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Qual é o modo mais vantajoso para cumprir uma pena inferior a dois anos, restritiva de direito (02) ou sursis ??? Qual a diferença entre elas?

Qual é o modo mais vantajoso para cumprir uma pena inferior a dois anos, restritiva de direito (02) ou sursis ??? Qual a diferença entre elas?

Direito Penal II

ESTÁCIO


1 resposta(s)

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Melqui Varella

Há mais de um mês

Sursis - Suspensão condicional de execução da pena; É um instituto de política criminal que se destina a evitar o recolhimento à prisão do condenado, submetendo-o a observância de certos requisitos legais e condições estabelecidas pelo juiz, durante tempo por ele determinado, findo o qual, se não revogada a concessão, considera-se extinta a pena privativa de liberdade, o Sursis é um direito subjetivo do réu, desde que preenchido os requisitos, o juiz tem que concede-lo.

PRD - Pena Restritiva de Direito; Sâo aquelas expressamente previstas em lei, tendo por fim evitar o encarceramento de determinados criminosos, autores de infrações penas consideradas mais leves. No nosso Código Penal, Art. 43, encontramos 05 (cinco) modalidades de PRD, são elas: 

PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA - Consiste no pagamento de um a trezentos e sessenta salários mínimos a vítima, seus dependentes ou a entidades assistenciais;

PERDA DE BENS E VALORES - é a transferência ao Fundo Penitenciário Nacional de bens e valores lícitos do condenado, como forma de puni-lo evitando-lhe o cárcere, tendo por limite o prejuízo gerado pelo crime;

PRESTAÇÃO DE SERVIÇO À COMUNIDADE OU ENTIDADES PÚBLICAS - é a atribuição de tarefas gratuitas ao condenado voltadas a entidades assistenciais em geral, como forma de reeducá-lo e gerando obrigação de cráter aflitivo, consistente na transformação da pena privativa de liberdade proporção de uma hora-tarefa por dia de condenação;

INTERDIÇÃO TEMPORÁRIAS DE DIREITOS - É a proibição de atividades públicas ou privadas, durante determinado tempo, bem como a suspensão da autorização para dirigir certos veículos ou a proibição de frequentar determinados lugares;

LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA - Consiste na obrigação de permanecer na casa do albergado, ou estabalecimento similar, durante cinco horas aos sábados e domingos, participando de cursos e palestras educativas.

 

Para entender melhor já respondendo a sua pergunta, como citado no comentário de RIBEIRO, Carlos Augusto Curzio. O caráter subsidiário do "sursis" diante das penas restritivas de direito. Disponível em http://www.lfg.com.br 08 junho. 2008.

Atualmente disciplinado no art. 77 do CP , o "Sursis", também conhecido como Suspensão Condicional da Pena, tem cabimento nas seguintes hipóteses elencadas pelo referido artigo, cuja redação segue abaixo transcrita:

Art. 77: A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que:

I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; (grifo nosso)

II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício;

III - não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código . (Grifo nosso)

Note que o inciso III menciona expressamente não ser cabível o instituto em foco, quando for indicada a substituição por penas restritivas de direitos, previstas no artigo 44 do mesmo diploma legal que, por sua vez, leciona:

Art. 44: As penas restritivas de direito são autônomas e substituem as privativas de liberdade quando:

I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a 4 (quatro) anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; (grifo nosso)

II - o réu não for reincidente em crime doloso; (grifo nosso)

III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente .

Observe também que o artigo supra transcrito exige em seu inciso I, parte destacada, como requisito para a concessão deste benefício, a ausência de violência ou grave ameaça à pessoa, o que o diferencia da suspensão condicional da pena, que não o previu como requisito.

Assim, temos que a concessão da suspensão condicional da pena só será possível quando o juiz, no caso concreto, decretar o não cabimento da substituição por pena restritiva de direitos, por haver, por exemplo, violência ou grave ameaça à pessoa, fator que impede taxativamente a concessão deste benefício.

Dessa forma, o instituto do "sursis" perdeu muito a sua aplicação prática nos dias atuais, ainda mais levando-se em consideração que a substituição por penas restritivas de direito possui cabimento muito mais amplo, uma vez que abrange todos os crimes cuja pena privativa de liberdade não seja superior a 4 (quatro) anos, limite este muito superior ao do "sursis", cujo cabimento se restringe a crimes cuja pena não ultrapasse 2 (dois) anos.

Convém ressaltar, ainda, que os dois institutos possuem como semelhança o fato de a reincidência não impedir a concessão de ambos os benefícios, embora os requisitos sejam diferentes.

No que tange à substituição por penas restritivas de direito, os seus requisitos são mais rígidos, conforme se extrai do art. 44, § 3 º, in fine:

Art. 44, § 3º: Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime .

Perceba que neste aspecto, a lei foi mais rigorosa na concessão do benefício ao réu reincidente, exigindo como requisitos para a sua concessão:

A recomendação social da medida em face da condenação anterior;

Ausência de reincidência específica.

Quanto à figura da reincidência no "Sursis", o tema se encontra regulado no art. 77, I (transcrito acima), que proíbe a sua concessão a condenado reincidente em crime doloso, bem como em seu § 1º, abaixo transcrito:

Art. 77, § 1º: A condenação anterior a pena de multa não impede a concessão do benefício .

Isso traz duas conseqüências quanto à concessão deste beneficio aos reincidentes:

A prática de crime culposo ou de contravenção penal não impede a concessão deste benefício;

Ainda que doloso o crime, o benefício poderá ser concedido, se o crime praticado tiver sido apenado com multa.

Apesar da grande semelhança que esses dois institutos possuem entre si, é certo que, levando-se em conta uma interpretação literal do Código Penal Brasileiro, concluímos que a substituição por penas restritivas de direito possui maior aplicabilidade nos dias atuais que o "sursis", por todas as razões acima expostas.

 

Espero ter ajudado, abraços e bons estudos.

Sursis - Suspensão condicional de execução da pena; É um instituto de política criminal que se destina a evitar o recolhimento à prisão do condenado, submetendo-o a observância de certos requisitos legais e condições estabelecidas pelo juiz, durante tempo por ele determinado, findo o qual, se não revogada a concessão, considera-se extinta a pena privativa de liberdade, o Sursis é um direito subjetivo do réu, desde que preenchido os requisitos, o juiz tem que concede-lo.

PRD - Pena Restritiva de Direito; Sâo aquelas expressamente previstas em lei, tendo por fim evitar o encarceramento de determinados criminosos, autores de infrações penas consideradas mais leves. No nosso Código Penal, Art. 43, encontramos 05 (cinco) modalidades de PRD, são elas: 

PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA - Consiste no pagamento de um a trezentos e sessenta salários mínimos a vítima, seus dependentes ou a entidades assistenciais;

PERDA DE BENS E VALORES - é a transferência ao Fundo Penitenciário Nacional de bens e valores lícitos do condenado, como forma de puni-lo evitando-lhe o cárcere, tendo por limite o prejuízo gerado pelo crime;

PRESTAÇÃO DE SERVIÇO À COMUNIDADE OU ENTIDADES PÚBLICAS - é a atribuição de tarefas gratuitas ao condenado voltadas a entidades assistenciais em geral, como forma de reeducá-lo e gerando obrigação de cráter aflitivo, consistente na transformação da pena privativa de liberdade proporção de uma hora-tarefa por dia de condenação;

INTERDIÇÃO TEMPORÁRIAS DE DIREITOS - É a proibição de atividades públicas ou privadas, durante determinado tempo, bem como a suspensão da autorização para dirigir certos veículos ou a proibição de frequentar determinados lugares;

LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA - Consiste na obrigação de permanecer na casa do albergado, ou estabalecimento similar, durante cinco horas aos sábados e domingos, participando de cursos e palestras educativas.

 

Para entender melhor já respondendo a sua pergunta, como citado no comentário de RIBEIRO, Carlos Augusto Curzio. O caráter subsidiário do "sursis" diante das penas restritivas de direito. Disponível em http://www.lfg.com.br 08 junho. 2008.

Atualmente disciplinado no art. 77 do CP , o "Sursis", também conhecido como Suspensão Condicional da Pena, tem cabimento nas seguintes hipóteses elencadas pelo referido artigo, cuja redação segue abaixo transcrita:

Art. 77: A execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que:

I - o condenado não seja reincidente em crime doloso; (grifo nosso)

II - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade do agente, bem como os motivos e as circunstâncias autorizem a concessão do benefício;

III - não seja indicada ou cabível a substituição prevista no art. 44 deste Código . (Grifo nosso)

Note que o inciso III menciona expressamente não ser cabível o instituto em foco, quando for indicada a substituição por penas restritivas de direitos, previstas no artigo 44 do mesmo diploma legal que, por sua vez, leciona:

Art. 44: As penas restritivas de direito são autônomas e substituem as privativas de liberdade quando:

I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a 4 (quatro) anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; (grifo nosso)

II - o réu não for reincidente em crime doloso; (grifo nosso)

III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente .

Observe também que o artigo supra transcrito exige em seu inciso I, parte destacada, como requisito para a concessão deste benefício, a ausência de violência ou grave ameaça à pessoa, o que o diferencia da suspensão condicional da pena, que não o previu como requisito.

Assim, temos que a concessão da suspensão condicional da pena só será possível quando o juiz, no caso concreto, decretar o não cabimento da substituição por pena restritiva de direitos, por haver, por exemplo, violência ou grave ameaça à pessoa, fator que impede taxativamente a concessão deste benefício.

Dessa forma, o instituto do "sursis" perdeu muito a sua aplicação prática nos dias atuais, ainda mais levando-se em consideração que a substituição por penas restritivas de direito possui cabimento muito mais amplo, uma vez que abrange todos os crimes cuja pena privativa de liberdade não seja superior a 4 (quatro) anos, limite este muito superior ao do "sursis", cujo cabimento se restringe a crimes cuja pena não ultrapasse 2 (dois) anos.

Convém ressaltar, ainda, que os dois institutos possuem como semelhança o fato de a reincidência não impedir a concessão de ambos os benefícios, embora os requisitos sejam diferentes.

No que tange à substituição por penas restritivas de direito, os seus requisitos são mais rígidos, conforme se extrai do art. 44, § 3 º, in fine:

Art. 44, § 3º: Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a substituição, desde que, em face de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime .

Perceba que neste aspecto, a lei foi mais rigorosa na concessão do benefício ao réu reincidente, exigindo como requisitos para a sua concessão:

A recomendação social da medida em face da condenação anterior;

Ausência de reincidência específica.

Quanto à figura da reincidência no "Sursis", o tema se encontra regulado no art. 77, I (transcrito acima), que proíbe a sua concessão a condenado reincidente em crime doloso, bem como em seu § 1º, abaixo transcrito:

Art. 77, § 1º: A condenação anterior a pena de multa não impede a concessão do benefício .

Isso traz duas conseqüências quanto à concessão deste beneficio aos reincidentes:

A prática de crime culposo ou de contravenção penal não impede a concessão deste benefício;

Ainda que doloso o crime, o benefício poderá ser concedido, se o crime praticado tiver sido apenado com multa.

Apesar da grande semelhança que esses dois institutos possuem entre si, é certo que, levando-se em conta uma interpretação literal do Código Penal Brasileiro, concluímos que a substituição por penas restritivas de direito possui maior aplicabilidade nos dias atuais que o "sursis", por todas as razões acima expostas.

 

Espero ter ajudado, abraços e bons estudos.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes