurar as condições normais de trabalho. O TPM, de acordo com Dennis (2008), atribui um trabalho de manutenção básica, tal como ins- peção, limpeza, lubrificação e ajustes, aos mem- bros da equipe de produção. Isso libera os mem- bros da equipe de manutenção para que possam fazer uma manutenção preventiva, melhorias e vistorias de equipamento, treinamento e outras atividades de alto valor. Os principais objetivos do TPM, segundo Costa Júnior (2008), são: reduzir os custos da manutenção preventiva; diminuir o nível de planejamento e de verificações realizadas pelo pessoal da manutenção; elevar a autonomia dos colaboradores no processo; melhorar a confiabili- dade e a eficiência dos equipamentos; melhorar e implementar segurança no ambiente de trabalho. É importante ressaltar que um dos objetivos do TPM é reduzir os custos de manutenção, e isso se concretizará com a redução do número de intervenções corretivas e também de trabalhos preventivos realizados pela manutenção. Com a inclusão da operação, as atividades preventivas realizadas pela manutenção serão racionalizadas, podendo o manutentor se concentrar em traba- lhos de maior complexidade. A manutenção preventiva teve origemnos Es- tados Unidos da América e evoluiu para o TPM da maneira como é hoje, anos depois, no Japão. Fonte: Pereira (2009, p. 29). Antes de continuarmos nosso estudo da meto- dologia TPM, é importante entendermos uma ferramenta amplamente aplicável quando nos referimos aos cuidados e conservação dos equi- pamentos. Essa metodologia é conhecida como 5S (Cinco Sensos) e tem por objetivo melhorar o ambiente de trabalho a partir da limpeza, da organização e da disciplina. Podemos até dizer que os 5S é a base para o TPM. 128 5S e TPM na Manutenção O programa 5S é entendido por Kardec e Nascif (2009) como a base para que qualquer processo seja realizado com qualidade. Sem uma cultura 5S, dificilmente teremos ambientes propícios à realização de trabalhos com segurança e eficiên- cia. Cuignet (2006) complementa dizendo que um processo de manutenção não pode ser verdadei- ramente eficaz se os seus executantes trabalham em um ambiente desordenado e sujo ou com fer- ramentas em mau estado. Os 5S como Base do TPM 129UNIDADE 5 O Quadro 1 mostra a origem da sigla 5S, com as 5 palavras originais (em japonês) e também com os nomes similares em inglês e português. Japonês Inglês Português SEIRI SORTING ORGANIZAÇÃO SEITON SYSTEMATIZATION ORDEM SEISO SWEEPING LIMPEZA SEIKETSU SANITIZING ASSEIO SHITSUKE SELF DISCIPLINE DISCIPLINA Quadro 1 - Programa 5S Fonte: Kardec e Nascif (2009, p. 188). Figura 1 - Visão do 5S A origem do nome 5S está no fato das 5 pala- vras, tanto em japonês quanto inglês, iniciarem com a letra S. Consiste em uma ferramenta de origem japonesa e de grande potencial para desenvolver pessoas a pensarem no bem co- mum. Fonte: adaptado de Kardec e Nascif (2009). A Figura 1 mostra o quanto é importante a sistematização do programa 5S. 130 5S e TPM na Manutenção Os ganhos promovidos pelo 5S na manutenção, de acordo com Kardec e Nascif (2009), são: • Melhoria da qualidade dos serviços executados. • Prevenção de acidentes. • Melhoria da produtividade, resultado de uma melhor organização geral da manutenção (fer- ramentaria, almoxarifado, oficina, procedimentos). • Redução de custos em função de uma maior eficiência da manutenção. • Conservação de energia. • Melhoria do ambiente de trabalho. • Melhoria do moral dos empregados. • Incentivo à criatividade. • Modificação da cultura. • Melhoria da disciplina. • Desenvolvimento do senso de equipe. • Maior participação em todos os níveis. Como já visto, os 5S são cinco palavras que, em japonês, começam pelo som “S” e, segundo Pinto (2013, p. 95), são definidos como: 1. Seiri (sentido de organização) – separação entre itens úteis e inúteis, identificando coisas desnecessárias nos postos de trabalho; 2. Seiton (sentido de arrumação) – definição dos locais para cada coisa, colocação à mão as coisas de uso mais frequente, identificação dos itens por meio de etiquetas de identifica- ção (ajudas visuais) e também dos seus respectivos locais de guarda; 3. Seiso (senso de limpeza) – divisão dos postos de trabalho e atribuição de responsabilidades a cada elemento do grupo. Definição de norma de limpeza para cada posto de trabalho; 4. Seiketsu (sentido de padronização) – definição de uma norma padrão de arrumação e limpeza para os postos de trabalho, incluindo equipamentos e também identificação via recursos visuais; Os 5S naturalmente leva à Manutenção Produtiva Total (TPM), essencial para a estabilidade e eficácia das máquinas. À medida que fizer progresso em sua jornada na produção lean, ou seja, aplicando os princípios da produção enxuta, inevitavelmente irá querer treinar sua equipe para que possa cuidar de seus equipamentos. Fonte: Dennis (2008, p. 56). 131UNIDADE 5 5. Shitsuke (sentido de autodisciplina) – o principal objetivo é praticar os princípios de organização, sistematização e lim- peza; eliminar a variabilidade; estabelecer procedimentos e controle visual. Por tratar-se do último conjunto de práticas, o shitsuke busca verificar se está tudo no lugar, se as ofici- nas e equipamentos estão em boas condições de limpeza e conservação, se as ações de inspeção estão sendo realizadas correta e sistematicamente, e por meio de checklists formais e recursos visuais. Pinto (2013) ressalta que a aplicação dos 5S requer tempo, disciplina e muita persistência. Sua aplicação, contudo, irá gerar envolvimento das pessoas em função das melhorias que irão perceber no seu am- biente de trabalho, principalmente em relação à redução do tempo procurando coisas, ferramentas e peças nos seus devidos lugares, mais higiene e mais segurança. Um programa de 5S bem implementado contribuirá para a redu- ção do Tempo Médio para Reparo, garantindo uma melhor disponi- bilidade da planta para a produção e para o resultado operacional. Recomenda-se vivamente começar a implementação do método 5S nas áreas internas da manutenção, ou seja, não apenas nas oficinas, mas também nas áreas administrativas que, por norma, apresentam grande desarrumação e desorganização. Fonte: Pinto (2013, p. 95). O programa 5S traz excelentes resultados para a organização, en- tretanto, de acordo com Lenzi, Kiesel e Zucco (2010), ele pode não se consolidar quando é mal implementado, uma vez que algumas empresas entendem que o processo, por si só, resolverá todos os pro- blemas e acabam não investindo no desenvolvimento das pessoas. 132 5S e TPM na Manutenção Pinto (2013) aborda um outro aspecto inovador do TPM: a proatividade. A Figura 2 apresenta a visão global do que o autor chama de novo TPM. Na figura, é possível identificar os principais ob- jetivos, métricas de desempenho, pilares e valores. Os Pilares da Metodologia TPM 133UNIDADE 5 Figura 2 – Visão holística da moderna TPM Fonte: Pinto (2013, p. 161). A metodologia TPM baseia-se em oito pilares fundamentais, cuja base é o programa 5S, conforme mostra a Figura 3. ObjetivosPilares Produtividade Qualidade Custo Distribuição Segurança Moral Zero paradas Zero acidentes Zero defeitos Orientação ao cliente Orientação às pessoas Orientação ao equipamento Orientação à melhoria contínua do local de trabalho Ferramentas de Suporte: PDCA 5S 5W2H FMEA Ishikawa Gestão Visual Benchmarking Manutenção Autônoma Manutenção Planejada Melhorias Especí�cas Educação e Treinamento Manutenção da Qualidade Controle Inicial TPM Administrativo Segurança, Saúde e M. A. Valores Desempenho Cultura TPM E�ciência global do negócio TPM Proativa M el ho ri a Fo ca da M an ut en çã o A ut ôn om a M an ut en çã o Pl an ej ad a Ed uc aç ão e Tr ei na m en to Co nt ro le In ic ia l Q ua lid ad e na M an ut en çã o TP M A dm in is tr at iv o Se gu ra nç a, S aú de e M ei o A m bi en te Figura 3 - Os 8 Pilares do TPM O TPM é sustentado por 8 pilares que, segundo Nakazato (1999), são essenciais para combater as seis grandes perdas e obter o sucesso esperado de um programa TPM. 134 5S e TPM na Manutenção Pilar Manutenção Autônoma O pilar manutenção autônoma é um dos mais im- portantes dentro da metodologia TPM, uma vez que visa o aperfeiçoamento da operação por meio da capacitação dos operadores para a execução de pequenos reparos e inspeções, ou seja, atuarem como manutentores de primeiro nível, ficando a equipe de manutenção dedicada ao atendimen- to de ocorrências de maior complexidade. Dessa forma, se a fábrica fosse um hospital, o operador seria o enfermeiro, e o manutentor, o médico dos equipamentos. Nesse contexto, os operadores serão capacita- dos para a execução de pequenos reparos, lubrifi- cação e inspeções, mantendo o processo de acordo com padrões estabelecidos e antecipando-se aos problemas potenciais. Pereira (2009) traz a relação a seguir como as principais atividades do manu- tentor autônomo: • Operação correta de máquinas e equipa- mentos. • Aplicação dos 5S no dia a dia da manu- tenção. • Registro diário das ocorrências e ações. • Inspeção autônoma. • Monitoração com base nos sentidos huma-nos: visão, audição, olfato e tato. O objetivo da manutenção autônoma é evitar a deterioração precoce do equipamento novo e manter em condições os antigos. Fonte: Pereira (2009, p. 33). • Lubrificação. • Elaboração de padrões e procedimentos. • Execução de regulagens simples. • Execução de reparos simples. • Execução de testes simples. • Aplicação de manutenção preventiva sim- ples. • Preparação simples (set up). • Participação em treinamentos e em grupos de trabalho. O grande objetivo do pilar manutenção au- tônoma é mudar a mentalidade e a relação existente entre a produção e a manutenção. É preciso mudar o conceito antigo “eu opero, você conserta” para “do meu equipamento cuido eu” e “eu e você produzimos”. O pilar manutenção autônoma é implementa- do em sete etapas: • Limpeza e inspeção. • Medidas contra fontes de sujeira e locais de difícil acesso. • Padrões provisórios de limpeza, inspeção e lubrificação. • Inspeção geral. • Inspeção autônoma. • Efetivação dos padrões provisórios. • Gestão da manutenção autônoma. Com o pilar manutenção autônoma, os operadores passam a entender melhor o seu papel no processo, melhorando o cuidado com os equipamentos e os resultados em saúde, segurança, produtividade e custos. 135UNIDADE 5 Limpeza e inspeção Muitas pessoas não sabem, por isso Pereira (2009) ressalta que a limpeza também é considerada como um método de manutenção, e o operador precisa entender que não se trata de uma simples tarefa. Ao fazer a limpeza, muitos problemas podem ser detectados, como: vazamentos, pontos de aquecimento, peças soltas e até trincas no equipamento. É importante identificar os pontos de limpeza. Por que não orientar as equipes para que, após as limpezas, as pinturas sejam feitas dentro dos padrões e normas de projeto de máquinas e segurança vigentes? Esta é uma boa prática que deve ser aplicada ao dia a dia da manutenção. Fonte: Pereira (2009, p. 34). Medidas contra fontes de sujeira e locais de difícil acesso Após a realização da limpeza do equipamento, Pereira (2009) ressalta que é de extrema importância identificar as causas das fontes de sujeira para que estas causas sejam tratadas e eliminadas. Também é muito importante promover melhorias para facilitar a limpeza, eliminando os locais de difícil acesso. Esse processo é necessário para criar um ambiente de melhoria contínua. Padrões provisórios de limpeza, inspeção e lubrificação Nesta etapa do processo, Pereira (2009) considera extremamente im- portante a definição de padrões, mesmo que provisórios, para limpeza, inspeção e lubrificação. Esse padrão provisório tem por objetivo regis- trar as informações para posterior divulgação às equipes, possibilitando a criação de um ambiente que propicie a ideia de um ambiente limpo, organizado e identificado. Incluem-se nesta etapa as tarefas de inspe- ção e lubrificação, que contribuem para manter o ambiente dentro das condições ideais de trabalho. 136 5S e TPM na Manutenção Inspeção geral A inspeção geral tem por objetivo capacitar o operador para realizar a inspeção autônoma. É realizada em conjunto com o manutentor e com o objetivo de treinamento do operador. Pereira (2009) traz a seguinte relação de componentes e sub- sistemas que o operador deve conhecer e problemas que deve saber identificar: • Parafusos soltos. • Correias soltas. • Ruídos anormais em sistemas girantes. • Aquecimento excessivo em sistemas térmicos ou elétricos. • Níveis de óleo. • Pontos de lubrificação de equipamentos. • Proteções ausentes ou soltas. • Componentes soltos ou danificados, como válvulas, botoei- ras, polias, engrenagens, acoplamentos etc. • Mangueiras furadas, desgastadas ou com problemas em suas conexões. Inspeção autônoma Após a capacitação da equipe de operação, nesta etapa, as responsabilidades já devem estar registradas e entendidas pela equipe, segundo Pereira (2009). O autor ainda ressalta a importância das tarefas de operadores e manutentores estarem definidas, planilha- das e com calendários para execução. Nesse ponto, cabe ao gestor do programa TPM garantir a conscientização e a rotina das inspeções, confor- me o cronograma. A disciplina é essencial para o sucesso do programa TPM. Os manuais e procedimentos escritos e revistos no passo de inspeção autônoma contém os padrões de inspeção periódica e ajustes necessários. Baseados nestes manuais e procedimentos devem ser elaborados os checklists e calendários de inspeção periódica. Fonte: Pinto (2013, p. 154). Efetivação dos padrões provisórios Nesta etapa, segundo Pereira (2009), o posto de trabalho deve estar organizado da seguinte forma: • Possuir o descritivo das atividades registrado e divulgado, como folhas de dados, checklists, painéis autônomos etc. • Materiais de limpeza em locais apropriados, seguros e com identificação. • Ferramental em local adequado, organizado e identificado. • Equipamento limpo, seguro e apresentável. • Checklists de inspeção e planilhas de lubrificação consolidados. 137UNIDADE 5 Gestão da manutenção autônoma Nesta etapa, o posto de trabalho já deve estar apto a caminhar sozinho e, de acordo com Pereira (2009), o operador já deve estar conscientizado da expressão “do meu equipamento cuido eu” e deve possuir a seguinte capacitação: • Capacidade para identificar anomalias e eliminar falhas. • Capacidade para tomar rápidas decisões, antecipando ou até corrigindo anomalias. • Capacidade de discernimento para identificar a criticidade da situação e tomar ações rápidas. • Capacidade para executar suas atividades com motivação e disciplina. É importante uma rotina de auditoria da manutenção autônoma para garantir a sustentabilidade do pilar. Pilar Manutenção Planejada Assim como o pilar de manutenção autônoma, o pilar de ma- nutenção planejada tem uma grande importância para a me- todologia TPM, pois tem como objetivo a conscientização das equipes em relação às perdas decorrentes das falhas de equi- pamentos, além das mudanças de mentalidade das divisões de produção e manutenção, minimizando falhas e defeitos com o mínimo custo. Este pilar é implementado em seis etapas: • Avaliação do equipamento e levantamento da sua situa- ção atual. • Restauração das deteriorações e melhoria dos pontos deficientes. • Estruturação do controle de informação e de dados. • Estruturação da Manutenção Preventiva. • Estruturação da Manutenção Preditiva. • Avaliação da Manutenção Planejada. Com a manutenção planejada, Pinto (2013) enfatiza que os esforços das pessoas são gradualmente modificados de uma abordagem reativa para uma nova abordagem, com caracterís- ticas proativas. 138 5S e TPM na Manutenção Este pilar tem uma relação muito próxima com as atividades de Planejamento e Controle da Manutenção, apresentadas na Unidade 4. O foco da manutenção planejada é garantir que a organização tenha um plano de manutenção estruturado que possa garantir a confiabilidade e a disponibilidade dos equipamentos, e isso vai ao encontro dos princípios de Planejamento e Controle da Manutenção. Pilar melhorias específicas O foco deste pilar é atuar na erradicação das causas das 6 grandes perdas, como você pode ver a seguir. 6 Grandes Perdas Causa Influência 1 - Quebras 2 - Mudança de Linha Perda por Paralisação Disponibilidade 3 - Operação em Vazio e Pequenas Paradas 4 - Velocidade Reduzida Perda por Queda de Velocidade Performance 5 - Defeitos de Produção 6 - Queda de Rendimento Perda por Defeitos Qualidade Quadro 2 - As 6 Grandes Perdas (TPM) Fonte: adaptado de Kardec e Nascif (2009). Pinto (2013) faz uma relação interessante das influências das 6 grandes perdas, ao associar a Disponibilidade aos Equipamentos, à Perfor- mance, às Pessoas e à Qualidade aos Processos. O objetivo, segundo Kardec e Nascif (2009), é atingir a quebra zero, ou seja, a máquina não pode parar du- rante o período em que foi programada para operar. Vale ressaltar que isso não significa que a máquina nunca pode parar! Ela deveráter paradas previstas para manutenção preventiva, conforme definido no plano de manutenção, desenvolvido pelo Pilar Ma- nutenção Planejada. Algumas medidas importantes na busca pela quebra zero: • Estruturação das condições básicas para a operação (limpeza, asseio, lubrificação e ordem mantida). • Obediência às condições de uso: operar os equipamentos dentro das condições e limites estabelecidos. • Corrigir os pontos falhos decorrentes de projeto: corrigir eventuais deficiên- cias do projeto original e fazer previsão da vida média por meio de técnicas de diagnóstico. • Regeneração do envelhecimento: restaurar os equipamentos periodicamente, elimi- nando o envelhecimento e também as suas causas; ter domínio das anomalias que cau- sam a degradação dos componentes inter- nos por meio dos 5 sentidos das pessoas e das técnicas e instrumentos que fornecem as condições das máquinas (vibração, tem- peratura, espessura etc.). • Incrementar capacidade técnica: capaci- tar e desenvolver o elemento humano de modo que ele possa perceber, diagnosticar e atuar corretamente no equipamento. 139UNIDADE 5 Pilar educação e treinamento O pilar Educação e Treinamento tem como objetivo desenvolver no- vas habilidades e conhecimentos, tanto para as equipes de operação quanto de manutenção. Ele parte do conceito médico - enfermeiro, no qual o médico seria o manutentor, detentor de conhecimento técnico específico, e o enfermeiro, o operador, que faz o acompa- nhamento e os cuidados básicos com o paciente que, no caso, seria o equipamento. Para que este pilar atinja o objetivo esperado, Pereira (2009) ressalta que os treinamentos nas organizações devem ser encara- dos de forma ampla e estratégica. O objetivo dos treinamentos é desenvolver nas equipes as habilidades necessárias para o cuidado que se espera com os equipamentos e processos. Aqui vale ressaltar que habilidade é o poder de agir de forma correta e automaticamente (sem pensar), com base em conheci- mentos adquiridos sobre todos os fenômenos e utilizá-los durante um grande período. As habilidades podem ser classificadas em cinco fases: 1. Fulano não sabe: neste caso, ele não tem total compreensão dos princípios e regras do trabalho e do equipamento, sendo o motivo principal a falta de conhecimento. 2. Fulano conhece a teoria: neste caso, ele conhece os princípios e regras do trabalho e do equipamento, mas não consegue praticá-las por falta de treinamento. 3. Fulano consegue até certo ponto: neste caso, ele age na prá- tica, porém o desempenho é dispersivo e não há reproduti- vidade. A falta de treinamento também é a causa principal. 4. Fulano consegue com segurança: neste caso, ele aprendeu fazendo e consegue executar as tarefas perfeitamente. 5. O indivíduo consegue ensinar os outros: neste caso, a habili- dade dele está completamente dominada. Consegue ensinar os demais e explicar os porquês. Dentro da filosofia TPM, o operador é uma peça indispensável. Por este motivo, possui algumas habilidades consideradas fun- damentais, como: identificar e aprimorar fontes de pequenos defeitos; entender que limpeza faz parte da inspeção e que é fundamental para o bom fun- cionamento do equipamento; conseguir diagnosticar falhas até certo ponto; conhecer a relação entre as característi- cas de qualidade do produto e o equipamento; aprimorar os conhecimentos relaciona- dos a uma boa operação dos equipamentos. Da mesma forma, dentro da filosofia TPM, é papel do ma- nutentor: dar apoio técnico às atividades da manutenção au- tônoma; garantir a restauração de deteriorações por meio de inspeções, verificações e manu- tenções periódicas; atuar nas fa- lhas de projeto do equipamento; esclarecimento de dúvidas téc- nicas relacionadas à condição operacional do equipamento; aprimorar os conhecimentos em manutenção. Além disso, a aplicação do TPM desenvolve as habilidades e transforma a solução dos pro- blemas da planta em material didático, e reeduca as pessoas para as ações de prevenção, como veremos a seguir. Antes, veja a Figura 4, que mostra a interação entre equipamentos, pessoas, processos e produtos com o TPM: 140 5S e TPM na Manutenção Para concluir, dentro da filosofia TPM, a multi- plicação de conhecimentos pode ser feita pela Li- ção Ponto a Ponto, também conhecida como LPP. Trata-se de um miniprocedimento, feito em uma página, e de forma bem didática e com figuras, de preferência pelo próprio pessoal da produção. As LPPs são disponibilizadas para todos em quadros de gestão à vista. Pilar manutenção da qualidade Este pilar tem por objetivo erradicar falhas no equi- pamento que estejam diretamente relacionadas com a qualidade do produto. Baseia-se no conceito de que os equipamentos em perfeitas condições mantêm a perfeita qualidade dos produtos processados. Pinto TPM Equipamentos Pessoas Processo Produtos Restaurados e disponíveis Proativas e com mais conhecimento Estabilizado e com maior con�abilidade Com qualidade e custos competitivos Figura 4 - Interfaces do TPM Fonte: o autor (2013) também aborda a implementação de sistemas à prova de erro, também chamados de poka-yoke, ca- pazes de inibir a produção de defeitos. O poka-yoke é uma ferramenta de gestão que ajuda a evitar falhas humanas nos processos. Pilar controle inicial O chamado Controle Inicial, de acordo com Perei- ra (2009), consiste em um conjunto de ações que tem por objetivo atingir a Prevenção da Manuten- ção, isto é, iniciar estudos para aquisição de um determinado ativo, em que as áreas envolvidas se preocupem com a manutenção deste novo equi- pamento. Isso inclui facilidade de acesso, qualida- de dos componentes, proteções de partes móveis efetivas, itens sobressalentes etc. 141UNIDADE 5 Pilar áreas administrativas O principal objetivo deste pilar é eliminar desperdício e perdas geradas pelo trabalho de escritório. É necessário que todas as atividades organizacionais sejam eficientes. Os departamentos são tratados como fábricas de informações e, dessa forma, busca-se melhorias no processamento das informações recebidas, de forma que as informações fornecidas sejam ágeis e confiáveis. Pinto (2013) elenca algumas perdas comumente ocorridas em escritórios: • Perdas de processamento. • Perdas (custo) em áreas de apoio, como compras, contabilidade e marketing. • Perdas por falhas de comunicação. • Perdas por paradas ou inatividades. • Perdas por falta de precisão/exatidão das informações. • Perdas por falhas nos equipamentos de escritório. Pilar segurança, saúde e meio ambiente O objetivo deste pilar é proporcionar um sistema que garanta a preservação da saúde e bem-estar dos colaboradores e do meio ambiente, buscando-se o conceito de acidente zero. Pereira (2009) ressalta que existe uma relação de causa e efeito e que, sem uma causa, um acidente (efeito) não acontece, e ainda nos traz algumas definições: • Atitude insegura: é uma predisposição ao acidente, ou seja, algo como a falta de percepção ao perigo que se está exposto. • Ato inseguro: é a ação de desobediência às instruções de um procedimento. Exemplo: não usar os óculos de proteção em serviços de usinagem. • Condição insegura: é a circunstância perigosa que permite ou ocasiona o acidente. Exemplos: piso escorregadio, ferramentas inadequadas, escada sem corrimão. Assim, finalizamos o nosso estudo dos pilares da metodologia TPM. Veja, agora, como ela pode con- tribuir para uma manutenção melhor estruturada e mais eficiente. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 142 5S e TPM na Manutenção Como vimos, a metodologia TPM é amplamen- te aplicável para a melhoria da manutenção de qualquer organização. Neste tópico, abordaremos alguns resultados atingidos por meio da aplicação da metodologia TPM. Tscharf (2010 apud PINTO, 2013, p. 163) nos traz os benefícios alcançados de um caso concreto da indústria automobilística europeia, mostrado no Quadro 3.Resultados da Aplicação do TPM na Manutenção 143UNIDADE 5 Produtividade 90% da redução de paradas Aumento do OEE de 50 para 90% Aumento do MTBF de 10 minutos para 8 horas Qualidade 90% de redução de defeitos de qualidade 67% de redução dos custos de controle da qualidade 75% de redução das reclamações dos clientes Custo 30% de redução dos custos de produção Satisfação das entregas 50% de redução do capital imobilizado em estoques intermediários e de produto acabado 90% de aumento de satisfação das entregas Segurança Acidentes resultantes em danos pessoais reduzidos para zero Acidentes resultantes em danos ambientais reduzidos para zero Comprometimento Aumento de dez vezes mais do número de sugestões de melhoria Duplicação do tempo para formação e treinamento Quadro 3 - Resultados da implementação do TPM na Volvo em Ghent, Bélgica Fonte: Pinto (2013, p. 163). As quebras e falhas podem conduzir à perda ou redução da capacidade produtiva do equipamento ou do processo, sendo consideradas por Fogliatto e Ribeiro (2009) como principal fator de influên- cia no rendimento operacional dos equipamentos, sendo necessário um trabalho árduo no sentido de se reduzi-las. Nas próximas unidades abordaremos o concei- to de Overall Equipment Effectiveness – OEE, conhecido no Brasil como Eficiência Global do Equipamento, e o indicador Mean Time Between Failure - MTBF, também conhecido como Tempo Médio Entre Falhas. Um ponto importante destacado por Fogliatto e Ribeiro (2009, p. 237) refere-se à busca da Quebra Zero com a implementação do TPM. Segundo os autores, faz parte da filosofia TPM buscar incessan- temente a condição de quebra zero, que corresponde a equipamentos operando sem falhas e sem interrup- ção. Vale ressaltar que os autores alegam que esta é uma condição ideal, talvez impossível de ser alcan- çada ou financeiramente proibitiva (custo muito alto para ser atingida), mas que todos devem trabalhar nessa direção, reduzindo continuamente as falhas e interrupções. O conceito OEE nasceu no seio da filosofia TPM nos anos 1970, e resultou da necessidade de ava- liar o desempenho da manutenção integrando esforços de qualidade, disponibilidade e perfor- mance. Fonte: Pinto (2013, p. 64). 144 5S e TPM na Manutenção Entre as ações para se combater quebras e falhas podem ser citadas as de Geremia (2001 apud FOGLIATTO; RIBEIRO, 2009, p. 238): a) Manter as condições básicas para a operação do equipa- mento, no que concerne à limpeza, lubrificação e aperto dos componentes; b) Operar os equipamentos dentro das condições de trabalho estabelecidas; c) Recuperar as partes desgastadas e degradadas; d) Corrigir fragilidades incorporadas no projeto do equipa- mento; e) Capacitar o pessoal operacional e os técnicos de manuten- ção, de modo que possam perceber, diagnosticar e atuar convenientemente. As ações (a) e (b), segundo Fogliatto e Ribeiro (2009), são de res- ponsabilidade da própria equipe de operadores, enquanto (c) é de responsabilidade dos técnicos de manutenção. A ação (d), porém, pode ser feita por ambos, com apoio do setor de engenharia, por possuírem amplo conhecimento técnico e operacional dos equipa- mentos. Por fim, a ação (e) é de responsabilidade do departamento de recursos humanos, conforme alegado pelos autores. Aqui vale ressaltar e é mostrado que o TPM envolve diversos departamentos da empresa. Para finalizar o assunto TPM, muitas organizações de sucesso geralmente seguem um plano de implementação que inclui os se- guintes 10 passos, segundo Gulati e Smith (2009): Passo 1: Faça o anúncio do TPM – a alta gerência precisa criar um ambiente que suporte a introdução do TPM. Sem o apoio da gestão, o ceticismo e a resistência vão matar a iniciativa. Passo 2: Inicie um programa de educação formal – este pro- grama informa e educa todos na organização sobre as atividades, benefícios e a importância da contribuição de todos no TPM. Passo 3: Crie uma estrutura de suporte organizacional – este grupo promoverá, coordenará e manterá equipes baseadas em ati- vidades do TPM. Precisa incluir membros de todos os níveis da organização – da gerência ao chão de fábrica. Essa estrutura pro- moverá comunicação e vai garantir que todos estão trabalhando para o mesmo objetivo. Passo 4: Estabeleça políticas básicas de TPM e metas quantifi- cáveis – analise as condições existentes e, em seguida, estabeleça as políticas do TPM e defina metas atingíveis e realistas. 145UNIDADE 5 Passo 5: Descreva um plano de implantação mestre detalha- do – este plano identificará quais recursos serão necessários, bem como quando eles serão necessários para treinamento, restauração de equipamentos e melhorias, sistemas de gerenciamento de ma- nutenção e novas tecnologias. Passo 6: Inicie o TPM – a implementação do TPM começará nesta fase. Passo 7: Melhore a eficácia de cada equipamento – times de Kaizens de Operações e Manutenção irão analisar cada peça de equipamento e implementar as melhorias necessárias de forma contínua. Passo 7a: Desenvolva um programa de manutenção autônoma para os operadores. Os operadores limpam, inspecionam e execu- tam rotineiramente pequenas tarefas de manutenção que ajudarão a estabilizar e melhorar as condições do equipamento. Passo 7b: Desenvolva um programa de manutenção planejada ou preventiva. Crie um cronograma para manutenção preventiva em cada parte do equipamento. Passo 7c: Identifique perdas/desperdício e implemente o plano de redução. Crie equipes Kaizen para eliminar ou reduzir o des- perdício. Passo 8: Realize o treinamento para melhorar as habilidades tanto da operação quanto da manutenção. O departamento de manutenção assumirá o papel de instrutor, treinando a operação e oferecendo orientação e informações dos equipamentos para as equipes Kaizen. Passo 9: Desenvolva um programa inicial de gerenciamento de equipamentos. Lições aprendidas em operações e manutenção devem ser comunicadas para o processo de design e desenvolvi- mento de novos equipamentos. Confiabilidade e capacidade de manutenção devem ser incorporadas ao novo design. Passo 10: Melhore continuamente. Como em qualquer inicia- tiva Lean, a organização precisa desenvolver uma mentalidade de melhoria contínua. Finalizamos, então, esta unidade sobre a aplicação das me- todologias 5S e TPM na manutenção. Tenho certeza de que seu conhecimento sobre esses temas tão relevantes, tanto para a manutenção quanto para a própria gestão de uma organização, se elevou e sua visão sobre o quanto a manutenção é necessária e estratégica para uma organização também. Aguardo você na próxima unidade! 146 1. A organização do ambiente de trabalho é fundamental para a qualidade. Com o objetivo de melhorar os ambientes de trabalho surgiu o 5S. Leia as definições a seguir: a) Separação entre itens úteis e inúteis nos postos de trabalho. b) Definição de uma norma padrão de arrumação e limpeza para os postos de trabalho. c) Divisão dos postos de trabalho e atribuição de responsabilidades a cada ele- mento do grupo. d) Definição dos locais para cada coisa. e) Prática dos princípios de organização, sistematização e limpeza; eliminação da variabilidade; estabelecimento de procedimentos e controle visual. Associe as definições da primeira coluna com as alternativas: ) ( Organização. ) ( Arrumação. ) ( Limpeza. ) ( Padronização. ) ( Autodisciplina. 2. O Programa 5S tem por objetivo a preparação do ambiente para a implantação da Gestão pela Qualidade Total. Um dos “S” desse programa, Shitsuke, repre- senta a manutenção das melhorias alcançadas com as práticas dos demais “S”. Este senso é o de: a) Organização. b) Ordem. c) Limpeza. d) Asseio. e) Disciplina. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 147 3. Na evolução da manutenção, passamos da manutenção corretiva para a pre- ventiva, mas observou-se que a operação deveria ser inserida em atividades de cuidados básicos dos equipamentos. Em relaçãoàs afirmações a seguir, assinale verdadeiro (V) ou falso (F): ) ( O TPM consiste em uma metodologia brasileira com o objetivo de levar os conceitos de confiabilidade e prevenção na área produtiva, aumentando a sua eficiência. ) ( A metodologia TPM se consolidou por envolver o pessoal de produção na conservação dos equipamentos, trazendo uma mudança de cultura dentro das organizações, buscando o aperfeiçoamento da produtividade do equipamento. ) ( A metodologia TPM é composta por 8 pilares, que envolvem a produção, a manutenção, a qualidade, o RH e o setor de segurança, saúde e meio ambiente. ) ( No pilar de melhoria focada, os operadores serão capacitados para a execu- ção de pequenos reparos, lubrificação e inspeções, mantendo o processo de acordo com padrões estabelecidos e antecipando-se aos problemas potenciais. A sequência correta para a resposta da questão é: a) F, V, V, F. b) F, F, V, V. c) V, F, V, F. d) V, V, V, F. e) V, V, F, V. 4. A Manutenção Produtiva Total (TPM) consiste em um procedimento de admi- nistração da manutenção que se mostrou eficaz e apresentou resultados ex- pressivos na economia japonesa na década de 70. Com relação à metodologia TPM, é correto afirmar: a) Fortalece o senso de equipe e foca na manutenção corretiva. b) As tarefas de manutenção devem ser realizadas apenas por pessoas da ma- nutenção. c) Um único nível hierárquico da empresa deve atuar no processo, ou seja, apenas a alta direção. d) Aborda a avaliação de gaps e treinamento permanente para melhora do de- sempenho. e) Atua basicamente na redução de quebras e defeitos de produção. 148 5. Um dos pilares da metodologia TPM é chamado de melhoria focada. O objetivo deste pilar é identificar e tratar as 6 grandes perdas, descritas a seguir: a) Está relacionada à parada repentina dos equipamentos e, consequentemente, do processo. b) Está associada à operação dos equipamentos em marcha mais lenta que o habitual. c) Está relacionada à produção abaixo da capacidade nominal do equipamento. d) Está associada aos produtos fora do padrão. e) Está relacionada a pequenas interrupções do processo. f) Está associada aos set ups necessários no equipamento e/ou linha de produção. Associe as definições da primeira coluna com as alternativas: ) ( Quebras. ) ( Mudança de linha. ) ( Operação em vazio e pequenas paradas. ) ( Velocidade reduzida. ) ( Defeitos de produção. ) ( Queda de rendimento. 149 Manutenção Produtiva Total – A Bíblia do TPM Autor: Haroldo Ribeiro Editora: Viena Sinopse: TPM (Total Productive Maintenance – Manutenção Produtiva Total) significa a falha zero e quebra zero das máquinas, concomitantemente com defeito zero nos produtos e perda zero no processo. A quantidade de empre- sas que adotam o TPM tem crescido vertiginosamente fora do Japão. À medida que o tema é difundido em eventos, revistas técnicas, livros e até visitas que as empresas fazem entre si, as adesões vão aumentando em função dos resulta- dos alcançados por aquelas que já estão com o TPM mais evoluído. Este livro contém informações sobre os fundamentos, a metodologia e os resultados do TPM, exemplos de resultados conseguidos por empresas bem-sucedidas na implantação. Sobre a metodologia de implantação, que este livro também apresenta, é importante ressaltar: necessidade da implantação no sentido top- -down e do papel da alta direção na condução do TPM; necessidade de que haja a determinação para resultados a médio e longo prazo, já que no início há uma tendência de aumento de custos, principalmente pelo resgate das con- dições básicas do equipamento e a estruturação da manutenção planejada; necessidade de respeitar a metodologia de replicação de equipamentos e a implementação integrada de, no mínimo, os pilares técnicos; necessidade de contextualizar o TPM no sistema de gestão da empresa e a sua integração com outras ferramentas gerenciais. LIVRO 150 Artigo sobre a implantação da metodologia TPM (Total Productive Maintenance) em equipamentos CNC (tornos e centros de usinagem), englobando desde a fase de implantação até a avaliação dos resultados obtidos, mostrando o fortaleci- mento da estrutura empresarial a partir do aumento da eficiência da produção. WEB O Voo da Fênix Ano: 1965 Sinopse: bem no meio do deserto do Saara cai um avião de carga. O piloto Frank Towns (James Stewart) e o navegador Lew Moran (Richard Attenborough) tentam fazer o possível para manter a ordem entre os sobreviventes, homens ligados à indústria petrolífera que não sabem sobreviver no deserto. Alguns se mostram ineptos ou covardes, apesar de se esperar deles alguma determinação, enquanto outros, que se esperava pouco, demonstram uma força interior, principalmente Standish (Dan Dureya). No entanto, o destino de fortes e fracos está nas mãos de Heinrich Dorfmann (Hardy Krüger), que disse ser um projetista de aviões e planeja usar os destroços do avião para fazer outro. Comentário: o filme mostra a importância da liderança e do trabalho em equipe, pontos extremamente importantes para a implementação da metodologia TPM. FILME 151 COSTA JÚNIOR, E. L. Gestão em processos produtivos. Curitiba: Editora Ibpex, 2008. CUIGNET, R. Gestão da Manutenção. Lisboa: Editora Lidel, 2006. DENNIS, P. Produção Lean Simplificada: um guia para entender o sistema de produção mais poderoso do mundo. 2. ed. São Paulo: Bookman, 2008. FOGLIATTO, F. S.; RIBEIRO, J. L. D. Confiabilidade e manutenção industrial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. GULATI, R.; SMITH, R. Maintenance and Reliability Best Practices. New York: Industrial Press, 2009. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: Função Estratégica. 3. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2009. LENZI, F. C.; KIESEL, M. D.; ZUCCO, F. D. Ação empreendedora: como desenvolver e administrar o seu negócio com excelência. São Paulo: Editora Gente, 2010. NAKAZATO, K. Manual de implantação do TPM. Japão: JIPM - Japan Institute of Plant Maintenance, 1999. PEREIRA, M. J. Engenharia de Manutenção – Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2009. PINTO, J. P. Manutenção Lean. Lisboa: Ed Lidel, 2013. 152 1. A, D, C, B, E. 2. E. 3. A. 4. D. 5. A, F, E, B, D, C. 153 154 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Conceituar o Overall Equipment Effectiveness (OEE). • Aprender a calcular o Overall Equipment Effectiveness (OEE). • Compreender como o Overall Equipment Effectiveness (OEE) pode contribuir para a melhoria dos processos, equipamentos e sua relação com a Manutenção. Conceito de Overall Equipment Effectiveness (OEE) Cálculo do Overall Equipment Effectiveness (OEE) Overall Equipment Effectiveness (OEE) como Ferramenta de Melhoria Contínua na Manutenção Me. Alessandro Trombeta Overall Equipment Effectiveness (OEE) O Conceito de Overall Equipment Effectiveness (OEE) Caro(a) aluno(a), que bom nos encontramos no- vamente para falar de Manutenção! E nesta unida- de, o assunto é o Overall Equipment Effectiveness, conhecido pela sigla OEE e traduzido no Brasil como Eficiência Global do Equipamento. Trata-se de um indicador utilizado para ajudar na identi- ficação e na erradicação de perdas do processo produtivo, sejam elas relacionadas a paralisações, quedas de velocidade, sejam a defeitos. Podemos dizer que é uma ferramenta de exce- lente potencial para as organizações que buscam processos mais eficientes e, se usada em conjunto com o planejamento estratégico das organizações, renderá excelentes frutos. 157UNIDADE 6 Para se manter no mercado, a empresa precisa inovar, ir além, conhecer os seus inimigos ocultos e estar constantemen- te trabalhando com melhoria contínua. Neste contexto, o OEE surge como um indicador robusto, que mostra com clareza o rendimento global do processo, integrando todas as possíveis influências na eficiência do equipamento, tornando visíveis as perdas e as suas respectivas causas. Slack et al. (2013) afirmam que a medição doOEE consiste em um método de avaliação da eficácia da capacidade que incorpora o conceito de perda de capacidade, ou seja, redução na capacidade disponível de alguma parte do equipamento ou do processo. Como vimos na unidade anterior, o pilar melhorias específicas da metodologia TPM aborda a eliminação das chamadas 6 grandes perdas e Pinto (2013) mostra que existe uma relação entre TPM e OEE, como mostra a Figura 1. TEMPO DISPONÍVEL TEMPO DE OPERAÇÃO TEMPO ÚTIL OEE = DISPONIBILIDADE x PERFORMANCE x QUALIDADE TEMPO OPERACIONAL DISPONÍVEL AS SEIS GRANDES PERDAS Equipamentos Pessoas Processos 1. 2. Quebras Mudanças de linha 3. 4. Operações em vazio/pequenas paradas Velocidade reduzida 5. 6. Defeitos de produção Queda no rendimento Figura 1 – Eliminação das 6 grandes perdas por meio do OEE Fonte: Pinto (2013, p. 131). Na Figura 1, podemos entender a relação entre as seis grandes per- das e o OEE, além dos seus impactos nos tempos operacionais. A Figura também mostra a relação do OEE com equipamentos (por meio da disponibilidade), pessoas (por meio da performance) e pro- cessos (por meio da qualidade). Não basta uma planta operar sem paradas (disponibilidade 100%) se ela não atinge a sua capacidade nominal (performance de 100%), ou se, mesmo com disponibilidade e performance de 100%, não consegue produzir com qualidade. 158 Overall Equipment Effectiveness (OEE) Este é o conceito do OEE: identificar as perdas de equipamentos e processos para eliminá-las, melhorando processos, pessoas e equipamentos. Esse indicador se baseia em três vertentes: disponi- bilidade, performance e qualidade, conforme mostra a Figura 2. A Tempo de operação total Paradas planejadas Paradas não planejadas Pequenas paradas/redução de produção Produtos reprovados Tempo em operação Produção programada Produção real Produção real Produção aprovada Tempo disponível B C OEE = B/A x D/C x F/ED E F Figura 2 - Representação gráfica e forma de cálculo do OEE Fonte: o autor. Índice de Disponibilidade O Índice de Disponibilidade, de acordo com Pe- reira (2009), indica o quanto estamos utilizando dos nossos equipamentos ou processos, ou seja, qual é o impacto das paradas por manutenção corretiva e ajustes (set ups) no desempenho total. Este índice é calculado considerando-se o tem- po em que o equipamento e/ou processo esteve em operação em relação ao tempo total disponível para isso, como mostra a Equação 1. “Sabemos hoje que o equipamento também é responsável pelo desempenho de fatores relacio- nados à qualidade, segurança e meio ambiente, razão pela qual esses índices também precisam ser monitorados pela empresa. Surge, então, a necessidade do monitoramento de um índice global de eficiência, que se sobrepõe a todos os anteriores: a medição da eficiência global do equipamento - OEE (Overall Equipment Effecti- veness)”. Fonte: Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011, p. 72). (1) Disponibilidade = Horas de Operação Tempo Total Disponível Para facilitar o entendimento, vamos tratar cada vertente individualmente. Dessa forma, se um equipamento apresentou 4 paradas de 2 horas cada, em um dia de operação (tempo total disponível de 24 horas), seu índice de disponibilidade será (24 – 4x2)/24 = 66,7%. 159UNIDADE 6 É importante ressaltar que este cálculo pode ser feito tanto para um equipamento quanto para uma linha ou até um processo. Como exemplo, vamos considerar uma linha de produção operando 24 horas por um período de um mês, e esta linha apresentou 5 interrupções no período: • 2 horas de parada por falta de vapor. • 3 horas de parada por falta de energia elétrica. • 6 horas de parada em função de quebra de um dos equipamentos principais da linha. • 8 horas de parada em função de quebra do compressor que fornece ar comprimido para a linha. • 4 horas de parada por falta de matéria-prima. Assim, temos: Tempo total disponível: 30 dias x 24 horas = 720 horas Tempo total de paralisação da linha: 2 + 3 + 6 + 8 + 4 = 23 horas Tempo total de operação da linha: 697 horas Índice de Disponibilidade da Linha: 697/720 = 96,8% Neste ponto, é válido ressaltar a importância da estratificação dos motivos das paralisações e das tratativas das causas em planos de ação. Isso tra- rá mais competitividade para a planta e, conse- quentemente, mais produção com menores cus- tos, além de mais segurança para as equipes de operação e de manutenção. Índice de Performance Não basta uma planta estar com os equipamen- tos em pleno funcionamento se não tivermos produto saindo no final da linha. Se isso esti- ver ocorrendo, estamos com os equipamentos trabalhando “em vazio”. Da mesma forma, o equipamento em operação não garante que a capacidade nominal esteja sendo atingida. O Índice de Disponibilidade, infelizmente, não nos diz nada sobre isso, apenas nos mostra se os equipamentos estão ligados ou não. (2) Performance = Produção Real Produção Programada Para resolver essa situação, temos o Índice de Performance, que irá indicar o quanto o processo está próximo da sua capacidade total, levando em consideração o impacto das perdas por ociosida- de, pequenas interrupções, equipamentos rodan- do em vazio e velocidade de trabalho reduzida (máquina operando abaixo da capacidade) (PE- REIRA, 2009). O Índice de Performance é calculado levan- do-se em consideração a produção real e o que o processo e/ou equipamento poderia ter pro- duzido no período de tempo em que esteve em operação, como mostra a Equação 2. Como exemplo, vamos considerar que no final de um dia (24 horas de operação), o estoque foi incre- mentado em 20 toneladas de produto acabado. Con- tudo, a programação era de 24 toneladas e, assim, temos um Índice de Performance de 20/24 = 83,3%. 160 Overall Equipment Effectiveness (OEE) Índice de Qualidade Não menos importante que os demais, o Índice de Qualidade irá indicar o percentual da produção que está atendendo a todas as especificações, ou seja, os produtos que foram aprovados (PEREIRA, 2009). Ele é calculado pela Equação 3, conside- rando a produção aprovada e a produção total (real) que o processo e/ou equipamento gerou no período de tempo em que esteve em operação. (3) Qualidade = Produção Aprovada Produção Real Com o OEE podemos calcular a eficiência das máquinas de um determinado processo indus- trial e identificar a máquina “gargalo”. “O termo “máquina gargalo” se refere àquele equipamento cuja capacidade operacional é mais baixa em relação aos demais. Se deixar de funcionar, este equipamento influenciará drasticamente no al- cance da meta de produção”. Fonte: Pereira (2009, p. 77). Agora que entendemos o fundamento da dis- ponibilidade, performance e qualidade, vamos aprender a calcular o OEE. 161UNIDADE 6 A engenharia nos coloca frente a frente com novos conhecimentos, nos dá habilidades para interpre- tar, raciocinar mais rápido e propor soluções aos equipamentos e processos, sempre buscando a melhoria contínua. Para um engenheiro, entender o conceito do OEE e saber colocá-lo em prática com certeza será um diferencial em sua carreira. Aqui vamos aprender a calcular o OEE utili- zando os conceitos apresentados anteriormente. O OEE é o resultado da multiplicação dos três índices que vimos anteriormente e que possuem uma forte relação com o processo e o resultado deste: a produção. O Cálculo do Overall Equipment Effectiveness (OEE) 162 Overall Equipment Effectiveness (OEE) Pinto (2013) considera que um OEE de classe mundial é da ordem de 85%. Assim, podemos di- zer que o OEE de 85% equivale a 90% de disponi- bilidade, 95% de performance e 99% de qualidade. Por exemplo, considere uma indústria operando 24 horas por dia. A capacidade nominal da planta é de 200 peças/hora. No último mês, foram 720 horas de operação e com as seguintes paradas de processo: • 32 horas por falhas mecânicas e elétricas. • 18 horas por falhas operacionais. • 10 horas por falta de energia elétrica. • 5 horas por falta de vapor. Aprodução mensal foi de 125.321 unidades, po- rém somente 122.456 foram aprovadas. Qual foi o OEE da planta no mês em questão? A resposta será construída passo a passo, para facilitar o entendimento. OEE = DISPONIBILIDADE x PERFORMANCE x QUALIDADE Primeiro, começaremos pelo índice de dispo- nibilidade. Considerando o tempo total, de 720 horas, precisamos descontar deste tempo as horas de parada: 32 + 18 + 10 + 5 = 65 horas. Assim, 720 - 65 = 655 horas de operação. O índice de disponibilidade será 655/720 = 90,97%. O próximo passo é calcular o índice de per- formance. Considerando que a planta operou por 655 horas no mês em questão, subtraindo as paradas, a quantidade de peças esperadas seria de 655 x 200 = 131.000 peças no mês. Fazendo a relação entre as peças produzidas e as espera- das, temos o índice de performance do processo: 125.321/131.000 = 95,67%. Consideremos a qualidade. Dividindo-se as peças aprovadas pelas produzidas teremos o índice de qualidade: 122.456/125.321 = 97,71%. Agora, já podemos calcular o OEE: OEE = 90,97% x 95,67% x 97,71% = 85,04% A Tempo de operação total Paradas planejadas 65 horas 5.679 peças 2.865 peças Tempo em operação = 655 horas Produção programada = 131.000 peças Produção real = 125.321 peças Produção real = 125.321 peças Produção aprovada = 122.456 peças Tempo disponível = 720 horas B C OEE = B/A x D/C x F/E OEE = 655/720 x 125.321/131.000 x 122.456/125.321 OEE = 85,04% D E F A Figura 3 mostra a representação do OEE. Figura 3 - Representação gráfica do OEE Fonte: o autor. 163UNIDADE 6 Pereira (2009) também apresenta uma forma de cálculo a partir do tempo de ciclo da máquina, como demonstrado a seguir: • Disponibilidade = (Tempo Disponível – Tempo Paradas) / Tempo Disponível • 1.1 Tempo Disponível = Tempo total dos turnos (h/ mês) – Tempos Programados (h/mês) • 1.2 Tempo de Paradas (h/mês) que seriam os eventos não programados. • Performance = (TCM x Total de Peças) / Tempo Operacional • 2.1 TCM = Tempo de Ciclo da Máquina (h) • 2.2 Total de peças produzidas no mês • 2.3 Tempo Operacional = Tempo Disponível (h) – Tempo de Paradas (h) • Qualidade = (Total de Peças – Total de Peças com Defeito) / Total de Peças Vamos trabalhar nesse exemplo de Fogliatto e Ribeiro (2009): seja um equipamento que deveria trabalhar oito horas por dia duran- te 20 dias úteis de um determinado mês. Contudo, durante esse período, devido a quebras e ajustes, o equipamento permaneceu parado durante 22,5 horas. O tempo de ciclo teórico, informado pelo fabricante do equipamento, corresponde a uma peça por minuto. Contudo, durante as horas de funcionamento, no mês em questão, foram produzidas 7.600 peças. Dentre essas peças, 95 foram consi- deradas não conforme. Utilize esses dados e calcule a disponibilida- de, performance, qualidade e OEE para esse equipamento e período. “Unidade de tempo: “h” (horas) Período: mês ou quantidade de dias trabalhados, inclusive horas extras ordinárias Tempos programados: intervalos de refeição, ginástica laboral etc.” Fonte: Pereira (2009, p. 78). 164 Overall Equipment Effectiveness (OEE) Vamos resolver o problema por partes, calculando separada- mente cada item que compõe o OEE: Tempo de Operação Total: 8 horas x 20 dias = 160 horas Como não temos paradas programadas nesse período: Tempo Disponível = 160 horas Disponibilidade = (Tempo Disponível – Tempo Paradas) / Tempo Disponível Disponibilidade = (160 – 22,5) / 160 = 85,9% Para calcular o índice de performance, precisamos conhecer a pro- dução que poderia ser atingida nas horas trabalhadas. Assim, temos: 1 peça por minuto equivale a 60 peças por hora: TCM = 1 hora/60 peças = 0,0167 hora/peça Total de Peças = 7.600 peças Tempo Operacional = Tempo Disponível – Tempo de Paradas = 160 horas – 22,5 horas = 137,5 horas Performance = (TCM x Total de Peças) / Tempo Operacional Performance = (0,0167 hora/peça x 7.600 peças) / 137,5 horas = 92,2 % Total de Peças = 7.600 peças Total de Peças com Defeito = 95 peças reprovadas Qualidade = (Total de Peças – Total de Peças com Defeito) / Total de Peças Qualidade = (7.600 peças – 95 peças) / 7.600 peças = 98,8% Com essas informações, podemos calcular o OEE para o equipa- mento: OEE = 85,9% x 92,2% x 98,8% = 78,2% 165UNIDADE 6 O valor do OEE foi menor que 85%, logo, segundo os autores, esse equipamento oferece ampla opor- tunidade de melhoria, e complementam alegando que a disponibilidade resultou em um valor menor que 90%, bem como a qualidade inferior a 99%, o que indica que as melhorias deveriam se concentrar em ações que possam influenciar essas parcelas. A Figura 4 mostra a representação gráfica deste exemplo. Para a produção programada, foi consi- derado o seguinte cálculo: 137,5 horas x 60 peças/hora = 8.250 peças. A Tempo de operação total Paradas planejadas 22,5 horas 650 peças 95 peças Tempo em operação = 137,5 horas Produção programada = 8.250 peças Produção real = 7.600 peças Produção real = 7.600 peças Produção aprovada = 7.505 peças Tempo disponível = 160 horas B C OEE = B/A x D/C x F/E OEE = 137,5/160 x 7.600/8.250 x 7.505/7.600 OEE = 78,2% D E F Figura 4 - Representação gráfica do OEE Fonte: o autor. Até aqui aprendemos o conceito do OEE e também como ele é cal- culado, e vimos o quanto este indicador é importante para mostrar de forma clara as perdas de um processo industrial. No próximo tópico, veremos o quanto a aplicação deste indicador pode contri- buir dentro do processo de manutenção. Entendendo o conceito do OEE 166 Overall Equipment Effectiveness (OEE) Quando pensamos em um processo industrial devemos ter em mente que temos um grande de- safio de fazer com que a organização cresça de forma sustentável. Para que esse desafio se des- dobre em ações concretas que gerem resultados, as boas práticas de manutenção e de produção precisam fazer parte da rotina da organização. Essas boas práticas, segundo Cuignet (2006), têm uma grande influência no OEE, e sua distribuição ocorre conforme Quadro 1. Overall Equipment Effectiveness (OEE) Como Ferramenta de Melhoria Contínua na Manutenção 167UNIDADE 6 Boas Práticas de Manutenção Boas práticas de Produção Índice de Disponibilidade 80% 20% Índice de Performance 50% 50% Índice de Qualidade 20% 80% Quadro 1 - Influência das boas práticas de produção e manutenção no OEE Fonte: Cuignet (2006, p. 76). A metodologia TPM consolidou-se por envolver o pessoal de pro- dução na conservação dos equipamentos, trazendo uma mudança de cultura dentro das organizações, buscando o aperfeiçoamento da produtividade do equipamento, ao invés de apenas consertar e restaurar as condições normais de trabalho. Por outro lado, o OEE, segundo Pinto (2013), representa uma oportunidade para a melhoria do negócio, levando os gestores a considerarem o impacto que cada um dos departamentos tem no desempenho global das suas organizações e a buscarem a eliminação das perdas dos equi- pamentos e processos envolvidos. A Figura 5 mostra que precisamos utilizar o OEE para identificar e reduzir as 6 grandes perdas, aumentando dessa forma os níveis de disponibilidade e confiabilidade da organização. “A implementação da TPM na Volvo em Ghent, Bélgica, trouxe um aumento do OEE de 50% para 90%”. Fonte: Tscharf (2010 apud Pinto, 2013, p. 163). 168 Overall Equipment Effectiveness (OEE) Viu como a manutenção é importante dentro de uma organização? E se tratada de maneira estratégica, alinhada ao planejamento e às metas globais da organização, contribuirá para a redução de perdas, otimização de processos e atingimento de melhores resultados. E, com esse pensamento, terminamos mais uma unidade rumo à excelência na manutenção. Por falar em excelência, a próxima unidade abor- dará o conceito de Manutenção Centrada em Confiabilidade. Ficou curioso? Estou te aguardando lá Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. R ED U Z IR VIBRAÇÃORUÍDO TEMPERATURA CONSUMO DE ENERGIA INTERRUPÇÕES TEMPO DE PARADA CUSTO A U M EN TA R RENDIMENTO VIDA ÚTIL CONFIABILIDADE VELOCIDADE DISPONIBILIDADE PARA Figura 5 - Conversão de perdas em resultados Fonte: Kardec e Nascif (2009, p.199). 169 1. A ferramenta OEE é extremamente útil na identificação e resolução de problemas relacionados a perdas. Leia as afirmações a seguir: I) O termo Disponibilidade refere-se à performance de um processo ou equi- pamento. II) O termo Performance refere-se à influência das perdas por pequenas inter- rupções e “velocidade” de trabalho reduzida. III) O termo Tempo de Ciclo corresponde ao Tempo Disponível / Tempo de Paradas. IV) Um OEE é considerado de classe mundial se o seu valor for superior a 85%. Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas: a) Somente as afirmativas I e II estão corretas. b) Somente as afirmativas II e IV estão corretas. c) Somente as afirmativas IV está correta. d) Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas. e) Nenhuma das alternativas anteriores está correta. 170 2. Uma empresa de manufatura tem uma capacidade nominal de produção de 300 peças/hora, independentemente do tipo de peça, e trabalha em 3 turnos de produção. No último mês, a empresa produziu 6 lotes de peças diferentes, em 26 dias (a empresa não opera aos domingos). Os tempos de parada estão descritos a seguir: • Falta de matéria-prima: 2 horas. • Falta de energia elétrica: 8 horas. • Troca de ferramentas (set up): 46 horas. • Parada por enrosco de peça na linha: 22 horas. • Quebra de equipamentos: 32 horas. A quantidade total de peças no mês foi de 148.365 peças. Destas, 1.258 unida- des foram reprovadas pelo departamento de qualidade da empresa. Com base nestas informações, qual foi o OEE do processo no mês em questão? 171 3. Uma indústria de peças adquiriu um sistema MES para monitorar os indicadores industriais de forma “on-line” e melhorar a sua performance. Um dos indica- dores a ser monitorado será o OEE. A tabela, a seguir, apresenta os dados da empresa referentes ao mês de fevereiro de 2013, para o equipamento “B”, que opera 24 horas/dia durante 7 dias na semana. A velocidade nominal do referido equipamento é de 200 unidades/hora. Semana 1 Semana 2 Semana 3 Semana 4 Mês Paradas por quebras do equipamento “B” (horas) 14 21 7 28 Paradas do equipa- mento “B” por falta de matéria-prima (horas) 5 2 6 10 Velocidade real do equipamento “B” (uni- dades/hora) 198 185 200 170 Quantidade produzida (unidades) 28.645 27.195 30.678 23.800 Quantidade aprovada (unidades) 28.265 26.988 30.211 ? Complete a tabela com os dados referente ao mês e, com base nas informações anteriores, sabendo que o OEE do mês foi de 75,00%, qual será a quantidade de produtos aprovada na semana 4? 172 Eficiência Global dos Equipamentos: uma Poderosa Ferramenta de Produ- ção/Manutenção para o Aumento dos Lucros Autor: Robert C. Hansen Editora: Bookman Sinopse: este livro aborda um importante tema do sistema produtivo: a medi- ção da eficiência (ou ineficiência) dos ativos produtivos nas empresas em geral. O assunto ganha importância ainda maior em um país como Brasil, que tem uma das mais altas taxas de juros do mundo, o que onera substancialmente os investimentos em ativos fixos. Sumário: Capítulo 1 - Entendendo o poder da eficiência global dos equipamentos (OEE); Capítulo 2 - Aprendendo os conceitos básicos das medidas da OEE; Capítulo 3 - Aspectos financeiros da OEE; Capítulo 4 - O fator humano; Capítulo 5 - Ferramentas de decisão e priorização; Capítulo 6 - Estratégias para as paradas temporárias dos equipamentos; Capítulo 7 - Con- fiabilidade; Capítulo 8 - Análise da performance de um sistema/confiabilidade/ disponibilidade e sustentabilidade; Capítulo 9 - Uma ferramenta geral para testes de aceitação; Capítulo 10 - Sucesso ou fracasso. LIVRO 173 Este site apresenta de forma didática o cálculo do OEE e também disponibiliza planilhas e demais recursos para facilitar o entendimento da metodologia. WEB O link leva a um artigo sobre a aplicação do OEE a um processo industrial. WEB Coach Carter - Treino Para a Vida Ano: 2005 Sinopse: em 1999, Ken Carter retorna para sua antiga escola em Richmond, Califórnia, aceitando se tornar o treinador do time de basquete para colocá-lo em forma. Com muita disciplina e regras duras, ele consegue fazer a equipe vencer. Contudo, quando as notas dos jogadores começam a baixar, Carter fecha o ginásio e interrompe o campeonato. O treinador é criticado pelos jogadores e seus pais, mas está determinado a fazer com que os jovens sejam vencedores tanto na escola quanto na quadra. Comentário: o filme fala sobre liderança e papel do líder para o bom trabalho em equipe. A disciplina trazida pelo treinador nos leva a refletir sobre a discipli- na que precisamos ter em um ambiente organizacional, para que os objetivos sejam alcançados. FILME 174 CUIGNET, R. Gestão da Manutenção. Lisboa: Editora Lidel, 2006. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: Função Estratégica. 3. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2009. MORTELARI, D.; SIQUEIRA, K.; PIZZATI, N. O RCM na quarta geração da manutenção de ativos. São Paulo: RG Editores, 2011. PEREIRA, M. J. Engenharia de Manutenção - Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2009. PINTO, J. P. Manutenção Lean. Lisboa: Lidel, 2013. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R.; BETTS, A. Gerenciamento de operações e de processos. Princí- pios e práticas de impacto estratégico. Tradução de Luiz Claudio de Queiroz Faria. Porto Alegre: Bookman, 2013. 175 1. 1) B. 2. 2) Para responder à questão, basta seguir o procedimento de cálculo, começando pela disponibilidade, depois performance e, por último, qualidade, conforme a seguir: Disponibilidade = [(26*24)-(2+8+46+22+32)]/(26*24) = 514/624 = 82,37% Performance = 148.365/(514*300) = 148.365/154.200 = 96,21% Qualidade = (148.365 - 1.258)/148.365 = 99,15% OEE = Disponibilidade x Performance x Qualidade OEE = 82,37% x 96,21% x 99,15% = 78,58% 78,58%. 3. 22536 peças. Com as horas paradas, calcular a disponibilidade em relação ao mês (720 horas). Em seguida, calcular a performance, com a soma das quantidades produzidas em relação ao que poderia ser produzido (quantidade de horas de operação x 200 peças/hora). Com o OEE, é possível calcular o índice de qualidade e, a partir dele, calcular a quantidade total e a quantidade apenas da semana 4. 176 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Entender o conceito de confiabilidade. • Saber interpretar os termos relacionados à confiabilidade. • Implementar análises de modo e efeito de falhas. • Saber como conduzir uma análise de falhas. • Calcular os indicadores relacionados à confiabilidade e manutenção. Conceito de Manutenção Centrada em Confiabilidade Termos e Definições em Manutenção Centrada em Confiabilidade Análises de Causas Raízes de Falhas Indicadores de Desempenho de Confiabilidade Análise de Modos e Efeitos de Falha (FMEA) Me. Alessandro Trombeta Manutenção Centrada em Confiabilidade Conceito de Manutenção Centrada em Confiabilidade Caro(a) aluno(a), até agora falamos de vários te- mas relacionados à manutenção. O que acha de aprender mais sobre o conceito de confiabilidade? Olha, muitas vezes nos deparamos com grandes problemas em equipamentos e instalações e logo vem a pergunta: por que ninguém viu isso antes? Para evitar esse tipo de problema e para que se possa atingir a máxima eficiência de um equi- pamento de uma célula de produção ou de uma planta, é preciso agir preventivamente, anteci- pando-se aos possíveis problemas que possam ocorrer. Assim, é fundamental o conhecimento dos conceitos de confiabilidade. 179UNIDADE 7 A Manutenção Centrada em Confiabilidade, tam- bém conhecida como Reliability Centred Mainte- nance (RCM), conforme definição de Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011) consiste em um processo usado para se determinar– sistemática e cienti- ficamente – o que deve ser feito para assegurar que os sistemas físico-operacionais continuem a atender as necessidades de seus usuários. O RCM proporciona a obtenção de uma rápi- da, sustentável e substancial melhoria na dispo- nibilidade e confiabilidade da planta, bem como da qualidade do produto, aspectos de segurança e meio ambiente. Portanto, é uma metodologia desenvolvida para a gestão de ativos complexos e com alta criticidade. Pereira (2009) complementa a definição de RCM afirmando que sua função é assegurar que quaisquer componentes de um ativo ou sistema operacional mantenham suas funções, sua con- dição de uso com segurança, qualidade, econo- mia e que seu desempenho não degrade o meio ambiente. A confiabilidade é a probabilidade de um equipamento operar, sem falhas, durante um período de tempo predeterminado. A determinação da confiabilidade deve sempre estar associada a um período de tempo. À medida que se aumenta o tempo de avaliação, maior é a chance de acontecerem falhas, ou seja, menor será a confiabilidade da máquina ou do ferramental. Fonte: Pereira (2009, p. 15). A RCM é amplamente utilizada na indústria aeronáutica, de alimentos, de celulose, de automóveis, do petróleo, entre outros segmentos. Fonte: Pereira (2009, p. 111). O conceito de Manutenção Centrada em Confiabilidade nasceu, segundo Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011), nas atividades de manutenção de aviões civis, na década de 60. A necessidade surgiu quando as empresas aéreas, naquela época, começaram a compreender que muitas das filosofias de manutenção eram somente muito onerosas e, por outro lado, vivamente perigosas. Os autores ainda afirmam que a RCM se consolidou como uma ferramenta que possibilita aos usuários a resposta para os seguintes desafios: • Seleção das técnicas mais apropriadas. • Tratar cada tipo de processo de falha. • Atender as expectativas de donos, usuários dos ativos e sociedade em geral. • Buscar o melhor custo-benefício. • Obter cooperação e participação ativa de todo o pessoal envolvido. 180 Manutenção Centrada em Confiabilidade A Manutenção Centrada em Confiabilidade, segundo Mortelari, Si- queira e Pizzati (2011, p. 77-79), está baseada nos seguintes preceitos: • uma falha é caracterizada por uma condição não satisfatória e pode ser detectada pelas equipes de produção (falha fun- cional) ou descobertas pelas equipes de manutenção (falhas potenciais); • as consequências das falhas funcionais determinam a prio- ridade de atendimento da manutenção: podem envolver segurança, produtividade, custos e até qualidade; • se um item ou equipamento apresentar um risco de falha não aceitável, principalmente se envolver segurança, o item/ equipamento deve ser reprojetado com o objetivo de alterar as consequências das falhas e o risco de sua ocorrência; • todas as consequências das falhas, incluindo as econômicas, são estabelecidas por meio de características de projeto dos equipamentos e podem ser alteradas somente através de mudanças básicas no projeto; • todos os equipamentos apresentam um nível de confiabilida- de definida no projeto, chamada de confiabilidade inerente. Os planos de manutenção são desenvolvidos para assegurar que a confiabilidade inerente de cada item seja alcançada, porém nenhuma forma de manutenção pode resultar em um nível de confiabilidade além daquela inerente ao projeto. Em meados de 1970, o Departamento de Defesa dos EUA autori- zou a elaboração de um relatório sobre a confiabilidade na avia- ção. Este foi escrito pelos engenheiros Stanley Nowlan e Howard Heap, da United Airlines. Até hoje este relatório é um dos mais importantes no gerenciamento da confiabilidade operacional de ativos físicos. Passou por revisões em 1988 e 1993 e foi utilizado no desenvolvimento dos programas de manutenção das modernas aeronaves Boeing 777 e Airbus 330/340. Fonte: adaptado de Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011). 181UNIDADE 7 Ao longo das últimas décadas, a metodologia RCM tem sido apli- cada nos mais diversos segmentos de mercado e das mais variadas formas, sempre apresentando resultados benéficos a quem a utiliza. A Manutenção Centrada em Confiabilidade, de acordo com Moubray (1992), tem se consolidado como um processo usado para determinar as necessidades de manutenção de qualquer ativo físico no seu contexto operacional, assegurando que um ativo físico continue a fazer o que seus usuários querem que ele faça. A base da RCM consiste no conceito de que a manutenção deve estar atrelada ao contexto operacional do ativo e, por tratar-se de um processo, pode ser dividido em sete etapas, comumente conhecidas como as sete questões básicas da RCM, segundo Moubray (1997 apud FOGLIATTO; RIBEIRO, 2009, p. 218): 1. Quais são as funções e padrões de desempenho do item no seu contexto operacional atual? 2. De que forma ele falha em cumprir suas funções? 3. O que causa cada falha funcional? 4. O que acontece quando ocorre cada falha? 5. De que forma cada falha tem importância? 6. O que pode ser feito para prevenir cada falha? 7. O que deve ser feito se não for encontrada uma tarefa pre- ventiva? Os conceitos de confiabilidade e qualidade são frequentemente confundidos entre si. A principal diferença entre esses dois con- ceitos é que a confiabilidade incorpora a passagem do tempo; o mesmo não ocorre com a qualidade, que consiste em uma des- crição estática de um item. Uma alta confiabilidade implica alta qualidade; o contrário é que pode não ser verdade. Fonte: Fogliatto e Ribeiro (2009, p. 5). Viu como é importante essa avaliação do equipamento no seu con- texto operacional? A seguir, abordaremos os principais conceitos relacionados à confiabilidade. 182 Manutenção Centrada em Confiabilidade Antes de dar continuidade ao assunto, é preciso definir alguns termos importantes utilizados em um programa de Manutenção Centrada em Con- fiabilidade. Os termos e definições nos ajudarão a entender os conceitos e alvos a serem atingidos. Esses termos foram definidos por Siqueira (2009). Termos e Definições em Manutenção Centrada em Confiabilidade 183UNIDADE 7 Funções Função pode ser definida como aquilo que o usuário deseja que o item ou sistema faça den- tro de um padrão de desempenho especificado. Dentro do conceito de Manutenção Centrada em Confiabilidade, é de fundamental importância que as definições das funções sejam estabeleci- das para posterior identificação das atividades de manutenção recomendadas para cada sistema. Como regra geral, é importante identificar as funções em sua ordem de importância, observan- do os seguintes aspectos: • Segurança pessoal. • Meio ambiente. • Operação da instalação. • Economia do processo. • Instrumentação e controle. A função principal de um item físico está associa- da, principalmente, à razão pela qual o ativo foi adquirido. O objetivo principal da manutenção é assegurar o desempenho mínimo dessas funções. Falhas Uma falha, por definição, consiste na interrupção da capacidade de um item desempenhar uma fun- ção requerida ou esperada. Quando o assunto é a Manutenção Centrada em Confiabilidade, um novo conceito de falha passa a valer: a falha passa a ser definida como a cessação da função reque- rida de um item ou incapacidade de satisfazer a um padrão de desempenho previsto. Dessa forma, Kardec e Nascif (2009) comple- mentam afirmando que a falha pode também ser representada pela redução da produção, pela operação em regime instável e até pela queda de qualidade do produto. Para se alcançar os objetivos da Manutenção Centrada em Confiabilidade, Siqueira (2009) de- fine dois tipos de falhas: • Tipo 1 - Falha Potencial: definida como uma condição identificável e mensurável que indica uma falha funcional em proces- so de ocorrência. • Tipo 2 - Falha Funcional: definida pela in- capacidade de um item desempenhar uma função específica dentro de limites deseja- dos de desempenho. As falhas funcionais podem ser classificadasem: • Falha Evidente: detectada pela equipe de operação durante o trabalho normal. • Falha Oculta: não pode ser detectada pela equipe de operação durante o tra- balho normal. • Falha Múltipla: combinação de uma falha oculta mais uma segunda falha, ou evento, que a torne evidente. O entendimento dos termos definidos por Fo- gliatto e Ribeiro (2009), a seguir, é de essencial importância para o processo de implementação de um programa de Manutenção Centrada em Confiabilidade. Modos Potenciais de Falha Um modo de falha é definido como qualquer evento que cause uma falha funcional, ou seja, é a maneira com que um item pode falhar em atender aos requisitos do projeto. A identificação dos modos de falha consiste em um dos passos mais importantes no desenvol- 184 Manutenção Centrada em Confiabilidade vimento de um programa de Manutenção Centra- da em Confiabilidade, possibilitando verificar as suas consequências e planejar ações para prevenir a falha. Alguns dos modos de falha típicos que po- dem gerar falha funcional são: fratura, separação, deformação, desgaste, abrasão, desalinhamento, desbalanceamento, trinca, rugosidade, aqueci- mento, vibração etc. Os autores ressaltam que é importante que a lista de modos potenciais de falha seja construí- da com base na experiência da equipe, em um ambiente de brainstorming, ou seja, de compar- tilhamento de ideias. Causa da Falha A causa da falha pode ser entendida como uma deficiência no projeto, cuja consequência é o modo de falha. Pode ser associada a: defeito do material, deficiências durante os processos de fa- bricação, defeitos de instalação e montagem, con- dições de serviço não previstas ou fora de projeto, erro de montagem, erro de operação e, até mesmo, erro de manutenção. Essa é uma das etapas mais importantes do estudo, na qual se busca identificar a raiz do pro- blema. Efeitos da Falha O efeito de uma falha é definido como sendo a ocorrência gerada por um modo de falha, ou seja, o que ocorre em um determinado processo quando um modo de falha é detectado. O efeito da falha é percebido diretamente pelo cliente, por exemplo, para o modo de falha de queima de uma lâmpada, o efeito da falha é a escuridão. É bom lembrar que falhas podem afetar di- versos parâmetros dentro de um processo, como a produção, a qualidade do serviço ou produto, a segurança e o meio ambiente, podendo até gerar aumento do custo operacional. Típicos efeitos potenciais de falha são: ruído, vibração, folga, aquecimento, operação intermi- tente, falta de operação etc. Severidade O conceito de severidade é utilizado para quan- tificar a gravidade de uma falha potencial, anali- sando a consequência da falha e seu impacto no sistema. A severidade se aplica exclusivamente ao efeito, ou seja, sempre dizemos “severidade do efeito”. O Quadro 1 apresenta um modelo de cri- térios para determinação da severidade. Severidade do Efeito Escala Muito Alta Comprometimento da segurança da operação ou infração a regulamentos governamentais. 10 Alta Insatisfação total do cliente, sem comprometimento da segurança ou infração. 8 Moderada Insatisfação devido à queda de desempenho ou mal funcionamento. 6 Baixa Leve insatisfação por leve deterioração ou queda no desempenho. 4 Mínima Falha que afeta minimamente o desempenho do sistema. 2 Quadro 1 - Sugestão de escala para avaliação dos efeitos dos modos de falha Fonte: adaptado de Fogliatto e Ribeiro (2009). 185UNIDADE 7 Ocorrência A ocorrência está relacionada com a probabilidade de que uma causa venha a ocorrer. A avaliação da ocorrência também pode ser feita utilizando-se uma escala qualitativa, com critérios definidos, como mostra o Quadro 2. Ocorrência de falha Taxa de falha Escala Muito Alta Falhas quase inevitáveis 10 Alta Falhas ocorrem com frequência 8 Moderada Falhas ocasionais 6 Baixa Falhas raramente ocorrem 4 Mínima Falhas muito improváveis 2 Quadro 2 - Sugestão de escala para avaliação da ocorrência da causa de falha Fonte: adaptado de Fogliatto e Ribeiro (2009). Detecção A detecção está relacionada com a probabili- dade de detectar modos potenciais de falhas antes que o componente ou subsistema seja acometido por uma falha. Também é possível utilizar uma escala para determinação, como mostra o Quadro 3. Possibilidade de detecção Escala Muito Remota O modo de falha não será detectado 10 Remota O modo de falha provavelmente será detectado 8 Baixa Há uma baixa chance de detectar o modo de falha 6 Moderada O modo de falha pode ser detectado 4 Alta Há uma alta probabilidade de detectar o modo de falha 2 Muito Alta É quase certo que o modo de falha será detectado 1 Quadro 3 - Sugestão de escala para avaliação da possibilidade de detecção Fonte: adaptado de Fogliatto e Ribeiro (2009). Grau de Risco O Risco é calculado de forma a priorizar as ações de correção e melhoria do projeto. É calculado levando-se em consideração a severidade, a ocor- rência e a detecção: Risco = Severidade x Ocorrência x Detecção De posse dos valores dos riscos, cabe ao gestor da manutenção priorizá-los e tomar as ações neces- sárias de forma a mitigá-los ou reduzi-los para um valor aceitável. 186 Manutenção Centrada em Confiabilidade Análise de Modos e Efeitos de Falha (FMEA) A Análise de Modos e Efeitos de Falhas, cuja sigla difundida FMEA é originada do termo em inglês Failure Modes and Effects Analysis, relaciona os modos de falhas de equipamentos e seus compo- nentes e os efeitos provocados sobre o sistema. Esta técnica, segundo Raposo (2004), é qua- litativa, sistematizada e voltada para o aumento da confiabilidade por meio da identificação de modos de falha de equipamentos individualmente e os efeitos sobre o sistema, e indiretamente para a melhoria da segurança do processo, podendo ser utilizada na análise de risco. A FMEA tam- bém pode ser utilizada em estudos de RCM e, segundo Fogliatto e Ribeiro (2009, p. 173), tem como objetivo: 187UNIDADE 7 Quadro 4 - Exemplo de planilha de FMEA Fonte: Pinto (2013, p. 112). Elementos da equipe: Cópias para: Identificação do projeto: Produto, processo ou serviço: Descrição: Data: Emitido por: Aprovado por: D e s - crição M o d o de fa- lha Efeito Causa Ocorrência Seve- r ida - de D e - t e c - ção NPR Contra- medidas a imple- mentar Ocor- r ê n - cia Seve- r ida - de Detec- ção NPR “ (i) reconhecer e avaliar as falhas potenciais que podem surgir em um produto ou processo, (ii) identi- ficar ações e tarefas que possam ser aplicadas para eliminar ou reduzir a probabilidade de ocorrência dessas falhas, e (iii) documentar o estudo, criando um referencial técnico que possa auxiliar em revisões e desenvolvimentos futuros do projeto ou processo. A FMEA é usualmente apresentada em forma de tabelas, como mostrado no Quadro 4. Ao longo dos anos 1980, o relatório RCM foi adaptado às necessidades da indústria militar, da indústria de geração nuclear de energia elétrica e finalmente, em 1990, transposto para a indústria em geral através da versão desenvolvida e proposta por John Moubray e denominada RCM2. Fonte: Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011, p. 16). Tratando-se de um processo de Manutenção Centrada em Confiabilidade (RCM), a técnica FMEA é utilizada para relacionar os modos de falhas e efeitos dos componentes do sistema selecionado, o que é mais uma evidência do elo existente entre a confiabilidade e a segurança de um processo ou sistema. A Figura 1 mostra a aplicação da metodologia a um equipamento industrial. 188 Manutenção Centrada em Confiabilidade Quebra do rolamento Bomba Vazamento Desgaste do rotor Quebra da carcaça Quebra do selo mecânico Queina do motor Quebra do acoplamento Quebra do eixo Parada Parada Parada Parada Parada Parada Perda de rendimento Perda de rendimento, contaminação e sujeira Quais são as entradas? O que pode dar errado com as entradas? Qual é o impacto no cliente? Gravidadedo efeito Quais são as causas dos modos de falha? Frequência dos modos de falhas Como podem ser detectados (modos/causas)? Chance de detecção RPN Ações recomendadas O que pode ser feito? Funções Modos de falha Efeitos Severidade Causas Ocorrência Controles Detecção Desgaste por tempo Projeto Cavitação Corpo estranho Falha de montagem Falha de lubri�cação Vibração Desalinhado Falha de montagem Falha de montagem Falha operacional Falha de aperto Junta dani�cada Falha de montagem Falha de gaxeta Falha de montagem Desgaste do retentor Vibração Desalinhamento Tubulação irregular Desalinhamento Vibração Desgasto por tempo Projeto Falha de refrigeração Falha de lubricação Sobrecarga Projeto Falha de lubri�cação Falha de operação Subtensão (falta de fase) Desgasto por tempo Umidade Desalinhamento Projeto Folga entre eixos Desalinhamento Má qualidade do material Projeto Vibração Base dani�cada Aquecimento Corpo estranho 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 Inspeção visual Nenhum Inspeção auditiva e visual Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Inspeção visual Inspeção visual Inspeção visual Inspeção visual Análise de vibração Análise de vibração Análise de vibração Análise de vibração Análise de vibração Nenhum Nenhum Análise de vibração Análise de vibração Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Inspeção visual Análise de vibração Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Análise de vibração Análise de vibração Inspeção visual Especi�cação da manutenção Especi�cação da manutenção 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 1 1 1 1 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 1 1 1 1 1 4 4 5 5 5 5 5 5 5 4 4 3 3 3 2 2 2 2 2 2 2 2 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 1 2 2 2 5 Inspeção visual Inspeção visual Análise de vibração Análise de vibração Inspeção visual Inspeção visual Análise de vibração Análise de vibração Análise de vibração Lubri�cação Lubri�cação Análise de vibração Análise de vibração Inspeção visual Preventiva Preventiva Preventiva Preventiva Especi�cação Análise de vibração Análise de vibração Especi�cação 20 20 20 20 20 16 16 32 32 32 80 80 80 80 64 64 48 8 8 80 60 60 60 60 60 60 60 60 60 60 36 36 24 24 24 60 60 60 60 12 24 24 24 189UNIDADE 7 Quebra do rolamento Bomba Vazamento Desgaste do rotor Quebra da carcaça Quebra do selo mecânico Queina do motor Quebra do acoplamento Quebra do eixo Parada Parada Parada Parada Parada Parada Perda de rendimento Perda de rendimento, contaminação e sujeira Quais são as entradas? O que pode dar errado com as entradas? Qual é o impacto no cliente? Gravidade do efeito Quais são as causas dos modos de falha? Frequência dos modos de falhas Como podem ser detectados (modos/causas)? Chance de detecção RPN Ações recomendadas O que pode ser feito? Funções Modos de falha Efeitos Severidade Causas Ocorrência Controles Detecção Desgaste por tempo Projeto Cavitação Corpo estranho Falha de montagem Falha de lubri�cação Vibração Desalinhado Falha de montagem Falha de montagem Falha operacional Falha de aperto Junta dani�cada Falha de montagem Falha de gaxeta Falha de montagem Desgaste do retentor Vibração Desalinhamento Tubulação irregular Desalinhamento Vibração Desgasto por tempo Projeto Falha de refrigeração Falha de lubricação Sobrecarga Projeto Falha de lubri�cação Falha de operação Subtensão (falta de fase) Desgasto por tempo Umidade Desalinhamento Projeto Folga entre eixos Desalinhamento Má qualidade do material Projeto Vibração Base dani�cada Aquecimento Corpo estranho 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 Inspeção visual Nenhum Inspeção auditiva e visual Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Inspeção visual Inspeção visual Inspeção visual Inspeção visual Análise de vibração Análise de vibração Análise de vibração Análise de vibração Análise de vibração Nenhum Nenhum Análise de vibração Análise de vibração Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Inspeção visual Análise de vibração Nenhum Nenhum Nenhum Nenhum Análise de vibração Análise de vibração Inspeção visual Especi�cação da manutenção Especi�cação da manutenção 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 1 1 1 1 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 1 1 1 1 1 4 4 5 5 5 5 5 5 5 4 4 3 3 3 2 2 2 2 2 2 2 2 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 1 2 2 2 5 Inspeção visual Inspeção visual Análise de vibração Análise de vibração Inspeção visual Inspeção visual Análise de vibração Análise de vibração Análise de vibração Lubri�cação Lubri�cação Análise de vibração Análise de vibração Inspeção visual Preventiva Preventiva Preventiva Preventiva Especi�cação Análise de vibração Análise de vibração Especi�cação 20 20 20 20 20 16 16 32 32 32 80 80 80 80 64 64 48 8 8 80 60 60 60 60 60 60 60 60 60 60 36 36 24 24 24 60 60 60 60 12 24 24 24 Figura 1 - Exemplo de aplicação de FMEA a uma bomba centrífuga Fonte: o autor. 190 Manutenção Centrada em Confiabilidade Sequência de Implementação A metodologia RCM é implementada em 7 etapas distintas, conforme Barbosa (2009). Etapa 1 - Seleção do Sistema Na primeira etapa, definimos o sistema ou proces- so que será submetido à análise. É importante que fiquem claras as fronteiras do sistema e também das interfaces. Etapa 2 - Seleção das Funções e Padrões de Desempenho Nesta etapa, são identificadas as funções e seus respectivos padrões de desempenho dentro do contexto operacional do equipamento ou sistema em questão. O Machine Failure Mode and Effect Analysis (MF- MEA) é uma adaptação do FMEA à área de Ma- nutenção. É um método estruturado para es- tabelecer todos os possíveis modos de falha, suas causas e efeitos. Com esse levantamento, é possível mudar as características de projeto ou estabelecer controles para evitar a ocorrência de falhas e paradas não programadas durante a produção. Fonte: Pereira (2009, p. 217). Etapa 3 - Análise das Falhas Funcionais A análise das falhas funcionais mostrará como os ativos ou processos estão sujeitos aos problemas que podem causar a cessação da função requerida ou mesmo da capacidade em atender aos padrões de desempenho estabelecidos. Etapa 4 - Análise de Modo e Efeito das Falhas Esta etapa é primordial para o sucesso da imple- mentação da metodologia RCM. A FMEA é um sistema lógico que hierarquiza as falhas e fornece subsídios para que se desenvolvam as ações pre- ventivas. Esta análise mostra, para os componen- tes de um sistema ou processo, qual é a relação existente entre os modos de falhas, seus efeitos e suas causas. Etapa 5 - Classificação e Priori- zação das Falhas Estudar as falhas não é um processo simples, ain- da mais envolvendo outras variáveis, como seus efeitos, os controles existentes etc. Saber priorizá- -las é essencial para que as ações preventivas às possam mitigar. Assim, uma boa análise leva em consideração os seguintes itens: • Severidade: qual a gravidade do efeito da falha sobre o processo ou componente em estudo? • Ocorrência: qual a frequência de ocorrên- cia do modo de falha em questão? • Detecção: qual a chance de detecção de cada falha associada a cada modo de falha? 191UNIDADE 7 Com essas três informações, calcula-se o índice NPR - Número de Prioridade de Risco: NPR = Severidade x Ocorrência x Detecção Dessa forma, pode-se classificar os riscos do maior para o menor, priorizando as tarefas de acordo com o risco associado. Etapa 6 - Definição das Estratégias de Ma- nutenção Com base no controle existente, ou na falta de controle, e na causa de cada modo de falha, define-se a melhor estratégia de manuten- ção a ser aplicada para mitigar o risco, ou seja, a possibilidade da ocorrência da falha. Etapa 7 - Definição das Tarefas e Periodici- dades Esta etapa determina as tarefasde manutenção que sejam tecnica- mente aplicáveis para prevenir a ocorrência dos modos de falha. Estas tarefas devem levar em consideração os resultados do pro- cesso, os impactos operacionais, a segurança física e os impactos ambientais. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. A Figura 2 mostra um diagrama de seleção de tipos de manutenção que podem ser aplicadas a partir da aplicação da metodologia RCM. 192 Manutenção Centrada em Confiabilidade A CAIXA VINHO DESTILARIA Existe alguma tarefa de Manutenção Preventiva Sitemática (MPS) aplicável? Executar tarefas de MPS Executar tarefas de MC Run-to-failure (rodar até falhar) Desenvoler e implentar um programa de MC para monitorizar a condição Existe alguma técnica e�caz de Monitorização da Condição (MC) que possa ser aplicada? Redesenhar o sistema, aceitar o risco ou instalar elementos redundandantes A falha tem impacto direto e adverso no desempenho econômico? A falha tem impacto direto e adverso na missão? (quantidade e qualidade A falha tem impacto direto e adverso no ambiente, saúde e segurança? sim sim sim simsim sim não não não não não Figura 2 - Exemplo de árvore de decisão usada na lógica RCM Fonte: Pinto (2013, p.122). Muitas vezes, ao ser questionada sobre o porquê de determinadas tarefas de manutenção preven- tiva, a resposta da manutenção é: “o fabricante disse que deveríamos fazer assim!”. É preciso muito cuidado, pois uma recomendação do fabricante pode não levar em consideração situações como condições de operação, de carga, de tempo de processo, condições ambientais etc. Logo, é preciso ter muita atenção. Fonte: adaptado de Pereira (2009). 193UNIDADE 7 A Análise das Causas Raízes de Falha (Root Cause Failure Analysis - RCFA), de acordo com Kardec e Nascif (2009), consiste em um método ordenado cujo objetivo é a busca das causas de problemas e a determinação de soluções para evitar a sua rein- cidência. O Quadro 5 mostra os principais passos a serem seguidos em um processo de Análise das Causas Raízes de Falha. Análises de Causas Raízes de Falha 194 Manutenção Centrada em Confiabilidade Sequência Passo Responsável 1 Análise de Modo e Efeito de Falha Operação/Manutenção 2 Preservação da informação da falha Manutenção 3 Organização do grupo de análise Gerência/Manutenção 4 Análise Grupo de Análise 4 Relato das descobertas 4 Recomendações 4 Acompanhamento de resultados Quadro 5 - Passo a passo para um processo de Análise de Causa Raiz Fonte: adaptado de Kardec e Nascif (2009). A metodologia se baseia no questionamento dos 5 Porquês. Para Pereira (2009), o método dos 5 Por- quês se aplica quando as causas potenciais do problema a ser analisado são definidas previamente. Esse método define uma das raízes possíveis do problema e tenta explicá-la por meio de respostas dadas aos porquês questionados pelos integrantes do time. É importante que o time seja multidisciplinar, ou seja, com participantes de diversas áreas. As respostas obtidas para os porquês serão a base de análise para a implementação de melhorias e soluções para os problemas encontrados. Kardec e Nascif (2009) trazem um exemplo de aplicação, mostrado no Quadro 6. Pergunta Resposta Por que a bomba falhou? O selo falhou. Por que o selo falhou? Desgaste excessivo das faces de vedação. Por que ocorreu o desgaste? Houve superaquecimento. Por que houve superaquecimento? O flushing (sistema de resfriamento com água) não estava alinhado. Por que o flushing não estava alinhado? O operador se esqueceu de abrir a válvula. Por que ele se esqueceu? Ele é novo na área e não tinha operado, ainda, uma bomba desse tipo. Por que ele não tinha operado esse tipo particular de bomba? O seu treinamento não contemplou esse tipo de bomba. Quadro 6 - Exemplo de aplicação da metodologia 5 Porquês Fonte: Kardec e Nascif (2009, p. 133). 195UNIDADE 7 No caso exemplificado, hipotético, houve uma falha mecânica que teve sua origem em um superaquecimento. O fato de o flushing não estar aberto pode nos remeter a uma ação para eliminação da válvula de flushing e/ou instalação de um dispositivo automático, como uma válvula de controle, para evitar a ocorrência. Neste caso, a causa raiz do problema é a falta de treinamento do operador. Kardec e Nascif (2009) reiteram que toda análise de causa raiz deve ser documentada para servir de referência para ações futuras, para melhorias e decisões. O registro deve conter as informações a seguir, consideradas fundamentais: • Data de início e conclusão da análise. • Identificação do equipamento, sistema ou planta que está sendo analisado. • Descrição da ocorrência, falha ou incidente. • Dados que caracterizam as consequências da falha sobre: • A produção. • A qualidade do produto. • O meio ambiente. • A segurança pessoal e da planta. • Os custos. • Identificação das causas raízes. • Recomendações para prevenir nova ocorrência. • Acompanhamento das ações recomendadas. Pereira (2009) reitera a importância da utilização da metodologia 5W2H no plano de ação, para que este seja consistente e a causa da falha seja eliminada: • What (o quê?): define as tarefas a serem executadas. • When (quando?): define o prazo para a conclusão das tarefas. • Who (quem?): define a pessoa responsável pela tarefa. • Where (onde?): define o local onde a tarefa será executada. • Why (por quê?): define a razão da execução da tarefa. • How (como?): define a forma como a tarefa vai ser executada (é importante uma descrição clara e objetiva). • How much (quanto custará?): define os recursos financeiros necessários para a execução da tarefa. Agora que aprendemos um pouco mais sobre como fazer uma análise e identificar a causa ou as causas raízes de um dado pro- blema, vamos aprender a calcular alguns indicadores de extrema importância para uma boa gestão da manutenção. 196 Manutenção Centrada em Confiabilidade Quando pensamos em indicadores, logo nos de- paramos com o seu conceito intuitivo, na velha máxima: “quem não mede não gerencia!”. Na maioria das vezes, nos esquecemos de outros fa- tores importantes, como: • Medir o quê? • Medir para quê? • Comparar a medida com o quê? • Qual o objetivo do indicador no contexto? Indicadores de Desempenho de Confiabilidade 197UNIDADE 7 Fogliatto e Ribeiro (2009) afirmam que metas e indicadores cons- tituem a base para o gerenciamento do programa de Manutenção Centrada em Confiabilidade. Devem ser definidos indicadores envolvendo métricas de tempo de parada e disponibilidade de equipamentos. Taxa de Falhas A taxa de falhas, representada pela letra grega λ, é definida por Kar- dec e Nascif (2009) como sendo o número de falhas por unidade de tempo, e calculada conforme as equações a seguir: λ= λ= Número de Falhas Número de Horas de Operação Número de Falhas Número de Horas de Operação x Quant. Equipamentos (sistema) (individual) O cálculo da taxa de falhas do sistema leva em consideração as fa- lhas ocorridas e o tempo em que o sistema operou. A taxa de falha por equipamento considera a quantidade de falhas, o tempo de operação e também a quantidade de equipamentos considerados. A Figura 3 mostra uma curva característica típica da vida útil de um produto, componente, equipamento ou sistema, também é conhecida como curva da banheira. Ta xa d e Fa lh as M or ta lid ad e In fa nt il Vida Útil Envelhecimento Tempo (1) (2) Figura 3 - Curva da Banheira Fonte: Kardec e Nascif (2009, p. 110). 198 Manutenção Centrada em Confiabilidade Kardec e Nascif (2009) definem os estágios da curva da banheira da seguinte maneira: • Mortalidade infantil: grande incidência de falhas causadas por defeitos de fabri- cação ou deficiências de projeto. Também podem ter origem no processo de insta- lação. • Vida útil: a taxa de falhas é menor e relati- vamente constante ao longo do tempo. As falhas têm origem em problemas menos controláveis, como fadiga e corrosão,tendo uma previsibilidade menor. • Envelhecimento ou degradação: a taxa de falhas aumenta em função do desgaste natural, sendo maior conforme a quanti- dade de tempo decorrido. Um ponto importante a ser ressaltado são as va- riantes da curva da banheira. Em um estudo de 30 anos, a United Airlines chegou em seis curvas características, conforme mostrado na Figura 4. Os padrões de falha são explicados por Kardec e Nascif (2009): • Padrão A: curva da banheira padrão. • Padrão B: apresenta probabilidade cons- tante de falha seguida de uma zona de desgaste ao final da vida útil. Ocorre em equipamentos que estão em contato com o produto e fluidos de processo. • Padrão C: apresenta um aumento lento e gradual na probabilidade de falha sem que haja uma idade definida ou identificada de desgaste. Ocorre onde há erosão, fadiga e corrosão. • Padrão D: traz uma baixa probabilidade de falha em equipamentos novos, seguida de um rápido aumento para um patamar constante de probabilidade de falha. Siste- mas hidráulicos e pneumáticos se enqua- dram neste padrão. • Padrão E: apresenta probabilidade de fa- lha constante durante toda a vida útil, ou seja, o equipamento apresenta taxa de falha aleatória ao longo da sua idade. Exemplos: elementos rodantes de rolamentos e tam- bém bulbos de lâmpadas. • Padrão F: este padrão apresenta alta pro- babilidade de falha no início, caindo para uma situação de probabilidade constante ao longo do tempo. Ocorre em sistemas complexos sujeitos a ciclos de partidas e paradas, manutenções frequentes e com flutuações cíclicas de produção. Tempo Médio entre Falhas (TMEF ou MTBF) O Tempo Médio entre Falhas, segundo Branco Fi- lho (2006), consiste na média aritmética dos tempos existentes entre o fim de uma falha e o início de outra falha (a próxima falha) em equipamentos reparáveis. A B C D E F Padrão de Falha Idade/Probabilidade de Falha Figura 4 - Variantes da curva da banheira Fonte: adaptada de Kardec e Nascif (2009). 199UNIDADE 7 • Finalidade: determina a média dos tempos de funcionamento de cada item reparável ou equi- pamento reparável entre uma falha e outra. • Período de Apuração: período em que exista uma amostragem aceitável (mínimo duas falhas). A Figura 5 mostra uma representação do Tempo Médio entre Falhas. TEMPO TOTAL TEMPO DISPONÍVEL TEMPO EM MANUT. TEMPO DE FUNC. TEMPO DE NÃO FUNC. EM REPARO T1 t1 T2 t2 T3 t3 T4 t4 Tempos disponíveis para produção (T) Tempos em que o equipamento está em manutenção (t) TMEF ou MTBF = T1 + T2 + T3 + T4 + ... + TN N Tempo Médio para Reparo (TMPR ou MTT R) O Tempo Médio para Reparo, segundo Branco Filho (2006), consiste na média aritmética dos tempos de reparo de um sistema, de um equipamento ou de um item. • Finalidade: determina a média dos tempos que a equipe leva para repor a máquina em condições de operar desde a falha até o reparo ser dado como concluído e a máquina ser aceita como em condições de operar. • Período de Apuração: período onde exista uma amostragem aceitável (mínimo duas falhas). A Figura 6 mostra uma representação do tempo médio para reparo. Figura 5 - Representação do tempo médio entre falhas Fonte: o autor. TEMPO TOTAL TEMPO DISPONÍVEL TEMPO EM MANUT. TEMPO DE FUNC. TEMPO DE NÃO FUNC. EM REPARO T1 t1 T2 t2 T3 t3 T4 t4 Tempos disponíveis para produção (T) Tempos em que o equipamento está em manutenção (t) TMPR ou MTTR = t1 + t2 + t3 + t4 + ... + tN N Figura 6 - Representação do tempo médio para reparo Fonte: o autor. 200 Manutenção Centrada em Confiabilidade Disponibilidade Inerente A Disponibilidade Inerente é definida como a relação entre o tempo em que o equipamento ou instalação ficou disponível para produzir em relação ao tempo total. DISPONIBILIDADE= TMEF TMEF+TMPR É importante ressaltar que para aumentar a disponibilidade preci- samos reduzir o Tempo Médio para Reparo (TMPR) e aumentar o Tempo Médio entre Falhas (TMEF). Para reduzir o TMPR, é preciso investir na capacitação da mão de obra de manutenção, para que consiga tanto identificar quanto solucionar problemas com rapidez. É importante implementar ferramentas de melhoria, como 5S, que promove a organização da oficina, a disponibilidade de ferramentas e peças de reposição, além de uma organização que possibilitará um reparo mais rápido e efetivo. Para aumentar o TMEF é preciso implementar ferramentas re- lacionadas à confiabilidade, como TPM. Disponibilidade Operacional A Disponibilidade Operacional representa, segundo Kardec e Nascif (2009), a avaliação mais real da disponibilidade, ou seja, aquela que de fato interessa à empresa. Ao contrário da Disponibilidade Inerente, que leva em consideração o Tempo Médio para Reparo, a Disponibilidade Operacional leva em conta o Tempo Médio de Paralisações (TMP), que inclui o TMPR e também todos os demais tempos: esperas, atrasos, paradas para manutenções preventivas, deslocamentos e outros que contribuem para que os equipamentos ou sistemas fiquem indisponíveis ou fora da condição de operação. Os indicadores são de conhecimento do pessoal da manutenção e todos sabem o que fazer no seu trabalho para melhorá-los? (3) 201UNIDADE 7 Manutenibilidade Este indicador é definido por Kardec e Nascif (2009) como sendo a característica de um equi- pamento ou instalação permitir um maior ou me- nor grau de facilidade na execução dos serviços de manutenção. Monchy (1989, p. 159) apresenta a seguinte definição probabilística para manutenibilidade: “ “ é a probabilidade de restabelecer a um sis- tema suas condições de funcionamento específicas, em limites de tempo desejados, quando a manutenção é conseguida nas condições e com procedimentos e meios prescritos”. Pode ser calculada pela Equação: M(t)=1-e-mt para concluir todos os serviços pendentes, com toda a sua força de trabalho, considerando que não será adicionado nenhum outro serviço du- rante a execução de todos os serviços pendentes já solicitados. O backlog consiste na relação entre a demanda de serviços e a capacidade da equipe de manutenção em atendê-los e pode ser calculado pela Equação 5. Backlog= ΣHh em carteira ΣHh disponivel Lembrando que o backlog é medido em semanas, sendo uma boa prática manter um backlog má- ximo de 2 semanas. Aqui, chegamos ao fim de mais uma uni- dade, que nos trouxe uma reflexão sobre os conceitos de manutenção e confiabilidade. Po- demos dizer que a manutenção está associa- da ao dia a dia, ou seja, às ações operacionais (inspeção, lubrificação, troca de um rolamento etc.), enquanto a confiabilidade está associada a uma metodologia estruturada para reduzir o número de falhas dos equipamentos e de seus componentes. Quando um rolamento falhar, a manutenção estará lá de prontidão para fazer a substituição e colocar o equipamento em funcionamento. Da mesma forma, a confiabilidade estará lá para entender as causas da falha do rolamento e evitar que ela ocorra novamente nesse e em rolamentos de outros equipamentos. Quando a confiabilidade e a manutenção andam juntas, as falhas não acontecem! Espero que você tenha gostado do que aprendeu nesta unidade. Até a próxima! Em que: • M(t): função manutenibilidade, que re- presenta a probabilidade de que o reparo comece no tempo t = 0 e esteja concluído, satisfatoriamente, no tempo t. • e: base dos logaritmos neperianos (e = 2,718). • μ: taxa de reparos ou número de reparos efetuados em relação ao total de horas de reparo do equipamento. • t: tempo previsto de reparo. Backlog Viana (2002) define o backlog como sendo o tem- po que uma equipe de manutenção deve trabalhar (5) (4) 202 1. Equipamentos confiáveis garantem a operação com segurança, custos adequa- dos e entregas no prazo. Analise as afirmações a seguir em relação à Confia- bilidade. I) A Confiabilidade pode ser entendida como a probabilidade de sucesso de um equipamento ou sistema. II) A Confiabilidade, por não depender das condições de operação, está relacio- nada apenas coma probabilidade de sucesso. III) A Confiabilidade pode ser definida como a probabilidade de que um processo ou produto opere com sucesso por um período de tempo especificado e sob condições de operação também especificadas. IV) Dentro do conceito de Confiabilidade, as condições de operação podem dividir-se em condições ambientais e contexto operacional. Assinale a alternativa que apresente as afirmativas corretas. a) Somente as afirmativas I e IV estão corretas. b) Somente as afirmativas I e III estão corretas. c) Somente as afirmativas I, III e IV estão corretas. d) Somente as afirmativas II e IV estão corretas. e) Todas as alternativas anteriores estão corretas. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 203 2. A confiabilidade deve fazer parte da rotina em empresas que buscam competi- tividade e excelência organizacional. Assinale verdadeiro (V) ou falso (F). ) ( Quando a manutenção preventiva é realizada sem critérios bem estabelecidos de confiabilidade, ela passa a ser destrutiva. ) ( Nas fábricas, ocorre a montagem de rolamentos sem orientação e ferramen- tas adequadas, mas como os equipamentos conseguem operar, isso não é considerado grave e tem pouco impacto na confiabilidade dos equipamentos. ) ( Existem muitas modificações informais nos equipamentos, sem registros e atualização de desenhos. Mesmo com as falhas acontecendo com frequência, como são analisadas em sua maioria, podemos dizer que o processo é confiável. ) ( As trocas de peças danificadas são realizadas sem o estudo de causa das falhas (por que quebrou?) e, com isso, não se encontra a causa raiz do problema, que se repete indefinidamente, com manutenções corretivas e perdas constantes. A sequência correta para a resposta da questão é: a) F, V, F, V. b) F, F, V, V. c) V, F, F, V. d) V, V, F, F. e) F, V, V, F. 204 3. Considere um sistema formado pelos 12 equipamentos mostrados na figura a seguir. No período de um mês de operação (744 horas), a manutenção foi requisitada para solucionar 5 falhas: • Queima do motor da Centrífuga 2: 6 horas de reparo. • Vazamento na Dorna Volante: 1 hora de reparo. • Quebra do selo mecânico da Bomba de Fermento: 4 horas de reparo. • Falha no acoplamento da Centrífuga 4: 1 hora de reparo. • Queima do motor da Bomba de Ácido: 2 horas de reparo. ÁGUA ÁCIDO CENTRÍFUGAS CUBA 1 CUBA 2 CUBA 3 FERMENTO DORNA VOLANTE A CAIXA VINHO DESTILARIA 1 2 3 4 LT LI l LT pHIC FIC LI pHT LI FT Com base nessas informações, calcule: a) A taxa de falhas de cada equipamento. b) O TMEF (tempo médio entre falhas) de cada equipamento. c) A taxa de falhas do sistema. d) O TMEF (tempo médio entre falhas) do sistema. e) O tempo médio para reparo (TMPR). f) A disponibilidade inerente do sistema no mês em questão. 205 Manutenção Centrada na Confiabilidade - Manual de Implementação Autor: Iony Patriota de Siqueira Editora: Qualitymark Sinopse: o autor apresenta um passo a passo de como implementar técnicas de manutenção centrada na confiabilidade. O livro, escrito em uma linguagem clara, mas sem esquecer da matemática e das técnicas de probabilidade, apresenta ao leitor como as técnicas de MCC (manutenção centrada na confiabilidade) estão se tornando uma ferramenta de grande valor no setor industrial brasileiro. O autor aproveita toda a sua experiência profissional em um guia, tanto para alunos dos cursos de graduação em Engenharia, como para o engenheiro de manutenção em exercício. LIVRO O Carro Desgovernado Ano: 1997 Sinopse: A aprendiz de enfermagem Jenny Todd (Nina Siemaszko) conhece o programador de computador Ed Lautner (Judge Reinhold) em uma garagem. Como o carro de Ed não está pronto, ela resolve oferecer uma carona para o homem. No caminho, eles pegam o sobrinho da enfermeira e um jovem que por pouco não foi atropelado. Logo o freio do veículo quebra e eles começam uma perigosa corrida. Comentário: o filme mostra que, em algum momento da nossa vida, um problema vai surgir de repente, mudando totalmente o rumo das coisas. O conceito de confiabilidade nos ajuda a prever tais fatos ruins e os evitar. FILME Análise de Confiabilidade Um artigo interessante sobre confiabilidade, no qual se faz a análise para de- terminação da garantia do tempo de vida de um determinado equipamento eletrônico. WEB Um artigo sobre a implementação prática do conceito de Manutenção Centrada em Confiabilidade. WEB 206 BARBOSA, A. C. Aplicação da Manutenção Centrada em Confiabilidade na função transmissão a fim de reduzir o tempo de indisponibilidade. 2009. Dissertação (Mestrado em Engenharia) - Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2009. Disponível em: http://monografias.poli.ufrj.br/monografias/monopoli10000970.pdf. Acesso em: 31 mar. 2020. BRANCO FILHO, G. Indicadores e Índices de Manutenção. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2006. FOGLIATTO, F. S.; RIBEIRO, J. L. D. Confiabilidade e Manutenção Industrial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: Função Estratégica. 3. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2009. MONCHY, F. A Função Manutenção. São Paulo: Editora Durban, 1989. MORTELARI, D.; SIQUEIRA, K.; PIZZATI, N. O RCM na quarta geração da manutenção de ativos. São Paulo: RG Editores, 2011. MOUBRAY, J. Reliability-Centered Maintenance. London: Butterworth Heinemann, 1992. PEREIRA, M. J. Engenharia de Manutenção - Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2009. PINTO, J. P. Manutenção Lean. Lisboa: Editora Lidel, 2013. RAPOSO, J. L. O. Manutenção Centrada em Confiabilidade Aplicada a Sistemas Elétricos: uma proposta para uso de análise de risco no diagrama de decisão. 2004. Dissertação (Mestrado em Engenharia) - Escola Politécnica, Universidade Federal da Bahia, 2004. Disponível em: http://centralmat.com.br/Artigos/Mais/ ManutEletricaAnaliseRisco.pdf. Acesso em: 31 mar. 2020. SIQUEIRA, I. P. Manutenção Centrada na Confiabilidade - Manual de Implementação. 1. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2009. VIANA, H. R. G. PCM - Planejamento e Controle da Manutenção. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002. 207 1. C. 2. C. 3. a. Taxa de falhas de cada equipamento = 5/(12 x 744) = 0,00056 falha/hora. b. TMEF de cada equipamento = (12 x 744)/5 = 1.786 horas. c. Taxa de falhas do sistema = 5/744 = 0,00672 falha/hora. d. TMEF do sistema = 744/5 = 149 horas. e. TMPR = (6+1+4+1+2)/5 = 14/5 = 2,8 horas. f. Disponibilidade inerente do sistema = 149/(149 + 2,8) = 98,15%. 208 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Entender o conceito de qualidade. • Aplicar ferramentas da qualidade na gestão da manu- tenção. • Quebrar paradigmas relacionados à gestão da manuten- ção. Qualidade e Manutenção Papel da Manutenção no Sistema de Qualidade Ferramentas de Qualidade Aplicadas à Manutenção Me. Alessandro Trombeta Qualidade Na Manutenção Qualidade e Manutenção Caro(a) aluno(a), estamos quase chegando ao fim do nosso estudo de manutenção. Como passou rápido, já chegamos à nossa penúltima unidade! E o assunto, agora, é Qualidade na Manutenção. Para você, o que é qualidade? Peço que refli- ta sobre isso um instante. Tenho certeza de que muitas definições passaram por sua cabeça. Veja, então, que interessante as várias definições que temos de qualidade na literatura: 211UNIDADE 8 “ Qualidade é definida pelo consumidor; o consumidor quer produtos e serviços que, ao longo da sua vida, satisfaçam necessida- des e expectativas a um custo que representa valor (SCHERKENBACH, 1991, p. 161). “Qualidade é o grau de excelência a um preço aceitável e o controle da variabilidade a um custo razoável” (BROH, 1982, p. 3). “Qualidade é o grau com que o produto espe- cífico se conforma a um projeto ou uma especi- ficação” (GILMORE, 1974, p. 16). “Qualidade é adequação ao uso” (JURAN, 1974, p. 2). “Qualidade é a totalidade das características que um produto ou serviço traz consigo na sua habilidadede satisfazer necessidades implícitas ou explícitas” (JOHNSON; WINCHELL, 1989, p. 2). Com base nos conceitos apresentados, po- demos ver que qualidade é algo subjetivo, que muda de pessoa para pessoa, de acordo com suas crenças e valores. Na manutenção, a qualidade pode estar relacionada ao resultado de um serviço bem feito, a uma sistemática de procedimentos e atividades e a uma boa gestão de documentos da manutenção. Vamos analisar o histórico da qualidade para alcançar melhor entendimento. O processo conhecido como gestão pela Qua- lidade Total, segundo Kardec e Nascif (2009), sur- giu no Japão na década de 50 e se tornou popular no Ocidente na década de 80, e tinha como obje- tivo a satisfação do cliente e a busca pela compe- titividade empresarial. A Figura 1 mostra um infográfico com o de- senvolvimento do conceito de Qualidade e sua evolução, bem como aplicação. 212 Qualidade Na Manutenção Figura 1 - Histórico do desenvolvimento do conceito de Qualidade Fonte: Kardec e Nascif (2009, p. 161). Criação do Controle Estatístico de Processo (CEP) na Bell Laboratories Criação do Ciclo PDCA na Bell Laboratories Norma com critérios para recebimento de material Fundação da Sociedade Americana para Controle da Qualidade Fundação da União Japonesa de Engenheiros e Cientistas Sistema Toyota de Produção Levou aos Japoneses os conceitos de Controle de Qualidade Lança o Livro Quality Control: Principles, Practice, and Administration Mostrou aos gerentes japoneses o seu papel no Controle de Qualidade Lança o Livro Controle de Qualidade por Toda a Empresa Adota o CQT no Japão Introduz os conceitos de Poka Yoke e Inspeção na Fonte Revisa o livro lançado em 1951 e o intitula Total Quality Control Lança o conceito de Zero Defeito (Toyota) Lança o livro World Class Manufacturing a partir das técnicas utilizadas pela indústria japonesa Inicia a disseminação do CQT no Brasil através da Fundação Christiano Otoni – MG Adota a denominação Seis Sigma para o processo e garante o nível de conformidade em 99,99966% Lançamento da Norma ISO 9000 – Garantia da Qualidade Lançamento do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade (PBQP) Lançamento do Programa Nacional de Qualificação e Certificação de Pessoal na área de Manutenção (PNQC) Lança o livro A Máquina que Mudou o Mundo e cunha a expressão “Lean Manufacturing” (Fabricação Enxuta) inspirada no modelo Toyota de Produção Criação da Fundação Nacional da Qualidade e do PNQ – Prêmio Nacional da Qualidade Revisão da Norma ISO 9000 à ISO 9001-2000 A. Shewhart A. Shewhart British Standard ASQC JUSE Taiichi Ohno Edward Deming Armand V. Feigenbaum Joseph M. Juran Kaoro Ishikawa Kaoro Ishikawa Shigeo Shingo Armand V. Feigenbaum Shigeo Shingo Richard J. Schonberger Vicente Falconi Motorola ISO Governo Federal Abraman James Womack FNQ ISO ANO ATOR AÇÃO 1924 1924 1935 1946 1946 1946/1970 1950 1951 1953 1957 1958 1960 1961 1977 1986 1986 1987 1987 1990 1990 1990 1991 2000 213UNIDADE 8 Kardec e Nascif (2009) afirmam que a Qualidade Total é parte integrante do sistema gerencial da maioria das empresas, independentemente do seu porte, e que cada setor da organização é respon- sável pelo desempenho da organização, com o objetivo de satisfazer os clientes, além de melhorar os resultados empresariais. Identifique os itens de controle que mais se adaptem ao setor. Se for para implementar e não monitorar, bem como não ter ações, é me- lhor não tê-los. Fonte: Pereira (2009, p. 157). Viu como a qualidade é importante para que os processos ocorram normalmente e o resultado fi- nal esteja de acordo com o esperado? No próximo tópico, veremos como a manutenção é importante dentro da sistematização do processo de qualida- de nas organizações. 214 Qualidade Na Manutenção Como vimos, a Qualidade é essencial para manter os resultados dos processos de uma organização dentro de padrões esperados, seja por meio de procedimentos, de normas, serviços bem execu- tados etc. O Sistema de Qualidade de uma orga- nização, de acordo com Kardec e Nascif (2009), é formado por vários subsistemas que se interligam por meio de relações fortes e interdependentes. O Papel da Manutenção no Sistema de Qualidade 215UNIDADE 8 Neste contexto, o papel da Manutenção é essencial na coordenação da interface entre os vários subsistemas, visto que a missão da Manu- tenção é garantir a disponibilidade da função dos equipamentos e instalações, levando em conside- EV O LU Çà O TEMPO Nível 5 Excelência na manutenção Nível 4 Eficiência na manutenção Nível 3 Planos de manutenção eficazes Nível 2 Cuidados básicos de manutenção Nível 1 Quebra/Conserta MELHORAMENTO CONTÍNUO OTIMIZAÇÃO DO PROCESSO DOMÍNIO DO PROCESSO DEFINIÇÃO, PLANIFICAÇÃO E ACOMPANHAMENTO FUNCIONAMENTO BÁSICO DOS EQUIPAMENTOS EVOLUÇÃO DA MANUTENÇÃO ração as necessidades da produção, o cuidado com o meio ambiente, com a segurança de processos e pessoas, as rotinas de confiabilidade e os custos. Abordaremos esse assunto utilizando a ilustração mostrada na Figura 2. Figura 2 - Evolução da Qualidade e da Manutenção Fonte: o autor. O nível 1, denominado “funcionamento básico dos equipamentos” na Figura 2, representa a pri- meira geração da manutenção, com o seu famoso “quebra e conserta!”. Infelizmente, apesar de ser o primeiro nível e estar relacionado às atividades executadas nas décadas de 20, 30 e 40, ainda temos empresas com essa mentalidade nos dias de hoje. Lamentável! O nível 2 remete à segunda geração da manu- tenção, que se destacou pela aplicação de tarefas de manutenção preventiva, mesmo que modestas, antecipando-se às falhas. As tarefas foram cria- das (definidas), colocadas em planos temporais (planificadas) e são realizadas ao longo do ano (acompanhamento). Houve grande dificuldade na definição dessas tarefas e suas periodicidades, fazendo a manuten- ção evoluir. E a qualidade? Ela também acom- panhou a evolução, pois é preciso ter domínio do equipamento e das tarefas de manutenção relacionadas. O nível 3 mostra que devemos fazer as tarefas certas, na hora certa e no componente e/ou equi- pamento certo. Só assim a manutenção poderá ser mais efetiva e assertiva, denotando melhor quali- dade em seus serviços prestados e seus planos de manutenção preventiva mais eficazes. Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011) afirmam que não basta executar certo as ações de manutenção, é preciso executar certo as ações certas, e somente elas! 216 Qualidade Na Manutenção O nível 4 mostra que a manutenção deve ser efi- ciente, mas o que é ser eficiente? A eficiência é defini- da como virtude ou característica de alguém ou algo, ser competente, produtivo, de conseguir o melhor rendimento com o mínimo de erros e/ou dispêndios. A manutenção será mais eficiente se medirmos o seu desempenho. Assim, os indicadores de desempenho são ferramentas básicas para o gerenciamento do sistema de manutenção e as informações que estes indicadores fornecem são fundamentais para o pro- cesso de tomada de decisão. No nível 5, o tema é excelência na manutenção. A excelência é atingida por meio da integração e coordenação das diversas funções e processos de negócio, buscando a eficácia, para que a tomada de decisões seja a mais célere possível. O objeti- vo máximo é atingir a qualidade da prestação do serviço e a satisfação dos clientes, sejam internos ou externos. Não é possível falar de excelência na manutenção sem entrar no âmbito da Gestão de Ativos. Quando falamos em Gestão de Ativos, estamos nos referindo a um sistema de gestão, ou seja, uma nova organização da forma de entendimento da necessidade de sinergia entre todos os departa- mentos envolvidos nos processos, sendo a Ma- nutenção um destes departamentos. Quando o assunto é qualidade na Manutenção, Pereira (2009) também aborda a ISO TS 16949 que, segundo o autor, trata-se de uma norma au- tomotiva mundial elaborada conjuntamentepe- los membros do IATF (International Automotive Task Force – Força Tarefa Internacional Auto- motiva) reunindo grandes fabricantes (General Motors, Ford, Daimler Chrysler, BMW, PSA, Ci- troen, Volkswagen, Renault e Fiat). O objetivo dessa norma é impactar positivamente na orga- nização, proporcionando os seguintes benefícios: 1. Redução do número de múltiplas certifi- cações de auditorias de terceira parte para uma certificação. 2. Melhoria na produção e na qualidade dos processos. 3. Redução da variação da produção e au- mento de sua eficiência. 4. Aumento da credibilidade quanto à par- ticipação em concorrências de contratos mundiais. 5. Redução do número de auditorias de se- gunda parte. 6. Facilidade na compreensão dos requi- sitos de qualidade para toda a cadeia de fornecimento (fornecedores e subcon- tratados). Para consolidar a aplicabilidade da ISO TS 16.949 na Manutenção, Pereira (2009, p. 154) traz alguns termos importantes da norma: “ (1) Item 7.3.3.2 – Confiabilidade: traduz-se como MTBF (tempo médio entre falhas), isto é, monitoramento e ações sobre a fre- quência de quebra dos ativos; (2) Item 7.3.3.2 – Mantenabilidade ou Manutenabilidade: traduz-se como MTTR (tempo médio para o reparo), isto é, monito- ramento e ações sobre o tempo de conserto dos ativos; (3) Disponibilidade: traduz-se como tempo efetivo de uso de um ativo, não consideran- do as perdas por set up, balanceamento de linha ou outros tempos de manufatura; (4) Mensurabilidade: é a capacidade de mo- nitoramento sobre um determinado item de controle; (5) Requisitos do cliente: são as exigências es- pecíficas do cliente para determinado processo do fornecedor. Pode-se se estender também à manutenção, se o cliente exigir, como por exemplo, a implementação da manutenção autônoma, visto que esta metodologia não é um requisito específico da Norma; 217UNIDADE 8 (6) Plano de contingência: essa é uma exi- gência muito importante para toda a orga- nização, pois trata de ações específicas para processos fora de controle ou eventos não previstos. Na manutenção, mesmo que a empresa não seja certificada, é interessante manter procedimentos indicando ações e responsáveis para determinados eventos que podem parar um determinado negócio, como, por exemplo, contingência para falta de energia elétrica. O plano pode ser no esti- lo 5W2H e, após concluído e documentado, deve ser divulgado a todos os envolvidos. Em determinada ocorrência, todos sabem o que e como fazer; (7) Melhoria contínua: é um termo bem amplo. Pode estar se referindo aos diver- sos programas de melhorias, como aper- feiçoamento de ativos (com o objetivo de aumentar a produtividade ou segurança), dentre outras atividades que a Manuten- ção executa por iniciativa própria ou por solicitação dos departamentos usuários. O termo melhoria contínua é traduzido, na metodologia japonesa, como KAIZEN, e é muito difundido por consultorias espe- cializadas nesse assunto. Estas atividades precisam ter um procedimento contendo padrões de execução (processo de “entra- das e saídas”). Também, um plano de ação contendo responsáveis e prazos, de forma a demonstrar que algo está sendo imple- mentado e que possui um fluxo. Todavia, executar ações de melhoria sem análise de custo-benefício (retorno financeiro) pode ser infrutífero. Sendo assim, a empresa per- derá o controle, poderá ter gastos desneces- sários em processos e a melhoria não trará benefícios. Existe uma expressão que traduz bem esta falta de critério, que é algo como “asfaltar o caminho da roça”. Então, muito cuidado com as solicitações. Uma análise crítica é fundamental para o sucesso global do programa. (8) Projetos de ferramentas: este item está vinculado às áreas de Engenharia de Pro- duto, Manufatura ou de Processo. Se for o caso, uma área de Ferramentaria (local de construção e correção de elementos de má- quinas) estará a encargo da Manutenção, e precisará ter uma sistemática bem organi- zada, contendo, no mínimo: 1. Controle por meio de arquivos fí- sicos e/ou eletrônicos de desenhos; 2. Software específico para novos pro- jetos e alterações; 3. Sistema de arquivamento eficiente que permita pesquisa e retorno da informação ao local de origem; 4. Desenhista projetista capacitado para a execução dos desenhos e, em certos casos, registra os “croquis” ela- borados pelos mantenedores. (9)Itens de controle: item extremamente im- portante para a Manutenção. Este controle deve comprovar que existe monitoramento e ações corretivas e preventivas. Uma das questões polêmicas durante a auditoria da qualidade são justamente os gastos depar- tamentais relativos ao mantenimento dos ativos. Portanto, o engenheiro de manu- tenção deve manter os dados sempre atua- lizados (até, no máximo, o quinto dia útil do mês seguinte, ele deve estar com todos os dados do mês anterior registrados). Se forem fechados muito tardiamente, não há razão para gerar e monitorar dados, visto que tomar ações sobre ocorrências passadas há muito tempo cai no esquecimento e faz transparecer a todos certo desleixo. Esti- pule datas – o chamado “Encerramento do Mês” -, pois os problemas registrados ainda 218 Qualidade Na Manutenção estão recentes na memória do grupo, que pode auxiliar em uma análise para a obtenção da melhor solução para estes eventos. Itens de controle devem ser divulgados em reuniões ou painéis (técnica denominada Gestão Visual). Logo, toda e qualquer informação que diga respeito ao desempenho do departamento deve ser divulgada. Assim, criamos um ambiente na equipe de responsabilidade e comprometimento com os resultados. Alguns itens de controle usuais, em relação às exigências de Normas da Qualidade: 1. MTBF & MTTR; 2. Custos de manutenção por produto produzido; 3. Consumo e gastos com energia (elétrica, água, óleo etc.); 4. Índice de manutenção preventiva x manutenção corretiva; 5. Número de ordens de serviço atendidas e tempo médio para atendimento (Backlog); 6. Eficiência Global de Equipamentos (OEE – Overall Equipment Efficiency). A Gestão em Qualidade determina posturas comportamentais, como: Foco no cliente. Liderança participativa. Envolvimento de todos. Abordagem sistemática dos processos. Melhoria contínua em todos os níveis da organização. Relacionamento de mútuo benefício com os fornecedores. Fonte: Pereira (2009, p. 158). A Qualidade está relacionada ao grau de excelência, tanto de um processo, do produto final desse processo, quanto das atividades auxiliares a este processo, como a manutenção, que tem por objetivo manter a confiabilidade e a disponibilidade dos ativos. Quanto mais qualidade aplicarmos aos processos de manutenção, mais esta será estratégica para a organização. 219UNIDADE 8 A Qualidade Total, de acordo com Kardec e Nascif (2009), é parte integrante do sistema gerencial da maioria das empresas e cada segmento da orga- nização tem o objetivo de contribuir para o seu desempenho, sempre buscando como resultado a satisfação dos clientes, a redução do desperdí- cio e a melhoria global dos resultados. Um destes segmentos citados pelos autores é a manutenção, que precisa contribuir estrategicamente para o atingimento desses resultados. Nesse contexto, a utilização de ferramentas de qualidade é essen- cial para que esse processo seja sistematizado e eficiente. As ferramentas da qualidade consistem em um conjunto de técnicas utilizadas para dar mais clareza à tomada de decisões relacionadas a um processo empresarial. São amplamente utilizadas, em conjunto com o PDCA, na gestão da manu- tenção. As ferramentas mais conhecidas e utilizadas na manutenção são Ciclo PDCA, Gráfico de Pareto, Diagrama de Ishikawa, Brainstorming e 5W2H, as quais veremos a seguir. Ferramentas de Qualidade Aplicadas à Manutenção 220 Qualidade Na Manutenção Ciclo PDCA O PDCA consiste em um método de gestão utilizado para o controle e melhoria contínua de processos e produtos. A Figura 3 mostra arepresentação sistemática do Ciclo PDCA. Plan Do CheckAct Planejar a mudança, o projeto ou a intervenção. Executar de acordo com o planejado. Atuar em sintonia, ajustar, aprender e reportar. Verificar, comparar o realizado com o planejado, detectar desvios e reportar. CICLO DE MELHORIA CONTÍNUA Figura 3 - Ciclo de melhoria contínua de acordo com a sequência PDCA Fonte: Pinto (2013, p. 79). Para Campos (2004), o PDCA é visto como um método para se atingir as metas, ou seja, o caminho para a meta. O Ciclo PDCA foi promovido por W. E. Deming a partir dos anos 1950, no Japão, e caracteriza-se pelo modo simples e sistemático com que orienta as pessoas na implementação de ações que vi- sam a mudança, a resolução de problemas ou a implementação de projetos. Fonte: Pinto (2013, p. 78). 221UNIDADE 8 O objetivo do PDCA é facilitar o atingimento das metas por meio de um processo sistemati- zado e, segundo Campos (2004), existem dois tipos de metas: metas para manter e metas para melhorar. Quando nosso objetivo é entregar um certo relatório de manutenção no dia 5 de cada mês, estamos nos referindo a uma meta do tipo manter. Quando o objetivo é reduzir o custo de manu- tenção em 5%, aumentar o Tempo Médio entre Falhas em 10% ou a Disponibilidade em 0,5%, es- tamos nos referindo a uma meta do tipo melhorar. O Quadro 1 mostra um exemplo de aplicação do PDCA na Manutenção. Plan Do Check Action Plano de Manutenção Preventiva Plano de Calibração Plano de Treinamentos Execução de tarefas corretivas Execução de tarefas preventivas Execução de tarefas preditivas Execução de melhorias MTBF MTTR Disponibilidade Backlog Retrabalho Custos Absenteísmo Auditorias Acidentes Giro de Estoque Solução de Problemas Melhorias Específicas Revisão de Planos de Manutenção Treinamento e Capacitação Quadro 1 – PDCA aplicado na Manutenção Fonte: o autor. Pinto (2013) afirma que a simplicidade do ciclo PDCA faz com que muitos o utilizem de forma apres- sada, não o aplicando formalmente. Como consequência, a maioria dos projetos falha ou fica aquém dos resultados esperados. Este é um cuidado que devemos ter ao aplicar a metodologia na manutenção. Gráfico de Pareto O gráfico de pareto, de acordo com Vergueiro (2002), foi desenvolvido pelo engenheiro e economista italiano Vilfredo Pareto, que examinou a distribuição de riquezas em seu país e, ao descrevê-la esta- tisticamente, concluiu que 20% da população possuía a maior parte da riqueza, ou seja, mais de 80%. Tempos depois, a mesma ideia foi levada pelos estatísticos ao mundo da produção e dos serviços, mostrando-se aplicável também nesses ambientes. Assim, constatou-se que grande parte dos problemas são devidos a algumas poucas causas vitais. A Figura 4 mostra um gráfico de pareto utilizado para ordenar as frequências das ocorrências de falhas e/ou perdas associadas aos equipamentos e/ou processos industriais. 222 Qualidade Na Manutenção Figura 4 - Gráfico de Pareto Fonte: o autor. O objetivo do gráfico de pareto é identificar quais foram os equipamentos ou falhas mais ofensores para o processo, dando uma direção para a Ma- nutenção de onde se deve colocar os seus esforços. Dessa forma, é possível identificar as principais falhas e também atacar os equipamentos que mais impactam no processo, gerando um aumento de eficiência e a consequente redução de custos. Para a elaboração de um bom diagrama de pareto, Vergueiro (2002, p. 55) indica o seguinte passo a passo: “ 12 10 8 6 4 2 0 120% 100% 80% 60% 40% 20% 0% Quebra de acoplamento Corrente travada Falta de energia elétrica Falha no compressor Número de ocorrências % Acumulado Queima de fusível Quebra de correia Curto circuito Falha na automoção Gráfico de Pareto 5. Comparar a frequência ou custo de cada categoria com relação a todas as outras categorias (exemplo: o defeito “A” custou R$75.000,00 anualmente, o defeito “B” custou R$ 50.000,00, e as- sim por diante); 6. Listar as categorias da esquerda para a direita no eixo horizontal, em ordem decrescente de colocação. Os itens de menor importância podem ser combi- nados em uma categoria denominada “outros”, colocada no extremo direito do eixo, como última barra; 7. Acima de cada classificação ou ca- tegoria, desenhar um retângulo ou barra cuja altura corresponda ao valor dessa variável na classificação escolhida. É importante lembrarmos que o objetivo das ferra- mentas de qualidade é auxiliar a manutenção na sis- tematização das informações necessárias para uma boa gestão, ou seja, utilizar técnicas de agrupamento de dados para transformá-los em informações úteis para a tomada de decisões, contribuindo para uma gestão mais clara, assertiva e alinhada aos objetivos estratégicos da manutenção. 1. Selecionar os problemas a serem comparados e estabelecer uma or- dem de prioridade para a análise; 2. Selecionar um padrão de compara- ção como unidade de medida (custo mensal, custo anual, frequência de ocorrência); 3. Selecionar um período de tempo (horas, dias, semanas, meses, anos etc.); 4. Reunir os dados necessários dentro de cada categoria (exemplo: o defeito “A” ocorreu “X” vezes nos últimos 6 meses); 223UNIDADE 8 Diagrama de Causa e Efeito O diagrama de causa e efeito, de acordo com Quintana (2016), é uma poderosa ferramenta aplicada em empresas para verificar e corrigir problemas de diversos graus de complexidade, e foi desenvolvido para representar a relação entre o “efeito” e todas as possibilidades de “causa” que podem contribuir para tal efeito. Pode ser aplicado na manutenção para identificar causas relacionadas a efeitos prejudiciais ao processo. A Figura 5 mostra uma representação de um diagrama de Ishikawa. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. Medição Pessoas Máquinas Ambiente Materiais Processo Erros no equipamento Especificações incorretas Métodos inadequados Poeira e sujidade Controle de parâmetros ambientais Falha de supervisão Falta de concentração Falta de informação Fora de ajuste Ferramentas Velhas/gastas Problemas no manuseamento Defeitos no fornecedor Fora de especificações Falhas na concepção do processo Mau design no processo Problema de gestão de qualidade Problema de Qualidade Figura 5 - Exemplo de um Diagrama de Ishikawa Fonte: Pinto (2013, p. 97). O diagrama de Ishikawa deve ser utilizado nos processos de análise de falhas. É um ferramenta de grande utilidade, capaz de organizar as opiniões dos envolvidos, cruzar as informações e, assim, enten- der o que gerou tal ocorrência no processo ou no equipamento. As análises de causa raiz de falhas são extremamente importantes para a Manutenção, pois só assim deixaremos de ser meros executantes (tomando ações após as ocorrências, para repor os equipamentos em funcionamento) para sermos membros ativos do processo (identificando as causas raízes e eliminando a ocorrência do mesmo problema no equipamento em questão e até em outros equipamentos similares, tanto da mesma planta quanto de outras da mesma organização). 224 Qualidade Na Manutenção Uma outra ferramenta que auxilia na elaboração de um diagrama de causa e efeito é conhecida como Brainstorming. Esta ferramenta, de acordo com Daychoum (2008), consiste em estimular e coletar ideias dos participantes, um por vez e continuamente, sem nenhu- ma preocupação crítica, até que se esgotem as possibilidades. Essas ideias são anotadas em um post-it e, posteriormente, dis- tribuídas nas seis vertentes do diagrama de causa e efeito (máquina, pessoas, medição, ambiente, materiais, processo). Essa ferramenta facilita a geração de ideias e causas associadas a um determinado efeito. O Brainstorming (ou tempestade de ideias), mais que uma técnica de dinâmica de grupo, é uma atividade desenvolvida para explorar a potencialidade criativa do indivíduo, colocando-o a serviço de seus objetivos. No Brasil, também é carinhosamenteconhecida como “toró de parpite”. Fonte: Daychoum (2008, p. 41). 5W2H Outra ferramenta da qualidade amplamente utilizada na Manu- tenção é o 5W2H. Esta ferramenta é conhecida por este nome em função de ser composta de sete questões, sendo cinco delas iniciadas com a letra W e 2 duas com a letra H: • What? (O que será feito?) • Why? (Por que será feito?) • Where? (Onde será feito?) • When? (Quando será feito?) • Who? (Por quem será feito?) • How? (Como será feito?) • How much? (Quanto vai custar?) Podemos dizer que o 5W2H nada mais é do que uma maneira de organizar atividades, prazos e responsabilidades que devem ter muita clareza e eficiência por todos os envolvidos. O Quadro 2 mostra um exemplo de 5W2H. 225UNIDADE 8 What (o que) Why (por que) Where (onde) When (quando) Who (quem) How (como) How much (quanto) Analisar a linha de ar comprimido Eliminar possíveis vazamen- tos Setor B Mensalmente Instrumentista Identificar vazamentos com o setor parado e providenciar os reparos R$ 500,00 Quadro 2 – Modelo de 5W2H Fonte: o autor. Daychoum (2008, p. 83) lista algumas perguntas que poderão servir de base para um melhor enten- dimento da metodologia, facilitando, assim, a sua utilização: “ O que? Que? Qual? • Que produto/serviço o processo produz? • Qual o grau de satisfação do cliente com o processo? • Quais os resultados dessa atividade? • Quais as atividades são dependentes dessa? • Quais atividades são necessárias para o início dessa? • Quais os insumos necessários? • Quais são as metas, padrões e estra- tégias a serem adotadas? • Quais são os indicadores de desem- penho do processo? • Quais são os métodos e a tecnologia empregada? Quem? • Quem executará determinada ativi- dade? • Quem depende da execução dessa atividade? • Quem são os envolvidos nesse pro- cesso? • Quem são os clientes ou fornecedo- res? • Quem são os gerentes e executores do processo? • Quem participa das decisões? • Quem deveria executar o proces- so? • Essa atividade depende de quem para ser iniciada? Por quê? • Por que essa atividade é necessária? • Por que essa atividade não pode fun- dir com outra atividade? • Por que A, B e C foram escolhidos para executar essa atividade? • Por que/para que esse processo exis- te? • Por que deve ser feito dessa ma- neira? Onde? • Onde a atividade será executada? • Onde serão feitas as reuniões presen- ciais da equipe? • Onde o processo é planejado, execu- tado e avaliado? • Onde o processo deveria ser execu- tado? Quando? • Quando será o início da atividade? • Quando será o término? • Quando serão as reuniões presen- ciais? 226 Qualidade Na Manutenção • Quando providenciar a aquisição? • Quando deve começar o envolvi- mento dos clientes com o processo? • Quando deve terminar o envolvi- mento dos clientes com o processo? • Quando o processo deve ser avalia- do? • Quando o processo deve ser execu- tado? • Quando cada etapa deve ser execu- tada? Como? • Como essa atividade será executada? • Como acompanhar o desenvolvi- mento dessa atividade? • Como A, B e C vão interagir para executar essa atividade? • Como o processo é planejado, exe- cutado e avaliado? • Como as informações são registradas e disseminadas? • Como é avaliada a satisfação do cliente? • Como está o desempenho do pro- cesso? Quanto? • Quanto custará essa atividade? • Quanto custará essa paralisação? • Quanto considerar para contin- gência? • Quanto disponibilizar de recursos financeiros? • Quanto tempo está previsto para atividade? Essas perguntas podem ser adaptadas ao dia a dia da manutenção, facilitando a elaboração e o sucesso do planejamento. Os princípios fundamentais da melhoria contí- nua são: 1. Encarar os problemas como oportunida- des. 2. Usar a cabeça em vez da carteira. 3. Repetir cinco vezes o “porquê” até encon- trar a causa raiz do problema. 4. Trabalhar em equipe, colaborando e par- tilhando as boas práticas entre todos. 5. Abandonar as ideias preconcebidas, ado- tar novos paradigmas. Fonte: Pinto (2013, p. 80). Como visto, as ferramentas de qualidade são am- plamente aplicáveis aos processos de manutenção, em conjunto com as metodologias da área. Aqui, finalizamos mais esta unidade e tenho certeza de que o seu nível de conhecimento e entendimento sobre a manutenção alcançou um novo e mais alto patamar. Complementando, tudo o que fazemos na vida tem que ser feito com carinho e com qualidade, e na manutenção não é diferente. É preciso fazer a tarefa certa na hora e no equipamento certos! Bons estudos e até a nossa próxima unidade. Aguardo você lá! 227 1. As ferramentas da qualidade são extremamente úteis na identificação e resolução de problemas. Leia as afirmações a seguir. I) O diagrama de causa e efeito pode ser utilizado para a definição e o acompanha- mento das metas da manutenção. II) As ferramentas da qualidade são extremamente úteis na gestão da manutenção, contribuindo para a identificação e solução de problemas. III) O diagrama de Pareto associa as causas com um efeito indesejado para o qual se busca a solução. IV) O ciclo PDCA consiste em um método de gestão utilizado para o controle e melhoria contínua de processos e produtos. Assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas. a) Somente as afirmativas I e II estão corretas. b) Somente as afirmativas II e IV estão corretas. c) Somente a afirmativa IV está correta. d) Somente as afirmativas II, III e IV estão corretas. e) Nenhuma das alternativas anteriores está correta. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 228 2. O ciclo PDCA, também conhecido como círculo de Deming, é amplamente utili- zado para ajudar no atendimento do planejamento estratégico de uma organi- zação, bem como nos processos de melhoria contínua do dia a dia. Em relação ao ciclo PDCA, assinale verdadeiro (V) ou falso (F). ) ( É uma ferramenta utilizada para facilitar o atingimento das metas. ) ( É composto por seis passos. ) ( Pode ser facilmente desdobrado e aplicado na manutenção. ) ( O PDCA significa: Planejar, Decidir, Controlar e Agir. A sequência correta para a resposta da questão é: a) F, V, V, F. b) V, F, V, V. c) V, F, V, F. d) V, V, V, F. e) V, V, F, V. 229 3. A manutenção tem evoluído com o passar do tempo, desde a primeira geração, do famoso quebra-conserta, até os dias de hoje, em que o discurso remete para novas tendências, novas tecnologias, novas formas de trabalho e, até mesmo, novas maneiras de mensurar e divulgar os resultados. Podemos dizer que a ma- nutenção e a qualidade tem muito em comum quando falamos de evolução. Leia as definições a seguir relacionadas aos princípios de qualidade na manutenção. a) Os indicadores de desempenho para o gerenciamento do sistema de manu- tenção. b) Também conhecido como “funcionamento básico”. c) Aplicação de tarefas de manutenção preventiva, mesmo que modestas, ante- cipando-se às falhas. d) Fazer as tarefas certas, na hora certa e no componente e/ou equipamento certo. e) Integração e coordenação das diversas funções e processos de negócio. Associe as definições da coluna com as afirmativas. ) ( Nível 1 – Quebra e conserta. ) ( Nível 2 – Cuidados básicos na manutenção. ) ( Nível 3 – Planos de manutenção eficazes. ) ( Nível 4 – Eficiência na manutenção. ) ( Nível 5 – Excelência na manutenção. 230 Gerenciamento da Rotina do Trabalho no Dia a Dia Autor: Vicente Falconi Editora: Falconi Sinopse: é um texto destinado à operação de qualquer tipo de organização: uma pequena loja, um grande banco, um órgão público. O conteúdo deste livro vai ajudá-lo a aplicar métodos à sua operação diária, a fim de torná-la mais estável e confiável. Durante seu trabalho junto a diferentes empresas, o Prof. Falconi percebeu a necessidade de um texto que detalhasse o processo de gerencia- mento da operação da rotina. Por isso, trabalhou neste livro com um objetivo em mente: proporcionar um guia de fácilcompreensão para que qualquer pessoa possa melhorar a gestão de suas funções. Desse esforço surgiu um livro no qual são aplicadas algumas técnicas modernas de comunicação, tais como o uso intensivo de diagramas, itemização e palavras-chave. Este livro, de fácil leitura, é aplicável às mais diversas áreas de gerenciamento, como produção, serviços e manutenção, e certamente tem sido utilizado para melhorar os resultados de muitas empresas e órgãos públicos de todo o mundo. LIVRO O homem que mudou o jogo Ano: 2012 Sinopse: o gerente geral da Oakland A, Billy Beane (Brad Pitt), desafia o sistema e a sabedoria convencional quando é forçado a recompor sua pequena equipe com um orçamento baixo. Apesar da oposição da velha guarda, a mídia, fãs e o próprio gerente de campo (Philip Seymour Hoffman), Beane – com a ajuda de um economista jovem, formado em Yale (Jonah Hill) – cria uma lista de desa- justados... e acaba mudando para sempre o modo como o baseball é jogado. Comentário: o filme mostra que, mesmo com o corte de orçamento, a inovação ajudou a atingir o objetivo final. Este é o desafio de todas as organizações: mais resultados com menos recursos. FILME Links: Conheça esta página, que contém diversos materiais relacionados à gestão da qualidade e à aplicação de suas ferramentas. WEB 231 BROH, R. A. Managing quality of higher profits. New York: McGraw-Hill, 1982. CAMPOS, V. F. Gerenciamento da rotina do trabalho do dia a dia. Nova Lima: INDG Tecnologia e Serviços Ltda., 2004. DAYCHOUM, M. 40 + 2 ferramentas e técnicas de gerenciamento. 2. ed. Rio de Janeiro: Brasport, 2008. GILMORE, H. L. Product conformance cost. Quality Progress: June, 1974. JOHNSON, R.; WINCHELL, W. O. Production and Quality. Milwaukee: American Society of Quality Control, 1989. JURAN, J. M. Quality Control Handbook. New York: McGraw-Hill, 1974. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: Função Estratégica. 3. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2009. MORTELARI, D.; SIQUEIRA, K.; PIZZATI, N. O RCM na quarta geração da manutenção de ativos. São Paulo: RG Editores, 2011. PEREIRA, M. J. Engenharia de Manutenção - Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Ciência Moderna Ltda., 2009. PINTO, J. P. Manutenção Lean. Lisboa: Lidel, 2013. QUINTANA, A. Mapa – Os quatro passos para o sucesso. Rio de Janeiro: Editora Autografia, 2016. SCHERKENBACH, W. W. Deming’s Road to Continual Improvement. Knoxville: TN:SPC Press, 1991. VERGUEIRO, W. Qualidade em serviços de informação. São Paulo: Arte & Ciência, 2002. 232 1. B. 2. C. 3. B, C, D, A, E. 233 234 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Me. Alessandro Trombeta • Entender a importância da Gestão Estratégica da Manu- tenção. • Conceituar a Gestão de Ativos. • Compreender a mudança de cenário com a Gestão de Ativos. Gestão Estratégica na Manutenção A Gestão de Ativos Normatização da Gestão de Ativos Gestão de Ativos Gestão Estratégica na Manutenção Caro(a) aluno(a), chegamos na nossa última uni- dade! E vamos tratar do tema Gestão de Ativos, um assunto amplamente debatido na manutenção desde 2014, com a chegada da norma ISO 55.000. Como vimos, a manutenção vem passando por evolução e quebra de paradigmas ao longo do tempo e a Gestão de Ativos vem para contribuir com um nova visão e uma nova sistemática de como trabalhar com um equipamento, buscando o seu desempenho ótimo em todas as fases do seu ciclo de vida. 237UNIDADE 9 Na década de 50, o Brasil vivia na filosofia de que países em desenvolvimento deveriam favo- recer tecnologias primitivas baseadas, principal- mente, na utilização da mão de obra. Em pouco mais de 50 anos, tudo isso mudou. O mercado brasileiro foi aberto na década de 90 e a con- corrência com produtos do exterior fez muitas empresas adotarem novas filosofias, fruto da alta competitividade e da grande diferença de preços. Para Lustosa et al. (2008), as empresas brasileiras estão agora submetidas à concorrência global, o que exige a plena satisfação do cliente para a so- brevivência no mercado. Viana (2002) comple- menta, alegando que as técnicas de organização, planejamento e controle nas empresas sofreram uma tremenda evolução e, de acordo com Kardec e Nascif (2009), não existe mais espaço para im- provisos e arranjos. Hoje, podemos dizer que a gestão da mudança é um fator crítico de sucesso para as empresas. É preciso estar preparado e alinhado com as tendên- cias e exigências de um mercado cada vez mais competitivo. Viana (2002) afirma que a presen- ça de equipamentos cada vez mais sofisticados e de alta produtividade trazem uma exigência maior de disponibilidade, além de altos custos de inatividade ou subatividade, o que demanda conhecimento para utilizá-los de forma racional e produtiva. A manutenção, por estar inserida diretamente na cadeia produtiva industrial, tem papel importante nesta evolução, passando por diferentes paradigmas, de acordo com Kardec e Nascif (2009, p. 17): “ Paradigma anterior: o homem de manu- tenção sente-se bem quando executa um bom reparo; Paradigma atual: o homem de manuten- ção sente-se bem quando consegue evitar todas as falhas e paradas não planejadas do processo; Paradigma do futuro: o homem de ma- nutenção sente-se bem quando consegue extrair o melhor desempenho do ativo em todas as etapas do seu ciclo de vida. A manutenção sempre esteve associada ao ter- mo “manter”, que está relacionado a “não mudar”. Cabe ao profissional da manutenção, entretanto, inovar para garantir que o paradigma do futuro se torne o presente da manutenção. Kardec e Nascif (2009) afirmam que é preciso pensar e agir estra- tegicamente para que a atividade de manutenção se integre de maneira eficaz no processo produti- vo, contribuindo para que a empresa caminhe na direção da Excelência Empresarial. Sacomano et al. (2018, p. 137) afirmam que: “ É necessário para uma organização alcançar seus objetivos quanto à gestão de manuten- ção e ativos observar como estes ativos são gerenciados quanto a: natureza e finalidade da organização; seu contexto operacional; suas limitações financeiras e requisitos re- gulatórios; as necessidades e expectativas da organização e suas partes interessadas. Estes são fatores de influência que devem ser considerados para estabelecer manuten- ção e melhoria contínua da gestão de ativos. A eficácia na gestão dos ativos é essencial para as organizações obterem valor por meio do gerenciamento de riscos e opor- tunidades, pois é necessário atingir equilí- brio na relação custo, risco e desempenho. Portanto, quando a estrutura de gestão é in- tegrada a um sistema de governança e risco é possível que sejam tangíveis os benefícios e também alavancar oportunidades de me- lhoria e melhor aproveitamento dos ativos. Isso evidencia a importância de aprofundarmos o nosso estudo sobre a Gestão de Ativos. 238 Gestão de Ativos A manutenção tem passado por grandes mudan- ças ao longo de sua evolução, buscando tornar os processos cada vez mais eficientes e de forma consciente e sustentável. Isso justifica a sua preo- cupação com custo, disponibilidade, confiabili- dade, segurança e meio ambiente. Hoje, podemos dizer que esses tópicos estão em evidência dentro das organizações. Os geren- tes de manutenção têm como desafio satisfazer as expectativas dos proprietários e acionistas, de seus clientes internos e externos e da sociedade como um todo. Pinto (2013, p. 17) afirma que “de pouco adianta ao gestor de operações procurar ganhos de produtividade se os equipamentos não dispõem de manutenção adequada”. Esses são ape- nas alguns dos desafios da manutenção moderna. A Gestão de Ativos 239UNIDADE 9 Hoje, vivemos um cenário de competitividade global e a manu- tenção está, literalmente, cada vez mais perdendo o seu significado. Quando falamos em manutenção, estamos nos referindo a um sis- tema de gestão, ou seja, uma nova organização da forma de enten- dimento da necessidade de sinergia entre todos os departamentos envolvidosnos processos produtivos. Assim, podemos dizer que o termo “manutenção” aos poucos será substituído por “gestão de ativos”, pois esta nova visão não é de responsabilidade apenas do Departamento de Manutenção, mas de toda a empresa, e o que se espera é resultado. A gestão de ativos se faz presente em todas as fases do ciclo de vida de um bem, ou seja, passa pela Especificação, Projeto, Instala- ção, Comissionamento, Operação, Manutenção e Descarte, visando obter o melhor desempenho do ativo em qualquer fase do seu ciclo. As falhas durante o ciclo de vida de um ativo acabam acelerando o fim da vida útil do ativo, reduzindo o seu tempo remanescente de utilização. Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011) afirmam que a gestão de ativos é mais do que apenas aplicar-se ações de manutenção, mas envolve ações da operação, das engenharias de proces- sos, segurança, meio ambiente e outros departamentos que são praticamente diretos ou indiretos da confiabilidade operacio- nal. Assim, gestão de ativos, segundo os autores, compreende obter-se o máximo resultado possível dos ativos no que tange ao seu desempenho operacional com o menor custo possível, a partir do envolvimento de todos os relacionados com o processo, elevando-se os resultados e atingindo os objetivos planejados. Estamos vivenciando a Quarta Geração da Manutenção, em que o foco é maximizar a eficácia de um ativo, minimizar as falhas, reduzir perdas e maximizar ganhos. Para isso, de acordo com Mor- telari, Siqueira e Pizzati (2011), novos desafios devem fazer parte do nosso dia a dia, como: Gestão de Risco, Confiabilidade Humana e Acuracidade na Medição e Demonstração dos Resultados. O Quadro 1 mostra a evolução da Manutenção e a Gestão de Ativos na visão de Kardec e Nascif (2009). 240 Gestão de Ativos Primeira Geração Segunda Geração Terceira Geração Gestão de Ativos Aumento das expectativas em relação à manutenção Conserto após a falha -Disponibilidade crescente - Maior vida útil do equipamento - Maior confiabili- dade - Maior disponibili- dade - Melhor relação de custo-benefício - Preservação do meio ambiente - Maior confiabili- dade - Maior disponibili- dade - Melhor relação custo benefício - Preservação do meio ambiente - Segurança - Influência nos resultados do negócio - Gerenciamento dos ativos Visão quanto à falha do equipamento Todos os equipa- mentos se desgas- tam com a idade e, por isso, falham. - Todos os equipa- mentos se com- portam de acordo com a curva da banheira - Existência de 6 padrões de falhas - Redução drástica de falhas prema- turas Mudança nas técnicas de manutenção Habilidades volta- das para o reparo - Planejamento manual da manu- tenção - Computadores grandes e lentos - Manutenção pre- ventiva por tempo - Monitoramento da condição - Manutenção Pre- ditiva - Análise de risco - Computadores pequenos e rápi- dos - Softwares poten- tes - Grupos de traba- lho multidisciplina- res - Projetos voltados para a confiabili- dade - Contratação por mão de obra e serviços - Aumento da Ma- nutenção Preditiva e Monitoramento da condição - Minimização nas manutenções pre- ventivas e correti- vas não planejadas - Análise de falhas - Técnicas de con- fiabilidade - Manutenibilidade - Projetos voltados para Confiabilidade, Manutenibilidade e Custo do Ciclo de Vida - Contratação por resultados Quadro 1 - Evolução da Manutenção e Gestão de Ativos Fonte: adaptado de Kardec e Nascif (2009). Vamos abordar alguns dos itens trazidos pela quarta geração da manutenção. 241UNIDADE 9 Gestão de Risco Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011) definem o risco como sendo o potencial de perda ou de dano resultante da exposição a um perigo. É importante que a organização possua uma sis- temática para avaliação e gestão de risco. Para auxiliar, existe a ISO 31.000, que se trata de um método lógico e sistemático de estabelecer o contexto, identificando, analisando, avaliando, tratando, monitorando e comunicando os ris- cos associados com qualquer atividade, função ou processo de modo a capacitar as organiza- ções e a minimizar as perdas, além de maximi- zar as oportunidades. De acordo com Moraes (2013), as técnicas de análise de riscos possibilitam identificar possíveis falhas potenciais, tanto de equipamentos quanto das ações humanas, que possam afetar o desem- penho do sistema de gestão e até inviabilizar o empreendimento. O Quadro 2 mostra uma relação de aconteci- mentos que nos fazem refletir sobre a importância da gestão de riscos nas organizações. Ano Local Empresa Efeitos Produto Evento 1974 Flixborough Inglaterra Ind. Química 28 mortos, 89 feridos e US$ 150 milhões de prejuízo Ciclohexano Incêndio Explosão 1976 Seveso Itália Ind. Química 250 lesões 3.000 animais mortos Tetraclorodibenze- no-p-dioxina Vazamento 1982 Rio de Janeiro Brasil Transportador 6 mortos Pentaclorofenato de sódio Intoxicação 1984 San Juanico México Ind. de Refino 550 mortos 2.000 lesões Butano Incêndio Explosivo 1984 Bhopal Índia Union Carbide 2.500 mortos 50.000 lesões Isocianato de metila Vazamento 1984 Cubatão Brasil Petrobrás Gasoduto 96 mortos Nafta Incêndio Explosivo 242 Gestão de Ativos 1986 Chernobil Usina Nuclear Estatal 300 mortos Impacto em outros países da Europa Plutônio e outros materiais radioa- tivos Vazamento Radioativo 1988 Escócia Petróleo Plataforma Piper Alfa 167 mortos US$ 6 milhões em prejuízos Petróleo Incêndio Explosivo 1989 URSS Empresa Esta-tal de Petróleo 600 mortos Gás Natural Incêndio Explosivo 1989 Alasca Exxon Impactos ambientais e econômicos Petróleo Incêndio Explosivo 2001 Campos/RJ Brasil Petrobrás Pla- taforma P-36 11 mortos US$ 45 milhões em prejuízos Petróleo Incêndio Explosivo Quadro 2 – Acidentes na Indústria Fonte: adaptado de Moraes (2013). O Quadro 2 mostra o quanto é importante para a organização possuir uma ferramenta de gestão de riscos, principalmente para garantir a vida das pessoas e a continuidade dos processos industriais. Moraes (2013) nos lembra que a confiabilidade procura o tempo no qual um sistema permanecerá disponível sem a ocorrência de falhas, mas também destaca que, além da confiabilidade tecnológica, existe a confia- bilidade humana, que busca determinar a probabilidade do erro humano ocorrer em qualquer ambiente de trabalho, independentemente das ferramentas de controle que estejam sendo utilizadas. Este é o nosso próximo assunto! Em 2009 foi lançada a primeira versão da ISO 31.000, que trata das principais questões da Gestão do Risco. Ao contrário das outras normas ISO já conhecidas, a 31.000 não é certificadora. A Gestão de Risco deve ser absorvida pela filosofia de negócios da organização, podendo ser aplicada em todos os níveis estratégicos e operacionais. Fonte: Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011, p. 50). 243UNIDADE 9 Confiabilidade Humana A confiabilidade de um sistema produtivo, de acordo com Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011), não pode ficar restrita aos equipamentos e com- ponentes, sem o entendimento de que o elemento humano está inserido nesse processo. O elemento humano faz parte do contexto, podendo falhar e causar impactos no processo produtivo como um todo. Dessa forma, os erros humanos, sejam eles relacionados à operação ou manutenção, devem ser listados no processo de levantamento de pro- blemas e tratados a contento. Segundo os autores, no Brasil, cerca de 90% dos acidentes de trânsito são causados por falhas humanas. Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011, p. 65-67) relacionam algumas ações que podem ser colo- cadas em práticas com o objetivo de aumentar a confiabilidade humana: “ 1. Na configuração física do item (reprojeto ou melhoria visando aumentar a segurança ou tornar a função à prova de falha – poka-yokes, por exemplo): a) Botões dispostos em ordem de uso, da esquerda para a direita. b) Telas com apresentação gráfica tão boa quanto texto. c) Botões únicos para sistemas de emer- gência. d) Cores padronizadaspara diferentes con- dições: vermelho / amarelo / verde. e) Avisos sonoros para condições impró- prias. f) Desenvolvimento de sistemas e de layouts funcionais para comportamentos repetiti- vos. g) Controles mais usados em posições fa- voráveis. h) Instalações de proteções físicas. “ 2. Na capacitação do mantenedor ou ope- rador: a) Melhorando o conhecimento e habilida- de sobre o sistema e sobre o processo ainda não suficientes em algumas áreas. b) Identificando a comunicação e coorde- nação inadequada ou insuficiente e melho- rando. c) Desenvolvendo critérios, métodos e ferra- mentas para considerar os fatores humanos no projeto, cuidando de treinamento e mé- todos de avaliação ainda precários. d) Barreiras culturais na compreensão dos requisitos de segurança. e) Turnover muito alto. “ 3. Nos procedimentos de manutenção ou operação a fim de torná-los mais eficazes: a) Escreva manuais para suporte dos operado- res e mantenedores. Não escreva manuais para escrever manuais. b) Dê manuais às pessoas não envolvidas nos processos de confiabilidade e incentive-as a usarem-nos. c) Dê orientações, avisos e sugestões claras. d) Descreva procedimentos com nível de de- talhe. e) Seja conciso e preciso. f) Revise os manuais quando os sistemas forem revisados. Os erros humanos são responsáveis por boa parte dos defeitos que levam o equipamento à falha. De acordo com Pereira (2009), os principais são: erro de montagem/instalação de componentes, erro na execução de testes, erro na instalação do equipa- mento, erro de set up, erro no ferramental, erro de ajustes, erro de avaliação e consequente uso de componente errado, erro de interpretação de desenhos ou especificações, erros administrativos, 244 Gestão de Ativos erro na avaliação em uma decisão de prioridade, erro de diagnóstico por pouca experiência e erro ao não dar importância a um alerta de que algo está sendo mal feito por um mantenedor. Pelo fato do ser humano não ser infalível e da grande quantidade de trabalhadores humanos que temos nas organizações, Pereira (2009) afirma que a técnica poka yoke não é feita somente com sistemas de alto custo, mas de inúmeros outros de construção mais simples, todos com o obje- tivo de evitar o “erro”. Dispositivos de medição, como o “passa/não passa” são um bom exemplo. Conforme a criatividade, o autor sugere que po- demos desenvolver vários dispositivos com baixo investimento. Acuracidade na Medição e Demonstração dos Resultados Para iniciar esse assunto, vamos a um exemplo de Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011): um equipa- mento pode falhar várias vezes e ser recolocado em operação rapidamente. Outro equipamento tem uma única falha, porém permanece parado por um longo período em função da falta de um sobressalente na planta. No primeiro caso, tivemos alta disponibilidade, porém com baixa confiabili- dade. No segundo caso, houve apenas uma falha, portanto maior confiabilidade, mas com baixa disponibilidade em função do longo tempo de paralisação decorrente da falta do sobressalente necessário. Nesse exemplo, fica evidente que o que interessa para a empresa é disponibilidade com confiabilidade! Para a quarta geração da manutenção, é im- portante que os indicadores sejam monitorados adequadamente e impactem na melhora da per- formance da planta. O OEE é indicado para medir o desempenho tanto de equipamentos quanto de instalações. Outros fatores extremamente impor- tantes, destacados por Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011), são a medição e controle dos custos de manutenção, a integração entre os sistemas de suprimentos e manutenção e o controle de índices relacionados a riscos de ocorrências de falhas, que deverão medir prejuízos futuros que decorrerão de eventos não controlados. A cada dia que passa, as organizações precisam se reinventar e aumentar a eficiência dos seus pro- cessos para garantir a sua sobrevivência no mer- cado cada vez mais competitivo e, nesse contexto, a Gestão de Ativos já é realidade e estará cada vez mais presente no dia a dia do profissional de ma- nutenção. No próximo tópico, vamos aprofundar o nosso conhecimento nas normas que norteiam a Gestão de Ativos. A Gestão de Ativos deveria estar diretamente re- lacionada com a direção da organização, devido a sua importância para o negócio. Fonte: Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011, p. 23). 245UNIDADE 9 A manutenção, como vimos, precisa ser parte es- tratégica do negócio. Para atender as organizações onde a manutenção é responsável pela Gestão de Ativos e que vislumbram um nível de excelência classe mundial, Venanzi, Leandro e Silva (2019) afirmam que foram criadas normas que direcio- nam a melhoria contínua dos processos, condu- zindo a implementação das melhores práticas: Normatização da Gestão de Ativos 246 Gestão de Ativos • PAS 55 (Publicy Available Specification – 55) – Divulgada pelo British Standard Institute (BSI), aplica-se a qualquer or- ganização, em que seus ativos são pontos críticos para a entrega de produtos ou ser- viços e com definições claras de requisitos que orientam a gestão de ativos integrados, otimizados e sustentáveis. • ISO 55.000 – Trata-se de uma série de normas destinadas à gestão de ativos com princípios gerais e terminologias. • ISO 55.001 – Gestão de ativos com foco em sistemas de gestão e seus requisitos. • ISO 55.002 – Gestão de ativos com orientação para a implementação da ISO 55.001. A norma ISO 55.000 define os ativos, segundo Venanzi, Leandro e Silva (2019, p. 186), como “ item, bem, coisa ou entidade que tem valor real ou potencial para uma organização, cujo valor pode ser tangível ou intangível, financeiro ou não financeiro, incluindo as considerações de riscos e responsabilidades, podendo ainda ser positivo ou negativo em diferentes etapas de vida do ativo. • Os ativos tangíveis estão relacionados aos ativos físicos que se referem aos equipa- mentos, inventário e propriedades perten- centes à organização. • Os ativos intangíveis estão relacionados aos bens não físicos e se referem às loca- ções, marcas, ativos digitais, direitos, licen- ças, propriedade intelectual, reputação ou acordos. A ISO 55.001, de acordo com Venanzi, Leandro e Silva (2019), recomenda vários requisitos para o estabelecimento de metas e também para o seu atingimento, ou seja, aplicação de um sistema de gestão que determina as diretrizes de como alcan- çá-las, contemplando: • Objetivos traçados devem estar em confor- midade com os propósitos da organização. • Fornecimento de uma estrutura para a de- finição desses objetivos alinhados com a gestão de ativos. • Comprometimento de satisfazer os requi- sitos aplicáveis. • Comprometimento de estabelecer um processo de melhoria contínua dentro do sistema de gestão de ativos. Aqui também é importante ressaltar alguns pon- tos que impactam nos indicadores de desempe- nho, de acordo com a política de gestão de ativos recomendados na ISO 55.001: • Plano de ação para identificar e quantificar os riscos operacionais e dos processos. • Plano de análise de não conformidades e direcionamento de ações corretivas. • Métodos e critérios para tomada de deci- são e priorização das ações. • Métodos e processos para o gerenciamento do ciclo de vida dos ativos. • Plano de monitoramento dos ativos, que inclui métodos, medição, análise, resulta- dos e desempenho do monitoramento. • Plano de gestão da eficiência global dos ativos (OEE). • Plano de gestão de desempenho financeiro dos ativos. • Plano de gestão de atividades dos ativos. • Plano de atividades de melhoria contínua. • Plano de oportunidades em função das mudanças do perfil de risco. Durante o desenvolvimento dos objetivos den- tro do plano de gestão de ativos, a norma ISO 55.002 recomenda, segundo Venanzi, Leandro e Silva (2019): 247UNIDADE 9 • Estabelecer um plano de revisão de riscos, que inclui análise dos impactos gerados pelas falhas ou potenciais das falhas dos ativos e um planode atividades para eliminar ou minimi- zar os seus riscos, individualmente, em conjunto ou sistema. • Estabelecer um critério de avaliação da importância dos ativos relacionado com os resultados pretendidos, em acordo com os requisitos do produto ou serviço. • Analisar e verificar a aplicabilidade dos objetivos durante o planejamento de gestão de ativos. Gerir os ativos de forma eficiente e sustentável é o papel do gestor de manutenção moderno, que deve tratar a manutenção como uma unidade de negócio, e não apenas como um departamento ou um custo adicional para a organização. É importante que se tenha em mente que todo processo tem riscos, os quais podem impactar em produtividade, segurança, qualidade, meio ambiente e até na repu- tação da empresa. Assim, conhecer, minimizar e até mitigar esses riscos é papel do gestor de ativos. Para finalizar o item, Mortelari, Siqueira e Pizzati (2011) nos chamam atenção para a diferença entre gestão e manutenção de ativos. A gestão está muito mais relacionada ao resultado financeiro, o que não é a missão primária da função manutenção, que tem como principal função manter o ativo atendendo às necessidades do seu usuário durante o tempo que for necessário – confiabilidade. Este novo cenário, portanto, deverá “elevar” a função de operar/manter o ativo a um grau maior de importância, o grau que realmente ela merece dentro da organização. Gestão de Ativos é uma atividade coordenada de uma organização para que seus ativos produzam valor para o negócio. Esse processo envolve equilibrar os benefícios de custos, riscos, oportunidades e desempenhos. O significado do termo “atividade” é abrangente e pode incluir, por exemplo, a abordagem, o planejamento e a implantação dos planos, contemplando os requisitos necessários para implementação de um Sistema de Gestão de Ativos integrado e efetivo. Fonte: adaptado de Almeida (2017). 248 Gestão de Ativos Sacomano et al. (2018) afirmam que a utilização da NBR ISO 55.000 possibilita às empresas atingirem, de forma consciente e sustentável, objetivos de eficiência por meio de garantias obtidas na aplicação do sistema de gestão de ativos observados nesta norma. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. A gestão de ativos veio para ficar! E nós chegamos ao final dos nossos estudos em Manutenção Indus- trial. Espero que tenha aproveitado ao máximo cada item abordado e que tudo isso possa ser utilizado no seu dia a dia, potencializando a sua carreira profissional. Obrigado pela sua companhia! Aliás, ao longo da sua carreira, com certeza você verá o quanto a manutenção se faz presente no dia a dia de um engenheiro, e por isso o meu apelo durante todo o livro para que a manutenção seja vista não como um departamento, um centro de custo, mas como um setor estratégico para a organização. O engenheiro irá se deparar, ao longo de sua vida profissional, com diversas situações envolvendo a manutenção: na elétrica, ao especificar os componentes de uma subestação, e o seu papel será buscar um equilíbrio entre custo de aquisição, custo de manutenção, tecnologia a ser implementada, facilidade e segurança quando for implementar rotinas de manutenção; na mecânica, ao buscar o lubrificante mais adequado para uma determinada aplicação industrial; na civil, ao realizar um estudo técnico para aumento da vida útil de uma edificação, levando-se em consideração a sua decrepitude; na mecatrônica, ao buscar novas tecnologias que garantam o avanço sustentável da Indústria 4.0 nas empresas, como a aplicação de novas técnicas preditivas de manutenção; e na produção, ao buscar reduzir o número de ocorrências dos equipamentos, melhorando a sua eficiência para aumentar a produtividade e a segurança da planta. Viu como a manutenção está mais próxima de você do que, talvez, você imagina? Portanto, faça dela uma ferramenta estratégica para atingir os seus objetivos, os objetivos da sua organização, e alavancar a sua carreira profissional! 249 1. A Gestão de Ativos tem se consolidado como necessidade para que a manuten- ção possa, estrategicamente, trazer mais competitividade para as organizações. Assinale a alternativa correta em relação à definição de um ativo: a) Ativos são somente os equipamentos de uma organização. b) Ativos são somente os recursos humanos de uma organização. c) Ativos são somente os recursos financeiros de uma organização. d) Ativos são os equipamentos, recursos humanos, financeiros e informacionais de uma organização. e) Ativos são somente os bens informacionais de uma organização. 2. A manutenção, ao longo do tempo, deixou o seu conceito de manter, ou seja, não mudar, evoluindo até o conceito atual de gestão de ativos. Leia as afirma- ções a seguir. I) A gestão de ativos está associada à ISO 55.000. II) A quarta geração da manutenção é marcada pelo conceito de gestão de ativos. III) A gestão de ativos tem por objetivo manter os equipamentos disponíveis, independentemente da sua confiabilidade. IV) A gestão de riscos deveria ser abordada na gestão de ativos. Assinale a alternativa correta: a) Apenas I e II estão corretas. b) Apenas II e III estão corretas. c) Apenas I está correta. d) Apenas II, III e IV estão corretas. e) Nenhuma das alternativas está correta. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 250 3. Podemos dizer que a gestão da mudança é um fator crítico de sucesso para as empresas. Em relação à gestão estratégica da manutenção, assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F). ) ( O mercado brasileiro foi aberto na década de 50, o que culminou no aumento da competitividade. ) ( Hoje, podemos dizer que a manutenção se preocupa com custo, disponibili- dade, confiabilidade, segurança e meio ambiente. ) ( A partir da década de 90, a concorrência com produtos do exterior fez muitas empresas adotarem novas filosofias. ) ( Para que a empresa caminhe rumo à excelência, é preciso que mudanças ocorram, e a manutenção deve ser subordinada à operação. Assinale a alternativa correta. a) V-V-V-F. b) V-F-F-V. c) F-F-F-V. d) F-V-V-F. e) V-F-V-V. 251 Apoio à Decisão em Manutenção na Gestão de Ativos Físicos Autor: Rui Assis Editora: Lidel Sinopse: as empresas ganham consciência de que os seus Ativos Físicos (ins- talações e equipamentos), resultantes de vultuosos investimentos, devem ser mais bem rentabilizados, isto é, os custos ao longo dos seus ciclos de vida (Aquisição, Operação e Manutenção e Desativação) devem ser minimizados de modo sustentável, sem prejuízo da qualidade do serviço prestado nem da se- gurança de pessoas e bens. A recente norma ISO 55.000 veio enquadrar estas preocupações numa perspectiva integrada estratégica e operacional e sublinhar a importância de atividades de prevenção e de planos de contingência, de modo a garantir a sustentabilidade das instituições. A nível operacional, a pressão so- bre os responsáveis da Manutenção exige competências de seleção de políticas de manutenção baseadas na fiabilidade e na economia de recursos, de análise econômica de investimentos em melhorias da produtividade e de métodos de avaliação do desempenho (KPI). LIVRO Sully: O herói do Rio Hudson Ano: 2016 Sinopse: um avião precisou fazer um pouso forçado no Rio Hudson por causa de uma revoada de pássaros que danificou suas turbinas. Nesse filme, a atuação do personagem Sully (Tom Hanks), que fez com que os 150 passageiros do avião saíssem ilesos dessa situação, nos mostra que um gerenciamento perfeito pode nos abrir muitas portas. FILME 252 Um exemplo de Política de Gestão de Ativos. WEB Veja oportunidades e desafios da Gestão de Ativos no setor elétrico da América Latina. WEB 253 ABNT. NBR ISO 31000:2009. Gestão de riscos — Princípios e diretrizes. Rio de Janeiro, 2009. ABNT. NBR. ISO 55000:2014. Gestão de ativos — Visão geral, princípios e terminologia. Rio de Janeiro, 2014. ABNT. NBR. ISO 55.001:2014. Gestão de ativos — Sistemasde gestão — Requisitos. Rio de Janeiro, 2014. ABNT. NBR. ISO 55.002:2014. Gestão de ativos — Sistemas de gestão — Diretrizes para a aplicação da ABNT NBR ISO 55001. Rio de Janeiro, 2014. ALMEIDA, P. S. Gestão da manutenção: aplicada às áreas industrial, predial e elétrica. São Paulo: Érica, 2017. KARDEC, A.; NASCIF, J. Manutenção: Função Estratégica. 3. ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2009. LUSTOSA, L.; MESQUITA, M.; QUELHAS, O.; OLIVEIRA, R. Planejamento e Controle da Produção. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. MORAES, G. Sistema de Gestão de Riscos. Estudos de Análise de Riscos “Offshore e Onshore”. Rio de Janeiro: Gerenciamento Verde Editora e Livraria Virtual, 2013. MORTELARI, D.; SIQUEIRA, K.; PIZZATI, N. O RCM na quarta geração da manutenção de ativos. São Paulo: RG Editores, 2011. PEREIRA, M. J. Engenharia de Manutenção – Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda., 2009. PINTO, J. P. Manutenção Lean. Lisboa: Ed Lidel, 2013. SACOMANO, J. B.; GONÇALVES, R. F.; SILVA, M. T.; BONILLA, M. T.; SÁTYRO, W. C. Indústria 4.0: conceitos e fundamentos. São Paulo: Blucher, 2018. VENANZI, D.; LEANDRO, C. R.; SILVA, O. R. Engenharia de Sistemas Logísticos e Cadeias de Suprimentos. Taboão da Serra: Livrus Negócios Editoriais, 2019. VIANA, H. R. G. PCM: Planejamento e Controle da Manutenção. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002. 254 1. D. 2. A. 3. D. 255 CONCLUSÃO Caro(a) aluno(a)! Chegamos ao final de mais uma etapa neste fantástico mundo do conhe- cimento. Se por um lado concluímos este estudo, por outro lado ele nos abriu as portas para um mundo que poucas pessoas conhecem: o mundo da manutenção! E você agora deve estar pensando no quanto é importante esse mundo, que envolve máquinas, pessoas, procedimentos, metodologias e interações de todos os tipos. E quer aprender mais sobre ele, muito mais! Que bom! Atingi, assim, todos os objetivos que tinha ao escrever para você este livro! A manutenção deixou para trás o seu conceito básico de manter os equipamentos; hoje o seu principal objetivo é garantir a disponibilidade e a confiabilidade, ou seja, equipamentos em pleno funcionamento, sem falhas e operando com segurança na sua capacidade plena. Conhecer esse fantástico mundo é um grande diferencial para os engenheiros que estão se preparando para encarar os novos desafios do mercado de trabalho. Lembre-se: para ter sucesso é preciso estar preparado! E para te ajudar nessa preparação, nosso livro abordou a manutenção industrial como um todo, mostrando a sua evolução ao longo do tempo, a razão da sua existência, a quebra de paradigmas, as ferramentas que podem auxiliar tanto na gestão quanto na prática do dia a dia, a inovação trazida por normas, novas metodologias e, não menos importante, o fator humano! Aqui você teve acesso a um compêndio sobre o mundo da manutenção, elaborado com todo cuidado e carinho para que você tivesse acesso àquilo que necessitará de imediato em sua vida profissional – e com pitadas para sua vida pessoal e estudantil também. Espero que essa imersão no mundo da manutenção tenha sido de fato só o começo para você, e que tenha aproveitado muito este material. Além disso, anseio que tenha despertado a sua curiosidade de sempre buscar novos conhecimentos e experiências sobre os conceitos de manutenção industrial. A consulta em periódicos científicos e na literatura disponível em bibliotecas pode lhe auxiliar na atualização e aprofundamento de conceitos. Esteja preparado! Obrigado por termos caminhado juntos até aqui e muito sucesso para a continuação de seu caminho! CAPA_MANUTENÇÃO INDUSTRIAL_A AVA_ Manutenção Industrial_2020 _book - Manutenção Industrial.pdf Button 3: Button 1: Button 2: Button 4: