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Maria Raquel Tinoco Laurindo – MED 103 1 Dado é definido como um valor referente a um fato ou circunstância, ou seja, o número bruto que ainda não sofreu qualquer espécie de tratamento estatístico. Informação é entendida como o conhecimento obtido a partir dos dados, ou seja, o dado trabalhado ou o resultado da análise e combinação de vários dados implicando em uma intepretação. Todas as atividades realizadas por um Serviço de Saúde geram dados (estruturas, semiestruturas ou não estruturas) que podem produzir informações. A qualidade das informações é definida pela oportunidade, atualidade, disponibilidade, cobertura e acesso à informação o mais precocemente possível. → Gestão de informação gera conhecimento. Tríade da tomada de decisão: EPIDEMIOLOGIA Dinâmica de transmissão e distribuição da doença no tempo e no espaço Maria Raquel Tinoco Laurindo – MED 103 2 - Informação → As perguntas (corretas) indicam as informações que precisam ser obtidas. → Conhecer a situação, definir os objetivos que devem ser alcançados e, assim, embasar as tomadas de decisões. - Informações para apoiar as operações diárias – são aquelas usadas na rotina das instituições, por exemplo, prontuário eletrônico e sinais vitais. - Informações para acompanhar o progresso dos planos de ação – são aquelas usadas pela liderança imediata para acompanhamento dos projetos e ações. - Informações de tomadas de decisão – são aquelas utilizadas pela direção para avaliar a evolução dos resultados e o alcance das metas; estas informações podem tanto ser quantitativas quanto qualitativas. - Decisão → Baseada em dados relevantes. - Ação Sistemas de Informação da Saúde (SIS): É a base para a gestão dos serviços, pois contribui decisivamente para a formação de cenários nos quais os processos de tomada de decisão, orientam a implantação, acompanhamento e avaliação dos modelos de atenção à saúde e das ações de prevenção e controle de doenças, eficiência operacional e uso adequado dos recursos. Incidência: É a frequência de novos casos de uma determinada doença ou problema de saúde em um determinado tempo, oriundo de uma população sob risco de adoecer no início da observação (COSTA; KALE, 2009). A incidência de uma doença é o número de casos novos que iniciaram no mesmo local e período, por exemplo, na pandemia de Covid todo dia tem um relatório de quantos casos novos foram diagnosticados, isso é a incidência, e mede o risco coletivo de se adoecer. É uma linha longitudinal aonde tem período inicial e período final. Mortalidade, letalidade e sobrevida são conceitos derivados da incidência. A mortalidade é uma particularidade da incidência → medida dinâmica. Obs.: Constante potência de base 10 Prevalência: É uma medida estática que representa a aferição do número de casos existentes em uma população. Medida que contabiliza os casos existentes, independentemente de serem novos ou não, em uma determinada população. Geralmente abarca doenças crônicas como Diabetes, HAS, HIV, etc. Obs.: Constante potência de base 10 Maria Raquel Tinoco Laurindo – MED 103 3 Indicadores de Saúde: São parâmetros utilizados internacionalmente com o objetivo de avaliar a higidez dos agregados humanos, sob o ponto de vista sanitário. Fornece também os subsídios ao planejamento em saúde e acompanhamento das flutuações e tendências do padrão sanitário. Coeficiente: Relação entre o número de eventos reais e os que poderiam acontecer, multiplicando-se o resultado dessa relação pela base referencial do denominador (que é potência de 10). ❖ Tendências atuais: Epidemiologia clínica: MBE: Aplicação da epidemiologia no diagnóstico clínico e no cuidado direto do paciente, com maior rigor científico na prática médica. Epidemiologia social: Renascer do estudo da determinação social da doença, busca melhorar o atendimento à saúde da população, especialmente as mais subdesenvolvidas, de maneira multidisciplinar, procurando trabalhar na diminuição das desigualdades sociais e na prevenção de doenças. Medicina baseada em evidência: Fontes: LILACS, Medline, The Cochrane Library, PAHO, WHOUS, SciELO, SCOPUS, Up to Date. ❖ Fatores de Determinação em Saúde: Maria Raquel Tinoco Laurindo – MED 103 4 Modelo Biopsicossocial: • Visão integral do ser e do adoecer → dimensões físicas, psicológicas e sociais. • Formação do profissional → capacidade abrangente de atuação • Habilidade técnica → estabelecimento e vínculo adequado → comunicação efetiva. Raciocínio epidemiológico de Snow: • Descrição do comportamento da cólera segundo atributos do tempo, do espaço e da pessoa. • Busca por associações causais entre a doença e determinados fatores (exames e hipóteses). • A epidemiologia para Snow corresponde aos “estudos dos fatores que determinam a ocorrência e a distribuição da doença na população.” → hoje o conceito é bem parecido, porém mais amplo. Variáveis: Variáveis independentes abarcam fatores que sofrem influências, são particularidades como tempo, espaço e pessoa. As variáveis dependentes abarcam o desfecho em si (doença, não doença, morte, cronicidade ou cura). Variáveis irregulares têm características epidêmicas. → P2 1. Variáveis regulares e, portanto, previsíveis (tempo) → comportamento das frequências: variação sazonal, variação cíclica (maior espaço de tempo que a sazonal), variação secular (espaço de tempo de aproximadamente 10 anos). a. As principais são: tempo, espaço e pessoa. b. Tempo → variação regular ou irregular 2. Fatores demográficos e estilo de vida 3. Distribuição geográfica Perfil epidemiológico: Maria Raquel Tinoco Laurindo – MED 103 5 Quem adoeceu? Analisa características da pessoa: sexo, idade, raça, ocupação, hábitos alimentares e culturais, etc. Ex: O sarampo é mais comum na infância. Onde a doença ocorreu? Analisa a ocorrência de algum padrão espacial da doença → áreas específicas. Ex: diarreia infecciosa mais comum em áreas sem saneamento Quando a doença ocorreu? Avalia as tendências e o período de maior ocorrência da doença → velocidade da ocorrência. Ex: A dengue é mais comum no verão. Dinâmica de transmissão: Tríade Epidemiológica (hospedeiro/ agente/ ambiente) O conceito é bastante direcionado para doenças infecciosas, mas também se aplica a doenças crônicas. - Características do hospedeiro: idade, sexo, raça, religião, costumes, ocupação, estado civil, doenças anteriores, estado imunológico, antecedentes familiares, perfil genético. - Tipos de agentes: biológicos, químicos, físicos, nutricionais. - Fatores ambientais: temperatura, umidade, altitude, aglomeração, moradia, vizinhança, água, radiação, poluição, ruído, saneamento. Mapas de mortalidade por doenças do aparelho respiratório (RJ): 1979 – 1789: Apesar do estado do RJ ser relativamente pequeno (mesmo sendo bastante populoso), a mortalidade varia bem em cada cidade, mas se mantém relativamente alta em todo o estado → Atuação médica centralizada e focada em tratar doenças. 1989 – 1999: Atendimento médico descentralizado, mais amplo e preventivo → queda da incidência de doenças. Maria Raquel Tinoco Laurindo – MED 103 6 2000 – 2010: Evolução da queda da incidência de doenças no estado do Rio de Janeiro → resultado da promoção de saúde a longo prazo. Datas importantes para se contextualizar a análise dos mapas (acima): 1988 – Constituição Cidadã 1994 – Implantação do Programa de Saúde da Família → UBS como porta de entrada do cuidado da saúde → Promoção de saúde 2000 – Todos os municípios com a estratégia da UBS em prol de uma maior promoção de saúde 2010 – Resultados do investimento em promoção de saúde → resultados à longo prazo ❖ Variáveis As variáveis básicas abarcam o tempo, o espaço e a pessoa. • Regular – previsível → comportamentodas frequências o Variações regulares do tempo: tendência secular, variação sazonal e variação cíclica o Quando se sai dessa regularidade, temos irregularidades quanto a tempo → surtos, pandemias e endemias • Fatores demográficos → estilo de vida • Distribuição geográfica o Espaço → distribuição, composição e formação geográfica Em cima dessas variáveis básicas, tem-se outras classificações mais específicas. Classificação das variáveis: • Variável dependente → desfecho • Variável independente → fatores de exposição que podem levar ao desfecho • Variável quantitativa → passível de mensuração quantitativa Maria Raquel Tinoco Laurindo – MED 103 7 • Variável qualitativa → análise com base em dados estatísticos → qualidade de informação Variação regular: Gráfico histórico do combate à tuberculose na Inglaterra (acima). Tendencia secular: são as variações na incidência/prevalência ou mortalidade/letalidade (particularidades da incidência) de doenças observadas por um longo período de tempo, geralmente 10 anos ou mais. → avaliação de impacto. Tendência secular de crescimento em estrutura no município de Florianópolis (SC), Brasil, e sua associação com índice de desenvolvimento humano (IDH) (1963 a 2007). Variação sazonal: ocorre quando a incidência das doenças aumenta sempre, periodicamente, em algumas épocas ou estações do ano, messes do ano, dias da semana ou até em horas do dia. → dentro do mesmo ano (a sazonalidade não deixa de ser cíclica); normalmente está atrelada a estação do ano. Variação cíclica: são variações com ciclos periódicos e regulares. → acima de 2 anos. O comportamento cíclico das doenças resulta de recorrências nas suas incidências, que podem ser anuais ou de periodicidade mensal ou semanal. Na variação cíclica, portanto, um dado padrão é repetido de intervalo em intervalo. Maria Raquel Tinoco Laurindo – MED 103 8 Distribuição da doença no tempo e no espaço: Endemia: “Ocorrência de determinada doença que no decorrer de um largo período histórico, acometendo sistematicamente grupos humanos distribuídos em espaços delimitados e caracterizados, mantém a sua incidência constante, permitindo as flutuações de valores, tais como as variações sazonais.” → Doença habitualmente presente em uma população definida em um espaço definido. A faixa endêmica é importante saber o limite superior endêmico para saber se está havendo uma endemia; e o limite inferior pode indicar se essa doença está sendo erradicada. Para se construir um diagrama de controle, convencionalmente, pega-se o número de casos novos de todos os meses num período de 10 anos; soma-se todos os valores de cada mês (ex.:Jan1 + Jan2 + ... Jan10) e depois divide essa soma por 10 para se ter uma média. Calculada a média (medida de tendência central) desse mês, calcula-se depois o desvio padrão (medida de dispersão) → raiz quadrada da variância. Se em determinado mês dentro do espaço dos 10 anos houver uma epidemia, esse mês será desconsiderado (soma-se os outros 9 meses e divide por 9). A variância corresponde ao somatório do quadrado da diferença entre cada observação e a média dividido pelo número de observações. Obs.: O cálculo da variância populacional é obtido através da soma dos quadrados da diferença entre cada valor e a média aritmética, dividida pela quantidade de elementos observados. (fonte: internet) Monitoramento e controle: - Detectar precocemente mudanças na frequência das doenças - Métodos estatísticos de análise de séries temporais - Diagrama de controle (baseado na distribuição normal ou em quartis) → frequentemente utilizado • Método gráfico para acompanhamento da evolução temporal das doenças • Com sua construção é possível detectar possíveis alterações na distribuição habitual da doença e adotar prontamente medidas de controle • Para a construção do diagrama plota-se nas ordenadas (eixo Y) a taxa de incidência da doença e nas abscissas (eixo X) o intervalo de tempo utilizado (semanas ou meses). • Distribuição normal: o Calcula-se a incidência média mensal de um período anterior, geralmente 10 meses de janeiros anteriores, obtendo-se incidência média de janeiro → repete-se este procedimento para todos os meses). Maria Raquel Tinoco Laurindo – MED 103 9 o Calcula-se o desvio padrão para cada incidência média mensal → visa conhecer a dispersão dos valores observados em torno da incidência. o Intervalo de variação → considerando uma distribuição normal 95% dos valores se encontram entre a média e 1,96 do desvio padrão. Obs.: O cálculo não cai, mas o conceito sim! Epidemia: Elevação brusca, temporária e acima do esperado para a incidência de uma determinada doença. Doenças erradicadas ou inexistentes→ “O coeficiente de incidência que fixa o limiar epidêmico é igual a zero. Nesta situação apenas um caso poderá ser considerado uma ocorrência epidêmica pois muda a estrutura epidemiológica relacionada à doença”. Qual a diferença entre os casos autóctones e casos alóctones? • Casos autóctones são aqueles oriundos do mesmo local onde a doença ocorreu e foi diagnosticada. • Casos alóctones são aqueles casos importados de outras localidades. Mecanismo de formação epidêmica: • Aumento inesperado da virulência de um agente o Matematicamente, quanto mais um vírus circula, maior a probabilidade de ele sofrer mutação (especialmente um vírus RNA), porém na saúde isso não precisa ser algo de alto impacto no sentido de aumento de virulência (ex.: influenza x covid) • Aumento da susceptibilidade (baixa cobertura vacinal) • Importação de casos alóctones em população com grande número de susceptíveis • Contato acidental com agentes infecciosos, produto físico ou químico • Modificação da estrutura epidemiológica (ex.: febre amarela urbana/silvestre) (alterações no meio ambiente) Epidemia explosiva: Todos, mais ou menos ao mesmo tempo ficam doentes e também melhoram – é rápida. Maria Raquel Tinoco Laurindo – MED 103 10 Epidemia progressiva: A contaminação é “gradual”, se propaga de pessoa para pessoa – é mais lenta. Surto epidêmico: Restrito no tempo e no espaço e todos os casos estão relacionados entre si. Exemplo: infecção alimentar numa creche devido a contaminação da caixa d’água. Pandemia: Processo epidêmico caracterizado por uma ampla distribuição espacial da doença, atingindo diversas nações ou continentes, não necessariamente no mesmo tempo, mas dentro de um período, de forma progressiva.