A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
estruturasdegestaopublica

Pré-visualização | Página 31 de 31

feitos também para definir o preço mínimo de leilão para a concessão de uma rodovia federal, 
ou leilão de uma faixa de determinada frequência para serviços de telecomunicação, como na 
Decisão 182/2001 – Plenário, em que o TCU constatou que o método de cálculo de preço míni-
mo de outorga de TV a cabo e de Serviços de Distribuição Multiponto Multicanal (MMDS) não 
estava compatível com os valores de mercado.
Outro importante ponto é o processo de revisão tarifária (nos serviços de energia elétri-
ca, por exemplo), em que o TCU verifica se os cálculos estão sendo feitos corretamente, para não 
onerar desnecessariamente os consumidores.
Assim, mesmo que se trate de assuntos evidentemente relacionados à atividade-fim das 
agências, o TCU tem o dever de fiscalizar a correção dos atos dessas agências, sem que isso sig-
nifique interferência indevida na atuação dessas entidades. 
5.7 Fiscalização das entidades paraestatais
Os Serviços Sociais Autônomos (SSA) prestam contas normalmente ao TCU, pois o vínculo 
formado com o Poder Público é maior, já que administram recursos públicos que lhes são direta-
mente repassados (contribuições parafiscais). Assim, o TCU exerce plenamente suas competên-
cias sobre essas entidades.
As Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) são utilizadas para presta-
ção de serviços bem específicos. Logo, a prestação de contas das OSCIP deve ser apresentada aos 
órgãos concedentes, mas ao TCU cabe fiscalizar, diretamente, os termos de parceria firmados.
As Organizações Sociais (OS), por sua vez, submetem-se a fiscalização um pouco mais rígi-
da do que as OSCIP, pois são originadas do processo de publicização, muitas vezes decorrente 
da extinção de algum órgão público, e seu vínculo com o Poder Público é mais estreito (presença 
de representantes do Governo no Conselho de Administração, cessão de servidor público, per-
missão de bens públicos, etc.). Por isso, também prestam contas ao TCU.
24
Estruturas de Gestão Pública 
Tr
ib
un
al
 d
e 
Co
nt
as
 d
a 
Un
iã
o
Devemos lembrar, contudo, que a sistemática atual do TCU para definir quais das suas uni-
dades jurisdicionadas apresentarão processo de tomadas de contas é estabelecida anualmente, 
por meio de decisão normativa. Assim, nada impede que o TCU, analisando critérios de rele-
vância, materialidade e risco, dispense uma unidade (pode ser da Administração Direta, da 
Indireta e os próprios entes paraestatais) de prestar-lhe contas em determinado exercício, e nos 
seguintes passe a cobrar as contas dessa mesma unidade.
Segundo a Instrução Normativa TCU 63/2010: 
- relevância: aspecto ou fato considerado importante, em geral no contexto 
do objetivo delineado, ainda que não seja material ou economicamente 
significativo; 
- materialidade: volume de recursos envolvidos; 
- risco: possibilidade de algo acontecer e ter impacto nos objetivos, sendo 
medido em termos de consequências e probabilidades.
Publicização: Transferência da gestão de serviços públicos para entidades pú-
blicas não-estatais que o Governo passa a subsidiar.
25
Tribunal de Contas da União
Aula 5 - Atuação do TCU e sua relação com
 os Poderes da União
Síntese
Nesta aula, vimos como o TCU faz parte da organização do Estado 
brasileiro. Para a doutrina majoritária, embora o TCU seja órgão autônomo, 
ele é vinculado, pelo menos para fins orçamentários e financeiros, ao Poder 
Legislativo, porque sua principal função é auxiliar o Congresso no exercício 
do controle externo da Administração Pública Federal.
Observamos que há divergência acerca do uso da palavra jurisdição para sinalizar a abran-
gência do controle exercido pelo Tribunal, porém a doutrina administrativista admite a juris-
dição do TCU em todo território nacional sobre a aplicação dos recursos públicos federais, 
decidindo acerca da regularidade ou irregularidade das contas de modo soberano, privativo, 
indelegável e definitivo. 
Vimos que o controle exercido pelo Tribunal possui as mais diversas naturezas, de acordo 
com a competência analisada: opinativa ou consultiva, fiscalizadora, de julgamento de 
contas, de registro, sancionadora e corretiva.
No exercício das suas competências, o TCU analisa os mais diversos aspectos dos gastos 
públicos: legalidade, legitimidade, economicidade, eficiência, eficácia e efetividade.
De posse de todas essas informações, vimos os limites encontrados pelo Tribunal no exer-
cício da sua missão, a variar de acordo com quem pratica o ato a ser analisado: empresas 
estatais; advogados públicos; entidades que celebram transferência voluntária; concessionárias, 
permissionárias e autorizatárias de serviço público; agências reguladoras, entidades paraestatais; 
entre outras.
Assim, observamos que a abrangência de atuação do TCU é ampla. Alcança órgãos e en-
tidades públicas e toda e qualquer pessoa física e jurídica que utilize recursos públicos federais. 
No entanto, o Tribunal também tem suas limitações, que variam de acordo com a forma em que 
os recursos são despendidos.
26
Tr
ib
un
al
 d
e 
Co
nt
as
 d
a 
Un
iã
o
Estruturas de Gestão Pública 
Bibliografia
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Disponível em: < http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm >. Acesso em: 09 de maio de 2017.
_____ Lei nº 8.443, de 16 de julho de 1992. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/leis/L8443.htm >. Acesso em: 09 de maio de 2017.
_____ Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/leis/L8666compilado.htm >. Acesso em: 09 de maio de 2017.
_____ Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Disponível em: < http://www.planalto.gov.br/cci-
vil_03/leis/L9784.htm >. Acesso em: 09 de maio de 2017.
_____ Tribunal de Contas da União. Regimento Interno do Tribunal de Contas da União. Resolução 
nº 155, de 4 de dezembro 2002. Brasília: 2002 
_____ Tribunal de Contas da União. Instrução Normativa - TCU nº 63, de 1 de setembro de 2010. 
Brasília: 2010
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8443.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8443.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8666compilado.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8666compilado.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9784.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9784.htm
		5.7 Fiscalização das entidades paraestatais
		5.6 Fiscalização das agências reguladoras
		5.5 Fiscalização das privatizações, concessões, permissões e autorizações
		5.4 Fiscalização de obras públicas 
		5.3 Fiscalização das transferências
		5.1 Fiscalização das empresas estatais
		5. Limites ao controle exercido pelo TCU
		4. Natureza do controle exercido pelo TCU
		3.1 Princípio da independência das instâncias
		3. Jurisdição do TCU
		2. Posição do TCU na organização do Estado brasileiro
		1. Introdução 
		5.2 Fiscalização de atos realizados por advogados
		Síntese
		Bibliografia

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.