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A CELA DO MONGE MÁGICKO
2003-2005
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Existem três maneiras de se aproximar do Santuário da Magick: vendo a Magick como um meio
para um fim determinado; vendo a Magick como um caminho para o divino; vendo a Magick como algo
maravilhoso, a ser buscado por si mesmo.
0 - O Primeiro Caminho é o de Malkuth, o Segundo Caminho é o de Tiferet e o Terceiro Caminho
é o de Binah.
1- A Fórmula de Malkuth é o Segredo da O.T.O.; a Fórmula de Tiferet é o Conhecimento e
Conversação com o Santo Anjo Guardião; a Fórmula de Binah foi adequadamente indicada pelo Mestre
Therion no Liber Cheth.
2- Existe o Quarto Caminho, mas esse é Desconhecido. Entretanto, é o Único Verdadeiro, e os
demais são apenas particularizações de sua Fórmula Inefável.
3- O Mundo da Formação é o Grande Útero, Binah é a Yoni Original. Aquilo que é concebido na
Noite de Binah nasce no Dia de Malkuth.
4- Da mesma maneira, aquele que busca Ísis encontrará Nephtys.
5- A Pedra dos Filósofos é Feminina em Essência e Masculina nos seus Efeitos. Por isso,
verdadeiramente, ela é a Filha do Pai. Através dela todo o poder é dado, por ela poder sem limites é colocado
nas mãos dos filósofos. Mas aquilo que é dado à Mão Esquerda deve ser cultivado e devolvido pela Mão
Direita. Basta ao Filósofo que cultive, mas não deve reter nada para si.
6- De Saturno à Lua vem a Semente à Mão, da Lua à Saturno NEMO cultiva sua videira. Então, no
Começo do Fim servirá o Vinho do Sabbah na Taça de Babalon.
7- Sim, no Começo do Fim servirá o Vinho do Sabbah na Taça de Babalon.
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O Almutem Figuris 5
Como a Astrologia Funciona? 7
Sympathy for the Devil 8
O Necronomicon 10
Baha’i, Budismo e Thelema 11
A Revelação da Força 16
A Note on Levi s Baphometh 17
Fábulas Psicológicas 18
A Astrologia Funciona? 21
O Apocalipse de AVE 23
Iniciação aos Mistérios 26
Tormenta e Calamidade: Liber Stelae 29
Magick e Espiritismo 34
O Príncipe e a Rosa 36
A Menina e o Rei 38
O Voto do Abismo 39
Arte e Ciência 43
A Memória Magicka 44
Logos e Aeon 46
A Visão da Beleza 49
Astrologia e Ciência 52
Cavaleiro do Oriente e do Ocidente 54
A Fonte e o Mendigo 57
Matéria, Psique e Chackras 58
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O Caráter Virótico das Religiões 58
O Chaos de Zos 60
Agrippa 68
Hypatia e Promethea 69
As Sementes e o Fruto 71
O Demônio de Jung 72
Liber VOVIN 74
Hotel California 76
Frustração 80
Psicologia e Transcendência 81
The Ghost of the Navigator 83
Ordens de Cavalaria e Ordens Militares 85
Goetia e Abramelin 89
Thelema e Vida 92
O Santo Anjo Guardião 94
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O Almutem Figuris
Almutem é um termo derivado do árabe al-Mutez, significando "O Vencedor". Ele indica o planeta que
reúne o maior número de Virtudes, de acordo com a classificação de Dignidades Essenciais e Acidentais.
Estamos aqui lidando com conceitos da filosofia aristotélica, onde Essência se refere à natureza de algo que, se
for mudada, já não pode se referir à mesma coisa (como uma árvore que é transformada em uma estante), e
Acidente se refere à categorias cuja alteração se dá na mesma Essência (uma árvore que foi podada, está
acidentalmente modificada, mas permanece árvore).
Em Astrologia, Dignidades Essenciais se referem ao local do Zodíaco onde se encontram os Planetas.
Elas podem ser:
Regência, Exaltação, Triplicidade, Termo e Decano.
As Dignidades Essenciais indicam pontos zodiacais onde o Planeta se manifesta com maior liberdade,
onde sua essência não tem a sua manifestação impedida. A contrapartida são:
Detrimento, Queda e Peregrino.
Um exemplo seria o de uma árvore plantada em um vaso: embora sua essencia de árvore permaneça a
mesma, ela não consegue crescer e se manifestar de acordo. Podemos pensar também em um animal transladado
para um clima hostil, um filósofo vivendo em uma teocracia autoritária, uma pessoa saudável amando uma
neurótica, etc.
As Dignidades Acidentais se referem a localização do planeta em relação à Terra. Basicamente são as Doze
Casas, divididas em Angulares, Sucedentes e Cadentes. Estas Casas indicam uma relação de angularidade que
faz com que o Planeta se manifeste com maior ou menor força. Assim, resumindo, Dignidade Essencial fala de
Qualidade, e a Dignidade Acidental de Quantidade.
O Almutem figuris, ou o Vencedor do Mapa, é o planeta que possui o maior números de Dignidades
Essenciais e Acidentais nos 5 principais locais do Mapa:
O Lugar do Sol, o Lugar da Lua, o Lugar da Conjunção ou Oposição dos Luminares antes do nascimento, o
Ascendente e a Parte da Fortuna.
Qual é a importância do Almutem? Ele é considerado a Chave para o entendimento do Mapa Astrológico, e
seu testemunho equivalente ao de todos os demais planetas. O conhecimento do Almutem é considerado uma
chave astrológica, não só para se conhecer o destino do nativo, mas para se adquirir poder e liberdade sobre o
mesmo. Aqui, existe uma ligação com princípios mágicos que seguem a tradição do Agathodaimon, como
podemos ver em Iamblichus:
"O Daemon está estabelecido no paradigma antes da alma descer à geração e é o líder da alma. Ele
preside sobre a alma e dá completitude às suas vidas e a liga ao corpo quando desce. Ele governa o animal
peculiar da alma. Ele dirige sua vida e nos dá nossos pensamentos e raciocínios. Ele realiza essas coisas
conforme sugere ao nosso intelecto."
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O conhecimento do Almutem é, portanto, diretamente ligado a busca do Conhecimento e Conversação
com o Santo Anjo Guardião, que encontramos no Livro de Abra-melin e nos ensinamentos de Aleister Crowley.
Existem maneiras indiretas e diretas de se estabelecer esse contato. Crowley escreveu que:
"Agora o Anjo fará contato com o Adepto em qualquer ponto que seja sensível à Sua influência. Tal ponto
será naturalmente um que é saliente no caráter do Adepto, e também um que seja, no sentido próprio da
palavra, puro."
Indiretamente, podemos identificar em que área da vida, e de que forma, conseguimos nos realizar de
forma mais plena. Uma anamnese pessoal pode levar à percepção disso, uma análise astrológica também. Eu, por
exemplo, percebo que escrever para os outros é, sem dúvida, uma característica marcante e constante da minha
expressão pessoal. Para outros pode ser dança, música, anything. Existe um texto meu no site da O.T.O.,
chamado "Logos e Vontade" que trata sobre isto.
Maneiras diretas de se contactar o Agathodaimon são práticas mágickas como as do Liber Sameck, um rito
encontrado nos Fragmentos Mágicos Gregos que Aleister Crowley redefiniu. Para Crowley:
"O Único Supremo Ritual é o da realização do Conhecimento e Conversação com o Santo Anjo Guardião.
É a elevação do homem completo em uma linha reta vertical.
Qualquer desvio disto tende a se tornar magia negra. Qualquer outra operação é magia negra... se o magista
precisa realizar qualquer outra operação que esta, só é legal na medida que seja uma preliminar necessária
para Esta Grande Obra."
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Como a Astrologia Funciona?
Tendo me perguntado se a Astrologia funciona em outro artigo, e tendo uma resposta parcial e
temporariamente satisfatória, o que não consigo entender é como operam as influências planetárias. Uma análise
mais atenta revela que os planetas e suas posições não podem ser simples marcações para uma outra fonte de
influência. Por quê? Porque a leitura de um mapa resulta da análise de todos os fatores, e, para que eles fossem
produzidos por uma outra fonte, esta teria que repetir com perfeição toda a complexa movimentação e
combinação dos planetas. Ou seja, teríamos que ter dois sistemas complexos, matematicamente orientados e
determinados com perfeição, e que nunca descompassassem. Não sou muito adeptodo raciocinar de Ockam, mas
a segunda hipótese me parece 1) muito improvável e 2) requeriria uma terceira causa comum para a coincidência
exata e imutável dos dois sistemas.
O segundo problema é que não se sabe como os astrólogos do passado chegaram às suas conclusões. Não
existem registros de uma pesquisa e os raciocínios dedutivos são feitos a partir de uma analogia entre os
símbolos. Assim, por exemplo, se Saturno significa obstáculos e demora, se a Cúspide do Medium Coeli é
relacionada a profissão e ao destino, e se Trino é um aspecto amigável, o astrólogo conclui que a realização
profissional e pessoal do nativo que tem este aspecto sofre bloqueios e atrasos que são benfazejos. Qual o
problema aqui? Simplesmente não sabemos quando e onde e como e quem descobriu que as coisas funcionam
assim. Não sabemos por quê. Como um planeta lá na periferia do Sistema Solar pode causar esse efeito na vida
de uma pessoa, e isto apenas estando a 120 graus da Cúspide da Casa 10 no momento do nascimento? Como a
influência dos planetas ficam registradas na criança? Como essas influências permanecem e afetam a vida toda?
Sendo uma Arte desenvolvida em época pré-científica, ela recebeu uma teoria derivada das antigas idéias
da Física e Metafísica. O problema é que a Física dos antigos estava quase toda errada. As concepções
astronômicas eram fruto de uma ilusão de ótica, que levava a crer que a Terra era o centro de um Universo
limitado. E as explicações metafísicas apenas fantasiavam sobre a ignorância.
É perfeitamente compreensível que os cientistas vejam a Astrologia como um arcaismo supersticioso, logo,
danoso. A única forma de se perceber que a práxis astrológica funciona é ter um contato maior, estudando o
assunto ou consultando um bom astrólogo; mas como esperar que uma pesoa cética vá se submeter a essa
experiência? Eu não me daria ao trabalho de ir assistir uma sessão de materialização espírita, por que, até onde
me informei, elas se dão sempre de forma suspeita, e nunca se permite averiguar o que realmente ocorre; além do
que, em várias ocasiões em que se conseguiu isso, o resultado foi a descoberta da fraude.
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Sympathy for the Devil
Como andei mencionando o Diabo em anguns artigos, resolvi escrever um pouco sobre Ele,
traduzindo um trecho do Magick in Theory and Practice do Crowley e, a seguir, fazendo um resumé da história
do mito. No Liber Sameck Crowley interpreta a letra "O" como se referindo a Satan, partindo do raciocínio de
que ela corresponde a letra hebraica Ayin, o Olho, que é atribuída ao Atu XV do Tarot e ao Signo de
Carpicórnio. A partir daí:
"O - O exaltado "Diabo" (também o outro Olho secreto) pela fórmula da Iniciação de Hórus em outra
parte descrita em detalhe. Este "Diabo" é chamado Satan ou Shaitan, e encarado com horror pelas pessoas que
são ignorantes sobre sua fórmula, e, imaginando a si mesmas como malignas, acusam a própria Natureza de
seu crime fantasmal. Satan é Saturno, Set, Abrasax, Adad, Adonis, etc. A mais séria acusação contra ele é
apenas a de que ele é o Sol no Sul. Os Antigos Iniciados, habitando nas terras cujo sangue era a água do Nilo
ou do Eufrates, conectaram o Sul com o calor nocivo à vida, e amaldiçoaram esse quadrante onde os dardos
solares são mais mortais. Mesmo na lenda de Hiram, é ao meio-dia que ele é golpeado e assassinado.
Capricórnio é ainda por cima o signo no qual o Sol entra quando alcança sua declinação Sul extrema no
Solstício de Inverno, a estação da morte da vegetação, para o povo do hemisfério Norte. Isto lhes deu uma
segunda razão para amaldiçoarem o Sul. Uma terceira; a tirania dos ventos quentes, secos e venenosos; a
ameaça de desertos de oceanos assustadores por serem misteriosos e impassáveis, estas também foram
conectadas em suas mentes com o Sul.
Mas para nós, sabedores dos fatos astronômicos, este antagonismo ao Sul é uma tola superstição que os
acidentes de suas condições locais sugeriram aos nossos ancestrais animistas. Nós não vemos nehuma inimizade
entre Direita e Esquerda, Acima e Abaixo, e similares pares de opostos. Essas antíteses são reais apenas como
estabelecimentos de relação; elas são as convenções de um artifício para representar nossas idéias em um
simbolismo pluralista baseado na dualidade. "Bem" deve ser definido em termos de ideais e instintos humanos.
"Leste" não tem significado exceto com referência aos afazeres internos da terra, como uma direção absoluta no
espaço ele muda um grau a cada quatro minutos. "Acima" não é o mesmo para dois homens, a não ser que um
calhe estar na linha que liga o outro ao centro da terra. "Duro" é a opinião provada de nossos músculos.
"Verdadeiro" é um epíteto totalmente ininteligível que tem se provado refratário à análise do nosso mais hábil
filósofo.
Nós portanto não temos escrúpulo em restaurar a "diabólica-adoração"de idéias tais que as leis do som, e o
fenômeno da fala e da audição, nos compelem a conectar com o grupo de "Deuses" cujos nomes se baseiam em
ShT ou D, vocalizadas com um A aberto. Pois esses Nomes implicam as qualidades da coragem, da franqueza,
energia, orgulho, poder e triunfo; elas são as palavras que expressam a vontade paterna e criativa.
Pois "o Diabo" é Capricórnio, o Bode que salta sobre as mais altas montanhas, a Divindade que, se se torna
manifesta no homem, faz dele Aegipan, o Todo.
O Sol entra neste signo quando se volta para renovar o ano no Norte.Ele também é a vogal O, apropriada para
rosnar, to boom, e comandar, sendo uma respiração forçada controlada pelo firme círculo da boca.
Ele é o Olho Aberto do Sol exaltado, diante do qual todas as sombras fogem: também o Olho Secreto, que faz
uma imagem de seu Deus, a Luz, e dá seu poder para proferir oráculos, iluminando a mente.
Portanto ele é Homem feito Deus, exaltado, eager; ele veio conscientemente à sua plena estatura, e por isso está
pronto para sua jornada para redimir o mundo. Mas ele pode não aparecer em sua verdadeira forma; a Visão
de Pan iria enlouquecer os homens com medo. Ele deve ocultar a Si mesmo em sua aparência original."
A história do mito do Diabo tem várias raízes: o Ahariman dos Zoroastristas, mais antiga formulação
de uma representação radical do Mal (os antigos antes atribuíam os azares da vida à má-vontade dos mesmos
deuses que podiam conceder a sorte); o Satan dos Judeus, que era, e continua sendo, um Anjo que executa a
vontade de Deus quando é preciso tentar, acusar e punir (Satan não era um nome, mas um título, significando o
Acusador); o Seth dos Egipcíos, que não era uma personificação do Mal, apenas um adversário ocasional de
algumas divindades, tendo direito a ser igualmente cultuado (Seth era responsável por matar o Dragão
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Apophrasz na defesa da Barca de Rá); o Dionísio e o Pã dos Gregos, de onde foi tirada a imagem com cascos e
chifres de Bode; e o Deus Cornudo dos Celtas, divindade associada ao culto da Grande Mãe e aos ciclos do ano.
Foi Paulo de Tarso que mudou a idéia judaica de Satan para os cristãos, utilizando idéias já presentes
em apocalipses apócrifos que narram a queda dos Anjos, que passam a ser poderes opostos a Deus. Paulo
introuduziu na nova religião seus problemas sexuais, defendendo as idéias patológicas de que a castidade e a
abstinência sexual seriam desejadas por Deus. Baha'u'llah, o criador de uma nova religião no Século XIX, tem
uma passagem interessante sobre o assunto:
"Say: O concourse of monks! Seclude not yourselves in your churches and cloisters. Come ye out of them
by My leave, and busy, then, yourselves with what will profit you and others. Thus commandeth you He Who is
the Lord of the Day of Reckoning. Seclude yourselves in the stronghold of My love. This, truly, is the seclusion
that befitteth you, could ye but know it. He that secludeth himself in his house is indeed as one dead. It behooveth
man to show forth that which will benefit mankind. He that bringeth forth no fruit is fit for thefire."
"Enter ye into wedlock, that after you another may arise in your stead. We, verily, have forbidden you
lechery, and not that which is conducive to fidelity . . . He that married not (Jesus Christ) could find no place
wherein to abide, nor where to lay His head, by reason of what the hands of the treacherous had wrought. His
holiness consisted not in the things ye have believed and imagined, but rather in the things which belong unto
Us."
É importante notar que o problemático Paulo nunca encontrou pessoalmente Jesus, e suas reformulações
sofreram diversas vezes oposições dos discípulos originais. Na verdade, existem vários indícios de que Jesus via
a si mesmo como um líder religioso judaico, e que a universalização de sua mensagem foi invenção do apóstolo
espúrio.
Anyway, vemos que a idéia do Diabo que herdamos é uma representação pictográfica de instintos e
valores naturais que os cristãos primitivos e medievais passaram a considerar como maléficas. O Ocultismo
ocidental, perseguido por tanto tempo pelas igrejas, adotou a imagem proibida, reinterpretando e resgatando os
valores que ocultava. Assim Eliphas Levi, no Dogma e Ritual da Alta Magia deu à figura o nome do Baphometh
dos Templários e a explicou:
"O Bode Sabático. O Baphomet de Mendes. Uma figura panteísta e mágica do Absoluto. A tocha
colocada entre os dois chifres representa a inteligência equilibrante da tríade. A cabeça do bode, que é
sintética, e reúne algumas características do cão, touro e asno., representa a responsabilidade exclusiva da
matéria e a expiação dos pecados corporais no corpo. As mãos são humanas, para exibir a santidade do
trabalho; elas fazem o sinal do esoterismo acima e abaixo, para impressionar o mistério nos iniciados, e
apontam para dois crescentes lunares, o superior sendo brabco e o inferior negro, para explicar as
correspondencias do bem e mal, misericórdia e justiça. A parte inferior do corpo está velada, retratando os
mistérios da geração universal, que se expressam apenas pelo símbolo do caduceu. A barriga do bode é
escamada e deve ser colorida de verde, o semi-círculo acima deve ser azul; a plumagem, alcançando o peito,
deve ser de vários tons. O bode tem seios femininos, e portanto suas únicas características humanas são as da
maternidade e do labor, otherwise os sinais da redenção. Em sua testa, entre os chifres e abaixo da tocha, está o
signo do microcosmo, ou o Pentagrama com uma ponta no ascendente, símblo da inteligência humana, o qual,
colocado sob a tocha, faz a imagem desta uma imagem da revelação divina."
No Tarot de Toth do Crowley o Atu XV representa o Segredo do XI Grau, onde o Phalus atravessa os Anéis de
Saturno, significando a ultrapassagem dos limites naturais, já que Saturno representa os medos e bloqueios e é o
planeta mais longínquo visível a olho nu.
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O Necronomicon
Já que tenho sonhado e escrito sobre livros sinistros que nunca existiram, não custa mencionar o
Necronomicon, genial criação literária do Lovecraft, tão bem-sucedida que muita gente desinformada acredita
que realmente existe. Há toda uma pseudo-literatura criada em torno do mito, coisa muito bem elaborada, como
podemos ver:
"An English translation made by Dr. [John] Dee was never printed, and exists only in fragments
recovered from the original MS. Of the Latin texts now existing one (15th century) is known to be in the British
Museum under lock and key, which another (17th century) is in the Bilbiotheque Nationale at Paris. A 17th
century edition is in the Widener Library at Harvard, and in the Library of Miskatonic University at Arkham;
also in the library of the University of Buenos Aires. Numerous other copies probably exist in secret, and a 15th
century one is persistently rumoured to form part of the collection of a celebrated American millionaire. A still
vaguer rumor credits the preservation of a 16th century Greek text in the Salem family of Pickman; but if it was
so preserved, it vanished with the artist R.U. Pickman, who disappeared early in 1926."
Dá para enteder que gente mal-informada acabe se confundindo e achando que o livro existe... Afinal,
quantas pessoas sabem que os textos do Antigo Testamento foram escritos por três grupos políticos rivais depois
de Salomão, mais tarde costurados no exílio da Babilônia? A Bíblia copia uma série de leyendas sumérias, o que,
convenhamos, seria muita falta de criatividade da parte de Deus... Anyway, Lovecraft comentou em uma carta
que o nome "Necronomicon" lhe veio em um sonho, coisa que eu entendo muito bem...
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BAHA'Í , BUDISMO E THELEMA
Meu amigo Chapeleiro (Frater Horus Menthu da O.T.O.), que tem minha gratidão eterna por ter feito o
layout dos meus dois blogs, comentou suas simpatias sobre o Baha'í e o Budismo. Por indicação da minha
Amada, encontrei no site do erudito bahai Moojan Momen, um texto comparando as duas religiões, que tem
entre si relações sempre amigáveis. De fato, o Baha'í considera Buda como um dos grandes fundadores
religiosos, ao lado de Cristo e Maomé, e interpreta as profecias budistas, como a contida no Mahaparinibbana-
Suttana (3:76), como se referindo a vinda de Bahá'u'llah como nova Manifestação de Deus, termo que seria
correlato ao de Maytréia, o Quinto Buda:
"No tempo certo, ó monges, surgirá no mundo um Exaltado chamado Mettaya, um arahat, plenamente
desperto, cheio de sabedoria e um guia perfeito, ele mesmo tendo trilhado a senda até o fim, com conhecimento
dos mundos, insuperável como educador, professor de deuses e homens, um Buda exaltado, assim como no
presente período eu sou... E ele irá proclamar o ensinamento que é amável em sua origem, amável em seu
progresso, e amável em sua consumação... Ele será a cabeça de uma ordem de muitos milhares de monges,
assim como no presente período eu sou a cabeças de uma ordem de muitas centenas."
Abdu'l-Baha, por exemplo, descreve o Buda como "a causa da iluminação do mundo da humanidade"
(CoC1 43:15) e como o estabelecedor de "uma nova religião" (CoC1 46:16).
Thelema tem uma atitude bem menos cordial com as demais religiões que a antecederam. Na Revelação do
Livro da Lei de 1904, Crowley redigiu um texto que contém ataques a várias dessas religiões anteriores:
"Com minha cabeça de Falcão eu bico os olhos de Jesus enquanto ele pendura sobre a cruz."
"Eu bato minhas asas na face de Maomé & o cego."
"Com minhas garras eu despedaço a carne do Indiano e do Budista, Mongol e Din." (AL 3:51-53)
A crítica principal dos três capítulos é mesmo contra o Cristianismo, mas em uma passagem se contradiz
a Primeira Nobre Verdade do Budismo, que afirma "A existência é Sofrimento":
"Lembrem-se todos que a existência é pura alegria; que todos sofrimentos são apenas como sombras; ele
passam & estão acabados; mas há aquilo que resta." (AL 2:9)
Essa oposição mais moderada do Livro deve ser resultado das simpatias que Crowley tinha pelo Budismo,
religião que afirmava professar na época. Crowley considerava essa religião muito próxima do empirismo
científico, e chegou a escrever um artigo defendendo essa tese chamado "Ciência e Budismo", que pode ser
encontrado no site da Ordo Templi Orientis.
A afirmação da ilusão e efemeridade do sofrimento já havia sido atestada em filósofos neo-platônicos,
que viam a alma como estando acima do corpo ao qual está ligada, e em um estado permanente de bem-
aventurança que normalmente não percebemos. Bahá'u'llah defende uma tese semelhante, ao pregar que o
afastamento das coisas do mundo permitem ao fiél provar daquela Realidade inalterável:
"Os males de que toda carne é herdeira não passam por ele, mas apenas tocam a superfície da sua vida, as
profundezas são calmas e serenas" (PT 110).
Essa passagem lembra os extáticos budistas e sufis que se tornam alheios a tudo, precisando serem,inclusive, alimentados pelos seus discípulos. Filósofos estóicos, influenciados pelo exemplos de místicos hindus
que permaneciam impassíveis após atear fogo ao próprio corpo, já haviam afirmado que "o sábio é feliz mesmo
em meio às chamas", embora me pareça que estivessem enfatizando mais a possibilidade do auto-controle na
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manutenção da apatia filosófica, já que desconsideravam a sobrevivência de uma alma após a morte.
Moojan Momen em seu artigo traça várias comparações entre as duas religiões:
1) Sobre o sofrimento: Assim como Buda, Baha'u'llah percebe a humanidade como sofredora, e afirma
conhecer a cauda do sofrimento e dispor do meio para cessá-lo:
"Tão forte é este fogo do eu queimando dentro deles, que a todo momento eles parecem estar aflitos com
novos tormentos" (KI 77).
Baha'u'llah é o médico divino que "percebe a doença, e prescreve, com Sua sabedoria infalível, o remédio"
(GWB 106:213), descrição quase idêntica à dada ao Buda.
2) A Quatro Nobres Verdades: Baha'u'llah concorda que a existência é efêmera e sujeita a mudanças que
trazem sofrimento:
"Esses breves e poucos dias deverão passar, esta vida presente deverá desvanecer de nossa vista; as rosas
deste mundo não mais serão frescas e agradáveis, o jardim dos triunfos e deleites desta terra secarão e
desaparecerão. A estação da primavera da vida se tornará o outono da morte, a alegria brilhante dos salões do
palácio dará lugar a escuridão sem luar da tumba" (SWA 188:220-221).
E também concorda que a origem da dor é o nosso apego ao mundo:
"Se nós sofremos, isto é o resultado das coisas materiais, e todos os testes e problemas vêm deste mundo de
ilusão" (PT 110; GWB 153:327).
A criatura humana se prende na cadeia de causas e efeitos que levam ao sofrimento através da ignorãncia.
Abdu'l-Baha escreveu:
"Assim é esta morada mortal: um armazém de aflições e sofrimentos. É a ignorância que liga o homem
a ela, pois nenhum conforto pode ser assegurado por nenhuma alma neste mundo, do monarca ao mais humilde
dos comuns. Se uma vez esta vida oferecer a um homem uma taça doce, cem amargas seguirão; tal é a condição
deste mundo." (SWA 170:200).
Eu, pessoalmente, discordo da universalidade da Segunda Nobre Verdade. Podemos considerar que o
desejo insatisfeito é causa de sofrimento, mas existem outros sofrimentos cuja origem só poderia ser reduzida a
isto por um sofisma indefensável. Assim, se uma pessoa se acidenta, a sua dor não pode ser explicada como
resultante do seu desejo de não sentir dor. Ela é o resultado dos impulsos nervosos que comunicam ao cérebro
que algo está errado. Logo, a dor é sempre um aviso útil, programado geneticamente em todos os seres vivos
visando facilitar sua auto-preservação.
A terceira Nobre Verdade se refere ao fim do sofrimento, através do fim do apego ignorânte às coisas
mundanas. Para Baha'u'llah, esse desapego é necessário para que a criatura humana possa se encaminhar a Deus,
razão pela qual prescreveu ao fiéis a prática da oração em isolamento, para que se possa comungar com a
presença divina de forma íntima e alheia a todo o resto.
"Desincumbam-se de todo apego a este mundo e sua vaidades. Cuidem-se de não se aproximar delas, já que
os incitam a caminhar atrás de vossas próprias luxúrias e desejos cobiçosos, e os impedem de entrar na reta e
gloriosa Senda." (GWB 128:276; SCKA 15; HWP 40)
Ainda sobre a intimidade da comunhão com o divino, Crowley escreveu:
"A essência da união é a intimidade. Sua intimidade (ou antes identidade) é independente de todas formas
parciais de expressão; no seu melhor é portanto tão inarticulável como o Amor". (Scholion on Sections G & Gg
do Liber Samekh)
A Quarta Nobre Verdade é a Senda Óctupla, pela qual Buda orientou que seus seguidores buscassem a
cessação da cadeia de causa e efeito do Karma, criando as condições para se alcançar a bem-aventurança do
Nirvana. Essa Senda é chamada "O Caminho do Meio", por pregar a moderação. Já Thelema, sendo uma
Tradição que herda dos antigos libertinos, tendo se apropriado do simbolismo criado por Rabelais em suas
sátiras, tem passagens onde se prega a Via do Excesso:
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"Existe ajuda & esperança em outros encantamentos. Sabedoria diz: seja forte! Então poderás suportar
mais alegria. Não seja animal; refina tua raptura! Se tu bebes, bebas pelas oito e noventa regras da arte: se tua
amas, exceda pela delicadeza; e se tu fazes algo alegre, que haja sutileza nisto.
Mas excede! Excede!" (AL 2:70-71)
Willian Blake, agora um dos Santos da Ecclesia Gnóstica, afirmava que:
"O caminho dos excessos leva à torre da sabedoria."
By the way, existe no site da Ordo Templi Orientis um artigo explicando o que é um Santo Gnóstico. Mas
essas afirmativas devem ser vistas em um contexto apropriado, lembrando, por exemplo, que nas analogias que
Crowley fazia entre o trabalho mágicko e a pesquisa científica, apontava a necessidade de uma disciplina pessoal
que permitisse a eficácia. E o Livro exorta a que tudo seja realizado como parte da meta mais elevada, como
indicam as palavras de Nuit:
"Também, tomem sua medida e vontade de amor como quiserem, quando, onde e com quem quiserem! Mas
sempre para mim." (AL 1:51)
Thelema é, na verdade, uma instrução dirigida não à maioria, como o Baha’í, mas a alguns indivíduos
dotados de uma compreensão mais profunda, mas que se torna com freqüencia a apologia de pessoas
desestruturadas. Tenho visto Thelema e Baha'í muito como manifestações dos Pilares opostos da Árvore da
Vida, e por isso compreendo a sabedoria tanto dessas passagens do Livro quanto das intruções onde Baha'u'llah
afirma:
"Em todos os assunto a moderação é desejável. Se uma coisa é levada ao excesso, se provará uma fonte
de mal " (TB 69).
3) Metafísica: Com suas antinomias da razão, Kant demonstrou a impossibilidade de ser conseguir
afirmações metafísicas fundadas, já que podemos defender racionalmente definições contraditórias, sem
conseguirmos provar a primazia de uma ou outra. Buda atacou o problema de maneira prática, desencorajando
seus seguidores a se concentrar em questões metafísicas, em detrimento da busca prática pelo Nirvana. Ao
atingir esse estágio de perfeição e liberação, a criatura humana está além das dúvidas da mente, que se mostram
como sombras sem sentido que obscureciam a percepção do Absoluto. Daquele que alcança isto o Buda disse:
"Não meios de se conhecê-lo... Aquilo pelo que se poderia definí-lo, não é para ele. Quando todo
fenômeno (dhamma) é removido, então todos os meios de descrição são também removidos." (Sutta-Nipata
1076).
Questões sobre a finitude ou infinitude do mundo, a identidade de corpo e alma, vida após a morte, foram
consideradas pelo Buda como avyakatas, coisas inexpremíveis, e inúteis para a realização humana. Isso me
lembra a assertiva de um monge medieval, que a única coisa importante para o homem é a salvaçào de sua alma,
a melhor maneira de se alcançar isso é ser monge, e que um monge não precisa de filosofia... Mas é uma verdade
que aquilo que se considera como experiência mística, sendo produto de uma parte específica e já monitorada do
nosso cérebro, parece ocorrer em condições onde a parte do cérebro utilizada no raciocínio se encontra reduzida
em sua atividade. Podemos considerar que uma questão de treinamento mental e economia psíquica torne mais
difícil a concentração simultãnea nessas duas atividades, razão pela qual o racionalismo é com freqüencia
criticado nas escolas místicas.
Crowley considerou, a partir de suas próprias experiências, que certas afirmações místicas só são
compreensíveis quando alcançamos certos estados de consciência, e não podem ser adequadamente traduzidas na
linguagem. Nesses estados é que podemos entender, por exemplo, afirmações metafísicas aparentemente
contraditórias, como quando Baha'u' llah respondesobre a eternidade ou não do mundo:
"Em relação a essas asserções sobre o começo da criação, este é um assunto sobre o qual as concepções
variam em razão das divergências nos pensamentos e opiniões dos homens. Se afirmar-se que sempre existiu e
que irá continuar a existir, seria verdade; se afirmar-se o mesmo conceito como é mencionado nas sagradas
Escrituras [que o mundo tem um começo e terá um fim], não haveriam dúvidas sobre isso."
14
Ou sobre sua finitude ou infinitude:
"Saiba que a compreensão deste assunto depende do próprio observador. Em um sentido, é finito; em
outro, é exaltado além de todas as limitações." (GWB 82:162).
Na abertura do Liber O Crowley alerta o estudante a não atribuir validade filosófica às suas experiências, e
nem realidade objetiva. Mesmo quando alcança o Conhecimento e Conversação com o Santo Anjo Guardião, a
percepção do Adepto é ainda defectiva:
"O Anjo, como o Adepto o conhece, é um ser de Tiferet, que obscurece Kether. O Adepto não está
oficialmente consciente das Sephiroth superiores. Ele não pode perceber, como faz o Ipsissimus, que todas as
coisas são igualmente ilusão e igualmente Absolutas. Ele está em Tiferet, cujo ofício é Redenção, e deplora os
eventos que causaram o Sofrimento aparente do qual acabou de escapar. Ele também está consciente, mesmo no
ápice de seu êxtase, dos limites e defeitos de sua realização." (Section Gg do Liber Samekh)
Diante disso, é mais fácil perceber o que Bah'u'llah tenta ensinar quando escreve:
"Saiba, verdadeiramente, que a alma é um signo... cuja realidade os mais sábios dos homens falham em
alcançar, e cujo mistério nenhuma mente, por mais aguda, pode jamais esperar descobrir" (GWB 81:158-9)
Algo com que Aristóteles, que dedicou um tratado inteiro à questão, concordava:
"Em geral, e de todas as maneiras, é uma das coisas mais difíceis adquirir qualquer convicção sobre a
alma." (De Anima 1:1)
O Baha'í, a partir da percepção de que existe uma dificuldade parcialmente insuperável na descrição da
Realidade divina, reconhece a validade relativa das explicações dadas por cada sistema religioso, uma atitude
similar a que encontramos em vários sistemas místicos, notadamente no sufismo, e que brota da percepção de
que essa Realidade só pode ser percebida de maneira idiossincrática, formulada dentro de condições históricas
específicas. Essa posição foi representada na arquitetura do templo Baha'í, cujas Nove Portas, representando as
religiões do mundo, dão acesso a um espaço ecumênico onde podem ser recitados todos e quaisquer textos que
sejam considerados sagrados.
Uma das coisas que tem me chamado a atenção no meu estudo sobre o Baha'i são vários pontos em comum
com Thelema. Na sua enciclopédia mágicka "The Equinox", Crowley definiu seu objetivo como "A meta da
Religião pelo método da Ciência", lema do que definiu como "Iluminismo Científico". Sua idéia base era a de
que toda religião se origina a partir de uma experiência individual, que depois é dogmatizada e universalizada.
Para evitar isso, por exemplo, ele comentou que o Livro da Lei deveria ser estudado e entendido por cada um
separadamente. O Livro da Lei também é interessante por que é uma Revelação com prazo de validade,
supostamente útil durante o Aeon de Hórus, mas não mais quando chegar o Aeon de Maat. O Baha'i ensina que
todas as revelações são relativas à sua época; por isso Bahá'u'lláh reformou várias doutrinas e práticas do Islã,
principalmente em relação à igualdade entre homens e mulheres, igualdade que o Livro da Lei também prega ao
afirmar que "Todo homem e toda mulher é uma estrela", ou seja, um indivíduo auto-determinado com uma
trajetória particular de vida. A lei Baha'i estipula, por exemplo, que, se um casal de poucos recursos tiver um
filho e uma filha, a prioridade da educação é para a menina, embora seja uma obrigação dos pais darem a todos
os filhos a melhor formação possível.
Bahá'u'lláh defendeu expressamente a validade do pensamento científico e o caráter sagrado da pesquisa:
"Bahá'u'lláh declarou que a religião deve estar de acordo com a ciência e a razão. Se ela não
corresponde aos princípios científicos e ao processo da razão, é superstição. Pois Deus nos concedeu
faculdades pelas quais nós podemos compreender a realidade das coisas, contemplar a própria realidade. Se a
religião se opõe à razão e à ciência, a fé é impossível; e quando a fé e a confiança na religião divina não se
manifestam no coração, não é possível a realização espiritual."
"Se crenças religiosas e opiniões são contrárias aos parâmetros da ciência, elas são meras superstições e
imaginações; pois a antítese do conhecimento é a ignorância, e a filha da ignorância é a superstição. Sem
dúvida alguma deve haver acordo entre verdadeira religião e ciência. Se uma questão se encontra contrária à
razão, fé e crença são impossíveis, e não há outro resultado além de erro e vacilação."
15
'Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace (Wilmette: Bahá'í P
Publishing Trust, 1922. 2nd edition 1982, p. 298-99.
Realmente, é um enorme distância daquele padre da igreja católica que jactava-se:
"Creio por que é absurdo."
Não me ocorre agora o nome desse infeliz que iniciou o irracionalismo cristão, a "filosofia" pela qual
anti-valores como ignorância e pobreza passaram a ser vistos como atitudes ideais para a compra de um lote no
Paraíso. Tanto a instrução de Bahá'u'lláh quanto Thelema pregam a beleza e a riqueza como elementos ideais no
culto daquilo que definem como sagrado.
"A Ciência é a primeira emanação de Deus em direção ao homem. Todas as criaturas encorporam a
potencialidade da perfeição material, mas o poder da investigação intelectual e da aquisição científica é uma
virtude mais alta especializada apenas para o homem. Outros seres e organismos são privados deste potencial
de realização. Deus criou e depositou este amor pela realidade no homem. O desenvolvimento e progresso de
uma nação é de acordo com a medida e grau dos alcances científicos dessa nação. Por este meio, sua grandeza
é continuamente acrescida e dia a dia o bem-estar e a prosperidade do seu povo é assegurada."
Abdu'l-Bahá, Foundations of World Unity (Wilmette: Bahá'í Publishing Trust, 1945.
16
A REVELAÇÃO DA FORÇA
Em 1904 Aleister Crowley, e sua esposa Rose receberam no Cairo os 3 capítulos do Livro da Lei,
que se propõe como uma revelação mágicka para o Novo Aeon. Durante o processo, Crowley identificou um
estela egipcia onde o deus Hórus recebe o sacerdote Ankh-af-na-khonsu como sendo um elemento teúrgico
importante nas práticas da Magick que ele reformularia. Muitos anos mais tarde, ele elaborou uma nova versão
da estela do Atu XX no seu Tarot, que repete as características da original com uma única e importante
diferença: não olhamos mais para o diálogo entre o sacerdote e a divindade, olhamos diretamente para Hórus.
Isso indica o caráter universal do contato com o divino de nosso tempo, onde cada um deve buscar seu
Conhecimento, Entendimento e Sabedoria por conta própria, não mais de forma intermediada.
Outra carta interessante é a da Força, que corresponde a Senda que vai de Hesed a Geburah, que
Crowley menciona como sendo a origem da Magick, ativada pela entrada no Novo Aeon. Por isso sua versão do
Greater Ritual of Pentagram coloca o magista ali, e não mais entre Tiferet, Yesod, Netzah e Hod.
Essas duas cartas indicam, portanto, as principais representações divinas do Aeon, com Hadit, Nuit e
Ra-Hoor-Khuit no Atu XX e Babalon e Therion no Atu XI. Interessante notar que 20 + 11= 31, e 3 X 31 = 93,
número que indica Thelema e Ágape, Vontade e Amor.
17
A Note on Levi s Baphomet
I donot think I can add much to the description Levi gave on his Baphomet, although I think maybe
it was just coverage for the truth. So I will follow in his path. The figure makes the Sign of Hermetism, pointing
to the Moon of Hesed and the Moon of Gevurah. That reminds me of the Path that links Hesed and Gevurah,
which Crowley says, is the source of Thelemic Magick. The Tarot Trump attributed to it is Lust, where
BABALON and the Beast appear conjoined. We can think in a parallel with the feminine body and the goat
(beast) head of the Baphomet. This Path is crossed by the one of the Priestesses, going from Kether to Tiferet.
Again, we can see an analogy with the posture of the Baphomet and of The Trump, both been over one altar.
Both at same time showing and hidden something. Maybe the Beast head is an Isis veil, representing something
as the beauty of BABALON behind the horror of the Abyss, or the Grace of Hesed hidden in the ugliness of
Gevurah. If we think in the cabalistic concepts of Light and Vase, the gevurathic Beast Head can be a concealing
Vase to the Light of Hesed and Binah. Crowley in the Greater Ritual of the Pentagram put the Magician in the
crossroad between Kether-Tiferet and Hesed-Gevurah, so the Baphomet can be a glyph of the Magick Operation
belonging to that point. Levi says that ¿the ugly beast head¿ represents ¿the horror of the sinner¿, and the
material part that is the ¿solely responsible part has to bear punishment¿. This is Neoplatonic thinking, mixed
with the Jewish tradition of the Scapegoat. But we can also make an interesting relation between the goat sent to
the desert carrying the sins of the people and the Exile of Cain, after the first killing. So, the Star Mark in the
frontispiece of the Baphomet can be seen as the Mark of Cain, that later became the Mark of the Beast. I once
read that the origin of the legend of the Mark was a ritual proceeding, in which the priest had to flee the
community for a time, after performing a bloody sacrifice, and received a Mark to identify him in his
wanderings, so nobody would do him no harm. In Magick, Pentagrams can be used for Protection and also for
the Identification of Spirits. The human body with the animal head also reminds the Egyptian Gods. The Goat
can be related to Pan, the Great All. Kenneth Grant would say that the Goat head indicate the God Set, but to
Kenneth Grant everything indicates Set… The Caduceus in the place of the Phallus can indicate the rising of the
Kundalini until the Heart Chackra, so, one allusion to Tiferet and the Knowledge and Conversation with the
Holy Guardian Angel as been related to tantric practices. The Waxing and Waning Moons may indicate the
Operations in the Sublunary World, Generation and Corruption, to which everything seems to be subject. We can
say that Baphomet is teaching us that Magick can only work according to the natural laws, which are a
consequence of the Hesedic and Gevuratic principles, taking profit of them. The Baphomet shows animal parts
belonging to fish and reptile (scales), bird and mammal and human, so it comprehends all the evolutionary
process, and shows that we carry inside us this genetic heritage, and that the Magick we do is not separated from
it. This Sphinx of the Occult Sciences seems to tell that the Kundalini energy is behind the evolution of life,
found in all living beings, and it’s aim is the Holy Fire depicted over the head of the Beast. The image also
represents the 4 Elements (hoof/Earth, scales/Water, feathers/Air, torch/Fire), depicted in the ascending order.
Notice that the first three are represents by animal parts, but Fire is not.
18
FÁBULAS PSICOLÓGICAS
Em 2002 estava na Firdária de Lua com Júpiter, o que significa um período em que os dois planetas
regem os acontecimentos; a Firdária é mais significativa, por exemplo, do que os Trânsitos para a Astrologia
Preditiva, e é uma das técnicas importantes que ficaram perdidas durante o período de marginalização da
Astrologia nos séculos XVIII e XIX.
Quando analisamos um Mapa Natal, vemos delineados todos os potenciais que aquela pessoa traz
consigo, mas é através das técnicas preditivas que se torna possível dizer o “quando” da atualização desses
potenciais. Minha Lua se encontra na Casa 9, regendo-a e também à Casa 8; sua Firdária vai de 26 de Julho de
1999 a 25 de Julho de 2007. Esse período é sub-dividido pelos sete planetas, por isso, a Lua e Júpiter estavam
regendo de 19 de Fevereiro de 2002 a 3 de Junho de 2003.
A Casa 9 se relaciona com viagens ao estrangeiro ou longas, estudos superiores, religião, Filosofia,
Astrologia. Como tenho ainda na mesma Casa o Sol e Vênus, uma delineação do meu Mapa Natal indicaria uma
grande ênfase nessas questões, ao passo que uma previsão por Firdária diria que os assuntos da Casa 9 seriam
ativados quando eu completasse 31 anos. De fato, já no dia 17 de Outubro de 1999 eu deixei meu país natal e
comecei a trabalhar no estrangeiro, e viajei pela África do Sul, Namíbia, Bolívia, Peru, Portugal, Espanha,
Andorra, França, Mônaco, Itália, Iuguslávia, Croátia, Áustria, Alemanha e Países Baixos. Tive meu primeiro
contato mais sério com a Astrologia, e foi na Firdária de Lua com Júpiter que comecei a estudar com Robert
Zoller a Astrologia Medieval. Zoller é o principal responsável pelo resgate de técnicas como a Firdária, o
Almutem e as Partes Arábicas, tendo se dedicado a tradução da obra do importante astrólogo medieval Guido
Bonatti.
A Astrologia Medieval trabalha apenas com os sete planetas Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e
Saturno, e, nesses dois anos em que venho estudando com o Zoller acabei desconsiderando completamente os
planetas modernos Netuno, Urano e Plutão. Mas, de maneira sutil, eles começaram a se insinuar em meus
estudos a partir de Outubro de 2003, quando meu amigo o astrólogo Marcos Cividanes fez uma previsão bastante
acurada sobre a namorada que eu iria conhecer em Dezembro a partir de um trânsito de Netuno (ela até tem
Netuno no Ascendente¿). Depois tive que recorrer aos trânsitos de Urano e Plutão para conseguir descrever (bem
acertadamente) o período difícil que uma amiga estava passando. E, por fim, comecei a ler um livro excelente da
psicóloga e astróloga Liz Greene “A Astrologia do Destino”, que tem dois capítulos bem esclarecedores sobre
Plutão (algumas descrições de aspectos entre Plutão e Marte servem para explicar muito bem algumas coisas que
me passam pela mente). A autora segue uma abordagem junguiana, com muitas menções ao Hillman e têm um
vasto referêncial filosófico e mitológico. A leitura fornece uma boa idéia de como repetimos padrões de
comportamento e como os padrões de comportamento nos repetem, de forma que parecemos destinados a reviver
os temas básicos das grandes tragédias. A compreensão do mito permite avaliar melhor o começo, o meio e o fim
de nossos processos psicológicos e as formas como o mundo reage a eles. Me lembra o prólogo de um livro
muito interessante chamado “O Robe do Dragão”, de uma autora brasileira que agora esqueci o nome, onde a
suicida rainha Dido perambula pelo Hades obsevando as incompreensíveis deidades da Luxúria, da Ira, da
Cobiça, percebendo como essas paixões habitavam os corpos dos vivos, condenados a serem o palco de forças
ancestrais e coletivas. Parece que os seres humanos são fragmentos de mitos que, raramente, se concluem, como
os restos dos primeiros universos cabalísticos que, não conseguindo se estruturar, caíram fragmentados no
abismo do mundo… Pensando nisso, comecei a escrever pequenas fábulas, como as que se seguem. Qualquer
semelhança com pessoas vivas ou mortas necessariamente é mais do que mera coincidência.
A ESTÚPIDA ELEKTRA
Dizem que o mito universal do homem moderno é o de Édipo, a tragédia mais famosa dos gregos. As
tragédias se definiam pela interferência dos deuses e a herança de maldições, como a que Tântalo faz cair sobre19
sua descendência até Orestes a redimir. Em termos psicológicos, o mito trágico indica a herdade que se transmite
pelas famílias, onde determinados complexos vão evoluindo e passando pelas gerações até que um indivíduo
consiga decifrar o enigma que recebeu. A nossa heroína desta fábula fôra bendita com variados dons, mas
maldita por nascer entre pessoas que não a podiam compreender, valorizar e incentivar. Seus genitores eram
criaturas medíocres: um pai bronco e autoritário, que dispunha de plenos poderes em sua casa, e que desfrutava a
liberdade que negava aos demais; e uma mãe que via o próprio sexo com desprezo e aceitava com um sorriso
idiota as repetidas infidelidades desse Zeus de subúrbio. Com tais exemplos, era de se esperar que a menina
ficasse confusa e não formasse adequadamente seu ego, se tornando uma adolescente cheia de conflitos. Durante
muito tempo tentou ser como o pai e disputar seu poder, e tentava afirmar sua liberdade através das constantes
infidelidades aos seus parceiros. Estes, coitados, pagavam sem saber por aquela maldição familiar: como um
Proteus sem referências, ela tentava, em obra de Sísifo, copiar deles as qualidades que queria para si mesma,
desprezando-os quando achava que já não tinham mais nada para ser dado ou tomado. Mas, por conta da
enantiodrômia de um inconsciente perverso, pois mal formado, acabou se tornando a própria mãe desprezada-
desprezadora, casando com um homem que lembrava muito mais o seu pai do que ela gostaria de admitir. Assim,
nossa virago rebelde fechou os olhos, adornou a testa com os chifres presenteados pelo marido, e passou a repetir
sempre que podia, com o riso idiota que aprendeu na infância: “Agora estou feliz”. Satisfazendo seu complexo
de Elektra de se tornar a mãe e ter um filho com o pai, começou a querer, afinal, engravidar.
Isso não seria um bom exemplo de tragédia se os deuses não tivessem se intrometido na sua estória.
Um dia, antes de se conformar com a mediocridade do seu destino, corporificada no bufão metido a Don Juan
com quem casou, ela foi amada pelo Vento, que a ergueu aos céus e a fez rodar toda a terra. Ele lhe deu asas para
que pudesse o acompanhar ao Olímpo, mas ela, covarde e descrente do próprio mérito, teve mais medo do que
virtude. Passou o resto da vida tentando não sonhar com o Paraíso que perdeu, sacerdotiza frustrada de um
Mistério.
Psiquê, uma noite, vislumbrou toda beleza e todo terror que podem os novos deuses.
O BARBA AZUL
Quando era menino foi ao cinema com a mãe que adorava. Era estória de um homem que amava a
esposa, até descobrir que ela o traia com o melhor amigo. A partir daí, preparava uma complicadíssima vingança.
De alguma forma, aquela comédia matou algo no menino, que nunca mais pôde confiar nas mulheres.
Para poder enfrentar aquela duplicidade do mundo, ele mesmo teve que se dividir: uma parte sua permaneceu o
príncipe puro a procura de sua Bela Adormecida; a outra decidiu se tornar um colecionador de virgens
sacrificadas. Seu espírito subiu a um Olímpo de esperanças românticas, e sua alma se enfurnou em um Hades
sinistro, a preparar rapto e estupro. Ele esperava, sem saber, por uma mulher de lenda que acomodasse seu anelo
por Psiquê e seu desejo por Perséfone.
Mas o mundo foi lhe mostrando repetidas versões daquela traição original, aumentando-lhe o estrago
que, sem saber, era o sintoma de um primogênito ultrajado com um irmão intruso, e de um Édipo ciumento; já
não confiava na fachada das coisas, e, tramando um meio de certeza, pactuando seu Eros com seu Plutão tornou-
se um alquimista do feminino, um Barba-azul de muitas gentilezas, deixando sempre a chave para que sua vítima
escolhida pecasse e morresse.
Esse mitologema teve tanto sucesso no Medievo que o tema das Três Princesas se repetiu em todos os
vernáculos, onde provas injustas faziam descobrir o tesouro escondido da modéstia e da fidelidade. Nisso tudo se
vê o grande medo que o homem tem de ser traído pela mulher que ama, a sensibilidade de um orgulho que,
atraiçoado, quer ser homicída, algo que chegou a ser sancionado por tantas tábuas legais. Nosso herói
desventurado é um Barba-azul atormentado, que chora a nova viúvez sem nunca ter certeza sobre sua própria
culpa no erro da mulher.
Suas noites são a contabilidade insone de amores despedaçados. Não sabe o quanto foi amado, mas não
20
duvida que lhe enganaram. Não percebe ser ele a Princesa paralizada na expectativa de um beijo puro.
O PALHAÇO CONQUISTADOR
As mulheres tem sido violadas e traídas desde aquele instante triste em que um homem percebeu
toda extensão da vantagem muscular de que era dotado. Imagino que, por alguns milhares de anos, o sexo tenha
sido uma experiência rápida e dolorosa para todas as mulheres, seguido de todos os desconfortos e fraquezas da
gestação. Não é à toa que vemos mitos como o de Gaia estuprada parindo monstros, implorando ao filho que
castrasse o pai, e o de uma Hera enciumada, gerando Ares por partenogênese. Para elas, o Filho era uma chance
de defesa e de vingança, bem como o objeto de um ódio inconsciente, por ser a imagem do Pai odiado. Para tê-lo
sob controle, era preciso que aprendesse a valorizar a Mãe acima de qualquer outra, e a forma única de manter
essa ascendência era ensinar o desprezo à todas as mulheres. Paradoxalmente, era preciso fazê-lo igual aos
homens que a haviam magoado.
Já se sabe bem, nos dias de hoje, que são as mães que tornam os meninos em pequenos machistas. O desprezo
que ensinam os impedem de ver a mulher como um ser completo e independente, e sim como objeto semi-
racional de conquista, algo a ser iludido por estratagemas convencionais e depois usufruído e exibido. Nosso
personagem desta fábula aprendeu que um tagarelar pseudo-inteligente podia bem suprir sua falta de atributos de
beleza e masculinidade, que se fazer de engraçado era uma chave boa para muitas conquistas. Ia colecionando
mulheres de maneira vingativa, se empenhado ainda mais com as que de início o percebiam barato. A cada nova
amante se convencia mais e mais daquilo que nunca admitiria em viva voz, que eram todas farinha do mesmo
saco e de falsas virtudes.
Mas sabia que seu encanto era efêmero, fadado à meia-noite. Que cada Psiquê, mais cedo ou mais
tarde, lhe iluminaria no sono, vendo, não um deus, mas o fauno repulsivo que vivia a disfarçar. Por isso, urgia
sempre ir à frente, já empenhado em nova conquista mal gozara a última.
Nenhuma mulher que o aceitasse, sabia lá no fundo, valia mais que sua própria miséria. Sempre o Filho
da Mãe.
ASTROLOGIA FUNCIONA?
21
Esta não é uma boa pergunta? Adoro boas perguntas...
Sendo uma pessoa de natureza cética e mentalidade científica, em que me baseio para levar adiante esse
estudo? Basicamente, na leitura do meu mapa.
É uma crítica comum dizer que Artes e Ciências preditivas se limitam a generalizações que podem ser
aplicadas sem parcimônia a todos. Será? O que diz meu mapa?
O que qualquer astrólogo razoável pode ver é que 3 temas se sobressaem e ocupam quase toda a interpretação: 1)
o Ascendente em Sagitário com Sol, Lua e Venus na Casa 9; 2) a conjunção Marte/Mercúrio na Casa 8; 3)
Saturno na Casa 5 disposto por Marte, que rege a Cúspide.
O que o primeiro tema diz é: Filosofia, Religião, Viagens ao estrangeiro são os grandes interesses e
principais fatos na vida do nativo. Isso é uma afirmação genérica? Não me parece. Eu e minha vida somos
assim? Que dúvida!!!
A conjunção Marte e Mercúrio é considerada talento para Magia, e ocorre na Casa 8, da Morte, Sexo e...
Magia. Eu estudo e pratico Magick desde os 18 anos, me interesso pelo Ocultismo desde garoto, e não deve ser a
toa que entrei para a OTO, cujo Segredoé uma técnica de Magia Sexual. Não me parece algo genérico.
Marte e Saturno, em quadratura, regem minha Casa 5, dos romances e dos filhos. Eles são considerados, na
Astrologia Medieval, Planetas Maléficos, porque sempre trazem conflito e obstáculos. De Saturno na Casa 5, por
exemplo, se afirma que causa distanciamento dos filhos. Eu passo 3 meses fora do país, logo... Vindo da piscina
hoje, estava repensando esta questão da influência dos Maléficos. Talvez, na verdade, Marte e Saturno sejam os
Anjos Guardiões do meu coração? Quem sabe se os conflitos e obstáculos que causam não sirvam para testar a
verdade do amor que existe entre mim e a minha parceira? Como se, para merecer todas as coisas boas que eu
posso oferecer como ser humano, ela precise me amar o bastante para querer superar as (várias) dificuldades e
permanecer ao meu lado... Como naquelas fábulas onde o caráter das princesas pretendentes era testado de mil
maneiras astuciosas. E acho que também o teste é para mim, pois eu tenho que aprender a escolher uma pessoa
não pelos encantos que ela oferece à primeira vista, mas pela integridade do seu caráter, pela sua estabilidade
emocional, pela sua bondade e lealdade. Se eu vou me envolver com uma mulher casada e problemática, como é
que eu posso me espantar se, no fim, tudo der errado? É como aquele caso clássico da mulher que,
sistematicamente, escolhe para uma relação séria parceiros que ela, já sabendo como são, no fundo sabe que vão
decepcioná-la, e deixa passar aquele com quem tem todas as afinidades... Pelo pouco que conheço de Psicologia,
imagino que isso seja o resultado de uma imagem de pai negativa, que, pelos misteriosos caminhos da neurose,
leva a pessoa a escolher alguém com os mesmos defeitos... um complexo de Elektra mal-resolvido, uma carência
de pai e mãe, I believe... Que pode até ser vista no mapa, acreditem... um dos resultados de Marte na Casa Sete,
por exemplo.
Pode ser que eu esteja equivocado por todas as coincidências do meu mapa... Será? Eu entrei em Julho de
1999 na Firdária da Lua, que dura 9 anos. O que minha Lua na Casa 9 promete? Viagens ao estrangeiro, estudos
afins com essa posição. Em Setembro me apareceu do nada uma oportunidade de sair do país, que me permitiu
também viajar pelo mundo afora. Eu comecei a estudar Astrologia, assunto da Casa 9. Nunca li tanto sobre
Filosofia.
Essa é uma previsão genérica?
O APOCALIPSE DE AVE
22
Ao contrário do que a maioria pensa, o Apocalipse não é exemplar único de seu gênero literário. A
literatura apocalíptca floresceu entre os judeus após o fracasso dos últimos profetas, e dentre seus exemplos mais
antigos que sobreviveram estão os livros de Enoch, que narram da ascensão desse patriarca aos céus e das visões
que lá teve.
A literatura apocaliptica estava relacionada com a Maaseh Mercabah, a Obra da Carruagem, que trata
"Do que está no Alto e à Frente", contraparte da Maaseh Bereshit, a Obra da Criação, que trata "Do que está
Abaixo e Atrás" - ou seja, os Segredos dos Ceús e do Futuro e os Segredos da Terra e do Passado, cifrado nos
livros do Genesis e de Ezequiel.
No modelo clássico desse tipo de escritura, o personagem é levado por anjos e descreve sua visões,
relatando de forma simbólica os eventos do porvir. A influência desse tipo de previsão é quase universal em
nossa cultura, e, de Enoch a Crowley, centenas de místicos nos legaram narrrativas de novos tempos, temidos ou
desejados.
A Magia Enochiana, considerada um dos sistemas mais eficientes que existem, também tem suas
profecias. Resultado do trabalho mágicko de John Dee e da vidência de Edward Kelly, consiste de três sistemas
mais ou menos coesos, cujos pontos principais são o Sigilo de Aemeth, as Tábuas Elementares e os 30 Aires. O
Mago e o Vidente trabalharam juntos por sete anos, de 1582 a 1589, registrando centenas de páginas de
informação ditada pelos anjos, até se separarem abruptamente. A lenda reza que foi após receber a seguinte
mensagem que Kelly, assustado, abandonou o trabalho:
"Eu sou a filha da Fortitude e violada toda hora desde minha infância. Pois veja, eu sou Entendimento, e
ciência habita em mim; e os céus me oprimem. Eles me cobrem e desejam com infinito apetite; pois nenhum que
é terreno me abraçou, pois eu sou ensombrecida com o Círculo das Estrelas, e coberta com as nuvens da
manhã. Meus pés são mais rápidos que os ventos, e minhas mãos mais doce do que o orvalho da manhã. Minhas
vestes são do começo, e minha morada é em mim mesmo. O Leão não conhece onde eu ando, nem as bestas do
campo me entendem. Eu sou deflorada, embora virgem; eu santifico e não sou santificada. Feliz é aquele que me
abraça: pois na estação noturna eu sou doce, e no dia cheia de prazer. Minha compania é harmonia de muitos
símbolos, e meus lábios mais doces do que a própria saúde. Eu sou uma prostituta para o que me viola, e uma
virgem com o que não me conhece. Puguem suas ruas, O vós filhos dos homens, e lavem vossas casas limpas;
façam-se santos, e vistam a retidão. Lancem fora vossas velhas rameiras, e queimem suas roupas e então eu
trarei crianças para vós e eles serão os Filhos do Conforto na Era que está por vir."
É interessante notar as semelhanças com o Livro da Lei. Mera coincidência? Claro que não. A Magia
Enochiana ficou quase que totalmente desconhecida até o Século XIX, quando foi incorporada no sistema
iniciático da Aurora Dourada, e representou um papel importante no desenvolvimento de Thelema, já que foi
através das Visões dos 30 Aires que Crowley descobriu vários segredos sobre o Livro da Lei. O apreço de
Crowley pelo sistema era tal, que ele chegou a acreditar ser a reencarnação do vidente Edward Kelly, embora sua
vida e forma de pensar guardem mais semelhanças com Dee: ambos eram magos, ambos homens de pensamento
científico, foram considerados os maiores expoentes da sua época e, conta-se, ajudaram a salvar magickamente a
Inglaterra em época de guerra: Dee com o pantáculo que naufragou a Grande Armada, Crowley ensinando a
Churchil o gesto mágicko que anulava a força solar da Suástica (o V feito com os dois dedos da mão direita).
Ambos foram ricos e morreram pobres, sendo perseguidos e caluniados por sua associação com a Magick. Dee
teve que vender seus livros para comer, Crowley perdeu seu dinheiro publicando seus livros.
O texto que se segue foi escrito em 2000, após minha visita ao deserto da Namíbia. O anjo Ave foi um
dos que contactaram Dee no Século XVI. Seu nome parece ser uma derivação óbvia do Tetragrammaton HVHI.
Louva-se muito a linguagem enochiana como sendo original, mas ela está repleta de latinismos e hebraismos.
THE APOCALYPSE OF AVE
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1.1 Standing I in the vast desert in the western African coast; and having made the propitious rites, and having
took the sacrament; came to me the great Angel AVE. And that were his words:
1.2 - Rise, prophet of the Aeon! Because the movement of the stars is constant and determined, but the will of
men must be constantly guarded!
1.3 So I rose, obeying the command of the Angel. I beheld the figure of AVE, and it was in the likeness of a Man
tall and thin, with white clothes, and the head of a Lion. And had white wings, that turned to scarlet in the ends.
And the wings moved slowly. Said the Angel:
1.4 It was ordered that you travel with me through the Aeons, and behold the Work of Days to come.
1.5 The Angel touched my forehead with the tip of a Sword, and that Sword was like the one of the trump called
Ace, as designed by the Prophet of the Lovely Star. And, with that Sword, he produced a cut, from up to down,
as if he wanted to open myself in two. And, doing that, my body started to open itself em layers, as the skins of
an onion. Layer after layer my body was opened, and at each of them I had a new perception, more pure and
simple of the things.
1.6 And the Angel opened myself until the lastlayer, and that was like a shinning green serpent, and that serpent
was me, in my innermost core. And the Angel took the serpent, that was me, and wrapped myself around his
body. So I ascended with the Angel AVE to the Aeons.
1.7 We crossed seventy seven aeons, and each of them produced a strong roar when was left behind, but each
roar was different from the anterior, and each one brought to my mind something I knew, but didn't remembered
a long time. And, when we crossed the last of the seventy seven aeons, I had the Vision of the Work of Days, as
promised by the Angel.
1.8 And that was the Vision I had, in the desert of the Atlantic coast of Africa:
1.9 I saw one large desert, similar to the one where I left my physical body. In the middle of this desert was a
very old man, with long beard and white hair, but disposing of a extraordinary physical strenght, and he was
lifting great stones blocks, to construct a Tower.
1.10 And said the Angel: This is the great Tower that shall be called Babalonia, and also Scarlet Tower. It shall
rise as a Falo of Hadit toward the Vulva of Nuit, and over it will be accomplished the Great Cerimonies that will
bring to Earth the Blessings of the Gods.
1.11 And, having said that, the Angel showed the conclusion of the Work. And was high and majestic this
Tower, and above it Four Men and Three Women were realizing one Cerimony, chanting in a language unknow
to me.
1.12 And in the sky above this Tower a gleam appeared, and it became more and more large. And it was as a
huge Galaxy, whirling slowly above the Tower. And this revolving light was as a manifestation of Kether, as the
light of the AIN SOPH penetrating in the Creation.
1.13 And that Light was the Aeon of the Gods, and it thundered with a Great Voice.
1.14 Seven times the Voice thundered, and those are the wonders that succeed it's Manifestation:
1.15 The First Voice made the desert around the Tower to become fertile and green. And loomed fruit trees, and
birds and flowers of every kind.
1.16 The Second Voice made Seven Prophets to come to the Tower, and each brought one Book. And each Book
was written in a different language: Greek, Hebrew, Enochian, in the so called Alphabet of Daggers, one written
only with Numbers, one in Egyptian, and one in English.
1.17 And each Prophet posted himself at one of the Doors of the Tower; and they remained in Silence.
1.18 The Third Voice made the Prophets catch their Books, and they started to read them in a loud voice. And
24
there was a great commotion in the Aeon.
1.19 The Fourth Voice made Seven Armies to arise, and them march, each one following it's Flag, toward the
Seven Doors where the Prophets standed.
1.20 The Fifth Voice made the Armies to camp, and they began a great labouring. And tents were raised to them
abide, and a City was raised around the Tower.
1.21 The Sixth Voice made the Oasis around the Tower to suffer a great commotion; there was a great shake,
and a great wonder: because the City, with the Tower in it midst, was lifted to the sky, and where it was one big
crater remained. And the City, with it's Tower, was enveloped by a globe of blue color, and it floated in the sky.
1.22 The Seventh Voice produced a roar far louder than the others, and great lightnings started to fall over the
cities of the world, and the peoples were smitten.
1.23 And when all this prodigies finished, the Doors of the Tower were open, the Seven Doors guarded by the
Prophets and their Armies.
1.24 And a crowd of children got out of the Tower through the Doors, and they were received with great
jubilation by the Armies and dwellers of the City. And I saw that those children were more wise than every adult
man or woman, and they taught the people of the City many astonishing things.
1.25 And the City descended over the Sea, and in it took rest. And the people that lived in the City, and his
Army, went out to build new and beautiful Cities all over the world. And the Children of the Tower guided them,
and everything was done with Grace and Beauty.
1.26 Said the great Angel AVE: This is the Glory of the Days to come; this is the Work to which the chosen ones
will be called to realize. Because nothing in the World is done, unless by the Will of Gods and Men.
1.27 And took me the Angel AVE to the Aethyr called TOR.
1.28 To the Aethyr called TOR took me the Angel AVE, under the form of a Serpent wrapped around him. And
there I was again dressed, layer over layer, as the skins of a onion, with layers similar to the ones I left in the
Earth, but made with a stuff far more subtil and luminous.
1.29 And through this layers everything is seen as been simple manifestations of one same thing.
1.30 And to me was given a Vision of another City, a City of Light and Comfort, and this perfect City abides in
the Aethyr called TOR.
1.31 Said to me AVE: That is the City from where sprang thy Doctrine, thy Science, thy Art, thy Wisdom and
thy Magick. See how pure and radiant it is, and without mistakes.
1.32 Keep this vision in thy Heart, because in the Earth, the Law that was promulgated in that City, to every man
and woman, seems to be Black and Bloody; but see: the Darkness and the Blood that covers the Law are just the
Veils of the Aethyrs.
1.33 I was them took far higher, and I saw that my Doctrine didn' t exist in the upper Aethyrs, couldn't exist in
the upper Aethyrs. And I understood many things that are behind and above the Promulgation of Thelema, but of
those only a certain notion remained with me.
1.34 At last the Angel touched me again with the Sword, and the layers of light that covered me opened, I
returned to my true form, and coiled myself around the Angel.
1.35 And the great Angel AVE brought me back to this World, and restaured me to my human form. And I
remained in contemplation for many hours, trying to hold by memory all the Visions and Prodigies I witnessed ,
but many things were lost in the transition from the Night to the Day.
1.36 When the Sun raised, I made my Adorations, packed my belongings, and left.
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Iniciação aos Mistérios
"Os Mistérios, como vocês sabem, amados irmãos, prometem coisas que são e irão permanecer sempre a
herança de apenas um pequeno número de homens; esses são os mistérios que não podem ser comprados nem
vendidos publicamente, podem apenas ser adquiridos por um coração que alcançou sabedoria e amor."
A Nuvem sobre o Santuário
Este trecho é da Terceira Carta do famoso livro de Karl von Eckartshausen, escrito no século XVIII,
que aparece em toda biografia que se preze de Aleister Crowley. Foi após ler esta obra que o mago inglês decidiu
partir em busca dos Chefes Secretos da Humanidade, o que, para sua satisfação, teria conseguido ao contactar a
Inteligência Praeter-humana chamada Aiwass, que lhe ditou o Livro da Lei em 1904.
Uma das ações mágickas que se seguiram ao evento foi a publicação dos Rituais da Aurora Dourada,
com o objetivo de demarcar a abrogação dos velhos ritos. Existia então a superstição de que, ao fazer isso,
divulgar os segredos da uma Ordem Iniciática, ela seria magickamente destruída.
"Abrogate are all rituals, all ordeals, all words and signs." AL I.49
Um Ritual, como já cansei de explicar, é uma ordenação lógica e objetiva de ações. O que significa,
simplesmente, que, para fritar um ovo, você precisa primeiro quebrar a casca, depois colocar no óleo quente.
Não existe nenhum tipo de operação em que uma ordem de execução não seja necessária, e Crowley várias vezes
definiu a Magick como a Arte e Ciência pelas quais lidamos com a Realidade, ou seja, TUDO que fazemos é
Magick... e um Ritual de Goetia, por exemplo, é apenas um caso particular que segue os mesmos princípios de
um frigir de ovos.
Um Ritual de Iniciação, um Mistério, é um conjunto de ações lógicamente ordenadas para produzir no
Candidato um efeitodeterminado. Esse efeito pode ser dramático, quando se pretende despertar a atenção do
candidato para uma lição importante, levando-o a vivenciar uma situação extrema, que tem um caráter
pedagógico muito mais impressionante do que uma transmissão de conhecimento intelectual; ou mágicko,
quando o Candidato é exposto à uma força específica. Em geral, as Escolas de Mistérios unem os dois efeitos em
suas Cerimônias, onde o Drama que o Candidato vivencia o prepara psicologicamente para os efeitos que a força
mágicka invocada irá causar em seu corpo, em sua mente e na sua vida.
O que acontece quando os Rituais de Iniciação de um Escola são tornados públicos, quase que
invariavelmente por motivos mesquinhos, é que as pessoas que os acabam lendo ficam privadas do eventual
benefício psicológico que teriam ao participarem dessa Iniciação. É impossível dizer a extensão do
dano para cada um, porque a relação do indivíduo com o Mistério é sempre única, e o próprio Mistério vai muito
além do Rito, como o termo Iniciação sugere: início, iniciar. Quando participamos de uma Cerimônia deste tipo,
estamos redefinindo nossa relação com o Universo, convidando e mesmo pedindo que parcelas da Realidade até
então desconhecidas se revelem e interajam conosco. Aqui, acaba sendo mais importante o Coração e a Mente do
Candidato, a pureza de sua aspiração e sua capacidade e bravura ante o desconhecido.
Nos meus sete anos de O.T.O., presenciei e participei de muitas Iniciações, e acompanhei todos os tipos
de reação por parte das pessoas. Me surpreende o número elevado daqueles a quem nem o Drama e nem a
Magick parecem ter afetado, pessoas a quem a Iniciação não passou de uma elaborada diversão para adultos
entediados, a quem os Juramentos não passaram de palavras ao vento. Colecionaram títulos, desfilaram vaidades.
Por fim, creio que se amarguraram com seu fracasso, e, sem querer provar a medida de suas próprias
incapacidades, passaram a blasfemar contra a Escola à qual tanto juraram.
Não tem sequer a decência e dignidade do Silêncio; mas como poderiam? Afinal, Calar sempre foi a
virtude maior dos verdadeiros Iniciados. Sobre estes, a Terceira Carta diz:
"Aquele em quem esta flama santa foi desperta vive em verdadeira felicidade, contente com tudo e em
tudo livre. Ele vê a causa da corrupção humana e sabe que ela é inevitável. Ele não odeia o criminoso, ele se
apieda dele, e procura levantar aquele que caiu."
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O que não corresponde mais, entretanto, fidedignamente à Ética iniciática do Novo Aeon, que afirma:
"Pity not the fallen! I never knew them. I am not for them. I console not: I hate the consoled & the
consoler." AL II.48
"We have nothing with the outcast and the unfit: let them die in their misery. For them feel not.
Compassion is the vice of kings: stamp down the wretched & the weak: this is the law of the strong: this is our
law and the joy of the world." AL II.21
Mas o trecho seguinte ainda comporta caráter de perenidade:
"Ele vê com claro olho a verdade subjacente na fundação de toda religião, ele sabe as fontes da
superstição e da incredulidade, como sendo causadas por modificações da verdade que ainda não atingiram
perfeito equilíbrio."
Mas o fato é que existem variados graus de perfeição, e muitas vezes a excelência em um aspecto não
vem acompanhada. Uma das grandes falácias que Crowley ajudou a derrubar foi justamente a de que as altas
realizações do místico e do magista necessariamente requerem determinada perfeição moral. A moral, a partir do
próprio exemplo da personalidade de Crowley face à sua realização, é uma questão de técnica. Por certo,
seguindo palavras dele mesmo, um cientista a operar com delicados aparelhos e observando fenômenos raros
precisa de autocontrole e disciplina, assim como o magista em sua Obra; mas a descoberta e a transformação
alcançadas no laboratório em nada se afetam com uma indulgência posterior. A diferença, é certo notar, é que,
para o magista, como para o atleta, a correta preservação de si é sempre mais necessária... e, se a Magick for um
campo de batalhas, pobre daquele que deixa as armas antes da vitória final.
Com isso, alerto ao fato de que, em toda organização humana, desentendimentos são inevitáveis, e que
é impossível responder sempre pela conduta de todos e pela eficiência do todo. Aquele que procura um Perfeito
Corpo de Iniciados nas Ordens que existem, irá procurar em vão, como Crowley fez; na Aurora Dourada
encontrou todo tipo de pessoas, e não se pode dizer que ele mesmo fosse das melhores. Mas lá ele recebeu o
treinamento que lhe permitiu alçar vôos mais largos. Assim, como bem ensina Eckartshausen:
"Nós estamos certos, meus estimados irmãos, que vocês consideram o verdadeiro Místico a partir deste
aspecto, e que vocês não irão atribuir à sua arte real, aquilo que a energia de alguns indivíduos isolados
fizeram desta arte."
Se fossemos exigir essa perfeição dos homens, imagino, teríamos que negar família, pátria e religião...
sem falar nos amigos que tanto nos decepcionam, mas que continuam amigos, muitas vezes por um esforço de
vontade não merecido e nem retribuído.
Imagino que a única maneira de encontrar um Verdadeiro Iniciado é se tornar um... E, nesse processo,
todas as Escolas de Mistérios, se seus Rituais são corretamene dispostos , são um caminho eficiente porque:
"A religião se divide em religião exterior e interior, a exterior significando cerimônia, e a interior,
adoração em espírito e em verdade; as escolas exteriores possuindo a letra e o símbolo, as interiores o espírito
e o significado, mas as exteriores estão unidas com as interiores por meio do símbolo. Por isto a religião não
pode nunca ser mera cerimônia, mas mistérios santos e ocultos penetram através do símbolo na adoração
exterior para preparar os homens apropriadamente para a adoração de Deus em espírito e em verdade."
O que significa, simplesmente, que o poder maior de uma Iniciação não vai ser nunca afetado pela
publicação de seus ritos... e que as pessoas que se deixam levar por isso, ou por isso tentam levar a outros,
certamente não são aqueles a quem Eckartshausen chama:
"Filhos da verdade, existe apenas uma ordem, apenas uma Irmandade, apenas uma associação de homens
pensando igual no único objetivo de adquirir a luz. Deste centro o desentendimento causou inumeráveis Ordens,
mas todas vão retornar da multiplicidade de opiniões, para a única verdade e para a verdadeira Ordem, a
associação daqueles que estão aptos a receber a luz, a Comunidade dos Eleitos."
Nessas descrições podemos ver o eco dos Manifestos Rosa+Cruz, com seus mestres invisíveis reunidos
no Colégio do Espírito Santo, que transferiram os anseios na ação da Providência para as mãos de mortais, mas
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não meros mortais... seres humanos que adquiriram notáveis capacidades com as quais governam nosso destino,
rumo a um novo tempo:
"Em breve o tempo para aqueles que buscam a luz será realizado, pois vem o dia quando o velho será
unido ao novo, o exterior ao interior, o alto com o baixo, o coração com o cérebro."
O que é ainda um traço da velha escatologia que herdamos de Zoroastro, que bem pode ser identificada
com novas eras e aeons... mas o tempo verdadeiro de todo aquele que busca o caminho da Iniciação é "Agora e
Sempre", a única definição exata do momento da nossa iniciação contínua:
"Os eleitos devem primeiro adquirir sabedoria e amor, para que mereçam a dádiva do poder, a qual
a imutável Divindade dá apenas para os que conhecem e os que amam."
E esses:
"Não pertencem à essas naturezas incansáveis que buscam construir nesta vida comum um ideal a
partir de suas próprias imaginações fantásticas. Aqueles que buscam representar uma grande coisa no mundo, e
que prometem milagres que não entendem."Que são, basicamente, no meu entender, aquela meia dúzia que se diverte em inventar Ordens para
Mistérios que eles nunca conheceram, mas que, afinal, talvez tenham sua utilidade? Afastar a massa dos tolos...
"These are fools that men adore; both their God & their men are fools." AL I.11
"Todos erros, divisões, todos desentendimentos em Religião e nas sociedades secretas apenas dizem
respeito à letra. O que permanece atrás disso permanece sempre puro e santo."
"Em nosso santuário todos os mistérios são preservados intactos, eles nunca foram profanados."
"Este santuário é invisível, como é uma força que só é conhecida através de sua ação."
"Nossa ciência é a herança prometida aos Eleitos; ou seja, aqueles que estão plenamente preparados para
receber a luz, e a prática de nossa ciência é a completitude da união Divina com a criança do homem."
"Mas nosso objetivo não é excitar sua curiosidade, mas elevar seus desejos para buscarem a luz em sua
fonte, onde sua busca por sabedoria será recompensada e seu anelo por amor satisfeito, pois sabedoria e amor
habitam em nosso retiro. O estímulo de sua realidade e de sua verdade é o nosso poder mágico."
Tormenta e Calamidade
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"Este livro é muito fácil de ser mal-entendido; pede-se aos leitores que usem o mais minucioso cuidado
crítico em seu estudo, assim como nós fizemos em sua preparação.
Neste livro se fala das Sephiroth e das Sendas; de Espíritos e Conjurações; de Deuses, Esferas, Planos, e muitas
outras coisas que podem ou não existir.
Não importa se esses existem ou não. Fazendo certas coisas certos resultados seguirão; os estudantes
são seriamente alertados contra atribuir realidade objetiva ou validade filosófica a qualquer um deles.
É desejável que o estudante nunca dê a qualquer resultado a importância que ele a princípio parece
ter."
Crowley, Liber O
As pessoas que acompanham meu artigos sabem que tenho uma posição cética em relação à
possibilidade de um contato objetivo com seres espirituais. Esse meu ceticismo, muito bem explicado no artigo
"Magick e Espiritismo", se baseia no fato de que nenhuma "comunicação" desse tipo jamais forneceu (o quê
seria bem fácil) uma única informação inédita, tecnicamente precisa e verificável; e ao usar a palavra "inédita"
não me refiro a nenhum segredo da Física, mas a coisas bem prosaicas: qualquer informação técnica e exata que
o "espírito" deveria conhecer e que o médium não.
Esse ceticismo se estende ao Livro da Lei e à qualquer outra Revelação de qualquer sistema religioso
e filosófico. Aleister Crowley julgou que o Livro da Lei apresenta evidências internas que realmente o
comprovam como sendo da autoria de uma outra Inteligência. Estou reestudando suas "provas", mais tarde
comento sobre minhas conclusões.
Por outro lado, reconheço que, em estado de exaltação mágicka, ou de gnose, nos acontecem certos
fenômenos que, no momento, parecem realmente serem resultado de um contato com algo objetivo e
independente. Assim, aquele Espírito da Goetia parece realmente estar ali; a presença do Santo Anjo é mais real
do que o robe que o Magista veste. Lembro de uma vez, em 1997, quando pedi ao meu Anjo que me mostrasse o
quê era Samadhi. Presenciei então minha mente ser desmontada parte por parte: Inteligência, Memória,
Personalidade, eram separadas e colocadas à minha frente para que eu observasse, e eu ia me assustando, pois até
então meu senso de individualidade estava naquelas coisas; percebi que "eu não era eu" e que uma parte superior
minha permanecia desde sempre em Samadhi. Essa experiência corresponde às descrições Neoplatônicas da
alma.
Apresentadas essas reservas todas, venho então disponibilizar os resultados de certas práticas que
realizei no último ano. O processo começou durante um Ritual em Junho de 2003, no qual, utilizando a Estela da
Revelação sobre o altar no Centro do Templo, invoquei os dois Aires Enochianos mais elevados, LIL e ARN. Há
um certo tempo que vinha conjecturando sobre a utilidade de substituir a Estela da Revelação por um novo
modelo, o qual utilizasse a imagem do Atu XX. Meu raciocínio era bem simples: o Atu XX, chamado justamente
O Aeon, é uma atualização da imagem original, com uma diferença bastante significativa: não observamos mais,
como meros expectadores, a Conversação entre o Sacerdote e a Divindade, mas contemplamos o Deus face a
face. Sendo assim, considerei que seria muito mais conveniente como Kiblah. Mas minha dúvida seria como
completar a Nova Estela, qual imagem colocar no seu verso. Tinha várias opções: a Rosa-Cruz que aparece no
verso das cartas do Tarot de Toth; uma reprodução da caligrafia do Crowley no original do Livro da Lei. Mas
não me decidia por nenhuma, e cheguei a propôr à uma amiga que tentasse magickamente uma solução
adequada.
Durante o Ritual, iniciei a mentalizar a figura do Atu XX, e experimentei o quê, com todas as reservas
feitas acima, no momento parecia uma comunicação com os tais famosos Chefes Secretos. Nesse contato foi
"transmitido" que me seriam dadas as Práticas relacionadas com a Nova Estela, e que elas deveriam ser passadas
para todos, sem estarem vinculadas a qualquer Ordem ou grupo específico. Deveriam ser de natureza universal, e
executadas livremente por qualquer grupo de pessoas que decidisse se reunir para esse [nobre propósito. Elas
deveriam ascender a coletividade às estrelas do firmamento mais azul de Nuit, acender a chama secreta mais
íntima de Hadit nos corações de todos os homens e mulheres.
Assim, me vi compelido a buscar as chaves dessa prática teúrgica. Pois existe muita dissenção em
Thelema, quando todos deveriam unir seus propósitos e trabalhar juntos em prol da Humanidade.
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Assim será feito. As consagrações deste Liber visam a manifestar mais fortemente as Correntes de
Thelema, a irmanar Typhon e Baphometh, a calar a dissenção e a treva da ignorância. Dar-se-á daqui para frente
uma nova dimensão das práticas de antes, as pessoas começarão a ver os seus ensinamentos intimamente
vinculados na ascensão planetária, a Grande Obra de todos.
Revela esta prática a emergência daquilo que foi predito na Manhã do dia 14 de Abril de 1904, quando o
Sacerdote dos Príncipes veio à Ouarda para clamar a divina posse da Tábua de Esmeralda.]
LIBER STELAE
0 - Tendo sido contactado pelos Mestres Secretos, que regem nosso Orbe de forma sutil e sensata, me foi
revelado que práticas votadas ao estabelecimento do Novo Aeon, cuja Kiblah seria a versão da antiga estela feita
para o Livro de Toth, me seriam comunicadas. Isto se deu após a invocação dos Aires LIL e ARN.
1 - Tendo sido afastado de tudo e realizado a Peregrinação Negra, e após cumprir o Ordálio de Netzah, após a
Enviada dos Deuses ter assumido seu Nome Mágicko de BABALON, estando eu recolhido em minha Cela, após
invocar os planetas como haviam instruído os Mestres, e tendo sido encontrado pela Amada, me foi comunicado
que a contraparte da Nova Estela seria o Atu XI, sendo XX + XI = XXXI, e 31 x 3 = 93. Isto foi comunicado
imediatamente a Soror BABALON, e vários sinais me foram mostrados.
2 - E às 05:00 da manhã do dia oitavo do ano de 2004 me foi comunicado que a Nova Estela corrresponde à
Lâmpada Mágicka, devendo conter uma entrada para que Oléo Santo arda a partir dela.
3 - E foi transmitido que o Rito da nova Estela é um Rito Coletivo, a ser realizado por Cinco Oficiais, baseado na
Figura do Pentagrama sendo Hórus o Aether, BABALON a Água, Hadit o Fogo, Therion a Terra e Nuit o Ar. E
que Hadit é Mercúrio, Nuit Vênus, Hórus Sol em Áries ou Marte em Leo, conforme o Rito seja de Elevação ou
de Manifestação,Therion é Urano e BABALON sendo Netuno.
4 - E que a Estela tem um lado para o Dia, que é o Aeon, e um lado para a Noite, que é a Força. Por isso o Sol é
invocado no Leste e a Lua no Oeste. E ao Nascer-do-Sol que o Sacerdote seja Sol em Áries, e no Pôr-do-Sol a
Sacerdotiza é Marte em Leo.
5 - E que através disto será chamada a Força Mágicka de Khem, as Polaridades de KHU e KA reunidas, para que
o Sonho dos Antigos Egípcios tome forma na Era adequada.
6 - Faça-se ao Nascer-do-Sol e ao Pôr-do-Sol, em Retiro Mágicko de Três Dias, e a cada dia a Divindade do
Livro da Lei.
7 - Assim será feita a Grande Obra do Aeon de Hórus, para que a PAZ do Mundo seja cada vez mais santificada.
E a Grande Obra será feliz em frutificar em incestos e adultérios mágickos, e as Crianças serão chamadas.
Notas:
(1) Os Regentes do Grau de Sol em Aries e Marte em Leo devem ser invocados.
(2) O Ofício deve ser realizado pelo Casal que desejar uma Criança, e pode ser feito em privado. E escolherão o
Quadrante e a Hora de acordo com as características daquilo que desejam dar à Vida.
(3) Pode ser feito solitariamente por Sete Dias. Mas será uma Tormenta e uma Calamidade.
(4) Os detalhes a cargo dos Oficiantes, com criatividade e alegria.
(5) A Presença de Aiwass no Círculo.
(6) A Estela em Tiferet.
A CONSAGRAÇÃO DA ESTELA
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1 - Será consagrada a Heru-ra-ra, a Ra-hoor-khuit e a Hoor-paar-krat.
2 - Receberá Sangue e Sêmen e depois Óleo Santo que os queimará em Sacrifício.
3 - Serão invocados Nuit, Hadit e Ra-Hoor-Kuit através dos versículos do Livro da Lei.
Comentários:
"That stélé they shall call the Abomination of Desolation; count well it's name, & it shall be to you as 718."
AL III.19
"Set up my image in the East: thou shalt buy thee an image wich I will show thee, special, not unlike the one thou
knowest. And it will be suddenly easy for thee to do this."
AL III.21
1 - A Nova Estela representa os dois estágios mais críticos do Caminho da Magick, o Conhecimento e
Conversação com o Santo Anjo Guardião, pois Tiferet é corretamente representada como o Deus Entronizado e a
Carta da Força remete à Binah/Babalon. Também indica a Obra do Bastão e da Taça, pois nesses Atus Hórus
segura o Bastão e Babalon a Taça. Também encontramos as cinco principais deidades thelemicas, Nuit, Hadit,
Horus, Babalon e Therion.
2 - Me incomodava a injunção de que o resultado dos Sete Dias do trabalho individual teria por resultado
"Tormenta e Calamidade", mas no dia 07/03/04 compreendi que essas duas palavras se referem ao Raio e á Boca
do Atu XVI, indicando a natureza do Resultado do Exercício.
"Esta carta é atribuída à letra Pé, que significa Boca; ela se refere ao planeta Marte. Em sua mais simples
manifestação se refere à manifestação da energia cósmica em sua forma mais grosseira. A ilustração mostra a
destruição do material existente pelo fogo*. Deve ser tomada como um prefácio ao Atu XX, o Último
Julgamento, ou seja, a Vinda do Novo Aeon. Assim sendo, ela parece indicar a qualidade quintessencial do
Senhor do Aeon."
"Além disto, há um significado técnico mágico especial, o qual é explicado abertamente apenas para iniciados do
Décimo primeiro grau da O.T.O.; um grau tão secreto que não é sequer listado nos documentos oficiais."
- Book of Toth, Atu XVI
* "The gross must pass through fire." AL I. 50
4 - Como essa carta se refere aos chakras Ajna e Muladhara, o efeito da prática relaciona-se com o Grau de
Minerval da O.T.O.. A Natureza do Resultado se relaciona com a abertura desses dois chakras através da
Invocação do Senhor do Aeon, e com a Sua Manifestação para o Magista.
5 - Sobre as referências ao Sol em Áries e Marte em Leão, já que Ra-Hoor-Khuit sendo um "Deus de Guerra e
Vingança" se refere a Marte, e por estar assentado no Trono do Leste ao Sol:
"Assim, a fórmula de ABRAHADABRA nos concerne, como homens, principalmente por que cada um de nós
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representa o Pentagrama ou Microcosmo, e nosso equilibrar deve portanto ser com o Hexagrama ou
Macrocosmo. Em outras palavras, 5o=6o é a fórmula da operação Solar; mas 6o=5o é a fórmula da operação
Marcial, e esta reversão das figuras implica uma Obra muito diferente. Na instância anterior o problema era
dissolver o Microcosmo no Macrocosmo; mas este outro problema é separar a força particular do Macrocosmo."
- Magick, Chapter VII
Assim, dissolver o Microscosmo no Macrocosmo se refere à Elevação, e separar a força particular do
Macrocosmo à Manifestação.
6 - "Spelling the Name in full, FF+IFD+ALP+OIN+FI=309 = (0 = ShT= XX+XI = 31 the secret Key of the
Law."
- Magick, Chapter VII
7 - A expressão "Abominação da Desolação" aparece nos Evangelhos de Mateus XXIV, 15 ("estando no Lugar
Santo") e Marcos XIII, 14 ( "aonde não deveria estar"), como sendo o sinal indicado por Jesus para que seus
discípulos saíssem da Judéia, quando se aproximasse a destruição de Jerusalem. Mateus diz que se trata do que
"foi dito pelo profeta Daniel", sendo a expressão usada por ambos os evangelistas a da tradução da Septuaginta
para a expressão shiqqûç shômem de Daniel XII, 11; IX , 27; XI, 31. Embora haja muita discordância sobre a
interpretação exata, concorda-se que o significado geral da expressão se refere a uma estátua, altar ou outro
objeto de culto pagão que seria colocado no Templo de Deus, causando assim "desolação". Fica clara, portanto, a
conexão entre o Atu XVI, chamado no Livro da Lei "A Casa de Deus" e o Atu XX, que, como nova versão da
Estela da Revelação, herda o título de Abominação da Desolação.
"A mais recente interpretação que foi sugerida para essas palavras em Hebreu tem o seguinte efeito: A frase
shíqqûç shômem está para a expressão original bá` ál shámáyîm (Baal do Céu), um título encontrado em
inscrições Fenícias e Aramaicas, e o equivalente semíta do Grego Zeus, Jupiter, mas modificado em Daniel
através da aversão ao nome da deidade Pagã."
- Enciclopédia Católica
Zeus era o Deus ou Senhor (Baal) do Céus, e o Senhor do Raio. O Raio do Atu XVI que destrói a Casa ou
Templo de Deus seria então a Primeira Manifestação de Ra-Hoor-Khuit, seguida pela Desolação resultante da
colocação da Estela no Templo. Como indicativos da Natureza do Resultado, a destruição da Casa de Deus e a
disposição da Estela no Templo, significando a entronização de Hórus trazendo a "desolação", apontam para
uma manifestação de energia sobre o Magista a) abrindo os chackras Ajna e Muladhara e b) levando ao Samadhi.
Temos então 3 funções para a Nova Estela 1) Kiblah de um ritual coletivo de natureza teúrgica, ampliando a
manifestação das forças do Novo Aeon; 2) Kiblah de um rito de geração, para o casal que deseja realizar o que
está descrito no Atu XI**; 3) Kiblah de um processo de auto-iniciação. Parece seguir a fórmula utilizada no
Safira Estrela : "Omnia in Duos:Duo in Unum: Unus in Nihil"; embora não esteja claro o que seria "Nihil", a não
ser que consideremos como referência a destruição do ego em Samadhi.
** "(...) mas na Árvore da Vida, a senda de Gimel, a Lua, descendo do mais alto, corta a senda de Teth, Leão, a
casa do Sol, de forma tal que a Mulher na carta pode ser considerada como uma forma da Lua, toda iluminada
pelo Sol, e intimamente unida a ele de tal forma a produzir, encarnado em forma humana, o representante ou
representantes do Senhor do Aeon."
- Book of Toth, Atu XI
8 - Com relação a:
"2 - Receberá Sangue e Sêmen e depois Óleo Santo que os queimará em Sacrifício."
- A Consagração
e:
33
"2 - E às 05:00 da manhã do dia oitavo do ano de 2004 me foi comunicado que a Nova Estela corrresponde à
Lâmpada Mágicka, devendo conter uma entrada para que Oléo Santo arda a partir dela."
- Liber Stelae
:
"Este sacramento é a fórmula mágica-física para se alcançar iniciação, para o completar da Grande Obra. É em
alquimia o processo de distilação, operada por fermentação interna, e a influência do Sol e da Lua."
- Livro de Toth, Atu XI
9 - Sobre o Resultado do Rito Coletivo:
"Notopo da carta é mostrado um emblema da nova luz, com dez chifres da Besta, que são serpentes, enviadas
em todas direções para destruír e recriar o mundo."
- Livro de Toth, Atu XI
10 - Sobre "incestos e adultérios mágickos", basta raciocinar sobre as relações entre os elementos do
Tetragrammaton, as mitologias e a prática do Liber Safira Estrela.
11- "Now in the Tarot Trump illustrating this letter Sh is an old form of the Stèle of Revealing, Nuit
with Shu and Seb, the Pantacle or magical figure of the Old Aeon, as Nuit with Hadit and Ra Hoor
Khuit is of the new. The number of this Trump is XX. It is called "The Angel", the messenger from
Heaven of the New Word. The Trump giving the picture o T is called "Strenght". It shows the Scarlet
Woman, Babalon, riding (or conjoined with) Me The Beast; and this card is My special card, for I am
Baphomet, "the Lion and the Serpent", and 666, the "full number" of the Sun.
So then, as SH, XX, shows the Gods of The Book of the Law, and T, XI, shows the human beings in
that Book (Me and My concubine) ; the two cards together illustrate the whole Book in pictorial form.
Now XX+XI=XXXI, the third 31, wich we need to put with LA, 31 and AL, 31, that we might have
31x3=93, the Word of the Law, TELEMA, Will, and AGAPE, Love, wich under Will, is the Law. It is
also the number of Aiwaz, o Autor do Livro, da Palavra Perdida cuja fórmula does in sober truth "raise
Hiram", and of many another close-woven Word of Truth."
Magick, Part Four - Chapter VII
Magick e Espiritísmo
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“Now hear a plain fact: Swedenborg has not written one new truth.
Now hear another: he has written all the old falsehoods”
Marriage of Heaven and Hell, Willian Blake
“Deve-se acrescentar uma palavra sobre espiritismo, que é um tipo de necromância
indiscriminada -alguém pode preferir a palavra necrofilia- feita por amadores. Eles se tornam
perfeitamente passivos, e, muito longe de usar qualquer método de proteção, deliberadamente
convidam todos os espíritos, demônios, cascas dos mortos, todo o excremento e sujeira da terra, para
esguichar seu lodo sobre si. Este convite é rapidamente aceito, a não ser que um homem limpo esteja
presente com uma aura boa o bastante para assustar esses sujos habitantes do fosso.
Nenhum espírita, uma vez totalmente imerso em sentimentalismo e medos-fantasmas
Freudianos, é capaz de pensamento concentrado, de Vontade persistente, ou de caráter moral.
Destituído de qualquer centelha da luz divina que é seu direito de nascença, o infeliz, como o cadáver
mesmerizado e vivo do Monsier Valdemar de Poe, é uma ‘quase líquida massa de desprezível,
detestável putrescência’.”
Magick, Chapter XXI
O termo Espiritísmo é, atualmente, mais comumente associado às doutrinas de Allan
Kardec (1804-1869), educador francês que, apesar de seu ceticismo inicial, dedicou-se a pesquisa de
certos fenômenos, a partir do que acabou coligindo todo um corpo doutrinário que teria sido ditado por
¿espíritos¿. Não foi o único. No século anterior Emanuel Swedenborg (1688-1772), cientista e filósofo
suéco, após receber uma visão do Senhor Jesus Cristo, aos 57 anos, dedicou o resto de sua vida a
conversar com os anjos e transcrever seus ensinamentos e orientações.
É claro que os anjos de Swedenborg e os espíritos de Kardec deram respostas totalmente
diferentes sobre questões religiosas fundamentais. E é claro que, também, nenhum dos dois se atreveu a
colocar questões que poderiam ser decisivas na obtenção de algum tipo de certeza sobre o que
realmente acontecia. E, também é muito claro, nenhum espírita, ainda hoje, se atreve a isso. Falo de
coisas muito simples: uma explicação técnica sobre uma operação cirúrgica ao espírito de um médico
morto; uma explicação de física ou química ao espírito de um especialista; o nome dos avós ao espírito
daquele parente que veio dar conselho.
Minha ex-cunhada é Kardecista; lembro que quando comecei a praticar meus primeiros rituais
ela ficou um pouco impressionada. Calhou de ir ao seu centro, alí em Niterói. Ela incorporou um
espírito que se lamentava não poder mais executar seu ritual com uma vela, e foi adequadamente
doutrinado sobre isso… Em outras ocasiões em que lá fui, sempre apareciam espíritos de Umbanda que
queriam “forçar” alguns médiuns a trocar ¿de linha¿; um senhor pomposo incorporava um “ser de luz”
que os refutava e colocava no devido lugar.
Resumindo: que palhaçada. As pessoas se colocavam em estado auto-hipnótico e se
programavam umas às outras na “verdade” da doutrina espírita.
Conformem-se com o fato: nenhum profeta, médium ou seja lá o quê, nunca deu uma prova
sequer de que realmente estava em contato com os espíritos, com os anjos, com Deus ou com o Diabo.
O quê seria muito fácil.
É claro que, quem já experimentou fenômenos telepáticos sabe bem que é possível transmitir
alguma informação para uma outra pessoa viva; isso já me aconteceu várias vezes. Se a telepatia é real
e os espíritos não, deixo para vocês pensarem sobre o quê será que realmente acontece quando
traçamos um círculo mágicko…
“Se nós somos espirituais, os níveis mais profundos de nossa mente se voltam para o céu, uma
vez que é para lá que nós dirigimos primariamente nossa atenção. Mas se nós somos completamente
materialistas, as partes mais profundas de nossas mentes se voltam para o mundo, uma vez que é para
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onde primariamente dirigimos nossa atenção. As partes mais profundas de nossas mentes voltam-se
para qualquer coisa que amemos mais do que qualquer outra coisa , e as partes externas de nossa
mente se voltam para onde as partes mais profundas o fazem.”
Emanuel Swedemborg
O Príncipe e a Rosa
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Seguindo pela floresta escura, onde cada tronco suspira uma maldição, naquela trilha única
onde só o medo é perigo, o viajante em cujo peito arde a chama secreta pode, por meio de encanto,
alcançar aquele reino oriental de eterna alegria, as terras onde reina o Anticristo.
Certa feita, um jovem Príncipe saiu à caça. Ao contrário dos pares ruidosos, dados à balbúrdia
de grandes excursões, ele ia sempre só, com sua cadela. Por vezes, desaparecia na floresta por dias,
mas era de tal forma discreto que poucos davam pela sua ausência.
O Príncipe errou por novos caminhos, se afastou dos bosques reais, e se viu diante da estranha
trilha. Onde esta começava já era um mundo diferente, e o Príncipe deu conta de que, por algum
mistério inexplicável, se desse um único passo naquele caminho, teria que, inevitavelmente, ir até o
fim.
A cadela agachou-se com um ganido triste, se recusando a seguir seu amo naquela aventura
sinistra.
O Príncipe pensou um pouco, naquilo que deixava para trás avançando para o novo mundo. Já
conhecia a ciência dos livros, as carícias das jovens, as honras e decepções da lide das armas. Aquele
novo caminho inspirava devaneios sombrios de morte, mas, concluiu, a Morte não estava em toda
parte? Aquela oportunidade singular, quando se repetiria?
Animou gentilmente seu cavalo, e foi.
Aos poucos percebeu que a floresta escura não era tão assustadora, e que seguia uma trilha certa.
Por fim deu no outro lado.
Havia um grande castelo, cercado por ricas tendas vermelhas com ornamentos amarelos. Na torre
mais alta tremulava uma flâmula escarlate com um sol dourado. Sons de alegria e festa chegavam aos
seus ouvidos, e sentiu muitos aromas delicados e agradáveis.
Passou o melhor dos tempos entre aquela gente, que nunca vira tão formosa, tão galante, de uma
alegria sutil e suave,que em tudo excediam com graça e elegância. Nas altas horas da noite,
vislumbrou na multidão a bela mulher, e a seguiu.
Foram dar em um jardim murado, onde enormes rosas perfumavam a própria alma das pessoas; lá
trocou apaixonadas palavras e juras de eternidade, ao que a bela dama apenas respondeu com seu
nome: Rosa de Shiraz.
O Príncipe acordou em uma colina deserta, em lugar ermo. Dali não sabia como retornar, e nem o
desejava. Queria apenas a luz suave que eram os olhos da sua Rosa. Vagou perdido por dias, até que,
sem saber como, deu nas terras do Rei. Antes dos homens, foi sua cadela fiel que o recebeu.
Mas não era mais o mesmo, como se houvesse outro em seu lugar. Já não lia, não caçava, não
interessavam as raparigas. Emagreceu triste, pois era o sacerdote de uma divindade desconhecida e
distante.
Um dia o reino amanheceu florido, coberto de rosas. Aquele perfume maravilhoso enlouquecia a
todos, e era inescapável, penetrando toda coisa sólida pela sua sutileza invencível, revelando desejos de
que se envergonhavam até em sonhos. Entre as flores era possível vislumbrar um caminho, pelo qual o
Príncipe foi e não mais se viu.
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A Menina e o Rei
Os monges visionários da Idade Média muito sonharam com o Reino do Anticristo, quando as leis da
natureza seriam invertidas, os burros teriam asas e a terra seria desolada pela Abominação. Na verdade, o
Anticristo reina em um país onde todos são livres e sábios, realizando a plenitude de suas vontades. De lá partem
mensageiros e profetas, que tentam levar os homens ao conhecimento perfeito da Beleza. O Reinado da Grande
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Besta é um mundo oculto, onde poucos e secretos são admitidos, depois de terem passado pelo fogo, terem sido
testados no intelecto e escolhidos naquilo que é mais elevado. Pela força sutil que penetra tudo que é sólido, e
pelo esforço de pessoas consagradas a Grande Obra, esse reino de Luz, Vida, Amor e Liberdade vem, passo a
passo, no rolar dos séculos, tentando mostrar ao homens e mulheres reunidos no Salão das Trevas do mundo que
todos nós somos estrelas.
Existem muitas lendas sobre esse Reino. Conta-se de uma menina que vivia com a mãe em um casebre de
campo, próximo à Floresta Escura. A menina era perita em identificar e colher cogumelos, e ia com freqüencia
buscá-los na mata. Um dia, mais distraída do que o costume, seguiu uma trilha nova e se perdeu.
Já ia o final da tarde, quando ela deu com um coelho de pelo negro sentado sobre uma pedra. O coelho tinha
olhos grandes e um ar inesperado de inteligência. Ele disse:
- Menina, menina: você sabe que essas são as terras do Anticristo?
- E quem é esse senhor? - ela perguntou.
- Um rei nobre e poderoso, senhor de grandes exércitos, que comanda os Quatro Elementos, benfeitor de
todos que buscam a Sabedoria com sinceridade de coração. Siga a trilha, e irá encontrar refúgio.
A menina continuou, e chegou à uma grande planície, no meio da qual havia um grande castelo, cercado de
tendas coloridas. Havia sons de festa e música, uma alegria encantada que preenchia todo o ar. Ela caminhou até
as gentes, e foi recebia por um casal que, pela maneira como caminhava de braços dados, bem se via que estava
experimentando um grande amor.
- Olá, bela criança - disse a dama - , eu sou Rosa de Shiraz, e este é meu bem amado, o Príncipe dos
Filósofos. Aqui é o Grande Reino do Oriente, que, também, por uma razão misteriosa, é também o Reino do
Eterno Poente. Venha conosco!
Ela passou o melhor dos tempos entre aquela gente, tão simpática e tão bondosa. Foi tratada com todo o
carinho, e coroada Rainha da Noite, e todos se divertiram atendendo suas vontades e caprichos. Ela se esqueceu
das horas, e, quando o sol nascia, foi que lembrou da mãe aflita, e pediu para voltar.
Ela correu pela trilha, preocupada. Tinha um mal pressentimento. Quando chegou no casebre, viu as portas
abertas, coisas partidas jogadas fora, e nada da mãe. Ela pegou a estradinha que dava na vila, onde contava com
alguma ajuda.
Os aldeões estavam todos alegres e excitados, ninguém queria dar ouvidos a ela. Aos poucos, ouvindo daqui
e dali, descobriu que ia se queimar uma bruxa, e todos comentavam a festa.
- É a feiticeira que mora no pé da floresta - diziam -, que matou a própria filha para honrar o Diabo!
A menina afinal compreendeu... sua mãe saíra à sua busca, pedira ajuda aos aldeões, mas os padres da vila a
acusaram de ter, ela própria, assassinado a criança: não era ela uma mulher de hábitos estranhos, sem marido,
que conhecia segredos das plantas? Com a banha da própria filha morta, sentenciaram, untara seu corpo para
viajar ao Sabbah das Feiticeiras!
Ela correu de volta à floresta, pois sabia que ali ninguém iria acreditar se ela dissesse: "É tudo mentira! Eu
estou viva!"; pois a religião ensinava que os padres nunca erravam. Ela tomou a trilha até encontrar o coelho
negro.
- Amiguinho, amiguinho, eles vão queimar a minha mãezinha!
O coelho ensinou um sinal, que ela desenhou no chão; uma palavra, que ela repetiu aos quatro ventos. Então
ouviu-se um grande trovoar, o clarão de um raio, e a terra tremeu sob os cascos de um gigantesco cavalo, tão
negro quanto a armadura do cavaleiro que o guiava. Ele lhe estendeu a mão, deu um arco e várias flechas, e
cavalgaram como o vento até a aldeia.
A menina viu sua mãe amarrada em uma estaca, no centro da praça. As pessoas riam e jogavam pedras, os
padres, com cara séria, faziam sinais no ar. Ela pegou a primeira flecha e disparou.
A seta se incendiou no ar, explodiu contra o telhado da igreja, e houve um fogo mágicko que a tudo
devorava. Enquanto se preparava para de novo atirar, o cavaleiro pegou duas espadas, uma dourada e a outra de
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prata, e se lançou contra o povo, que, agora, gritava e chorava. Ele cortou as cabeças dos padres, tirou a mullher
da fogueira e amaldiçoou aquela gente limitada e sem vontade, que ele golpeava sem compaixão.
As lendas ainda contam como, um dia, o Diabo em pessoa martirizou os santos para salvar uma bruxa...
"Olhe para o abismo, e o abismo olhará para você."
Nietzsche
"Why can't we let sleeping dogs die?"
The Mission
O Voto do Abismo
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Em Magick existem duas Realizações fundamentais: o Conhecimento e Conversação com o Santo
Anjo Guardião e a Passagem do Abismo. A primeira é o Rasgar do Véu de Paroketh, que oculta a
Sephirath de Tiferet; a segunda é a passagem do Daath que, se bem sucedido, confere ao Iniciado que
alcança Binah o grau de Magister Templi, 8o = 3o .
No Sistema que Aleister Crowley utilizou para formar a A.: A.: o grau de Magister Templi é o
único que a pessoa pode clamar para si de forma independente, e sem ter realizado as Obras específicas
dos graus anteriores. A Chave para isso é o Voto do Abismo, pelo qual se compromete a considerar
todos os fenômenos do Universo como uma mensagem particular de Deus para si.
A primeira coisa que me ocorre é questionar se o Universo realmente responde ao Voto, alterando
as condições da sua relação com a pessoa, ou se a pessoa se determina a perceber toda a cadeia de
sincroniciades que atuam sempre, mas que não damos conta:
"If the doors of perception were cleansed everything would appear to man as it is, infinite."
W William Blake
A Magick tem várias definições, ou tentativas de; uma delas a proclama Arte e Ciência de causar
Sincronicidades. O que observo em minha experiência pessoal é que existem certas épocas em que a
sincronicidade parecefuncionar mais ativamente, como quando saio em viagem. Acho que o que se
altera então é, basicamente, não só a minha percepção mas a minha atitude positiva e a criação de uma
expectativa, que faz com que as coisas comecem a acontecer. Por que não usufruímos isso em nossa
vida diária? Provavelmente porque o stress causado por esse esforço nos leve a "fechar as portas"
temporariamente. Aldous Huxley propôs que a função do cérebro é justamente impedir que todas essas
percepções nos inundem, nos incapacitando para a vida prática. A literatura Sufi, e também a Yoga,
tem vários relatos de adeptos que, alcançando um estado de êxtase permanente, eram incapazes de
prover seu sustento e segurança, precisando receber cuidados dos seus seguidores como se fossem
bebês. O que nos traz ao simbolismo interessante pelo qual a pessoa que faz o Voto se torna um Bebê
do Abismo, durante aquela etapa intermediária entre o abandono de tudo e o renascimento em Binah.
Embora todo homem e toda mulher possam fazer o Voto, é bom mencionar o telegrama que
Crowley enviou a George Cecil Jones em Junho de 1916:
"I have just had your telegram. Do you claim the grade 8o = 3o as the signature might imply? If
so, thrice welcome. I think I told you any one could claim it who wished, but of course came under the
laws of the grade, so if he were inequal to it, -----"
A dificuldade do Voto do Abismo é justamente o perigo da incoerência que pode resultar da
tentativa de se ler todos os acontecimentos como sendo uma mensagem pessoal, algo que me lembra a
passagem do Livro da Lei:
"There is great danger in me; for who doth not understand these runes shall make a great miss.
He shall fall down into the pit called Because, and there he shall perish with the dogs of Reason." AL
II.27
Essa incoerência é representada pelo demônio do Abismo, Chorozon. Cecil Jones teria "caído" em
decorrência de seu Voto precipitado, mesmo depois de ter desvendado um dos segredos do Livro da
Lei; os dois fatos parecem ter sido profetizados no próprio Livro:
"Change not as much as the style of a letter; for behold! Thou, o prophet, shalt not behold all
these mysteries hidden therein. The child of thy bowels, he shall behold them." AL I, 54-55
"There come one to follow thee: he shall expound it. But remember, o chosen one, to be me." AL II,76
"But one cometh after him, whence I say not, who shall discover the Key of it all. It shall be his child
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and that strangely. Let him not seek after this, for thereby alone can he fall from it." AL III, 47
É interessante notar como essa forma de interagir com os fenômenos do mundo tanto pode ser
típica desta etapa mágicka como estar presente nos devaneios de pessoas psicologicamente
desequilibradas:
"Freud diz que os rituais do obssessivo têm o valor de uma religião particular. Segundo ele, são
atos mágicos que revelam a onipotência dos pensamentos do sujeito, resquícios da onipotência
infantil. Do mesmo modo, os obssessivos acreditam em sonhos proféticos, em pensar numa pessoa e
encontrá-la na rua ou receber um telefonema dela, narram presságios, na maioria das vezes sem
importância. Para sustentar a crença nessa magia, embaralham lembranças, alteram as seqüencias do
tempo na memória e usam truques variados. No entanto, em suas vidas cotidianas, os fatos realmente
importantes (a morte de um ente querido, a perda de um emprego etc.) sempre vêm de modo
inesperado, causando grande angústia."
A Neurose Obssessiva, Maria A. C. Ribeiro
É curioso notar que tanto o louco quanto o sábio parecem compartilhar de processo semelhantes, e
muitos já consideraram que o místico é um exemplo raro de esquizofrênia bem sucedida; talvez algo
assim passasse na mente de Crowley quanto escreveu para seu "filho" mágicko as epístolas intituladas
"Book of Wisdom and Folly".
Fazendo uma ponte entre as duas posições extremas, podemos considerar que, ao tentar cruzar o
Abismo do Conhecimento, o adepto se vê atacado por todos seus defeitos e desequlíbrios psicológicos,
os "cães da Razão" A Fórmula da correta travessia, configurada no Liber Cheth por Crowley, diz:
"And behold! if by stealth thou keep unto thyself one thought of thine, then shalt thou be cast out
into the abyss for ever; and thou shalt be the lonely one, the eater of dung, the afflicted in the Day of
Be-with-Us."
Essas considerações todas, acreditem, nasceram quando fui apanhar na máquina de lavar a minha
camisa do Dimmu Borgir com essa ilustração do post. Uma das práticas que se indicam no começo do
caminho da Magick é a de se memorizar a Árvore da Vida e tentar correlacioná-la com tudo o que
percebemos (o que talvez seja uma maneira de se preparar para o Voto do Abismo?). A imagem do cd
Black Spiritual Dimension mostra um Anjo feminino vendado e acorrentado, com uma expressão de
êxtase. Na hora associei com a Obra de Netzah, que consiste na restrição da faculdade imaginativa e da
energia da libido, permitindo assim a manifestação do Anjo. Antes do Conhecimento e Conversação
com o Santo Anjo Guardião que ocorre em Tiferet, existem manifestações parciais do Anjo em cada
sephiroth inferior, que indicam o Êxito do trabalho. Netzah é a Sephiroth de Vênus, e a Restrição
imposta a ela permite que o Anjo se manifeste em um Êxtase criativo (consultem o post Logos e Aeon
para mais detalhes). Ora, alguém pode perguntar, mas o Livro da Lei não diz que "A Palavra do Pecado
é Restrição" (AL I, 41)? Vênus é a Deusa do Amor, e devemos lembrar então que aqui se lida com o
Paradoxo da Filosofia indicado por "Amor é a lei, amor sob vontade" (AL I,41); pois se a Verdadeira
Vontade é descoberta em Tiferet, e Tiferet é a sephiroth do Sol, então o magista deve corretamente se
posicionar em relação a Vênus, lembrando que:
"Nor let the fools mistake love; for there are love and love. There is the dove, and there is the
serpent. Choose you well!" AL I, 57
Por uma questão de economia psíquica, não é possível se dedicar a duas coisas ao mesmo tempo.
Essa passagem de Netzah/Vênus a Tiferet/Sol provavelmente se relaciona com a teoria da sublimação
da libido de Freud, mais adequadamente entendida por Jung como etapa do processo de individuação, e
representada para os sábios em tantas alegorias da Alquimia. A Grande Obra alquímica seria a
obtenção da Pedra Filosofal, que daria Riqueza sem fim e Perfeita Saúde. Para aquele que ultrapassar a
ordália do Abismo, o Liber Cheth promete:
" Yea! verily this is the Truth, this is the Truth, this is the Truth. Unto thee shall be granted joy and
health and wealth and wisdom when thou art no longer thou."
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Arte e Ciência
Como já comentei antes, estas duas palavras são as sereias da minha vida. O trecho é do Chapter
XVIII do Magick, pode ajudar a entender por que a Arte é um Arcano Maior e a Ciência pertence ao
Naipe de Espadas no Tarot de Toth.
43
"A principal diferença entre Ciência e Arte é que a primeira admite medida. Seus processos
devem ser suscetíveis à aplicação de padrôes quantitativos. Suas leis rejeitam variáveis
imponderáveis. A Ciência despreza a Arte por sua recusa em se conformar com condições calculáveis.
Mas mesmo hoje, na jactada Era da Ciência, o homem ainda é dependente da Arte em muitos assuntos
de importância prática para si; as artes do Governo, da Guerra, da Literatura, etc. são supremamente
influêntes, e a Ciência faz pouco mais do que facilitá-las tornando seus materiais mecanicamente
dóceis. A máxima extensão da Ciência pode meramente organizar a moradia da Arte. A Arte pois
progride em percepção e poder pelo aumento de controle ou pela automática acuidade de seus
detalhes. O Mestre Therion fez Época na Arte da Magick ao aplicar o Método da Ciência aos seus
problemas. Sua Obra é uma contribuição de valor único, comparável aos desses homens de gênio que
revolucionaram a advinhação empíricados "filósofos naturalistas". Os Magistas de amanhã estarão
armados com teoria matemática, observação organizada, e prática experimentalmente verificável. Mas
sua Arte permanecerá inescrutável como sempre em essência; talento nunca superará gênio. A
educação é impotente para produzir um poeta maior do que Robert Burns; a perfeição do aparato de
laboratório de certo preparou o caminho de Pasteur, mas não pode fazer mestres de mediocridades."
A Memória Mágicka
O Budismo e alguns estóicos ousaram romper com a idílica idéia de uma alma imortal. Para o
Budismo, o ego é um conjunto de agregados que causam a ilusão de uma identidade e da auto-
consciência, em uma unidade que, se for destruída, já não pode mais retornar ao que era. Mas esse
conjunto poderia sobreviver à morte do corpo, acumulando karma positivo que lhe garantiria melhores
44
condições futuras. Para alguns estóicos, a imortalidade cessaria com a grande conflagração que levaria
o Universo ao seu estado original de Fogo. Eles consideravam a alma como uma entidade material,
embora de um material mais sutil e próximo do Fogo original: se a alma fosse plenamente imaterial,
filosofavam, não poderia afetar e nem ser afetada pelo corpo. Havia, porém, estóicos mais radicais que
afirmaram que a alma nascia e morria com o corpo, razão suficiente para o sábio buscar a apatheia, a
indiferença: se não existíamos antes do nascimento, e não existiremos depois da morte, não deveríamos
dar à vida nenhuma importância.
No período anterior à Revelação do Livro da Lei as simpatias de Crowley iam para a posição
budista, considerando a alma como conjunto de agregados:
"Os Budistas, negando atman ou Alma ( uma idéia de conhecimento, ser e prazer imutáveis,
eternos) representam o Ego fictício de um homem (ou um cão) como um aglomerado temporário de
partículas. A reencarnação destrói, ao que parece, algumas beiradas da massa, de forma que, por
vários nascimentos o Ego é constante dentro de limites; daí a possibilidade da "memória mágicka". O
sattva é esse aglomerado. Veja meu "Ciência e Budismo" *sobre esse ponto."
The Sword of a Song, AleisterCrowley
Entretanto, modificou sua opinião seguindo os ditames da nova Lei, segundo os quais todo ser
humano teria um núcleo de individualidade indestrutível, ao redor do qual se organizariam os
agregados. Este núcleo é simbolizado como "Estrela" ou "Hadit":
"Every man and every woman is a star." AL I.3
"I am the flame that burns in every heart of man, and in the core of every star." AL II.6
No Liber Aba, Magick in Theory and Practice, Crowley aponta a recuperação da Memória
Magicka, a anamnese das vidas pregressas, como um dos métodos fundamentais para a descoberta da
Verdadeira Vontade do Magista.
"Não há tarefa mais importante do que exploração das encarnações prévias."
"É muito mais fácil (por razões óbvias) adquirir a Memória Mágicka quando se jurou por muitas
vidas reincarnar imediatamente."
"O Mestre Therion, de fato, relembra várias encarnações de quase total desventura, angústia e
humilhação, tomadas voluntariamente para que pudesse retomar seu trabalho sem ser atrapalhado por
credores espirituais."
Magick, Chapter VII
Ele mesmo se considerava reencarnação de Eliphas Levi, tese para a qual apresentou uma
interessante lista de fatos, que podem ser checados na obra citada.
Pessoalmente, me inclino para a hipótese de que "alma", "espírito" ou whatever são simplesmente
fantasias úteis para afastar a angústia e manter a ordem social. Meus primeiros contatos com essa
posição anti-metafísica foram com a leitura de Nietzsche. Na época, a noção teve um forte efeito
depressivo em mim, pois, como toda cria do Ocidente cristianizado, havia crescido associando o valor
da vida à sua ordenação metafísica. Me intrigava, entretanto, o valor inestimável dado por Nietzsche à
vida ("O valor da vida não pode ser avaliado."). Afinal, que valor é esse, se daqui a cem anos eu e você
e todo mundo que nós conhecemos já não existirão?
Mas, aos poucos, fui aprendendo que a aceitação da materialidade da existência implicava em uma
postura trágica e heróica diante das transformações de todas as coisas, que o valor de cada instante se
multiplicava por um fator desconhecido e infinito, e que a Espada que todos carregam acima de suas
cabeças se desfazia em fumo. Aquele papo de que "a Verdade liberta", a única coisa que o iludido Jesus
proclamou de algum valor, embora, como todo o resto de sua inútil pregação, não fosse nada original.
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"He that lives long & desires death much is ever the King among the Kings." AL II.74
Logos e Aeon
Era minha intenção escrever um artigo com esse título para o site da O.T.O. em comemoração aos 100 anos
da escritura do Livro da Lei. Infelizmente, a minha momentânea dificuldade em acessar a Internet e o fato de boa
parte do material que pretendia consultar estar no Brazil fizeram com que o projeto se adie sine die. Mas, para
não deixar passar o centenário em branco aqui no blog, resolvi escrever alguns comentários de memória mesmo.
"Aum! Todas as palavras são sagradas e todos os profetas verdadeiros; salvo apenas que eles entendem
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um pouco; resolvem a primeira metade da equação, deixam a segunda inatacada. Mas tu tens tudo na clara luz,
e pouco, embora não tudo, no escuro."
Liber AL I.56
Logos é termo grego cujo significado mais básico é "Palavra". É o nome usado no Novo Testamento que,
nas traduções para línguas latinas, se tornou "Verbo" : "No início era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o
Verbo era Deus". Antes de chegar aí, entretanto, Logos foi assumindo novos usos dentro da linguagem
filosófica, vindo a representar conceitos como "ordenação racional da realidade", indicando o fato de que os
fenômenos do mundo podem ser traduzidos em uma linguagem "lógica", a qual reflete, antes de mais nada, o
encadeamento de causas e efeitos. Dessa forma, é possível descrever gramatica e matematicamente, por
exemplo, o funcionamento e os efeitos previsíveis da gravitação.
Tal é a perfeição e o aparente teleologismo das coisas que os primeiros filósofos consideraram que o
funcionamento do mundo era um fato divinamente ordenado. Platão considerou que a inteligibilidade das coisas
era o sinal claro da existência de uma inteligência ordenadora, o Demiurgo que transformara o caos da Matéria
Prima na ordem do Universo, sendo assim ele mesmo o Logos de tudo o que há.
Aeon foi um termo popular entre os gnósticos que pulularam no mundo greco-romano nos primeiros séculos
do Cristianismo. Eles usavam o termo para definir os poderes ou os planos espirituais que regem nosso mundo e
o destino das almas. Essa regência já aproxima as idéias de Logos e Aeon. Aeon também indicava um período de
tempo, e a noção era a de que determinados períodos da história do mundo eram governados por determinadas
potências espirituais. A idéia era antiga, e aparece em várias culturas diferentes. Os gregos mencionavam a Idade
de Urano, de Cronos e de Zeus; eras associadas a divindades aparecem também no Hinduísmo, e divisões mítico-
históricas são encontradas no Zoroastrismo, Judaísmo e Cristianismo. No século XIII, por exemplo, foi bastante
popular a heresia de Joaquim de Fiore, que associava a Idade do Pai ao período do Antigo Testamento, a do
Filho ao Advento de Cristo e profetizava a iminente vinda da Idade do Espírito Santo. Astrologicamente,
também se fala de períodos demarcados por Signos, como a popular concepção de que estamos na transiçãoentre a Era de Peixes para a de Aquário.
Podemos ver então que a noção da passagem dos tempos indica a existência de dois tipos de Logos: um
Logos Universal e um Logos Temporal. O Logos Universal se refere aos princípios do funcionamento do mundo
que nunca mudam, e o Logos Temporal às características específicas do momento. Assim, podemos fazer a
analogia de que as características do ambiente que podem ser codificadas em leis que valem tanto para o dia de
chuva quanto para o dia de sol, para o Inverno ou para o Verão, para a Infância ou para a Velhice são abstrações
do Logos Universal. As orientações que permitem ao ser humano se preservar em cada um desses momentos
diferentes, seriam análogas aos princípios ditados pelo Logos Temporal. Em uma era pré-cientifica, essas normas
receberiam o aparato de uma ordenação religiosa, como o mandamento salutar de não se comer carne de porco
em uma época em que as condições de higiene eram precárias.
Mas, como é claro, as próprias noções de Logos e Aeon significam sempre um núcleo religioso e
metafísico, indicando uma transmissão de sabedoria periódica que aconteceria em momentos de transformação.
Essa transmissão de sabedoria indica sempre uma nova representação de um fenômeno antropológico primitivo,
que se convencionou no Século XX como Xamanismo.
Xamanismo é a forma original e primitiva de toda religiosidade humana. Ele se centra na figura de uma
mulher ou de um homem que, por circunstâncias especiais, atende a um chamado do mundo espiritual para ser
portador de uma mensagem, e que aprende em seu ofício as diversas técnicas ritualísticas que permitem
estabelecer e manter o contato com as forças e inteligências ocultas, cuja boa-vontade é considerada vital para a
sobrevivência e bem-estar do grupo. As modalidades do chamado variam: por herança familiar, através de um
acidente, doença ou tragédia, por capricho ou deliberação divinos. O Xamanismo se desestruturou com a
passagem da cultura de coleta para a agrícola, quando a função de intermediação dos homens com os deuses
passou a ser o apanágio dos sacerdotes. Houve ainda um tempo em que as duas formas coexistiram: na Suméria
qualquer pessoa que acreditasse ter recebido uma mensagem dos deuses podia se apresentar na capital e confiá-la
ao rei.
Podemos perceber que é desse fenônemo que se originam as religiões. Abrahão é um líder comunitário que
faz um pacto com uma divindade para se legitimar; Moisés é escolhido por Javé para guiar seu povo para a
liberdade na Terra Prometida; Jesus é o próprio Deus que se manifesta em figura humana para transmitir sua
Palavra; Maomé recebe o Corão do anjo Gabriel. Uma exceção significativa é Buda, que alcança a Iluminação
por seu próprio esforço, e se dedica a ensinar esse caminho de libertação a todos.
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Vamos encontrar na cultura judaica-cristã-muçulmana um longo debate religioso-filosófico sobre a questão
da inspiração divina e da profecia. Esse debate nasce, antes de mais nada, da necessidade do status quo religioso
de preservar a ortodoxia, sempre ameaçada pela possibilidade de uma nova revelação, e também da perplexidade
dos judeus sobre o desaparecimento da profecia em Israel. Essa perplexidade inexiste para cristãos e
muçulmanos, pois se explicava pelos fatos simples de que o Advento do Messias, para os primeiros, já ocorrera,
e que Maomé tinha sido, por sua vez, o Selo da Profecia.
O sábio judeu Maimônides, no século XII, tentou uma interessante reconciliação entre Aristóteles e a
Torah, que, entre outros frutos, apresentava uma explicação racional do fenômeno da profecia. Utilizando os
conceitos de Intelecto Passivo e Intelecto Ativo, ele explicou que todo ser humano, enquanto vivo, permanece
ligado ao Intelecto Ativo, que é a fonte de toda inteligência e sabedoria, iluminando o Intelecto Passivo do
homem em graus variáveis. Todas as regras e preceitos da Torah visavam preparar o homem para vivenciar mais
plenamente esse contato, tendo sido a Torah dada por Deus para esse fim. Os estágios mais elevados que o
homem alcançava nessa via eram justamente os da profecia.
Na sua obra "O Guia dos Perplexos", o filósofo judeu definiu três partes do ser humano: a parte Adão, a
parte Eva e a parte Serpente, fazendo da fábula bíblica uma analogia da relação com Deus. A parte Adão
representa as faculdades superiores do intelecto, que orientam o homem na direção do divino; a parte Eva a
faculdade imaginativa, onde se formam as imagens e a parte Serpente os impulsos do corpo. Quando Eva deixa-
se levar pela Serpente, nossa mente se enche de imagens materiais, e não pode dar forma ao impulso superior;
daí toda a necessidade de se levar a cabo as normas éticas e dietéticas ditadas pela Torah, cuja correta obediência
criaria as condições para a plena manifestação do Intelecto Ativo.
Aqueles familiarizados com o misticismo judaico posterior, a Cabala, vão reconhecer esses princípios
representados na preparação da Taça Menor, configurada pelas Sephirot Malkuth, Yesod, Hod e Netzah, onde
Malkuth representa o corpo, a ser preparado através de ascese apropriada, Yesod a personalidade, orientada pelo
estudo e a prática religiosa, Hod a inteligência, capaz de discernir e Netzah a faculdade imaginativa. Malkuth
sustenta a existência da tríade Yesod-Hod-Netzah e, quando todas se encontram equilibradas, cria-se a condição
para que o Intelecto Ativo - Tiferet - derrame sua influência sobre o ser humano, preenchendo a Taça Menor. Por
estarem essas Sephiroth astrologicamente relacionadas aos Planetas Lua, Mercúrio, Vênus e Sol, a análise desses
no Mapa Natal da pessoa pode sempre dar importantes orientações sobre as condições particulares onde esse
processo pode ser buscado.
Mas Maimônides era racionalista, não místico. Ele aceitava o desaparecimento da profecia em Israel não
como sinal da total ausência de pessoas preparadas, mas afirmava que haviam épocas em que essa manifestação
ocorria, e outras em que não. Para ele, a sua época era não profética e havia sido iniciada com a destruição do
Segundo Templo.
Voltamos então à questão relativa aos conceitos de Logos e de Aeon, que, junto da idéia de profecia, é vital
para entendermos o que aconteceu nos dias 8, 9 e 10 de Abril de 1904 no Cairo, há exatamente 100 anos, quando
Aleister Crowley recebeu os três capítulos do Liber AL, uma comunicação feita por uma Inteligência
denominada Aiwass, que se apresentou como ministro do Senhor do Novo Aeon, Hórus. O relato inicia com uma
tentativa de Crowley mostrar à sua nova esposa os resultados de uma invocação dos elementais do Ar, após a
qual ela entrou em transe e passou a lhe transmitir instruções para aplacar a divindade que ele, sem saber, havia
ofendido. Isto é, como já se pode ver, um drama xamanico arquetípico, tantas vezes repetido na mitologia grega,
onde os heróis devem expiar ofensas que muitas vezs nem haviam sido premeditadas. A busca de expiação
levava o herói a um novo nível de relacionamento com a divindade, e é justamente disso que se tratava: o
estabelecimento de um novo relacionamento, não só de Crowley, mas de toda a Humanidade, com as forças que
governam e orientam sua existência. Foi por reunir em si as qualidades necessárias para receber e comunicar a
nova Lei que Crowley teria sido escolhido para personificar o Logos do Aeon.
A missão de Crowley foi definida como "O objetivo da religião pelo método da ciência", querendo com isso
indicar uma nova forma do ser humano se relacionar com os fenômenos místicos, mágickos e religiosos. A
reelaboração da Estela da Revelação no Atu XX do seu Tarot de Toth é o exemplo mais claro do ponto focal
dessa nova orientação: na Estela observamos o diálogo entre Ankh-af-na-konsu e o deus Hórus; na carta do
Novo Aeon nós olhamos Hórus diretamente. Essa percepção direta e pessoal do divino representa a criação das
condições mencionadas quando abordamos a Taça Menor e a manifestação que se segue. É aquilo que Crowley
chamou de Conhecimento e Conversaçãocom o Santo Anjo Guardião, que é o Logos individual de cada um, não
dissociado (isto é fundamental que seja bem entendido) do Logos Universal e do Logos Temporal.
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As profecias do Velho Aeon afirmavam uma época após a vinda do Anti-cristo, onde todos, homens,
mulheres e crianças profetizariam. Crowley explicou em seus escritos as dificuldade típicas dos visionários de
entenderem aquilo que prevém: trata-se sempre da inadequação da Taça Menor de captar e entender
adequadamente os influxos que recebe de Tiferet, tão bem exemplificada na parábola cabalística dos quatro
sábios que entraram no Pardes, o Jardim da Iluminação espiritual. Essa estória adverte sobre os perigos de um
despreparo nas Sefiroth de Malkuth, Yesod e Hod.
"Os videntes nos primeiros dias do Aeon de Osiris previram a Manifestação deste Aeon vindouro no qual
agora vivemos, e o consideraram com intenso horror e medo, não entendendo a precessão dos Aeons, e
considerando toda mudança como catástrofe."
Book of Toth, Crowley
A interação de Crowley com as Inteligências do Novo Aeon não se resumiu à recepção do Livro da Lei.
Liber Aba, também chamado Book 4 ou Magick in Theory and Practice, nasceu da orientação de uma entidade
chamada Amalantrah, e nele Crowley deixou as orientações que julgava pertinentes a todo e qualquer ser
humano que deseje um caminho espiritual harmônico com as condições do Novo Aeon. No Liber 418, The
Vision and the Voice, ele percorreu os 30 Aires Enochianos onde recebeu importantes revelações sobre o novo
tempo, e, posteriormente, sintetizou todo esse conhecimento nos 78 Arcanos da sua revisão do Tarot, o Livro de
Toth.
Este artigo foi originariamente ilustrado com o Arcano XIX, o Sol, que segundo Crowley: "Representa
Heru-ra-ha, o Senhor do Novo Aeon, em sua manifestação para a raça dos homens como o Sol espiritual, moral,
e físico. Ele é o Senhor da Luz, Vida, Liberdade e Amor. Este Aeon tem como seu propósito a completa
emancipação da raça humana." Essa emancipação é indicada pelas duas crianças, as quais "representam o
próximo estágio a ser alcançado pela humanidade, no qual completa liberdade é ao mesmo tempo a causa e o
resultado do novo acesso de energia solar sobre a terra. A restrição de idéias tais como pecado e morte em seus
sentidos antigos foi abolida."
As mudanças radicais que aconteceram no século XX testemunham que as indicações simbólicas
profetizadas no Livro da Lei estavam mesmo de acordo com os sinais dos tempos. Ainda não se sabe a real
origem dos fenômenos que Crowley dedicou sua vida a pesquisar, mas ele foi realmente um ser humano que
soube captar de forma magistral os novos rumos que a sociedade e o indivíduo iriam trilhar, e nos legou
conhecimento, entendimento e sabedoria relevantes para lidarmos com esse admirável Novo Aeon.
A Visão da Beleza
"Aquele que, desse ascender sob a influência do verdadeiro amor, começa a perceber essa beleza,
não está longe do fim. E a verdadeira ordem de se ir, ou de ser levado por outro, para as coisas do amor, é
começar das belezas da terra e se elevar em prol dessa outra beleza, usando aquelas como degraus apenas, e de
uma indo a duas, e de duas à todas as belas formas, e das belas formas para as belas práticas, e das belas
práticas para as belas noções, até que das belas noções se chega à noção da beleza absoluta, e afinal conhece o
quê a essência da beleza é."
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Platão
Foi Platão quem primeiro definiu a existência de um Mundo Inteligível e Perfeito, tema que seria
base de quase todo pensamento místico ocidental. Esse mundo de Arquétipos modelares, a partir dos quais tudo é
mera cópia, se metamorfoseou no Pleroma dos gnósticos e nas hipóstases dos Neo-platônicos.
Hipóstase significa "personificação", nesse caso, personificação de atributos divinos e de idéias
abstratas. Uma hipóstase é um plano ou inteligência espiritual; na Árvore da Vida da tradição cabalística temos
Dez, chamadas de Sephirot: A Corôa, A Sabedoria, O Entendimento, A Graça, O Rigor, A Beleza, A Vitória, O
Esplendor, A Fundação e o Reino. Cada uma representa um arquétipo típificado pelo pensamento judaico
medieval
Platão acreditava que a busca da Beleza era um caminho de elevação espiritual que leva do particular
para o universal. Cada objeto do mundo é belo porque representação parcial da Idéia da Beleza, mas Platão
desprezava a Arte argumentando que, em se tratando de uma cópia da cópia, afastava ainda mais o homem da
Beleza original.
Aristóteles inverteu o raciocínio platônico, negando o Mundo das Idéias. Para ele, a idéia nasce de um
processo e abstração a partir do qual, observando certas semelhanças, nossa mente as categoriza sob uma palavra
de significado geral. Assim a Beleza seria um conceito para definir uma reação específica e recorrente de nosso
ser diante das coisas.
A partir daí, dispondo de conhecimentos que esses gregos geniais nunca sonharam, podemos
argumentar que a Beleza é uma reação de nosso cérebro a certos estímulos do ambiente, ou seja, a Beleza está
em nós, em nossa mente, se trata de uma experiência neurológica que abstraímos em categoria.
Por aí podemos entender melhor as variadas narrativas de místicos que falam de uma Visão da Beleza,
a qual pode ser alcançada através da dedicação a certas práticas, mas que, em estado mais fugaz, pode se fazer
presente no nosso cotidiano, como, por exemplo, quando estamos apaixonados: tudo parece ficar belo. Uma
narrativa interessante sobre uma experiência extrema de Beleza se encontra no livro "As Portas da Percepção" de
Aldous Huxley:
"Tomei minha pílula às onze [de mescalina]. Uma hora e meia depois eu estava sentado em meu
estúdio, olhando intensamente um pequeno vaso de vidro. O vaso continha apenas três flores: uma rosa Belie de
Portugal desabrochada, cor-de-rosa com um traço na base de cada pétala de um matiz mais quente, encarnado;
um cravo grande magenta e cor de creme; e, púrpura palida na ponta de sua haste partida, uma íris em
orgulhoso desabrochar heraldico. Fortuito e provisório, o pequeno arranjo quebrava todas as regras do bom
gosto. No desjejum da manhã eu tinha notado a viva dissonância de suas cores. Mas este não era mais o ponto.
Eu não estava agora olhando para um arranjo não usual de flores. Eu estava vendo o que Adão viu na manhã
de sua criação - o milagre, momento a momento, da existência nua."
"Ele nunca poderia, pobre camarada [Platão], ter visto um punhado de flores brilhando com sua própria luz
interior e estremecendo sob a pressão da significância com que estavam carregadas; nunca poderia perceber
que o quê a rosa e o cravo e a íris tão intensamente significavam não era nada mais, e nada menos, do que elas
eram - uma transiência que era ainda vida eterna, um perpétuo perecer que era ao mesmo tempo puro Ser, um
feixe de pequenas, únicas particularidades no qual, por algum paradoxo não pronunciável, embora auto-
evidente, estava para se vista a divina fonte de toda existência."
Percebemos então que, mesmo em graus variáveis, a Visão da Beleza é uma categoria arquetípica da
experiência humana, que parece levar, infalivelmente como prescrevia Platão, à uma consciência da divindade.
A Beleza seria um arquétipo fundamental ainda mais profundo, algo presente em todas as coisas, ou que, dado o
estado de consciência do indivíduo, pode ser percebido em todas as coisas. A Beleza não seria, sequer, uma
Idéia, pois pode ser evocada simplesmente através da Cor.
Os Neo-platônicos se distanciaram de seu mestre reafirmando o valor da Arte. Plotino considerava
que a obra de Arte podia representar, mais perfeitamente do que as formas naturais, os Arquétipos da Mente
Divina.Aqui temos a base teórica para o uso do simbolismo em Magick: as imagens, como os Arcanos do Taro,
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teriam a capacidade de evocar os arquétipos do inconsciente, nos facilitando o acesso ao estado de gnose e
direcionando a experiência. Nossa mente, em sua evolução, era visual muito antes de desenvolver o raciocínio e,
embora não esteja claro como a experiência da Beleza se desenvolveu como uma estratégia útil à Vida, ela se
encontra próxima à origem, seja esta biológica ou metafísica. Por esta razão os transes místicos são com tanta
freqüencia chamados de Visões:
"[A Visão Beatífica é] O conhecimento imediato de Deus que os espíritos angélicos e as almas dos
justos usufruem no Céu. É chamado "visão" para ser distinto do conhecimento mediato de Deus que a mente
humana pode alcançar na vida presente. E já que contemplando Deus face a face a inteligência criada encontra
perfeita felicidade, a visão é chamada 'beatífica'."
A Visão Beatífica, Enciclopédia Católica
A Beleza, portanto, é, ao mesmo tempo, via e alcance do místico. Isso lhe confere um poder de
transformação, que, para o pintor Jean Delville (1867 -1953), deveria ser a motivação de toda verdadeira obra de
Arte.
"É necessário falar clara e precisamente sobre a missão civilizadora da arte... É também necessário
falar do efeito moral que um trabalho de arte produz nas pessoas, no público, o efeito moralizador da Arte, mais
salutar, mais pacificador do que a Política."
Jean Delville, A Missão da Arte.
Jean Delville nasceu em Louvain. Estudou na Academia Real de Belas Artes, em Bruxelas. Chamou a
atenção do público em 1887 com o quadro "Mãe", que, mostrando uma mãe em trabalho de parto, causou
escândalo. Ele deixou sua inspiração naturalista inicial para se tornar simbolista, como já indicava em seu quadro
"Tristão e Isolda", inspirado em Richard Wagner e no "Círculo das Paixões", inspirado em Dante, queimado em
1914.
Delville participou do Movimento Rosacruz e se tornou associado do mago e escritor Peládan, que o
convidou a Paris onde expôs nos Salões da Rosa+Cruz de 1892 a 1895. Em 1900 publicou "A Missão da Arte",
no qual defendeu o ideal messiânico e a qualidade redentora da arte idealista. Ele considerava que a arte tinha
um papel chave em elevar as pessoas de sua cegueira. O verdadeiro artista era um iniciado que apresentaria
imagens que ensinariam e transformariam a natureza humana, e nenhuma obra poderia ser verdadeiramente
chamada de arte se não combinasse três absolutos: beleza espiritual, beleza plástica e beleza técnica. Os artistas
deveriam se tornar sacerdotes e profetas, de acordo com sua visão neo-platônica da Beleza:
"Entendida em seu sentido metafísico, a Beleza é uma das manifestações do Ser Absoluto. Emanando dos
harmoniosos raios do plano Divino, ela cruza o plano intelectual para brilhar uma vez mais através do plano
natural, aonde se escurece na matéria."
Para Delville, a realidade visível era apenas um símbolo, e os seres humanos viviam em três planos: o
físico (o reino dos fatos), o astral (ou mundo espiritual,o reino das leis), e o divino (o reino das causas).
Acreditava que a reencarnação era o caminho para o nível superior, para aqueles que buscavam o
aperfeiçoamento da sua vontade e espírito através da iniciação e da magia. Conciliava seu interesse no oculto
com o Cristianismo considerando que o Catolicismo está em harmonia com as leis mágicas: as formas externas
de devoção escondem verdades ocultas.
Jean Delville criou ainda uma loja maçonica, e, mais tarde, se tornou um seguidor ardente de Krishnamurti.
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ASTROLOGIA E CIÊNCIA
Amiga minha da época de faculdade comentou debate sobre Astrologia que assistiu no
Planetário da Gávea, em setembro. Curiosamente, promovido por um biólogo e um astrônomo, só.
Como já se deduz, o tal debate era na verdade uma exposição da crítica à Astrologia. Segundo
a testemunha, basearam-se em dois pontos: análise estatística e o caso dos gêmeos. Vamos agora expor
as falhas desta abordagem.
Não chegando ao ponto de afirmar a impossibilidade de uma pesquisa estatística (ver a pesquisa
dos Gauquelin), o fato é que o mapa natal é um sistema caótico, onde o grande número de fatores em
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interação torna ineficaz qualquer análise de elementos isolados. Como exemplo, podemos ver o
testemunho de Marte na Casa 8 como indicação de morte prematura e violenta. Este é um exemplo de
interesse pessoal, já que ocorre no meu mapa. Pesquisando os mapas de personalidades famosas
disponível no aplicativo do Janus, selecionei as quatro que se encaixavam, pelo tipo de morte:
Abraham Lincoln, John Kennedy, Princesa Diana e Hitler. Bom, todos os quatro tinham Marte no signo
da Cúspide da Casa 8. Isso pode ser considerado um dado estatístico? Claro que não, uma análise
estatística precisaria de uma amostragem muito maior de pessoas com Marte na 8; e eu duvido que,
mesmo que fosse possível conferir um número significativo de mapas confiáveis com Marte na 8, se
conseguisse uma porcentagem significativa de mortes que indicassem a confiabilidade desse
testemunho. Por quê? Por que não basta termos Marte na 8, é preciso checar o Estado Zodiacal do
mesmo, ou seja, o ponto do Zodíaco em que se encontra, os aspectos que forma com os demais planetas
e o estado zodiacal do planeta que o dispõe, considerando que Marte não esteja em Áries ou Escorpião.
Três dos mapas apresentados, com exceção do de Hitler, apresentam Saturno como Almutem. Ora,
Saturno como Almutem do mapa também é testemunho de morte prematura. Temos então a
concorrência de dois fatores para confirmarem uma previsão, o que teria que ser levado também em
consideração em uma pesquisa. No caso de Hitler, não se sabe ao certo as circunstâncias de sua morte,
levando-se em conta que tenha mesmo ocorrido durante a invasão de Berlim, e um possível suicídio.
Seu Almutem era Vênus.
O argumento dos gêmeos é velho, a menção mais antiga que conheço é do livro das Confissões de
Santo Agostinho. É um argumento de quem ignora questões básicas de Astrologia, desconhecendo que
uma diferença de cinco minutos muda muita coisa em um mapa. Quanto tempo decorre entre o dar à
luz do primeiro gêmeo e do segundo? Mais do que o bastante para que cúspides mudem de signo e
planetas de casas.
Um caso mais interessante seria o de mapas idênticos. Como apontei, o mapa é um sistema de alta
complexidade, e por isso só permite considerações gerais, precisando ser re-analisado com freqüencia
até que se comece a perceber com maior acuidade sua manifestação. Assim, deve ser considerado como
um sistema caótico, cuja trajetória de ação não segue gráfico cartesiano, mas caótico. Isso significa que
o gráfico de ação de um mapa é representado por uma área não uniforme, com áreas de maior
probabilidade que em Física Quantica chamam-se de “atratores estranhos”. Esses atratores representam
momentos chaves do desenvolvimento da vida da pessoa que permitem uma maior acuidade de
previsão. Uma boa comparação é com a Metereologia, também uma Ciência voltada para a previsão de
eventos futuros. A previsão da Metereologia é difícil porque o clima do planeta também é um sistema
de alta complexidade, afetado por vários fatores ainda pouco conhecidos. Assim, podemos prever que
em dez anos um número aproximado de furacões irão afetar a Costa Oeste do EUA, podemos prever
com alguns dias de vantagem a ocorrência do próximo, mas dificilmente acertaríamos a semana do
próximo semestre em que teríamos um.
Em Ciência temos os métodos dedutivo e indutivo. O dedutivo parte do geral para o particular. É
por esta abordagem que os cientistas criticam a Astrologia: do conhecimento geral que temos de Física
e Astronomia conclui-sea impossibilidade da primeira. Como a Astrologia baseia sua práxis no
movimento aparente dos planetas e sua teoria na visão ptolomaica-aristotélica que caiu com o
heliocentrismo, ela é um erro de tempos passados. Mas a práxis da Astrologia se baseia simplesmente
em um conveniência na marcação dos tempos, que se respalda na observação da correlação entre fatos
específicos e a posição dos planetas. O método de pesquisa astrológico logo é indutivo, partindo do
particular para o geral. A sua práxis se fundamenta na observação de que há uma concordância
significativa entre os dados astrológicos e os eventos que ocorrem na vida das pessoas, mas é preciso
um estudo profundo aliado a uma larga experiência para se conseguir extrair análises e previsões que
tenham uma porcentagem de acerto que as justifiquem. É importante se reconhecer primeiro que a
interpretação astrológica trabalha na análise e previsão de uma interação que ocorre entre um fenômeno
quantico desconhecido, mas que revela uma influência direta da posição dos planetas em relação à
Terra, e o ser humano, ambos objetos de Ciências que não podem ser exatas. Segundo, que essa práxis
se baseia na coleta de dados levada a cabo de forma não sistematica por séculos, e não submetida a
uma análise suficiente. Terceiro, que sua eficiência depende da confiabilidade dos dados apresentados,
que raramente são precisos, e da capacidade e experiência do astrólogo.
Por fim, como técnico de uma interpretação de dados humanos, a eficiência deste é variável
como a de, por exemplo, um psicólogo, e sujeita a erros como, por exemplo, a de um médico.
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Cavaleiro do Oriente e do Ocidente
Como bem se sabe, à parte de lendárias buscas na área do Templo de Salomão e guarda de
segredos fantásticos, a Ordem dos Cavaleiros Templários foi formada no século XII para auxiliar e
proteger a peregrinação à Terra Santa.
A viagem até um lugar sagrado, a jornada iniciática e a busca xamânica são representações
arquetípicas de um antiguíssimo impulso, a programação genética para a migração presente em tantas
espécies e que levou nossos ancestrais do interior da África para todas as partes do mundo... que vai
levar nosso herdeiros às estrelas.
Desci em Roma, antiga capital do Ocidente dia 10 de Novembro, e dirigi até a Croácia para
receber as iniciações do IV Grau, do Perfeito Iniciado e do Cavaleiro do Leste e Oeste, que encerraram
um longo ciclo começado em 16 de Novembro de 1996, quando fui recebido como Minerval no Oásis
Sol do Sul da Ordo Templi Orientis.
Como magista, tenho muitas dúvidas. De fato, a experiência desses quase vinte anos de práticas
ritualisticas me fizeram perder mais e mais ilusões, abrir mão de certezas e teorias, de muita fantasia e
ilusão. O que me resta é um esqueleto de poucas certezas, como o fato de que é possível causar certas
alterações nas probabilidades dos eventos, de que comunicação telepática entre seres vivos acontece, e
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que alguma coisa, cuja natureza real desconheço, parece se comunicar através de símbolos e
sincronicidade conosco, desde que você se disponha a isso. Assim, os três símbolos que tem aparecido
constantemente para mim nos últimos meses foram finalmente compreendidos durante as três
iniciações de que participei em Zagreb. Muitas vezes durante as cerimônias um largo sorriso no meu
rosto parecia dizer: ah, então era isso?! Mas sobre os Três Símbolos eu me calo agora, para proteger a
surpresa dos futuros iniciados.
Após as iniciações, que tiveram lugar na Loja Mirrash do dia 13 ao 14, assisti à Missa Gnóstica,
depois de quase cinco anos ausente, desde que vim para a África. A Missa é um Sacramento cujo valor
real não se consegue apreender em toda uma vida. Seu Mistério é profundo, e as energias que se fazem
presentes não só iluminam a alma como afetam de forma poderosa o próprio funcionamento do nosso
corpo. Pois este é um segredo vital do Eremita: a transformação do corpo para que o Mistério da
Iniciação possa ocorrer. Esta é uma Ciência ainda muito desconhecida, do qual se sabe muito mais da
Prática do que da Teoria, mas tenha a certeza de que a Carne deve ser preparada para que se conheça o
sabor do Espírito. E a Missa da Ecclesia Gnóstica nos ensina e prepara para isso.
Saído da Missa comecei a seguir novamente a trilha dos sinais... Como Cavaleiro Templário
cumpri a ordália de acompanhar e proteger uma peregrina, uma irmã da Ordem que precisava retornar a
Torino com rapidez. De lá voltei a Zagreb e, guiado pelo Irmão Pyramis, iniciei uma jornada até a
memória de meus ancestrais. Pernoitamos em uma caverna onde os avós do homem se abrigavam e
cultuavam símbolos fálicos, e lá invocamos os arquétipos de Thelema e as forças da Lua e da Água. Já
nas ruínas de uma antiga fortaleza Templária, escalei os restos de uma Torre e invoquei o Sol e o Ar.
Visitamos o Acampamento da Ordem na cidade de Split e chegamos até a Cidade Invencível,
Dubrovnik na costa do Mar Adriático - uma cidade notável pelo fato de nunca ter sido tomada pelo
inimigo. Uma estranha ponte cruza o abismo na entrada da cidade, e sua forma arquitetônica lembra as
pernas abertas de uma grande mulher... para mim, entrávamos simbolicamente em Binah, ainda mais
que a Cidade é quase que toda cercada pelo mar. Eu era um cavaleiro em busca do Graal, a Taça de
Nossa Senhora BABALON, e pressenti que estava perto de o encontrar.
E realmente encontrei, uma Taça exatamente como eu imaginava, e com símbolos que me
revelaram algo desse Mistério. Com o objeto de valor em minha bolsa, em segredo retornei a Zagreb e,
afinal, pude entregar a Copa nas mãos da Sacerdotiza, cumprindo um antigo rito cujas origens somem
no passado... Fui um novo Parzival e descobri a resposta do enigma que se apresenta no Castelo
Perigoso.
Assim terminou a primeira parte da viagem. O Dizionari dell'Arte que depois achei em Roma diz "Il
viaggio rappresenta la dimensione della scoperta e dell'iniziazione e si presenta come un itinerario
fantastico nel regno dell'Aldilà o in regione inesplorate." De fato... retornei a Roma para encontrar o
Irmão Gimel, que vinha do Brasil, conhecer a Loja que há na cidade e fazer aquele turismo básico, que
ninguém é de ferro: o Colosseum, a Fontana de Trevi, o Vaticano... e também assumir o compromisso
de Probacionista da A.: A.:.
De Roma fomos a Florença, uma das mais belas cidades da Itália, onde encontramos com os
iniciados do Oásis Teth. Para mim foi muito importante conhecer tantos Irmãos e Irmãs de países e
cidades diversas, aprendendo mais sobre a Ordem e sua importância. Procurava em Florença a Storia
dell'Anticristo, uma série de pinturas cuja referência havia encontrado no livro Devils da Taschen, mas
ninguém sabia nada a respeito na cidade. A solução foi achar o livro em um livraria, para descobrir que
essas pinturas estavam na cidade de Orvietto, há duas horas de carro. Lá fomos, e valeu muito a pena.
Esses afrescos se encontram no Duomo da cidade, uma das igrejas mais fantásticas que já vi (tanto
quanto a Catedral de Salamanca, embora de estilos bem diversos). Foram pintados por Signorelli, que
iniciou sua obra em 1499, e mostram cenas do Final dos Tempos, incluindo a Regência do Anticristo.
São três cenas, onde o Anticristo aparece pregando, ressuscitando um morto e assistindo a decapitação
de um mártir cristão. Ao vivo a cena principal, a da pregação, dá a notável impressão de que o
Anticristo é um desses bonecos de ventríloquo, com o Diabo que lhe sussura no ouvido o controlando.
(Quem olhar para a cena, preste atenção no detalhe do braço esquerdo.) Isso me fez lembrar dos mitos
ocultistas sobre Hitler.
Depois fomos assistir à apresentação de um xamã norte-americano, da tribo dos Yaquis... O tipo
da ocorrência inesperada que nos traz a ilusão de estarmos, realmente, seguindo um caminho
mágicko... encontrar um xamâ de verdade em uma cidade fria no meio da Itália. O cara mandava muito
bem, colocava muita força nos cânticos e no uso dos seus instrumentossonoros. Imaginei como deve
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ser essa sua peregrinação de Louco pelo Mundo... e em como deve ser importante para o universo que
ele esteja levando sua Magick pelo Mundo, tentando despertar algo nas pessoas. Não é esse o segredo
do Atu do Aeon?
Orvietto fica no alto de uma montanha, e um Papa disse que ela seria inconquistável, a não ser por
um longo cerco, se seu povo fosse unido... algo para tantos thelemitas pensarem antes de perderem
tempo abrigando entre si... Fica na antiga região habitada pelos misteriosos Etruscos, que a dominavam
antes dos romanos. No Museu Etrusco da cidade encontrei vasos conhecidos como do "Ciclo de
Vanth", sendo Vanth uma antiga deusa do mundo subterrâneo. O que me chamou atenção foi o fato de
que ela era representada como uma mulher em um trono, segurando um pergaminho com algo escrito,
sendo assim a mais antiga representação que conheço do arquétipo representado no Atu da Sacerdotiza.
E os artesãos etruscos pintavam figuras de homens alados, muito antes dos anjos cristãos.
Pernoitamos em Roma, para adquirir um certo Sacramento, uma Chave Mágicka... e, saindo às
três horas da tarde, dirigimos até o Estreito de Messina , pegamos o ferryboat e nas primeiras horas do
dia 2 de Dezembro estávamos em Cefalú... e acredito que todo thelemita sabe para que...
Subimos a Rocha de Cefalú até as ruínas do antigo Templo de Diana . Ao seu lado existe uma
capela abandonada do século IX, a Chiesa de Santanna... a Lua continuava a fazer noites claras desde a
minha ida a Dubrovnik e, quando iluminamos o chão da igreja... descobrimos um Círculo Mágicko
pintado, com as seguintes palavras:
ABRAHADABRA - THELEMA - PHOENIX - NUIT - HADIT - RA-HOOR-KHUIT - CHAOS -
BABALON
Passamos a noite no local, executando certos rituais e sacramentos. Quem quer que tenha feito o
Círculo deixou o local com uma boa energia, leve e colorida. E, mais uma vez, tive que meditar sobre a
forma pela qual as gerações nos deixam a herança de seus esforços, e a responsabilidade pelo futuro da
Humanidade que caracteriza um verdadeiro Chefe Secreto... se eles realmente existem.
Quando o dia raiou, terminamos a subida até o antigo castelo no topo da montanha, compramos
uvas e, afinal... fomos à Abadia de Thelema.
É claro que tiramos muitas fotos... apesar de ter talvez perdido parte delas, pois minha máquina
portátil deu um problema, Frater Gimel também tirou várias, assim que forem reveladas e scanneadas
publico aqui. É uma casa pequena, é preciso pular uma cerca no fundo de um estacionamento e
atravessar alguns arbustos. Só é possivel entrar pela janela, e esta dá para a sala principal, onde estão as
pinturas feitas por Crowley - o que resta delas. Há um cômodo à esquerda e outro em frente, mais uns
dois depois deste, onde o teto caiu. Bastante entulho. Na sala das pinturas existe um pequeno altar, que
alguem deixou lá, e, devidamente paramentado, executei uma versão do Liber Samekh, o que achei
bastante apropriado, já que Crowley o preparou quando estava em Cefalú. Foi como o fechar de um
círculo... Eu não lembrava, mas isto tudo no dia do aniversário da sua morte... como Frater Gimel me
recordou já em Agrigento.
Eu estava muito feliz por estar lá, era um sonho muito antigo e, agora, escrevendo sobre isto tudo,
acabei mesmo ficando emocionado.
Tenho pensado muito na importância da continuidade da cultura, pensei nisso toda a viagem... Em
como o sonho de um homem, iniciado a 100 anos atrás, me fez viajar até a Croácia e até a Sicília, em
como seus escritos ocupam minha mente todo o dia, em como ter aberto um dia o Gems of the Equinox
e ter descoberto o Conhecimento e Conversação com o Santo Anjo Guardião e todo o fascínio da
Magick mudaram e formaram toda a minha vida desde 1992. Eu me inclino muito à conclusão de que
não existe vida após a morte, mas, se assim fosse, gostaria que Aleister Crowley soubesse que, embora
oculto em uma máscara de tristeza, ele realmente valeu.
Muito.
De Cefalú fomos para Palermo e Agrigento. Em Agrigento, pátria de Empédocles, visitamos à
noite os Templos de Concórdia, de Juno e de Herakles. Nossa intenção era lá realizar o Grande
Sacramento desta viagem, mas o lugar não era propício, por causa de toda estrutura turística. Pegamos
o carro e voltamos a Cefalú.
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O que mais posso dizer? O Sacramento era poderoso, e a Cerimônia durou por várias horas
intensas. Comecei isolado, em uma ruína menor que dediquei à Nossa Senhora BABALON, mas deixei
depois o local porque havia ficado com algo que achei que faria falta ao Frater Gimel. Foi como deixar
Binah para ajudar alguém em Malkuth, e, na Chiesa de Santanna com seu Círculo Mágicko, Frater
Gimel havia acendido uma vela no Altar. Ele estava bem, e fui então ao Templo da Lua, mas, como
não sabia invocar adequadamente a Deusa Diana, fui levado a deitar na curva da trilha. Interpreto isso
como ainda não tendo dominado perfeitamente as Sendas do Mundo e da Lua que levam a Yesod. Mas,
afinal, sou apenas um Probacionista.
Voltei para a Chiesa, onde passei por muitas trasnformações e aventuras, revivendo várias vezes o
ciclo de ser Criança e de ser Velho, confrontando sem defesa algo que vinha me corroendo por dentro,
erros do passado que não me deixavam morrer em paz. Estava muito frio lá... Frater Gimel preparou
uma cama com os restos de uma mesa, na salinha ao lado do altar e me deitou lá... meu querido amigo,
que o destino escolheu para me conduzir e proteger até ali. A salinha virou imediatamente uma câmara
mortuária, com longas paredes góticas, e nela me vi várias vezes como cavaleiro, como monge, como
soldado romano, como moribundo... tive que fazer as pazes como meus erros, e, sabendo, é claro, que
não ia morrer de verdade, repeti várias vezes meu discurso de desculpas a uma pessoa que, um dia, me
foi por demais cara, mas, que como eu, é apenas um ser humano frágil - e agora eu sei bem melhor
como é difícil ser humano.
Eu fui mutas coisas lá naquela capela deserta de Cefalú, fui bicho e, em alguns instantes, pensei
saber o que é ser um Chefe Secreto... Mas de realmente útil aprendi que tenho dado ao Mistério de
Binah mais importância do que o momento pede, e que tenho que me concentrar na Revelação de
Tiferet.
No final de tudo, quando já havíamos descido para cidadezinha deserta, sentado na escada de uma
outra igreja, tive um vislumbre daquilo que se chama Santo Anjo Guardião, algo de extraordinária
Beleza, e que, para minha vergonha, está sempre lá, basta apenas a tarefa delicada de se colocar no
estado adequado... e aprendi que é realmente necessário se equilibrar e entender as quatro sephiroth da
Taça Menor, para que o Mistério de 666 se faça revelar.
É engraçado... comecei essa viagem querendo aprender a ser divino. Terminei sabendo que
preciso aprender a ser mais humano.
Ao Trabalho, então.
A Fonte e o Mendigo
"Now you shall know that the chosen priest & apostle of infinite space is the prince-priest the
Beast ; and in his woman called the Scarlet Woman is all power given."
"Yet there are masked ones my servants : it may be that yonder beggar is a King."
No Caminho da Magick é preciso saber se decepcionar. Faz parte da necessária experiência e
sabedoria de Malkuth realizar seus desejos, e aquele que não se torna rico no Reino não verá nem o
Trono e tão pouco a Corôa. Por que todo homem e toda mulher partilha do segredo das duas Sendas
esquecidas, A Fonte e o Mendigo.
Da Fonte agora sabemos que cruzava o Abismo indo do Entendimento à Misericórdia, e indicava
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a água oculta de Binah jorrando para dentro da Criação. Seu Atu mostrava uma fonte de água composta
pela imagem de Três Jovens Mulheres. Seu segredo e virtude está no Nome BABALON.
O Mendigo ligava a Sabedoria ao Rigor, e foram muitas as lendas sobre deuses e reis caminhando
pelo Mundo para testar a bondade dos homens.Ele representa a presença de Deus nas coisas mais
simples e mesmo feias, e rejeitar o divino em seus muitos disfarces é experiência de terríveis
consequências. Sua fórmula é ABRAHADABRA.
Estou, mais uma vez, de partida... ainda e sempre, benza Deus, em busca daquela experiência
inefável que de há muito advinhei. Mais perto, e tenho catado com atenção as moedas de ouro que o
Anjo vai deixando para marcar o Caminho. Sinais.
Agora sei um pouco melhor que é algo que aos poucos se revela, à humanidade e a mim, que tem
tecido a tapeçaria de signos que é hoje a Kabbalah, o Tarot, a Magick que a tudo abarca e ensina.
Assim, um Livro Quarto veio, afinal, parar em minhas mãos, para ensinar Segredos do Abismo, suas
Sendas não numeradas, na lenda de uma viagem à Côroa da Criação onde o Rei que existe em todo
Mendigo afinal se revela a si mesmo e diz
MATÉRIA, PSIQUE E CHACRAS
Este texto introduzia um trecho do livro "Jung & Reich: O Corpo como Sombra" de John P.
Conger; me chamou a atenção porque repete uma conclusão a que cheguei sozinho, tempos atrás,
raciocinando sobre a base biológica e física da mente. Essa "navegação às origens imediatas do ser" é
importante, entre outras coisas, para prevenir a ridícula obssessão de influência psicanalítica que tende
a ver referenciais como "o falo" na ordem inversa dos significados, ou seja, vendo um caso particular
como referencial normativo. Assim, por exemplo, o "falo" é uma adaptação evolutiva a partir das
características da matéria, e não um arquétipo essencial. A maior parte das pessoas deixa escapar que a
origem dos instrumentos de corte e de perfuração muito provavelmente copiou das presas, das garras e
dos espinhos, e não da penetração da fêmea pelo macho... Também a dúvida sobre a natureza sexual da
libido, onde Jung diverge de Freud, torna-se clara quando damos conta de que nosso corpo produz e
se sustenta a partir de dois tipos de energia, ambas ocorrendo no Universo desvinculadas do processo
orgânico (logo, desvinculadas de desejo): calor e eletricidade, que nosso aparato fisiológico está
preparado para converter em movimento muscular. (O quê permite uma interessante comparação com
as passagens do Livro da Lei onde Hórus, deus da "Force & Fire", diz ser "the strenght, vigour of your
arms"). E a produção de ambas se dá através de processos químicos, pelos quais são extraídas da
matéria. Reich imaginou uma energia viva pré-consciente abundante em toda parte, que chamou de
Orgônio, mas suas experiências com supostos fenômenos luminiscentes falharam em dar a esse
substrato de vida pré-orgânica uma validação científica, e, sendo esses fenômenos visíveis a olho nu,
como afirmou, é de se estranhar que não tenham sido identificados por nenhum outro cientista em dias
nos quais já se conhece a matéria a nível subatômico. A Visão do Orgônio de Reich deve pertencer à
classe de fenômenos psíquicos que eram experimentados nos laboratórios de Alquimia, quando a
ignorância sobre os fatos da matéria permitiam a projeção s fantasias do inconsciente. Quando estive
excursionando pela Serra de Ibitipoca há alguns meses atrás, li em um jornal científico sobre dois
fenômenos interessantíssimos, um dos quais diretamente relacionado ao enigma do Orgônio. As areias
fluviais de Ibitipoca são feitas de um tipo especial de cristal, que, quando pressionado pelos sapatos,
emite uma luminiscência azulada, que lembra muito as descrições do Orgônio de Reich. Entretanto, a
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Física hoje conhece os fundamentos do fenômeno, que é basicamente elétrico. O outro fenômeno que lá
ocorre são os relâmpagos circulares, esferas de energia elétrica que podem permanecer extáticas no ar,
ou se mover e até explodir. Donde se vê que, ao contrário do que Jung conjecturou, os fenômenos
OVNI podem ter uma explicação física mais simples e não serem a projeção de visões unificadoras do
nosso inconsciente na vastidão do céu.
Sobre minha metodologia: o fim está contido no princípio... O quê significa duas coisas, no
processo de entendimento do fenômeno humano: a análise dos fatos genéticos-evolutivos e a análise
da realidade física do Universo. A segunda, inclusive, fundamenta a primeira, o quê significa dizer
que são os fenômenos do atual conjunto de matéria-energia-espaço-tempo que permitem e fazem que
sejamos como somos, que pensemos como pensamos. Este conjunto é apenas nossa descrição da
macro-aparência da realidade quântica, onde, desconfio, se encontra a base comum que origina tanto o
fogo quanto a gravidade. Mas esta expressão vem da Astrologia, onde se referia a que a vida e a morte
("o fim") do indivíduo se encontram prefiguradas no mapa natal ("o começo"). Trata-se de analisar a
impressão causada pelos astros na hora do nascimento, uma programação impressa na própria matéria
do corpo, que vai se manifestar contra ou a favor dos trânsitos futuros, e que Artes como a Alquimia e
a Magia pretendem poder alterar, da mesma forma como a Engenharia Genética se propõe a modificar
nossa herança familiar.
O CARÁTER VIRÓTICO DAS RELIGIÕES
Com toda sinceridade, não sei se a argumentação que segue é original ou não; minha mente é uma
catedral, um labirinto e uma vasta biblioteca, onde um homem com asas e cabeça de leão, carregando
sempre um grande círio ou uma tocha, me guia por corredores que se transformam em cavernas,
repletas de pinturas de criaturas híbridas de pesadelo, sigilos de magia e umidade fecunda. Enquanto
avança rumo à simplicidade quantica, ele se transforma em pássaro e cobra, em sapo e, afinal,
movendo em minha direção as antenas de uma barata devoniana, sobre a Pedra me doutrina. Esse totem
de milhares de séculos que sou eu mesmo. Pois os que buscam o Self e o Anjo, não foram longe o
bastante.
Mas não se resume a isto a vasta geografia interior. Existem florestas escuras e úmidas, que dão
em trilhas de pedra e grandes megálitos, que abrigam em ocasiões diferentes seres diversos que trilham
por universos e acabam transitando em mim. Eles podem ter a forma de moscas ou de duendes, e,
capturados na teia das vibrações, não têm outra escolha além de serem hóspedes por um prazo.
Assim, pode bem ser que tenha lido esta comparação em alguma outra parte…
A primeira semelhança entre as religiões e as viroses se dá na forma de contágio. É bem sabido
como os religiosos sempre se preocupam com a formação das crianças, com o amparo aos doentes e
sofredores. Isto parte de uma razão simples: assim como são os que estão mais vulneráveis aos males
do corpo, são também os que têm menos condições de resistir às idéias que lhe são dadas. Usando a
capa da bondade, a doença se insinua no coração dos desatentos.
(Seria então indesejável a solidariedade? Claro que não. Mas, como veremos a seguir, é
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característico das doenças tornarem úteis a si aquilo que nos é natural, e a solidariedade é uma tática
natural de preservação da espécie. Somos solidários antes de sermos religiosos, e a Natureza nos
fornece exemplos de solidariedade mesmo entre diferentes espécies).
Contraída a crença, esta rapidamente se espalha e procura ocupar todas as áreas existentes. Esta é
a segunda semelhança: assim como o vírus se espalha pelo corpo, prejudicando todas as funções, a
crença tenta dominar toda a vida psíquica do indivíduo, o incentivando com uma febre nova: ela quer
ocupar suas programações sobre dieta, dizendo o que comer e quando jejuar, quer definir como se
vestir e como falar, quer discriminar o tipo e a freqüencia do sexo, interferindo o tempo todo no
processo de decisão do ser humano. Como um vírus de computador, a crença acaba por ocupar todas as
rotinas e transforma sua vítima em um autômato, enquanto devora sua liberdade, sua consciência e sua
vontade; mesmo pessoas que não se acreditam religiosas tem suas funções prejudicadas por
contaminações viróticas, e, em raros momentos de maior lucidez, recriminam a cultura onde cresceram,
mais ou menos cientes que o vírus da programação religiosase abriga e disfarça em toda manifestação
social.
É claro que a disposição natural de todos os seres vivos é para o prazer e a liberdade. É preciso
sempre a imposição de força quando queremos que o animal deixe de viver sua verdadeira natureza
para se transformar em um bibêlo de nossas carências. Da mesma forma, é preciso que a crença exerça
uma grande força para transformar o ser humano no fantoche das manias de outro. A terceira
semelhança é o desenvolvimento de mecanismos de defesa contra a disposição natural e saudável,
assim como o vírus que aprende a se defender dos anti-corpos. Da mesma forma como os vírus se
apropriam do funcionamento do nosso corpo para seu proveito, a crença toma conta dos nossos
reflexos mais primitivos, o prazer, a dor e a raiva, para se proteger dos ataques que a razão e a
percepção dos fatos lhe fazem. Toda crença promete um grande usufruto no futuro próximo ("sua vida
vai melhorar") ou distante ("você vai para o céu"), ou um grande castigo, e dispara a reação de raiva
quando outra pessoa tenta mostrar que o doente pode estar errado (as pessoas podem querer negar que
têm uma doença ou um problema da mesma forma como negam os erros contidos em seu discurso
religioso). Formas mais benignas da doença religiosa tentam condicionar a pessoa a ter um
comportamento mais tranqüilo diante das contradições, lhe dando a gratificação de se sentir um ser
superior, provido de douta ignorantia ("eu não sei porque minha religião não consegue explicar isso,
mas sou humilde e reconheço minha falta de inteligência e de conhecimento"), e mesmo a fazem se
sentir triste ou magoada (o resultado da tática virótica, entretanto, é sempre afastar o doente da fonte de
razão saudável). A crença também tem uma reação anestésica de alienação, convencendo a pessoa de
que seus sofrimentos têm uma razão de ser e serão recompensados. Assim, chegamos na quarta
semelhança: como a pessoa doente perde a plena percepção da realidade e tem o uso da razão
prejudicado, o crente passa a ter seu raciocínio distorcido, na tentativa de sempre confirmar aquilo que
acredita, e tem sua percepção viciada nos aspectos da realidade que reforçam sua ilusão (a hidrofobia
causa aversão à água da mesma forma que a religião causa aversão à razão).
Por fim, é da natureza de toda doença se propagar. A quinta semelhança entre crença e doença é
que, assim como os vírus são programados para ocuparem um corpo e, a seguir, se propagarem em
busca de novas vítimas, toda crença causa um comportamento compulsivo que leva a pessoa atacada a
querer difundir sua religião. Crenças mais agressivas levam a comportamentos totalitários, onde as
pessoas são forçadas a repetir o discurso dos doentes; outras tentam contaminar de formas mais
benignas.
É claro que toda doença tem sua vacina. A vacina contra o contágio da crença é a educação
filosófica e científica. Mas as adaptações viróticas também tem suas defesas contra isto; há tempos que
o discurso religioso aprendeu a fazer com que seus escravos vejam e acusem as pessoas racionais de
orgulhosas, cruéis, sem coração, arrogantes, fugindo assim do campo da argumentação onde não pode
prevalecer e recorrendo a vilipendiações pessoais. A defesa da ignorância como valor foi a estratégia
disponível à propagação do Cristianismo, entre as classes iletradas do Império Romano diante das
denúncias filosóficas. Ser ignorante, ou, em linguagem eufemística, ser simples, passou a a ser
considerado como ideal de virtude. O resultado histórico todos conhecem, pois os casos mais agudos
da doença religiosa levam sempre à tortura e a morte. Em sociedades onde os doentes são
minoritários, a religião em sua forma mais aguda leva à alienação social, cujo extremo é a forma de
suicídio chamada de martírio; em sociedades onde a doença conseguiu dominar a maioria, ela causa o
fenômeno da perseguição religiosa, cujo extremo é o assassinato (veja-se o texto sobre Hipácia).
É claro que muitos podem defender a doença religiosa, afirmando os benefícios de socialização
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que ela traz, em suas formas mais benignas. Trata-se, entretanto, de uma distorção da percepção dos
fatos e um desvio do exercício da razão, de acordo com a quarta semelhança virótica. A doença
religiosa só pode trazer tais benefícios em sociedades onde a estrutura civil falha em prover seus
cidadãos com condições suficientes de vida e educação. O ser humano que recebe esses benefícios tem
todas as condições de ser um elemento útil e benéfico. Imaginar que a religião é necessária à formação
do caráter é uma idiotice que só um doente religioso acredita e defende, pois as sociedades mais
religiosas foram as que causaram os piores desvios de conduta. A formação religiosa nunca preveniu o
descaso, a incompetência e a corrupção das classes dirigentes de um país. Na verdade, a estória das
organizações religiosas, notadamente as igrejas cristãs, é repleta das mais abomináveis distorções. Se a
educação familiar e civil for incapaz de produzir um cidadão socialmente aceitável, a influência
religiosa irá produzir apenas mais um hipócrita.
Quantos ateus você consegue achar na cadeia?
É claro que o preso (ou o bêbado, ou o dependente químico) que se torna socialmente regenerado
como resultado da infecção religiosa (como fiz notar, quanto pior a situação da pessoa, mas suscetível
de pegar a doença) simplesmente prova a minha afirmação de que o benefício religioso só ocorre onde
a família e a sociedade civil falham. Nesses casos, a conversão (ou, antes, a infecção) da religião acaba
sendo aceitável como uma remendo de segunda mão.
É claro que, por outro lado, a religião pode estar respondendo a um outro tipo de anseio, a busca
humana pelo Mistério do Mundo, do qual o Mistério do Homem é apenas um detalhe, cifrado em
símbolos, mitos e ritos. Nestes casos, a religião dá um vislumbre e mesmo, em alguns casos de maior
dedicação, permite que se sinta o aroma das rosas místicas. Mas é um conhecer incompleto, mediado e
inconsciente, que acaba matando a maravilha com respostas prontas... É que, nesse pequeno naco de
ambrosia, aguardam os germes da crença, que destróem a mente e seus milagres.
I say unto you: a man must have chaos yet within him to be able to give birth to a dancing star. I
say unto you: ye have chaos yet within you.
Nietzsche
O CHAOS DE ZOS
To know the fundaments of Art is to know the path of all wisdom.
The Zoëtic Grimoire of Zos
Podemos ver uma definição simplificada do que é ser humano na proposta: aquilo que fazemos
depois de conquistados a segurança, o conforto e a procriação. Ou será que não? O uso da inteligência
para a solução de problemas relacionados a esses três ítens bastaria para indicar o exercício da
humanidade? Ou um gato que aprende a abrir a geladeira, o chimpanzé que desenvolve o uso de alguns
instrumentos primitivos, juntos demonstram que a diferença entre o animal e o humano é quantitativa, e
não de qualidade ou posse extraordinária?
When Art is wanting the beast is superior.
The Zoëtic Grimoire of Zos
Se os animais possuem, em graus variáveis, a inteligência que permite contornar desafios não
previstos na sua programação instintiva e demonstram curiosidade em relação ao novo, aparentemente
carecem de apreciação estética. A Arte se qualifica assim como atividade humana por excelência. O ser
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humano se afirma na História pela primeira vez, não quando utiliza a tecnologia primitiva dos macacos,
mas quando começa dar aos objetos do Mundo a forma de seus desejos, de suas iras e de seus medos.
Lembrando que, para Freud, a raiva e o temor são manifestações subsidiárias no ser vivo que deseja
sempre fruição plena.
Mind, body, ego and all things are formulated from desire; to desire forever...
The artist illumines unseen beauties and awakens us to the utility of beauty as pleasureof a more
permanent kind.
The Zoëtic Grimoire of Zos
A manifestação artística acessa nosso cérebro de uma forma direta, sendo esta a reação de prazer
fisiológico causada pela percepção de cores, sons e suas combinações (estando aqui no limite do Real
lacaniano) e pela posterior inserção de significados culturais. A inserção dos significados culturais
demarca um problema de avaliação histórica, já que não sabemos se o homem esculpiu ou pintou antes
ou depois de articular as primeiras palavras; e, por outro lado, como o homem moderno é introduzido
na linguagem já na primeira infância, a inserção de valores imaginários e simbólicos (ainda segundo
Lacan), ocorrendo durante o início do desenvolvimento cerebral pós-uterino, nos impossibilita
compreender a possibilidade da fruição estética desvinculada da linguagem.
We find in Art experiences missed in life.
The Zoëtic Grimoire of Zos
Mas, o que parecemos poder identificar na pré-história é o surgimento da Arte desde então
vinculada à Magia. Percebemos na Arte Primitva, além da presença de genialidade estética e técnica, a
manifestação instantânea e plena do que podemos chamar Complexo de Pigmalião: a imediata projeção
de vida e personalidade no objeto criado, o assombro, não só dos outros, mas do próprio artista diante
da aparente independência e iniciativa da coisa laborada. Por toda a História os seres humanos irão se
ajoelhar diante daquilo que eles mesmos formaram, irão atribuir a inspiração artística a deuses e musas,
e a matéria transformada foi desde então e sempre a via dupla, pelo qual o inconsciente se manifesta e
chama.
My gods have grown with me.
The Zoëtic Grimoire of Zos
Mas aqui fizemos a menção do processo mágicko, que a possibilidade da permanência do discurso
através das gerações pela linguagem vai desenvolver em religião, como sendo apenas a dialética com o
inconsciente no processo de atualização do humano; desconsideramos que a Magick possa ser, como
afirmam seus praticantes, a possibilidade de uma intervenção prática no Real. Vamos a ela.
A afirmação de que a Magick extrapola a província subjetiva e pode atuar na realidade objetiva se
dirige a duas classes de fenômenos:
a) fenômenos inorgânicos: as descrições clássicas de alterações atmosféricas, e acidentes diversos
onde não interferem nenhum ser vivo. ( Paulo Coelho fazendo ventar é um exemplo recente, embora
não original.)
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b) fenômenos orgânicos: onde se enquadram todos os casos em que o Magista tenta influênciar os
acontecimentos dentro de uma esfera social, ou a saúde e o comportamento de plantas e animais.
Nossa primeira dificuldade vem do fato de que as circunstâncias de uma operação mágicka são
dificilmente reproduzíveis; o sucesso e o fracasso não podem ser adequadamente listados e avaliados; e
o testemunho do Magista não é confiável, como podemos ver pelos exemplos dado por Agripa no
"Filosofia Oculta":
"E, portanto, é possível naturalmente, e longe de todo tipo de superstição, sem nenhum outro
espírito intervir, que um homem seja capaz de em pouco tempo significar sua mente para outro homem
vivendo há uma distância muito longa e desconhecida; embora ele não possa dar uma estimativa do
tempo em que se dá, embora por necessidade deva ser dentro de vinte e quatro horas; e eu mesmo sei
como fazer isso, e o fiz com freqüencia."
"Se qualquer um tomar imagens artificialmente pintadas, ou letras escritas, e em uma noite clara
colocá-las contra os raios da lua cheia, cujas semelhanças, sendo multiplicadas no Ar, e capturadas
acima, e refletidas juntas com os raios da lua, qualquer outro homem que esteja a par da coisa, há
uma longa distância vê, lê e conhece no mesmo compasso e círculo da lua; tal Arte de declarar
segredos é mesmo muito proveitosa para cidades e vilas que esteão sitiadas, sendo algo que Pitágoras
há muito com freqüencia fazia, e que não é desconhecida para alguns nestes dias; eu não excetuo a
mim mesmo."
Onde se vê que, com a mesma convicção com que afirma poder se comunicar telepaticamente, ele
diz ter projetado imagens na Lua. O magista pode não só estar simplesmente mentindo, como dando
vazão à uma ilusão originada de sua instabilidade mental. (Não podemos ainda esquecer que Agripa,
como antes dele Pico de la Mirandola, no final da vida rejeitou a Magick em sua totalidade, desde suas
fontes até a prática contemporânea, tendo denunciado o estudo de Hermes como um pecado contra o
Espírito Santo.)
O questionamento sobre a praxis mágicka é típico do Século XX, com seu desenvolvimento
científico acelerado e melhoria generalizada do ensino, e se encontra na origem dos dois principais
sistemas mágickos desenvolvidos então, Thelema e Chaos. Vamos a seguir descrever o surgimento da
Chaos Magick, e comparar com a proposta thelemica no que se refere à praxis do magista.
Austin Osman Spare
"Fornicatus benedictus! Almighty Ashmodeus, existent of Chaos, ominous by thy name, thy
kingdom come through me on earth. Lead me into all temptations of my flesh so I may trespass greatly
into thy ways by my desires: for thou art all sex-seeking unity, thou mighty genitalia of creation that
knoweth no satiation... grant thou my wish, for thou art all power, ecstasy and actuality. Amen!"
The Zoëtic Grimoire of Zos
Spare nasceu na passagem do Ano Novo de 1888-89, em Snowhill, Londres. Seu pai era um
policial, constantemente em patrulhas noturnas.
O envolvimento de Spare com Magick e Arte foi simultâneo e precoce. Ele foi iniciado na
Feitiçaria por uma misteriosa mulher chamada Mrs. Paterson, uma velha advinha que afirmava ser
herdeira de uma linhagem de bruxas de Salem que Cotton Matter havia falhado em exterminar. Spare
chegou a chamá-la de "sua segunda mãe", e os relatos que deixou a creditam com poderes
extraordinários, como o de projetar pensamentos em forma visível. Ela teria usado essa capacidade
para "despertar" Austin na corrente mágicka na qual ele dedicaria o resto da sua vida, conjurando a
imagem de uma belissima jovem com forte impacto sexual. A feiticeira, apesar de viver pobremente,
não aceitava pagamento por seus serviços, além da moeda tradicional, e, apesar de seu vocabulário
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simples, tinha a capacidade de poder explicar as idéias mais abstratas.
A primeira publicação de Spare foi "Earth Inferno" em 1905, e ele rapidamente alcançou um lugar
de destaque no meio artístico, tendo já exposto na Academia Real em Maio de 1904 e, a seguir, na
Galeria Brutton. Seus desenhos eram cheios de imagens grotescas, mágickas e de forte conteúdo
sexual. Sua fama o colocou em contato com Aleister Crowley em 1909, tendo se tornado um
Probationista sob o motto de YIHOVEAUM, contribuíndo com quatro pequenos desenhos para a
publicação do Equinox e um retrato do Mestre Therion. Mas a associação não durou, e mais tarde
Crowley o definiria como um Irmão Negro, significando que não aprovava os objetivos da filosofia
mágicka de Spare.
Após ter servido como artista de guerra de 1914 a 1918, tendo ido a serviço ao Egito, ele publica
em 1921 o livro "Focus of Life", onde imagens que buscam despertar conhecimentos atávicos
acompanham seus comentários mágicko filosóficos.
Ele estava no ápice do seu sucesso em 1924, quando publicou o "Anátema de Zos", banindo a si
mesmo da comunidade artística. Ele retornou para a região de Londres onde cresceu, vivendo na
pobreza e obscuridade onde encontrou a liberdade necessária para desenvolver sua filosofia e magick.
"Hostil ao auto-tormento, às vãs excusas chamadas devoção, Zos satisfazia o hábito falando em
voz alta com seu Self. Uma hora, voltando a sua consciência familiar, ele se apoquentou ao notar
ouvintes interessados - uma malta de mendicantes involuntários, párias, cafetões, adúlteros,barrigas
distendidas, e os prevalentes doentes-grotescos que obtém na civilização. Sua irritação era muita, e
ainda assim eles o incomodavam, dizendo: MESTRE, NÓS IREMOS APRENDER TAIS COISAS!
ENSINA-NOS RELIGIÃO!
E vendo, com desprezo, a esperançosa multidão dos Crentes, ele desceu ao Vale de Stys, com
prevenção contra eles como SEGUIDORES. E quando ele estava aborrecido, ele abriu sua boca em
escárnio, dizendo:
- Ó vós cujo futuro está em outras mãos! Esta familiaridade é permitida não por vós - mas por
minha impotência. Saibam que sou Zos o Pastor de Bodes, salvador de mim mesmo a das coisas de que
ainda não arrependi. Sem convite ouviste meu solilóquio. Suportem agora meu Anátema.
Comedores de porcaria! Escorregaram, vocês, em seu próprio escremento? Parasitas! Tendo
feito o mundo ruim, imaginam que são de significância para o Céu?
Desejando aprender - pensam vocês escapar da dor no estupro de sua ignorância? Pois do que
ponho dentro, muito mais que inocência sairá para fora! Não laborando a colheita de minha fraqueza,
devo eu satisfazer seus desejos cheios de moral?
Eu, que desfruto meu corpo com passo descuidado, antes me juntaria com lobos a entrar em suas
casas empesteadas."
O Anátema de Zos
Spare foi ferido em uma explosão na Segunda Guerra Mundial, perdendo temporariamente o
movimento dos braços e parcialmente a memória. Ele teve que reaprender a desenhar, mas já em 1947
163 novas ilustrações foram exibidas com sucesso na Galeria Archer. Foi nesta época que iniciou sua
amizade com Kenneth Grant, e começou sua última obra, "O Grimório do Culto Zos Kia", que ficou
incompleta. Ele morreu em 1956, com 67 anos de idade. Na sua obra inacabada, ele definiu:
Our Sacred Book : The Book of Pleasure.
Our Path : The eclectic path between ecstasies; the precarious funambulatory way.
Our Deity : The All-Prevailing Woman. ('And I strayed with her, into the path direct'.)
Our Creed : The Living Flesh. (Zos): ('Again I say : This is your great moment of reality- the
l living flesh').
Our Sacrament : The Sacred Inbetweenness Concepts.
Our Word : Does Not Matter-Need Not Be.
Our Eternal Abode : The mystic state of Neither-Neither. The Atomospheric 'I'. (Kia).
Our Law : To Trespass all Laws.
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Existem alguns relatos lendários sobre os poderes de Spare, como a invocação de uma criatura
elemental que aterrorizou dois jovens diletantes, um dos quais faleceu pouco tempo depois, enquanto o
outro foi internado em um asilo; o Rev. Robert Hugh Benson, autor de novelas de ocultismo como
"The Necromancers", ficou encharcado quando Spare convocou uma nuvem de chuva em dia de céu
claro; e Everard Feilding, secretário da Sociedade de Pesquisa Psíquica, teve uma experiência
memorável. Pedindo uma prova dos poderes de Spare, este concedeu em materializar um objeto que o
outro manteria em segredo em sua própria mente. Spare desenhou um sigilo, que era o ideograma de
um espírito familiar que o ajudava em questões telepáticas; tendo recebido um vívida impressão do
objeto, elaborou um segundo sigilo. Logo a seguir um dos empregados de Feilding bateu na porta,
trazendo o par de chinelos que ele havia imaginado.
Os elementos principais do sistema mágicko filosófico de Spare são a Sigilização mencionada,
elaborada no Alfabeto do Desejo e nas cartas da Arena de Anon, a Postura da Morte, e os conceitos de
Zos e Kia. O sistema tem fortes ressonâncias xamanicas, sendo constante nos relatos sobre Spare a
menção de espíritos familiares e guias, como o chamado Águia Negra. Como artista, ele considerava
que boa parte de sua obra era de origem ou influência mediúnica.
Within the Alphabet lies all the arbitrary abracadabra of our knowledge.
The Zoëtic Grimoire of Zos
Tanto o Alfabeto do Desejo e sua derivação nas cartas divinatórias da Arena de Anon quanto a
Postura da Morte se baseavam na idéia de que a realização mágicka ocorre através da ativação do
inconsciente, a qual, para ser obtida, necessita que o praticante supere as barreiras psicológicas e, a
seguir, esqueça seu objetivo. Para isso, Spare reduzia a descrição do seu desejo a um signo simples (o
sigilo), sobre o qual se concentrava. A Postura da Morte foi definida no "Focus da Vida" como "uma
simulação da morte pela total negação do pensamento, ou seja, a prevenção do desejo a partir da
crença, e o funcionamento de toda a consciência através da sexualidade". Ainda:
"Pela Postura da Morte o corpo é permitido se manifestar espontaneamente e é árbitrário e
imune a ação. Apenas aquele que está inconsciente de suas ações tem coragem além do bem e do mal,
e é puro em sua sabedoria de sono profundo."
A Postura da Morte, representada em muitos desenhos de suas obras, foi descrita, ainda no "Focus
da Vida":
"Deitado de costas preguiçosamente, o corpo expressando a emoção do bocejo, suspirando
enquanto concebe um sorriso, esta é a idéia da postura. Esquecendo tempo com essas coisas que são
essenciais refletindo a sua falta de significado, o momento além do tempo e sua virtude aconteceram.
Ficando na ponta dos pés, com os braços rígidos, com as mãos amarradas nas costas, preso e
forçando ao máximo, o pescoço esticado ... respirando profunda e espasmodicamente, até vertigem e
sensação virem em rajadas, dando exaustão e capacidade à segunda. Olhando para seu reflexo até ele
borrar e você não reconhecer aquele que olha, feche seus olhos (isto em geral acontece
involuntariamente) e visualize.
A luz (sempre um X em evoluções curiosas) que se vê deve ser mantida, nunca deixando ir, aré o
esforço ser esquecido. Isto dá uma sensação de imensidade (que vê uma pequena forma), cujo limite
você não pode alcançar."
Spare também desenvolveu técnicas de êxtase sexual, pelas quais também buscava a ativação do
inconsciente. O princípio fisológico do orgasmo e do black-out da Postura da Morte permitiriam,
ambos, alcançar o estado de vazio que ele chamava "Neither-Neither", o estágio necessário para que as
funções inconscientes, previamente programadas pelo sigilo, atuassem na realização do desejo. Ele
indicou estas duas vias no simbolismo de Eros e Thanatos, Amor e Morte.
Foi já no "Book of Pleasure" que Spare começou a utilizar os conceitos de Zos e Kia, ambos de
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difícil compreensão. Como uma primeira tentativa, podemos tentar definir Kia como a unidade eterna
da qual nos aproximamos durante o clímax da Postura da Morte, um estado de vazio que Spare
chamava "ego atmosférico". "O Tempo não o muda, por isso eu o chamo novo", é uma das descrições
usadas na introdução do livro. O símbolo do Kia é o Olho, que aparece em vários desenhos e tem
múltiplos significados, como, por exemplo, a imaginação que inicia a operação mágicka, ou o olho da
visão mística. Kia também é a combinação do olho esquerdo (feminino ou lunar) com o olho direito
(masculino e solar) em uma unidade, representando a realização do estado de vazio pela união dos
opostos, o verdadeiro Eu ("I", "Eu" em Inglês soa = a "Eye", "Olho"), livre das barreiras da crença (a
crença em si mesmo, das quais todas as outras são subdisiárias).
"Kia: A absoluta liberdade a qual sendo livre é poderosa o bastante para ser "realidade"e livre a
qualquer tempo: portanto não é potencial ou manifesta (exceto como sua possibilidade instantânea)
por idéias de liberdade ou "meios" ["means"], mas pelo Ego sendo livre para recebê-la, sendo livre de
idéias sobre ela e não por acreditar. O menos dito sobre isto (Kia) o menos obscuro é."
"De nome isto não nenhum nome, para designar. Eu o chamo Kia e não ouso chamar a isto como
a mim mesmo. O Kia que pode ser experesso por idéias concebíveis não é o eterno Kia, o qual queima
toda crença mas é o arquétipo do "self", a escravidãoda mortalidade."
"O Kia que pode ser vagamente expresso em palavras é o "Neither-Neither," o Eu ["I"]
imodificado na sensação de onipresença, a iluminação simbolicamente transcrita no alfabeto sagrado,
e sobre o qual estou prestes a escrever. Sua emanação é sua própria intensidade, mas não
necessidade, ele existiu e vai existir sempre, o quantum virgem - por sua exuberância nós ganhamos
existência. Quem ousa dizer onde, por quê e como isto se relaciona? Pelo labor do tempo o que duvida
habita seu limite. Não relacionado com, mas permitindo todas as coisas, ele elude concepção, e
entretanto é a quintessência da concepção permeando prazer em significado. Anterior ao Céu e à
Terra, em seu aspecto que transcende estes, mas não inteligência, ele pode ser considerado como o
princípio sexual primordial, a idéia de prazer no amor-próprio. Apenas aquele que alcançou a postura
da morte pode apreender esta nova sexualidade, e seu amor todo-poderoso satisfeito. Aquele que é
sempre servil à crença, entupido pelo desejo, é identificado como tal e pode ver apenas suas infinitas
ramificações em dissatisfação. O progenitor de si mesmo e de todas as coisas, mas se assemelhando a
nada, esta sexualidade em sua simplicidade inicial, incorpora o duradouro. O Tempo não o mudou,
por isso o chamo novo. Este princípio sexual ancestral, e a idéia do self, são um e o mesmo, esta
semelhança sua exaction e infinitas possibilidades, a dualidade inicial, o mistério dos mistérios, a
Esfinge nos portais de toda espiritualidade."
The Book of Pleasure
Zos, por outro lado, representa o corpo de todo o alcance da consciência, simbolizado pela Mão,
cujos Cinco Dedos remetem ao Pentagrama e à plena percepção dos cinco sentidos físicos. Ele
descreve a plenitude da vida onde todos os potenciais se tornam realidade, e, aqui, nas idéias de Kia e
Zos, de novo vemos o simbolismo de Thanatos, levando para uma experiência "atmosférica" além dos
sentidos, e Eros tornando plena a experiência do estar no mundo.
What is all body but materialized desire? What are dreams but unsatisfied desires striving to
foretell their possibility in despite of morals?
The Book of Pleasure
Chaos Magick
“Chaos Magick is an extraordinary deconstruction of magick, semantics, and psychology
designed to eradicate consensual belief structures and, using the energy freed by this act, glimpse the
fractal contours of reality."
Marik
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Os princípios mágickos delineados por Austin Spare sobreviveram à sua morte, em parte graças
aos esforços de seu executor literário Kenneth Grant (que vem utilizando material inédito deixado por
Spare em suas obras, onde ainda mistura Thelema com as fantasias sci-fi e de horror inventadas por H.
P. Lovecraft), e em parte graças a um movimento iniciado no final da década de 70, a partir da
publicação de uma revista chamada "The New Equinox", liderada por Ray Sherwin e onde Peter
Carroll era um contribuidor regular. Esses dois, juntos, formaram os "Illuminates of Thanateros", uma
ordem que se propunha a graus onde o que contava era a realizaçào mágicka e não a autoridade. Peter
Carroll descreveu o ritual de abertura da I.O.T.:
"Em 1976 em um depósito de munição abandonado no fundo de uma montanha em algum lugar
do Rhineland, dois magistas, um Inglês, um Alemão anunciaram a formação de uma ordem mágica
com a celebração de uma Missa do Chaos na companhia de uma dúzia de outros magistas. Logo após
nós emergirmos das entranhas da montanha um tornado localizado atingiu a área imediata. Isto foi
apenas um pequeno portento das coisas por vir."
Em 1986 Ray Sherwin "se auto-excomunicou", alegando que a Ordem estava se tornando a
estrutura de poder que ele havia tentado evitar, e Peter Carroll se tornou o líder do "Pacto". Atualmente,
existem várias organizações que seguem as diretrizes indicadas por Carroll nas duas obras
fundamentais da Chaos Magick, "Liber Kaos" and "Liber Null and Pychonaut".
Além de implementar a técnica de sigilização, que se desenvolve na criação de supostos
"servidores", construtos mágickos de inspiração cibernética que vieram substituir os espíritos familiares
que os magistas tentavam atrair (existe uma certa paranóia de que tais servidores possam ganhar
autonomia e se rebelar contra seu "mestre"), a Chaos Magick se caracteriza pelas suas idéias a respeito
de Crença e Gnose.
Crença
Nada é verdadeiro, tudo é permitido.
Hassan Sabbah
Esta frase do líder da Seita dos Assassinos é inescapável quando estudamos Chaos Magick, já que,
por supostamente definir tão bem a sua posição em relação à Metafísica, é citada na maior parte dos
textos. Crowley já havia alertado contra a atribuição de significado à experiência mágicka:
"Neste livro é falado sobre as Sephiroth, e as Sendas, de Espíritos e Conjurações, de Deuses,
Esferas, Planos, e muitas outras coisas que podem ou não existir. É irrelevante se elas existem ou não.
Ao fazer certas coisas certos resultados seguirão; os estudantes são seriamente alertados contra
atribuir realidade objetiva ou validade filosófica a qualquer um deles."
Liber O vel Manus et Sagitae
Embora Crowley tivesse em mente a) a possibilidade científica de um dia poder se provar a
realidade por detrás do fenômeno mágicko, e b) a idéia de que determinadas realizações poderiam levar
a uma comprovação pessoal (AL I.58), a Chaos Magick, ao contrário, afirma que toda crença tem
apenas um valor prático, na medida que permite ou favorece a realização mágicka. Considera-se que
todas as crenças e filosofias são falsas no que concerne à verdade; a Chaos Magick não se interessa
pelo projeto científico de Crowley, que enfatizou a recolha de dados para que uma futura descoberta
possa lançar luz sobre os verdadeiros mecanismos do fenômeno mágicko, ela se preocupa com a
eficiência, com a descoberta pessoal de cada um do que funciona para si ou não. Isto nos remte às
velhas diatribes que buscavam diferecia o Mago, como aquele que sabe, que têm o conhecimento das
razões por trás dos efeitos, do Feiticeiro, aquele que apenas sabia fazer. Entretanto, a crítica da Chaos
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Magick tem um valor inestimável, pois o suposto saber dos velhos magos era apenas uma fantasia
derivada das idéias religiosas e filosóficas de um tempo pré-científico, onde Física e Metafísica tinham
seus contornos confusos, e se baseavam ambas em erros de conhecimento.
Did not great Satyros tell me: "I am with you always, your way.
Austin Spare
Assim, o magista pode utilizar símbolos e práticas de toda e cada cultura, dando valor mágicko
inclusive a sinais e idéias inusitados. Pode-se dizer que o magista do Chaos mente para si mesmo até
que a mentira se torne tão real que o permite acessar a fonte de poder mágicko e realizar seu intento.
Depois, ele se liberta com uma gargalhada. A crença é, portanto, uma ferramenta de ocasião para se
alcançar a Gnose necessária, mas, o que parece escapar na maioria dos textos sobre o assunto é que
existe a meta-crença, essa sim fundamental, de que a Magick assim funciona. Apesar disto, magistas do
Chaos frequentemente utilizam conceitos superficialmente entendidos de Física Quantica e da Teoria
do Caos para explicarem o que estão fazendo, uma atitude que lembra muito as apologias pseudo-
científicas do Século XIX. Mas não é só nesse ponto que a Chaos Magick é falha de originalidade... Já
no Século XVI Cornelius Agripa já havia escrito sobre o papel da Crença em Magick:
"Portanto, aquele que trabalha em Magia deve ser de crença constante, ser crédulo, enão ser em
nada descrente de conseguir o efeito. Pois, como uma firme e forte crença opera coisas maravilhosas,
mesmo que seja em falsas obras, a desconfiança e o duvidar dissipam e quebram a virtude da mente do
trabalhador, a qual é o medium entre ambos os extremos."
Três Livros de Filosofia Oculta
"Chaos Magick does not use a concrete theoretical focus, the emphasis in Chaos Magick is on the
Doing rather than the Explaining...Thus, in Chaos Magick a system of belief is a means to an end and
is not an answer to the mystery of Life, the Universe and everything."
D. J. Lawrence, The Chaos Cookbook
"...if you want a one-line definition with which most Chaoists would probably not disagree, then I
offer the following. Chaoists usually accept the meta-belief that belief is a tool for achieving effects; it
is not an end in itself."
Peter Carroll
"When we say 'I Believe', it is usually a lip avowal from an infected mouth of borrowed precepts
or simulations, as living an inexperience. Belief must be vital, livable, and as unquestioned as our
blood-circulation or heart-throb."
Austin Spare
Gnose
Na sua origem, "Gnose" significava um "conhecimento dos mistérios divinos, reservados à uma
elite". Era um conhecimento vivo e transformador, que abria os olhos da alma e devolvia suas asas
perdidas. Seu efeito era libertador e redentor, e seu conteúdo primariamente religioso e de caráter
revelado, destinado a um grupo de eleitos, o que lhe conferia um caráter esotérico. Mas, como a Chaos
Magick despreza a possibilidade de um conhecimento real dos fundamentos do fenômeno magicko,
Gnose passou a significar apenas o estado de consciência alterado onde o mesmo se torna possível. O
ponto de partida desta nova elaboração é justamente as definições e experiências de Spare com a
Postura da Morte e com o sexo, ponto em que se afina com Crowley. O estado de Gnose é considerado
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a Chave do sucesso mágicko, pela qual aquilo que aparentemente seria só um ato de superstição se
torna um ato mágicko por excelência. O ato mágicko, seja ele qual for, é o signo do desejo do magista,
que será magickamente carregado ao se alcançar a Gnose, e/ou é a fórmula pela qual a própria Gnose é
alcançada.
"Se alguém tem Gnose, ele é um ser que veio do alto. Ele cumpre a vontade daquele que o
chamou. Ele deseja agradá-lo, ele recebe descanso. Aquele que desta forma tem a Gnose sabe quando
vem e quando vai. Ele sabe, como alguém que estava embriagado e ficou sóbrio, e, restaurado a si
novamente, novamente se colocou em ordem."
O Evangelho da Verdade
Existem incontáveis técnicas para se alcançar a Gnose, além dos indicados por Spare: drogas,
exaustão física, hiperventilação, rotação (como os dervixes), pânico, meditação. O alcance da Gnose
pode resultar em uma experiência mística, uma epifania ou revelação, mas o real objetivo da Chaos
Magick é o que pode ser conseguido neste estado. Entretanto, considero que, mesmo a prática da
Magick estando voltada para a simples realização de desejos, a progressiva transformação que ela traz
acaba nos levando à percepção de que o próprio estado de Gnose, mais e mais profundo, traz à
realização plena da qual os desejos são apenas manifestações parciais; ponto onde os mapeamentos da
Kaballah, do Budismo, de Thelema se tornam novamente úteis, e a Magick volta a ser a via pela qual
vislumbramos
...That wonderful first glance at anything which is fleeting but, if caught, suspires into great
Art.
The Zoëtic Grimoire of Zos
Agrippa
''Ele obteve as melhores honras alcançáveis na arte e pelas armas; estava familiarizado com oito
línguas, sendo mestre em seis. Sua inclinação natural foi desde cedo à uma consideração dos Mistérios
Divinos. Aprendê-los e ensiná-los aos outros foi sempre sua principal ambição. Ele é distinto entre
entre os conhecedores por seu cultivo da Filosofia Oculta, sobre a qual escreveu uma obra completa.''
Vida de Cornelius Agrippa, Mr. Henry Morley
Henry Cornelius Agrippa von Nettesheim nasceu em 14 de Setembro de 1486 in Colônia. Morreu
em Grenoble ou Lyons em 1534 ou 1535. Teve uma vida aventureira, tendo sido soldado, espião,
médico e embaixador. Foi feito cavaleiro pelo Imperador Maximiliano. Sua obra mais famosa são os
''Três Livros de Filosofia Oculta'', publicados em 1531, mas também escreveu outras como a eulogia à
mulher ''De nobilitate et praecelentia foemini sexus '', (''A nobreza e superioridade do sexo feminino''),
a ''De incertitudine & vanitate scientiarum & artium'', (''A vaidade e incerteza das artes e da ciência'') e
um comentário sobre o o ''Ars Brevis'' de Raymond Lull.
Os ''Três Livros de Filosofia Oculta'' tratam dos fundamentos da Magick renascentista, dando
preciosas descrições sobre os Elementos e seus compostos, as virtudes ocultas das coisas, o Espírito do
Mundo, as regências planetárias, ainda avançando na prática pela qual as Virtude Superiores são
invocadas em benefício do magista, através de Talismãs e dos poderes dos Nomes Divinos que atuam
nos Mundos Celestial, Intelectual e Natural.
''A Magia é a faculdade de uma virtude maravilhosa, plena dos mais altos mistérios, contendo a
mais profunda contemplação das coisas mais secretas, junto com sua natureza, poder, qualidade,
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substância e virtudes, bem como o conhecimento de toda Natureza, e ela deve nos instruir no que se
refere à divergência e concórdia das coisas entre si, a partir das quais se produz os mais maravilhosos
efeitos.''
''Qualquer um que, portanto, é desejoso de estudar nesta Faculdade, se ele não for hábil em
filosofia natural, pela qual são descobertas as qualidades das coisas, e na qual se encontram as
propriedades ocultas de todo Ser, e se ele não for hábil em Matemática, e nos Aspectos, Figuras e
Estrelas, das quais depende a sublime virtude e propriedade de toda coisa; e se não for conhecedor em
Teologia, onde se manifestam essas substâncias imateriais, as quais dispensam e ministram todas as
coisas, ele não pode possivelmente ser capaz de entender a racionalidade da Magia. Pois não existe
obra que seja feita por mera Magia, nem qualquer obra que seja meramente magica, que não
compreenda estas três faculdades.''
Livro Um, Capítulo II
Hypatia e Promethea
O geômetra Theon, último líder do Museum de Alexandria segundo a enciclopédia Bizantina
"Suda", quis criar um ser humano perfeito: sua filha, a nobre Hypatia, nascida por volta de 370 e.v. foi
o resultado. Ela foi considerada a primeira mulher matemática da História, e alcançou tanta ciência que
ultrapassou todos os sábios do seu tempo. Ela criou o astrolábio e a esfera plana, um engenho para água
destilada, um para medir o nível da água e um para determinar a gravidade específica dos líquidos, um
aerômetro e um hidroscópio. Permaneceu virgem, mantendo uma relação platônica com o filósofo
Isidorus. Foi a autora de um comentário sobre Diófano, escreveu o "Canon Astronômico" e outro
comentário sobre "O Cônico" de Apolônio.
Socrates Escolástico, em sua "História Eclesiástica" a descreveu:
"Tendo alcançado sucesso nas escolas de Platão e Plotino, ela explicava os princípiosda
Filosofia para seus ouvintes, muitos dos quais vinham de longe para receber suas instruções."
E, segundo Damascius, em sua "Vida de Isidoro", reproduzida no Suda:
"Uma vez que tinha mais gênio do que seu pai, ela não se satisfez com suas instruções nos
assuntos matemáticos; ela também se devotou diligentemente à toda Filosofia. A mulher costumava
colocar sua capa de filósofa e andar pela cidade e interpretava Platão publicamente, Aristóteles, ou a
obra de qualquer outro filósofo para os que desejavam ouví-la. Em adição à sua maestria em ensinar,
ela também ascendeu aos pináculos da virtude cívica. Ela era tanto justa quanto casta e permaneceu
sempre uma virgem."
Hypatia foi massacrada em 415 e.v. e sua morte é considerada como o fim da Era Helenística e o
começo da Idade das Trevas:
"Pois quando Hypatia saiu de sua casa, de sua maneira costumeira, um bando de homens ferozes
e sem piedade, que não temiam nem a punição divina e nem a vingança humana, a atacou e matou,
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assim cometendo uma façanha ultrajante e vergonhosa contra sua própria terra natal."
"Ela foi feita em pedaços pelos Alexandrinos e seu corpo foi ridicularizado e espalhado por toda
a cidade. Isto aconteceu por causa da inveja e de sua grande sabedoria, especialmente em relação a
Astronomia."
Damascius
"Alguns deles, portanto, tomados por um zelo feroz e ignorante, cujo incitador era um leitor
chamado Pedro, a assaltaram na volta a casa, e, arrancando-a de sua carruagem, a levaram a uma
igreja chamada Caesareum, onde a despiram completamente, e a assassinaram com tijolos. Depois de
fazer seu corpo em pedaços, eles pegaram seus membros estropiados e levaram para um lugar
chamado Cinaron, e os queimaram. Este fato trouxe não pouco opóbrio, não só sobre Cirílio [bispo de
Alexandria], mas também sobre toda a igreja de Alexandria. E, certamente nada pode ser mais
afastado do espírito do Cristianismo do que a permissão de massacres, lutas e transações deste tipo.
Isto aconteceu no mês de Março durante a Quaresma, no quarto ano do episcopado de Cirílio, sob o
décimo consulado de Honório, e o sexto de Teodósio."
Socrates Escolástico
A reprovação de Socrates Escolastico é compreensível quando sabemos a identidade do leitor
Pedro e de seu bando: eram monges cristãos. Não que a reprovação tenha sido universal; João, bispo de
Nikiu, aprovou a medida:
"E nesses dias apareceu em Alexandria uma mulher filósofa, uma pagã de nome Hypatia, e ela
era devotada todo o tempo à magia, aos astrolábios e aos instrumentos de música; e ela desviou
muitas pessoas através de suas artimanhas Satanicas.(...) E, portanto, uma multidão de crentes em
Deus ergueu-se sob a guia do magistrado Pedro - e este Pedro era um crente perfeito em todos os
sentidos em Jesus Cristo - e eles saíram a procurar a mulher pagã que havia desencaminhado as
pessoas da cidade e o prefeito com seus encantamentos. (...) Isto se deu nos dias de jejum. E eles
arrancaram suas roupas e a arrastaram pelas ruas da cidade até ela morrer. E eles a carregaram
para um lugar chamado Cinaron, e eles queimaram seu corpo com fogo. E todas as pessoas cercaram
o patriarca Cirílio e o chamaram "o novo Teófilo"; pois ele havia destruído os últimos vestígios de
idolatria na cidade."
Aqui inicia a estória de Promethea, a aclamada série em quadrinhos de Alan Moore. Logo após
massacrarem a bela filósofa, os monges de Alexandria partiram em busca de um sábio hermético, o
qual teve apenas tempo de mandar sua pequena filha para a duvidosa proteção do deserto. O magista
prometeu a ela que "Todo meu amor e todos os meus deuses estarão sobre ti como um manto", e, de
fato, na noite fria da imensidão, Hermes e Toth recolheram a pequena Promethea ao Reino da Imateria,
onde se tornou uma Criança Mágicka.
A menina Promethea se tornou uma estória viva, uma lenda, um arquétipo. Ela se define como
Amor, Beleza, Arte e Mente, e tem se manifestado progressivamente, primeiro na obra poética de
Charlton Sennet (1751-1803) como a "doce Promethea"; depois, já no Século XX, nas tiras de jornal
"Little Margie in the Mysti Magic Land", e no comic book "Astonishing Stories" como a princesa
guerreira de Hy-Brasil, ganhando, por fim, um título próprio, já como heroína reciclada de Sci Fi na
década de 40, onde continou até a morte de seu último criador, Steven Shelley, em 1996.
A mítica Prometheia foi uma dádiva mágicka de um velho hermético de Alexandria, bendita pelos
Deuses para se tornar símbolo de uma Nova Era de Arte e Ciência, onde a religião já não mais
disseminará a ignorância e a violência.
And know what? Chaos Rules.
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As Sementes e o Fruto
"Veja e se alegre; a Vitória às vezes está ao nosso lado, mas não vemos porque nossos olhos,
cheios de ontem, já tão cansados da própria cegueira, não se acostumam à lenta transição da noite
para o dia. Quem pode dizer do instante em que a fruta amadurece? Subitamente recebemos um sinal
claro, um sinal tão evidente, e sabemos que a nossa pressa e ansiedade de colher a fruta do nosso
pecado esquecem que, antes, a árvore deve ser rija contra os ventos e forte para receber o Raio."
72
O Demônio de Jung
Rodney Orpheus, frater da OTO, em seu livro "Abrahadabra", menciona o caso de um amigo que
só conseguia conversar com seu Santo Anjo Guardião depois de correr vários quilometros. Talvez as
endorfinas fossem importantes, no seu caso, para atingir o estado de Gnose onde essa experiência se
realiza?
É interessante as muitas formas onde fenômenos que podem ser catalogados como Conhecimento
ou Conversação com o Anjo Guardião se processam, para pessoas alheias ao referencial thelemico, e,
mesmo, alheias a toda busca religiosa ou mágicka ou mística. Várias vezes ouvi relatos de pessoas que,
de imediato, pude reconhecer como pertencendo a esses grupo de fenômenos, embora elas não
tivessem a menor noção do valor da benesse alcançada. Minha própria realização nesse sentido eu
considero insatisfatória, embora já tenha tido resultados esparsos interessantes. Mas, imagino que na
primeira metade da nossa vida ainda estamos muito absortos na preparação da Taça Menor e que, como
Percival, tenhamos que perder a oportunidade para saber melhor aproveitá-la quando ressurgir.
Conhecer e conversar com seu Agathodaimon não é algo, afinal, raro na História, como uma
pesquisa dos fenômenos religiosos pode mostrar. É algo recorrente, por exemplo, nas experiências
xamanicas dos povos primitivos, na narrativa da Bíblia, na tradição cabalística. Aconteceu com Jung.
O espírito guia de Jung se chamava Philemon, e foi retratado pelo psicólogo num dos quartos de
sua Torre Alquímica de Bollingen, como podemos ver na ilustração deste post. Sobre ele escreveu:
"Philemon representava uma força que não era eu mesmo. Em minhas fantasias eu mantinha
conversações com ele, e ele dizia coisas que eu não havia pensado conscientemente. Pois eu observava
claramente que era ele que falava e não eu."
"Psicologicamente, Philemon representava insight superior. Ele era uma figura misteriosa para
mim. Algumas vezes ele parecia bem real, como se fosse uma personalidade viva. Eu andava para
cima e para baixo no jardim com ele, e para mim ele era o que os Hindus chamam um guru."
Philemon ensinou a Jung sobre a objetividade psíquica:
73
"Ele disse que eu tratava os pensamentos como se eu mesmo os gerasse, mas na sua visão
pensamentos são como animais na floresta, ou pessoas em um quarto, ou pássaros no ar, e
acrescentava: 'Se você visse pessoas em uma sala, você não iria pensar que você fez essas pessoas,ou
que seja responsável por elas.' "
Creio que, basicamente, isso indica que, da totalidade dos nossos processo mentais, uma pequena
fração apenas está sob nosso controle e consciência, o que é mais claramente percebido nos sonhos. Se
a nossa percepção de nós mesmos é tão condicionada à nossa memória e à percepção de nosso corpo, e
se tudo isso utiliza apenas uma fração menor de nosso cérebro, experiências de expansão de
consciência levam necessariamente à perda da identidade, da identificação com o ego. Ano passado,
durante alguns dias, tive a experiência de que toda a minha mente estava viva e consciente, e falava
comigo com a voz de uma menina sábia, cujo conselhos, para meu próprio prejuízo, fui inábil em
seguir. Creio que se tratou de um conflito amistoso entre meu ego masculino de meia-idade e a
novidade dessa supermente ativa. Essa consideração sobre identidade e memória tem exemplo na
descrição de uma experiência de Jung:
"Uma entrada dava em uma pequena antecâmara. À direita da entrada, um Hindu escuro sentava
silenciosamente em postura de lótus sobre um banco de pedra... Eu sabia que ele me esperava. Dois
degraus levavam a essa antecâmara, e dentro... estava o portal do templo. Enquanto eu me
aproximava dos degraus que levavam a entrada na rocha, uma coisa estranha aconteceu: eu tinha a
sensação de que tudo o que eu era estava sendo extraído; tudo o que eu almejara ou desejara ou
pensara, toda a fantasmagoria da existência terrena, caía ou era retirada de mim ... um processo
extremamente doloroso. Entretanto algo permanecia; era como se eu agora carregasse comigo tudo o
que eu experimentara ou fizera, tudo o que tinha acontecido ao meu redor. Eu posso também dizer:
estava comigo, e eu era isso. Eu consistia de tudo isso, por assim dizer. Eu consistia em minha própria
história, e senti com grande clareza: isto é o que eu sou. Eu sou o conjunto do que foi, e do que foi
realizado.
Esta experiência me deu uma sensação de grande pobreza, mas ao mesmo tempo de grande
completitude."
Essa narrativa tem fortes características neo-platônicas, pois essas filosofias advogavam que a
jornada da alma de volta ao Uno se processava por etapas planetárias, nas quais se abandona, passo a
passo, as instâncias psíquicas relacionadas a cada planeta. Robert Zoller menciona, no seu curso de
Astrologia Medieval, que a libertação final do Destino, representado pelo Almutem do mapa, se dá
justamente pelo abandono das qualidades recebidas dele.
O que me lembra uma experiência que tive em 98, quando, atendendo a um pedido meu de saber o
que é Samadhi, meu Anjo gentilmente desmontou todo meu aparato psicológico, memória,
personalidade, raciocínio. De início eu me assustei, pois parecia que eu não era uma individualidade,
mas o resultado de um conjunto de partes, que separadas, não tinham nem identidade e nem
consciência. Mas, a seguir, percebi que, apesar de estar tão ligado aquelas partes, eu era.
By the way, se vocês procurarem nos sites de busca com "Philemon/Jung" vão achar muitas coisas
interessantes, como a denunciação em ":\jung\Philemon Spirit Guide Of Carl Jung.htm", onde o autor,
em momento de extraordinária inspiração divina, alerta-nos que as terapias baseadas no conceito da
"Criança Interior", regressão e imaginação ativa são originárias do "demônio Philemon" que "possuía
Jung":
"Quem realmente é Philemon? No mínimo, um demônio. O quer que este ser seja, seu controle,
influência, e efeito sobre Jung eram significativos. A influência de suas doutrinas e técnicas são
amplamente difundidas e poderosas hoje, alcançando o mundo secular através da psicologia, dentro
da filosofia New Age, e na igreja."
"Jung disse que ele havia sido escolhido para terminar o que seus ancestrais não haviam
terminado, e que haveria outro "escolhido" para embarcar nessa jornada. O trabalho e influência de
"Philemon" ainda são fortes hoje. Pois ele ainda está escolhendo muitos tutores para suas doutrinas, e
muitos, mesmo na igreja, estão seguindo as doutrinas desta coisa."
74
"Sempre que nós temos que ir para for a dos ensinamentos Bíblicos, nós vamos entrar nessas
áreas a que não pertencemos, para usar fontes que não conhecemos. Tal é o caso com a Criança
Interior e sistemas de visualização."
E não é que ele tem mesmo uma certa razão? Afinal, essas técnicas podem levar ao contato com a
Sombra, que ele projeta em Jung e Philemon, e com o Inconsciente Coletivo, que o assusta tanto. É
interessante como, sem querer, ele acaba testemunhando a favor das teorias que ataca. Partindo de
Lacan, eu diria que ele busca refúgio no Nome-do-Pai (contido no texto bíblico) contra um contato com
o Real (esticando o conceitp para abarcar a objetividade do inconsciente no seu funcionamento
arquetípico). O que me leva a interessante observação de que, em Magia Cerimonial, são os Nomes-de-
Deus usados para controlar os Espíritos... Os Nomes-de-Deus, ou Nomes-do-Pai, intermediam e
controlam aqueles que são representações de nossos desejos, endereçados ao Outro, que, nessa
inversão, pode significar o Inconsciente Coletivo. Isso significaria que, dentro do processo de
individuação, mudamos nossa orientação extrovertida, buscando o objeto originário perdido não na
sociedade, mas dentro de nós mesmos?
"Now the Spirit speaketh expressley, that in the latter times some shall depart from the faith, giving
head to seducing spirits, and doctrines of devils." 1 Timothy 4:1
Algo que escrevi há muito tempo, no dia 21 de Janeiro de 2000, e que acabei de achar enquanto
arrumava as malas. Estranho... visto em retrospecto, foi uma profecia, e também a Fórmula Mágicka
pela qual passei pelo Ordálio de Netzah.
LIBER VOVIN
being
The Tale of the Dark Knight
1. The Knight rode all night through the Forest of Bones, hearing the cry of the dead woman he once
loved above all.
2. His sword was black with rotten blood.
3. His eyes were set afire with rage and madness.
4. The Knight Apophraz to the Dark Tower came.
5. In the end of the seashore it was, the dark castle of the Goblin Queen.
6. She called the lightining, and the lightning came, and the lightning stroke on the head of Apophraz.
But he did stop not.
7. And with the magickal words, taught to him by the magician he once tortured and killed for his
secrets, he opened the door of the Tower.
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8. There was a dragon, red in fury, with a tongue that was a scourge of fire.
9. The dragon breathed fiery against the man, but he availeth not, because the knight had annointed his
armor with tan oil, made of the corpses of the unforgiven.
10. And his sword was kissed seven times by seven virgin brides, whom he slayed in the morning of
their marriages.
11. The Dark Knight to the Dark Tower came.
12. He stroke seven times in the dragon's head, and his fire died with him.
13. He climbed up the spiral stairs of the Tower, and reached the Witch Queen's bedroom.
14. In the chambers of the wicked witch, the Dark Knight made love to her all night long.
15. By morning, he decapitated her head, and watched a unicorn rise from her bloody wound.
16. As the unicorn troted, beautiful flowers appeared, all along the fields.
17. And the Knight saw that his armor now was red, and his magickal sword clean and sharp as never
before.
18. He cried a single tear, sat in the front of the Tower
19. and wondered.
76
Hotel California
O famoso hit dos Eagles, praticamente conhecido em todo o planeta, encantou milhares de pessoas
com seu tom nostálgico, que parece falar de amores passados e perdidos, em verões que já não
retornam. Mas a letra da músicka revela uma realidade muito diversa, como já indicou Charlie Bertsch,
da Universidade do Arizona, em seu "Hotel California: Learning How to Read" :
"A partirda minha perspectiva presente, como estudioso de Literatura Americana, posso
reconhecer que "Hotel California"segue os passos de autores clássicos como Edgar Allan Poe,
Herman Melville, and Nathaniel Hawthorne, para não menciona Franz Kafka. Como muitos de seus
trabalhos, "Hotel California" conta uma estória que é apenas metade da estória. O narrador em
primeira pessoa está dirigindo no deserto. Ele vê uma construção a distância. Trata-se de um hotel.
Ele decide parar para passar a noite. Uma vez dentro, ele experimenta uma série de encontros
inquietantes, culminando em um banquete horrível. Quando ele tenta deixar o hotel, lhe é dito ser
inútil tentar: "You can check out anytime you like, but you can never leave." Com esta afirmação
horrível, o conteúdo lírico da música chega ao um fim. Mas a música continua, com uma variação
menor, por mais alguns minutos, embora não em muitas estações de rock clássico, onde é cortada."
Percebemos aí, de início, todos os elementos de um drama iniciático, com muitos elementos que
podem ser reconhecidos, por exemplo, pelos Minervais da O.T.O., embora essa não trenha sido a
intenção inicial dos Eagles, que viam sua música como uma metáfora sobre o materialismo e o excesso,
onde a California é usada como cenário:
"Nós todos éramos garotos de classe-média do Meio-Oeste," disse Henley [baterista, vocalista e
compositor da banda] sobre os Eagles. "Hotel California" era nossa interpretação da alta vida em Los
Angeles. Era para ser uma metáfora para os Estados Unidos, para os excessos pelos quais esse país
sempre foi conhecido. Não era para ser apenas sobre a California ou Beverly Hills. Foi tomada mais
ou menos dessa forma, mas nós tinhamos inrtenções mais amplas do que essas. Quando você ama
algo, você tem que mostrar as coisas que estão indo erradas."
Além de uma possível referência a um processo de iniciação, onde o medo é utilizado para colocar
o Neófito em um estado adequado (e é interessante notar como essas técnicas tanto podem ser usadas
para libertar como para dominar), interpretei a letra como referência à travessia do Abismo, tema de
que tenho me ocupado nos últimos tempos. Para os que conhecem um pouco mais, é muito interessante
meditar sobre a relação oculta e íntima entre o Grau de Minerval da O.T.O. e o o Grau de Magister
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Templi da A.: A.:
HOTEL CALIFORNIA
1. On a dark desert highway, cool wind in my hair
- Aqui se refere a Senda que vai de Tiferet a Kether, indicada pela letra Gimel, o Camelo. Essa Senda é
vista como um Deserto que o Iniciado deve atravessar sozinho. É atribuída ao Atu da Sacerdotiza;
percebam como ela logo irá aparecer. a palavra "highway" pode ser decodificada em "High Way",
"Caminho Alto", indicando que o Adepto se encontra além de Tiferet.
2. Warm smell of colitas rising up through the air
- O Primeiro Sinal de Sucesso na Operação Mágicka. Vejam a referência a "colitas" no final. A
percepção de um Perfume Místico é comum entre os praticantes mais avançados de Meditação.
3. Up ahead in the distance, I saw a shimmering light
- O Segundo Sinal. Outra ocorrência comum aos praticantes avançados.
4. My head grew heavy and my sight grew dim
I had to stop for the night
- Aqui o iniciado começa a sentir os efeitos da Noite Escura da Alma, a Travessia do Abismo.
5. There she stood in the doorway;
- A primeira Visão da Sacerdotiza, indicando a natureza da consecução da Obra, o encontro com Nossa
Senhora BABALON do outro lado do Abismo. "Doorway" pode ser cabalisticamente interpretado
como "The Door Way", indicando a interseção da senda da Sacerdotiza com a da Imperatriz.
6. I heard the mission bell
- O Terceiro Sinal; assim tendo sido manifestados misticamente Aroma, Visão e Som.
7. And I was thinking to myself this could be heaven or this could be hell
- O Iniciado, ainda abaixo do Abismo, não alcançou a unidade de Pensamento e Percepção pela qual,
após a Travessia do Abismo, Heaven and Hell, e todos os pares de opostos, são uma única e mesma
coisa.
8. Then she lit up a candle, and she showed me the way
- BABALON, desejando o Sucesso do Iniciado, desperta sua Consciência Monádica para que ele
encontre o Caminho
9. There were voices down the corridor, I thought I heard them say
- Aqui começa a Travessia, a Senda do Fio da Navalha. As vozes do Abismo são as tentações de
Khorozon, distraindo o Iniciado e o chamando para a Perdição.
10. Welcome to the Hotel California
Such a lovely place, such a lovely face
- Cali for NIA é um jogo de palavras com o mais profundo dos significados. Cali é KALI, a Deusa
Negra que goza sobre o cadáver do Iniciado, indicando que é preciso morrer para atravessar o Abismo.
Morrer significa abandonar totalmente a consciência dos Quatro Circuitos neurológicos inferiores,
para, a seguir, despertar plenamente nos Circuitos Superiores. A novidade da nova experiência faz do
Iniciado um Bêbe do Abismo, pois, como um Bêbe deve despertar e dominar seus circuitos
neurológicos inferiores para se tornar um adulto funcional, o Iniciado deve agora despertar e descobrir
seus circuitos neurológicos superiores. NIA é termo Enochiano que alude a Viagem. CALI FOR NIA,
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logo, indica "Morrer para Viajar".
- Hotel é então termo muito significativo dentro deste contexto, pois indica o lugar de parada, de
descanso; o Hotel é como um Oásis que o Iniciado encontra na travessia do deserto. Reparem que é no
Hotel que, segundo a lenda (e para o magista as lendas são mais importantes do que os fatos, pois falam
dos processos internos de sua consciência) o letrista da banda recebeu a inspiração do poema (ver
abaixo) . O Hotel onde é preciso Morrer para Viajar é o estado de imobilidade que o Iniciado é forçado
a entrar, imobilizando seu corpo e mente através do domínio das práticas de Asana, Pranayama,
Dharana, Yama ou Tantra (dependendo de se o Iniciado é Pálido ou Púrpura - AL I.61 ), Niyama,
Dhyana e Samadhi. Ou, se for experimentado, conforme Liber Had .11.
11. Plenty of room at the Hotel California
Any time of year (any time of year) you can find it here
- Aqui é indicado o Voto do Abismo, que se refere ao Grau de Magister Templi, o único que pode ser
tomado por qualquer um a qualquer tempo.
12. Her mind is Tiffany twisted, she got the Mercedes bends
- Aqui se relata algo na natureza de BABALON, indicando a mudança de paradigma com a qual o
iniciado deve se harmonizar
13. She got a lot of pretty, pretty boys that she calls friends
How they dance in the courtyard, sweet summer sweat
Some dance to remember, some dance to forget
- Estes são os Irmãos da Estrela Prateada, the Lovely Star. O Bhagavad-Gita ensina que existem Cinco
Graus de aproximação com Krisna: o Devoto em Estado Passivo, o Devoto em Estado Ativo, o Devoto
como Amigo, o Devoto como um Parente e o Devoto como Amante (AL I.40 ). Aqui são indicados os
Adeptos que ainda não entraram no Palácio de BABALON, e ainda "dançam no jardim", "dançando
para lembrar ou esquecer", ou seja, enganjados em práticas mágickas (dentre as quais a Memória
Mágicka) e meditativas (o esvaziamento da mente, significando domínio dos circuitos Oral, Anal,
Semântico e Socio-Sexual). Veja-se ainda "Os Eunucos no Harém de IT" no Livro das Mentiras.
14. So I called up the captain; please bring me my wine
- O Adepto faz o Voto do Abismo.
15. We haven't had that spirit here since nineteen sixty-nine
- A resposta ao Voto, cifrada cabalisticamente pela palavra Espírito e o número 1 969, que o Adepto
deve decifrar para alcançar o Mistério de 1 666, que se refere a Senda que vai de Kether a Binah e ao
alcance do grau de Magus, próximo ordálio depois da bem-sucedida travessia do Abismo. 1 sendo o
Mago, e também indicando algo da secreta relação entre Kether e Binah que o Adepto deve descobrir, e
666 se referindo a Realização de Crowley como Magus, indicando a possibilidade real dessa
consecução. É também um aviso de que a verdadeira Realização é rara.
16. And still those voices are calling from faraway
Wake you up in the middle of the night, just to hear them say
- As Vozes do Abismo, perturbando a concentração do Adepto.
17. Welcome to the Hotel California
Such a lovely place, such a lovely face
They livin' it up at the Hotel California
What a nice surprise (what a nice surprise) bring your alibis
- As Vozes do Abismo são vindas daqueles que se deixaram levar pela Sedução e pelo Terror durante a
Travessia, e permaneceram presos no Hotel. "Bring your alibis" fala da auto-justificação que as pessoas
utilizam para justificar seus fracassos, e, de maneira sutil, de como isto se cifra no Motto que elas
escolheram e ainda usam. Só NEMO ultrapassa o Abismo, e NEMO é Ninguém, o Adepto que
79
conseguiu se libertar da sua própria noção de identidade.
18. Mirrors on the ceiling, the pink champagne on ice
And she said we are all just prisoners here of our own device
And in the master's chambers, they gathered for the feast
They stab it with their steely knives but they just can't kill the beast
- BABALON indica a natureza da falha dos Irmãos Negros, prisioneiros "of our own device", que "just
can't kill the beast": os Adeptos que falharam em colocar todo seu sangue na Taça de BABALON,
sacrificando assim a "besta", ou seja não conseguindo transmitir toda sua energia neurológica para os
circuitos superiores. Segundo Crowley, a razão da falha desses Adeptos é seu medo e sua recusa à
mudança, que é o medo da morte que nossa parte animal sente no limiar da transcendência para a
consciência dos circuitos superiores. Também indica, para o Thelemita, a necessidade de "Matar o
Buddha" ou "Matar a Besta", pois os ensinamentos deixados por outros Iniciados, no caso Crowley, só
tem um valor relativo para outas pessoas (AL I.50) e devem ser abandonados em determinado estágio.
19. Last thing I remember I was running for the door
- "Door" é Daleth a Porta, letra hebraica na Senda da Imperatriz que cruza a da Sacerdotiza já acima do
Abismo. Mas o fato de ter se deixado assustar já indica que o Adepto irá falhar; e de fato:
20. I had to find the passage back to the place I was before
- O Adepto tenta voltar ao seu estado anterior, após ter contemplado o Terror do Abismo.
21. Relax said the nightman We are programmed to receive
You can check out anytime you like but you can never leave
- O conselho do nightman indica que nossa mente é programada nos circuitos inferiores, e que não
adianta (em seu ponto de vista) tentar ir contra essa natureza básica. "Programados para receber" indica
tanto a Cabala, palavra cuja raiz significa "Receber", no sentido de se receber uma Tradição, quanto a
programação do DNA que todos recebemos, e que é a base e origem real da qual todas as Tradições
derivam com maior ou menor perfeição. Essa perfeição varia de acordo com outra "programação", os
imprints que recebemos durante nosso desenvolvimento da infância à adolescência. Relaxar, aqui,
significa se conformar com seu destino, e permanecer preso no Abismo, utilizando as técnicas e
poderes adquiridos para tentar sobreviver com o mínimo de mudança. O Adepto pode tomar o Voto do
Abismo "anytime you like", mas o nightman lhe indica que, depois, "you can never leave". Isso é uma
meia-verdade, ou uma meia-mentira...assim como a referência ao recebimento da programação, que, se
vai falar dos condicionamentos que prendem o Adepto abaixo (ou dentro) do Abismo, também indica a
chave para a saída... o nightman é Khorozon.
Alguns Fatos de Significância Mágicka e Cabalística.
- Colitas," in the line "Warm smell of colitas," is often interpreted as a flower or a sexual reference. It is
a Spanish word translated to Henley by The Eagles Mexican-American road manager meaning "Little
Buds," and is a reference to marijuana.
(AL II.22; Liber Had 11)
- This [a música] was recorded at 3 different sessions before The Eagles got the version they wanted.
The biggest problem was finding the right key for Henley's vocal.
(Um prato cheio se pensarmos nos Três Dias da Escritura do Livro da Lei e na descoberta da Chave 31)
- The line "They stab it with their steely knives but they just can't kill the beast" is a reference to Steely
Dan. They shared the same manager and had a friendly rivalry. The year before, Steely Dan included
the line "Turn up The Eagles, the neighbors are listening" on the song "Everything You Did."
(Uma indicação de como os Adeptos mandam mensagens cifradas uns para os outros em Suas Obras;
especialmente significativo se a doutrina da Memória Mágicka de Crowley for correta.)
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- The lyrics for this came with the album. Some people thought the line "She's got the Mercedes
Bends" was a misspelling of "Mercedes Benz," and wrote Henley to complain. The line was a play on
words.
(Uma indicação do cuidado com detalhes gramaticais, dos quais o Livro da Lei está cheio, e que
sempre indicam algo importante, que os tolos não entendem.)
- Although it is well known that Hotel California is actually a metaphor, there are several strange
internet theories and urban legends about the "real" Hotel California. Some include suggestions that it
was an old church taken over by devil worshippers, a psychiatric hospital, an inn run by cannibals or
Aleister Crowley's mansion in Scotland. (Essa então é preciosa... Vejam referência a "Capela da
Abominação" no Liber Cheth, instrução para o alcance do Grau de Magister Templi. Durante alguns
anos vigorou uma lenda urbana que o "Hotel California" teria sido inspirado em um hotel da cidade de
Todos Santos em Baja California Sur, no México, onde o letristas teria passado a noite. Veja-se então
as referências a Taça de BABALON, onde se reune o Sangue dos Santos.)
"Senso de Humor é Sinal de Inteligência" - O Monge.
Frustração
Toda frustração, toda dificuldade que se encontra no isolamento é uma oportunidade para se
conhecer melhor o funcionamento de nossa mente, nos libertando das demandas imaginárias, do
cansativo monólogo simbólico e aprendendo a lidar de uma nova maneira com nossas necessidades
reais. Assim se prepara o terreno para a ativação dos circuitos neurológicos superiores, através do
processo de economia psíquica, que não é coincidente com a sublimação estética, intelectual e religiosa
conhecida por Freud.
81
Psicologia e Transcendência
Na introdução de um outro artigo, abordei a diferença específica que parece transparecer na
comparação entre a Psicanálise de Freud, de Lacan e o pensamento de Reich contra o Sistema de Oito
Circuitos proposto por Timothy Leary. Me parece que a diferença vêm da origem e dos objetivos: a
Psicanálise de Freud e as elaborações seguintes de Lacan e Reich partiram da observação do estado
patológico e buscaram sua normalização. Ou seja, elas se constituiram ao redor dos imprints
traumáticos que podem ocorrer durante a ativação e o desenvolvimento dos quatro circuitos
neurológicos determinados à sobrevivência, socialização e reprodução. Basicamente, o quê os três se
propuseram foi à normalização da pessoa sintomática em um ser humano que desempenha suas funções
sociais dentro de um nível de stress considerado normal, e que possa usufruir, ou, como quer Reich,
que possa gozar.
Uma das razões pelas quais nenhum dos três sistemas aborda as possibilidades de experiência e
crescimento pessoal que permanecem latentes nos outros 4 circuitos é bastante óbvia: nenhum dos seus
iniciadores experimentou essas possibilidades ou esteve em contato com alguém que o tivesse feito.
Jung tem o mérito de ter indicado uma outra possibilidade, além da "cura" psicanalítica, quando
desenvolveu seu conceito de individuação. E ele próprio deu sinais de, em alguns momentos de sua
vida, ter experimentado algo dos circuitos superiores.
Podemos dizer, assim, que a diferença entre a Psicanálise e suas vertentes e a proposta de Timothy
Leary é a entre a normatização das funções ligadasa oralidade, analidade, semântica e atividade socio-
82
sexual do ser humano ordinário e o despertar do potêncial neurológico latente em um ser humano já
saudável.
Um exemplo: Reich se foca na obtenção do orgasmo pleno como o sinal de saúde psico-física
desejável; o Tantra utiliza deliberado controle do orgasmo como meio de se alcançar experiência nos
circuitos neurológicos superiores. Mas, é claro, o praticante do Tantra necessariamente tem que ser
uma pessoa em quem a possibilidade do orgasmo pleno já foi realizada; caso contrário, a prática
tantrica se revela apenas como uma fuga ou justificação do sintoma, onde a pessoa fica imobilizada na
ausência de gozo, já que não alcança a descarga energética que seus circuitos inferiores precisam e nem
o êxtase que os superiores prometem.
A partir de Lacan, ainda, poderíamos definir o Misticismo e a Meditação como uma tentativa de
retornar ao estado infantil onde sujeito e objeto se confundiam na relação da criança com a mãe; seriam
formas de se voltar a experimentar o estado de satisfação real antes da cisão do sujeito, e da ansiedade
resultante da perda do objeto imaginário. Ou seja, a utilização de técnicas de regressão ao estado
natural dos circuitos pré-linguísticos - o quê talvez leve à conclusão de que pessoas com traumas
formados no desenvolvimento desses circuitos dificilmente consideram a possibilidade de enganjar em
práticas místico-meditativas, já que, inconscientemente, percebem que elas as colocariam em contato
com aquilo que foi recalcado. Indivíduos que tiveram um desenvolvimento mais harmonioso - o que
me lembra a idéia de "mãe suficientemente boa" - na primeira infância talvez sejam aqueles que se
atraiam mais pela chance de se alcançar - ou recuperar - esses estados, que permanecem sempre uma
possibilidade latente: basta conseguir silenciar o circuito semântico, o palavrear incessante dos
significantes. Mas, a partir de Leary, as técnicas de Meditação e Misticismo passam a ser vias para o
despertar das funções dos circuitos superiores. É interessante notar como o uso de um mesmo
alucinógeno pode tanto levar a pessoa a re-experimentar suas experiências nos circuitos inferiores
como a descobrir as possibilidades dos superiores.
O contato com os circuitos superiores também têm uma extraordinária capacidade terapeutica, já
que permitem uma meta-reprogramação dos circuitos inferiores. E, aqui, retornamos aos princípios da
Operação de Abramelin, onde o Santo Anjo Guardião representa os estados alcançados nos circuitos
superiores e os Quatro Príncipes Infernais nossos circuitos inferiores. A Operação de Abramelin,
portanto, simboliza o alcance do êxtase nos circuitos superiores e sua utilização meta-programadora,
redefinindo os padrões de personalidade desenvolvidos durante a formação dos circuitos inferiores no
período da infância à adolescência.
Este estudo que venho fazendo está sendo muito útil, pois percebo melhor o que venho buscando
esse tempo todo, e os vários erros que cometi; basicamente, procurando a experiência intuída dos
circuitos superiores através da satisfação ou exarcebação dos inferiores. Mover a consciência para
cima, ou, despertar esses circuitos neurológicos, foi bem definido pelos místicos do passado como
"abandono do mundo"; já que os primeiros quatro circuitos existem exatamente para garantir nossa
sobrevivência "neste mundo". Por aí, pode se entender o impulso dos santos em buscar um ambiente de
isolamento como um recurso primitivo diante da exigência de uma economia psíquica; e a razão de ser
das normas ditadas por Abramelin para que o discípulo se retire por seis meses. Afastar-se da sociedade
diminiu consideravelmente as demandas que o sujeito desenvolve nas suas relações com os outros,
diminuindo o exercício dos circuitos semântico e socio-sexual. O ambiente preparado provê as suas
necessidades básicas e, com o apaziguamento tanto das necessidades reais quanto das demandas
imaginárias, o recurso ao simbólico se volta, através das preces e invocações, para o despertar dos
circuitos superiores.
O Céu e o Inferno estão dentro do cérebro.
83
THE GHOST OF THE NAVIGATOR
I'm a poet...
Because speaking from the shadows
of the world I tread
I must be a walking riddle
and chant in your ears
The sweet old call
of the dread, the merry
Sabbah dream.
Foi um poeta que nos legou o valioso tesouro da Ilíada e da Odisséia, o cego Homero. A Poesia
sempre teve uma conexão íntima com a Magick, e com a Religião em geral; tanto que não se aceitava
um profeta que não transmitisse suas imprecações em versos, e uma das provas da origem divina de um
texto era justamente a beleza de sua escrita:
"Yet to all it shall seem beautiful. Its enemies who say not are mere liars." AL.68
A Poesia, e a Músicka, são importantes manifestações da inspiração humana, e fontes de
inspiração são sempre via de mão dupla, pois, ao mesmo tempo em que vem do contato com a
intimidade maior das coisas, nos convidam e transportam a essa mesma intimidade. É o princípio por
trás da leitura de textos religiosos, do estudo da Torah, do Livro da Lei, dos Livros Sagrados de
84
Thelema.
"The fool readeth this Book of the Law, and its comment; & he understandeth it not." AL III.63
"Let him come through the first ordeal, & it will be to him as silver." AL III.64
"Through the second, gold." AL. III.65
"Through the third, stones of precious water." AL III.66
"Through the fourth, ultimate sparks of the intimate fire." AL III.67
Crowley notou que certos textos, para serem adequadamente entendidos, devem ser meditados no
mesmo estado interior em que foram escritos. Foi assim que, durante sua experiência enochiana no
Saara, afinal compreendeu o sentido da maldição contida na Invocação dos Aires, e vários segredos do
Livro da Lei.
Um exemplo interessante do poder das rimas se encontra no Interlúdio da Parte II do Magick in
Theory and Practice, onde, desafiado pela Soror Virakam, após ter afirmado que "tudo contém a
Verdade, se você souber como encontrá-la", Frater Perdurabo analisa cabalistica e magickamente
várias cantigas populares que ela escolheu aleatoriamente. Trata-se de uma técnica sempre
recomendada aos iniciantes, basicamente relacionar palavras aos Arquétipos da Árvore da Vida, as
Sephiroth e Vias. O mais interessante é a forma como a brincadeira terminou:
"Quase meia-noite. Neste momento nós paramos de ditar, e começamos a conversar. Então
Frater Perdurabo disse: 'Oh, se eu pudesse ao menos ditar um livro como o Tao Te Ching!' Então ele
fechou os olhos como se estivesse meditando. Um pouco antes eu tinha notado uma mudança na sua
face, muito extraordinária, como se ele não fosse mais a mesma pessoa; de fato em dez minutos de
nossa conversa ele pareceu ser um número de pessoas diferentes. Eu notei especialmente que as
pupilas de seus olhos estavam tão alargadas que o olho todo parecia negro. (Eu tremo tanto e tenho
tal agitação por dentro pensando nessa última noite, que mal posso escrever as palavras.) Então bem
devagar toda a sala se encheu com uma densa luz amarela (profundamente dourada, mas não
brilhante. Digo, não ofuscante, mas suave). Frater Perdurabo parecia uma pessoa que eu nunca vira
mas parecia conhecer muito bem - sua face, suas roupas e tudo mais parecia do mesmo amarelo. Eu
estava tão perturbada que olhei para o teto para ver o que causava a luz, mas só podia ver as velas.
Então a cadeira onde ele estavapareceu levantar; era como um trono, e ele parecia estar ou morto ou
adormecido, mas certamente não era mais Frater Perdurabo. Isso me assustou, e tentei entender
olhando ao redor da sala; quando olhei de volta a cadeira estava levantada, e ele ainda era o mesmo.
Percebi que estava sozinha; e pensando que ele estava morto ou tinha partido - ou alguma outra coisa
terrível - eu perdi a consciência."
Escrevi este artigo por causa da músicka que se segue, "The Ghost of the Navigator" do cd "Brave
New World" do Iron Maiden, com a qual fiz várias correlações mágickas, especialmente com a
travessia do Daath, o Abismo do Conhecimento, e também com o Conhecimento e Conversação com o
Santo Anjo Guardião. Por exemplo:
"I have sailed to many lands now I make my final journey"
"Many lands" podem significar as Sephiroth que o Adepto atravessou até chegar no Abismo, ou se
referir a Malkuth, onde se encontra "Um pouco de Tudo", revelando a Unidade na Multiplicidade
contraposta à Unidade pura da Kether. A "jornada final" pode indicar a travessia do Abismo,
lembrando que, para os antigos, o Oceano terminava em um.
"I plough still my heart calculate and pray"
A Fórmula pela qual se alcança a Iniciação.
"As the compass swings my will is strong"
A demonstração da Virtude necessária ao Ordálio.
85
"I will not be led astray"
O Juramento.
"Mysteries of time clouds that hide the sun"
"Mistério" é o Nome inscrito na testa de Babalon, que o Adepto encontrará no Outro Lado do Abismo,
onde se oculta também Kether.
"But I know, I know"
O Adepto afirma ter sido devidamente instruído por seu Anjo e estar preparado para o Daath.
"I see the ghosts of navigators but they're lost
As they sail into the sunset they'll count the cost
As their skeletons accusing emerge from the sea
The sirens of the rocks, they beckon me"
Aqui o Adepto contempla o destino dos Irmãos Negros que se recusaram a atravessar o Abismo, "the
ghosts of navigators" e daqueles que, tentando, falharam, se deixando levar pelas seduções de
Chorozon, "the sirens of the rocks".
Na ilustração que acompanhava o artigo, do pintor John William Waterhouse, vemos a famosa cena da
Odisséia onde Ulisses se amarra ao mastro para poder ouvir as sereias. Os marujos tamparam seus
ouvidos. Isso me faz pensar na sabedoria de Sócrates que, querendo tirar os homens da caverna, acabou
bebendo cicuta... É preciso uma astúcia de Grego, imagino, para realizar o ofício de Mestre de Templo.
Ordens de Cavalaria e Ordens Militares
"SABRIAM: Ho for the Sangraal! Ho for the Cup of Babalon! Ho for mine Angel pouring Himself
within my Soul!"
Liber Samekh
É certo que o surgimento das Ordens de Cavalaria e das Ordens Militares no Medievo se
organizaram ao redor de símbolos do Cristianismo. Mas também é certo que os símbolos do cristão
medieval eram, muitas vezes, adaptações a partir de Tradições mais antigas. Os dois motivos principais
que encontramos foram o Cálice Sagrado e o Templo de Jerusálem.
O Cálice Sagrado, vaso onde se recolheu o sangue do Cristo, parece ter sido formulado a partir de
lendas e segredos celtas. Sua primeira referência literária é o livro de Chretien de Troyes "Percival, O
Conto do Graal" de 1190, um poema inacabado de mais de nove mil versos, que narra como os
cavaleiros de Camelot partiram na busca do Cálice. Esse mito dava ao ofício de armas uma dimensão
mística, sagrada, que, entretanto, parece não ter tido muito efeito na vida secular européia, se
consideramos o prólogo da Regra dos Templários, que contra a cavalaria de então afirmava:
"Desprezou o amor à justiça que constitui seus deveres e não fez o que deveria, que é defender os
pobres, as viúvas, os órfãos e as igrejas, mas empenhou-se em pilhar, roubar e matar."
O que estava realmente distante dos ideais de pureza e castidade necessários à vitória na Demanda
do Graal...
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Aleister Crowley deu uma nova dimensão ao símbolo do Graal, como podemos ver no Capítulo
VII do Magick, onde, se referindo ao Atu VII do Tarot de Toth:
"O Hieróglifo mostrado na Sétima Chave do Tarot (descrito no 12o Aethyr, Liber 418) é o
Charioteer de Nossa Senhora Babalon, cuja Taça ou Graal ele porta.
Agora, esta é uma fórmula importante, em um sentido, pois é a fórmula da Renúncia. É também a
última! (Não há implicação moral aqui. Mas escolher A implica em recusar não-A; pelo menos, assim
é abaixo do Abismo.)
Esta Taça diz-se estar cheia com o Sangue dos Santos; ou seja, todo "santo" ou Magista deve dar
a última gota do sangue da sua vida para esta Taça. É o preço original pago pelo poder mágicko. E se
por poder magicko nós queremos dizer o verdadeiro poder, a assimilação de toda força com a Luz
Máxima, a verdadeira Boda da Rosa Cruz, então é este sangue a oferta da Virgindade, o único
sacrifício agradável ao Mestre, o sacrifício cuja única recompensa é a dor de childbearing unto Him."
O Templo têm origem histórica mais factual e definida. Já então resultado de uma conquista
armada, ele foi construído por Salomão na cidade tomada aos jebuseus por seu pai Davi. Deus ordenou
ao salmista que comprasse uma eira de propriedade do nativo Onã, para que fosse abrigada a Arca da
Aliança, obra quê seu filho realizou.
O reinado de Salomão se consumiu em má administração. Após sua morte, Norte e Sul se
dividiram em Israel e Judá, e foram conquistados. O Templo foi destruído pelos Caldeus em 586 a.C.
sob Nabucodonosor, e a elite dos judeus levada em exílio para a Babilônia. Quando a Pérsia conquistou
o Médio Oriente, os judeus conseguiram autorização e financiamento de Ciro para a reconstrução, em
515 a.C.
Por volta de 47 a.C. Jerusálem tornou-se protetorado romano, e o Templo foi profanado por
Pompeu e seu séquito, como conta Flavio Josefo:
"Entre os infortúnios daquele tempo, nada causou maior estremecimento à nação do que a
exibição por estranhos do Lugar Sagrado, até então resguardado de todos os olhares. Pompeu e seu
estado maior entraram no Santuário, o que a ninguém era permitido pelo sumo sacerdote, e viram o
que ele continha: o pedestal do candelabro, as lâmpadas, as mesas, as taças para as libações e os
incensários, tudo de ouro maciço, e uma grande quantidade de especiarias e dinheiro sagrado."
É de se notar que já não se menciona a Arca da Aliança, presumivelmente desaparecida durante o
cativeiro na Babilônia.
O Templo foi depois reformado por Herodes, que, ao que consta, criou então uma verdadeira
maravilha arquitetônica. Mil levitas foram treinados como carpinteiros e pedreiros para que se pudesse
obrar na área sagrada. Mas isso tudo foi abaixo em 70 d.C., quando os romanos terminaram com uma
insurreição destruíndo Jerusálem. O pedestal de ouro do candelabro do Templo foi exibido em parada
triunfal na cidade de Roma.
Em 638 d.C., já decorrido longo tempo desde a cristianização e queda do Império Romano,
Jerusálem caiu em poder do Islã, o que daria início a uma longa disputa armada pelos Lugares Santos,
incluíndo a ruína to Templo. Afinal, em 17 de julho de 1099, após massacrarem todos os muçulmanos
e queimarem a comunidade judaica dentro da sinagoga, os nobres da Europa entraram em procissão
pela cidade deserta e foram se ajoelhar na igreja do Santo Sepulcro. O capelão Raimundo de Aguilers
contou:
"Em todas as ruas e praças da cidade, podiam-se ver montes de cabeças, braços e pés. As pessoas
andavam, em termos bem claros, sobre homens e cavalos mortos. Que punição mais oportuna! O
próprio lugar que durante tanto tempo suportou blasfêmias contra Deus estava agora encoberto pelo
sangue dos blasfemos."
Com a conquista e a criação dos reinos do Ultramar, surgiu o problema de se conseguir
salvaguardar a Terra Santa e seus peregrinos. Uma das soluções foi dada pelo cavaleiro francês Hugo
de Payins, que em 1114 se apresentou ao rei Balduíno I e ao patriarca deJerusálem com a proposta de
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uma comunidade de cavaleiros que, seguindo as regras de uma ordem religiosa, se devotaria à proteção
dos peregrinos.
O modelo dessa organização dos "Pobres Soldados de Jesus Cristo e do Templo de Salomão",
aprovado pela Igreja já em 1129, serviu pra o surgimento de varias outras: a Ordem do Hospital de São
João, que, já existente, se militarizou alguns anos depois, assim como a de São Lázaro, que abrigava
cavaleiros com lepra; a Ordem dos Cavaleiro Teutônicos foi reconhecida em 1199, e na Ibéria
pulularam associações como a de Calatrava, Alcantara e Aviz, empenhadas na Reconquista.
Essas Ordens tinham em comum a adesão ao ideal monástico, resumido nos votos de Castidade,
Pobreza e Obediência. A Regra apresentada por Hugo de Payns ao concílio de Troyes rezava:
"A castidade é a convicção do coração e a sanidade do corpo. Pois se um irmão não fizer o voto
de castidade ele não poderá alcançar o descanso eterno nem poderá ver Deus, conforme a promessa
do apóstolo que disse: ' Esforçai-vos para levar a paz a todos, conservai-vos castos, sem o que
ninguém pode ver Deus.' "
"A companhia das mulheres é uma coisa perigosa, pois por causa delas o diabo tem desviado
muitos do reto caminho do Paraíso. Acreditamos que seja perigoso para qualquer religioso olhar
demais para o rosto de uma mulher. Por esta razão nenhum de vós deve atrever-se a beijar uma
mulher, seja viúva, moça, mãe, irmã, tia, seja outra qualquer; e doravante os Cavaleiros de Jesus
Cristo devem evitar a qualquer preço os abraços das mulheres, pelos quais os homens muitas vezes se
arruinaram, a fim de que possam permanecer eternamente perante a face de Deus com a consciência
pura e a vida firme."
Sobre a Obediência:
" A fim de executarem seus santos deveres e obterem a glória do regozijo do Senhor e de
escaparem do medo do fogo do inferno, é conveniente que todos os irmãos professos obedeçam
estritamente ao seu mestre. Pois assim que algo é ordenado pelo mestre ou por aquele a quem o mestre
deu autoridade, deve ser feito sem demora, como se o próprio Cristo tivesse ordenado."
Para entrar na ordem os cavaleiros doavam ou abriam mão de suas posses e riquezas; todas as posses
eram comunitárias, e mesmo pequenos sinais de ostentação eram proibidos:
"Nenhum irmão terá uma peça de pele em suas roupas. Nós proibimos sapatos de bico fino e
cadarços."
Isso tudo me inspirou à uma revisão dos votos de acordou com Thelema. No Magick Crowley
menciona a Castidade algumas vezes:
"(...) para preparar o Magista, ele se purifica mantendo a castidade e se abstendo de qualquer
contaminação - Veja o Livro da Lei e seus Comentários para a verdadeira definição desta virtude."
Chapter VIII
"Castidade é uma condição; jejuar por algumas horas antes é uma condição; uma intensa e
contínua aspiração é uma condição. Sem esses antecedentes mesmo a Eucaristia do Um em Sete é
parcialmente - embora tal seja sua virtude intrínseca que nunca totalmente - privada do seu efeito."
"A palavra Castidade é usada pelos Iniciados para significar um certo estado de alma e de mente
determinante de um certo hábito do corpo o qual de nenhuma maneira é idêntico ao que é comumente
entendido. A Castidade no verdadeiro sentido mágico da palavra é inconcebível para aqueles que não
se emanciparam totalmente da obssessão do sexo."
Chapter XX
A partir do Livro da Lei podemos então definir Castidade, Pobreza, Obediência e também a
Caridade, já que as ordens militares também tinha essa obrigação:
88
Castidade:
"O man! Refuse not thy wife, if she will! O lover, if thou wilt, depart!" AL I.41
"Behold! These be grave mysteries; for there are also of my friends who be hermits. Now think not
to find them in the forest or on the montain; but in beds of purple, caressed by magnificent beasts of
women with large limbs, and fire and light in their eyes, and masses of flaming hair about them; there
shall ye find them." AL II.24
"Wisdow says: be strong! Them canst thou bear more joy. Be not animal; refine thy rapture! If
thou drink, drink by the eight and ninety rules of art: if thou love, exceed by delicacy; and if thou do
aught joyous, let there be subtlety therein!" AL II.70
"But exceed! Exceed!" AL II.71
"Let Mary inviolate be torn upon wheels; for her sake let all chaste women be utterly despised
among you." AL III.55
Obediência:
"Do what thou wilt shall be the whole of the Law." AL I.40
"Thou hast no right but to do thy will."AL I.42
"There is no law beyond Do what thou wilt." AL III.60
Pobreza:
"Ye shall gather goods and store of womem and spices; ye shall wear rich jewels; ye shall exceed
the nations of the earth in splendour & pride; but always in the love of me, and so shall ye come to my
joy." AL I.61
"Wear to me jewels!" AL I.63"
Caridade:
"Compassion is the vice of kings: stamp down the wretched & the weak." AL II.21
"Pity not the fallen! I never knew them. I am not for them. I console not: I hate the consoled & the
consoler." AL II.48
"Therefore strike hard & low, and to hell with them, master."AL II.60
Existe um sistema ético mais específico para o alcance do grau de Magister Templi, aquele cuja
função é obter um entendimento perfeito do Universo e cuidar do seu "Jardim" de discípulos. O grau de
Magister Templi é associado à Sephirah de Binah e a Babalon, lembrando que o Atu VII mencionado
acima é a Senda que leva de Geburah à Binah, da Severidade ao Entendimento. Esse sistema ético é
descrito no Liber Cheth vel Vallum Abiegni.
"Um mistério tão santo é o Arcanum dos Mestres de Templo, que ele é aqui sugerido para cegar o
presunçoso que pode, sem merecimento, buscar levantar o véu, e ao mesmo tempo iluminar a
escuridão dos que requerem apenas um raio do Sol para saltar para a vida e a luz."
Magick, Chapter VII
89
Goetia e Abramelin
"É, entretanto, sempre fácil chamar os demônios, pois eles estão sempre chamando você, e você
tem apenas que descer ao nível deles e confraternizar. Eles vão fazer você em pedaços por diversão.
Não de uma vez: eles vão aguardar até você ter totalmente quebrado o elo entre você e o seu Santo
Anjo Guardião antes de o agarrar, a fim de que você não escape no último momento."
Magick, Chapter XXI
O velho Crowley devia saber o quê dizia; afinal, era ainda recém chegado na Hermética Ordem da
Aurora Dourada quando um dos magistas mais respeitados se aproximou dele e disse:
- Então, pequeno irmão, você tem mexido com a Goetia.
Diante da sua negativa sincera, teve por resposta:
- Então a Goetia têm mexido com você.
Crowley mais tarde veio mesmo a trabalhar com o sistema goético, como expôs no ensaio "The
Revival of Magick":
90
"Uma de nossas maiores façanhas foi salvar a vida do meu mestre. Absolutamente não egoísta,
ele nunca iria se mexer para ajudar a si mesmo, e ele era um inválido permanente com asma
espasmódica, com complicações. Frater V.N. e eu determinamos, em nome e em benefício da Ordem,
salvá-lo. Nós invocamos o espírito Buer à uma aparição visível. Isto não foi totalmente bem sucedido;
nessa época nós queríamos que as coisas acontecessem como nos livros - pois nós éramos jovens. Mas
conseguimos a perna direita e o pé e o tornozelo da esquerda tão sólidas quanto preciso; e a cabeça,
com elmo, era vagamente visível através da fumaça do incenso. Nesses dias nós éramos demasiado
pios para usar sangue, ou poderíamos ter feito melhor. Entretanto, o propósito do trabalho foi bem
sucedido. O Mestre recuperou-se, e está vivo até hoje - quinze anos depois."
(Buer is a presidentof hell and a demon of the second order who commands 50 legions. His form
is that of a five-branched star or wheel, and he moves by rolling himself. Buer teaches philosophy,
logic, and herbal medicine He is also skilled in curing the sick and giving good servants.)
Minha primeira experiência foi em 1993, quando, por coincidência, pouco antes de receber o
exemplar da Goetia que havia encomendado, tive um problema muito sério no banco onde trabalhava,
com o desaparecimento de alguns documentos. Os documentos haviam sido procurados por mais de
uma semana, em vão, e isso ia me custar quase um mês de salário, em tempos apertados.
Recebendo o livro, resolvi que já era hora da Magia ter algum resultado concreto. Selecionei e
invoquei o Espírito Phenex, disse o quê precisava, e guardei silêncio.
A minha esposa de então chegou em casa à noite. Quando fomos deitar, ela se sentiu inquieta e
perguntou, na lata, se eu havia invocado um demônio, pois estava "vendo" um, com forma humana,
usando um elmo, andando sobre uma placa em chamas. Tive sonhos apocalípticos a noite toda, e
acordei cedo com a inspiração de ir pessoalmente ao departamento de arquivo. Parecia que um fogo
intermitente me cercava e acompanhava... Quando cheguei no arquivo, o funcionário estava com os
documentos na mão. Repetiu várias vezes que tinha tido "uma intuição" e fora procurar no armário de
uma outra agência, onde, de fato, eles tinha sido guardados por engano.
( Phenex is the Thirty-seventh Spirit listed in the Goetia, who governs 20 Legions. He appears as a
singing bird phoenix, but will take on human form if commanded. He knows of science, is a poet, &
has hopes of returning to the Seventh Throne after 1200 years. )
Esse tipo de "impulso" de inspiração mágicka tem um correlato na descrição que Crowley deu
sobre uma outra invocação ainda no "The Revival of Magick":
"Como um exemplo, vou dar o uso que fiz de um dos talismãs de Abramelin "para ter livros de
magia." Quando eu o consagrei, fui infantil o bastante para esperar uma aparição instantãnea do
Gênio com chamas em sua boca e livros na sua mão. Ao invés disso, tudo o quê aconteceu foi que um
homem pediu para me ver com os livros que justamente eu precisava, para vender. O ponto desta
estória é que eu gastara semanas em todos os livreiros da Inglaterra tentando conseguir justamente
esses livros. E o homem não sabia nada disso; ele tinha vindo em um impulso."
As teorias sobre a natureza dos demônios são correlatas aquelas que apresentei sobre o Santo
Anjo:
1) São entidades supranaturais.
2) São projeções de nosso psiquismo.
3) São almas de seres humanos involuídos.
A primeira hipótese tem duas versões:
A) A versão talmúdica: os demônios são seres intermediários entre os homens e os anjos.
B) A versão cristã: eles são anjos caídos.
Entretanto, do ponto de vista prático, o conselho corrente é que o magista lide com eles como se
fossem aquilo que parecem ser: seres independentes. É sempre bom lembrar que um ritual e suas
91
conseqüencias nunca vão se conformar plenamente com a teoria. Como exemplo, lembro da vez que fui
auxiliar um Frater da Ordem em sua primeira invocação: o Espírito se manifestou antes de ser
chamado... O que nos leva de volta à citação no começo do texto: afinal, quem estava chamando quem?
O impulso daquele Frater em chamar o Espírito já não seria sua reação ao chamado que o Espírito lhe
fazia? Isso nos remete à todas as estórias terríveis sobre os infortúnios que caíram sobre as primeiras
pessoas que tiveram acesso à tradução do Livro de Abramelin, e a observação que Crowley fez na sua
auto-biografia, dizendo que "os espíritos de Abramelin não esperam ser chamados para aparecer."
Com o passar do tempo, fui deixando de lado os trabalhos com a Goetia, por uma questão de
economia iniciática: quando você deixa a planície da Magick e inicia a escalar a Montanha, toda sua
atenção e esforço se voltam para a tarefa difícil, da qual se desviar é sempre desastroso, cada vez mais
quanto mais alto se vai. Mas, embora com força e freqüencia cada vez menores, senti por bom tempo
"o chamado" da Goetia, encontrando situações que pareciam "pedir" por esse tipo de intervenção. E,
me parecia que, tendo uma vez aberto o caminho, bastaria um pensamento mais direcionado para que
aquelas energias realizassem meu desejo, o quê me levava a considerar com a maior atenção o
ensinamento de Crowley:
"O Único Supremo Ritual é a Realização do Conhecimento e Conversação com o Santo Anjo
Guardião. É a elevação do homem completo em uma linha vertical reta. Qualquer desvio desta linha
tende a se tornar magia negra. Qualquer outra operação é magia negra."
Entretanto, o sucesso dessa Obra é seguido, justamente, por uma invocação de TODOS os poderes
demoníacos... Lon Milo Duquette, membro proeminente da O.T.O., no seu livro "The Magick of
Thelema" explica:
"Sou frequentemente indagado por que a primeira coisa que o Magista faz após seis meses de
piedosa aspiração à "mais alta" realidade espiritual, é convocar os habitantes do Inferno. A resposta é
simples. Você não está operando em um vácuo. Assim como é acima, é abaixo. Seu Anjo desceu para
lhe garantir a graça da união. De forma a completar o circuito, você deve por sua vez descer e
transmitir a mesma graça para o mundo abaixo de você. Se você falha em redimir, controlar e treinar a
menagerie de sua natureza inferior, esses "demônios" vão ressurgir tão logo o brilho da presença do seu
Anjo tenha desvanecido, e vão literalmente "fazer o diabo" com você."
Crowley expressa um tom mais aristocrático no Magick:
"Não obstante, todo magista deve firmemente extender seu império ao fundo do inferno. 'Meus
adeptos estão erguidos, suas cabeças acima dos céus, seus pés abaixo dos infernos.”
Esta é a razão porque o Magista que realiza a Operação da Sagrada Magia de Abramelin o Mago,
imediatamente após alcançar o Conhecimento e Conversação com o Santo Anjo Guardião, deve
invocar os Quatro Grandes Príncipes do Mal do Mundo.
“Obediência e fé para Ele que vive e triunfa, que reina acima de você em seus palácios como a
Balança da Retidão e da Verdade é a sua obrigação para com seu Santo Anjo Guardião, e a obrigação
do mundo demoníaco para com você. "
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Thelema e Vida
No mundo pré-científico, a fronteira entre a Física e a Metafísica não era um salto sobre abismos. Havia
uma continuidade onde a presença do divino se fazia sentir a todo instante: no raio que Heféstos forjava e Zeus
lançava, no Sol, na Lua, na chuva. Sobre essa intuição religiosa primitiva, Platão e Aristóteles raciocinaram um
Demiurgo que modelava as Idéias Perfeitas na Matéria-Prima e o Motor Imóvel que a tudo movia. Com a ajuda
de intermediações como a Alma do Mundo ou as Esferas Planetárias, ainda era ao transcendente que tudo se
remetia na origem.
Pequenos pedaços de vidro terminaram com esses devaneios. O ser humano enxergou as luas de Júpiter e o
espermatozóide. O movimento das coisas não vivas decorre das características da matéria e da energia, pode ser
calculado e previsto. Os deuses recuaram para o arquétipo de nosso inconsciente.
Ainda por um tempo a falha da educação vai permitir que as pessoas desfavorecidas acreditem em Adão e
Eva, neguem o Pithecantropus e enriqueçam padres e pastores. Não é para esses que escrevo. Mas ainda resta um
mistério para abrigar a mão da Providência: o teleologismo da Vida.
As argumentações a partir da Vida são antigas e tradicionais em Filosofia e Religião. No século XII Ibn
Pakuda, no seu tratado sobre as Dez Portas, seguia orientações platônicas e aristotélicas quando colocava a
Compreensão como etapa primeira no alcance da sabedoria divina: olhando a perfeição das coisas, o homem
acaba por perceber a necessidade de uma Thelema, uma Vontade, pela qual as coisas foram orientadas. O
93
argumentoainda é útil: ao falar de uma prova racional de Deus, o líder bahai Abdul Baha argumentou:
"Aqueles informados em filosofia divina respondem que existem três teorias de composição: primeiro,
composição acidental; segundo, composição involuntária; terceiro, composição voluntária.
Se nós declaramos que a construção é acidental, isto é logicamente uma falsa teoria, porque então teríamos que
acreditar em efeito sem causa; nossa razão recusa a pensar em um efeito sem uma causa primária.
A segunda, composiçào involuntária, significa que cada elemento tem dentro de si uma função inata deste poder
de composição - certos elementos fluíriam em direção de outros, sua união sendo uma necessidade inerente de
seus seres. Mas se nós raciocinamos que há uma necessidade inerente desses elementos de entrarem em
composição não deveria haver nenhuma necessidade de decomposição; entretanto, se nós observamos que há
um processo de decomposição, concluímos que os elementos constitutívos da vida não entram nem
involuntariamente e nem acidentalmente em composição - e isto significa que as infinitas formas de organismos
são compostos através de uma vontade superior, a vontade eterna, a vontade do vivente e auto-subsistente
Senhor.
Esta é uma prova racional de que a vontade do Criador é efetivada através do processo de composição.
Ponderem sobre isto e se esforcem para compreender seu significado, de maneira que possam passar a outros;
quanto mais vocês pensarem sobre isto, maior será seu grau de compreensão. Louvado seja Deus que vos dotou
com um poder através do qual vocês podem penetrar mistérios. Verdadeiramente, enquanto vocês refletem
profundamente, deliberam ponderadamente e pensam continuadamente, as portas do conhecimento serão
abertas para vocês."
A Divina Filosofia
É claro que todas essas argumentações podem ser questionadas também racionalmente, ponto por ponto;
isso já foi feito muitas vezes, até que Kant enterrou a discussão indicando claramente que essas antinomias só
poderiam ser decididas através de um contato direto com a suposta realidade metafísica; como esse contato não
seria possível, a Metafísica não podia mais ser afirmada como possibilidade de conhecimento certo.
Mas existe um ponto onde ainda é possível salvar a possibilidade da Metafísica na percepção das coisas.
Esse ponto não é a origem da vida: experiências recentes mostraram que seria possível o surgimento de células
primitivas em circunstâncias específicas. Ou seja: já não vemos aqui a necessidade do dedinho de Deus. Mas o
que ainda escapa é o aparente teleologismo da evolução. A hipótese de uma seleção natural de mutações é
insuficiente, já que as mutações ocorrem raramente e de forma aleatória.
A hipótese da seleção de mutações não explica como células idênticas se reuniram e se modificaram para
dar origem a seres multicelulares; o grau de complexidade de um ser multicelular não pode ser atribuído ao
acaso. Começam a perceber como os argumentos de Abdul Baha tornam-se novamente válidos? Para transformar
um peixe em um réptil e um réptil em uma ave, milhares de modificações técnicamente perfeitas tiveram que
acontecer, sem que os animais em questão tivessem consciência, vontade e conhecimento sobre o processo. Não
existiu uma amostragem extraordinária de mutações aleatórias, misteriosamente desaparecidas sem rastro, que
levaram ao colibri e ao ser humano: os registros paleontológicos mostram, sim, um processo que, passo a passo,
foi aumentando a massa cerebral dos hominídeos até chegar a essa coisa maravilhosa que hoje detona tudo. Não
existem registros fósseis de várias mutações fracassadas, das quais seríamos o resultado de uma pequena
amostragem bem-sucedida a cada etapa.
É claro que é possível que o desenvolvimento da Vida e da Consciência sejam fenômenos puramente
naturais, que a Física ainda vai descortinar; é possível que, afinal, a Ciência mate de vez a velha quimera da
Religião e sua cria a Metafísica; mas, hoje, ainda há mistério.
Mas a Thelema do Universo é, afinal, o Grande Arcano da Magick, e todas as operações do Magista não o
levarão a lugar algum se não o levam a ela. E, se ela não existe, de fato não há para onde ir, e tudo é como
sempre foi... enjoy the ride.
Mais tarde vou indagar sobre as hipóteses do que seria o Conhecimento e Conversação com o Santo Anjo
Guardião, a Visão da Beleza ou a Descoberta da Verdadeira Vontade, nomes e mais nomes dados a esse segredo
que, estando em tudo, a tudo escapa.
94
“The knowledge of the self and the Supreme Self is very confidential and mysterious, but such
knowledge and specific realization can be understood if explained with their various aspects by the Lord
himself.”
‘Srimad-Bhagãvatan
O Santo Anjo Guardião
Dizem que, tendo convidado Plotino ao seu templo, onde afirmava poder identificar o espírito guardião de
uma pessoa, um mago que fazia moda em Roma se assombrou ao ver que o filósofo era protegido por um deus...
Espíritos guardiães são mais um traço da religiosidade primitiva que sobreviveu aos nosso dias. Trata-se de
uma recriação arquetípica já presente nos "amigos invisíveis" que as crianças inventam. Nas práticas xamânicas
um espírito animal deve ser buscado, que passará a orientar e proteger.
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A busca por esse animal de poder, ou espírito protetor, encontra-se em todas culturas primitivas e foi sendo
reelaborada com o tempo. No mundo greco-romano magos e místicos de variadas tendências se referiam ao
Agathodaimonos, o Bom Daimon, que, no caso de algumas pessoas, bem podia ser uma divindade. Na Cabala
contemporãnea do Halevi, acredita-se que pessoas encarregadas de alguma grande missão em prol da
Humanidade passam à proteção, não de um simples Anjo, mas do Arcanjo apropriado. Existe uma idéia similar
em Thelema, quando se diz que o Magister Templi “cai” em uma Sephirah adequada ao Trabalho que irá
desenvolver junto à Humanidade (cada Sephirah estando sob o comando de um Arcanjo).
Em Magick, a idéia recebeu a roupagem tirada do livro medieval "A Magia Sagrada de Abramelin", com
Crowley adotando a partir daí a expressão "Conhecimento e Conversação com o Santo Anjo Guardião".
Curiosamente, a razão dada por ele foi:
"Deixe-me declarar esta Obra sob este título: 'A obtenção do Conhecimento e Conversação do Santo Anjo
Guardião', porque a teoria implicada nestas palavras é tão patentemente absurda que apenas os simplórios
desperdiçariam muito tempo analizando-a. Ela seria aceita apenas como uma convenção, e ninguém iria
incorrer no grave perigo de construir um sistema filosófico sobre ela."
Magick
Eu, por outro lado, com minha mania cabalística, tendo a querer ver significado em todo e cada termo, por
isso, considero se "Conhecimento" e "Conversação" não se referem a duas etapas distintas dentro desse
processo...
Mas, ao que se referem realmente todos esses termos e práticas?
A primeira coisa que percebemos é que as referências são sempre à uma experiência recorrente, que aparece
em toda parte e em todos os tempos. Os símbolos usados nas narrativas indicam um evento chave, após o qual a
pessoa, e sua vida, mudam, ganhando uma nova importância social: Moisés e a visão de Deus na sarça ardente;
Paulo a caminho de Damasco; Maomé e o Anjo Gabriel; Swedenborg e sua visão do Senhor Cristo; Crowley e
Aiwass.
O quê quer que tenha acontecido a essas pessoas, as levou a querer partilhar, de alguma forma, com as
demais. Crowley, entretanto, foi o primeiro a perceber que as tentativas anteriores falharam na medida em que
decaíram de uma experiência mística-mágicka particular em uma codificação dogmática, cujos ritos eram
ineficientes para que o fenômeno inicial se repetisse. Toda a teoria e prática do seu sistema de Magick foram
desenvolvidas com o objetivo de que cada pessoa conseguisse para si essa mesma experiência.
Entretanto, nem mesmo Crowley foi capaz de dar uma respostasatisfatória sobre a natureza do fenômeno.
Seus escritos parecem favorecer interpretações diferentes:
1) O Santo Anjo é uma entidade supranatural.
2) O Santo Anjo é um estado de consciência superior.
3) O Santo Anjo é um ser humano superior, talvez mesmo ainda encarnado.
Eu acrescentaria uma quarta hipótese:
4) O Santo Anjo é uma criação mágicka, resultante de todas a aspirações e práticas do Magista.
O "Conhecimento e Conversação com o Santo Anjo Guardião" é também associado à Verdadeira Vontade
do Magista, que seria a descoberta do seu eu mais íntimo e da sua forma mais adequada de ação no Mundo. Isto
parece favorecer a segunda hipótese; passagens do Magick in Theory and Practice suportam isso quando, por
exemplo, Crowley afirma que a recuperação da Memória Magicka* é fator prioritário no desenvolvimento
mágicko, permitindo que se perceba, etapa por etapa, todas as tentavivas passadas de manifestação. Essa
anamnese também é indicada na presente vida, onde uma análise cuidadosa de nosso passado pode indicar a
natureza de nossa Verdadeira Vontade. Em Astrologia, isso pode ser buscado na análise dos temas principais do
mapa natal e na colocação do Almutem** . O Almutem fornece uma chave de interpretação planetária,
indicando a natureza particular de nosso Anjo, e também a forma como essa vontade se manifesta, pela Casa
Astrológica em que o mesmo se encontra e pelas Casas que rege.
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Crowley defendia uma teoria da encarnação semelhante à do poeta John Keats (1795-1821). Crowley
escreveu:
"Todos os elementos devem ter estado em um momento separados. - Este seria o caso com um grande
calor. - Agora, quando Átomos vêm ao sol, nós temos este imenso, extremo calor, e todos os elementos são eles
mesmos de novo. Imagine que cada átomo de cada elemento possua a memória de todas as suas aventuras em
combinação. Desta forma, este átomo (fortificado com essa memória) não seria o mesmo átomo; ainda assim ele
é, porque não ganhou nada de parte alguma exceto esta memória. Portanto, pelo lapso de tempo, e pela virtude
da memória, uma coisa pode se tornar algo mais do que si mesma; por isto um real desenvolvimento é possível.
Pode-se então ver uma razão para cada elemento decidir ir através de uma série de encarnações, porque assim,
e só assim, pode ele ir; e ele sofre o lapso da memória que têm durante essas encarnações, porque ele sabe que
irá atravessar imutável.
Portanto você pode ter um infinito número de Deuses, individuais e iguais embora diversos, cada um supremo e
totalmente indestrutível. Esta é também a única explicação de como um Ser poderia criar um mundo onde
Guerra, Mal, etc., existem. O mal é apenas uma aparência porque, (como o Bem) não pode afetar a própria
substância, mas apenas multiplicar suas combinações."
Magick
E Keats, em uma carta escrita pouco tempo ante de morrer:
"O cognome comum deste mundo entre os desviados e supersticiosos é "um vale de lágrimas", do qual
somos redimidos por uma certa arbitrária interposição de Deus e levados para o Céu. Que noção pequena,
circunscrita e simplista !
Chame o mundo, se lhe agradar, "o Vale da Formação das Almas" ( "the Vale of Soul Making"). Então você
encontrará a utilidade do mundo....
Pode haver inteligências e centelhas de divindade em milhões - mas elas não são Almas até que elas
adquiram identidades, até cada uma ser uma personalidade ela mesmo.
Inteligências são átomos de percepção - elas sabem e elas vêem e elas são puras, ou seja elas são Deus.
Como então são as Almas feitas? Como então essas centelhas que são Deus têm a identidade dada a elas - de
forma a sempre possuírem um êxtase peculiar à cada existência individual. Como, se não por meio de um mundo
como este?
Este ponto eu desejo sinceramente considerar, porque eu penso ser um sistema maior de salvação do que a
religião Cristã ... ou, melhor, ele é um sistema de Criação Espiritual...
Eu posso expressar mal o quê eu apenas percebo um pouco - e mesmo assim eu penso que o percebo - para
que você julgue mais claramente vou colocá-lo da forma mais familiar possível. Eu vou chamar o mundo uma
escola instituída para o propósito de ensinar pequenas crianças a ler. Vou chamar o coração humano o caderno
usado nessa escola. Eu vou chamar a alma apta a ler, a alma feita desta escola e seu caderno.
Você vê quão necessário um mundo de dores e problemas é para educar e fazer uma alma? Um lugar onde o
coração deve sentir e sofrer em mil diversas maneiras...
Tão variadas como são as vidas dos homens - tão variadas se tornam suas almas, e assim Deus faz seres
individuais, almas, almas idênticas das centelhas de sua própria essência.
Isto parece para mim um esboço vago de um sistema de salvação que não afronta nossa razão e
humanidade."
É claro que a noção crowleyana de uma mônada simples que se modifica através das experiências da vida,
como também queria Keats, não leva em consideração que uma unidade simples não poderia abrigar as
complexas alterações que fazem uma memória... Teríamos que considerar que a criação dos agregados budistas
ao redor da mônada de Crowley* seja, então, a solução teórica, a qual também concordaria com a proposta de
Keats.
Deixo aos bio-metafísicos a dificuldade de explicar como a nossa memória, resultado de elaborada
modificação molecular dentro de uma quantidade fantástica de células, que criam centenas de novas sinapses a
cada parágrafo de leitura, pode ser copiada fielmente em algum substrato "espiritual"... Afinal, como bem
pensaram os estóicos, se a alma não for também de natureza material, como pode ser modificada em sua relação
com o corpo?
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Post Scriptum: Algum tempo após ter escrito este texto, vim a reencontrar várias referências
feitas por Aleister Crowley ao Santo Anjo Guardião nas cartas publicadas na obra Magick Without
Tears, onde ele afirma com veemência a objetividade do Santo Anjo Guardião. De fato, é o tema
exclusivo de uma delas (“The Holy Guardian Angel: An Objective Individual”), onde encontramos:
“(…) for I believe that the Holy Guardian Angel is a being of this order. He is something
more than a man, possibly a being who has already passed through the stage of humanity, and his
peculiarly intimate relationship with his client is that of friendship, of community, of brotherhood, or
Fatherhood. He is not, let me say with emphasis, a mere abstraction from yourself; and that is why I
have insisted rather heavily that the term “Higher Self” implies “a damnable heresy and a dangerous
delusion.”
Magick Without Tears foi escrita no final da sua vida, mas, ainda assim, o tema é
contraditório. Crowley identificava seu Anjo com a Inteligência que lhe ditou o Liber Legis em 1904,
em relação ao qual ele escreveu no Magick – Book Four:
“I now incline to believe that Aiwass is not only the God or Demon or Devil once held holy in
Sumer, and mine own Guardian Angel, but also a man as I am, insofar as he uses a humam body to
make His magical link with Mankind, whom He loves, and that He is thus an Ipsissimus, the Head of
the A.:A.:.”
Mas, a Instrução mais importante para se atingir o Conhecimento e Conversação com o Santo
Anjo Guardião deixada por ele, Liber Samekh, descreve a experiência como um extase místico:
“But, all being dead to sense, who then is able to strive against the Angel? He shall intensify
the stress of his Spirit so that his loyal legion of lion-Serpents leap from the ambush, awakening the
Adept to witness their Will and sweep him with them in their enthusiasm, so that he consciously
partakes their purpouse, and sees in its simplicity the solution of all his perplexities. Thus then shall the
Adept be aware that he is being swept away through the column of his Will-Symbol, and that his Angel
is indeed himself, with intimacy so intense as to become identity, and that not in a single Ego, but in
every unconscious element that shares in that manifold uprush.This rapture is accompanied by a tempest of brilliant light, almost always; and also in many
cases by an outburst of sound, stupendous and sublime in all cases, though its character may vary
within wide limits.”
O que é, sem dúvida, muito diferente do contato feito com Aiwass no Cairo, que Crowley
também descreve no Book Four:
“I had a strong impression that the speaker was actually in the corner where he seemed to be,
in a body of “fine matter”, transparent as a veil of gauze, or a cloud of incense-smoke. He seemed to
be a tall, dark man in his thirties, well-knit, active and strong, with the face of a savage king, and eyes
veiled lest their gaze should destroy what they saw. The dress was not Arab; it suggested Assyria or
Persia, but very vaguely. I took little note of it, for to me that time Aiwass was an “Angel” such as I
had often seen in visions, a being purely astral.”
O grande problema com as asserções, tanto de Crowley quanto de qualquer kardecista de
quintal, é o fato tão simples de que, do Neolítico até hoje, nenhum ser “praeter-humano” jamais foi
capaz de provar sua realidade objetiva. Eu posso provar a minha, por exemplo, comunicando
informação precisa que meu interlocutor desconhece e que podem ser comprovadas, como, por
exemplo, o nome de meus avós, uma coisa tão simples!, mas que Chico Xavier, Aiwass, os anjos de
Swedenbourg, os Mahatmas de Blavastky e o espírito da tia Nenzinha não alcançam.
Crowley pensou ter encontrado essas provas nas cifras cabalísticas do Liber Legis e nas
supostas profecias a elas relacionadas, notadamente a descoberta da Chave da Lei 31 descoberta por
Frater Achad. A confiança de Crowley neste tipo de técnica era grande. Um exemplo dado por ele no
Confessions:
“The Angel of the twenty-seventh Aethyr said: “The word of the Aeon is MAKHASHANAH
.” I imediatelly discredit him; because I knew that the Word of the Aeon was, on contrary,
ABRAHADABRA. Inquiry by the Holy Qabalah then showed me that the two words had the same
numerical value, 418. The apparent blunder was thus an absolute proof that the Angel was right. Had
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he told me that the word was ABRAHADABRA, I should have thought nothing of it, arguing
that my imagination might have put the words in his mouth.”
A ingenuidade de Crowley o fazia ignorar que nosso subconsciente é capaz de cálculos muito
mais complexos, e que, para a mente de alguém capaz de jogar várias partidas simultãneas de xadrez de
olhos vendados, e que tinha de cor e salteado, graças a anos de prática, todas as correspondências da
Santa Qabalah, receber do subconsciente uma palavra de mesmo valor numérico não era só fácil, mas
até esperado. Exemplos como os do matemático Clerk Maxwell, que precisava que outros provassem
suas fórmulas, atestam isso.
Fechemos os Livros de Magick, então?
Not so fast.
Na seqüencia da minha Recepção na A.:A.: em Novembro de 2004, simplifiquei minhas
práticas e passei a realizar apenas o Rubi Estrela e o Liber Samekh. Os resultados que venho obtendo
tem me dirigido à uma outra interpretação do fenômeno; posso, por hora, afirmar então, a partir da
minha própria experiência, que “by doing certain things results will follow”. Mas, como simples
Probationista, me atenho a que “students are most earnestly warned against attributing
objective reality or philosophic validity to any of them.”
O Almutem Figuris 5
A Note on Levi s Baphometh17
Fábulas Psicológicas18
A Astrologia Funciona?21
Sympathy for the Devil
O Necronomicon
A REVELAÇÃO DA FORÇA
FÁBULAS PSICOLÓGICAS
O APOCALIPSE DE AVE