A gênese e a consolidação de idiomas em contextos coloniais revelam dinâmicas sociolinguísticas de extrema complexidade, marcadas por assimetrias de poder estruturais. A respeito da formação e do comportamento das línguas crioulas, avalie as afirmativas abaixo e determine a conjunção correta: I. Tratam-se de sistemas naturais originados da imperiosa precisão comunicativa em coletividades abarcadas por amplo multilinguismo, nas quais o acesso ao modelo sociopolítico hegemônico era extremamente restrito. II. Sob a ótica inerente de sua malha gramatical, essas construções, mesmo quando concebidas com base lexical externa, são inequivocamente enquadradas pela linguística como línguas integralmente autônomas e diferenciadas. III. Ao assumirem definitivamente o papel de língua materna para as comunidades, converteram-se em sólidas representações de identidade de grupo, fomentando forte resistência contra as investidas assimiladoras de idiomas de maior prestígio. IV. O processo de aniquilação dessas estruturas ocorre inexoravelmente no instante exato em que a população oprimida abraça a religião cristã, o que provoca obrigatoriamente a descrioulização imediata e o apagamento de suas características originais. O gabarito é sustentado pelas afirmativas II, III e IV, haja vista que a gênese dos crioulos independe de qualquer cenário de multilinguismo ou de restrições de acesso ao modelo linguístico da metrópole, nascendo puramente de decretos formais de comércio. Apenas as afirmativas I e II podem ser validadas como corretas, uma vez que as línguas crioulas jamais alcançaram o prestígio necessário para servirem de pilar de pertencimento identitário, cedendo sem qualquer resistência às imposições do colonizador. Estão corretas apenas as afirmativas I e IV, pois o determinismo religioso ditou o ritmo de aniquilação dessas línguas, enquanto as noções de autonomia gramatical e simbolismo de resistência identitária são rechaçadas pela sociolinguística moderna. As afirmativas I, II e III compõem o quadro analítico co