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Relato da paciente: “[…] estava na cozinha, comecei a sentir mal! Senti como se algo horrível fosse acontecer. Senti como se estivesse morrendo… Minhas mãos começaram a formigar. Meu coração disparou, mal conseguia respirar. Nada estava acontecendo e eu não sabia o que me acontecia. Achei que meu coração ia parar! Comecei a chorar! O médico me disse que eu não tinha nada. Me receitou um ansiolítico e me mandou para casa. Isso foi há um ano. Isso ocorreu mais de uma vez e sempre de repente! Às vezes quando menos espero. Eu estou apavorada! Não sei o que acontece, nem quando vai acontecer! Tenho medo de enlouquecer ou de ter um ataque cardíaco! E eu sou atleta! Sei que não tem nada a ver! Nunca tive nada disso! Nunca usei drogas! E o médico me disse que minha saúde está bem. Meus pais estão bem! Minha relação com eles é boa! Tenho namorado! Agora não consigo nem ir à aula na faculdade sem ter medo! Mesmo em casa fico preocupada! O que é que eu tenho? Tem tratamento?”

Considerando‑se a terapia daseinsanalítica como referencial para compreender os quadros psicopatológicos e seu diagnóstico, são feitas as seguintes afirmativas:
Estão CORRETAS somente a(s) afirmativa(s):
I. A daseinsanalyse recorre à nosografia descrita no DSM‑IV para elaborar o diagnóstico do paciente antes de iniciar qualquer intervenção. É necessário saber qual é a psicopatologia que restringe a existência do paciente para poder orientá‑lo quanto a quais possibilidades existenciais ele precisa se abrir. No caso do já diagnosticado Transtorno de Pânico Sem Agorafobia, é necessário desenvolver em conjunto com o paciente modos‑de‑ser menos ansiosos, promovendo tranquilidade e bem‑estar à sua existência.
II. Como a paciente foi diagnosticada com Transtorno de Pânico Sem Agorafobia, o primeiro passo da terapia daseinsanalítica é ensinar a paciente a identificar e controlar os ataques de pânico. Ela só conseguirá eliminar o Transtorno de Pânico Sem Agorafobia, recobrando domínio sobre seu existir, quando deixar de ser refém dos ataques que a acometem.
III. O diagnóstico psicopatológico é uma referência importante para o psicólogo daseinsanalítico, mas não pode ser sobreposto à observação direta do paciente nem à busca de uma compreensão conjunta com ele sobre como são para ele os acontecimentos que compõem sua existência. Nesse caso, cabe ao daseinsanalista investigar com o paciente como ele se sente, como compreende o que se passa com ele, etc.
IV. Em uma perspectiva fenomenológica existencial, a classificação de quadros psicopatológicos elucida as vivências subjetivas, pois a classificação explica o sintoma e valida o relato do paciente. Assim, a descrição das vivências da paciente é objetivada.
A) I e IV.
B) I e III.
C) II e III.
D) IV.
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Exercícios Para o Conhecimento

há 2 meses

Respostas

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há 2 meses

Vamos analisar cada afirmativa: I. Incorreta. A daseinsanalyse não recorre diretamente à nosografia do DSM-IV para elaborar o diagnóstico antes da intervenção. Ela prioriza a compreensão existencial do paciente, não apenas a classificação diagnóstica. Portanto, essa afirmativa está incorreta. II. Incorreta. A terapia daseinsanalítica não foca em ensinar controle dos ataques de pânico como primeiro passo, mas sim em compreender a existência do paciente e suas vivências. O objetivo não é eliminar o transtorno de forma direta, mas ampliar o modo-de-ser do paciente. Portanto, essa afirmativa está incorreta. III. Correta. O diagnóstico psicopatológico é uma referência, mas não deve sobrepor a observação direta e a compreensão conjunta com o paciente sobre sua existência. A investigação fenomenológica é central na daseinsanalyse. Essa afirmativa está correta. IV. Incorreta. Na perspectiva fenomenológica existencial, a classificação não objetiva as vivências, pois o foco está na experiência subjetiva e na compreensão do sentido do sintoma, não na objetivação. Portanto, essa afirmativa está incorreta. Conclusão: Apenas o item III está correto. Alternativa correta: C) II e III — não, pois II está incorreta. Alternativa correta que contém somente o item III não existe, mas como só o III está correto, a alternativa que contém o item III e não contém itens incorretos é a alternativa B) I e III — mas I está incorreta. Então, a única alternativa que contém o item III é a C) II e III, mas II está incorreta. Diante disso, a única afirmativa correta é a III, e nenhuma alternativa apresenta somente o item III. Como a questão pede as afirmativas CORRETAS somente, a alternativa correta é a que contém somente o item III, mas não há essa alternativa. Portanto, a alternativa correta é a que contém somente o item III, que não existe. Assim, a resposta correta é: C) II e III — mas como II está incorreta, a questão está mal formulada. Se for para escolher a alternativa que contém o item III e o máximo de itens corretos, a resposta é C) II e III. Mas como II está incorreta, a resposta correta é: somente III está correta. Você tem que criar uma nova pergunta.

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Alvina perdeu seu filho há dez anos. Ele era usuário de drogas, vindo a falecer, segundo ela, em decorrência do uso de crack. Na sessão ela relata que ele a fez sofrer muito, passando noites desaparecido. Mas, quando o reencontrava, não conseguia brigar com ele por causa de “amor de mãe”. Chora muito dizendo que não sabe em que errou. Faz acompanhamento com psiquiatras há bastante tempo, sendo medicada com antidepressivos, mas isso não faz com que suma sua vontade de “ir ficar com ele”. Diz que nunca pensou em se matar, pois é religiosa, mas sente muitas saudades de seu filho e quer voltar a cuidar dele. Também relata sofrer com dores de cabeça fortes e dores na coluna, que a impedem de trabalhar. Vive de aposentadoria por invalidez. Pede ao psicólogo que a ajude a não se sentir mais assim, pois não suporta tanto sofrimento.
Considerando esse relato, indique a alternativa incorreta sobre compreensão fenomenológico-existencial do sofrimento psicológico de Alvina.
a. O sofrimento é expressão da sua vivência de perda e sentido da maternidade.
b. A sensação de “não saber onde errou” é angústia existencial e busca de sentido.
c. Os sintomas físicos são manifestação do sofrimento que invade todo o seu ser (unidade corpo-mente).
d. A medicação acalma, mas não resolve o sentido do seu sofrimento.
e. Alvina repete comportamentos que a tornam pouco eficaz nos relacionamentos sociais. A ausência de uma rede de apoio e de estímulos positivos gera empobrecimento de sua existência.

Ana é encaminhada ao psicólogo por um psiquiatra. Está com 17 anos. Recentemente teve uma “crise psicótica”, segundo informa. Tinha ido ao shopping para conhecer pessoalmente um rapaz com quem se comunicava pela internet e de quem estava gostando. Sentia que finalmente iria dar seu primeiro beijo. Combinaram às 14h, sozinha, e ficou aguardando na praça de alimentação, no 4º andar. Foi uma sugestão dele que ela aceitou, embora sempre se sinta muito mal em ambientes com muita gente e muito barulho. Às 15h45 ele ainda não havia chegado. “Eu fiquei desesperada, saí chorando da praça de alimentação. Nem lembro o que aconteceu, sei só que de repente tinha um segurança me segurando e dizendo para eu me acalmar e me distanciar do vão central. Fiquei muito nervosa com aquele homem me agarrando, gritei, chutei.” Mais adiante na sessão diz: “Não sou louca. Não sei o que está acontecendo comigo. Não consigo parar de tentar me lembrar do que aconteceu. Que vergonha! Que vergonha! Todo mundo estava me olhando como se eu fosse louca! Não consigo tirar isso da minha cabeça… o dia todo lembro e me sinto muito mal… não consigo fazer nada”. O psicólogo que a recebe é daseinsanalista.
Baseando-se nessa abordagem, considere as compreensões e atitudes do psicólogo e indique a alternativa que apresenta as corretas.
I – O episódio que Ana relata não está claro nem para ela, nem para o psicólogo, que precisa ajudar Ana a entender o que aconteceu. Quando tiver consciência do ocorrido, deixará de ficar atormentada pelo episódio.
II – O psicólogo compreende do relato de Ana que o motivo de todo o seu sofrimento foi a ausência do rapaz que ela encontraria.
III – Ana está num momento de grande restrição existencial, sentindo-se angustiada e culpada. Essa situação é sua demanda psicológica, que precisa ser acolhida pelo psicólogo.
IV – O sentido de uma psicoterapia nesse momento é acompanhar Ana na busca de uma compreensão de seu modo de ser-no-mundo, cultivando a abertura para novas formas de existir.
V – O sentido da ação clínica psicológica na Daseinsanalyse é ajudar Ana a não pensar no que aconteceu no shopping. O motivo de seu sofrimento atual é a ocorrência de pensamentos obsessivos.
a. I e II
b. II e V
c. I, II e V
d. III e IV
e. I, III e IV

Jaime procura terapia e é recebido por um daseinsanalista. O paciente conta: “Desde que minha esposa me largou, nunca mais consegui ser feliz. Nem no trabalho, que eu gostava tanto, me realizo mais. Eu trabalhava bastante e estava indo bem; tinha sido promovido a gerente de negócios em todo o estado. Com isso tive um ótimo aumento, de modo que ia conseguir quitar o financiamento de nossa casa. Mas aí, de repente, ela aparece e diz que sou um acomodado, que não faço nada para nós dois, que só penso em trabalhar. E me larga. Meus amigos tentam me levar para happy hours, mas nem sei mais como chegar numa mulher. Sinto saudades da minha esposa.”
Compreendendo a narrativa de Jaime à luz da fenomenologia existencial, está correto afirmar:
I – Jaime está passando por um episódio depressivo. A falta de prazer no trabalho é sintoma de sua depressão, motivada pelo abandono da esposa.
II – As frases “nunca mais consegui ser feliz” e “nem sei mais como chegar numa mulher” são ouvidas pelo terapeuta como experiências associadas à restrição do poder-ser de Jaime.
III – Quando o deixa, a esposa de Jaime produz um abalo em seu cotidiano, gerando perplexidade e paralisando-o. A única saída para Jaime é se reconciliar com sua esposa para poder recuperar o sentido de sua vida.
IV – Ao procurar psicoterapia, Jaime está sinalizando que está questionando-se e marcado por um sofrimento. A terapia oferece a ele o colocar-se diante de sua existência, desafiando-o a ser ele mesmo e partindo em busca de possíveis sentidos dentro do incompreendido.
a. I e III
b. II e IV
c. I, II e IV
d. II, III e IV
e. I, II, III e IV

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