A maior rede de estudos do Brasil

Ponto eletrônico no ouvido do funcionário durante todo o horário de trabalho caracteriza assédio moral?

Uma vez que um funcionário em uma loja é obrigado pelos donos da loja a trabalharem com um ponto eletônico no ouvido, em que todo tipo de conversa é escutada por eles, sendo que o funcionário é terminantemente proibido a retirar o ponto durante todo seu horario de trabalho, é considerado como assédio moral uma vez que viola sua dignidade e sua privacidade?


4 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

User badge image

Paduan Seta Advocacia Verified user icon

Há mais de um mês

O uso do ponto eletrônico deve ser regulado pelo contrato de trabalho. Se a função dele for humilhar ou colocar o funcionário em situações degradantes, violando sua dignidade, a utilização do aparelho deve ser considerada assédio moral. Portanto, se o uso dele tiver funções benéficas para o funcionamento da empresa, como segurança ou monitoramento, não caracterizará assédio moral. Contudo, em suma, o controle excessivo do empregado sobre o empregador é considerado assédio moral. 

O uso do ponto eletrônico deve ser regulado pelo contrato de trabalho. Se a função dele for humilhar ou colocar o funcionário em situações degradantes, violando sua dignidade, a utilização do aparelho deve ser considerada assédio moral. Portanto, se o uso dele tiver funções benéficas para o funcionamento da empresa, como segurança ou monitoramento, não caracterizará assédio moral. Contudo, em suma, o controle excessivo do empregado sobre o empregador é considerado assédio moral. 

User badge image

Camila

Há mais de um mês

Joal, obrigada por responder!!
Ainda estou um pouco em dúvida a respeito pois andei refletindo e de inicio achei que realmente era um absurdo e que feria a dignidade da pessoa, mas agora pensei o seguinte...Se o empregado era obrigado a utilizar o ponto (suponhando que estava em contrato), se tratava de uma loja de jóias, o ponto servia até mesmo como uma "segurança" talvez na visão da loja para as vendedoras, e se o empregado esta a disposição da loja não pode ficar "de papo" e muito menos falando ao celular no horario de trabalho. Sendo assim, não vejo caracterizado o assédio moral visto que o empregado está a disposição do empregador.


Agora não sei qual caminho é o correto...andei pesquisando mas não encontrei nada a respeito rs
De qualquer forma muito obrigada.

User badge image

Joal

Há mais de um mês

 Camila, no contrato de trabalho havia clausulas específicas a respeito do uso "obrigatório" do referido ponto?

Acredito que sim, até porque o aparelho em questão viola tais princípios como descrito acima, porém são apenas dois entendimentos, mas levando em conta que os princípios são normas basilares e ambos partem da CF...

User badge image

Fabio Rapp

Há mais de um mês

Prezada Camila,

 

A meu ver o ponto a ser verificado não se refere a estar ou não no contrato, pois, o Direito do Trabalho não vivencia o fenômeno da "pacta sunt servanda", muito pelo contrário, vivemos a dinâmica da informalidade.

O cerne da discussão é saber qual a função deste empregado e, principalmente, qual o intuito do ponto no ouvido.

Se for essencial para a execução das tarefas do trabalhor não há assédio moral, peguemos como exemplo, um segurança de pessoa física, que deve estar ligado, durante um trajeto com o seu empregador, devendo estar se comunicando com sua central qualquer ocorrência e vice-versa. Veja que nesse exemplo, parece-nos prudente, inclusive, o uso do ponto.

De outro lado, qualquer ferramente utilizada na seara laboral com mero intuito de emulação (para prejudicar) o trabalhador, será, naturalmente, rechaçado, seja com a figura do assédio, seja com outra.

O que acredito que você tenha confudido, é o assunto relacionado com jornada e subordinação, que está inserido no parágrafo único, do art. 6 da CLT, bem como, entendimento a respeito do TST (por meio de súmual), em que fala dos meios telemáticos de subordinação e controle de jornada. 

Inclusive, nesses figurar, tanto o legislador, quanto o TST, partiram da premissa que os instrumentos são usados sem o contexto emulativo, caso contrário certamente, tratariam o assunto como assédio ou dano moral.

Abraço e espero ter ajudado.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas