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Princípio da humanidade ou da dignidade da pessoa humana

O poder punitivo deve respeitar a integridade física e psíquica do agente (art. 5º, XLIV, CF), vedando aplicação ou criação de sanções penais que atinjam a dignidade da pessoa humana ou que lesionem a constituição físico-psíquica dos condenados. Por isso que a Constituição veda penas cruéis e infamantes (art. 5º, XLVII, CF), proíbe tortura e maus-tratos nos interrogatórios e impõe ao Estado adotar infraestrutura carcerária adequadas à socialização dos condenados.

É também decorrente desse princípio que a pena não pode passar da pessoa do condenado, com exceção de alguns efeitos extrapenais da condenação, como a obrigação de reparar o dano na esfera civil (art. 5º, XLV, CF).

Mas há, na LEP (Lei de Execução Penal), um dispositivo que viola este princípio. O regime disciplinar diferenciado prevê isolamento por 360 dias, prorrogável por igual período, cominando punição cruel e desumana, pois destrói moral, física e psicologicamente o preso, além de violar o objetivo ressocializador da pena.
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As vinganças e a evolução penal

A vingança penal (pena) vem junto com a história da humanidade, sendo desenvolvida para atender as necessidades de seu tempo. Podemos dividir a vingança penal em três.

- Vingança divina:

Nas sociedades primitivas, os fenômenos naturais maléficos eram considerados como resposta divina por prática de certos atos desvirtuados da vontade divina e que exigiam reparação. Para tentar apaziguar as divindades, punia-se o infrator desobediente com a morte. O homem, portanto, regulava-se por causa do temor religioso ou mágico, em que a infração das leis, que eram divinas, consistia numa ofensa aos deuses, sendo a pena a resposta por desagravar a divindade, bem como para purgar o grupo das impurezas do crime.

A aplicação da pena capital, por influência exercida pela religião na vida dos povos antigos, era aplicada pelos sacerdotes, por delegação divina, cuja finalidade era a intimidação e a resposta ao deus ofendido. Essa pena era desproporcional, desumana e cruel.

- Vingança privada:

Surgiu com a complexidade social, em que o crime consistia numa ofensa ao grupo, que era a proteção do indivíduo. Dessa forma, quando a infração era cometida por um membro do próprio grupo, a punição era o banimento (perda da paz ou excomunhão), expulsando-o do grupo e deixando-o à mercê de outros grupos, o que fatalmente o levaria à morte. Se a infração fosse praticada por alguém estranho ao grupo, a punição era a vingança de sangue, uma verdadeira guerra entre grupos, imperando a lei do mais forte.

Essa pena era desproporcional, e, para evitar a dizimação das tribos, surge a Lei de Talião (olho por olho, dente por dente), que criou uma proporcionalidade entre o crime e a pena. Foi um significativo avanço, pois foi o maior exemplo de tratamento igualitário entre infrator e vítima, representando, de certa forma, a primeira tentativa de humanização da sanção. Este esteve presente no Código de Hamurabi, pelo Êxodo e na Lei das XII Tábuas.

Porém, com o tempo, viu-se que a população ficava deformada, pela perda de membro, sentido ou função. Evoluiu-se, então, para a composição, onde o infrator comprava sua liberdade, livrando-se do castigo. Em outras palavras, era uma forma de conciliação entre o ofensor e o ofendido ou seus familiares para substituir a pena por prestação pecuniária, como forma de reparar o dano. É um dos antecedentes da moderna reparação do Direito Civil e das penas pecuniárias do Direito Penal.

- Vingança pública:

Com a evolução política e a organização social, o Estado avocou o poder-dever de manter a ordem e a segurança social, que, nos primórdios, mantinha identidade entre poder divino e poder político. Assim, nesta fase, o Estado detém o ius puniendi, o monopólio do poder e da legítima violência. As penas ainda eram cruéis e desumanas, e só com o tempo foi ganhando a forma da finalidade da pena como defesa social, de intimidar os indivíduos a não delinquir e que a pena deve ser retributiva.

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