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Estudo Epístola de Tiago Tiago meio-irmão de Jesus Cristo, escreveu a carta com o objetivo de encorajar os crentes judeus que enfrentavam várias provações que punham sua fé à prova, para corrigir crenças errôneas a respeito da natureza da fé salvífica e para exortar e instruir os leitores concernente ao resultado prático da sua fé na vida de retidão e nas boas obras. Esta epístola trata de uma ampla variedade de temas relacionados à verdadeira vida cristã. Tiago exorta os crentes a suportarem com alegria as suas provações e a tirarem proveito delas, exorta-os a resistirem às tentações, a serem praticantes da Palavra e não apenas ouvintes e a demonstrarem uma fé ativa, e não uma profissão de fé vazia. Adverte solenemente contra o pecado de uma língua indomável, a sabedoria carnal, a conduta pecaminosa, a vida presunçosa, e a riqueza egocêntrica. Tiago encerra ressaltando a paciência, a oração e a restauração dos desviados. Capítulos Capítulo 1: O Comportamento do Cristão Capítulo 2: A Fé é Confirmada Pelas Obras Capítulo 3: O Poder da Língua e a Sabedoria Capítulo 4: Guerras e o Relacionamento Com Deus Capítulo 5: Juízo de Deus e a Volta de Jesus Detalhes da Carta de Tiago O autor dessa epístola não foi Tiago, filho de Zebedeu; pois ele foi morto por Herodes (Atos 12) antes de o cristianismo ter conquistado tanto terreno entre os judeus da dispersão como está implícito aqui. Mas foi outro o Tiago, que era primeiro meio-irmão de Cristo, e um dos doze apóstolos (Mateus 10.3). Ele é chamado de coluna (Gálatas 2.9), e essa epístola dele não pode ser disputada, sem se perder uma pedra fundamental. É chamada de epístola geral, porque (como alguns pensam) não foi dirigida a uma pessoa ou igreja particular, mas uma do tipo que chamamos de carta circular. Outros pensam que é chamada geral para distingui-la das epístolas de Inácio, Barnabé, Policarpo e outros que eram famosas em épocas primitivas, mas não geralmente recebidas na igreja, e por conta disso não eram canônicas, como esta. Eusébio nos conta que esta epístola “era geralmente lida nas igrejas com as outras epístolas universais”. Tiago, nosso autor, era chamado de o justo, em virtude de sua grande piedade. Um Exemplo Ele era um exemplo eminente daquelas virtudes que ele requer dos outros. Ele foi tão reverenciado por sua justiça, moderação e devoção, que Josefo, o historiador judaico, registra isso como uma das causas da destruição de Jerusalém: “Que Tiago foi martirizado nela”. Isso é mencionado na esperança de evocar a maior consideração possível por aquilo que é escrito por um homem tão santo e excelente. O tempo em que essa epístola foi escrita é incerto. O propósito dela foi censurar os cristãos por sua grande degeneração tanto na fé quanto nas suas maneiras, e impedir que se difundissem as doutrinas libertinas que ameaçavam a destruição de toda a piedade prática. Era também a intenção especial desse autor da epístola despertar a nação judaica para o sentimento de importância e proximidade daqueles julgamentos que estavam vindo sobre eles; e apoiar todos os verdadeiros cristãos no caminho do seu dever, nas calamidades e perseguições que enfrentariam. As verdades colocadas são muito significativas e devem ser mantidas; e as regras para a prática, como afirmadas aqui, são tais que devem ser observadas em nossos tempos como em épocas anteriores. CAPÍTULO 1: O COMPORTAMENTO DO CRISTÃO Em Tiago 1, o irmão do Senhor Jesus Cristo, começa com uma série de conselhos úteis a vida cristã. Seu propósito é fortalecer os cristãos a suportarem as dificuldades resultantes da fé e da vida.Isso fica claro na sua menção a sabedoria. Tiago entende que muitos dos nossos problemas podem ser resolvidos com uma boa gestão das decisões. Portanto, quando faltar sabedoria peça a Deus. Para as questões que exigem ação sobrenatural de Deus, então empregue a fé, mas sem duvidar. Uma das características marcantes desta carta é a franqueza e praticidade. Tiago deixa claro que a fé só funcionará se for real, autêntica. Do contrário não surtirá efeito. Um dos problemas antigos da igreja é a relação entre o rico e o pobre. Por isso, mais uma vez ele dá ótimos esclarecimentos sobre o assunto. Ele encerra Tiago 1, ensinando sobre a importância de praticar a Palavra de Deus, e não apenas ouvir e sobre a verdadeira religião. Esboço de Tiago 1: Tiago 1.1 – 4: O sofrimento e a perseverança Tiago 1.5 – 8: A sabedoria e a fé Tiago 1.9 – 11: O rico, o pobre e a brevidade da vida Tiago 1.12 – 15: Perseverança e tentação Tiago 1.16 – 21: Prontos para ouvir e falar, tardios para irar-se Tiago 1.22 – 25: O dever de praticar a Palavra Tiago 1.26,27: A verdadeira religião O Perigo da Ira “Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se, pois a ira do homem não produz a justiça de Deus”. (Tiago 1.19,20) Uma boa razão é apresentada para exercermos o domínio: “Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus”. É como se o apóstolo tivesse dito: “Enquanto os homens com frequência simulam zelo por Deus e sua glória no calor da sua excitação, que saibam que Deus não precisa de nenhuma de suas expressões de ira; sua causa é mais bem servida por brandura e mansidão do que por ira e fúria”. Salomão diz: “As palavras dos sábios devem em silêncio ser ouvidas, mais do que o clamor do que domina sobre os tolos” (Eclesiastes 9.17). O Dr. Manton diz de algumas assembleias: “Se fôssemos tão rápidos para ouvir como somos rápidos para falar, haveria menos ira e mais proveito nas nossas reuniões. Lembro do episódio em que um maniqueu disputou com Agostinho, e com um clamor insistente gritou: Ouve-me! Ouve-me, e o pai da igreja modestamente respondeu: Nem eu te ouvirei, nem tu me ouvirás, mas ouçamos ambos o apóstolo”. A pior coisa que podemos levar a uma controvérsia religiosa é a raiva. Por mais que seja usada como pretexto da preocupação pelo que é justo e correto, ela não é confiável. A ira é uma atitude humana, e a ira do homem é contrária à justiça de Deus. Os que têm a pretensão de servir a causa de Deus por meio dela mostram que não estão familiarizados nem com Deus nem com a sua causa. Esse sentimento precisa de vigilância especial quando estamos ouvindo a palavra de Deus. Veja 1 Pedro 2.1,2. É Preciso Controle Somos desafiados a suprimir outras inclinações, além da ira precipitada: “…rejeitando toda imundícia e acúmulo de malícia” (Tiago 1.21). A palavra aqui traduzida por imundícia significa aqueles desejos que contêm a maior depravação e sensualidade. E as palavras traduzidas por acúmulo de malícia podem ser compreendidas como referência ao transbordamento da malícia ou de qualquer outra impiedade espiritual. Com isso, somos ensinados, como cristãos, a ser vigilantes e deixar de lado não somente aquelas disposições e pendores mais grosseiros e carnais que designam uma pessoa imunda. Mas todas as desordens de um coração corrompido, que o predispõem contra a palavra e os caminhos de Deus. O pecado é uma coisa que corrompe; é chamado de a própria imundícia. Rejeite o Pecado Há abundância de coisas más a serem vigiadas em nós; há acúmulo de malícia. Não é suficiente reprimir as inclinações más, mas elas precisam ser rejeitadas e lançadas fora. Em Isaías 30.22 está escrito: “E as lançarás fora como um pano imundo e dirás a cada uma delas: Fora daqui!”. Isso deve se estender não somente a pecados exteriores e a abominações maiores. Mas a todos os pecados de pensamento e inclinação como também da fala e da prática; pasanrhyparian – toda a imundícia, tudo que é corrompido e pecaminoso. Observe, com base nas partes anteriores do capítulo, que o lançar fora toda a imundícia é o que um período de tentações e aflições requer, e é o que é necessário para se evitar o mal, e para que haja a correta recepção e progresso na palavra da verdade. TIAGO 2 ESTUDO: A FÉ É CONFIRMADA PELAS OBRAS Em Tiago 2, há uma ênfase muito forte a relação entre a fé e as obras. Tiago começa falando sobre a discriminação entre o rico e o pobre. E apresentaa maneira como deve ser tratada. A misericórdia deve sempre guiar os nossos relacionamentos. Por isso, nossos julgamentos e decisões devem ser influenciados por ela. Tiago discorre de forma contundente sobre a importância de uma fé cristã confirmada pelo comportamento, ou pelas obras. Ele não vê sentido em um cristão que não apresenta no seu dia-a-dia, traços de generosidade, compaixão e amor. Esboço de Tiago 2: Tiago 2.1 – 9: A discriminação e a parcialidade Tiago 2.10 – 13: Misericórdia e juízo Tiago 2.14 – 19: A fé sem obras é morta Tiago 2.20 – 26: A importante relação entre fé e obras A Fé Que Não Salva “De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: “Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se”, sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? (Tiago 2:14-16) A fé que não salva na verdade não nos traz proveito algum; uma mera profissão de fé pode às vezes parecer proveitosa, para obter a boa opinião dos que são verdadeiramente bons, e pode em alguns casos produzir coisas boas aos olhos do mundo. Mas que proveito trará, se alguém ganhar o mundo e perder a sua alma? Que aproveita? Porventura, a fé pode salvá-lo? Todas as coisas devem ser consideradas proveitosas ou não proveitosas para nós na medida em que tendem a promover ou atrapalhar a salvação da nossa alma. E, acima de todas as coisas, devemos cuidar para fazer tal balanço da fé como algo que não tem proveito se não salva, mas agrava nossa condenação e destruição no final. Um homem ter fé, e ele dizer que tem fé, são duas coisas diferentes; o apóstolo não diz: Se um homem tem fé sem obras, pois isso não é um caso presumível. A ideia central dessa parte das Escrituras é mostrar claramente que uma opinião, ou especulação, ou consentimento, sem obras, não é fé. Mas a questão é colocada desta forma: Se alguém disser que tem fé etc. Os homens são capazes de se orgulhar de algo a outros, e serem em si mesmos presunçosos de algo de que na verdade estão destituídos. Amor Operante Somos ensinados que assim como o amor ou a caridade são princípios operantes, assim é a fé, e que nenhum desses aspectos prestaria para qualquer coisa se não fosse assim. E, ao tentar ver com que se parece uma pessoa que simula que é muito caridosa, mas que nunca faz nenhuma obra de caridade, você pode julgar que sentido há em alguém simular que tem fé sem os frutos necessários e apropriados dela: “E, se o irmão ou a irmã estiverem nus e tiverem falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí?” (Tiago 2.15-17). O que essa caridade, que consiste em meras palavras, vai aproveitar a vocês ou aos pobres? Vocês querem aparecer diante de Deus com essas demonstrações de caridade vazias? Vocês podem também simular que o seu amor e caridade vão passar no teste sem atos de misericórdia assim como pensam que uma profissão de fé vai defendê-los diante de Deus, mesmo não tendo obras de piedade e obediência. “Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tiago 2.17). ATENÇÃO! Somos propensos demais a descansar numa mera profissão de fé, e a pensar que isso vai nos salvar; é religião leviana e barata dizer: “Cremos nos artigos da fé cristã”. Mas é uma grande ilusão imaginar que é suficiente para nos levar ao céu. Os que argumentam dessa forma fazem injustiça a Deus, e fraudam a sua própria alma. Uma fé cómica é tão odiosa quanto a caridade cómica, e ambas mostram um coração que está morto para a verdadeira piedade. Você pode ter tanto prazer em um corpo morto, no vazio da alma, dos sentidos ou de ações, quanto Deus tem prazer em uma fé morta, em que não há obras. TIAGO 3 ESTUDO: O PODER DA LÍNGUA E A SABEDORIA Em Tiago 3, há um ensino poderoso sobre a língua. As nossas palavras podem edificar sonhos fantásticos, assim como pode destruí-los. Tiago nos ensina sobre o mundo de maldade e pecado que há escondido em um órgão tão pequeno, e sobre o nosso dever de dominá-lo. Não devemos usar a boca como fonte de bênção e maldição. Ela deve ser apenas, fonte de bênção. Uma fonte limpa! Ele encerra Tiago 3, falando sobre a diferença entre a sabedoria terrena e a sabedoria do alto. Uma se comporta de maneira carnal, egoísta, insensata, destrutiva. A outra é muito superior! Pacífica, espiritual, amorosa e promotora da união. Esboço de Tiago 3: Tiago 3.1 – 6: A língua é um mundo de iniquidade Tiago 3.7 – 12: Da boca procede a bênção e a maldição Tiago 3.13 – 18: Sabedoria terrena e sabedoria do alto A Língua é Perigosa “Semelhantemente, a língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha. Assim também, a língua é um fogo; é um mundo de iniquidade. Colocada entre os membros do nosso corpo, contamina a pessoa por inteiro, incendeia todo o curso de sua vida, sendo ela mesma incendiada pelo inferno. (Tiago 3:5,6) Essas palavras não proíbem que façamos o que for possível para instruir e direcionar outros no caminho do seu dever ou para reprová-los no caminho cristão por aquilo que está faltando. Mas não devemos simular falar e agir como os que são os líderes regulares, não devemos dar ordens uns aos outros, como que para tornar o nosso modo de sentir o padrão para testar os outros, porque Deus dá diversos dons aos homens, e espera de cada um de acordo com a medida de luz que Ele dá. “Por isso, não sejam muitos de vocês mestres (ou professores, como dizem alguns); não se apresentem com ar de mestres, impostores e juízes, mas antes falem com humildade e espírito de aprendizes; não censurem uns aos outros, como se tudo tivesse de se submeter aos seus padrões”. O Perigo do Julgamento Os que se levantam como juízes e censuradores receberão “…mais duro juízo”. Ao julgarmos os outros tornamos o nosso próprio julgamento tanto mais rigoroso e severo (Mateus 7.1,2). Aqueles que são curiosos e espiam as faltas dos outros, e são arrogantes ao pronunciar qualquer censura sobre eles, podem esperar que Deus seja igualmente duro em notar o que eles dizem e o que lhes falta. Outra razão contra assumirmos o papel de mestre é que somos todos pecadores: “Porque todos tropeçamos em muitas coisas” (Tiago 3.2). Devemos pensar mais nos nossos próprios erros e transgressões, devemos ser menos inclinados a julgar outras pessoas. Enquanto somos severos contra o que consideramos ofensivo nos outros, não levamos em consideração o quanto há em nós que é com razão ofensivo a eles. Os que se justificam a si mesmos geralmente também se condenam a si mesmos. Somos Culpados Somos culpados diante de Deus; e os que se vangloriam sobre as fragilidades e debilidades de outros pouco imaginam quantas coisas são ofensivas neles mesmos. E mais ainda, talvez o seu comportamento autoritário e sua língua crítica se mostrem piores do que quaisquer faltas que condenam nos outros. Devemos aprender a nos julgar severamente, mas também devemos ser generosos em julgar a outros. TIAGO 4 ESTUDO: GUERRAS E O RELACIONAMENTO COM DEUS Em Tiago 4, aprendemos qual é a raiz das guerras, discussões, desentendimentos e intrigas que há na humanidade, são os desejos malignos do coração. Tiago adverte que se formos dominados por eles viveremos em guerra. Só não temos o que desejamos por dois motivos: 1. Não pedimos a Deus, 2. São pedidos que Deus não pode atender. Tiago aprofunda a ideia de relacionamento, compromisso e intimidade com Deus. Ele nos mostra o que é necessário para se achegar a Deus de forma real e sincera. Não devemos julgar o próximo. Não somos juízes da Palavra de Deus, apenas observadores. Por isso, nosso comportamento deve ser de união e respeito mesmo quando discordamos em alguns pontos. Por fim, Tiago fala sobre a expectativa do dia de amanhã. Não podemos nos gloriar nele, pois ele não existe ainda. Devemos nos gloriar no Senhor e na esperança deque o “amanhã” virá por causa da sua graça. Esboço de Tiago 4: Tiago 4.1 – 3: O motivo das “guerras” Tiago 4.4 – 6: Amizade com o mundo é inimizade contra Deus Tiago 4.7 – 10: Como chegar perto de Deus Tiago 4.11 – 17: Julgar o próximo e o dia de amanhã Zelo ou Ambição? “De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam dentro de vocês? Vocês cobiçam coisas, e não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras. Não têm, porque não pedem. Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres. (Tiago 4:1-3) O apóstolo reprova aqui as guerras dos cristãos de origem judaica, e os seus desejos como a causa delas. Os judeus eram um povo muito revoltoso, e por isso tinham constantes guerras com os romanos. E eram um povo muito belicoso e dividido, e com frequência brigavam entre si. Muitos desses cristãos pervertidos contra cujos erros e vícios é escrita esta epístola parecem ter concordado com as brigas gerais. Por conta disso, o apóstolo lhes informa que a origem das suas guerras e brigas não era (como eles pensavam) o verdadeiro zelo pelo seu país e pela honra de Deus, mas que os seus desejos predominantes eram a causa de tudo. O que é coberto e escondido sob uma ilusória pretensão de zelo por Deus e pela religião com frequência procede do coração do homem, da sua maldade, cobiça, ambição e vingança. Os judeus tiveram muitas guerras com o poder romano antes de serem totalmente destruídos. Com frequência se envolviam numa briga desnecessariamente, e então se dividiam em partidos e facções acerca dos diferentes métodos de conduzir as suas guerras contra o inimigo comum. E daí acontecia que, mesmo quando sua causa estava supostamente bem, contudo sua forma de se envolver e de conduzi-la vinha de uma origem má. Seus desejos mundanos e carnais suscitavam e conduziam suas guerras e brigas; mas podemos pensar que foi dito suficiente aqui para dominar esses desejos; pois eles fazem guerras internas como também lutas externas. Paixões e Desejos Paixões e desejos impetuosos primeiro guerreiam em seus membros, e então suscitam hostilidade na nação. Há guerra entre a consciência e a corrupção, e há guerra também entre uma corrupção e outra, e dessas disputas surgiram as brigas uns com os outros. Se aplicarmos isso a casos particulares, não podemos contar de lutas e disputas entre parentes e vizinhos e dizer que vêm desses desejos que guerreiam nos seus membros? Do desejo pelo poder e domínio, do desejo pelo prazer, do desejo por riquezas, de algum desses desejos ou de outros ainda surgem todas as brigas e disputas que há no mundo. E, visto que todas as guerras e brigas vêm das corrupções do nosso próprio coração, é, portanto, o método indicado para a cura da disputa colocar o machado à raiz, e mortificar esses desejos que guerreiam nos membros. Cobiça Sem Conquista O simples fato de pensarmos no seu desapontamento deveria matar esses desejos: “Cobiçais e nada tendes; sois invejosos e cobiçosos e não podeis alcançar (Tiago 4.2). Cobiçais grandes coisas para vós mesmos, e pensais em obtê-las pela vossa vitória sobre os romanos ou suprimindo um ou outro partido entre vós. Pensais que podeis garantir grandes prazeres e felicidade para vós mesmos, ao derrotarem qualquer coisa que ameace vossos maus desejos; mas, ai de vós! Estais perdendo o vosso labor e o vosso sangue, enquanto matais uns aos outros com opiniões como essas”. Desejos imoderados ou são totalmente frustrados, ou não são satisfeitos e saciados quando se obtêm as coisas desejadas. As palavras “não podeis alcançar” significam que eles não podem obter a felicidade que buscam. Então, os desejos mundanos e carnais são a perturbação que não vai permitir o contentamento ou a satisfação na mente. TIAGO 5 ESTUDO: JUÍZO DE DEUS E A VOLTA DE JESUS Em Tiago 5, os ricos injustos são alertados sobre o juízo de Deus que recairá sobre eles, por explorarem ao pobre e não se importarem com seu sofrimento. Não devemos desanimar diante dos sofrimentos da vida. É necessário mantermos a esperança e a paciência, esperando com expectativa a volta de Jesus Cristo. Tiago continua exortando os cristãos em relação a oração, o louvor e a confissão de pecados. Ele cita o exemplo da paciência e fé de Elias, que orou três vezes antes que o Senhor Deus o atendesse. Esboço de Tiago 5: Tiago 5.1 – 6: Juízo contra os ricos injustos Tiago 5.7 – 11: A paciência e a Volta de Jesus Tiago 5.12 – 16: O juramento, a oração e o louvor Tiago 5.17 – 20: A oração e o exemplo de Elias Ricos e Incrédulos “Ouçam agora vocês, ricos! Chorem e lamentem-se, tendo em vista a miséria que lhes sobrevirá. A riqueza de vocês apodreceu, e as traças corroeram as suas roupas. O ouro e a prata de vocês enferrujaram, e a ferrugem deles testemunhará contra vocês e como fogo lhes devorará a carne. Vocês acumularam bens nestes últimos dias. (Tiago 5:1-3) Vamos considerar as suas palavras aos pecadores. E aqui temos Tiago confirmando o que o seu grande Mestre tinha dito: “Mas ai de vós, ricos! Porque já tendes a vossa consolação” (Lucas 6.24). Essas palavras de advertência não foram dirigidas aos ricos que professavam a fé cristã, mas aos judeus mundanos e incrédulos, que são descritos aqui como os que condenam e matam o justo, algo que os cristãos não tinham poder algum para fazer. E embora essa epístola tenha sido escrita por causa dos fiéis, e tenha sido enviada principalmente a eles, contudo, pode-se considerar que o autor está se dirigindo aqui aos judeus incrédulos. Eles não ouviriam a palavra, e por isso ela foi escrita, para que eles a lessem. Observamos na primeira saudação desta epístola, que ela não é dirigida, como o eram as epístolas de Paulo, aos irmãos em Cristo, mas às doze tribos; e a saudação não é: graça e paz de Cristo, mas, em geral: saúde (capítulo. 1.1). Os pobres entre os judeus receberam o evangelho, e muitos deles creram. Mas os judeus como um todo rejeitaram o cristianismo, e foram endurecidos na sua incredulidade, e odiaram e perseguiram aqueles que creram em Cristo. É a essas pessoas opressoras, incrédulas, perseguidoras e ricas que o apóstolo se dirige nos primeiros seis versículos. Calamidade e Miséria Ele prenuncia os castigos de Deus que virão sobre eles (Tiago 5.1-3). Misérias virão sobre eles, e misérias tão terríveis que somente a expectativa delas já é suficiente para fazê-los chorar e gritar. Misérias que surgirão exatamente das coisas em que eles depositam a sua felicidade, e as misérias que serão completadas por essas coisas que testemunham contra eles no final, para sua completa destruição. E eles são, agora, chamados à razão, e a pesarem a questão seriamente, e a pensarem como vão suportar o castigo de Deus: “Eia, pois, agora vós, ricos”. Vocês podem estar certos disto: calamidades terríveis virão sobre vocês. Calamidades que não trarão consigo nenhuma ajuda ou conforto, mas tudo serão misérias, miséria no tempo, miséria para a eternidade, miséria nas suas aflições exteriores, miséria na sua disposição mental interior, miséria neste mundo, miséria no inferno. Não é uma miséria apenas que está vindo sobre vocês, mas misérias. A ruína da sua nação e religião está à porta; e virá um dia de ira, quando as riquezas não darão benefício algum aos homens, mas todos os ímpios serão destruídos. (Henry, Matthew, Comentário de Atos a Apocalipse)