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UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA DEPARTAMENTO DE MEDICINA E ENFERMAGEM EFG 110 – Fundamentos históricos da enfermagem “Quais os marcos importantes para a evolução da enfermagem e como esses contribuíram para o avanço da profissão” Integrantes: Ana Carolina Lisboa de Oliveira – 106016 Tamara Martins Arcanjo – 106037 João Victor da Silva Santos – 106000 Gabrielle Teodoro Benevides – 102621 Professor: Pedro Paulo do Prado Júnior Viçosa, 18 de outubro de 2021 A partir de pesquisas e leituras vinculadas a alguns autores, como a escritora brasileira Waleska Paixão, que abordam a história da enfermagem de forma cronológica em relação aos seus acontecimentos, é possível afirmar que a prática da Enfermagem, como é conhecida atualmente, é relativamente recente. Até o final do século 19, os cuidados com os doentes eram vinculados aos princípios religiosos e vistos como uma vocação espiritual. As primeiras organizações que prestavam esses serviços eram vinculadas a igrejas e muitas das vezes eram vistas como práticas de caridade/solidariedade em um contexto de forte teor teológico a baixo aproveitamento científico, principalmente na área da enfermagem. É válido ressaltar que por muito tempo a Enfermagem foi vista como subordinada dentro de uma hierarquia de profissão e que muitas das vezes precisou ser forte para romper com os olhares subjetivos da profissão. Foi nesse contexto que Florence Nightingale (1820-1910), considerada fundadora da Enfermagem moderna, começou sua atuação. A jovem teve uma importante atuação durante a Guerra da Crimeia, um conflito que ocorreu em meados do século 19 entre a Rússia e a Turquia, na qual organizou os atendimentos aos soldados feridos. Nightingale transformou a enfermagem, rompendo com o modelo tradicional, da época, e trazendo à tona uma nova forma de se promover o cuidado, considerando-se fatores antes não considerados, como o ambiente em que o paciente estava inserido. Nesse contexto, a enfermeira desenvolveu a Teoria Ambientalista, um marco que fez possível o desenvolvimento da profissão, das formas de cuidado e, consequentemente, uma mudança no âmbito da enfermagem, o que colaborou demasiadamente para melhores condições de tratamentos aos pacientes. Além de Florence Nightingale, a enfermeira do interior da Bahia, Ana Neri (1814-1880) também é considerada precursora da área no Brasil e sendo considerada um marco na história da enfermagem brasileira. O reconhecimento que essa mulher obteve foi devido a sua importante atuação na Guerra do Paraguai, quando ofereceu seus serviços como enfermeira ao exército do Brasil, onde ela começou a prestar seus cuidados aos feridos, utilizando os mesmos princípios da teoria ambientalista de Florence. Devido as grandes conquistas que obteve em seu trabalho, Ana Neri começou a ser homenageada, recebeu duas medalhas, a de prata Geral de Campanha e a Humanitária de Primeira Classe, além disso, em 1923, fundou-se a primeira escola de Enfermagem no Brasil que foi batizada com seu nome, e também, em 2009, por meio da Lei nº 12.105, de 2 de dezembro, Ana Neri foi a primeira brasileira a integrar o Livro dos Heróis e das Heroínas da Pátria. Nesse contexto, a enfermeira trouxe grande reconhecimento para a enfermagem brasileira, introduzindo a teoria ambientalista e revolucionando o cuidado no país, ajudando a impulsionar ainda mais o desenvolvimento dessa área da saúde no Brasil. Ademais, é de extrema relevância abordar que com o passar do tempo, a Enfermagem foi ganhando seu papel como profissão e mais em específico como uma prática nitidamente pautada em evidências científicas. No decorrer do espaço cronológico, principalmente a partir de 1950, uma série de investimentos em pesquisas nos campos da enfermagem começaram a surgir no mundo, tendo em vista a criação de um saber próprio da profissão baseado em norteadores embasados em justificações das áreas das ciências. Outrossim, é justo ressaltar que houve um avanço em relação às leis que resguardam o exercício da profissão pelo mundo. Como exemplo disso, é válido ressaltar que até mesmo dentro do Código de Ética da profissão, que surge de maneira integralmente deontológica, houve uma série de modificações que permitiram ao mesmo chegar nos dias atuais com uma grande bagagem de direitos resguardados aos profissionais dessa área. Por volta de 1980, percebe-se uma série de investimentos em pós graduações, acompanhados de um avanço na quantidade de especialidades e lugares de atuação abrangidos pelos enfermeiros. Sendo assim, todas essas mudanças foram amplamente benéficas para a ampliação da ´´voz´´ dessa profissão no mundo. Mesmo que de forma ainda reduzida, a valorização da enfermagem tem uma forte ligação com a sua evolução histórica, ao passo de que muitas das mudanças permitiram que o enfermeiro ganhasse espaço tanto nos locais de atuação, quanto na Graduação da profissão que vai contar com o surgimento de inúmeras escolas de enfermagem pelo mundo. Nesse contexto, surge uma série de autoras, que baseadas nos Metaparadigmas da Enfermagem (Indivíduo, Ambiente, Saúde e Enfermagem), vão proporcionar a criação das teorias de enfermagem, como à Ambientalista de Florence N., que até hoje contribui de forma positiva e indissociável durante a assistência desses profissionais. O cuidado, instrumento de trabalho da Enfermagem, ganha uma série de ressignificações e com isso chega atualmente como uma forma de prestar assistência totalmente centralizada no indivíduo, levando em consideração o ambiente ao seu redor e os vários fatores por trás de um quadro clínico. Dessa forma, métodos de prever agravos durante o cuidado foram adicionados a prática de enfermagem com o passar do tempo e isso sem sombra de dúvidas representou um grande avanço positivo para a profissão, possibilitando melhores confortos aos clientes e melhorando os laços profissional/cliente e até mesmo profissional/profissional. Considerações Finais: Sendo assim, é notório que o processo de evolução que se deu durante o passar de História da Enfermagem foi extremamente positivo para a profissão. Aos poucos a Enfermagem passou a ser abrangida por deontologias e direitos, passou a ser configurada como uma profissão pautada em evidências científicas e vem ganhando cada vez mais espaço entre os laços trabalhistas. Referências Bibliográficas: Backes, Dirce Stein, et al. “Contribuições de florence nightingale como empreendedora social: da enfermagem moderna à contemporânea”. Revista Brasileira de Enfermagem, vol. 73, outubro de 2020. SciELO, https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-0064. Ximenes Neto, F. et al. Reflexões sobre a formação em Enfermagem no Brasil a partir da regulamentação do Sistema Único de Saúde. Scielo Brasil, v. 25, n. 1, p. 37-46, Set. 2019. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/1413-81232020251.27702019>. Acesso em: 13 Out. 2021. Grisard, Nelson; Vieira, Edith Tolentino de Souza. Ana Neri, madrinha da enfermagem no Brasil. Gazeta Médica da Bahia, n. 2, 2009 Coelho de Souza, M; Borenstein, M. História da enfermagem: ensino, pesquisa e interdisciplinaridade. Esc Anna Nery R. Enferm, v. 10, n. 3, p. 532-538, dez. 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ean/a/pNmDZmnPBQG8CwTDwhsnckk/?format=pdf. Acesso em: 13 Out. 2021 https://doi.org/10.1590/0034-7167-2020-0064 https://www.scielo.br/j/ean/a/pNmDZmnPBQG8CwTDwhsnckk/?format=pdf