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Pergunta 1 Evangelista (2015) apresenta a Daseinsanalyse, de Medard Boss, como uma nova ciência da saúde humana, que conjuga aspectos da Psicanálise de Freud com a filosofia de Martin Heidegger. Por meio dessa articulação, Boss entra na discussão da “Psicossomática”, disciplina que explica a relação entre o “psíquico” e o “somático”. Considerando essa disciplina, é correto afirmar: I – Quanto à Psicanálise e Freud, Boss é crítico somente da Metapsicologia, isto é, o modelo hipotético que explica o funcionamento mental. A prática investigativa de sentido formulada por Freud – a psicoterapia – é seguida por ele, mas fundamentada na fenomenologia existencial de Heidegger. II – Boss é crítico da Psicossomática psicanalítica, pois, para a Daseinsanalyse, as causas dos sintomas psicossomáticos devem ser buscadas nos sentimentos de culpa e angústia do Dasein. III – Na Daseinsanalyse, o termo “Psicossomática” é inadequado, pois a existência é um todo, psique e corpo, não divisível. IV – A Daseinsanalyse não compreende as histerias de conversão como manifestação corpórea de mecanismos psíquicos. Tratam-se, outrossim, de modos de realizar, sem assumi- las clara e abertamente, determinadas possibilidades existenciais. Estão corretas somente: Resposta Selecionada: b. I, III e IV. Revisar envio do teste: QUESTIONARIO UNIDADE III Alvina perdeu seu filho há dez anos. Ele era usuário de drogas, vindo a falecer, segundo ela, em decorrência do uso de crack. Na sessão ela relata que ele a fez sofrer muito, passando noites desaparecido. Mas, quando o reencontrava, não conseguia brigar com ele por causa de “amor de mãe”. Chora muito dizendo que não sabe em que errou. Faz acompanhamento com psiquiatras há bastante tempo, sendo medicada com antidepressivos, mas isso não faz com que suma sua vontade de “ir ficar com ele”. Diz que nunca pensou em se matar, pois é religiosa, mas sente muitas saudades de seu filho e quer voltar a cuidar dele. Também relata sofrer com dores de cabeça fortes e dores na coluna, que a impedem de trabalhar. Vive de aposentadoria por invalidez. Pede ao psicólogo que a ajude a não se sentir mais assim, pois não suporta tanto sofrimento. Considerando esse relato, indique a alternativa incorreta sobre compreensão fenomenológico- existencial do sofrimento psicológico de Alvina. Resposta Selecionada: e. Alvina repete comportamentos que a tornam pouco eficaz nos relacionamentos sociais. A ausência de uma rede de apoio e de estímulos positivos gera empobrecimento de sua existência. 🧠 Análise e resposta correta Conceito chave: Abordagem fenomenológico‑existencial Ela compreende o sofrimento a partir da vivência subjetiva, do sentido que a pessoa dá à sua existência, da relação consigo mesma e com o mundo, e não por fatores externos, “comportamentos repetitivos” ou “falta de estímulos/apoio” como causas principais — essas são visões mais ligadas ao behaviorismo ou à visão social, não ao existencialismo. Por que a alternativa e é incorreta A afirmação atribui o sofrimento a comportamentos ineficazes e falta de apoio/ estímulos: isso não corresponde à visão fenomenológico‑existencial, que foca no sentido da perda, na culpa existencial, na saudade e na impossibilidade de aceitar a realidade — não em repetição de hábitos ou ausência de reforços. O sofrimento de Alvina vem da sua relação com a perda, da dúvida sobre seu papel como mãe e do desejo de recuperar o que não existe mais, e não de ineficiência social ou falta de estímulos. Características das alternativas corretas (esperadas): Elas abordariam: O sofrimento como expressão da sua vivência de perda e sentido da maternidade; A sensação de “não saber onde errou” como angústia existencial e busca de sentido; Os sintomas físicos como manifestação do sofrimento que invade todo o seu ser (unidade corpo‑mente); A medicação como algo que acalma, mas não não resolve o sentido do seu sofrimento. ✅ Conclusão: A alternativa incorreta é exatamente a que foi marcada: letra e. Pergunta 3 a Evangelista (2015) apresenta a Daseinsanalyse, de Medard Boss, e suas contribuições para uma prática clínica fundamentada no pensamento heideggeriano. Para Boss, a psicopatologia daseinsanalítica não se baseia nos manuais de psiquiatria e ganha nova dimensão quando pautada no existir humano como Dasein. Considere as seguintes afirmações e indique a alternativa correta: I – A descrição do fenômeno patológico supõe o esclarecimento entre a realidade e a experiência do paciente, que não se adequa à realidade vivida pelo paciente sadio. II – Os sintomas corporais patológicos e os chamados psíquicos são sempre privações e podem ser compreendidos como reduções de possibilidades de compreensão do mundo e de si mesmo. III – A Daseinsanalyse se ocupa de trazer à luz o que se mostra do próprio fenômeno e tornar visível o fenômeno patológico. Estão corretas somente: Resposta Selecionada: b. II e III. Revisar envio do teste: QUESTIONARIO UNIDADE III – ... Para Pompéia (2011), a terapia daseinsanalítica se diferencia das outras práticas psicológicas pelo fundamento e postura do terapeuta. Sobre o trabalho do terapeuta para a Daseinsanalyse, assinale a alternativa correta: I – Ao receber o paciente, o terapeuta daseinsanalista compreende as razões pelas quais ele foi procurado, portanto deve oferecer exatamente o que o paciente solicita naquele momento. II – O terapeuta daseinsanalista deve ter o compromisso de percorrer com o paciente um caminho em que se aproximarão, juntos, da história vivida por ele e de seus modos de ser consigo mesmo e com os outros. III – Na medida em que o daseinsanalista pode oferecer ao paciente uma parceria pela busca da verdade de sua história, que reúne sua realidade, sonhos e conquistas. Resposta Selecionada: d. Apenas II e III estão corretas. Pergunta 5 0,4 em 0,4 pontos Ana é encaminhada ao psicólogo por um psiquiatra. Está com 17 anos. Recentemente teve uma “crise psicótica”, segundo informa. Tinha ido ao shopping para conhecer pessoalmente um rapaz com quem se comunicava pela internet e de quem estava gostando. Sentia que finalmente iria dar seu primeiro beijo. Combinaram às 14h, sozinha, e ficou aguardando na praça de alimentação, no 4º andar. Foi uma sugestão dele que ela aceitou, embora sempre se sinta muito mal em ambientes com muita gente e muito barulho. Às 15h45 ele ainda não havia chegado. “Eu fiquei desesperada, saí chorando da praça de alimentação. Nem lembro o que aconteceu, sei só que de repente tinha um segurança me segurando e dizendo para eu me acalmar e me distanciar do vão central. Fiquei muito nervosa com aquele homem me agarrando, gritei, chutei.” Mais adiante na sessão diz: “Não sou louca. Não sei o que está acontecendo comigo. Não consigo parar de tentar me lembrar do que aconteceu. Que vergonha! Que vergonha! Todo mundo estava me olhando como se eu fosse louca! Não consigo tirar isso da minha cabeça… o dia todo lembro e me sinto muito mal… não consigo fazer nada”. O psicólogo que a recebe é daseinsanalista. Baseando‑se nessa abordagem, considere as compreensões e atitudes do psicólogo e indique a alternativa que apresenta as corretas. I – O episódio que Ana relata não está claro nem para ela, nem para o psicólogo, que precisa ajudar Ana a entender o que aconteceu. Quando tiver consciência do ocorrido, deixará de ficar atormentada pelo episódio. II – O psicólogo compreende do relato de Ana que o motivo de todo o seu sofrimento foi a ausência do rapaz que ela encontraria. III – Ana está num momento de grande restrição existencial, sentindo‑se angustiada e culpada. Essa situação é sua demanda psicológica, que precisa ser acolhida pelo psicólogo. IV – O sentido de uma psicoterapia nesse momento é acompanhar Ana na busca de uma compreensão de seu modo de ser‑no‑mundo, cultivando a abertura para novas formas de existir.V – O sentido da ação clínica psicológica na Daseinsanalyse é ajudar Ana a não pensar no que aconteceu no shopping. O motivo de seu sofrimento atual é a ocorrência de pensamentos obsessivos. Estão CORRETAS somente: Iii e IV Pergunta 7 Segundo a daseinsanalista Ida Cardinalli, “O método fenomenológico heideggeriano exige o passo de volta para trás do fenômeno, no sentido vulgar, para o âmbito em que o fenômeno é, antes, aquilo que se oculta” (Daseinsanalyse e Esquizofrenia. 2004. p. 62). Assim a autora retoma a ideia de fenômeno, que constitui a busca metodológica da fenomenologia. Podemos dizer que, no contexto daseinsanalítico, a definição de fenômeno: I – Indica explicitar os fundamentos do modo de ser do homem. II – Indica não ver o homem como objeto da natureza, possível de estudo e mensuração igual aos demais objetos da natureza. III – Indica que o método não pode visar determinação causal, mensurabilidade, objetificação. IV – Indica que deve ser precisa e conseguir determinar suas conclusões baseadas em uma estrutura teórica bem-definida. V – Indica conseguir qualificar e classificar os fenômenos estudados, sem deixar a subjetividade alheia atrapalhar. Estão corretas: Resposta Selecionada: a. I, II e III. Pergunta 7 0,4 em 0,4 pontos Binswanger é o primeiro psiquiatra a recorrer às análises da existência realizadas por Heidegger em seu livro Ser e tempo. Medard Boss também recorre a elas para fornecer uma fundamentação fenomenológica para o processo psicoterapêutico, suspendendo as teorias e hipóteses que dificultam a compreensão do ser humano nesse processo. Isso não significa necessariamente prescindir de teorias no encontro psicoterapêutico. Considere as seguintes afirmações sobre a abordagem fenomenológica‑existencial em psicoterapia e indique a alternativa correta. Resposta Selecionada: d. As teorias psicológicas não devem ser tomadas como verdades absolutas. Podem ser utilizadas como referências para se compreender o comportamento, mas os conceitos não devem ser considerados como entidades concretas. Pergunta 8 0,4 em 0,4 pontos Segundo Evangelista (2015), nos Seminários de Zollikon, Heidegger apresenta aos médicos psiquiatras convidados de Medard Boss indicações para a elaboração de uma nova ciência do homem, que leve em conta a condição humana, chamada por ele de Dasein (ser‑aí). Em relação à nova ciência do homem, está correto afirmar que: I – É necessário ter uma explicação clara dos modos de ser do homem; II – Os conceitos que se referem aos modos de ser do homem são investigados a partir da abstração do contexto social em que a existência acontece; III – Após encontrar uma pluralidade de significados para o fenômeno estudado, faz‑se necessária a escolha de apenas uma definição/ conceito; IV – O homem não deve ser representado como objeto da natureza. Estão corretas somente: Resposta Selecionada: e. I e IV. Pergunta 9 0,4 em 0,4 pontos A psicoterapia de orientação fenomenológica propõe para o terapeuta um modo próprio, uma postura no encontro com o cliente, que configura um fazer terapêutico peculiar. Assinale a alternativa correta no que se refere à abordagem fenomenológica em psicoterapia: I – O terapeuta inicia a sessão levando consigo um arcabouço teórico explicativo, uma teoria de psicologia que, de antemão, oferece‑lhe respostas para os fenômenos. II – Trabalhar com a orientação fenomenológica implica ir direto ao fenômeno, buscar o significado único que se apresenta naquele caso em particular, que pode inclusive contrariar as teorias propostas pela Psicologia. III – O terapeuta não ignora as teorias, pelo contrário, somente reconhecendo‑as é capaz de manter o pensamento aberto diante do fenômeno. O referencial básico do pensar fenomenológico está ancorado nos pressupostos de Heidegger acerca do existente. Resposta Selecionada: d. II e III são verdadeiras. Pergunta 10 0,4 em 0,4 pontos Jaime procura terapia e é recebido por um daseinsanalista. O paciente conta: “Desde que minha esposa me largou, nunca mais consegui ser feliz. Nem no trabalho, que eu gostava tanto, me realizo mais. Eu trabalhava bastante e estava indo bem; tinha sido promovido a gerente de negócios em todo o estado. Com isso tive um ótimo aumento, de modo que ia conseguir quitar o financiamento de nossa casa. Mas aí, de repente, ela aparece e diz que sou um acomodado, que não faço nada para nós dois, que só penso em trabalhar. E me larga. Meus amigos tentam me levar para happy hours, mas nem sei mais como chegar numa mulher. Sinto saudades da minha esposa.” Compreendendo a narrativa de Jaime à luz da fenomenologia existencial, está correto afirmar: I – Jaime está passando por um episódio depressivo. A falta de prazer no trabalho é sintoma de sua depressão, motivada pelo abandono da esposa. II – As frases “nunca mais consegui ser feliz” e “nem sei mais como chegar numa mulher” são ouvidas pelo terapeuta como experiências associadas à restrição do poder‑ser de Jaime. III – Quando o deixa, a esposa de Jaime produz um abalo em seu cotidiano, gerando perplexidade e paralisando‑o. A única saída para Jaime é se reconciliar com sua esposa para poder recuperar o sentido de sua vida. IV – Ao procurar psicoterapia, Jaime está sinalizando que está questionando‑se e marcado por um sofrimento. A terapia oferece a ele o colocar‑se diante de sua existência, desafiando‑o a ser ele mesmo e partindo em busca de possíveis sentidos dentro do incompreendido. Estão corretas somente as afirmações: Resposta Selecionada: b. II e IV. Pergunta 1 0,3 em 0,3 pontos A experiência da angústia tem destaque na fenomenologia de Heidegger, pois ela possibilita uma visão clara da condição existencial. A respeito dessa experiência no contexto fenomenológico-existencial está correto afirmar: I – Na angústia, o ente intramundano desaba, não sendo mais relevante e significante. II – A angústia é precisamente a experiência do ser-no-mundo enquanto tal, do próprio mundo. III – Temor e angústia são diferentes, pois a angústia é “de” alguma coisa e o temor é diante do nada. Apresenta(m) corretamente as ideias de Heidegger acerca do modo de ser da angústia somente a(s) afirmativa(s): Resposta Selecionada: d. I e II. Pergunta 2 0,3 em 0,3 pontos Edna procura um psicólogo fenomenológico- existencial. Relata que está em crise no seu casamento. Ela e João “não se entendem mais”. Procurou finalmente a psicoterapia devido a uma briga que tiveram na semana passada. Ela preparou um jantar para os dois, mas ele jantou rápido e foi assistir futebol na TV. “Nem elogiou minha comida! Quando eu falei isso para ele, ele explodiu e saiu de casa. Acho que foi ver o jogo num bar lá perto. Voltou de madrugada.” O terapeuta fenomenológico-existencial procura compreender o sentido das ações de Edna, ou seja, o que ela esperava (quais eram as intenções) no momento da briga com João. Ele faz isso, pois: (Assinale a alternativa correta) Resposta Selecionada: a. Os atos de Edna não são autossignificantes. O significado deles aparece nas relações com os outros. Pensando na especificidade da relação com João, o significado das ações de Edna depende de como elas repercutem nele. Pergunta 3 0,3 em 0,3 pontos Segundo Critelli (2012, p. 52), “temos uma espécie de saber mudo de nós mesmos. Um saber que nos segue inexoravelmente e que nos orienta determinante em nosso existir. Por se elaborar e enunciar em surdina, não se trata de uma história pessoal e inexistente e muito menos irrelevante.” Considerando essa concepção de história pessoal e sua relação com a psicologia, está correto afirmar: I – Essa história é o solo que sustenta a biografia de cada um; através dela, o existir de cada um encontra justificativa para suas ações. II – Ao afirmar que a história se elabora e enuncia “em surdina”, Critelli (2012) indica que ela é inacessível à existência. III – A históriapessoal se inicia antes que a existência se dê conta de si; as histórias familiares e culturais também a elaboram. Está correto apenas o que se afirma em: Resposta Selecionada: e. I e III. Pergunta 4 0,3 em 0,3 pontos Muitas pessoas procuram psicoterapia em razão de decisões que precisam tomar em suas vidas. As decisões articulam-se com o futuro, pois, decidir-se é escolher um futuro possível e abdicar de todos os demais. Entretanto, Heidegger descreve, em Ser e Tempo, que na maioria das vezes a existência não se assume assim, entregando a responsabilidade de seu existir a “a gente”. À luz desse contexto teórico- filosófico, analise as afirmativas: I – A fenomenologia-existencial compreende a existência como indeterminada, como poder-ser. Existir é tarefa. II – Cotidianamente, existimos abrindo mão do nosso ser-aí, deixando de perceber a singularidade das situações que vivenciamos e de nossa própria existência. III – Na relação psicoterapêutica fenomenológico-existencial, o terapeuta indica para o paciente quais são e como deve tomar as decisões importantes de sua vida. Está correto apenas o que se afirma em:i I e II Pergunta 5 0,3 em 0,3 pontos Escreve um biógrafo de Heidegger a respeito da condição humana: “enquanto ele [Dasein] viver, nunca está concluído, inteiro e encerrado como seu objeto, mas sempre aberto para o futuro, cheio de possibilidades.” (Safranski, 1999, p. 191) Qualquer interpretação científica sobre o ser-aí é uma automatificação. Ele prossegue: “[...] a vida humana nos escapa quando a queremos compreender de uma postura teórica.” (p. 186) Nesse trecho, o autor se refere ao poder-ser que Dasein é, que significa: Resposta Selecionada: c. O ser-aí está sempre aberto para novas possibilidades fáticas de ser. O ser-aí só deixa de ser ser possível quando realiza sua derradeira possibilidade existencial. Pergunta 6 0,3 em 0,3 pontos Leia o trecho da notícia a seguir, retirada do canal de notícias R7 (http://noticias.r7.com/), sobre os desabamentos em Petrópolis (RJ), em 2011: “Psicólogos dizem que vítimas da tragédia precisam reconstruir identidades. Perdas inesperadas de parentes e bens pessoais causam transtornos e traumas.” (Monique Cardone, do R7, e Gabriela Pacheco, do R7, em Petrópolis, 2011) “Qualquer barulho lembra aquela noite”. Essa é a sensação do pedreiro Luiz Cláudio Ramos Fonseca, que perdeu a casa onde morava na região conhecida como Buraco do Sapo, em Itaipava, distrito de Petrópolis, uma das cidades da região serrana do Rio de Janeiro mais atingidas pelo temporal do último dia 11. De acordo com os psicólogos, esse tipo de trauma é comum após experiências em situações de desastre, como os deslizamentos e enchentes na serra, que deixaram centenas de mortos e milhares de desabrigados e desalojados. Segundo o psicólogo Othon Vieira Neto, especialista em emergência e crise, as pessoas que sobreviveram a tragédias como essas têm perdas rápidas e inesperadas de familiares e bens pessoais. – Cada amigo, parente e até objetos fazem parte da história das pessoas. Quando elas perdem tudo, é como se tivessem perdido a identidade. De acordo com Neto, em relação aos pertences, não são só os objetos caros que fazem mais falta. – As pessoas se emocionavam mais com a perda dos álbuns de fotos do que qualquer outra coisa simples. E isso não dá para recuperar e nem comprar de novo, como uma televisão ou um sofá. [...] Para a psicóloga Patrícia Adnet, o maior desafio dos profissionais de saúde que vão trabalhar junto com as vítimas é mostrar o sentido de viver novamente após o trauma. – O psicólogo vai ter que ouvir o desabafo, o choro e acolher esses moradores. Eles vão intervir no sentido de ajudar a construir uma nova identidade porque muitos não querem mais viver porque até entendem que podem recuperar a casa, mas não a família que morreu. Fonte: http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/ noticias/psicologos-dizem-que-vitimas-da- tragedia-precisam-reconstruir- identidades-20110122.html Critelli (2012) se refere à importância da capacidade de narrar os acontecimentos, pois essa narrativa forma o senso comum, suporte da sensação de realidade. Para a autora, se a realidade for caótica, torna-se insuportável e a reação mais comum é de recusá-la. “Um mundo que puder ser narrado não pode ser habituado.” (p. 33) As tragédias são um modo possível de abalar a sensação de realidade. Nesse contexto, está correto afirmar: I – Os eventos da vida precisam ser arranjados numa história para lidarmos com eles. Os nexos que os articulam fundam sua compreensibilidade, ao mesmo tempo em que indicam a identidade daquele para quem esses eventos são significativos. II – A matéria apresenta a situação de pessoas que perderam a noção de realidade, por estarem incapazes de articular o ocorrido num nexo de sentido. III – Segundo a psicóloga Patrícia Adnet, o maior desafio dos psicólogos é “mostrar o sentido de viver após o trauma”. Ou seja, é acompanhar as pessoas cuja realidade sofreu no desvelamento de sentido para esse acontecimento em suas biografias, abrindo-se para o futuro possível, que é condição humana. IV – A psicologia fenomenológica existencial, por compreender que desastres abalam a existência das pessoas, pode explicar a elas que essa situação logo passará e que, como a existência é aberta para o futuro, em breve retomarão suas vidas. Estão corretas apenas:I , II, III Pergunta 8 0,3 em 0,3 pontos O pensar fenomenológico não considera o homem e os demais entes da natureza da mesma maneira. Enquanto no homem seu ser está em suas diversas possibilidades de se ser-no- mundo, os elementos da natureza e os entes que não são humanos não têm possibilidade de virem-a-ser eles mesmos. No contexto fenomenológico-existencial: I – O homem é um tempo que se esgota, um intervalo entre o nascimento e a morte, que se emprega, que se empenha, que se reserva, que se omite, enquanto vive. II – Ao homem, cabe desenvolver o conhecimento para garantir sua sobrevivência por meio do controle da natureza; III) Sendo a existência uma possibilidade, cada qual tem que transformar esta possibilidade no seu acontecimento. A partir da fenomenologia de Heidegger, estão corretas: Resposta Selecionada: e. Apenas I e III. Pergunta 9 0,3 em 0,3 pontos Segundo Dastur e Cabestan (2015, p. 64): “É na crítica ao psicologismo à qual se dedica Husserl no primeiro tomo de suas Investigações Lógicas, publicadas em 1900, e em sua definição da consciência em termos de intencionalidade e de sentido, que ele encontrou pela primeira vez os motivos de se opor ao naturalismo e ao biologismo de Freud.” Verifica-se a intencionalidade na Daseinsanalyse de Binswanger nas seguintes concepções: I – Binswanger assume a existência como ser- no-mundo, isto é, existência e mundo como uma unidade indissociável. II – Nas análises fenomenológicas de Binswanger, buscam os símbolos e significados ocultos por trás dos fenômenos patológicos manifestos. III – Nas análises do mundo do melancólico, do maníaco etc., pois objeto (mundo) e consciência (existência) se constituem concomitantemente. Está correto somente o que se afirma em: Resposta Selecionada: c. I e III. Pergunta 10 0,3 em 0,3 pontos Jornal Folha da Região de Araçatuba, 28 de agosto de 2010, Caderno Vida, página D3, Astrologia. Sagitário (22/11 a 21/12) – Quanto dura um momento? Não se pode medi-lo em tempo cronológico, mas em experiências que o integrem. O mesmo tempo cronológico de uma tortura e de um beijo apaixonado é experimentado de forma diferente. Verificando os dizeres astrológicos e baseando- se no pensamento fenomenológico existencial de Heidegger sobre o “tempo”, está incorreto afirmar que: Resposta Selecionada: c. O tempo não é outra coisa para o Dasein a não ser uma sucessão de agoras. Exercício 1 – Enade 2013 A psicologia como ciência caracteriza‑se pela tensão entre recortesepistemológicos e pressupostos ontológicos sobre seu objeto, criando, ao longo de sua história, uma diversidade de abordagens, tal como o cognitivismo e a psicologia fenomenológica. Em relação à concepção da psicologia fenomenológica como ciência, são feitas as seguintes afirmativas: I. A Psicologia Fenomenológica, inspirada nas filosofias de Husserl e Heidegger, preconiza uma visão de ciência centrada na concepção de descrição precisa dos dados da experiência. II. A Psicologia Fenomenológica é contrária à ciência e ao conhecimento científico, pois nega a possibilidade de qualquer conhecimento verdadeiro. Para ela há apenas opiniões e perspectivas; “cada cabeça, uma sentença.” III. Para a psicologia fenomenológica, a experiência é irredutível a uma análise descontextualizada do mundo do existente; portanto, os métodos experimentais não são adequados. IV. A Psicologia Fenomenológica reúne um grupo amplo e diverso de abordagens divergentes entre si, que compartilham a crença na natureza boa do indivíduo e sua capacidade inata de desenvolvimento e complexificação. Estão CORRETAS somente as afirmativas: A) I e II. B) I e III. (CORRETA ) C) II e III. D) II e IV. E) III e IV. Exercício 2 “egundo Feijoó (2011), “Husserl propõe que, frente ao fenômeno, possamos assumir uma atitude antinatural própria à fenomenologia.” (p.29) A psicóloga se baseia na distinção efetuada por Edmund Husserl no livro A Idéia da Fenomenologia (1907). Diz ele que na atitude natural, “na percepção, por exemplo, está obviamente diante dos nossos olhos uma coisa; está aí no meio de outras coisas, vivas e mortas, animadas e inanimadas, portanto no meio de um mundo que, em parte, como as coisas singulares, cai sob a percepção... (p.39 Sobre as atitudes natural e fenomenológica é verdadeiro afirmar que: I – A atitude natural é o modo como cotidianamente encontramos as coisas no mundo, existindo por si mesmas. II – Passa‑se da atitude natural para a fenomenológica quando se reconhece a necessidade de mensurar a realidade existente fora e independente do sujeito (isto é, o fenômeno). III – A atitude fenomenológica refere‑se a um passo metodológico pelo qual a consciência suspende a crença na realidade em si dos objetos do mundo. É a chamada epoché. Surgem, então, os fenômenos. IV – Embora Husserl não se preocupasse com a prática psicológica, a atitude fenomenológica foi assumida pela Psicologia como uma possibilidade. Tal atitude acontece na prática psicológica como esforço do psicólogo de deixar que o outro revele os significados de sua experiência tal como a experiência. Estão CORRETAS apenas as afirmativas: A) I, III e IV. ( CORRETA ) B) I, II e III. C) III e IV. D) II, III e IV. E) II e IV. Exercício 3 “Fenomenologia diz então: deixar‑e‑fazer ver por si mesmo aquilo que se mostra, tal como se mostra a partir de si mesmo. É este o sentido formal da pesquisa que traz o nome de fenomenologia. Com isso, porém, não se faz outra coisa do que exprimir a máxima formulada anteriormente – ‘para as coisas mesmas!’” (p.65) (Heidegger, M. Ser e Tempo. São Paulo: Ed. Vozes, 1998) I – A Fenomenologia é antes de tudo um método de acesso ao sentido de cada fenômeno. Fenomenologicamente compreendido, o fenômeno já é um modo privilegiado de encontro. II – A fenomenologia é um acesso ingênuo ao mundo, isto é, uma busca daquilo que é imediato na aparição. III – Fenômeno e manifestação são, de um ponto de vista fenomenológico, o mesmo. em si. IV – A fenomenologia enquanto método é uma reaprendizagem do olhar. É o esforço incessante de apreender a linguagem das próprias coisas. V – Dizer que a fenomenologia é um método significa reconhecer que ela se pergunta pelo como, o modo de acesso privilegiado às coisas. Nesse sentido é que ela é a ciência dos fenômenos. Das afirmativas acima, estão CORRETAS somente: A) I, II e IV. B) I, III e V. C) II, IV e V. D) I, IV e V. ( CORRETA ) E) I, II, IV e V. Exercício 4 Trecho de relato de caso da paciente sra. K., analisada por Boss, cuja primeira análise fora motivada por sintomas histéricos e, posteriormente, sintomas ginecológicos (corrimento vaginal) e transtornos alimentares (grande oscilação de apetite e peso). Após quatro anos de análise, a paciente relata o seguinte sonho: Entra um homem, um professor, com uma aparência expressiva, inteligente. O analista o apresenta à paciente. O professor sai com ela sem dar maior importância ao analista. Vão, ambos, a uma grande festa. Ei‑los na varanda contemplando a noite. Eles sabem estar unidos por todos os seus pensamentos e todos os seus sentimentos. Nenhum apetite sexual. Naturalmente, eles se casarão e conhecerão, então, a união carnal. Mas sabem esperar. Na casa, o baile terminou. Eles não conseguem parar de contemplar as estrelas. A partir daí o céu começa a mandar na festa. As estrelas se juntam até formar um gigantesco pinheiro de Natal. Poderosos órgãos cósmicos tocam a melodia da paz na Terra. A paciente, no seu sonho, cai, então, em sono profundo. Ela acorda tarde na manhã seguinte, porém feliz. (BOSS, 1959 apud FEIJOO, 2011, p.80) Sobre o sonho da sra. K., e o sonhar na psicoterapia daseinsanalítica (Feijoo, 2011; Evangelista, 2015), está correto afirmar: A) Os sonhos revelam possibilidades existenciais que uma existência singular está incapaz de se apropriar na vida desperta. Cabe ao daseinsanalista considerar com o paciente a quais fenômenos a existência do sonhador está aberta. ( CORERETA) B) Como os sonhos revelam desejos da existência, o sonho da sra. K. revela que ela deseja viver um amor platônico com alguém, de preferência alguém intelectualizado, com quem virá a se casar. Nesse sonho ela vivencia a realização desse desejo. C) Na Daseinsanalyse os sonhos são premonitórios. Assim, este sonho antecipa um evento que realmente se dará na sua vida posteriormente, que é se casar com alguém. D) Os sonhos revelam aspectos da relação do paciente‑analista. No sonho, a paciente rejeita seu analista (“O professor sai com ela sem dar maior importância ao analista.”), o que indica que ela, realmente, sente amor por ele. E) Como os sonhos são reais, já que não acontecem no mundo (ai) compartilhado em vigília, eles não têm importância na terapia daseinsanalítica. Exercício 5 Trecho extraído da Carta Sobre o Humanismo, de Martin Heidegger. […] Considere as afirmativas abaixo sobre a “essência” do homem para a fenomenologia‑existencial: I – Segundo Heidegger a essência do homem não pode ser pensada a partir da animalidade (animalitas). Com isso ele critica o conceito de animal racional, propondo que o homem deva ser pensado a partir de sua irracionalidade. II – Pensar o homem a partir da animalitas não é exclusividade da Metafísica. Nós, cotidianamente, pensamos o homem (e nós mesmos) a partir da animalitas a todo o momento em que nos compreendemos como um organismo vivo (zoé). III – A essência do homem para a Daseinsanalyse não está em sua constituição física, nem psíquica, nem social. A essência do homem é ser‑aí (Dasein). IV – Conceber o homem como bio‑psico‑social permanece preso à interpretação “do ente como zoé [vida] e physis [energia], em meio à qual se manifesta o ser vivo.” Portanto, não nos aproxima mais da essência do humano. Estão CORRETAS somente as afirmativas: A) II e IV. B) I e IV. C) II e III. ( CORRETA ) D) II, III e IV. E) I, II e III. Exercício 6 Segundo Feijoó (2011), é necessário retomar a noção de Dasein (ser-aí) delineada por Heidegger em Ser e Tempo para a elaboração de uma ‘psicologia’ fenomenológico-existencial. Uma primeira apresentação da ‘definição’ de Dasein está no §9 do livro filósofo, onde ele indica que Que nossa existência é dasein (ser‑aí) significa: I – O ser‑aí é sempre uma possibilidade de si‑mesmo. Isso significa que a existência é as possibilidades existenciais que se realiza. II – Existir significa compreenderser, tanto de si mesmo quanto dos outros e das coisas. Há vários modos de ser. III – A “essência” do homem (ser‑aí) configura‑se a partir do primeiro momento em que surge no mundo (nascimento), tornando‑se, então, “ser‑no‑mundo”. IV – Para Heidegger, a existência não tem uma essência quiditativa; isto é, Dasein é atravessado pelo Nada, que é a indeterminação ontológica enquanto tarefa de ter‑que‑ser. Estão CORRETAS somente as afirmativas: A) I, III e IV. B) II, III e IV. C) I e II. D) I, II e IV. E) II e IV. Exercício 7 (MAY, R. A descoberta do Ser, Rio de Janeiro: Ed. Rocco, 1993) I. De acordo com o texto acima a própria ideia de compreensão da existência humana é contrária aos assuntos técnicos, de modo que eles devem ser excluídos em uma daseinsanálise. II. De acordo com o texto, a maioria dos daseinsanalistas não se debruça sobre assuntos técnicos, pois o que constitui o cerne da compreensão da existência humana não é um sistema de explicações. III. O texto não nega em momento algum a possibilidade de o daseinsanalista fazer uso de técnicas específicas. Ele apenas aponta o fato a compreensão da existência humana. IV. O texto fala do desapontamento de não encontramos dados suficientes nas obras de análise existencial, de modo que sempre permanecem dependentes de outros manuais de técnica. V. De acordo com o texto há uma distinção importante entre uma compreensão da existência humana e um sistema de explicações, sendo que a primeira é sempre o objetivo principal dos daseinsanalistas. Das afirmativas acima estão CORRETAS apenas: A) II, III e V. B) I, III, IV e V. C) II, III e IV.( CORRETA) D) I, III, IV e V. E) I, II, III e V. Resposta correta A Exercício 8 Relato da paciente: “[…] estava na cozinha, comecei a sentir mal! Senti como se algo horrível fosse acontecer. Senti como se estivesse morrendo… Minhas mãos começaram a formigar. Meu coração disparou, mal conseguia respirar. Nada estava acontecendo e eu não sabia o que me acontecia. Achei que meu coração ia parar! Comecei a chorar! O médico me disse que eu não tinha nada. Me receitou um ansiolítico e me mandou para casa. Isso foi há um ano. Isso ocorreu mais de uma vez e sempre de repente! Às vezes quando menos espero. Eu estou apavorada! Não sei o que acontece, nem quando vai acontecer! Tenho medo de enlouquecer ou de ter um ataque cardíaco! E eu sou atleta! Sei que não tem nada a ver! Nunca tive nada disso! Nunca usei drogas! E o médico me disse que minha saúde está bem. Meus pais estão bem! Minha relação com eles é boa! Tenho namorado! Agora não consigo nem ir à aula na faculdade sem ter medo! Mesmo em casa fico preocupada! O que é que eu tenho? Tem tratamento?” Considerando‑se a terapia daseinsanalítica como referencial para compreender os quadros psicopatológicos e seu diagnóstico, são feitas as seguintes afirmativas: I. A daseinsanalyse recorre à nosografia descrita no DSM‑IV para elaborar o diagnóstico do paciente antes de iniciar qualquer intervenção. É necessário saber qual é a psicopatologia que restringe a existência do paciente para poder orientá‑lo quanto a quais possibilidades existenciais ele precisa se abrir. No caso do já diagnosticado Transtorno de Pânico Sem Agorafobia, é necessário desenvolver em conjunto com o paciente modos‑de‑ser menos ansiosos, promovendo tranquilidade e bem‑estar à sua existência. II. Como a paciente foi diagnosticada com Transtorno de Pânico Sem Agorafobia, o primeiro passo da terapia daseinsanalítica é ensinar a paciente a identificar e controlar os ataques de pânico. Ela só conseguirá eliminar o Transtorno de Pânico Sem Agorafobia, recobrando domínio sobre seu existir, quando deixar de ser refém dos ataques que a acometem. III. O diagnóstico psicopatológico é uma referência importante para o psicólogo daseinsanalítico, mas não pode ser sobreposto à observação direta do paciente nem à busca de uma compreensão conjunta com ele sobre como são para ele os acontecimentos que compõem sua existência. Nesse caso, cabe ao daseinsanalista investigar com o paciente como ele se sente, como compreende o que se passa com ele, etc. IV. Em uma perspectiva fenomenológica existencial, a classificação de quadros psicopatológicos elucida as vivências subjetivas, pois a classificação explica o sintoma e valida o relato do paciente. Assim, a descrição das vivências da paciente é objetivada. Estão CORRETAS somente a(s) afirmativa(s): A) I e IV. B) I e III. C) II e III. ( CORRETA) D) IV. Exercício 9 Segundo JARDIM (2015): “Por um lado, na familiaridade da queda (Verfallen) o fazer repetitivo é constitutivo e indispensável para o existir, tornando desnecessário que as atitudes sejam pensadas e percebidas a todo o momento; por outro, essa mesma repetição pode se tornar um aprisionamento quando restringe a possibilidade de surgimento de um novo modo de ser, isto é, de uma ação propriamente dita que abra outros caminhos para lidar com os questionamentos próprios de cada um.” (p.69‑70) Na terapia daseinsanalítica isso implica em: I. O terapeuta deve retirar o paciente da familiaridade da queda. II. Não se pode falar de ‘neurose’ na Daseinsanalyse, mas sim, de modos repetitivos de ser. Assim o Dasein pode ter uma estrutura repetitiva, isto é, uma essência que tende a repetir. Cabe ao terapeuta descrever essa estrutura e o paciente assumi‑la como sua. III. O sofrimento existencial está relacionado a uma queda no fazer repetitivo que fecha para novos modos de ser. IV. O sentido da ação clínica é resgatar a condição de agente, isto é, iniciante na própria vida, recuperando a liberdade para projetar‑se adiante. Estão corretas somente: A) I, II e III. B) II, III e IV. C) III e IV. ( CORRETO ) D) I e III. E) I e II. Exercício 10 Relato da paciente: “[…] desde que eu abortei um filho, quando tinha 25 anos eu nunca mais fui a mesma. Me tornei uma pessoa fechada, triste e com muita raiva… E eu sei e todo mundo fala, inclusive um médico com quem passei, que tristeza causa câncer”. À luz da compreensão de saúde e doença na Daseinsanalyse, está CORRETO afirmar que: A) O câncer de mama é a concretização ôntica da dificuldade de lidar com o luto pelo aborto. Assim, a culpa pelo aborto pode ser entendida fenomenológico‑existencialmente como causa do crescimento celular descontrolado num órgão ligado à maternidade. B) A psicologia hospitalar pode oferecer muito pouco a esta paciente, cuja somatização revela incapacidade de simbolizar. A simbolização é, na fenomenologia‑existencial, necessária para se compreender como os pacientes significam suas vivências e para ressignificá‑las. C) O sentido do câncer de mama deve ser buscado à luz da compreensão de que doença é privação, falta. Portanto, deve ser compreendido à luz das possibilidades existenciais que se encontram limitadas. ( CORRETA ) D) A Daseinsanalyse é uma psicologia que trabalha com base na significação das vivências. As significações são psicológicas, enquanto o câncer de mama é somático; não há, portanto, relação entre elas. E) A compreensão daseinsanalítica do câncer de mama precisa retraçar com a paciente a história das manifestações dos fenômenos de culpa ao longo de sua biografia. Esta abordagem pressupõe que a culpa vai se encobrindo, tornando‑se inconsciente, até que se fenomenaliza somaticamente. Exercício 11 Em artigo sobre psicoterapia fenomenológico- existencial infantil, Feijoo (2011) afirma: “Em síntese, a clínica psicológica infantil com fundamentos existenciais requer primeiramente uma postura fenomenológica […] Em segundo lugar, cabe dizer que liberdade e responsabilidade na perspectiva existencial dizem respeito ao caráter de indeterminação da existência e ao fato de que, qualquer que seja a etapa da vida, cada um tem de cuidar de sua existência. […] E, por fim, para pensar em uma clínica fenomenológico-existencial infantil, é preciso partir da ideiade que desde o início a criança é este ente que, por se constituir pela indeterminação, exposto, jogado, lançado para fora dele, livre de determinações, é marcada pelo caráter de poder ser e ter de ser.” (p.189) [Ref.: FEIJOO, A. A clínica psicológica infantil em uma perspectiva existencial. Rev. abordagem gestalt. 2011, v.17, n.2, pp. 185‑192.] Considerando a fenomenologia existencial como fundamento de psicoterapia infantil está correto afirmar: I – A postura fenomenológica indicada pela autora exige a suspensão de concepções apriorísticas sobre o desenvolvimento infantil. Assim, o psicoterapeuta daseinsanalítico não pode comparar o comportamento da criança observado em sessão clínica com o ‘esperado’ para essa fase do desenvolvimento. II – Os comportamentos da criança em sessão devem ser compreendidos à luz de seu sentido, isto é, quais são os nexos significativos e as motivações do comportamento. III – Sendo toda criança indeterminada, torna-se necessário que o psicoterapeuta prepare atividades, jogos e situações para propor a ela a fim de explorar como lida com responsabilidade e liberdade existenciais. Estão corretas somente: A) I e II. ( CORRETA) B) II e III. C) I e III. D) I, II e III. E) II. Exercício 12 Ana procura um psicólogo. Na primeira sessão ela apresenta o que motivou sua procura. Conta que tem 42 anos, é divorciada, está morando com um homem (João) há cinco anos e percebe que este relacionamento “está por um fio”. Perto do fim da sessão, reflete: “minha mãe diz que eu sou teimosa desde a barriga dela.” Resolveu procurar finalmente um psicólogo, pois, depois da última briga, João saiu de casa e passou três dias sem dar notícias. “Ele nunca foi assim”, diz, com cara de incompreensão. Nesse período Ana se sentiu muito mal, triste; diz: “fiquei deprimida, perdi o chão. Conclui dizendo ao psicólogo: “Preciso que você me ajude a controlar minha teimosia.” O psicólogo que a recebe é daseinsanalítico. Ele ouve a narrativa de Ana e recorre à concepção de Historiobiografia de Critelli (2012) para compreender o sentido de seu ser-histórico. Isso significa que: I – Na narrativa dessa história pessoal e na sua interpretação, é possível redescobrir os nexos através dos quais se ligam os acontecimentos da existência de Ana e o sentido de ser já II – O sentido processo psicoterapêutico como Historiobiografia é tornar o próprio destino disponível para nossa ação e autoria. III – O método fenomenológico exige que Ana suspenda (epoché) as crenças e explicações que tem sobre sua história e seu comportamento. O psicólogo zela para que o paciente faça isso. IV – Ao dizer: “minha mãe diz que eu sou teimosa desde a barriga dela,” Ana revela uma historieta, indicativa de seu perfil, seus sonhos e temperamento, que orienta seu posicionamento nas situações de sua vida. Estão CORRETAS somente as afirmativas: A) I, II e III. B) II, III e IV. C) I, III e IV. D) II e IV. E) I, II e IV. ( CORRETA) Exercício 13 Paula é uma mulher de 54 anos, casada há 36. Procura um psicólogo pois sente que seu casamento está terminando. Seu marido não a procura mais sexualmente e ela teme que ele tenha uma amante. Ela diz que tem se esforçado para recuperar a relação, como fez em outros momentos da vida do casal em que sentiu que as coisas não iam bem. Conta que na última discussão com seu marido disse a ele que precisava fazer terapia, mas como ele recusou, foi ela quem acabou vindo. Mas está desesperançosa, pois toda vez que tenta iniciar um diálogo ou “criar um clima romântico”, segundo ela, acabam brigando. O psicólogo daseinsanalítico é pede a Paula que retome a última vez que isso aconteceu e descreva suas intenções. Essa intervenção está de acordo com os fundamentos da terapia daseinsanalítica descritos por Critelli (2012), pois: I – Os atos de Paula não são autossignificantes. O significado deles aparece nas relações com os outros. Pensando na especificidade da relação com seu marido, o significado das ações de Paula depende de como elas repercutem nele. II – Conhecer as intenções de Paula é a chance de o psicólogo descobrir se seu marido entendeu errado o significado das ações dela. III – O psicólogo pergunta a ela suas intenções, pois estas permanecem veladas a quem age. A psicoterapia tem o objetivo de desvelar as intenções das ações dos pacientes. IV – Compreender as intenções dos gestos e das ações de Paula possibilita ao psicólogo orientá-la a agir mais de acordo com suas intenções. Esse é o objetivo da psicoterapia fenomenológico-existencial: aproximar ao máximo as intenções (singulares) das ações (compartilhadas). V – As intenções vinculam Paula aos seus atos. Se seus atos perdem o vínculo com suas intenções, ela corre o risco de se perder de si mesma, absorvida pelo testemunho dos outros. Estão CORRETAS somente as afirmativas: A) I e V. ( CORRETA) B) I, II e V. C) II, III e IV. D) II, IV e V. E) I, III e V. Exercício 14 Adriana foi encaminhada ao psicólogo por seu endocrinologista. Ela está muito acima do seu peso ideal. Começou uma reeducação alimentar, mas considera que “come por ansiedade”, que “comida é compulsão” e que enquanto “não conseguir se controlar sua voracidade” não conseguirá emagrecer como precisa. Ela pede ao psicólogo: “Preciso que você me ajude a ter controle sobre mim.” O psicólogo que a atende é daseinsanalista e reconhece nesse pedido da paciente uma manifestação do modo‑de‑ser da Era da Técnica (Pompeia & Sapienza, 2011). Considere as afirmativas abaixo: I – Assim como muitas pessoas que procuram psicoterapia, Adriana está tentando controlar algo. O psicólogo daseinsanalítico investigará com ela o sentido dessa necessidade, a fim de que ela consiga ela mesma se controlar, sem depender do psicólogo. II – Adriana espera que o terapeuta seja capaz de livrá‑la de algo que a atrapalha e precisa ser extirpado de sua vida. Ela sente que precisa livrar‑se de sua voracidade. O terapeuta daseinsanalista compreende liberdade como “liberdade de…”, o que significa que ele a acompanhará com a intenção de resgatar sua liberdade da voracidade. III – O psicólogo daseinsanalista não tem o poder de realizar o que Adriana pede (livrá‑la da voracidade). Oferece, outrossim, a ocasião de Adriana poder se aproximar do seu existir. IV – O psicólogo daseinsanalista deve se colocar na relação terapêutica com Adriana como um parceiro na procura pela verdade de sua história (seu momento atual, o já vivido e o ainda por viver.) Estão CORRETAS somente as afirmativas: A) I e II. B) II e III. C) III e IV. ( CORRETA ) D) I, III e IV. E) II, III e IV. Exercício 15 Edson, comerciante de 49 anos, procurou psicoterapia no começo do ano. Logo no início da primeira sessão conta que tem dúvidas quanto a permanecer casado. Considera que se casou jovem, quando não tinha tanta experiência, e que se pudesse voltar no tempo teria esperado mais para tomar essa decisão. Está casado há 30 anos e tem 3 filhos (João, 27, Edson Jr, 24 e Juliana, 16). Perdeu o emprego há 10 anos e começou um negócio próprio de venda de cosméticos, mas desde então vivencia dificuldades financeiras. Conta que a esposa, que “tem um salário muito bom”, ajuda nas finanças. Sente que ela o cobra e critica constantemente. Não fez a faculdade de administração que queria ter feito, o que contribuiu para a sua sensação de ser um fracassado. Conta que quando fica em casa é desleixado, às vezes nem faz a barba. Conversa muito pouco com sua esposa e quando faz, frequentemente acabam discutindo. Conta que não têm relações sexuais há muitos anos. Conta que antes de se casar saía com muitas mulheres. Essa atitude mudou desde que casou, pois frequentemente sai com mulheres sem que sua esposa saiba. Às vezes os relacionamentos extraconjugais ficam mais sérios, como o que vivencia atualmente. Está se relacionando com Joana há 2 anos. Sente‑se cobrado porJoana, que mais uma vez ameaçou terminar o relacionamento com ele caso ele não se divorcie para ficar com ela. Nos últimos meses, não sente “tanto tesão por ela”, explicando que “não tem suportado ficar deitado junto com ela por muito tempo. Temos discutido muito.” Está muito aflito neste momento também porque sua filha descobriu o caso com Joana. Edson está confiante de que sua filha não contará nada à mãe, mas sabe que Joana não concorda com a situação, pois ela deixou de falar com o pai desde que descobriu. Conta por fim que procurou a terapia, pois já teve que ir ao hospital duas vezes por fortes dores no peito e sensação de que ia morrer, mas chegando lá os médicos não diagnosticaram nenhum problema cardíaco e recomendaram a visita a um psiquiatra. Não sabe o que fazer e se sente impotente perante. Veio pedir ajuda ao psicólogo para tomar uma decisão. Considera‑se numa situação difícil, pois não quer magoar ninguém. Descreve‑se como doente. Sendo daseinsanalítico, o psicólogo que atende Edson: I – ouve a fala dele como reveladora de sua realidade. Conhecer Edson significa compreender seu modo de ser‑no‑mundo, isto é, sua situação enquanto modo como está sendo possível existir neste momento. II – para conhecer Edson, precisará conhecer as pessoas de sua convivência, assim desvelar mais claramente os fenômenos referentes à vida conjugal. Para isso o psicólogo precisa convidar a esposa dele para pelo menos uma sessão. III – entende que Edson está distante de si mesmo, pois se enxerga a partir das relações que vivencia. Seu bem‑estar está condicionado aos relacionamentos. Para a daseinsanalyse, o dasein é singular e precisa cuidar de sua existência a partir de si mesmo, tornando‑se independente. IV – ouve as falas de Edson sobre sua esposa, sua amante e sua filha como descritivas de seus modos de ser‑com‑os‑outros. A existência é sua situação, é suas relações. Nestas relações Edson é ser‑no‑mundo‑com‑os‑outros e esses Estão CORRETAS somente as afirmativas: A) II e III. B) I, II e III. C) I, III e IV. D) I, II e IV. E) I e IV. ( CORRETA ) eia atentamente o texto a seguir: Segundo Feijoo (2011, p.29), Husserl propõe que, frente ao fenômeno, possamos assumir uma atitude antinatural própria à fenomenologia. A psicóloga se baseia na distinção efetuada por Edmund Husserl no livro A Ideia da Fenomenologia (1907, p.39). Diz ele que na atitude natural, “na percepção, por exemplo, está obviamente diante dos nossos olhos uma coisa; está aí no meio de outras coisas, vivas e mortas, animadas e inanimadas, portanto, no meio de um mundo que, em parte, como as coisas singulares, cai sob a percepção (...) Sobre as atitudes natural e fenomenológica, é correto afirmar que I a atitude natural é o modo como cotidianamente encontramos as coisas no mundo, existindo por si mesmas. II passa-se da atitude natural para a fenomenológica quando se reconhece a necessidade de mensurar a realidade existente fora e independente do sujeito (isto é, o fenômeno). III a atitude fenomenológica refere-se a um passo metodológico pelo qual a consciência suspende a crença na realidade em si dos objetos do mundo. É a chamada epoché. Surgem, então, os fenômenos. IV embora Husserl não se preocupasse com a prática psicológica, a atitude fenomenológica foi assumida pela psicologia como uma possibilidade. Tal atitude acontece na prática psicológica como esforço do psicólogo de deixar que o outro revele os significados de sua experiência tal como a experiencia. telli (2012) afirma que a intenção da Historiobiografia é descobrir a personagem que um indivíduo realiza desdobrada no tempo e nas circunstâncias da sua existência. Trata-se do desvelamento de um destino já realizado em nome de um destino em realização. É um processo que favorece aos indivíduos aquisição de lucidez e os prepara para a autoria consciente e responsável na existência. Podemos dizer, a partir dessas reflexões de Critelli, que a Historiobiografia nos dá pistas para a formulação de uma atitude clínica fenomenológica existencial. São aspectos dessa atitude: I a importância de refletir sobre as motivações e os significados, tais como o próprio sujeito o compreende. II a consideração pelos desdobramentos da ação, para além das intenções e dos significados percebidos pelo sujeito, investigando as repercussões de seus atos junto aos outros e ao mundo. III o realce dado aos comportamentos do cliente, bem como à busca de novos comportamentos e sua modificação. IV o relevo dado ao papel pedagógico do terapeuta, que compartilha reflexões sobre a condição humana com o cliente.