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DJi - Extinção da Punibilidade - Causas de Extinção da Punibilidade

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e outra processual, referente à suspensão do processo. Deveria essa regra retroagir
para alcançar os crimes cometidos antes da entrada em vigor da Lei n. 9.271/96? Resposta: não é
possível dividir a lei em duas partes, para que somente uma delas retroaja: ou a lei retroage por inteiro ou
não. Sempre que houver lei híbrida (misto de penal e processo), a parte penal tende a prevalecer, para
fins de retroatividade em benefício do agente. Como a parte penal (suspensão da prescrição) é menos
benéfica, a norma não retroage por inteiro (Nesse sentido: STF, 2ª T., HC 74.695-SP,j. 11-3-1997,
Informativo STF, n. 63, p. 2, de 19-3-1997, Boletim IBCCrim, n. 54/192; STF, 1 ª T., HC 75.284-5, j.
14-10-1997, DJU, 21-11-1997; STJ, HC 5.546-SP, 6ª T., Rel. Min. Wi1liam Patterson, j. 26-5-1997,
DJU, 16-6-1997.);
f) estando o acusado no estrangeiro, em lugar sabido, será citado mediante carta rogatória, suspendendo-
se o prazo de prescrição até seu cumprimento, de acordo com a nova redação do art. 368, determinada
pela Lei n. 9.271, de 17 de abril de 1996. No caso de rogatória não cumprida, o prazo também ficará
suspenso até a sua juntada com a notícia da nãolocalização do acusado;
g) nos crimes contra a ordem econômica, o acordo de leniência: foi criado pela Lei n. 10.149, de 21 de
dezembro de 2000, a qual alterou a Lei n. 8.884, de 11 de junho de 1994, que dispõe sobre a repressão
às infrações contra a ordem econômica. Trata-se de espécie de delação premiada e se aplica aos crimes
previstos nos arts. 4º, 5º e 6º da Lei n. 8.137/90. "Significa que, à colaboração do autor de infrações à
ordem econômica, sejam administrativas ou penais, corresponde um tratamento suave, brando, da
autoridade administrativa oujudicial" (Damásio E. de Jesus, PHOENIX, órgão informativo do Complexo
Jurídico Damásio de Jesus, n. 1, fev. 2001.). Existem duas espécies desse acordo: (a) econômico-
administrativo (art. 35-B da Lei n. 8.884/94); (b) penal (art. 35-C da Lei n. 8.884/94). Esse acordo
consiste na colaboração efetiva do autor do crime econômico com as investigações e o processo
administrativo, resultando na identificação dos demais co-autores da infração e na obtenção de
informações e documentos que comprovem a infração. Celebrado o acordo, fica suspenso o
oferecimento da denúncia, bem como a prescrição da pretensão punitiva, até que o ajuste seja
integralmente cumprido, após o que haverá extinção da punibilidade.
- a enumeração é taxativa. A suspensão do processo para instauração de incidente de insanidade mental
não é causa suspensiva da prescrição (CPP, art. 149).
Crimes complexos e Crimes conexos: a prescrição da pretensão punitiva no tocante a crime que funciona
como elemento típico de outro não se estende a este. Exemplo: crime de extorsão mediante seqüestro; a
prescrição do seqüestro em nada afeta o tipo complexo do art. 159 do CP.
Da mesma forma, a prescrição do crime conexo não afeta a agravação da pena do outro crime em face
da conexão. Exemplo: homicídio qualificado pelo fim de assegurar ocultação de crime anterior (art. 121,
§ 2º, V, do CP). A prescrição do crime anterior que se quis ocultar não extingue a qualificadora do fim
de garantir a ocultação, de maneira que o homicídio continua sendo qualificado.
Prescrição da pretensão punitiva intercorrente, posterior ou superveniente à sentença condenatória: é a
prescrição que ocorre entre a data da publicação da sentença condenatória e o trânsito em julgado. Por
isso, ela é chamada de intercorrente ou de superveniente à sentença condenatória. Seu prazo é calculado
com base na pena concreta fixada na sentença e não com base no máximo cominado abstratamente. No
momento da consumação do crime, ou seja, na data em que se inicia o prazo prescricional, ainda não se
sabe qual pena será fixada, no futuro, pelo juiz na sentença. É impossível, portanto, na data do fato,
pretender calcular a prescrição de acordo com a pena concreta (ninguém tem bola de cristal para
adivinhar qual pena o juiz irá aplicar). Só há, portanto, uma solução: calcular o prazo prescricional em
função da maior pena possível. No entanto, depois de proferida a sentença condenatória, não existe mais
qualquer justificativa para continuar calculando a prescrição pela pior das hipóteses (a maior pena
possível), uma vez que já se conhece a pena para aquele caso concreto. Por essa razão, o art. 110, § 1º,
do CP determina que, após o trânsito em julgado da condenação para a acusação, a prescrição é
regulada pela pena fixada na sentença. Note-se que a condenação precisa transitar em julgado para a
acusação. Isso porque, em face do que dispõe o art. 617 do CPP, a pena não pode ser agravada em
recurso exclusivo da defesa (princípio da non reformatio in pejus). Assim, se a acusação se conformou
com a pena fixada, esta passou a ser a maior pena possível, pois não poderá ser aumentada em recurso
exclusivo da defesa, passando, então, a servir de base para o cálculo da prescrição. Conclusão: até a
sentença condenatória, a prescrição é calculada pela maior pena prevista no tipo; após a sentença
condenatória transitada em julgado para a acusação, calcula-se pela pena fixada na sentença.
Não é só: mesmo que a acusação não se conforme com a pena e apele, ainda assim a prescrição poderá
ser calculada de acordo com a pena concreta. Quando? Quando o recurso acusatório for improvido.
Explica-se: a acusação poderia pretender ingressar com um recurso somente para evitar o trânsito em
julgado e, assim, impedir o cálculo da prescrição pela pena in concreto. Desse modo, negado provimento
ao seu recurso, é como se nunca tivesse recorrido, devendo o tribunal calcular a prescrição de acordo
com a pena fixada na sentença.
A prescrição, portanto, é regulada pela pena concretamente fixada na sentença quando esta transitar em
julgado para a acusação ou quando seu recurso for improvido.
Há outras hipóteses: se o recurso da acusação não visava a aumento de pena, também a prescrição será
calculada pela pena que foi fixada pelo juiz, uma vez que, nesse caso, a pena jamais poderá ser
aumentada. Finalmente, ainda que haja recurso da acusação visando aumento de pena e que tal recurso
seja provido, será possível o reconhecimento da prescrição se, mesmo diante do aumento determinado
pelo tribunal, ainda assim tiver decorrido o prazo prescricional. Exemplo: a pena é elevada de 1 para 3
anos, aumentando-se de 2 para 4 anos o prazo prescricional. Se tiverem decorrido 4 anos entre a
publicação da sentença condenatória e o acórdão, será reconhecida a prescrição intercorrente, com base
na pena concreta f