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STF - COLETÂNEA DE JUSRISPRUDÊNCIA STF - PROF.RODRIGO MENEZES

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ou de complementação normativa. Esse 
princípio — cuja observância vincula, incondicionalmente, todas as manifestações do Poder Público — deve 
ser considerado, em sua precípua função de obstar discriminações e de extinguir privilégios (RDA 55/114), sob 
duplo aspecto: (a) o da igualdade na lei e (b) o da igualdade perante a lei. A igualdade na lei — que opera 
numa fase de generalidade puramente abstrata — constitui exigência destinada ao legislador que, no processo 
de sua formação, nela não poderá incluir fatores de discriminação, responsáveis pela ruptura da ordem 
isonômica. A igualdade perante a lei, contudo, pressupondo lei já elaborada, traduz imposição destinada aos 
demais poderes estatais, que, na aplicação da norma legal, não poderão subordiná-la a critérios que ensejem 
tratamento seletivo ou discriminatório. A eventual inobservância desse postulado pelo legislador imporá ao ato 
estatal por ele elaborado e produzido a eiva de inconstitucionalidade.” (MI 58, Rel. p/ o ac. Min. Celso de Mello, 
julgamento em 14-12-90, Plenário, DJ de 19-4-91) 
 
DIREITO CONSTITUCIONAL – PROF. RODRIGO MENEZES 
COLETÂNEA DE JURISPRUDÊNCIA DO STF – PARTE 01 – Art. 5º, caput ao inc. XII 
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IGUALDADE E A SITUAÇÃO DO ESTRANGEIRO 
 
“A teor do disposto na cabeça do artigo 5º da Constituição Federal, os estrangeiros residentes no País 
têm jus aos direitos e garantias fundamentais.” (HC 74.051, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 18-6-
96, 2ª Turma, DJ de 20-9-96) 
 
“O súdito estrangeiro, mesmo aquele sem domicílio no Brasil, tem direito a todas as prerrogativas básicas 
que lhe assegurem a preservação do status libertatis e a observância, pelo Poder Público, da cláusula 
constitucional do due process. O súdito estrangeiro, mesmo o não domiciliado no Brasil, tem plena 
legitimidade para impetrar o remédio constitucional do habeas corpus, em ordem a tornar efetivo, nas 
hipóteses de persecução penal, o direito subjetivo, de que também é titular, à observância e ao integral 
respeito, por parte do Estado, das prerrogativas que compõem e dão significado à cláusula do devido 
processo legal. A condição jurídica de não-nacional do Brasil e a circunstância de o réu estrangeiro não 
possuir domicílio em nosso país não legitimam a adoção, contra tal acusado, de qualquer tratamento 
arbitrário ou discriminatório. Precedentes. Impõe-se, ao Judiciário, o dever de assegurar, mesmo ao réu 
estrangeiro sem domicílio no Brasil, os direitos básicos que resultam do postulado do devido processo 
legal, notadamente as prerrogativas inerentes à garantia da ampla defesa, à garantia do contraditório, à 
igualdade entre as partes perante o juiz natural e à garantia de imparcialidade do magistrado 
processante.” (HC 94.016, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 16-9-08, 2ª Turma, DJE de 27-2-09) 
 
"Tratamento igualitário de brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil. O alcance do disposto na cabeça 
do artigo 5º da Constituição Federal há de ser estabelecido levando-se em conta a remessa aos diversos 
incisos. A cláusula de tratamento igualitário não obstaculiza o deferimento de extradição de estrangeiro." 
(Ext 1.028, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 10-8-06, Plenário, DJ de 8-9-06) 
 
"Ao estrangeiro, residente no exterior, também é assegurado o direito de impetrar mandado de segurança" 
(RE 215.267, Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 24-4-01, 1ª Turma, DJ de 25-5- 01) 
 
"Ao recorrente, por não ser francês, não obstante trabalhar para a empresa francesa, no Brasil, não foi 
aplicado o Estatuto do Pessoal da Empresa, que concede vantagens aos empregados, cuja aplicabilidade 
seria restrita ao empregado de nacionalidade francesa. Ofensa ao princípio da igualdade: CF, 1967, art. 
153, § 1º; CF, 1988, art. 5º, caput). A discriminação que se baseia em atributo, qualidade, nota intrínseca 
ou extrínseca do indivíduo, como o sexo, a raça, a nacionalidade, o credo religioso, etc., é inconstitucional. 
Precedente do STF: Ag 110.846(AgRg)-PR, Célio Borja, RTJ 119/465. Fatores que autorizariam a 
desigualização não ocorrentes no caso." (RE 161.243, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 29-10-96, 
2ª Turma, DJ de 19-12-97) 
 
IGUALDADE E O PAPEL DO JUDICIÁRIO 
 
Gratificação de encargos especiais concedida aos coronéis da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. 
Extensão a Militares de patentes diversas. Isonomia. Impossibilidade. Súmula 339 do STF. A 
jurisprudência do STF fixou entendimento no sentido de que ‘não cabe ao Poder Judiciário, que não tem 
função legislativa aumentar vencimentos de servidores públicos, sob fundamento de isonomia’. Incidência 
do óbice da Súmula 339 do STF. Precedentes.” (RE 563.100-AgR, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 
24-6-08, DJE de 15-8-08). No mesmo sentido: RE 547.066-AgR, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 
7-10-08, DJE de 21-11-08. 
 
IGUALDADE E PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS 
 
"Ação direta de inconstitucionalidade: Associação Brasileira das Empresas de Transporte Rodoviário 
Intermunicipal, Interestadual e Internacional de Passageiros - ABRATI. Constitucionalidade da Lei n. 
8.899, de 29 de junho de 1994, que concede passe livre às pessoas portadoras de deficiência. Alegação 
de afronta aos princípios da ordem econômica, da isonomia, da livre iniciativa e do direito de propriedade, 
DIREITO CONSTITUCIONAL – PROF. RODRIGO MENEZES 
COLETÂNEA DE JURISPRUDÊNCIA DO STF – PARTE 01 – Art. 5º, caput ao inc. XII 
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além de ausência de indicação de fonte de custeio (arts. 1º, inc. IV, 5º, inc. XXII, e 170 da Constituição da 
República): improcedência. (...) A Lei n. 8.899/94 é parte das políticas públicas para inserir os portadores 
de necessidades especiais na sociedade e objetiva a igualdade de oportunidades e a humanização das 
relações sociais, em cumprimento aos fundamentos da República de cidadania e dignidade da pessoa 
humana, o que se concretiza pela definição de meios para que eles sejam alcançados." (ADI 2.649, Rel. 
Min. Cármen Lúcia, julgamento em 8-5-08, Plenário, DJE de 17-10-08) 
 
IGUALDADE EM CONCURSO PÚBLICO 
 
"Concurso público: princípio de igualdade: ofensa inexistente. Não ofende o princípio da igualdade o 
regulamento de concurso público que, destinado a preencher cargos de vários órgãos da Justiça Federal, 
sediados em locais diversos, determina que a classificação se faça por unidade da Federação, ainda que 
daí resulte que um candidato se possa classificar, em uma delas, com nota inferior ao que, em outra, não 
alcance a classificação respectiva." (RE 146.585, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, julgamento em 18-4-95, 
1ª Turma, DJ de 15-9-95) 
 
"Concurso público. (...) Prova de títulos: exercício de funções públicas. Viola o princípio constitucional da 
isonomia norma que estabelece como título o mero exercício de função pública." (ADI 3.443, Rel. Min. 
Carlos Velloso, julgamento em 8-9-05, Plenário, DJ de 23-9-05). No mesmo sentido: ADI 3.522, Rel. Min. 
Marco Aurélio, julgamento em 24-11-05, Plenário, DJ de 12-5-06. 
 
"Razoabilidade da exigência de altura mínima para ingresso na carreira de delegado de polícia, dada a 
natureza do cargo a ser exercido. Violação ao princípio da isonomia. Inexistência." (RE 140.889, Rel. p/ o 
ac. Min. Maurício Corrêa, julgamento em 30-5-00, 2ª Turma, DJ de 15-12-00) 
 
"Concurso público — Fator altura. Caso a caso, há de perquirir-se a sintonia da exigência, no que implica 
fator de tratamento diferenciado com a função a ser exercida. No âmbito da polícia, ao contrário do que 
ocorre com o agente em si, não se tem como constitucional a exigência de altura mínima, considerados 
homens e mulheres, de um metro e sessenta para a habilitação ao cargo de escrivão, cuja natureza é 
estritamente escriturária, muito embora de nível elevado." (RE 150.455, Rel. Min. Marco Aurélio, 
julgamento