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O que seria o "reino moral" ou reino "social" segundo Émile Durkheim?

Bastante influenciado pelo positivismo e pela lógica cientificista do século XIX, Émile Durkheim imaginava a existência de um “reino moral” ou “reino social”. descreva a interepretação dessa ideia para Durkheim.


1 resposta(s)

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Gisele

Há mais de um mês

Dentro da tradição positivista de delimitar claramente os objetos das ciências para melhor situá-las no campo do conhecimento, Durkheim aponta um reino social, com individualidade distinta dos reinos animal e mineral. Trata-se de um campo com caracteres próprios e que deve ser explorado através de métodos apropriados. Mas esse reino não se situa à parte dos demais, possuíndo um caráter abrangente: "porque não existe fenômeno que não se desenvolva na sociedade, desde os fatos físico-químicos até os fatos verdadeiramente sociais". Durkheim fala também de um reino moral, ao concluir que "a vida social não é outra coisa que o meio moral, ou melhor, o conjunto dos diversos meios morais que cercam o indivíduo. Aproveita para esclarecer o que entende por fenômenos morais "qualificando-os de morais, queremos dizer que se trata de meios constituídos pelas ideias; eles são, portanto, face às consciências individuais, como os meios físicos com relação aos organismos vivos".

No início de sua carreira Durkheim empregava o termo "ciências sociais", paulatinamente substituído pelo de "sociologia", mas reservando aquele ainda para designar as "ciências sociais particulares" (morfologia social, sociologia religiosoa, etc.), que são divisões da Sociologia.

Ao começar a lecionar em Bordeaux, foi convidado a pronunciar a aula inaugural do ano letivo de 1887/88, publicada neste último ano sob o título de "Cours de Science Sociale" (Curso de Ciência Social). Ele corresponde na verdade a um programa de trabalho e serve para expressar suas concepções básicas e sua preocupação dominante de limitar e circunscrever ao máximo a extenção de suas investigações. Neste sentido, a Sociologia constitui "uma ciência no meio de outras ciências positivas". E por ciência positiva entende um "estudo metódico" que conduz ao estabelecimento das leis, mais bem feito pela experimentação. "Se existe um ponto fora de dúvida atualmente é que todos os seres da natureza, desde o mineral até o homem, dizem respeito à ciência positiva, isto é, que tudo se passa segundo as leis necessárias".
 
Desde Comte a Sociologia tem um objeto, que permanece indeterminado, ela deve estudar a Sociedade. "Ela (a Sociologia) tem um objeto claramente definido e um método para estudá-lo. O objeto são os fatos sociais; o método é a observação indireta, em outros termos, o método comparativo. O que falta atualmente é traçar os quadros gerais da ciência e assinalar suas divisões essenciais. (...) Uma ciência não se constitui verdadeiramente senão quando é dividida e subdividida, quando compreende um certo número de problemas diferentes e solidários entre si".
 
O domínio da ciência, por sua vez, corresponde ao universo empírico e não se preocupa senão com essa realidade. Num artigo públicado na Revue Bleue, Durkheim faz algumas considerações de grande interesse, para mostrar como a Sociologia é uma ciência que se constitui num momento de crise - "O que é certo é que, no dia em que passou a tempestade revolucionária, a noção da ciência social se constituiu como por encantamento" - e quando domina um vivo sentimento de unidade do saber humano.
 
Parte de uma distinção ente ciência e arte. Aquela estuda os fatos unicamente para os conhecer e se desinteressa pelas aplicações que possam prestar às noções que elabora. A arte, ao contrário, só os considera para saber o que é possível fazer com eles, em que fins úteis eles podem ser empregados, que efeitos indesejáveis podem impedir que ocorram e por que meio um ou outro resultado pode ser obtido. "Mas não há arte que não contenha em si teorias em estado imanente".
 
"A ciência só aparece quando o espírito, fazendo abstração de toda preocupação prática, aborda as coisas com o único fim de representá-las". Porque estudar os fatos unicamente para saber o que eles são implica uma dissociação entre teoria e prática, o que supõe uma mentalidade relativamente avançada, como no caso de se chegar a estabelecer leis e relações necessárias. Ora, com respeito à Sociologia, Durkheim concebe que as leis não podem penetrar senão as duras penas no mundo dos fatos sociais "e isto foi o que fez com que a Sociologia não pudesse aparecer senão num momento tardio da evolução científica". Esta é uma ideia repetida várias vezes nos vários artigos que Durkheim publicou, como, por exemplo, na mencionada aula inalgural de Bordeaux.
 
Fica evidente que, apesar do seu desenvolvimento tardio, a Sociologia é fruto de uma evolução da ciência. Ela nasce à sombra das ciências naturais; a Sociologia não corresponde a uma simples adição ao vocabulário, a esperança e a de que "ela seja e permaneça o sinal de uma renovação profunda de todas as ciência que tenham por objeto o reino humano.
Dentro da tradição positivista de delimitar claramente os objetos das ciências para melhor situá-las no campo do conhecimento, Durkheim aponta um reino social, com individualidade distinta dos reinos animal e mineral. Trata-se de um campo com caracteres próprios e que deve ser explorado através de métodos apropriados. Mas esse reino não se situa à parte dos demais, possuíndo um caráter abrangente: "porque não existe fenômeno que não se desenvolva na sociedade, desde os fatos físico-químicos até os fatos verdadeiramente sociais". Durkheim fala também de um reino moral, ao concluir que "a vida social não é outra coisa que o meio moral, ou melhor, o conjunto dos diversos meios morais que cercam o indivíduo. Aproveita para esclarecer o que entende por fenômenos morais "qualificando-os de morais, queremos dizer que se trata de meios constituídos pelas ideias; eles são, portanto, face às consciências individuais, como os meios físicos com relação aos organismos vivos".

No início de sua carreira Durkheim empregava o termo "ciências sociais", paulatinamente substituído pelo de "sociologia", mas reservando aquele ainda para designar as "ciências sociais particulares" (morfologia social, sociologia religiosoa, etc.), que são divisões da Sociologia.

Ao começar a lecionar em Bordeaux, foi convidado a pronunciar a aula inaugural do ano letivo de 1887/88, publicada neste último ano sob o título de "Cours de Science Sociale" (Curso de Ciência Social). Ele corresponde na verdade a um programa de trabalho e serve para expressar suas concepções básicas e sua preocupação dominante de limitar e circunscrever ao máximo a extenção de suas investigações. Neste sentido, a Sociologia constitui "uma ciência no meio de outras ciências positivas". E por ciência positiva entende um "estudo metódico" que conduz ao estabelecimento das leis, mais bem feito pela experimentação. "Se existe um ponto fora de dúvida atualmente é que todos os seres da natureza, desde o mineral até o homem, dizem respeito à ciência positiva, isto é, que tudo se passa segundo as leis necessárias".
 
Desde Comte a Sociologia tem um objeto, que permanece indeterminado, ela deve estudar a Sociedade. "Ela (a Sociologia) tem um objeto claramente definido e um método para estudá-lo. O objeto são os fatos sociais; o método é a observação indireta, em outros termos, o método comparativo. O que falta atualmente é traçar os quadros gerais da ciência e assinalar suas divisões essenciais. (...) Uma ciência não se constitui verdadeiramente senão quando é dividida e subdividida, quando compreende um certo número de problemas diferentes e solidários entre si".
 
O domínio da ciência, por sua vez, corresponde ao universo empírico e não se preocupa senão com essa realidade. Num artigo públicado na Revue Bleue, Durkheim faz algumas considerações de grande interesse, para mostrar como a Sociologia é uma ciência que se constitui num momento de crise - "O que é certo é que, no dia em que passou a tempestade revolucionária, a noção da ciência social se constituiu como por encantamento" - e quando domina um vivo sentimento de unidade do saber humano.
 
Parte de uma distinção ente ciência e arte. Aquela estuda os fatos unicamente para os conhecer e se desinteressa pelas aplicações que possam prestar às noções que elabora. A arte, ao contrário, só os considera para saber o que é possível fazer com eles, em que fins úteis eles podem ser empregados, que efeitos indesejáveis podem impedir que ocorram e por que meio um ou outro resultado pode ser obtido. "Mas não há arte que não contenha em si teorias em estado imanente".
 
"A ciência só aparece quando o espírito, fazendo abstração de toda preocupação prática, aborda as coisas com o único fim de representá-las". Porque estudar os fatos unicamente para saber o que eles são implica uma dissociação entre teoria e prática, o que supõe uma mentalidade relativamente avançada, como no caso de se chegar a estabelecer leis e relações necessárias. Ora, com respeito à Sociologia, Durkheim concebe que as leis não podem penetrar senão as duras penas no mundo dos fatos sociais "e isto foi o que fez com que a Sociologia não pudesse aparecer senão num momento tardio da evolução científica". Esta é uma ideia repetida várias vezes nos vários artigos que Durkheim publicou, como, por exemplo, na mencionada aula inalgural de Bordeaux.
 
Fica evidente que, apesar do seu desenvolvimento tardio, a Sociologia é fruto de uma evolução da ciência. Ela nasce à sombra das ciências naturais; a Sociologia não corresponde a uma simples adição ao vocabulário, a esperança e a de que "ela seja e permaneça o sinal de uma renovação profunda de todas as ciência que tenham por objeto o reino humano.

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