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[...] Algumas famílias brasileiras rejeitaram, e até mesmo hospitalizaram, membros masculinos que se desviaram das normas sociais aceitas por uma sociedade heterocêntrica, enquanto outros lares mantiveram filhos transviados em seu seio [...] Além do mais, as correntes migratórias de homossexuais masculinos do Nordeste para o Rio e São Paulo, ou do campo para a cidade, desafiam o modelo padrão apresentado por sociólogos e historiadores, segundo o qual as pessoas dependem essencialmente de laços familiares para mudar-se de uma área do Brasil para outra. Para muitos jovens que fugiram do controle e condenação da família, dos parentes e de uma cidade pequena em busca do anonimato das metrópoles, a amizade baseada numa identidade compartilhada e em experiências eróticas similares propiciou laços mais fortes que os sanguíneos. GREEN, J. Além do Carnaval: a homossexualidade masculina no Brasil do século XX. Trad. de Cristina Fino e Cássio Arantes Leite. São Paulo: Unesp, 1999. pp. 34-35.
De acordo com o texto, analise as afirmacoes a seguir: I. Determinadas identidades, como a identidade homossexual, possibilitam a criação de vínculos afetivos e de compartilhamento de experiências que, em muitos casos, sobrepõem-se aos laços definidos pela consanguinidade. II. Segundo James Green, os violentos processos de segregação decorrentes de ações homofóbicas podem resultar em migrações forçadas de pessoas que buscam a auto preservação física e identitária. III. Diferente do que certos padrões migratórios apontam, a transferência de localidades por determinadas pessoas pode ser também motivada por questões identitárias. IV. As cidades grandes possibilitam um certo anonimato que pode ser visto como algo positivo para quem deseja se distanciar de grupos que compartilham práticas e posicionamentos homofóbicos. É correto apenas o que se afirma em:
I, II e III.
IV.
I, II, III e IV.
II e IV.
I e III.
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Vamos analisar cada afirmativa com base no texto: I. Determinadas identidades, como a identidade homossexual, possibilitam a criação de vínculos afetivos e de compartilhamento de experiências que, em muitos casos, sobrepõem-se aos laços definidos pela consanguinidade. Correto. O texto fala que a amizade baseada em identidade compartilhada e experiências eróticas pode criar laços mais fortes que os sanguíneos. II. Segundo James Green, os violentos processos de segregação decorrentes de ações homofóbicas podem resultar em migrações forçadas de pessoas que buscam a auto preservação física e identitária. Correto. O texto menciona que jovens fugiram do controle e condenação da família e cidade pequena em busca do anonimato nas metrópoles, o que indica migração motivada por rejeição e busca de proteção. III. Diferente do que certos padrões migratórios apontam, a transferência de localidades por determinadas pessoas pode ser também motivada por questões identitárias. Correto. O texto desafia o modelo padrão de migração baseado em laços familiares, mostrando que a migração pode ser motivada por identidade. IV. As cidades grandes possibilitam um certo anonimato que pode ser visto como algo positivo para quem deseja se distanciar de grupos que compartilham práticas e posicionamentos homofóbicos. Correto. O texto fala explicitamente sobre o anonimato das metrópoles como fator positivo para esses jovens. Conclusão: Todos os itens I, II, III e IV estão corretos. Alternativa correta: I, II, III e IV.

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Concebo na espécie humana dois tipos de desigualdade: uma a que chamo natural ou física, por se estabelecida pela natureza, e que consiste na diferença das idades, da saúde, das forças do corpo e das qualidades do espírito ou da alma; a outra, a que se pode chamar desigualdade moral ou política, por depender de uma espécie de convenção e ser estabelecida, ou pelo menos autorizada, pelo consentimento dos homens. Esta consiste nos diferentes privilégios que alguns usufruem em prejuízo dos outros, como de serem mais ricos, mais reverenciados, mais poderosos do que eles, ou mesmo em se fazerem obedecer por eles. ROUSSEAU, J. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens. Tradução de Maria Ermantina Galvão. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 159.
Considerando esse contexto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. I. A partir dos escritos de Rousseau, e com base nas atualizações modernas realizadas pela Antropologia, é possível afirmar a existência de ao menos dois tipos de desigualdades humanas. PORQUE II. Os seres humanos possuem características naturais e físicas que os tornam desiguais, bem como também características morais e políticas, nomeadas nos dias de hoje como culturais e sociais. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:
A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
As asserções I e II são proposições falsas.
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.

Nas partes mais remotas do mundo, sob condições históricas muito diferentes daquelas que fizeram Grécia e Roma florescer e declinar, grupos de seres humanos desenvolveram padrões de vida tão diferentes dos nossos que não podemos arriscar a conjectura de que iriam chegar algum dia às nossas próprias soluções. Cada povo primitivo escolheu um conjunto de valores humanos e moldou para si mesmo uma arte, uma organização social, uma religião, que são sua contribuição singular para a história do espírito humano. Samoa é apenas um desses padrões diversos e graciosos, mas, assim como viajante que um dia se afastou de casa é mais sábio que o homem que nunca foi além da soleira da própria porta, o conhecimento de outra cultura deveria aguçar nossa capacidade de esquadrinhar com mais sobriedade, de apreciar mais amorosamente, a nossa própria cultura. MEAD, Margaret. Adolescência em Samoa. In: CASTRO, Celso (org.). Cultura e personalidade: Ruth Benedict, Margaret Mead e Edward Sapir. Rio de Janeiro: Zahar, 2015, p. 28.
A partir dessa consideração feita pela autora, é correto afirmar:
Uma cultura não ocidental será de extrema importância para os estudos antropológicos, pelo fato de o isolamento geográfico permitir ao antropólogo o despojamento de seus referenciais e, por conseguinte, produzir uma ciência neutra, sem viés ideológico.
Observar as práticas culturais e todo o sistema de valores de uma sociedade que estruturalmente diferencia-se dos padrões referenciais de quem observa, permite não só compreender as dinâmicas sociais dos grupos observados, como também refletir sobre as categorias de análise que possibilitam a mesma observação.
Samoa constituiu um padrão importante de dinâmica social, e considerá-lo nas análises antropológicas é constatar que a etnografia precisa ser aprimorada, a fim de que a história das sociedades primitivas não seja relegada ao esquecimento com o avanço da civilização.
A antropologia demonstra que as práticas culturais da ilha de Samoa, situada no Pacífico Sul, foram imprescindíveis na composição dos valores e da visão de mundo que orientou a formação das sociedades grega e romana.
O estudo de nossa própria cultura está estreitamente vinculado aos padrões de sociabilidade das comunidades nativas aborígenes, daí a importância dos habitantes da ilha de Samoa para os estudos antropológicos no Ocidente.

Lilia Schwarcz - A lei simplesmente abolia. Dizia que a partir desta data não há mais escravos no Brasil. Ponto final. A República, que viria um ano e meio depois, tentaria colocar uma pedra no tema da escravidão. Como se tivesse ficado morto no passado junto com o Império. Temos um hino da República, aquele que canta "liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós". E há uma estrofe que diz: "Nós nem cremos que escravos outrora tenha havido em tão nobre país". Ou seja, um ano e meio depois, (os republicanos) afirmavam não acreditar mais (que tivesse havido escravidão). Era um processo de amnésia nacional. BBC Brasil - Quais foram as consequências imediatas desta abolição sem salvaguardas? Lilia Schwarcz - O (momento) pós-emancipação não teve nenhuma preocupação com inclusão dessas populações (de ex-escravos). Eu me refiro à educação, saúde, habitação, todos os problemas estruturais. Mas isso não quer dizer que a gente só deva culpar o passado. O que vemos hoje no país é uma recriação, uma reconstrução do racismo estrutural. Nós não somos só vítimas do passado. O que nós temos feito nesses 130 anos é não apenas dar continuidade, mas radicalizar o racismo estrutural. Brasil viveu um processo de amnésia nacional sobre a escravidão, diz historiadora. BBC Brasil, 10 mai. 2018. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-44034767 Acesso em 22/03/2024.
Considerando esse contexto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. I. O racismo estrutural está presente na sociedade brasileira contemporânea. PORQUE II. O país não soube lidar com o passado escravista, de modo que a mentalidade escravista ainda permanece em nosso presente, pois atualmente não ocorrem esforços suficientes por parte da sociedade de compreensão dos efeitos perversos da escravidão em nosso país. A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
As asserções I e II são proposições falsas.
As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.

Leia o texto a seguir:

O interesse teórico e epistemológico de articular sexo e raça, por exemplo, fica claro nos achados de pesquisas que não olham apenas para as diferenças entre homens e mulheres, mas para as diferenças entre homens brancos e negros e mulheres brancas e negras, como fica claro nos trabalhos realizados no Brasil, mobilizando raça e gênero para explicar desigualdades salariais ou diferenças quanto ao desemprego (GUIMARÃES, 2002; GUIMARÃES; BRITTO, 2008). A partir dos dados da pnad 1989 e 1999, Nadya Araújo Guimarães mostra que, considerando sexo e raça, os homens brancos possuem os salários mais altos; em seguida, os homens negros e as mulheres brancas; e, por último, as mulheres negras têm salários significativamente inferiores (GUIMARÃES, 2002, p. 13).
Considerando esse contexto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.

1. As mulheres negras recebem salários inferiores aos salários recebidos por homens negros, mulheres brancas e homens brancos.

PORQUE

2. As mulheres negras são mais afetadas nas relações de trabalho e nas dinâmicas de exploração e desigualdades no Brasil contemporâneo.

A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:
As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
As asserções I e II são proposições falsas.

Leia o texto a seguir:
Pierre Bourdieu, em seu livro 'A Distinção: crítica social do julgamento', publicado em 1979, trata a cultura no sentido antropológico, analisando os gostos, julgamentos e a própria percepção estética como produzidos através de um sofisticado sistema social que perpassa o capitalismo.

Para tanto, Bourdieu aborda um importante conceito, que é o de:
ethos, ou seja, sistemas de disposições efêmeros, porque são intercambiáveis, estruturas estruturadas predispostas a funcionar como estruturas estruturantes, isto é, a funcionar como princípios geradores e organizadores de práticas e de representações de significados materiais e simbólicos.
habitus, ou seja, sistemas de disposições permeáveis e efêmeros, estruturas estruturadas dispostas a funcionar como estruturas estruturantes, isto é, a funcionar como princípios operadores de lógicas de mercado e de trocas simbólicas.
habitus, ou seja, sistemas de disposições duráveis e transponíveis, estruturas estruturadas predispostas a funcionar como estruturas estruturantes, isto é, a funcionar como princípios geradores e organizadores de práticas e de representações.
trocas simbólicas, ou seja, sistemas de disposições duráveis e transponíveis, estruturas estruturadas dispostas a operar como mercadorias materiais e simbólicas no universo semântico do signo.
ethos, ou seja, sistemas de disposições duráveis e intransponíveis, infraestruturas predispostas a funcionar como estruturas estruturantes, isto é, a funcionar como princípios geradores e organizadores de práticas e de representações.

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