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Doenças gênicas diferentes

Gnt, alguém sabe quais são as doenças que podem ser causadas por erros no processo de splicing ou defeitos na polimerase ou helicase? Preciso escolher uma doença dessas de mutações genéticas e afins pra fazer um seminário, mas queria fazer uma não tão falada como klinefelter, trissomia e etc. Obrigaaada. 


2 resposta(s)

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Estudante

Há mais de um mês

Splicing, doenças genéticas e câncer Como o splicing é um processo complexo, com regulação fina, a mutação de um simples nucleotídeo (uma das letras do DNA) situado em um sítio de reconhecimento da junção exon-intron ou em um elemento regulador pode causar um erro no processo e gerar um produto aberrante. Muitas vezes, isso significa a inativação do gene. As conseqüências da inativação de fatores de splicing por mutações ou deleções podem ser graves. Estima-se hoje que erros no processo de splicing causem 10% das doenças genéticas. Entre elas podem ser citadas a doença de Menkes, a tirosinemia hereditária, a porfiria intermitente, a doença de Sandhoff e a atrofia muscular espinal. A última é a principal causa de mortalidade infantil em países do Primeiro Mundo. Essa atrofia ocorre quando há mutação em um gene chamado survival of motor neurons (SMN), indispensável para a montagem de alguns dos componentes (fatores) envolvidos no processo de splicing. Produtos aberrantes também podem ser gerados quando fatores que participam do processo de splicing são ativados ou desativados por modifica- ções químicas, ou quando há mudanças na concentração celular dos mesmos. É o caso, por exemplo, do gene CD-44, relacionado com adesão celular. A expressão incorreta (ou seja, splicing incorreto) desse gene está relacionada com o surgimento de certos tumores. A biologia molecular do novo milênio vai criar ferramentas capazes de corrigir seqüências que afetam padrões de splicing. Também será possível expressar, inativar ou mudar a concentração de reguladores, permitindo reparar genes afetados por deleções, como no caso da distrofia muscular progressiva. Nessa direção, vários testes têm sido feitos com células em cultura e modelos experimentais. Resultados promissores têm sido alcançados com RNA anti-sentido, uma pequena molécula cuja seqüência de bases é complementar à do RNA. Essa molécula é capaz de se unir ao RNA e interferir com a escolha dos sítios de splicing. No entanto, ainda estamos longe de prever quando essa tecnologia estará pronta para ser utilizada no ser humano.

fonte:

 

A leitura do DNA. Como é processada a informação dos genes.

Luiz O . F. Penalva Medical Center, Duke University (Estados Unidos)

Diego A . R. Zorio Department of Biochemistry and Molecular Genetics, UCHSC, University of Colorado (Estados Unidos)

CIÊNCIA HOJE • vo l . 2 9 • n º 1 7 1

LER TAMBEM SEGUINTE BIBLIOGRAFIA:

ALBERTS, B.; BRAY, D.; LEWIS, J.; RAFF, M.; ROBERTS, K. e WATSON, J. D. Biologia molecular da célula, Porto Alegre, ed. ArtMed, 1997.

ZAHA, A. Biologia molecular básica, Porto Alegre, ed. Mercado Aberto, 1996.

ZORIO, D. A. R. & BLUMENTHAL, T. ‘Both subunits of U2AF recognize the 3’ splice site in Caenorhabditis elegans’, in Nature, v. 402, p. 835, 1999.

 

Splicing, doenças genéticas e câncer Como o splicing é um processo complexo, com regulação fina, a mutação de um simples nucleotídeo (uma das letras do DNA) situado em um sítio de reconhecimento da junção exon-intron ou em um elemento regulador pode causar um erro no processo e gerar um produto aberrante. Muitas vezes, isso significa a inativação do gene. As conseqüências da inativação de fatores de splicing por mutações ou deleções podem ser graves. Estima-se hoje que erros no processo de splicing causem 10% das doenças genéticas. Entre elas podem ser citadas a doença de Menkes, a tirosinemia hereditária, a porfiria intermitente, a doença de Sandhoff e a atrofia muscular espinal. A última é a principal causa de mortalidade infantil em países do Primeiro Mundo. Essa atrofia ocorre quando há mutação em um gene chamado survival of motor neurons (SMN), indispensável para a montagem de alguns dos componentes (fatores) envolvidos no processo de splicing. Produtos aberrantes também podem ser gerados quando fatores que participam do processo de splicing são ativados ou desativados por modifica- ções químicas, ou quando há mudanças na concentração celular dos mesmos. É o caso, por exemplo, do gene CD-44, relacionado com adesão celular. A expressão incorreta (ou seja, splicing incorreto) desse gene está relacionada com o surgimento de certos tumores. A biologia molecular do novo milênio vai criar ferramentas capazes de corrigir seqüências que afetam padrões de splicing. Também será possível expressar, inativar ou mudar a concentração de reguladores, permitindo reparar genes afetados por deleções, como no caso da distrofia muscular progressiva. Nessa direção, vários testes têm sido feitos com células em cultura e modelos experimentais. Resultados promissores têm sido alcançados com RNA anti-sentido, uma pequena molécula cuja seqüência de bases é complementar à do RNA. Essa molécula é capaz de se unir ao RNA e interferir com a escolha dos sítios de splicing. No entanto, ainda estamos longe de prever quando essa tecnologia estará pronta para ser utilizada no ser humano.

fonte:

 

A leitura do DNA. Como é processada a informação dos genes.

Luiz O . F. Penalva Medical Center, Duke University (Estados Unidos)

Diego A . R. Zorio Department of Biochemistry and Molecular Genetics, UCHSC, University of Colorado (Estados Unidos)

CIÊNCIA HOJE • vo l . 2 9 • n º 1 7 1

LER TAMBEM SEGUINTE BIBLIOGRAFIA:

ALBERTS, B.; BRAY, D.; LEWIS, J.; RAFF, M.; ROBERTS, K. e WATSON, J. D. Biologia molecular da célula, Porto Alegre, ed. ArtMed, 1997.

ZAHA, A. Biologia molecular básica, Porto Alegre, ed. Mercado Aberto, 1996.

ZORIO, D. A. R. & BLUMENTHAL, T. ‘Both subunits of U2AF recognize the 3’ splice site in Caenorhabditis elegans’, in Nature, v. 402, p. 835, 1999.

 

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Bianca

Há mais de um mês

Brigadããããããão, professor Raimundo. Arrasou! 

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes