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10ª) Quando se trata dos princípios dos contratos em geral é incorreta: a) o princípio da autonomia da vontade está vinculado à liberdade de contratar. Os indivíduos possuem o poder de autogerência de seus interesses, de livremente discutir as condições contratuais que mais lhe aprouverem, além de plasmar essa vontade em uma modalidade de contrato adequado aos seus interesses. Assim, há uma tríplice divisão da autonomia da vontade, relacionando-a com a liberdade de contratar propriamente dita (o que dependerá da capacidade dos sujeitos envolvidos, por certo), a liberdade de estipular a modalidade de contrato, a espécie mais adequado ao caso, e, por fim, a liberdade de inserir no contrato as cláusulas e condições necessárias para a concretização dessa vontade, para satisfação de seus interesses, de determinar, então, o conteúdo do contrato (Gomes, 2009, p. 26). b) o princípio do consensualismo está conectada à liberdade contratual, tendo em vista que esta será exercida nos limites da função social, como previsto no art. 421 do Código Civil. Para Flávio Tartuce, a função social deve ser interpretada a partir de determinados fatores internos ou externos; assim, o contrato tem uma determinada finalidade vinculada ao meio que está inserido e, se seus termos forem prejudiciais às partes, também o serão, ainda que de forma indireta, para a sociedade como um todo, pois não atenderá à sua finalidade social. Em sentido contrário, um contrato prejudicial à sociedade também o será para os contratantes, tendo em vista que os elementos, a parte e a sociedade não podem ser avaliados de forma isolada, mas sim simultaneamente (Tartuce, 2007, p. 249). c) a força obrigatória dos contratos, por certo, não é absoluta, estando vinculada aos princípios da boa-fé e da função social do contrato, que serão vistos na sequência dos estudos. Além disso, os arts. 317, 478 e 479 do Código Civil acabaram também por mitigar a regra geral, autorizando a intervenção judicial e a revisão dos termos contratuais quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção entre o valor da prestação que era devida e a efetivamente devida no momento da execução do contrato (art. 317) ou, ainda, quando os efeitos do contrato protelarem-se no tempo, quando a sua execução for continuada, e a prestação de uma das partes acabar por se tornar excessivamente onerosa, gerando vantagem desproporcional para a outra parte, o que está necessariamente vinculado a eventos extraordinários e imprevisíveis (art. 478 e 479). d) o princípio da boa-fé, lançado no art. 422 do Código Civil, estabelece um dever a ser observado antes, durante e após a realização do contrato, assim como durante a sua execução. Para Sérgio Cavalieri Filho, a boa-fé desdobra-se em boa-fé subjetiva e objetiva. A subjetiva está relacionada à ausência de malícia e uma suposição de estar agindo de forma correta antes, durante ou após a relação contratual; por outro lado, a boa-fé objetiva se desvincular das intenções mais íntimas do contratante, relacionando-se ao comportamento objetivo e se ele está dentro de padrões éticos, de lealdade, honestidade ou cooperação.
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Solange Bruneli

há 2 meses

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