Plano de Ensino Direito Administrativo - Professor Ricardo Pires Calciolan
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d) (VETADO).
d) para restabelecer a relação que as partes pactuaram inicialmente entre os encargos do contratado e a retribuição da administração para a justa remuneração da obra, serviço ou fornecimento, objetivando a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato, na hipótese de sobrevirem fatos imprevisíveis, ou previsíveis porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual. (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)
§ 1o  O contratado fica obrigado a aceitar, nas mesmas condições contratuais, os acréscimos ou supressões que se fizerem nas obras, serviços ou compras, até 25% (vinte e cinco por cento) do valor inicial atualizado do contrato, e, no caso particular de reforma de edifício ou de equipamento, até o limite de 50% (cinqüenta por cento) para os seus acréscimos.
Esta alteração repercute no preço.
§ 2º Nenhum acréscimo ou supressão poderá exceder os limites estabelecidos no parágrafo anterior.
§ 2o  Nenhum acréscimo ou supressão poderá exceder os limites estabelecidos no parágrafo anterior, salvo: (Redação dada pela Lei nº 9.648, de 1998)
I - (VETADO) (Incluído pela Lei nº 9.648, de 1998)
II - as supressões resultantes de acordo celebrado entre os contratantes. (Incluído pela Lei nº 9.648, de 1998)
§ 3o  Se no contrato não houverem sido contemplados preços unitários para obras ou serviços, esses serão fixados mediante acordo entre as partes, respeitados os limites estabelecidos no § 1o deste artigo.
§ 4o  No caso de supressão de obras, bens ou serviços, se o contratado já houver adquirido os materiais e posto no local dos trabalhos, estes deverão ser pagos pela Administração pelos custos de aquisição regularmente comprovados e monetariamente corrigidos, podendo caber indenização por outros danos eventualmente decorrentes da supressão, desde que regularmente comprovados.
§ 5o  Quaisquer tributos ou encargos legais criados, alterados ou extintos, bem como a superveniência de disposições legais, quando ocorridas após a data da apresentação da proposta, de comprovada repercussão nos preços contratados, implicarão a revisão destes para mais ou para menos, conforme o caso.
§ 6o  Em havendo alteração unilateral do contrato que aumente os encargos do contratado, a Administração deverá restabelecer, por aditamento, o equilíbrio econômico-financeiro inicial.
§ 7o (VETADO)
§ 8o  A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato, as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo, podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento
Interesse público \u2013 pacta sunt servanda
Sem limites / Supressão ou ampliação aquelas acordadas e as clausulas regulamentares.
B-	Manutenção do equilíbrio econômico financeiro
\u2018Rebus SIC Stantibus\u2019
	Teoria da imprevisão.
Segundo a conceituação de MARIA HELENA DINIZ (1998:519), tem-se que:
[...] moderna doutrina jurídica que admite, em casos graves, a possibilidade
de revisão judicial dos contratos quando a superveniência de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis, por ocasião da formação dos pactos, torna sumamente onerosa a relação contratual, gerando a impossibilidade subjetiva de se executarem esses contratos. [...].
A Teoria da Imprevisão é a tradução da fórmula rebus sic stantibus pode ser lido como estando as coisas assim ou enquanto as coisas estão assim. Deriva da fórmula contractus qui habent tractu sucessivum et dependendum de futuro rebus sic stantibus intelligentur. (contrato que trata de prestações futuras e condicionais deve ser interpretado segundo as circunstâncias em que se encontra na atualidade)2. Esta Teoria se revela num moderno movimento que permite ao juiz, obedecidas certas circunstâncias, revisar o contrato mediante o pleito unilateral de um dos contratantes.
A Teoria da Imprevisão no Código Civil
O Código Civil brasileiro (CC) vigente introduz, além dos artigos. 478 a 480, outras indicações que cuidam da alteração das circunstâncias de fato, ao estilo dos artigos 620, 625 e 317, que em se valendo do conceito de imprevisão, na verdade estabelece uma autêntica cláusula tácita de correção do valor de prestações contratuais ou de escala móvel, na hipótese do silêncio do contrato a esse respeito.
A Teoria da Imprevisão no Direito Administrativo
 
Ora, acreditava o administrador que se o próprio contrato administrativo já dissesse quais seriam as fórmulas que seriam utilizadas para se re-equilibrar a equação econômico-financeira abalada, desnecessária a invocação da referida Teoria, evitando que os rumos do contrato fugissem do controle da Administração.
Entretanto, não se atentou para o fato de que não se pode prever o imprevisível, e que, pois o inesperado sempre acontece. Assim, é impensável que o administrador possa prever toda uma infinidade de situações ordinárias e extraordinárias que possam ocorrer durante a vigência do contrato administrativo, razão pela qual as cláusulas de reajuste de preços limitam-se a regular situações ordinárias, tidas como relativamente normais e esperadas, sendo, portanto, sempre previsíveis.
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É sabido que os contratos administrativos são regulados pela Lei nº 8.666/93
(Lei de Licitações e Contratos Administrativos), que, em seus artigos (40, XI, 55, III), estabelecem
normas quanto à observância obrigatória de certas regras, sendo impositivo também estejam expressas as cláusulas de reajuste de preços, tanto no corpo do instrumento contratual como no próprio ato convocatório do processo de licitação. A revisão do contrato é remédio que procura restabelecer o equilíbrio econômico-financeiro quebrado por alguma contingência factual superveniente à avenca, que trouxe situação extremamente onerosa para uma delas.
A revisão é decorrência da Teoria da Imprevisão, tendo lugar quando a interferência causadora da quebra do equilíbrio econômico-financeiro consista em um fato imprevisível, ou previsível de conseqüências incalculáveis, anormal e extraordinários (são exemplos: geada no sertão nordestino, incêndios, enchentes etc.).
Sendo imprevisível, é lógico que tal fato não está previsto no contrato, até porque não havia como as partes cogitar de seu acontecimento quando da avença.
Nos contratos administrativos a Teoria da Imprevisão foi expressamente acolhida por nossa Constituição Federal de 1988, ao garantir que nestes haveriam de serem mantidas as condições efetivas da proposta4.
4 CF/88. Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: [...] -
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.
O contrato deve ser mantido, mesmo que situações fáticas sejam alteradas. 
Art. 58.  O regime jurídico dos contratos administrativos instituído por esta Lei confere à Administração, em relação a eles, a prerrogativa de:
I - modificá-los, unilateralmente, para melhor adequação às finalidades de interesse público, respeitados os direitos do contratado;
II - rescindi-los, unilateralmente, nos casos especificados no inciso I do art. 79 desta Lei; 
III - fiscalizar-lhes a execução;
IV - aplicar sanções motivadas pela inexecução