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João está sendo executado devido ao descumprimento de sentença que determinou o pagamento de prestação alimentícia a sua genitora, idosa ?

João está sendo executado devido ao descumprimento de sentença que determinou o pagamento de prestação alimentícia a sua genitora, idosa, pessoa relativamente incapaz. João foi surpreendido com a decisão do juízo da 1 a Vara de Família da Comarca de Niterói que determinou a suspensão do seu passaporte até o cumprimento da obrigação alimentar.

Analise juridicamente a decisão judicial e faça uma resenha crítica utilizando a base legal , a doutrina e a jurisprudência.


3 resposta(s)

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Sérgio Schrapett

Há mais de um mês

Na busca da efetividade dos processos judiciais, o novo Código de Processo Civil inovou ao permitir a adoção de medidas coercitivas nas ações que tenham por objeto a obtenção de prestação pecuniária. Tal novidade está contemplada no inciso IV do art. 139 do novo CPC inserto no capítulo que regula os Poderes, Devedores e Responsabilidade do Juiz (Capítulo I do Título IV) que assim dispõe:

Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe:

(...)

IV - determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária"

Como se sabe, a lei anterior previa a possibilidade de medidas específicas para garantir a obrigação de fazer e não fazer, mas não contemplava igual possibilidade nas obrigações de pagar. A novidade mais impactante foi a prerrogativa conferida ao juiz de adotar meios para assegurar o cumprimento das suas próprias ordens judiciais, inclusive de ofício, sendo permitido ao magistrado "fixar os meios executivos sub-rogatórios mais adequados a proporcionar a satisfação integral do credor de tais obrigações".

Nada obstante a recente previsão legal verifica-se que o dispositivo em questão já vem sendo aplicado pelos magistrados de primeiro grau e, igualmente, gerado controvérsia no âmbito dos Tribunais. Em recente decisão, a juíza de Direito Andrea Ferraz Musa determinou como medida coercitiva, em ação de execução, a suspensão da CNH, apreensão do passaporte do executado e o cancelamento dos cartões de crédito até o pagamento da dívida (Processo de Execução n.º 4001386-13.2013.8.26.0011, 2ª Vara Cível Foro Regional XI - Pinheiros TJ/SP).

A juíza, em fundamentação da decisão postulou o seguinte:

A Juíza argumentou que “a ação tramita desde 2013 sem que qualquer valor tenha sido pago ao exequente. Todas as medidas executivas cabíveis foram tomadas, sendo que o executado não paga a dívida, não indica bens à penhora, não faz proposta de acordo e sequer cumpre de forma adequada as ordens judiciais, frustrando a execução. Se o executado não tem como solver a presente dívida, também não tem recursos para viagens internacionais, ou para manter o veículo, ou mesmo manter um cartão de crédito".

Tal decisão gerou controvérsia, conforme o a seguir exposto:

Posteriormente o TJ/SP em decisão liminar suspendeu a decisão da juíza de 1ª instância sob a alegação de que a coação seria ilegal, pois afeta o direito de locomoção garantido constitucionalmente no artigo 5º, inciso XV. O recurso de Agravo de Instrumento e o HC aguardam decisão definitiva pelo Tribunal.

Em fim, a controvérsia permanece, como se vê:

A questão tem gerado divergências entre os processualistas que apresentam opiniões antagônicas sobre o tema e também na jurisprudência. Isso porque alguns entendem como uma nova sistemática executiva e outros como uma possibilidade de adoção de medidas arbitrárias de restrição de direitos fundamentais.


Na busca da efetividade dos processos judiciais, o novo Código de Processo Civil inovou ao permitir a adoção de medidas coercitivas nas ações que tenham por objeto a obtenção de prestação pecuniária. Tal novidade está contemplada no inciso IV do art. 139 do novo CPC inserto no capítulo que regula os Poderes, Devedores e Responsabilidade do Juiz (Capítulo I do Título IV) que assim dispõe:

Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe:

(...)

IV - determinar todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto prestação pecuniária"

Como se sabe, a lei anterior previa a possibilidade de medidas específicas para garantir a obrigação de fazer e não fazer, mas não contemplava igual possibilidade nas obrigações de pagar. A novidade mais impactante foi a prerrogativa conferida ao juiz de adotar meios para assegurar o cumprimento das suas próprias ordens judiciais, inclusive de ofício, sendo permitido ao magistrado "fixar os meios executivos sub-rogatórios mais adequados a proporcionar a satisfação integral do credor de tais obrigações".

Nada obstante a recente previsão legal verifica-se que o dispositivo em questão já vem sendo aplicado pelos magistrados de primeiro grau e, igualmente, gerado controvérsia no âmbito dos Tribunais. Em recente decisão, a juíza de Direito Andrea Ferraz Musa determinou como medida coercitiva, em ação de execução, a suspensão da CNH, apreensão do passaporte do executado e o cancelamento dos cartões de crédito até o pagamento da dívida (Processo de Execução n.º 4001386-13.2013.8.26.0011, 2ª Vara Cível Foro Regional XI - Pinheiros TJ/SP).

A juíza, em fundamentação da decisão postulou o seguinte:

A Juíza argumentou que “a ação tramita desde 2013 sem que qualquer valor tenha sido pago ao exequente. Todas as medidas executivas cabíveis foram tomadas, sendo que o executado não paga a dívida, não indica bens à penhora, não faz proposta de acordo e sequer cumpre de forma adequada as ordens judiciais, frustrando a execução. Se o executado não tem como solver a presente dívida, também não tem recursos para viagens internacionais, ou para manter o veículo, ou mesmo manter um cartão de crédito".

Tal decisão gerou controvérsia, conforme o a seguir exposto:

Posteriormente o TJ/SP em decisão liminar suspendeu a decisão da juíza de 1ª instância sob a alegação de que a coação seria ilegal, pois afeta o direito de locomoção garantido constitucionalmente no artigo 5º, inciso XV. O recurso de Agravo de Instrumento e o HC aguardam decisão definitiva pelo Tribunal.

Em fim, a controvérsia permanece, como se vê:

A questão tem gerado divergências entre os processualistas que apresentam opiniões antagônicas sobre o tema e também na jurisprudência. Isso porque alguns entendem como uma nova sistemática executiva e outros como uma possibilidade de adoção de medidas arbitrárias de restrição de direitos fundamentais.


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