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O que é o princípio da correlação entre a denuncia e a sentença?

Direito Processual Penal


5 resposta(s)

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Vinícius Garcia Culasso

Há mais de um mês

Estabelece o princípio da correlação que há necessidade imperiosa da correspondência entre a condenação e a imputação, ou seja, o fato descrito na peça inaugural de um processo - queixa ou denúncia - deve guardar estrita relação com o fato constante na sentença pelo qual o réu é condenado.

princípio da correlação, também chamado de princípio da relatividade  ou da congruência da condenação com a imputação ou ainda da correspondência entre o objeto da ação e o objeto da sentença, representa uma das mais relevantes garantias do direito de defesa, pois assegura ao réu a certeza de que não poderá ser condenado sem que tenha tido oportunidade de, previa e pormenorizadamente, ter ciência dos fatos criminosos que lhe são imputados, podendo, assim, defender-se amplamente da acusação.

Nesse contexto, assevera Tourinho Filho que, in verbis, "iniciada a ação, quer no cível, quer no penal, fixam-se os contornos da res in judicio deducta, de sorte que o Juiz deve pronunciar-se sobre aquilo que lhe foi pedido, que foi exposto na inicial pela parte. Daí se segue que ao Juiz não se permite pronunciar-se, senão sobre o pedido e nos limites do pedido do autor e sobre as exceções e nos limites das exceções deduzidas pelo réu. [...] isto é, o Juiz não pode dar mais do que foi pedido, não pode decidir sobre o que não foi solicitado". 

Ou seja, o Juiz deve-se atentar estritamente ao pedido formulado na inicial, salvo se a decisão for de ofício do magistrado não havendo assim, necessidade de estar na exordial.

Abraço!

Estabelece o princípio da correlação que há necessidade imperiosa da correspondência entre a condenação e a imputação, ou seja, o fato descrito na peça inaugural de um processo - queixa ou denúncia - deve guardar estrita relação com o fato constante na sentença pelo qual o réu é condenado.

princípio da correlação, também chamado de princípio da relatividade  ou da congruência da condenação com a imputação ou ainda da correspondência entre o objeto da ação e o objeto da sentença, representa uma das mais relevantes garantias do direito de defesa, pois assegura ao réu a certeza de que não poderá ser condenado sem que tenha tido oportunidade de, previa e pormenorizadamente, ter ciência dos fatos criminosos que lhe são imputados, podendo, assim, defender-se amplamente da acusação.

Nesse contexto, assevera Tourinho Filho que, in verbis, "iniciada a ação, quer no cível, quer no penal, fixam-se os contornos da res in judicio deducta, de sorte que o Juiz deve pronunciar-se sobre aquilo que lhe foi pedido, que foi exposto na inicial pela parte. Daí se segue que ao Juiz não se permite pronunciar-se, senão sobre o pedido e nos limites do pedido do autor e sobre as exceções e nos limites das exceções deduzidas pelo réu. [...] isto é, o Juiz não pode dar mais do que foi pedido, não pode decidir sobre o que não foi solicitado". 

Ou seja, o Juiz deve-se atentar estritamente ao pedido formulado na inicial, salvo se a decisão for de ofício do magistrado não havendo assim, necessidade de estar na exordial.

Abraço!

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Bárbara Soares

Há mais de um mês

O PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO NO DIREITO PROCESSUAL PENAL

O oferecimento da denúncia é um marco fundamental no processo penal, pois deflagra a ação penal e permite que seja iniciada a formação da relação processual, que se completará através da citação do denunciado, conforme preleciona a própria redação do art. 363, alterado pela Lei n° 11.719/08.

Sendo um ato processual de suma relevância, o Código de Processo Penal, em seu art. 41, elenca os requisitos necessários da denúncia, haja vista que através da ação penal, o Ministério Público deduz em juízo uma verdadeira pretensão, tendo em vista o pedido formulado na inicial acusatória que visa a condenação do réu por infração a um dos tipos penais previstos em nosso Código Penal.

Ao realizar o juízo de admissibilidade da acusação, cabe ao juiz examinar se estão presentes os indícios de materialidade e autoria lastreados em um mínimo suporte probatório, permitindo-se que com o desenvolvimento do processo, o juiz possa prolatar uma sentença de mérito. E, assim, entre os fatos contidos na denúncia e aqueles abordados na sentença, como bem observa o Prof. Helio Tornaghi, deve a haver a respectiva correlação.

A denúncia tem como fim precípuo a delimitação da res in judicium deducta, ou seja, a delimitação da matéria a ser conhecida pelo juízo, bem como a individualização do pedido, permitindo ao magistrado prolatar sua sentença em observância ao princípio da correlação, ou adstrição, pois já delimitado o "conteúdo e a amplitude da prestação jurisdicional".

Para tanto, a imputação no processo penal deve demonstrar a tipicidade do fato, sua ilicitude, bem como a culpabilidade, os três elementos necessários para a configuração analítica do crime.

É na causa de pedir, aliás, que deve se manter a necessária correlação com a sentença, cabendo destacar que nosso Direito Processual adota a teoria da substanciação, o que implica reconhecer que a correta qualificação jurídica do fato articulado na denúncia não é relevante para o deslinde da ação penal. Tal afirmação se ratifica pelos próprios termos do art. 383 do CPP, tendo em vista que o magistrado não está obrigado a observar a capitulação jurídica constante da denúncia.

Fonte: http://www.arcos.org.br/periodicos/revista-eletronica-de-direito-processual/volume-v/o-principio-da-correlacao-no-processo-penal-a-luz-da-lei-no-11719-08/

 

MINHAS OBSERVAÇÕES:

A setença deverá tratar do "mesmo assunto" que tratou a denúncia, não podendo o juíz, via de regra, prolatar sua sentença com base em fatos não contidos/diferentes daqueles que embasaram a denúncia.

No entanto, o Direito Penal admite duas exceções (de "modificação" da denúncia) que não são consideradas como ofensas ao princípio da correlação, quais sejam: a mutatio libelli e a emendatio libelli.

emendatio libelli está prevista no art. 383, CPP e ocorre quando o juiz, sem modificar a descrição do fato contida na peça acusatória, altera a classificação formulada na mesma. Pode ser feita pelo tribunal.

Já mutatio libelli está prevista no art. 384, CPP e ocorre quando o fato que se comprovou durante a instrução processual é diverso daquele narrado na peça acusatória.

Obs.: Não existe mutatio libelli em segunda instância - Súmula 453, STF.

 

No entando, caso julgue fora daquilo que estava previsto na denúncia, não se enquadrando nas hipóteses de emendatio ou mutatio, estará o juiz prolatando sentença extra, citra ou ultra petita; motivo pelo qual, poderá ter sua sentença anulada.

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Paulo Oliveira

Há mais de um mês

Muito bem Bárbara, obrigado!

Essa pergunta já foi respondida!