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A iniciativa popular aplica-se a projeto de lei reservada? Por quê?

Salvo norma constitucional em contrário, a iniciativa legislativa compete ao Presidente da República, a qualquer parlamentar ou comissão das Casas legislativas e aos cidadãos. Acerca do tema, a iniciativa popular aplica-se a projeto de lei reservada? Por quê? 


2 resposta(s)

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Breno Jorge Félix

Há mais de um mês

De modo geral, não se admite a iniciativa popular para matérias em relação às quais a Constituição fixou determinado titular para deflagrar o processo legislativo (iniciativa exclusiva ou reservada).

Houve um caso concreto, contudo, no qual se viu discutida essa questão: a Comissão de Constituição e Justiça, durante a tramitação do projeto de lei que culminou na aprovação da Lei n.11.124/2005(de iniciativa popular), chegou a discutir eventual vício formal de iniciativa tendo em vista que a matéria tratada, nos termos do art. 61, § 1.º, II, “a” e “e”, seria de competência exclusiva, portanto, indelegável, do Presidente da República. O entendimento da CCJ foi no sentido de que não haveria vício de iniciativa. Mas se trata de caso isolado, que não traz vinculação alguma.

José Afonso da Silva, expressamente, ao falar sobre a iniciativa popular, observa que se trata de “... iniciativa legislativa que ingressa no campo das iniciativas concorrentes. Não se admite iniciativa legislativa popular em matéria reservada àiniciativa exclusiva de outros titulares...”

De modo geral, não se admite a iniciativa popular para matérias em relação às quais a Constituição fixou determinado titular para deflagrar o processo legislativo (iniciativa exclusiva ou reservada).

Houve um caso concreto, contudo, no qual se viu discutida essa questão: a Comissão de Constituição e Justiça, durante a tramitação do projeto de lei que culminou na aprovação da Lei n.11.124/2005(de iniciativa popular), chegou a discutir eventual vício formal de iniciativa tendo em vista que a matéria tratada, nos termos do art. 61, § 1.º, II, “a” e “e”, seria de competência exclusiva, portanto, indelegável, do Presidente da República. O entendimento da CCJ foi no sentido de que não haveria vício de iniciativa. Mas se trata de caso isolado, que não traz vinculação alguma.

José Afonso da Silva, expressamente, ao falar sobre a iniciativa popular, observa que se trata de “... iniciativa legislativa que ingressa no campo das iniciativas concorrentes. Não se admite iniciativa legislativa popular em matéria reservada àiniciativa exclusiva de outros titulares...”

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Júnior Oliveira

Há mais de um mês

A doutrina majoritária é no sentido de que o Constituinte originário, quando versa sobre inciativa popular, refere-se somente aos temas de iniciativa concorrente, de modo que é incabível, em regra, que um projeto de competência exclusiva de determinada autoridade seja apresentado diretamente. 

Se, por um lado, todo o poder emana do povo, de outro é certo que esse poder deverá ser exercido, em regra, através de representantes eleitos, sendo realizado diretamente apenas "nos termos da Constituição", tal como disposto no art. 1º, § único, da Carta Política de 1988. Afinal, foi o povo quem concedeu o poder legislativo máximo ao constituinte originário, o qual optou por esse formato quando da feitura da Constituição Federal:

CFRB/1988, art. 1º, Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

 

 

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