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med.estrategia.com OBSTETRÍCIA https://med.estrategia.com/ Estratégia MED Estratégia MED | Memorex do Estratégia MED 2OBSTETRÍCIA @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed @estrategiamed Ah, a obstetrícia… foi a primeira matéria que estudei para as provas de Residência! E recomendo fortemente que você faça o mesmo caso esteja começando agora, pois a gama de temas é restrita e de fácil domínio. Assim, vai melhorar seu desempenho nos simulados e ganhar confiança para continuar em sua trajetória! Uma informação importante sobre essa área é que temos algumas bancas que são bem peculiares no estilo de cobrança. Por exemplo, a USP-SP segue a linha do Zugaib (um grande obstetra da FMUSP), e isso pode causar um pouco de confusão no começo. Mas não se preocupe, Estrategista! Vamos focar aquilo que é consenso e deixar para ficar afiado nas peculiaridades de cada banca lá na reta final. Assim como na Pediatria, os examinadores da Obstetrícia gostam de induzir o candidato a marcar a alternativa mais invasiva quando a resposta certa é a mais conservadora, ou vice-versa. Então, fique de olho em algumas informações-chave nos enunciados: idade gestacional, paridade (especialmente se houver descrição de cesárea anterior), e bem-estar materno-fetal. Bora lá? INTRODUÇÃO https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed https://t.me/estrategiamed https://www.tiktok.com/@estrategiamed Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 3 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED SUMÁRIO 1.0 PREMATURIDADE E TRABALHO DE PARTO PREMATURO 7 QUANDO UTILIZAR A PROGESTERONA VAGINAL? 7 TRABALHO DE PARTO PREMATURO 7 TOCOLÍTICOS 8 CORTICOTERAPIA 9 2.0 HEMORRAGIA PÓS-PARTO 10 CAUSAS DE HEMORRAGIA PÓS-PARTO 10 ÍNDICE DE CHOQUE 11 ATONIA UTERINA 11 TRAUMA 12 TECIDO 12 3.0 GESTAÇÃO MÚLTIPLA 12 PREVALÊNCIA 12 GESTAÇÃO MONOZIGÓTICA 13 IMAGEM ULTRASSONOGRÁFICA 14 SÍNDROME DA TRANSFUSÃO FETO-FETAL (STFF) 15 ASSISTÊNCIA AO PARTO GEMELAR E VIA DE PARTO GEMELAR 16 4.0 BACIA OBSTÉTRICA 17 DIÂMETROS DA BACIA 17 TIPOS DE BACIA 17 5.0 ESTÁTICA FETAL 18 APRESENTAÇÃO CEFÁLICA 19 6.0 INFECÇÃO PUERPERAL 21 TRÍADE DE BUMM 21 TRATAMENTO DA INFECÇÃO PUERPERAL 22 7.0 INFECÇÕES GESTACIONAIS COM REPERCUSSÃO FETAL 22 SÍFILIS NA GESTAÇÃO 22 ESTADIAMENTO 22 CRITÉRIOS DE RETRATAMENTO E DE TRATAMENTO ADEQUADO 23 TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO 24 CITOMEGALOVÍRUS 26 RUBÉOLA 26 Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 4 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED 8.0 ALOIMUNIZAÇÃO MATERNA E DOENÇA HEMOLÍTICA PERINATAL 26 SEGUIMENTO NO PRÉ-NATAL 28 PREVENÇÃO 29 9.0 ALTERAÇÃO DO VOLUME DO LÍQUIDO AMNIÓTICO 30 OLIGOÂMNIO 30 10.0 ABORTAMENTO DE REPETIÇÃO 31 DEFINIÇÃO 31 INSUFICIÊNCIA ISTMOCERVICAL 31 11.0 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO 32 CLASSIFICAÇÃO 32 PREVENÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA 34 DIAGNÓSTICO DE HIPERTENSÃO GESTACIONAL 34 DIAGNÓSTICO DE PRÉ-ECLÂMPSIA 35 FIZ O DIAGNÓSTICO, E AGORA? 35 CLASSIFICAÇÃO DA GRAVIDADE 36 SINAIS E SINTOMAS DE GRAVIDADE (IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA) 37 MANEJO DE CASOS SEM SINAIS DE GRAVIDADE 37 MANEJO DE CASOS COM SINAIS DE GRAVIDADE 38 QUANDO RESOLVER A GESTAÇÃO? 40 SÍNDROME HELLP 40 CUIDADOS NO PUERPÉRIO 41 12.0 VITALIDADE FETAL 41 CIRCULAÇÃO FETAL 41 SOFRIMENTO FETAL 43 CARDIOTOCOGRAFIA 43 DESACELERAÇÕES NA FREQUÊNCIA CARDÍACA FETAL 44 CARDIOTOCOGRAFIA ANTEPARTO 45 CARDIOTOCOGRAFIA INTRAPARTO 46 DOPPLERVELOCIMETRIA 46 PERFIL BIOFÍSICO FETAL 49 13.0 ASSISTÊNCIA AO PARTO 50 CONTRAINDICAÇÕES AO PARTO NORMAL 50 DEFINIÇÃO DE TRABALHO DE PARTO 51 ASSISTÊNCIA AO PARTO 51 Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 5 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED PRIMEIRO PERÍODO: DILATAÇÃO 52 SEGUNDO PERÍODO: EXPULSIVO 53 TERCEIRO PERÍODO: DEQUITAÇÃO 53 QUARTO PERÍODO: PERÍODO DE GREENBERG 54 MECANISMOS DE PARTO 55 DISTOCIA DE OMBRO 56 PARTO PÉLVICO VAGINAL 57 PROLAPSO DE CORDÃO 59 LOQUIAÇÃO 59 PARTO VAGINAL OPERATÓRIO 60 FÓRCEPS 60 VÁCUO EXTRATOR 61 14.0 INDUÇÃO DO PARTO 62 CONTRAINDICAÇÕES 62 AVALIAÇÃO DO COLO UTERINO 62 15.0 RESTRIÇÃO DO CRESCIMENTO FETAL 64 DEFINIÇÃO 64 CLASSIFICAÇÃO 64 DIAGNÓSTICO 65 CONDUTA NA RESTRIÇÃO DE CRESCIMENTO FETAL 67 16.0 ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL 68 NÚMERO DE CONSULTAS 68 DIAGNÓSTICO DE GESTAÇÃO 68 CÁLCULO DA IDADE GESTACIONAL PELA DUM 69 CÁLCULO DA IDADE GESTACIONAL PELO USG 70 DATA PROVÁVEL DO PARTO (DPP) 70 DEFINIÇÃO PELA IDADE GESTACIONAL 70 PESO MATERNO 71 AVALIAÇÃO DA ESTÁTICA FETAL 71 TIPAGEM SANGUÍNEA E PESQUISA DE ANTICORPOS IRREGULARES/COOMBS INDIRETO 72 SOROLOGIA PARA HIV 73 CULTURA ANAL E VAGINAL PARA PESQUISA DE ESTREPTOCOCO DO GRUPO B 73 IMUNIZAÇÃO NA GESTAÇÃO 74 Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 6 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED 17.0 ULTRASSOM EM OBSTETRÍCIA 74 DIAGNÓSTICO DE GESTAÇÃO NÃO EVOLUTIVA 75 18.0 DIABETES MELLITUS NA GESTAÇÃO 76 DEFINIÇÃO 76 COMPLICAÇÕES MATERNO-FETAIS 76 DIAGNÓSTICO 78 MONITORIZAÇÃO GLICÊMICA 79 METAS GLICÊMICAS 80 QUANDO INDICAR INSULINOTERAPIA? 80 INTERRUPÇÃO DA GRAVIDEZ 81 HIPOGLICEMIA NA GESTANTE COM DIABETES MELLITUS 81 RECLASSIFICAÇÃO PÓS-PARTO DA PACIENTE COM DMG 82 19.0 SANGRAMENTOS DA 1º METADE DA GESTAÇÃO 83 ABORTAMENTO 83 CLASSIFICAÇÃO 83 FORMAS CLÍNICAS DO ABORTAMENTO 83 TÉCNICAS DE ESVAZIAMENTO 84 GESTAÇÃO ECTÓPICA 85 DIAGNÓSTICO 85 DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL 87 PATOGÊNESE 87 QUADRO CLÍNICO 89 SEGUIMENTO PÓS-MOLAR 90 SUSPEITA DE NEOPLASIA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL (NTG) 90 20.0 SANGRAMENTOS DA 2º METADE DA GESTAÇÃO 91 ACRETISMO PLACENTÁRIO 92 Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 7 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED CAPÍTULO 1.0 PREMATURIDADE E TRABALHO DE PARTO PREMATURO O terror dos obstetras e pediatras: prematuridade. Não é à toa que este tema é queridinho em praticamente qualquer banca examinadora. Vamos começar falando sobre a “prevenção” desse evento durante o pré-natal. QUANDO UTILIZAR A PROGESTERONA VAGINAL? Questões que abordam essas indicações me dão um nó na cabeça! É muito fácil confundir a indicação de progesterona vaginal e cerclagem uterina. Mas vamos lá. A progesterona vaginal deve ser oferecida em doses de 100 a 400 mg/dia para todas as gestantes entre 16 e 36 6/7 semanas com fatores de risco: história pregressa de parto prematuro < 34 semanas ou perda gestacional > 16 semanas; ou medida do colo uterino entre 16-24 semanas ≤ 25 mm. ! Para facilitar: na dúvida entre marcar cerclagem uterina ou progesterona vaginal como alternativa para evitar um trabalho de parto prematuro, fique ligado no histórico gestacional da paciente. A cerclagem é mais indicada para casos de insuficiência istmo- cervical, então espere a descrição de várias gestações anteriores “perdidas”, com um trabalho de parto espontâneo e rápido. Nos outros cenários, considere com mais carinho a opção da progesterona vaginal. Ah, além disso, não confunda trabalho de parto prematuro com ameaça de abortamento ou abortamento precoce! A progesterona não é indicada nessas últimas situações. Ultrassom transvaginal universal (medida colo uterino entre 18 e 24 semanas) Colo uterino ≤ 25mm Prematuridade espontânea < 34 semanas Progesterona vaginal (16 a 36 6/7 semanas) Ultrassom transvaginal (medida colo 16 a 24 semanas) Colo uterino ≤ 25mm Manter progesterona vaginal ou considerar cerclagem uterina Progesterona vaginal até 36 6/7 semanas TRABALHO DE PARTO PREMATURO O diagnóstico de trabalho de parto prematuro é clínico e fechado pela presença de contrações uterinas rítmicas e dilatação ou esvaecimento cervical. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 8 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED CONTRAÇÕES REGULARES≥ 2/10 MIN DILATAÇÃO CERVICAL ≥ 3 CM < 37 SEMANAS TOCOLÍTICOS O intuito da tocólise não é fazer um milagre e levar um trabalho de parto prematuro até o termo. A ideia é retardar o parto em até 48 horas, com o objetivo de ter tempo hábil para administrar corticoide e sulfato de magnésio (se indicado), bem como de permitir o transporte da gestante a um centro de referência quando necessário. ! PARA FACILITAR: memorize as contraindicações gerais à tocólise: • idade gestacional < 24 semanas ou ≥ 34 semanas; • rotura prematura pré-termo de membranas (queridinha das provas); • óbito fetal ou malformação fetal letal; • sinais de corioamnionite; • suspeita de descolamento prematuro de placenta; • placenta prévia com sangramento; • restrição de crescimento fetal; • doenças maternas graves descompensadas. Sabendo disso, você já elimina muita alternativa sem nem terminar de ler o enunciado! Mas, se a tocólise realmente for indicada, aí você deve atentar-se às contraindicações de cada uma das medicações que podem ser utilizadas. TABELA 2 : CONTRAINDICAÇÕES E EFEITOS COLATERAIS DOS TOCOLÍTICOS TOCOLÍTICOS CONTRAINDICAÇÃO EFEITOS COLATERAIS Bloqueadores do canal de cálcio (nifedipina) Hipertensão e cardiopatias. Hipotensão, elevação das transaminases e supressão da pressão ventricular esquerda com o uso concomitante com sulfato de magnésio. Antagonista dos receptores da ocitocina (atosiban) Hipersensibilidade conhecida ao atosiban. Náuseas, hipoglicemia, dor de cabeça, tontura e hipotensão. Inibidores da síntese de prostaglandinas (indometacina) Distúrbios plaquetários, doenças hemorrágicas, úlcera gastrintestinal, disfunção hepática ou renal e asma. Fechamento precoce do ducto arterioso, oligoâmnio e enterocolite necrotizante. Agonista do receptor beta- adrenérgico (terbutalina) Taquicardias maternas, doenças cardíacas maternas, hipertireoidismo ou diabetes descontrolado. Taquicardia materna e fetal, hipotensão, tremor, palpitação, desconforto torácico, edema pulmonar, hipocalcemia e hiperglicemia. Os pontos de corte de dilatação ou número de contrações variam de uma instituição para outra. Mas, de uma forma geral, temos: Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 9 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED CORTICOTERAPIA A administração de corticoide é a principal conduta frente às gestantes com chance de parto prematuro, pois diminui a morbi/ mortalidade neonatal. Isso acontece, pois o corticoide é um contrarregulador da insulina, e a insulina atrapalha na produção de surfactante no pulmão fetal. Assim, com o corticoide, o risco de síndrome do desconforto respiratório neonatal é reduzido! Além disso, o risco de hemorragia intracraniana e enterocolite necrotizante também diminuem. Além dos temas citados acima, lembre-se de: • sulfato de magnésio: entre 24 e 31 semanas e 6 dias para neuroproteção fetal na iminência de parto prematuro com ou sem rotura de membranas, por diminuir a severidade e os riscos de paralisia cerebral. Se a questão traz uma gestante com IG > 32 semanas, já suspenda as alternativas que falam de sulfato de magnésio. • antibioticoprofilaxia para estreptococo do grupo B intraparto: em todas as gestantes em trabalho de parto prematuro com cultura positiva ou desconhecida para a prevenção da sepse neonatal. Pode ser feita com penicilina cristalina ou ampicilina. CORTICOTERAPIA (24 - 33 6/7 SEM) MATURAÇÃO PULMONAR BETAMETASONA OU DEXAMETASONA (12 mg/dia por 2 dias) Risco de parto prematuro nos próximos 7 dias: • Rotura prematura pré-termo de membranas • Trabalho de parto prematuro • Parto prematuro eletivo Reduz: • Síndrome respiratória do recém-nascido • Hemorragia intracraniana • Enterocolite necrotizante • Morte neonatal REPETIR O CICLO SE > 14 DIAS DO CICLO ANTERIOR E < 34 SEMANAS Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 10 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED ANTIBIOTICOPROFILAXIA (estreptococos grupo B positivo ou desconhecido) BETAMETASONA OU DEXAMETASONA (12 mg/dia por 2 dias) PENICILINA CRISTALINA TRABALHO DE PARTO PREMATURO • Contrações rítimicas • Dilatação do colo uterino • Esvaecimento do colo uterino • < 37 semanas • Nifedipina • Atosiban • Terbutalina • Indometacina TOCÓLISE (entre 24 - 34 semanas) CORTICOTERAPIA (entre 24 e 33 6/7 semanas) SULFATO DE MAGNÉSIO (24 - 32 semanas e parto iminente) CAPÍTULO 2.0 HEMORRAGIA PÓS-PARTO A maioria das vezes em que este tema aparece nas provas, é cobrado do candidato conhecer as causas de hemorragia pós-parto e o passo a passo do manejo. CAUSAS DE HEMORRAGIA PÓS-PARTO Memorize os 4 Ts, bem como sua ordem de incidência. A grande maioria dos casos ocorre por atonia uterina, então fique atento à descrição de como está o fundo uterino da puérpera em questão! TABELA 1: CAUSAS DE HEMORRAGIA PÓS-PARTO 4 TS CAUSA ESPECÍFICA FREQUÊNCIA TÔNUS Atonia uterina 70% TRAUMA Laceração, hematoma, inversão e rotura uterina 19% TECIDO Retenção de tecido placentário, coágulos e acretismo placentário 10% TROMBINA Coagulopatias e uso de anticoagulantes 1% Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 11 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED ÍNDICE DE CHOQUE O índice de choque é um dos parâmetros clínicos mais usados para diagnosticar a hemorragia pós-parto, pois ele reflete o estado hemodinâmico da paciente mais precocemente do que outros marcadores de forma isolada. A fórmula faz bastante sentido! Em quadros de choque com hipotensão, é esperado que a frequência cardíaca se eleve para manter o débito cardíaco, certo? Dessa forma, para pensar em choque descompensado, devemos ter uma frequência cardíaca que, mesmo muito elevada, não é capaz de contribuir para a manutenção da PAS, tornando o IC aumentado. ATONIA UTERINA O quadro clínico de atonia uterina caracteriza-se por sangramento pós-parto associado a um útero não contraído e acima da cicatriz umbilical. Fique ligado no passo a passo do manejo dessa condição: Necessidade de transfusão sanguínea ÍNDICE DE CHOQUE (IC) Transfusão sanguínea maciça IC > 1 IC > 1,4 FREQUÊNCIA CARDÍACA (FC) PRESSÃO ARTERIAL SISTÓLICA (PAS) Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 12 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED TRAUMA As lesões no canal de parto são a segunda causa de sangramento vaginal, por isso devem ser sempre afastadas diante de uma HPP que não melhora com o tratamento inicial para atonia uterina. • Sutura de lacerações • Revisão do colo uterino e vagina • Avaliar necessidade de drenagem e exploração cirúrgica • Maior atenção nos partos operatórios • Manobra de Taxe • Laparotomia • Laparotomia • Revisar segmento se houver HPP e cesárea anterior Lacerações Hematoma Inversão uterina Rotura uterina TECIDO A presença de restos placentários muitas vezes impede a contração uterina adequada, causando atonia e ainda mais sangramento. • > 30min do parto • Extração manual e curagem uterina • Curetagem • Não remover a placenta • Histerectomia Retenção placentária Restos placentários Acretismo placentário CAPÍTULO 3.0 GESTAÇÃO MÚLTIPLA Tema bom para garantir uns pontinhos em provas como UNIFESP, Unicamp e USP-RP! As questões não costumam ser difíceis, então faça-as com calma. PREVALÊNCIA As gestações dizigóticas são mais comuns do que as monozigóticas na ordem de 70% e 30%, respectivamente. ! Atenção: muitas questões fazem pegadinha afirmando que as gestações “monozigóticas dicoriônicas-diamnióticas” são as mais comuns. Mas isso apenas ocorre se desconsiderarmos as dizigóticas, né? Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 13 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Gestações múltiplas Dizigóticas 70% Dicoriônica diamniótica 100% Monozigóticas 30% Dicoriônica diamniótica 25% Monocoriônica diamniótica 74% Monocoriônica monoamniótica 1% GESTAÇÃO MONOZIGÓTICA As gestações monozigóticas resultamda fecundação de um único óvulo por um único espermatozoide, que se divide após a formação do zigoto. Sendo assim, o material genético dos fetos é idêntico, por isso seu sexo também é o mesmo. Nessas gestações, o tempo da divisão do zigoto determina a quantidade de placentas (corionicidade) e cavidades amnióticas (amnionicidade). Dê uma olhada: • Dicoriônica e diamniótica: quando a divisão ocorre em até 72h da fertilização, com formação de duas placentas e duas cavidades amnióticas. • Monocoriônica e diamniótica: quando a divisão ocorre entre o 4º e o 8º dia após a fecundação, com formação de uma placenta e duas cavidades amnióticas. • Monocoriônica e monoamniótica: quando a divisão ocorre entre o 8º e o 13º dia da fecundação, com formação de uma placenta e uma cavidade amniótica. • Gêmeos conjugados: quando a divisão é tardia, entre o 14º e o 17º dia após a fecundação, com formação de uma placenta e uma cavidade amniótica e embriões coligados (gemelaridade imperfeita). Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 14 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED GESTAÇÃO MONOZIGÓTICA IMAGEM ULTRASSONOGRÁFICA Tema quente, Estrategista! Já foi cobrado na USP-SP e na UNIFESP. As imagens ultrassonográficas podem diferenciar a coroniocidade na gestação múltipla quando realizadas no fim do 1º trimestre de gestação. A presença do sinal do lambda está presente nas gestações dicoriônicas, e o sinal do T, nas gestações monocoriônicas e diamnióticas. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 15 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED SÍNDROME DA TRANSFUSÃO FETO-FETAL (STFF) Entre as complicações de uma gestação gemelar, essa é, de longe, a mais queridinha das provas. É uma complicação exclusiva das gestações monocoriônicas e diamnióticas. Essa complicação se caracteriza pelo desbalanço de sangue entre as circulações dos dois fetos, causado pela presença de anastomoses vasculares arteriovenosas placentárias profundas. ! ATENÇÃO: para termos uma STFF, obrigatoriamente, algumas informações devem estar presentes no enunciado: gestação monocoriônica e diamniótica + um feto grande com sinais de sobrecarga (bexiga cheia, polidrâmnio, hidropsia) + um feto pequeno com sinais de restrição (bexiga vazia e oligoâmnio). Caso você não encontre essas informações, pode ser uma tentativa da banca de confundir sua cabeça com um quadro de restrição de crescimento seletivo (que é “simplesmente” quando um dos fetos não recebe o mesmo aporte sanguíneo do outro e fica menorzinho). Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 16 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED ASSISTÊNCIA AO PARTO GEMELAR E VIA DE PARTO GEMELAR A via de parto nas gestações monocoriônicas e monoamnióticas deve ser a cesárea, pelo risco de entrelaçamento de cordões. Nas gestações diamnióticas, é possível o parto vaginal. A escolha da via de parto deve levar em consideração a apresentação e o peso dos fetos, além da idade gestacional. ! Atenção: o “primeiro” gemelar é aquele que está com a apresentação mais próxima do estreito superior da bacia materna. Parto nas gestações gemelares Monocoriônicas diamnióticasDicoriônicas Monocoriônicas monoamnióticas entre 36 e 38 semanas Até 33 semanasNo termo Depende: apresentação, peso dos fetos e idade gestacional Cesárea • Primeiro gemelar não cefálico • Peso estimado do 1º < 2º gemelar (com diferença ≥ 500g) • Peso estimado dos fetos é < 1500g Via de parto gemelar Parto vaginal Se 2º gemelar em apresentação transversa - versão interna para apresentação pélvica e parto pélvico do 2º gemelar. • Primeiro gemelar cefálico • Peso estimado do 1º > 2º gemelar • Peso estimado dos fetos ≥ 1500g Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 17 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED CAPÍTULO 4.0 BACIA OBSTÉTRICA Confesso que é um tema que me dá uma canseira! A pelvimetria não é mais realizada de rotina nas gestantes, mas, ainda assim, algumas bancas gostam de cobrar o tema. E são questões que, usualmente, contam com imagens. Então, vamos nos familiarizar com os seguintes conceitos: DIÂMETROS DA BACIA TIPOS DE BACIA A bacia obstétrica pode ser classificada em quatro diferentes tipos, de acordo com o formato do estreito superior: • ginecoide — considerada a bacia com formato feminino típico e é a que apresenta melhor prognóstico para o parto vaginal. • androide — estreito superior e ângulo subpúbico estreitos associados a espinhas isquiáticas proeminentes fazem com que esse tipo de bacia seja o de pior prognóstico para o parto vaginal. • antropoide — estreito superior elíptico devido ao diâmetro anteroposterior ser maior do que o transverso, associando-se à insinuação fetal nas variedades occipito sacra e occipto púbica. • platipeloide — estreito superior ovalado devido ao diâmetro transverso ser maior do que o anteroposterior, o que faz com que habitualmente a insinuação ocorra em variedades transversas nesse tipo de bacia. Estreitos e diâmetros da bacia obstétrica. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 18 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED ! PARA FACILITAR: a antropoide é aquela que é maior no sentido anteroposterior. Eu memorizava como “anteropoide” para não confundir com a platipeloide rs 5.0 ESTÁTICA FETAL CAPÍTULO Tema quente para boa parte das provas! Crie o hábito de desenhar a bacia materna e o feto em todas as questões deste tema. É o tipo de questão que é fácil, mas que pode ser perdida em um instante de desatenção! Revisando alguns conceitos • Atitude: relação entre as partes fetais entre si. • Situação: relação entre os maiores eixos do feto e do útero entre si. • Posição: relação do dorso fetal com o corpo materno. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 19 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED • Apresentação: refere-se à porção fetal que se relaciona com o estreito superior da bacia materna e que nele vai se insinuar • Variedade de posição: relação entre o ponto de referência da apresentação fetal e o ponto de referência da bacia óssea materna. APRESENTAÇÃO CEFÁLICA Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 20 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Felizmente, a apresentação cefálica é a mais comum (95-96% dos casos). No entanto, a forma como a cabeça do bebê se apresenta pode variar um pouco, inclusive inviabilizando o parto via vaginal! • Cefálica fletida ou de vértice: caracteriza-se pela flexão generalizada do feto em que o mento se aproxima do esterno. É o melhor cenário, pois há apresentação do diâmetro occipitofrontal. • Cefálica defletida de 1º grau: ponto de referência é o bregma, e a linha de orientação é a sutura sagitometópica. Apresenta o diâmetro suboccipitobregmático. • Cefálica defletida de 2º grau: ponto de referência é a raiz do nariz (fronte), e a linha de orientação é a sutura metópica. Muitas vezes inviabiliza o parto via vaginal, pois o diâmetro apresentado é o occipito mentoniano, o maior que temos na cabeça do feto. • Cefálica defletida de 3º grau ou de face: ponto de referência é o mento, e a linha de orientação é a face. Apesar de oferecer o menor diâmetro, que é o submentobregmático, costuma dificultar bastante o hipomóclio do recém-nascido. ! PARA FACILITAR: memorize a correlação entre ponto de referência e linha de orientação. BS-NM-MF → imagine aquele obstetra que foi tirar um merecido descanso, mas teve a viagem interrompida pelo neném de uma de suas pacientes… O Bebê Saiu Nas Minhas Melhores Férias. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 21 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED CAPÍTULO 6.0 INFECÇÃO PUERPERAL Temos dois pontos importantes para este tema nas provas: quadro clínico e tratamento. São bem diretos e vale a pena mantê-los frescos na memória. TRÍADE DE BUMM Situação Longitudinal TransversaApresentação Cefálica Pélvica Córmica Cefálica fletida Cefálica defletida 1º grau 2º grau 3º grau Região apresentada occipício bregma fronte Face Região pélvica Acrômio Ponto de referência lambda Bregma Glabela (raiz do nariz) Mento Sacro Acrômio Linha de orientação Sutura sagital Sutura sagitometópica Sutura metópica Linha facial Sulco Inter glúteo Gradeado costal Símbolo O B N M S A Tríade clássica de sintomas relacionados ao diagnóstico de infecção puerperal. Ela é caracterizada pelos três sintomas: útero amolecido, doloroso, hipoinvoluído. Outros sintomas que podem estar associados ao quadro são: taquicardia, aumento do volume da loquiação ou presença de loquiação fétida e purulenta. TRÍADE DE BUMM • Útero amolecido. • Útero doloroso. • Útero hipoinvoluído. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 22 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED TRATAMENTO DA INFECÇÃO PUERPERAL Reza a lenda que a galera da GO só sabe prescrever esta duplinha de antibióticos rs, mas ela faz jus à preferência de nossos colegas, pois a clindamicina cobre anaeróbios e Gram-positivos da pele, e a gentamicina dá conta das Gram-negativas entéricas. O propósito é cumprido, não é? TRATAMENTO DA INFECÇÃO PUERPERAL CLINDAMICINA 600 mg IV 8/8h + GENTAMICINA 3,5-5 mg/kg a cada 24 horas OU AMPICILINA 1g IV 6/6h + GENTAMICINA 3,5-5mg/kg a cada 24 horas + METRONIDAZOL 500mg IV 8/8h 7.0 INFECÇÕES GESTACIONAIS COM REPERCUSSÃO FETAL CAPÍTULO SÍFILIS NA GESTAÇÃO Se tem um tema que estará em sua prova, este tema é a sífilis na gestação! Muita atenção no manejo dessa condição, beleza? ESTADIAMENTO Vamos começar do básico. A gente divide entre sífilis recente e tardia para definir o tratamento! ! Atenção: alguns autores tentam induzir os candidatos a pensar que o tratamento adequado para sífilis secundária exige 3 doses de penicilina G benzatina. Mas não se esqueça de que o que vai definir a dosagem de nosso tratamento é se a infecção ocorreu há menos ou mais de um ano! ESTADIAMENTO QUADRO CLÍNICO RECENTE Primária Cancro duro e linfadenopatia regional. Secundária Lesões cutaneomucosas (roséola, placas mucosas, sifílides palmoplantares, condiloma plano, alopécia em clareira, madarose e rouquidão); Micropoliadenopatia e sinais constitucionais. Latente recente (<1 ano) Assintomática. TARDIA Latente tardia (>1 ano) ou duração ignorada Assintomática. Terciária Cutâneas e ósseas: gomas sifilíticas; Cardiovasculares: estenose de coronárias, aortite e aneurisma da aorta. Neurossífilis Meningite, gomas do cérebro ou da medula, atrofia do nervo ótico, lesão do sétimo par craniano, manifestações psiquiátricas, tabes dorsalis e quadros demenciais como o da paralisia geral. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 23 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED ESTADIAMENTO TRATAMENTO RECENTE Primária Benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI, IM, dose única (1,2 milhão UI/ glúteo) Secundária Latente recente (<1 ano) TARDIA Latente tardia (>1 ano) ou duração ignorada Benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI, IM, semanal, (1,2 milhão UI/glúteo) por 3 semanas Dose total: 7,2 milhões UI, IM Terciária Neurossífilis Benzilpenicilina procaína (cristalina) 18-24 milhões UI/dia, EV, 3-4 milhões UI, 4/4 horas ou infusão contínua por 14 dias Ah, e já comece desconfiando bastante de qualquer alternativa que não traga a penicilina G benzatina, pois essa é a única medicação que realmente é considerada eficaz no tratamento da mãe e do feto nas gestações. CRITÉRIOS DE RETRATAMENTO E DE TRATAMENTO ADEQUADO Feito o tratamento, a monitorização será feita mensalmente com teste não treponêmico durante a gestação. A monitorização do tratamento é fundamental para classificar a resposta ao tratamento e diagnosticar possíveis reinfecções! Memorize os critérios de retratamento a seguir: Ausência de redução da titulação em duas diluições (4 vezes) no intervalo de 6 meses para sífilis recente e 12 meses para sífilis tardia Aumento da titulação em duas diluições (4 vezes) ou mais Persistência ou recorrência de sinais e sintomas clínicos Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 24 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED A MÃE FOI ADEQUADAMENTE TRATADA? MÃE ADEQUADAMENTE TRATADA Tratamento com penicilina benzatina Início do tratamento até 30 dias antes do parto Esquema terapêutico de acordo com o estágio clínico da sífilis Queda dos títulos em pelo menos duas titulações Bom, a partir daqui, a conduta é com a galera da Pediatria! Dê uma olhadinha no memorex desse tema para relembrar como manejar um recém-nascido exposto à sífilis. TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO Como a maioria das gestantes é assintomática, o diagnóstico da toxoplasmose é feito pela sorologia materna, com avaliação dos anticorpos IgG e IgM para toxoplasmose, solicitada no rastreamento de rotina durante o pré-natal. ! Atenção: como o IgG demora cerca de 4 meses para ficar com uma avidez alta, ele só deve ser utilizado para saber se a infecção ocorreu na gestação nos primeiros 4 meses de gestação (16 semanas). Depois disso, devemos partir logo para o tratamento e a avaliação do feto. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 25 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Sorologia toxoplasmose < 16 semanas lgG + lgM - Imune Susceptível Espiramicina EspiramicinaRepetir sorologia em 2 semanas Teste de avidez para IgG lgG - lgM - lgG - lgM + lgG + lgM + lgG - lgM + lgG + lgM + Baixa <60 Infecção aguda Espiramicina < 16 semanas Esquema tríplice > 16 semanas Infecção aguda Infecção antiga Falso positivo Suspender espiramicina Suspender espiramicina Alta >60 Sorologia toxoplasmose > 16 semanas lgG + lgM - Imune Susceptível Espiramicina EspiramicinaRepetir sorologia em 2 semanas Sorologia prévia lgG - lgM - lgG - lgM + lgG + lgM + lgG - lgM + lgG + lgM + SIM Infecção aguda Esquema tríplice Infecção aguda Infecção indeterminada Falso positivo Suspender espiramicina NÃO Espiramicina = Tratamento materno e profilaxia fetal – não ultrapassa barreira placentária. Esquema tríplice = Tratamento fetal - ultrapassa barreira placentária. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 26 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Então, lembre-se de que não temos tempo a perder: se o IgM for positivo, independentemente do IgG, devemos iniciar a espiramicina imediatamente. Enquanto isso, programamos a investigação fetal com amniocentese com mais de 18 semanas. Na amniocentese, vamos ver se encontramos material genético do parasita: se o PCR para toxoplasmose vier negativo, a conduta é manter espiramicina até o parto. Se vier positivo, aí precisamos utilizar o seguinte esquema: • sulfadiazina, 3 g ao dia; • pirimetamina, 50 mg ao dia; • ácido folínico, 10 a 20 mg, 3 vezes por semana. Esse esquema, diferentemente da espiramicina, que apenas diminui a quantidade de parasitas circulantes na mãe e o risco de infecção do feto, é capaz de tratar o feto infectado. No entanto, por ter mais efeitos colaterais, deixamos ele reservado para quando não podemos fazer amniocentese ou quando há infecção fetal confirmada. CITOMEGALOVÍRUS O rastreamento sorológico na gestação é controverso e não é recomendado pelo Ministério da Saúde como triagem de rotina. Isso acontece porque: • diferentemente da maioria das outras TORCHS, a infecção materna prévia pelo CMV não “protege” o feto, mesmo com o IgG positivo — trata-se de um agente traiçoeiro que é capaz de se reativar ou mesmo reinfectar uma mesma pessoa; • não há tratamento efetivo durante a gestação. Essas são as informações mais importantes sobre essa doença para as provas! RUBÉOLA O diagnóstico de rubéola na gestação é feito pela sorologia com a pesquisa de anticorpos específicos IgG e IgM. Fique ligado em algumas informações sobreessa doença na gestação. • Na presença de infecção materna recente ou na suspeita ultrassonográfica de infecção fetal, o diagnóstico de infecção fetal é feito pela pesquisa do RNA por PCR em amostra de líquido amniótico, colhido pela amniocentese, ou pela pesquisa de IgM no sangue fetal, colhido por cordocentese. Caso seja confirmada infecção fetal, deve-se fazer acompanhamento ultrassonográfico seriado. • Até o momento, não existe tratamento para a síndrome da rubéola congênita. • Se uma gestante receber, ocasionalmente, a vacina tríplice viral, a conduta é…seguir pré-natal habitual. Lembre-se de que não utilizamos essa vacina em gestantes por “excesso de zelo”, uma vez que não temos casos descritos de síndrome de rubéola congênita causada por vacinação. CAPÍTULO 8.0 ALOIMUNIZAÇÃO MATERNA E DOENÇA HEMOLÍTICA PERINATAL Trata-se de uma doença bastante rara hoje em dia, pois é totalmente evitável com uma assistência pré-natal adequada. Lembre-se de que existem vários anticorpos que são capazes de provocar a doença hemolítica perinatal, mas o mais famoso é o anti-D. Esse tema tem a vantagem de ser bem “linear”, no sentido de ter um passo a passo bem definido. Então, a chave é entender cada passo ao invés de decorar, beleza? Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 27 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Aloimunização materna Anticorpos antiD Gestantes RhD negativo (Hemácias sem antígeno D) Fetos RhD positivo (Hemácias com antígeno D) Ultrapassam a barreira placentária Doença hemolítica perinatal Destruição das hemácias do feto RhD positivo ! Atenção: somente os anticorpos da classe IgG ultrapassam a barreira placentária (G de gestação). Algumas bancas tentam empurrar casos de mães que apresentam anticorpos irregulares da classe IgM, como foi o caso da Unicamp há uns anos… mas trata-se de uma mera pegadinha, pois os IgM são grandes demais para ultrapassar a barreira placentária e provocar hemólise antenatal. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 28 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED SEGUIMENTO NO PRÉ-NATAL PRIMEIRA CONSULTA DE PRÉ-NATAL RH POSITIVO E COOMBS INDIRETO NEGATIVO RH NEGATIVO E COOMBS INDIRETO NEGATIVO RH NEGATIVO E COOMBS INDIRETO POSITIVO PRÉ- NATAL DE ROTINA PAI RH NEGATIVO PRÉ-NATAL DE ROTINA PROFILAXIA COM IMUNOGLOBIULINA ANTID FAZER SEGUIMENTO COM COOMBS INDIRETO MENSAL PAI RH POSITIVO OU DESCONHECIDO NÃO TEM RISCO DE ALOIMUNIZAÇÃO RH RISCO DE ALOIMUNIZAÇÃO RH NÃO HÁ RISCO DE ALOIMUNIZAÇÃO RH TIPAGEM SANGUÍNEA DO PAI BIOLÓGICO DO FETO GESTANTE COM ALOIMUNIZAÇÃO RH TIPAGEM SANGUÍNEA + COOMBS INDIRETO OU PAI SEGUIMENTO EM PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO A presença de anticorpos antieritrocitários (PAI ou Coombs indireto positivo) mostra que a gestante foi aloimunizada e que o feto corre risco de desenvolver DHPN, portanto a gestante deve continuar o acompanhamento mensal do PAI ou Coombs indireto, com a titulação dos anticorpos, quando positivo. Os títulos de anticorpos determinam se o feto tem maior risco de desenvolver a doença. Uma vez que a gestante foi aloimunizada (Coombs indireto positivo) e os títulos de anticorpos são ≥ 1:16, há maior risco de GESTANTES COM ALOIMUNIZAÇÃO RH COOMBS INDIRETO OU PAI MENSAL POSITIVO < 1:16 POSITIVO ≥ 1:16 MANTER COOMBS INDIRETO / PAI MENSAL ULTRASSOM COM DOPPLER DO PVS-ACM PVS-ACM ≤ 1,5MoM PVS-ACM > 1,5MoM MANTER AVALIAÇÃO PVS-ACM 1-2 X / SEMANA TRATAMENTO FETAL o feto desenvolver DHPN, dessa forma, ela deve ser encaminhada para o pré-natal de alto risco e realizar avaliação indireta da anemia fetal. Essa avaliação é feita por meio da ultrassonografia obstétrica com Doppler e medida do pico de velocidade sistólica da artéria cerebral média (PVS-ACM) a cada 1 a 2 semanas. ! Atenção: uma vez instalada a aloimunização na mãe, a aplicação da imunoglobulina anti-D na 28ª semana, pós- sangramentos e pós-parto não faz mais sentido. Nesse cenário, temos que monitorar possíveis complicações. Acompanhamento das gestante em relação a tipagem sanguínea. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 29 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED O tratamento para fetos com anemia grave (PVS-ACM > 1,5 MoM) ou hidropisia por DHPN é feito por cordocentese. Por meio desse exame, é possível coletar sangue fetal para avaliar a concentração de hemoglobina fetal e a necessidade de transfusão sanguínea fetal intraútero. PVS-ACM > 1,5MoM OU HIDROPSIA FETAL < 34 SEMANAS ≥ 34 SEMANAS CORDOCENTESE E TRANSFUSÃO SANGUÍNEA RESOLUÇÃO DA GESTAÇÃO PREVENÇÃO Todas as gestantes Rh negativas com Coombs indireto negativo devem receber profilaxia para aloimunização materna com imunoglobulina anti D, se forem expostas ou tiverem risco alto de exposição a sangramento feto materno, desde que o Coombs indireto seja negativo. ! Atenção: caso a gestante seja sensibilizada para algum outro anticorpo irregular que não seja o anti-D, mantemos a profilaxia como descrita acima. Eventualmente se a paciente receber imunoglobulina Outra informação que é pegadinha frequente nas provas é a seguinte: a imunoglobulina anti-D, apesar de servir para evitar a aloimunização, é capaz de tornar o Coombs indireto positivo por Profilaxia com imunoglobina antiD Outros anticorpos Anticorpo antiD Coombs indireto negativo Coombs indireto positivo GESTANTE RH NEGATIVO Fazer imunoglobulina antiD Com 28 semanas Até 72h do parto de RN Rh positivo Após complicações que levam a sangramento maternofetal Não fazer imunoglobulina antiD até 12 semanas depois da aplicação. Assim sendo, as gestantes que receberam a dose de imunoglobulina anti-D na 28ª semana de gestação também devem receber a dose no momento do parto, mesmo se o Coombs indireto for positivo! Isso é um efeito esperado da medicação e não significa que a mãe foi sensibilizada, beleza? Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 30 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED 9.0 ALTERAÇÃO DO VOLUME DO LÍQUIDO AMNIÓTICO CAPÍTULO Este tema tem direta relação com a vitalidade fetal! Ou seja, é definidor de conduta na obstetrícia. Memorize os valores a seguir! POLIDRÂMNIO ILA > 25cm Maior bolsão > 8cm OLIGOÂMNIO ILA < 5cm Maior bolsão < 2cm ! Atenção: em gestações múltiplas, utilizamos a medida de maior bolsão, ao passo que, em gestações únicas, damos preferência ao índice de líquido amniótico (ILA). OLIGOÂMNIO O oligoâmnio é um marcador de sofrimento fetal crônico, pois, na maioria das vezes, traduz uma perfusão insuficiente nos rins do feto. Por isso, muitas vezes indica um “adiantamento” da resolução da gestação. Diante de um feto com oligoâmnio, temos duas possibilidades importantes que são frequentes nas provas. 1. Malformações renais: uma vez que a maior parte do líquido amniótico é proveniente dos rins do feto, é de se esperar que malformações renais ou do trato urinário cursem com oligoâmnio. 2. Rotura prematura de membranas (RPM): enquanto investigamos causas fetais e placentárias de oligoâmnio, é sempre importante avaliar se a gestante apresentou perda de líquido, pois a RPM é a causa mais comum de oligoâmnio! É claro que existem várias outras causas de oligoâmnio, essas duas são apenas as mais frequentes nas provas. Então, leia com bastante atenção os casos clínicos para captar informações importantes, beleza? Conduta no oligoâmnio Causa identificada Idiopático ILA entre 3 e 5 cm ILA < 3 cmseguir a conduta da causa do oligoâmnio acompanhamento semanal acompanhamento diário Resolução da gestação com 37 semanas Resolução da gestação a partir de 34 semanas Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 31 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Definição clássica • Três ou mais perdas gestacionais espontâneas e consecutivas antes de 20 semanas de gestação Definição moderna • Duas ou mais perdas gestacionais documentadas pelo ultrassomou exame histopatológico CAPÍTULO 10.0 ABORTAMENTO DE REPETIÇÃO DEFINIÇÃO Temos uma definição clássica e uma mais moderna. ! PARA FACILITAR: perceba que a definição moderna é mais inclusiva, ou seja, mais pacientes podem receber o diagnóstico de abortamento de repetição. Considerando que as principais causas de abortamento de repetição são anormalidades genéticas, anatômicas maternas e trombofilias, a investigação envolve os seguintes exames: Cariótipo do casal Ultrassonografia transvaginal, histerossalpingografia e histerossonografia Pesquisa de anticorpos anticardiolipina, anticoagulante lúpico e antiB2 glicoproteína Pesquisa de função tireoidiana e diabetes INSUFICIÊNCIA ISTMOCERVICAL A insuficiência istmocervical ou incompetência cervical (IIC) caracteriza-se por perda fetal recorrente no segundo trimestre, devido à incapacidade de o colo uterino manter-se fechado para reter o concepto até o fim da gestação. O quadro clínico das perdas gestacionais consiste em dilatação cervical indolor, ausência de contração uterina, pouco sangramento, protrusão das membranas fetais e parto pouco doloroso com nascimento de feto vivo. A cerclagem consiste em, basicamente, “costurar” o colo do útero a fim de promover uma sustentação melhor na região do istmo. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 32 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED História duvidosa de IIC Progesterona vaginal Colo uterino ≤ 25 mm Ultrassom transvaginal (medida colo 14 a 26 semanas) Tratamento para IIC Fatores de risco para IIC Colo uterino 26 e 30 mm USTV semanal até 26 semanas Colo uterino > 30 mm USTV quinzenal até 26 semanas CERCLAGEM UTERINA Cerclagem uterina profilática Cerclagem de emergência Prematuridade sem história clássica de IIC Antes de 26 semanas12 a 16 semanas Parto prematuro espontâneo antes de 34 semanas Dilatação cervical de 1 - 4cm, sem contração uterina, com ou sem exposição da membrana • História clássica de IIC • Cerclagem prévia devido à dilatação cervical indolor no segundo trimestre • História de trauma ou cirurgia cervical prévia colo uterino ≤ 25 mm antes de 26 semanas. Cerclagem ou progesterona vaginal E CAPÍTULO 11.0 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO Estamos diante da principal causa de morte materna no Brasil. Não é à toa que é um dos temas mais cobrados nas provas de Obstetrícia daqui! Devido à relevância do tema, é muito importante que conheçamos suas peculiaridades. CLASSIFICAÇÃO Muitas questões simplesmente cobram conceitos sobre diagnóstico e classificação. ! PARA FACILITAR: 20 e 12. São esses números que balizam o diagnóstico de hipertensão gestacional! A partir de 20 semanas de gestação e até 12 semanas após o fim da gestação. Qualquer coisa fora disso é hipertensão arterial crônica, beleza? Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 33 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Distúrbios hipertensivos da gestação Doença hipertensiva ≥ 20 semanas de gestação Hipertensão arterial < 20 semanas de gestação Hipertensão gestacional Pré-eclâmpsia Eclâmpsia Síndrome HELLP Pré-eclâmpsia sobreposta HAC arterial complicada Hipertensão essencial Hipertensão secundária Hipertensão do jaleco branco Hipertensão mascarada CLASSIFICAÇÃO DOS DISTÚRBIOS HIPERTENSIVOS NA GESTAÇÃO * Hipertensão gestacional Hipertensão arterial ≥ 20 semanas de gestação em mulher previamente normotensa, sem proteinúria, sem disfunção de órgãos-alvo e a PA volta ao normal após o puerpério Pré-eclâmpsia Hipertensão arterial ≥ 20 semanas de gestação em mulher previamente normotensa E: - proteinúria OU - disfunção de órgãos-alvo OU - disfunção uteroplacentária • Eclâmpsia Convulsões tônico-clônicas na gestação na ausência de outras causas • Síndrome HELLP Quadro de plaquetopenia, hemólise e aumento das enzimas hepáticas • Pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão arterial crônica Hipertensão arterial < 20 semanas de gestação ou gestante previamente hipertensa E: - proteinúria OU - disfunção de órgãos-alvo OU - disfunção uteroplacentária Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 34 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Hipertensão arterial crônica Hipertensão arterial prévia à gestação ou detectada antes de 20 semanas • Hipertensão essencial Hipertensão sem causa secundária • Hipertensão secundária Hipertensão com causa secundária conhecida (ex.: doença renal) • Hipertensão do jaleco branco Hipertensão arterial diagnosticada no consultório médico, mas que se mantém normal no controle domiciliar ou no MAPA • Hipertensão mascarada Hipertensão arterial observada no controle domiciliar ou no MAPA, mas não diagnosticada no consultório *adaptado de ISSHP 2021 e ACOG 2018. PREVENÇÃO DA PRÉ-ECLÂMPSIA Medicações bem conhecidas pelas equipes de Geriatria mundo afora, a aspirina e o cálcio são as únicas duas com indicações bem consolidadas! ! PARA FACILITAR: caso tenha dúvida sobre quando iniciar a aspirina, lembre-se da fisiopatologia da doença. Basicamente, temos uma segunda invasão trofoblástica deficitária que cria um sistema de circulação de pressão alta. Para que a aspirina tenha um efeito bom, ela deve ser introduzida antes dessa segunda invasão trofoblástica. Dessa forma, o ideal é iniciar antes das 16 semanas. Suplementação de pelo menos 500 mg cálcio/dia se baixa ingesta ( < 600 mg/dia) TODAS AS GESTANTES Exercícios físicos 1 fator de risco alto ou 2 fatores de risco moderado ou rastreamento combinado positivo GESTANTES DE ALTO RISCO PARA PRÉ-ECLÂMPSIA Aspirina baixa dose (100 - 150 mg) Suplementação de cálcio (1,5 a 2 g/dia) Início antes de 16 semanas (preferencialmente com 12 semanas) até 36 semanas Gestante com baixa ingesta dietética de cálcio DIAGNÓSTICO DE HIPERTENSÃO GESTACIONAL Para a alegria de quem já estudou hipertensão arterial sistêmica na clínica médica e teve que decorar aqueles vários valores de corte de pressão e classificações, a obstetrícia resolveu facilitar as coisas: memorize apenas o 140 x 90 mmHg e o 160 x 110 mmHg. Definimos hipertensão arterial quando a pressão arterial sistólica (PAS) é igual ou superior a 140 mmHg ou a pressão arterial diastólica (PAD) é igual ou superior a 90 mmHg. Agora, se a PAS é maior ou igual a 160 mmHg ou a PAD é maior ou igual a 110 mmHg, deu ruim: o risco de complicações é exponencialmente maior, e o caso deve ser conduzido com maior cautela. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 35 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Hipertensão arterial PAS ≥ 140 ou PAD ≥ 90 em duas ocasiões, com intervalo de 4 horas OU PAD ≥ 160 ou PAD ≥ 110 confirmada após 15 minutos DIAGNÓSTICO DE PRÉ-ECLÂMPSIA Aqui, devemos ter atenção! Existe uma divergência entre as literaturas. As sociedades internacionais (ACOG, FIGO e ISSHP), desde 2013, não consideram mais obrigatória a presença de proteinúria para o diagnóstico de pré-eclâmpsia. Basta ocorrer hipertensão arterial na presença de disfunção de órgãos-alvo ou disfunção uteroplacentária para constituir-se pré-eclâmpsia. No entanto, a FMUSP ainda considera obrigatória a presença de proteinúria e edema para esse diagnóstico. - Plaquetas < 150.000 mm3 - DHL > 600 UI/L - CIVD - Transaminases 2x - Dor hipocôndrio direito - Epigastralgia - Creatinina sérica > 1,1 mg/dL - Duplicação da creatinina basal - Edema pulmonar - Cefaleia - Turvação visual escotomas, cegueira - Alterção do estado mental - Derrame ou convulsão E HIPERTENSÃO ARTERIAL ≥ 20 semanas de gestação ≥ 140/90 mmHg DISFUNÇÃO DE ÓRGÃOS-ALVO hematológica, hepática, renal, pulmonar ou neurológica DISFUNÇÃO UTEROPLACENTÁRIA restrição de crescimento fetal, alteração Doppler, morte fetal PROTEINÚRIA ≥ 300 mg/24h, relação prot/creat ≥ 0.3 mg/dL OU OU Proteinúria Proteinúria de 24h ≥ 300mg OU Relação proteína/creatinina urinária ≥ 0,3 OU Relação albumina/creatinina: ≥ 8 mg/mmol OU Amostraisolada de urina ≥ +1 ou 1 g/L de proteína FIZ O DIAGNÓSTICO, E AGORA? Feito o diagnóstico de pré-eclâmpsia, é interessante solicitar alguns exames para avaliar a presença de complicações. ! PARA FACILITAR: basicamente, são exames que servem para antever catástrofes, como síndrome HELLP, eclâmpsia, morte fetal ou insuficiência renal. Pensando nisso, memorize por sistemas: renal (ureia, creatinina, proteinúria, ácido úrico), hematológico (plaquetas, DHL, esquizócitos em esfregaço, hemograma), hepático (bilirrubinas, transaminases) e fetal (Dopplervelocimetria e vitalidade fetal). Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 36 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Exames para investigação de pré-eclâmpsia Proteinúria 24h ou relação proteína/creatinina Ureia e creatinina Hemograma completo DHL ou esquizócitos Transaminases e bilirrubinas Ácido úrico Dopplervelocimetria obstétrica CLASSIFICAÇÃO DA GRAVIDADE Podemos classificá-la de acordo com o tempo de surgimento ou gravidade dos sinais e sintomas! Dê uma olhada: Classificação da pré-eclâmpsia quanto à gravidade Pré-eclâmpsia grave ou com sinais de gravidade • Hipertensão arterial grave (PAS ≥ 160 mmHg e PAD ≥ 110 mmHg) não responsiva a tratamento. OU • Presença de sinais e sintomas de disfunção significativa de órgãos-alvo ou uteroplacentária. Pré-eclâmpsia não grave ou sem sinais de gravidade • Hipertensão arterial leve (PA < 160/110 mmHg). E • Ausência de sinais e sintomas de disfunção significativa de órgãos-alvo ou uteroplacentária. PA ≥ 160/110 mmHg não responsiva a tratamento Cefaleia (não responsiva a medicação) ou sintomas visuais Insuficiência renal Disfunção uteroplacentária Disfunção hepática PRÉ-ECLÂMPSIA GRAVE Creatinina > 1,1 mg/dL ou 2x basal ou oligúria Restrição fetal severa, alterações Dopplervelocimétricas ou morte fetal Transaminases 2x/normal ou dor severa em hipocôndrio direito ou epigástrio, náuseas e vômitos Edema pulmonar Plaquetas < 100.000 mm3 Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 37 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Classificação da pré-eclâmpsia quanto ao tempo de surgimento Pré-eclâmpsia precoce Antes de 34 semanas Alteração do Doppler das artérias uterinas, restrição de crescimento fetal e pior prognóstico materno e fetal Pré-eclâmpsia tardia Após 34 semanas Menor comprometimento fetal e melhores resultados materno-fetais SINAIS E SINTOMAS DE GRAVIDADE (IMINÊNCIA DE ECLÂMPSIA) Alguns sintomas indicam gravidade da doença, por isso devem ser valorizados, são eles: cefaleia, epigastralgia, dor em hipocôndrio direito, oligúria, alterações visuais, alteração do estado mental e convulsão. ! Atenção: na presença persistente desses sintomas em uma paciente com pré-eclâmpsia, já temos o diagnóstico de pré-eclâmpsia grave ou eclâmpsia. Assim, não temos muito para onde correr: a conduta geralmente é sulfatar a gestante e resolver a gestação. Fuja das alternativas conservadoras nesses cenários. SINTOMAS QUE INDICAM GRAVIDADE Cefaleia Epigastralgia Dor em hipocôndrio direito Oligúria Alterações visuais Alteração do estado mental Convulsões MANEJO DE CASOS SEM SINAIS DE GRAVIDADE Confirmado o diagnóstico de hipertensão gestacional leve ou pré-eclâmpsia sem sinais de gravidade, a gestante deve ser encaminhada ao pré-natal de alto risco e ser acompanhada semanalmente. Além disso, deve-se introduzir anti-hipertensivo oral para todas as gestantes com PA ≥ 140 x 90 mmHg e o alvo terapêutico é manter a PAD = 85 mmHg. ! Atenção: lembre-se do corte de 37 semanas para interromper a gestação nesse cenário. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 38 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Pré-eclâmspia sem sinal de gravidade ou hipertensão gestacional leve (PA etre 140/90 - 160/110 mmHg) Pré-natal de alto risco Dieta normal sem restrição de sal Reduzir atividade física Metildopa Metoprolol Nifedipina Anlodipina - Hemograma - Ureia/creatinina - TGO/TGP - DHL - Bilirrubinas - Proteinúria - Vitalidade fetal Controle da PA e a proteína em fita 1 a 2 x por semana Parto ao redor de 37 semanas Manter PAD = 85 mmHg Anti-hipertensivo via oral Se PA ≥ 140/90 mmHg Investigar disfunção de órgãos-alvo e uteroplacentária MANEJO DE CASOS COM SINAIS DE GRAVIDADE Diante de um quadro sugestivo de pré-eclâmpsia grave, por aumento dos níveis pressóricos (a partir de 160 x 110 mmHg) ou suspeita de lesão em órgãos-alvo ou disfunção uteroplacentária, a gestante deve ser encaminhada imediatamente para internação. Prevenção/tratamento de convulsão sulfato de magnésio Controle da hipertenção arterial grave Pré-eclâmpsia grave Iminência de eclâmpsia Eclâmpsia Síndrome HELLP hidralazina nifedipina Sobre o sulfato de magnésio: é a medicação de escolha na prevenção de episódios convulsivos diante de pré-eclâmpsia grave, síndrome HELLP e iminência de eclâmpsia. Existem três esquemas preconizados para o uso do sulfato de magnésio: Pritchard, Zuspan e Zuspan modificado (também conhecido como esquema de Sibai). No geral, é cobrado o esquema de Zuspan; no entanto, a Unicamp recentemente inventou de cobrar o esquema de Pritchard, que pode ser preferível caso haja necessidade de transportar a paciente. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 39 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Esquemas Doses inicial Dose de manutenção Pritchard 4g EV (bólus) em 10 a 15 min + 10 g IM (5g em cada nádega) 5g IM profunda a cada 4 horas Zuspan 4g EV (bólus) em 10 a 15 min 1g EV por hora em bomba de infusão contínua (BIC) Zuspan modificado (Sibai) 6g EV (bólus) em 10 a 15 min 2g EV por hora em BIC A complicação mais temida do sulfato de magnésio é a depressão respiratória. Por isso, para sua administração segura, devemos observar os seguintes aspectos clínicos: reflexo patelar, diurese e frequência respiratória a cada hora. Os primeiros sinais de intoxicação por sulfato de magnésio são: frequência respiratória < 16 mov/min e reflexo patelar ausente. Nesses casos, deve-se suspender a medicação e administrar gluconato de cálcio na dose de 1g EV 10 mL a 10% para evitar depressão respiratória. Reflexos patelares Frequência respiratória Diurese Reflexos patelares presentes Frequência respiratória ≥ 16 rpm Diurese ≥ 25 mL/h Manter sulfatação Reflexos patelares ausentes Frequência respiratória < 16 rpm Diurese < 25 mL/h Suspender sulfatação Gluconato de cálcio 10% Agora, falando do controle da hipertensão grave (> 160 x 110 mmHg): o objetivo é manter a PA entre 140-150/90-100 mmHg. Para isso, utilizam-se anti-hipertensivos mais potentes do que aqueles utilizados para controle de hipertensão arterial leve. ! PARA FACILITAR: a principal é a hidralazina. É a que mais se relaciona com redução do risco de hemorragias intracranianas em pacientes com pré-eclâmpsia grave. Lembra-se de uma complicação “diferentona” relacionada ao uso dessa medicação? Isso mesmo, o lúpus fármaco induzido lá da clínica médica! Tente criar esses links entre as matérias para facilitar a memorização. Medicação Dose Diluição Hidralazina (EV) Medicação de escolha 5 mg, repetir a cada 20 min até melhora Ampola de 20 mg/mL, diluir em 19 mL de água destilada para ter 1 mg/ mL Nifedipina (VO) (Não utilizar sublingual) 10 mg, repetir 10 mg a cada 20 min até melhora Nitroprussiato de sódio (EV) Última opção, hipertensão grave refratária 0,5 – 10 µg/kg/min em bomba de infusão contínua com proteção à luz Ampola de 50 mg/2 mL diluir em 248 mL de SG 5% para ter 200 µg/mL Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 40 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED QUANDO RESOLVER A GESTAÇÃO? A conduta obstétrica nos casos de pré-eclâmpsia grave vai depender da idade gestacional e da presença de complicações. A monitorização fetal na pré-eclâmpsia grave é feita com cardiotocografia e, se a conduta forexpectante, com ultrassom obstétrico com Doppler. A resolução da gestação deve ocorrer, independentemente da idade gestacional, se houver deterioração da condição materna ou fetal. ! PARA FACILITAR: a resolução da gestação depende da classificação de gravidade da gestante e do feto. Memorize as indicações de resolução a seguir. 40 semanasHipertensão gestacional 37 semanasPré-eclâmpsia sem sinais de gravidade 34 semanasPré-eclâmpsia com sinais de gravidade Imediata, qualquer idade gestacional Eclâmpsia, iminência de eclâmpsia e síndorme de HELLP 40 semanasHipertensão arterial crônica 37 semanasPré-eclâmpsia sobreposta SÍNDROME HELLP Sobre essa complicação, o que costuma ser cobrado são os critérios diagnósticos, que são feitos por meio de exames laboratoriais. Para a alegria do candidato, a sigla já é um mnemônico pronto: hemólise (H), elevação das enzimas hepáticas (elevated liver enzimes) e plaquetopenia (low platelets). H - hemólise: DHL > 600 UI/L, esquizócitos. EL - elevação das enzimas hepáticas (enzime of liver): 2 vezes o nível superior. LP - plaquetopenia (low platelets): plaquetas < 100.000/mm3. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 41 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Internação e estabilização hemodinâmica Hemólise Aumento das transaminases trombocitopenia Exames laboratoriais Exames vitalidade fetal SÍNDROME HELLP Hidralazina se PA ≥ 160/110 mmHg Resolução da gestação Sulfato de magnésio CUIDADOS NO PUERPÉRIO O período do pós-parto é extremamente crítico nos casos graves de pré-eclâmpsia, como na pré-eclâmpsia grave, eclâmpsia e síndrome HELLP. Geralmente, há piora do quadro clínico nas primeiras 24h de puerpério em decorrência do sangramento pós-parto, principalmente nos casos de cesárea. Além disso, as complicações hemorrágicas pós-parto são muito mais frequentes nessas pacientes. Lembre-se dos seguintes cuidados que devemos ter com essas puérperas: Controle de PA Primeiros 7 dias pós-parto Resolução com 12 semanas pós-parto Manter se PA ≥ 140/90 Alvo: PAD = 85 mmHg Metildopa, captopril, nifedipina Exames laboratorias Anti-hipertensivo Cuidados no puerpério na pré-eclâmpsia 48 - 72h pós-parto Proteinúria 12 semanas pós-parto CAPÍTULO 12.0 VITALIDADE FETAL CIRCULAÇÃO FETAL O coração fetal e seu sistema de condução desenvolvem-se entre a 3ª e 6ª semanas de vida embrionária. O sistema cardiovascular fetal difere do extrauterino anatômica e funcionalmente, pois apresenta quatro comunicações que se fecham após o nascimento e são responsáveis por manter a adequada oxigenação no período intrauterino: • cordão umbilical, ducto venoso, forame oval e canal arterial. ! PARA FACILITAR: faça a associação dessas estruturas com outros contextos. Por exemplo, você se lembra em que situação devemos avaliar o ducto venoso de um feto? Ou quais são as repercussões clínicas de um forame oval ou ducto arterioso persistente? O ducto venoso deve ser avaliado em casos em que estamos diante de uma insuficiência placentária e centralização fetal. Quando temos um aumento na resistência do ducto venoso, estamos diante de uma acidemia fetal gravíssima, que geralmente indica resolução da gestação. Já no caso do forame oval patente ou ducto arterioso persistente, pensamos em complicações de hiperfluxo pulmonar, pois um shunt E > D que deveria estar fechado permanece aberto. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 42 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Veia umbilical Ducto venoso Veia cava inferior Átrio direito Ventrículo direito Artérias pulmonares Aorta descendente Veias pulmonaresPulmões Parte inferior do corpo do feto Coronárias e aorta ascendente Sistema nervoso central e parte superior do corpo fetal Artérias umbilicais Circulação materna Forame oval Átrio esquerdo Ventrículo esquerdo SANGUE OXIGENADO SANGUE POUCO OXIGENADO SANGUE POUCO OXIGENADO Circulação materna Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 43 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED SOFRIMENTO FETAL O sofrimento fetal é reflexo da baixa oxigenação e nutrição do feto. Se a oxigenação fetal não ocorre de maneira adequada, há aumento da produção de ácidos orgânicos, como o ácido lático e o cetoácido, ocasionando acidemia, que culmina em morte fetal. Sendo assim, a hipóxia fetal pode levar à necessidade de reanimação neonatal, internação em UTI, sequelas graves e morte perinatal. A hipóxia fetal pode ser aguda ou crônica, a depender da causa de diminuição da oxigenação fetal: COMPARAÇÃO ENTRE HIPÓXIA AGUDA E CRÔNICA Hipóxia aguda Hipóxia crônica Interrupção abrupta de nutrientes e oxigênio Deficiência crônica de nutrientes e oxigênio Não permite adaptação hemodinâmica fetal Permite adaptação hemodinâmica fetal Principalmente durante o parto Principalmente no pré-natal de gestação de alto risco Altera frequência cardíaca fetal Altera Dopplervelocimetria e líquido amniótico Melhor exame: cardiotocografia Melhor exame: Dopplervelocimetria CARDIOTOCOGRAFIA Queridinho das provas de Residência da USP-SP, USP-RP e Unifesp, o conhecimento da cardiotocografia é uma obrigação para todos os candidatos! Esse exame pode ser realizado antes do trabalho de parto (cardiotocografia anteparto), a partir de 24-26 semanas, ou durante o trabalho de parto (cardiotocografia intraparto). ! PARA FACILITAR: no caso de cardiotocografia intraparto, o parâmetro “mais importante” é a variabilidade. Ela, em associação com bradicardia ou desacelerações tardias ou variáveis, prediz um prognóstico mais reservado. As acelerações transitórias não são relevantes na avaliação intraparto, beleza? Sistematize seu jeito de avaliar uma cardiotocografia, passando por cada um dos parâmetros. PARÂMETROS DA CARDIOTOCOGRAFIA Linha de base - Média da frequência cardíaca fetal em um segmento de 10min • Normal: 110 -160 bpm • Bradicardia: < 110 bpm • Taquicardia: > 160 bpm Variabilidade - Oscilação da frequência cardíaca fetal na linha de base • Ausente: sem variabilidade • Mínima: < 5 bpm • Moderada: 6-25 bpm - normal • Aumentada: > 25 bpm • Padrão sinusoidal: ondas fixas e regulares em forma de sino - anemia fetal grave Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 44 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Acelerações transitórias • Aumento abrupto da frequência cardíaca fetal, acima de 15 bpm, durando de 15 s a 2 min. Desacelerações - Queda da frequência cardíaca fetal > 15 bpm durante > 15s • Precoces: desacelerações coincidentes com a contração uterina, com queda gradual e simétrica, e duração maior que 30 segundos. Resultantes da compressão do polo cefálico durante a contração. • Tardias: desacelerações graduais, simétricas, recorrentes e iniciam-se após a decalagem da contração. Indica hipoxemia fetal, resultante da redução do fluxo sanguíneo placentário em feto com baixa reserva de oxigênio. • Variáveis: não apresentam relação temporal com as contrações; as desacelerações são abruptas (menos de 30 segundos), podendo ser precedidas ou seguidas de pequenas acelerações. Resultantes da compressão transitória do cordão umbilical. DESACELERAÇÕES NA FREQUÊNCIA CARDÍACA FETAL As desacelerações correspondem a quedas periódicas da frequência cardíaca fetal em mais de 15 bpm por mais de 15 segundos. Quando ocorre queda da frequência cardíaca fetal por mais de 10 min, considera-se mudança da linha de base. Além da apresentação dos 3 tipos de desacelerações na cardiotocografia, é muito importante que você conheça a causa de cada uma delas, pois isso é cobrado de forma direta em muitas questões: • Precoces (tipo 1): são causadas pela compressão do polo cefálico durante a contração, com consequente redução transitória do fluxo sanguíneo cerebral. Essas desacelerações ocorrem principalmente no período expulsivo do trabalho de parto e são consideradas fisiológicas. • Tardias (tipo 2): ocorrem devido à diminuição dopO2 no espaço interviloso em fetos com baixa reserva de oxigênio, que evoluem com hipóxia fetal e consequentes desacelerações tardias. Por isso, as desacelerações tardias associam-se à diminuição do pH fetal e à maior morbimortalidade perinatal. • Variáveis (tipo 3): têm relação com a compressão do cordão umbilical e corte abrupto do fluxo de sangue para o feto. Assim, costuma ser observado em casos de oligoâmnio ou rompimento prematuro de membranas ovulares, ou seja, podem ocorrer tanto fora do trabalho de parto quanto no período intraparto. ! PARA FACILITAR: tenha atenção ao tipo de desaceleração observado. As do tipo 1 são totalmente benignas e podem aparecer em uma tentativa de confundi-lo com algo patológico. Tipos de desacelerações Desacelerações precoces • Coincidentes com a contração uterina • Queda gradual e simétrica • Duração maior que 30 segundos (Fonte: Arquivo pessoal). Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 45 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Desacelerações tardias • Iniciam-se após a decalagem da contração • Queda gradual e simétrica • Duração maior que 30 segundos Desacelerações variáveis • Não apresentam relação temporal com as contrações • A queda é abrupta (menos de 30 segundos) (Fonte: Arquivo pessoal). (Fonte: Arquivo pessoal). CARDIOTOCOGRAFIA ANTEPARTO A cardiotocografia anteparto pode ser realizada a partir de 26 semanas em fetos com risco de hipóxia. Quando temos um feto hipoativo ou inativo, podemos promover um estímulo sonoro ou tátil. A galera da USP-SP costuma cobrar esses conceitos, pois eles estão presentes no livro do Zugaib. ! PARA FACILITAR: ao contrário do que observamos na cardiotocografia intraparto, aqui, as acelerações transitórias são muito importantes, pois são justamente elas que fazem o feto pontuar na escala de perfil biofísico fetal! CARDIOTOCOGRAFIA ANTEPARTO DE REPOUSO Ativo Hipoativo Inativo Todos os parâmetros normais e pelo menos duas acelerações transitórias Pelo menos dois parâmetros normais Nenhum ou apenas um parâmetro normal CARDIOTOCOGRAFIA ANTEPARTO COM ESTÍMULO Reativo Hiporreativo Não reativo Aumento da FCF > 20bpm por mais de 3 minutos Aumento da FCF < 20bpm por menos de 3 minutos Ausência de aumento dos BCF Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 46 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED CARDIOTOCOGRAFIA INTRAPARTO Esta é a parte mais quente deste tema! Saber classificar e tomar uma conduta diante de uma cardiotocografia. Um dos jeitos mais frequentes que esse tema aparece é por meio de uma cardiotocografia totalmente NORMAL! Então, saiba reconhecer a famosa categoria 1! Uma informação importante sobre a cardiotocografia intraparto é que ela deve ser reservada para gestantes de alto risco para hipóxia fetal ou situações intraparto que aumentam o risco de hipóxia fetal. Não há benefícios de realizar CTB intraparto em gestantes de baixo risco e com o trabalho de parto fisiológico, além de aumentar o risco de cesárea e parto vaginal operatório. A cardiotocografia intraparto pode ser interpretada em três categorias. ! PARA FACILITAR: memorize o que é categoria 1 e o que é categoria 3. O que não se encaixar em nenhuma delas, é categoria 2. CLASSIFICAÇÃO DA CARDIOTOCOGRAFIA INTRAPARTO Categoria 1 - Normal - sem sinais de hipóxia • Todos os critérios abaixo: ͳ linha de base entre 110-160 bpm; ͳ variabilidade moderada; ͳ ausência de desacelerações tardias ou variáveis; ͳ acelerações podem ou não estar presentes; ͳ desacelerações precoces podem ou não estar presentes. • Conduta: seguimento normal Categoria 2 - Indeterminado/atípico • Todas as que não se enquadram nas categorias 1 e 3 • Conduta: mudança de decúbito, oxigenoterapia, hidratação, suspensão de medicação uterotônica, medicação uterolítica, amnioinfusão. Categoria 3 - Anormal - sugestivo de hipóxia fetal • Variabilidade ausente ou mínima E: ͳ bradicardia OU ͳ desacelerações tardias recorrentes OU ͳ desacelerações variáveis recorrentes. • Padrão sinusoidal. • Conduta: mudança de decúbito, oxigenoterapia, hidratação, suspensão de medicação uterotônica, medicação uterolítica, amnioinfusão, ultimação do parto. DOPPLERVELOCIMETRIA A Dopplervelocimetria fetal estuda, por meio da ultrassonografia, a velocidade do fluxo sanguíneo dos vasos uterinos, placentários e fetais. Esse método possibilita o estudo não invasivo da resposta hemodinâmica fetal frente à hipóxia fetal crônica. É um exame seguro na gestação e deve ser utilizado apenas para gestantes com risco de insuficiência placentária. De forma geral, a circulação uteroplacentária é avaliada por meio das artérias uterinas, e a circulação fetoplacentária, pelas artérias umbilicais. Já a circulação fetal é avaliada principalmente pela artéria cerebral média (território arterial) e pelo ducto venoso (território venoso). Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 47 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED ! Atenção: cuidado para não confundir artéria uterina com artéria umbilical! Quando a alteração está restrita às uterinas, o quadro tende a não ser tão grave — ou seja, cuidado para não assinalar alternativas muito invasivas em caso de alteração isolada na artéria uterina. Agora, quando o problema chega na artéria umbilical, aí o buraco é mais embaixo. Artéria umbilical Circulação uteroplacentária Invasão trofoblástica deficiente Predição pré-eclâmpsia e restrição de crescimento fetal Circulação fetoplacentária Insuficiência placentária e hipóxia Primeiro território a ser avaliado na insuficiência placentária Artéria cerebral média Circulação território arterial fetal Centralização hemodinâmica fetal Ducto venoso Óbito fetal Circulação território venoso fetal Acidemia fetal Artéria uterina Agora, o terror da Obstetrícia para os candidatos: deparar-se com uma imagem de Dopplervelocimetria na prova! A USP-SP é bem maldosa e quase sempre exige essa avaliação de seus futuros Residentes. Mas, fique em paz, Coruja! Fique ligado nas dicas a seguir para identificar cada um dos vasos em sua prova: Artéria uterina: • o vaso encontra-se fora da cavidade amniótica; • o vaso normal tem uma diástole grande; • o vaso alterado tem uma diástole pequena e, muitas vezes, incisura protodiastólica. • a frequência cardíaca é MATERNA. Artéria umbilical: • o vaso encontra-se dentro da cavidade amniótica e fora do feto; • a FREQUÊNCIA CARDÍACA é fetal, e não materna; • o vaso normal tem uma diástole grande; • o vaso alterado tem uma diástole pequena, ausente ou reversa. Artéria cerebral média: • o vaso encontra-se dentro do polo cefálico do feto; • o vaso normal tem uma diástole pequena; • o vaso alterado tem uma diástole grande. É praticamente o contrário das artérias umbilicais! Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 48 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Ducto venoso: • o vaso encontra-se dentro do abdome fetal (geralmente, vemos a coluna vertebral do feto); • a onda do vaso apresenta dois picos (típico de veias, e não artérias!); • quando alterado, apresenta onda A reduzida, ausente ou negativa. Território avaliado Significado da alteração Valor alterado Vaso normal Vaso alterado Artéria uterina Invasão trofoblástica Inadequada IP > p95 OU incisura protodiastólica Artéria umbilical Resistência placentária aumentada IP > p95 OU fluxo diastólico diminuído, ausente ou reverso Artéria cerebral média Território arterial fetal alterado IP < p5 Ducto venoso Território venoso fetal alterado IP >1 ou 1,5 (Fonte: Arquivo pessoal). (Fonte: Arquivo pessoal). (Fonte: Arquivo pessoal). (Fonte: Arquivo pessoal). (Fonte: Arquivo pessoal). (Fonte: Arquivo pessoal). (Fonte: Arquivo pessoal). (Fonte: Arquivo pessoal). Beleza, identificado o problema, devemos saber o que fazer! Essa é uma parte com bastante diferença entre os protocolos. Então, recomendamos que você seatente à bibliografia utilizada por sua banca, beleza? Aqui, temos algumas condutas tanto de alterações na Dopplervelocimetria quanto do ILA (índice do líquido amniótico). O perfil biofísico fetal será abordado daqui a pouco! Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 49 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED 37-39 semanas 32-34 semanas 30-32 semanas 26-30 semanas 36-38 semanas 34-37 semanas PIG constitucional (Doppler normal e percentil entre 3 e 9) Diástole ausente da artéria umbilical Diástole reversa da artéria umbilical Ducto venoso alterado PBF <6/10 Peso fetal < percentil 3 com ILA e Doppler normal AUM alterada com diástole presente • AU alterada • ACM alterada • Relação C/P alterada • Oligoâmnio Resolução da gestação na RCF (FIGO 2021) PERFIL BIOFÍSICO FETAL O perfil biofísico fetal é um exame não invasivo que avalia a vitalidade fetal por meio de quatro parâmetros biofísicos que se alteram diante de hipóxia fetal. Podemos dividir, ainda, entre marcadores de hipóxia aguda e crônica: • aguda: tônus, movimentos corporais fetais, movimentos respiratórios e frequência cardíaca fetal. • crônica: volume do líquido amniótico. As anormalidades das atividades biofísicas durante a hipóxia aguda acontecem na ordem inversa de seu aparecimento durante o período embrionário (tônus → movimentos corporais → movimentos respiratórios → acelerações transitórias na cardiotocografia) . Ou seja, o primeiro parâmetro a se alterar é o padrão da cardiotocografia! PONTUAÇÃO DO PERFIL BIOFÍSICO FETAL (PBF) VARIANTE BIOFÍSICA NORMAL (2 PONTOS) ANORMAL (0 PONTOS) Movimentos respiratórios fetais Pelo menos um episódio > 30 segundos de duração em 30 min de observação Ausência ou nenhum episódio ≥30 segundos de duração em 30 min de observação Movimentos corporais fetais Pelo menos 3 movimentos evidentes do tronco/membros em 30 min (episódios de movimento contínuo são considerados como movimento único) Dois ou menos episódios de movimento do tronco/membros em 30 min Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 50 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Tônus fetal Pelo menos um episódio de extensão e flexão ativa do tronco/membros. Abertura e fechamento da mão são considerados tônus normal Movimento de extensão/flexão muito lento ou movimento dos membros em extensão completa ou ausência de movimento fetal Reatividade cardíaca fetal Pelo menos 2 episódios de aceleração da frequência cardíaca > 15 batimentos em 15 segundos de duração Menos de 2 acelerações ou aumento < 15bpm em 30min Valor quantitativo do volume do líquido amniótico Pelo menos um bolsão de líquido amniótico com mais de 2 cm Ausência de líquido amniótico ou um bolsão < 2 cm ≥ 8 Normal < 8 Monitorização ou resolução da gestação PBF A pontuação que esperamos obter é a de, pelo menos, 8. Qualquer valor abaixo disso deve, necessariamente, acender nosso alerta para condutas mais invasivas, beleza? CAPÍTULO 13.0 ASSISTÊNCIA AO PARTO Aqui, temos um tema que deve ser de conhecimento de todos os médicos. Não é à toa que é muito cobrado nas provas de Residência! CONTRAINDICAÇÕES AO PARTO NORMAL Antes de mais nada, vamos memorizar quando não devemos conduzir um trabalho de parto vaginal. ! PARA FACILITAR: as contraindicações absolutas são aquelas que aumentam muito o risco de rotura uterina, sofrimento fetal agudo durante o trabalho de parto ou contaminação do feto por agentes virulentos. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 51 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED CONTRAINDICAÇÕES DE PARTO NORMAL Absolutas Relativas Inserção baixa de placenta (placenta prévia) Gestação múltipla Descolamento prematuro de placenta com feto vivo ou instabilidade materna Intercorrências maternas graves Iminência de rotura uterina Macrossomia fetal Sofrimento fetal agudo no início do trabalho de parto Apresentações anômalas Infecção ativa por herpes genital Vício pélvico Miomectomia prévia Carcinoma cervical invasivo Cicatriz de cesárea longitudinal prévia Mais de duas cicatrizes de cesárea prévias Vasa prévia Incontinência urinária e fecal corrigida Prolapso de cordão umbilical Tumor prévio que obstrui o canal cervical HIV com carga viral > 1.000 cópias Contrações rítmicas 3-4 contrações em 10min Dilatação e esvaecimento cervical 3-4cm, fino e medianizado TRABALHO DE PARTO DEFINIÇÃO DE TRABALHO DE PARTO Coruja, não é qualquer contração uterina que é trabalho de parto! Lembre-se de que, necessariamente, devemos ter dilatação do colo uterino junto com as contrações rítmicas. O número exato de centímetros e contrações varia de acordo com cada instituição, mas não se preocupe! No geral, os examinadores evitam trazer casos ambíguos para evitar recursos. ASSISTÊNCIA AO PARTO O trabalho de parto é composto por 4 períodos clínicos: dilatação, expulsão, dequitação e período de Greenberg (1ª hora pós-parto). Dilatação Expulsão Dequitação Greenberg Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 52 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED PRIMEIRO PERÍODO: DILATAÇÃO Primeiro período Fase ativa 3 contratações em 10 min e dilatação acima de 5cm Na maioria das vezes, a gestante chega ao hospital no primeiro período do parto, fase em que ocorre a dilatação e o esvaecimento do colo uterino. A partir de 5 cm de dilatação, temos a chamada fase ativa. Idealmente, é nesse momento em que abrimos o partograma da parturiente. Primeiro estágio Dilatação Fase ativa a partir de 5cm de dilatação Duração variável, em torno de 12h Controle intermitente dos BCFs a cada 15-30min Toque vaginal a cada 4h Opções de alívio da dor Ingestão de líquidos e alimentos Encorajar movimentação e posição vertical Dilatação cervical de 1cm/h Interveções de rotina < 5cm Pelvimetria clínica Cardiotocografia para gestante de risco habitual Tricotomia e enemas Embrocação vaginal de rotina com atissépticos Amniotomia para evitar parto prolongado Ocitocina de rotina Antiespasmódicos e fluidos endovenosos de rotina Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 53 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED O segundo período do trabalho de parto, também chamado de período expulsivo, inicia-se quando a dilatação do colo uterino está completa e a parturiente começa a ter vontade de empurrar. Apesar de ser bem mais curto do que o período de dilatação, é nessa etapa que a parturiente “sofre” mais. ! Atenção: só vamos falar de período expulsivo depois que a dilatação atingir 10 cm. TERCEIRO PERÍODO: DEQUITAÇÃO Segundo estágio Expulsivo Duração variável, <2h em multípara e <3h em primipara Posição do parto de escolha da gestante Controle intermitente dos BCFs a cada 5min Puxos espontâneos Encorajar movimentação e posição vertical Uso rotineiro e liberal de episotomia Manobra de Kristeller Massagem perineal, compressas quentes, proteção perineal com as mãos Terceiro período Dequitação Período após o nascimento do feto até expulsão da placenta SEGUNDO PERÍODO: EXPULSIVO Segundo período Expulsivo Dilatação completa e vontade de empurrar Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 54 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED O terceiro período do trabalho de parto é a fase de dequitação, também chamado de secundamento ou delivramento. Corresponde ao período após o nascimento do feto até a expulsão da placenta e das membranas fetais. Idealmente, a dequitação deve ocorrer em até 1 hora após o parto. Terceiro estágio Dequitação Ocitocina 10UI IM universal Tração controlada de cordão Retardar o clampeamento do cordão por pelo menos 1min Massagem uterina contínua em paciente que recebeu ocitocina QUARTO PERÍODO: PERÍODO DE GREENBERG O quarto período do trabalho do parto, ou período de Greenberg, corresponde à primeira hora após a dequitação da placenta. É nessemomento que devemos estar bem atentos com a puérpera, dado o risco de hemorragia pós-parto! Quarto estágio Greenberg Avaliação de tônus uterino, FC e PA materna a cada 15 min na primeira hora após a dequitação. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 55 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED MAPA MENTAL 1º período do parto FASE ATIVA 2º período do parto EXPULSIVO 3º período do parto DEQUITAÇÃO 4º período do parto GREENBERG PRINCIPAL MECANISMO MIOTAMPONAMENTO Contração uterina - ligaduras vivas de Pinard TROMBOTAMPONAMENTO Trombos e coágulos INDIFERENCIAÇÃO UTERINA Contração/Relaxamento CONTRAÇÃO UTERINA FIXA MAIOR SANGRAMENTO MECANISMOS DE PARTO Os mecanismos de parto são movimentos passivos que as contrações uterinas provocam no feto quando o impulsionam contra os pontos de resistência da pelve materna. Tais movimentos fazem com que os maiores diâmetros fetais coincidam com os maiores diâmetros da bacia obstétrica e, dessa forma, a apresentação fetal possa progredir pelos planos da bacia. ! Atenção: uma dificuldade frequente dos alunos é confundir os mecanismos de parto com as fases clínicas do trabalho de parto. Para evitar essa confusão, lembre-se de que todos os mecanismos de parto (com exceção da insinuação) ocorrem dentro do período expulsivo, que é apenas a segunda fase do trabalho de parto, beleza? Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 56 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Dessas fases, a mais cobrada nas provas é a rotação interna, que é o movimento no sentido horário ou no anti-horário que a apresentação fetal realiza ao ser impulsionada pelas contrações uterinas contra os pontos de resistência da pelve materna e que permite que o feto adapte seu maior diâmetro ao maior diâmetro da bacia obstétrica. Considerando que a variedade de posição com melhor prognóstico para o desprendimento do polo cefálico é a occipitopúbica (OP), é esperado que a rotação interna ocorra no sentido da menor rotação possível para a atingir durante a descida do feto pelo canal de parto. Ou seja, faça seus “cálculos” considerando que a rotação interna vai fazer o bebê ficar em OP! Quando você estiver diante de questões relativas aos graus e/ou sentido de rotação da apresentação fetal, seja na prova escrita, seja na prova prática, minha dica é: DESENHE! Traços simples podem o ajudar a guiar seu raciocínio e evitar erros, especialmente em um momento estressante como o da prova. Variedade de posição occipto púbica (OP). DISTOCIA DE OMBRO Uma verdadeira emergência obstétrica! Tanto é que temos o acrônimo ALEERTA para guiar nossa conduta frente ao bebê que desprende o polo cefálico e fica “preso” pelos ombros no canal de parto. A chave desse tema para as provas é conhecer as manobras e o momento certo de as indicar. Os epônimos ainda são cobrados por muitas bancas. A Alerta, chamar ajuda L Levantar as pernas: manobra de McRoberts E Externa: pressão suprapúbica (Rubin I) E R Considerar a possibilidade de episiotomia Retirada do braço posterior (manobra de Jacquemier) Toque: realização das manobras internas Alterar a posição da paciente (posição de Gaskin) T A Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 57 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED MANOBRAS PARA CORREÇÃO DA DISTOCIA DE BIACROMIAL Manobra de McRoberts Flexão da perna da mulher, o que aumenta o diâmetro de saída da pelve. Geralmente, é a primeira manobra a ser realizada. Manobra I de Rubin Pressão suprapúbica sobre o ombro anterior do feto Manobra de Jacquemier Retirada do braço posterior fetal do canal de parto Manobra II de Rubin Empurrar o ombro anterior do feto em direção ao seu tórax Manobra de Woods Empurrar o ombro posterior pela frente do feto, em direção à sínfise púbica Manobra de Woods reverso Fletindo o ombro posterior sobre o tórax Posição de Gaskin Mudar a posição da paciente para quatro apoios Manobra de Zavanelli Reposicionamento da cabeça fetal na pelve, seguida de cesárea PARTO PÉLVICO VAGINAL Apesar de assustar a equipe, a apresentação pélvica não é contraindicação para o parto vaginal em gestações únicas. Outro nome estranho que você pode encontrar nas provas para se referir à posição pélvica incompleta é a posição agripina. ! Atenção: os epônimos das manobras não são tão cobrados para as provas. No entanto, é importante conhecê-los, ao menos, para excluir alternativas em questões sobre distocias de ombro. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 58 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED MANOBRAS DESPRENDIMENTO ESPÁDUAS TÉCNICA Deventer-Müller Movimentos pendulares de abaixamento e elevação do corpo fetal, procurando fazer com que o ombro anterior se encaixe no subpúbis; em seguida, desprende-a com auxílio digital. Manobra de Rojas Transformação da espádua posterior em anterior, por meio de tração, rotação axial e translação fetal. O braço posterior flexiona-se pela face anterior do tronco do feto, desprendendo-se no subpúbis. Manobra de Pajot Apreende-se o braço anterior com os dedos médio e indicador na face externa e o polegar no cavo axilar, realizando movimento de flexão do cotovelo e descida do braço pela região anterior da face e do tronco fetal. MANOBRAS PARA CABEÇA DERRADEIRA TÉCNICA Manobra de Liverpool Manter pendente o corpo fetal por 20 segundos, até que o polo cefálico desça e seja possível visualizar a raiz da nuca. Segurando o feto pelos pés, eleva-se e traciona-se o corpo fetal para o ventre materno, com consequente desprendimento cefálico Manobra de McRoberts Hiperflexão da coxa materna para aumentar a amplitude dos estreitos médio e inferior da bacia Manobra de Mauriceau Apoiar o feto sobre o antebraço do obstetra que introduz os dedos médio e indicador na mandíbula do feto, fletindo o polo cefálico Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 59 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED PROLAPSO DE CORDÃO Considera-se prolapso de cordão quando o cordão umbilical está à frente da apresentação e as membranas estão rotas. Essa intercorrência tem forte relação com as desacelerações intraparto do tipo 3 na cardiotocografia! Para as provas, o mais importante é saber a conduta: cesárea de emergência. Alguns autores preconizam a elevação da apresentação fetal por meio do toque vaginal até que a cesárea seja realizada. LOQUIAÇÃO A puérpera apresenta secreção vaginal decorrente do desprendimento dos tecidos da decídua. Essa secreção é chamada de lóquio. Parece bobeira, mas a classificação da loquiação foi cobrada recentemente pela prova do SUS-SP. No início, os lóquios são compostos principalmente por sangue, por isso são chamados de lóquios rubros. A partir do 3º e 4º dia, os lóquios vão ficando mais serossanguinolentos, com coloração acastanhada, sendo chamados então de lóquios fusco. Após o décimo dia, a loquiação vai ficando amarelada (loquiação flava), até adquirir cor clara (loquiação alba) e, então, parar. Rubra Fusca Flava Alba Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 60 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED PARTO VAGINAL OPERATÓRIO FÓRCEPS Os quatro tipos de fórceps mais utilizados na prática obstétrica são: Simpson-Braun, Kielland, Luikart e Piper. Todos os fórceps apresentam dois ramos, cada um deles é constituído por colher, articulação e cabo, sendo que a colher apresenta curvatura que se adapta à cabeça fetal e que se ajusta à pelve materna, a articulação conecta um ramo ao outro, e o cabo é o local em que o obstetra segura. Recomendo que você se atente às características de cada um deles, pois imagens dos tipos de fórceps vêm sendo cobradas com certa recorrência! ! PARA FACILITAR: • Kielland = “Kielado”, que serve para girar a apresentação fetal para o lado certo, uma vez que permite a rotação da cabeça fetal. • Piper = começa com “P” de pélvico, utilizadopara resolver bebês com cabeça derradeira. • Simpson-Braun = “Só para tirar”, utilizado para alívio materno. Não permite rotação da apresentação fetal. TABELA 3: TIPOS DE FÓRCIPES E SUAS UTILIDADES TIPOS DE FÓRCIPES UTILIDADE Simpson-Braun Variedades oblíquas e pegas diretas (púbica e sacra). Kielland Todas as variedades de posição, inclusive as variedades transversas. Permite a rotação da cabeça fetal. Luikart Não tem colheres fenestradas, conseguindo distribuir melhor a pressão exercida por ele. Mesma utilidade do Kielland. Piper Apresentações pélvicas com cabeça derradeira. Até certo tempo atrás, o procedimento de episiotomia era praticamente rotina quando havia necessidade de passagem de fórcipe. Hoje, devemos tomar muito cuidado com as alternativas que trazem essa proposta, pois estamos caminhando no sentido de intervir menos nas parturientes! Cada caso deve ser avaliado individualmente para que seja indicada a episiotomia, beleza? Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 61 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED VÁCUO EXTRATOR PARTO VAGINAL OPERATÓRIO Fórcipe Vácuo Indicações Doenças maternas, exaustão materna, alívio do período expulsivo, sofrimento fetal no expulsivo, variedade de posição anômala, parada da progressão e analgesia de parto. Contraindicação Prematuridade extrema, doenças fetais que aumentam a chance de sangramento e lesão óssea, cabeça não insinuada, apresentação que não a occipital, suspeita de desproporção cefalopélvica, vácuo-extrator antes de 34 semanas, rotação do polo cefálico Condições de aplicabilidade Colo uterino completamente dilatado, rotura das membranas fetais, estreitos médio e inferior compatíveis com a cabeça fetal, feto vivo, cabeça insinuada, volume cefálico normal e identificação da variedade de posição Complicações Escoriações leves, paralisia facial temporária, esmagamento de nervos parietais, fraturas cranianas, lesões oculares, lacerações perineais Céfalo-hematoma, hematoma subaponeurótico, hemorragia intracraniana Vantagens Resolução mais rápida do parto, necessita de pouca cooperação da paciente, pode ser usado em apresentações anômalas Fácil aplicação, não necessita de analgesia, menos lesão no assoalho pélvico, permite aplicação em algumas posições verticalizadas Desvantagens Mais laceração perineal, maior dificuldade na aplicação e necessidade de analgesia Menos chance de ultimação do parto, maior incidência de céfalo-hematomas, necessita de mais cooperação da paciente, pode levar à perda do vácuo se a tração for incorreta O vácuo extrator é utilizado nas mesmas indicações do fórcipe, mas tem a vantagem de não necessitar de analgesia e de causar menos lesão no assoalho pélvico. Agora, mais importante do que simplesmente conhecer as ferramentas que temos para os partos vaginais operatórios, é saber quando utilizar cada uma delas! Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 62 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED CAPÍTULO 14.0 INDUÇÃO DO PARTO A indução do parto é importante para salvar binômios materno-fetais quando a prolongação da gestação traz mais riscos do que benefícios. Já comentei algumas vezes, mas, aqui, vale a pena repetir: na obstetrícia, estamos caminhando no sentido de “invadir” menos as gestantes. Dessa forma, quando precisarmos resolver uma gestação em uma questão, daremos sempre preferência pela indução de um parto vaginal se possível! A cesárea fica reservada para situações de emergência ou contraindicação do parto vaginal, beleza? Se a mãe e o feto não estiverem muito mal, considere a alternativa da indução com mais carinho. TABELA 1: PRINCIPAIS INDICAÇÕES PARA INDUÇÃO DO PARTO Rotura prematura de membranas/ corioamnionite Pós-termo Hipertensão gestacional Diabetes gestacional Restrição de crescimento fetal Óbito fetal CONTRAINDICAÇÕES Algumas situações contraindicam a indução do trabalho de parto por aumentar os riscos maternos e fetais. Nesses casos, a cesárea é a melhor via para resolução da gestação. ! PARA FACILITAR: para que o feto “aguente” o parto, é importante que sua vitalidade esteja preservada. Ou seja, em situações em que temos um sofrimento fetal grave instalado, aí não tem jeito: a cesárea acaba sendo a via indicada. TABELA 2: CONTRAINDICAÇÕES DE INDUÇÃO DO TRABALHO DE PARTO Absolutas (contraindicações ao parto normal) Relativas Placenta prévia Gestação múltipla Sofrimento fetal agudo Macrossomia fetal Infecção ativa por herpes genital Apresentações anômalas Miomectomia prévia Vício pélvico Cicatriz de cesárea prévia longitudinal Carcinoma cervical invasivo Vasa prévia Cicatrizes de cesárea prévia Prolapso de cordão umbilical AVALIAÇÃO DO COLO UTERINO A condição do colo uterino é o principal fator preditor de sucesso na indução do trabalho de parto. Portanto, para avaliar a melhor estratégia para a indução, é imprescindível avaliar primeiramente as condições do colo uterino. Uma das formas de fazer essa avaliação é por meio do índice de Bishop. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 63 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED TABELA 3: ÍNDICE DE BISHOP PARÂMETROS 0 1 2 3 Dilatação 0 1-2 cm 3-4 cm 5-6 cm Esvaecimento 0-30% 40-50% 60-70% 80% Consistência firme média amolecida - Posição posterior medianizada anterior - Altura da apresentação -3 -2 -1 e 0 +1 e +2 Geralmente, não é cobrado dos candidatos que se calcule o índice de Bishop. Mas é importante que você conheça as variáveis avaliadas e o corte de 6 para considerar o colo favorável. Outra coisa que se repete nas provas nesse tema é a técnica de preparo do colo uterino. Temos dois principais: métodos farmacológicos e métodos mecânicos. Pense que a meta em ambos os métodos é tornar o colo favorável para entrar com ocitocina. O que muda é o que vem antes dessa etapa. • Métodos farmacológicos: o mais utilizado é o misoprostol. Não pode ser utilizado em pacientes com cesárea prévia pelo risco de rotura uterina! • Métodos mecânicos: o mais conhecido é o método de Krause, que promove o descolamento artificial das membranas por meio do uso de um cateter de Foley. É o método de escolha para gestantes com cesáreas prévias que precisem induzir. ! PARA FACILITAR: destaque SEMPRE o histórico obstétrico da gestante em questão. Quando é trazida a informação de uma ou mais cesáreas prévias, pode ter certeza que isso será relevante para que você escolha a alternativa correta! INDUÇÃO DO PARTO Colo uterino (Índice de Bishop) Favorável (Índice de Bishop > 6) Métodos farmacológicos Descolamento das membranas Desfavorável (Índice de Bishop ≤ 6) Ocitocina Laminária Métodos mecânicos Cateter de Foley Prostaglandinas E1 (Misoprostol) Prostaglandinas E2 (Dinoprostone) Relaxina óxido nítrico Hialuronidase Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 64 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED CAPÍTULO 15.0 RESTRIÇÃO DO CRESCIMENTO FETAL Este tema costuma gerar um pouco de confusão nos estudantes. Mas, fique calmo, Coruja! Vamos juntos tirar suas dúvidas. DEFINIÇÃO A restrição de crescimento fetal é um termo usado para descrever o feto que não está crescendo em todo seu potencial devido a algum processo patológico. Ou seja, quando falamos de um feto restrito, obrigatoriamente estamos falando de problema! Um processo patológico se instalou. Para que possamos definir que processo foi esse, é necessário avaliar o peso fetal, a circunferência abdominal fetal e a Dopplervelocimetria obstétrica. Peso estimado na ultrassonografia < percentil 10 para a idade gestacional RESTRIÇÃO DE CRESCIMENTO FETAL Dopplervelocimetria fetal alterada Circunferência abdominal na ultrassonografia < percenti10 para a idade gestacional CLASSIFICAÇÃO A restrição de crescimento pode ser classificada em precoce ou tardia a depender da idade gestacional em que ela surge, ou como simétrica (tipoI), assimétrica (tipo II) ou mista (tipo III). ! PARA FACILITAR: apegue-se à fisiopatologia. Quando o insulto ao feto se instala no começo, “todas” suas células são afetadas na fase da hiperplasia. Ou seja, o problema distribui-se de forma homogênea, e temos uma restrição simétrica. Insultos mais tardios afetam a fase de hipertrofia das células, processo que não ocorre em todas as células. Assim, a restrição adquire um aspecto assimétrico. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 65 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED RCF Precoce < 32 semanas Mais grave Mais raro RCF Tardia ≥ 32 semanas Menos grave Mais frequente Alteração ACM e Relação C/P Alteração AUM e DV CLASSIFICAÇÃO DA RESTRIÇÃO DE CRESCIMENTO FETAL TIPO I - SIMÉTRICO TIPO II - ASSIMÉTRICO TIPO III - MISTO 20% dos casos 75% dos casos 5-10% dos casos Causas presentes desde o início da gestação Agressão ocorre mais tardiamente na gravidez Agressão nas fases de hiperplasia e hipertrofia celular Feto com crescimento proporcional Desproporção entre o polo cefálico e o restante do corpo fetal Pode ser proporcional ou desproporcional Malformações fetais Insuficiência placentária Desnutrição materna Alterações cromossômicas Hipertensão arterial Uso de drogas Infecção congênita Doenças autoimunes Tabagismo e etilismo Sem hipóxia fetal Pode levar à hipóxia fetal Pode levar à hipóxia fetal DIAGNÓSTICO Investiga-se restrição do crescimento fetal quando a gestante apresenta alto risco para desenvolver essa patologia ou quando, no pré- natal, há suspeita de crescimento abaixo do esperado para a idade gestacional. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 66 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED ! PARA FACILITAR: algumas instituições gostam da diferença entre restrição do crescimento e pequeno para idade gestacional. A tabela a seguir, resume bem como os diferenciar. Gestante de baixo risco para RCF Pré-natal de rotina Altura uterina < percentil 10 Gestante de alto risco para RCF Ultrassom seriado 24-28 semanas Ultrassom obstétrico Peso fetal estimado < percentil 10 Diferenciar PIG de RCF • Dopplervelocimetria • Avaliação do líquido amniótico • Ultrassom seriado • PFE entre percentil 3 e 10 • Doppler e LA normais • PFE < percentil 3 • Doppler alterado • Oligoâmnio PIG constitucional RCF Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 67 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED CONDUTA NA RESTRIÇÃO DE CRESCIMENTO FETAL A primeira conduta diante de uma gestante com restrição do crescimento fetal deve ser a investigação da etiologia da restrição de crescimento. Depois, de acordo com a etiologia, a conduta muda. Fique ligado: ACHADOS CONDUTA PIG constitucional (Doppler normal da artéria umbilical e peso fetal entre os percentis 3 e 9) Parto entre 37-39 semanas Indução do parto Doppler a cada 1-2 semanas PBF e CTG 1-2x por semana ≥ 37 semanas Peso fetal < percentil 3 com Doppler e ILA normal Parto entre 36-38 semanas Indução do parto Doppler 1-2x por semana PBF e CTG 1-2x por semana ≥ 37 semanas IP artéria umbilical > percentil 95 IP artéria uterina > percentil 95 IP artéria cerebral média < percentil 5 Relação cerebroplacentária < percentil 5 Oligoâmnio Parto entre 34-37 semanas Indução do parto ou cesárea Doppler 1-2x por semana PBF e CTG 1-2x por semana • Ultrassonografia seriada • Dopplervelocimetria obstétrica • Cardiotocografia • Perfil biofísico fetal • Amniocentese para cariótipo ou • PCR de agentes infecciosos Conduta na RCF • História clínica e obstétrica • Avaliação morfológica fetal • Dopplervelocimetria obstétrica • Investigação de infecções congênitas Investigar etiologia RCF por insuficiência planetária RCF por infecção e alterações genéticas Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 68 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Diástole ausente da artéria umbilical Parto entre 32-34 semanas Cesárea Doppler a cada 1-2 dias PBF e CTG 1-2x por dia Diástole reversa da artéria umbilical Parto entre 30-32 semanas Cesárea Doppler a cada 1-2 dias PBF e CTG 1-2x por dia Ducto venoso alterado PBF < 6/10 Parto entre 26-30 semanas Cesárea Doppler diário PBF e CTG 1-2x ao dia PBF < 4/10 CTG alterada Risco de vida materno (p.ex.: pré-eclâmpsia) Resolução da gestação independentemente da idade gestacional CAPÍTULO 16.0 ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL A assistência pré-natal é importante tanto para as questões de obstetrícia quanto para as de neonatologia, na pediatria. Conhecer os detalhes desse tema vai lhe garantir uma boa quantidade de acertos. Bora lá? NÚMERO DE CONSULTAS A Organização Mundial da Saúde preconiza que a gestante passe, ao menos, por seis consultas de pré-natal para que a assistência seja considerada adequada. O intervalo entre as consultas de pré-natal em uma gestação de risco habitual obedece a alguns intervalos. A cada quatro semanas até a 28ª semana de gestação. Excetuando-se o primeiro retorno, que deve ocorrer em até 15 dias para avaliação dos exames da rotina de pré-natal solicitados na primeira consulta. A cada 15 dias entre a 28ª semana e a 36ª semana de gestação. Semanalmente a partir do termo até o parto. DIAGNÓSTICO DE GESTAÇÃO Existem sinais de presunção, de probabilidade e de certeza da gestação. É interessante como os sinais de presunção e probabilidade são, basicamente, alterações fisiológicas que a gestação promove no corpo da mãe; e os sinais de certeza são aqueles que encontram o feto. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 69 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED SINAIS DE PRESUNÇÃO SINAIS DE PROBABILIDADE SINAIS DE CERTEZA atraso menstrual até 14 dias Atraso menstrual maior que 14 dias Sinal de Puzos Náuseas e vômitos Aumento do volume uterino Palpação e percepção de movimentos fetais ou de partes fetais Congestão mamária Amolecimento do colo uterino Ausculta de batimentos cardíacos fetais Rede de Haller Alterações do muco cervical Sinal de Hunter Sinal de Piskacek Tubérculos de Montgomery Sinal de Hegar Polaciúria Sinal de Nobile-Budin Cloasma gravídico Sinal de Jacquemier-Chadwick Linha nigra Sinal de Kluge Sinal de Halban Sinal de Osiander São muitos epônimos, né? Hoje em dia, um simples teste para identificar o beta-HCG na urina já substitui toda essa semiologia complexa, mas é importante conhecê-la, pois ainda é assunto de algumas provas. • Rede de Haller: aumento da vascularização nas mamas da gestante. • Sinal de Hunter: aumento da pigmentação dos mamilos, que torna seus limites imprecisos (como se fosse um alvo). • Tubérculos de Montgomery: são glândulas sebáceas localizadas na aréola e em torno do mamilo, que se hipertrofiam na gestação. • Sinal de Halban: refere-se ao aparecimento de pelos finos e macios (lanugem) geralmente na face e/ou couro cabeludo. • Sinal de Piskacek: refere-se a uma assimetria notada no fundo do útero durante a palpação. • Sinal de Hegar: sinal de probabilidade de gestação diante do amolecimento do istmo uterino via toque vaginal e palpação abdomino-pélvica. • Sinal de Nobile-Budin: abaulamento do útero gravídico ao toque do fundo de saco vaginal. • Sinal de Jacquemier-Chadwick: refere-se à distensão venosa da vulva, pelo aumento do fluxo sanguíneo. • Sinal de Kluge: coloração violácea da vagina por distensão venosa local. • Sinal de Osiander: percepção do pulso arterial nos fundos de saco laterais e posterior da vagina, durante o toque vaginal • Sinal de Puzos: o único dos sinais de epônimo de certeza. Sente-se o rechaço da apresentação fetal durante o toque vaginal. CÁLCULO DA IDADE GESTACIONAL PELA DUM Para determinar a idade gestacional a partir da data da última menstruação (DUM), lembre-se de que ela representa o primeiro dia do último ciclo menstrual. ! Atenção: É comum o examinador apresentar a você o primeiro e o último dia do ciclo menstrual no enunciado da questão e solicitarque você determine a idade gestacional. Não caia nessa pegadinha! O que vale é o PRIMEIRO dia da data da última menstruação. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 70 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Soma dos dias entre a DUM e a data em que se deseja saber a IG 7 = IG (em semanas) Soma dos dias entre a data do USG e a data em que se deseja saber a IG 7 + IG (USG) = IG (em semanas) CÁLCULO DA IDADE GESTACIONAL PELO USG Outra forma de calcular a idade gestacional é a partir da ultrassonografia. Sendo que a estimativa da IG pelo ultrassom é fundamental nos casos em que há dúvidas a respeito de quão fidedigna é a DUM ou quando ela é desconhecida. DATA PROVÁVEL DO PARTO (DPP) Refere-se à data em que a gestante completa 40 semanas de gestação segundo a DUM. A DPP é calculada, segundo a regra de Naegele, somando-se 07 ao número de dias da DUM e subtraindo-se 03 dos meses da DUM. ! Atenção: caso a gestação tenha se iniciado nos três primeiros meses do ano, somamos 9 aos meses e 7 aos dias. REGRA DE NAEGELE = somar 07 aos dias e subtrair 03 dos meses da DUM = DPP. DEFINIÇÃO PELA IDADE GESTACIONAL Divide-se a gestação em três trimestres ou quanto ao termo da gestação. • 1º trimestre: até a 12ª semana de gestação. • 2º trimestre: da 13ª até a 27ª semana de gestação. • 3º trimestre: a partir da 28ª semana de gestação. Definição dos limites do termo gestacional – ACOG 2013 Nomenclatura Idade gestacional Pré-termo < 37 semanas Termo inicial 37 semanas a 38 semanas e 6 dias Termo 39 semanas a 40 semanas e 6 dias Termo tardio 41 semanas a 41 semanas e 6 dias Pós-termo ≥ 42 semanas ( ) Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 71 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED PESO MATERNO A avaliação do ganho de peso materno é um dado bastante relevante na evolução da gestação. Ele pode influenciar o peso do recém- nascido ao nascer e ser um sinal de alerta para distúrbios hipertensivos, por exemplo. Já vi algumas bancas maldosas (USP-RP) cobrarem exatamente o quanto de peso idealmente a gestante deve ganhar em uma gestação. Não acredito que vá ser um tema recorrente, mas é bom ter uma noção, pelo menos para eliminar alternativas absurdas e facilitar o chute. IMC Classificação Ganho ponderal ideal total (kg) Ganho ponderal (kg/semana) na segunda metade da gestação IMC < 18,4 Baixo peso 12,5-18 0,5 IMC 18,5 a 24,9 Peso adequado 11,5-16 0,4 IMC 25 a 29,9 Sobrepeso 7-11,5 0,3 IMC > 30 Obesidade 7-9,1 0,3 Zugaib, 2016 5 -9 0,2 Ministério da Saúde, 2013 AVALIAÇÃO DA ESTÁTICA FETAL São manobras de palpação abdominal divididas em quatro tempos e que têm o intuito de definir parâmetros da estática fetal. • 1º tempo: avalia a situação. • 2º tempo: avalia posição. • 3º tempo: avalia apresentação. • 4º tempo: avalia insinuação. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 72 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED TIPAGEM SANGUÍNEA E PESQUISA DE ANTICORPOS IRREGULARES/COOMBS INDIRETO O grande objetivo de conhecer o tipo sanguíneo materno é evitar ou garantir assistência adequada para doença hemolítica perinatal. Lembre-se de que a doença hemolítica perinatal (DHPN) pode ocorrer por incompatibilidade dos sistemas Rh e ABO, mas também por outros sistemas bem menos conhecidos, denominados Kell, Duffy, MNS e P. Felizmente, a aloimunização materna e a DHPN relacionadas ao antígeno anti-D podem ser evitadas pelo uso da imunoglobulina anti-D. ! Atenção: não se esqueça de que os anticorpos poderão ser identificados por até 12 semanas após a realização da dose de imunoglobulina, de forma que um Coombs indireto positivo depois da 28ª semana em uma gestante que usou a anti-D não nos assusta. Rh positivo e Coombs Indireto negativo Não há risco de aloimunização Rh Pré-natal de rotina Pai Rh negativo Não tem risco de aloimunização Rh Pré-natal de rotina Risco de aloiminização Rh Fazer seguimento com coombs indireto mensal Profilaxia com imunoglobiulina anti-D Pai Rh positivo ou desconhecido Seguimento em pré-natal de alto risco Tipagem sanguínea do pai biológico do feto Gestante com aloimunização Rh Rh negativo e Coombs Indireto negativo Rh negativo e Coombs Indireto positivo TIPAGEM SANGUÍNEA + COOMBS INDIRETO OU PAI A profilaxia dessas complicações é realizada ao se prescrever, para toda gestante Rh negativo com Coombs ou PAI negativos, imunoglobulina anti–D 300 µg via intramuscular sempre que estiver em situações de alto risco de exposição aos antígenos eritrocitários do feto. Indicações de profilaxia de aloimunização materna pelo antígeno D Com 28 semanas de gestação Sangramento de primeira ou segunda metade da gestação Realização de procedimentos intrauterinos Trauma abdominal Em até 72 horas após o parto se o recém-nascido for Rh positivo Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 73 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED SOROLOGIA PARA HIV Deve ser avaliada no primeiro e terceiro trimestres e na hora do parto. A decisão da via de parto em gestantes infectadas pelo HIV depende da carga viral a partir da 34ª semana de gestação. Tema quente para a UNIFESP, hein? CARGA VIRAL 34 semanas > 1.000 cópias ou desconhecida AZT IV CESÁREA ELETIVA (após 38 semanas) INDICAÇÃO OBSTÉTRICA Preferência vaginal AZT IV < 1.000 cópias Indetectável Manter TARV habitual INDICAÇÃO OBSTÉTRICA Preferência vaginal 3h antes Até clampeamento do cordão CULTURA ANAL E VAGINAL PARA PESQUISA DE ESTREPTOCOCO DO GRUPO B O estreptococo do grupo B é uma bactéria que pode colonizar de forma assintomática o trato gastrointestinal e geniturinário, mas que pode causar infecção sintomática no recém-nascido, relacionando-se à doença respiratória, sepse e meningite. A maioria dos protocolos preconiza a coleta do swab entre a 35ª e a 37ª semana de gestação. ! Atenção: o mais importante é saber quando indicar a antibioticoprofilaxia em situação de cultura desconhecida. É o tópico mais cobrado nas provas sobre esse tema. ANTIBIOTICOPROFILAXIA PARA EGB EGB positivo Penicilina cristalina EGB negativo Não fazer antibioticoprofilaxia para EGB Filho com sepse por EGB URC positiva para EGB = EGB positivo Penicilina cristalina EGB desconhecido < 37 semanas > 37 semanas Penicilina cristalina ≥ 18h RPM Febre ≥ 38 graus Penicilina cristalina Fazer somente se TP ou RPM Não fazer se cesariana eletiva Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 74 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED IMUNIZAÇÃO NA GESTAÇÃO As vacinas contra hepatite B e contra tétano e difteria (dT) podem ser realizadas durante a gestação caso a gestante não tenha esquema vacinal completo, enquanto as vacinas contra influenza e contra tétano, difteria e coqueluche (dTpa) devem ser oferecidas a todas as gestantes independentemente de imunização prévia. Não deixe de gravar as que são contra indicadas, beleza? ! Atenção: caso a gestante receba uma das vacinas contraindicadas, qual é a conduta? Pois é, nenhuma! Apenas devemos manter o seguimento habitual do pré-natal. IMUNIZAÇÃO NA GESTAÇÃO VACINAS DOSES Influenza Uma dose anual Tríplice bacteriana acelular (dTpa) Uma dose a partir da 20ª semana de gestação até 45 dias dos pós-parto Hepatite B Três doses, se não tiver o esquema completo anteriormente Dupla bacteriana adulto (dT) Duas doses, se não tiver o esquema completo anteriormente. Completar o esquema de três doses com uma dose de dTpa. CONTRAINDICADA NA GESTAÇÃO Vacinas de vírus vivos atenuados • POLIOMIELITE • TRÍPLICE VIRAL (sarampo, caxumba, rubéola) • VARICELA-ZÓSTER • TUBERCULOSE (BCG) Vacina de antígeno recombinante • Papilomavírus humano (HPV). CAPÍTULO 17.0 ULTRASSOM EM OBSTETRÍCIA Frequentemente, fazemos confusão com tantos nomes diferentes. Sei que soa tudo como se fosse a mesma coisa, mas cada tipo de ultrassonografia tem uma função específica na gestação. Estratégia MED |Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 75 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Tipos de ultrassons Época ideal da realização Principais funções Ultrassonografia obstétrica inicial Entre 4,5 e 11 semanas Confirmar a gestação intrauterina, datação da gestação, avaliar o número de fetos, avaliar a corionicidade, avaliar anexos e útero Ultrassonografia morfológica do primeiro trimestre Entre 11 e 13 semanas e 6 dias Rastreamento de cromossomopatias, avaliar morfologia fetal. Ultrassonografia morfológica do segundo trimestre Entre 18 e 24 semanas Avaliar morfologia fetal, rastreamento de prematuridade pela medida do colo uterino. Dopplervelocimetria obstétrica A partir do segundo trimestre Avaliar vitalidade fetal, avaliar anemia fetal, rastreamento de pré-eclâmpsia. Ecocardiograma fetal A partir de 14 semanas, melhor idade entre 24 e 28 semanas Avaliar morfologia cardíaca fetal Ultrassonografia tridimensional A partir do segundo trimestre Auxilia na identificação de anomalias fetais. DIAGNÓSTICO DE GESTAÇÃO NÃO EVOLUTIVA Para avaliar a evolução de uma gestação inicial, é importante comparar os níveis séricos maternos de b-hCG com a ultrassonografia transvaginal. Quando os níveis séricos de b-hCG estão entre 1000 e 2000 mUI/mL, na maioria das vezes, é possível observar saco gestacional intraútero. Níveis séricos acima de 3500 mUI/mL e ausência de gestação intrauterina indica gestação ectópica ou não evolutiva. ! PARA FACILITAR: desses critérios, os de certeza são cobrados com muito mais frequência nas provas — principalmente o critério envolvendo o diâmetro médio do saco gestacional (DMSG) e o do comprimento cabeça-nádega (CCN). DIAGNÓSTICO DE CERTEZA DE GESTAÇÃO NÃO EVOLUTIVA SINAIS DE SUSPEITA DE GESTAÇÃO NÃO EVOLUTIVA DMSG ≥ 25 mm sem VV ou embrião CCN< 7 mm sem batimento cardíaco fetal CCN ≥ 7 mm sem atividade cardíaca DMSG entre 16 e 24 mm sem embrião SG sem VV e sem embrião com batimento cardíaco em dois exames com intervalo de 2 semanas SG sem VV e sem embrião com batimento cardíaco em dois exames com intervalo de 7-14 dias SG com VV e sem embrião com batimento cardíaco em dois exames com intervalo de 11 dias SG com VV e sem embrião com batimento cardíaco em dois exames com intervalo de 7-10 dias B-hCG sérico ≥ 3500 mUI/mL sem saco gestacional intrauterino Ausência de embrião ≥ 6 semanas após o último período menstrual Cavidade amniótica sem embrião Vesicula vitelínica > 7 mm SG pequeno em relação ao tamanho do embrião (< 5 mm de diferença entre o DMSG e o CCN) B-hCG sérico entre 1000-2000 mUI/mL sem saco gestacional intrauterino Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 76 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED 18.0 DIABETES MELLITUS NA GESTAÇÃO CAPÍTULO Tema quente para sua prova, Estrategista! Interessante como todos os tópicos são cobrados com frequência: definição, diagnóstico, manejo e complicações. Muita atenção aqui! DEFINIÇÃO O diabetes mellitus (DM) na gestação é uma expressão que engloba duas categorias diagnósticas: DM diagnosticado previamente à gestação; hiperglicemia inicialmente detectada na gravidez; diabetes mellitus gestacional (DMG) e DM prévio diagnosticado na gestação (overt diabetes ou DM franco). Diabetes mellitus na gestação DM diagnosticado previamente à gestação Hiperglicemia inicialmente detectada na gravidez DMG DM prévio diagnosticado na gestação (overt diabetes ou DM franco) COMPLICAÇÕES MATERNO-FETAIS As complicações decorrentes do DM na gestação obedecem à apresentação temporal: curto prazo (gestação e nascimento) e longo prazo. Note que a parte das complicações fetais é de extrema importância para a neonatologia. Para facilitar, eu sugiro que você se apegue à fisiopatologia! É tudo muito bem explicado e faz bastante sentido. Crie um raciocínio linear de causa e consequência em seu pensamento, beleza? Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 77 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Tabela 01 Complicações do diabetes mellitus na gestação Maternas Fetais Curto prazo ͳ Distúrbios hipertensivos ͳ Polidrâmnio ͳ Necessidade de realização da primeira cesárea ͳ Atraso do início da amamentação ͳ Macrossomia fetal ͳ Distocia de ombro e tocotraumatismo ͳ Necessidade de realização de cesariana ͳ Síndrome do desconforto respiratório ͳ Cardiomiopatia hipertrófica ͳ Hipoglicemia ͳ Hipocalcemia ͳ Hipomagnesemia ͳ Policitemia (hematócrito > 65%) e eventos trombóticos ͳ Hiperbilirrubinemia Longo prazo ͳ Maior risco de DMG em gestações futuras ͳ Risco aumentado de evoluir com DM2 ao longo da vida ͳ Obesidade ͳ DM2 ͳ Doença cardiovascular Macrossomia Hipoglicemia • Hiperinsulinismo fetal (decorrente da passagem do excesso de glicose materna pela placenta ao longo da gestação). Polidrâmnio• Diurese osmótica fetal induzida pela hiperglicemia materna. Síndrome do desconforto respiratório • Prematuridade. • Prejuízo à síntese de surfactante. • Os fetos de mães diabéticas nascem com menores níveis séricos de paratormônio (PTH). • Hipomagnesemia, prematuridade e asfixia são fatores contribuintes. Hipocalcemia • Aumento dos níveis séricos de eritropoetina devido à hipoxemia fetal crônica. • Transfusão de sangue placentário para o feto, sofrimento materno/fetal e estresse oxidativo podem ser fatores contribuintes. Policitemia • Prematuridade. • Hiperglicemia materna. • Macrossomia. • Policitemia. Hiperbilirrubinemia Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 78 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED DIAGNÓSTICO O rastreamento do diabetes na gestação deve ser universal. Além disso, o rastreamento do diabetes na gestação deve ser realizado em dois momentos: no início do pré-natal, pela realização da glicemia de jejum, e entre a 24ª e a 28ª semana de gestação, apenas para as gestantes com glicemia de jejum normal no início da gestação, pela realização do teste oral de tolerância à glicose 75 g (TOTG 75 g), se disponível. Caso não seja possível, pode ser realizada a medida da glicemia de jejum apenas. ! Atenção: se a glicemia estiver alterada na primeira dosagem, não tem conversa: o diagnóstico já está fechado e não há necessidade de fazer o TOTG 75 g e nem de repetir a glicemia de jejum. VIABILIDADE FINANCEIRA E DISPONIBILIDADE TÉCNICA TOTAL (100% de taxa de detecção) 24 a 28 semanas Imediatamente Glicemia de jejum imediatamente Início do pré-natal < 20 semanas Início do pré-natal 20 a 28 semanas Início do pré-natal > 28 semanas TOTG 75 g Dosagens: jejum, 1ª e 2ª hora Ao menos um valor de: jejum: 92 a 125 mg/dL 1ª hora ≥ 180 mg/dL 2ª hora:153 a 199 mg/dL Ao menos um valor de: jejum: ≥ 126 mg/dL 2ª hora ≥ 200 mg/dL Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL Glicemia de jejum 92 a 125 mg/dL Glicemia de jejum < 92 mg/dL Diabetes mellitus gestacional DM prévio diagnosticado na gestação Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 79 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED VIABILIDADE FINANCEIRA E/OU DISPONIBILIDADE TÉCNICA PARCIAL (86% de taxa de detecção) Início do pré-natal em qualquer idade gestacional Glicemia de jejum < 92 mg/dL < 24 semanas 92 a 125 mg/dL≥ 126 mg/dL Glicemia de jejum 24 a 28 semanas Diabetes mellitus gestacional DM prévio diagnosticado na gestação 92 a 125 mg/dL≥ 126 mg/dL < 92 mg/dL Normal MONITORIZAÇÃO GLICÊMICA A glicemia da gestante com DM deve ser avaliada de acordo com a disponibilidade de recursos e o tipo de tratamento adotado (farmacológico ou não farmacológico). ! PARA FACILITAR: para questões, lembre-se de que gestantes em insulinoterapia precisam de, ao menos, 6 aferições de glicemia por dia. Frequência de realização do monitoramento da glicemia capilar de acordo com o tipo de tratamento proposto Pacientes tratadas com medidas farmacológicas 6 pontos: • Jejum • Pós-café • Antes do almoço • Pós-almoço • Antes dojantar • Pós-jantar Viabilidade financeira e disponibilidade técnica TOTAL 6 pontos/dia 4 pontos/dia Pacientes tratadas exclusivamente com medidas não farmacológicas 4 pontos 3x/semana 4 pontos: • Jejum • Pós-café • Pós-almoço • Pós-jantar Viabilidade financeira e disponibilidade técnica PARCIAL Viabilidade financeira e disponibilidade técnica TOTAL Viabilidade financeira e disponibilidade técnica PARCIAL Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 80 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED METAS GLICÊMICAS Independentemente do tipo de DM ou da idade gestacional, as metas glicêmicas são as mesmas. 95 mg/dL Jejum e pré-prandial 140 mg/dL 1 hora pós-prandial 120 mg/dL 2 horas pós-prandial A glicemia realizada 1 hora após o início da refeição é a que reflete com maior precisão a magnitude dos picos glicêmicos pós-prandiais e a que mais se correlaciona com o risco de macrossomia. Portanto, é o horário de aferição pós-prandial de preferência na gestante. QUANDO INDICAR INSULINOTERAPIA? A terapia farmacológica para a paciente com DMG deve ser iniciada nas seguintes situações: • > 30% das glicemias fora do alvo; • evidências indiretas de hiperinsulinemia fetal na ultrassonografia de 3º trimestre: circunferência abdominal fetal > 75º percentil ou peso fetal estimado ≥ 90º percentil. Tabela 05 Insulinas consideradas seguras para uso durante a gestação Insulina Início de ação Pico de ação Duração do efeito terapêutico Ação longa Detemir (levemir®) 1 - 3 h 6 - 8 h 18 - 22 h Ação intermediária Insulina NPH 2 - 4 h 4 - 10 h 10 - 18 h Ação rápida Insulina regular 30 min - 1 h 2 - 3 h 5 - 8 h Ação ultrarrápida Asparte (novorapid®) 5 - 15 min 30 min - 2 h 3 - 5 h Lispro (humalog®) A SBD sugere que a dose inicial de insulina deve ser de 0,5 UI/kg/dia, e a necessidade de ajustes deve ser feita a cada 15 dias até a 30ª semana gestacional, e semanalmente após esse marco temporal. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 81 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED INTERRUPÇÃO DA GRAVIDEZ O momento até o qual a gravidez poderá ser prolongada dependerá do controle glicêmico da gestante e da situação clínica do binômio mãe-feto. Interrupção da gravidez na paciente com DM Pacientes tratadas com medidas farmacológicas Pacientes tratadas exclusivamente com medidas não farmacológicas Há antecedentes obstétricos de macrossomia, morte perinatal ou complicações associadas (como síndromes hipertensivas)? Controle glicêmico adequado Controle glicêmico inadequado 39 - 39 6/7 sem. 37 - 38 6/7 sem. Sim Não 39 sem. (ponderar interrupção a partir desse limiar) Aguardar o termo A indução do parto entre 34 e 36 6/7 semanas pode ser considerada em casos excepcionais (hiperglicemia refratária à hospitalização ou comprometimento da vitalidade fetal). HIPOGLICEMIA NA GESTANTE COM DIABETES MELLITUS A abordagem da hipoglicemia durante o trabalho de parto deve ser feita se a glicemia da paciente evoluir para valores inferiores a 70 mg. Em torpor ou inconsciente e sem acesso venoso pérvio Jejum intencional e com acesso venoso pérvio Consciente e alimentando-se - Correção via intravenosa: 30 mL de glicose 50%, + 100 mL de SF 0,9%. - Reavaliar glicemia capilar após 5 minutos. Se não houver recuperação, o procedimento deve ser repetido. - Após a correção, oferecer alimentação ou aporte calórico venoso (se a manutenção do jejum for obrigatória). - Correção via intramuscular ou via subcutânea: 1 ampola de glucagon. - Oferecer alimentação pela via oral tão logo seja possível. - Continuar tentativas de acesso venoso periférico. - Correção via oral: 15 g de carboidrato de absorção rápida (uma colher de sopa de açúcar ou 30 mL de soro glicosado a 50% diluído em água filtrada). - Reavaliar a glicemia capilar após 15 minutos; - Se não houver reversão da hipoglicemia, repetir o processo. Conduta na hipoglicemia hospitalar (SBD) (glicemia < 70 mg/dL) Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 82 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED RECLASSIFICAÇÃO PÓS-PARTO DA PACIENTE COM DMG Independentemente da existência ou não de fatores de risco para DM, toda paciente com DMG deve ser reclassificada do ponto de vista glicídico 6 semanas após o parto e na ausência de tratamento farmacológico. Idealmente, deve-se realizar um TOTG para essa finalidade; caso não seja possível, deve-se coletar a glicemia de jejum. VIABILIDADE FINANCEIRA E DISPONIBILIDADE TÉCNICA TOTAL (100% de taxa de detecção) Puérpera 6 semanas após o parto TOTG 75 g Dosagens: jejum e 2ª hora Jejum: < 100 mg/dL e 2ª hora < 140 mg/dL Normal Jejum: 100 - 125 mg/dL ou 2ª hora: 140 - 199 mg/dL Pré-diabetes (engloba a glicemia de jejum alterada e a intolerância à glicose) Jejum: ≥ 126 mg/dL e/ou 2ª hora ≥ 200 mg/dL Diabetes mellitus VIABILIDADE FINANCEIRA E/OU DISPONIBILIDADE TÉCNICA PARCIAL (66% de taxa de detecção) Puérpera 6 semanas após o parto Glicemia de jejum Normal Glicemia de jejum 100 a 125 mg/dL Pré-diabetes (engloba a glicemia de jejum alterada e a intolerância à glicose) Diabetes mellitus Glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL Glicemia de jejum < 100 mg/dL Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 83 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED 19.0 SANGRAMENTOS DA 1º METADE DA GESTAÇÃO CAPÍTULO ABORTAMENTO O termo "abortamento" refere-se ao processo de eliminação do concepto, enquanto "aborto" se refere ao produto conceptual eliminado. ABORTAMENTO 500 gramas 20 semanas < < ABORTAMENTO: é a interrupção da gestação antes de que o produto conceptual tenha atingido a viabilidade. Definição segundo a OMS: - expulsão ou extração do feto antes de 20 semanas ou com menos de 500 g. CLASSIFICAÇÃO Os abortamentos com menos de 12 semanas são considerados precoces, sendo responsáveis por mais de 80% de todas as perdas, enquanto aqueles que ocorrem entre as 13ª e a 20ª semana de gestação são considerados tardios. • Principais causas: nos abortamentos precoces, são as anomalias cromossômicas, e a dos abortamentos tardios é a incompetência istmocervical. Essa diferenciação é importante tanto para investigar a causa da perda quanto para escolher alguma medida terapêutica (AMIU ou curetagem), se necessário. PRECOCE Menos que 12 semanas TARDIO Entre 12 e 20 semanas 80% das perdas x FORMAS CLÍNICAS DO ABORTAMENTO Dentro dos sangramentos de 1ª metade de gestação, esse é o tema mais recorrente nas provas de Residência! Veja a tabela a seguir com bastante atenção. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 84 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED ! PARA FACILITAR: comece sempre a avaliação pela característica do colo uterino. Diferenciando se está aberto ou fechado, já conseguimos excluir muitas alternativas. FORMAS CLÍNICAS DO ABORTAMENTO CLÍNICA (sangramento, cólicas) CARACTERÍSTICA DO COLO EXAME DE IMAGEM AMEAÇA DE ABORTAMENTO Sangramento intermitente,em pequena quantidade Fechado Embrião vivo ABORTAMENTO EM CURSO Sangramento moderado a intenso Orifício interno do colo geralmente dilatado Descolamento ovular Saco gestacional baixo ABORTAMENTO INCOMPLETO Sangramento intermitente Geralmente pérvio Material amorfo e heterogêneo (espessura endometrial > 15 mm) ABORTAMENTO COMPLETO Diminui de intensidade Fechado (fecha poucas horas após expulsão completa) Endométrio fino ou material mínimo (espessura endometrial até 15 mm) ABORTAMENTO RETIDO Cessação dos sintomas da gestação, sangramento discreto Fechado Morte conceptual (ausência BCF em embrião ≥ 7 mm) ABORTAMENTO INFECTADO Retenção prolongada (> 4 semanas) Pode ocorrer sangramento discreto, purulento ou não, febre Geralmente pérvio e doloroso à mobilização Restos ovulares Endométrio irregular TÉCNICAS DE ESVAZIAMENTO Quando a paciente apresenta-se estável hemodinamicamente,com sangramento pequeno ou ausente e sem sinais de infecção, é possível a conduta expectante. A conduta expectante pode ser realizada por até 4 semanas. ! Atenção: a progesterona não tem espaço nos casos de ameaça de abortamento ou abortamento. Não caia nessa conversa. O esvaziamento uterino está indicado nos casos de abortamento incompleto, inevitável, retido ou infectado, mola hidatiforme e interrupção legal da gestação. É possível realizar esse procedimento de forma farmacológica ou cirúrgica. • Misoprostol: medicação de escolha para expulsão do concepto em < 12 semanas. Não pode ser utilizado em casos de doença trofoblástica gestacional pelo risco de embolização. • Aspiração intrauterina (AMIU): o esvaziamento uterino por aspiração é considerado atualmente uma opção mais segura e tão eficaz quanto a curetagem. É a técnica de escolha nas gestações precoces, até 12 semanas. É um instrumento barato, de simples manuseio e com uma técnica de fácil aplicação. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 85 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED • Curetagem uterina: após a 12ª semana de gestação, o feto apresenta espículas ósseas e a curetagem uterina direta ou AMIU provoca risco de perfuração uterina. Você deve primeiro induzir com misoprostol, aguardar a expulsão e somente após iniciar a curetagem. GESTAÇÃO ECTÓPICA A gestação ectópica é definida quando a implantação e o desenvolvimento do embrião ocorrem fora da cavidade corporal uterina. É um tema querido para USP-RP, USP-SP e Unicamp. Apesar de não ser tão “óbvio” na prática, as provas de Residência costumam trazer a seguinte tríade clássica de dor abdominal, atraso menstrual e sangramento genital. No entanto, fique atento com outras pistas para afastar diagnósticos diferenciais não obstétricos, beleza? ATRASO MENSTRUAL TRÍADE CLÁSSICA SANGRAMENTO GENITAL DOR ABDOMINAL DIAGNÓSTICO O β-hCG e a ultrassonografia transvaginal determinam se é uma gestação ectópica. São os exames mais importantes neste contexto. Atraso menstrual + sangramento + dor pélvica B-hCG quantitativo + US transvaginal Cavidade uterina vaziaSaco gestacional tópico Ausência de massa anexial B-hCG quantitativo < 3500UI B-hCG quantitativo ≥ 3500UI Repetir B-hCG e USTV em 48h Massa anexial extraovariana Valores sobem menos que 50% Gravidez inviável ou ECTÓPICA Valores duplicaram GESTAÇÃO ECTÓPICA GESTAÇÃO TÓPICA GESTAÇÃO TÓPICA Avaliar anexos Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 86 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED ! Atenção: saiba exatamente quando fazer a curva de B-HCG em 48h. É o tópico desse fluxograma mais cobrado nas provas. Tratamento O tratamento da gestação ectópica dependerá do valor do β-hCG, do tamanho da massa anexial ou se ela está íntegra ou não, da estabilidade materna, bem como do desejo de uma gestação futura. ! PARA FACILITAR: vá do pior para o menos pior. Comece memorizando as indicações de laparotomia, depois laparoscopia, metotrexato e, por fim, expectante. Conduta expectante BAIXO VALOR DE β-hCG (< 2.000 mUI/mL) AUSÊNCIA DE SACO GESTACIONAL NA ULTRASSONOGRAFIA DECLÍNIO DOS TÍTULOS DE β-hCG EM 48 HORAS < 5.000 mUI/mL • Parâmetro mais importante < 4 CM • Divergências na literatura: • Zugaib Obstetrícia: < 4cm • Tratado FEBRASGO: < 3,5cm CRITÉRIOS PARA INDICAÇÃO DO METOTREXATO β-hCG AUSENTE • BCF: batimento cardíaco fetal Ausência de dor abdominal MASSA ANEXIAL DESEJO DE GRAVIDEZ FUTURA • Termo de consentimento assinado ECTÓPICA ÍNTEGRA ESTABILIDADE HEMODINÂMICA PACIENTEBCF ESQUEMA DOSE ÚNICA: METOTREXATO: 50 mg/m2 por via intramuscular em dose única*. *Controlar com dosagem do β-hCG no 4º e no 7º dia após a dose. ESQUEMA MÚLTIPLAS DOSES: METOTREXATO: 1 mg/kg (nos dias 1, 3, 5 e 7) + LEUCOVIRINA (ácido folínico) 0,1 mg/kg (nos dias alternados 2, 4, 6 e 8). * Controle com dosagem do β-hCG no primeiro dia da aplicação e antes de aplicar nova dose. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 87 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED Indicações de laparotomia Choque hipovolêmico Massa anexial > 5 cm Localização não tubária (cervical, abdominal) Múltiplas aderências DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL É o termo genérico utilizado para uma gestação que evoluiu de forma anormal, cuja característica principal é a proliferação anormal e desordenada do tecido placentário. A doença trofoblástica gestacional apresenta a forma benigna (mola hidatiforme) e maligna (neoplasia trofoblástica gestacional). DOENÇA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL BENIGNA MOLA HIDATIFORME MOLA INVASORA MALIGNA NEOPLASIA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL MOLA HIDATIFORME COMPLETA MOLA HIDATIFORME INCOMPLETA OU PARCIAL CORIOCARCINOMA TUMOR TROFOBLÁSTICO DO SÍTIO PLACENTÁRIO TUMOR TROFOBLÁSTICO EPITELIOIDE PATOGÊNESE A mola completa é a proliferação exagerada e anormal do tecido trofoblástico, não desenvolve embrião, membranas e cordão umbilical. Do ponto de vista genético, a mola completa origina-se por um óvulo vazio fecundado por um espermatozoide 23X. Logo, observe que o material genético é exclusivamente paterno, sendo duplicado e originando uma célula 46XX (90% dos casos). Na mola incompleta, existe a proliferação anormal difusa ou parcial do tecido trofoblástico com formação de múltiplas vesículas, e pode ser encontrado embrião com múltiplas malformações e restrição do crescimento fetal. A mola parcial origina-se por fecundação de um óvulo normal por 2 espermatozoides, gerando uma célula triploide (69,XXX ou 69,XXY) e 10% tetraploide. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 88 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED MOLA HIDATIFORME COMPLETA ÓVULO “VAZIO” 46 XX MOLA HIDATIFORME COMPLETA MONOSPÉRMICA Perda de cromossomos maternos 90 - 95% Cromossomo exclusivo paterno Duplicação de cromossomos paternos 23 X 23 X ou Y 46 XY MOLA HIDATIFORME COMPLETA DISPÉRMICA DIPLOIDE 23 X ou Y 23 X Perda de cromossomos maternos ÓVULO “VAZIO” Cromossomo exclusivo paterno 23 X 23 X 23 X 23 X 5 - 10% CD COMPLETA Mnemônico Mola hidatiforme DIPLOIDE PT PARCIAL Mnemônico Mola hidatiforme TRIPLOIDE / TETRAPLOIDE Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 89 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED QUADRO CLÍNICO O quadro clínico da doença trofoblástica gestacional vai depender de se o diagnóstico ocorreu em idade gestacional precoce ou não. Quanto mais tardio o diagnóstico, mais intensa será a sintomatologia, uma vez que os níveis de beta-HCG tendem a só ir aumentando. MOLA HIDATIFORME PARCIAL 23 X 23 X ou Y 23 X ou Y 23 X 69,XXY MOLA HIDATIFORME PARCIAL origem materna e paterna TRIPLOIDE OU TETRAPLOIDE 23 X ou Y 23 X ou Y HIPER Hiperêmese gravídica C Cistos tecaluteínicos H hCG muito elevado A Altura uterina maior que a esperada Tl Tireóide (hipertireoidismo) C Cachos de uva E Eliminar vesículas DHE DHEG < 20 semanas Mnemônico MOLA Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 90 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED SEGUIMENTO PÓS-MOLAR O título sérico do hCG deve ser avaliado semanalmente ou, em alguns serviços, a cada 15 dias, até se tornar indetectável (< 5 mUI/ mL). Após 3 dosagens semanais negativas, deve ser acompanhado mensalmente por mais 6 meses para garantir a cura da mola hidatiforme. As pacientes são aconselhadas a não engravidarem até seis meses após o título de hCG negativar, para garantir que qualquer elevação do hCG seja por transformação maligna da mola hidatiforme em neoplasia trofoblástica gestacional. Dosagem β-hCG seriado SEMANAL até se tornar negativo. Após negativo, mensal por mais 6 meses. Anticoncepção Oral Adesivo+ Seguimento pós-molar Injetável Implante Transdérmico *Exceto: DIU ou SIU (risco) SUSPEITA DE NEOPLASIA TROFOBLÁSTICA GESTACIONAL (NTG) Uma vez em seguimento do título do hCG, muitasquestões cobram o que levariam à suspeita de evolução para NTG: • curva do hCG em platô (oscilação < 10% no título do hCG) por 3 semanas, em 4 valores (1, 7, 14 e 21 dias); • elevação do hCG em pelo menos 10% por 2 semanas, em 3 valores (1, 7, 14 dias); • aparecimento de metástases; • diagnóstico histológico de NTG; • nível do hCG mantém-se elevado por mais de 6 meses. Suspeita de NTG CURVA hCG EM ASCENSÃO (>10%) CURVA hCG EM PLATÔ PRESENÇA DE METÁSTASES DIAGNÓSTICO HISTOLÓGICO DE NTG Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 91 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED CAPÍTULO 20.0 SANGRAMENTOS DA 2º METADE DA GESTAÇÃO Apesar de ser um tema recorrente, as questões geralmente não fogem muito do que apresentaremos na tabela a seguir. Entre as patologias, as mais cobradas são placenta prévia e descolamento prematuro de placenta. Se for despender um tempo a mais nesse tema, recomendo atenção especial nesses dois tópicos, beleza? Patologia Principal fator de risco Diagnóstico Sinais e sintomas Conduta Placenta prévia Cesárea anterior Clínico e ultrassonográfico Sangramento intermitente e indolor de origem materna Cesárea eletiva Cesárea de urgência se houver sangramento intenso Descolamento prematuro de placenta Hipertensão gestacional Clínico Sangramento súbito, associado à dor abdominal, hipertonia uterina e alteração da vitalidade fetal Cesárea de urgência se feto estiver vivo Rotura de vasa prévia Rotura das membranas Clínico e ultrassonográfico Sangramento indolor após a rotura das membranas fetais, sem repercussão materna, alteração da vitalidade fetal Cesárea de urgência Rotura uterina Cesárea anterior Clínico Sangramento e dor abdominal súbitos, parada das contrações, subida da apresentação fetal, bradicardia fetal ou BCF ausente, choque hemorrágico e sinais de sangramento intra-abdominal Cesárea de urgência e reparo da rotura uterina Rotura de seio marginal Não há Anatomopatológico Sangramento vaginal vermelho-vivo, indolor, contínuo e de pequena quantidade e não desencadeia repercussões maternas ou fetais Monitorização materno-fetal Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 92 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED ACRETISMO PLACENTÁRIO Termo utilizado para descrever uma placenta que realizou invasão trofoblástica anormal, atingindo o miométrio e, às vezes, ultrapassando a serosa uterina. Nesses casos, a placenta não consegue se separar espontaneamente do útero, o que pode levar a hemorragias graves e necessitar de histerectomia. • Placenta acreta: anormalmente aderente na decídua. • Placenta increta: anormalmente invasiva no miométrio. • Placenta percreta: anormalmente invasiva na serosa ou nos órgãos adjacentes. Classificação do acretismo placentário. Classificação do acretismo placentário. Estratégia MED | Obstetrícia | Memorex do Estratégia MED 93 Memorex do Estratégia MEDOBSTETRÍCIA Estratégia MED http://med.estrategia.com 1.0 PREMATURIDADE E TRABALHO DE PARTO PREMATURO Quando utilizar a progesterona vaginal? Trabalho de parto prematuro Tocolíticos Corticoterapia 2.0 HEMORRAGIA PÓS-PARTO Causas de hemorragia pós-parto Índice de choque Atonia uterina Trauma Tecido 3.0 GESTAÇÃO MÚLTIPLA Prevalência Gestação monozigótica Imagem ultrassonográfica Síndrome da transfusão feto-fetal (STFF) Assistência ao parto gemelar e via de parto gemelar 4.0 BACIA OBSTÉTRICA Diâmetros da bacia Tipos de bacia 5.0 ESTÁTICA FETAL Apresentação cefálica 6.0 INFECÇÃO PUERPERAL Tríade de Bumm Tratamento da infecção puerperal 7.0 INFECÇÕES GESTACIONAIS COM REPERCUSSÃO FETAL SÍFILIS NA GESTAÇÃO Estadiamento Critérios de retratamento e de tratamento adequado TOXOPLASMOSE NA GESTAÇÃO CITOMEGALOVÍRUS RUBÉOLA 8.0 ALOIMUNIZAÇÃO MATERNA E DOENÇA HEMOLÍTICA PERINATAL Seguimento no pré-natal Prevenção 9.0 ALTERAÇÃO DO VOLUME DO LÍQUIDO AMNIÓTICO Oligoâmnio 10.0 ABORTAMENTO DE REPETIÇÃO Definição Insuficiência istmocervical 11.0 SÍNDROMES HIPERTENSIVAS DA GESTAÇÃO Classificação Prevenção da pré-eclâmpsia Diagnóstico de hipertensão gestacional Diagnóstico de pré-eclâmpsia Fiz o diagnóstico, e agora? Classificação da gravidade Sinais e sintomas de gravidade (iminência de eclâmpsia) Manejo de casos sem sinais de gravidade Manejo de casos com sinais de gravidade Quando resolver a gestação? Síndrome HELLP Cuidados no puerpério 12.0 VITALIDADE FETAL Circulação fetal Sofrimento fetal Cardiotocografia Desacelerações na frequência cardíaca fetal Cardiotocografia anteparto Cardiotocografia intraparto Dopplervelocimetria Perfil biofísico fetal 13.0 ASSISTÊNCIA AO PARTO Contraindicações ao parto normal Definição de trabalho de parto Assistência ao parto Primeiro período: dilatação Segundo período: expulsivo Terceiro período: dequitação Quarto período: período de Greenberg MECANISMOS DE PARTO Distocia de ombro Parto pélvico vaginal Prolapso de cordão Loquiação Parto vaginal operatório Fórceps Vácuo extrator 14.0 INDUÇÃO DO PARTO Contraindicações Avaliação do colo uterino 15.0 RESTRIÇÃO DO CRESCIMENTO FETAL Definição Classificação Diagnóstico Conduta na restrição de crescimento fetal 16.0 ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL Número de consultas Diagnóstico de gestação Cálculo da idade gestacional pela DUM Cálculo da idade gestacional pelo USG Data provável do parto (DPP) Definição pela idade gestacional Peso materno Avaliação da estática fetal Tipagem sanguínea e pesquisa de anticorpos irregulares/Coombs indireto Sorologia para HIV Cultura anal e vaginal para pesquisa de estreptococo do grupo B Imunização na gestação 17.0 ULTRASSOM EM OBSTETRÍCIA Diagnóstico de gestação não evolutiva 18.0 DIABETES MELLITUS NA GESTAÇÃO Definição Complicações materno-fetais Diagnóstico Monitorização glicêmica Metas glicêmicas Quando indicar insulinoterapia? Interrupção da gravidez Hipoglicemia na gestante com diabetes mellitus Reclassificação pós-parto da paciente com DMG 19.0 SANGRAMENTOS DA 1º METADE DA GESTAÇÃO Abortamento Classificação Formas clínicas do abortamento Técnicas de esvaziamento Gestação ectópica Diagnóstico Doença trofoblástica gestacional Patogênese Quadro clínico Seguimento pós-molar Suspeita de neoplasia trofoblástica gestacional (NTG) 20.0 SANGRAMENTOS DA 2º METADE DA GESTAÇÃO Acretismo placentário