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Quando surgiu a necessidade de uma investigação mais aprofundada sobre os aspectos intangíveis e subjetivos do consumo, Hirschman e Holbrook (1982) se colocaram entre os primeiros autores a reconhecer o fato de que a experiência de compras pode ser intrinsicamente satisfatória. Para Hirschman e Holbrook (1982, p. 92), os aspectos intangíveis e subjetivos do consumo, ao contrário dos tangíveis e funcionais, pertencem à esfera do consumo hedônico, "um fenômeno que designa as facetas do comportamento do consumidor relacionadas aos aspectos multissensoriais e emocionais da experiência de um indivíduo com os produtos". A abordagem experimental proposta por Hirschman e Holbrook (1982) refere-se aos aspectos simbólicos, emocionais, insconscientes, estéticos e psicológicos do consumo, enquanto a abordagem tradicional do comportamento do consumidor lida com os aspectos objetivos, tangíveis, cognitivos, conscientes, utilitários e econômicos. Três principais linhas de pesquisas têm se concentrado em investigar as facetas hedônicas e utilitárias do consumo. A primeira concentra-se nas características dos consumidores: consumidores hedônicos são aqueles que buscam estímulos sensoriais e inconscientes em suas experiências de compra e consumo de produtos, enquanto consumidores utilitários se comportam mais racionalmente e se preocupam com a funcionalidade dos bens (BELLENGER; KORGAONKAR, I980; BLOCH; RIDGWAY; NELSON, I991). A segunda linha de pesquisa concentra-se nas características de produtos e marcas (BATRA; AHTOLA, I990; MANO; OLIVER, I994; DHAR; WERTENBROCH, 2000; PARK; MOON, 2003; VOSS; SPANGENBERG; GROHMANN, 2003) e propõe que, assim como os consumidores, produtos e marcas podem ser predominantemente hedônicos por proporcionarem mais prazer, emoção e alegria àqueles que os compram, como roupas, carros esportivos e relógios de luxo, ou predominantemente utilitários por terem principalmente características instrumentais e utilitárias, como os computadores pessoais, minivans e fornos de micro-ondas. A terceira linha de pesquisa, na qual este estudo se encaixa, concentra-se no valor derivado de uma compra (SHERRY JR., I990; BABIN; DARDEN; GRIFFIN, 1994; BABIN; DARDEN, I995; WAKEFIELD; BARNES, I996; CHILDERS; CARR; PECK, 200I; ARNOLD; REYNOLDS, 2003; BARDHI; ARNOULD, 2005; JONES; REYNOLDS; ARNOLD, 2006). O conceito de valor refere-se àquilo que os consumidores percebem que têm a ganhar com a experiência de compra (HOLBROOK, I986). Por sua vez, segundo Babin, Darden e Griffin (1994), uma visão mais ampla do conceito de valor reconhece tanto uma dimensão utilitária, resultado de um esforço consciente para atingir uma consequência desejada, quanto uma dimensão hedônica, que procura capturar a dualidade básica das recompensas do comportamento humano. Essas duas dimensões refletem a distinção entre fazer algo simplesmente para obter algo e fazer algo simplesmente pelo prazer de fazê-lo.
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A necessidade de investigar os aspectos intangíveis e subjetivos do consumo surgiu na década de 1980, quando autores como Hirschman e Holbrook começaram a reconhecer que a experiência de compra vai além das características funcionais dos produtos. Eles introduziram a ideia de consumo hedônico, que se concentra nas emoções, sensações e experiências subjetivas que os consumidores vivenciam. Essa abordagem contrasta com a visão tradicional, que foca nos aspectos utilitários e objetivos do comportamento do consumidor. As três linhas de pesquisa mencionadas exploram as características dos consumidores, dos produtos e o valor percebido das compras, destacando a dualidade entre as dimensões hedônicas e utilitárias do consumo. Essa investigação ajudou a entender melhor como e por que os consumidores se envolvem emocionalmente com produtos e marcas.

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Nos últimos dez anos aproximadamente, as pesquisas nessa área têm se concentrado extensivamente na identificação dos antecedentes dos valores hedônicos e utilitários da compra (BABIN; DARDEN, I995; DONOVAN; ROSSITER, 1994; DONOVAN et al., I994; STOEL; WICKLIFFE; LEE, 2004; WAKEFIELD; BAKER, I998) e até certo ponto em seus resultados (BABIN; ATTAWAY, 2000; BABIN; DARDEN, I996; BABIN et al., 2005). Em geral, estudos anteriores descobriram que o valor hedônico está fortemente associado à atmosfera da loja (DONOVAN et al., I994; MATTILA; WIRTZ, 200I). Fatores como o sortimento da loja, os preços, a equipe de vendas, o fato de a loja estar ou não muito cheia e outros elementos periféricos dos serviços do varejista também contribuem para a natureza de entretenimento da compra (COTTET; LICHTLÉ; PLICHON, 2006; JONES, I999). Em relação aos consequentes, já se descobriu que o valor hedônico da compra contribui para aumentar o afeto dos consumidores pela loja (MANO; OLIVER, 1994) e a intenção de voltar para fazer compras nela (STOEL; WICKILIFFE; LEE, 2004). Também já se demonstrou que o valor hedônico da compra está positivamente associado à satisfação do consumidor com o varejista (BABIN et al., 2005; COTTET; LICHTLÉ; PLICHON, 2006), à intenção de comprar por impulso (MATTILA; WIRTZ, 200I), ao tempo gasto na loja (DONOVAN et al., 1994; SHERMAN; MATHUR; SMITH, I997), à lealdade do consumidor e ao boca a boca positivo (JONES; REYNOLDS; ARNOLD, 2006).

Pesquisas anteriores demonstraram que o valor hedônico da compra resulta particularmente de elementos da atmosfera da loja, como decoração, vitrines, expositores, iluminação, cores, músicas e odores. Uma loja tradicional, isto é, a loja física de tijolo e cimento, representa uma infinitude de estímulos sensoriais para todos os sentidos do corpo humano: olfato, paladar, audição, visão e tato. Um conjunto considerável de literatura já foi produzido sobre os efeitos positivos da amosfera das lojas tradicionais (PAN; ZINKHAN, 2006). Entretanto, o impacto desses fatores em ambientes virtuais ainda não está bem documentado (EROGLU; MACHLEIT; DAVIS, 2003). Uma vez que uma loja eletrônica proporciona apenas estímulos visuais e auditivos, é de supor que ela esteja em séria desvantagem em comparação às suas concorrentes tradicionais em termos de valor hedônico. Entretanto, alguns estudos argumentam que, embora os atributos utilitários e instrumentais das lojas eletrônicas, como a facilidade e a conveniência da compra, sejam os fatores determinantes das atitudes e dos comportamentos dos consumidores, características hedônicas específicas do meio eletrônico poderiam exercer um papel tão importante quanto os aspectos utilitários ao conformar esses comportamentos (CHILDERS; CARR; PECK, 200I). De fato, estudos anteriores demonstraram que o valor hedônico também pode ser derivado dos ambientes eletrônicos de compra (CHILDERS; CARR; PECK, 200I; JARVENPAA; TODD, I997) e impactar positivamente as atitudes em relação às lojas eletrônicas. Por exemplo, Fiore, Jin e Kin (2005) descobriram que o prazer resultante de uma imagem interativa de um website estimula tanto a atitude global quanto a vontade de comprar em uma loja eletrônica, enquanto Eroglu, Machleit e Davis (2003) constataram que a qualidade atmosférica de uma loja eletrônica aumenta o nível de prazer que os compradores sentem, o que, por sua vez, influencia a sua atitude e a satisfação com a loja eletrônica. Fiore, Lee e Kunz (2004) sugerem que a novidade de uma nova tecnologia como o comércio eletrônico poderia resultar em maior prazer e excitação.

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