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Parte 3. Edgar Morin: os sete saberes O livro de Morin foi escrito a pedido da UNESCO e apresenta sete problemas centrais que a educação costuma ignorar. Vamos percorrê-los pensando no professor e no seu trabalho. Primeiro saber: as cegueiras do conhecimento, o erro e a ilusão Morin começa afirmando que todo conhecimento comporta risco de erro e de ilusão. A educação que transmite conhecimentos quase nunca ensina o que é conhecer. Alguns conceitos deste capítulo são essenciais. O primeiro é a diferença entre racionalidade e racionalização. A racionalidade é aberta, dialoga com o real e é capaz de autocrítica. A racionalização é um sistema lógico fechado, que recusa aquilo que o contradiz. Uma formação docente que apenas transmite modelos prontos, sem confrontá-los com a realidade da escola, se aproxima da racionalização. O segundo conceito é o de que sistemas de ideias resistem às informações que não lhes convêm. O terceiro é o autoengano, que Morin chama pelo termo inglês self-deception: mentimos para nós mesmos, e isso é uma fonte permanente de erro. O quarto conceito é o imprinting cultural, termo emprestado da etologia. Morin explica que o imprinting marca os seres humanos desde a família, depois na escola, e prossegue na universidade e na vida profissional. Somado à normalização, ele elimina o que poderia contestá-lo. Morin também aponta um conformismo cognitivo alimentado pela hierarquia, pela especialização e pela tecnoburocratização do trabalho. Para a prova, isso ajuda a entender por que o professor tende a reproduzir a escola que viveu como aluno e a formação que recebeu.
Quais são os conceitos essenciais apresentados por Edgar Morin no primeiro saber "as cegueiras do conhecimento, o erro e a ilusão" e como eles ajudam a entender a formação e o trabalho docente?
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Praticando Para Aprender

há 4 dias

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há 4 dias

Os conceitos essenciais apresentados por Edgar Morin no primeiro saber "as cegueiras do conhecimento, o erro e a ilusão" são: 1. Diferença entre racionalidade e racionalização: - *Racionalidade* é aberta, dialoga com a realidade e permite autocrítica. - *Racionalização* é um sistema fechado que rejeita informações contrárias. Isso mostra que uma formação docente que apenas transmite modelos prontos, sem questionar a realidade da escola, se aproxima da racionalização. 2. Resistência dos sistemas de ideias: Sistemas de ideias tendem a rejeitar informações que não se encaixam nelas, dificultando a incorporação de novos conhecimentos. 3. Autoengano (self-deception): Mentimos para nós mesmos, o que gera erros constantes no processo de conhecimento. 4. Imprinting cultural: Marca os indivíduos desde a família, passando pela escola, universidade e vida profissional, criando padrões difíceis de serem contestados. 5. Conformismo cognitivo: Alimentado pela hierarquia, especialização e tecnoburocratização, leva o professor a reproduzir a escola e a formação que recebeu, sem questionamentos. Esses conceitos ajudam a entender a formação e o trabalho docente ao mostrar que o professor pode estar preso a modelos e crenças herdadas, dificultando a inovação e a reflexão crítica. Reconhecer essas "cegueiras" é fundamental para uma prática educativa mais consciente, aberta e capaz de lidar com erros e ilusões no processo de ensino-aprendizagem.

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Este texto foi escrito para ser ouvido. Ele reúne, em forma de conversa de estudo, tudo o que está no kit de preparação para a prova escrita do Mestrado Profissional em Educação e Práticas Educativas da Universidade Federal do Maranhão, no Campus de Imperatriz. A prova tem duas questões discursivas: uma questão geral, comum a todos os candidatos, e uma questão específica, ligada à linha de pesquisa escolhida na inscrição. Cada resposta precisa ter no mínimo cinquenta e no máximo noventa linhas. Escrever menos ou mais do que isso elimina o candidato, assim como colocar o nome ou qualquer identificação no corpo da prova. O tema norteador fixado pelo edital é Formação Docente e Trabalho Profissional. A bibliografia tem três obras: o capítulo "Educação estética e pedagogia da escolha", de Rogério de Almeida e Alberto Filipe Araújo, publicado em 2023; o livro "Os sete saberes necessários à educação do futuro", de Edgar Morin, na edição brasileira de 2000; e o artigo "Paulo Freire e Edgar Morin: a complementaridade de um diálogo possível", de Karin Claudia Nin Brauer e Maximina Maria Freire, publicado em 2021. A banca avalia cinco critérios, cada um valendo até um ponto por questão. O primeiro é a compreensão do texto, isto é, usar os conceitos no sentido que os autores dão a eles. O segundo é o uso do conjunto da bibliografia, o que significa trabalhar com as três obras, e não com uma só. O terceiro é a capacidade de pensamento autônomo e crítico: construir pontes e apontar tensões que os textos não entregam prontas. O quarto é a redação clara, consistente e correta. O quinto é o domínio do tema e dos conceitos básicos da área. A nota mínima para seguir no processo é sete. Uma ideia atravessa todo este estudo: a banca não quer que a candidata resuma os livros. Quer que ela pense com eles sobre o professor que se forma e sobre o trabalho que ele faz.
Qual é o tema norteador fixado pelo edital para a prova escrita do Mestrado Profissional em Educação e Práticas Educativas da UFMA?

Parte 2. Almeida e Araújo: experiência, sensibilidade e pedagogia da escolha A pedagogia da escolha organiza a experiência em três movimentos. O primeiro é a suspensão da crença. Trata-se de abandonar temporariamente, como num faz de conta, as próprias convicções, para participar do real como se participa de uma ficção, reconhecendo que aquela realidade é uma entre outras possíveis. O objetivo não é deixar de acreditar em tudo, mas considerar a crença como uma perspectiva. Os autores dizem que é por esse exercício que se reconhece o outro e, a partir do outro, o próprio eu. Na escola, isso poderia significar suspender, por um momento, frases como "esse aluno não aprende" ou "isso não é minha função". O segundo movimento é a experiência: provar e selecionar os gostos do mundo. A arte e as ficções deixam de ser fuga da realidade e passam a ser possibilidades de experimentar sentimentos, ideias e saberes. O terceiro movimento é a reflexão sobre os itinerários autoformativos. Os autores escrevem "(auto)formativos", com o prefixo entre parênteses. Esses itinerários incluem a formação curricular e o mathema, mas não se esgotam neles e se estendem ao saber da experiência. A frase central é esta: não temos controle sobre o que nos acontece, mas podemos escolher como lidar com o saber que emerge das experiências, aprovando-as não porque foram boas, mas porque são nossas e nos constituem. E esses itinerários não se limitam ao período escolar: acontecem ao longo de toda a vida.
Quais são os três movimentos que organizam a pedagogia da escolha segundo Almeida e Araújo e qual é a importância da reflexão sobre os itinerários autoformativos?

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