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O insustentável sentido do progresso

Trecho crítico sobre o sentido do progresso: discute a atuação do capitalismo e da globalização, homogeneização cultural e consumo, desastres do século XX (guerras, Chernobyl), mudanças climáticas e a origem histórica da ideia de progresso.

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O insustentável sentido do progresso
Na atualidade, o sistema capitalista tem sido o grande articulador dos diferentes espaços mundiais, que vêm adquirindo maior unidade. O ponto de partida desse processo foram as Grandes Navegações ocorridas nos séculos XV e XVI, que fizeram com que a Europa passasse a exercer grande influência sobre o planeta.
Hoje, com o desenvolvimento das telecomunicações, dos meios de transporte e das empresas transnacionais, podemos dizer que as diferenças que existiam entre os mais variados grupos humanos têm se tornado menores, como resultado do maior número de interações.
Por um lado, pode-se dizer que, com o desenvolvimento do capitalismo ao longo de alguns séculos, o mundo sofreu um processo de homogeneização. Um grande grupo de pessoas fica á margem do consumo, mas, para o restante da população, a propaganda difunde necessidades e desejos e atribui uma série de significados às mercadorias. 
As pessoas se veem compelidas a comprar, relacionam o consumo à felicidade. Compram as mesmas marcas, comem coisas parecidas, vestem-se de forma semelhante, assistem aos mesmos programas, recebem informações de fontes similares. 
Enfim, o espaço da diversidade tem se tornado cada vez mais restrito.
Por outro lado, há diversas manifestações de grupos sociais em todo o planeta reivindicando o direito à diferença, bem como de grupos preocupados com o consumo desenfreado e a exploração predatória dos recursos naturais.
O século XX foi pródigo em enormes desastres ambientais e sociais: ocorreram duas guerras mundiais; uma corrida armamentista que levou duas grandes potências à corrida nuclear e à construção de um enorme poderio bélico; bombas atômicas foram lançadas sobre duas cidades japonesas, causando centenas de milhares de mortes. Houve também o desastre nuclear de Chernobyl, que ceifou inúmeras vidas e contaminou áreas inteiras, devastando-as completamente. Hoje vivemos as incertezas ligadas ao aquecimento global, que se relacionam com secas e enchentes que ocorrem com frequência cada vez maior, ao buraco na camada de ozônio, e à poluição das águas e do ar, que gera inúmeros problemas à população. Dessa forma, o questionamento sobre o progresso faz muito sentido.
· A ideia de progresso
A Revolução Industrial, ocorrida primeiro na Inglaterra no século XVIII, foi o período em que se criou a indústria. As máquinas passaram a fazer o trabalho que antes era realizado manualmente pelas pessoas. A partir daí o ser humano aprimorou cada vez mais as técnicas de produção e, assim, tornou-se cada vez mais otimista quanto à sua capacidade de dominar a natureza em seu proveito. 
Surgiu então a ideia, que persiste ainda hoje, de que estávamos progredindo, nos aprimorando e melhorando o mundo. Claro que, se pensarmos, por exemplo, na comunicação antes e depois das invenções do fax ou do microcomputador, somos levados a concluir, rapidamente, que progredimos.

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