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O QUE SIGUINIFICA O PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE?

SIGNIFICA QUE O QUE IMPORTA SÃO OS FATOS E NÃO OS DOCUMENTOS

 


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Há mais de um mês

O princípio da primazia da realidade destaca justamente que o que vale é o que acontece realmente e não o que está escrito. Neste princípio a verdade dos fatos impera sobre qualquer contrato formal, ou seja, caso haja conflito entre o que está escrito e o que ocorre de fato, prevalece o que ocorre de fato.

Entre tantos princípios que regem as relações trabalhistas, um dos mais importantes é o princípio da primazia da realidade. Para compreender os objetivos e finalidades da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e de toda a legislação trabalhista brasileira, é essencial entender a importância e o uso da primazia da realidade no mundo do trabalho.

O princípio da primazia da realidade é um dos princípios que baseia toda e qualquer relação de trabalho ou de emprego. A ideia central desse princípio é a de que em uma relação de emprego o que realmente importa são os fatos e não o que está no papel.

Significa que, embora o contrato de trabalho e outros documentos contenham informações importantes, o que deve ser levado em conta sempre é o que acontece de verdade na relação entre empregado e empregador. Ou seja, a verdade dos fatos é se sobrepõem sobre as informações do contrato de trabalho, da carteira de trabalho, do livro ponto, etc.

A primazia da realidade representa, portanto, que em uma situação de conflito entre o mundo dos fatos e o mundo documental, deve imperar o que realmente ocorre na realidade.

O princípio da primazia da realidade tem como objetivo principal proteger o empregado de abusos e outras situações adversas por parte do empregador. É necessário ter em vista que na relação entre o empregador e o funcionário, o empregador sempre terá maior poder sobre seus funcionários. O empregador é quem detém o controle do negócio e o poder de exigir e mandar dentro da empresa.

Assim, o princípio da primazia da realidade protege o trabalhador em situações em que, apesar de o contrato de trabalho e outros documentos estarem seguindo a legislação, não é o que ocorre na realidade. A ideia é que o trabalhador possa provar em uma ação no Poder Judiciário que, na prática, o seu chefe desrespeita as leis trabalhistas e abusa de seus direitos.

Por ser um dos princípios mais importantes no direito trabalhista brasileiro, o princípio da primazia da realidade tem uma grande aplicação na prática. Por exemplo, o fato de um empregador não assinar a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) do seu funcionário não significa que a relação de emprego não exista. O trabalhador poderá, mesmo assim, exigir seus direitos trabalhistas judicialmente e comprovar de outras formas que ele está numa relação de emprego.

Em muitos casos, a grande prova do abuso de direitos por parte do empregador será através de testemunhas, como por exemplo, colegas de trabalho e outras pessoas que acompanharam a situação. O depoimento dessas pessoas pode auxiliar na comprovação do que realmente ocorria.

É possível imaginar uma situação em que o dono da empresa obrigue seus funcionários a assinarem o livro ponto em horário diverso do que eles realmente trabalham. O objetivo desse empregador pode ser pagar menos horas extras, não pagar adicional noturno, entre outros. Nesse caso, o empregado pode, a partir do depoimento de outros colegas de trabalho, comprovar quantas horas efetivamente trabalhava na empresa.

Dessa forma, a tutela da confiança adquire importância especial na ruptura do paradigma individualista vigente até pouco tempo, sendo aquela requisito essencial para uma relação jurídica solidária e saudável, pois incentiva um relacionamento livre de insegurança e mais apto a efetivar a dignidade da pessoa humana. Schreiber (2005, p. 88) ainda pondera:

O reconhecimento da necessidade de tutela da confiança desloca a atenção do direito, que deixa de se centrar exclusivamente sobre a fonte das condutas para observar também os efeitos fáticos da sua adoção. (grifo nosso).

Nesse contexto, a primazia da realidade age tutelando a confiança na relação de trabalho, ao provocar no consciente do trabalhador e do empregador a sensação de segurança de que ambos devem estar cientes de seus deveres no momento em que é acordada determinada condição, sob pena de reparação pelo não cumprimento desse dever. Além de, principalmente, possibilitar a anulabilidade da forma em que são concebidos os acordos, contratos ou documentos que ocultam ou visam ocultar a realidade dos fatos, aproveitando-se, em tais casos, as vontades das partes, e fazendo uma recategorização desses negócios jurídicos.

Portanto, aquele princípio trabalhista é o respaldo juspositivado que a confiança tem na relação de emprego.

 

Referências

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. 5ª Edição, revista e ampliada. São Paulo: LTR, 2009.

BRASIL. Constituição da República Federetiva do Brasil, de 5 de outubro de 1988. In: PRÊSIDENCIA. Legislação. Brasília, 1988. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm. Acesso em 18/12/2010.

BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. In: PRÊSIDENCIA. Legislação. Rio de Janeiro, 1943. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm. Acesso em 18/12/2010.

BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. In: PRÊSIDENCIA. Legislação. Brasília, 2002. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/2002/L10406.htm. Acesso em 18/12/2010.

BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (3ª Região). RO 17.608/96. Rel. Juiz Marcos Heluey Molinari. Belo Horizonte – MG. 24 de abril de 1997. Disponível em http://www.forumcontabeis.com.br/ler_topico.asp?id=11485. Acesso em 18/12/2010.

BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (15ª Região). RO 014980/2000. Rel. Juiz Luiz Antônio Lazarim. Campinas-SP, 28 de janeiro de 2002. Disponível em http://www.superjuridico.com/jurisprudencia/82/onus_da_prova.html. Acesso em 15/12/2010.

BRASIL.Tribunal Regional do Trabalho (23ª Região). RO n.º 1260/99, Ac. TP n.º 3661/99Relator Juiz João Carlos.Cuiabá-MT, 14 de dezembro de 2002. Disponível em http://jus.com.br/artigos/16675. Acesso em 15/12/2010

BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (23ª Região). RO-3184/1999. Rel. Nicanor Fávero. Cuiabá-MT. 03 de maio de 2000. Disponível em http://www.trt23.gov.br/acordaos/2000/pb00019/RO993184.htm. Acesso em 18/12/2010.

COSTA, Patricia Ayub da; GOMES, Sergio Alves. O Princípio da Boa-fé Objetiva à Luz da Constituição. CONPEDI – Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito. Disponível em http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/anais/salvador/patricia_ayub_da_costa.pdf. Acesso em 18/12/2010.

FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD Nelson. Direito Civil – Teoria Geral. 8ª edição, 2ª tiragem. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010.

MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 26ª. São Paulo: Atlas, 2010.

MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 25ª edição. São Paulo: Atlas, 2010.

SCHREIBER, Anderson. A Proibição de Comportamento Contraditório – Tutela da Confiança e Venire Contra Factum Proprium. Rio de Janeiro: Renovar, 2005.

 

 

CORREÇÃO DA PERGUNTA

 O QUE SIGNIFICA O PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE?

O princípio da primazia da realidade destaca justamente que o que vale é o que acontece realmente e não o que está escrito. Neste princípio a verdade dos fatos impera sobre qualquer contrato formal, ou seja, caso haja conflito entre o que está escrito e o que ocorre de fato, prevalece o que ocorre de fato.

Entre tantos princípios que regem as relações trabalhistas, um dos mais importantes é o princípio da primazia da realidade. Para compreender os objetivos e finalidades da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e de toda a legislação trabalhista brasileira, é essencial entender a importância e o uso da primazia da realidade no mundo do trabalho.

O princípio da primazia da realidade é um dos princípios que baseia toda e qualquer relação de trabalho ou de emprego. A ideia central desse princípio é a de que em uma relação de emprego o que realmente importa são os fatos e não o que está no papel.

Significa que, embora o contrato de trabalho e outros documentos contenham informações importantes, o que deve ser levado em conta sempre é o que acontece de verdade na relação entre empregado e empregador. Ou seja, a verdade dos fatos é se sobrepõem sobre as informações do contrato de trabalho, da carteira de trabalho, do livro ponto, etc.

A primazia da realidade representa, portanto, que em uma situação de conflito entre o mundo dos fatos e o mundo documental, deve imperar o que realmente ocorre na realidade.

O princípio da primazia da realidade tem como objetivo principal proteger o empregado de abusos e outras situações adversas por parte do empregador. É necessário ter em vista que na relação entre o empregador e o funcionário, o empregador sempre terá maior poder sobre seus funcionários. O empregador é quem detém o controle do negócio e o poder de exigir e mandar dentro da empresa.

Assim, o princípio da primazia da realidade protege o trabalhador em situações em que, apesar de o contrato de trabalho e outros documentos estarem seguindo a legislação, não é o que ocorre na realidade. A ideia é que o trabalhador possa provar em uma ação no Poder Judiciário que, na prática, o seu chefe desrespeita as leis trabalhistas e abusa de seus direitos.

Por ser um dos princípios mais importantes no direito trabalhista brasileiro, o princípio da primazia da realidade tem uma grande aplicação na prática. Por exemplo, o fato de um empregador não assinar a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) do seu funcionário não significa que a relação de emprego não exista. O trabalhador poderá, mesmo assim, exigir seus direitos trabalhistas judicialmente e comprovar de outras formas que ele está numa relação de emprego.

Em muitos casos, a grande prova do abuso de direitos por parte do empregador será através de testemunhas, como por exemplo, colegas de trabalho e outras pessoas que acompanharam a situação. O depoimento dessas pessoas pode auxiliar na comprovação do que realmente ocorria.

É possível imaginar uma situação em que o dono da empresa obrigue seus funcionários a assinarem o livro ponto em horário diverso do que eles realmente trabalham. O objetivo desse empregador pode ser pagar menos horas extras, não pagar adicional noturno, entre outros. Nesse caso, o empregado pode, a partir do depoimento de outros colegas de trabalho, comprovar quantas horas efetivamente trabalhava na empresa.

Dessa forma, a tutela da confiança adquire importância especial na ruptura do paradigma individualista vigente até pouco tempo, sendo aquela requisito essencial para uma relação jurídica solidária e saudável, pois incentiva um relacionamento livre de insegurança e mais apto a efetivar a dignidade da pessoa humana. Schreiber (2005, p. 88) ainda pondera:

O reconhecimento da necessidade de tutela da confiança desloca a atenção do direito, que deixa de se centrar exclusivamente sobre a fonte das condutas para observar também os efeitos fáticos da sua adoção. (grifo nosso).

Nesse contexto, a primazia da realidade age tutelando a confiança na relação de trabalho, ao provocar no consciente do trabalhador e do empregador a sensação de segurança de que ambos devem estar cientes de seus deveres no momento em que é acordada determinada condição, sob pena de reparação pelo não cumprimento desse dever. Além de, principalmente, possibilitar a anulabilidade da forma em que são concebidos os acordos, contratos ou documentos que ocultam ou visam ocultar a realidade dos fatos, aproveitando-se, em tais casos, as vontades das partes, e fazendo uma recategorização desses negócios jurídicos.

Portanto, aquele princípio trabalhista é o respaldo juspositivado que a confiança tem na relação de emprego.

 

Referências

BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. 5ª Edição, revista e ampliada. São Paulo: LTR, 2009.

BRASIL. Constituição da República Federetiva do Brasil, de 5 de outubro de 1988. In: PRÊSIDENCIA. Legislação. Brasília, 1988. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.htm. Acesso em 18/12/2010.

BRASIL. Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das Leis do Trabalho. In: PRÊSIDENCIA. Legislação. Rio de Janeiro, 1943. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm. Acesso em 18/12/2010.

BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. In: PRÊSIDENCIA. Legislação. Brasília, 2002. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/2002/L10406.htm. Acesso em 18/12/2010.

BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (3ª Região). RO 17.608/96. Rel. Juiz Marcos Heluey Molinari. Belo Horizonte – MG. 24 de abril de 1997. Disponível em http://www.forumcontabeis.com.br/ler_topico.asp?id=11485. Acesso em 18/12/2010.

BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (15ª Região). RO 014980/2000. Rel. Juiz Luiz Antônio Lazarim. Campinas-SP, 28 de janeiro de 2002. Disponível em http://www.superjuridico.com/jurisprudencia/82/onus_da_prova.html. Acesso em 15/12/2010.

BRASIL.Tribunal Regional do Trabalho (23ª Região). RO n.º 1260/99, Ac. TP n.º 3661/99Relator Juiz João Carlos.Cuiabá-MT, 14 de dezembro de 2002. Disponível em http://jus.com.br/artigos/16675. Acesso em 15/12/2010

BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho (23ª Região). RO-3184/1999. Rel. Nicanor Fávero. Cuiabá-MT. 03 de maio de 2000. Disponível em http://www.trt23.gov.br/acordaos/2000/pb00019/RO993184.htm. Acesso em 18/12/2010.

COSTA, Patricia Ayub da; GOMES, Sergio Alves. O Princípio da Boa-fé Objetiva à Luz da Constituição. CONPEDI – Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito. Disponível em http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/anais/salvador/patricia_ayub_da_costa.pdf. Acesso em 18/12/2010.

FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD Nelson. Direito Civil – Teoria Geral. 8ª edição, 2ª tiragem. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010.

MARTINS, Sérgio Pinto. Direito do Trabalho. 26ª. São Paulo: Atlas, 2010.

MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. 25ª edição. São Paulo: Atlas, 2010.

SCHREIBER, Anderson. A Proibição de Comportamento Contraditório – Tutela da Confiança e Venire Contra Factum Proprium. Rio de Janeiro: Renovar, 2005.

 

 

CORREÇÃO DA PERGUNTA

 O QUE SIGNIFICA O PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE?

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Rafael

Há mais de um mês

O princípio da primazia da realidade é um dos princípios norteadores do Direito do Trabalho. Significa que em matéria trabalhista é mais importante o que ocorre na prática. Neste princípio a verdade dos fatos impera sobre qualquer contrato formal, ou seja, caso haja conflito entre o que está escrito e o que ocorre de fato, prevalece o que ocorre de fato. Aquilo que as partes tenham pactuado de forma mais ou menos solene, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle tem menor importância do que o que de fato ocorre nas relações de trabalho.

Por exemplo: Na Carteira de Trabalho pode estar registrado um salário, mas por fora o empregado pode receber mais (isso para burlar o pagamento de mais direitos trabalhistas aos empregados ou tributos ao governo). Em outro exemplo o empregado pode ter registrado certo horário de entrada e saída nos cartões de ponto, mas, na verdade, fazia horas extras além do que estava registrado nos cartões de ponto. Por isso, na Justiça do Trabalho as testemunhas são importantes, pois se o documento, acordo ou contrato disser algo e as testemunhas disserem outra coisa, deve prevalecer o depoimento das testemunhas para fazer valer a prevalência da verdade real.

Espero ter ajudado. Abraços!

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Romário

Há mais de um mês

O Princípio da primariza da realidade considera o que de fato ocorreu, e não o que está no papel, que pode ser modificado. Um exemplo é o controle de ponto e de horas trabalhadas, muitas vezes aqueles horários não são verdadeiros, devendo considerar então o depoimento do empregado e suas provas, aoinvés da anotação do ponto pelo empregador, devido a facilidade de falsificação.

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Rafael

Há mais de um mês

Então não esqueça de apová-la! Abaços!!

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas