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Eletricidade (ELEE4) Prof. João Paulo Crivellaro de Menezes 2º semestre / 2021 • Resistência Ao ligarmos as extremidades de um fio nos polos de uma bateria, por exemplo, estamos submetendo-o a uma tensão Esta ação resulta em um fluxo de cargas ordenado, a corrente elétrica através do fio Entretanto, há outros fatores que influenciam a circulação de corrente em um circuito, podendo fazer com que seja mais ou menos intensa É importante entender que: A passagem de corrente elétrica em um material sempre sofre uma oposição devido aos componentes do circuito • Resistência Essa oposição ao fluxo de cargas ocorre devido à colisão entre elétrons e entre elétrons e átomos do material Assim, através desse fenômeno acontece a transformação da energia elétrica em outro tipo de energia A essa oposição que o material e os dispositivos oferecem à passagem de corrente elétrica dá-se o nome de resistência A unidade de medida da resistência no SI é o ohm (Ω) e, em um circuito, ela será representada pela letra R Essencialmente, a resistência acaba por converter a energia elétrica em calor (energia térmica), aumentando a temperatura do dispositivo e do meio onde está inserido • Resistência Cada material apresenta uma resistência distinta, permitindo estabelecer uma maior ou menor corrente elétrica sob mesmas condições de tensão Assim, diferentes materiais apresentam diferentes níveis de resistência, mas que dependem de alguns fatores comuns: 1) Material 2) Comprimento 3) Área da seção transversal 4) Temperatura do material • Resistência Essas grandezas se relacionam de forma que, a uma temperatura de 20º C: 𝑅 = ρ 𝑙 𝐴 (ohms, Ω) resistência resistividade comprimento área da seção Para um fio circular: Quanto maior a resistividade (𝜌), maior será a resistência Quanto maior o comprimento do fio (𝑙), maior será a resistência Quanto maior a área da seção reta do condutor (𝐴), menor será a resistência Quanto maior a temperatura do condutor ( 𝑡 ), maior será a resistência • Resistência 𝑅 = ρ 𝑙 𝐴 (ohms, Ω) A resistividade mede a resistência intrínseca de um material à passagem de corrente elétrica Ela pode ser medida em diferentes unidades, sendo as mais comuns: Ω.𝑚 (SI) Ω. 𝑐𝑚 Ω.𝑚𝑚2/𝑚 Há ainda tabelas que apresentam a unidade 𝐶𝑀 − Ω/𝑝é𝑠 • Resistência O CM refere-se à unidade de medida de área mils circulares É uma grandeza que aparece em algumas tabelas de fios comerciais e relaciona-se à definição da unidade mil: 1 𝑚𝑖𝑙 = 1 1000 𝑝𝑜𝑙 O mil é uma medida de comprimento e, define-se o mil circular como a área que possui um fio de diâmetro de 1 mil Portanto: 𝐴𝐶𝑀 = 𝑑𝑚𝑖𝑙𝑠 2 • Resistência OBSERVAÇÃO: 𝐴 = 𝜋𝑟2 = 𝜋𝑑2 4 Para calcular a seção do fio, lembrar do cálculo da área de um círculo: 𝑟 é o raio da circunferência 𝑑 é o diâmetro da circunferência • Resistência UNIDADES: Os valores da resistividade, comprimento e área podem ser dados em diferentes unidades de medida, sendo comuns: 𝑅 = ρ 𝑙 𝐴 (ohms, Ω) 𝜌 : Ω /cm 𝑙 : cm 𝐴 : cm2 𝜌 : Ω.𝑚𝑚2/𝑚 𝑙 : metro 𝐴 : mm2 𝜌 : Ω.𝑚 𝑙 : metro 𝐴 : m2 𝜌 : 𝐶𝑀 − Ω/pés 𝑙 : pés 𝐴 : CM • Resistência E como eu determino o valor da resistividade? Ou através de tabelas: 𝜌 = 𝑅𝐴 𝑙 • Condutores e Isolantes Além disso, a quantidade de elétrons na camada de valência bem como a formação de elétrons livres no meio também tem influência nas características de oposição (ou não) da passagem de corrente Dessa forma é possível classificar os materiais em: 1) Condutores 2) Isolantes 3) Semicondutores • Condutores e Isolantes 1) Condutores São materiais que apresentam poucos elétrons na camada de valência (menos do que quatro) Possuem fraca ligação entre os elétrons e o núcleo do átomo Apresentam facilidade em se obter elétrons livres, sendo um material de alta condutibilidade Permite a passagem de fluxo de elétrons a partir de uma tensão relativamente pequena Quanto maior o número de elétrons livres, maior a condutividade do material Exemplo: cobre, ouro, ferro • Condutores e Isolantes 2) Isolantes São materiais que apresentam grande quantidade de elétrons na camada de valência (mais do que quatro) Assim, apresentam átomos mais estáveis e com forte ligação entre os elétrons e seu núcleo Isso faz com que haja poucos elétrons livres e baixa condutibilidade, sendo necessária uma tensão elevada para estabelecer alguma corrente Exemplos: borracha, plástico, madeira • Condutores e Isolantes 3) Semicondutores Materiais que apresentam exatamente quatro elétrons na camada de valência Apresentam características elétricas intermediárias, comportando-se como isolantes ou condutores de acordo com a situação em que se encontram Em sua forma pura, quando submetidos a temperaturas mais baixas, comportam-se como bons isolantes Exemplos: silício e germânio À medida que sua temperatura é elevada sua condutividade aumenta e passam a apresentar características de materiais condutores • Influência da temperatura Temperatura Em materiais condutores o aumento de energia térmica gera um aumento de vibração dos átomos do material, dificultando o fluxo de elérons Assim, aumentando a temperatura aumenta-se a resistência do material Diz-se que os materiais condutores têm um coeficiente de temperatura positivo Condutores Isolantes Nos materiais isolantes o aumento da temperatura resulta na diminuição de sua resistência Ou seja, ele possui coeficiente de temperatura negativo Materiais condutores têm sua resistência aumentando praticamente linearmente com o aumento de temperatura Assim, é importante determinar a resistência a qualquer temperatura Uma aproximação bem aceita parte da curva do efeito da temperatura sobre a resistência do cobre (ou qualquer material condutor) Temperatura absoluta inferida • Influência da temperatura Aproxima-se a curva da reta tracejada, obtendo um resultado bem aceitável e preciso Tomando-se duas temperaturas (T1 e T2) e suas respectivas resistências (R1 e R2), aplica-se a semelhança de triângulos: 234,5 + 𝑇1 𝑅1 = 234,5 + 𝑇2 𝑅2 • Influência da temperatura O valor de – 234,5º C é conhecida como temperatura absoluta inferida do cobre Diferentes materiais apresentarão diferentes temperaturas absolutas inferidas (cruzarão o eixo das abcissas em um valor de temperatura distinto) De forma geral: 𝑇 + 𝑇1 𝑅1 = 𝑇 + 𝑇2 𝑅2 onde 𝑇 é a temperatura absoluta inferida do material em questão • Influência da temperatura Coeficiente de temperatura da resistência Trata-se de uma segunda equação para o cálculo da resistência do condutor a diferentes temperaturas Calcula-se o coeficiente de temperatura da resistência à 20º C: 𝛼20 = 1 𝑇 + 20°𝐶 Obtém-se então a resistência R1 para a temperatura T1 através de: 𝑅1 = 𝑅20 1 + 𝛼20 𝑇1 − 20°𝐶 • Influência da temperatura Ω/°𝐶/Ω Como 𝑅20 é a resistência do condutor a 20º C, e 𝑇1 − 20°C é a variação da temperatura, é possível reescrever a equação como 𝑅1 = 𝑅20 1 + 𝛼20 𝑇1 − 20°𝐶 𝑅 = 𝜌 𝑙 𝐴 1 + 𝛼20∆𝑇 • Influência da temperatura 1) Se a resistência de um fio de cobre é 50 Ω a 20º C, qual será sua resistência a 100º C? • Exemplos Solução: Por se tratar de cobre, vimos que a temperatura absoluta inferida é de 234,5º C 234,5 + 𝑇1 𝑅1 = 234,5 + 𝑇2 𝑅2 234,5 + 20 50 = 234,5 + 100 𝑅2 254,5 50 = 334,5 𝑅2 254,5 𝑅2 = 334,5 × 50 𝑅2 = 16725 254,5 𝑅2 = 65,72 Ω • Exemplos 2ª Solução: Vamos inicialmente calcular o coeficiente de temperatura de resistência 𝛼20 = 1 𝑇 + 20°𝐶 𝛼20 = 1 234,5°𝐶 + 20°𝐶 𝛼20 = 3,929 × 10 −3 E agora: 𝑅1 = 𝑅20 1 + 𝛼20 𝑇1 − 20°𝐶 𝑅1 = 50 1 + 3,929 × 10 −3 100 − 20°𝐶 𝑅1 = 65,72 Ω 2) Se a resistência de um fio de alumínio à temperatura ambiente (20º C) é de 100 mΩ, a que temperatura sua resistência será de 120 mΩ? • Exemplos Solução: Sendo o fio de alumínio, devemos buscar sua temperatura absoluta inferida, que será de 236ºC 236 + 𝑇1 𝑅1 = 236 + 𝑇2 𝑅2 236 + 20 100 × 10−3 = 236 + 𝑇2 120 × 10−3 256 100 × 10−3 = 236 + 𝑇2 120 × 10−3 256 × 120 × 10−3 = 100 × 10−3 236 + 𝑇2 30,72 = 23,6 + 0,1 𝑇2 𝑇2 = (30,72 − 23,6) 0,1 𝑇2 = 71,2° 𝐶 3) Um resistor de 2,2 Ω deve ser construído a partir de um fio de nicromo. Se este fio tem diâmetro de 1/32 polegada, qual o comprimento de fio necessário? • Exemplos Solução: Inicialmente devemos buscar o valor da resistividade do nicromo, que será de 1,10 × 10−6 Ω.𝑚 ou 600 𝐶𝑀 − Ω/𝑝é𝑠 Independente da unidade de medida que utilizarmos, precisamos converter a medida do diâmetro para metros ou para mils Assim, por exemplo: 1 𝑝𝑜𝑙 = 0,0254 𝑚 1 32 𝑝𝑜𝑙 = 𝑋 𝑋 = 7,9375 × 10−4 𝑚 • Exemplos Se o diâmetro é de 7,9375 × 10−4 𝑚 a área, para um fio circular, será: Assim: 𝐴 = 𝜋𝑑2 4 𝐴 = 𝜋(7,9375 × 10−4)2 4 𝐴 = 4,9483 × 10−7 𝑚2 𝑅 = ρ 𝑙 𝐴 2,2 = 1,10 × 10−6 𝑙 4,9483 × 10−7 2,2 = 2,22 𝑙 𝑙 = 0,99 𝑚 ≅ 1 𝑚 • Exemplos 2ª solução: Tomando agora a resistividade de 600 𝐶𝑀 − Ω/𝑝é𝑠 . Calculando o diâmetro em mils: 1 𝑚𝑖𝑙 = 0,001 𝑝𝑜𝑙 𝑋 = 1/32 𝑝𝑜𝑙 𝑋 = 31,25 𝑚𝑖𝑙𝑠 Como nós vimos anteriormente: 𝐴𝐶𝑀 = 𝑑𝑚𝑖𝑙𝑠 2 𝐴𝐶𝑀 = 31,25 2 𝐴𝐶𝑀 = 976,56 𝐶𝑀 Assim: 𝑅 = ρ 𝑙 𝐴 2,2 = 600 𝑙 976,56 2,2 = 0,614 𝑙 𝑙 = 3,58 𝑝é𝑠 • Exemplos Comparando os resultados: Na primeira solução obtivemos 𝑙 ≅ 1 𝑚 e na segunda abordagem obtivemos 𝑙 ≅ 3,58 𝑝é𝑠 ou 1,09 𝑚