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Uma paciente de 28 anos, grávida de 20 semanas, comparece à consulta pré-natal acompanhada de seu marido. Durante a anamnese, ela relata que tem sentido dores abdominais ocasionais. O obstetra solicita ultrassonografia morfológica, que revela malformação fetal grave incompatível com a vida extrauterina (anencefalia). Após o exame, o marido procura o médico no corredor e pede enfaticamente que não revele o diagnóstico à esposa, alegando que ela é muito sensível e que a notícia pode causar uma crise emocional grave, podendo prejudicar a gestação. Ele solicita que o médico diga apenas que "está tudo bem com o bebê" e que ele próprio decidirá o momento adequado de contar à esposa. A paciente demonstra plena capacidade cognitiva e aguarda ansiosamente o resultado do exame.
Considerando os princípios éticos que regem a prática médica, especialmente autonomia, beneficência, não maleficência e veracidade, assinale a alternativa que apresenta a conduta CORRETA.
A) Atender à solicitação do marido e omitir o diagnóstico da paciente, pois o princípio da não maleficência justifica evitar sofrimento psicológico que possa prejudicar a gestação, e o cônjuge tem legitimidade para tomar decisões em nome da esposa.
B) Informar o diagnóstico à paciente, mesmo contra a vontade do marido, pois ela é a titular do direito à informação sobre sua saúde e possui plena capacidade de decisão, não podendo a autonomia do cônjuge suplantar a autonomia da paciente.
C) Realizar uma avaliação psiquiátrica formal da paciente antes de revelar o diagnóstico, para determinar se ela tem condições emocionais de receber a notícia, acatando a solicitação do marido caso seja constatada fragilidade psicológica.
D) Revelar o diagnóstico apenas ao marido e orientá-lo a comunicar à esposa, desde que assine um termo de responsabilidade, pois isso preserva o vínculo familiar e transfere ao cônjuge a decisão sobre o melhor momento para a revelação.
E) Informar o diagnóstico à paciente utilizando protocolo de comunicação de más notícias, avaliando sua compreensão e oferecendo suporte emocional, mas apenas se a comunicação direta com avaliação pormenorizada não representar risco comprovado de dano psicológico grave que justifique o privilégio terapêutico.
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CuriosidadesGerais

há 2 meses

Respostas

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há 2 meses

Vamos analisar passo a passo os princípios éticos envolvidos: - Autonomia: a paciente tem direito de receber informações sobre sua saúde e tomar decisões. - Beneficência e não maleficência: o médico deve agir para o benefício da paciente e evitar danos, mas isso não justifica omitir informações importantes. - Veracidade: o médico deve ser honesto e transparente com o paciente. O marido não tem legitimidade para decidir sobre a informação que cabe à paciente, que está plenamente capaz. Analisando as alternativas: A) Errada. O cônjuge não pode suplantar a autonomia da paciente, mesmo com intenção de evitar sofrimento. B) Correta. A paciente tem direito à informação e autonomia para decidir, independentemente da vontade do marido. C) Errada. Avaliação psiquiátrica pode ser útil, mas não justifica omissão do diagnóstico se a paciente está cognitivamente capaz. D) Errada. Revelar só ao marido viola a autonomia e o direito da paciente. E) Errada. O privilégio terapêutico (omissão para evitar dano grave) só é aplicável em casos muito específicos e comprovados, não é o caso aqui. Portanto, a resposta correta é: B) Informar o diagnóstico à paciente, mesmo contra a vontade do marido, pois ela é a titular do direito à informação sobre sua saúde e possui plena capacidade de decisão, não podendo a autonomia do cônjuge suplantar a autonomia da paciente.

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Paciente, 45 anos, sexo masculino, vítima de acidente automobilístico com esmagamento em membros inferiores, permanecendo preso às ferragens por aproximadamente 4 horas. É resgatado e levado ao pronto-socorro. Na admissão, apresenta-se hipotenso (PA de 85/50 mmHg), taquicárdico (FC de 120 bpm), desidratado (++/4+) e com dor intensa e edema em ambas as coxas. Os exames laboratoriais iniciais mostram: ureia = 100 mg/dL; creatinina = 3,8 mg/dL; potássio = 6,1 mEq/L; fósforo = 5,9 mg/dL; cálcio iônico = 1,05 mmol/L (VR: 1,15-1,30); e creatinofosfoquinase (CPK) = 85.000 U/L. A análise de urina (urina I) revela pH = 5,5, densidade = 1.010, fita reagente (dipstick) positiva (+++) para "sangue", e a sedimentoscopia evidencia 2 eritrócitos por campo, além de múltiplos cilindros granulosos.
Considerando o diagnóstico do paciente, que alternativa descreve corretamente a conduta terapêutica inicial prioritária e seu principal objetivo fisiopatológico?
A) Administrar gluconato de cálcio 10% endovenoso para estabilização de membrana miocárdica, visando prevenir a nefrocalcinose e a precipitação de cálcio nos túbulos lesionados.
B) Iniciar terapia renal substitutiva (hemodiálise) de urgência, objetivando a remoção eficaz da mioglobina circulante, que é o principal agente nefrotóxico glomerular.
C) Administrar furosemida em bólus endovenoso para induzir diurese forçada, visando diminuir a reabsorção de mioglobina e prevenir a vasoconstrição da arteríola aferente.
D) Promover alcalinização urinária com bicarbonato de sódio endovenoso como medida isolada inicial, para aumentar o pH urinário acima de 7,0, tornando a mioglobina mais solúvel e menos tóxica.
E) Realizar expansão volêmica vigorosa com solução salina isotônica (0,9%), objetivando manter um débito urinário elevado (ex.: 200-300 mL/h) para diluir a mioglobina intratubular, prevenir a formação de cilindros obstrutivos e reduzir a nefrotoxicidade direta do grupo heme.

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