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Texto: A cidade da noite apavorante
No texto de Peter Hall, temos inicialmente no capítulo Reações à cidade encortiçada do
século XIX, a descrição do que seria a cidade vitoriana, uma coisa terrível, um horror de acordo
com as linhas de um poema com o título The City of Dreadful Night de James Thomson, em 1880.
Essas linhas do poema poderiam estar descrevendo fielmente como seria Londres, a Liverpool ou a 
Manchester, e W.T. Stead editor do Pall Mall Gazette estava citando esse poema em seu
editorial de outubro de 1883 e ainda sugeriu que nesse poema poderíam ser escritas mais coisas
horrorosas já que o modo de viver em um cortiço londrino era lastimável.
Com a publicação de seu editorial Stead procurava abrir os olhos ao horrores dos cortiços e
teve bastante repercursão já que eles possuíam um grande problema doméstico que todos deviam
tomar consciência e teve sucesso em seu feito onde foi instaurada a Comissão Real para a Moradia
das Classes Trabalhadoras em 1884. Temos também descrições feitas por Mearns da horripilante
vida onde essas pessoas viviam, lugares impróprios para qualquer ser humano, pátios que exalavam
gases venenosos e féditos, escadas apodrecidas, passagens escuras, imundas com vermes, um fedor
intolerável, os ambientes escuros com excreções de imundice sem qualquer passagem de luz ou ar
fresco, com moliários arranjados feitos de tábuas apoiados em tijolos, famílias inteiras morando em
um cômodo simplesmente um horror.
Esses locais eram vistos como pardieiros londrinos empestados de doença, crime, vício onde
o pauperismo crescia, era visto como refúgio das classes violentas e criminais, antros do vício, mas
as pessoas moravam ali por ser muito pobres e aqule era o único lugar que podiam pagar, elas
ficavam próximas onde o trabalho temporário crescia mais e com isso a pobreza era muito grande e
a imundice prevalecia ao redor desses lugares de trabalho.
Tentou-se corrigir esses problemas com a demolição desses cortiços e substituição por
blocos modelos de apartamentos mas eles eram odiados pela falta de área verde, fachadas soturnas e
regulamentos muito restritivos sem contar o problema de realojamento dessas pessoas pois era
lento, burocrático e demorada essa ação. Fora que o aluguel não era um valor que os pobres podiam
arcar tornando-se inviável aos pobres. Com isso não se admira que apartamentos de 4 quartos eram
divididos em subapartamentos em Londres de 1870.
Com as construções de ferrovias e rodovias as pessoas pobres foram sendo expulsos para
bem longe do centro comercial de Londres com as demolições, aproximadamente 100 mil pessoas
entre 1830 e 1880. Os lugares que viviam se comparados com uma prisão carcerária dispunham de
muito menos espaço para viver, os índices de mortalidade eram altos sobretudo crianças, muitas
pessoas perdiam em média 20 dias de trabalho no ano por depressão e fadiga e a extrema pobreza
faziam com que essas pessoas morassem perto do locval de trabalho muitas vezes sendo explorados
com valores de aluguéis altíssimos e sem condições básicas de higiene. Outro problema era o
governo incompetente e corrupto da época, fora de Londres havia uma Lei da saúde Pública, de
1875, mas que não vigorava na capital, tinham-se pouco inspetores para tantos distritos e os que
existiam não tinham muita competência.
Foram criadas leis para tentar resolver essa situações pela Comissão Real, a Lei Torrens (Lei
para Moradia de Artesãos e Operários, de 1888) e a Lei Cross (Lei Para a Melhoria das Moradias de
Artesãos e Operários, de 1875), a primeira era para a construção de moradia novas paras os
trabalhadores e a segunda permitia ao governo demolir e acabar com áreas habitacionais
inadequadas, no fim não serviu de muita coisa o problema permaneceu, e a Comissão Real sugeriu
que as pessoas se importassem com a própria situação.
Estava ocorrendo uma grande crise no setor industrial britânico já que os seus concorrentes
alemães eram tão bons e sabiam conquistar e conservar o mercado e a Grã-Bretanha não procurava
novos mercados e não mantinham os que já tinham. Foi-se disseminado entre os pobres obras de
Katl Marx e programa dos social-democratas da Alemanha e dos coletivistas da França. Aumentou-
se também as gangues de rufiões organizados aumentando o crime na cidade. Mas com punições
severas o juíz sir Day puniu esses criminosos. Não há qualquer prova que isso tenha tido efeito
sobre Liverpool mas pareceu claro a decrescente diminuição da criminalidade com o passar dos
tempos, apesar de alguns casos como a violência de 1880.
O maior medo era que a a classe trabalhadora fizesse uma revolução o que realmente
aconteceu em fevereiro de 1886 com comícios, bastante desordem e saqueamentos.
Um levantamento feito por Charles Booth resultou que 35% da população londrina do Est
End estava na pobreza e podia ser dividido em quatro subgrupos, o primeiro classe A, 1,25% da
população, composto por operários, vadios, semidelinquentes uma parte de ambulantes, artistas de
ruas e outros, a segunda classe B, 11% da população, onde tinha-se os gastadeiros, amantes do
prazer e sempre pobres, a terceira classe C, 8% da população, formado por gente trabalhadora,
sofredora e desesperançada, e a última classe D, 14,5% da população, composta por sujeitos com
salários regulares porém pequenos. A sociedade Fabiana com sua obra Facts for Socialists concluiu
''uma a cada cinco pessoas morrerá num reformatório, num hospital ou num hospício. O grande
problema era a moradia e segundo os fabianos só existia uma saída: '' o realojamento dos pobres de
Londres só pode ser adequadamente tratado pelo poder público de Londres.''

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