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Quais as consequencias para a parte autora que NÃO faz a IMPUGNAÇÃO À CONTESTAÇÃO no processo civil?

Me ajudem galera, se o autor da ação, não impugnar o que a parte ré alegar na contestação, presumir-se-ão verdadeiros os fatos alegados ou não? quais as consequencias? desde já, obrigado.


2 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

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Júnior Oliveira Verified user icon

Há mais de um mês

A ausência de impugnação da Contestação, chamada "réplica", não se desdobra em consequências prejudiciais ao Autor, não havendo falar em "presunção de veraciade" dos fatos alegados pelo réu.

A ausência de impugnação da Contestação, chamada "réplica", não se desdobra em consequências prejudiciais ao Autor, não havendo falar em "presunção de veraciade" dos fatos alegados pelo réu.

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Pedro

Há mais de um mês

A atual lei instrumental brasileira, seguindo uma linha procedimental adotada pelas anteriores, não cuidou de dar destaque à audiência do autor sobre a resposta do réu.


Aliás, com apuro de tecnicismo, não se pode dizer que exista a figura da “impugnação à contestação”. O que existe, necessariamente, para prestar homenagem ao princípio do contraditório, é a manifestação do autor sobre questões de direito ou de fato que foram trazidas pelo réu com a sua resposta.

Quando o réu faz a sua defesa, através da modalidade direta do mérito, simplesmente negando os fatos postos pelo autor ou as suas conseqüências jurídicas, têm-se que já está materializada a questão controvertida, indispensável para o pronunciamento jurisdicional. Nessa hipótese, não há a menor necessidade, nem razão de ordem técnica ou processual, para se ouvir o autor.

É certo que se fosse possível ouvir as partes um número maior de vezes, – relegando a segundo plano o aspecto do prejuízo material e de tempo para as próprias partes e, de modo especial, para a moral da própria justiça – estariam os julgadores de posse de mais informações, com segurança, altamente favoráveis a uma decisão mais justa e equilibrada. Oportuna e, como sempre acontece quando se pronuncia, prenhe de felicidade a palavra do insuplantável Piero CALAMANDREI:


“A defesa de qualquer advogado é constituída por um sistema de espaços cheios e de vácuos: factos que se põem em evidência porque são favoráveis, factos que se deixam na sombra por serem contrários à tese da defesa. Mas, sobrepondo-se os argumentos dos dois contraditores e comparando-os, vê-se que ao vazio de um discurso correspondem exactamente os espaços cheios do outro. Desta forma, o juiz, servindo-se de uma defesa para preencher as lacunas do discurso contrário, chega-se facilmente, tal como num jogo de paciência, a ver recomposta diante de si, bocado a bocado, a figura da verdade.”(5)

Para o juiz experiente e perspicaz a verdade precisa estar recomposta com o oferecimento da contestação, quando réu utilizou a defesa direta de mérito. Mas alguns juízes, distraídos em relação à extensão de sua responsabilidade funcional, determinam, independentemente de análise mais profunda da resposta do réu, a audiência do autor, como se essa fosse a orientação e a vontade do Código.

E não é. Existem apenas três circunstâncias em que o juiz deverá determinar a audiência do autor sobre o primeiro pronunciamento do réu:

a) - quando o réu, reconhecendo o fato em que se fundou a ação, outro lhe opuser, impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. É a chamada defesa indireta de mérito. Art. 326. Essa foi a única hipótese lembrada pelo revogado Código de 39. Esse artigo fixa em 10 dias o prazo para se ouvir o autor e ainda lhe faculta produzir prova documental;

b) - quando o réu alegar qualquer das matérias enumeradas no art. 301 (art. 327) – defesa indireta processual. Também nessa hipótese fixou o código o prazo de 10 dias para a ouvida do autor e renova-lhe a oportunidade de produção de prova documental; e

c) - quando a defesa estiver instruída com algum documento, circunstância em que o art. 398 manda que se dê vista à parte contrária. Agora o prazo para o pronunciamento do autor sobre os documentos produzidos pelo réu, com a sua defesa, será de apenas 5 dias.

Assim, inocorrendo qualquer das circunstâncias supra mencionadas, não pode o juiz determinar, ao seu alvedrio, a audiência do autor, porque o Código não lhe dá essa faculdade. Definida a existência da questão controvertida, outro caminho não deverá ser trilhado pelo juiz, senão o de avançar para a fase seguinte, a probatória, podendo eventualmente, facultar às partes a explicitação das provas que pretendem produzir, as quais já teriam sido indicadas na inicial.

A adotarmos como regra geral o expediente de ouvir-se o autor sobre a contestação, estaríamos promovendo inegável retrocesso na dinâmica que se deve sempre observar no exercício da jurisdição. Afinal de contas, o uso deste expediente significaria perda de tempo e esse elemento é de fundamental importância para aqueles que têm os seus interesses em jogo. Além do mais, seria ainda o caso de ouvir-se o réu sobre a impugnação à contestação, num desenho equivalente à tréplica e, depois, novamente ouvir-se o autor sobre a impugnação à impugnação da contestação e, assim, “ad infinitum”.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas