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Existe direito de superfície sobre direito de superfície???

Da Superfície (título IV do livro III do CC


1 resposta(s)

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Láurea

Há mais de um mês

Boa noite.

Primeiramente cumpre conceituar a figura da superfície, assim nas palavras de Tartuce (2011, p. 916):

“A superfícíe é o instituto real pelo qual o proprietário concede a outrem, por tempo determinado ou indeterminado, gratuita ou onerosamente, o direito de construir ou plantar em seu terreno. Tal direito real de gozo ou fruição recai sempre sobre bens imóveis, mediante escritura pública, devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis (art. 1.369 do CC)”.

Adentrando, pouco a pouco, na resposta à questão, tem-se que o Enunciado 249 do CJF/STJ, da III Jornada de Direito Civil (2004), prevê que "a propriedade superficiária pode ser autonomamente objeto de direitos reais de gozo e de garantia, cujo prazo não exceda a duração da concessão da superfície, não se lhe aplicando o art. 1.474". Ilustrando, é possível hipotecar o direito do superficiário pelo prazo de vigência do direito real. O enunciado doutrinário foi aprovado em momento anterior à alteração do art. 1.473 do CC pela Lei 11.481/2007, que introduziu expressamente a possibilidade de hipoteca sobre a propriedade superficiária (inc. X).

Ainda em sede doutrinária, conforme o Enunciado 250 do CJF/STJ admite-se a constituição do direito de superfície por cisão. Conforme aponta adoutrina contemporânea, a hipótese está presente quando o proprietário aliena por superfície plantação ou construção já existente no terreno.

Vale ressaltar ainda que há diferenças entre o direito de superfície previsto no CC e no Estatuto da Cidade, sendo que, dentre as mais importantes, se destaca a possibilidade de cessão, quanto a regra do CC, somente por prazo determinado e, por outro lado, a possibilidade de cessão, em relação à regra do Estatuto da Cidade, por prazo determinado ou indeterminado.

Assim, pelo que se depreende da análise, existe sim a possibilidade de instituir direito de superfície sobre outro direito de superfície, pois este é direito real de gozo (a propriedade superficiária pode ser autonomamente objeto de direito real de gozo). Assim como que é possível a hipoteca e a cessão (por tempo determinado ou indeterminado) sobre direito de superfície.

Bons estudos!

Boa noite.

Primeiramente cumpre conceituar a figura da superfície, assim nas palavras de Tartuce (2011, p. 916):

“A superfícíe é o instituto real pelo qual o proprietário concede a outrem, por tempo determinado ou indeterminado, gratuita ou onerosamente, o direito de construir ou plantar em seu terreno. Tal direito real de gozo ou fruição recai sempre sobre bens imóveis, mediante escritura pública, devidamente registrada no Cartório de Registro de Imóveis (art. 1.369 do CC)”.

Adentrando, pouco a pouco, na resposta à questão, tem-se que o Enunciado 249 do CJF/STJ, da III Jornada de Direito Civil (2004), prevê que "a propriedade superficiária pode ser autonomamente objeto de direitos reais de gozo e de garantia, cujo prazo não exceda a duração da concessão da superfície, não se lhe aplicando o art. 1.474". Ilustrando, é possível hipotecar o direito do superficiário pelo prazo de vigência do direito real. O enunciado doutrinário foi aprovado em momento anterior à alteração do art. 1.473 do CC pela Lei 11.481/2007, que introduziu expressamente a possibilidade de hipoteca sobre a propriedade superficiária (inc. X).

Ainda em sede doutrinária, conforme o Enunciado 250 do CJF/STJ admite-se a constituição do direito de superfície por cisão. Conforme aponta adoutrina contemporânea, a hipótese está presente quando o proprietário aliena por superfície plantação ou construção já existente no terreno.

Vale ressaltar ainda que há diferenças entre o direito de superfície previsto no CC e no Estatuto da Cidade, sendo que, dentre as mais importantes, se destaca a possibilidade de cessão, quanto a regra do CC, somente por prazo determinado e, por outro lado, a possibilidade de cessão, em relação à regra do Estatuto da Cidade, por prazo determinado ou indeterminado.

Assim, pelo que se depreende da análise, existe sim a possibilidade de instituir direito de superfície sobre outro direito de superfície, pois este é direito real de gozo (a propriedade superficiária pode ser autonomamente objeto de direito real de gozo). Assim como que é possível a hipoteca e a cessão (por tempo determinado ou indeterminado) sobre direito de superfície.

Bons estudos!

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes