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As desigualdades escolares não se explicam apenas por diferenças individuais de esforço ou talento. Elas se relacionam a condições sociais desiguais de acesso a bens culturais, formas de linguagem, expectativas familiares, trajetórias escolares e oportunidades de participação. Ao tratar como neutros os modos de expressão e os repertórios culturalmente valorizados, a escola pode converter desigualdades sociais prévias em diferenças de desempenho que se apresentam como naturais. Fonte: BOURDIEU, Pierre; PASSERON, Jean-Claude. A reprodução: elementos para uma teoria do sistema de ensino. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2014. A leitura sociológica mais adequada do fenômeno descrito é a que compreende a desigualdade educacional como: A. Produção social que atravessa a escola e exige práticas capazes de reconhecer repertórios diversos e de enfrentar os mecanismos de reprodução das desigualdades. B. Resultado da distância entre o empenho individual e as exigências escolares, cabendo à escola ampliar os mecanismos de responsabilização dos estudantes. C. Efeito da inadequação cultural das famílias ao padrão escolar, demandando ações de correção dos hábitos de estudo e dos modos de linguagem dos estudantes. D. Diferença inevitável entre trajetórias, que a escola registra com critérios objetivos a fim de preservar a justiça meritocrática entre os estudantes. E. Consequência de escolhas pedagógicas locais, solucionável principalmente pela maior uniformidade curricular e avaliativa entre as turmas da escola.
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Barbara

há 2 semanas

Respostas

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há 2 semanas

A questão aborda a desigualdade educacional segundo a perspectiva de Bourdieu e Passeron, que enfatizam que a escola reproduz desigualdades sociais ao valorizar determinados repertórios culturais e modos de expressão, considerados "neutros", mas que na verdade refletem privilégios sociais. Analisando as alternativas: A) Produção social que atravessa a escola e exige práticas capazes de reconhecer repertórios diversos e de enfrentar os mecanismos de reprodução das desigualdades. — Esta alternativa está alinhada com a teoria de Bourdieu e Passeron, que veem a desigualdade como um fenômeno social que a escola reproduz, e que deve ser enfrentado com práticas inclusivas. B) Resultado da distância entre o empenho individual e as exigências escolares, cabendo à escola ampliar os mecanismos de responsabilização dos estudantes. — Foca no esforço individual, o que contraria a ideia de que as desigualdades são estruturais. C) Efeito da inadequação cultural das famílias ao padrão escolar, demandando ações de correção dos hábitos de estudo e dos modos de linguagem dos estudantes. — Culpa as famílias, o que é uma visão limitada e não crítica da reprodução social. D) Diferença inevitável entre trajetórias, que a escola registra com critérios objetivos a fim de preservar a justiça meritocrática entre os estudantes. — Ignora a crítica à meritocracia presente na teoria. E) Consequência de escolhas pedagógicas locais, solucionável principalmente pela maior uniformidade curricular e avaliativa entre as turmas da escola. — Reduz o problema a questões pedagógicas locais, sem considerar o contexto social mais amplo. Portanto, a alternativa correta é: A. Produção social que atravessa a escola e exige práticas capazes de reconhecer repertórios diversos e de enfrentar os mecanismos de reprodução das desigualdades.

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