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Pontifícia Universidade Católica do Paraná - Campus Londrina
 Escola de Direito
 Ano: 2021 - Semestre: 2º Semestre
 Profa. Me. Roberta Carolina Afonseca
PROBLEMA
Túlio, nascido em 01/01/1996, primário, começa a namorar Joaquina, jovem que recém completou 15 anos. Logo após o início do namoro, ainda muito apaixonado, é surpreendido pela informação de que Joaquina estaria grávida de seu ex-namorado, o adolescente João, com quem mantivera relações sexuais. Joaquina demonstra toda a sua preocupação com a reação de seus pais diante desta gravidez quando tão jovem e, em desespero, solicita ajuda de Túlio para realizar um aborto. Diante disso, no dia 03/01/2014, em Porto Alegre, Túlio adquire remédio abortivo cuja venda era proibida sem prescrição médica e o entrega para a namorada, que, de imediato, passa a fazer uso dele. Joaquina, então, expele algo não identificado pela vagina, que ela acredita ser o feto. Os pais presenciam os fatos e levam a filha imediatamente ao hospital; em seguida, comparecem à Delegacia e narram o ocorrido. No hospital, foi informado pelos médicos que, na verdade, Joaquina possuía um cisto, mas nunca estivera grávida, e o que fora expelido não era um feto. Após investigação, no dia 20/01/2014, Túlio vem a ser denunciado pelo crime do Art. 126, caput, c/c. o Art. 14, inciso II, ambos do Código Penal, perante o juízo do Tribunal do Júri da Comarca de Porto Alegre/RS, não sendo oferecido qualquer instituto despenalizador, apesar do reclamo defensivo. A inicial acusatória foi recebida em 22/01/2014. Durante a instrução da primeira fase do procedimento especial, são ouvidas as testemunhas e Joaquina, assim como interrogado o réu, todos confirmando o ocorrido. As partes apresentaram alegações finais orais, e o juiz determinou a conclusão do feito para decisão. Antes de ser proferida decisão, mas após manifestação das partes em alegações finais, foram juntados aos autos o boletim de atendimento médico de Joaquina, no qual consta a informação de que ela não estivera grávida no momento dos fatos, a Folha de Antecedentes Criminais de Túlio sem outras anotações e um exame de corpo de delito, que indicava que o remédio utilizado não causara lesões na adolescente. Com a juntada da documentação, de imediato, sem a adoção de qualquer medida, o magistrado proferiu decisão de pronúncia nos termos da denúncia, sendo publicada na mesma data, qual seja, 18 de junho de 2018, segunda-feira, ocasião em que as partes foram intimadas. Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a) de Túlio, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus, apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada no último dia do prazo para interposição, considerando-se que todos os dias de segunda a sexta-feira são úteis em todo o país.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA _ VARA CRIMINAL DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA DE PORTO ALEGRE, RIO GRANDE DO SUL
Processo nº xxxxx
TÚLIO, conforme já qualificados nos autos do processo em epígrafe, e devidamente representado por seu advogado, conforme procuração em anexo, devido a inconformidade da atual decisão, vem perante Vossa Excelência, interpor este RECURSO EM SENTIDO ESTRITO, com fulcro encontrado no art. 581, IV, do Código de Processo Penal.
Deverá ser recebido e processado o presente recurso, por ser oportuno a recorrer ao instrumento da retratação e que assim seja procedido, conforme os termos do art. 589 do Código de Processo Penal.
Se mantido a decisão, fico a requerer que os autos sejam submetidos, já com a inclusão das razoes, diretamente ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul.
Nestes termos,
Pede e aguardo deferimento.
Rio Grande do Sul, 25 de junho de 2018
Advogado, OAB/XXXX
EGRÉGIO TRIBUNAL E JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Recorrente: Túlio
Recorrido: Ministério Publico
Autos nº xxxxxxx
RAZOES DE RECURSO EM SENTIDO ESTRITO
COLÊNDA CÂMARA CRIMINAL
I – BREVE SINTESE DOS FATOS
Tulio atuando como recorrente, foi denunciado pela tentativa dos crimes previsto no art. 126, caput, c/c o art. 14, II do Código Penal, pois teria comprado remédio abortivo para que sua namorada pudesse vir a fazer o uso de tal medicação. 
Em sede de audiência de instrução e julgamento foram ouvidas todas as testemunhas, assim como Joaquina, e também com o réu, do qual todos passaram a confirmar o ocorrido. Posteriormente foi apresentado pelas partes suas alegações finais de maneira oral, o qual o juiz acabou por determinar a conclusão proferindo decisão e assim procedendo com a intimação das partes da decisão na data de 18 de junho de 2018.
II – DO DIREITO 
Quanto a Preliminar da Prescrição
Quanto a prescrição, deve ser considerado os crimes em que o réu está sendo denunciado, e que por se tratar dos artigos 126 c/c 14, II do Código Penal, observa-se a pena máxima do qual seria para estes delitos de 04 anos, o que acabaria prescrevendo em 08 anos, conforme o art. 109, IV do Código Penal. 
O presente prazo prescricional deverá ser diminuído pela metade, pois deve ter em vista que na data dos fatos, o réu era menor de 21 anos, pois o mesmo nasceu em 01 de janeiro de 1996, possuindo 19 anos na data dos fatos. Assim conforme o art. 115 do Código Penal, passando de 08 para a metade de 04 anos. 
Observa-se que referente a data do recebimento da denúncia no dia 22 de janeiro de 2014 e a decisão da confirmação da pronuncia no dia 18 de junho de 2018, extrapola o prazo de 04 anos assegurado pelo art. 115 do Código Penal, devendo assim ocorrer extinção da punibilidade do réu, conforme vislumbra o art. 107, IV do Código de Processo Penal. 
Quanto a Preliminar de Suspensão Condicional do Processo
Deve ser trazido a esta preliminar o instituto do art. 89 da lei 9.099/95, para que garante a suspensão condicional do processo, instituto este que não foi cedido ao réu após a defesa ter mencionado em sua tese. 
Restou caracterizado que a pena mínima do acusado não excedeu um ano, e juntamente por preencher os requisitos do art. 77 do Código Penal, devera assim ser assegurado a aplicação do referente instituto, garantindo assim a suspensão condicional do processo. 
Quanto a Preliminar da Nulidade
Quanto a Nulidade observa-se a explicita violação do art. 5º, LV da CRFB, que assegura o princípio da ampla defesa e contraditório, perante os meios e recursos que a ela é inerente. Pois após as alegações finais resta aos autos a juntada de documento de atestado médico, a folhas de antecedentes criminais do réu, juntamente com o exame de corpo de delito que teria sido realizado, que de imediato proferiu decisão de pronuncia. 
Diante disso, passo a requerer o reconhecimento desta nulidade, pois é de conhecimento que o contraditório constitui elemento essencial do ato, devendo assim ser refeito, conforme o art. 564, IV, do Código de Processo Penal. 
Do Mérito Quanto ao Crime Impossível
Como já mencionado anteriormente, o réu está sendo denunciado pelas práticas previstas nos artigos 126, caput c/c 14, II do Código Penal, pois acusado de comprar medicação abortiva para matar supostamente o feto que ali fecundava. 
Porem através de informação da equipe medica, e do exame de corpo de delito (já devidamente juntado aos autos), consta o fato de que a namorada do réu nunca estivera gravida, que o que supostamente achavam que seria um feto, na realidade era apenas um cisto do qual teria sido expelido através da medicação. 
Diante destes fatos passo a fazer a fundamentação do qual recai a pratica de crime impossível, pois para que possa ser classificado como aborto, o bem jurídico que neste caso é tutelado é o feto, e não um cisto, do qual assim não poderá vir a ser tutelado. 
Desta forma, conforme o art. 17 do Código Penal, a conduta do réu resta considerada atípica, do qual por fim não deverá ser responsabilizado pela tentativa devendo assim ser procedido com a absolvição do mesmo, conforme o art. 415, III do Código de Processo Penal.III – DOS PEDIDOS
Diante dos fatos e fundamentos acima expostos, passo a requerer a retratação a decisão com o devido provimento deste recurso, para que: 
a) Seja declarada a extinção da punibilidade do réu, conforme o art. 107, IV do Código Penal;
b) Seja declarado a nulidade pelo fato de não ter sido oferecido a suspensão condicional do processo, do qual não foi posto em observância o art. 89 da lei 9.088/95;
c) Reconhecimento da nulidade da decisão de pronuncia do réu, viso que foi violado o princípio do contraditório e ampla defesa, assegurado ao réu pelo art. 5º, LV da CRFB/88;
d) Absolvição do réu, conforme o vislumbre do art. 415, III, do Código Penal;
e) Caso vier a haver dúvidas quanto a materialidade do delito, de forma subsidiariam, deverá o réu ser impronunciado. 
Nestes termos, 
Pede e aguarda deferimento. 
Rio Grande do Sul, 25 de junho de 2018
Advogado, OAB/XXXXX

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