A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
estruturasdegestaopublica

Pré-visualização | Página 19 de 31

Vimos, inclusive, que o Decreto 6.170/2007 e a Portaria Interministerial CGU/MF/MP 
424/2016 estabeleceram regras moralizadoras aos convênios firmados com entidades privadas, 
pois definiram que deve haver prévio chamamento público.
Um fato importante e que pode gerar dúvidas é a eventual necessidade de realização de 
licitação pelos convenentes, quando se tratar de entidade privada sem fim lucrativo.
Existem diferenças entre convênios firmados com entidades 
públicas e com entidades privadas? 
A entidade privada deve realizar licitação para executar o 
objeto?
É proibido firmar convênios com entidades privadas que possuam fins lucrativos.
Primeiramente, o Decreto 5.504/2005 estabeleceu:
a exigência de utilização do pregão, preferencialmente na forma eletrônica, para entes pú-
blicos ou privados, nas contratações de bens e serviços comuns, realizadas em decorrência 
de transferências voluntárias de recursos públicos da União, decorrentes de convênios ou 
instrumentos congêneres, ou consórcios públicos.
Posteriormente, o art. 11 do Decreto 6.170/2007 preceituou requisitos para que as enti-
dades privadas sem fins lucrativos adquiram produtos e contratem serviços com recursos trans-
feridos pela União, ao “observar os princípios da impessoalidade, moralidade e economicidade, 
sendo necessária, no mínimo, a realização de cotação prévia de preços no mercado antes da 
celebração do contrato”.
25
Tribunal de Contas da União
Aula 3 - Descentralização de Atividades
Decreto 5.504/2005
Entidades privadas devem 
observar os princípios 
públicos e realizar apenas 
cotação prévia de preços.
Entidades privadas devem 
observar a legislação federal 
pertinente e realizar 
procedimentos licitatórios.
Decreto 6.170/2007
Os órgãos e entidades públicos de outras esferas de Governo são obrigados 
a seguir a legislação federal pertinente aos procedimentos licitatórios, quando 
receberem recursos por meio de convênio.
Logo, as entidades privadas, atualmente, estão desobrigadas a obedecer a legislação fe-
deral relativa a licitação pública para as contratações realizadas com recursos públicos federais 
transferidos voluntariamente, devendo tão somente observar as regras do art. 11 do Decreto 
6.170/2007.
Para maiores detalhes e informações sobre as contratações feitas por entidades privadas 
sem fins lucrativos, no âmbito de convênios federais, ver os arts. 45 a 48 da Portaria Interministerial 
CGU/MF/MP 424/2016, que introduziu significativas inovações acerca desse tema.
5.2 Benefícios fiscais
Alguns benefícios fiscais podem ser considerados tipos de descentralização de atividades 
pela União, pois o Poder Público deixa de arrecadar tributos ou transfere recursos para entidades 
particulares, na condição de que estas executem algumas atividades de interesse coletivo.
Assim, vamos tratar de dois tipos de benefícios fiscais: subvenções e renúncia de receitas.
Segundo a Lei 4.320/1964, subvenção é a transferência de recursos orçamentários desti-
nada a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindo-se como subvenções 
sociais e subvenções econômicas:
• subvenções sociais: destinadas a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial 
ou cultural, sem finalidade lucrativa, para prestação de serviços essenciais de assistência 
social, médica e educacional, sempre que a suplementação de recursos de origem 
privada revelar-se mais econômica;
• subvenções econômicas: destinadas a empresas públicas ou privadas de caráter 
industrial, comercial, agrícola ou pastoril, para cobrir os déficits de manutenção das 
26
Estruturas de Gestão Pública 
Tr
ib
un
al
 d
e 
Co
nt
as
 d
a 
Un
iã
o
empresas públicas, cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda 
ou pagar bonificações a produtores de determinados gêneros ou materiais.
As subvenções sociais destinam-se a entidades que prestam serviços de interesse coletivo 
(assistência social, médica e educacional). Somente elas podem caracterizar a forma de descen-
tralização de atividades pela União, vez que as subvenções econômicas não se destinam a tal 
utilidade.
O art. 70 da CF/1988 prevê, indistintamente, que os beneficiários das subvenções 
submetam-se ao controle externo.
É comum vermos em filmes nacionais que a obra foi incentivada pela Ancine e 
recebeu patrocínio de algumas empresas privadas.
Quanto à renúncia de receitas, a LRF preceitua que compreende:
anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, al-
teração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de 
tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado.
Logo, ocorre renúncia de receita quando determinado particular recebe, por qualquer mo-
tivo, tratamento diferenciado, que acarrete diminuição das receitas que o Estado arrecadaria. Por 
exemplo, a legislação prevê benefícios fiscais (redução de impostos) para empresas de informáti-
ca que pratiquem atividades de pesquisa nessa área.
Quando o motivo do benefício for a execução de alguma atividade de interesse coletivo, 
pode-se considerar que houve descentralização de atividades.
Vamos a um exemplo. Certa produtora de filmes recebe da Ancine autorização para rece-
ber patrocínios, com base nas leis de incentivo cultural (8.313/1991 e 8.685/1993, por exemplo). 
Assim, as empresas interessadas em ajudar a produtora podem abater determinada quantia no 
imposto de renda devido, repassando o dinheiro diretamente à produtora. Como a prestação 
cultural também é um dever do Estado, fica claro que estamos diante de uma descentralização 
de atividades.
27
Tribunal de Contas da União
Aula 3 - Descentralização de Atividades
Assim, nesses casos, pode-se considerar que há descentralização de atividades pela União, 
haja vista que terceiros estão realizando trabalhos de interesse da população, que seriam, tam-
bém, objetivo da União.
É importante ressaltar que o art. 70 da CF/1988 também prevê que os beneficiários de 
renúncia de receitas estão sujeitos ao controle externo.
28
Tr
ib
un
al
 d
e 
Co
nt
as
 d
a 
Un
iã
o
Estruturas de Gestão Pública 
Síntese
Nesta aula, vimos que a extensa lista de deveres atribuídos à União pela 
CF/1988 dificulta que a Administração Pública Federal sozinha consiga execu-
tar todas as atividades satisfatoriamente.
Isso, aliado à tendência mundial de reduzir o tamanho da máquina es-
tatal, leva a União a promover, cada vez mais, descentralização de suas atividades.
Por um lado, a descentralização pode ocorrer para outros entes estatais (estados, DF e 
municípios), por meio das transferências voluntárias.
Por outro, também pode ocorrer para entidades privadas, que não fazem parte da 
Administração Pública, por meio dos seguintes instrumentos:
• transferências voluntárias para entidades privadas sem fins lucrativos;
• Serviços Sociais Autônomos (SSA);
• contrato de gestão com Organizações Sociais (OS);
• termo de parceria com Organizações Da Sociedade Civil de Interesse Público 
(OSCIP); 
• benefícios fiscais.
Todas essas são formas de descentralização de atividades pela União, as quais sempre es-
tão submetidas à jurisdição do TCU, por se tratar de dispêndios de recursos originariamente 
pertencentes à União. O que variará, a depender de cada caso, é a abrangência do controle 
exercido pelo TCU, matéria a ser vista nas próximas aulas.
29
Tribunal de Contas da União
Aula 3 - Descentralização de Atividades
Bibliografia
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: < http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm >. Acesso em: 09 de maio de 2017.
_____ Decreto nº 5.504, de 5 de agosto de 2005. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Decreto/D5504.htm >. Acesso em: 09 de maio de 2017.
_____ Decreto nº 6.170, de 25 de julho