A maior rede de estudos do Brasil

Quais são as hipóteses de desconsideração da personalidade jurídica de uma sociedade e quais os seus efeitos?

Gostaria de entender melhor a origem da desconsideração da personalidade jurídica, os casos que podemos aplicá-la e os efeitos.


12 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

User badge image

Passei Direto

Há mais de um mês

A desconsideração da personalidade jurídica não visa extinguir a pessoa jurídica, mas preservá-la, afastando momentaneamente a sua personalidade e consequentemente a autonomia patrimonial, para que sócios respondam pelos atos praticados indevidamente.

O princípio da autonomia patrimonial é um estímulo para criações de novas sociedades empresárias, já que garante aos sócios que os seus patrimônios não serão comprometidos caso os negócios não tenham êxito e a sociedade venha a contrair dívidas, motivo pelo qual não poderia ser extinto devido ao mau uso da pessoa jurídica. Desta forma, a desconsideração da personalidade jurídica preserva também o princípio da autonomia patrimonial.

A jurisprudência nos tribunais brasileiros tem aplicado de forma mais contundente a teoria menor, conforme veremos mais adiante, essa era uma forma equivocada de se aplicar a desconsideração, porém, atualmente o procedimento é regulado pelo NCPC, evitando que se aplique a teoria menor e consequentemente traga eventuais prejuízos tanto para a sociedade, sócios ou credores.

Assim, é mister que o instituto da desconsideração da personalidade jurídica seja entendido principalmente no âmbito empresarial, que não seja visto como prejudicial e sim como garantia de que a sociedade empresária atinja sua função social de forma lícita e satisfatória, sendo estímulo para constituição de novas sociedades.

Assim determina a Lei Antitruste, n. 8.884/94, no seu artigo 18, vejamos:

“Art. 18: A personalidade jurídica do responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte deste abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocada por má administração.”

Igualmente, a Lei de Crimes Ambientais, n. 9.605/98, regulamentada pelo Decreto 3.179/99, no art. 4º: “poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.”

Consolidando a teoria no Direito brasileiro, o Código Civil de 2002 trouxe em seu artigo 50:

“Art. 50: Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio da finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”.

Mais recentemente, na Lei nº 12.843/2013, art. 14, é possível conferir que a personalidade jurídica poderá ser desconsiderada sempre que utilizada com abuso do direito para facilitar, encobrir ou dissimular a prática dos atos ilícitos ou para provocar confusão patrimonial.

E finalmente, a Lei 13.105/15 que regula o novo Código de Processo Civil, trouxe pela primeira vez o procedimento para a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica, previsto nos artigos 133 a 137; as principais características são:

1 Dolo e Fraude

2 Desvio de Finalidade

3 Confusão Patrimonia

Portanto, a desconsideração da personalidade é uma forma eficaz de coibir fraudes e ainda assim preservar a pessoa jurídica, sendo elemento essencial no nosso ordenamento jurídico que merece constantes estudos para que haja cada vez mais a consciência de que a desconsideração da personalidade jurídica é uma forma eficaz de se coibir o abuso da pessoa jurídica, por ser um mecanismo no qual o patrimônio dos sócios é atingido para satisfazer os prejuízos decorrentes desses eventuais abusos.

A desconsideração da personalidade jurídica não visa extinguir a pessoa jurídica, mas preservá-la, afastando momentaneamente a sua personalidade e consequentemente a autonomia patrimonial, para que sócios respondam pelos atos praticados indevidamente.

O princípio da autonomia patrimonial é um estímulo para criações de novas sociedades empresárias, já que garante aos sócios que os seus patrimônios não serão comprometidos caso os negócios não tenham êxito e a sociedade venha a contrair dívidas, motivo pelo qual não poderia ser extinto devido ao mau uso da pessoa jurídica. Desta forma, a desconsideração da personalidade jurídica preserva também o princípio da autonomia patrimonial.

A jurisprudência nos tribunais brasileiros tem aplicado de forma mais contundente a teoria menor, conforme veremos mais adiante, essa era uma forma equivocada de se aplicar a desconsideração, porém, atualmente o procedimento é regulado pelo NCPC, evitando que se aplique a teoria menor e consequentemente traga eventuais prejuízos tanto para a sociedade, sócios ou credores.

Assim, é mister que o instituto da desconsideração da personalidade jurídica seja entendido principalmente no âmbito empresarial, que não seja visto como prejudicial e sim como garantia de que a sociedade empresária atinja sua função social de forma lícita e satisfatória, sendo estímulo para constituição de novas sociedades.

Assim determina a Lei Antitruste, n. 8.884/94, no seu artigo 18, vejamos:

“Art. 18: A personalidade jurídica do responsável por infração da ordem econômica poderá ser desconsiderada quando houver da parte deste abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocada por má administração.”

Igualmente, a Lei de Crimes Ambientais, n. 9.605/98, regulamentada pelo Decreto 3.179/99, no art. 4º: “poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento dos prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.”

Consolidando a teoria no Direito brasileiro, o Código Civil de 2002 trouxe em seu artigo 50:

“Art. 50: Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio da finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”.

Mais recentemente, na Lei nº 12.843/2013, art. 14, é possível conferir que a personalidade jurídica poderá ser desconsiderada sempre que utilizada com abuso do direito para facilitar, encobrir ou dissimular a prática dos atos ilícitos ou para provocar confusão patrimonial.

E finalmente, a Lei 13.105/15 que regula o novo Código de Processo Civil, trouxe pela primeira vez o procedimento para a aplicação da desconsideração da personalidade jurídica, previsto nos artigos 133 a 137; as principais características são:

1 Dolo e Fraude

2 Desvio de Finalidade

3 Confusão Patrimonia

Portanto, a desconsideração da personalidade é uma forma eficaz de coibir fraudes e ainda assim preservar a pessoa jurídica, sendo elemento essencial no nosso ordenamento jurídico que merece constantes estudos para que haja cada vez mais a consciência de que a desconsideração da personalidade jurídica é uma forma eficaz de se coibir o abuso da pessoa jurídica, por ser um mecanismo no qual o patrimônio dos sócios é atingido para satisfazer os prejuízos decorrentes desses eventuais abusos.

User badge image

Paulo

Há mais de um mês

Desconsideração da personalidade jurídica. O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando em detrimento do consumidor houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social.

A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração. As sociedades integrantes dos grupos societários e as sociedades controladas são subsidiariamente responsáveis pelas obrigações decorrentes deste código. As sociedades consorciadas são solidariamente responsáveis pelas obrigações. As sociedades coligadas só responderam por culpa e por ultimo também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados aos consumidores. Também poderá ser considerada a pessoa jurídica sempre que sua personalidade for obstáculo ao ressarcimento de prejuízos causados a qualidade do meio ambiente.

Temos duas teorias: a teoria maior – pressuposto é o abuso de direito ou fraude, temos a dificuldade de provas, um dos meios para gerar esta prova seria provando a confusão patrimonial, sendo a mais aceita pela doutrina e a que é mais aplicada. A teoria menor é satisfação do crédito teoria menor é mais tranqüila para o juiz decretar a desconsideração, pois não são exigidos os requisitos mencionados na teoria maior. Basta a demonstração do prejuízo do lesado para que a autonomia patrimonial da empresa seja afastada. Como se percebe, basta o prejuízo causado ao consumidor e esse demonstre que houve dano, para que, na impossibilidade de ressarcimento dos prejuízos causados pela pessoa jurídica, os sócios ou administradores respondem pela obrigação.

Desconsideração inversa – desfaz a sociedade para pagar as dividas pessoais dos sócios. Na desconsideração inversa, como o próprio nome sugere, opera-se o afastamento da separação patrimonial para penetrar no âmago da sociedade e dela cobrar dívida contraída pessoalmente pelo sócio. A possibilidade ocorre quando o sócio esvazia seu patrimônio pessoal, colocando-o todo em nome de uma sociedade que detenha o controle. Dessa forma, os credores pessoais não poderiam penhorar tais bens, a menos que a distinção entre sócio e sociedade fosse afastada.

Espero ter ajudado !

User badge image

Felipe

Há mais de um mês

Por um lado, o reconhecimento da personalidade jurídica visa facilitar e viabilizar a existência das sociedades. Por outro lado, o direito deve coibir o mal uso da sociedade, isto é, impedir que alguém utilize de forma abusiva a pessoa jurídica para que possa praticar atos se eximindo da responsabilidade. Para isso, criou-se o instituto da desconsideração. Vale lembrar que a desconsideração não irá extinguir a sociedade, o juiz irá apenas reconhecer um dos fatos dispostos no artigo 50, fazendo com que a sociedade seja desconsiderada para que os sócios respondam apenas por aquela determinada obrigação em questão. Em regra, os sócios não irão responder por danos causados pela PJ, existindo, porém, apenas duas exceções: desvio de finalidade e confusão patrimonial.

  1. "Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica". + Art. 28, CDC.

O Desvio de finalidade ocorre quando a sociedade é utilizada como um "escudo" para prática de um ato ilícito. Neste caso, poderão os sócios responder pela obrigação. Isto ocorrerá caso seja comprovada, pelo juiz, a fraude. Só o juiz pode promover a desconsideração da PJ, permitindo assim a satisfação das obrigações pelos sócios. *O administrador irá responder pessoalmente pela prática de ato estranho ao objeto da sociedade, não necessitando assim da desconsideração. Entendendo-se aqui ato estranho como um ato, mesmo que lícito, que não corresponda com a finalidade que ensejou a criação da sociedade. No desvio de finalidade, a prática de ato ilícito é feita pela sociedade.

Já a confusão patrimonialé menos usual. Quando os bens da sociedade e os bens dos sócios se confundem. Os sócios se utilizam do patrimônio da sociedade e a sociedade utiliza o patrimônio dos sócios de tal forma que não é possível distinguir os patrimônios.  Mostra-se, nestas situações, que não há uma dissociação dos patrimônios, algo que é muito comum. Ex.: o carro está em nome de um sócio mas é utilizado pela sociedade.

Já em relação ao Código de Defesa do Consumidor, os requisitos estão esculpidos no art. 28, que são: abuso de direito; excesso de poder; infração da lei; ato e fato ilícito e; violação dos estatutos e contratos. Há também a modalidade de desconsideração trazida pela má administração da empresa que seria: falência; insolvência; encerramento e; inatividade.

Por fim, o Código de Defesa do Consumidor também traz no art. 28, §5º, que quando a Personalidade Jurídica for obstáculo ao ressarcimento do dano no consumidor, pode o Juiz desconsiderá-la, a seu critério, podendo agir de ofício.

User badge image

marcosantonioroque

Há mais de um mês

a desconsideração da personalidade juridica ART 50 CC, de 2002, representa a possibilidade de buscar a responsabilização pessoal dos sócios e administradores nos casos em que haja a utilização da pessoa juridica com o fim de buscar, através de alternativas ilegais, beneficios e essas pessoas em face da inovação da legislação civil, necessário conhecer os efeitos que a desconsideração trará no tocante á personalidade juridica das sociedades empresárias

palavra chave - sociedade empresárias, responsabilidade, desconsideração da personalidade juridica.

a personalidade juridica de dioreito privado não estatal, advinda do assento no registro públicode empresas mercantis, gerando sua autonomia patrimonial titularidade juridica, negocial e processual, tendo representação em juizo, e responsabilidade pelas obrigações ativas e passivas, pois o dos sócios será subsidiária, limitada ou ilimitadamente CC ART 1024 e ART 596 CPC, visto que seu patrimônio particular somente poderá ser executado se insuficiente for a da sociedade.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas