[RESUMO] LIVRO_ Como Eles Agiam
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[RESUMO] LIVRO_ Como Eles Agiam


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FICO, Carlos. Como eles agiam. Os subterrâneos da Ditadura Militar: espionagem e 
polícia política. Rio de Janeiro: Record, 2001. 269 p. 
 
 
RESUMO 
 
 
Por Carlos Eduardo Batista dos Santos
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Carlos Fico
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 é bacharel em história pela UFRJ (1983), mestre em história pela UFF 
(1989), doutor em história pela USP (1996), onde também fez um estágio de pós-
doutoramento em 2006/2007. É professor associado da UFRJ e pesquisador do CNPq. 
Dedica-se ao ensino de teoria e metodologia da história e de história do Brasil republicano e 
desenvolve pesquisas para a história dos seguintes temas: ditadura militar no Brasil e na 
Argentina, historiografia brasileira, rebeliões populares no Brasil republicano e história 
política dos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Criou o Centro Nacional de Referência 
Historiográfica na UFOP, juntamente com Ronald Polito, e coordenou o Programa de Pós-
graduação em História Social da UFRJ entre 2002 e 2006. Foi "Cientista do Nosso Estado" da 
FAPERJ entre 2003 e 2006. Recebeu o Prêmio Sergio Buarque de Holanda de Ensaio Social 
da Biblioteca Nacional em 2008. 
O autor Carlos Fico nos traz, com base em uma vasta pesquisa acerca da recente 
história da Ditadura Militar brasileira, um trabalho respaldado inúmeras fontes. Embora esse 
tema tenha sido abordado por vários autores, devido a sua importância histórica e 
complexidade, o autor inova, imergindo em documentos oficiais governamentais, procedentes 
da Divisão de Segurança e Informações (DSI), do Ministério da Justiça. Atualmente, esses 
documentos encontram-se guardados no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro. 
Certamente, os documentos que foram utilizados na pesquisa realizada para embasar 
essa obra, apresentam inúmeras identidades de envolvidos direta ou indiretamente, nas mais 
 
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 O autor é Oficial Superior da PMPB, Bacharel em Segurança Pública, Especialista em Segurança Pública, 
Especialista em Gestão e Tecnologias Educacionais, Especialista em Segurança Pública e Direitos Humanos, 
MBA em Gestão Estratégica de Pessoas na Administração Publica e Mestrando em Educação pela Universidad 
de Leon (Espanha). 
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 Informações retiradas do Curriculum Lattes do autor da obra. 
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diversas ações governamentais. Mas, por razões éticas e legais, Carlos Fico decidiu resguardá-
las. 
Todavia, vale ressaltar que essa obra não está focada na totalidade do período 
ditatorial militar brasileiro. A principal atenção do autor está voltada para a estrutura e o 
funcionamento do sistema de segurança e informações governamental, que espionou e 
reprimiu aqueles que ousavam discordar dos que detinham o mando da nação. 
Sabe-se que a Ditadura Militar alternou períodos de maior e menor intensidade 
repressiva, tendo sido o seu auge entre os anos de 1960 e 1974. Pertence a essa época a 
consolidação do sistema nacional de segurança e informações. A época do domínio militar em 
nosso país iniciou-se com um golpe que deporia o então presidente João Goulart. Às 
primeiras horas do dia 2 de abril de 1964, ignorando um comunicado redigido às presas pelos 
assessores de Goulart, dando conta que este ainda se encontrava no país, o cargo de presidente 
da república foi declarado vago. 
Assumiu seu lugar, como mera formalidade, o presidente da Câmara dos Deputados. 
Pois enquanto isso, no Rio de Janeiro, o general Costa e Silva encabeçava o Comando 
Supremo da Revolução que decidiria os rumos do futuro governo militar. Em reunião no 
Ministério da Guerra, os militares revolucionários e a elite política que os apoiava indicavam 
Castelo Branco para ser o primeiro general presidente do Brasil. 
Costa e Silva resistiu à idéia de nomear Castelo Branco, mas acaba por ceder e ser 
nomeado para a pasta da Guerra do novo governo, aglomerando junto a si os militares mais 
radicais. A partir desse momento, grandes dificuldades enfrentaria Castelo Branco, 
pressionado pelas arbitrariedades e truculência dos militares denominados como linha dura. 
O amparo legal para os atos violentos dos militares que buscavam livrar a nação da 
suposta ameaça comunista, bem como da invasão da corrupção, veio da criação dos atos 
Institucionais. O primeiro desses, o AI-1, permitiu a abertura de inquéritos e processos, os 
quais se espalharam por todo território nacional, sendo, na sua maioria, dirigidos a revelia da 
lei, sob os ditames da vingança e da perseguição. 
Seguiu-se o período de radicalização da repressão inflamado pela entusiasmada 
retórica anticomunista e anticorrupção do governador Carlos Lacerda e pelo poder de 
liderança que Costa e Silva exercia sobre os militares. 
Dois dias antes de acabar o prazo para as cassações e suspensões dos direitos 
políticos, estipulado para 15 de junho de 1964, foi criado o Sistema Nacional de Informações 
(SNI). Temerosos que o SNI surgisse semelhante ao Departamento de Impressa e Propaganda, 
do governo getulista, as lideranças parlamentares resistiram em aprová-lo. Criação do general 
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Gobery do Couto e Silva, moderado da Escola de Guerra (ESG), o SNI teve a necessidade de 
sua criação estudada desde 1950. 
Mesmo já existindo um Sistema Federal de Informação e Contra-Informação 
(SFICI), desde o governo Kubitschek, relacionado com o Conselho Nacional de Segurança, o 
governo militar desejava criar um sistema de informações afinado com a doutrina de 
segurança nacional. A ideologia ou doutrina que embasava a segurança nacional sofreu, ao 
longo da ditadura Militar brasileira, a influência da diversidade que apresentava a composição 
do meio militar. Houve variações de visões políticas que ia desde os defensores de uma 
legislação democrática até os radicais de direita, como também desde os nacionalistas 
ferrenhos aos pouco crentes nas potencialidades do Brasil frente às grandes nações do mundo. 
De acordo com a ESG, berço do SNI, o Brasil possuía as características necessárias 
para inserir-se no contexto da Guerra Fria. Os expressivos números que contabilizavam sua 
extensão e população, a posição geográfica estratégica e a suposta fragilidade diante da 
influência da invasão ideológica dos comunistas internacionais eram citados como 
justificativas pelos defensores dessa idéia. 
Golbery foi o primeiro chefe do SNI, que apesar de ter sido criado, a princípio, como 
órgão de informação, passaria a ser mais fortemente conhecido pela história brasileira como 
mais uma ferramenta repressiva. 
As tensões entre Castelo Branco e os setores militares mais radicais, que buscavam 
autonomia para a prática de arbitrariedade nos Inquéritos Policiais Militares (IPMs), 
investigações, perseguições e punições que efetuavam, estavam cada vez mais acentuadas. 
Reconhecidamente, Costa e Silva figurava como ponte entre o governo e os radicais 
autonomistas, cujas ações já ganhavam publicidade nos jornais. Nas raras vezes que sofriam 
apurações, as arbitrariedades dos responsáveis pelos IPMs, que já mantinham coronéis 
investigadores até mesmo nas universidades, não sofreram sanções. Mesmo assim, estes 
militares não aceitavam serem contestados. 
A emissão de habeas corpus e a seleção de quais punições deveriam ser 
administradas, limitando os poderes punitivos dos militares radicais, além da não publicação 
de um livro, que comprometeria alguns militares com a subversão à Revolução, acirrou os 
ânimos, reafirmando a necessidade de um novo AI que garantisse a supremacia dos militares 
exaltados. 
Para acalmar os militares linha dura, que temiam a eleição de algum inimigo da 
Revolução, o governo desgastou-se, aprovando leis de inelegibilidade e incompatibilidade 
para a as próximas eleições. De nada adiantou, pois, por outro lado, uma grande enxurrada de 
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projeto de lei e atos arbitrários dos militares chegavam ao Ministro da Justiça, Mílton 
Campos, que prevendo a chegada de um novo AI pede exoneração. 
O sucessor de Carlos Lacerda