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DUVIDA DE DIREITO FINANCEIRO E TRIBUTARIO

O Município de Angra dos Reis promulga lei em 30.05.2006, estabelecendo a incidência do ITBI sobre as embarcações alienadas no território municipal, já que esses bens são garantidos por hipoteca, o que demonstraria a natureza imobiliária das embarcações. Ester efetua alienação de uma embarcação para Moisés (ambos domiciliados naquele Município, mediante contrato lavrado em cartório no dia 30.05.2007. Firme na legislação municipal, a Fazenda Pública de Angra dos Reis efetua o lançamento de ofício do ITBI. Ester apresenta impugnação na via administrativa, pleiteando o seu direito de não pagar o tributo em tela. Examine o caso, em suas várias nuances, sob a ótica das normas do CTN sobre interpretação.


5 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

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DLRV Advogados Verified user icon

Há mais de um mês

O direito trata as embarcações como bens móveis. Ao nosso ver, a cobrança realizada pelo Município é ilegal, tendo em vista que as embarcações não podem sofrer da incidência do ITBI por serem bens móveis, e que o direito Tributário não pode alterar os conceitos dos institutos de direito civil para ampliar competências tributárias. Esta é a previsão do art. 110 do CTN. 

"Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias."

O direito trata as embarcações como bens móveis. Ao nosso ver, a cobrança realizada pelo Município é ilegal, tendo em vista que as embarcações não podem sofrer da incidência do ITBI por serem bens móveis, e que o direito Tributário não pode alterar os conceitos dos institutos de direito civil para ampliar competências tributárias. Esta é a previsão do art. 110 do CTN. 

"Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e forma de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias."

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Ingrid Thais

Há mais de um mês

Usaremos para responder esta questão os métodos interpretativos, (interpretações
literais, históricas, teleológicas, entre outr as) para entendermos que não se pode
tributar as embarcações que não são verdadeiros imóveis em sua essência e que seu
alcance estaria apenas servindo ao interesse de ampliar o alcance da competência do
Municipio.
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Gabriel Faria

Há mais de um mês

O caso deve ser trabalhado seguindo as orientações de aplicação conjugada dos vários métodos de
interpretação para concluir pela não incidência do tributo.Assim cada método de interpretação conduzirá ao resultado correto.Interpretação literal:no vernáculo,embarcações são bens imóveis.Interpretação lógica:o fato de eventualmente o direito civil daràs embarcações o mesmo tratamento dos bens imóveis constitui exceção e não altera a natureza do bem em si,para fazê-lo imóvel.Interpretação histórica: nunca houve uma alteração social ou legislativa que mudasse estes conceitos.Interpretação teleológica: não há propósito na legislação civil em transformar as embarcações em bens imóveis. Interpretação sistemática : de forma geral, o direito trata as embarcações como bens móveis. Assim é que não podem sofrer da incidência do tributo,já que o direito tributário não pode alterar os conceitos dos institutos de direito civil
para ampliar competências tributária

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas