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CONCILIAÇÃO SIMULADA
Caso adaptado de WALDMAN, Ellen (ed.). Mediation 
Ethics: cases and commentaries. San Francisco: 
Jossey-Bass, 2011, p.159-160.
Caso adaptado de WALDMAN, Ellen (ed.). Mediation Ethics: cases and 
commentaries. San Francisco: Jossey-Bass, 2011, p.159-160.
FATOS:
Raquel é uma estudante do segundo ano da faculdade de Direito que tem a fotografia como hobby. Como não está gosta muito do 
curso, Raquel pensava em transformar o hobby em profissão. Por isso, vinha praticando diariamente e gostava de distribuir fotos 
entre parentes e amigos. Muitas das fotos foram emolduradas por uma tia dentista, que resolveu expô-las em seu consultório 
odontológico. Em certa ocasião, Carla, uma modelo até então desconhecida, foi ao consultório da tia de Raquel para pedir o 
orçamento de um clareamento dentário. Vendo as fotos, Carla ficou impressionada com a qualidade e pediu o contato da fotógrafa. 
No mesmo dia, ligou para Raquel e a convenceu a fazer algumas fotos suas para acrescentar no seu book, dizendo que as fotos 
seriam encaminhadas para diversas revistas e agências de modelo. Raquel aceitou, pois achava que isso poderia ser a sua grande 
chance de largar de vez a faculdade de Direito. Assim, pediu dinheiro emprestado para o pai e comprou equipamentos fotográficos 
mais sofisticados. No dia combinado, Raquel e Carla andaram pela cidade de São Paulo fazendo diversas fotos pelo caminho. Em 
especial, uma foto no Parque do Ibirapuera ao pôr-do-sol, com Carla em primeiro plano, ficou particularmente impressionante. No 
dia combinado, Raquel entregou os arquivos digitais à Carla e não teve mais nenhuma notícia. Passados alguns meses, 
surpreendeu-se ao ver a foto tirada no Ibirapuera estampando a capa de uma revista de viagem. Comprou a revista e notou que, 
pelo teor da reportagem, a foto era atribuída ao próprio repórter, sem qualquer crédito a ela. Inconformada, com a ajuda do setor de 
atendimento do fórum, ingressou sozinha com uma ação no Juizado Especial Cível contra Carla e a revista, pedindo 20 
salários-mínimos pelo direito de imagem e pelos danos materiais. O processo foi remetido pelo juiz do caso para o setor de 
conciliação. No dia da audiência de conciliação, Carla não compareceu, mas foi representada pelo advogado da revista. Raquel foi 
sozinha. Antes mesmo de iniciarem a conversa, o advogado pediu a palavra, ameaçando entrar com uma reconvenção, pleiteando 
danos morais no patamar de 200 salários-mínimos uma vez que as reputações da revista e de Carla teriam sido fortemente 
abaladas pela alegação de Raquel, que classificou como “mentirosa”.
Fatos sobre Raquel
Você trouxe todos os arquivos digitais, bem como a foto tirada no Parque do Ibirapuera 
impressa. Os gastos com os novos equipamentos fotográficos foram em torno de 10 
salários-mínimos. Embora ache justo receber um valor maior para compensar o seu 
trabalho, a sua maior preocupação é devolver o dinheiro emprestado para o seu pai. De 
fato, ao saber da história, o pai ficou enfurecido e falou para ela esquecer a fotografia e se 
empenhar mais no estudo do Direito. O pai lhe disse que, no mínimo, como estudante de 
Direito, ela deveria ter feito um contrato escrito. Falando em Direito, você não sabe o que 
é reconvenção, mas ficou preocupada com o tom ameaçador do advogado da parte 
contrária. Pior que não receber nada seria ser condenada a pagar um valor tão alto como 
o requerido.
Fatos sobre Carla
Como advogado especializado, você sabe que a revista visivelmente cometeu uma violação dos 
direitos autorais da autora. No entanto, sabe também que a foto de Raquel passou por processo de 
edição, com uso de softwares como Photoshop. Isso, no seu entendimento, permite que o valor 
pleiteado seja reduzido consideravelmente. A ameaça de entrar com reconvenção foi simplesmente 
uma ameaça. Sabe que a reconvenção é vedada no Juizado Especial Cível (artigo 31 da Lei nº 
9.099/95), mas achou que a mencionar seria uma forma de ter maior poder de barganha na 
negociação. Se o acusarem de litigância de má-fé, vai sustentar que se equivocou apenas quanto à 
nomenclatura, pois o que queria de fato era fazer um pedido contraposto, este admitido no Juizado. 
A revista lhe deu autonomia para negociar até R$ 8.000,00, destacando que eventual valor superior 
seria descontado do pagamento de seu bônus anual. Carla foi orientada por você a não comparecer, 
pois poderia atrapalhar. No entanto, ela se mostrou arrependida de ceder as fotos à revista sem 
mencionar a autoria de Raquel. Você teme que, em caso de redesignação da audiência, tais fatos 
venham à tona e a revista seja condenada a pagar todo o valor pedido, além dos inegáveis danos à 
imagem que possa sofrer por causa da condenação.
Fatos sobre o Conciliador
Você é graduado em Ciências da Computação e atua como conciliador voluntário há 
mais de 5 anos. Embora não tenha formação em Direito, a experiência como 
conciliador acabou trazendo algum conhecimento jurídico. Sabe, por exemplo, que a 
reconvenção é vedada no Juizado Especial Cível (art. 31 da Lei nº 9.099/95), mas não 
sabe qual a diferença entre a reconvenção e o pedido contraposto. Sabe ainda que, 
embora haja visíveis sinais de edição da foto, a autoria é de Raquel. Não sabe como 
o juiz julgaria um caso desses, mas acha que seria injusto que Raquel recebesse 
menos do que gastou com o equipamento fotográfico.